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domingo, 21 de junho de 2015

Isso no Brasil não existe, ninguém se preocupa em falir por ter ficado doente


‘Brasileiros devem se sentir extremamente orgulhosos do SUS’, diz americano usuário do sistema






Dylan Stillwood, que operou o maxilar em um hospital público do Sistema Único de Saúde, afirmou que a mesma cirurgia o levaria à falência se fosse realizada nos Estados Unidos



por Portal Planalto
Publicado: 19/06/2015 16h13





Dylan Stillwood contou sua experiência com o SUS na perfil do The New England Journal of Medicine


Ministério da Saúde triplica média anual de incorporação de novos procedimentos ao SUS


O programador de computadores americano Dylan Stillwood, de 34 anos, mora no Brasil há quatro anos e, em junho de 2012, precisou ser submetido a uma cirurgia no maxilar em um hospital do Serviço Único de Saúde (SUS). Na ocasião, ele visitava o município de Caruaru, em Pernambuco, para conhecer os tradicionais festejos juninos da região.

"Eu precisei operar meu maxilar, e passei oito dias no hospital. Foi o meu maior encontro com o SUS. Eu fiquei muito impressionado com o fato de que o Brasil tem saúde pública de graça, que é uma coisa que não existe nos Estados Unidos. E o fato de que essa garantia é um direito constitucional, considerada dever do Estado, e um direito do cidadão", contou Dylan em entrevista exclusiva ao Portal Planalto.

Dylan procurou o Hospital Regional do Agreste e foi prontamente atendido e hospitalizado. Recebeu medicação e, posteriormente, foi operado. “Após sair do hospital, ainda fiquei mais uma semana na cidade para esperar uma consulta final e a liberação do médico”, lembra.

Este mês, Dylan leu um artigo dos pesquisadores James Macinko e Matthew Harris, publicado no The New England Journal of Medicine, uma das mais importantes publicações científicas em todo o mundo na área de medicina, sobre a atenção básica no Brasil e a Estratégia de Saúde da Família. Macinko e Harris, ambos professores de universidades americanas, viveram no Brasil e trabalharam no SUS. Segundo eles, o Saúde da Família é um "poderoso modelo de provimento de cuidados de saúde".

Dylan leu o texto na página do Facebook do veículo americano e contou a experiência que viveu ao ser atendido no SUS. Na ocasião, ele escreveu na rede social: "Os brasileiros devem exigir sempre melhores condições de saúde pública, mas também devem se sentir extremamente orgulhosos do SUS, uma conquista enorme que poucos países no mundo alcançaram".



Cartão do SUS

Segundo Dylan, que vive hoje em São Paulo (SP), o momento de mais orgulho desde que veio ao Brasil foi o dia em que recebeu seu Cartão Nacional de Saúde. "A operação que foi realizada de graça pelo SUS me levaria à falência nos Estados Unidos. Não entendo porque muitos brasileiros acham estranho um americano ficar com orgulho quando tirou um cartão do SUS", contou.

Ele afirmou que viu os defeitos do sistema, e que sabe que existe muita coisa a se melhorar. "Na experiência que tive, vi que os hospitais são menos modernos que os americanos. Mas, por outro lado, mesmo no interior do Nordeste, em uma região que tem muita pobreza, com muitas pessoas sem condições de pagar um plano de saúde, ninguém se preocupa em falir por ter ficado doente. E isso é uma preocupação muito grande nos Estados Unidos. Pessoas que trabalham, mas morrem de medo de ficar doentes porque não tem dinheiro, não têm poupança para pagar centenas de milhares de dólares em contas médicas. Isso no Brasil não existe", afirmou.

"Os brasileiros devem exigir sempre melhores condições de saúde pública, mas também devem se sentir extremamente orgulhosos do SUS, uma conquista enorme que poucos países no mundo alcançaram", finaliza.




Taxa de satisfação do usuário


Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada no último dia 3 de junho, 82,6% das pessoas que se internaram em hospitais públicos, por 24 horas ou mais, avaliaram o atendimento recebido como bom ou muito bom.

O levantamento também apontou que 64,4% das pessoas atendidas pelas equipes de saúde receberam prescrição de medicamento, sendo que 82,5% delas tiveram acesso a todos as medicações e 92,4% obtiveram pelo menos uma.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) foi feita em 64 mil domicílios de 1.600 municípios do País, entre agosto de 2013 e fevereiro de 2014. O estudo é considerado o mais completo de saúde do Brasil e traz dados inéditos sobre vários aspectos, entre eles, acidente no trânsito, acesso aos serviços de saúde (atendimento e medicamentos) e violência.



Gratuidade


Os serviços públicos de saúde no Brasil são gratuitos, e de acordo com a Lei Nº 6.815, de 19 de agosto de 1980, "o estrangeiro residente no Brasil goza de todos os direitos reconhecidos aos brasileiros, nos termos da Constituição e das leis". O estrangeiro que precise de cuidados médicos pode procurar atendimento na rede de atenção básica e urgências do Sistema Único de Saúde (SUS).

Fonte:
Portal Planalto, com informações do Ministério da Saúde e Blog da Saúde

sábado, 13 de junho de 2015

o plano de saúde para quem já dobrou o Cabo da Boa Esperança


Planos de saúde: o martírio dos aposentados





junho 12, 2015





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A crônica de Mouzar Benedito: Uma vez por ano eu fico mais reclamão que o normal. E não sou só eu: há um coro de reclamões, formado por aposentados. Isso acontece quando chega o reajuste das mensalidades do plano de saúde



Por Mouzar Benedito


Uma vez por ano eu fico mais reclamão que o normal. E não sou só eu: há um coro de reclamões, formado por aposentados.

Isso acontece quando chega o reajuste das mensalidades do plano de saúde.

Teoricamente, o reajuste seria para cobrir a inflação ocorrida no ano que passou. Então, a correção agora deveria ser de 6,41%, que é o que vamos receber de reajuste da aposentadoria. Mas, na semana passada, a Agência Nacional de Saúde autorizou as empresas a reajustar em até 13,55% a mensalidade de planos individuais e familiares.

É aí que a coisa pega.

Quanto mais velho a gente vai ficando, mais vai se tornando dependente de atendimento médico e é muito arriscado não ter plano de saúde, acreditando que o Sistema Único de Saúde, o SUS, vai nos prover devidamente.

Reconheço que muita coisa melhorou, como a distribuição gratuita de certos remédios e o barateamento de muitos outros na chamada “farmácia popular”. E para tratar de certas doenças, o serviço público é muito eficiente. Conheço pessoas que receberam transplante de rim ou que fazem tratamento de câncer, por exemplo, que recebem um tratamento excelente nos serviços públicos de saúde. Mas de vez em quando vejo situações terríveis, de gente esperando anos por uma cirurgia.

Eu mesmo já precisei de alguns atendimentos de emergência que provavelmente me mandariam desta para uma melhor se ficasse na dependência do SUS.

O problema é que o plano de saúde custa cada vez mais caro, principalmente para quem já dobrou o Cabo da Boa Esperança, quer dizer, passou dos sessenta anos de idade.

O rendimento dos aposentados vai minguando ano a ano. É corrigido pela inflação oficial, abaixo da correção do salário mínimo, e assim em alguns anos, quem recebia quatro salários mínimos de aposentadoria já está recebendo três ou menos.

E os planos de saúde sempre têm reajustes bem maiores. Resultado: somando as mensalidades dos planos de saúde da minha mulher e o meu, lá se vai bem mais que a metade dos nossos rendimentos.

O certo é que daria para a gente viver relativamente bem com o valor que recebemos de aposentadoria, se não tivéssemos esses gastos que a cada ano nos sufocam mais.

Já que, pelo menos por enquanto, não dá para velho depender dos serviços públicos de saúde, minha sugestão é que o governo crie um plano de saúde para aposentados. Mas um plano que funcione de verdade, como qualquer outro, com muitos médicos, clínicas, laboratórios e hospitais que atendem os planos privados.

Só que com uma diferença: as mensalidades não poderiam ultrapassar 15 ou 20% dos rendimentos.

Sempre achei isso, e já escrevi sobre o assunto, mas ninguém leva a gente a sério. Acham que é uma coisa inviável.

Mas há alguns anos, encontrei um amigo no Uruguai e ele me disse que lá existe algo semelhante, e que funciona bem.

O pequeno país de José Mujica dá bons exemplos que poderíamos seguir e até aperfeiçoar aqui, não é? Que nossas autoridades pensem nisso.


Foto: Pixabay

domingo, 7 de junho de 2015

"doutores" ladrões do SUS e as operações "invisíveis" ao noticiário nacional...


Mídia ignora operação que prendeu "doutores" ladrões do SUS






A Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal realizou na semana passada (mais precisamente no dia 2, terça-feira) a operação Desiderato contra fraudes praticadas por médicos e empresários no SUS (Sistema Único de Saúde) em quatro estados: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.



Reprodução



Apesar de emblemática, nova investida da PF contra desvios de recursos públicos por médicos e empresários entrou na categoria das operações "invisíveis" ao noticiário nacional, merecendo pouca atenção

O centro da operação foi na cidade de Montes Claros (MG), onde três médicos cardiologistas foram presos por evidência de três tipos de crimes: receber propinas sobre equipamentos médicos comprados com verbas do SUS, desvio destes equipamentos do patrimônio público para uso em clínicas particulares, e cobrar "por fora" de pacientes atendidos pelo SUS.

Empresários e suas empresas que teriam corrompidos os médicos também foram alvos da operação. A Polícia Federal, como é de praxe no período de investigações, manteve os nomes em sigilo.

Apesar de emblemática e de servir de referência para reprimir estes crimes em unidades de saúde de todo o Brasil, esta operação da Polícia Federal entrou na categoria das operações "invisíveis" ao noticiário nacional, merecendo pouca atenção. O fato de os médicos presos terem se limitado à cidade de Montes Claros não torna a notícia regional, pois o delegado da PF Marcelo Freitas, que conduziu as investigações, afirma: "Acreditamos que o mesmo tipo de fraude se estenda por todo o território nacional, o que precisa ser investigado".

A importância nacional foi reforçada pelo delegado ao dizer que atualmente os desvios são facilitados pela falta de controle sobre as próteses. A notas fiscais de venda investigadas informam apenas quantidade e número do lote, mas omitem os números de série. O Ministério Público encaminhará à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) recomendação para tornar obrigatória a discriminação deste verificador.

O delegado informou que o mesmo crime será investigado em outras especialidades, como próteses de ortopedia, de otorrinolaringologia e oncologia. As diligências feitas na sede das empresas fornecedoras que corrompiam médicos deixa claro que a investigação busca pegar delitos semelhantes em outras cidades do Brasil.

As investigações iniciadas em julho de 2014. Segundo os investigadores, stents (dispositivo para desobstruir artérias do coração) eram comprados para pacientes que não precisavam. Os maus médicos faziam um laudo realista para o paciente, sem referência ao stent. Faziam outro laudo – fraudulento – com a indicação de uso do aparelho para a coordenação do Sistema Único de Saúde. Assim, criavam um estoque paralelo dos dispositivos. Tudo pago com recursos do SUS, mas que eram desviados para uso em pacientes particulares e que pagava diretamente aos médicos pelo uso de itens comprados com dinheiro público.

Além dos desvios, os médicos recebiam propinas dos fornecedores. Os aparelhos custam aos cofres públicos entre R$ 2 mil e R$ 11 mil, conforme o modelo, e os médicos ganhavam propinas de R$ 500 a R$ 1.000 por unidade que pediam. Não precisa nem desenhar que, se não houvessem as propinas, o preço cobrado ao SUS poderia ser menor.

O grupo de médicos envolvidos chegou a receber R$ 110 mil por mês e criaram até uma empresa de fachada para receber a propina das distribuidoras simulando "prestação de serviços" para lavar o dinheiro sujo, segundo a PF.

Outra prática criminosa destes médicos foi, além de receber pelo procedimento através do SUS, cobrar "por fora" de pacientes. A Santa Casa de Montes Claros suspendeu um dos médicos da equipe de hemodinâmica, depois de saber que cobrou R$ 40 mil para um tratamento pelo SUS do paciente Vladiolano Moreira. Depois de receber a denúncia, abriu sindicância e constatou que o médico já tinha recebido R$ 20 mil. Com as investigações, a família recebeu o dinheiro de volta. Não foi o único caso constatado. Outra paciente, Maria Ferreira teve de pagar R$ 3 mil. Nilza Fagundes Silva pagou R$ 10 mil.

Os investigados foram indiciados pelos crimes de estelionato contra entidade pública, associação criminosa, falsidade ideológica, uso de documento falso, corrupção passiva, corrupção ativa e organização criminosa. A Santa Casa e o Hospital Dilson Godinho, onde a quadrilha atuou, não participaram dos delitos e colaboraram com as investigações, de acordo com a PF.

A operação mobilizou 200 policiais federais para cumprir 8 mandados de prisão temporária, 7 conduções coercitivas, 21 mandados de busca e apreensão e 36 mandados de sequestro de bens. O diretor Daniel Eugênio dos Santos da empresa Biotronic, residente em São Paulo, escapuliu de ser preso porque está em viagem de férias com a família nos Estados Unidos.

Daniel dos Santos tem um antecedente semelhante. O Ministério Público Federal já o denunciou junto com outros seis empresários e os médicos Elias Ésber Kanaan e Petrônio Rangel Salvador Júnior do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), por propinas para cirurgias de implantes de marcapassos e desfibriladores, entre o período de 2003 e 2008. Chamou atenção o número completamente desproporcional ao do restante do país e a denúncia afirma que haviam casos desnecessários. Apurou-se também a compra aparelhos em número maior do que o efetivamente implantado, com efetivo prejuízo aos cofres públicos.

Este antecedente comprova que as investigações sobre estes crimes precisam ir muito além de Montes Claros.

Não é só a imprensa oligopólica quem dá pouca visibilidade a estes delitos. O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), por exemplo, que é médico (ortopedista) e empresário do setor, em vez de dedicar-se a perseguir médicos cubanos com proselitismo arcaico do tempo da guerra fria, deveria se dedicar a legislar e fiscalizar, nas comissões do Senado, estes malfeitos de sua classe profissional que tanto mal faz ao povo brasileiro.




Fonte: Rede Brasil Atual

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Ainda bem que o SAMU existe, né Kim?


Kim, você é contra o Estado, mas ainda bem que o SAMU te socorreu, não é?




25 de maio de 2015 | 16:03 
Autor: Fernando Brito





Sinto muito pelo acidente com aquele rapazinho, Kim Kataguiri, que vive desancando o Estado e louvando o império da iniciativa privada.

Ainda bem, porém que, como mostra a foto, ele foi atendido – tal como aconteceu com a família de Luciano Huck após o pouso forçado de seu avião -por serviços público do SUS, o mesmo SUS que, sempre que puderam fizeram questão de desancar – e há muitos casos, de fato, dramáticos – dizendo ser só um caos a saúde pública, sem nunca mostrarem os avanços que estamos tendo.

Entre eles, o SAMU, que socorreu Kataguiri.

É uma iniciativa do governo que Kim quer derrubar, de qualquer maneira, que hoje tem perto de 4 mil ambulâncias e custa mais de R$ 1 bilhão por ano.

O Governo Federal paga a metade, estados e municípios pagam, cada um um quarto do custo.

Posto aí embaixo uma reportagem – claro que da NBR, porque as televisões privadas só se preocupam com o “mundo cão” das carências- que é algo que deveriam ver os que esqueceram de como era comum, há 15 anos, ver pessoas por horas se contorcendo nas calçadas à espera de uma ambulância.

Veja o vídeo do Samu em 2013 – como o Governo Federal é doloroso de comunicação, só tinha 758 visualizações em mais um ano e meio – e, querendo, leia a seguir minha história de hoje mesmo com o SUS.








Eu não espero que acreditem em mim – sei que até muitos dos meus amigos duvidariam – mas hoje voltei ao posto de saúde – simplérrimo, uma “casinha de roça” numa quase vila de pescadores junto à bacana praia de Piratininga, em Niterói, para marcar data para coleta de material para exames. Foram marcados, em menos de 15 minutos, para daqui a uma semana, tal como uma semana demorou a consulta médica em os solicitou.

Aliás, médica que me atendeu, depois de uma extensa consulta, troca da medicação para diabetes que tinha recebido em outra unidade (também pública e também boa) de emergência, a Dra. Daiane, teve um gesto que talvez surpreenda os que estão acostumados com ricos consultórios particulares.

Levantou-se da cadeira, levou-me à porta e despediu-se de mim com a inevitáveis recomendações de restrição e, pasmem, com um aperto de mão.

Para os que quiserem ver, coloco abaixo uma foto do posto, onde pretendo continuar a me tratar, no acompanhamento, depois da consulta com um endocrinologista que vai demorar um mês, já que agora estou visto por uma clínica geral, medicado e com uma taxa de glicose que marcou hoje 107, depois de ter entrado com 400 no posto, há duas semanas.






quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

“chega de aprender nos pobres para só querer cuidar dos ricos”


Padilha: o que une
Andressa Urach a FHC


FHC, a FIESP e o PSDB acabaram com a CPMF – PHA


Conversa Afiada







O Conversa Afiada publica excelente – e irrespondível – artigo de Alexandre Padilha na Carta Maior:




O SUS E A DESIGUALDADE NO BRASIL



O Brasil é o único país com mais de 100 milhões de habitantes que busca oferecer acesso universal à saúde: mas como resolver o subfinanciamento do SUS?



Às vésperas do Natal, depois de dias de internação, felizmente a modelo e apresentadora Andressa Urach recebeu alta hospitalar, com vida e pronta para se reabilitar. Durante todos esses dias, a imprensa e as redes foram ricas em comentar sobre a vida da modelo, sobre boatos em relação a sua saúde, sobre técnicas estéticas, sobre a ditadura da beleza e clínicas e mais clínicas. Raras matérias traziam uma informação que surpreende a todos: depois de um périplo por clínicas particulares sem solução definitiva, foi em um hospital 100% SUS, do Grupo Hospitalar Conceição (um dos poucos próprios do Ministério da Saúde) que a modelo teve a sua vida salva e a saúde reabilitada. Foram médicos e profissionais de saúde que enfrentam todas as carências que estão presentes nos hospitais públicos, que cuidaram da complicação decorrente do procedimento estético. Mais uma vez, neste ato, garantiram a modelo o direito de todos os 200 milhões de brasileiros: o acesso a um sistema de saúde que busca ser universal.

Nem no meu maior devaneio SUSista esperava uma manchete do tipo: “Hospital do SUS salva modelo com complicações em procedimentos estéticos realizados em clínica privada”. Ou ” Ao contrário de Miami, modelo não precisou pagar antecipadamente por vida salva em Hospital do SUS”. Mas é preciso falarmos alto para que esta, uma das contradições da relação entre dois sistemas de saúde, público e privado, não passe desapercebida. Pelo tamanho atual dos dois sistemas no Brasil, é fundamental que as contradições sejam cada vez mais enfrentadas, sob risco de inviabilizarmos o projeto de um sistema público universal com qualidade e reforçarmos a iniquidade também no sistema privado.

O Brasil é o único país do mundo, com mais de 100 milhões de habitantes, que busca oferecer a sua população o acesso universal a saúde. Nem mesmo as novas Constituições da América Latina, apelidadas de bolivarianas, foram tão ousadas:” Saúde é DIREITO de todos e DEVER do Estado”. Ao mesmo tempo, temos cerca de 50 milhões de usuários de planos de saúde médico-hospitalares (eram 30 milhões em 2003) e 70 milhões, incluindo planos odontológicos. Os números de ambos os sistemas impressionam ministros da Saúde e investidores de todo o mundo. O caso similar a modelo, pacientes do sistema privado recorrerem ao SUS, por falta de cobertura ou por situação de emergência é muito mais comum do que se imagina. Desde 2011, quando assumi o Ministério da Saúde, implantamos um conjunto de mudanças de gestão para identificar quando isso ocorre. Com elas, busca-se garantir o ressarcimento do plano de saúde ao SUS, porque é dele que se deve cobrar, não do paciente. Desde então, as operadoras são obrigadas a emitir um número de cartão SUS para todo usuário de plano, permitindo ao Ministério este rastreamento. Você que me lê e é usuário de plano de saúde tem número de cartão SUS e talvez não saiba. De lá para cá, foram recordes sucessivos de recuperação de recursos para o SUS: em 3 anos, mais do que em toda história da Agência Nacional de Saúde (ANS), criada em 2000. Mas muito precisa-se avançar nessa cobrança, e o governo Dilma prosseguiu em novas medidas em relação a isso. O motivo mais comum de internação no SUS por detentores de planos de saúde, acreditem: parto. Recentemente, correu as redes a notícia de turista canadense, que teve parto de urgência no Havaí e, quando voltou para casa, recebeu conta de US$2,5 milhões para pagar.

Poderia citar outros exemplos em que somos usuários do SUS sem nem reconhecermos. Desde 2001, o Brasil é recordista mundial de transplantes em hospitais públicos. O SAMU salva vidas sem perguntar o plano ou exigir cheque. A vigilância sanitária estabelece regras e fiscaliza a comida dos restaurantes, inclusive os chiques, de preços estratosféricos. As mesmas analisam risco a saúde de equipamentos, medicamentos, bebidas vendidas em massa, cosméticos e produtos de estética. O próprio uso do HIDROGEL já estava condenado pela Anvisa, evitando novos casos como o de Andressa Urach.

Estas contradições da convivência de dois sistemas públicos e privado impactam nos maiores desafios atuais de sobrevivência do projeto SUS: o seu subfinanciamento e a iniquidade no acesso aos serviços. E criam um ambiente, no mercado de trabalho e no complexo industrial da saúde, que influencia fortemente outro fator decisivo para uma saúde pública humanizada: a formação e a postura dos profissionais de saúde.

Há um consenso suprapartidário no Brasil: a saúde pública é subfinanciada. A divergência é como resolver este fato. Desde o final da CPMF, que retirou R$40 bilhões anuais do orçamento do Ministério da Saude, o Brasil investe na saúde pública em média 3 vezes per capta menos do que parceiros sul americanos como Chile, Argentina e Uruguai; cerca de 7 a 8 vezes do que sistemas nacionais europeus recentes como Portugal e Espanha, cerca de 11 vezes menos do que o tradicional Sistema Nacional Inglês. Ao mesmo tempo, segundo dados recentes publicados pelo IPEA, a isenção fiscal referente aos planos de saúde no Brasil chegou a cerca de R$ 18 bilhões. Ou seja, o mesmo Estado que não garante recursos suficientes para prover um sistema público para todos, co-financia a alternativa para uma parcela da população, que se vê obrigada a pagar valores expressivos para ter acesso a saúde. Além disso, o mesmo Estado suporta o atendimento de vários procedimentos que de alguma forma não são cobertos pelos planos. A incorporação tecnológica, o envelhecimento da população e o impacto dos acidentes automobilísticos e da violência urbana nos custos dos serviços de emergência e reabilitação, transformam esta equação, já precária, em insustentável. Não a toa, a melhoria da saúde é a primeira demanda da população e ter um plano de saúde, o sonho da nova classe trabalhadora. No último período, dois avanços importantes do governo Dilma foram conquistados: a regra que estabelece quanto União, estados e municípios são obrigados a investir em saúde e a vinculação de um percentual dos recursos do pré-sal. Mas precisamos avançar sempre.

As opções para o financiamento da saúde são uma das expressões da desigualdade não tão revelada no nosso país. É mais do que hora de todos nós, que colocamos a redução das desigualdades como centro de um projeto político, enfrentá-las. Se não o fizermos, perderemos a capacidade de interlocução com segmentos expressivos da classe trabalhadora, que sofre com a baixa qualidade e os custos dos sistemas públicos e privados. Temos que ir para ofensiva no diálogo com a sociedade e explicitar que ampliar o financiamento a saúde passa, necessariamente, por inverter o sistema tributário injusto com o qual convivemos. Não é razoável, em um país como o Brasil, que alguém, ao receber R$ 60 mil em 12 meses de trabalho, paga 27% de Imposto de Renda, enquanto alguém que receber R$ 2 milhões de herança, praticamente não será taxado. Em países como EUA (30-40%) França (45%), Alemanha, Japão (50%) as alíquotas para heranças seriam outras. Estudos de 1999 mostram que imposto sobre fortunas no Brasil, entre 0,8% a 1,2%, em fortunas acima de R$ 1 milhão, renderiam uma arrecadação de cerca de 1,7% do PIB, mais do que era obtido pela CPMF.

A formação e a conduta profissional é o outro território invadido por estas relações dos dois sistemas público e privado. A batalha do Mais Médicos, as denúncias recentes de abuso sexual e preconceito por alunos de medicina nas faculdades e a atitude absurda de algumas lideranças condenarem a campanha antiracismo organizada pelo Ministério da Saúde só explicitaram o arcabouço de valores que influencia a formação dos nossos futuros profissionais, de ambos os sistemas. No cerne, há duas correias de tensão, que se alimentam mutuamente. Por um lado, um ideário liberal de exercício da profissão, que alimenta, desde os primeiros dias de graduação, uma não aposta em um sistema público de qualidade e o desrespeito em relação aos seus usuários: pobres, mulheres, negros, homossexuais e “gente não diferenciada”. Por outro, um mercado dinâmico e lucrativo de tecnologia, órteses, próteses, equipamentos, fármacos, serviços, publicações, congressos que financia uma visão cada vez ultraespecializante da formação e da atuação em saúde. Não a toa, a investigação iniciada pelo Ministério da Saúde, em Março de 2013 que teve luz recente graças a matéria de TV, e o Mais Médicos incendiaram o debate, questionaram paradigmas e condutas. Não há nenhum profissional de saúde no Brasil, nem aquele que se especializou em realizar procedimentos estéticos em clínicas privadas, que não tenha dependido do SUS para se formar. Nos meus tempos de estudante de medicina cunhamos a frase: “chega de aprender nos pobres para só querer cuidar dos ricos”

Esta realidade desafiadora nos abre uma grande oportunidade. O entendimento de que um sistema público dessa dimensão, em um país tão desigual e diverso como o nosso, gera plataforma continental para um amplo complexo de indústria e serviços no campo da saúde. O Brasil será mais rico e menos desigual se pudermos articular as duas perspectivas. Não será possível sustentar um sistema público de saúde sem crescimento econômico e para tal é necessário colocarmos os 2 pés no universo da inovação tecnológica. Ao mesmo tempo, o complexo de indústrias e de serviços da saúde não sobrevive no Brasil se desprezar o mercado interno impulsionado pelo acesso a um sistema público, cada vez mais tecnológico. Usar o poder de compra do estado para fortalecer um setor econômico que gere empregos e inovação tecnológica no Brasil teve, na Saúde, a sua experiência recente mais exitosa. Ela foi calcada de um lado na ousadia, ao estabelecer o interesse público e nacional como o rumo a ser seguido, e previsibilidade, regras que estimulassem o setor privado a fazer este jogo de interesse para o Brasil. Beber dessa experiência é fundamental para fortalecermos a Saúde como um impulso, e não um peso a carregar, na agenda de desenvolvimento do Brasil.



*Alexandre Padilha, médico, 43 anos, ex-Ministro da Coordenação Política de Lula e Saúde de Dilma e candidato a governador de SP em 2014


Em tempo: leia aqui “Arthur Chioro:‘Novo tributo é caminho para sustentabilidade do sistema de saúde’”