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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

estamos voando pela janela, deitados na cama

O Bacanal braZil!




"Dizem que a sociedade brasileira está cega pois enquanto se pensa "apenas" no Chapecoense os políticos estão "metendo" aquilo na gente por conta da votação da PEC. O que eu digo é o seguinte: já estão fazendo isso há muito tempo. E não precisou cair um avião para tal. Derrubaram uma presidente. Do mesmo modo que sinto pela tragédia sinto por nossa política. Eu não consigo pensar 100% apenas em política. E tenho direito de pensar e sentir ao meu modo e meu gosto. Sinto muito mas não fui eu que provoquei o BACANAL que ocorre agora no Brasil."
Maurício dos Reis Santos





Queimando na Água, Afogando-se na Chama, Bukowski




e um sofá voou pela janela
uma parede chacoalhou feito areia molhada
o cara na cama
não se importou ou deu bola pra isso






amor


amor, ele disse, gás
me beije todo
beije meus lábios
beije meus cabelos
meus dedos
meus olhos meu cérebro
faça-me esquecer

amor, ele disse, gás
ele tinha um quarto no terceiro andar,
rejeitado por uma dúzia de mulheres
35 editores
e por meia dúzia de agências de serviços,
agora eu não estou dizendo que ele valesse alguma
coisa

ele abriu todas as bocas
sem acendê-las
e foi para cama

algumas horas depois um cara a caminho
do quarto 309
acendeu um charuto no
corredor

e um sofá voou pela janela
uma parede chacoalhou feito areia molhada
uma chama púrpura bailou doze metros no ar

o cara na cama
não se importou ou deu bola pra isso
mas eu precisava dizer
que ele esteve muito bem
naquele dia






"Votação da PEC nesse momento no Senado...
as cenas mais horríveis acontecendo em Brasilia, na esplanada. ...Assustador...
Estamos tentando localizar algumas pessoas. Não há confirmação de mortos. Mas muitos feridos em hospitais, alguns estado grave. Foi uma linda manifestação, porém os golpistas transformaram numa guerra.
E tem gente que vai morrer assistindo novelas... Sem Aposentadoria, Sem Educação e Sem Saúde! Quem ta velho não vai perceber ta no fim da vida, mas os jovens vão viver pra ver essa nova fase do Brasil em uma viajem no passado voltando aos anos 90!!!!!."
Patrícia Valença


"PEC da morte aprovada, que Deus tenha misericórdia do Brasil.
Jovens em defesa da educação e saúde foram violentamente agredidos.
Canalhas bebem e comem nosso dinheiro em jantares caros, enquanto tiram tudo de nós.
E um bando de fascistas, igualmente canalhas baterem panelas pra isso, ver pobre sem direito a nada."
Evinha Alves


"Jornalistas Livres
PM ataca estudantes que foram lutar por EDUCAÇÃO em Brasília!

Em um ato pacífico que tinha por objetivo lutar por uma melhor educação no país, foi duramente reprimido pela PM, que de forma arbitrária jogou inúmeras bombas de gás lacrimogênio, bala de borracha e o uso de cavalaria para cima dos estudantes. Uma verdadeira covardia gratuita e anti-democrática! #OcupaBrasília"
José Dunga













































"#HastaSiempreFidel ‏@marcostalhari
Infiltrados do @MBLivre em manifestação contra a PEC 241/55 incitam violência policial na esplanada. #VoltaDilma"

Sergio Pinto Ribeiro Filho

























Entendeu?






























"Aqueles manifestantes, ao fundo, sendo reprimidos e apanhando da polícia, estão pagando o coquetel que os parlamentares estão degustando, enquanto celebram a aprovação da PEC 241/55.
Parabéns, Brazil Paneleiro!"
Samantha Costa







O resumo...

Sabe aquele salário mínimo que nos governos do PT tinha aumento todo ano? Foi congelado por vinte anos! Ainda não entendeu? Não se preocupe você terá 20 anos para entender! Você terá até 2036 para viver ou morrer para os ricos!

Foi bom odiar o PT?

Então, você estão amando o que já foi votado e estar por ser votado! Ainda não acabou...

Não vamos vê-lo chorar e você não se verá chorando, durante os próximos 20 anos estará gritando que tudo é culpa do PT. 

E repetirá aos netos que traballho é tudo que existe antes dos 70 anos... por culpa do PT.

Quanto a mim?

Posso dizer aos filhos e neta que é bom amar o PT e o seu sonho de mundo diferente e possível.

Eu sei, apesar das suas falhas humanas... ou erros humanos.

Mas jamais poderia estar ao lado de gente desumana egoísta e ignorante por desejo de ter tudo e ser nada.

Não posso ser conivente com a violência contra as mulheres.

Não posso fechar os olhos para a vontade explícita de transformar em braços escravos de ricos... nossos jovens e nossas jovens.

Não posso ficar calado com o gueto da violência para os jovens pretos e pobres.

Estávamos prestes a acordar, mas fomos jogados de volta na caverna.

Você continua com medo de descobrir que o mundo pode ser diferente. É uma pena que você está nos arrastando para sua caverna. 

Fique com a sua caverna. 

Deixe-nos com o sol, as estrelas, o vento, a generosidade, a amorosidade, deixe-nos com a vida.

Não queremos a violência!

Você é que procura pela violência para justificar seu ódio pela não vida. 

Você já se olhou dormindo?

Então, tente se olhar odiando, escute as asneiras que repete aos ouvidos desatentos. Tente sentir vergonha das mentiras que diz.

E lembre-se, ninguém se vê chorando depois que morre.








Fotos: Vinicius Borba / Jornalistas Livres / Gisele Arthur e outras sem crédito


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Porto Alegre em chamas!

Mauro Baitasar



Como a cidade de Porto Alegre, capital de todos os gaúchos e gaúchas, referência no mundo em solidariedade, humanidade e urbanidade, em QUATRO governos sucessivos do PT, desde 1989 até 2004, se torna em 2016 – 12 anos depois do último governo petista portoalegrense - referência mundial em violência urbana? No ranking criminalidade, a cidade de Porto Alegre está entre as DEZ cidades mais violentas do MUNDO! Não dá para culpar o PT. Não dá para dizer que é uma maldita herrança petista! Mas dá para sentir muita saudade dos governos petistas em Porto Alegre.

Cada um/uma dos portoalegrenses deve – e precisa – elencar razões para essa honraria da mediocridade administrativa. Em DOZE anos perdemos espaço para sediar o Fórum Social Mundial, nos tornamos invisíveis, até que chegou o toque de recolher imposto pela criminalidade. Isso não é retórica, é a formalidade do nosso cotidiano. Não é frase de efeito, mas o efeito do que estamos vivendo.

Não existe apenas uma razão para tanta violência, mas muitas escolhas equivocadas dos/das portoalegrenses, somadas ao povo eleitor gaúcho: A escolha do mesmo boneco golpista das liberdades e conquistas sociais. Escolher esse boneco só por burrice, desatenção ou interesse empregatício explica em parte tanta violência invisível. Gritos que não ouvimos porque não queremos ouvir.

Devido a gravidade da vida de medo, que chamo de não-vida, vou tentar delucidar o protagonismo da burrice e desatenção nesta tragédia coletiva. O interesse empregatício, por óbvio, não vou atentar nem usar do seu ou do meu tempo. Todo vilão é medíocre, não porque lhe falte inteligência ou esperteza, porque é fingido, incorreto e injusto. É um traidor da vida, despreza todas as vidas que não se submetem ao seu protagonismo conquistador. Um agente bárbaro e sanguinário, mas um ator eficaz. Um candidato pelo empregatício é um ator eficaz. Todos e todas estamos sujeitos a uma ou muitas atuações fingidas pelo empregatício. Importante, mas não determinante. 
Mas a fofoca quando assume o caráter de profecia dá convicção e torna a cidadania invisível. Os direitos e os espaços de ninguém e de todos desaparecem. Voltamos à mendicância e ao roubo da vida.

Então, o que dá formato a tudo isso? 


Do ponto de vista do retorno rápido, é o jornalismo. O mais mentiroso praticado no MUNDO. Olha só, de novo, estamos lá no alto da pirâmide das comparações, encontramos homens e mulheres que usam os meios de comunicação de massa para inventar fatos ou esconder fatos, conforme os interesses deles mesmos ou em acordo com a relevância para o patrão. E não se engane, o leitor, telespectador ou ouvinte não é o patrão. Não somos o patrão, somos o efeito colateral. Aproveitemos.

Um jornalismo criminoso produz uma sociedade de criminosos. Um jornalismo mentiroso fabrica uma sociedade de mentirosos. Um jornalismo cínico concebe uma sociedade de cínicos. Um jornalismo de ódio ensina e educa para o ódio. Um jornalismo que reconhece nos efeitos colaterais, apenas isto, mortes possíveis de absorver, é cúmplice de cada morte em Porto Alegre. Esse jornalismo ideológico e partidário reinventou a sociedade desumana, mentirosa, cínica e canalha. Aproveitemos.

Tenho medo dos adultos crescidos das crianças que não brincam aos 5, 6 e 7 anos, a infância perdida para a alfabetização precoce (desculpem, mas não consigo resistir à piada: por que tanta estupidez destes pais? qual a razão para tanta pressa? pais... os seus filhos trabalharão até os 70 anos! calma, deixem que eles curtam a vida, pelo menos, nos seus primeiros 7 anos!), mas tenho uma pequena esperança. Afinal, são apenas crianças. Ainda não cresceram, mas vão crescer. Aproveitemos.

Tenho medo dos adultos que consomem esse jornalismo criminoso como se estivessem mascando tabaco ou chicletes. Adultos midiotizados. Não tenho esperanças. Nenhuma. Está fácil imaginar uma sociedade cada vez mais violenta, indiferente, egoísta, sem emoção ou sentido humano. Todo o humano que tínhamos substituído pelo sentido do dinheiro. Com esse jornalismo é um caminho sem volta. The Wall está a poucos metros e continuamos pisando no acelerador. Os homens e mulheres desse jornalismo criminoso são uma peste social, somatizam medos e mentiras em seus leitores/leitoras. Modelam uma couraça de preconceitos e conceitos que poupam os amigos e criminalizam os não-amigos. Aproveitemos.

Enganam-se aqueles que acreditam que protegem seus filhos/filhas com mais e mais policiais nas ruas (desculpem, novamente, não consigo resistir, não seja tolo de acreditar que não quero policiais nas ruas. e, por favor, sem esse seu catecismo estutipificado que deseduca: os direitos humanos só se preocupam com bandidos). Começaremos proteger nossos filhos/filhas quando assegurarmos uma vida de oportunidades dignas para todos os jovens da periferia, das vilas e das escolas públicas.


As curvas da vida com sonhos.

Não esperemos ver que os jovens se decidiram pela vida do crime para agirmos (desculpem, de novo, não consigo aguentar: matar esses jovens não é solução, nunca foi nem vai ser solução, só irá criar a aceitação da morte pela mão do Estado. naturalizar a violência e a ganância pelo acumulo de riqueza faz brotar como musgo a pobreza. hoje, temos cada vez mais jovens inspirados por bandidos, sonham com o mundo do crime. esse é o seu modelo de sucesso).

E a solução? Não temos a solução? É isto, e pronto?

E a Educação? Mas qual Educação?

A Educação do silêncio?

Cala a boca, Vocês não querem aprender!


Mas aprender o quê, professora?

Qual Educação? A Educação Formatadora que forma mão-de-obra acessível e barata; matadora de sonhos?

Estamos satisfeitos? Poderia ser pior? Nem quero imaginar esse pior.

Pense: É essa educação medíocre oferecida em nossas escolas públicas que você quer para o seu filho/filha (desculpem, é irresistível, não grite por falta de condições etcetcetc, esses chefes – prefeito e governador – foram eleitos com o seu voto, nunca prometem nada, mas desmancham o pouco que foi construído)?

Confiança, perdemos a confiança na sociedade que nos tornamos. Não acredito em solução mágica, mas o templo da perdição do governo golpista, não por acaso do PMDB, eles propõem mais uma ruptura na Educação Básica: fim da Filosofia, Sociologia, História, volta da Educação Moral e Cívica. Agora vai, iremos obrigar nossas crianças contar passos para entrar e sair das salas de aula, Um dois feijão ou arroz, Três quatro sem comida no prato! Sublimamos Hitler! Não precisamos queimar livros, estamos queimando a Filosofia, Sociologia, História e seus professores. As próximas gerações nem saberão que tudo isso já existiu!


Dois para frente, cinco para trás, Um dois nem feijão nem arroz, Três quatro nem comida nem prato!

Tenho apenas uma certeza, Enquanto não neutralizarmos esse jornalismo criminoso, não teremos chance de um outro jeito de viver. Nos tornamos o que sempre fomos: uma sociedade golpista. Mas também nos tornamos o que nunca fomos: referência no mundo, entre as DEZ cidades mais violentas do MUNDO!

Parabéns, a todos/todas envolvidas. Aproveitemos.



quarta-feira, 27 de julho de 2016

31 de julho não é sobre o PT, é sobre o seu papel na história

Já imaginou se...


baitasar


O próximo dia 31 de julho não é sobre o PT. Claro que é difícil separar tanto e tudo que foi feito em uma década, mas pense em você. Em que lado da história você vai querer estar?

Quer estar ao lado do SUS e da luta para que os seus serviços tenham mais qualidade? Ou você acredita que a sua saúde vai estar garantida pelos planos de saúde privados? 

E a sua solidariedade com as pessoas que vão morrer por falta de médicos, remédios e vagas em hospitais? Piedade ou caridade não vai ajudá-las. 

E os tratamentos mais caros? Condenamos e xingamos quando sabemos que o SUS trata doenças muita caras nos outros, mas e quando nós precisamos? E todos precisamos!

Não esqueça: caso a saúde nos postos e UPAS da sua cidade não funcione, procure as respostas com o prefeito da sua cidade.

Quer estar ao lado da Universidade Pública e do Ensino Médio Público ou da educação privada? Você acredita que universidade é só para os ricos e aqueles que podem pagar? 

Você acredita que apenas os jovens ricos é que devem estudar no exterior? 

Isso de Ciência Sem Fronteiras é besteira de petista? 

Você também votaria em candidato que afirma que seguro saúde e aposentadoria por invalidez tem que acabar?

O PROUNI é um exagero? É um exagero esse sonho de universidade para todos?

Aham... você está do lado da Caixa Federal para os Ricos? Não sei se você sabe, mas o Temer Interino 6% congelou os recursos do Minha Casa, Minha Vida e liberou crédito para comprar imóveis de até R$ 3 Milhões! É o seu caso? Você é rico.

Isso... e muito mais foi tirado da população brasileira em apenas 2 meses de interinidade!

Aposentadoria aos 75 anos que foi vetada pela Presidenta Dilma e o interino 6% Temer derrubou junto com o congresso. Agora, as chances de você aposentar aumentaram... só aos 75 anos.

Não esqueça de se pronunciar sobre o regime único da previdência. Claro, não será único para os juízes e deputados e senadores. Hehehehehe, inocente útil da plutocracia.

Acabar com a CLT também está no centro dos desejos da plutocracia. Os ricos. Fiesp. Fiergs. Donos de Televisões. Donos de jornais. Donos de rádios. Eles sonham fazer do Brasil um país deles. 

Você está ao lado da extinção do 13º? Pois é, pense melhor. 

Lembra da votação sobre a destinação dos recursos do pré-sal? Afinal, você quer ou não que os recursos do pré-sal fiquem na saúde e na educação do Brasil? Parece que não é a intenção do interino 6% Temer. 

E o petróleo é Nosso ou dos americanos do Obama da Hilary ou do Trump? Você está do lado de quem? Afinal, você quer que os recursos do pré-sal fiquem na saúde e na educação dos EUA?

E de todas as conquistas saímos do mapa da fome do mundo!

Parece pouco? E você está ao lado da fome?

Aqui, vou me permitir copiar as palavras do senhor Franklin Tavares III,  que não conheço, mas concordo com a urgência de sairmos do mapa da alienação e ignorância



















Pois é, entendeu por que o dia 31 de julho não é pelo PT?

Vamos pra rua no dia 31 de julho defender tudo que conquistamos, algumas destas conquistas se diz que foi contra a vontade do PT.

Mas conquistamos!

Por quê?

Porque há democracia num governo eleito pelo voto e apenas repressão num governo golpista!

Vamos todos e todas para as ruas no dia 31 de julho! Pela democracia! 

O caminho do golpe estamos experimentado há 60 dias! 

Vamos dizer NÃO ao golpe!

Continuemos ao lado da História que respeita a todos e todas!






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Chegou o dia: acabam de propor o fim da universidade gratuita


Gazeta do Povo


UFPR: para O Globo, a própria existência da universidade pública é uma injustiça



O jornal O Globo sugeriu em editorial neste fim de semana aquela que talvez seja a medida mais grave de desmonte do estado de bem-estar social brasileiro – construído a duras penas durante as últimas décadas. Em função da crise econômica, o jornal sugeriu que simplesmente se acabe com o ensino superior gratuito. Assim: acabe-se, ponto.

A medida, de acordo com o editorial, serviria para duas finalidades diferentes. A primeira, diminuir o peso da educação para o Estado (a velha discussão sobre o gigantismo do Estado brasileiro e sobre a necessidade de diminuir impostos). Por outro lado, dando um aspecto “humanitário” à proposta, diz que isso acabaria com uma injustiça.

Leia mais: Sindicatos repudiam proposta

O argumento sobre a redução da carga tributária é mais inteligível, até por estar sendo debatido o tempo todo. O outro, que tenta vender como fim da injustiça aquilo que seria uma injustiça em si mesmo, é mais curioso e menos comum. Segundo o jornal, o grande problema é que quem fica com as vagas na universidade gratuita são os mais ricos. Os pobres são levados a pagar ensino privado de qualidade muitas vezes duvidosa (é O Globo quem diz, não eu).

A premissa do argumento tem uma certa verdade. Destinar as vagas do ensino gratuito aos mais ricos é injusto. A solução é bizarra. Ao invés de permitir que os mais pobres tenham acesso (mesmo que fosse em detrimento dos ricos), jogue-se tudo fora. O bebê junto com a água do banho. Décadas de investimento em uma educação pública de qualidade em função de um sistema de seleção imperfeito.

Para O Globo, a solução seria o sistema inteiramente privado, com bolsas para os mais pobres. Se essa fosse uma proposta séria, se o argumento humanitário fosse realmente a razão, e não o aspecto econômico, não faria sentido. Quem vai conseguir, dentre os pobres, as bolsas nas faculdades privadas que restariam? Os que têm melhor desempenho, os mesmos que hoje entram nas públicas gratuitas.

O argumento econômico também é frágil. Se a ideia fosse dar bolsas (públicas?) vê-se que o custo poderia ser enorme. Seria para todos, universal? Então o imposto seria ainda mais caro. Seria para poucos? Então seria excludente, e não humanitário. Nesse segundo caso, os mais pobres continuariam destinados a faculdades que o próprio jornal considera inferiores. Ou seja, não se resolve problema algum.

O que está verdadeiramente em jogo é um projeto de país. O desmonte de uma estrutura de inclusão que vem sendo posta em xeque nos últimos anos em detrimento de um Estado menor e mais leve – e também mais desigual.

Nos últimos anos, vêm surgindo repetidamente ideias de que a Previdência deve ser privada. De que o SUS deve diminuir. E de que o ensino gratuito, agora, é injusto. Ao mesmo tempo, propostas que realmente aumentam o atendimento aos brasileiros mais pobres, como o ProUni e o Pronatec geralmente vistas com desconfiança.

É preciso chamar as coisas pelos seus nomes. O que a proposta do fim do ensino superior público traz em si não é o fim de uma injustiça. É a ideia de que a injustiça se dá de qualquer jeito e de que devemos simplesmente deixar que ela ocorra sem pôr as mãos no nosso bolso para ajudar quem fica de fora do sistema. É a meritocracia que protege o bolso contra o assalto de quem nunca teve nada e quer ter chance de competir em condições de igualdade.

Se há algo que luta contra a injustiça nesse país é o acesso a uma educação de qualidade para todos. Se o Estado não servir para isso, servirá apenas para muito pouco. Para muito menos do que precisamos.

terça-feira, 1 de março de 2016

A maré mudou!


O que fez a maré mudar
Por que o Lula vai preso e o Cunha está solto?



Conversa Afiada




publicado 01/03/2016



O ansioso blogueiro encontrou a destemida deputada comunista Jandira Feghali, a que denunciou o Estado de Exceção (o Fascismo reinante) num lançamento do “O Quarto Poder”, no Rio.

(Quanto mais o PiG ignora, mais o livre vende… “O Quarto Poder” é uma prova provada da irrelevância da “oposição da Globo, da oposição da Veja, e a oposição dos outros jornais”.)

Jandira descreveu a fúria santa que hoje domina o espírito do Lula: foi o que ela pode observar no evento do aniversário do PT.

Lula vai pra cima!, ela tem certeza.

Chega!

Disse ela, com a lucidez de sempre: até quem odeia o Lula se pergunta – mas, por que essa perseguição ao Lula se o Cunha está solto!

Por que essa perseguição à D Marisa, e a mulher do Cunha está solta!

Nem precisa falar das 1001 delações contra o Aecím, de sua irremediável participação nos crimes da Lista de Furnas – que documentário espetacular, aquele do DCM!

Não precisa, pensa a Jandira.

Basta comparar o destino do Lula com o do Cunha.

Da mulher do Cunha com o da mulher do Lula.

Isso qualquer um entende.

Ao chegar a São Paulo, o ansioso blogueiro pegou um pernambucano no comando de um taxi.

Um pernambucano de uma cidadezinha perto de Garanhuns.

E fez a pergunta que faz a todos os motoristas de taxi pelo Brasil afora.

- O senhor tem filhos?

- Tenho. Uma menina.

- Ela estuda?

- Estuda.

- O que?

- Ela entrou na Faculdade de Moda e acaba de ganhar uma bolsa de estudos para acabar o curso de Inglês, porque tirou notas muito boas.

- Eu vou lhe contar uma coisa. Eu faço essa pergunta a todo motorista de taxi. Eu não sei dirigir. Eu conversa com muita gente. E nove entre dez motoristas com quem eu converso me dizem que tem um filho da faculdade.

- É mesmo?

- É mesmo. Nove em dez. E sabe a quem eles devem isso?

- Já sei o que o senhor vai me dizer: ao Lula.

- Exatamente. Ao Lula, mas eles todos votam nos tucanos!

O pernambucano me disse:

- Olha, eu votei no Lula… mas depois, depois resolvi não votar mais pra presidente.

- É porque o senhor foi envenenado pela Globo.

- É verdade. A Globo só mostra coisa ruim.

- E não mostra que a sua filha entrou para a faculdade e vai concluir o curso de inglês por causa do Lula. Sabe por que?

- Como assim?

- Há quanto tempo o senhor trabalha no aeroporto?

- Ah, faz uns quarenta anos…

- E o senhor percebeu que o serviço aumentou?

- Claro!

- E por que?

- Porque aumentou o número de passageiros.

- Porque os pobres passaram a andar de avião, não é isso?

- É verdade.

- E o senhor viu isso na Globo?

- Não!

- Então, desliga a Globo que o Brasil melhora!

- É verdade.

- O senhor acha que o Lula vai preso?

- Não!

- Por que?

- Porque… porque ele pode ter até feito umas coisas esquisitas… mas não merece ser preso…

- Por que?

- Porque é perseguição! É sacanagem!

O ansioso blogueiro está convencido de que a maré mudou.

Houve uma mudança de maré.

Ficou claro que o objetivo da Lava Jato e desses Procuradores que operam no wi-fi de Deus é e sempre foi prender o Lula.

Que o Janot e esse Ministério Público tucano de São Paulo estão unidos na missão de prender do Lula.

Que a PF grampeia mictório de preso e toma partido: é aecista declarada.

Não conseguem mais esconder.

Que o Gilmar, que vai tomar um processo do ansioso blogueiro por abuso do poder político e do dinheiro - que o Gilmar vai querer prender o Lula no TSE, depois de derrubar a Dilma.

A máscara deles todos caiu.

Com a ridícula, fascista, patusca – diria o Eça de Queiroz - “marchinha do ridículo , como o Mino – sempre ele! - mostrou na capa da Carta Capital.

A Lava Jato virou a marchinha do ridículo.

Não vem ao caso!

A parcialidade do Sistema Moro – que engloba o Janot, o MP de São Paulo e a PF (a do zé), com o PiG desmoralizado – ultrapassou o limite da tolerância do pernambucano que não vota mais no Lula.

A maré mudou!

O sentimento de que se trata de uma perseguição se espalhou.

O Golpe era isso: prender o Lula.

E fracassou!

É provável que aquele discurso do Lula no Rio e a destituição sumária do zé – pelo discurso provocada, como se disse na TV Afiada - é provável que a simultaneidade desses dois movimentos tenha feito as ondas do mar mudar de curso.

A maré mudou!

Bate, Lula!

Pode bater!

O pernambucano entendeu tudo!

Em tempo: segundo ansioso blogueiro, não acabou a serventia do Cunha. Antes de ser preso, ele tem que doar o pré-sal à Chevron.



Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

fala sério, o seu ódio é maior que preservar as riquezas dos netinhos e netinhas?


O golpe é para "privatizar tudo"


Blog do Miro






Por Altamiro Borges



Animados com a possibilidade do impeachment da presidenta Dilma, alguns tucaninhos começam a abrir o bico e a revelar as verdadeiras razões deste golpe. Em artigo publicado na Folha desta quinta-feira (17), a economista Elena Landau, que foi apelidada de "musa das privatizações" durante o triste reinado de FHC, escancara os interesses que movem esta conspiração. Para ela, "é hora de privatizar" - de preferência, entregando o patrimônio público e as riquezas nacionais para o capital estrangeiro.


A entreguista Elena Landau, conhecida por seu doentio complexo de vira-lata, teve papel de destaque no criminoso processo da "privataria tucana" - tão bem descrito no livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr.. Ela foi assessora da presidência do BNDES e diretora do "Programa Nacional de Desestatização" do governo FHC. Ela faz parte do grupo de economistas ultraneoliberais da PUC-RJ, que tem entre os seus expoentes figuras como Armínio Fraga, Pérsio Arida, Gustavo Franco e André Lara Resende. Ela também tem sólidas ligações com o império, tendo estudado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), um antro mundial das teses destrutivas e regressivas do neoliberalismo.


Com este currículo, Elena Landau tornou-se a musa dos tucanos e porta-voz dos interesses de rapina das corporações estrangeiras. A partir da vitória de Lula, em outubro de 2002, a economista caiu no ostracismo e passou a cuidar dos seus negócios. Só voltava à tona nas campanhas eleitorais, ajudando na elaboração dos programas dos candidatos derrotados do PSDB - José Serra, Geraldo Alckmin e, no ano passado, do cambaleante Aécio Neves. A Folha tucana, sempre tão generosa, até garantiu um palanque para a economista neoliberal, mas sem maior repercussão. Agora, com a ofensiva golpista pelo impeachment de Dilma, Elena Landau adquire novamente "prestígio".

No artigo intitulado "É hora de privatizar", ela demonstra que mantém o bico tucano afiado. Do seu palanque, ela critica o pacote fiscal apresentado nesta semana pelo governo federal. Ele seria muito tímido. "Os ajustes propostos não atacam erros fundamentais que levaram ao descalabro nas contas, entre eles o gigantismo do Estado, e pouco avança neste campo. A privatização não foi mencionada uma vez sequer". Para ela, "a privatização é parte da solução dessa crise. Ela não depende, na maioria dos casos, de apoio do Legislativo. Apenas da vontade política do Poder Executivo".

Após passar um período de esquecimento, ela até tenta se jactar dos seus feitos no desastroso reinado de FHC. Vaidosa, ela se gaba do "sucesso" do Programa Nacional de Desestatização. Só não diz que parte do patrimônio público foi vendida a preço de banana - é só lembrar da entrega da Vale - e que, mesmo assim, o país ficou de joelhos por três vezes diante do FMI e quase quebrou totalmente. FHC e Landau, entre outros privatistas e entreguistas, foram escorraçados do governo pelo voto popular. Agora, eles desejam voltar ao poder através de um golpe para concluir o serviço sujo da privatização.

"A crise abre oportunidade para nova rodada de privatizações... A lista de ativos federais, estaduais e municipais a serem vendidos pode e deve ser ampliada. Há oportunidades na área de distribuição de gás, transportes e saneamento. A quantidade de empresas e o montante de recursos a serem arrecadados é grande. Some-se ainda o plano de desinvestimento da Petrobras e os valores duplicam. O PND (Plano Nacional de Desestatização) precisa sair de sua longa hibernação e o BNDES deve recuperar sua vocação para coordenar o projeto de desestatização nacional, com lei específica e regras claras. A gravidade da crise não permite tergiversação", conclui a economista neoliberal.


*****


Leia também:

- As mulas-sem-cabeça de Aécio e Marina

- Daniel Dantas, o símbolo da privataria

- A "privataria tucana" será investigada?

- A "privataria tucana" e o silêncio da mídia

- Os paraísos fiscais e a "privataria tucana"

- Para entender a "privataria tucana"

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Amém. E você vai deixar... só pra gritar contra os cumpanhero! Amém!


Duvivier fez a análise mais lúcida do momento que vive o país. 




Por Paulo Nogueira





Postado em 13 set 2015
por : Paulo Nogueira





Bingo

Você vê Lobão, Gentili, Fábio Júnior e pensa em perder a fé na capacidade de reflexão da classe artística.


Mas aí você vê Gregório Duvivier e volta a acreditar nos artistas.

A entrevista que Duvivier concedeu a uma emissora portuguesa em Lisboa é uma das mais luminosas análises da cena política contemporânea nacional.

A frase chave é esta: os caras querem tirar Dilma para poderem continuar a roubar.

A não ser que você acredite nos bons propósitos de figuras como Eduardo Cunha, Caiado e, como bem notou Duvivier, Aécio.

Aécio deveria explicar o aeroporto privado que construiu, ou as verbas públicas que alocou para rádios suas quando governador de Minas, e em vez disso fala com a maior cara de pau em combater a corrupção.

Atenção.

As pessoas que mais falam em corrupção são, em geral, as almas mais corrompidas.

No Brasil, o foco de espertalhões em corrupção desvia o debate do verdadeiro câncer nacional: a desigualdade.

Duvivier usou, com graça irreverente, uma sentença que todos deveríamos ter em mente. Limpar a corrupção com os pseudocampeões da moralidade que estão aí é como “limpar o chão com bosta”.

Um caso exemplar é o de Agripino Maia, presidente do DEM.

Enroscadíssimo num caso em que é acusado de achacar um empresário, ele consegue comparecer, como se tivesse a ficha mais limpa do mundo, a protestos anticorrupção.

Isto se chama tratar os brasileiros como se fossem imbecis.

A entrevista de Duvivier em Portugal é um magnífico contraponto a toda a canalhice cínica que marca o movimento pró-impeachment. Os políticos que o lideram se batem, todos eles, pela manutenção do financiamento privado às campanhas, sabidamente o maior foco de corrupção que existe, e a maneira como a plutocracia toma de assalto a democracia.

As críticas que Duvivier faz ao PT não são poucas, e são justíssimas.

O PT fez muito menos pelos índios do que deveria fazer. Na questão ambiental, deixou também muito a desejar.

Mexeu muito pouco na estrutura abjeta da política brasileira ao se ídedicar a acordos lastimáveis em nome da governabilidade.

Mas não é nenhuma dessas questões que comove os defensores do impeachment.

O que eles querem, como disse Duvivier, é poder meter a mão em paz, como sempre fizeram.




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O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Petróleo continua sendo o maior negócio do mundo e só um tolo abre mão dele... ou safado entreguista


Petróleo repõe perdas de agosto em dois dias e deixa “sabidos” pendurados no pincel




POR FERNANDO BRITO · 31/08/2015






O preço internacional do petróleo, que havia subido 10% na sexta-feira, subiu outros 10% hoje, em relação á cotação em que fechou a semana passada.


As perdas, imensas, do mês de agosto foram “zeradas” em 48 horas.

Uma semana atrás, Celso Ming, colunista de economia do Estadão, reproduzia a opinião de mais um “sabido” do mundo dos negócios, o especialista norte-­americano em Petróleo David Kotok, presidente da Cumberland Advisers, dizendo que o petróleo ia baixar até 15 dólares o barril, quando estava a 40 dólares ( e chegou a US$ 38).



Em dois dias, as previsões do sabichão viraram pó, com o petróleo tipo Brent passando de US$ 52 dólares e o WTI (de forma simplificada, o americano) a US$48.


A história da energia – e, com ela a do poder mundial – está há mais de 50 anos fundada no petróleo.

A energia nuclear, única aposta energética que tendeu a se estabelecer como ameaça energética à hegemonia do petróleo, mostrou-se apenas capaz de suprir parcela pequena das necessidades de energia, seja pelas complicações técnicas, segurança, problemas acidentais e oposição política, seja porque os EUA e seus aliados nunca permitiram que se estabelecesse, de forma global, o conhecimento e o uso de uma tecnologia que tem como um de seus produtos o poder militar representado pelo “subproduto bomba atômica”.

Não é possível tratar a política do petróleo, portanto, com base em movimentos de “espasmo” de um mercado em que suas torneiras são controladas pela política e, ainda mais, sujeito a todo tipo de turbulência: guerras, acidentes, tensões….


Este é o erro dos “sabichões” – muito mais apropriado seria chamá-los de espertalhões – que vivem apregoando que o petróleo “não valerá nada” e que usam aqui este argumento, tão ingênuos, para tentar desvalorizar nosso pré-sal e viabilizar politicamente sua entrega às multinacionais.

É o “quem desdenha quer comprar”, que vale desde os tempos dos avós de nossos avós.

Ou, por acaso, você viu a Shell, a Chevron, a Total e outras saírem por aí dizendo: olhem, eu não estou valendo nada, vocês não querem me comprar?


Petróleo continua sendo o maior negócio do mundo e só um tolo abre mão dele.

sábado, 4 de julho de 2015

tudo é um esforço para entregar o pré-sal... e ocê paralisado!


A corrida para entregar o pré-sal





Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:


Da Agência Senado, agora há pouco:


Ao chegar ao Senado nesta quarta-feira (1º), o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que os senadores vão priorizar a apreciação do Projeto de Lei do Senado (PLS) 131/2015, do senador José Serra (PSDB-SP), que retira a obrigatoriedade de a Petrobras ser a operadora exclusiva e possuir participação mínima de 30% nos consórcios de empresas que venham a ser contratados, mediante licitação, para exploração e produção de petróleo no pré-sal e em áreas estratégicas.

“Nós vamos fazer um esforço para que esse projeto seja apreciado hoje, e, se for o caso, fazermos, em torno do conteúdo do projeto, uma negociação, um acordo. Eu acho que nós devemos definitivamente deliberar sobre essa questão da obrigatoriedade dos 30% da Petrobras”, anunciou Renan.

Enquanto o governo Dilma, sem reação, definha, os abutres correm para bicar os despojos.

Nem mesmo o figurino do ajuste neoliberal consegue seguir quando se trata dos gastos, pois o Congresso – todo dia assistimos – tornou-se um distribuidor de benesses a três por quatro, sem entrar no mérito de serem ou não justas para com os beneficiários.

Contar que o declínio da atividade econômica – em grande parte derivado dos investimentos e despesas do Governo – vá, depois de ir ao fundo do poço, reverter-se em crescimento econômico, pressupõe ter “gordura para queimar” em sustentação política.

Não são necessárias pesquisas para que se veja que não há.

E quando o organismo está fraco, os vírus do oportunismo se instalam e se reproduzem velozmente.

Embora a intenção seja oposta, as chances de preservar o pré-sal sob o mínimo controle brasileiro talvez até acabe sendo – tomara, embora o quadro não seja bom – pelo apressamento da votação.

Seis ou sete meses de absoluta inapetência pela política, por um silêncio que, de tanto tempo que demora a ser quebrado que, quando o é, já perde boa parte da credibilidade da contestação e por uma falta quase total daquilo que Lula pediu à presidenta e ao PT – notícias boas – cobram um preço pesado.

O próprio Lula tem dificuldades em se posicionar e participar mais da disputa política, porque é evidente a falta de sintonia entre a equipe dirigente e suas opiniões, mais até do que a da própria Presidenta.

Nem mesmo nós, que defendemos o governo Dilma pela sua legitimidade eleitoral e por seus compromissos remanescentes com um projeto nacional, inclusivo e desenvovimentista temos dificuldade em explicar tamanha paralisia.

Queira a sorte que não se tenha desgastado a esperança de sermos um país à altura do nosso povo a ponto de votarem hoje a entrega do pré-sal.

Porque o Legislativo brasileiro, à sombra de um Judiciário que paralisa mais o país que qualquer ajuste neoliberal sonharia em fazer, aproveita o momento para monstruosidades impensáveis há seis ou sete meses.

E nada hoje, infelizmente, faz crer que não será pior em mais alguns meses.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

a Petrobras financiar a Odebrecht para a Odebrechet comprar a Petrobras !


PHA oferece a
Moro uma delação​


Já ouviu falar na Petrobrecht do Fernando Henrique, Dr Moro ?



Conversa Afiada







O ansioso blogueiro ficou muito impressionado com a bomba desferida pelo Ricardo Melo, ao revelar de forma irremediável o “método” Moro de investigar, prender e condenar guantanamente.

Como em Guantánamo, os presos do Moro ficarão presos por treze anos, sem direito a julgamento.

Porque, como se sabe, ele baixou o seu próprio Ato Institucional e, com ele, submeteu o PiG e o Judiciário.

Diante dessa avassaladora hegemonia, o ansioso blogueiro resolveu delatar !

Com prêmio ou sem prêmio.

Breve, com a publicação de seu livro “Quarto Poder – o outro lado da História” (ou será o “Primeiro Poder ?), da editora Hedra, o ansioso blogueiro revelará quem lhe passou o documento que chamou de “Petrobrecht”.

Ocorreu no imaculado Governo do FHC, quando não se comprava reeleição nem, depois dele, fazendola em Buriti, MG.

Jamais de la vie !

Nos tempos virginais de FHC, o presidente da Petrobras, indicado pelo PFL de Antonio Carlos Magalhães, era o Joel Rennó.

Rennó e Emilio Odebrecht, então, como agora, comandante em chefe da Odebrecht, assinaram um contrato que resultaria no que o Jornal da Band veio a chamar de “Petrobrecht”.

Consistia, singelamente, em a Petrobras financiar a Odebrecht para a Odebrechet comprar a Petrobras !

Entendeu a secreta essência, amigo navegante ?

A Petrobras financiaria a Odebrecht e com o dinheiro obtido da Petrobras, a Odebrecht compraria a Petrobras – o todo ou uma parte importante, a área petroquímica – a que, até hoje, com a Braskem, é a mais lucrativa do grupo.

A denúncia sistemática do Jornal da Band desmontou a patranha.

Não sem antes Emilio Odebrecht procurar a Bandeirantes e ela, então, sob a liderança do vice-presidente José Roberto Maluf, resistir bravamente e dar apoio a seus dois jornalistas – o ansioso blogueiro, editor e apresentador do Jornal da Band, e seu redator chefe, Ricardo Melo.

(Corre-se aqui sério risco: o Moro mandar prender o Ricardo também, por suposto conluio…)

Como o Fernando Henrique, sob a batuta disciplinadora de Andrea Matarazzo na SECOM, praticava uma “mídia super-técnica”, a Petrobras, de pronto, cancelou o patrocínio do Jornal da Band.

O ansioso blogueiro coloca-se à inteira disposição do Dr Moro para prestar os esclarecimentos necessários.

Ou, enviar-lhe, gratuitamente, um exemplar de seu modesto livro.

(Que dispensa equivocado e suspeito prefácio, numa obra suspeita e equivocada.)



Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 28 de abril de 2015

Quem sabe, desenhando?


Desenhando, para até o pessoal do complexo de vira-latas poder entender




27 de abril de 2015 

Autor: Fernando Brito






A ilustração que retirei do Facebook da comunidade Planeta Fascinanteé daquelas que quase dispensam legenda.

Ainda assim, é só olhar quem são os países que somam território, população e riqueza econômica.

Os cinco que ocupam a área de intersecção dos três conjuntos.

Deveria ser o que bastasse para entender que o Brasil é um país com destino próprio, não o de ser um satélite.

Como para ver onde estão nossas sinergias.

Repare, não disse ideologias.

Disse oportunidades.

Embora assim tão obvio, a elite brasileira não consegue enxergar.

Tem na cabeça que o Brasil deveria ser uma sub-Miami.

A burrice é uma coisa muito difícil de combater, porque prescinde de argumentos e sustenta verdades que ouviu de alguém e as repete.

Quem sabe assim, desenhando?

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O que eles querem? Inocente... mudar o sistema de partilha do pré-sal


A tentativa de desmontar a Petrobras










O editorial do jornal O Globo de ontem é claro. O interesse maior não é o de punir malfeitos, prender corruptos e corruptores: é mudar o sistema de partilha do pré-sal. Trata-se de uma bandeira profundamente rentável, a se julgar pelo afinco com que veículos se dedica a ela.



***

A geopolítica do petróleo não é uma mera teoria da conspiração: é um dado da realidade, por trás dos grandes movimentos políticos do século, especialmente em países que definiram modelos autônomos de exploração do petróleo. E as mídias nacionais sempre tiveram papel relevante, não propriamente por convicções liberais e internacionalistas.

***

Para o editorial, o Globo certamente teve o auxílio do ectoplasma de algum editorialista dos anos 50. Os bordões são os mesmos: "O PT, ao reagir ao petrolão, ressuscita um discurso da década de 50 e recoloca o Brasil na situação de antes da assinatura dos contratos de risco, no governo Geisel: o petróleo era “nosso”, mas continuava debaixo da terra. Agora, do mar".

Valia nos anos 50, antes que a Petrobras conseguisse sucesso nas suas prospecções. É uma piada em 2015, quando a empresa consegue extrair 700 mil barris diários do pré-sal. Aliás, é o segundo erro do jornal. O primeiro é supor que a Petrobras ou o sistema de exploração do petróleo é bandeira do PT.

Trata-se de um pilar de política industrial e social que vai muito além dos jogos partidários.

***

As propinas pagas são caso de polícia. Corruptores e corrompidos precisam ser identificados, processados e presos. Pretender atribuir a corrupção à empresa ou ao modelo de exploração do pré-sal é malandragem política.

Diz o editorial: "Se a Petrobras, em condições normais, já tinha dificuldades para tocar esse plano de pedigree “Brasil Grande”, agora é incapaz de mantê-lo. Não tem caixa nem crédito para isso. Não há como sustentar o modelo".

A empresa enfrenta problemas momentâneos de caixa, que poderão ser resolvidos com desmobilizações, com a entrada em operação de vários dos investimentos e assim que houver um mínimo de competência política do governo, para deslindar o novelo policial-financeiro criado pela Lava Jato.


***

Ao longo das últimas décadas, os avanços proporcionados pela Petrobras foram muito além da atividade principal, de tirar petróleo. Hoje em dia, a prospecção em águas profundas é a única tecnologia global na qual o país se destaca, ao lado da aeronáutica.

A política de conteúdo nacional fortaleceu toda uma cadeia de fabricantes de máquinas e equipamentos. O transporte de combustíveis e as plataformas permitiram recriar a indústria naval. A pesquisa brasileira avançou uma enormidade através das pesquisas em rede com as principais universidades nacionais.

***

Nos últimos anos, a Petrobras foi vítima de três atentados. Do PT, ao permitir e ampliar a permanência de esquemas de financiamento de campanha, destruindo os sistemas internos de controle da empresa. Do governo Dilma, ao conferir responsabilidades inéditas à empresa e, ao mesmo, tirar-lhe o oxigênio com os sub-reajustes tarifários. E, agora, da oposição e da velha mídia, valendo-se do álibi da corrupção para bancar campanhas pouco nítidas para seus patrocinadores.

domingo, 18 de janeiro de 2015

“as Sete Irmãs”


"O caso Mattei" - o filme sobre as petroleiras


Diário Gauche







Petrobrás: um filme a ser revisto (assista acima, na íntegra)


Quanto à Petrobras, há um filme para ser visto. Chama-se 'O caso Mattei', de 1972. É dirigido por Francesco Rosi, e tem Gian Maria Volonté no papel título.Artigo de Flávio Aguiar (publicado originalmente no portal Carta Maior, em 02/jan/2015)

O Financial Times publicou recentemente um artigo onde se afirma que, dentre as companhias petrolíferas do mundo, a Petrobrás arrisca tornar-se uma “pária”, diante das acusações de corrupção interna e externa. Processada por um fundo abutre nos Estados Unidos, a Petrobrás passa por um momento em que, além das investigações (adequadas), enfrenta ataques demolidores no plano nacional e internacional.

O artigo do FT, além de noticiar as investigações, ressoa também o desejo (“wishful thinking”) de que a estatal brasileira venha a ser isolada, quebrando-lhe a espinha, e de quebra a espinha do governo brasileiro e do próprio Brasil, incômodo besouro que não deveria voar segundo as leis da ortodoxia econômica, mas que no entanto avoa, passando, apesar das dificuldades, por uma fase melhor do que a maioria dos países europeus, envoltos em crises de identidade, de empobrecimento galopante, de ascensão da extrema-direita e de perda de prestígio. Os ataques vão continuar e recrudescer, sobretudo desde que a ortodoxia europeia entrou em indisfarçável pânico diante da possibilidade de que o Syriza ganhe as próximas eleições nacionais na Grécia e arranque o país dos grilhões da “austeridade”. Se tiver sucesso, vai ser uma “catástrofe”...

Quanto à Petrobrás, há um filme para ser visto ou revisto. Chama-se “O caso Mattei”, é dirigido por Francesco Rosi (“O bandido Giuliano”, dentre outros), foi lançado em 1972 e tem Gian Maria Volonté no papel-título, o do engenheiro italiano Enrico Mattei, assassinado (hoje isto está judicialmente aceito, embora sem apontar os culpados) em 1962, num atentado contra o avião em que ia da Sicília para Milão e que matou também o piloto e um jornalista que o acompanhava.

Enrico Mattei (1906 – 1962) foi o engenheiro nomeado presidente da companhia Agip (Azienda Generale Italiana Petrolio), fundada por Benito Mussolini, para fechá-la. Ao invés disto, Mattei, convocando técnicos demitidos no pós-guerra, reativou-a, dinamizou-a e refundou-a sob o nome de Ente Nazionale Idrocarburi (ENI), empresa estatal que existe até hoje, sendo uma das mais dinâmicas da hoje combalida economia do país e uma das responsáveis pelo “renascimento italiano” dos escombros do fascismo na década de 50.

O motivo desta decisão surpreendente e que contrariou inúmeros interesses naquele momento, dentro e fora da Itália, foi a descoberta de um memorando em que um dos técnicos demitidos registrara a descoberta de jazidas de petróleo e gás no vale do rio Pó, perto de Milão, em terras pertencentes ao Estado. Em 1947 as prospecções confirmaram o memorando, encontrando não muito petróleo, mas muito gás, o suficiente para fornecer energia para a nova industrialização do norte do país.

Mas o esforço de Mattei não se limitou a isto. Ele projetou a ENI no cenário internacional, e aí seus maiores problemas começaram. Já havia problemas internos, que o filme de Rosi debate intensamente, centrando-se, entre outros temas, na discussão sobre o papel do Estado na recuperação econômica da Itália.

Jornalistas ortodoxos (parece um outro país que conhecemos...) criticaram violentamente o “estatismo” de Mattei, que não cedeu as reservas descobertas à exploração pela iniciativa privada, ressalvando que as empresas particulares eram benvindas – para fazer suas próprias prospecções em outras terras, vizinhas ou não, reguardando a propriedade estatal para a ENI.

Mas foi no plano externo que os problemas de avolumaram desmesuradamente. Tratava-se de um momento (década de 50) em que o cartel das “Sete Irmãs” (uma expressão cunhada por Mattei) dominava completamente o mercado petrolífero mundial, fazendo acordos lupinos e vorazes com governos corruptos e colonialistas dos países produtores no Oriente Médio e no norte da África, com condições abjetas, e simplesmente depondo governos que a eles e elas não se sujeitavam, como no caso da Pérsia, futuro Irã, em que o governo nacionalista de Mossadegh foi derrubado em 1953 sob a desculpa de “salvar o país do comunismo”.

As Sete Irmãs eram: a Anglo-Persian Oil Company (hoje British Petroleum, BP*), a Standard Oil of California (SOCAL), a Texaco-Chevron*, a Royal Dutch Shell*, a St. Oil of New Jersey (Esso), a St. Oil of New York (SOCONI) (hoje Exxon Mobil*) e a Gulf Oil. As assinaladas com o (*) existem até hoje e estão ativas no plano internacional.

Mattei tomou várias iniciativas que contrariaram o interesse do cartel e de quem a ele estava ligado, dentre elas:

1) Começou a percorrer os países do Oriente Médio e do norte da África oferecendo melhores condições contratuais. Alvos: Argélia (então ainda um “protetorado” francês), Tunísia (idem), Marrocos, Pérsia (hoje irã) e Egito. Objetivo: assinar acordos na base de 50%/50% na repartição dos lucros.

2) Realizou um acordo de compra de petróleo da então União Soviética, contrariando e enfurecendo a OTAN. Um memorando então secreto do National Security Council dos Estados Unidos considerava Mattei alguém “irritante” e um “obstáculo”.

3) Apoiou o movimento de independência da Argélia, atraindo a ira da organização terrorista francesa Organisation Armée Secrète (OAS), a mesma que tentou matar o General De Gaule, dentre outros atentados. Com isto contrariou também o próprio serviço secreto francês, o Service de Documentation Exterieure et de Contre-Espionage (SDECE).

Mattei criou uma espécie de fábula, no estilo de La Fontaine e Esopo, para explicar o que estava acontecendo:

“Um pequeno gato chega onde alguns cachorrões estão comendo num pote. Os cachorrões o atacam e o expulsam. Nós, italianos, somos como este pequeno gato. No pote há petróleo para todos, mas alguém não quer deixar que cheguemos perto dele”.

Mattei era uma figura pública, no centro da captação financeira do momento. De fato, tornou-se “irritante” e um “obstáculo”. E num momento em que, na Itália do pós-guerra, as várias versões da Máfia tinham se tornado investidoras no mercado financeiro. Não só lá: nos EUA também.

O desfecho deu-se num vôo da Sicília para Milão. Hoje se admite oficialmente que houve um atentado, provavelmente por uma bomba colocada no avião, acionada por algo como o acender de um isqueiro na cabine (sempre fui contra fumar em vôos). O avião caiu, e sabe-se que vários indícios e evidências foram “lavados” no local, ou não tomados em consideração, como o de que o corpo de Mattei tinha cravados vários fragmentos de metal – o que só uma explosão podia explicar.

O assassinato – hoje oficialmente admitido – aconteceu num momento em que isto era comum como “aggiornamento” ao mundo da Guerra Fria: recordemos o de Patrice Lumumba, no Congo, e a morte suspeita do Secretário Geral do ONU, Dag Hamarskjold, também numa queda de avião, no mesmo Congo, hoje objeto de nova investigação. Sem falar nos inúmeros golpes de direita na América Latina.

Além de focar uma tragédia, o filme de Rosi teve a sua própria. Durante a preparação do roteiro o diretor pediu ao jornalista Mauro de Mauro que fizesse uma investigação sobre Mattei. De Mauro tinha uma biografia interessante e complicada. Apoiara os fascistas de Mussolini e depois, quando os ventos mudaram, tornou-se membro da Resistência. Isto lhe garantiu inúmeros contatos, mas também lhe trouxe o hábito de falar demais, com todo mundo.

De Mauro foi à Sicília, e de lá, num dos últimos contatos com amigos, disse que tinha descoberto “a história de sua vida”. “Algo que iria abalar a Itália”.

Aparentemente, segundo um destes amigos, “falou a coisa errada para a pessoa certa e a coisa certa para a pessoa errada”. Foi sequestrado e morto pela Máfia siciliana. Seu corpo nunca foi encontrado. Dois dos investigadores de sua morte – o Coronel Alberto Della Chiesa e o Capitão Giuseppe Russo – foram mortos também pela Máfia. O episódio é evocado no filme.

Em 1997 o “Caso Mattei” foi reaberto, à luz das declarações do “capo” Tomaso Buscetta, duas vezes preso no Brasil e duas vezes extraditado para a Itália. Buscetta foi o primeiro a admitir que Mattei fora morto por ordem da Máfia Siciliana. A versão hoje predominante é a de que esta o matara a pedido da “Cosa Nostra”norte-americana que, como o NSC, considerava Mattei um “obstáculo irritante”, por atrapalhar seus investimentos petrolíferos junto a algumas empresas das Sete Irmãs. O envolvimento destas nunca foi comprovado, sequer investigado – exceto pela sugestão do filme de Rosi.

O caso de De Mauro foi a julgamento em 2011, no de Salvatore Rine, o único mafioso sobrevivente que teria um envolvimento com seu desaparecimento e morte. Rine foi absolvido por falta de provas, e o veredito apontou “assassinato com autores desconhecidos”, um final melancólico para a justiça italiana.

Embora com pontos análogos, a situação da Petrobrás hoje é diferente. Ela não é mais “um pequeno gato”. Virou um cachorrão. O próprio FT publicou não faz muito uma lista do que consdera hoje “as Sete Irmãs”: a Saudi Aramco, a China NP Corporation, a Gazprom, a National Iranian Oil Co., a PDVSA venezuelana, a Petronas da Malásia, e a Petrobrás. Há diferenças gritantes em relação às antigas “Sete Irmãs”: elas não formam um cartel. Tanto quanto se sabe, não patrocinam golpes de estado. E algumas das antigas “Sete” continuam em operação, com seus métodos nada ortodoxos.

Quanto à Petrobrás, o seu problema é que hoje ela descobriu o novo “grande pote”. Ou seja, o Pré-Sal. Isto pode desequilibrar (reequilibrar?) o mundo petrolífero em vários sentidos. O Brasil pode se tornar membro da OPEP. Pode trazer autonomia em matéria de petróleo não só para si mas para a América do Sul como um todo. E o petróleo ainda tem vida longa como fonte de energia.

A cachorrada ao redor está alçada. A externa, para por os dentes na reserva, impedindo que seus dividendos sejam usados para beneficiar a educação e a saúde dos brasileiros, favorecendo ao invés a “saúde” e o “bem estar” dos mercados internacionais. A interna, para lucrar com a entrega à voracidade internacional deste patrimônio nacional.

O filme de Rosi repartiu a Palma de Ouro do Festival de Cannes com “A classe operária vai ao Paraíso”, de Elio Petri. Está no youtube. No anúncio, diz que o filme tem legendas em português. Na versão que vi, não tem. Mas é compreensível para um falante de português ou espanhol.

Não perca.

sábado, 27 de dezembro de 2014

notícias como essa saem pequeninas


Petrobras já pode operar megacampo de Búzios, ex-Franco




26 de dezembro de 2014 | 11:34 
Autor: Fernando Brito






Enquanto a campanha anti-Petrobras segue na mídia, a empresa vai colecionando diversas boas notícias naquilo que interessa: produzir petróleo para o Brasil.

Depois de bater, no domingo, o recorde de produção em um único dia no domingo (2,47 milhões de barris de petróleo num dia ou, para se ter uma ideia melhor 392 milhões de litros), a empresa recebeu autorização da Agência Nacional de Petróleo para produzir, de forma provisória, no megacampo de Búzios (antes conhecido como Franco), um dos que integram o conjunto da área de cessão onerosa recebida, definitivamente, no ano passado.

Este conjunto representa reservas de até 15 bilhões de barris de óleo recuperável, quase o mesmo que todas as reservas provadas hoje do país.

A Petrobras vai operar, durante sete meses, o primeiro poço do campo, para completar os estudos geológicos e produção limitada – por causa dos limites à queima de gás – mas capaz de testar os prognósticos de que cada unidade de extração possa render cerca de 30 mil barris diários, equivalente aos melhores poços do pré-sal.

A exploração comercial definitiva começa, porém, apenas em 2016. Em 2015, a Petrobras conclui e desloca para lá a plataforma P-74, cujo casco está quase pronto no antigo estaleiro Ishikawagima (hoje, Inhaúma) na ponta do Caju, no Rio. Em seguida, o navio segue para o Estaleiro Enseada, no Rio Grande do Sul, para a montagem das estruturas de convés.

Infelizmente, notícias como essa saem pequeninas, nos cantinhos da editoria de economia.

Quando saem.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

1999, ou seja, logo após a reeleição comprada de FHC!


Não há mais clima para golpe. Dilma vence 3º turno




Por Miguel do Rosário, postado em novembro 21st, 2014







Hoje eu vinha com a faca nos dentes, mas mudei de ideia.

Cansei de falar em golpe, e tenho a impressão que a atmosfera de terceiro turno arrefeceu.

O fantasma do golpe foi esmagado pelo próprio desespero da mídia.

A tese que ventilei por aqui, de que Dilma sairia fortalecida desse escândalo, como a presidenta republicana que permitiu a investigação a fundo de problemas históricos de corrupção em nossa maior estatal, está se confirmando.

A mídia bem que tentou, mas não conseguiu colar no escândalo o carimbo “Exclusivo PT”.

Ele atinge todos os partidos e todas as grandes empreiteiras.

Empreiteiras estas que fazem obras em todas as prefeituras e em todos os estados brasileiros, governados por todos os partidos.

Empreiteiras que também financiam a grande mídia.

A imprensa alternativa, os blogs, nunca levaram um centavo das empreiteiras.

A grande imprensa levou bilhões.

O escândalo da Petrobrás atinge toda a classe política, e em especial os principais partidos, a começar pelo PSDB.

Por exemplo, o maior corrupto do “petrolão”, até o momento, é um senhor chamado Pedro Barusco, que prometeu devolver US$ 100 milhões aos cofres públicos.

Ele era subordinado a Henrique Duque, que a imprensa quer vender apenas como “ligado ao PT”.

Ora, Duque está na Petrobrás desde 1978. Desde 2000, era Gerente de Contratos da área de Exploração e Produção.









Sobre Barusco, não encontrei sua biografia, mas é sintomático que ele, logo após se aposentar, tenha ido dirigir a área de operações da Sete Brasil, a poderosa companhia responsável por fornecer sondas de exploração para a Petrobrás.

Quem é o principal acionista da Sete Brasil? O banco BTG Pactual, cujo dono é o tucano André Esteves, o qual, segundo reportagem do Globo, pagou a viagem de lua de mel de Aécio Neves e esposa.

Descobriu-se também que Gilmar Mendes, quando advogado geral da União, nomeado por FHC, defendeu exatamente o que se tornou a fonte maior de corrupção na Petrobrás: a realização de contratos sem licitação. Mendes também não ofereceu nenhuma proposta para aumento da transparência.

Hoje Mendes posa de paladino da ética na grande imprensa, bravateando frases de efeito.

Não é possível partidarizar o escândalo.

A ladainha da mídia, de que tudo é culpa de PT, não cola mais.

Não se combaterá a impunidade no país prendendo-se exclusivamente petistas.

Que se condene e prenda os petistas corruptos!

Mas será que nunca veremos um tucano preso?

Até quando o PSDB seguirá sendo blindado pela mídia, pelo Judiciário e pelo Ministério Público?

Sonegação, helicóptero com meia tonelada de pó, assassinato de modelo, afundamento de plataforma, compra de reeleição, privataria, construção de aeroporto em terras da família, ossada humana em fazenda.

Não faltam escândalos tucanos!

Mesmo o que a mídia chama de “petrolão”, tentando quase infantilmente repetir o case de sucesso do “mensalão”, começou em 1999, ou seja, logo após a reeleição comprada de FHC!

Por isso, é tão bem vindo o artigo do empresário tucano Ricardo Semler, publicado na Folha de hoje.

Semler reitera que o mérito pelas investigações atingirem a profundidade que se vê, pegando peixes graúdos da estatal e do setor privado, é da presidenta Dilma.

“É ingênuo quem acha que poderia ter acontecido com qualquer presidente. Com bandalheiras vastamente maiores, nunca a Polícia Federal teria tido autonomia para prender corruptos cujos tentáculos levam ao próprio governo.”

(…)Dilma agora lidera a todos nós, e preside o país num momento de muito orgulho e esperança. Deixemos de ser hipócritas e reconheçamos que estamos a andar à frente, e velozmente, neste quesito.”

O tucano, num corajoso ataque à hipocrisia da nossa mídia, afirma ainda que a corrupção não se limita a empresas públicas.

“O que muitos não sabem é que é igualmente difícil vender para muitas montadoras e incontáveis multinacionais sem antes dar propina para o diretor de compras.”

O que se espera das pessoas cujo bom senso ainda não foi devastado pelo ódio partidário, é um pacto pela democracia, dando tempo e espaço para a presidenta Dilma concluir o processo de depuração da Petrobrás.

Ela prometeu em sua campanha que não “sobraria pedra sobre pedra”.

É o que está acontecendo.

Passada a tempestade, o Brasil sairá mais forte e mais limpo.

A Petrobrás adotará protocolos mais transparentes e seguros para impedir a corrupção, deixando para trás o afrouxamento das regras imposto por FHC e defendido por Gilmar Mendes.

Não há mais clima para golpe.

Até mesmo as paranoias sobre um suposto golpe no tribunal eleitoral, a ser dado por Gilmar Mendes, me parecem agora infundadas.

Agora só falta o governo fazer as mudanças que todos esperam, a começar pela comunicação.

Ontem o presidente Obama anunciou medidas que protegerão mais de 5 milhões de imigrantes ilegais nos EUA.

Assistindo a alguns canais de TV fechada, zapeei pela Fox, onde âncoras republicanos atacavam a iniciativa, e pela MSNBC, onde analistas democratas a defendiam.

Em todos os canais, porém, o presidente Obama tinha espaço. Ele aparece falando, longamente, explicando sua política.

Na MSNBC, a âncora entrevista um dos secretários de imprensa da Casa Branca, um gordinho simpático e bem humorado.

Aí eu fiquei pensando novamente que o governo brasileiro deve ser o único do mundo que não tem um porta-voz, não tem um secretário de imprensa, não tem ministros políticos, não tem um relações públicas.

E a imprensa brasileira é a única do mundo que censura o próprio governo do país.

A quem interessa esse tenebroso apagão político do governo?

Esperemos que o escândalo da Petrobrás, onde a mídia, em especial a Globo, ainda tenta construir uma narrativa diabólica, sirva ao menos para que o Executivo acorde para a necessidade de construir canais mais democráticos de comunicação com a sociedade.

Informação de qualidade e acesso ao governo eleito são direitos humanos e políticos de todo o brasileiro.

Não adianta o Mercadante dar entrevista à Miriam Leitão, na Globonews, uma tv fechada à qual poucos brasileiros tem acesso.

É preciso ocupar, democraticamente, as tvs abertas, as rádios, e as redes sociais, e combater o mal do novo século: a desinformação.