domingo, 17 de janeiro de 2016

um jornalismo que vomita suspeitas


Agora é oficial: Cantanhêde reconhece que impeachment “subiu no telhado”


Tijolaço

POR FERNANDO BRITO · 17/01/2016






Está lá, nas últimas linhas da coluna dominical onde a “cronista da massa cheirosa”, Eliane Cantanhêde faz o elogio da traição de Michel Temer e das agruras em que este se meteu por isso.

” Se o impeachment subiu no telhado, o vice pulou de volta para o lado governista. Pelo menos até março.”

Para quem quiser entender, aí está a razão da dupla Aécio Neves- Marina Silva passar a pressionar para que o TSE faça “o melhor para o país”, isto é, casse Dilma e leve Temer de cambulhada.

Cantanhêde não alivia no “esculacho” tucano a Temer:
Quando o impeachment parecia uma opção real, o professor de Direito Michel Temer dizia que precisava estar pronto para cumprir suas “obrigações constitucionais”. Agora que parece irreal, o político Temer acha mais prudente tapar os buracos na relação com Dilma e pavimentar a estrada que leva o governo de ambos até 2018. Já que Dilma não deve cair, melhor ficar bem com ela. Ou menos mal. Além disso, há a questão central: o PMDB. A prudência ensina que “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. Antes de almejar subir de patamar, da Vice para a Presidência, Temer precisa mostrar que ainda manda no partido que preside desde 2001. Senão, é melhor ter juízo e “obedecer” à hierarquia, torcendo para surgirem “fatos novos”.

Temer, como antes Cunha, foi bom enquanto serviu.

Um mês atrás, “o rompimento com seus vices pode ser fatal para os presidentes”, dizia ela, lembrando Figueiredo-Aureliano Chaves e Collor Itamar”. E Temer estava de “bola cheia”:
“Temer tem sido recebido calorosamente por empresários de diferentes setores, exaustos com a crise econômica, e foi aplaudido de pé na Federação do Comércio de São Paulo no mesmo dia em que enviou a carta para Dilma. Ele, porém, tem um discurso decorado para seus interlocutores: “Não conspiro, não desejo a queda dela, só espero uma solução rápida, para o país sair da crise. E se ela cair? Bem, aí eu cumpro meu dever constitucional”. Ele não vai conspirar a favor nem vai pegar em armas contra o impeachment, vai ficar exatamente como sua função exige: a postos.”

Inviabilizado no parlamento – embora com as graves consequências para o país do que isso causou durante meses – o golpismo migrou para as soleiras dos tribunais.

A pressão da mídia, agora, será ainda mais descarada em pressionar os magistrados.

Quem discordar, se não é ladrão, é defensor de ladrão.

E não basta intimidar um, é preciso intimidar todos, para que não surja outro desmonte daqueles, com um peteleco, que ocorreu com o voto – que seria unânime, previa o “Ministro” Merval Pereira – amedrontado de Edson Fachin, legitimando a manobra de Eduardo Cunha para instalar a comissão do impeachment.

E será o Paraná quem vai fornecer munição para este assédio, vomitando suspeitas através da mídia, como fez no caso da Época com Carlos Araújo.
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