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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Viralizou na rede


Policial autor de vídeo que viralizou diz ter entregue provas à Corregedoria




publicado em 17 de outubro de 2014 às 20:49















Da Redação

O vídeo que o policial civil Lucas Gomes Arcanjo postou no Facebook teve mais de um milhão de visualizações, além de 120 mil compartilhamentos.

Viralizou na rede.

Hoje ele foi ouvido na Corregedoria da Polícia Civil, em Belo Horizonte.

Ao repórter Caio Castor, disse que descreveu a base das denúncias que fez na internet contra o ex-governador Aécio Neves e aliados.

No vídeo acima, ele resume algumas das acusações, dentre as quais o uso do Departamento de Trânsito (Detran) mineiro para lavar dinheiro e o uso de órgãos do governo de Minas para fazer caixa dois.

Como o PT assume o governo mineiro a partir de janeiro, espera-se que o governador eleito Fernando Pimentel não fique sentado sobre as provas, se elas de fato forem consistentes.



[Caio Castor viajou a Minas Gerais com todas as despesas pagas pelos assinantes do Viomundo.Torne-se um deles]

Urgente! MG: prédio de motel vira escola!


“Melhor educação do Brasil” tem alunos do ensino básico frequentando prédio que foi de motel

publicado em 22 de outubro de 2014 às 18:55


Viomundo












por Luiz Carlos Azenha


As portas das salas têm aquela abertura usada para preservar a intimidade dos casais na hora de servir bebidas e refeições do serviço de quarto. Guardam os números dos apartamentos frequentados no passado por casais de Teófilo Otoni, a cidade mineira de 150 mil habitantes que fica no vale do rio Mucuri.

É a Escola Estadual de Liberdade, localizada às margens da BR 116, em Lajinha, região rural. Desde 2011 ela funciona aqui.

Antes disso, a escola já enfrentava problemas de infraestrutura e condições inadequadas.

A partir de 2006, funcionou nas salas de catequese de uma igreja católica.

Como as salas começaram a apresentar problemas estruturais, a Secretaria de Estado de Educação optou por alugar o espaço de um antigo motel, mas não realizou todas obras necessárias para transformar a estrutura do local.

A denúncia é do SindUte, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais.

O sindicato é conhecido por ter conseguido furar o bloqueio informativo do grupo político do senador Aécio Neves em Minas Gerais, que acusa de ter amordaçado a imprensa regional nos últimos 12 anos.

Foi numa greve que durou quase quatro meses que isso se concretizou. O SindUte imprimia folhetos em Belo Horizonte e os distribuia a professores que vinham de longe participar das assembleias.

No imenso estado de Minas Gerais, com 853 municípios, os professores voltavam para suas cidades e, através dos alunos, faziam os panfletos chegarem aos pais.

Assim, o sindicato conseguiu mobilizar não apenas professores, mas alunos e pais para denunciar a situação da educação no Estado.

Hoje, tanto nos discursos e debates quanto na propaganda eleitoral, o candidato Aécio Neves invariavelmente menciona “a melhor educação fundamental” ou a “melhor educação básica” como sendo a de Minas Gerais.

Segundo o SindUte, o uso puro e simples do resultado do IDEB — o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica — não retrata a situação complexa da educação mineira.

Quem não vive no Estado, nem tem filhos nas escolas públicas mineiras, segundo o SindUte pode ficar com a impressão de que Minas é uma exceção à regra quando se trata das carencias do sistema educacional.

O sindicato denuncia, entre outras coisas, que faltam 1 milhão de vagas no Ensino Médio mineiro; que, ao contrário do que propagandeou o governo, os professores não recebem décimo quarto salário; que um grande número de escolas de ensino fundamental é carente de bibliotecas, laboratórios e quadras esportivas.

O SindUte alega que, se de fato Minas Gerais tivesse a melhor educação básica e a melhor Saúde do Brasil, como diz a campanha de Aécio Neves, o candidato do ex-governador, Pimenta da Veiga, não teria sido derrotado de forma acachapante, no primeiro turno, pelo petista Fernando Pimentel.

Para dar exemplos, o sindicato aponta para duas escolas que desmentem a propaganda enganosa: em Teófilo Otoni, a escola que ocupa o prédio improvisado onde funcionou um motel; em Uberaba, a escola que funciona no segundo piso de um shopping center, ao lado de três tanques com 60 mil litros de combustível, em um posto de gasolina. Ambas abrigam alunos do ensino fundamental.


Abaixo, o álbum de fotos da escola de Teófilo Otoni, feitas pelo próprio SindUte:




Agora, as fotos da escola de Uberaba, feitas pelo Viomundo:




O sindicato autor das denúncias tem outras características importantes. É liderado por mulheres e é descentralizado.

Dado o tamanho de Minas, é essencial para o sucesso do sindicato ter representações regionais fortes.

É o caso de Uberaba.

As duas professoras que entrevistamos lá dizem que o exemplo da escola que compartilha espaço com um posto de gasolina não é exceção.

Pode, sim, ser um caso extremo, mas se dá em uma cidade que é um dos mais importantes polos de desenvolvimento de Minas Gerais. Uma cidade rica, numa região rica.



Ouçam as entrevistas:






As professoras ficaram revoltadas com o comportamento do ex-governador Aécio Neves no debate do SBT.

Acreditam que, ao debater com a candidata Dilma Rousseff, o senador desrespeitou as mulheres.


Maria Aparecida devolve: Aécio “é um pavão” e “mentiroso”:





Não é uma surpresa, já que segundo elas Aécio e aliados descumpriram promessas feitas aos professores.

Além disso, segundo Maria Helena, o governo mineiro criou uma norma — que ela considera bizarra — de exigir carteira profissional dos estudantes que frequentam os cursos noturnos, contribuindo assim para a evasão escolar:





Mas, acima de tudo, as professoras estão preocupadas com a situação da Escola Francisco Cândido Xavier, criada em dezembro de 2010, que vai completar quatro anos de funcionamento em condições precárias.

Um novo prédio está em construção no bairro. Elas esperam que fique pronto, conforme o prometido, até a metade de 2015.

Enquanto isso, os 456 alunos utilizam um galpão como quadra de esportes e ficam trancafiados no recreio em um corredor que também serve de pátio, refeitório e cozinha.

Ao final do vídeo abaixo, dona Maria Lúcia, avô de Carolina, de 19 anos de idade, estudante do período noturno, diz que o grande problema do momento é a falta de água:






Como as salas-de-aula foram improvisadas em salas de escritório, a escola não tem banheiros independentes.

Cada sala tem o seu.

Se um aluno usa o banheiro numa emergência, até que a professora ou professor mande buscar água os colegas enfrentam o mau cheiro.

Para a avó da aluna — e para as professoras do SindUte — trata-se de uma situação de emergência.

[Toda a produção de conteúdo exclusivo do Viomundo é bancada por nossos assinantes. Torne-se um deles]









Leia também:

Conceição Lemes: Na Saúde, Aécio promete fazer no Brasil o que não fez em Minas

quinta-feira, 26 de abril de 2012

eu faço e aconteço...


Aécio Neves e a prima de Cachoeira



Por Altamiro Borges

Aécio Neves, o “candidato óbvio” do PSDB às eleições presidenciais de 2014, adora criticar o apadrinhamento em cargos públicos e tagarelar sobre meritocracia. Quem conhece a realidade de Minas Gerais sabe que isto é pura balela. Agora, porém, seu discurso melou de vez. O Estadão divulgou grampos da Operação Monte Carlo que comprovam que, atendendo aos pedidos do ex-demo Demóstenes Torres, ele ajudou a nomear uma prima do mafioso Carlinhos Cachoeira ao governo mineiro. A matéria é de Fausto Macedo:



“Escutas telefônicas da Polícia Federal revelam que o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) intercedeu diretamente junto a seu colega, Aécio Neves (PSDB-MG), e arrumou emprego comissionado para uma prima do empresário [o Estadão ainda insiste neste rótulo] do jogo de azar Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Mônica Beatriz Silva Vieira, a prima do bicheiro, assumiu em 25 de maio de 2011 o cargo de Diretora Regional da Secretaria de Estado de Assistência Social em Uberaba”.

Tráfico de influência e apadrinhamento

Ainda segundo o jornalista, “do pedido de Cachoeira a Demóstenes, até a nomeação de Mônica, bastaram apenas 12 dias e sete telefonemas”. Para a Polícia Federal, as escutam confirmam o tráfico de influência e o apadrinhamento político. “Seguem ligações telefônicas, divididas por investigado, em ordem cronológica, que contém indícios de possível cometimento de infração penal por parte de seus interlocutores ou pessoas referidas”, afirma o relatório da PF.

A Folha de ontem traz alguns trechos da escuta:

*****

Conversa em 20 de maio de 2011

Cachoeira: Oi, doutor.

Demóstenes: Seguinte, o Aécio arrumou o trem lá. É, e vão dar pro deputado um outro cargo. Agora, ele perdeu o currículo da mulher, então na hora que eu chegar aí você me dá o nome inteiro dela e o telefone pra eles ligarem, falou?

Conversa em 21 de maio de 2011

Cachoeira: O governador deu OK aí no seu emprego de chefia.
Mônica: Hum.
Cachoeira: O Aécio acabou de ligar pro senador aqui, viu?

Conversa em 26 de maio de 2011

Cachoeira: A pessoa te ligou?
Mônica: Ligou, ligou, no sábado de manhã.
Cachoeira: Qual é o cargo?
Mônica: Diretor regional da Sedese.
Cachoeira: Uai, bom demais.

*****

Diante da revelação, o senador mineiro tentou rapidamente se distanciar do amigo Demóstenes Torres. Segundo a sua assessoria, ele confirmou o empenho para atender o senador, intercedendo junto ao governador tucano Antonio Anastasia, mas disse que “desconhecia o parentesco e a origem do pedido”. Em entrevista, ele também deu uma de ingênuo: “Me sinto traído na minha boa-fé. Nem eu, nem ninguém no Brasil, há um ano, sabia das ligações do senador”.

Como fica, então, aquela demagogia toda do presidenciável tucano sobre meritocracia e contra o apadrinhamento? Só não serve para os mafiosos que financiam as milionárias campanhas eleitorais?

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quem tiver paciência que vasculhe...


As mulheres invisíveis a Aécio Neves





do Movimento Minas Sem Censura

O artigo desta semana, do senador mineiro, aparece no jornal Folha de São Paulo, com um título interessante: “O paradoxo feminino”.

Lido e relido com muito interesse, o texto nos reserva uma grande frustração: ao final não se explicita o paradoxo anunciado no título. A referência ao paradoxo feminino não passa de um mero ornamento da mancha impressa no citado jornal.

De resto, ele (ou a ghost writer que, segundo alguns, se chama Heloísa) destila – aleatoriamente – números e comparações. Percentuais que, capturados no “Anuário Estatístico do Dieese” e, segundo ele, “agora” confirmados no Fórum Econômico Mundial demonstrariam o atraso
civilizatório em relação à condição feminina.

Dados corretos, diga-se de passagem. Mas que só foram assimilados pelo fórum “econômico” agora, quando já eram difundidos por organizações e ativistas feministas há tempos. Atualizados, esses números confirmam: a condição de gênero tem suas especificidades, mas é – sobretudo -
condição de classe. Condição que se agrava quando as dimensões étnicas, etárias, culturais entram em cena. Exemplo: a situação da mulher pobre, negra ou índia, idosa etc.

Uma coisa é citar Fernanda Montenegro, Ruth Cardoso, Marina, Benedita, Marta e Dilma. Muito simpática a referência. Mas as margaridas, marias da penha e iaras iavelbergs anônimas, ainda estão por ser efetivamente homenageadas com políticas públicas radicalmente feministas e
femininas.

Muito se avançou nos últimos anos. A própria Central de Atendimento à Mulher, por ele citada como fonte de estatísticas, é uma conquista. Esta integra a estrutura da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, criada por Lula, com status de ministério. Ministério que entra no rol das críticas de “inchaço” da máquina pública federal, quando Aécio fala para agradar à direita neoliberal deste país e aos “FMI’s” da vida.

O artigo por ele assinado comete uma ousadia: cita estatísticas sobre violência contra mulheres. Muito ousado esse Aécio. O “atrevimento” dele suscita lembranças singulares envolvendo o senador.

Agora vamos ao paradoxo feminino de Aécio, politicamente falando.

Quem tiver paciência que vasculhe os arquivos da Câmara de Deputados e ache alguma coisa de relevante que ele teria feito em seus 16 anos como deputado federal, para o tema que ele destaca nesse texto.

Como governador de Minas Gerais, idem. Aliás, governador eleito, ele conseguiu com Itamar Franco uma série de projetos e iniciativas (como as leis delegadas) ainda em novembro e dezembro de 2002. Nada relativo à política de mulheres. Ou melhor, foi vetada a proposição que criava a Ouvidoria de Saúde da Mulher, com justificativas regimentais e orçamentárias, poucas semanas antes de sua posse. Sabe-se que Itamar Franco adotou todas as medidas solicitadas por ele, para o início do governo tucano em 2003. O veto foi mantido na Assembleia Legislativa, onde Aécio tinha, via Itamar, maioria folgada.

Outro paradoxo: sua base na ALMG barrou a proposta de que 30% dos cargos comissionados do governo mineiro fossem ocupados por mulheres; ora, todos sabemos do controle que ele sempre teve sobre a ALMG. Perdeu, então, uma ótima oportunidade para dar um passo simples, mas
importante, para começar a resgatar essa imensa dívida social.

Aliás, várias outras proposições, de interesse das mulheres, que tramitaram no legislativo estadual, em seu governo, foram derrotadas por sua base parlamentar!

Mais um paradoxo: as professoras e auxiliares de escolas estaduais de Minas devem compor cerca de 70% de servidores da área de educação. O tratamento que ele, enquanto governador deu, e seu sucessor – Anastasia – dá às trabalhadoras da educação comprova que seu discurso dista anos-luz de sua prática. Não cumpre a legislação do Piso Nacional, não há carreira, a violência nas escolas atinge quase 100% as mulheres etc.

A lista antifeminista de Aécio é longa e vai ser tratada no próximo boletim do Movimento Minas Sem Censura.

Enquanto isso, este “Aparte” ruma para seu fim, destacando um trecho enigmático do texto por ele assinado: “Grande parte das desigualdades enfrentadas pelas mulheres depende diretamente de políticas públicas eficientes, sobretudo nas áreas de educação, saúde e segurança. Outras relacionam-se com cada um de nós”.

Se “grande” parte das desigualdades depende de políticas públicas, então, sejamos contra políticas públicas! Faltou alguma palavra aí. Talvez tenha sido um ato falho. A outra frase soa como uma “mea culpa”: “Outras (desigualdades enfrentadas pelas mulheres) dependem de cada um de nós”. Ótimo. Ele que faça a sua autocrítica!

Enfim, os textos de Aécio não passam de exemplos de humor mórbido ou de piada pronta.

O paradoxo feminino

por Aécio Neves, na Folha de S. Paulo

No país de Fernanda Montenegro, das saudosas Zilda Arns e Ruth Cardoso, das ministras Ellen Gracie e Carmem Lúcia, de Marina, Marta, Erundina, Benedita, da presidenta Dilma Rousseff e de tantas brasileiras que são referências na nossa sociedade, ainda é demasiadamente dura a vida das mulheres.

Para cada dado que suscita esperança -como a expectativa de vida, que entre elas subiu para 77 anos-, surgem indicadores que reiteram que os espasmos de prosperidade continuam a distribuir benefícios desiguais por escala de gênero, assim como de cor/raça e de instrução. São desoladores os desequilíbrios no universo feminino radiografados no Anuário das Mulheres Brasileiras (do Dieese) e confirmados agora pelo Fórum Econômico Mundial, cujo ranking de desigualdade entre os sexos mostrou o Brasil em 82ª posição no mundo. Atrás da Albânia, Gâmbia, Vietnã e República Dominicana. Ocupamos a pior posição na América do Sul.

Nos lares brasileiros, 35,2% das mulheres são provedoras (chega a 40,6% nas zonas metropolitanas). O salário delas é 20% menor, em média(R$ 1.423/mês, contra R$ 1.718 do homem). A maioria ainda cumpre a jornada não remunerada das tarefas domésticas. E foi dentro de sua própria casa que 43,1% das mulheres vítimas de agressão física a sofreram. Em 25,9% dos registros, os cônjuges ou ex-cônjuges são os agressores. A boa notícia é que cresceu o
inconformismo: em 2006, a Central de Atendimento à Mulher registrou 46.423 atendimentos. Em 2010, 734.416.

As dificuldades e conflitos enfrentados pelas mulheres vão muito além dos revelados por estatísticas. Termina século, começa século e elas continuam com suas duplas, triplas jornadas como profissionais, donas de casa, mães, companheiras, ativistas. É conhecido o quanto são reféns do velho dilema entre a qualidade versus a quantidade do tempo a ser dedicado aos filhos, já que
intimidade e confiança requerem convivência e, portanto, disponibilidade para serem construídas. Essa realidade é ainda mais grave para as chefes de família que vivem sob o jugo da pobreza. A esses desafios se somam lutas diárias por assistência médica, moradia digna, boa escola e emprego para os filhos.

Por mais diferentes que sejam entre si, essas, entre tantas, são questões do universo feminino ainda longe de serem superadas e que precisam ser solidariamente acolhidas. Grande parte das desigualdades enfrentadas pelas mulheres depende diretamente de políticas públicas eficientes, sobretudo nas áreas de educação, saúde e segurança. Outras relacionam-se com cada um de nós.
Até porque os desafios que erroneamente colocamos no campo feminino dizem respeito na verdade à sociedade como um todo.

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sábado, 24 de setembro de 2011

o silêncio da mídia



Tucano provoca professores em MG

Blog do Miro

Por Conceição Lemes, no blog Viomundo:


O jornalista Flávio Castro, assessor do deputado estadual Luis Humberto Carneiro (PSDB), provocou os professores acampados na Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), dizendo: “Se eu ganhasse 712 [reais], ia ser servente de pedreiro”.

De quebra, ofendeu os professores — há mais de 100 dias em greve pelo pagamento do piso da categoria estabelecido pelo Ministério da Educação (MEC) — e os serventes de pedreiro.

O jornalista Flávio Pena é tucano e o deputado Luis Humberto Carneiro, o líder do governo Antonio Anastasia na Assembleia Legislativa mineira.

Anônimo disse...

Caro Miro,
Isto precisa, urgentemente, ser publicado pelos blogueiros sujos, ou então, não serão mais sujos. (Sinto orgulho de ser sujo).Sinceramente, tive ânsia de vômito de tanta indignação. Aqui na Paraíba, um dos Estados mais pobres da Federação, o professor ganha o piso estabelecido em lei. Só que aqui o governador é do PSB, sem o "D" de Desconstrutor. O partido PSB(Pernambuco,Paraiba e Ceará) com a ajuda do PT do Lula, estão mudando a cara do nordeste. A educação não é esquecida. Há uma coisa que não consigo entender: Após 08 anos do governo Lula, com o crescimento da exportação, o desenvolvimento da agropecuária, tanto investimento estrangeiro, o pib às alturas, câmbio controlado etc, etc, e o povo(sul/sudeste) ainda "continua"votando no atraso. E não me venham com a conversa que o nordestino são sabe votar. Eu, daqui da Paraiba sei que o Aercio Never compra a imprensa para enganar o mineiro, escondendo suas maracutaias. Jornalista q fizer comentario contra ele é demitido. Daqui da Paraíba eu já sabia que o Aércio é um fanfarrão, corrupto igualzinho ao seu(me engana q gosto) Tancredo Never que pulou de galho, em toda sua vida publica, quando necessário. Quando o povo digno das Minas Gerais vai entender que neoliberalismo é um engodo e que a imprensa golpista está no caminho?
Desculpe o desabafo.
Abraços.
Lucio Valter Fernandes Dias

quinta-feira, 14 de julho de 2011

pra quem já esqueceu o jeituu PSDB de governar 02

Luana Santos: Pela nossa dignidade, continuamos em greve

por Luana Diana dos Santos, para o Viomundo

Quem acompanha com freqüência o Viomundo deve ter visto os vários posts sobre a greve dos profissionais da educação de Minas Gerais, que hoje completa 36 dias. Até o momento, além de Minas, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte permanecem em greve.

Como já foi dito pelos meus colegas que aqui deixaram seus escritos, a situação dos professores mineiros não difere muito da denunciada em vídeo pela professora potiguar Amanda Gurgel no mês de maio. Além dos baixos salários, convivemos com jornadas extenuantes, condições precárias de trabalho e o que pouca gente sabe, é que a cada dia aumenta o número de trabalhadores afastados das salas de aula por problemas emocionais e psicológicos.

Na terça-feira a greve ganhou um novo capítulo. Não sei se para ser lembrado ou esquecido. Um grupo de professores ao ser impedido de realizar uma assembléia nas dependências da Cidade Administrativa, sede do governo estadual, fechou a Linha Verde, via de acesso ao aeroporto Tancredo Neves (em Minas, os Neves estão por todos os lados, assim como os Magalhães na Bahia e os Sarney no Maranhão). O que se viu foi o quanto os resquícios da ditadura permanecem vivos por essas bandas. A Tropa de Choque agrediu os professores com cassetetes e usou gás de pimenta para dispersar os manifestantes. Não é necessário dizer muita coisa, as imagens falam por mim:



No dia seguinte, como tem acontecido desde o início do movimento, cerca de 5 mil professores reuniram-se no pátio da Assembléia Legislativa. Antes de me juntar aos companheiros de profissão, caminhei pelos corredores da Casa. Em um dos gabinetes, duas mulheres conversavam animadamente, enquanto um rapaz debruçado sobre uma mesa dormia um sono profundo. Realmente alguns escritores são atemporais. Tive a sensação de estar diante das repartições públicas narradas por Lima Barreto e Graciliano Ramos durante as primeiras décadas da República.

Em seguida, caminhei até o refeitório. Sentei próxima a um grupo de professoras. Deduzi que elas vinham de longe, pois traziam o almoço em marmitas. Descobri que eram de Ituiutaba, cidade que fica a 700 km de Belo Horizonte. Perguntei o que as levaram viajar quase 12 horas de ônibus somente para participar da manifestação. Recebi uma resposta sem meias palavras: “Luto pela minha dignidade”. Diante de tantas indagações uma delas perguntou em qual jornal eu trabalhava. Achei graça. Expliquei que a imprensa mineira dificilmente noticia qualquer coisa que arranhe a imagem do governo tucano. Por aqui são muitos os fantasmas dos anos de chumbo a nos perserguir.

Deixei as dependências da Assembléia e no meio da multidão encontrei uma amiga dos tempos da faculdade. Recebi notícias de algumas pessoas que formaram conosco. Joana montou uma loja de bijouterias, Ana trabalha em uma empresa de equipamentos de segurança, Adriana vende produtos de informática e André atua na área de consultoria. No frigir dos ovos, apenas 5 ou 6 lecionam. Está explicado o motivo do esvaziamento dos cursos de Licenciatura. É muito difícil permanecer numa profissão cujo piso salarial básico é de R$ 550,00.

As pessoas costumam dizer que o mineiro “come queto”, é receptivo e desconfiado. Acrescento que também somos criativos. Em um dos cartazes de protesto, a sigla do PSDB ganhou um acróstico – Pior Salário Do Brasil. Em outro, Anastasia é “Procurado”. Desde que os setores da educação, da saúde e da segurança entraram em greve, tornou-se muito difícil ter notícias do governador. Morto ele não está. Apareceu no velório de Itamar ao lado de Aécio e Serra. Vez por outra inaugura uma obra nas cidades do interior. O afilhado de Aécio não faz outra coisa além de preparar o terreno para o p adrinho. E olhem que ainda faltam 3 anos para 2014.



A noite de ontem foi longa. Eram 2 da manhã desta quinta-feira, 14 de julho, e ainda havia professores reunidos no plenário da Assembléia Legislativa. O objetivo era obstruir a pauta dos deputados e com isso impedir o recesso parlamentar. Missão cumprida! Durante esses 36 dias de paralisação, Anastasia e sua base de apoio foram omissos às nossas reivindicações.

Com a desenvoltura de um ator de novela das 8, nosso governador usou a televisão, o rádio e os jornais para tentar desmoralizar um movimento que é legítimo. Em momento algum, Anastasia sinalizou que irá cumprir o que nos é de direito: o pagamento do piso nacional determinado pelo Governo Federal que é de R$ 1.187,97. O valor é praticamente o dobro do que é pago atualmente. Continuam insistindo na política mentirosa de subsídios. Exigimos também a criação de um plano de carreira que valorize a nossa profissão.

Em resposta ao total descaso do governo com a educação, decidimos permanecer em greve por tempo indeterminado. Como disse a professora de Ituiutaba, lutamos pela nossa dignidade.

Luana Diana dos Santos é cronista, historiadora e professora da Rede Estadual de Educação de Minas Gerais.
@luanadianas

Outro vídeo sobre a greve dos professores de MG, sugerido pelo leitor Profº, sim, Drogas, Não