terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Democracia é acatar o resultado das urnas


Maio de 68 em São Paulo, capitães do golpe e o melhor discurso de Dilma



por Juremir 



O Brasil vive um momento especial.

A gurizada de São Paulo fez o maio de 1968 brasileiro: derrubou a burrice do poder burocrático, que pretendia reformar escolas levando jovens a estudar mais longe de casa sem razão alguma.

A meninada ocupou escolas, deu lições de cidadania, retomou o melhor sentido da política, invalidou a estupidez da tecnocracia, que reagiu mandando a polícia bater em adolescentes e, no melhor estilo já conhecido do governo paranaense, perdeu a compostura.

Em Brasília, as coisas começaram a definir-se. Eduardo Cunha acionou o golpe. Eliseu Padilha saltou do barco para ser o tenente do capitão golpista Michel Temer, que enviou carta à presidente Dilma choramingando por ter sido supostamente desvalorizado. Segundo ele, Dilma não confiaria no PMDB. Que razão teria Dilma para confiar num partido que a trai desde sempre? Um partido que não vota unido na chapa do seu presidente nacional.

O golpe está na pauta. Sem qualquer crime de responsabilidade da presidente da República.

As pedaladas fiscais são um pretexto pífio. As de 2014 estão invalidadas por artigo da Constituição, que impede de responsabilizar presidentes por atos de outro mandato. As de 2015 foram anuladas pelo PLN 5, que alterou a meta fiscal. Qualquer criança sabe disso.

Dilma fez um discurso corajoso. Assumiu que mandou bancos públicos adiantarem o pagamento do bolsa-família e do Minha Casa Minha Vida. Não fez empréstimo, não roubou. Apenas não deixou que pessoas ficassem sem o pouco que recebem para sobreviver.

“Uma parte do que me acusam é de ter pago o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida. Paguei sim. Nós pagamos com o dinheiro do povo brasileiro. Não foi empréstimo, foi o dinheiro legítimo dos tributos pagos pelo povo deste país”, disse a presidente.

Fez bem.

Devia ser condecorada.

Por que a direita nunca pediu o impeachment de governadores de todos os partidos que descumpriram leis como a do piso do magistério?

Adiantar benefícios não pode.

Deixar de pagá-los, sim.

A oposição brasileira precisa aprender com a Venezuela.

Lá, o resultado eleitoral foi acatado pelos perdedores.

Dito isso, o PT paga por muitos dos seus erros, por ter feito alianças espúrias, por ter vendido a alma ao diabo, por ser arrogante, por ter tolerado a corrupção e por sua soberba.

O PT quis golpear Itamar e FHC.

Na época, tucanos denunciavam o golpismo petista.

No Brasil, como na época de Carlos Lacerda, todos continuam golpistas.

Constitucional é o golpe que cada um, conforme a circunstância, apoia.

Democracia é acatar o resultado das urnas, salvo se houver crime indiscutível, e poder trancar ruas para protestar quando não se é ouvido ou se é vítima de injustiças flagrantes.

O conservadorismo adora a paz dos cemitérios.

Quer manifestações que não atrapalhem e que não surtam efeito.

Já era assim quando os negros lutavam pela abolição da escravatura.

Os escravocratas diziam que não eram contra, só não aceitavam os “métodos”, que consideravam radicais, e o momento. Entendiam que os escravos podiam esperar.

Quem não tem onde morar e não recebe ajuda das autoridades só tem uma coisa a fazer:

Parar o trânsito.
Postar um comentário