Mostrando postagens com marcador Medicina. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Medicina. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

O que ela disse que pudesse ofender alguém?


Por que xingam Ana Luiza?




12 de agosto de 2015 | 10:50 
Autor: Fernando Brito



Ana Luiza é quase uma menina, como se pode ver na imagem.

Quase, porque é uma mulher e vai ser uma médica de verdade, não uma comerciante da saúde.

Ela fez, no aniversário do Programa Mais Médicos, um discurso de agradecimento pela instalação de um curso de medicina em sua cidade: Caicó, no sertão do Rio Grande do Norte.

E curso pra lá de concorrido: foi, na primeira parcial do Sisu este ano, a escola de medicina com a maior nota de corte: 868,98.

Lá, ela está no segundo ano de medicina.

O que ela disse que pudesse ofender alguém?

Falou que uma neta de agricultores, como ela, agora pode realizar o sonho de estudar medicina.

Que pode fazer algo de bom por sua comunidade.

Que tem orgulho do que faz.

Por isso, Ana foi pessoal e violentamente agredida em mensagens do Facebook, onde ela narrou, num desabafo:

“Fui atacada em minha página pessoal brutalmente por MÉDICOS E FUTUROS MÉDICOS, além de outras pessoas. O machismo e a elite mostraram sua cara. Fui chamada de vadia, de MÉDICA VAGABUNDA DE POBRE, ignorante, não merecedora de cursar medicina. Me foi dito que iam fazer de TUDO pra que eu não conseguisse emprego depois de formada. De que eu não sabia com QUEM estava lidando. Que eu merecia LEVAR UMA SURRA pra aprender a deixar de ser corrupta. Me mandaram CALAR MINHA BOCA NOJENTA DE POBRE E DE VADIA.”.

Depois, por conta de gente capaz de dizer isso a uma menina do interior que sonhou com a profissão e caminha para ela, a categoria médica não quer que surjam situações como a publicada ontem pelo UOL, que registra uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais apontando que “Em dois anos, cubanos ganham preferência a médicos brasileiros“.

E na injustiça que isso representa com milhares de médicos brasileiros que merecem este nome, como o meu querido José Carlos, que, quando médico do Hospital da Posse, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, desabafou comigo que tinha colegas que sentiam “nojo do paciente”. Ou com a Dra. Diane, que nem desconfia que sou blogueiro ou que fui do Governo e tem a delicadeza de me levar até a porta do consultório do posto de saúde – a mim e a todos – perdido na beira de uma lagoa.

Ana Luiza é quase uma menina, mas não precisa de defesa de ninguém, porque sabe se defender.

Sabe que é inútil falar ao ódio e o melhor que podemos pretender é que o ódio se cale, desmoralizado, e vá minguando, como deve ser, para minúscula condição dos vícios humanos, contra os quais a gente tem de se vacinar todos os dias.

Assim como fez a Ana:

Minhas palavras foram pros profissionais de saúde que dão o sangue todo dia, mesmo com condições péssimas de trabalho, com salários atrasados, numa saúde abandonada e caótica. Eles sim, são verdadeiros heróis.Minhas palavras foram direcionadas àqueles que acreditam e lutam por um mundo transformado a partir da educação e do amor. Minhas palavras foram um agradecimento aos professores, a classe Trabalhadora com T maiúsculo!! Que têm seu serviço desvalorizado ao máximo, mas toma a linha de frente na luta pela transformação diária do futuro de milhões de jovens sem oportunidade no país.










terça-feira, 30 de junho de 2015

Esses Cubanos...


Cuba: transmissão zero de HIV de mãe para filhos. Estes escravos….




30 de junho de 2015
Autor: Fernando Brito







Cerca de 1,4 milhão de mulheres portadoras de HIV engravidam anualmente no mundo. Elas geraram 230 mil crianças contaminadas pelo vírus, nenhuma delas em Cuba.

Diz a OMS que a chance de uma mulher transmitir o vírus para seus filhos durante a gravidez, o parto ou a amamentação vai de 15% a 45%, dependendo do caso. Mas, com assistência contínua e remédios adequados, o perigo baixa a 1%.

Gostando ou não do regime cubano, é terrível que se queira fazer política desqualificando conquistas como esta, ainda mais pela sanidade que ela representa para crianças em gestação ou recém-nascidas.

Ninguém nega que Cuba é um país pobre e que, como qualquer país pobre, tem recursos escassos para a saúde. Mas nem tão escassos e tão bem utilizados que são capazes de uma conquista pioneira como esta.

Ficamos discutindo se eles têm medicina de alta tecnologia – e até sofrem dificuldades nisso por não poderem contar com equipamentos e tecnologias norte-americanas, por conta do incompreensível bloqueio americanoe deixamos de lado o que pode ser feito com os recursos disponíveis e é feito, com a dedicação de seus médicos.

Os mesmo que aqui uns imbecis foram vaiar, chamando de “escravos”.

A melhor resposta está aí, na certificação mundial como primeiro país a abolir esta tragédia para os bebês.

Que não importa a cor que tenham ou de onde sejam, são as coisas mais preciosas da Terra.

sábado, 16 de maio de 2015

Quando observamos ser o homem o lobo do homem


A Era dos Imbecis






16 de maio de 2015
Autor: Fernando Brito






Comecei a escrever este post na terça-feira, mas achei que era exagerado ficar contando experiências pessoais, mais do que tenho revelado aqui meus problemas de saúde.

Mas agora, depois da agressão estúpida e vaidosa de uma própria ignorância feita por um executivo palerma – certamente titular de um bom plano de saúde, devidamente abatido do IR, isto é, do Estado – contra o ex-ministro Alexandre Padilha num restaurante paulista, por causa do “Mais Médicos” que resolvi contar duas histórias. A minha e a de meu velho professor Nílson Lage, que a publicou no seu Facebook, fonte permanente de pautas e inspiração deste blog.

Segunda, fui fazer exames no Instituto de Cardiologia de Laranjeiras, vários deles, a começar por uma coleta de sangue, para a qual cheguei às 7:30 h.

Peguei a senha de número 76 e sentei-me do lado de duas senhoras, ambas muito longe da condição de miseráveis, uma delas com o número 61 (o da outra não pude observar). E tome de ouvir que aquilo era uma esculhambação, que a fila era imensa, etc, etc.

Clientela cerca de 50% de classe média, como eu.

Bom, meu sangue foi colhido às 9h, uma espera que foi menor do que aquelas que, muitas vezes, tive em laboratórios privados. Depois, esperei mais meia hora por um eletro e coisa de uma hora ou pouco mais para dois “doppler”, coronárias, aorta e carótidas”.

Às 13:30 estava fora do do hospital, depois de em todas as salas de espera e de ouvir impropérios mil contra o “nove dedos”. Assim mesmo, vindo de gente que não era miserável nem estava sendo exposta a sofrimentos.

Como ouvi no final de semana que passei, quase todo, na Unidade de Emergência Mário Monteiro, em Piratininga, tomando insulina, subcutânea e no soro.

Ontem à tarde, de volta a Niterói, fui ao modestíssimo Posto de Saúde do Tibau,na ligação entre a Lagoa de Piratininga, por onde se chega por uma ponte que nem suporta caminhões, marcar uma consulta para encaminhamento a um endocrinologista. Uma ida, como se depreende, sem marcação nem “peixada”, embora eu tenha visto por ali um simpático e simples restaurante de peixe, pois o Tibau pouco mais é que uma vila de pescadores. E a consulta foi marcada para segunda-feira, às sete da manhã.

Claro que há milhares de situações dramáticas e indignas no atendimento da saúde pública. Muito, muito mesmo, é precário e insuficiente, mas não há como comparar com o dantesco que não faz muito vivemos.

Mas todos nós, de alguma forma, as aceitamos como panorama universal da saúde pública, com a cabeça feita pelo mundo-cão com que estes casos não amplificados pela mídia, com a prazerosa cumplicidade daquela parte da corporação médica que bem se representa no high-society.

Já em outro lugar “bem”, Florianópolis, Nilson Lage, de 80 anos, narra:


“Ontem passei mal, com uma gripe braba que ganhou contornos mais sérios tanto pela idade quanto pelo DPOC – trocando em miúdos, o antigo e superado (no nome) enfisema; essa doença o rapaz aqui adquiriu com o vício do cigarro, que era hábito elegante, promovido pelas estrelas de cinema, objeto ritual de profissões tensas como jornalismo ou medicina, derivativo ou calmante oferecido até, em caixinhas de dois, aos passageiros de avião para superar a tensão das “zonas de instabilidade”..
Quado a febre bateu nos 38 e meio e a respiração ficou insuportavelmente ofegante, às nove da noite de um sábado espremido entre feriados, fui à Unidade de Pronto Atendimento do bairro. Na UPA, colheram sangue para o hemograma completo, marcaram o raios-X para o dia seguinte, deram-me oxigênio, hidrocortisona na veia, antibiótico (indicado excepcionalmente em portadores de DPOC para prevenir a provável pneumonia bacteriana oportunista) e me puseram em repouso, ligado aos equipamentos e monitorado por três horas, até que a médica – uma jovem doutora muito gentil – me liberou com as recomendações de praxe e indicação para retorno. Tudo conforme o protocolo.
Pelas outras macas passaram um rapaz acidentado que foi porteiro no condomínio em que moro e uma dona de casa com hérnias de disco que esperava cirurgia e estava em crise dolorosa;
Deitado, melhorando, tive tempo bastante para lembrar como era há pouco mais de dez anos quando acontecia algo assim: a distância, a espera, os ambulatórios de hospitais públicos mais entupidos de gente do que as rodoviárias; e a medicina-negócio que prosperava no marketing do desespero oferecendo serviço vagabundo (nunca vi cumprirem integralmente um protocolo desses. a não ser em clínicas muito caras, e testemunhei outras tantas vezes o atendimento de casos graves por auxiliares de enfermagem e estudantes de medicina em início de curso, principalmente nos fins de semana) – tudo pago, no sufoco, Deus sabe como, por quem podia.

Fico pensando: como se pode odiar, assim, de graça, alguém que fez esta e outras coisas boas; ou ter saudade do governo infame e cínico de Fernando Henrique Cardoso, que fazia praça da liquidação dos serviços públicos, da invasão por vendilhões dos templos onde os homens buscam seus direitos e adquirem fé na humanidade? Em nome de que ambição, que ideologia, que princípios que não a lei do mais forte, a crença apaixonada na guerra de todos contra todos (bellum omnia omnes) descrita no Leviatã, sem sequer o poder inibidor das maldades humanas previsto por Hobbes?"



O poder inibidor das maldades humanas de Hobbes era (ou é) o Estado e seus aparelhos, ideológicos e repressivos, como a mídia e a Justiça.

Que, no Brasil, tornaram-se estimuladores diários do bellum omnia omnes, que gerou a famosa frase que afirma ser o homem o lobo do homem.

Sem um contraponto como, porque a intelectualidade entregou-se às minudências do politicamente correto, da filosofia do “direito do consumidor” e do relativismo (paradoxalmente) “absoluto” e de um Governo que não polemiza, não reage, não proclama princípios e regras, chegamos a este ponto.

Espalha-se, pela sociedade, a ideia de que é com brutalidade que se resolve a vida: desde a prisão sem fundamento e razoabilidade, a redução da maioridade penal como remédio e o portar armas como sinônimo de “paz”.

Parece que ingressamos na Era dos Imbecis.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

a medicina “de mercado” dá muito dinheiro


Tudo é negócio na Saúde. Não só a carne; agora, também o osso




16 de janeiro de 2015 | 19:26 
Autor: Fernando Brito






Seus ossos do braço valem entre R$ 2.500 e R$10.ooo.

O mesmo que o crânio ou uma vértebra do pescoço.

Já os da mão ou do pé, de R$ 500 a R$ 2.000, valor igual ao de cada costela.

Não sou eu quem diz, mas a “Tabela de Fratura Óssea” do Banco Itaú.

Ela acompanha o plano de “Seguro de ossos protegidos” que o banco dos Setúbal está vendendo a clientes e não-clientes.

Mais uma criativa invenção do sistema de mercantilização da saúde.

Não apenas um seguro de vida ou de invalidez, compreensível para quem tem filhos pequenos e teme o desamparo.

Ou um seguro de acidentes pessoais, para cobrir os gastos de tratamentos médicos.

Não, é um “vale-fratura”.

Cômico, aliás, se não fosse mórbido, o “perguntas e respostas” que acompanha a propaganda:

Contratei o plano Completo e fraturei três dedos do pé. Qual o valor da indenização que vou receber?
A indenização será de R$4.500,00, pois cada dedo do pé possui indenização de R$1.500 no plano Completo.

Contratei o plano Essencial e fraturei todos os dedos da mão. Qual o valor da indenização que vou receber?
A indenização será de R$5.000,00 pois cada dedo da mão possui indenização de R$1.000,00 e o valor contratado máximo do plano Essencial é de R$5.000,00.

Contratei o plano Super e fraturei o crânio, a costela e todos os dedos da mão. Qual o valor da indenização que vou receber?
A indenização será de R$10.000,00

Ainda bem que isso não é para os pobres, mas para a classe média a quem fizeram a entender que saúde é uma mercadoria.

Porque senão iam dizer que os pobres estaria martelando os dedos só para receber o seguro, como dizem do Bolsa-Família.

Mas como é negócio, é só uma “oportunidade” oferecida pela “livre iniciativa”.

Para a qual vamos caminhando aqui, com a “demonização” do SUS, do qual tiram o dinheiro e a credibilidade e com a transformação da atividade médica apenas num lucrativo negócio pessoal e empresarial, sem aquela ideia “comunista” de que todas as pessoas têm igual direito à saúde, possa ou não pagar por ele.

Saúde é para quem pode pagar, como registrou há poucos dias o jornal inglês The Guardian, numa reportagem sobre os britânicos que não trabalhar nos EUA e descobre que a única forma de enfrentar problemas de saúde é tomar um avião de volta para sua terra, onde o National Health System torna pública, essencialmente, toda a atividade de saúde no Reino Unido.

Há um trecho particularmente curioso na matéria, o que descreve a visão da “liberdade de escolha” em algo que todos deveriam oferecer com a mesma qualidade:

“Onde os americanos dizem ” eu quero escolher o meu médico,” os ingleses perguntam: “por que diabos você quer escolher um médico?”

Normal o que dizem os americanos?

Como, se um dedo quebrado ou uma pneumonia devem ser curados com a mesma competência seja o médico o Doctor John ou o Doctor James?



Porque essa é a medicina “de mercado” e dá muito dinheiro.

As 125 maiores seguradoras de saúde dos EUA arrecadaram US $ 744 bilhões em 2013.

O mesmo que o PIB o equivalente ao 15° PIB do mundo.

Quanto vai se tomar aqui da classe média segurando os nossos pobres ossinhos?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

uma certa elasticidade ética


A saúde, a saúva e a virtude





Em 2013, o dobro do valor do execrado 'Mais Médicos' foi gasto em próteses fraudadas, mas quanto a este escândalo as associações de médicos se calam.


por: Saul Leblon









Nenhuma outra corporação profissional se destacou tanto na guerra aberta à reeleição da Presidente Dilma quando a do jaleco branco.

O pleito foi o ápice de uma espiral de colisões iniciada em 2013, quando as entidades médicas alinharam-se ao conservadorismo mais feroz na oposição ao programa ‘Mais Médicos’.

Classificada como uma fraude, a iniciativa federal de levar cerca de 5,5 mil profissionais cubanos a rincões não cogitados por médicos brasileiros mereceu do Cremesp, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, a seguinte nota, em maio de 2014: ‘Tomaremos iniciativas políticas e eventuais medidas judiciais para impedir essa afronta à saúde da população e à dignidade da medicina brasileira’.

Em outubro, dez dias antes do pleito, a Associação Médica Brasileira (ABM) lançaria um manifesto conclamando os associados a eleger Aécio.

‘Urge mudarmos estas mazelas e descasos, frutos de um ideário político-partidário que nunca teve, na sua essência, a legítima e real preocupação com a saúde no Brasil (...) precisamos retirar do poder aqueles que não se preocuparam com os anseios e necessidades da população, em prol da saúde brasileira. Conclamamos todos a votar em Aécio Neves’, finalizava a nota.

Passados pouco mais de dois meses, uma reportagem do Fantástico, veiculada pela Globo, no último domingo, mostrou bastidores de um, aí sim, gigantesco esquema de mazelas; um assalto aos cofres do SUS, o Sistema Único de Saúde, que carrega no nome a promessa de uma equidade ainda distante.

Os protagonistas dessa sucção ‘não se preocuparam’ -- para emprestar os termos da Associação Médica Brasileira -- ‘com os anseios e necessidades da população, em prol da saúde brasileira’.

Não há leviandade em cogitar – aliás existem evidências -- de que muitos deles atenderam ao apelo cívico-eleitoral lançado pela associação de classe, em outubro passado.

A expressão ‘máfia da prótese’ chega à suave no caso.

Ela condensa a ação de uma quadrilha integrada por profissionais da medicina, advogados e fornecedores de próteses.

A mecânica do golpe, que pode envolver dezenas de milhões de reais, apoia-se em uma triangulação.

O paciente que espera pelo implante na fila do SUS – de cuja receita foram decepados R$ 40 bilhões por ano com a extinção da CPMF, em 2006, sem protesto da AMB --, é orientado por médicos que fazem a ponte com advogados e escritórios encarregados de processar o governo.

A engrenagem se move para exigir o pagamento da prótese e da cirurgia feita em regime privado.

Invariavelmente, a conta apresentada ao SUS é dezenas, às vezes milhares de vezes, superfaturada.

Tornar o assalto excepcionalmente lucrativo é um requisito de sobrevivência da cadeia alimentar.

Pra isso, médicos, advogados e indústria fazem gato e sapato no percurso entre o diagnóstico verdadeiro, a versão cobrada do SUS e aquilo que, de fato, é executado na sala de cirurgia.

Ainda não há números redondos do cambalacho.

Mas há evidências.

Um levantamento do governo constatou que em apenas seis anos, entre 2005 a 2011, os gastos do SUS com o cumprimento de sentenças judiciais cresceram 100 vezes no Brasil.

Passaram de R$ 2,5 milhões para R$ 266 milhões em 2011.

Só em 2013, mais de R$ 1,2 bilhão foram pagos em despesas com próteses em geral.

O valor é o dobro do gasto com o execrado ‘Mais Médicos’ no mesmo período.

E não fica tão abaixo do auge atingido pelo orçamento do programa, que no ano passado atingiu R$ 1,9 bilhão.

As diferenças de custo/benefício é que são expressivas.

O recurso investido predominantemente na contratação de médicos cubanos viabiliza hoje o atendimento de 50 milhões de brasileiros antes desassistidos.

Em contrapartida, mais de 80% dos gastos com implantes de próteses feitos em 2013, nos 60 maiores hospitais privados do país, destinaram-se ao circuito da fraude que vai da prescrição à venda, muitas vezes desnecessária, desses produtos.

Outra diferença não menos notável: a indignação ‘ética’ das entidades de classe contra a parceria com ‘cubanos’ não se repetiu no presente escândalo.

A negligencia, infelizmente, talvez encerre algo mais que o mero descuido.

E esse é o ponto a reter.

A recorrência dos escândalos médicos e o seu baixo impacto corporativo, comparado à animosidade engajada contra o ‘Mais Médicos’, evidencia a existência de profundas distorções no ambiente médico do país.

Desde a formação do estudante, passando pela cultura da profissão e a ênfase das representações de classe, o profissional brasileiro enxerga-se cada vez mais como um apêndice do mercado e dos interesses da indústria, e cada vez menos como um sujeito comprometido com a dignidade da saúde pública.

Decorre daí uma certa elasticidade ética.

Ela torna o juramento de Hipócrates por estas plagas cada vez mais complacente com o intercurso entre o consultório, a indústria da saúde, o receituário e o lucro a qualquer preço.

Em contrapartida, mostra-se cada vez menos permeável à natureza social de programas e agendas como o ‘Mais Médicos’.

E de seu corolário: a luta pelo financiamento de um sistema único de saúde digno e eficiente em todo o país (leia análise do ex-ministro Alexandre Padilha sobre as opções ao sub-financiamento do sistema público de saúde brasileiro).

A reportagem do Fantástico mostrou que o intercurso entre um médico e o esquema da máfia das próteses poderia render até R$ 100 mil ao profissional.

Não é um ponto fora da curva.

Cruzeiros, resorts e passeios ao exterior com os quais os médicos campeões em receitar determinados medicamentos são brindados pelos fabricantes não ficam muito atrás nessa gincana de cifrões que intoxica toda a área da saúde.

Nos EUA, as gigantes do setor farmacêutico gastam cerca de US$ 58 bilhões em marketing (o dado, subestimado, é de 2004).

Quase 90% desse total ruma diretamente para o bolso de quem tem o poder de prescrever medicamentos.

É uma espécie de captura da prerrogativa médica pelo mercado.

Mas esse sequestro ético parece mais palatável às entidades de classe brasileira, que o desembarque solidário de doutores cubanos no país.

A interatividade entre o jaleco e o lucro corporativo chegou a tal ponto que uma legislação mitigatória entrou em vigor nos EUA, no ano passado.

Ela obriga empresas farmacêuticas a relacionar em um site oficial os médicos que aceitaram pagamentos ou presentes de valor superior a US$ 10, bem como as quantidades exatas pagas a cada um e a sua alegada finalidade.

Eis uma boa ferramenta ética que a operosa Associação Médica Brasileira poderia abraçar.

Na verdade, o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), já fizeram uma tentativa nesse sentido.

Brindes e presentes, por exemplo, deveriam estar relacionados à prática médica efetiva; seu valor não poderia exceder a um terço do salário mínimo em vigor no país.

Como explicar, então, a persistente e generosa lubrificação de dermatologistas, por exemplo, com cataratas de viagens, cruzeiros e outros mimos de custo dezenas de vezes mais elevado?

Existem outras normas supostamente em vigor, com efeitos prático idênticos.

Um artigo no novo Código de Ética Médica, uma resolução da Anvisa e um "código de condutas" da associação das indústrias buscam coibir a simbiose entre a saúde e a saúva.

Por que, então, a correição persiste?

Sem a transparência pública e a penalização determinada pelo Estado, a conveniência entre o lucro e o bolso parece dar força ao sauveiro.

Recentemente, a indústria farmacêutica norte-americana foi proibida de promover palestras em um dos maiores congressos médicos do mundo, o da American Heart Association.

A decisão partiu de um órgão do sistema nacional de saúde dos EUA (INH), que credencia cursos de educação continuada.

No Brasil, calcula-se que mais de 60% dos cursos livres e congressos médicos são bancados pela indústria farmacêutica e de equipamentos.

Sem isso, alegam entidades médicas, o evento seria inviável.

Uma pergunta: qual é, afinal, a grande diferença entre médicos e/ou entidades bancados por uma grande farmacêutica, e políticos e/ou partidos sustentados por uma empreiteira?

Há aí uma cultura precisa ser quebrada.

E ela está arraigada no ambiente médico.

Pesquisa feita pelo Datafolha em 2010, em parceria com o Cremesp, ouviu 600 médicos em um universo de mais de 100 mil profissionais em atividade então no Estado de São Paulo.

Não há razões para supor que o quadro evoluiu para melhor.

Desse total, 80% admitiram receber, em média, oito visitas de propagandistas de medicamentos por mês.

Pior: 93% afirmaram ter recebido, nos últimos 12 meses, produtos, benefícios ou pequenos pagamentos da indústria.

Quase 40% admitiram ter recebido presentes de maior valor, desde cursos a viagens para ‘congressos internacionais’.

Quase metade, 48%, afirmou receitar o que o fabricante indica.

E o escárnio supremo: há indícios de que a fidelidade desse matrimônio é vigiada pelo dono do dinheiro.

Em 2005, uma reportagem da ‘Folha de São Paulo’ revelou que, em troca de brindes ou dinheiro, farmácias e drogarias brasileiras auxiliavam a indústria de remédios a vigiar as receitas prescritas por médicos.

Com acesso ao receituário, representantes dos laboratórios pressionavam os profissionais a indicar seus produtos e os recompensavam por isso.

A marcação corpo a corpo se inspira em valores elevados.

O Brasil é um dos maiores mercados farmacêuticos do mundo, crescendo a taxas chinesas de 10%, em média, nos últimos anos.

Com a elevação da renda e do salário mínimo, 54% da população consome medicamentos regularmente.

O faturamento do setor em 2013 foi de R$ 55 bilhões.

É muito dinheiro em uma área vital para que seja manejado sem a salvaguarda do interesse coletivo.

Não se trata de duvidar do caráter do médico brasileiro.

Entre a saúde e a saúva, a chance da virtude está nas instituições, não nas metas de lucro corporativo ou na fraqueza humana diante de cruzeiros gratuitos pela Europa e o Caribe.

Há que ser duro, sem perder a ternura, disse um precursor dos cubanos do Mais Médicos.

A verdade é que a medicina praticada hoje no Brasil repousa, predominantemente, nas mãos de uma classe média desprovida de discernimento sobre o país, sobre o mundo que a cerca e as urgências da sociedade que lhe custeou o estudo.

Daí a naturalidade com que se endossa – com dignas exceções - a sabotagem à assistência emergencial do Mais Médicos; e a cara de paisagem exibida diante de um escândalo como o da máfia da prótese.

Pior que isso.

Entre indignado e estupefato, o conservadorismo de jaleco branco recusa a possibilidade da existência de outra referência de exercício da medicina que não a dos valores argentários.

Solidariedade, internacionalismo e fraternidade formam uma constelação incompreensível a quem divide o mundo entre consumidores e escravos.

Felizmente, nem os médicos do Caribe nascem bonzinhos, nem a mentalidade da máfia da prótese se reproduz por geração espontânea.

Ambos são fruto de instituições. A ponto de um não achar estranho sair de seu país para ajudar uma outra nação.

E o outro não hesitar em sangrar recursos públicos escassos de sua própria nação, que podem fazer a diferença entre a vida e a morte na fila da saúde pública.

Esse talvez seja o aspecto mais chocante do escândalo médico da vez.

E, sobretudo, o mais instrutivo, para quem quiser enxergar a real abrangência dos desafios financeiros e educacionais que ele propõe.

A ver.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Saúde da criança os resultados mais marcantes


“Crítica ao Mais Médicos é preconceito corporativo”, diz secretária de Saúde de Corumbá


SEG, 08/09/2014 - 11:49
ATUALIZADO EM 09/09/2014 - 12:34




Entrevista do Brasil Debate

Governada pelo PT, Corumbá, no Mato Grosso do Sul, é considerada uma referência do Programa Mais Médicos. Um ano depois da implantação do programa, o município comemora um salto qualitativo nos indicadores de saúde pública que beneficiou seus 107.347 habitantes.

O primeiro balanço do Mais Médicos realizado pela Secretaria de Saúde de Corumbá revela que a administração de medicamentos em atenção básica (por paciente) subiu mais de 400%. Já as internações motivadas por DIABETES registraram uma queda de 66%, enquanto as que tiveram como causa pressão arterial diminuíram em mais de 21%.

Outros números reveladores: nesse período, houve um aumento de 46% no número de consultas a crianças com menos de um ano, de mais de 65% nos atendimentos de pré-natal e uma queda de 25% no número de abortos espontâneos.

A secretária Dinaci Vieira Marques Ranzi conta, ainda, que, a exemplo do que aconteceu em outros municípios brasileiros, em Corumbá, o Mais Médicos foi duramente criticado pelas entidades médicas da cidade. Apesar disso, só vem ouvindo elogios por parte da população. “Com a implantação do Mais Médicos temos escutado os pacientes dizerem: ‘agora somos ouvidos, o médico me examina, toca em mim’”, diz ela.

A seguir, a entrevista concedida a Joel Santos Guimarães:


Quando o programa Mais Médicos foi lançado pela presidenta Dilma, houve uma reação corporativa das entidades médicas brasileiras, que criticaram o programa e a contratação de médicos estrangeiros, cubanos principalmente. Isso também aconteceu em Corumbá?

Sim. Eu avalio a reação corporativista como um tremendo equívoco, e tenho debatido sobre isso com os colegas médicos. Tenho 30 anos de trabalho na saúde e isso é lamentável. Digo que é por preconceito, falta de informação, prefiro pensar assim para não confrontar.

Em Corumbá, não foi diferente, mais buscamos dialogar e mostrar o porquê da necessidade do programa, e ainda sentamos com os profissionais e pactuamos a revisão do Plano de Cargos – o piso do médico que era de R$ 3.600,00 passou para R$ 5.000,00.


Antes do programa, com quantos médicos contava a rede pública de saúde de Corumbá?

Antes do Mais Médicos, a cobertura era de menos de 50% e o município tinha cinco profissionais médicos concursados para a atenção básica e os outros tinham contratos temporários e não atendiam somente na unidade de ESF (Equipe de Saúde da Família), atendiam também no SAMU e Pronto- socorro. Hoje, estamos com uma cobertura de 69,5%.

Qual era o número de consultas diárias? E o tempo de duração por consulta?

Tempos difíceis. Eram realizadas de 12 a 16 consultas em mais ou menos duas horas, não tinha atendimento todos os dias. Na média, três vezes na semana na zona rural, e distrito um dia por semana. Corumbá tem um número reduzido de médicos, para atender a rede privada e ao Sistema Único de Saúde. Ainda hoje temos dificuldade de fechar escala para o Pronto-socorro e SAMU.

Com o programa, houve alteração nesse quadro? As consultas deixaram de ser consultas relâmpago? Os pacientes têm um atendimento de melhor qualidade?

Com certeza, o atendimento da equipe agora é integral, dentro dos parâmetros preconizados. E temos escutado dos pacientes: “agora somos ouvidos, o médico me examina, toca em mim.” Importante colocar que não culpamos os profissionais brasileiros, mas a demanda é gigantesca para poucos profissionais.

Como os médicos cubanos foram recebidos pela população? Eles se adaptaram?

Os médicos foram muito bem recebidos em nosso município, tanto por nossa parte como por parte dos usuários, e a língua não tem sido um empecilho. A adaptação tem sido fantástica. Eles estão integrados, participam das atividades sociais.

Corumbá é uma referência do Mais Médicos, em todo o Brasil. Como foi possível chegar a esse patamar?

Chegamos até aqui porque, primeiramente, acreditamos no programa. E a partir daí fizemos os enfrentamentos necessários, com muito diálogo, e, principalmente, trabalhando com disciplina e envolvendo todos os profissionais na construção do SUS que dá certo.

O Mais Médicos veio complementar outros programas do município que têm por objetivo melhorar a saúde pública? Que programas sãos esses?

O programa oportuniza não somente a Corumbá, mais ao Estado de Mato Grosso do Sul, a qualificação da Atenção Básica. Hoje podemos afirmar que estamos num novo processo de rediscutir a qualificação da prevenção e promoção da saúde.

A senhora poderia contar como era a saúde pública antes do Mais Médicos e como ela é agora?

Corumbá é o quarto município em população do Estado de Mato Grosso do Sul, com 107.347 habitantes, e o primeiro em extensão territorial. Ocupa mais de 20% do Estado. Por essas dimensões, há locais no município, como distritos e assentamentos, a 70 km de distância a zona urbana, e populações ribeirinhas a quase 300 km de distância de percurso fluvial.

O município ainda ocupa a 16ª posição em IDH – Índice de desenvolvimento Humano e apresenta o terceiro lugar em participação interna bruta do Estado.

A rede pública de serviços de saúde do município, em especial relacionada à básica, possui 23 equipes de atenção básica, das quais 21 são de Equipes de Estratégia de Saúde. Antes do Mais Médicos, o município possuía 62% (número que na realidade era fictício porque o médico não estava presente todos os dias na unidade) de cobertura em atenção básica e atualmente encontra-se com 69,5% de cobertura.


Quais são os resultados do Mais Médicos no município?

A hipertensão é a segunda causa de morbidade hospitalar no município de Corumbá (Corumbá, 2013) e, ao avaliar os resultados, o Mais Médicos apresenta consideráveis avanços: hipertensos acompanhados aumentaram em quase 10%, o que significa 352 acompanhamentos a mais; portadores de DIABETES acompanhados aumentaram 17%, o que significa 187 acompanhamentos a mais.

Ou seja,hoje esses pacientes têm acompanhamento do médico no bairro – por uma equipe de Saúde da Família, em consequência, diminuiu a internação hospitalar e até casos de morte, porque sua doença tem acompanhamento rigoroso pela ESF. Com o Mais Médicos houve uma redução em mais de 66% de internações por complicações motivadas por DIABETES, e hipertensão arterial em mais de 21%.


E com relação à saúde da mulher?

Houve avanços significativos, como a expansão em mais de 16% de acompanhamento de gestantes, representando aumento de 50 consultas por mês. Os atendimentos de pré-natal elevaram-se em mais de 65%, com o aumento de 425 consultas. Importante destacar que houve uma queda de 25% no número de abortos espontâneos.

E as crianças?

Foi na área estratégica da saúde da criança que observamos os resultados mais marcantes: aumento de mais de 46% de consultas para crianças menores de um ano, representando mais de 145 consultas por mês. O mesmo se repete na faixa etária de 1 a 14 anos, com um aumento de 32% representados por mais de 325 consultas por mês. Diminuição de mais de 36% de internações por doenças do aparelho respiratório (destacamos pneumonia, asma e bronquite) em menores de um ano e com redução de 15% na faixa etária de 1 a 14 anos.

A situação dos idosos também melhorou?

Houve um aumento de mais de 33% de consultas para a população acima de 60 anos; redução da morbidade referente a doenças do aparelho circulatório em quase 8% (no caso de doenças hipertensivas em mais de 65%). Redução da morbidade referente a doenças do aparelho respiratório em 5%.

O número de consultas básicas aumentou?

Sim. Em 32%. Desde a implantação do Mais Médicos em Corumbá houve também um crescimento de mais de 13% de atendimentos domiciliares e um aumento de administração de medicamentos em atenção básica (por paciente) em mais de 400%. Importante destacar a redução de doenças infecciosas e parasitárias de mais de 22% (só diarreia e gastroenterite a redução foi de mais de 30%) e a redução de doenças do aparelho respiratório em 22,22%.

Quantos médicos fazem parte do programa? Quantos brasileiros, quantos estrangeiros e quantos cubanos?

Hoje temos três médicos brasileiros – CRM/Brasil, duas brasileiras formadas no exterior -, dois profissionais da Espanha, dois da Argentina, um venezuelano (formado em Cuba) e 15 cubanos.

Conheça a página do Brasil Debate, e siga-nos pelo Facebook e pelo Twitter.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

16 milhões de trabalhadores brasileiros escravizados que o carapááálida não enxerga porque não quer ver


Quem vê cubanos como escravos nunca se indignou com escravos de verdade



Leonardo Sakamoto


Do caso da fazenda Vale do Rio Cristalino, no Sul do Pará, que pertencia à Volkswagen, entre as décadas de 70 e 80, até a responsabilização da OAS por conta do resgate de trabalhadores em obras de ampliação do aeroporto internacional de São Paulo no passado, respeitáveis corporações foram envolvidas em denúncias relacionadas a esse crime.

Contudo, alguns dos paladinos da Justiça que agora erguem a voz contra a “escravidão'' de médicos cubanos nunca abriram a boca para dar um pio sequer de solidariedade nesses casos supracitados.

E sabe por quê? Por que não dão e nunca deram a mínima se um trabalhador escravizado vive ou morre, nos campos ou nas cidades. Querem apenas ganhar sua guerra ideológica e política particular usando as ferramentas que têm em mãos, dobrando a lei para se necessário.

Mais de 45 mil pessoas foram libertadas desde 1995 pelo governo e um número maior do que isso permaneceu nessas condições. Muitos dos que “descobriram'' a escravidão contemporânea agora irão “esquecer'' logo que o argumento não lhes for mais útil.

Ou seja, se for para atacar Cuba e, com isso, constranger o governo brasileiro vale a pena batizar qualquer coisa de trabalho escravo. Criam-se os maiores malabarismos a fim de explicar que aquilo pode se enquadrar nessa forma de exploração. Mas alguém duvida que, quando todo esse furdúnculo desaparecer, se tentarmos ampliar o conceito para beneficiar o trabalhador brasileiro com a mesma facilidade com que agora fazem, iremos ouvir que não é bem assim que as coisas funcionam?

Por exemplo, quando o ministro Joaquim Barbosa usou a teoria do domínio do fato na condenação dos envolvidos no escândalo do mensalão, houve quem avaliasse que ela poderia ser usada na responsabilização de donos de empresas que se beneficiaram de trabalho análogo ao de escravo. Afinal de contas, não importa se eles sabiam ou não. Eles deveriam saber. Mas aí veio a turma do deixa disso, informando que a ideia só valeria para a ação penal 470 mesmo. Afinal de contas, garantia da qualidade de vida dos trabalhadores do país é assunto secundário na República.

O ponto é que, nessa discussão, em verdade, Cuba não importa. Afinal, isso é uma briga entre governo, oposição e os mensageiros de ambos para ver quem vence uma guerra fria. Porque ganha-se dinheiro tanto com a ditadura cubana quanto com a chinesa. Se eles, nesse processo, se matassem de tanto gritar uns com os outros, menos mal. Tava nem aí. Contudo, é uma pena que, no caminho, criem problemas para uma política de Estado, que perpassou governos, criada por Fernando Henrique, aprimorada com Lula, mantida por Dilma. Porque ampliar loucamente o conceito significa jogar os esforços do combate à escravidão no lixo. Se tudo é escravo, nada tende a ser.

Ou, façamos um combinado: bora ampliar o conceito e considerar os médicos cubanos como escravos!

Mas quero um compromisso de que assim que o último for “libertado'', passaremos a resgatar pelo menos uns 16 milhões de trabalhadores brasileiros em fazendas, indústrias, comércio e serviços, incluindo empresas de comunicação, que estariam no escopo de uma alargamento do conceito do que seja escravidão contemporânea. Ou seja, o problema sairia da casa de dezenas de milhares para 8% do país – em estimativas conservadores de juízes e procuradores ouvidos por este blog.

Também quero o compromisso de aprovar leis que estão bloqueadas no Congresso – e ajudariam a combater esse crime – pelos mesmos parlamentares que, agora, se fantasiam de Joaquim Nabuco. Como a proposta de emenda constitucional 57A/1999, que prevê o confisco de propriedades em que esse crime for encontrado. Ou a lei que cassa o CNPJ de quem usar escravos no país. E aproveitem e coloquem mais recursos nas rubricas de fiscalização e prevenção, porque elas desidratam quando chegam na análise de parlamentares.

E, por fim, alguns políticos poderiam parar de receber doações eleitorais de quem utiliza mão de obra análoga à de escravo. Quando defendi meu doutorado sobre o tema, em 2007, a situação já era uma esbórnia, imagina agora.

Um rosário de entidades sociais têm atuado nos últimos anos para não ceder às pressões da bancada ruralista no Congresso Nacional a fim de limitar absurdamente o que significa escravidão. Mas o oposto também tem sido feito, ou seja, evita-se que tudo seja chamado de trabalho escravo.

Tive a oportunidade de ajudar a criar uma das maiores ações coletivas do setor privado no Brasil, reunindo mais de 400 empresas, 30% do PIB, para evitar que essa terrível violação dos direitos humanos contamine a nossa economia e crie problemas para as nossas exportações. Nos últimos nove anos, centenas de empresas foram treinadas para serem capazes de entender o risco do trabalho escravo em suas cadeias de valor e adotarem medidas para mitigá-lo. Ou seja, o empresariado brasileiro já está percebendo e gerenciando esses riscos, evitando a perda de dinheiro.

Mesmo assim, quem afirma que não há evidência, até agora, de que o programa de médicos escraviza à luz de toda legislação brasileira, é chamado de “comunista'', de apoiador do governo ou do regime cubano. Uma besteira sem tamanho.

Comentaristas comuns de internet dizerem isso, vá lá. Grande parte vocifera sem saber o que diz, repetindo mantras. É café com leite. Mas “especialistas'' tentarem dobrar a letra da lei para fazer caber é o ó do borogodó.

Quando o Mais Médicos apareceu, afirmei que uma coisa é a política pública em si, de levar médicos estrangeiros ao interior do Brasil em áreas carentes, que – a meu ver – está correta. Outra, que é muito ruim, foi a ideia equivocada de não pagar a totalidade do salário diretamente ao trabalhador, em um contexto em que muitos se veriam como vítimas de injustiça ao conviver com outros. A Justiça deve receber uma série de ações nesse sentido por parte dos envolvidos e terá que analisa-los sob a luz do tipo de contrato firmado.

Pois ao contrário de outros estrangeiros e brasileiros no programa, o governo federal contratou os serviços do governo cubano que, por sua vez, enviou servidores públicos para a tarefa, como em uma missão humanitária.

Particularmente, acho essa diferenciação na remuneração final o ó e creio que temos que lutar para que isso mude urgentemente, a despeito dos arranjos institucionais entre Brasil e Cuba. Mas a meu ver, até agora, não é trabalho escravo.

Dado que cada procurador do trabalho tem independência funcional, não acho difícil alguém entrar com uma ação por trabalho escravo contra a União – afinal, cada um conta com sua matriz de interpretação da realidade e possui diferentes experiências sobre o tema. Mas acho duro imaginar uma condenação final pelo tema. O que faço aqui é uma análise à luz de quem acompanha o combate ao trabalho escravo. E já criticou, mais de uma vez, atores públicos que tentaram alargar o conceito para além do que está no artigo 149 do Código Penal a fim de punir empresários fiscalizados.

Enfim, alguém gritou fogo no teatro lotado. E muita coisa que não é trabalho escravo vai começar a ser vista como tal. Quem deveria estar com os cabelos em pé são donos de fazendas de gado, siderúrgicas, construtoras, grandes magazines de roupas, usinas de cana…

De repente é até bom isso acontecer. Alguns amigos jornalistas, cuja condição de trabalho também desobedece “artigos da Constituição'', para usar uma expressão de um nobre jurista que alertou para a escravidão cubana, poderiam ser resgatados em suas redações pelo Ministério do Trabalho e Emprego usando um conceito ampliado.

Pessoal, aproveitem! É a sua chance de serem livres!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Embolização Prostática... converse com o seu médico

SBU contesta resolução do CFM; saiba tudo sobre a embolização da próstata

A técnica de embolização da próstata, ou mais precisamente de embolização da artéria prostática (PAE) pode contribuir para o tratamento dos pacientes com sintomas urinários obstrutivos causados pelo crescimento benigno da próstata.
A o procedimento ainda é incipiente, mas alguns países como EUA, Portugal e Inglaterra já o oferecem como mais uma possibilidade de tratamento da HPB em Centros Universitários. Existem muitas vantagens, a começar pela anestesia local, mas nem todos os pacientes tem indicação para a realização do procedimento.
O procedimento foi liberado pelo Conselho Federal no Brasil, mas a Sociedade Brasileira de Urologia, em um parecer oficial, expõe importantes motivos para considerar o procedimento ainda em fase experimental:
Do site da Sociedade Brasileira de Urologia
Em 28 de novembro de 2013, através do parecer 29/13 (1), o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o procedimento denominado “Embolização Seletiva das Artérias da Próstata” como opção terapêutica em pacientes portadores de Hiperplasia Prostática Benigna (HPB).
Houve grande veiculação do assunto em órgãos da imprensa, não sendo apresentado nenhum posicionamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) nestas matérias publicadas.
Desta forma, cabe esclarecer alguns pontos importantes sobre o assunto:
I – LITERATURA MÉDICA E EMBASAMENTO CIENTÍFICO
  • Ao contrário do que foi vinculado na imprensa, a embolização seletiva das artérias da próstata (ESAP) não é uma técnica desenvolvida exclusivamente por médicos brasileiros. Ela já é realizada há muitos anos para tratamento de sangramento maciço tanto da próstata quanto da bexiga.
  • O primeiro relato de evidências de melhora dos sintomas urinários de esvaziamento após embolização arterial seletiva foi feito em 2000 em um paciente tratado por hematúria maciça, porém com seguimento de somente um ano (2).
  • Em 2010 foi publicado um estudo realizado por médicos brasileiros apresentando resultados do tratamento por embolização em apenas dois pacientes (3) Este estudo avaliou somente a redução do volume da próstata, não obtendo os dados sobre resultados clínicos, como escore de sintomas prostáticos (IPSS), qualidade de vida (QOL), fluxo urinário, disfunção sexual e volume residual. Posteriormente o mesmo grupo publicou experiência em 11 pacientes com retenção urinária com resultados preliminares satisfatórios.
  • A maior experiência publicada sobre a técnica foi publicada por um grupo português em 2013 (4). Este estudo avaliou retrospectivamente o resultado da técnica em 238 pacientes com sintomatologia moderada a importante após falha terapia medicamentosa, com seguimento médio de 10 meses. Foram avaliados escore de sintomas (IPSS), qualidade de vida, função sexual (IIEF), urofluxometria, volume prostático e PSA. Houve melhora de parâmetros clínicos, embora pouca melhora nos parâmetros da urofluxometria. Importante ressaltar que apenas 89, 47, 21, 12 e 8 pacientes apresentavam seguimento de 12, 18, 24, 30 e 36 meses, respectivamente.
  • Pesquisa clínica em fase I/II a respeito dos resultados e segurança da técnica está sendo conduzida nos EUA em parceria com o FDA (NCT01924988). Este estudo tem estimativa de término em 2019.
Desta forma, não há na literatura médica estudos prospectivos com alto nível de evidência de demonstrem com eficácia e a segurança da técnica. Todos os dados disponíveis proveem de experiência limitada a poucos centros no mundo, com seguimento muito curto em um número limitado de pacientes. Estes resultados ainda não foram comprovados por estudos randomizados comparativos com a técnica padrão (RTU), nem com grande número de casos que possa, nos fornecer base científica confiável para sua utilização em larga escala, sendo, portanto, realizados no momento exclusivamente de maneira experimental.
II – POSIÇÃO DE SOCIEDADES DE UROLOGIA OU ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS
  • Baseadas em estudos de longo seguimento, randomizados, de alto nível de evidência científica, a ESAP não é recomendada como tratamento em pacientes com HPB em nenhuma circunstância por Sociedades de Urologia, como a Sociedade Brasileira de Urologia, Associação Americana de Urologia e Associação Europeia de Urologia.
  • Recente recomendação da Associação Australiana e Neo-Zelandeza de Urologia recomenda que a ESAP deve ser realizada apenas de forma experimental (5).
  • Recente diretriz do “National Institute of Health Care Excellence”, órgão governamental do Reino Unido, determinou que a ESAP deve ser realizada somente de forma experimental, sempre por equipe multidisciplinar envolvendo urologista e radiologista (6).
III – PARECER DO CFM
  • A SBU não foi consultada em nenhum momento pelo CFM durante a avaliação do processo de aprovação desta nova técnica.
  • O parecer do CFM indica que a ESAP foi definida como de alto risco e complexidade, devendo ser avaliada por 5 anos para que seja plenamente autorizada.
  • O parecer não foi baseado em estudos com alto nível de evidência científica que demonstrem a eficácia e segurança da técnica.
  • Após entendimento da SBU, o CFM realizará em fevereiro de 2014 reunião com a Sociedade onde rediscutirá o tema. A SBU apresentará os estudos e materiais a respeito mostrando que é preciso ainda estudar o procedimento até que sua eficácia e segurança sejam definitivamente comprovadas.
Pelo exposto, a SBU indica que a ESAP não deve ser ainda considerada opção terapêutica em pacientes com HPB, como já transpareceu em reportagens veiculadas nos canais jornalísticos. Seu emprego deve ser restrito a pesquisa clínica até que sua eficácia e segurança sejam definitivamente comprovados.
REFERÊNCIAS
1. CFM. Embolização de artérias prostáticas. 2013;http://www.portalmedico.org.br/brareceres/CFM/2013/29_2013.pdf. Accessed 01/12/2014, 2014. 2. DeMeritt JS, Elmasri FF, Esposito MP, Rosenberg GS. Relief of benign prostatic hyperplasia-related bladder outlet obstruction after transarterial polyvinyl alcohol prostate embolization. Journal of vascular and interventional radiology : JVIR. Jun 2000;11(6):767-770. 3. Carnevale FC, Antunes AA, da Motta Leal Filho JM, et al. Prostatic artery embolization as a primary treatment for benign prostatic hyperplasia: preliminary results in two patients.Cardiovascular and interventional radiology. Apr 2010;33(2):355-361. 4. Pisco JM, Rio Tinto H, Campos Pinheiro L, et al.
Embolisation of prostatic arteries as treatment of moderate to severe lower urinary symptoms (LUTS) secondary to benign hyperplasia: results of short- and mid-term follow-up. European radiology. Sep 2013;23(9):2561-2572. 5. USANZ. Position Statement on Prostatic Arterial Embolization for the Treatment of Lower Urinary Tract Symptoms due to Benign Prostatic Hyperplasia 2013;http://www.usanz.org.au/uploads/29168/ufiles/LUTS_SAG_Position_Statement_on_PAE_Final.pdf. Accessed 01/12/2014, 2014. 6. NICE. Prostate artery embolisation for benign prostatic hyperplasia. 2013; guidance.nice.org.uk/ipg453. Accessed 01/12/2014, 2014."
****
Do site Oi Doutor
Entenda como funciona:
O que é a embolização de artéria prostática (PAE)?
PAE é uma forma não-cirúrgica de tratamento da hiperplasia prostática sintomática, em que se bloqueam as artérias que alimentam a glândula, fazendo-a encolher. Ele é realizado por um radiologista intervencionista, orientado por um cirurgião responsável pela condução do caso e indicação do procedimento, caracterizando-se como uma alternativa para uma operação de ressecção transuretral da próstata . PAE foi realizada pela primeira vez em 2009, e desde então mais de 200 homens tiveram o procedimento realizado predominantemente em Portugal e no Brasil. 
Por que eu poderia precisar de embolização de artéria de próstata?
Pacientes com sintomas urinários obstrutivos ou iritativos (jato fraco, retenção, acordar muitas vezes a noite para urinar) podem ter muita dificuldade de controle apenas com uso de medicamentos. Nesse momento alguma forma de tratamento cirurgico pode ser indicado. Dentre as opções a embolização pode ser considerada por seus bons resultados e minima invasibilidade.
Quem toma a decisão ?
O urologista responsável pelo seu caso deve discutir as opções de tratamento e decidir em conjunto com o paciente. Após a decisão pela PAE, seu urologista indicará um hospital e cirurgiao vascular ou intervensionista de sua confiança para a realização do procedimento.
Quem vai fazer a embolização de artéria de próstata?
Um médico especialmente treinado chamado um radiologista intervencionista ou cirurgião vascular. Os urologistas orientam o tratamento do caso durante o intra e pós operatório.
Como devo me preparar para embolização de artéria de próstata?
Você precisa ser admitido no hospital. Isto pode ser feito como um procedimento de alta no mesmo dia ou com apenas uma pernoite se você estiver viajando . Você será solicitado a não comer durante quatro horas de antecedência e deverá receber um sedativo suave para aliviar a ansiedade.
Como o procedimento é geralmente realizado utilizando a grande artéria na virilha, poderá ser necessário raspar a pele em torno desta área.
Se você tiver algum tipo de alergia , deve informar o seu médico . Se você já apresentou reação ao meio de contraste intravenoso, o corante usado para renais raios-x e tomografia computadorizada , então você também deve informar o seu médico .
O que realmente acontece durante a embolização de artéria de próstata?
Você vai estar na mesa de raios -X , geralmente plana em sua volta. Será inserida uma agulha em uma veia do braço , para que um anestesista possa dar-lhe um sedativo e analgésicos. Uma vez no local , isso não irá causar qualquer dor.
Haverá um dispositivo de monitoração conectado ao seu peito e dedo, e pode ser dado oxigênio através de pequenos tubos no seu nariz. O médico responsável pelo procedimento irá manter tudo estéril e a pele perto do ponto de inserção, provavelmente a virilha, será limpo com anti-séptico, e , em seguida, a maior parte do resto do seu corpo coberto com campos estéreis.
A pele e os tecidos mais profundos sobre a artéria na virilha serão anestesiados com anestesia local, e , em seguida, uma agulha será inserida neste artéria . Uma vez que o seus médicos estejam convencidos de que ela esta está posicionada corretamente, um fio-guia é colocado através da agulha até a artéria. Em seguida, a agulha é retirada permitindo a entrada de um tubo plástico, chamado cateter, para ser colocado sobre o fio e para essa artéria .
O médico, então,  irá utilizar o equipamento de raios- X para ter certeza de que o cateter e o fio estão no local correto das artérias que estão irrigando a próstata . Estas artérias são muito pequenas e bastante variáveis. Doi smédicos costumam ser necesários para o caso. Um corante de raios-X especial, chamado de meio de contraste é injetado pelo do cateteraté essas artérias da próstata, o que pode lhe dar uma sensação de calor na pelve.
Uma vez que o exato fornecimento de sangue da próstata tenha sido identificado, o fluido contendo milhares de pequenas partículas é injetado através do cateter para estas pequenas artérias que alimentam o próstata, bloqueando esses pequenos vasos arteriais
O lado direito e o esquerdo precisam ser tratados e muitas vezes pode ser feito a partir da virilha direita , mas, por vezes, pode ser difícil bloquear os ramos da artéria prostática esquerda da virilha direita, assim  uma agulha e cateter deverão ser inseridos na virilha esquerda. No final do procedimento, o cateter é retirado e o médico pressiona firmemente sobre o ponto de entrada da pele durante alguns minutos , para evitar sangramento.
Será que vai doer?
Quando o anestésico local é injetado há uma sensação de ardor, mas que logo passa. O procedimento em si pode tornar-se incomodo . No entanto, haverá um enfermeiro e seu urologista, nesse momento, para cuidar de você. Se o procedimento tornar-se muito incomodo, analséicos mais eficientes serão administrados.
Como o corante ou meio de contraste, passa em por seu corpo , você pode ter uma sensação de calor, o que algumas pessoas podem achar um pouco desagradável. No entanto, isso logo passa e não deve preocupar .
Quanto tempo vai demorar?
A situação de cada paciente é diferente, e nem sempre é fácil de prever quão complexa ou simples o procedimento será. Algumas embolisações levam apenas  uma hora, outras até 2 horas. 
O que acontece depois?
Você será levado de volta para a área de recuperação em uma maca . Médicos e enfermeiros na área de recuperação irão realizar observações de rotina, como tomar o seu pulso e pressão arterial , para se certificar de que não existem efeitos indesejáveis. Eles também vão olhar para o ponto de entrada da pele para se certificar de que não há sangramento dele. Uma vez que qualquer dor é controlado , você será transferido para a enfermaria . Geralmente você vai ficar na maca por algumas horas, até que você tenha se recuperado.
Se tudo aadequado para um procedimento de um dia,  você poderá ir para casa depois de quatro a seis horas . Se você vai ser mantido no hospital durante a noite, receberá alta logo pela manhã.
Uma vez que você está em casa , você deve descansar por três ou quatro dias . Tomar alguns analgésicos, se necessário, e outras drogas. Uma explicaçã odetalhada de seu será enviado para sua residência.
Existem riscos ou complicações ?
Embolização de artéria da próstata é um novo procedimento, mas a partir dos dados publicados, ele é considerado seguro em sua essencia.
No local em que a agulha foi inserida , podem se formar hematomas, as vezes tratados com repouso e antibióticos.
A maioria dos pacientes sente um pouco de dor depois e,  ocasionalmente, um cateter urinário poderá ser inserido para envaziamento temporário da bexiga. Essa complicação, a retenção urinária, talvez seja a mais incomoda de todas.
Alguns casos de forte inflamacao no reto também foram descritos, alguns com necessidade de internação.
Alguns pacientes podem sentir cansaço até uma semana após o procedimento, mas a maioria sente-se bem o suficiente para voltar a trabalhar em três dias. No entanto, os pacientes são aconselhados a tirar pelo menos uma semana de folga após a PAE .
Quais são os resultados da embolização de artéria de próstata?
Há apenas dois estudos de médio prazo dos resultados da embolização da artéria prostática. Mais de 70 % dos homens poderiam apresentar melhora dos sintomas após PAE, com redução no volume da próstata e um aumento relativo no fluxo urinário.
Dificuldades em se encontrar as artérias corretas ou próstatas nos extremos de tamanho (ou muito pequenas ou muito grandes),  podem levar a falhas técnicas em cerca de 20 % dos casos. Em caso de falha, a tradicional cirurgia de  RTU, considerada o Gold Standard,  pode ser oferecida sem aparente prejuizo.
A Embolização provavelmente é um procedimento seguro, projetado para melhorar a sua condição médica e evitar uma operação maior em pacientes sofrendo de problemas prostáticos benignos. Existem alguns riscos e complicações envolvidas, mas se você está ciente das opções, se enquadra nas indicações e deseja tentar um procedimento minimamente invasivo que está surgindo, a embolização pode ser uma opção.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Uma nova forma de Medicina: Médico cubano: "Não é para mim. É para todo mundo"


Médicos fazem exames e surpreendem positivamente pacientes, profissionais e autoridades



dezembro 1st, 2013 by mariafro



Cubanos trazem uma nova forma de fazer Medicina
Médicos fazem exames e surpreendem pacientes e profissionais

Por: CHRISTINA NASCIMENTO, O Dia
30/11/2013 23:39:45

Rio - É quase impossível não estranhar quando se ouve de Julio Cesar Nunez Naranjo, 46 anos, o valor que recebe por mês em Cuba. “Cerca de 30 dólares (quase R$ 70). É uma boa remuneração”, diz o médico, em um compreensível ‘portunhol’, após atender uma mãe e um bebê no Centro Municipal de Saúde de Vila do Céu, em Campo Grande. Mas a relação com o dinheiro não é a única diferença na comparação com os médicos brasileiros.

A chegada dele à unidade já provocou mudança no comportamento de outros profissionais. E a explicação está na formação acadêmica: a medicina cubana incentiva laços mais estreitos com os pacientes. “Os médicos que vêm de fora colhem material para preventivo. Alguns não faziam isso. Mandavam sempre a enfermeira. Já ouvi muitos dizendo que agora vão fazer o procedimento”, conta uma funcionária da unidade.

A sensação térmica em Vila do Céu era de 40 graus na quinta-feira, quando Julio recebeu O DIA no consultório. Do bolso, ele tira um lenço para enxugar o suor no rosto. Apesar do ar condicionado, o calor é quase insuportável. Uma realidade que não assusta quem tem no currículo experiências no Haiti, onde o atendimento era feito em postos sem ventilação ou qualquer iluminação.



Julio Cesar Naranjo, 46 anos, deixou para trás dois filhos e tem pela frente o desafio de atender 4 mil pessoas. Foto: Divulgação.


“Achei que iria encontrar um cenário no Rio muito pior do que realmente é. Vi que tem estrutura e a equipe é dedicada. É possível fazer um bom trabalho”, avalia ele, que deixou dois filhos na ilha de Fidel. “Um deles será médico”, diz, orgulhoso. Por aqui, o trabalho na comunidade de 29 mil habitantes será exaustivo. No hospital onde atuava em Cuba, ele tinha sob sua atenção 1,2 mil pessoas. Em Vila do Céu, serão 4 mil. Pacientes como a pequena Mariana Cadena, de 6 meses, estão na lista de atendimento. Enquanto mama, sua mãe, a camelô Raquel Cadena, 38, diz estar esperançosa.



Pacientes aprovam atendimento. Foto: Divulgação


“Ficamos quase dois meses sem o médico de família. A ajuda vinha da enfermeira, que acompanhava o peso da neném. Estava preocupada com o desenvolvimento dela”, avalia Raquel. A mãe disse não se importar com a consulta auxiliada por uma enfermeira tradutora. “Quero alguém para me atender. Não importa de onde venha”.

Dos R$ 10 mil que o governo brasileiro vai passar para a Organização Pan-Americana de Saúde, referentes ao trabalho dos cubanos, Julio e sua família vão ficar com cerca de R$ 2,3 mil. O restante é retido por Cuba, que durante os três anos que os médicos vão ficar aqui continuará depositando o salário deles. “O que vai para lá será reinvestido na área de saúde. Não é para mim. É para todo mundo”, explica Julio, sem se mostrar incomodado.

Cidade que mais avançou

A chegada de 70 médicos estrangeiros, sendo 65 vindos de Cuba, vai elevar o Rio ao patamar de cidade que mais avançou a curto prazo em cobertura de saúde da família. A partir de amanhã, o cadastro de controle da Secretaria Municipal de Saúde passa a registrar mais 300 mil cariocas com atendimento monitorado pelo programa. Com isso, serão, no total, 2,83 milhões de pessoas monitoradas pelos postos de saúde e Clínicas da Família. Com o reforço vindo de outros países, esse percentual vai saltar dos atuais 41% para 45%.

Até o momento, a prefeitura não tem registro de problemas com médicos estrangeiros. Pelo contrário. A aceitação tem superado as expectativas. Acostumada a atender em localidades de extrema miséria, em países como Honduras e Bolívia, Leonor Maria Pérez, 48, acha que a profissão é uma atividade humanitária. “Todo médico deveria trabalhar em regiões carentes. A gente estuda é para isso, para ajudar as pessoas”.

Medo da violência noticiada

A rotina no Rio é parecida com a de Cuba. São 40 horas por semana, mas lá os médicos trabalham quatro horas todos os sábados. Assim como o colega que atua em Vila do Céu, José Manuel Anaya, 45, que trabalha no Centro de Saúde de Inhoaíba, passou pela Venezuela. Também esteve em Gana antes de vir para o Brasil.

No Rio, admite ter medo da violência: “Vejo nos jornais que aqui tem três, quatro mortos por dia. Por isso, estou sempre atento”, afirma o cubano, que ainda não teve tempo para conhecer pontos turísticos da cidade.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

se tudo der errado: foi o estresse


Laudo diz que Genoino NÃO pode voltar para a cadeia

Posted by eduguim on 26/11/13 • Blog da Cidadania







Uma junta médica do Hospital Universitário de Brasília avaliou a saúde de José Genoino no último sábado e produziu um laudo que servirá de base para que o presidente do STF, Joaquim Barbosa, decida se o petista continua em prisão domiciliar ou se volta para a cadeia.

O resultado desse laudo foi divulgado na tarde da última terça-feira em portais de internet e repercutido pelos telejornais da noite. De forma unânime, tanto os portais da grande mídia quanto os telejornais apresentaram esse resultado de forma distorcida.

Manchete do portal UOL, por exemplo, afirmou que o “Laudo diz que prisão domiciliar para Genoino não é imprescindível”. Com poucas variações, o documento foi interpretado da mesma forma por todos os outros grandes portais e pelos telejornais.

Que conclusão, leitor, você tira dessa manchete? Ora, se a “prisão domiciliar para Genoino não é imprescindível” isso quer dizer que ele pode voltar para a cadeia, certo? Errado. O Blog teve acesso à íntegra do laudo médico em tela e, com base nele, formulou essa conclusão.

A avaliação da saúde de Genoino foi levada a cabo no terceiro dia após ele ter sofrido internação hospitalar de urgência por conta de uma crise de hipertensão arterial. O documento diz que, agora, ele está bem e que sua cardiopatia, neste momento, não é grave.

Lendo o documento, descobre-se que o petista relatou aos médicos que o examinaram que “Em meados de 2012” submeteu-se a um “check-up clínico geral e cardiológico” no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, e que os médicos, na oportunidade, disseram-lhe que seu coração estava “ótimo”.

Todavia, apesar do “ótimo” coração de Genoino, o laudo relata que, em julho deste ano, ele teve que se submeter a uma cirurgia de urgência para “correção cirúrgica” de um problema chamado “dissecção aguda da Aorta Torácica Ascendente”. Tradução: teve que substituir parte da Aorta por um tubo de cerca de 15 centímetros.

Duas semanas depois, segundo o documento, Genoino sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral), mas que não deixou “qualquer sequela neurológica”. Porém, devido à possibilidade de ocorrer novo evento dessa natureza, o paciente vem tendo que tomar um “anticoagulante” com regularidade.

Você diria, leitor, que a saúde desse homem não é extremamente delicada e que ele não precisa ser mantido em condições que não a agravem? Se diz isso, o trecho seguinte do laudo diz o contrário.

Segundo o documento, Genoino vinha se recuperando bem do trauma por que passou, mas só até que fosse submetido a “intenso estresse emocional”. Ou seja: a prisão agravou a saúde dele, que até então vinha vivendo sem maiores problemas.

Após a cirurgia no peito do paciente para emendar a veia Aorta, irrecuperavelmente danificada no ponto em que foi substituída por uma prótese, é óbvio que se espera que o problema cardíaco dele tenha sido mitigado, daí que o laudo diz que, atualmente, ele não sofre de “Graves Doenças Cardiovasculares”.

Isso significa que pode voltar à prisão? Não. O laudo diz que não precisa de “permanência domiciliar Fixa”, mas NÃO diz que pode voltar para a prisão. Pelo contrário, em sua página 8 diz, claramente, que NÃO deve ser submetido a fatores psicológicos estressantes”.

Pergunta: como é, diabos, que alguém encarcerado em uma prisão brasileira pode evitar “fatores psicológicos estressantes”?

Se Genoino não fosse um condenado pela Justiça, poderia levar uma vida normal. Não precisaria ficar confinado em sua casa. Mas como se encontra em regime de privação de liberdade, a prisão domiciliar oferece a possibilidade de cumprir sua pena sem ser exposto a condições que, tal qual ocorreu na semana passada, façam com que sofra uma nova crise.

De mais a mais, Genoino não foi condenado a regime fechado, mas ao semiaberto. Mantê-lo em um regime mais duro do que aquele ao qual foi condenado, portanto, além de ser injusto ainda oferece risco à sua saúde, conforme diz o laudo que a mídia distorceu.

*

Abaixo, a íntegra do laudo sobre a saúde de Genoino.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Acopiara! O carapááálida conhece? Os médicos cubanos conhecem...


MÉDICOS CUBANOS
CHEGAM AO SERTÃO



E o pessoal da ProPina ? E o da ProVingança ?

Conversa Afiada





O Conversa Afiada presta singela homenagem aos médicos que sonham em ir trabalhar no Sírio e passar informação para Folha (*) e a Globo Overseas:



MÉDICOS CUBANOS ATENDEM REGIÕES ISOLADAS DO SERTÃO


Profissionais estrangeiros já prestam atendimento primário no Centro-Sul e Região dos Inhamuns

Acopiara. Os médicos cubanos, inscritos na primeira etapa do programa Mais Médicos do Ministério da Saúde, chegaram a 11 cidades do Interior do Ceará levando consultas de atenção básica à população de áreas isoladas na zona rural. Em menos de 15 dias, os profissionais conquistaram a confiança e o reconhecimento dos moradores que vivem em localidades onde nunca havia atendimento médico ambulatorial regular.

Um exemplo vem da localidade de Calabaço na zona rural de Acopiara. Localizada no alto sertão cearense, entre os municípios de Quixelô e Solonópole, a comunidade, desde segunda-feira passada, dispõe dos serviços do médico Ivan Rodriguez, originário da província de San Tiago de Cuba.

Avaliação

Dedicado, atencioso e com 20 anos de experiência em atenção básica de saúde em Cuba e na Venezuela, Ivan Rodriguez recebe avaliação positiva dos moradores. “Aqui nunca veio um médico e construíram esse posto há cinco anos, mas só tinha profissional de Enfermagem”, disse o agricultor Valdemar Felipe de Souza.

A Unidade Básica de Saúde (UBS) da localidade de Calabaço, distante 75km da sede de Acopiara, apresenta boa estrutura e passa por adaptações com investimentos de R$ 34 mil do Ministério da Saúde. Os consultórios dispõem de aparelhos de ar condicionado, há salas de imunização, para exames ginecológicos, farmácia, cantina, área de serviço e sanitários.

Em média, nesta primeira semana de trabalho, o médico Ivan Rodriguez atendeu 20 pacientes por dia. “É a demanda espontânea”, conforme ele mesmo frisou. “Depois vamos fazer reuniões e palestras sobre educação em saúde”.

A UBS de Calabaço possui área de abrangência de 500 famílias de oito localidades rurais, que têm por característica casas isoladas e terras áridas. O tempo seco e quente nessa época do ano despertou a atenção de Ivan Rodriguez. “A gente estuda sobre a cultura, a geografia e a história do Brasil, mas vê de perto assim essa vegetação seca é bem diferente”, disse. “O calor está muito intenso”.

Os médicos cubanos cumprem carga horária de 40 horas semanais. Isto é, são oito horas diárias. Esse fato surpreende os moradores. Os médicos brasileiros que atendem em postos do Programa Saúde da Família não passam mais do que uma hora e meia. Outro aspecto diferencial é o tempo de consulta. “É bem mais demorada”, observa a enfermeira, Thaís Araújo de Souza. “Ele pergunta muito, no intuito de conhecer a história do paciente”, afirmou.

Superação

O obstáculo inicial do idioma estrangeiro está sendo superado rapidamente. Os médicos cubanos estudaram cerca de seis meses a língua portuguesa.

Os que vieram para os municípios de Acopiara e Catarina conseguem se expressar de forma compreensível. Falam devagar, e repetem as palavras até se fazerem entender. A adaptação, como diz a comunidade, ocorre pela dedicação.

A dona de casa, Nara Raquel Macedo, foi taxativa: “Deu para entender tudo que ele disse, ele insiste até a gente entender e pergunta muitas coisas”. Antes da consulta, os moradores mostram-se apreensivos por temor de não ser estabelecida uma comunicação compreensiva.

O agricultor Benevides Vieira fez a primeira consulta com queixa de dor de cabeça e incômodo na garganta. “Gostei muito e entendi tudo”, disse. “Agora ficou bem melhor porque antes a gente tinha que ir para Quixelô, atrás de um médico”.

No início da tarde desta quinta-feira, Ivan Rodriguez fez duas visitas domiciliares. É a quinta em apenas uma semana. “Aqui na comunidade nunca trabalhou um médico e imagina vir um aqui na minha casa. Meu Deus, isso é muito bom, nunca imaginei que isso pudesse acontecer”, disse a aposentada, Francisca Moreira de Carvalho que foi consultado no alpendre de casa. Diariamente, os médicos cubanos percorrem centenas de quilômetros entre a sede do município e a UBS. Chegam por volta das 9 horas e só saem às 17 horas. Não há limite de consultas. “Nós cubanos somos prestativos e viemos aqui para trabalhar, para atender as pessoas pobres, que necessitam dos nossos serviços”, disse Ivan Rodriguez. Esses profissionais deixaram família, mulher e filhos, em Cuba, e vieram ser solidários ao povo brasileiro.

O secretário de gestão do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, por ocasião da entrega simbólica do registro do CRM aos médicos cubanos que estão trabalhando em Acopiara e Catarina frisou que os profissionais são dedicados e compromissados com a população pobre. “Eles trabalham com muito zelo e atenção”, disse. “No Brasil, faltam médicos. Os brasileiros não vão para essas áreas isoladas, distantes porque enfrentam elevada demanda por seus serviços”, frisou. “Estamos trazendo mais profissionais e a população vai reconhecer o esforço do governo”, ressaltou.



Clique aqui para ler “4,6 milhões no Pronatec. E no ProPina ? E no ProVingança ?”.

E aqui para ver na TV Afiada “Benvindo à ‘geração Pronatec’.”



(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.