domingo, 16 de agosto de 2015

o voto básico, o ódio hipnotizador, as trevas e a extinção


A extinção da FUNDERGS é um absurdo: dez motivos




Postado por Juremir em 8 de agosto de 2015


Por Cláudio Gutierrez


1. A FUNDERGS não tira dinheiro do caixa do Estado, capta recursos para o Estado. De seu orçamento de 20 milhões para 2015, 16,5 milhões vem de fora do RS. A FUNDERGS capta mais de cinco vezes o que custa.

2. Uma Secretaria poderia fazer o mesmo que a Fundergs faz? Não! Se tentar fazer sairá mais caro, mais burocratizado e mais lento, pelos entraves legais. Uma fundação gerencia recursos captados, realiza editais públicos para projetos sociais esportivos, celebra e acompanha convênios e promove atividades diretas de mais forma mais ágil, técnica e econômica que uma secretaria de estado.

3. Está na contramão do movimento nacional. O Brasil está desenvolvendo organismos qualificados para gestão do esporte e o Ministério do Esporte, nesse momento, está encaminhando a construção de um sistema nacional de esporte e lazer. Aqui o Governo extingue seus órgãos gestores de esporte e lazer: Secretaria e Fundergs.

4. Desestimula investimentos para o RS: quem no Ministério do Esporte vai reivindicar ou avalizar o envio de recursos a um Estado que desprestigia o setor esportivo em sua estrutura de governo?

5. Na contramão do ciclo olímpico brasileiro: Todos os Estados fortalecendo as políticas e programas de esporte, aproveitando o momento em que se marca um ano para a Olimpíada do Rio; o RS extinguindo o locus privilegiado da formulação de políticas e análise de projetos de esporte para o Estado.

6. A extinção da Fundergs fragiliza o Centro Estadual de Treinamento Esportivo. O CETE mantém seis centros de excelência no esporte e mais dezenas de atividades, em uma oferta de alta qualidade, com 4 mil usuários dia. Sem a Fundergs se reabre o caminho para privatizar o CETE.

7. A privatização das funções da Fundergs sai mais caro ao Estado: o projeto de privatizar o CETE, pronto ao final do Governo Yeda, previa um repasse mensal do Estado ao terceiro no valor de R$200 mil ao mês (para manter uma oferta de escolinhas pagas). O CETE público, gratuito e equipado no padrão olímpico (17 milhões de investimento captado em convênio da Fundergs) custa ao Estado R$ 100 mil ao mês! A metade do que custaria se privatizado, com serviços pagos e de baixa qualidade (dados de 12/2014).

8. Gastar pouco em esporte economiza muito em saúde. O Brasil vive uma virada epidemiológica. As doenças que predominam não são mais as infectocontagiosas, mas as Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs). Nosso Ministério da Saúde está aliado à Organização Mundial da Saúde no desenvolvimento da Estratégia Global para enfrentamento das DCNTs, que se baseia em dois pilares: atividade física e alimentação saudável. Manter a Fundergs é barato e promove saúde; manter hospitais é caro e remedia doenças.

9. Gastar pouco em esporte e lazer economiza muito em segurança: em um país de 500 anos, onde quase 400 foram de escravidão, o desenvolvimento de políticas esportivas e de lazer é compromisso fundamental na construção do imaginário de uma sociedade democrática, que inclui as mulheres e homens que com seu suor constroem o país. Políticas públicas de esporte e lazer distribuem os bens econômicos e culturais, socialmente produzidos. O contrário disso é o esporte e o lazer como signos de distinção, de privilégio, o que alimenta o imaginário da exclusão que sempre explode em violência. Manter a Fundergs é barato, promove educação e segurança; manter presídios é caro e corrige o mal feito.

10. A Fundergs foi criada no Governo Olívio, mantida nos governos Rigotto e Yeda, fortalecida no Governo Tarso. Extingui-la agora provocaria uma ruptura de continuidade na política estadual de esportes e um retrocesso de 15 anos! Condena o próximo governo a começar do zero.

Por tudo isso, extinguir a Fundergs não só nos deixa mais pobres, como fecha a porta para acessar e distribuir riquezas e bens sociais e culturais tão necessários para desenvolver o Estado.




Prof. Dr. Cláudio Augusto Silva Gutierrez

Coordenador do Bacharelado em Educação Física

Coordenador do Polo Regional de Desenvolvimento do Esporte e Lazer Unisinos/Fundergs

Líder do Grupo de Pesquisa/CNPq OTIUM: Esporte, Saúde e Qualidade de Vida
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