segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Futebol de Portugal Conquistou a Europa!


Vamos comparar? Então vamos: Cristiano Ronaldo dedicou vitória aos imigrantes


Conexão Jornalismo

Da Redação





Craque dentro e fora do campo


Curioso o mundo onde estrelas do esporte tem comportamento e posicionamento tão díspares. Tão logo sagrou-se campeão neste domingo, de forma inédita, da Eurocopa, Portugal viu seu maior ídolo, Cristiano Ronaldo, dedicar o título aos imigrantes que buscam abrigo na Europa, enfrentando marés traiçoeiras e principalmente a xenofobia da população. O craque da Madeira assim assinalou o gol que uma contusão no início da partida contra a França, vencida na prorrogação, o impediu que fizesse em campo. Seu comportamento o coloca em um patamar acima da média no universo dos craques da bola. Especialmente se compararmos aos ídolos brasileiros.


Conforme destacou o professor de sociologia, Gilson Caroni, Cristiano não está só na galeria dos ídolos generosos e altruístas. Maradona sempre se opôs à ditadura argentina e não se cansa de defender países cujo modelo econômico e político priorizam a Educação e a Saúde - Cuba é uma referência para o ídolo. Zidane foi um crítico severo do racismo francês e do seu colonialismo. Ele próprio filho de imigrantes argelino. Curioso que, sendo CR7 da Ilha da Madeira, durante tempos ouviu que o fato de viver em uma ilha distante do continente o fazia menos português que seus iguais. Daí talvez a generosidade que vem como tapa de luva de pelica naqueles que hoje o aplaudem.


Pelé, em 70, ao fazer o milésimo gol, dedicou-o às criancinhas brasileiras. Muitos o criticaram porque queriam uma manifestação contra a ditadura militar no Brasil - já naquela época trucidando opositores e fazendo desaparecer pessoas de todas as idades nos porões. Havia quem esperasse que falasse em nome dos negros e do racismo brasileiro - o mundo estava ainda inebriado pelo poder de Martin Luther King assassinado anos antes por conta da discriminação racial.


Mas o craque do futebol mundial, que disse certa vez que o "brasileiro não sabia votar, fez por menos e saiu pela tangente. Mas é fato que diante do comportamento dos craques que vieram, a fala de Pelé, hoje, soa até revolucionária. Afinal, os ídolos brasileiros quando não se omitem simplesmente nos envergonham. Vejamos:


Neymar, envolvido em escândalos com os fiscos brasileiro e espanhol, não tem posicionamento político. O máximo que chega é a passear de barco com o tucano Aécio Neves - a quem apoiou nas últimas eleições presidenciais. O motivo? Provavelmente nem ele sabe. O mesmo caminho segue Ronaldo Fenômeno. Durante a elaboração da Copa do Mundo, o R9 reclamou dos protestos de brasileiros nas ruas inconformados com a gastança governamental - que se mostrou produto da corrupção. Disse na época que Copa do Mundo não se fazia com hospitais, mas com estádios de futebol.


Mais recentemente, o senador Romário, craque de 94, negociou com o presidente interino Michel Temer seu voto pelo impeachment em definitivo de Dilma Rousseff, a presidenta eleita democraticamente, em troca de um cargo na diretoria na estatal de Furnas.


Fora de campo também nossos craques andam mal das pernas.


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