sábado, 16 de maio de 2015

Um fim melancólico, mas escolhas são escolhas


A irrelevância da revista Veja








Por Erick da Silva


Não importa o que esteja acontecendo no país ou no mundo, uma certeza teremos ao olhar as bancas de jornais: a capa da revista Veja será escandalosamente tendenciosa.

Esta postura abertamente anti-jornalistica, que na maioria das vezes apela para uma linguagem puramente "panfletária" (no sentido ruim do termo) tem contribuído paulatinamente para tornar a revista irrelevante do ponto de vista da informação e credibilidade.

Se recordarmos que à algumas décadas atrás o semanário da editora Abril chegou a gracejar o posto de referência no jornalismo brasileiro, sendo palco de reportagens que fizeram história, chega a soar como uma piada de péssimo gosto o atual estado em que se encontra a revista.

As sucessivas direções do periódico, nestes últimos anos, construíram lentamente, mas de maneira decisiva, um total reposicionamento da Veja. Abdicando do jornalismo, passou a buscar se posicionar como o porta-voz do espectro político conservador brasileiro. Esta guinada política não foi gratuita e se valeu de mudanças conjunturais que a impulsionaram nesta direção.

As sucessivas vitórias eleitorais do PT na presidência da república foram o combustível para esta guinada final da revista, que mais do que abdicar de um jornalismo informativo e passar a praticar um abertamente tendencioso, chegou a adotar posturas abertamente criminosas, que ferem a boa ética que deveria guiar o exercício da profissão de jornalista (e a qualquer profissão).

O episódio da capa da revista nas vésperas das eleições presidências de 2014, onde de forma despudorada tentou alterar criminosamente o resultado eleitoral, (veja mais aqui) talvez seja a "cereja do bolo" deste longo calvário suicida da revista.

2015 talvez seja o ano onde a revista Veja ostenta seu pior posicionamento, deixando de ser uma referência até mesmo para outros veículos de comunicação conservadores, que perceberam que vincular sua imagem, de qualquer forma, a revista iria afetar sua própria credibilidade. A velha tabelinha "Veja denuncia, o Jornal Nacional repercuti e a Folha de SP aprofunda" está desfeita, não sendo mais necessária a referência a revista. Inúmeros exemplos atestam isto nos recentes escândalos midiáticos, onde a Veja tem tido um papel meramente assessório.

Afora setores da extrema-direita alucinada, Veja não é mais uma referência de informação para ninguém, tornando-se, pelo contrário uma referência quase unânime de jornalismo marrom. Por essas razões, entre outras, que a revista Veja chegou a este atual estágio de irrelevância para o país.
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