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quarta-feira, 15 de março de 2017

a farsa do déficit da previdência

Você sabe como funciona a farsa?



Como funciona a farsa do ROMBO da previdência social!











Desmascarando a Farsa do Rombo da Previdência







O rombo está em outro lugar







Reforma da previdência é roubo art.171






assista a esses dois piadistas...
"a minha aposentadoria... eu nem vou dizer... kkk





a previdência não está quebrada

aprofundando a pobreza




a sociedade precisa se mobilizar contra esse ajuste canalha sustentado por uma mídia conservadora e políticos corruptos!










quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ERA DE AUTORITARISMO, SUPERFICIALIDADE E INCOMPETÊNCIA

sobre autoritarismo e competência para ser incompetente




"Vale muito a pena ler esse texto. Ele explica com riqueza de detalhes o que os educadores de Porto (ex) Alegre estão defendendo com tanta garra e determinação. Não vamos nos calar frente a tamanha arbitrariedade."



"Texto do ex-colega da rede e hoje professor universitário de instituição federal no Nordeste Mateus Gonçalves!"



"Não pensem que nos calaremos ou desistiremos facilmente, golpistas covardes!

É estarrecedor o que acontece no sul de nosso país. A capital que já foi farol do mundo em matéria de educação, hoje agoniza nas mãos de irresponsáveis que destroem o que levamos décadas para construir coletivamente, e com participação popular.

O sonho de uma escola cidadã, com sensibilidade e respeito à municipalidade, hoje acordou entristecida, e vive momentos que nem nos piores pesadelos se pôde imaginar.

Vejo, à distância e impotente, minhas/meus companheir@s de anos sendo menosprezad@s e enganad@s, atingid@s pelas costas por uma ação covarde de uma prefeitura que age arbitrariamente e antes do retorno de professoras/es a suas escolas.

Chamam de "folga" aquilo que foi conquista daquelas/es que vieram antes de nós, e que construíram com muito suor, espaços de discussão coletivos, e que possibilitaram por décadas, a concretização de escolas onde o diálogo e a participação popular eram o desejo e a realidade.

A cada dia em que nos encontrávamos com noss@s estudantes às 7h30min, muitos dos que hoje acusam educadoras/es de preguiços@s e corrupt@s (sim, pq quem recebe e não trabalha não tem outro nome!), estavam dormindo e começavam seu expediente somente às 9h (nem uma, nem duas vezes tínhamos que esperar até essa hora para conseguir falar com pessoas dentro de gabinetes, longe da realidade que nós profes tão bem conhecemos). Sempre trabalhamos a mais todos os dias em que estávamos nas escolas, o dia em que não comparecíamos era tão somente uma compensação, uma vez que não recebíamos horas-extras. Pergunte a qualquer servidor/a na escola municipal mais próxima.

Nossas reuniões pedagógicas sempre foram trincheiras de luta de ideias, debate de pensamentos, fruição de criatividade. Nas reuniões sempre pudemos discutir e construir um projeto de escola comum e coerente! Quem tem dúvida, procure quaisquer conselheir@s escolares, elas/es saberão explicar em detalhes a razão e a importância de cada reunião no interior das escolas municipais.

Não sejamos ingênu@s ao ponto de acreditarmos que não tínhamos problemas, nem tampouco superficiais em acreditar no que a mídia apresenta como "fatos" (sabemos que a verdade exposta nos grandes veículos de comunicação de massa, muitas vezes não passa de uma versão q prevalece).

Procure @s profes municipais, procure a equipe diretiva das escolas, fale com @s conselheir@s escolares, verdadeir@s guerreir@s q vêm sendo subestimad@s a cada gestão que têm ocupado lugares de poder na capital gaúcha.

Hoje estou deveras entristecido, mas não vou deixar com que tudo que construímos JUNT@S seja esquecido!! Estou aqui no sertão do nordeste, e cada estudante, futuro professor/a de teatro, saberá que numa cidade bem longe daqui, no sulzão de nosso país continental, fizemos de nossas utopias a realidade!

Essa realidade nos constituiu como educadoras/es, corre em nossas veias a força da escola cidadã! Quem viveu numa Porto, hoje não muito alegre, não esquecerá! Quem vive hj que continue acreditando em sua força! E quem, como eu, já fez parte desse maravilhoso coletivo de transformadoras/es de vidas, que não se cale e conte a todo mundo o que pode ser esse lugar de incríveis possibilidades chamado ESCOLA!

Força colegas!! Para sempre estaremos junt@s, crític@s e à frente da boa luta!!!

(*) Perdoem quaisquer erros ao longo desse texto, ele é daqueles que vêm do fundo da alma, cheio de caráter e talvez nem tão gramaticalmente correto quanto a correção que sempre pautou minha vida profissional, quando fui servidor na prefeitura de Porto Alegre."



* LEMBRO QUE QUEM ABRIU PORTAS E JANELAS PARA OS BONS DEBATES, PARTILHA DE IDEIAS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS, ORGANIZOU FÓRUNS NACIONAIS E INTERNACIONAIS DE EDUCAÇÃO FORAM AS GESTÕES POPULARES, PT E PC DO B. DEPOIS DA SAÍDA DELES INICIOU-SE UMA ERA DE AUTORITARISMO, SUPERFICIALIDADE, INCOMPETÊNCIA."




sábado, 9 de abril de 2016

Colombo e um criminoso notório


A crise é mental


O bestialógico galopa enquanto um criminoso decide o destino do Brasil. Mas há um problema mundial...




por Mino Carta — publicado 08/04/2016




Kênia Hernandes, Gustavo Luz e Paulo Giandalia/Folha Press



O cavalheiro à esquerda serve para aumentar as saudades dos cavalheiros à sua direita


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O escândalo chamado Panama Paperscabe com encaixe perfeito entre os resultados da sujeição do mundo ao deus mercado que o papa Francisco mais propriamente definiria como demônio do dinheiro.

Antes de cogitarmos de uma reforma política brasileira, de resto, por ora tão improvável quanto duvidosa, seria altamente recomendável uma reforma do globo terráqueo. De sorte a reverter o processo destinado a enriquecer cada vez mais uns poucos para empobrecer e imbecilizar os demais. Aludo a bilhões de seres ditos humanos.

Um jurista italiano em recente visita ao Brasil, ex-integrante da força-tarefa daOperazione Mani Pulite, Gherardo Colombo, convidado com o transparente propósito de constatar convenientes similitudes entre aquela ação justiceira e a Lava Jato, cuidou de desencantar os anfitriões, de sorte a não merecer maior repercussão na mídia nativa, a do pensamento único a favor do golpe.

A tese central de Colombo, exposta no debate promovido para favorecer Sergio Moro e os promotores curitibanos, é a seguinte: em situações de corrupção desenfreada, a magistratura terá de agir para prender e incriminar quem quer que seja, mas não extirpará o mal se este for da cultura do país. O pecado só será remido pela educação dos graúdos e dos miúdos. Dura lição, que não se coaduna com as pretensões da Lava Jato.

A corrupção é global, como, por exemplo, os Panama Papers comprovam. Nem por isso Moro e sua operação deixam de ser representativos de um país a seu modo único. A Lava Jato presta-se a fornecer munição a uma tentativa de golpe, vale-se de uma polícia disposta a desservir ao Estado para favorecer a manobra em sintonia com a mídia compactamente envolvida no processo.

Atenta contra a lei impavidamente e tanto esquece a origem da corrupção e seus mais atilados praticantes, bem como liquida em um piscar de olhos a possibilidade de qualquerenvolvimento da Mossack.

Desponta a urgência de interrogar os botões: por que será que Moro e cia. enterraram o assunto? Respondem: talvez o peso de nomes graúdos detentores das offshore à margem do canal, nomes retumbantes, tenha aconselhado o súbito recuo, mesmo depois da prisão de cinco suspeitos da Mossack, logo postos em liberdade.

Uma pergunta chama outra: e por quais cargas-d’água as atividades do empresário Fernando Henrique Cardoso e do seu endiabrado herdeiro Paulo Henrique não mereceram eco da mídia nativa? Ora, ora, respondem os botões, FHC é ainda mais invulnerável do que Aquiles, o herói grego de calcanhar indefeso. Nem mesmo Páris, de excelente pontaria, conseguiria abater o ex-presidente sem pontos fracos.

A incerteza do momento precipita mais perguntas. Por que ressurge a proposta da renúncia da presidenta Dilma, formulada tempos atrás pelo acima citado FHC? A Folha de S.Pauloressuscita a ideia como portadora da bandeira a abrir o desfile olímpico. Marcha imponente, a convocar muitos dos titulares da casa-grande, seus aspirantes e fâmulos.

E por que Dilma haveria de renunciar? Nada empurra a tanto o vencedor de uma eleição, menos ainda a lei. Há quem diga: antecipemos as eleições, outubro próximo seria uma boa data. A presidenta reage com louvável ironia: pois então, renunciemos todos em bloco, governo, governadores e congressistas.

A quem aproveita a proposta? Panorama confuso, de névoa do Mar do Norte, na madrugada invernal. Em meio à cerração, aparecem desentendimentos na tripulação do barco golpista. Não vale a pena perder tempo em relação ao patético comportamento de Marina Silva, crente ferrenha das pesquisas, incapaz de perceber que a coisa pega somente nas cercanias do pleito.



Este Colombo decepcionou os anfitriões nativosPermito-me outros exemplos: eleições em outubro não comovem, por motivos diversos, Michel Temer e Aécio Neves. Encantam, porém, por razões insondáveis, Paulo Skaf, aquele que estimula imensa saudade de Antonio Ermírio de Moraes e Olavo Setubal, dois empresários que praticaram a política com outros méritos e válidos atributos. Tampouco está claro se Skaf é empresário.



Algo é certo, soletram os botões: a proposta da renúncia nasce de uma forte dúvida a respeito do desfecho da manobra golpista do impeachment. A tigrada deu para temer, de uns dias para cá, que o complô soçobre no fracasso final.

Retomada a normalidade democrática, e diante de uma crise iniciada no exterior que não tende a arrefecer, a possibilidade de antecipar eleições gerais poderia ser levada em conta, ao cabo de um amplo debate e de uma adequada emenda constitucional, operada pelos poderes previstos em lei.

Antecipação de um ano, para outubro de 2017, quem sabe. Não é por acaso, de todo modo, que a Folha assuma o papel de portador da proposta da renúncia, inequivocamente golpista nas circunstâncias. Diz um caro amigo que o jornalão da família Frias é o mais hipócrita da categoria.

Abriga textos que contradizem a linha do jornal, sem contar a pretensão do ombudsmanfaccioso, para alardear uma isenção desmentida na totalidade dos demais espaços. OEstadão é um vetusto fazendeiro que não consegue enxergar além da cancela das suas terras. O Globo é homem de negócios suspeitos, sem escrúpulos, entregue ao demônio do dinheiro.

Os jornalões, os revistões e os programões abrigam o bestialógico mais grandioso da história do País. No confronto, o Febeapá da Stanislaw Ponte Preta empalidece. O que se lê e se ouve, imediatamente repetido por uma fatia conspícua da sociedade, é algo que não tem similar mundo afora. Trata-se de um besteirol clangoroso que exibe o estágio cultural primitivo de uma nação carente de saúde mental.

Não falta quem escape ao desastre, mas o conjunto da obra é apavorante. Fôssemos diferentes, nos riríamos dos equívocos, dos mal-entendidos, das acusações pueris, e das pretensões descabidas, das ambições idem, dos exibicionismos provincianos, da pompa ridícula, da ostentação grosseira, da vulgaridade geral. O fenômeno apresenta, contudo, uma imponência tão avassaladora a ponto de provocar por parte de quem dispõe de bons olhos, vergonha e desalento.

Perguntam agora meus envergonhados botões: quem haverá, neste Brasil em apuros, capaz de entender que o impeachment não resolve a crise, pelo contrário, a complicaria? E quem se dá conta de que os Panama Papers desvendam o ninho do ovo da serpente da crise que, sem isentar o País, transcende a economia?

Há outra discrepância, ainda mais espantosa, a denunciar ausência de saúde mental, bem como política: enquanto se discute se Dilma cometeu um crime inexistente, decide os destinos do Brasil um notório criminoso chamado Eduardo Cunha.

domingo, 13 de março de 2016

da nossa editoria de moda para hoje


Editoria de Moda do C Af: o que vestir hoje



De Pedro Sanchez em seu facebook


Conversa Afiada

publicado 13/03/2016






Em tempo: o Conversa Afiada sugere também esse cartaz a ser empunhado pelos marchadeiros desse 13 de março. É uma singela contribuição do Leandro Fortes:





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terça-feira, 12 de janeiro de 2016

o jornalismo de hoje cabe na cabeça do vixinhu ou o vixinhu cabe... eles se merecem!

Jornalismos



11/01/2016






Deu curioso este verão em matéria de autocríticas e banzos jornalísticos.

Um muito pela angústia que sentimos – como cidadãos, mas em especial como profissionais – de ver “triunfar a nulidade” no jornalismo que se pratica hoje na grande mídia, uma espécie de “partido único” capaz de botar inveja à Coreia do Norte. Só que ao contrário, antigoverno e antipaís.

Um pouco por conta de um filme que todos comentam – e eu ainda não vi, só ao trailer – que conta a saga de uma equipe de repórteres do jornal Boston Globe que apura, durante meses, a pratica de pedofilia por padres da cidade, o Spotlight: Segredos Revelados.

De ambos, quase todos que li extraem a constatação de que o jornalismo que nos foi e é a paixão da vida se foi. Existe um novo, diferente, ao qual muitos de nós não teremos nem forças nem tempo de nos acostumar.

É pouco importante, porém, as coisas acontecem à medida do esforço humano, mas desprezando a humana pretensão de conduzi-las.

Semana passada, dia 4, completaram-se 38 anos desde que sentei-me a primeira vez em uma redação de jornal para trabalhar. É natural o cansaço, ainda mais quando a vida é trabalhar de segunda a segunda, sem sábado, domingo, feriado. Férias, que dirá?

Pode importar para mim, mas não importa para o processo social e o avanço social é a paixão inexcedível para um jornalista, como é a cura para um médico e a absolvição de um inocente para um advogado

Paulo Nogueira, hoje, no Diário do Centro do Mundo, comenta o desânimo do gente boa Xico Sá com sua paixão, a dizer que “aqui se despede o idiota que achou que jornal é feito para relatar minimante a realidade.”

Bobagem. Xico e outros fizeram, fazem e farão isso. E quando isso não couber mais num jornal havemos de inventar onde caiba.

Um -para meu orgulho – colaborador deste blog é de outra geração de jornalistas, mais velha que a nossa, tanto que foi meu – e de centenas ou milhares de meus colegas – professor, Nílson Lage.

Fala, também de suas mágoas.

Bobagem, peço respeitosamente para dizer. Pois senão ele não estaria diariamente no Facebook, com sua argúcia, sua sabedoria acumulada, sua coragem e suas palavras claras a lançar luz sobre tantas coisas para nós, seus ex-alunos e eternos aprendizes.

Transcrevo seu relato, com muita coisa do que ainda peguei, naquele janeiro de 1978 em que começou esta paixão que irá até a morte.

“Cada geração tem um depoimento. O da minha se perdeu por velhice e porque, na nossa ética, jornalista não era notícia.

Em suma, tínhamos um jornalismo retórico, dividido entre picaretas e tribunos, entre tomar dinheiro dos bicheiros e discutir os grandes problemas da humanidade – sempre dependente do dinheiro público e dos favores de governos, ou dos que investiam para ser governo. Nesse meio se fizeram grandes jornalistas, do Machado ao Lima, do Callado ao Graciliano.

Tentamos padronizar o estilo, objetivar o relato conforme a técnica universalmente adotada. Não tínhamos ideologia política definida – variava de um de nós para o outro – mas o que nos unia era esse compromisso com a realidade, fato e linguagem. A máfia – ancorada no Estadão, no Globo, nos Associados – resistiu e os militares ajudaram, em parte porque não entenderam nada.

As escolas de comunicação foram criadas por sopro de longe e por gente de fora, com o objetivo de emascular o jornalismo em sua vertente “quixotesca” – a nossa “idiotice da objetividade”. Só ingressamos nelas bem depois, quando, completados os ciclos básicos, constatou-se que alguém precisava falar de jornalismo.

Ainda na década de 1980, a congregação da Escola de Comunicação da UFRJ, dominada por “cientistas sociais”, negou-me redução de carga horária para cursar doutorado, alegando que, sendo mestre, eu já estudara muito para um jornalista (cursei o doutorado assim mesmo).

O que a geração seguinte encontrou foi a luta dos quixotes restantes contra moinhos. Quem movia as pás? A banca, que sempre socorre as empresas do ramo cobrando fidelidade? As agências de publicidade e seus líderes fascistas, os Mainardi e Hasslocker? As indústrias desnacionalizadas por força de uma política que objetivou desnacionalizá-las?


A grande mídia, hoje, é uma máquina de mentiras regional, engajada em uma máquina de mentiras global e que se esforça para superá-la em servilismo. Chegamos a um ponto em que mesmo o mais convicto nacionalista saúda como espaços de libertação o Facebook, o Google, a BBC, o Deutsche Welle…

Fui jornalista a vida toda. Tenho filha jornalista. Minha mágoa – e creio, a de poucos de nós que restam – é muito maior e mais velha do que a de vocês.

E a sua teimosia em ser jornalista, professor, também é maior e mais velha. Mas pode crer que a nossa vai chegar até aí.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Bom dia, Pato...


Eles já não pagam o pato e querem cobrar de você:
Brasil não taxa dividendos e cobra menos imposto sobre propriedade ou herança que outros países



Viomundo


publicado em 26 de dezembro de 2015 às 00:36




18/12/2015 09:35



No Brasil, ricos pagam pouco imposto e convencem os patos

Róber Iturriet Avila e João Batista Santos Conceição, no Brasil Debate


Uma das discussões atuais é sobre o tamanho do Estado, seus papéis e quem o financia. Em comparação com outros países, no Brasil os impostos incidem muito mais sobre consumo e salário do que sobre renda e patrimônio, o que dificulta cumprir os direitos sociais definidos na Constituição de 1988

A cobrança de tributos conforma um relevante aspecto da relação do Estado com a sociedade. Ao longo da história, os papéis do Estado foram alterando, absorvendo cada vez mais funções sociais como saúde, educação, previdência, assistência social, políticas de moradia, para além das básicas como segurança, defesa territorial e mediação de conflitos.

Tais transformações não ocorreram por acaso e tampouco espontaneamente. O processo de acumulação extremamente desigual e a oligopolização da economia constituíram o caldo de cultura para que o sindicalismo e os partidos operários e trabalhistas reivindicassem direitos sociais e distribuição da riqueza por meio de ação do Estado. Isso se deu, sobretudo, após a crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial.

As políticas econômicas keynesianas, o aparelho estatal de oferta de bens e serviços e o sistema de bem-estar social do período 1945-1980 foram identificados, na crítica neoliberal, como elementos que traziam pesado ônus à situação financeira dos Estados.

Após 1980, essa “nova” sistematização de ideias foi implementada. Os resultados de tais políticas consistiram em fragilização dos sindicatos, ampliação das desigualdades, perda de direitos, descompasso entre variação salarial e produtividade do trabalho e ampliação significativa da participação do 1% mais rico na renda. Piketty (2014) quantificou essa concentração.

Presentemente, a disputa de ideias se dá, em grande medida, em relação ao “tamanho” do Estado, seus papéis e quem o financia.

No Brasil, em 2013, 51,3% dos impostos recolhidos nas três esferas de governo tiveram origem no consumo de bens e serviços, 25,0% na folha de salário, 18,1% na renda, 3,9% na propriedade e 1,7% em demais impostos (1).

Quando é efetuada uma comparação com outros países, se observa que na Dinamarca e nos Estados Unidos, por exemplo, metade da arrecadação está centrada em impostos sobre a renda e lucros (gráfico 1).

No que tange à América Latina, os países que mais tributam renda e lucros são: Peru, Chile e Colômbia, representando, respectivamente, 39,9%; 35,8% e 33,5% da arrecadação.

Os impostos sobre patrimônio também são mais baixos no Brasil. Eles alcançaram 3,9% da carga tributária em 2013. Já no Reino Unido, na Colômbia e na Argentina os impostos sobre patrimônio representaram, respectivamente, 12,3%; 10,6% e 9,2% da carga total.

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) representam, respectivamente, 1,7%, 1,4%, 0,6% e 0,2% da arrecadação brasileira.

A participação do Imposto Territorial Rural (ITR) é de 0,04%do total. Não passa despercebido que o Brasil é um país extenso, conformado por vastas áreas rurais.

O Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) representou 2,7% do produto brasileiro em 2013. Nos países que integram a OCDE, esse valor corresponde a 8,5%, em média. Mesmo ao se comparar com países com níveis de renda semelhante, observa-se que no Brasil a relação é inferior. Na Turquia, por exemplo, é 13,5% e no México 13,6%.

Quanto às alíquotas marginais brasileiras, tanto a mínima, quanto a máxima estão entre as mais baixas. Desde 1998, a alíquota máxima, no Brasil, é de 27,5%. Já na Alemanha é de 45%, na Turquia é de 35% e no México é de 30%.

Além de alíquotas relativamente menores, no Brasil, é possível deduzir do imposto de renda as contribuições à previdência, despesas médicas, dispêndio com dependentes, pensão alimentícia, entre outros. Em 2013, as deduções foram de R$ 295,1 bilhões, 17,4% da arrecadação e 6,1% do produto.

Os 71.440 brasileiros mais ricos declaram deduções na ordem de R$ 100,1 milhões com dependentes, R$ 82,5 milhões com instrução e R$ 804,2 milhões em despesas médicas. No total, os abatimentos representaram uma média de R$ 13,8 mil por indivíduo.

Desses mais ricos, 51.419 são os recebedores de lucros e declararam um patrimônio total de R$ 1,1 trilhão. Dessa maneira, a renda média individual anual é de R$ 4,5 milhões e a média patrimonial é de R$ 20,8 milhões por pessoa.

Os rendimentos isentos e não tributáveis somaram R$ 632,2 bilhões em 2013. Os 71.440 mais ricos obtiveram R$ 297,9 bilhões, dos quais R$ 196,0 bilhões estão isentos, 65,8% do total.

O valor mais significativo dessa categoria provém dos lucros e dividendos distribuídos ao declarante e/ou dependentes. O total foi de R$ 231,3 bilhões. Cumpre frisar que no ano de 1995 a Lei nº 9.249 isentou a tributação sobre os dividendos.


[Nota do Viomundo: Veja lá quem assinou a Lei 9.249]


Dentre o grupo de 34 países que integram a OCDE, apenas a Estônia aplica o modelo de isenção sobre os dividendos. No Reino Unido, a alíquota é de 36,1%; no Chile, 25%; nos Estados Unidos, 21,2%; e, na Turquia, 17,5%. O México passou a tributar em 17,1% os dividendos em 2014.

Ao se efetuar comparações das alíquotas do imposto sobre herança e doação, observa-se que o desalinhamento persiste sob o aspecto de justiça fiscal. A alíquota no Reino Unido é de 40%. Em outros países, ela é variável: nos Estados Unidos, a média é de 29%; no Chile, 13%. No Brasil a cobrança de ITCMD varia de acordo com cada estado. A alíquota média é 3,9%, porém, elas variam entre 1% e 8%, com faixas díspares.

Países como Argentina, Colômbia, França, Índia, Noruega, Suécia e Uruguai adotam o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), com alíquotas que estão entre 0,4% a 4,8%. O Brasil não cobra esse imposto.

Os direitos sociais no Brasil foram aprimorados na Constituição de 1988. Eles exigiram maior tributação. Assim como a Constituição, a configuração tributária brasileira não foi gerada espontaneamente. Ela representa interesses e o poder de segmentos da sociedade. Mesmo que haja uma constante tentativa de convencimento de que os ricos e os grandes empresários “pagam o pato”, ao se comparar os dados com outros países, observa-se o contrário. Os ricos no Brasil nunca pagaram o pato. Eles apenas convencem os patos que pagam.








Notas

(1) Impostos indiretos são regressivos, pois sua incidência não têm como referência a renda, apenas o consumo. Não diferencia, portanto, os diferentes níveis de poder aquisitivo. A maior participação deste tipo de tributo vai de encontro ao princípio de equidade.

Referências

PIKETTY, T. Capital in the twenty-first century.Londres: The Belknap press of Harvard University press, 2014.

Leia também:

Boulos diz que a mágica do ajuste de Dilma é que ampliou o rombo


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domingo, 20 de dezembro de 2015

Quá, quá, quá! Quá, quá, quá! Quem são os intelectuais do Golpe de 2015?


Por que Golpe de 64 jamais se repetiria em 2015


Coloque os bacharéis da UDN Golpista ao lado do Gilmar PSDB-MT!​


Conversa Afiada



publicado 20/12/2015




Em 1964, o Golpe tinha os Estados Unidos, o embaixador americano, o chefe da CIA no Brasil e a Quinta Frota a caminho.

Em 2015 não tinha.

Em 1964, o Golpe tinha o mensalão do IBAD.

Tinha o IPES do General Golbery com sua plêiade de empresários paulistas e intelectuais de renome.

O Golpe de 2015 não tinha Golbery: seus substitutos e exegetas não chegam perto em esperteza.

Embora sejam igualmente golpistas e americanófilos.

O Golpe de 64 contou com intelectuais equivocados, mas, de respeitáveis: Antonio Callado, Carlos Heitor Coni, que estudou para padre, Otto Lara Resende, Odylo Costa, filho, Rubem Fonseca, Alberto Dines, Wilson Figueiredo.

Quem são os intelectuais do Golpe de 2015?

Ataulpho Merval de Paiva, a Urubóloga, essa Ilustre colonista da Fel-lha, e o Gaspari (se você conseguir entender o que ele diz, ao fim da décima leitura do mesmo parágrafo).

Por isso, o Gaspari se chama, aqui, de o dos chapéus.

Uns medíocres que se fazem importantes com a repetição: como se a estultice tantas vezes repetida se tornasse sabedoria.

Repetição no jornal, na rádio, na tevê aberta, na tevê paga, nos blogs - e nas conferências que os bancos pagam, como subsídio velado.

Ponha um Merval ao lado do Callado.

A Urubóloga ao lado do Coni.

A Ilustre ao lado de … do … qualquer um.

O Gaspari ao lado do Dines.

(Ele, o de chapéu, vai adorar a sugestão...)

A comparação revelará o abismo que os separa: uns tinham solidez, quilômetros de livros lidos, tinham abrangência, alcance.

Eram Golpistas, mas não eram parvos.

Sabiam escrever o próprio nome.

Não são os “intelectuais” do Golpe de 2015.

(Suspeita-se que a Ilustre jamais tenha lido um único livro.)

São esses intelectuais de 2015 que usam o amplo espaço da Democracia brasileira para tentar destrui-la.

Outro intelectual de 2015 é o Ministro do PSDB-MT, o Ministro Sic Gilmar, do Supremo.

Coloque-o, amigo navegante, ao lado dos “bacharéis da UDN”.

Da UDN de 1964.

Todos Golpistas como o Ministro do PSDB-MT.

Mas, compare Gilmar com Milton Campos, Prado Kelly, Bilac Pinto, Pedro Aleixo, Adauto Lucio Cardoso.

Gilmar fica do tamanho de um rábula de Diamantino.

Um provincianoto com verniz de germanófilo.

Nunca viveu fora do eixo Diamantino-Brasilia.

Tem a visão de mundo de uma barata.

O Golpe de 1964 tinha no Congresso o Carlos Lacerda, máximo Golpista, profissional do Golpe.

Mas, compare-o com os congressistas Golpistas de 2015.

O Eduardo Cunha.

Ponha Cunha, Aecím, Ferraço, Pauzinho, Caiado, Mendonça Filho, Cunha Lima – essa armada brancaleone ao lado do Lacerda.

Lacerda diria deles: são o efeito do purgante , como disse a um Cunha que o chamou de “purgante”.

O Golpe de 1964 tinha as Forças Armadas.

Hoje não tem.

As Forças Armadas se dedicam exclusivamente à superior tarefa de defender a Soberania Nacional dos que cobiçam as riquezas da Amazônia Azul.

O Golpe de 1964 tinha uma razão Moral, digamos assim.

No ambiente da Guerra Fria, o Brasil fazia parte do quadro de valores impostos pelos americanos, os vencedores da II Guerra – ao lados soviéticos, que entraram primeiro em Berlim, e dos chineses do Mao, que massacraram e imobilizaram os japoneses, depois de Nanquim.

Mas, aqui, parecia que só os americanos ganharam a Guerra.

E, na luta entre a Democracia americana e o Comunismo, a classe média brasileira se inclinou para o lado americano.

Qual é o argumento “moral” do Golpe de 2015?

O combate à corrupção?

É uma tentativa de recriar a polaridade.

Se, antes, era a Democracia vs o Comunismo que comia criancinhas, agora é a corrupção do Estado (petista) vs a virtude privada.

A virtude do André Esteves, esse campeão do empreendedorismo pátrio!

Esse herói da Avenida Faria Lima!

Das empreiteiras que fizeram o Alckmin e o Cerra naufragar nas mãos da Conceição Lemes.

A virtude privada do Ricardo Sergio de Oliveira.

Do Preciado.

Do Paulo Afrodescendente.

Do sócio da filha do Cerra naquela sorveteria.

Quá, quá, quá!

A virtude privada dos sonegadores da Zelotes.

À falta de um argumento “moral”, os Golpistas tentaram usar o coitado do vice decorativo.

Um inocente (em termos) útil.

Só ele achava que os tucanos iam dar o Golpe para que Temer e o Wellington, aquele amigão do Paulo Dote, governassem o Brasil.

Os tucanos já tinham até nomeado o Ministro da Fazenda, o Padim Pade Cerra.

O Temer seria promovido de mordomo a rainha da Inglaterra.

O Golpe de 2015 não tinha uma linha de comando definida, clara, como em 1964.

Ia ser um general.

A Vaca Fardada, o Castello ou o Costa.

E foi um general.

(Os dois segundos mereciam o epíteto do primeiro.)

O Golpe de 2015, não!

Podia ser o Cunha, o Temer, o Cerra, o Aecím!

O FHC, por aclamação – em Higyenopolis!

Os Golpistas estavam e estão irremediavelmente divididos.

E tomara que a Presidenta tenha a clareza de manter a Casa Grande dividida como está hoje.

E governar também com a franja progressista da Casa Grande.

Floriano enfrentou a monarquia e os carcomidos em aliança com a cafeicultura paulista, que, naquela altura, significa progresso.

Vargas não se cansou de recorrer a empresários – Horácio Lafer, José Ermirio de Moraes – para fazer avançar a agenda social.

Porque a Casa Grande que tem a sede em São Paulo não tem base social.

Os tucanos não têm candidato a governador e o candidato a Prefeito da preferência do Alckmin vai fazer comício em Sapopemba numa BMW.

Quem simboliza a Casa Grande paulista, hoje?

O Skaf, presidente da FIE P, um industrial da galpão?

O João Dória, que vive de apresentar ricos a políticos e políticos a ricos?

O Cerra, o Alckmin, que ainda serão tragados na Lava Jato?

O Otavím?

O FHC, que não controla a… nem a vaidade?

O Golpe de 1964 não se reproduziria jamais em 2015.

Porque, se, em 1964, o Golpe tinha líderes civis, em 2015 não teve nada que se possa chamar de “líder”.

Os Golpistas de 2015 são diferentes dos Bourbon.

Os Golpistas de 2015 não aprenderam nada e esqueceram tudo.

Dilma governará até o dia 1º de janeiro de 2019, quando passará o poder ao Lula ou a quem o Lula apoiar.

Porque os defensores da Legalidade botam mais gente na rua que os Golpistas.


Paulo Henrique Amorim

domingo, 15 de novembro de 2015

Será que com o exemplo do futebol o vixinhu entende? Entender o quê? Acho que nem desenhando...

TV promove "apartheid" no futebol







Por Glauco Faria, na revista Fórum:


Há algum tempo vem se tornando recorrente o uso da expressão “espanholização” quando se fala do futebol brasileiro. Isso porque, a exemplo do país ibérico que tem dois clubes – Barcelona e Real Madrid – ganhando substancialmente mais do que os outros em termos de direitos de televisão e outras receitas, nas bandas de cá outra dupla também pode repetir a mesma receita.

Para as temporadas de 2016 a 2018, calcula-se que as duas equipes com maior torcida no Brasil, Flamengo e Corinthians, vão receber cada uma R$ 170 milhões por temporada. É muito mais do que os times que vêm a seguir, São Paulo (R$ 110 milhões), Vasco e Palmeiras (R$ 100 milhões) e Santos (R$ 80 milhões). No entanto, o problema não para aí. A diferença das doze principais equipes do país em relação às demais é também abissal, o que acaba punindo clubes que estão fora do eixo SP-RJ e, em segundo plano, de MG-RS. Mesmo com campanhas boas pontualmente, times de expressão regional que estão fora desse circuito não conseguem dar sequência e se firmar entre as equipes mais competitivas.

O que parece ser algo “natural”, na verdade é fruto de interesses individuais de dirigentes que contam muitas vezes com o apoio de torcedores, crentes de que seus times estão levando vantagem em um tipo de jogo que, no fim das contas, todos perdem. O livro Cotas de televisão do Campeonato Brasileiro: apartheid futebolístico e risco de espanholização, resultado dos estudos do jornalista e bacharel em Direito Emanuel Leite Jr. a respeito do tema, trata desse fosso que aumenta entre os clubes e aponta possíveis caminhos para alterar um cenário que compromete a isonomia e o próprio princípio básico de competição do esporte.

A obra de Leite Jr é resultado da elaboração de uma monografia para a conclusão do curso de bacharelado em Ciências Jurídicas na Universidade Católica de Pernambuco. Contudo, quando o trabalho foi concluído, o cenário dos contratos de direitos de televisão no futebol brasileiro era outro. Isso porque existia o Clube dos Treze, associação que reunia alguns dos principais clubes do país e que consolidava um grupo restrito onde alguns ganhavam muito e quem estava de fora ficava a ver navios. A essa altura já se consolidava o que o autor chama de “apartheid futebolístico”, que caminharia para o risco da “espanholização” nas negociações para o triênio 2012-2014. Na ocasião, houve a implosão do Clube dos Treze, graças à ação de alguns dirigentes que contaram com a ajuda da maior interessada na cisão àquela altura, a Rede Globo. Por meio de negociações individuais, a desigualdade se aprofundou ainda mais.

Mesmo a Espanha, hoje, já modifica o seu sistema de distribuição. Até 2015, Real Madrid e Barcelona acumulavam cerca de 50% dos recursos advindos da TV, com o Valencia, terceiro colocado no ranking, recebendo três vezes menos que o duo. Para as temporadas 2016/2017, o Real Decreto-ley 5/2015, de abril deste ano, estabelece que essa divisão muda. Em seu livro, Leite Jr explica que 50% dos direitos na primeira divisão serão distribuídos de forma igualitária para todos os clubes, sendo que 25% serão calculados conforme o desempenho nos últimos cinco campeonatos nacionais (destes, 35% pela temporada mais recente, 20% pela penúltima e 15% para cada uma das três anteriores). Os outros 25% serão divididos pela média de vendas de ingressos e pacotes anuais negociados pela televisão. O modelo remete ao da Premier League, o campeonato inglês, e também tem similaridades com a Bundesliga (campeonato alemão) e o Italiano.

Antes que algum torcedor mais exaltado possa falar em “comunismo” ou algo que o valha quando se discute reduzir a desigualdade entre clubes no Brasil, é bom lembrar que o intuito de se modificar o sistema de direitos de TV atende à lógica esportiva, preservando a competitividade e respeitando o mérito técnico. Ou seja, uma equipe que faz um bom campeonato merece ser premiada por isso. Hoje, quando um clube grande cai para a segunda divisão, como aconteceu com o Botafogo-RJ em 2014, por exemplo, ele mantém sua cota de TV, recebendo o mesmo que ganhava na divisão principal.

Direitos de TV, uma questão crucial

Mas se a questão dos direitos de transmissão de TV é tão importante para o futebol brasileiro – afinal, foram responsáveis por receitas de R$ 1,3 bilhão para os clubes em 2014 – por que ela é tão pouco discutida e recebe quase nenhuma atenção da mídia tradicional? “Isso acontece porque, na verdade, os maiores prejudicados estão fora do eixo Rio-SP. Infelizmente, ainda temos essa análise muito centralizada nos clubes dessa região, e como os maiores prejudicados estão fora dela, acabaram sendo negligenciados, sem poder competir em pé de igualdade. Seria o caso de Minas Gerais e Rio Grande do Sul, por exemplo, começarem a reivindicar com maior ênfase essa questão”, sustenta Leite Jr..

E se a curto prazo ainda não houve uma “espanholização”, com dois clubes, Corinthians e Flamengo, dominando o cenário nacional e com equipes de menor porte chegando em algumas ocasiões entre os primeiros (embora nunca disputando o título brasileiro), o panorama pode ser outro a médio prazo. “Flamengo e Corinthians não são dirigidos da melhor forma possível, se fossem, estariam bem acima dos outros clubes. Como são os três primeiros anos desse modelo de negociações individuais, ainda é muito cedo, mas em seis anos já vai se criar um fosso. O risco existe, se forem bem geridos, vai haver esse aprofundamento”, acredita o jornalista.

O modelo atual também consegue acobertar más gestões. Além de assegurar a times grandes rebaixados que recebam a mesma cota na segunda divisão, pune aqueles que buscam ser mais eficientes, pois lidar com orçamentos muito menores que os de seus concorrentes sem malabarismos financeiros é algo virtualmente impossível. “O Goiás está com problemas porque estabeleceu um teto salarial para seus atletas e hoje está na zona do rebaixamento, a tendência é que caia. Optou por ser responsável financeiramente, mas tem muitos jogadores que não querem disputar a primeira divisão com o salário oferecido. Se ele tivesse uma cota de televisão maior, poderia ter também um teto maior, e conseguiria competir com outros clubes”, diz Leite Jr..

Atualmente, tramita na Câmara o projeto de Lei 755/15, de autoria de Betinho Gomes (PSDB-PE), que altera o modelo de distribuição de direitos de TV, propondo que 50% do total seja dividido igualmente entre todos os clubes, 25% conforme a classificação no campeonato do ano anterior, e 25% proporcionalmente à média do número de jogos transmitidos pela televisão. No próximo dia 18, Emanuel Leite Jr. vai à Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados falar sobre a proposta, que ainda não teve parecer apresentado pelo deputado Marcelo Aro (PHS-MG), relator da matéria. Discutir um novo modelo é crucial até porque, sem a negociação conjunta, os clubes de uma forma geral podem estar perdendo a oportunidade de tornar mais lucrativas (para todos) as receitas vindas dessa área, ficando ainda mais atrás em relação a outros países.

Além de tornar as competições mais disputadas, as condições mais iguais de distribuição dos recursos da televisão não puniria os clubes com maior torcida, já que bastaria a administração de recursos oriundos de outras receitas relacionadas ao próprio relacionamento com seus fãs, como programas de sócios, vendas de produtos, licenciamentos etc para garantir um montante maior que o dos seus rivais. E, obviamente, boas campanhas também assegurariam uma fatia mais generosa dos direitos de transmissão por conta do mérito técnico. No entanto, dirigentes teriam que se esforçar e se qualificar mais para isso, e não apenas fazer acordos de bastidores com uma emissora que monopoliza as transmissões. Certamente, parte da resistência para a adoção de um novo modelo passa por aí, e não pelo “amor” ao clube. Muito menos ao futebol.



Serviço


“Cotas de televisão do Campeonato Brasileiro: apartheid futebolístico e risco de espanholização”

Emanuel Leite Jr.

Para adquirir o livro, entre em contato com o autor através do e-mail: emanuel.leite.junior@gmail.com.

sábado, 31 de outubro de 2015

amiguinho do chororo: CARGA TRIBUTÁRIA CAIU


A “maldita carga tributária” caiu, mas isso não é notícia




POR FERNANDO BRITO · 30/10/2015






Toda hora você lê que a carga tributária brasileira está aumentando.

E que brasileiro precisa trabalhar mais dias, hoje 150, somente para pagar impostos.

É uma “verdade verdadeira” vendida diariamente pela mídia.

Só que não.

Ontem, a Receita Federal divulgou um detalhado estudo sobre a carga tributária brasileira.

A bruta, o total arrecadado, e a líquida, que é aquela quando subtraída o dinheiro que volta às pessoas na forma de aposentadorias, pensões, saques do PIS e Pasep, beneficios a idosos e deficientes, etc…

Uma e outra estão caindo e não há nenhum “arrocho fiscal” em curso no país.

Não foi notícia, ou apenas notinhas, como a do Valor Econômico.

A carga tributária total (impostos da União, dos Estados e dos Municípios) caiu de 33,74% do PIB para 33,47%. Uma sobre a outra, queda de quase 1%.

A União foi quem mais reduziu a carga de impostos, mas é em cima dela que vem o chororô e a indignação dos que falam que “o brasileiro não suporta mais impostos”.

Só se for o brasileiro pobre e de baixa classe média, que realmente não tem como escapar de uma estrutura tributária montada sobre o consumo, em lugar de sobre o patrimônio, os ganhos de capital e tolera uma sonegação que bate recordes mundiais.

Considerada a carga líquida – o dinheiro que não é devolvido diretamente às pessoas e ao consumo, daquelas formas que se apontou e que fica livre para os gastos de custeio, investimentos e financiamento de dívida – caiu de 18,18% do PIB em 2002 para 17,39%.

A explicação da matéria sobre “queda nas vendas” não explica nada, porque se as vendas caem, caem os impostos na mesma proporção.

Lá em cima, no post, reproduzo o gráfico da Receita Federal mostrando o total arrecadado (a linha verde), o total devolvido diretamente em aposentadorias, pensões, seguro-desemprego, pagamentos de FGTS, abonos salariais do FAT, benefícios a idosos e deficientes, Bolsa Família, etc (linha vermelha) e o que efetivamente sobra para os governos, nas três esferas, pagarem pessoal, custeio de suas máquinas administrativas, e para as gigantescas despesas financeiras de suas dívidas…

sábado, 17 de outubro de 2015

É hora de mudar a política econômica


O ajuste fiscal ampliou a recessão






Do site Carta Maior:

A discussão sobre o que está por trás do desajuste atual da economia brasileira, com crescimento negativo do PIB, inflação alta, desemprego, dólar e juros nas alturas, queda nos investimentos, entre outros indicativos nada animadores, é travada por diferentes correntes de economistas, além de assunto dominante em programas de TV e mesas de bar.

De forma resumida, há, de um lado, quem defenda que a recessão tem origem principalmente em erros na condução da política econômica dos últimos governos e o ajuste fiscal comandado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy seria uma tentativa de trazer a economia “de volta aos trilhos” e recuperar a “confiança” dos empresários. Essa é a “narrativa hegemônica”, disseminada na grande imprensa.

De outro lado, porém, há os que consideram que o ajuste se baseia em um erro de diagnóstico da situação da economia e é ele próprio o grande responsável por jogar o Brasil na recessão. Nesse grupo estão dezenas de intelectuais que lançaram, apoiados por sete instituições, entre as quais o Brasil Debate, o documento “Por um Brasil Justo e Democrático”.

O documento traz justamente propostas alternativas ao ajuste em curso e foi recebido com muitas críticas entre os economistas liberais. Porém, como aponta o coordenador do Brasil Debate Pedro Rossi, em artigo publicado no Valor Econômico em 15/10 (link), resultados da economia mostram que, após a “terapia de choque” do ajuste, houve uma piora drástica do cenário, com aumento da inflação e do desemprego.

Segundo Rossi, “independentemente de erros dos governos anteriores, parece claro que a virada de política econômica tem aprofundado a crise, como sugere o gráfico (abaixo)”.






De fato, aponta o economista, de janeiro a agosto de 2015, o gasto público primário se contraiu 2,1% em termos reais na comparação com o mesmo período do ano anterior, sendo que o investimento público foi a principal vítima dos cortes - caiu 45% em termos reais.

“Essa contração, simultaneamente ao desempenho ruim das demais variáveis de demanda (consumo, investimento privado e demanda externa), se mostrou pró-cíclica, aprofundou a recessão e contribuiu para a queda de 4,8% da arrecadação, no mesmo período”, explica.

Outra medida do ajuste que ajudou a formar o atual quadro recessivo foi a opção por uma estratégia de choque nos preços administrados, em detrimento de uma estratégia gradualista. Assim, segundo Rossi, da inflação acumulada de janeiro a setembro de 2015 (7,64%), 1,67 pontos percentuais devem-se diretamente ao reajuste de preços da energia elétrica, o que explica 22% do IPCA.

“Esse tipo de reajuste tem um alto grau de difusão em uma economia muito indexada na qual a formação de preços é extremamente oligopolizada e conta com um alto grau de repasses de custos para o consumidor”.

E um terceiro ponto do ajuste para o qual ele chama a atenção é a taxa de juros Selic, que subiu de 11% em outubro de 2014 para 14,25%. Com essa política monetária, o Banco Central trata a inflação brasileira como se fosse um problema de demanda em um momento de contração de demanda e de choque de custos. Essa contração monetária, além de ineficaz para reduzir a inflação, contribui para a recessão ao aumentar o custo do crédito, o custo de oportunidade para o investimento produtivo e, ainda, aumenta as enormes despesas do governo com juros, alcançaram 8% do PIB.

“Estamos piores do que no fim de 2014, quando se iniciou o ajuste com a alegação de que o crescimento viria pela recuperação da confiança dos agentes econômicos. De lá pra cá, a confiança dos agentes despencou e esse discurso perdeu aderência”, analisa.


Felizmente, há alternativas ao ajuste recessivo, o documento “Por um Brasil Justo e Democrático” defende uma agenda pró-crescimento, que repense a estratégia de política monetária, preserve e faça uso estratégico dos gastos públicos com maior efeito multiplicador e com efeitos sobre a competitividade e os estrangulamentos produtivos. É hora de mudar a política econômica!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

assinante de jornalão cúmplice... é cúmplice, sinto muito


Fernando Brito: A cumplicidade dos jornalões com o “suiçalão” de Eduardo Cunha




publicado em 01 de outubro de 2015 às 15:46




A discrição cúmplice dos jornalões com o “suiçalão” de Eduardo Cunha


POR FERNANDO BRITO, NO TIJOLAÇO, 01/10/2015, sugerido por Júlio César Macedo Amorim


Em qualquer país do mundo, seria manchete a confirmação que o presidente da Câmara dos Deputados, terceiro na linha de sucessão presidencial de um governo que está ameaçado de sofrer impedimento, e tanto da Presidenta quanto do seu vice, no caso da ação do TSE (é o que se noticia todos os dias, não é?) teve descobertas contas ilegais num banco suíço.

Não é “suspeita”, “denúncia”, “suposição” ou “dizem”. É informação oficial da Justiça da Suíça, com documentos, confirmada aqui pela Procuradoria Geral da República.

É uma “bomba”, no velho jargão jornalístico. Porque nem é preciso provar que o dinheiro é de corrupção, a simples evasão de divisas e a não declaração de patrimônio – obrigatória tanto como candidato quanto na posse do mandato – já é crime previsto no art. 13 da lei de improbidade administrativa, que vale também para os deputados:
3º Será punido com a pena de demissão, a bem do serviço público, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, o agente público que se recusar a prestar declaração dos bens, dentro do prazo determinado, ou que a prestar falsa.

Basta estar confirmada a existência da conta, de direito ou de fato, através de parente que não tenha razão econômica para tal para que se peça a condenação de Cunha e, antes disso, a cassação do seu mandato.

Nas edições de hoje da Folha e do Estadão, como assinalado na imagem, a notícia é uma “notinha” de primeira página.

Os destaques são para “suspeitas”, não para fatos; para o “supõe-se” e não para acontecimentos.

Claro, Cunha ainda pode ter serventia. Como escreveu um daqueles inomináveis da Veja, citado hoje no ótimo artigo de Paulo Nogueira, noDCM, será que nossa imprensa “espera que Cunha derrube Dilma antes de ser preso.”?

O jornalismo brasileiro – salvo as ainda muitas exceções que, por isso mesmo, não o comandam – tornou-se o exercício do facciosismo político.

Um tipo destes, apanhado em flagrante, que se recusa até a negar que tenha as tais contas, esquecido (talvez nunca tenha sequer pensado nisso) de que é um homem público, um servidor graduadíssimo da sociedade, o comandante do processo legislativo faz isso e dão-lhe “dez centímetros”, se tanto, das capas do jornais da “moralização” do país.

Que nome pode ter isso senão o de cumplicidade?



Leia também:

Lindbergh Farias: Eduardo Cunha está chantageando o Brasil

terça-feira, 22 de setembro de 2015

E a senhora professora, já votou? Eu voto no Sartori! Não vou ler nem o rótulo. Chega de PT! (quando aprenderemos que o ódio une as trevas? votamos por ódio e colhemos as trevas.)


Após avanço da BM sobre servidores, Assembleia vota projetos com público nas galerias


SUL 21




Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Luis Eduardo Gomes e Jaqueline Silveira


Avanço da Brigada Militar sobre servidores, cassetetes e spray de pimenta, além da detenção de três manifestantes, marcaram a manhã tumultuada na Assembleia Legislativa, que vota nesta tarde o aumento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a ampliação limite dos saques dos depósitos judiciais de 85% para 95%. Os projetos de extinção das fundações de Pesquisa e Produção em Saúde (Fepps) e de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul (Fundergs) não deverão ser votadas nesta terça-feira (22), já que o governo pediu a retirada do regime de urgência das duas propostas que trancavam a pauta. Chegou a ser permitido que o público acompanhasse a votação das galerias e do Teatro Dante Barone, mas pouco depois das 14h, os servidores decidiram que não ingressariam no Teatro, assistindo à sessão apenas no Plenário.



Leia mais:

Mobilização de servidores e habeas corpus coletivo obtêm acesso à Assembleia de acordo com a capacidade de lotação




No início da manhã, os servidores começaram a se concentrar em frente à Assembleia com apitos, cartazes e nariz de palhaço. A coordenação do movimento unificado aguardava na chuva para uma reunião com deputados da oposição para tratar do acesso ao plenário. Gradis separavam manifestantes do prédio Legislativo, protegido no início da manhã por 10 policiais – que horas depois já eram mais de 50. Os sindicalistas reclamavam que a liminar concedida na noite de segunda-feira (21) pelo TJ, garantindo a entrada da população no prédio, não estava sendo cumprida. Por volta das 10h, as lideranças sindicais foram liberadas para entrar e participar da reunião com deputados petistas.

Enquanto estavam reunidos no interior do Legislativo, ocorreu a primeira confusão. Manifestantes que estavam na Praça da Matriz derrubaram os gradis e avançaram em direção ao prédio. Rapidamente aumentou o cordão de policiais, que isolou a entrada no Legislativo. Alguns chegaram até o vidro e batiam exigindo o cumprimento da liminar do TJ e lembrando que a Casa é do povo. “Entra, entra”, gritavam os manifestantes, além de frases como: “Tu aí fardado também é parcelado”, “I,i,i, o Sartori vai caí”.

Depois de se reunir com os deputados petistas, a coordenação se juntou a outros parlamentares e ao presidente da Assembleia, Edson Brum (PMDB), para tratar do acesso das pessoas à sessão desta terça-feira. Os sindicalistas pediam a liberação do Dante Barone, que o presidente prometeu responder mais tarde. As lideranças reclamaram mais uma vez da restrição dos servidores ao Legislativo. Enquanto os servidores deixavam o encontro e a imprensa aguardava a reunião de líderes, a polícia, sob o olhar do comandante-geral da BM, Alfeu Freitas Moreira, avançou sobre os manifestantes com cassetetes e spray retirando-os da frente da Assembleia e os empurrando para a Praça da Matriz. Com isso, a polícia remontou a barreira. Foi um momento de muita confusão e tensão. Algumas pessoas passaram mal devido ao spray de pimenta, enquanto outras ficaram com os olhos irritados. Três manifestantes foram detidos, algemados e pelo menos um deles foi agredido no chão por vários policiais.




Servidores entregam liminar para acesso a votação | Foto: Caroline Ferraz/Sul21


Quando souberam da confusão, as lideranças sindicais desceram rápido e ficaram do lado interno da Casa, já que ninguém podia sair. “Estão batendo no colega, alguém do Sindicato vai”, pediu um deles, referindo-se a policiais que retiraram um manifestante para um lado. Um advogado do PSOL acompanhou os manifestantes que foram levados por duas viaturas. Lideranças sindicais reprovaram a conduta da BM.

Após o incidente, o tenente-coronel Mário Ikeda, chefe do Comando de Policiamento da Capital (CPC), afirmou que três manifestantes foram detidos. Ikeda também justificou a ação argumentando que um pequeno grupo tentou furar o bloqueio mantido por policiais no portão principal da AL. Durante a confusão, ao menos 100 policiais estavam no local, mas o efetivo foi reforçado em seguida, incluindo o apoio da tropa de choque.

Com o clima um pouco menos tenso, a coordenação voltou a se reunir com o presidente da Assembleia e ficou definido que 100 servidores poderiam acompanhar as votações das galerias, além de 40 pessoas que representam entidades empresariais também contra o aumento de impostos. Outras 140 ocupariam as galerias representando os favoráveis ao projeto.

Brum propôs a liberação também de 400 senhas para o acesso ao Dante Barone, a serem divididas na metade entre favoráveis e contrários ao aumento do ICMS, conforme determinação de liminar emitida pela Justiça após ação ajuizada por ex-dirigentes do Cpers. No entanto, o acordo exigia que as lideranças sindicais assinassem um termo assumindo a responsabilidade por tudo que ocorresse dentro do Teatro. Segundo Sérgio Arnoud, presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado do RS (Fessergs), essa condição era inaceitável e rejeitou a proposta. Com isso, a participação dos servidores na votação se resumiu a apenas as 100 pessoas que conseguiram fichas de acesso ao plenário.

Enquanto os donos de fichas entravam, o restante dos manifestantes – ainda vigiados de perto por centenas de policiais militares – permaneceram do lado de fora protestando com cartazes com os rostos dos deputados que votam “contra os trabalhadores”. Eles prometem aumentar a pressão na base eleitoral dos parlamentares da base aliada do governo Sartori.



Confira as fotos:


Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Caroline Ferraz/Sul21



Foto: Tiago Machado



Foto: Tiago Machado

Quanto mais para aprendermos? Quando aprenderemos?


Professores detidos pela BM em frente à AL protestam: ‘Ninguém aqui é bandido’


SUL 21



Momento em que Ricardo foi imobilizado e agredido nesta manhã | Foto: Caroline Ferraz/Sul21




Débora Fogliatto


Após serem agredidos e presos, três professores que estavam nas manifestações em frente à Assembleia Legislativa nesta terça-feira (22) foram liberados e voltaram ao ato. Sem desanimar após os ferimentos e indignados com os rumos do governo José Ivo Sartori (PMDB) e com o Legislativo, eles ainda não compreenderam o que motivou a Brigada Militar a derrubar e bater no professor Ricardo Machado Menezes.

Por volta das 11h, quando, segundo as vítimas, os professores estavam começando a recuar para longe da barreira formada por policiais militares em frente à AL, Ricardo foi agarrado pelas costas por um policial e derrubado no chão, onde, mesmo rendido, foi agredido por cassetetes e socos. Os dois colegas, Antônio Neto e Fernando Campos, vieram em sua defesa. Segundo afirmam, um deles foi chutado e ambos foram presos. Os três professores foram levados à 3ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, no bairro Navegantes.



Ricardo mostra o ferimento na clavícula | Foto: Débora Fogliatto/Sul21


Para Campos, que é professor de História em Alvorada, o que surpreende não é truculência da BM, visto que “esse é o trabalho deles”, mas sim a quem essa violência foi dirigida: “O que a gente não espera é que o governo do Estado utilize a BM para agredir professores. Ninguém aqui é bandido”, resume.

Mesmo após as agressões, os três pretendem continuar participando da paralisação e de protestos por seus direitos. “Nenhum dos três aqui foi responsável por agressões aos servidores da Brigada. Nenhum de nós foi responsável por atirar pedras na Assembleia, mas não podem nos acusar de ser coniventes com aquele palácio que hoje é o algoz do funcionarismo público”, disse Neto, referindo-se à AL. Ele ainda criticou a aprovação, na semana passada, da nova previdência para o funcionarismo, votada com as galerias vazias. “É importante que a gente saia daqui com a experiência de que no Parlamento não se pode depositar nenhum voto de confiança, é a nossa luta que vai mudar nossa vida”, disse, no carro de som, aos colegas que participavam da mobilização.

Ricardo Menezes, que também é professor de História, na Lomba do Pinheiro e no bairro Partenon, recorda da greve ocorrida em 2004, quando diz que viu um policial quebrar o braço de uma companheira com um cassetete. “Era no governo Rigotto, também do PMDB”, lembrou. Com a camiseta rasgada, ele conta que sente mais dor em um hematoma que ficou no local onde “um cassetete pegou”, na clavícula, assim como na perna, possivelmente pela forma como foi atirado no chão.

A Brigada Militar afirma que os três detidos faziam parte de um grupo de manifestantes que derrubou o gradil e entrou na porta principal do saguão. Por cerca de uma hora, os servidores que estavam ali negociaram com a BM para que saíssem e retornassem para a Praça da Matriz. Segundo o Major Bitencourt, responsável em exercício pela Comunicação da corporação, nesse momento “umas cinco pessoas, entre elas os três que foram detidos, tentaram investir contra a Brigada para tentar entrar na AL”, o que teria causado um tumulto e levado a BM a utilizar gás lacrimongêneo por spray. “Foram uns três disparos, para dispersar quem estava na entrada da AL. E nisso acabou realizando a prisão dessas três pessoas”, relatou. Ele não confirmou a identidade dos detidos e disse acreditar que não se tratava de professores, mas afirmou serem três homens e que foram levados para a 3ª DPPA.



Fernando, Ricardo e Neto afirmaram ter sido agredidos | Foto: Débora Fogliatto/Sul21

domingo, 13 de setembro de 2015

O Código de Ética da Magistratura


Lewandowski denuncia o despudor de Gilmar e Moro


Juiz político é uma ameaça à Democracia.








Lewandowski: "o protagonismo extra-muros pode cercear direitos fundamentais"



O Conversa Afiada reproduz antológico artigo do presidente do Supremo Tribunal Federal.

O Conversa Afiada o interpreta como uma crítica explícita à despudorada atuação político/partidária do ministro (sic) Gilmar, que se reúne com dois parlamentares (sic)ameaçados de ir para cadeira para tramar o impítim; e do Juiz da Vara de Guantánamo, que se assemelha aos juízes do regime nazista, pretende "provocar abalos na economia", e "desestabilizar as instituições" com a proposta de criminalizar APENAS e EXCLUSIVAMENTE os supostos corruptos que estão num ÚNICO lado do espectro político !

Viva Lewandowski !

Chega !

Já que o Governo e seu Ministro (sic) da Justiça são seres inanimados ...





Judicatura e dever de recato



Entre juízes, posturas ideológicas são repudiadas pela comunidade jurídica e pela opinião pública, que vê nelas um risco à democracia


RICARDO LEWANDOWSKI


É antigo nos meios forenses o adágio segundo o qual juiz só fala nos autos. A circunspecção e discrição sempre foram consideradas qualidades intrínsecas dos bons magistrados, ao passo que a loquacidade e o exibicionismo eram –e continuam sendo– vistos com desconfiança, quando não objeto de franca repulsa por parte de colegas, advogados, membros do Ministério Público e jurisdicionados.

A verbosidade de integrantes do Poder Judiciário, fora dos lindes processuais, de há muito é tida como comportamento incompatível com a autocontenção e austeridade que a função exige.

O recato, a moderação e mesmo a modéstia são virtudes que a sociedade espera dessa categoria especial de servidores públicos aos quais atribuiu o grave múnus de decidir sobre a vida, a liberdade, o patrimônio e a reputação das pessoas, conferindo-lhes as prerrogativas constitucionais da vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos para que possam exercê-lo com total independência.

O Código de Ética da Magistratura, consubstanciado na Resolução 60, de 2008, do Conselho Nacional de Justiça, consigna, logo em seu artigo 1º, que os juízes devem portar-se com imparcialidade, cortesia, diligência, integridade, dignidade, honra, prudência e decoro.

A incontinência verbal pode configurar desde uma simples falta disciplinar até um ilícito criminal, apenada, em casos extremos, com a perda do cargo, sem prejuízo de outras sanções cabíveis.

A Lei Complementar nº 35, de 1979, estabelece, no artigo 36, inciso III, que não é licito aos juízes "manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos ou em obras técnicas ou no exercício do magistério".

O prejulgamento de uma causa ou a manifestação extemporânea de inclinação subjetiva acerca de decisão futura, nos termos do artigo 135, V, do Código de Processo Civil, caracteriza a suspeição ou parcialidade do magistrado, que permitem afastá-lo da causa por demonstrar interesse no julgamento em favor de alguma das partes.

Por mais poder que detenham, os juízes não constituem agentes políticos, porquanto carecem do sopro legitimador do sufrágio popular. E, embora não sejam meros aplicadores mecânicos da lei, dada a ampla discricionariedade que possuem para interpretá-la, não lhes é dado inovar no ordenamento jurídico.

Tampouco é permitido que proponham alterações legislativas, sugiram medidas administrativas ou alvitrem mudanças nos costumes, salvo se o fizerem em sede estritamente acadêmica ou como integrantes de comissões técnicas.

Em países civilizados, dentre eles o Brasil, proíbe-se que exerçam atividades político-partidárias, as quais são reservadas àqueles eleitos pelo voto direto, secreto e universal e periódico. Essa vedação encontra-se no artigo 95, parágrafo único, inciso III, da Constituição.

Com isso, não só se impede sua filiação a partidos como também que expressem publicamente as respectivas preferências políticas. Tal interdição mostra-se ainda mais acertada porque os magistrados desempenham, ao par de suas relevantes atribuições, a delicada tarefa de arbitrar disputas eleitorais.

O protagonismo extramuros, criticável em qualquer circunstância, torna-se ainda mais nefasto quando tem o potencial de cercear direitos fundamentais, favorecer correntes políticas, provocar abalos na economia ou desestabilizar as instituições, ainda que inspirado na melhor das intenções.

Por isso, posturas extravagantes ou ideologicamente matizadas são repudiadas pela comunidade jurídica, bem assim pela opinião pública esclarecida, que enxerga nelas um grave risco à democracia.

RICARDO LEWANDOWSKI, 67, professor titular da Faculdade de Direito da USP, é presidente do STF - Supremo Tribunal Federal e do CNJ - Conselho Nacional de Justiça

terça-feira, 25 de agosto de 2015

"Devolver à sociedade o comando do seu destino era como Celso Furtado definia a essência do desenvolvimento. "


O novo normal e o cemitério das nações



É preciso ir à essência para escapar aos coveiros que recusam ao Brasil outro destino que não o cemitério das nações.




por: Saul Leblon








A ideia de que o Brasil não tem mais jeito é poderosa, conta com avalistas de peso.

Interesses antipopulares, em qualquer época, acalentam esse horizonte sem ponto de fuga, onde se possa acuar qualquer iniciativa que desafie a lógica conservadora.

Essa por exemplo: dar a Moro o que é de Moro; e devolver à sociedade brasileira a prerrogativa de organizar o seu desenvolvimento, recapacitar suas empreiteiras, resgatar projetos estratégicos, descongestionar o futuro, o investimento, o emprego e a renda.

‘Não, não, não , isso não pode, é pênalti’, apita o bandeirinha José Serra.

Do camarote cativo que lhe concede o jornalismo isento, o tucano crocita como se fora ave de outra cepa.

Não há esperança, insiste, os dedos longos estendidos como bisturis a lancetar o futuro.

‘No governo Jango, o Brasil ao menos estava dividido’, recorda, testemunha ocular daquele golpe.

‘Hoje a rejeição é total’, constata agora do outro lado da mesa, onde passou a ocupar o papel de embaixador da Chevron nesse tratado de Viena em gestação, no qual preconiza transformar poços do pré-sal em reparações de guerra servidas aos mercados.


Quando? Assim que a saturação do 'consenso' virar outra coisa.


Talvez aquela que os editoriais de março de 1964 exprimiam em garrafais exclamativas, do tipo ’Basta!’; ‘Fora!’


Serra viveu aquilo; ele sabe que consensos são construções transitórias.


Não raro postiças.

Caso da rendição incondicional que se exige hoje da sociedade, em agendas que magnificam os desafios da nação para desmantelá-la.

Os imperativos de ontem, assim como os ajustes e hoje, viram fumaça porém quando o futuro ganha a largueza de uma outra lógica, que redefine a correlação de forças e a alocação dos recursos, pavimenta pactos e linhas de passagem para destravar o desenvolvimento.

O economicismo veta (‘não, não há saída antes de piorar’).

Mas o economicismo é a soberba da razão e não o motor da história.

Política é economia concentrada.

Os exclamativos alardeados em 1964 demonizavam os conflitos do desenvolvimento como ameaças à democracia.

Dados coletados pelo Ibope então mas não divulgados (e hoje armazenados na Unicamp), mostravam uma realidade distinta da ira consensual sentenciada pelas aves de agouro da época.

Nos dias 20 e 30 de março de 1964, quando a democracia já era tangida ao matadouro pelos seus paladinos, pesquisadores constatavam nas ruas que 59% dos brasileiros apoiavam as medidas anunciadas pelo Presidente João Goulart para enfrentar a crise.

Uma parte delas seria oficializada na famosa sexta-feira, 13 de março.

Em comício na Central do Brasil, ‘Jango’ assinaria então vários decretos que expropriavam terras às margens das rodovias para a reforma agrária, nacionalizavam refinarias, sinalizavam a reforma urbana, fiscal e educacional.

Tudo o que era demonizado pelo jogral golpista como se fora a voz da sociedade era apoiado pela parcela majoritária da população.

Estamos falando de 1964 ou de 2015?

Dos dois.

Um aparato midiático interliga os calendários com a mesma determinação de ocultar elementos da encruzilhada econômica, exacerbar adversidades, manipular o debate e interditar as reformas requeridas nas transições de ciclo de desenvolvimento.

Foi assim que se modelou a opinião pública para o golpe em 64, mesmo contra o discernimento majoritário da população sobre as ‘reformas de base’.

O martelete da corrupção e do comunismo imobilizou esse discernimento.

Em grande medida foi assim também que se logrou convencer o governo reeleito em 2014 de que nada mais restava do que renunciar ao seu programa para adotar o do adversário.

Caso contrário, um meteoro atingiria o país para desintegrá-lo.

Um pouco como a fatalidade crocitada por Serra, que não informa o que nos reserva o day after de seu vaticínio.

Mas há pistas.

Siga o dinheiro.

Ou as entrevistas do ex-presidente do BC, no governo Fernando Henrique Cardoso, Armínio Fraga

Cogitado para comandar a economia em qualquer governo conservador, sua receita –reiterada no Valor, na semana passada, é tão peremptória quanto os imperativos de 64.

O país precisa de uma faxina econômica – ‘como a que fizemos em 1999’, diz ele.

O que eles fizeram em 1999?

Lançaram as fundações daquilo que debitam agora exclusivamente à lista de pecados de Lula e Dilma.

Valorizaram a moeda artificialmente para criar a pretensa bonança do Real forte, com base em importações baratas.

Essa foi a pré-compra da reeleição.

Perto disso, os R$ 200 mil do deputado Ronivon foi troco de pinga.

A desindustrialização alçou voo aí para não mais aterrissar.

A decolagem abriu um buraco nas contas externas equivalente a 4,3% do PIB no ano seguinte ao da reeleição.

A purga veio na forma de uma maxidesvalorização que se pretendia ‘controlada´ em 8%.

Isso era o que se dizia em 1º de janeiro de 1999.

No dia 29 ela já havia batido em 60% (fatiando assim o poder de compra da famílias assalariadas).

A taxa de juro foi calibrada então para segurar o rebote dos preços desprovidos da âncora dos importados.

Armínio deu ao mercado financeiro local e global uma Selic real (acima da inflação) de 22% . Hoje está perto de 8% e Serra, distraído, diz que isso é uma calamidade.

É mesmo, mas o passado a relativiza.

O salário mínimo (ajustado p/ efeito de comparação aos preços de 2011) despencaria de R$ 414 reais em 1990 para R$ 287 reais após a purga.

Juros em alta, dívida pública em escalada sideral, salários pelo ralo.

Foi isso que ‘fizemos’ em 1999.

O país só escapou do precipício porque havia um vento à favor no mercado mundial.

O dólar forte levaria os EUA às compras; a fome chinesa por commodities ganhava corpo; os saldos comerciais incentivariam a América Latina a importar manufaturados do Brasil.

Esse mundo acabou.

E o que começou será fortemente modelado por aquilo que a China anuncia como sendo o seu ‘novo normal’.

A saber: esgotamento do ciclo puxado por taxas de investimento de 45% do PIB (Brasil, 17,5%) e menor demanda por matérias primas.

Não só.

A transição chinesa vem se fundir à longa convalescença da desordem neoliberal inaugurada em 2008 e sem prazo para acabar.

Os impactos já são palpáveis.

A anemia do comércio mundial emparedou as economias emergentes, tirou o canal de recuperação da Europa e rebateu nas vendas da China.

A resposta de Pequim adicionou lava vulcânica à fervura com uma desvalorização cambial que pode contagiar o mundo.

Só na semana passada, o rublo sofreu uma depreciação de 5,3%; o peso colombiano, de 4,1%, o peso mexicano, 3,2% e a lira turca, quase 3%.

Em contrapartida, o dólar valorizado derrubou as exportações norte-americanas em quase 3% no 1ºsemestre.

E as importações não escaparam de uma retração de 2,2% evidenciando (ademais do fator petróleo) o calcanhar de Aquiles que impede Obama de ser um Roosevelt : a corrosão estrutural do poder de compra das famílias assalariadas e da classe média antes afluente.

O maior mercado capitalista do planeta arfa com os pulmões do consumo comprometidos.

Obama paga a fatura de quatro décadas de ventos neoliberais em que a pujança econômica se dissociou da oferta de empregos de qualidade, realocados com a indústria para o desfrute dos custos asiáticos.

No momento em que o dínamo chinês patina, o mundo percebe as estreitas interações do metabolismo capitalista, agora desprovido de qualquer ponto de apoio dinâmico.

Tudo o que é sólido se desmancha no ar.

Na semana passada, a indústria chinesa crescia ao ritmo mais baixo desde 2009; a dos EUA, no mais baixo dos últimos dois anos.

A correia sino-americana que puxava o mundo travou.

Entre 15% e 20% do faturamento global das múltis dos EUA ocorrem na China (e Japão). Se essa endogamia entra em litígio, o que sobra?

O 'novo normal'.

A China cresce menos, o comércio global encolhe, os EUA patinam , a Europa desidrata, o mundo emergente regride e a guerra cambial se impõe.

Pergunta aos Armínios e Levys:

--Esse miserável mundo novo recomenda a adoção de uma ajuste baseado em arrocho fiscal, esfarelamento do poder de compra interno, desemprego, juros recessivos e retração do investimento público?

Como ‘fizemos’ em 1999?

E se não der certo agora no mundo contraído de 2015?

Como de fato já não deu o lacto purga de Levy. Esse que acentuou a recessão, elevou a inflação, derrubou a receita fiscal e vitaminou o déficit público que se pretendia reduzir.

Arroche-se ainda mais –‘como fizemos em 1999’, insiste o perseverante Armínio no seu parlatório no Valor.

Até?

Até emergir o milagre da contração expansiva. Essa fé ortodoxa na ressurreição que sanciona catástrofes sociais e humanas em nome de um equilíbrio endógeno que o capitalismo simplesmente não pode satisfazer.

Há oito anos a população grega espera pelo milagre. Seu metabolismo econômico e social em carne viva suporta a salmoura de ajustes sucessivos.

Igual terapêutica prescreve-se agora para uma economia brasileira pecadora, ‘envenenada’ pela criação ‘voluntarista’ –dizem FHC, Armínio, Aécio e assemelhados...-- de 20 milhões de empregos em 12 anos, ademais das pressões de um mercado de massa de 100 milhões de pessoas.

Esse Brasil não cabe no orçamento.

É o que sibila o cerco à Constituição de 1988.

O recado que unifica as redações mostra que o tanquinho de areia de Kim Catupiry é coisa séria: despesas obrigatórias consagradas pela Carta Cidadã proclamada pelo digno brasileiro Ulysses Guimarães estão na alça de mira de uma curetagem conservadora

Com que finalidade?

‘Transformar direitos universais em serviços pagos’, adverte a professora Marilena Chauí em suas aulas públicas.

Ou para dizer a mesma coisa em uma chave política: abortar exemplarmente a ousadia de se construir uma democracia social na sétima maior economia do planeta e principal referência da luta pelo desenvolvimento, depois da China.

Passados seis meses da festejada terapia, impôs-se ao governo, felizmente, a constatação de que o aperto no crédito e no investimento –com corte de gastos e elevação de juros, jogou a economia num buraco mais fundo do que já se encontrava.

O fracasso favorece a retificação de curso?

Em parte sim

Mas o país só se libertará da lógica conservadora, de fato, se as fileiras progressistas conseguirem superar sectarismos e hesitações para promover uma verdadeira repactuação democrática do futuro brasileiro.

Não se trata de um jogo do tipo o vencedor leva tudo.

É uma negociação.

Implica desenhar linhas de passagem ordenadas por metas, concessões, salvaguardas e escalonamentos de perdas e ganhos.

As opções são duas: crise permanente à moda grega; ou o desassombro de politizar as escolhas do desenvolvimento.

A pá de cal jogada por Serra não é uma fatalidade, mas um ingrediente do acirramento da luta de classes.

Na margem do rio em que ele se encontra interessa dizer, à moda Thatcher, ‘there is no alternative’.

Há. Mas precisa ser pavimentada com a construção dos sujeitos dotados de força e consentimento para renegociar alternativas.


Erra o tucano ao não conceder à Presidenta Dilma uma base de apoio histórica.


Ela existe, objetivamente; mas aguarda a agenda que lhe dará a identidade subjetiva que a ação política requer.


O colapso da receita ortodoxa abre a oportunidade para esse resgate.

Precisa ser acionado, porém, antes que o país, seu povo e o desenvolvimento sejam mastigados pelo miserável mundo novo esboçado no novo normal do capitalismo.

Passa da hora de uma agenda que fale ao futuro de toda a sociedade.
Que dê a Moro o que é de Moro.

E à democracia a prerrogativa de contrapor o investimento à ruína.

Devolver à sociedade o comando do seu destino era como Celso Furtado definia a essência do desenvolvimento.

É preciso ir à essência para escapar aos coveiros que recusam ao Brasil outro destino que não o cemitério das nações.