domingo, 27 de dezembro de 2015

jornalismo e o desvio de caráter


A imundície do jornalismo “limpinho” no caso Cunha-Cuba


Tijolaço


POR FERNANDO BRITO · 27/12/2015








Não é nenhum absurdo errar no jornalismo.

Recebe-se uma informação falsa, por falta de meios ou de tempo não se a verifica e, pronto, lá se foi a “barriga” jornalística, que é com a gente chama a notícia falsa ou improcedente.

Pode acontecer, ninguém está livre. Se é muito grave, dizia-se no meu tempo, “dá demissão”. É risco do ofício.

O que não pode acontecer foi o que ocorreu neste ridículo episódio da “viagem” de Eduardo Cunha a Cuba noticiada na coluna de Lauro Jardim, no site de O Globo, que parece estar se tornando a recordista em publicação de notícias falsas sobre políticos e seus filhos.

O tema era atraente e a baixaria irrelevante de uma filha do deputado (irrelevante mesmo, porque é uma simples grosseria e a moça não é a que tem conta na Suíça) era irresistível para quem quer ficar dando lições de comportamento aos outros.

Gabriela Amorim, ao que se saiba, não é uma figura pública, não tem nenhum interesse jornalístico e sua postagem no Instagram não faz nenhuma referência política.

Com o perdão da expressão,o que o jornal fez foi simples uso escandaloso de bunda e dedo alheio, tal como fez a mocinha mal-educada ao usar uma imagem de uma dona que tem como profissão ser irmã da “celebridade” Kim Kardashian.

Muito pior, porém, porque não num perfil particular, mas numa coluna que se pretende o máximo do jornalismo sob a marca de um grande jornal.

Não se justifica por ser filha de Cunha e Cunha ser quem é, porque não se justifica com ninguém.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar e a coluna piorou.

Passou da má informação, da baixaria e da irrelevância para o mau-caratismo.

Publicou uma “atualização” que não é um desmentido, mas um “arranjo”, sem referência ao erro.

Troca-se, como se vê na imagem, algumas palavras e faz-se o leitor de idiota.

Fere-se, assim, a primeira e maior regra do jornalismo, da qual todas as outras advém: respeite o leitor.

O mínimo que se espera quando se faz algo que pretenda ser chamado de jornalismo é ter dignidade.

Aqui chega lixo de toda espécie, como chega a todos os blogueiros que Lauro e O Globo chamam de sujos.

Na campanha, falou-se da família de Aécio Neves, mas só quando seus atos os envolviam em situações públicas e nunca se explorou situações familiares que não tivessem este viés.

Não é digno de elogios agir assim, é obrigação.

Infelizmente, está deixando de ser a regra.

Ao contrário: a regra parece estar virando o deboche, a grosseria, o uso do jornalismo para um tipo de “fofocagem” mau-caráter.

Nada a ver com informalidade, com fazer polêmica, com ter posição política ou mesmo paixões ideológicas.

Mas quem não pratica no seu próprio trabalho o mínimo ético a que deveria estar obrigado só pode ser um fariseu quando pretende dar lições de ética aos outros.

PS. O erro grosseiro pode ter sido do repórter da coluna de Jardim. O desvio de caráter na “emenda pior que o soneto” é degraus acima, certamente.
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