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quinta-feira, 15 de junho de 2017

o cumprimento da ordem evitando o máximo possível o transtorno ao trânsito de veículos

Lanceiros Negros: Brigada faz operação de guerra para ‘garantir funcionamento habitual da cidade’ 




Sul21


Publicado em: junho 15, 2017 





Brigada Militar montou operação de guerra no centro de Porto Alegre para despejar famílias da Ocupação Lanceiros Negros. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)






























Marco Weissheimer


Quando proferiu seu despacho determinando o despejo, em caráter de urgência, das cerca de 70 famílias que habitavam a Ocupação Lanceiros Negros há aproximadamente um ano e sete meses, a juíza Aline Santos Guaranha, da 7a. Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, manifestou uma preocupação especial. A magistrada recomendou o “o cumprimento da ordem aos feriados e finais de semana e fora do horário de expediente, se necessário, evitando o máximo possível o transtorno ao trânsito de veículos e funcionamento habitual da cidade”. Sintonizada com as preocupações da doutora Aline Guaranha, a Brigada Militar decidiu realizar a reintegração de posse na véspera da data do Corpus Christi, um feriado nacional para “celebrar a partilha do corpo de Cristo”.

No entanto, a preocupação em evitar transtornos no centro da cidade acabou esbarrando em decisões operacionais da própria Brigada Militar que transformou a área da operação de despejo em uma praça de guerra. Menos de uma hora antes da entrada em cena dos batalhões de choque da Brigada Militar, começava na Assembleia Legislativa uma audiência pública da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Casa para tratar da situação dos moradores da Ocupação Lanceiros Negros. Falando em nome da Ocupação, Priscila Voigt, que acabaria sendo presa mais tarde, relatou uma situação de tensão e angústia vivida pelas famílias. A pedido delas, o deputado Jeferson Fernandes (PT), presidente da Comissão, decidiu transferir a audiência pública para a frente da ocupação. Separado por apenas duas quadras, o trajeto entre o plenarinho da Assembleia e a Ocupação, localizada na esquina das ruas General Câmara e Andrade Neves, foi feito rapidamente pelo grupo que estava na AL e acabou surpreendendo os efetivos do choque da Brigada Militar, que mobilizaram um não tão pequeno exército para retirar os moradores do prédio da ocupação.




Spray de pimenta e bombas de gás foram utilizadas largamente na operação. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)


























A Brigada não esperou o deslocamento da audiência pública para o prédio da Lanceiros. Quando viu a movimentação, lançou uma primeira ofensiva coberta por bombas de gás contra a multidão que se concentrava em frente ao prédio da Ocupação. No início da noite, a antiga rua da Ladeira já havia se transformado em uma praça de guerra. Após aceitar a proposta de transferir a audiência pública para a frente da ocupação, o deputado Jeferson Fernandes formou, juntamente com integrantes do movimento, um bloco em frente à porta de entrada do prédio, que tentou iniciar um processo de negociação com os oficiais de Justiça que chegaram protegidos por dezenas de homens do choque da Brigada Militar, acompanhados por viaturas e por um helicóptero, para efetivar a ação de despejo.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, Jeferson tentou argumentar com os oficiais de justiça que a ação de despejo seria realizada à noite, sem que as famílias tivessem uma garantia de local para onde ir após a ação policial. Inflexíveis, os oficiais de justiça argumentaram que decisão judicial não se discute e ameaçaram dar voz de prisão a quem se opusesse aos policiais. Um grupo de integrantes da ocupação e o deputado insistiram na via da negociação. A Brigada entrou em ação com sprays de pimenta, cassetetes, escudos e outras ferramentas. Após essa investida, o deputado Jeferson Fernandes, com o rosto muito machucado pelos jatos de spray de pimenta, foi levado detido por um corpulento integrante da Brigada Militar que, em vários momentos, conduziu o parlamentar aos pescoções, pela rua da Ladeira.

Pelo menos outras sete pessoas, foram levadas presas na operação. Algumas delas teriam sido mantidas encerradas dentro de viaturas do Choque antes de serem conduzidas a uma delegacia. Ao final da noite, a informação era que todas tinham sido conduzidas para o Palácio da Polícia. Além do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, o deputado Pedro Ruas (PSOL), o vereador Roberto Robaina (PSOL) e a vereadora Sofia Cavedon (PT) também foram para o local levar apoio aos moradores da ocupação e acompanhar a ação da polícia.




Lideranças da ocupação foram levadas presas pela Brigada Militar. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)




























Afastado à força o grupo que tentava proteger a entrada da ocupação, a Brigada Militar iniciou uma nova fase da operação que consistiu em colocar abaixo o portão de entrada do prédio com um cabo amarrado a um veículo da corporação. A ação da Brigada, que resultou na destruição do portão de entrada do prédio, foi acompanhada por integrantes da Procuradoria Geral do Estado, que estavam no local, supostamente, para zelar pela integridade do patrimônio público.

Apesar da presença de crianças na ocupação, a ação da Brigada não foi acompanhada por integrantes do Conselho Tutelar. Um integrante desse conselho apareceu no local somente após a consumação da ação afirmando que não pode comparecer antes porque só havia ele e mais um colega no plantão. Nada que impedisse os oficiais de Justiça e policias militares de executarem a ação “evitando o máximo possível o transtorno ao trânsito de veículos e funcionamento habitual da cidade”.




O deputado Jeferson Fernandes, com o rosto machucado pelos jatos de spray de pimenta, foi levado preso por um integrante da Brigada. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)





























Consumada a derrubada do portão de entrada do prédio, os primeiros moradores que desceram à rua relataram o uso de spray pimenta pelos policiais que teria atingido inclusive crianças, que tiveram crises de pânico e vômitos. Além disso, relataram ainda, vários brigadianos teriam feito chacota das famílias da ocupação, com manifestações provocadoras e desrespeitosas. “Não adianta nada, nós vamos seguir ocupando”, desabafou Natanieli Antunes, jovem integrante da ocupação. Foi difícil aos jornalistas, consultar a Brigada sobre essas afirmações, pois não havia oficiais encarregados de conversar com a imprensa, o que acabou ocorrendo em um clima de tensão e hostilidade. Repórteres fotográficos e cinegrafistas, em especial, tiveram dificuldades em registrar o que estava acontecendo, sendo abordados, em mais de uma ocasião, por policiais encapuzados em um tom que variava entre a advertência e a ameaça.

A Brigada não revelou quantos homens mobilizou na operação. A Polícia Civil também deu sua contribuição com alguns poucos efetivos fortemente armados que desfilaram armamento pesado ao acompanhar a saída das famílias. Uma fileira do pelotão de choque foi instalada na esquina da Riachuelo com a General Câmara. Outra, logo abaixo da esquina da Ladeira com a Andrade Neves, onde se concentraram manifestantes que foram levar seu apoio à ocupação. Um dos relatos mais frequentes de integrantes da ocupação que saíam do prédio era de provocações feita pelos policiais. No lado de fora do prédio, jornalistas testemunharam policiais rindo e fazendo brincadeiras com a situação enfrentada pelas famílias.



Porta de entrada do prédio foi destruída pela própria Brigada para retirar moradores. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)



























Por volta das 21h30, caminhões da Emater começaram a chegar ao local para transportar os bens das famílias despejadas. Junto com eles, chegou uma van com um grupo de jovens que não escondia o seu constrangimento por ter que trabalhar na remoção da mobília e das roupas das famílias. Das janelas de prédios vizinhos à ocupação, alguns moradores protestaram contra a ação da Brigada. “Covardia” foi uma das palavras mais utilizadas pelos vizinhos da Lanceiros.

O comandante da Brigada Militar, coronel Jefferson de Barros Jacques, disse que a tropa agiu “de forma proporcional à resistência encontrada”. O coronel não esclareceu se as manifestações de escárnio feitas por policiais, relatadas por integrantes da ocupação, e de truculência, testemunhadas por jornalistas, fizeram parte dessa “reação proporcional”. Segundo nota divulgada pelo governo do Estado, as famílias foram levadas ao Vida Centro Humanístico, no bairro Sarandi.

Por volta da meia noite, uma nova leva de bombas de gás foi lançada contra um pequeno grupo que ainda se manifestava nas imediações da rua da Praia. Na antiga porta de entrada da ocupação, destruída pela ação da Brigada, um soldado encapuzado acompanhava a retirada dos pertences dos moradores. No lado de fora do prédio, esses pertences se acumulavam pelas calçadas, aguardando a carona dos caminhões da Emater que, além da Brigada e de integrantes da PGE, representaram o governo do Estado na ação que tirou 70 famílias do prédio onde viviam há quase dois anos. Já no início da madrugada desta quinta-feira, Nana Sanches, da coordenação da ocupação, relatava a jornalistas o que havia acontecido dentro do prédio durante a ação da Brigada. “Essa não foi a primeira nem a última ocupação”, assinalou, lembrando que, enquanto não for resolvido o problema da falta de moradia, não resta outra opção para as famílias sem teto a não ser essa forma de luta.




Galeria de fotos


Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21




Foto: Guilherme Santos/Sul21




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Foto: Guilherme Santos/Sul21




Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



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Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21





quarta-feira, 30 de novembro de 2016

estamos voando pela janela, deitados na cama

O Bacanal braZil!




"Dizem que a sociedade brasileira está cega pois enquanto se pensa "apenas" no Chapecoense os políticos estão "metendo" aquilo na gente por conta da votação da PEC. O que eu digo é o seguinte: já estão fazendo isso há muito tempo. E não precisou cair um avião para tal. Derrubaram uma presidente. Do mesmo modo que sinto pela tragédia sinto por nossa política. Eu não consigo pensar 100% apenas em política. E tenho direito de pensar e sentir ao meu modo e meu gosto. Sinto muito mas não fui eu que provoquei o BACANAL que ocorre agora no Brasil."
Maurício dos Reis Santos





Queimando na Água, Afogando-se na Chama, Bukowski




e um sofá voou pela janela
uma parede chacoalhou feito areia molhada
o cara na cama
não se importou ou deu bola pra isso






amor


amor, ele disse, gás
me beije todo
beije meus lábios
beije meus cabelos
meus dedos
meus olhos meu cérebro
faça-me esquecer

amor, ele disse, gás
ele tinha um quarto no terceiro andar,
rejeitado por uma dúzia de mulheres
35 editores
e por meia dúzia de agências de serviços,
agora eu não estou dizendo que ele valesse alguma
coisa

ele abriu todas as bocas
sem acendê-las
e foi para cama

algumas horas depois um cara a caminho
do quarto 309
acendeu um charuto no
corredor

e um sofá voou pela janela
uma parede chacoalhou feito areia molhada
uma chama púrpura bailou doze metros no ar

o cara na cama
não se importou ou deu bola pra isso
mas eu precisava dizer
que ele esteve muito bem
naquele dia






"Votação da PEC nesse momento no Senado...
as cenas mais horríveis acontecendo em Brasilia, na esplanada. ...Assustador...
Estamos tentando localizar algumas pessoas. Não há confirmação de mortos. Mas muitos feridos em hospitais, alguns estado grave. Foi uma linda manifestação, porém os golpistas transformaram numa guerra.
E tem gente que vai morrer assistindo novelas... Sem Aposentadoria, Sem Educação e Sem Saúde! Quem ta velho não vai perceber ta no fim da vida, mas os jovens vão viver pra ver essa nova fase do Brasil em uma viajem no passado voltando aos anos 90!!!!!."
Patrícia Valença


"PEC da morte aprovada, que Deus tenha misericórdia do Brasil.
Jovens em defesa da educação e saúde foram violentamente agredidos.
Canalhas bebem e comem nosso dinheiro em jantares caros, enquanto tiram tudo de nós.
E um bando de fascistas, igualmente canalhas baterem panelas pra isso, ver pobre sem direito a nada."
Evinha Alves


"Jornalistas Livres
PM ataca estudantes que foram lutar por EDUCAÇÃO em Brasília!

Em um ato pacífico que tinha por objetivo lutar por uma melhor educação no país, foi duramente reprimido pela PM, que de forma arbitrária jogou inúmeras bombas de gás lacrimogênio, bala de borracha e o uso de cavalaria para cima dos estudantes. Uma verdadeira covardia gratuita e anti-democrática! #OcupaBrasília"
José Dunga













































"#HastaSiempreFidel ‏@marcostalhari
Infiltrados do @MBLivre em manifestação contra a PEC 241/55 incitam violência policial na esplanada. #VoltaDilma"

Sergio Pinto Ribeiro Filho

























Entendeu?






























"Aqueles manifestantes, ao fundo, sendo reprimidos e apanhando da polícia, estão pagando o coquetel que os parlamentares estão degustando, enquanto celebram a aprovação da PEC 241/55.
Parabéns, Brazil Paneleiro!"
Samantha Costa







O resumo...

Sabe aquele salário mínimo que nos governos do PT tinha aumento todo ano? Foi congelado por vinte anos! Ainda não entendeu? Não se preocupe você terá 20 anos para entender! Você terá até 2036 para viver ou morrer para os ricos!

Foi bom odiar o PT?

Então, você estão amando o que já foi votado e estar por ser votado! Ainda não acabou...

Não vamos vê-lo chorar e você não se verá chorando, durante os próximos 20 anos estará gritando que tudo é culpa do PT. 

E repetirá aos netos que traballho é tudo que existe antes dos 70 anos... por culpa do PT.

Quanto a mim?

Posso dizer aos filhos e neta que é bom amar o PT e o seu sonho de mundo diferente e possível.

Eu sei, apesar das suas falhas humanas... ou erros humanos.

Mas jamais poderia estar ao lado de gente desumana egoísta e ignorante por desejo de ter tudo e ser nada.

Não posso ser conivente com a violência contra as mulheres.

Não posso fechar os olhos para a vontade explícita de transformar em braços escravos de ricos... nossos jovens e nossas jovens.

Não posso ficar calado com o gueto da violência para os jovens pretos e pobres.

Estávamos prestes a acordar, mas fomos jogados de volta na caverna.

Você continua com medo de descobrir que o mundo pode ser diferente. É uma pena que você está nos arrastando para sua caverna. 

Fique com a sua caverna. 

Deixe-nos com o sol, as estrelas, o vento, a generosidade, a amorosidade, deixe-nos com a vida.

Não queremos a violência!

Você é que procura pela violência para justificar seu ódio pela não vida. 

Você já se olhou dormindo?

Então, tente se olhar odiando, escute as asneiras que repete aos ouvidos desatentos. Tente sentir vergonha das mentiras que diz.

E lembre-se, ninguém se vê chorando depois que morre.








Fotos: Vinicius Borba / Jornalistas Livres / Gisele Arthur e outras sem crédito