quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quem fala em insubordinação fala em hierarquia...

Brechas para o autoritarismo
O que é (mesmo) intolerável, inaceitável, incompreensível…


publicada quarta-feira, 19/12/2012 às 13:38 e atualizada quarta-feira, 19/12/2012 às 13:57


Escrevinhador



Por Paulo Moreira Leite, no Vamos Combinar

Não há motivo para surpresa no voto de Celso de Mello, autorizado o Supremo a cassar o mandato de parlamentares. Embora a decisão contrarie o artigo 55 da Constituição, que determina expressamente que cabe a Câmara cassar o mandato de deputados – e ao Senado, fazer o mesmo com senadores – este voto era previsível.

A maior surpresa veio depois. Após anunciar seu voto, Celso de Mello declarou que qualquer reação do Congresso, contrariando sua decisão, será “intolerável, inaceitável e incompreensível.” Ele ainda definiu que seria “politicamente irresponsável” e “juridicamente inaceitável.” Mais: seria uma “insubordinação”.

São palavras que pressupõem uma relação de autoridade entre poderes. Celso de Mello disse que há atitudes que o STF pode tolerar ou não.

Pode compreender, aceitar ou não. Quem fala em insubordinação fala em hierarquia.

Confesso que percorri a Constituição e não encontrei nenhum artigo que dissesse que o Congresso é um poder “subordinado” ao STF. A Constituição diz, em seu artigo primeiro, que “todo poder emana do povo, que o exerce através de seus representantes eleitos.”

Acho coerente com este artigo numero 1 que caiba ao presidente da República escolher os ministros do Supremo. E o Senado referenda – ou não – a escolha. Sempre entendi que há uma harmonia entre os poderes. Devem tolerar-se e respeitar-se. Mas, se há uma hierarquia ela se define pelo voto.

Foi Luiz Inácio Lula da Silva quem indicou Joaquim Barbosa, posteriormente aprovado pelos senadores. O mesmo aconteceu com Celso de Mello, indicado por José Sarney. Ou com Gilmar Mendes, indicado por Fernando Henrique Cardoso. Foram os eleitores que escolheram Lula e Fernando Henrique. Sarney foi escolhido pelo Colégio Eleitoral, expressando, de forma indireta e distorcida, a vontade dos eleitores.

E foi pelo voto de 407 constituintes, ou 72% do plenário, escolhido por 66 milhões de brasileiros, que se escreveu o artigo 55, aquele que garante que o mandato será cassado (ou não) por maioria absoluta de parlamentares. É um texto tão cristalino que mesmo o ex-ministro Carlos Velloso, favorável a que a Câmara cumpra automaticamente a decisão do STF, admite, em entrevista a Thiago Herdy, no Globo de hoje: “No meu entendimento, ao Supremo cabia condenar e suspender os direitos políticos e comunicar a Câmara, a quem caberia cassar o mandato.”

No mesmo jornal, Dalmo Dallari, um dos grandes constitucionalistas brasileiros, afirma: “o constituinte definiu e deu atribuição ao Legislativo para que decida sobre a matéria. O Parlamento, em cada caso, verifica se é a hipótese de perda de mandato.” Para Dallari, “temos que obedecer o que a Constituinte estabeleceu. Então eu só vou obedecer naquilo que me interessa? No que estou de acordo? Não tem sentido.”

Ao se apresentar como poder moderador entre a Justiça e o Parlamento, na Constituinte de 1824, Pedro I disse que aceitaria a Constituição desde que…”ela fosse digna do Brasil e de mim.”

Hoje, a Folha de S. Paulo, define a decisão do STF, de cassar os mandatos, como um “mau passo.” O jornal explica:

“O fundamento dessa interpretação está na própria Constituição. O parágrafo segundo do artigo 55 diz que somente o Congresso pode decidir sobre cassação de mandatos de deputados condenados. A regra se baseia no princípio de freios e contrapesos -neste caso, manifesta na necessidade de preservar um Poder de eventuais abusos cometidos por outro.

Com a decisão de ontem, como evitar que, no futuro, um STF enviesado se ponha a perseguir parlamentares de oposição? Algo semelhante já aconteceu no passado, e a única garantia contra a repetição da história é o fortalecimento institucional.”

Essa é a questão. O artigo 55 destinava-se a proteger os direitos do eleitor, ao garantir que só representantes eleitos podem cassar representantes eleitos.

Com sua atitude, o Supremo cria um impasse desnecessário.

Se a Câmara aceita a medida, transforma-se num poder submisso. Se rejeita, será acusada de insubordinação frente a Justiça.

É fácil compreender quem ganha com essa situação. Não é a democracia. Só os candidatos a Pedro I.

E isso é que é mesmo “intolerável, inaceitável, incompreensível…”



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terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Acabou a seda...


A AUTOINTITULADA

Veja, a tática do cinismo



Le Monde Diplomatique


Em vez de se apresentar como a ponta de lança da campanha anticorrupção que acabaria por levar Collor a renunciar, a Veja o apoiava sempre que possível. Mais tarde, reinventaria a própria imagem e o papel que desempenhava na queda do presidente corrupto



por Carla Luciana Silva





Uma forma de desvendar a revista Veja é ler as cartas dos leitores, de um entusiasmo algo monótono: “um farol iluminando o mar de lágrimas de nosso mundo político”; “não somente uma bússola [ética], mas também fonte de constância e competência”; uma publicação “livre, corajosa e obcecada pela busca da verdade”.1 Outra é, simplesmente, folhear um exemplar.

A Veja é a revista mais influente da América Latina, com uma tiragem de aproximadamente 1,2 milhão de exemplares, dos quais 925 mil por assinatura, e recruta três quartos de seus leitores entre os 12% de brasileiros mais abastados – população que, parece, não se incomoda com uma visão de mundo conservadora. A seção “Panorama”, por exemplo, exibe regularmente imagens e citações de homens e mulheres públicos: os primeiros, de terno, expressam sempre suas preocupações políticas; elas, pouco vestidas, se inquietam sobre o peso ou as nádegas. Já a publicidade ocupa em média mais de setenta das 140 páginas da publicação. Na edição de 7 de novembro de 2012, os leitores depararam com dezesseis páginas seguidas de propaganda da Procter & Gamble.

É necessário, contudo, desembolsar R$ 9,90 para comprar a Veja em uma banca – o equivalente a 1/60 do salário mínimo. Essa proporção, na França, significaria desembolsar mais de 18 euros por uma L’Express ou Le Nouvel Observateur. Papel fino e principalmente cinza, manchetes capitulares, capa sensacionalista: a Veja não é propriamente uma revista elegante. Sua ambição? Figurar entre as instituições “indispensáveis ao país que desejamos ser”, como proclama seu slogan. E o país a que aVeja aspira não gosta nada do Estado.

Na edição de 15 de agosto de 2012, o editorial enalteceu um programa de privatização que coloca o Brasil “em harmonia com a lei da gravitação universal”. Não sem advertir: “a presidente Dilma Rousseff vai se chocar contra as resistências evidentes de seu partido, o PT, e contra outras forças reacionárias da esquerda. Trata-se de uma batalha na qual necessitará do apoio da opinião pública. O apoio da Veja já está garantido”.

Editada pelo Grupo Abril, a Veja surgiu em 1968, mesmo ano do Ato Institucional n. 5, que marcou a radicalização da repressão exercida pela junta que chegou ao poder em 1964. Se, por um lado, a revista sempre teve uma relação ambígua com a ditadura, por outro se engajou a favor das reformas neoliberais desde o retorno da democracia, em 1985 – com a mesma devoção com que anuncia sua linha editorial de “jamais refugiar-se no conforto da imparcialidade”.

Em 1989, na primeira campanha presidencial democrática após a queda dos militares, aVeja apoiou Fernando Collor, cuja base política era frágil em relação à candidatura de Lula. Barbudo, sindicalista, sem diploma universitário, este entoava um discurso que ameaçava os poderosos. Na época, o proprietário do grupo Globo, Roberto Marinho, também escolheu seu lado. Sobre Collor, alertava seus funcionários: “Não criticamos esse jovem”.2A Veja atuava da mesma forma, construindo a imagem de um candidato “jovem e sedutor” e grande “caçador de marajás”.

Nos anos seguintes, uma questão obcecou os economistas ortodoxos: a inflação, que acabava com as economias dos rentistas. E aterrorizou a Veja, que consagrou várias capas ao tema com, por exemplo, um vampiro com olhos esbugalhados (9 maio 1993), um crocodilo fotografado de frente e com a boca aberta (9 mar. 1994) ou ainda um dragão cujas labaredas de fogo parecem queimar a capa (4 dez. 2002).

A Veja também se alarma diante de protestos e manifestações populares: os organizados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e os dos sindicatos. Assim, no dia 31 de maio de 1995, publicou na capa uma fotomontagem que apresenta o presidente Fernando Henrique Cardoso usando um capacete de soldado. A publicação o felicita por “domar” a central sindical mais importante do país ao reprimir uma greve de petroleiros com o Exército.



As “ditaduras populistas”

Preocupada com a chegada ao poder dos dirigentes progressistas na América Latina, a revista se empenhou em denunciar as “ditaduras populistas”. No dia 10 de maio de 2006, com a manchete “Essa doeu!”, representa um Lula visto de costas após ter recebido um chute no traseiro. A imagem era uma burla da suposta ingenuidade do chefe de Estado perante seu homólogo boliviano, Evo Morales, que acabava de nacionalizar o gás e o petróleo bolivianos, explorados por empresas brasileiras – porque, para a Veja, os interesses das multinacionais devem prevalecer. No dia 4 de julho de 2012, a revista denunciou uma tentativa de golpe de Estado no Paraguai: não a de Frederico Franco, exitosa, e sim a do presidente venezuelano Hugo Chávez, que teria tentado destituir Franco com o Exército paraguaio...

Até o início da década de 2000, o PT era o assunto que mais preocupava a publicação. No dia 23 de outubro de 2002, às vésperas da eleição que levou Lula à presidência, a Vejapegou pesado. A manchete “O que querem os radicais do PT” titulava uma imagem do candidato do partido segurando uma coleira com um cachorro de três cabeças – as de Lenin, Marx e Trotski –, que o desequilibrava. Enquanto Lula enviava sua “Carta aos brasileiros”, destinada a tranquilizar os especuladores, o periódico chamava a atenção para as franjas “extremistas” do partido.

A Veja se considera na vanguarda da luta contra a corrupção: um editorial de 5 de setembro de 2012 apresenta a revista como a “bússola ética” do Brasil. Mas esse comportamento desempenha, em primeiro lugar, a função de despolitizar. “Ao colocar a corrupção no centro do tratamento da informação política, a Veja transforma o político em policial e omite o fato de que sua própria conduta policial é eminentemente política”, analisa o jornalista Roberto Efrem Filho.3 Assim, em vez de se apresentar como a ponta de lança da campanha anticorrupção que acabaria por levar Collor a renunciar, a Veja o apoiava sempre que possível. Mais tarde, reinventaria a própria imagem e o papel que desempenhava na queda do presidente corrupto. Da mesma forma, em 2005, a Vejareivindicou a revelação do mensalão, quando em realidade a denúncia havia sido feita pelaFolha de S.Paulo.

Mais grave, a própria revista está envolvida em casos de corrupção. Há ligações entre Policarpo Júnior, diretor da Veja em Brasília, e empresários como Carlinhos Cachoeira, acusado de desvio de dinheiro. O caso desencadeou a criação de uma comissão parlamentar de inquérito batizada de “CPI Cachoeira”. Policarpo, nomeado redator-chefe em janeiro de 2012 e encarregado das páginas políticas, aparece em gravações que o implicam na publicação de artigos e reportagens cujo único objetivo era promover o interesse de empresários.

Confrontada pelo ressentimento anticorrupção que ela mesma ajudou a alimentar, notadamente na internet, a Vejareagiu violentamente, chegando até a denunciar na capa as “táticas de guerrilha destinadas a manipular as redes sociais” (16 maio 2012). Nessa nota, acusa o PT de colocar um robô encarregado de publicar mensagens anti-Vejano Twitter. Solidário, O Globoapoiou a revista em nome da “defesa da liberdade”.



Carla Luciana Silva

é autora de Veja: indispensável partido neoliberal (1989-2002), Edunioeste, Cascavel, 2009

Ilustração: André Dahmer




1 Respectivamente, 23 maio 2012, 12 e 19 set. 2012.
2 Citado por Christian Dutilleux em Lula, Flammarion, Paris, 2005.
3 Roberto Efrem Filho, “A revista Veja e o meu pai”, Brasil de Fato, São Paulo, 19 jun. 2008.

domingo, 16 de dezembro de 2012

a exceção da mentira para condenar

Política|

Carta aberta de um jornalista ao Supremo Tribunal Federal



Quero propor a Vossas Excelências que não atropelem a linha que os separa dos demais poderes. O ódio por alianças partidárias nasce de um vício idealista de quem chega ao poder sem ter que passar pelo voto da cidadania. É essencial para a ordem pública confiar na Justiça, mas para que isso aconteça não basta condenar os grandes: é preciso simplesmente condenar os culpados, segundo as provas. O artigo é de J.Carlos de Assis.

J. Carlos de Assis (*)


Passei as duas décadas da ditadura sem ter sido vítima de tortura física, sem enfrentar mais que dois interrogatórios militares, sem ter sido condenado. Conheci, porém, pessoalmente, a justiça da ditadura. Em 1983, incriminado nos termos da Lei de Segurança Nacional por ter denunciado na “Folha de S. Paulo” as entranhas do escândalo da Capemi, enfrentei um processo pela antiga Lei de Segurança Nacional no qual a denúncia se baseava em dedução. Foi com base em deduções que Vossas Excelências, em plena democracia, condenaram figuras proeminentes do PT, pela culpa de serem proeminentes. Quanto a mim, tive melhor sorte: fui absolvido por um juiz militar que já não acreditava mais na ditadura, Helmo Sussekind.

Não traço paralelo entre o crime a mim imputado e aquele por que foram condenados Dirceu e outros senão pela absoluta falta de prova, num caso, e a declarada desnecessidade dela, noutro. Meu crime teria sido, na letra do Art. 14 da LSN de 68, “divulgar, por qualquer meio de comunicação social, notícia falsa, tendenciosa ou fato verdadeiro truncado ou deturpado, de modo a indispor ou tentar indispor o povo com as autoridades constituídas”. Pena, de seis meses a dois anos de reclusão. Nota-se que não se falava de provas. Poderia ter sido condenado, pois tudo ficava ao arbítrio do juiz: sob pressão do sistema sua tendência era condenar.

Sussekind, contra a letra e o espírito da lei, para me absolver me permitiu a exceção da verdade. Vossas Excelências, inventando lei, fizeram a exceção da mentira para condenar.

Não disseram mais de um de seus pares que não era possível acreditar que Dirceu não soubesse dos fatos, fatos esses que só existiram na imaginação fértil de dois procuradores e de um ministro relator com ganas de promotor, decididos todos a inventá-los para compor um “caso”? É assim que julga um ministro deste Tribunal, pensando o que os réus teriam sido obrigados a pensar seguindo o figurino da acusação? Dêem-me uma evidência, uma apenas, de relação entre pagamentos de despesas de campanha e votações no Congresso: suas estatísticas estão simplesmente furadas; elas não comportam uma análise científica de correlação, mesmo porque o critério que o procurador usou para estabelecê-la estava viciado pelo resultado que ele queria encontrar.

Não sou jurista. Mas na ciência política que tenho estudado junto a pensadores eminentes como Max Weber e Norberto Bobbio as doutrinas jurídicas têm uma posição singular. Weber, sobretudo, fala em justiça no cádi em casos de grande comoção social. Entretanto, nosso país está em calma. O pouco que aprendi de direito de cidadania me leva a concluir que Vossas Excelências cometeram uma monstruosidade jurídica ao fundar seu veredito contra Dirceu, de forma arbitrária, no princípio alemão do domínio funcional do fato.

Não me estenderei sobre isso para não repetir o que já disse alhures, embora me alegra o fato de que outros jornalistas e principalmente juristas, consultando um dos formuladores originais do princípio, passaram a expor com evidência cristalina sua inaplicabilidade ao caso Dirceu. Sim, Excelências, para condenar é preciso ter provas. Vossas Excelências condenaram sem provas.

Fiquei estupefato ao ouvir o discurso patético de seu novo Presidente com o elogio da independência política do Judiciário. É que suas excelências se comportaram como servos de uma parte da opinião pública manipulada pela mídia de escândalos. Creio que, absorvidos em sua função, Vossas Excelências não têm se apercebido do que está acontecendo com a mídia brasileira. Acossada pela internet, ela já não encontra meios de atrair leitores e anunciantes senão pela denúncia de escândalos reais ou forjados. Haja vista o imenso caudal de ações contra denúncias infundadas que se amontoa no próprio Judiciário. Com o propósito de explorar mais um grande escândalo, desta vez dentro do Governo e do PT, criaram o chamado “mensalão” e o venderam à opinião pública como fato consumado.

Nunca houve evidência de pagamentos regulares, mensais, a parlamentares, mas tornou-se impossível esclarecer os pagamentos como acertos de campanha. Criou-se, dessa forma, no seio da opinião pública uma sensação de grande escândalo, não de caixa dois de campanha, exacerbada quando o procurador, num assomo de retórica, recorreu à expressão, totalmente falsa, de quadrilha.

Finalmente, agora na condição de especialista em Ciência Política, quero propor a Vossas Excelências que não atropelem a linha que os separa dos demais poderes. Sobretudo, que não interfiram na organização política do Brasil condenando arbitrariamente alianças partidárias. Sem alianças não há governo no Brasil. É possível que Vossas Excelências prefiram o sistema americano, ou algum sistema europeu com dois partidos hegemônicos, mas nós não estamos nem nos Estados Unidos nem na Europa. O Supremo não tem competência para alterar isso. Não há democracia sem política, não há política sem partido, e não há partido sem liberdade de organização. O ódio de Vossas Excelências por alianças partidárias nasce de um vício idealista de quem chega ao poder sem ter que passar pelo voto da cidadania. Caveat. É essencial para a ordem pública confiar na Justiça, mas para que isso aconteça não basta condenar os grandes: é preciso simplesmente condenar os culpados, segundo as provas.


(*) Economista, professor de Economia Internacional e chefe do Departamento de Relações Internacionais da UEPB, autor do recém-lançado “A Razão de Deus”. Esta coluna sai também nos sites Rumos do Brasil e Brasilianas, e, às terças, no jornal carioca “Monitor Mercantil”.

sábado, 15 de dezembro de 2012

o último país do mundo a abolir a Escravidão

JUSTIÇA PÕE BATATA DA GLOBO
PARA ASSAR (NA ARGENTINA)


Será a Ley de Medios brasileira a Lei Áurea ?

Conversa Afiada




Como se sabe, o Brasil foi o último país do mundo a abolir a Escravidão.

Abolir, em termos, porque a Casa Grande continua de pé.

E seus capatazes em plena atividade.

O Brasil se comprometeu com a Inglaterrea a abolir o tráfico negreiro em 1850.

E levou 38 anos para abolir a escravidão, por obra e graça de D Pedro II, que, agora, historiadores visigoticos tentam reabilitar.

Na Inglaterra, a Ley de Medios virá com o apoio entusiasmado do Economist, aquela revista arqui-conservadora, que quer a Urúbologa no lugar do Mantega, segundo a respeitada enquete do Conversa Afiada.

Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, França, Equador … e agora a Argentina, onde a Magistratura considera constitucional o que o Legislativo vota.

(Aqui, como se sabe, o Legislativo legisla quando o Supremo autoriza.)

Vamos ver se a Ley de Medios será a nova Lei Áurea.

Viva o Brasil !

Clique aqui para ler na Carta Maior.



Paulo Henrique Amorim

“Vocês já viram banqueiros presos nas manchetes de jornais? Não?”

Fórum em Paris
“A crise pode fazer aparecer algo de novo”, diz Lula


publicada sexta-feira, 14/12/2012 às 12:02 e atualizada sexta-feira, 14/12/2012 às 13:46


Escrevinhador


Por Gianni Carta, na CartaCapital

“Não estou acostumado a ter medo. Durante toda minha vida vivi em crise. Sou de um terra que se até 5 anos e idade você não morreu de fome é um milagre” , diz Lula em visita com Dilma a Paris. ”

Luiz Inácio Lula da Silva fez um de seus mais primorosos discursos hoje à noite, quarta-feira 12, na Fundação Jean-Jaurès, em Paris, onde, em parceria com o Instituto Lula, foi organizado o “Fórum pelo Progresso Social: o Crescimento como Saída da Crise”.


O presidente francês François Hollande e a presidenta Dilma Rousseff, esta em sua primeira visita de Estado à França, abriram o fórum na terça-feira 11, mas foi Lula quem fez o último discurso.

Humor não escasseou na fala do ex-presidente.

“É a primeira vez que pessoas secundárias fazem o discurso final”, disse Lula referindo-se ao discurso a anteceder o seu do ex-premier socialista Lionel Jospin.

“Isso, na França, é muito ruim, porque somos pessoas sem mandato.”

A plateia visivelmente apreciou o discurso sério de um exímio orador que soube engajar personalidades presentes (como Jospin) e mesclar sua própria experiência com a crise econômica global.

“Não estou acostumado a ter medo. Durante toda minha vida vivi em crise. Sou de uma terra que se até 5 anos e idade você não morreu de fome é um milagre”, ofereceu Lula.

Os risos começaram com as primeiras palavras do ex-presidente. “Não falo francês, inglês e nem português.” Disse, então, que falaria devagar para as tradutoras entenderem o que ele diria.

Lula caçoou, ainda, de sua falta de opção na vida. Um jornalista, por exemplo, pode escolher sua profissão. Um metalúrgico não escolhe nada: ele vira metalúrgico para sobreviver.

No entanto, ao longo de mais de uma hora de discurso, ficou claro que o metalúrgico pode ser muito mais sábio do que jornalistas não somente na oratória, mas também na maneira de tratar quem o cerca.

Em 2002, quando subia a rampa do Palácio do Planalto, após ser eleito no primeiro mandato, Lula era criticado pelos “sociólogos” (especialmente por um específico), e pelos “economistas”. “Eles sabem tudo”, argumentou Lula, não sem sua costumeira ironia. Todos, na sua galgada ao Palácio do Planalto, “puxavam minha manga”.

“Não vai”, repetiam.

“Eles me diziam que o Brasil estava quebrado”, contou Lula para o deleite da plateia parisiense. “Mas eu queria fazer algo de diferente. A primeira coisa era que nos respeitássemos. Não somos uma republiqueta.”

Naquela época, contou o ex-presidente, os líderes latino-americanos ficavam presos em seus grotescos paradigmas. Quem, por exemplo, era o melhor amigo de Bill Cintion?

Segundo Lula, o Brasil dava as costas para a América Latina, e, de forma ignorante, para a África, por acreditar que o Oceano Atlântico é uma fronteira.

Em um momento, Lula declarou: “É muito fácil cuidar dos pobres, e muito mais difícil cuidar dos ricos”.

Antes, disse Lula: “O Brasil era um país capitalista sem capital”. O programa de inclusão social Bolsa Família, está claro, fez ingressar milhões de brasileiros na classe média.

Lula fez mais pelos pobres. Investigou, por exemplo, por que eles não tinham acesso ao crédito. “Porque o pobre não oferecia garantias”, descobri. Mas o ex-presidente acabou por acertar que o crédito do trabalhador é seu salário. E, assim, 40 bilhões de dólares foram colocados nas mãos dos pobres.

Por este e outros programas, muitos empresários não votaram em Lula nos seus dois mandatos, argumentou o próprio. “Eles têm medo de mim.” E emendou: “Mas hoje sabem que nunca ganharam tanto dinheiro – e nunca empregaram tanta gente”.

O ex-presidente disse que a crise pode abrir uma oportunidade para os governantes assumirem responsabilidades e tomarem decisões importantes. “Essa crise está nos chamando para as grandes decisões políticas que desaprendemos a tomar depois de um longo tempo de bem-estar social.”

Lula chegou até a questionar o dólar como moeda padrão internacional aqui em Paris. Para ele, é um absurdo um brasileiro ter de comprar um colar boliviano em dólares.

O ex-presidente arrancou aplausos quando disse que se a ONU pôde criar Israel em 1948, mas não faz o mesmo para um verdadeiro Estado da Palestina.

Por fim, ele criticou os banqueiros. “Vocês já viram banqueiros presos nas manchetes de jornais? Não?”

É simples: eles financiam a mídia.



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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Na verdade, Fortunati privatizou uma das áreas mais nobres da cidade.


Uma “Disneylândia” no Cais Mauá?

Dec 13th, 2012 by Marco Aurélio Weissheimer no RS Urgente



Por Paulo Muzell

O tema parecia esgotado, eu mesmo aqui no RS URGENTE fiz vários comentários. Trata-se do polêmico projeto do Cais Mauá, que pretende “revitalizar” a área portuária da cidade, numa faixa que vai da Rodoviária até a Usina do Gasômetro. Um grupo de consultoria, liderado pelo arquiteto e ex-prefeito de Curitiba, Jayme Lerner, desenvolveu um estudo preliminar – um anteprojeto -, propondo localizar centro de convenções, shopping center, hotéis, estacionamento subterrâneo para cinco mil veículos e vários outros empreendimentos. Tudo isso justamente na ponta do “funil” que é o centro da cidade. Para isso o governo Fogaça-Fortunati (Fo-Fo) elaborou, aprovou e sancionou leis alterando o regime urbanístico da área, elevando alturas, índices de aproveitamento, taxas de ocupação e zoneamentos de uso. A altura máxima permitida pelo plano diretor da cidade – 52 metros – foi “esquecida”, aumentada na área do projeto para até 100 metros, o que viabiliza – e o anteprojeto prevê -, a construção de duas torres com mais de trinta andares.

Surge aí o primeiro problema: o V COMAR e a Infraero, responsáveis pelo controle e segurança dos vôos do Aeroporto Salgado Filho alertam a Prefeitura da impossibilidade de licenciar alturas superiores aos já consagrados e aprovados 52 metros. O impasse levou o presidente do Sinduscon à Câmara Municipal na semana passada. Em longa palestra, o representante da construção civil colocou a questão em termos teatrais, dramáticos. Ele afirmou que a burocracia da área civil e militar da aviação coloca entraves que ameaçam o desenvolvimento futuro da cidade. O presidente do Sinduscon repetiu à exaustão – tentando convencer os vereadores e a opinião pública da cidade, contando com o apoio de importantes veículos da mídia – que o desenvolvimento da cidade depende principalmente da construção de “espigões”. Grosseira simplificação. E até ameaçou: persistindo o impasse, Porto Alegre (e sua população) será a grande prejudicada, perderá importantes empreendimentos que irão se deslocar para em cidades do entorno, como Canoas, por exemplo.

Em novembro do ano passado a área foi concedida ao consórcio Porto Cais Mauá (Jaime Lerner), que anunciou o início das obras para março de 2012, o que não aconteceu. No início do segundo semestre deste ano começaram as especulações. Alguns órgãos de imprensa buscaram explicações para o atraso. O consórcio Porto Cais Mauá manteve-se discreto, silencioso. Ficou claro que o consórcio não dispunha de recursos e garantias suficientes para alavancar um empreendimento de tal magnitude: buscava parcerias.

Finalmente em meados de dezembro, ao “apagar das luzes” de 2012 são anunciados os dois novos parceiros que viabilizarão o projeto: a NSG Consultoria, que terá participação de 39% no negócio e a VONPAR S.A., representante local da Coca-Cola, aquela mesma empresa que “adotou” o largo Glenio Peres e lá colocou o malfadado boneco da Copa. Falar em “adoção” é eufemismo. Na verdade, Fortunati privatizou uma das áreas mais nobres da cidade. Pois os representantes da VONPAR-Coca-Cola trouxeram a grande novidade, num anúncio bombástico: ”faremos algo inédito, vamos oferecer uma Disneylândia para toda cidade”. Ora, construir shopping, torres gigantescas, centro de convenções, hotéis, estacionamento gigante além de outros empreendimentos no “funil” da área mais congestionada da cidade já é enorme descalabro. Agora é anunciado mais este absurdo: um parque de diversões ao estilo da Disneylândia.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

A importância de Gonzagão


Luiz Gonzaga (1912-2012): o homem que descortinou o nordeste

Luiz Gonzaga: cem anos hoje
Milton Ribeiro no SUL 21
Nascido há exatos cem anos, Luiz Gonzaga foi o artista que trouxe do nordeste para o resto do país não apenas o baião, o forró e o maxixe; trouxe também ao conhecimento popular a vida do sertão com suas festas, geografia, religiosidade e ritmos. E sua pobreza, injustiças e aridez. A importância de Gonzaga, o Rei do Baião, foi notável para a fixação da identidade nordestina, pois, mesmo construindo uma carreira musical no sudeste, Luiz Gonzaga manteve-se fiel a suas origens.  Pernambucano de Exu, nascido numa sexta-feira, 13 de dezembro de 1912, Luiz Gonzaga elevou à qualidade de gênero vários ritmos nordestinos que conseguiram penetrar à princípio nas rádios do Rio de Janeiro, centro de uma indústria fonográfica em florescente naquela época, e depois em todo — ou quase todo — o Brasil.
A surra
Luiz Gonzaga era adolescente quando começou a se apresentar em bailes, acompanhando seu pai Januário. Mas então apaixonou-se por Nazarena. O pai da moça, um coronel bem típico do nordeste, adornado com nome que não nega o fato – Raimundo Deolindo – ameaçou-o: ou se afastava de Nazarena ou morria. Mesmo assim, o jovem casal conseguia dar um jeitinho de namorar, mas isso só até os pais de Gonzaga aplicarem-lhe uma surra por desobedecer ao coronel. A resposta de Gonzaga foi ingressar no Exército como corneteiro. A farda fez com que ele viajasse por boa parte do Brasil e, em cada canto, foi conhecendo músicos que depois trabalhariam com ele.
Tudo começou no programa de rádio de Ary Barroso
Em 1939, aos 27 anos, deu baixa do Exército. Estava decidido a voltar-se inteiramente à música. Recomeçou tocando acordeão na zona do meretrício do Rio de Janeiro. Por incrível que pareça, seu repertório era de músicas estrangeiras, cujas melodias solava a fim de embalar os efêmeros amores. Durou pouco esta época, pois, em 1941, foi ao programa de rádio de Ary Barroso para de arriscar-se com algo de sua autoria. Foi aplaudido entusiasticamente por Vira e Mexe, um tema bem nordestino. Logo assinou contrato com a gravadora RCA Victor, pela qual lançou mais de 50 músicas, todas instrumentais e de sabor regional, que agradaram a população nordestina da cidade. Seu vestuário ainda eram paletó e gravata.
Foi por influência do acordeonista catarinense Pedro Raimundo – que apresentava-se vestido com uma espécie de pilcha – que Luiz Gonzaga resolveu utilizar indumentária de vaqueiro em seus shows.
Gonzaguinha e Gonzagão: uma relação delicada
Começa o carrossel de emoções
Em 1945, gravou sua primeira música como cantor,Dança Mariquinha. No mesmo ano, iniciou uma relação amorosa com a cantora Odaléia Guedes dos Santos. Ela já estava grávida quando se apaixonaram. Gonzaga evitou que o menino Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior não tivesse um pai na Certidão de Nascimento.
A relação com Odaléia (Léia) – péssima, com muitas brigas e ciúmes – durou dois anos até Gonzaga abandonar mulher e filho. Gonzaga sempre enviou dinheiro para Léia a fim de que ela se sustentasse e ao menino. Em 1946, retornou pela primeira vez a Exu, onde teve um emocionante reencontro com os pais. O fato foi narrado na canção Respeita Januário, escrita em parceria com o advogado cearense Humberto Teixeira. Com o mesmo Teixeira, compôs sua canção-símbolo,Asa Branca, em 1947.
Em 1948, casou-se com a professora Helena Cavalcanti, que o acompanhou pelo resto da vida e com a qual não teve filhos naturais. Adotaram uma menina chamada Rosa. Porém, no mesmo ano, Léia faleceu e Luiz Gonzaga Júnior, o Gonzaguinha, ficou órfão. Tinha menos de três anos de idade. Gonzaga quis levar o menino para sua casa, mas Helena não aprovou a ideia. Afinal, o menino era filho de “estranhos”. Assim, Gonzaguinha foi morar com os padrinhos. A decisão gerou enorme ressentimento no menino, que aprendeu e costumava tocar violão nos becos do Morro de São Carlos, no Rio de Janeiro. Toda vez que pai e filho se viam acabavam brigando. Gonzaga temia pelo futuro da criança — que, segundo ele, só andava com os malandros do morro.
Luiz Gonzaga, sua mãe, a menina Rosa, Januário e a esposa Helena
Mais emoções
A madrinha tentava fazer com que pai e filho morassem juntos, mas Helena os impedia sistematicamente. Ela também procurava evitar que o pai visitasse o filho e espalhava que Gonzaga era estéril, fato sempre desmentido por ele, que não queria que Gonzaguinha descobrisse a adoção. Esta novela mexicana não termina aqui e colocamos nosso foco nela porque Gonzaguinha se tornaria um nome fundamental da MPB anos depois. Sigamos, pois, nosso drama.
Também Gonzaguinha não queria morar com o pai por detestar Helena. Acabou num internato. Porém, aos 14 anos, contraiu tuberculose. Então, Luiz levou-o para morar consigo. A situação tornou-se insustentável: Helena destratava o garoto e Luiz era autoritário com ele — só com ele, pois obedecia à mulher — e, recuperado, Gonzaguinha retornou ao internato. Findo o período colegial, já universitário, o filho tornou-se alcoolista… O drama só terminou quando Gonzaguinha começou a compor e cantar. E apenas em 1979, quando Gonzaguinha já tinha 34 anos, é que houve a reconciliação completa entre pai e filho. Na época, Gonzaguinha fazia mais sucesso do que o pai.
Seu legado pode ser ouvido em Dominguinhos, Alceu Valença, Elba Ramalho, Fagner, Gilberto Gil e outros
A importância de Gonzagão
Luiz Gonzaga foi o cantor que mais vendeu discos no Brasil durante as décadas de 40 e 50. A RCA trabalhava apenas em seus lançamentos durante a época do Natal. Presente de verdade era dar um disco de Gonzaga para o amigo. Ele gravou mais de 200 discos 78 rpm. Certamente, não obteve o mesmo sucesso no sul do Brasil, mas o restante do país foi varrido por sua música. Gonzaga foi o primeiro artista a fazer turnês nacionais, pois suas canções não eram ouvidas somente no nordeste e pelos emigrantes nordestinos do sudeste.
Como legado, ele nos deixou o baião, o xote e toadas que influenciaram artistas como Dominguinhos, Alceu Valença, Elba Ramalho, Fagner, Gilberto Gil e outros. Asa Branca, Dezessete e Setecentos, Dança Mariquinha, A dança da moda, Assum preto, O xote das meninas, Pau de arara, Qui nem jiló, Vozes da seca, Respeita Januário, Légua Tirana, Sabiá, Riacho do Navio e muitas outras fizeram enorme sucesso.
O Rei do Baião faleceu em 1989, aos 76 anos. O filho Gonzaguinha morreu precocemente dois anos depois, aos 45, num acidente automobilístico. Neste ano, em homenagem ao centenário, foi lançado o filme Gonzaga – de Pai para Filho. A obra retrata a difícil relação que resumimos. Gonzaga foi esquecido? Não parece. Nas primeiras três semanas de exibição, o filme já tinha sido visto por 1 milhão de espectadores.

pAPAI nOEL!!!


GURGEL NÃO CONFIA EM
VALÉRIO. E QUEM VAZA ?


Se o Valeriodantas só fala com os procuradores, quem é o principal suspeito?

Conversa Afiada






Saiu na Folha (*):


PROCURADORAS NÃO CONFIAM EM DEPOIMENTO


Segundo elas, empresário já tentou manipular o Ministério Público para reduzir pena

MATHEUS LEITÃO
RUBENS VALENTE
FELIPE SELIGMAN
DE BRASÍLIA

As duas procuradoras da República que tomaram o novo depoimento do empresário Marcos Valério de Souza, Claudia Sampaio e Raquel Branquinho, não confiam plenamente no que o operador do mensalão disse e temem ser manipuladas.

Em conversas reservadas, elas informaram que em outras ocasiões Valério tentou usar o Ministério Público Federal para conseguir diminuição de pena ou delação premiada sem apresentar provas daquilo que denunciava.

A Folha apurou que elas viram inconsistência no histórico de declarações do condenado e cobraram de Valério mais detalhes e provas.


(…)

NAVALHA



A Folha, o brindeiro Gurgel e as sub procuradoras desconfiam que o Valeriodantas minta.

(Por falar nisso, “Fala Valério, fala !”.)

“Desconfiam”.

Mas, o PiG (**) até agora deu mais corda ao Valeriodantas do que a seu par Thomas Jefferson.

E agora, uma perguntinha à toa: quem vaza o Valeriodantas ?

O Senador Fernando Collor tem uma desconfiança.

O Conversa Afiada dela compartilha.

Se o Valeriodantas só fala com os procuradores e o PiG passou a alimentar-se de Valeriodantas, quem entrega o Valeriodantas ao PiG ?

Quem entrega a mercadoria ?

Papai Noel ?



Paulo Henrique Amorim



(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

meu nome tb é LULA!


Meu nome também é Lula

Posted by eduguim on 11/12/12 • Blog da Cidadania




Post publicado, originalmente, em 19 de setembro de 2012 às 0:40 hs.

Estando em pleno gozo de todos os direitos políticos e de todas as demais garantias individuais concernentes à cidadania brasileira, diante da campanha hedionda de difamação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ora promovida por seus adversários políticos (declarados e enrustidos), venho fazer uma declaração.

Acompanho a trajetória de vida do ex-presidente desde a campanha eleitoral de 1989. Dá quase um quarto de século. A cada dia desses 23 anos, com intervalos de nem uma centena de dias, se tanto, vi e ouvi todo tipo de acusação contra ele. Todo tipo que se possa imaginar.

Naquele 1989, os mesmos grandes meios de comunicação que hoje, após tanto tempo, continuam lançando acusações análogas às de outrora contra o ex-operário, chegaram a convencer o Brasil de que ele era mais rico do que o adversário Fernando Collor por morar em uma casa emprestada por um empresário.

Acompanhei a vida de Lula, desde então. Como tantos sabem, sobretudo seus inimigos, ele não enriqueceu com a política. Muito pelo contrário, seu patrimônio – sobre o qual seus adversários construíram tantas farsas – não é tão maior do que era quando disputou a primeira eleição presidencial, há 23 anos.

Lula poderia ter tirado quanto quisesse da política, se quisesse…

Ele nunca se desviou do caminho que aquele que acompanhou a sua vida sabe que era o que verdadeiramente perseguia, o de dar ao filho do “peão” oportunidades menos inferiores às dos filhos dos janotas empertigados que se julgam melhores do que o resto por terem um sobrenome de origem européia e um canudo de papel outorgado por uma universidade.

Esse homem, com sua instrução rudimentar, ainda na minha juventude fez com que eu, que estudei nas melhores escolas de São Paulo, pudesse entender que um país injusto como o Brasil não é bom para ninguém, e que só com a igualdade de oportunidades é que poderia fazer jus ao conceito fundamental de nação.

É inevitável fazer a analogia entre a luta de Lula contra legítimos impérios empresariais e as mais poderosas forças políticas – começando por uma ditadura – e o conto bíblico da vitória do jovem e franzino David sobre o poderoso gigante Golias. Afinal, Lula venceu um gigante monstruoso. E venceu três vezes.

Dirão que construí, para mim, uma imagem romanceada de um político como qualquer outro. Mais uma vez provo que estão errados. Tenho todas as justificativas racionais do universo para dizer que Luiz Inácio Lula da Silva jamais traiu a minha confiança. O poder não o mudou e ele cumpriu todas as promessas que me fez ao fazê-las a todos os cidadãos.

Lula fez seu povo – como ele mesmo diz, os feios, os desprezados, os pobres e desesperançados – melhorar de vida como jamais ocorrera e alçou o Brasil a uma era de ouro. E o principal: devolveu a auto-estima aos brasileiros.

Agora, querem se vingar das derrotas acachapantes que Lula lhes impôs. Querem macular seu legado com acusações farsescas, irresponsáveis, criminosas. Querem, se possível, vê-lo encarcerado, pois foi sempre isso que fizeram com adversários políticos desde que atiraram o país em uma ditadura sangrenta.

Pois se essa afronta prosperar, dividirei, orgulhosamente, o banco dos réus com o ex-presidente. E serei acompanhado por milhões. Mas como só posso falar por mim, juro que, se Lula for a um tribunal, estarei ao seu lado. E quando lhe perguntarem o nome, levantar-me-ei e direi que o meu também é Lula.

Superar o pragmatismo e a conciliação


Cerco se fecha contra Lula. E agora?


publicada quarta-feira, 12/12/2012 às 12:01 e atualizada quarta-feira, 12/12/2012 às 12:01


Escrevinhador


Por Altamiro Borges, no Blog do Miro

Reportagem do Estadão de hoje confirma, até para os mais ingênuos, que a direita midiática e partidária não vai recuar um milímetro na sua ofensiva para desconstruir a imagem de Lula – e para, logo na sequência, bombardear a presidenta Dilma. Ela teve como base um depoimento prestado por Marcos Valério, em 24 de setembro último, à Procuradoria-Geral da República, que “vazou” no jornal da famiglia Mesquita. Nela o publicitário afirma que pagou “despesas pessoais” do ex-presidente Lula e que sofreu “ameaças de morte”.

Ainda segundo o sinistro depoimento, prestado após o empresário ser condenado a 40 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal, Lula teria dado aval aos empréstimos que irrigaram o “mensalão” que comprou deputados da base aliada do seu governo. Marcos Valério fez as novas denúncias às procuradoras Raquel Branquinho e Cláudia Sampaio – esta última mulher de Roberto Gurgel, procurador-geral da República. Com isto, ele tentou ser incluído no programa de proteção a testemunhas para reduzir a sua pena.

Direita em plena ofensiva
O depoimento “vazado” deu novo fôlego à oposição midiática e partidária. Em plena ofensiva, ela atua em várias frentes. Explora ao máximo o midiático julgamento do “mensalão do PT”, que já estava nos seus estertores e agora ganha nova dinâmica, e ainda abusa das baixarias, inclusive moralistas, no caso Rosemary Noronha, ex-chefe do gabinete da Presidência da República em São Paulo. Tudo é calculado para fustigar a popularidade do ex-presidente Lula e, de quebra, para fragilizar o governo da sua sucessora.

Neste esforço, o que há de mais reacionário na política nativa se une. Logo após o factóide do Estadão, o PSDB anunciou que pedirá a imediata convocação de Marcos Valério para depor no Congresso Nacional. “Queremos ouvi-lo para que ele diga ao país o que disse ao procurador. O que se sabe são vazamentos. É oportuna a presença dele para confirmar o que saiu na imprensa”, justificou o exótico Álvaro Dias, líder tucano no Senado. Os demos, mais sujos do que pau de galinheiro, também pedem a convocação.



Aécio Neves bebeu novamente?

Já o cambaleante presidenciável do PSDB, Aécio Neves, disse que “o PT e o governo deveriam terminar este ano de luto”. Será que ele bebeu novamente? Será que ele já se esqueceu dos péssimos resultados das eleições municipais? Para o senador mineiro, as denúncias de Marcos Valério confirmam que “o nível das relações íntimas do governo federal nos tráficos de influência que lesaram o erário público… O mensalão está aí na sua fase final e já temos outras denúncias que justificam a investigação da Procuradoria-Geral”.

Outras lideranças políticas, de legitimidade próxima à nulidade, também ficaram excitadas com a denúncia do Estadão. Roberto Freire, o chefão do PPS, novamente tentou se colocar como o capacho da direita. Já o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que andava meio na moita por puro oportunismo eleitoral, voltou a esbravejar que “o PT se transformou num verdadeiro carrasco da ética” e que o governo Dilma é “incompetente”. Alguns “viúvos do Demóstenes”, que se travestem de esquerda, também já se ouriçaram.

Reação tímida dos atingidos

Diante deste verdadeiro linchamento, amplificado pela mídia, a reação das vítimas desta nova ofensiva da direita ainda é muito tímida. Na França, onde participa de um seminário internacional, Lula disse apenas que o depoimento de Marcos Valério “é uma mentira e eu não posso acreditar em mentiras”. Já a presidenta Dilma Rousseff, também presente ao evento em Paris, lamentou “estas tentativas de desgastar a imagem de Lula. Repudio todas as tentativas de destituir Lula de sua imensa carga de respeito pelo povo brasileiro”.

O PT divulgou hoje à tarde uma nota, assinada pelo presidente da sigla, Ruy Falcão, em repúdio às acusações. “A direção nacional do PT lamenta o espaço dado pela imprensa para as supostas denúncias assacadas pelo empresário Marcos Valério contra o partido e contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Caso essas declarações efetivamente tenham sito feitas em uma tentativa de ‘delação premiada’, deveriam ser tratadas com a cautela que se exige nesse tipo de caso. Infelizmente, isso não aconteceu”.

Superar o pragmatismo e a conciliação

Ainda segundo a nota, “as supostas afirmações desse senhor ao Ministério Público Federal, vazadas de modo inexplicável por quem teria a responsabilidade legal de resguardá-las, refletem apenas uma tentativa desesperada de tentar diminuir a pena de prisão que Marcos Valério recebeu do STF. Trata-se de uma sucessão de mentiras envelhecidas, todas já claramente desmentidas. É lamentável que denúncias sem nenhuma base na realidade sejam tratadas com seriedade”.

Os pronunciamentos e notas, porém, não são suficientes para conter a fúria da direita midiática e partidária. A conjuntura política fica cada vez mais delicada, com forte tendência à radicalização. Os demotucanos, sempre pautados pela mídia, já decidiram “endurecer” e precipitar a sucessão presidencial de 2014. As forças de esquerda, especialmente o PT, precisam reavaliar o cenário. Não podem ficar acuadas em função das visões pragmáticas e conciliadoras. O momento exige partir para a ofensiva. Antes que seja tarde!



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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

o carapááálida continua raivoso, lulafóbico...


É inútil. O país sabe que querem destruir Lula

Posted by eduguim on 11/12/12 • Blog da Cidadania








Vai se cumprindo o script. É tudo tão previsível que chega a dar preguiça de comentar. Lula não é menos alvo hoje do que era há dois, quatro, seis, oito, dez, vinte ou vinte e dois anos. Entre 1989 e 2012, ele foi acusado de ser racista, abortista, ladrão, pedófilo, estuprador e assassino, entre outros. Não se consegue lembrar acusação que não tenha sofrido.

A cada manchete contendo uma “bomba” contra Lula, quase é possível ouvir os barões da mídia, seus pistoleiros e a oposição partidária de direita exclamarem “Agora vai”, ou seja, que, desta vez, desmoralizarão o retirante nordestino que se tornou um dos maiores líderes políticos do mundo.

Os mesmos jornais, revistas, rádios e televisões que dia após dia, sem um único intervalo, durante as últimas duas décadas tratam de tentar desmoralizar esse homem com todo tipo possível e imaginável de acusação, renovam suas esperanças pérfidas a cada nova tentativa.

Já usaram até uma ex-namorada de Lula para destruir sua imagem pública – ela o acusou de abortista e de racista. Já publicaram acusação de que ele tentou estuprar um garoto de 15 anos; já disseram que assassinou 200 passageiros de um voo comercial que terminou em tragédia.

Os brasileiros estão sempre esperando uma nova acusação contra Lula. Ele foi acusado até quando contraiu câncer, por não se tratar no sistema público de saúde. Afinal, como pode um retirante nordestino querer se tratar em hospitais que deveriam ser exclusividade de políticos com pedigree, como Fernando Henrique Cardoso?

Alguém imagina que se um dia o ex-presidente tucano adoecer gravemente a oposição midiática irá cobrar dele que se trate em hospitais públicos? Alguém irá cobrar o mesmo de José Serra ou de Geraldo Alckmin?

Contra Lula, argumentam que deveria se tratar no sistema público porque, durante seu governo, exaltava as obras que fez no setor, como se todo governante não fizesse o mesmo. A diferença é que um eventual câncer de FHC ou de outros políticos “com pedigree” nem seria noticiado.

Sobre Marcos Valério, chega a ser ridículo ter que explicar que ele está à beira do desespero por estar prestes a voltar às masmorras em que já sofreu toda sorte de sevícias. Sua estratégia para tentar escapar é oferecer ao Judiciário partidarizado e à mídia oposicionista o que mais desejam: uma acusação que permita a abertura de um processo contra Lula.

A direita midiática, claro, não conseguirá indispor Lula com o povo. Já houve acusações piores e nunca deram certo. Mas o objetivo não esse.

A esperança é a de que o inquérito que o atual procurador-geral da República certamente irá instalar antes de agosto, quando deixará o cargo, crie constrangimento para uma candidatura de Lula à Presidência ou até ao governo de São Paulo, ainda que sem condenação em primeira instância uma eventual candidatura sua não possa ser impedida pela lei da ficha limpa.

Enfim, nada de novo no front. Por falta de votos, a direita midiática tenta conseguir no tapetão o que não consegue nas urnas. Será inútil, mais uma vez. A maioria dos brasileiros não irá arriscar o bem-estar social que conquistou em troca de discursos “éticos” em favor de políticos como os tucanos, contra os quais pesa tanto ou mais do que contra os petistas.

A única esperança para essa direita midiática retomar o poder seria a crise mundial produzir desemprego, queda dos salários e inflação por aqui. A chance, porém, é muito pequena. Os governos Lula e Dilma provaram ao país que é possível atravessar crises sem empurrar a conta para a maioria. Portanto, esse novo “plano infalível” terá o mesmo destino dos outros.

uma coisa só uma coisa se não for outra coisa


O DECANO VAI JULGAR A GLOBO ?
OU O GENOÍNO VEM ANTES ?


A TV Paulista é o sistema cárdio-respiratorio da Globo. Se Mello considerar que foi tudo uma ilegalidade, metade da Ley de Medios terá sido cumprida.

Conversa Afiada






Como se sabe, o Brasil deve mais a Irineu Marinho do que a Hipólito da Costa.

É o que dá a entender a máquina de promoção da Globo, que transformou uma efeméride em torno de Irineu Marinho, que dirigiu o Globo por uns seis dias, num evento mais significativo do que a fundação do Correio Braziliense.

Afinal, vivemos numa PiGocracia (*), ou, se prefere o amigo navegante, numa Globocracia, como demonstra, dia a dia, o Supremo Tribunal Federal.

O decano Celso de Mello pretende usurpar os votos de 92 mil paulistas e cassar o mandato do Genoíno.

É o que prenuncia o Globo.

Ou seja. é como vota o Globo.

Genoíno, como se sabe, foi condenado por ser presidente do PT.

E Celso de Mello, como sabe o Saulo Ramos, se sabe como vota.
Repousa convenientemente adormecido entre os processos na mesa de Celso de Mello, antes de cassar o Genoíno, uma pendência centenária sobre a propriedade da TV Globo em São Paulo.

A Globo em São Paulo é o conjunto cárdio-respiratorio da Globo.

Roberto Marinho assumiu o controle da TV Paulista numa sequência de atos que a Justiça, em múltiplas instâncias e testemunhos, considerou ilegais.

Caberá ao Ministro decano decidir sobre isso.

Solitariamente.

O que é mais facil prever: como ele votará sobre os 92 mil eleitores do Genoíno ou sobre a circulação do sangue da Globo.

O que vem antes ?

A hipotética cassação de Genoíno, ou a da Globo ?

Se ele decidir cassar o Genoíno, não acontece nada, porque a Câmara é que vai decidir, como diz o Presidente Marco Maia e expica o Conversa Afiada.
Mas, sobre a TV Paulista …

Sobre a TV Paulista … aí, amigo navegante, as consequências são inimagináveis.

Se a Globo perder a TV Paulista, metade da Ley de Medios terá sido cumprida.

Como vota Celso de Mello ?

Ou ele se aposenta antes de julgar a Globo ?

Viva o Brasil !

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

“juiz só fala nos autos”


“Não se condenará mais ninguém por pressuposição”

publicado em 30 de novembro de 2012 às 1:25

Viomundo

“FLEXIBILIZAÇÃO DE PROVAS”

Julgamento do mensalão foi “um soluço na história do Supremo”, diz Bandeira de Mello

por Felipe Amorim – 28/11/2012 – 18h18

No Última Instância

Na opinião do jurista Celso Antônio Bandeira de Mello, o julgamento do mensalão “é um soluço na história do Supremo Tribunal Federal”. Para o renomado especialista em Direito Administrativo, a Suprema Corte do país não vai repetir em outros casos a mesma “flexibilização de provas” utilizadas para fundamentar a sentença: “não se condenará mais ninguém por pressuposição”. Cético quanto à postura de alguns ministros na condução da Ação Penal 470, o jurista avalia que garantias básicas foram transgredidas, em um julgamento fortemente influenciado pelo furor do que chamou de “opinião publicada”, difundida por jornais e revistas que formam um verdadeiro “cartel”, na sua visão.

Para melhorar a dinâmica do STF, ferramenta útil seria a fixação de um mandato de oito anos para que cada magistrado exerça o cargo. “Tanto somos chamados de excelência, que o camarada acaba pensando que ele é a excelência”, lembrou.

Embora há muito ouvida de um colega antigo e ex-membro da Suprema Corte, a frase veio à memória do administrativista ao defender a fixação do mandato rígido. Perguntado sobre como aperfeiçoar o modelo da mais alta corte do país, confessa, no entanto, ter mais dúvidas do que certezas. Ao mesmo tempo em que não consegue definir qual o melhor processo para escolha dos novos ministros, Bandeira de Mello é assertivo ao sugerir que o plenário deveria ter um número maior de juízes de carreira entre o colegiado: são eles quem, “desde meninotes”, têm a convicção de serem imparciais e alheios às influências.

Reconhecidamente um dos maiores nomes de Direito Administrativo do país, Celso Antônio Bandeira de Mello foi responsável por encerrar o seminário Direito Público na atualidade: diálogos latino-americanos, que ocorreu na última terça-feira (27/11), na sede da Escola da AGU (Advocacia-Geral da União), em São Paulo. À vontade na mesa de debate, onde não raras vezes era reverenciado pelos colegas palestrantes no evento — entre eles, um jurista argentino e um professor da PUC-SP(Pontifícia Universidade de São Paulo) —, Bandeira de Mello foi otimista ao especular sobre um futuro “risonho” do Direito Público no país. Nesse cenário, o cidadão deverá participar e interferir ainda mais diretamente nas decisões do Poder Público. “Hoje, as audiências públicas servem apenas para uma meia dúzia de pessoas que vão, mas elas chegarão a servir a todos”, aposta.

Em um dia inspirado para fazer projeções, Bandeira de Mello também indicou que o futuro da humanidade está em países nórdicos como Dinamarca, Noruega e Finlândia. “Eles revelam a visão de mundo mais evoluída. Não há ricos e pobres”, comentou o jurista, impressionado com o que testemunhou quando visitou a região escandinava. Passeando pelo interior dos países, Bandeira de Mello achou curioso que todos respeitavam religiosamente o limite de velocidade nas estradas mesmo sem que houvesse nenhum tipo de fiscalização. Aliás, percebeu também que havia pouquíssimos policiais nas ruas e que imigrantes confraternizavam à vontade com os nativos nas praças públicas. “Meu Deus, isso é que é civilização”, concluiu, digerindo tudo o que viu. “Se a sociedade continuar caminhando ela vai chegar nesse ponto, em que as pessoas se respeitam e onde está banida ao máximo a crueldade”, disse, admirado.

Embora rechace a alcunha de “um formalista kelseniano”, Celso Antônio Bandeira de Mello reconhece que sofreu (e sofre) grandes influências “deste que foi o maior jurista da história”. Para encerrar a sua fala, o administrativista extraiu de Hans Kelsen um trecho sintomático — e que também dialoga com a sua visão sobre o julgamento do mensalão, especialmente no que se refere à falta de provas alegada pela defesa dos réus. “Do fato de uma coisa ser, não se segue que deva ser. Do fato de que uma coisa deva ser, não se segue que será”. Instigado pela epígrafe, Bandeira de Mello lembra que é preciso ter em mente que a aplicação do Direito está permeada e tisnada pelas condicionantes psicológicas, sociais, políticas e pessoais. Isto é, embora o Direito fixe padrões ideais de convivência e conduta, sua interpretação terrena não pode ser vista como isolada e alheia às imperfeições do mundo em que vivemos.

Após o evento, Bandeira de Mello — sobrenome símbolo de uma família que há cinco gerações está intrinsicamente ligada ao Direito — falou ao Última Instância sobre mensalão, excesso de exposição dos juízes, composição do Supremo e também sobre a crise deflagrada recentemente na PUC-SP, universidade da qual integra o corpo docente. Perguntado sobre as eleições na OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de São Paulo), o jurista inscrito na Ordem declarou convictamente o seu voto em Alberto Zacharias Toron, que encabeça uma das chapas de oposição. Leia a íntegra da entrevista:

Última Instância — Com a fixação das penas, chegamos à reta final do julgamento da Ação Penal 470. Como o senhor enxerga o julgamento?


Bandeira de Mello — O mensalão, na minha visão, não era mensalão porque não era mensal. Isso foi a visão que a imprensa consagrou. Em segundo lugar, entendo que foram desrespeitados alguns princípios básicos do Direito, como a necessidade de prova para condenação, e não apenas a suspeita, a presunção de culpa. Além disso, foi violado o princípio do duplo grau de jurisdição.

Há um mês atrás, um juiz mineiro decidiu anular os efeitos da Reforma da Previdência. Ele citou textualmente o julgamento no STF para alegar que a compra de votos foi comprovada e que, portanto, a reforma seria inconstitucional. É possível anular atos do Legislativo com base na tese do mensalão?

Bandeira de Mello — Se é com base no mensalão, não. A Reforma da Previdência pode ser censurada por outros aspectos, mas não por causa do mensalão. Acho que a chance de anular atos legislativos aprovados durante o escândalo é zero. Isto, pois há um impedimento jurídico de que quando um colegiado decide, quem decidiu foi o colegiado como um todo e não os membros do colégio. É por isso que, se um indivíduo tem o mandato invalidado, porque ele foi ilegalmente investido, isso não afeta em nada [a validade dos atos].

O senhor se considera amigo do ex-ministro do Supremo Carlos Ayres Britto?


Bandeira de Mello — Ele é como um irmão.

Como avalia o mandato do ministro à frente da presidência do STF?

Bandeira de Mello — Não posso avaliar isso. Como vou falar a respeito dele? Ele é muito mais do que um amigo.

Sua gestão no Supremo se encerrou na semana passada, em função da aposentadoria compulsório dos que atingem 70 anos de idade. O senhor achou que a presidência de Ayres Britto foi curta demais?

Bandeira de Mello — Eu não posso dizer que foi curto demais, porque eu acho que ninguém devia ser ministro por mais de oito anos. Na minha opinião, o Supremo devia ter mandato fixado; oito anos, no máximo. Certa vez, ouvi de um ministro a seguinte frase: “tanto somos chamados de excelência, que o camarada acaba pensando que ele é excelência”.

Quanto ao processo de indicação dos novos ministros, qual é o melhor modelo?


Bandeira de Mello — Não há nada mais difícil do que imaginar um bom processo de escolha. No passado, já sugeri que a escolha fosse feita através de um processo de eleição entre todos os juízes do Brasil. Mas, nem mesmo isso, eu me atrevo a dizer que será o ideal. Porque isso é capaz de politizar tanto, criar tantos grupos de partidários, que o mérito do candidato pode também ficar em segundo plano.

Como deve ser o Supremo Tribunal Federal, então?

Bandeira de Mello — Hoje eu tenho poucas ideias a respeito de como deve ser o Supremo. Uma delas é o mandato de oito anos. A outra: o número de juízes de carreira devia ser maior entre os ministros. Obrigatoriamente, deveria haver um número mínimo de juízes de carreira, porque os juízes têm dentro de si, desde quando se formam, a convicção de que devem ser imparciais e alheios, o máximo possível, das influências. Devia haver um número mínimo obrigatório, eu colocaria pelo menos dois terços de juízes de carreira. Porque o juiz de carreira é diferente dos outros. Mesmo que você goste ou desgoste da maneira como ele julga, deve reconhecer que ele tem um viés isento. Por exemplo, o ex-ministro Cezar Peluso. As pessoas podiam gostar ou não gostar das tendências pessoais dele, mas todos reconheciam que era um homem aplicadíssimo, conhecia os processos em pauta como ninguém. Ele era um homem com uma isenção absoluta, e isso é típico do juiz.

O senhor considera exagerada a publicidade que alguns magistrados recebem ao exercer suas funções jurisdicionais?


Bandeira de Mello — Antigamente, se dizia que o “juiz só fala nos autos”. Eu acho que o juiz devia ser proibido de dar entrevistas. E não só os ministros do Supremo — mas eles é que parecem que gostam.

Qual é a sua impressão da postura do relator Joaquim Barbosa ao longo do julgamento?


Bandeira de Mello — Eu não gostei. Achei uma postura muito agressiva. Nele não se lia a serenidade que se espera de um juiz. Inclusive, em relação aos colegas, ele tinha que ter uma atitude de maior urbanidade em relação aos colegas. E no caso do Lewandowski, ele é um príncipe. Um homem de uma educação e uma finura monumental. É quase que inacreditável que Barbosa tenha conseguido fazer um homem como Lewandowski perder a paciência.

Recentemente, o grão-chanceler da PUC-SP, o cardeal Dom Odilo Scherer, usou do artifício da lista tríplice para nomear a próxima reitora da universidade. O cardeal escolheu a terceira candidata mais votada nas eleições da comunidade. Na posição de professor da Faculdade de Direito e filho do primeiro reitor leigo (não vinculado à Igreja) da universidade, como o senhor enxerga essa decisão?

Bandeira de Mello — Eu avalio que o cardeal exerceu um direito dele. O estatuto diz que o método é uma lista tríplice. Vou mais longe: os candidatos não poderiam ter dito que não aceitariam se não fossem o primeiro, pois isso equivaleria a dizer que o cardeal só pode nomear o primeiro da lista tríplice. E isto não existe, eles estariam violando o direito do cardeal escolher entre três. E eu acho que o cardeal tem esse direito, porque está escrito. Nós podemos não gostar.

A decisão é legítima?


Bandeira de Mello — Não existe esse negócio de ilegítimo, na minha opinião. Ou é legal, ou não é legal. Mas só podemos falar em ilegítimo no sentindo em que ele aparece como imoral. E eu não acho imoral, escolher entre os três mais votados, se o estatuto presente permite. Se o estatuto considera, eu não vejo como imoral poder escolher entre o que mais te agrada, acho legítimo.

“operação seletiva”


Cardozo fica de fora da Operação, constrangendo governo e PT

publicado em 30 de novembro de 2012 às 19:32

Viomundo



José Eduardo Cardozo foi avisado ou não pelo delegado Roberto Troncon Filho, superintendente da PF em SP, da Operação Porto Seguro?Só o ministro poderá esclarecer. A praxe é comunicar um dia antes

por Leandro Fortes, em CartaCapital

O alvo era Lula. Essa é a única conclusão a que políticos governistas e o Palácio do Planalto conseguiram chegar até agora sobre os acontecimentos que resultaram na Operação Porto Seguro. Não que a Polícia Federal tenha agido incorretamente. Os fatos comprovam a existência de um esquema de venda de pareceres de agências reguladoras intermediado por Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe de gabinete do escritório paulista da Presidência da República.

A operação envolveu 180 agentes nas cidades de Cruzeiro, Dracena, Santos, São Paulo e Brasília. Foram cumpridos 26 mandados de busca e apreensão em São Paulo, 17 na capital federal e 18 acusados acabaram indiciados.

Desse ponto para frente, tudo pareceu calculado para causar constrangimentos ao governo e ao PT. Começou pela maneira de divulgação da notícia. Em vez de convocar uma coletiva e informar todos os veículos de comunicação sobre os detalhes da Porto Seguro, a superintendência da PF em São Paulo vazou as informações de forma seletiva.

Dois dias depois, o superintendente regional, Roberto Troncon Filho, chegou a confirmar uma informação logo desmentida pelo Ministério Público Federal: a de que o ex-presidente Lula havia sido grampeado em 122 ligações com Rosemary. Da mesma forma, a participação do ex-ministro José Dirceu, insinuada nas primeiras horas, foi descartada.

“Não tem uma relação direta dele de sociedade ou de eventual lucro”, disse a procuradora Suzana Fairbanks.

Entre os indiciados está o ex-advogado-geral-adjunto da União José Weber de Holanda Alves, exonerado do cargo. Ele é suspeito de ter recebido propina do ex-senador do PFL (atual DEM) do Amazonas Gilberto Miranda, também indiciado pela PF, para dar parecer favorável sobre a ocupação da Ilha das Cabras, no litoral paulista. A participação de Alves jogou a crise sobre a Advocacia-Geral da União e praticamente enterrou as pretensões de Luis Inacio Adams de ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.

A inclusão da AGU no escândalo, além de alimentar mais uma teoria da conspiração dentro do governo, acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto em relação a Adams, funcionário de carreira que mantinha estreita ligação com Holanda. Ambos se conhecem há dez anos, desde quando trabalhavam para o então advogado-geral da União Gilmar Mendes, atual ministro do STF.

Em junho do ano passado, Adams deu um estranho parecer favorável a Mendes numa ação privada na qual o ministro pretendia se livrar de um sócio no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP). Para encerrar o processo, Mendes foi obrigado a desembolsar 8 milhões de reais.

Igualmente nebulosa é a participação do diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello Coimbra. Somente o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, vai poder esclarecer se o governo foi avisado ou não com antecedência. E se, do ponto de vista ético, isso teria sido necessário, haja vista ser a PF uma polícia judiciária, embora subordinada ao Ministério da Justiça.

A praxe manda que o ministro seja avisado, genericamente, um dia antes. Uma vez iniciada a operação, cabe ao diretor-geral detalhar o que está sendo feito, logo em seguida à ação dos agentes federais. Cardozo foi convidado a se explicar na quarta-feira 5 na Câmara dos Deputados. Mais uma vez, Dilma Rousseff se vê obrigada a gerenciar uma crise política, da qual soube pelos relatos da mídia.

A investigação começou com um inquérito civil público para a apuração de improbidade administrativa. O ex-auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Cyonil da Cunha Borges de Faria Júnior revelou à Polícia Federal ter recebido 100 mil reais de um total de 300 mil que lhe seriam pagos por um parecer técnico fajuto. Sua função seria beneficiar um grupo empresarial que atua no Porto de Santos, a empresa Tecondi (Terminal para Contêineres da Margem Direita), em um contrato com a Companhia Docas de São Paulo (Codesp).

Transformada em mais um escândalo midiático de grandes proporções, a operação passou a mobilizar diversos setores do governo em busca de explicações para a crise. Na quarta-feira 28, a pedido da presidenta Dilma Rousseff, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) chegou a pedir auxílio ao deputado Protógenes Queiroz (PcdoB-SP) em busca de informações sobre os meandros da Porto Seguro.

O delegado voltou ao Palácio do Planalto quatro anos depois de ter sido enxotado da PF por ter levado a Operação Satiagraha a investigar o então chefe de gabiente de Lula, o atual secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho. À época, Carvalho foi flagrado ao passar informações para o ex-deputado petista Luis Eduardo Greenhalgh, advogado do banqueiro Daniel Dantas, um dos alvos da Satiagraha.

Protógenes não perdeu a chance de botar a boca no trombone. A um grupo de parlamentares petistas e a auxiliares de Dilma, o deputado classificou a Porto Seguro de “operação seletiva” e apontou um desafeto, Troncon Filho, como principal responsável pela suposta trama para atingir Lula e o PT.

Segundo Protógenes, a ação obedeceu ao mesmo modelo da Operação Lunus, realizada na empresa de Jorge Murad, marido da governadora do Maranhão, Roseana Sarney. Em 2002, agentes da Polícia Federal de São Paulo apreenderam 1,3 milhão de reais no escritório de Murad e assim afundaram a pré-candidatura de Rosena à Presidência da República, fato muito festejado pelo tucano José Serra, apontado como mentor da ação policial.

O delegado Troncon tomou posse na Superintendência da Polícia Federal de São Paulo em maio de 2011, nomeado pelo então diretor-geral Luiz Fernando Corrêa. Antes, em 2005, havia assumido a chefia da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros. Em setembro de 2007, foi nomeado para a Diretoria de Combate ao Crime Organizado (DCOR).

Protógenes afirmou que a Operação Porto Seguro tem como pano de fundo uma disputa interna dentro da Polícia Federal sobre a qual o ministro Cardozo, aparentemente, não tem conhecimento nem, muito menos, controle. A briga se daria principalmente entre delegados simpatizantes do PSDB, quase todos lotados em São Paulo e Minas Gerais, e os remanescentes da gestão do delegado Paulo Lacerda durante o primeiro mandato do governo Lula. A isso se aliou a insatisfação dos servidores da PF com as negociações por aumento salarial, emperradas no governo.

Troncon é apontado como parte da ala tucana ligada ao ex-deputado Marcelo Itagiba. Além disso, é remanescente da confusa gestão de Luis Fernando Correa, acusado de torturar e cegar uma empregada doméstica no Rio Grande do Sul e, mais tarde, de desviar dinheiro na compra de equipamentos de segurança para os Jogos Panamericanos do Rio, em 2007, quando era secretário nacional de Segurança Pública.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

você lê a Veja? hehehe...


Oscar Niemeyer, a Veja online e o Escaravelho
09/12/2012


Leonardo Boff

Com a morte de Oscar Niemeyer aos 104 anos de idade ouviram-se vozes do mundo inteiro cheias de admiração, respeito e reverência face a sua obra genial, absolutamente inovadora e inspiradora de novas formas de leveza, simplicidade e elegância na arquitetura. Oscar Niemeyer foi e é uma pessoa que o Brasil e a humanidade podem se orgulhar.

E o fazemos por duas razões principais: a primeira, porque Oscar humildemente nunca considerou a arquitetura a coisa principal da vida; ela pertence ao campo da fantasia, da invenção e do lúdico. Para ele era um jogo das formas, jogado com a seriedade com que as crianças jogam.

A segunda, para Oscar, o principal era a vida. Ela é apenas um sopro, passageira e contraditória. Feliz para alguns mas para as grandes maiorias cruel e sem piedade. Por isso, a vida impõe uma tarefa que ele assumiu com coragem e com sérios riscos pessoais: a da transformação. E para transformar a vida e torná-la menos perversa, dizia, devemos nos dar as mãos, sermos solidários uns para com os outros, criarmos laços de afeto e de amorosidade entre todos. Numa palavra, nós humanos devemos aprender a nos tratar humanamente, sem considerar as classes, a cor da pele e o nível de sua instrução.

Isso foi que alimentou de sentido e de esperança a vida desse gênio brasileiro. Por aí se entende que escolheu o comunismo como a forma e o caminho para dar corpo a este sonho, pois, o comunismo, em seu ideário generoso, sempre se propôs a transformação social a partir das vítimas e dos mais invisíveis. Oscar Niemeyer foi um fiel militante comunista.

Mas seu comunismo era singular: no meu modo de ver, próximo dos cristãos originários pois era um comunismo ético, humanitário, solidário, doce, jocoso, alegre e leve. Foi fiel a esse sonho a vida inteira, para além de todos os avatares passados pelas várias formas de socialismo e de marxismo.
Na medida em que pudemos observar, a grande maioria da opinião pública mundial, foi unânime na celebração de sua arte e do significado humanista de sua vida. Curiosamente a revista VEJA de domingo, dedica-lhe 10 belas páginas. Outra coisa, porém, é a revista VEJA online de 7 de dezembro com um artigo do blog do jornalista Reinado Azevedo que a revista abriga.

Ele foi a voz destoante e de reles mau gosto. Até agora a VEJA não se distanciou daquele conteúdo, totalmente, contraditório àquele da edição impressa de domingo. Entende-se porque a ideologia de um é a ideologia do outro. Pouco importa que o jornalista Azevedo, de forma confusa, face às críticas vindas de todos os lados, procure se explicar. Ora se identifica com a revista, ora se distancia, mas finalmente seu blog é por ela publicado.

Notoriamente, VEJA se compraz em desfazer as figuras que melhor mostram nossa cultura e que mais penetraram na alma do povo brasileiro. Essa revista parece se envergonhar do Brasil, porque gostaria que ele fosse aquilo que não é e não quer ser: um xerox distorcido da cultura norte-americana. Ela dá a impressão de não amar os brasileiros, ao contrário expõe ao ridículo o que eles são e o que criam. Já o titulo da matéria referente a Oscar Niemeyer da autoria de Azevedo, revela seu caráter viciado e malevolente: ”Para instruir a canalha ignorante. O gênio e o idiota em imagens”. Seu texto piora mais ainda quando, se esforça, titubeante, em responder às críticas em seu blog do dia 8/12 também na VEJA online com um título que revela seu caráter despectivo e anti-democrático:”Metade gênio e metade idiota- Niemeyer na capa da VEJA com todas as honras! O que o bloco dos Sujos diz agora?” Sujo é ele que quer contaminar os outros com a própria sujeira de uma matéria tendenciosa e injusta.

O que se quer insinuar com os tipos de formulação usados? Que brasileiro não pode ser gênio; os gênios estão lá fora; se for gênio, porque lá fora assim o reconhecem, é apenas em sua terceira parte e, se melhor analisarmos, apenas numa quarta parte. Vamos e venhamos: Quem diz ser Oscar Niemeyer um idiota apenas revela que ele mesmo é um idiota consumado. Seguramente Azevedo está inscrito no número bem definido por Albert Einstein: ”conheço dois infinitos: o infinito do universo e o infinito dos idiotas; do primeiro tenho dúvidas, do segundo certeza”. O articulista nos deu a certeza que ele e a revista que o abriga possuem um lugar de honra no altar da idiotice.

O que não tolera em Oscar Niemeyer que, sendo comunista, se mostra solidário, compassivo com os que sofrem, que celebra a vida, exalta a amizade e glorifica o amor. Tais valores não cabem na ideologia capitalista de mercado, defendida por VEJA e seu albergado, que só sabe de concorrência, de “greed is good”(cobiça é coisa boa), de acumulação à custa da exploração ou da especulação, da falta de solidariedade e de justiça em nível internacional.

Mas não nos causa surpresa; a revista assim fez com Paulo Freire, Cândido Portinari, Lula, Dom Helder Câmara, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, frei Betto, João Pedro Stédile, comigo mesmo e com tantos outros. Ela é um monumento à razão cínica. Segue desavergonhadamente a lógica hegeliana do senhor e do servo; internalizou o senhor que está lá no Norte opulento e o serve como servo submisso, condenado a viver na periferia. Por isso tanto a revista quanto o articulista revelam um completo descompromisso com a verdade daqui, da cultura brasileira.

A figura que me ocorre deste articulista e da revista semanal, em versão online, é a do escaravelho, popularmente chamado de rola-bosta. O escaravelho é um besouro que vive dos excrementos de animais herbívoros, fazendo rolinhos deles com os quais, em sua toca, se alimenta. Pois algo semelhante fez o blog de Azevedo na VEJA online: foi buscar excrementos de 60 e 70 anos atrás, deslocou-os de seu contexto (ela é hábil neste método) e lançou-os contra Oscar Niemeyer. Ela o faz com naturalidade e prazer, pois, é o meio no qual vive e se realimenta continuamente. Nada de surpreendente, portanto.

Paro por aqui. Mas quero apenas registrar minha indignação contra esta revista, em versão online, travestida de escaravelho por ter cometido um crime lesa-fama. Reproduzo igualmente dois testemunhos indignados de duas pessoas respeitáveis: Antonio Veronese, artista plástico vivendo em Paris e João Cândido Portinari, filho do genial pintor Cândido Portinari, cujas telas grandiosas estão na entrada do edifício da ONU em Nova York e cuja imagem foi desfigurada e deturpada, repetidas vezes, pela revista-escaravelho.

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Oscar Niemeyer e a imprensa tupiniquim- Antonio Veronese

Crítica mesquinha, que pune o Talento, essa ousadia imperdoável de alçar os cornos acima da manada. No Brasil, Talento, como em nenhum outro país do mundo, é indigerível por parte da imprensa, que se acocora, devorada por inveja intestina. Capitania hereditária de raivosos bufões que já classificou a voz de Pavarotti de ruído de pia entupida; a música de Tom Jobim de americanizada; João Gilberto de desafinado e Cândido Portinari de copista…
Quando morre um homem de Talento, como agora o grande Niemeyer, os raivosos bufões babam diante do espelho matinal sedentos de escárnio.

Não discuto a liberdade da imprensa. Mas a pergunta que se impõe é como um cidadão, com a dimensão internacional de Oscar Niemeyer, (sua morte foi reverenciada na primeira página de todos os grandes jornais do mundo) pode ser chamado, por um jornalista mequetrefe, num órgão de imprensa de cobertura nacional, de metade-gênio-metade idiota? Isso após sua morte, quando não é mais capaz de defender-se, e ainda que sob a desculpa covarde, de reproduzir citação de terceiros…
O consolo que me resta é que a História desinteressa-se desses espasmos da estupidez. Quem se lembra hoje dos críticos da bossa nova ou de Villa-Lobos? Ao talent, no entanto, está reservada a reverência da eternidade.

Antonio Veronese (mideart@gmail.com)
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Meu caro Antonio,

Que beleza o seu texto, um verdadeiro bálsamo para os que ainda acreditam no mundo de amanhã nascendo do espírito, da fé e do caráter dos homens de hoje!

Não é toda a imprensa, felizmente. Há também muita dignidade e valor na mídia brasileira. Mas não devemos nos surpreender com a revista semanal. Em termos de vileza, ela sempre consegue se superar. Ela terá, mais cedo ou mais tarde, o destino de todas as iniquidades: a vala comum do lixo, onde nem a história se dará o trabalho de julgá-la.

Os arquivos do Projeto Portinari guardam um sem número de artigos desta rancorosa revista, assim como de outras da mesma editora, sobre meu pai, Cândido Portinari e outros seus companheiros de geração. Sempre pérfidos, infames e covardes, como este que vem agora tentar apequenar um grande homem que para sempre enaltecerá a nossa terra e o nosso povo.

Caro amigo, é impossível ficar calado, diante de tanta indignidade.

Com o carinho e a admiração do
Professor João Candido Portinari (portinari@portinari.org.br)

*Leonardo Boff é filósofo, teólogo, escritor e comisionado da Carta da Terra.

o pt vai continuar medroso e encolhido?


Aécio Neves: “O foco é bater na Dilma”

Blog do Miro

Por Altamiro Borges


A presidenta Dilma Rousseff até que tentou sair ilesa da artilharia da direita partidária e midiática. Demitiu ministros, participou de festanças de barões da mídia, fugiu do embate político e ideológico e até difundiu a imagem da “gerentona” tecnocrática. De nada adiantou a sua omissão. “O nosso foco não pode ser mais o ex-presidente Lula. Temos que bater na presidenta Dilma, pois ela é a candidata à reeleição”, afirmou na quinta-feira (6) o cambaleante presidenciável tucano Aécio Neves. Será que agora ela vai acordar?

A notícia sobre a nova tática da direita foi postada hoje por Ilimar Franco, no jornal O Globo, que garante que “o PSDB vai mudar sua linha de combate”. A declaração de guerra de Aécio foi feita durante reunião na casa do deputado Paulo Abi-Ackel para 30 tucanos. Na ocasião, ele ainda revelou porque não assumiu sua candidatura. “Sigo os ensinamentos de Tancredo Neves. Ele dizia que reunião é para homologar o que já está decidido. Jamais assumiria sem combinar antes com o Serra, o Alckmin e os demais governadores”.

É certo que o senador não está com esta bola toda. Ele saiu meio chamuscado das eleições municipais em Minas Gerais, perdendo em importantes centros urbanos do estado. Há quem garanta que ele ainda poderá recuar no seu sonho presidencial para não perder sua “fortaleza” em Minas. Além disso, o cambaleante presidenciável até agora não convenceu os próprios tucanos. Muitos caciques acham que ele é vacilante e que mantém um estilo de vida, de “mauricinho”, bastante vulnerável e difícil de conquistar o eleitorado.

O mesmo O Globo de hoje, em reportagem de Gustavo Uribe, confirma estas dificuldades. “Em setores do partido, a avaliação é de que o tucano precisa adotar um discurso mais duro caso queira vencer a disputa ao Palácio do Planalto. Para lideranças tucanas, nos últimos anos, o senador mineiro teve uma atuação oposicionista ‘fraca’, que ainda não empolgou a oposição ao governo de Dilma Rousseff”. O lançamento precoce da sua candidatura, feita pelo “príncipe” FHC, visou exatamente aplacar estas intrigas internas.

De qualquer forma, é bom a presidenta Dilma ficar esperta. Ela não sairá ilesa da pesada artilharia da direita partidária e midiática. Ou ela parte para a ofensiva, politizando o debate, ou será um alvo fácil. No julgamento midiático do “mensalão”, a direita visou atingir importantes lideranças petistas, a começar do ex-ministro José Dirceu. Agora, no caso Rosemary, ela tenta sangrar o ex-presidente Lula. Debilitados o PT e o seu principal cabo-eleitoral, estará pavimentado o caminho para o discurso hidrófobo de Aécio Neves.

A direita está se preparando para o embate. “Ou o PSDB engrossa a voz oposicionista ou não sobe a rampa do Palácio do Planalto. O partido tem ficado aquém das expectativas em matéria de veemência”, reclama o exótico Álvaro Dias, líder do PSDB no Senado. “A oposição ou é incisiva ou não é nada. Não existe oposição suave, ela tem de indicar os erros do governo”, completa Alberto Goldman, vice-presidente da sigla. Será que a “gerentona” Dilma já percebeu o peso da sua responsabilidade histórica? A conferir!