quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Uma Tarde no LAGO

Revista PIAUÍ

Abaixo, um resumo da reportagem da revista piauí, feita pelo Chat-GBT!

O texto, publicado pela revista piauí, reconstrói um episódio ocorrido em julho de 2020, durante o auge da pandemia de Covid-19 no Brasil, quando o país registrava milhares de mortes e enfrentava dificuldades para adquirir vacinas. A reportagem descreve uma viagem de empresários ligados à Precisa Medicamentos, empresa que negociava a compra da vacina indiana Covaxin para o governo federal, e sua aproximação com o senador Flávio Bolsonaro.

Segundo a apuração, os empresários Danilo Trento e Francisco Maximiano viajaram de São Paulo para Brasília acompanhados de um agente de viagens e três garotas de programa. No dia seguinte, organizaram um passeio de lancha no Lago Paranoá que teve como convidado principal Flávio Bolsonaro e seu amigo e sócio empresarial Alexandre Santini. A reportagem afirma que o evento incluiu bebidas, comida e a presença das acompanhantes, descrevendo-o como parte de uma estratégia de aproximação política e de influência.

A tese central da reportagem é que empresários envolvidos na negociação da vacina Covaxin teriam cultivado uma relação próxima com Flávio Bolsonaro por meio de encontros privados, presentes e benefícios pessoais, buscando ampliar sua influência política e facilitar o acesso ao governo federal. A matéria procura demonstrar essa proximidade por meio de registros de voos, depoimentos, quebras de sigilo e entrevistas realizadas durante sua investigação.


Uma Tarde no LAGO
vultos do poder

UMA TARDE NO LAGO

Um churrasco na lancha com Flávio Bolsonaro, lobistas e garotas de programa durante a pandemia

João Batista Jr., de São Paulo, Ana Clara Costa, do Rio de Janeiro, e Breno Pires, 
de Brasília, 21 Out 2026


Flávio Bolsonaro: agrados de dois homens que falavam em nome do laboratório indiano e queriam produzir a vacina Covaxin no Brasil - (Miguel Schincariol/AFP)

Às 20h30 da noite de 16 de julho de 2020, o consórcio montado por veículos de imprensa para contabilizar as vítimas da Covid registrava um marco trágico: 1.299 mortos apenas naquele dia. No total, 76.822 brasileiros já tinham morrido em decorrência do vírus, e os números não paravam de crescer. Poucos minutos depois desse registro público, mais precisamente às 20h49, o jatinho de prefixo PR-SAD decolou do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com destino a Brasília.

O jato executivo Embraer Phenom 300, que pertencia à empresa Prime You e já teve Daniel Vorcaro como um de seus usuários, havia sido destacado para transportar dois empresários: Danilo Berndt Trento e Francisco Maximiano, diretor institucional e dono da Precisa Medicamentos, respectivamente. Os dois diziam representar o laboratório indiano Bharat Biotech, responsável pelo desenvolvimento da vacina Covaxin, e queriam fechar um acordo com o governo de Jair Bolsonaro para produzir vacinas para o Brasil.

Embora, àquela altura, as vacinas ainda não fossem uma realidade palpável no mundo, havia uma corrida para sua pesquisa, produção e comercialização. Contratos começavam a ser firmados. Como o Brasil tinha um presidente negacionista, o país estava fora do páreo. Tanto a americana Pfizer quanto a chinesa Sinovac tentavam negociar com o Ministério da Saúde, mas nada avançava. A Precisa Medicamentos já era uma grande fornecedora do governo, a quem vendia de testes rápidos de Covid a preservativos femininos. Mas a empresa via a oportunidade de aumentar seus laços com a gestão de Jair Bolsonaro.

Para azeitar a perspectiva de bons negócios, Danilo Trento e Francisco Maximiano decidiram promover um passeio cujo objetivo era agradar ao primogênito do então presidente, o senador Flávio Bolsonaro, hoje candidato à Presidência da República pelo PL. A dupla recorreu então a um procedimento de praxe: procurou seu agente de viagens, Raphael Barão, dono da Barão Turismo, e o encarregou de organizar um churrasco a bordo de uma lancha, no Lago Paranoá, em Brasília. O principal atrativo do passeio, porém, não seria a picanha, mas três garotas de programa trazidas de São Paulo.

Havia seis pessoas a bordo naquele voo na noite de 16 de julho de 2020. Eram elas: os empresários Danilo Trento e Francisco Maximiano, o agente de viagens Raphael Barão e três garotas, duas loiras e uma morena. A aeronave aterrissou no aeroporto de Brasília às 22h12. De lá, todos os seis se dirigiram ao hotel Meliá Brasil 21, localizado no setor hoteleiro Sul da capital federal. O evento na lancha só ocorreria no dia seguinte.

Os jornais amanheceram em 17 de julho como de costume: tomados por notícias sobre mortos, infectados e desvios de recursos que deveriam ser usados para tratar os doentes. Por volta das 10h30 da manhã, um carro estacionou em um dos decks com acesso ao Lago Paranoá. O automóvel estava carregado com bebidas, como vodca, gim e cerveja, além de petiscos, destinados a abastecer a lancha de uma cabina, com cerca de 20 metros de comprimento, que estava atracada à beira do lago.

Entraram na embarcação Danilo Trento, as três garotas e o condutor da lancha. Logo em seguida, chegou o convidado principal da festa: Flávio Bolsonaro, que veio acompanhado de seu amigo, Alexandre Santini. Àquela época, Santini era sócio de Flávio Bolsonaro na operação da franquia da célebre loja da Kopenhagen, no Rio de Janeiro. (De acordo com o Ministério Público do Rio de Janeiro, a loja foi usada para lavar dinheiro oriundo da prática de rachadinha operacionalizada por Fabricio Queiroz, ex-PM e operador da família. O MP estima que 1,6 milhão de reais em espécie, devolvidos por assessores da Alerj, foram lavados por meio da loja de chocolates. O caso foi arquivado depois que o STF anulou as provas, em 2021).

Quando a lancha zarpou, pararam no Alô Grau, um restaurante flutuante no lago, onde compraram mais comida e bebida. A conta, paga por Barão, ficou em 1.949 reais. O barco então circulou pelo Lago Paranoá. O Sol era inclemente e os tripulantes temiam que algum drone do entorno os registrasse em seu veraneio pandêmico. Santini e Flávio Bolsonaro ficaram sem camisa. Santini exagerou na bebida. À certa altura, Flávio desceu à cabina com uma das garotas. Ela não foi a única a fazer esse caminho acompanhada do senador naquela tarde. Santini e Trento não desceram. Passaram a maior parte do tempo na proa da embarcação.

O passeio de barco se encerrou por volta de 15 horas. Mas havia ainda uma surpresa. Com o barco já atracado no deck, Danilo Trento, o interessado em vender vacina para o governo, quis presentear Flávio Bolsonaro com um mimo. Ele tirou de seu pulso um relógio Rolex, com pulseira em tom prateado, e colocou no pulso do senador. Flávio Bolsonaro foi embora usando o novo presente.

Terminado o passeio, era hora de partir. Amigo e sócio de Flávio Bolsonaro, Santini pediu carona para voar de Brasília para São Paulo no mesmo jatinho em que estavam os dois empresários, o agente de turismo e as garotas. Ele então foi até o hotel onde estava hospedado, o Royal Tulip Brasília Alvorada, localizado próximo ao Palácio da Alvorada, para pegar as suas coisas.

A aeronave decolou de Brasília às 17h55 e aterrissou em São Paulo às 19h13. Pouco tempo depois, às 20h30, o consórcio de imprensa divulgaria os dados de óbitos por Covid naquele dia: 1.110 pessoas.

Ainda que aprimorada, ramificada e institucionalizada por Daniel Vorcaro, que contava com uma equipe de três promoters para oferecer serviços sexuais a autoridades, de políticos a ministro do Supremo Tribunal Federal, a prostituição como engrenagem de lobby e corrupção não foi inventada pelo dono do Banco Master. Em Brasília, a moeda extrapola reais e dólares e contempla também encontros privativos e discretos em lanchas e hotéis. “Esses eventos acontecem em dias de semana, que são menos concorridos. Em geral, os barcos ficam parados ao final da barragem, quando não há outros barcos nem sequer fiscalização”, diz um ex-assessor parlamentar que frequentou algumas festas em lanchas com prostitutas, duas delas na presença do próprio Flávio Bolsonaro (“uma antes e outra durante a pandemia”).

A regra tácita em todas as festas desse tipo, em que circulam políticos, juízes, desembargadores e outros poderosos em atividades subterrâneas, é que as garotas de programa passem por uma revista. O uso de celular é vetado e, para não haver risco de vazamentos, as bolsas das profissionais são confiscadas. Em geral, nesses encontros, há mais mulheres que homens. “Uma média de duas a três mulheres por convidado”, diz uma participante que pede para não ter seu nome divulgado por temer por sua segurança. “As lanchas têm dois andares, com uma ou duas cabines.”

Em setembro deste ano, o jornalista Rodrigo Rangel publicou uma reportagem no site PlatôBR mostrando como Alexandre Santini, que estava no passeio de lancha no Paranoá, promoveu encontros de Flávio Bolsonaro com garotas de programa. Em uma outra coincidência, a reportagem de Rangel também noticia que o senador recebeu o mesmo mimo: um relógio Rolex. De acordo com o material do PlatôBR, tratava-se de um relógio modelo Submariner Date, avaliado em 305 mil reais. Foi comprado pelo advogado Alan Belaciano, que representava interesses privados junto a autoridades de Brasília.

Para reconstituir o passeio de lancha do dia 17 de julho de 2020, a piauí conversou com uma pessoa que estava na embarcação sob a condição de não revelar sua identidade, cruzou quebras de sigilo de Barão, Maximiano e Trento enviados às CPIs da Pandemia, do INSS e do Crime Organizado, ouviu dois pilotos, um ex-deputado, três assessores parlamentares e uma garota de programa que não participou daquele evento, mas já esteve em outros similares. A reportagem ainda confrontou os dados aéreos obtidos na apuração com os de uma plataforma de rastreamento de voos em tempo real.

Raphael Barão funcionava como uma espécie de concierge das viagens de Trento e Maximiano. Além de organizar a logística, também viajava junto. Apenas em 2020, ano em que aconteceu o passeio de lancha no Paranoá, a Barão Turismo recebeu cerca de 4 milhões de reais das empresas que integravam o grupo econômico da Precisa Medicamentos. Quando a turma da Precisa viajou à Índia para negociar com a Bharat Biotech, Barão também organizou a viagem e dela participou. Como o grupo em torno da Precisa tornou-se alvo da CPI da Pandemia e a prestação de serviços de turismo não foi devidamente comprovada no período por Barão, as autoridades acabaram quebrando seu sigilo e o de sua agência, assim como os de Maximiano e Trento, altamente envolvidos nas suspeitas de irregularidades na compra da vacina.

Nas sessões da CPI realizadas em agosto e setembro de 2021, um ano depois do passeio de lancha, o senador Randolfe Rodrigues afirmou que Barão mantinha uma empresa nos Estados Unidos usada para lavar dinheiro de Trento. O empresário negou. O senador Renan Calheiros quis saber de Maximiano se Flávio Bolsonaro havia intermediado o acesso da Precisa ao alto escalão do Ministério da Saúde. Maximiano negou. Calheiros perguntou, então, se fora Flávio quem aproximara a empresa do presidente Jair Bolsonaro, para que ele telefonasse ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e referendasse o negócio com a Bharat Biotech. Maximiano não respondeu, invocando o direito ao silêncio. Randolfe Rodrigues então perguntou a Trento se ele conhecia alguém da família Bolsonaro. Houve, enfim, uma resposta afirmativa. “Já estive em eventos institucionais com o senador Flávio”, disse Trento, antes de se corrigir: “Eventos públicos, não institucionais, desculpa.”

Flávio Bolsonaro, por sua vez, saiu publicamente em defesa da Precisa Medicamentos durante a CPI. Na oitiva de Emanuela Medrades, diretora da empresa, chegou a congratulá-la: “Cabe aqui um parabéns também público, pelo fato de a senhora, ao representar o laboratório indiano, ter batalhado para que fosse economizado dinheiro público”, afirmou. O elogio destoava dos valores negociados: o contrato da Covaxin previa o pagamento de 80 reais por dose, enquanto a Pfizer oferecia sua vacina por cerca de 56,30 reais e a AstraZeneca, por 18 reais.

As negociações haviam despertado suspeitas no servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda, irmão do então deputado Luis Miranda, que denunciou publicamente as irregularidades. O contrato acabou sem que o primeiro pagamento fosse realizado. Flávio, porém, ironizava o escândalo. “É a primeira vez que eu vejo, na minha vida, um desvio de dinheiro público em que não tem um real que foi pago. Que dinheiro público? Então, eu fico satisfeito e até concordo com a oposição quando eles dizem que esse é o maior escândalo de corrupção do governo Bolsonaro, porque, no maior escândalo de governo, de corrupção, segundo eles, não houve corrupção.”

O relatório final da CPI recomendou o indiciamento de 78 pessoas, entre elas Flávio Bolsonaro, Danilo Trento e Francisco Maximiano.

Em 20 de outubro de 2020, três meses depois do passeio de lancha, a proximidade com Flávio já havia rendido à dupla Trento e Maximiano uma demonstração concreta de prestígio. O senador abriu caminho para que Maximiano e outro executivo de sua empresa fossem recebidos pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano. A reunião, realizada virtualmente em razão da pandemia, tinha como objetivo discutir linhas de financiamento para uma nova empresa de Maximiano no setor de telecomunicações. Para deixar claro que endossava a empreitada, Flávio participou da ligação.

Quando a agenda veio a público, numa reportagem da Veja, o BNDES explicou que haviam ocorrido duas reuniões, uma delas com a presença de Montezano, e que nenhum financiamento fora contratado. Flávio, por sua vez, publicou um vídeo em que admitia ter “amigos em comum” com Maximiano em Brasília, mas negava manter com ele qualquer “relação comercial ou financeira”. “O que eu fiz sim foi pedir ao presidente do BNDES que ouvisse uma boa ideia que foi trazida pelo senhor Maximiano, para que o BNDES pudesse entender e, quem sabe, dar algum suporte para levar internet para o Norte e Nordeste”, justificou.

A reunião com Maximiano foi o único encontro oficial de Flávio com o BNDES, na condição de autoridade e sem outros parlamentares, desde o início da gestão de Montezano, em julho de 2019, até aquele momento. Para o presidente do banco, tampouco se tratava de uma agenda corriqueira. Montezano recebia com frequência deputados e senadores, individualmente ou em grupo. O incomum era que chegassem acompanhados de um empresário amigo, interessado em financiamento público.

Àquela altura, Flávio Bolsonaro já demonstrava interesse pelo mercado de telecomunicações. Frequentava viagens promovidas pelo senador Ciro Nogueira e pelo então ministro das Comunicações, Fábio Faria, para eventos internacionais do setor. Os parlamentares que integravam o grupo de trabalho responsável por acompanhar o leilão do 5G no Brasil, porém, não eram convidados para essas viagens.

Uma das viagens internacionais de Flávio como senador, a Las Vegas, em janeiro de 2020, coincidiu com a de Danilo Trento. Foi antes da pandemia e do passeio de lancha. A viagem custou 12,5 mil reais aos cofres do Senado apenas em diárias. Na programação, Flávio visitou o ateliê de Romero Britto, almoçou com executivos de uma empresa de navios turísticos e hotéis-cassinos e fez “visitas técnicas” acompanhado do então presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, o sanfoneiro. Encontrou-se até com Sheldon Adelson, magnata dos cassinos que morreria no ano seguinte. No pedido de autorização da viagem ao Senado, Flávio declarara que seu objetivo era “promover o turismo brasileiro no mercado internacional”, atrair cruzeiros e estimular o “investimento e instalação de novos resorts”.

Como Trento também estivera em Las Vegas exatamente naquele período, a CPI da Pandemia interessou-se em saber se ele havia viajado na companhia de algum senador. “Sr. Senador, com todo o respeito e baseado no meu habeas corpus, eu irei permanecer em silêncio”, respondeu. Diante da recusa de Trento em esclarecer o episódio, Flávio apressou-se em divulgar uma nota: “O senador nunca se reuniu com o Sr. Danilo Berndt Trento em Las Vegas, nem possui vínculo de qualquer espécie com o mesmo.”

Las Vegas não seria a última ocasião em que Flávio Bolsonaro apareceria associado ao universo dos cassinos. Em janeiro de 2025, segundo o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, o senador passou o fim de semana anterior à posse de Donald Trump em Miami, no Hard Rock Hotel & Casino. Estava acompanhado do amigo Willer Tomaz, com quem é suspeito de manter uma sociedade oculta numa bet, conforme revelou a piauí. Segundo Jardim, a dupla passou a madrugada numa sala de jogos reservada. Flávio acompanhou Tomaz até o caixa do cassino ao fim da noitada, às 6h30. Lá, o amigo sacou 236 mil dólares em dinheiro vivo.

Na noite da última terça-feira, 20 de outubro, O Globo revelou que Tomaz havia pago a um site para desativar links com informações que o desagradavam. Um deles remetia a uma notícia cujo título, à luz dessas viagens, ganhava especial interesse: “Flávio Bolsonaro é contra PL dos Jogos, mas frequenta cassinos e se reúne com operadoras em Las Vegas.”

Até o fechamento desta reportagem, Flavio Bolsonaro não se manifestou. Também procurado, Danilo Trento não atendeu às ligações da piauí e, por mensagem, pediu para antecipar o assunto por estar em uma “call”. Uma vez informado sobre os detalhes da pauta – os voos, a confraternização na lancha e o Rolex –, interrompeu a comunicação. A reportagem também procurou os advogados de Francisco Maximiliano, por mensagem de WhatsApp e por e-mail, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.



Ana Clara Costa
Repórter da piauí. Foi editora de política na Veja, editora do Globo em Brasília e editora-chefe na Época


Breno Pires
Repórter da piauí, baseado em Brasília


João Batista Jr.
Repórter da piauí, publicou A Beleza da Vida: A Biografia de Marco Antonio de Biaggi (Abril)

terça-feira, 26 de maio de 2026

Programa 20 Minutos

Miguel Nicolelis alerta para o colapso mundial


As grandes ameaças que rondam o mundo | Miguel Nicolelis | Programa 20 Minutos

No programa “20 Minutos” desta semana, recebemos um dos maiores neurocientistas do mundo, Miguel Nicolelis, para uma conversa indispensável sobre as grandes ameaças que rondam a humanidade. Longe do sensacionalismo, Nicolelis analisa com base científica os riscos reais que enfrentamos nas próximas décadas: desde o impacto descontrolado da inteligência artificial na autonomia humana, passando pela erosão da privacidade e da democracia por algoritmos de vigilância, até as consequências do colapso ambiental e das desigualdades tecnológicas. Com clareza e profundidade, ele desconstrói a ilusão de que o progresso técnico é automaticamente benéfico, alertando para como a concentração de poder e a ausência de regulação ética podem transformar inovações em instrumentos de controle em massa. Uma aula de consciência crítica sobre os caminhos que estamos escolhendo — ou deixando de escolher — como sociedade.






00:00:00 - Introdução
00:01:40 - Seleção brasileira
00:03:00 - Vivemos o período mais ameaçador do último século
00:06:45 - Ciência e tecnologia não são a mesa coisa
00:09:05 - Os perigos de tecnologia sem ética
00:12:22 - Nicolelis é ludista?
00:13:42 - A luta contra data-centers
00:18:45 - IA não dá lucro e não produz nada de útil
00:21:12 - A IA cria um regime totalitário
00:27:00 - O conheicmento matemático é limitado
00:31:30 - O perigo das mudanças climáticas
00:34:00 - O cérebro humano está adoecendo devido a inatividade física
00:40:15 - Como o sistema imunológico humano lidou com o COVID
00:45:03 - A ciência não está pronta para uma nova pandemia
00:46:32 - A mente humana é o maior perigo contra o ser humano
00:47:10 - Pedido de apoio
00:48:12 - Lewis Mumford e a ditadura da tecnologia
00:54:25 - A china utiliza a tecnologia com mais ética do que o ociente
01:03:30 - Como Nicolelis entrou no plano quinquenal chinês
01:05:33 - A ciência é respeitada na China
01:12:07 - A universidade nos EUA está sendo assassinada pela IA
01:13:40 - A IA destroi os emppregos e ameaça o futuro dos trabalhadores
01:15:42 - A política brasileira de atração de data-centers é vergonhosa
01:16:15 - Pedido de apoio
01:18:12 - Mongólia
01:19:50 - O embate entre religão e ciência
01:25:00 - O referêncial do observador da mecânica quântica deve ser o cérebro
01:26:13 - A extrema-direita não sabe nem o que é ciência, nem religião
01:28:45 - O cérebro não funciona como um computador
01:36:00 - A polêmica da Poliaminina
01:36:45 - A vida humana não tem condições de se estabelecer em outros planetas
01:40:01 - Existe vida fora da terra
01:41:50 - Posadismo e a Libelu
01:43:10 - A cosmologia cérebro-cêntrica e a origem de tudo
01:47:55 - A decadência dos EUA
01:51:25 - Qual o melhor país e época para ser cientista?
01:51:55 - Perguntas do público
01:55:25 - Jogo de Ping-Pong
02:02:05 - Indicações culturais



segunda-feira, 25 de maio de 2026

Conversando Política!

CASO BANCO MASTER FERE DE MORTE A FAMÍLIA BOLSONARO?


| Análise de Breno e Tom Altman

"Explodiu como uma bomba, no colo da direita, audio de Flavio Bolsonaro para Daniel Vorcaro, do Banco Master, pedindo uma fortuna para o filme sobre seu pai. O candidato do PL foi pego com a boca na botija, e suas declarações acabaram seguidamente desmentidas. As pesquisas não demoraram a demonstrar o rombo no casco: embora o presidente Lula se mantenha com o mesmo percentual na intenção de votos, segundo o instituto AtlasIntel, Bolsonaro filho caiu pelas tabelas e a diferença entre ambos subiu para sete pontos. A grande dúvida: o buraco no casco da nau conservadora é danoso o suficiente para afunda-la? Muita gente acha que o bolsonarismo poderia estar com os dias contados, enquanto outros tanto acham que se trata de um fenômeno com raizes mais profundas e resistente a crises. O que todo mundo quer saber é se os ventos mudaram e se a disputa presidencial de 2026 inclinou-se ou não em favor do presidente Lula."

quinta-feira, 14 de maio de 2026

A gente tem muita conta para pagar este mês...

Escândalo cinematográfico de 134 milhões

e candidatura de Flávio Bolsonaro? Ainda não se viu o galinheiro todo!!

14/05/26 -





Prof. Marco Antonio Villa





DANIELA LIMA desmente FLÁVIO BOLSONARO 
e REINALDO AZEVEDO tritura após áudio vazado





Vazou! CIRO NOGUEIRA e VORCARO: 
O ESCÂNDALO que a DIREITA tenta esconder





ESTA NOITE FOI DESCOBERTO QUE VORCARO DESVIOU PRA EMPRESA DE EDUARDO MAIS DE MEIO MILHÃO




sexta-feira, 8 de maio de 2026

Conversando

 André Luiz Thiago

Hoje eu estava conversando com uma pessoa e, inevitavelmente, o assunto chegou na política.
E quando ela percebeu que eu sou de esquerda, soltou aquela frase pronta, repetida como um mantra por quem nunca parou pra pensar profundamente no Brasil:

“Mas o Lula tirou o pobre da fome e da pobreza?”

Eu fiquei alguns segundos em silêncio.
Porque às vezes a resposta não cabe numa discussão rápida.
Ela cabe na memória.
E eu respondi:

“Claro que tirou. Mas depende da idade de quem está falando.”

Quem tem menos de 30 anos talvez não consiga compreender totalmente o que era ser pobre no Brasil há 25 ou 30 anos. Não entender por ignorância. Entender porque simplesmente não viveu aquilo. Não viu o Brasil dos boias-frias, dos cortadores de cana, do operário metalúrgico destruído pelo trabalho pesado, da empregada doméstica que passava a vida inteira limpando a casa dos outros e morria sem nunca ter tido uma casa digna pra chamar de sua.
O pobre brasileiro daquela época não sonhava.
O pobre sobrevivia.
Estudar?
Pra maioria, estudar era luxo.
Universidade então parecia coisa de outro planeta. Filho de pobre fazia, no máximo, um curso técnico no Senai, quando conseguia. E isso já era considerado uma vitória gigantesca dentro de casa. Não existia essa conversa bonita de intercâmbio, faculdade particular financiada, cotas, expansão universitária, FIES, ProUni. O sistema educacional brasileiro foi construído durante décadas pra selecionar quem podia subir e quem deveria permanecer servindo.
E pobre aceitava isso porque aprendeu desde cedo que “cada um nasce pra uma coisa”.
Casa própria?
O pobre não escolhia onde morar. O pobre aceitava o que dava. Conjunto habitacional apertado, periferia sem asfalto, bairro sem saneamento, sem ônibus decente, sem segurança. A família inteira espremida em poucos cômodos, muitas vezes levantados aos poucos, no fim de semana, com ajuda de parentes e vizinhos.
Carro? Moto?
Isso era símbolo de classe média.
Pobre andava de ônibus lotado. Quando tinha dinheiro pro ônibus.
E muita gente que hoje fala com desprezo de políticas sociais esqueceu que existia uma época em que pra tomar leite mais barato a população acordava de madrugada pra enfrentar fila em associação de bairro. Esqueceu da inflação destruindo salário. Esqueceu da geladeira vazia no fim do mês. Esqueceu da humilhação de comprar fiado no mercadinho e pedir “pra anotar”.
O Brasil sempre foi especialista em fazer o pobre acreditar que sua dor era normal.
E talvez a maior inteligência do sistema tenha sido exatamente essa: permitir uma melhora na vida do pobre sem permitir que ele desenvolvesse consciência de classe.
Porque hoje muita gente mora num apartamento de 250 ou 300 mil reais. Tem carro. Tem moto. Tem televisão gigante na sala. Viaja parcelado. Tem filho na faculdade.
Mas continua sendo pobre.
Só que agora é um pobre convencido de que virou rico.
O sistema colocou na cabeça dessas pessoas que pobreza é apenas passar fome. E não é. Pobreza também é viver sem segurança financeira, trabalhar até adoecer, depender de salário pra sobreviver, ter medo do desemprego, parcelar comida, não conseguir acumular patrimônio real e continuar sendo explorado enquanto acredita que “venceu”.
O pobre brasileiro melhorou de vida, sim.
E melhorou muito.
Mas essa melhora não caiu do céu. Não foi bondade de empresário. Não foi milagre do mercado. Foi resultado de pressão popular, políticas públicas, acesso à educação, valorização do salário mínimo, programas sociais e inclusão econômica.
Tudo aquilo que durante décadas disseram que era “gasto”, “esmola” ou “coisa de comunista”.
O problema é que parte das pessoas ascendeu um pouco socialmente e começou imediatamente a odiar os pobres que ainda ficaram pra trás. Como se esquecer a própria origem fosse prova de sucesso.
Mas quem tem memória… lembra.
Lembra do pai chegando do trabalho com a mão destruída da fábrica.
Lembra da mãe pegando dois ônibus pra trabalhar como doméstica.
Lembra da marmita fria do boia-fria no meio do canavial.
Lembra do chão de terra.
Lembra da roupa doada.
Lembra da carne sendo comida só no domingo.
Lembra do medo constante de faltar tudo.
E principalmente: lembra que o pobre brasileiro nunca teve privilégios. O que ele teve, pela primeira vez na história, foi um pequeno acesso à dignidade.
E talvez seja exatamente isso que incomode tanta gente até hoje.

Ass : André Luiz Thiago também conhecido por André negrão

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Miguel Nicolelis explica por que a IA nem é inteligência nem é artificial

Reconversa



Reinaldo Azevedo conversa com o neurocientista Miguel Nicolelis sobre a complexidade do cérebro humano e o desenvolvimento de interfaces cérebro-máquina. A discussão abrange a superação da teoria dos módulos cerebrais e a aplicação de exoesqueletos para pacientes com paralisia.






O médico, neurocientista e pesquisador Miguel Nicolelis é um dos maiores especialistas do mundo nos 86 bilhões de neurônios que formam o cérebro humano, o que o levou ao desenvolvimento das chamadas próteses neurais. Hoje professor emérito da Duke University, dedica-se a seu próprio instituto e sustenta que nenhum sistema será maior do que quem o criou. Mas ele vê, sim, problemas decorrentes da era digital. Algumas das facilidades que esta oferece ao homem comum também deixam marcas em seu cérebro que não são necessariamente boas. Mais: será mesmo que tanto as pessoas como os bichos podem entrar numa espécie de sintonia? Podem. Não é feitiçaria, misticismo ou religião.


sexta-feira, 3 de abril de 2026

O que é o SIONISMO?

Breno Altman

Ópera Mundi


"Você sabe o que é e o sionismo? É um movimento político que defende o direito de um Estado judaico. Por conta dos embates entre Israel e Palestina, o termo voltou a ser discutido e é utilizado constantemente, mas o que ele realmente significa?"





00:00 Abertura
01:05 Ao contrário do que muita gente acha, não é a religião judaica que determina a natureza do Estado de Israel
07:00 Quem eram e quem são os judeus?
07:35 Schlomo Sand afirma que a compreensão de judeus como um povo unitário teria sido criação do próprio sionismo
12:40 Os judeus não eram uma nacionalidade desprovida de território
14:09 Não é fato que os sionistas estão ligados a uma nação, e sim a uma concepção racial
21:10 O sionismo é uma doutrina racial que se alia a um discurso religioso
23:00 Sionista Socialistas vão ganhando força
33:00 Grupos da direita sionista e suas ações violentas


GENOCÍDIO do Povo Palestino

José Kobori

CHINA vs EUA

EUA é o país da guerra, CHINA é o país dos acordos multilaterais

A China não cresce pela guerra, cresce pelo trabalho, pela colaboração...







segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

A CAIXA-PRETA DA LAVA JATO

O DOCUMENTÁRIO

13 de jan. de 2026

Assista! Como o Brasil foi vítima de uma fraude!





Documentário: A Caixa-Preta da Lava Jato
Roteiro e produção: Cintia Alves
Entrevistas: Cintia Alves e Luís Nassif
Câmera: Alex Mirkham, Nacho Lemus e Pedro Biava
Edição: Julia Nassif, Gustavo Nassif e Nacho Lemus
Pesquisa e arquivo: Julia Nassif e Cintia Alves
Sonorização: Idosoidos

Lava_Jato: A CAIXA-PRETA DA LAVA JATO - 13/01/06

LIVE DE LANÇAMENTO DO DOCUMENTÁRIO A CAIXA-PRETA DA LAVA JATO 

- 13/01/2026


"Olha, acompanho o Nassif há mais de 30 anos, desde os tempos de dicas econômicas, aquisição da casa própria entre outras. É o jornalista mais corajoso da dita imprensa alternativa, trás visões e análises que canais com muito mais recursos simplesmente não conseguem. Enquanto eu tiver condições de colaborar contem comigo. Força Nassif e rapaziada do canal. "





quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

O Fascismo MATA!

 EUA/Trump


Agente do ICE mata mulher a tiros, e EUA vivem protestos contra agentes de imigração





domingo, 4 de janeiro de 2026

analisando e entendendo

URGENTE! Entenda o Ataque dos EUA à Venezuela 


algumas análises sobre o ataque e o sequestro do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.


- análise de Breno Altman





- análise de José Kobori





- análise UOL




- análise de José Dirceu





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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

BOMBA na LAVA JATO

Provas contra Moro e a espionagem ilegal com grampos 

- com Tony Garcia

O TRF-4/RS endossou todos os abusos de Sergio Moro! Por quê?
A juíza prevaricou?
Tudo está nos autos e assinado pelo Moro!
E a Festa da Cueca, desembargadores?
Um juiz chantagista?
E a Globo NÃO vai noticiar?
A Daniela Lima foi demitida porque denunciou o Senador Sergio Moro?

Entrevista com Luis Nassif




TV GGN

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Documentário: "Abin Paralela - Bolsonaro, Adélio e o ovo da serpente em Juiz de Fora"

Novo documentário do 247



Assista.




O jornalista Joaquim de Carvalho mostra como surgiu a Abin Paralela, coração da espionagem do regime bolsonarista. Sua semente está em Juiz de Fora, no episódio da facada, em 6 de setembro de 2018. Ao apurar esse fato, Joaquim teve acesso exclusivo ao processo que levou Adélio Bispo de Oliveira a cumprir medida de segurança em cela isolada num presídio federal em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Há falhas gritantes no processo, segundo análise de dois advogados, como a ausência de digital na faca e de exame de corpo de delito em Bolsonaro. Depoimento inédito de uma testemunha revela que a coordenação de segurança do então candidato a presidente foi avisada de que haveria uma facada. E nada fez. O novo documentário de Joaquim de Carvalho, co-dirigido pelo cineasta Max Alvim, foi realizado graças à contribuição de leitores do site e de membros da TV 247.

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

butekudus baitasar : Histórias da Meia-Noite: Ponto de vista (IV)

butekudus baitasar : Histórias da Meia-Noite: Ponto de vista (IV): Ponto de vista Machado de Assis Conto PONTO DE VISTA   Capítulo IV À MESMA Corte, 30 de outubro       Muito velhaca é você. Então porque lhe... Anda agora aqui em casa um sujeito que nos foi apresentado há pouco tempo; qualquer outra moça ficava presa pelas maneiras dele; a mim não me faz a menor impressão. 
     E por quê? 

terça-feira, 24 de setembro de 2024

butekudus baitasar : Gabriel G Márquez - O Amor nos Tempos de Cólera: O...

butekudus baitasar : Gabriel G Márquez - O Amor nos Tempos de Cólera: O...: O Amor nos Tempos de Cólera Gabriel García Márquez       O DOUTOR JUVENAL URBINO tinha sido aos vinte e oito anos o mais cobiçado dos solte... Lutou em vão para que o lixo não fosse atirado aos manguezais, convertidos há séculos em tanques de putrefação, e para que fosse recolhido pelo menos duas vezes por dia e incinerado em algum lugar despovoado.
      Tinha consciência da ameaça mortal que era a água de beber. 

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

butekudus baitasar : Gabriel G Márquez - O Amor nos Tempos de Cólera: F...

butekudus baitasar : Gabriel G Márquez - O Amor nos Tempos de Cólera: F...:   O Amor nos Tempos de Cólera Gabriel García Márquez continuando...       Florentino Ariza tinha conhecido a rota dos galeões nas cartas de ...  — Entrego a você as chaves da sua própria vida — disse.

butekudus baitasar : Histórias da Meia-Noite: Aurora Sem Dia (III)

butekudus baitasar : Histórias da Meia-Noite: Aurora Sem Dia (III): Aurora Sem Dia Machado de Assis Conto AURORA SEM DIA      Não foi preciso dizer-lho duas vezes. Dois dias depois, levou o ex-poeta ao seu p...
— Ia este ano à corte e esperava surpreendê-lo... Que duas criancinhas as minhas... lindas como dois anjos. Saem à mãe, que é a flor da província. Oxalá se pareçam também com ela nas qualidades de dona de casa; que atividade! que economia!... 

     Feita a apresentação, beijadas as crianças, examinado tudo, Luís Tinoco declarou ao Dr. Lemos que definitivamente deixara a política. 

domingo, 15 de setembro de 2024

butekudus baitasar : Conto: Uma Esperança

butekudus baitasar : Conto: Uma Esperança: Clarice Lispector  têm dias que só queremos sentar e ouvir as palavras da Clarice enquanto pensamos na vida com esperança... acariciando a a...
Mas como é bonito o inseto: mais pousa que vive, é um esqueletinho verde, e tem uma forma tão delicada que isso explica por que eu, que gosto de pegar nas coisas, nunca tentei pegá-la. 

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

butekudus baitasar : Gabriel G Márquez - O Amor nos Tempos de Cólera: E...

butekudus baitasar : Gabriel G Márquez - O Amor nos Tempos de Cólera: E...: O Amor nos Tempos de Cólera Gabriel García Márquez continuando...       Essa era sua vida, quatro meses antes da data prevista para formaliz...
Sua prima Hildebranda Sánchez, dois anos mais velha do que ela e com sua mesma altivez imperial, foi a única que compreendeu seu estado logo que a viu pela primeira vez, por que também ela se consumia nas brasas de um amor temerário. Ao cair a noite conduziu-a ao quarto que havia preparado para ambas, e não entendeu como estava ainda viva com as úlceras de fogo que tinha no traseiro. 

butekudus baitasar : Histórias da Meia-Noite: Aurora Sem Dia (II)

butekudus baitasar : Histórias da Meia-Noite: Aurora Sem Dia (II): Aurora Sem Dia Machado de Assis Conto AURORA SEM DIA      Os cinco fregueses jantantes voltaram a cabeça, quando Luís Tinoco começou a reci...
A política chama-me ao seu campo; não posso, não devo, não quero cerrar-lhe os ouvidos. Não! as opressões do poder, as baionetas dos governos imorais e corrompidos, não podem desviar uma grande convicção do caminho que ela mesma escolheu. Sinto que sou chamado pela voz da verdade. Quem foge à voz da verdade? Os covardes e os ineptos. Não sou inepto nem covarde. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

butekudus baitasar : Os Bruzundangas - Capítulo I : Um grande financeiro

butekudus baitasar : Os Bruzundangas - Capítulo I : Um grande financeiro:   Os Bruzundangas Lima Barreto Hais tous maux où qu’ils soient, très doux Fils. Joinville. São Luís. Capítulo I Um grande financeiro        ...
Houve uma crise no ministério e logo ele foi nomeado ministro da Fazenda, com o orçamento que fizera votar. Foram tais os processos de contrabando que teve de estudar, tanto meditou sobre eles, que, um dia, telegrafou a um seu subalterno que apreendera um grande, um imenso contrabando e prendera os infratores, desta forma: “Fuzile todos”.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

butekudus baitasar : Histórias da Meia-Noite: Aurora Sem Dia (I)

butekudus baitasar : Histórias da Meia-Noite: Aurora Sem Dia (I): Aurora Sem Dia Machado de Assis Conto AURORA SEM DIA      Naquele tempo contava Luís Tinoco vinte e um anos. Era um rapaz de estatura meã, ...
Ah! meu amigo, dizia ele em caminho, não imagina quantos invejosos andam a denegrir o meu nome. O meu talento tem sido o alvo de mil ataques; mas eu já estava disposto a isto.

segunda-feira, 9 de setembro de 2024

butekudus baitasar : Cruz e Sousa - Poesias Completas: Dispersas LXXXI ...

butekudus baitasar : Cruz e Sousa - Poesias Completas: Dispersas LXXXI ...: Cruz e Sousa Obra Completa Volume 1 POESIA O Livro Derradeiro Primeiros Escritos Cambiantes Outros Sonetos Campesinas Dispersas Julieta dos ...
Na alma do artista, alma que trina e arrulha 
Que adora e anseia, que deseja e que ama 
Gera-se muita vez uma fagulha 
Que se transforma numa grande chama.

Faz estrofes assim! E após na chama 
Do amor, de fecundá-las e acendê-las, 
Derrama em cima lágrimas, derrama, 
Como as eflorescências das Estrelas... 

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

butekudus baitasar : Gabriel G Márquez - O Amor nos Tempos de Cólera: F...

butekudus baitasar : Gabriel G Márquez - O Amor nos Tempos de Cólera: F...: O Amor nos Tempos de Cólera Gabriel García Márquez continuando...       Fermina Daza estava na cozinha provando a sopa para o jantar, quando...
"As pessoas que a gente ama deviam morrer com todas as suas coisas." ... Dormiu sem saber, mas sabendo que continuava viva no sono, que lhe sobrava metade da cama, que jazia de costas na margem esquerda, como sempre, mas que lhe fazia falta o contrapeso do outro corpo na outra margem. Pensando adormecida pensou que nunca mais poderia dormir assim, e começou a soluçar adormecida, e dormiu soluçando sem mudar de posição na sua margem... e a despertou o sol indesejável da manhã sem ele. Só então descobriu que havia dormido muito sem morrer, soluçando no sono, e que enquanto dormia soluçando pensava mais em Florentino Ariza do que no marido morto.

butekudus baitasar : Victor Hugo - Os Miseráveis: Fantine, Livro Oitavo...

butekudus baitasar : Victor Hugo - Os Miseráveis: Fantine, Livro Oitavo...: Victor Hugo - Os Miseráveis Primeira Parte - Fantine Livro Oitavo — Desforra I — Em que espelho Madelaine contempla os cabelos      O dia co...
 O arbusto, quando a mão se lhe aproxima para lhe tirar a flor, estremece, e parece ao mesmo tempo esquivar-se e oferecer-se. O corpo humano participa um tanto desse estremecimento quando chega o instante em que os dedos misteriosos da morte lhe vão colher a alma.

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

butekudus baitasar : Las poetisas del amor... Adela Zamudio (Bolivia)

butekudus baitasar : Las poetisas del amor... Adela Zamudio (Bolivia): Las Poetisas del Amor (36) Poetisa feminista e educadora Quanto trabalho ela passa Para corrigir a falta de jeito Do marido e em casa, (deix...

Quando você está com uma mulher.
Faça amor com ela, não apenas faça sexo.
Diga a ela que você a ama, que é louco por ela.
Não basta beijá-la e entrar imediatamente.
Beije seu corpo inteiro,
explorando seus cantos.
Reconheça com seus lábios o que as roupas
não deixam você ver.

butekudus baitasar : Histórias da Meia-Noite: Ernesto de Tal (III)

butekudus baitasar : Histórias da Meia-Noite: Ernesto de Tal (III): Ernesto de Tal Machado de Assis Conto ERNESTO DE TAL (Capítulo III) — Um palerma — é o que Rosina queria dizer quando defendeu a fidelidade...

 Quem não tem cão, caça com gato, diz o provérbio. Ernesto era pois, moral e conjugalmente falando, o gato possível de Rosina, uma espécie de pis-aller, — como dizem os franceses, — que convinha ter à mão. 

butekudus baitasar : Gabriel G Márquez - O Amor nos Tempos de Cólera: O...

butekudus baitasar : Gabriel G Márquez - O Amor nos Tempos de Cólera: O...: O Amor nos Tempos de Cólera Gabriel García Márquez continuando...       O grupo da Escola de Belas-Artes iniciou o concerto, em meio a um si...
Por pura experiência, sem fundamento científico, o doutor Juvenal Urbino sabia que a maioria das doenças mortais tinha um cheiro próprio, e nenhum tão específico quanto o da velhice. Ele o sentia nos cadáveres abertos em canal na mesa de dissecção, reconhecia-o mesmo nos pacientes que melhor disfarçavam a idade, e no suor da sua própria roupa e na respiração inerme de sua mulher adormecida.