domingo, 10 de abril de 2011

Tarso - Cem dias

Uma irresistível análise dos 100 dias de Tarso no Piratini




Os primeiros números de avaliação dos gaúchos do governo Tarso impressionam. Se a nota não é tão expressiva – 6,9 – o percentual de aprovação é extremamente elevado. O índice de 80%, segundo o Ibope, se deve a uma habilidade enorme de diálogo com todos os setores da sociedade, à agilidade na execução de políticas, às negociações com os outros partidos e à sinalização de cumprimento de promessas de campanha.

Hoje faz 100 dias que Tarso tomou assento no Palácio Piratini, e eu caio na irresistível tentação de ser mais uma a comentar esse período. Nesses três meses e pouco, já anistiou a dívida de pequenos agricultores com o estado, instaurou um sistema de participação inédito no Rio Grande – o Conselhão –, deu o maior reajuste do salário mínimo regional desde a sua criação, ofereceu um aumento há muito não visto para os professores. Esse último foi aprovado por ampla maioria em assembleia do Cpers ontem. Os professores compararam o aumento de 10,91% proposto por Tarso em 90 dias com os 6% e 10% oferecidos, respectivamente, por Yeda e Rigotto no total dos quatro anos em que estiveram no governo. Isso sem contar o compromisso com o piso salarial até o fim do governo, reconhecendo a extrema injustiça que sofrem os profissionais da educação.

Apresentou à Assembleia Legislativa projetos para garantir demandas antigas dos mais pobres, que mais sofrem com a ausência do estado, e que, paralelamente, combatem a corrupção e a compra de votos, como o de criação de Casas da Solidariedade. Os albergues públicos são obrigação do Estado. Não fazendo, abria espaço para políticos oportunistas oferecerem o serviço em troca do compromisso de voto.

Em infraestrutura, destacam-se os acessos asfálticos de pequenos municípios. É evidente que um município que, para ser acessado, é preciso balançar sobre os buracos de um chão batido, disputa em condições desiguais os investimentos externos e sofre mais para desaguar sua produção. A falta de asfalto é, pois, não apenas um justo conforto, mas um fator de desigualdade entre as regiões. Tarso prometeu, e está no caminho de cumprir, entregar o governo com nenhum município sem acesso asfáltico.



No primeiro episódio eminentemente de conflito acontecido durante o governo, nada de problemas. O governo Tarso dialogou com o MST sem uso de força policial depois da ocupação de uma fazendo em São Borja. Mostrou respeito e compromisso com as lutas dos movimentos sociais, como fez também ao vestir o boné do MST durante a abertura da colheita do arroz agroecológico, em Eldorado do Sul.

Mas o principal, na minha modesta opinião, é a abertura para a participação. Um governo existe para fazer políticas para a sociedade, em sua totalidade. Um representante é eleito e escolhe outros nomes para compor um grupo que vai trabalhar para fazer ações para o Rio Grande todo. Podem ser boas ou más – ou nenhum dos dois –, mas são políticas para as pessoas. A melhor forma, então, de decidir o que é prioridade e o que as pessoas estão precisando é ouvi-las.

O governo Tarso tem estabelecido o diálogo com representantes de diversos setores sociais, o que não é suficiente. Caminha, agora, para conversar diretamente com os cidadãos. Existem diversas formas de ação nesse sentido que estão se estabelecendo. Destaca-se o aproveitamento da tecnologia em prol da inclusão. Está sendo criado um portal para divulgar as ações de governo e dialogar diretamente com os cidadãos e cidadãs gaúchos.

Para isso (e para garantir alternativas de cultura, educação e lazer), é preciso que o maior número possível de pessoas tenha acesso a computadores e à internet. Então, foi criada uma secretaria de Comunicação e Inclusão Digital, com um departamento específico para cuidar disso.
E um outro especialmente para desenvolver políticas públicas em prol da democratização da comunicação.



A secretária Vera Spolidoro, aliás, foi anunciada em entrevista coletiva concedida a blogueiros, em uma clara valorização de meios alternativos de produção de conteúdo. Uma importante sinalização de que o governo investirá na pluralidade, tirando o foco dos grandes veículos, que sempre abocanham a maior fatia da verba de publicidade do governo para fazer jornalismo atendendo a apenas um interesse. Além desta primeira entrevista, ainda antes de assumir, Tarso já conversou com blogueiros uma outra vez, como governador eleito e já tendo que prestar contas das primeiras ações. O critério de participação foi extremamente democrático, por inscrição aberta pela internet.

Nesses primeiros 100 dias, o governo mostra, então, que inverteu a lógica dos governos anteriores e colocou o cidadão, destacadamente os que mais precisam do governo, no centro da sua política. O objetivo é garantir aos gaúchos os serviços básicos com qualidade, aumentar a renda dos trabalhadores e fornecer condições dignas de vida. Isso se faz com um estado atuante, não ausente. Com investimento em serviços públicos, não com a diminuição dos recursos. É o caminho que aponta Tarso Genro neste início de governo, que já começa a enfrentar resistências dos setores mais conservadores, em especial a imprensa. A ver como vai encará-las.

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Recomendo a leitura desta análise dos 100 dias de Tarso e desta dos 100 dias de Dilma.
Fotos: Caco Argemi

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