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sábado, 13 de junho de 2015

o plano de saúde para quem já dobrou o Cabo da Boa Esperança


Planos de saúde: o martírio dos aposentados





junho 12, 2015





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A crônica de Mouzar Benedito: Uma vez por ano eu fico mais reclamão que o normal. E não sou só eu: há um coro de reclamões, formado por aposentados. Isso acontece quando chega o reajuste das mensalidades do plano de saúde



Por Mouzar Benedito


Uma vez por ano eu fico mais reclamão que o normal. E não sou só eu: há um coro de reclamões, formado por aposentados.

Isso acontece quando chega o reajuste das mensalidades do plano de saúde.

Teoricamente, o reajuste seria para cobrir a inflação ocorrida no ano que passou. Então, a correção agora deveria ser de 6,41%, que é o que vamos receber de reajuste da aposentadoria. Mas, na semana passada, a Agência Nacional de Saúde autorizou as empresas a reajustar em até 13,55% a mensalidade de planos individuais e familiares.

É aí que a coisa pega.

Quanto mais velho a gente vai ficando, mais vai se tornando dependente de atendimento médico e é muito arriscado não ter plano de saúde, acreditando que o Sistema Único de Saúde, o SUS, vai nos prover devidamente.

Reconheço que muita coisa melhorou, como a distribuição gratuita de certos remédios e o barateamento de muitos outros na chamada “farmácia popular”. E para tratar de certas doenças, o serviço público é muito eficiente. Conheço pessoas que receberam transplante de rim ou que fazem tratamento de câncer, por exemplo, que recebem um tratamento excelente nos serviços públicos de saúde. Mas de vez em quando vejo situações terríveis, de gente esperando anos por uma cirurgia.

Eu mesmo já precisei de alguns atendimentos de emergência que provavelmente me mandariam desta para uma melhor se ficasse na dependência do SUS.

O problema é que o plano de saúde custa cada vez mais caro, principalmente para quem já dobrou o Cabo da Boa Esperança, quer dizer, passou dos sessenta anos de idade.

O rendimento dos aposentados vai minguando ano a ano. É corrigido pela inflação oficial, abaixo da correção do salário mínimo, e assim em alguns anos, quem recebia quatro salários mínimos de aposentadoria já está recebendo três ou menos.

E os planos de saúde sempre têm reajustes bem maiores. Resultado: somando as mensalidades dos planos de saúde da minha mulher e o meu, lá se vai bem mais que a metade dos nossos rendimentos.

O certo é que daria para a gente viver relativamente bem com o valor que recebemos de aposentadoria, se não tivéssemos esses gastos que a cada ano nos sufocam mais.

Já que, pelo menos por enquanto, não dá para velho depender dos serviços públicos de saúde, minha sugestão é que o governo crie um plano de saúde para aposentados. Mas um plano que funcione de verdade, como qualquer outro, com muitos médicos, clínicas, laboratórios e hospitais que atendem os planos privados.

Só que com uma diferença: as mensalidades não poderiam ultrapassar 15 ou 20% dos rendimentos.

Sempre achei isso, e já escrevi sobre o assunto, mas ninguém leva a gente a sério. Acham que é uma coisa inviável.

Mas há alguns anos, encontrei um amigo no Uruguai e ele me disse que lá existe algo semelhante, e que funciona bem.

O pequeno país de José Mujica dá bons exemplos que poderíamos seguir e até aperfeiçoar aqui, não é? Que nossas autoridades pensem nisso.


Foto: Pixabay

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

a medicina “de mercado” dá muito dinheiro


Tudo é negócio na Saúde. Não só a carne; agora, também o osso




16 de janeiro de 2015 | 19:26 
Autor: Fernando Brito






Seus ossos do braço valem entre R$ 2.500 e R$10.ooo.

O mesmo que o crânio ou uma vértebra do pescoço.

Já os da mão ou do pé, de R$ 500 a R$ 2.000, valor igual ao de cada costela.

Não sou eu quem diz, mas a “Tabela de Fratura Óssea” do Banco Itaú.

Ela acompanha o plano de “Seguro de ossos protegidos” que o banco dos Setúbal está vendendo a clientes e não-clientes.

Mais uma criativa invenção do sistema de mercantilização da saúde.

Não apenas um seguro de vida ou de invalidez, compreensível para quem tem filhos pequenos e teme o desamparo.

Ou um seguro de acidentes pessoais, para cobrir os gastos de tratamentos médicos.

Não, é um “vale-fratura”.

Cômico, aliás, se não fosse mórbido, o “perguntas e respostas” que acompanha a propaganda:

Contratei o plano Completo e fraturei três dedos do pé. Qual o valor da indenização que vou receber?
A indenização será de R$4.500,00, pois cada dedo do pé possui indenização de R$1.500 no plano Completo.

Contratei o plano Essencial e fraturei todos os dedos da mão. Qual o valor da indenização que vou receber?
A indenização será de R$5.000,00 pois cada dedo da mão possui indenização de R$1.000,00 e o valor contratado máximo do plano Essencial é de R$5.000,00.

Contratei o plano Super e fraturei o crânio, a costela e todos os dedos da mão. Qual o valor da indenização que vou receber?
A indenização será de R$10.000,00

Ainda bem que isso não é para os pobres, mas para a classe média a quem fizeram a entender que saúde é uma mercadoria.

Porque senão iam dizer que os pobres estaria martelando os dedos só para receber o seguro, como dizem do Bolsa-Família.

Mas como é negócio, é só uma “oportunidade” oferecida pela “livre iniciativa”.

Para a qual vamos caminhando aqui, com a “demonização” do SUS, do qual tiram o dinheiro e a credibilidade e com a transformação da atividade médica apenas num lucrativo negócio pessoal e empresarial, sem aquela ideia “comunista” de que todas as pessoas têm igual direito à saúde, possa ou não pagar por ele.

Saúde é para quem pode pagar, como registrou há poucos dias o jornal inglês The Guardian, numa reportagem sobre os britânicos que não trabalhar nos EUA e descobre que a única forma de enfrentar problemas de saúde é tomar um avião de volta para sua terra, onde o National Health System torna pública, essencialmente, toda a atividade de saúde no Reino Unido.

Há um trecho particularmente curioso na matéria, o que descreve a visão da “liberdade de escolha” em algo que todos deveriam oferecer com a mesma qualidade:

“Onde os americanos dizem ” eu quero escolher o meu médico,” os ingleses perguntam: “por que diabos você quer escolher um médico?”

Normal o que dizem os americanos?

Como, se um dedo quebrado ou uma pneumonia devem ser curados com a mesma competência seja o médico o Doctor John ou o Doctor James?



Porque essa é a medicina “de mercado” e dá muito dinheiro.

As 125 maiores seguradoras de saúde dos EUA arrecadaram US $ 744 bilhões em 2013.

O mesmo que o PIB o equivalente ao 15° PIB do mundo.

Quanto vai se tomar aqui da classe média segurando os nossos pobres ossinhos?