terça-feira, 22 de setembro de 2015

Quanto mais para aprendermos? Quando aprenderemos?


Professores detidos pela BM em frente à AL protestam: ‘Ninguém aqui é bandido’


SUL 21



Momento em que Ricardo foi imobilizado e agredido nesta manhã | Foto: Caroline Ferraz/Sul21




Débora Fogliatto


Após serem agredidos e presos, três professores que estavam nas manifestações em frente à Assembleia Legislativa nesta terça-feira (22) foram liberados e voltaram ao ato. Sem desanimar após os ferimentos e indignados com os rumos do governo José Ivo Sartori (PMDB) e com o Legislativo, eles ainda não compreenderam o que motivou a Brigada Militar a derrubar e bater no professor Ricardo Machado Menezes.

Por volta das 11h, quando, segundo as vítimas, os professores estavam começando a recuar para longe da barreira formada por policiais militares em frente à AL, Ricardo foi agarrado pelas costas por um policial e derrubado no chão, onde, mesmo rendido, foi agredido por cassetetes e socos. Os dois colegas, Antônio Neto e Fernando Campos, vieram em sua defesa. Segundo afirmam, um deles foi chutado e ambos foram presos. Os três professores foram levados à 3ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, no bairro Navegantes.



Ricardo mostra o ferimento na clavícula | Foto: Débora Fogliatto/Sul21


Para Campos, que é professor de História em Alvorada, o que surpreende não é truculência da BM, visto que “esse é o trabalho deles”, mas sim a quem essa violência foi dirigida: “O que a gente não espera é que o governo do Estado utilize a BM para agredir professores. Ninguém aqui é bandido”, resume.

Mesmo após as agressões, os três pretendem continuar participando da paralisação e de protestos por seus direitos. “Nenhum dos três aqui foi responsável por agressões aos servidores da Brigada. Nenhum de nós foi responsável por atirar pedras na Assembleia, mas não podem nos acusar de ser coniventes com aquele palácio que hoje é o algoz do funcionarismo público”, disse Neto, referindo-se à AL. Ele ainda criticou a aprovação, na semana passada, da nova previdência para o funcionarismo, votada com as galerias vazias. “É importante que a gente saia daqui com a experiência de que no Parlamento não se pode depositar nenhum voto de confiança, é a nossa luta que vai mudar nossa vida”, disse, no carro de som, aos colegas que participavam da mobilização.

Ricardo Menezes, que também é professor de História, na Lomba do Pinheiro e no bairro Partenon, recorda da greve ocorrida em 2004, quando diz que viu um policial quebrar o braço de uma companheira com um cassetete. “Era no governo Rigotto, também do PMDB”, lembrou. Com a camiseta rasgada, ele conta que sente mais dor em um hematoma que ficou no local onde “um cassetete pegou”, na clavícula, assim como na perna, possivelmente pela forma como foi atirado no chão.

A Brigada Militar afirma que os três detidos faziam parte de um grupo de manifestantes que derrubou o gradil e entrou na porta principal do saguão. Por cerca de uma hora, os servidores que estavam ali negociaram com a BM para que saíssem e retornassem para a Praça da Matriz. Segundo o Major Bitencourt, responsável em exercício pela Comunicação da corporação, nesse momento “umas cinco pessoas, entre elas os três que foram detidos, tentaram investir contra a Brigada para tentar entrar na AL”, o que teria causado um tumulto e levado a BM a utilizar gás lacrimongêneo por spray. “Foram uns três disparos, para dispersar quem estava na entrada da AL. E nisso acabou realizando a prisão dessas três pessoas”, relatou. Ele não confirmou a identidade dos detidos e disse acreditar que não se tratava de professores, mas afirmou serem três homens e que foram levados para a 3ª DPPA.



Fernando, Ricardo e Neto afirmaram ter sido agredidos | Foto: Débora Fogliatto/Sul21
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