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sábado, 7 de dezembro de 2013

uma briguinha entre comer carne ou não comer?


Pensa novamente quando estiver no mercado !!


Blog de pobre

Não sou vegetariano e, por enquanto, não tenho planos de mudar meus hábitos alimentares, mesmo assim achei interessante compartilhar este vídeo. Não é nenhuma defesa ao vegetarianismo, ou qualquer coisa do tipo, é apenas uma reflexão sobre a nossa vida.

A princípio lembrei do vegetarianismo porque um dos argumentos mais frequentes dos vegetarianos que eu conheço é “serem contra a ‘indústria da morte’ que, para quem não sabe, é o nosso modo de produção alimentício”. Pelo o que eu entendo disso, acredito que o fundamento desse argumento é a forma como tratam os animais, desconsiderando qualquer possibilidade de que o animal possa pensar, sentir, etc. O que também é polêmico, lembrando o caso recente do Instituto Royal. Mas o vídeo vai além disso tudo, é um trecho do filme SAMSARA, falei dele neste post aqui.

O filme é mesmo incrível, “nem um documentário tradicional, nem um diário de viagem, o filme assume a forma de uma meditação não-verbal. Através de imagens poderosas, o filme ilumina as relações entre a humanidade e o resto da natureza, mostrando como nosso ciclo de vida reflete o ritmo do planeta.” Neste trecho chamado Food Sequence, que os produtores divulgaram no Vimeo, mostra a parte da produção alimentícia em algum país asiático, e a forma como é consumida. É um pouco chocante para quem não tem “estômago forte”.

Recomendo que assistam, porque não se trata de uma briguinha entre comer carne ou não comer, se trata do nosso modo de vida, cada vez mais acelerado, cada vez mais exagerado, e cada vez mais consumista. Acredito que esta não é a realidade da maior parte do Brasil, mas a cada dia mais vemos um certo processo de “americanização” se desenvolvendo, então é bom ficar atento antes que aconteça de fato.



















terça-feira, 24 de julho de 2012

E você? perdeu o paraíso? ganhou inteligência?


O dilema entre o prazer e a realidade

Por Assis Ribeiro
Eu perdi o paraíso, mas ganhei inteligência.
Zeca Baleiro
Alessandro Marimpietri
Este texto tocará a todos nós, eu creio. Ele servirá de reflexão aos adolescentes, aos que já foram adolescentes, aos que são pais de adolescentes e àqueles que se recusam à assunção compulsória do papel de adulto.
Já sabemos que essa noção de adolescência é uma invenção cultural e, portanto, se modifica com o impiedoso passar do tempo. Não vivemos mais uma adolescência que preparava o sujeito para uma vida adulta onde lá se poderia ser amigo do rei. O que vemos estampada em nossos dias é uma adolescência que precisa resgatar um prazer perdido que dá o tom das vivências desses meninos e meninas. Eles já podem, se quiserem, ser amigos do rei. Nossa Pasárgada[2] juvenil se depara com uma nova bifurcação na qual tem ficado cada vez mais difícil conciliar prazer e realidade, liberdade e responsabilidade, desejo e dever.
Vivemos num tempo de elogio do prazer, de um hedonismo que se mostra mal costurado às entrelinhas do processo socializador e que nos faz acreditar sermos livres na medida quase exata em que somos um mais além de nós mesmos.
Desatados das amarras de uma moral verticalizada, excessivamente rígida e orientada para e pela razão, entoamos cânticos de louvor às expressões mais amplificados do nosso desejo.
Quem se esquece de Cazuza? Ele que nos obrigava a cada estrofe de uma canção sua, ou a cada passagem de sua vida sempre juvenil a questionar se vale mais a pena a vida curta de um só fôlego, ou sorve-la pouco a pouco a um preço de privações e abstenções mais ou menos significativas. Ou seja, querer um eterno hoje ou preferir uma chance de amanhã.
Quero criar um filho que seja capaz de tolher suas inquietudes juvenis em prol de uma vida mais longa e, por que não dizer, mais civilizada, ou por contraponto quero criar meu filho senhor absoluto do seu desejo e capaz de viver a vida às dentadas em frutas com sabor de já mordidas? Como conjugar expressões do tipo “aproveite agora enquanto você é jovem” com “seja responsável e cumpra com suas obrigações”?
Estamos mesmo diante de um dilema cuja resposta certa está a sete palmos sobre a terra, pois se escolhemos, sempre perdemos. As duas proposições são igualmente verdadeiras e necessárias. Freud já nos alertou para as conjugações entre princípio do prazer e princípio de realidade…
Sim Cazuza é verdade, o tempo não para. Mas será que temos que viver como o coiote atrás da lebre dos desenhos animados sempre em busca desse tempo?
Sendo assim basta colocarmo-nos diante das infinitas possibilidades da vida contemporânea, magistralmente representadas pelos muitos e muitos canais televisivos, nos empoderarmos do fálico controle remoto, sentarmos com boca escancarada cheia de dentes e passar por todos os canais e não assistir a nenhum deles. Basta criarmos o que muitos estão chamando da geração zapping. Zapeando pela vida estaremos ainda mais presos ou às contínuas possibilidades ou a uma única chance moderada de viver bem, mas ainda presos. Não continuamos, de um jeito ou de outro, como nos disse Raul Seixas, esperando a morte chegar?
O, já quase embolorado, Carpe Diem, popularizado pelo Sociedade dos Poetas Mortos travestiu-se num mantra dos tempos atuais e atrás dele vimos outras palavras de ordem com cara de receita da felicidade: “seja do tamanho dos seus sonhos!”, “junte seu primeiro milhão de dólares antes dos 40!”, “obtenha muitos orgasmos numa única relação!”, “alise o cabelo e seja poderosa!”… paremos por aqui.
Será que precisamos mesmo aproveitar tanto assim a vida? Ou será, por outro lado, que ela tem que ser uma enfadonha sucessão de acontecimentos sem muito sentido?
Pessoas regidas pelo marco exclusivo do prazer não são necessariamente mais felizes e nem mais livres, assim como viver sob a égide racional do certo e do planejado também em nada garante uma vida melhor.
Façamos com a vida o mesmo que fazemos com a morte. Sabemos de sua inexorável existência, mas para viver precisamos negá-la um pouquinho e admiti-la um pouquinho. Negá-la o suficiente para planejar algum futuro e admiti-la o suficiente para podermos nos dar ao luxo de alguns momentos intensos e interessantes.
Assim, penso que mais importante do que nós, pais ou filhos, respondermos a estas perguntas seja perguntar por que fazermo-nos estas perguntas. Este dilema oculta a demanda desenfreada por uma vida feliz.
Prazer ou realidade? Que venham os dois! De tanto buscar essa (desde sempre perdida) felicidade, nossa vida corre o risco é de ficar muito chata!
[1] In: Piercing (2001)
[2] Referência o poema “Vou-me embora pra Pasárgada” de Manuel Bandeira (1954)
ALESSANDRO MARIMPIETRI
Psicólogo, psicanalista, professor universitário, doutorando em Ciências da Educação

sábado, 21 de abril de 2012

A moral de cuecas do carapálida está despencando pelo ralo dos juros...


Aprovação a Dilma deve disparar nas próximas pesquisas

Posted by eduguim on 20/04/12 • Blog da Cidadania




O conclave oposicionista formado por partidos políticos e meios de comunicação continua apostando no moralismo contra o governo do PT, estratégia na qual vem insistindo há quase uma década e que já lhe gerou três derrotas eleitorais consecutivas.

Chega a ser incompreensível que um grupo político cheio de corruptos como esse formado por PSDB, DEM e PPS aposte em denúncias de corrupção para criminalizar o governo, seu partido e seus aliados.

Não que inexista corrupção nas fileiras governistas, pois são compostas por homens e não por anjos. Todavia, essa aposta da oposição midiática a expõe a situações como a atual, em que os acusadores se tornam acusados justamente daquilo que denunciam nos adversários.

Ainda assim, não é esse o principal fator que mantém o PT no poder. Apesar de a oposição correr o risco que agora se materializa, de o moralista ser flagrado em imoralidades, o que a atrapalha é a sua completa ausência de um projeto alternativo para o país.

Apesar da derrota na eleição presidencial de 2010, PSDB, DEM, PPS e mídia se animaram por terem perdido por uma margem não tão grande. Foi um erro de leitura do quadro político. Faltou enxergar que José Serra disputou com alguém que jamais se candidatara a nada.

A leitura da oposição midiática por certo foi a de que estava chegando perto da vitória, de que água mole em pedra dura tanto bate até que fura. No entanto, a diferença de “apenas” 12 pontos percentuais entre Serra e Dilma na eleição de 2010 só foi possível porque ela era uma incógnita. Fosse Lula o candidato, teria vencido no primeiro turno.

Dilma, até muito recentemente, continuava uma incógnita. Não é por outra razão que sua popularidade, apesar de boa, ainda não chega nem perto daquela de que desfrutava Lula ao deixar o poder.

A maioria esmagadora dos analistas políticos vinha fazendo outra leitura equivocada do quadro político ao comparar a popularidade da presidente, hoje, com a de Lula nos primórdios do seu primeiro mandato. Afinal, Dilma continuou um governo altamente popular.

As pesquisas sobre a popularidade dela e de seu governo vêm mostrando que grande parte dos que aprovavam Lula entusiasticamente não têm visto em sua sucessora as mesmas qualidades que via nele. Do contrário, a presidente deveria manter a sua aprovação.

Esses analistas não têm levado em conta que Lula pegou um país arrasado pela inflação, pelo desemprego, desmoralizado internacionalmente, estagnado, enfim, ele teve que provar seu valor, enquanto que Dilma herdou um país diametralmente melhor.

A aprovação da presidente ainda é muito inferior à de Lula. Pesquisas mostram que isso se deve ao fato de que muitos têm saudade dele. Até por ela ser avessa ao contato com o povo e à própria atividade política, na qual o antecessor nadava de braçadas com seu carisma insuperável.

Porém, isso deve começar a mudar a partir deste abril histórico.

Para entender por que, voltemos a 1994 – ano em que o Brasil venceu o primeiro grande problema que infernizava a vida do brasileiro. Fernando Henrique Cardoso se tornou imbatível porque derrotou a inflação, ainda que ela tenha saído de controle em seu segundo mandato.

Lula também se tornou imbatível porque venceu outros problemas paradigmáticos. Seus programas sociais, as políticas que fizeram pobres chegarem à universidade, tudo isso ajudou muito. Mas o que o imortalizou foi vencer o desemprego que fustigava o país.

Agora, a terceira e última perna do tripé de anomalias econômicas que flagelavam o Brasil acaba de ser quebrada por Dilma. Os juros astronômicos que atrasam o país, que lhe furtam competitividade no mercado internacional, que desorganizam a atividade econômica, estão despencando.

Não é por outra razão que a mídia e a oposição, assustadas com a dimensão da medida, desandaram a desqualificá-la. Imaginemos quantas pessoas, neste exato momento, estão sendo beneficiadas pela queda nos juros que Dilma pôs os bancos públicos para liderarem.

Essas pessoas estão em quase todas as classes sociais. Até na classe B, ainda que o maior contingente certamente esteja na classe social que é hoje maioria esmagadora, a classe média-média, ou classe C.

Inicialmente, ainda havia quem concordasse com discurso dos banqueiros de que a medida do governo de liderar a queda dos juros em seus bancos oficiais seria “artificial, demagógica e de curta duração”. Entretanto, com os grandes bancos privados cedendo, esse discurso virou pó.

A medida genial do governo Dilma desmoralizou banqueiros, imprensa e oposição, que acharam que poderiam convencer a sociedade de que bom mesmo seria continuar pagando juros astronômicos aos pobres banqueiros.

Provavelmente, a maioria dos leitores desta página já deve ter encontrado algum antipetista fanático, provavelmente um empresário, que disse ter que reconhecer que “Dilma deu uma dentro”.

É possível, portanto, concluir que o efeito estrondoso que essa medida deverá ter na economia irá catapultar a aprovação de Dilma conforme for sendo sentida. Imagine aquele classe média pendurado no cartão de crédito ou no cheque especial.

Eu mesmo conheço um caso de um sujeito que anda de carrão importado, que tem uma filha e uma esposa que torram dinheiro e que deve cerca de vinte mil entre cartão e cheque especial. Estava pagando quase 2 mil de juros ao mês. Agora, pagará cerca de 600 reais.

Será, então, que o distinto leitor concorda com este blogueiro sujo, primário e diferenciado quando afirma que a popularidade de Dilma, por todo o exposto, deve disparar nas próximas pesquisas?

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

que horrrroooor! o brasileiro tem memória!!!!!!!!!!!!


Natal do FHC x Natal do Lula. Que horror !

Conversa Afiada





O Conversa Afiada reproduz comentário do amigo navegante João Henrique, enviado ao post“Classe C: Casas Bahia elogia e a Folha (*) diz que é uma invenção do Nunca Dantes”:


João Henrique

Na decáda de 90 eu fui criança e adolescente, nos natais e ano novo não havia troca de presentes, não havia peru, não havia churrasco, mas sim frango assado (lembram de que “ele” nos mandou comer frago?) e um pernilzinho, refrigereco, vinho só chapinha… não havia consumo, havia uma tradição vinda da “roça”…

Na decáda da esperança tudo mudou, todos dão presentes a todos… tem peru, tem chester, tem leitoa, tem picanha, tem vinho chileno e argentino, tem refrigerante, tem cerveja como se fosse água, tem carro novo, tem geladeira nova, tem fogão novo, tem roupa nova, tem notebook, tem smartfone, tem rojão à vontade… tem ceia na casa de todos, pois todos agora podem… essa é a palavra que resume um governo trabalhista : poder.

Eu posso, você pode, nós podemos consumir, sim hoje nós, classe C, podemos comprar nossos mais humildes sonhos, porque hoje nós temos emprego e renda, o resto a gente compra.

NAVALHA



Que horror !



Paulo Henrique Amorim



(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

o sadismo pode fazer mal...


Ser saudável nem sempre resulta em boa aparência





Na verdade, às vezes dá muito errado! As latinhas de Gillian McKeith e de Nigella Lawson — OK, admitamos que Nigella nasceu com mais sorte — , ambas de 51 anos, apresentam estados muito diferentes de conservação… McKeith é aquela apresentadora que cheira o cocô de gente gorda na TV inglesa. Ela se compraz em fazer sofrer as pessoas cuja vida examina. Por exemplo, bota sobre uma mesa tudo o que um gordão vai comer num mês e berra com o coitado. É uma sádica, atitude que faz muito sucesso na TV inglesa, onde pessoas comuns aparecem nos programas para serem corrigidas e humilhadas (Super Nanny e mais uns três ou quatro que não vou lembrar agora, mas que passam ad nauseam no canal pago GNT). O sadismo lhe fez mal, nossa.

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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

condenados a viver no passado

A maldição conservadora e a invenção do guasca 

 

Cristóvão Feil no Diário Gauche

 



Antes de entrar no tema que quero comentar, chamo a atenção para o “Desfile Cívico-Militar do Vinte de Setembro” (conforme consta da programação dos seus organizadores, os dirigentes do MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho) que está se desenrolando hoje, precisamente 20 de setembro de 2011. 

Quero sublinhar a ênfase na expressão “cívico-militar” dado pelo MTG, em pleno século 21. Me explico. Ninguém desconhece a filiação positivista-comtiana dos republicanos brasileiros, na segunda metade do século 19. No Rio Grande do Sul, onde a República aconteceu depois de uma revolução cruenta que durou de 1893 a 1895, os positivistas foram mais radicais e, por isso, mais exitosos do que no resto do Brasil. Julio de Castilhos e os militantes do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) modificaram completamente o cenário político e social do estado mais meridional do País. No RS não houve a chamada troca de placa: sai a Monarquia dos Bragança, entra a República constitucional. Aqui, houve a mais completa e absoluta troca da elite no poder. Saem os velhos estancieiros pecuaristas da Campanha, entra uma composição de classes formada por uma pequena burguesia urbana, uma classe média rural, profissionais liberais e colonos de origem europeia da região serrana.

Os positivistas sulinos, fiéis aos ensinamentos dogmáticos de Auguste Comte, propugnavam – como o mestre – pela superação das fases pregressas da Humanidade. À fase militar-feudal deve seguir-se a fase industrial da Humanidade. Ou seja, à fase militar corresponderia a insurreição farroupilha de 1835-45 contra o Império do Brasil, agora – com o advento republicano – estávamos, pois, na hora de criar condições para o desenvolvimento e o progresso material que se daria por um processo intensivo de industrialização manufatureira. 
    
Vejam, pois, que os tradicionalistas do século 21 continuam com os olhos fixos num passado praticamente feudal, marcadamente militarista, embora não tenhamos experimentado, de forma hegemônica e total, esse modo de produção pré-capitalista no Brasil.  

Um dos formuladores intelectuais do que chamamos de ordem delirante do atraso – o pensamento tradicionalista da estância – foi Ramiro Frota Barcellos. Na obra “Rio Grande, tradição e cultura” (1915), o santiaguense é de uma clareza solar quanto aos propósitos enfermiços do tradicionalismo estancieiro: “O que agora se verifica, mercê do atual movimento tradicionalista, é a transposição simbólica dos remanescentes dos ‘grupos locais’, com suas estâncias e seus galpões para o coração das cidades. Transposição simbólica, mas que fará sobreviver, na mais singular aculturação de todos os tempos, o Rio Grande latifundiário e pecuarista”.

Qualquer semelhança com o enclave da bombacha e da fumaça que anualmente acampa, no mês de Setembro, no Parque da Harmonia, em plena área central de Porto Alegre, não é mera coincidência. A “mais singular aculturação de todos os tempos”, como premonitoriamente afirma Barcellos. Neste caso, “aculturação” é sinônimo de regressismo e estagnação.

É sobre isso que eu quero comentar brevemente.

Quando estudantes em São Paulo, Júlio de Castilhos e Assis Brasil chegaram a fundar um chamado “Clube 20 de Setembro”, que promoveu estudos – com algumas publicações - sobre o movimento farroupilha da primeira metade do século 19. Curiosamente, Castilhos abandonou as pesquisas sobre a guerra civil que varreu o Rio Grande por dez longos anos. Assis, em 1882, publicou a obra “História da República Rio-Grandense”. Por algum motivo, carente de melhores investigações, tanto os positivistas do PRR, quanto os liberais sulinos não foram muito enfáticos no culto farrapo. Tal fenômeno veio a ocorrer somente depois da Segunda Guerra, em Porto Alegre, no meio estudantil secundarista urbano do Colégio Estadual Julio de Castilhos. Daí se difundiu como rastilho de pólvora sob a forma dos onipresentes Centro de Tradição Gaúcho – CTG, que são clubes de convivência social onde se cultua o passado sob a forma fixa da mitologia farrapa, tendo como matriz formal a estética e o ethos do latifúndio da pecuária extensiva de exportação – subordinado à cadeia mercantil dos interesses hegemônicos ingleses na América do Sul. Quando os tradicionalistas se ufanam do pretensioso espírito autônomo e emancipado do chamado 'gaúcho' tout court, se referem ao Império dos Bragança, mas esquecem a dependência econômica e subordinação negocial estrita com os interesses ingleses, via portos de escoamento no Prata (Montevideo e Buenos Aires). 

[Das relevantes realizações modernizantes do castilhismo-borgismo foram a estatização e incremento do porto de Rio Grande, bem como a encampação das ferrovias controladas por capitais europeus, de forma a dotar o estado de infraestrutura e fomentar o desenvolvimento, sem depender do Rio ou do Prata.]   

A grande data a comemorar no Rio Grande do Sul, pelo lado do senso comum, é o 20 de Setembro, que marca o início da insurreição farroupilha (é um equívoco chamá-la de “revolução”, uma vez que os rebeldes foram derrotados pelo Império e não ocorreu nenhuma modificação política, social ou econômica na província sulina depois de 1º de março de 1845, na chamada Paz de Ponche Verde). No entanto, se houve revolução no sentido rigoroso e clássico do termo, esta ocorreu a partir da promulgação da Constituição Rio-Grandense, e da posse do governador (então, presidente do Estado) Julio de Castilhos, no dia 14 de julho de 1891. Meses depois, os conservadores e latifundiários alijados do poder, eternos aliados e sustentáculos da Monarquia, deram início à luta armada contra os jovens que governavam o Rio Grande (Castilhos tinha 30 anos quando assume a presidência do estado). A partir da revolução cruenta, se inicia um processo de grandes modificações e modernizações no RS. Em 1902, já com Borges de Medeiros no poder, depois da morte precoce de Castilhos, o estado passou a tributar com impostos progressivos as terras privadas, bem como reaver dos estancieiros as imensas glebas públicas apropriadas ilegalmente durante todo o século 19.
    
A hegemonia política do castilhismo-borgismo perdura até a década de 1930. Getúlio Vargas foi presidente do estado de 1928 a 1930, quando sai para o Catete, e já deixa um governo mais conciliador com os conservadores da Campanha.

É intrigante, pois, que a apropriação do imaginário social tenha se dado pelo lado dos conservadores, através do simbolismo inventado do 20 de Setembro, e não pelas forças burguesas, progressistas e renovadoras do Rio Grande do Sul, que seria pelo 14 de Julho.
                  
Eric Hobsbawn e Terence Ranger que estudaram o fenômeno da chamada “invenção das tradições” suspeitam que quando ocorrem mudanças sociais muito bruscas e profundas, produzindo novos padrões com os quais essas tradições são incompatíveis, inventam-se novas tradições e novos imaginários de identidade social e cultural. Para os dois autores britânicos, a teoria da modernização pode sim conceber que as mudanças operadas pela infraestrutura da sociedade demandem tradições inventadas no plano da superestrutura.

Neste sentido, a revolução burguesa positivista-castilhista de inspiração saint-simoniana, introdutora do Estado-Providência, mobilizou somente as instâncias da infraestrutura (base material e econômica), deixando uma vasta lacuna, um boqueirão ideológico, diríamos, na esfera da superestrutura. 

Assim, teria restado um formidável vácuo em distintos setores da vida social e no espírito dos indivíduos, como nas artes, no pensamento político, no Direito, na identidade, nas subjetividades individuais e de grupos, na cultura e no imaginário como um todo. O homem é, antes de tudo, um animal simbólico, e este domínio da razão e da cultura foi deixado vago, motivado, talvez, pelas duras urgências da vida real, mas também – suspeito eu – pelo próprio autoritarismo do poder estendido do castilhismo-borgismo.

O tradicionalismo seria, assim, um desagravo mítico-ideológico dos derrotados de 1893/95, os mesmos derrotados de Ponche Verde. Uma vingança de classe – a do latifúndio subalterno e associado – contra a modernização burguesa do positivismo pampeiro, seria isso? Uma maldição contra o futuro do Rio Grande? “Vocês estarão condenados a viver no passado, em meio à fumaça e o cheiro de esterco, festejando derrotas, e considerando heróico, cavalgando durezas e incomodidades, e considerando genuíno, fruindo uma arte primária e mambembe, e considerando autêntico, cultuando velhos ressentimentos e considerando lúcido, ignorando o rico mosaico cultural da província e considerando o tradicionalismo de matriz latifundiária como a síntese de tudo. Vocês são os gaúchos, velhos vagabundos redimidos, são os heróis de um passado que nunca existiu” – foi a sentença de fogo dos que trouxeram o tradicionalismo como vanguarda do atraso no pensamento guasca.