quinta-feira, 27 de março de 2014

GISCreuza e o xaveco de são paulo


O mais novo “xaveco” de Alckmin sobre o metrô

Posted by eduguim on 26/03/14 • Blog da Cidadania





Na tarde da última terça-feira, uma notícia estarreceu São Paulo. Entre outros grandes portais de internet, o do jornal O Estado de São Paulo veiculou matéria dando conta de que uma inserção publicitária sobre o Metrô de São Paulo na Rádio Transamérica afirmou que trem lotado seria “Bom para xavecar [seduzir] a mulherada”

A matéria do Estadão sobre o caso informou que esse texto inacreditável foi lido pelo personagem “Gavião”, do programa humorístico Papo de Craque, daquela rádio. O texto foi lido como se esse personagem estivesse confidenciando sua própria história ao ouvinte.

A propaganda, segundo o jornal, destacou obras em execução na rede do metrô paulistano e informou que o personagem “Gavião”, propositalmente, cometeu sete erros de concordância como “os trem” e “as estação” ao dizer que a superlotação do sistema sobre trilhos seria “normal” em metrôs de “grandes metrópoles” do mundo inteiro.

Aliás, vale comentar que os erros de português do usuário fictício do metrô fazem uma suposição muito clara sobre o nível do público real que utiliza essa modalidade de transporte público.

Abaixo, o texto da propaganda.


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“Nos horários de pico, é normal trem e metrô ficar lotado. É assim também nas grandes metrópole espalhada pelo mundo. Pra falar a verdade, até gosto do trem lotado, é bom pra xavecar a mulherada, né, mano? Foi assim que eu conheci a Giscreuza. Muito já foi feito, e o governo sabe que ainda tem muito pra fazer”

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E prossegue a matéria do Estadão:

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“(…) Desde o começo do ano 23 pessoas foram presas por abuso sexual no metrô e nos trens da CPTM de São Paulo.

O spot [da rádio Transamérica] levou passageiros inconformados com o material a questionar o Metrô pelo Twitter. Em sua conta oficial no microblog, a empresa, que é controlada pelo governo estadual, informou que, ‘assim que tomou conhecimento do referido comercial, totalmente inapropriado, o Metrô consultou a agência responsável pela publicidade e foi informado de que seu conteúdo não só estava em desacordo com o briefing (resumo) passado como também não fora aprovado – nem pela agência e tampouco pelo Metrô’.

Segundo a companhia, a Rádio Transamérica FM, cuja ‘produção desse infeliz comercial é de sua inteira responsabilidade’, foi advertida e retirou o comercial do ar.

O Metrô nega a autorização para veiculação da mensagem publicitária. Em uma segunda nota enviada ao Estado, a empresa disse que ‘o briefing transmitido à rádio era (para) mostrar a modernidade do Metrô de São Paulo e explicar que a lotação nos horários de pico acontece em todas as grandes cidades do mundo. Além disso, deveriam ser anunciadas as obras de expansão em andamento’

No começo da tarde, a Assessoria de Imprensa da Rádio Transamérica FM informou, por telefone, que ‘toda propaganda que a rádio veicula é aprovada pelo contratante’ (…)”

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Em uma segunda matéria sobre o caso, agora publicada no fim da noite do mesmo dia, o Estadão informou que o Metrô negou que tenha autorizado a rádio Transamérica a veicular o anúncio. A rádio, por sua vez, reiterou ao Estadão que a inserção teria autorização prévia do Metrô.

Nos últimos anos, as falhas no Metrô de São Paulo vêm se agravando. Tem sido comum os telejornais mostrarem passageiros caminhando pelos trilhos. Em todas as vezes que isso aconteceu o governador Geraldo Alckmin e certa imprensa que o defende atribuem as falhas a “sabotagens”.

A ex-subprefeita de São Paulo Soninha Francine, blogueiros da Veja e outros tucanos avulsos chegam acusar frontalmente o PT de “sabotar” o metrô paulistano para indispor o governo Alckmin com a população. Até hoje, Alckmin e seus bate-paus jamais reconheceram que as constantes falhas são decorrentes do nível de sobrecarga da rede metroviária.

Com essa propaganda inacreditável supracitada, o Metrô paulistano passa a ter um novo tipo de “acidente”.

A propaganda procura, claramente, fazer crer ao usuário que o nível de superlotação do Metrô de São Paulo seria “normal” em qualquer grande metrópole, mas é mentira. Recentemente, a Comissão de Metrôs da América Latina (Capot) considerou o metrô da capital paulista como o mais lotado do mundo.

O conceito internacional sobre lotação aceitável – porém não ideal – de trens de metrô e de subúrbio é de seis passageiros por metro quadrado; o metrô de São Paulo tem hoje entre 7 e 8 passageiros por metro quadrado. E nos trens de subúrbio (CPTM) a situação é bem pior.

Não existe outra linha de metrô tão lotada no planeta Terra.

Em um quadro como esse, normal mesmo é que acidentes aconteçam. Aliás, chega a ser surpreendente que com tal nível de sobrecarga em seus pouco mais de 70 km de linhas o Metrô paulistano ainda não tenha tido uma grande tragédia, pois como o intervalo entre os trens que aportam nas plataformas teve que ser muito reduzido o tráfego já se aproxima, perigosamente, de situação em que choques entre as composições possam ocorrer.

Ainda assim, o governo Alckmin teima em chamar de “sabotagem” qualquer problema que ocorra no caótico sistema metroviário que administra. Aliás, um sistema sobre o qual denúncias de corrupção explicam muito melhor a causa dessa situação.

Agora, porém, a prática de tentar culpar terceiros pela inépcia do Metrô atingiu o impensável. O governo tucano parece querer fazer as vítimas do sistema de transporte que administra acreditarem que a rádio Transamérica decidiu sabotar seu maravilhoso governo.

Seria hilário, se não fosse trágico. Como pode uma empresa do porte do Metrô, ainda mais sendo pública, pagar para que sejam veiculadas propagandas sem vê-las e aprová-las previamente? Se fosse verdade, haveria, aí, uma incompetência ainda maior dos que administram essa empresa.

A versão de que a rádio Transamérica inventaria e veicularia uma peça publicitária tão absurda, concebida exclusivamente para certo tipo de homem que se dá a “xavecar” mulheres no transporte público ou para mulheres que “adoram” ser molestadas enquanto estão indo para ou voltando do batente, é para lá de fantástica.

Aliás, se essa rádio é tão repleta de pessoas com tão graves problemas mentais e de gosto tão inacreditavelmente duvidoso, por que, diabos, o Metrô enfia dinheiro público nela?

A cada ano, a cada mês, a cada semana, a cada dia, a cada ano – e, em breve, talvez a cada hora – vai ficando mais claro por que o Metrô e os trens de subúrbio de São Paulo são esse inferno que tanto maltrata a população. Não se trata apenas de corrupção, mas de um nível de incompetência que chega a flertar com a ficção.

Para completar, só falta Alckmin ou seus bate-paus na imprensa e na internet dizerem que o PT “aparelhou” a rádio Transamérica para que praticasse o que só poderia ser sabotagem deliberada, pois nenhuma empresa de comunicação conhecida veicula propaganda para um cliente tão importante sem que ele saiba muito bem o que será veiculado.


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Se você ainda não ouviu essa propaganda para lá de “criativa”, eis, abaixo, a sua chance.


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