Jornalismo B
AQUI TINHA UMA FOTO (Quer saber por que ela saiu? Clique aqui).
O Estado, em qualquer formato no qual seja desenhado, precisa de algumas instituições que o sustentem. Quanto mais democrático, mais apoiado sobre o conjunto da sociedade é o Estado. Quanto mais democrático, menos opressor, e menos necessitado de mecanismos de opressão. O atual formato de Estado, entre outras coisas, precisa de dois sustentáculos absolutamente fundamentais: a repressão pelas armas e a opressão pelas palavras.
Essas duas formas de repressão são representadas pela polícia e pela mídia. Esses dois setores da sociedade, em sua forma dominante – fique claro –, podem ser mecanismos extremamente discriminatórios. Promovem, através das armas e das palavras, uma limpeza social, afastam os pobres do convívio com o restante das cidades, reprimem a pobreza.
Tanto a polícia quanto a mídia dominante faz claras diferenciações entre pobres e ricos. Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? O preconceito de classe nasceu primeiro na mídia e, dali, chegou à cultura social, ou está presente nesta mídia apenas como um reflexo da própria sociedade? No mínimo, a mídia realimenta esse preconceito, essa segregação diária e já tão comum que beira a invisibilidade.
O Clic RBS, portal que congrega os diversos sites do Grupo RBS, em seu Hotsite da cidade de Erechim, no norte gaúcho, deu uma bela mostra do que foi dito nos três primeiros parágrafos deste texto. Aconteceu na última terça-feira. Dois fatos com algumas semelhanças tratados de formas completamente diferentes pelas duas instituições comentadas no começo deste post. A polícia começou a distinção de classe, como costuma acontecer, e a grande imprensa foi pelo mesmo caminho, como costuma acontecer.
Às 17h19min entrou no Clic RBS Erechim uma matéria com o seguinte título: “Polícia apreende armas em bairro nobre de Erechim”. A foto é essa do começo deste post, apenas armas, muitas armas. A referência aos responsáveis se resumem a “o nome dos envolvidos e o bairro não foram divulgados pela polícia”. Não consta sequer a informação sobre se os criminosos foram presos ou não.
AQUI TINHA UMA FOTO (Quer saber por que ela foi tirada? Clique aqui).
Exatos 37min depois, às 17h56min, foi ao ar no mesmo site a matéria “Homem é preso por furto no bairro Três Vendas”. Com ilustração da imagem que está ao lado, tirada pela mesma fotógrafa, o texto diz assim:
Um dos homens mais procurados por furtos em residências e lojas de Erechim foi preso em flagrante na tarde desta sexta-feira (30), no bairro Três Vendas. Uilson Pereira, de 33 anos, conhecido como Perdigão, tentava cometer um furto em uma residência na rua José Oscar Salazar. Ele foi encaminhado ao Presídio Estadual de Erechim.
Não é preciso nenhum raciocínio muito aprofundado ou muito genial para perceber-se a diferença. Crime no bairro pobre: foto de corpo inteiro, rosto mostrado com clareza, nome, sobrenome e até apelido. Crime no bairro rico: nada.
Postado por Alexandre Haubrich
O Estado, em qualquer formato no qual seja desenhado, precisa de algumas instituições que o sustentem. Quanto mais democrático, mais apoiado sobre o conjunto da sociedade é o Estado. Quanto mais democrático, menos opressor, e menos necessitado de mecanismos de opressão. O atual formato de Estado, entre outras coisas, precisa de dois sustentáculos absolutamente fundamentais: a repressão pelas armas e a opressão pelas palavras.
Essas duas formas de repressão são representadas pela polícia e pela mídia. Esses dois setores da sociedade, em sua forma dominante – fique claro –, podem ser mecanismos extremamente discriminatórios. Promovem, através das armas e das palavras, uma limpeza social, afastam os pobres do convívio com o restante das cidades, reprimem a pobreza.
Tanto a polícia quanto a mídia dominante faz claras diferenciações entre pobres e ricos. Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? O preconceito de classe nasceu primeiro na mídia e, dali, chegou à cultura social, ou está presente nesta mídia apenas como um reflexo da própria sociedade? No mínimo, a mídia realimenta esse preconceito, essa segregação diária e já tão comum que beira a invisibilidade.
O Clic RBS, portal que congrega os diversos sites do Grupo RBS, em seu Hotsite da cidade de Erechim, no norte gaúcho, deu uma bela mostra do que foi dito nos três primeiros parágrafos deste texto. Aconteceu na última terça-feira. Dois fatos com algumas semelhanças tratados de formas completamente diferentes pelas duas instituições comentadas no começo deste post. A polícia começou a distinção de classe, como costuma acontecer, e a grande imprensa foi pelo mesmo caminho, como costuma acontecer.
Às 17h19min entrou no Clic RBS Erechim uma matéria com o seguinte título: “Polícia apreende armas em bairro nobre de Erechim”. A foto é essa do começo deste post, apenas armas, muitas armas. A referência aos responsáveis se resumem a “o nome dos envolvidos e o bairro não foram divulgados pela polícia”. Não consta sequer a informação sobre se os criminosos foram presos ou não.
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Exatos 37min depois, às 17h56min, foi ao ar no mesmo site a matéria “Homem é preso por furto no bairro Três Vendas”. Com ilustração da imagem que está ao lado, tirada pela mesma fotógrafa, o texto diz assim:
Um dos homens mais procurados por furtos em residências e lojas de Erechim foi preso em flagrante na tarde desta sexta-feira (30), no bairro Três Vendas. Uilson Pereira, de 33 anos, conhecido como Perdigão, tentava cometer um furto em uma residência na rua José Oscar Salazar. Ele foi encaminhado ao Presídio Estadual de Erechim.
Não é preciso nenhum raciocínio muito aprofundado ou muito genial para perceber-se a diferença. Crime no bairro pobre: foto de corpo inteiro, rosto mostrado com clareza, nome, sobrenome e até apelido. Crime no bairro rico: nada.
Postado por Alexandre Haubrich
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