segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O PIG renuncia a humanidade histórica


 um rato é um rato porque vive como um rato

baitasar

Quando cheguei OProfessor já estava na redação do blog do baitasar, com jeito de professor preocupado, como se já tivesse esgotado seus truques, jeitos e manias para ensinar alguma coisa.
Disse-lhe um bom dia formal e pedi licença para entrar
(fique na sua vontade)
Respondeu como se tivesse desistido de convencer o mundo. Achei estranho, OProfessor não é professor de desanimar, já são 32 anos lutando contra governos que entram e saem, só fazem de conta. As síndromes anunciadas – e por descobrirem – teve todas. Acha que saiu ileso, mas lembro que certa vez, confessou
(baitasar, a síndrome que não tem cura é o desengano; a desilusão nos faz perder as ilusões)
Lá fora, está chovendo, as buzinas tocam, tocam, tocam... Parecemos animalizados no trânsito.
OProfessor enche a cuia de erva-mate, faz o preparo do chimarrão. Coloca a água quente da térmica e toma o primeiro, em silêncio. Torna a encher a cuia com a água da térmica e a oferece com a mão esquerda. Aceito com as duas mãos, sou desajeitado com as mãos, e levo o chimarrão à boca
(guri, li “a manipulaçãodas mentes” do Eduardo Guimarães, uma luta do bem contra o mal, que também somos, mas parece que o mal convence melhor)
Respondo que é o apego excessivo a si mesmo e aos próprios bens, sem consideração aos interesses alheios que
(baitasar, isso é coisa do PIG)
Interrompo para ponderar que as mídias são todas invenções humanas
(o ovo e a galinha)
Concordo que são invenções que informam e deformam para conformar ou descongelar a resignação, depende do gosto
(guri, com o PIG você deixa de ser você mesmo, você não se pertence mais, se torna um estranho para si mesmo)
Como é que isso pode, pergunto
(essa gentititi amaldiçoa a humanidade histórica das massas. As pessoas não se enxergam porque são invadidas e representadas por eles. Provocam o estranhamento de estar fora de si, grades invisíveis que nos impedem de voar, criam a fronteira entre o ser e não ser. Você é, mas não é enquanto eles não te dizem o que você é)
Devolvo o chimarrão e reclamo que isso é loucura, há alguém em minha cabeça, pergunto, novamente
(que não é você)
Estão zombando do inferno
(guri, a invenção do inferno é ser e não ser ao mesmo tempo)
Pergunto que bruxos fazem tal feitiçaria
(guri, a Colombina se transformou em tortura, as águas rolam e bebemos até afogar)
Estendo a mão e pego a cuia do chimarrão. O líquido quente desce pela garganta e me sinto aquecido. Assim, mais confortado, pergunto por que se dão ao trabalho de enfeitiçar as pessoas
(baitasar, olhe a sua volta, o computador, o tapete, a caneta, tuas roupas; tudo é comprado e vendido. Essa gentititi vende o medo, uma mercadoria que rouba a decisão de autoria das pessoas)
Somos mercadoria na medida em que permitimos o seu lucro, ouvindo, lendo e olhando o PIG. Uma mercadoria que gera mais valor do que custa
(é isso, você vira negação de si, você se transforma neles, você passa a ser a coisa e a coisa passa a ser você)
O oprimido transformado no opressor
(guri, vejo que fez a lição de casa, um rato é um rato porque vive como um rato)
Sei, mas além de denunciar, o que podemos fazer, hein, vamos OProfessor, responda
(baitasar, não sei, mas podemos deixar de comprar o que eles vendem porque cheira mal)
Digo, ao OProfessor, que isso por si só não muda os safados
(você está certo, rapaz, as armadilhas são muitas, o nosso antagonismo com o PIG não se transformou em protagonismo coletivo... ainda)

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