Militar diz ter sido violentado no quartel do Exército - Parque Regional de Manutenção de Santa Maria/RS
Fala Povo
Com informações de Fernando Alcântara
10/06/2011 - 18:06
“Estamos vivendo um inferno”. Essas foram as palavras do pai de um jovem militar de 19 anos que serve no quartel Parque Regional de Manutenção de Santa Maria e supostamente teria sofrido abuso sexual de colegas de farda. A declaração foi na tarde de ontem no escritório de uma banca de advogados quando a família trocava informações com os defensores para tentar descobrir o que realmente houve com o filho e pedir justiça com quem teria cometido tais atos. Segundo a família e os advogados da vitima, Diego Strassburger, Lauro Bastos e John Waine Molina, diretor jurídico estadual da Abamf (Associação Beneficiente Antonio Mendes Filho – ligada aos servidores da Brigada Militar), quatro militares estariam envolvidos no suposto abuso. A acusação é de que, enquanto um segurava a vítima, outros três colegas de unidade teriam praticado o ato. A denúncia relata, ainda, que outros militares teriam assistido ao fato e nada fizeram para ajudá-lo.
A mãe, uma dona de casa de 40 anos, e o pai, um motorista de 43 anos que teriam ficado dois dias sem poder ver o filho, enquanto ele estava internado no Hospital de Guarnição do Exército (HGU). Segundo eles, um sub-tenete teria ameaçado duas vezes prender a dona de casa por desacato, após ela ficar alterada enquanto ouvia da boca do oficial que o filho era homossexual. “Meu filho sonhava em fazer carreira no quartel e acontece uma coisa dessas com ele”, lamenta a mãe, bastante abatida e chocada com a situação. Os advogados afirmam que o jovem não é homossexual e que a opção sexual, além de estar sendo posta em dúvida, está sendo posta acima dos direitos do militar.
Os advogados contam que os familiares não conseguiam ficar sozinhos com o jovem no quarto do hospital. “Eles colocaram um militar de plantão dentro do quarto. A gente foi sexta-feira e ele (militar) estava lá. No sábado, a mesma coisa, e, no domingo, também”, conta a mãe. Os advogados querem agora que o militar seja avaliado por um médico civil, para que possa ser comprovada a violência. Bastos conta que, ao buscar informações sobre o caso do cliente, teria sido informado que ele teria passado por exames de sangue que teriam comprovado que o jovem seria soropositivo para HIV. Mas, segundo os advogados, outros dois exames deram resultado negativo. Nesta quarta-feira, a família deve conseguir levar o jovem para avaliação médica fora do exército. Apesar de o filho ser militar, os pais levaram as roupas intimas que o filho vestiu nos últimos dias e entregaram na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), onde registraram uma ocorrência para buscar Justiça. O material deve passar por perícia, que apontará se há vestígios de relação sexual. “Afinal, onde estão os direitos humanos nessa hora”, finaliza a mãe do jovem.
O Setor de Comunicação da 3ª Divisão do Exército confirmou em entrevista a Rádio Santamariense que um Inquérito Policial Militar (IPM) foi instaurado, no dia 18 desse mês, para apurar o que realmente aconteceu. O caso está sendo tratado como atentado violento ao pudor pelo exército e, até o momento, não foi possível apontar se houve ou não o ato. Segundo o oficial de Comunicação da 3ª Divisão do Exército, Major Brancaleone, o IPM tem prazo de 40 dias a partir da data da instauração. O exército deve se pronunciar sobre o caso nos próximos dias.
O caso segundo a família e advogados
Segundo os pais, o jovem estava detido no alojamento do quartel no dia 17, quando um oficial teria mandado os jovens juntarem as camas e, em ato continuo, teriam apagado a luz e pego a vítima em seguida. Conforme os advogados, o jovem teria sido coagido a não falar sobre o que teria acontecido. O pai diz que só ficou sabendo da suposta agressão ao filho depois que uma pessoa conhecida da família relatou o episódio de que um militar havia sido violentado em um quartel da cidade. No domingo, o motorista, pai do jovem, foi até o HGU e perguntou ao filho se havia algo de errado e ele teria confirmado. “Eu cheguei e perguntei. Só me diz se sim ou se não. Tu foste o violentado? E ele me disse que sim”, conta o pai.
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