quinta-feira, 30 de julho de 2009

O Olho do Consumidor

Amigos e amigas,

Recebi hoje a notícia que o Ministério da Agricultura lançou uma cartilha informando a população sobre os benefícios de alimentos livres de agrotóxicos, bem como sobre a questão dos produtos transgênicos que "colocam em risco a diversidade de variedades que existem na natureza". Porém essas cartilhas não serão distribuídas porque a indústria dos alimentos transgênicos (Monsanto), entrou com uma ação que impede a distribuição.

A cartilha foi ilustrada pelo Cartunista Ziraldo e ainda é possível encontrá-la no site:
http://www.aba-agroecologia.org.br/aba2/images/pdf/cartilha_ziraldo.pdf
http://www.aba/- agroecologia. org.br/aba2/ images/pdf/ cartilha_ ziraldo.pdf

A Monsanto quer impedir a distribuição, mas nós podemos enviá-la ao máximo de pessoas. Divulguem...

sexta-feira, 19 de junho de 2009

O Jogo do Poder

Artigo escrito por Eduardo Guimarães

Se não podemos mudar o jogo do poder que é jogado neste momento no Brasil – ou ao menos influir decisivamente nele –, talvez possamos meramente entendê-lo, de forma que aqueles bem-intencionados que adotam esta ou aquela posição possam fazer seu trabalho de formiguinha com um mínimo de foco.
Sobre este trabalho de formiguinha, vale a pena dizer que não é capaz de influir tão efetiva e rapidamente no jogo em tela, não é capaz de criar crises, de alarmar ou predispor a população de um dia para outro através de uma simples reportagem exibida na tevê em horário nobre.
Quem discorda do uso que se faz dessa arma poderosa que são grandes tevês, rádios, jornais, revistas semanais e portais de internet, exaspera-se. Sobretudo quando descobre que você esperneia, escreve blogs, faz manifestações na rua e esses impérios de comunicação permanecem lá, incólumes, sorridentes, montados em pilhas de dinheiro que estes que discordam, inclusive, são obrigados a financiar com seus impostos.
A mídia tripudia. Recebe dinheiro inclusive de nós que a rejeitamos. O governador de São Paulo, José Serra, por exemplo, faz compras sem licitação de livros da Editora Abril. Livros de baixa qualidade, cheios de erros e outras inadequações ao fim para o qual foram adquiridos. E eu, que abomino a editora, sou obrigado a financiar isso, pois os impostos estaduais que pago (como, por exemplo, o ICMS) vão para os bolsos da família Civita.
O pior que se poderia fazer neste momento seria subestimar essa máquina política que se opõe ao projeto de país apoiado pela quase totalidade dos brasileiros. E vale dizer que, quando me refiro a essa “quase totalidade dos brasileiros”, aludo aos mais de oitenta por cento da população que apóiam a forma como o Brasil é governado.
Porém, a Globo, a Folha e a Veja, entre tantos outros grandes meios de comunicação, discordam do projeto de país vigente e executado pelo governo Lula. Reclamam de muita coisa. O Bolsa Família seria “populista”, as cotas para negros nas universidades seriam “racistas”, a diversificação de mercados para os produtos brasileiros no exterior seria “perda de foco”, pois bom mesmo teria sido continuarmos priorizando os EUA e a Europa.
Há, também, razões particulares dos grandes jornais, tevês, rádios, revistas semanais e portais de internet. Segundo “denúncia” do jornalista Fernando de Barros e Silva, do jornal Folha de São Paulo, o governo Lula criou, também, um “Bolsa Mídia”. Vejam:

“(...) Planalto adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo. Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados – um aumento de 961%. Discriminada por tipo de mídia, essa explosão capilarizada da propaganda oficial irrigou primeiro as rádios (270 em 2003, 2.597 em 2008), depois os jornais (de 179 para 1.273) e a seguir o que é catalogado como "outras mídias", entre elas a internet, com 1.046 beneficiadas em 2008 (...)”.

Como se vê, apesar de estar montado em dinheiro, o aparato midiático da direita está perdendo muito, financeiramente. Como foi amplamente divulgado pela imprensa recentemente, os gastos publicitários do governo Lula somam cerca de um bilhão de reais, mesmo montante do governo FHC.
É muito dinheiro para dividir entre 499 veículos. Na média, estamos falando de dois milhões de reais para cada um, apesar de que uma meia dúzia de meios de comunicação fica, pelo menos, com uns oitenta por cento desse bilhão de reais.
Pulverizar esse dinheiro todo por 2.597 veículos reduz a média por veículo para menos de 400 mil reais. É motivo mais do que suficiente para as famílias Marinho, Civita, Mesquita e Frias, que ficam com a parte do leão da publicidade oficial, não gostarem de Lula.
O dinheiro que a mídia vê escorrer por entre seus dedos, a aliança daquelas famílias com José Serra tenta mitigar. Contudo, os cofres paulistas não têm robustez suficiente para repor adequadamente as perdas. São apenas um paliativo.
Temos que entender o seguinte: esses meios de comunicação ficaram do tamanho que ficaram porque se aliaram a todos os governos antes do governo de Lula. Aliaram-se aos militares, no período pré-golpe de 1964. Para apoiar o golpe e manter a ditadura, foram fornidos com arcas e mais arcas de dinheiro público.
Em 1971, o falecido dono da Folha de São Paulo, Otavio Frias de Oliveira, escreveu o seguinte editorial na Folha da Tarde, outro jornal do já então Grupo Folha:

“Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. O país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o sentimento deste." Octávio Frias de Oliveira, 22 de setembro de 1971”.

Em 1989, na redemocratização de fato do país, a mídia aliou-se a Collor contra Lula; em 1994, aliou-se a FHC contra Lula. Mesmo tendo que se render ao movimento para derrubar Collor na última hora, quando as denúncias e a opinião pública já não o aceitavam mais, quem elegeu Collor foi a mídia, sobretudo a Globo.
Os governos Sarney e Itamar não foram apoiados tão completamente pela mídia, mas não havia sabotagem de escândalos diários durante esses governos. Pode-se dizer que a mídia tinha uma convivência absolutamente “civilizada” com eles. Claro que, depois da ruína do fim do governo Sarney, com a inflação batendo em 5 mil por cento ao ano, não dava para deixar de criticar. Até porque, Collor vinha com discurso de mudança e era o anti-Lula da vez.
Temos que analisar que Lula, hoje, é o grande articulador político da centro-esquerda no Brasil. Ele tem sabido usar o poder do Estado de forma a resistir a uma máquina imensa, azeitada por dinheiro público durante décadas incontáveis. A Globo, por exemplo, é um dos maiores impérios de comunicação do mundo. Lucra bilhões. E foi construída pelo regime militar.
Ninguém conseguirá hoje montar um poder de comunicação igual. Não há dinheiro para investimento que chegue. Bater de frente publicamente com a Globo, que entra em mais de 90 por cento dos lares brasileiros e que pode calar seus adversários políticos sob o escudo da “liberdade de imprensa”, seria inútil. Até porque, o sistema político brasileiro não oferece armas tão poderosas em termos de comunicação ao gestor da máquina federal.
Há que bater de frente no campo da abertura dos cofres públicos e na promoção de políticas públicas que favoreçam as maiorias. Daí as políticas públicas que incluem dezenas de milhões e que as fazem ficar satisfeitas, em maioria tão expressiva, com a forma como o país é governado. No fim das contas, a mídia debocha, tripudia, insulta, censura aqueles que não se conformam com a sabotagem de um projeto de país que apóiam e com o acobertamento da corrupção praticada pelos que propõem a volta ao projeto anterior.
José Serra é o político com maiores chances estatísticas de governar o país, segundo as pesquisas de opinião. Fosse qualquer outro político, seu governo estaria sendo esquadrinhado pela mídia tanto quanto o governo Lula ou até mais, para compensar os tantos anos que o governo do Estado de São Paulo não é fiscalizado por essa mesma mídia. É fácil entender por que isso não acontece.
A explicação começa a ser encontrada quando se vê a Justiça investigando contratos suspeitos do governo Serra com meios de comunicação, como no caso das compras de livros didáticos da Editora Abril. E as suspeitas crescem quando se sabe que há dezenas e dezenas de pedidos de CPI contra o governo Serra parados na Assembléia Legislativa paulista e a mídia não noticia nada, esconde tudo, à diferença do que faz com o Congresso e com o governo Lula.
É o jogo do poder que é jogado aqui e no resto do mundo. Porque este jogo é jogado em toda América Latina e até nos EUA. Os correspondentes da mídia brasileira estão na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Nicarágua, na Guatemala e até nos EUA, ainda que na superpotência exista maior pluralidade do que em qualquer outro país das Américas, com exceção do Canadá que vive em realidade totalmente diferente da do resto do continente americano.
Órgãos como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) abrigam um conchavo continental entre famílias midiáticas das três Américas. Essas famílias atuam em conjunto para favorecerem projetos nacionais que mantenham a desigualdade social que faz do setor social dessas famílias uma casta que atravessa décadas cada vez mais rica e poderosa.
O jogo do poder que se trava nas Américas hoje precisará se manter neste rumo por muitos e muitos anos para que essa concentração de poder econômico nas mãos dos setores sociais que abrigam famílias midiáticas seja dispersada de forma a que as massas também se vejam representadas naquele que é o maior poder contemporâneo, o poder de comunicação.
Mas há um rumo. Todos vimos acompanhando as quedas nas tiragens dos grandes jornais e a perda de audiência progressiva de uma Globo, ainda que esteja sendo para uma Record, emissora que, conjunturalmente e por razões que suspeito não serem as da maioria, tem furado o consenso midiático, em certa medida.
Naquela propaganda da Folha sobre as moscas que invadiu as tevês, vocês viram os peões das famílias midiáticas e da direita brasileira querendo tripudiar daqueles que não têm voz para debater com eles as teses que defendem para seus patrões e para seu grupo político-partidário. São pagos a peso de ouro. Sentem-se as últimas bolachinhas do pacote, claro. Muitos, como um Clóvis Rossi, provavelmente não viverão para ver uma possível derrocada dos barões da mídia. Outros, quando essa derrocada acontecer, já estarão ricos.
O calcanhar de Aquiles do aparato midiático, porém, são os governos estaduais. Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul... Uma parte enorme da arrecadação de impostos do país está sendo usada para vitaminar a máquina midiática, para mantê-la endinheirada de forma a poder falar mais alto do que as massas. Assim, enquanto oitenta por cento do país estão satisfeitos com o governo, a opinião dos seis por cento insatisfeitos é a que predomina na mídia.
Agora, se no ano que vem esses meios de comunicação perdessem um governo de São Paulo, por exemplo, haveria um baque financeiro enorme na máquina midiática. Ao lado desse baque, haveria uma desconcentração de poder da mídia. Aliás, a Conferência Nacional de Comunicação, que ocorrerá em dezembro deste ano, pode ser o primeiro passo para essa desconcentração, sobretudo se os resultados das eleições do ano que vem forem favoráveis à maioria dos brasileiros.
Nosso trabalho, pois, é de formiguinhas. Temos que trabalhar daqui enquanto o grupo político que ora trabalha para desconcentrar poder e riqueza faz a parte dele governando o Brasil. É duro agüentar as bofetadas que o poder midiático vitaminado pelos impostos paulistas, mineiros ou gaúchos desfere em nossos rostos sem parar, mas eles sabem muito bem que seu poder está vazando, mesmo que seja um vazamento ainda bem pequeno...

Escrito por Eduardo Guimarães às 11h32

Aplausos censurados

Artigo do Professor Gilson Caroni Filho que foi publicado no site da Carta Maior:

” Aplausos censurados, o desespero da mídia
Os governos militares censuravam a imprensa para impedir a denúncia de torturas, de escândalos administrativos e quaisquer notícias que evidenciassem as crises e a divisão interna do regime. A censura política das informações, institucionalizada pela Lei de Imprensa e pela Lei de Segurança Nacional, foi um dos pilares de sustentação da noite dos generais. Esse era o preço imposto pela ditadura.
Passados mais de 20 anos da redemocratização, com a crescente centralidade adquirida no processo político, a grande mídia comercial tomou para si o papel de autoridade coatora. Sem qualquer pretensão de exercer papel decisivo na promoção da cidadania, não mais oculta seu caráter partidário e deixa claro quais políticas públicas devem permanecer fora do noticiário.
A construção negativa da persona política de lideranças políticas do campo democrático-popular tornou-se o seu maior imperativo. Invertendo a equação da história “republicana” recente, há seis anos a imprensa passou a censurar o governo. Esse é o preço imposto pelo jornalismo de mercado; pelas relações de compadrio entre redações e oposição parlamentar, e pela crise identitária dos que foram desmascarados quando se esmeravam para definir qual era a “democracia aceitável”.
Com o esgotamento do modelo neoliberal, sentindo-se cada vez mais ameaçada como aparelho privado de hegemonia, a edição jornalística já não se contenta mais em subordinar a apuração ao julgamento sumário de fatos e pessoas. Censurar registros que sejam incômodos aos seus interesses político-econômicos, deslegitimado uma estrutura narrativa viciada, passou a fazer parte da política editorial do jornalismo brasileiro.
Em recente viagem a Genebra, o presidente Lula foi ovacionado ao discursar no Conselho Nacional de Direitos Humanos da ONU. Depois, segundo relato da BBC, “foi aplaudido seis vezes” ao criticar o Consenso de Washington e o neoliberalismo na plenária da OIT. O silêncio dos portais da grande imprensa e a ausência de qualquer referência ao fato nas edições da Folha de São Paulo, Globo e Estadão foi gritante.Representou o isolamento acústico dos aplausos recebidos. Uma parede midiática que abafa o “barulho insuportável” na razão inversa com que ampliou as vaias orquestradas na cerimônia de abertura dos Jogos Pan-Americanos em 2007, no Rio de Janeiro. Nada como um aparelho ideológico em desespero.
Se pesquisarmos as raízes do comportamento dos meios de comunicação, veremos que elas nos dirão o quanto já é forte a desagregação da ordem neoliberal a qual serviram desde o governo Collor, passando pelos dois mandatos de FHC. Durante doze anos (de 1990 a 2002), a sociedade civil sofreu rachaduras sob os abalos devastadores da “eficiência” de mercado. Elas afetaram a qualidade da história, as probabilidades de uma República democrática e de uma nação independente.
Lula aparece como condensação das forças sociais e políticas que se voltaram para a construção de um novo contrato social. O tucanato, com apoio de seus porta-vozes nas redações, figura como ator que tenta reproduzir o passado no presente, anulando ganhos e direitos sociais. O que parece assustar colunistas, articulistas e blogueiros é o crescente repúdio à truculência infamante que produzem diariamente. Salvo, claro, a parcela da classe média que tem no denuncismo vazio e no rancor classista elementos imprescindíveis à sua cadeia alimentar. Aquele restolho que costuma pagar a ração diária com comentários insultuosos, sob a proteção do anonimato.É preciso ficar claro que estamos avançando. Ou os de cima aprendem a conviver com os de baixo, ou como na fábula da cigarra e da formiga, poderão descobrir o arrependimento tarde demais. Seria interessante para a própria imprensa que trocasse os insultos de seus escribas mais conhecidos pelo debate verdadeiramente político. Aquele que busca compreender as condições sociais, políticas, culturais e econômicas de uma modernização que, por não promover exclusão, representa revolução democrática combinada com mudança social. Isso inclui aplausos, mesmo que abafados.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro.”

domingo, 24 de maio de 2009

Ronaldo sem mudança de hábito

O que nós herdamos dos Africanos?

A HISTÓRIA E A CULTURA DA ÁFRICA E SUAS IMPLICAÇÕES COM A CULTURA BRASILEIRA NA ATUALIDADE

OU: O QUE A SUPOSTA IDENTIDADE CULTURAL BRASILEIRA DEVE AOS AFRICANOS, OU À ÁFRICA DE UM MODO GERAL, ENQUANTO CULTURA HISTORICAMENTE COMPROVADA?

RESUMO: A cultura de um país é formada pela cultura de cada um dos seus habitantes. É desse ponto de vista que partimos para responder a pergunta do subtítulo do nosso artigo. O que nós herdamos dos Africanos? Sabemos que é impossível mensurar a quantidade exata dessa influência, portanto tentaremos discorrer brevemente sobre três principais áreas de atuação: a linguagem, a culinária e o folclore, itens significativos da cultura de qualquer país.

Quer ler mais?
http://eudesenholetras.wordpress.com/tag/influencia-africana-na-cultura-do-brasil/

A

abará: bolinho de feijão.
acará: peixe de esqueleto ósseo.
acarajé: bolinho de feijão frito (feijão fradinho).
agogô: instrumento musical constituído por uma dupla campânula de ferro, produzindo dois sons.
angu: massa de farinha de trigo ou de mandioca ou arroz.

Mario Benedetti

Obrigado

sábado, 23 de maio de 2009

Mario Benedetti

Mauro, você já deve saber, mas me obrigo a repetir: Mario Benedetti, poeta uruguaio morreu no domingo. Era um dos meus favoritos. Inclusive circulou pelo mundo uma corrente de poesias postados por pessoas anonimas, por sugestão de Saramago, qdo ele ainda estava no hospital (http://weblogs.clarin.com/revistaenie-unmillondeamigos/archives/2009/04/cadema_de_poesia_por_benedetti.html ). E falo disto porque não vejo reação, comentario, informe algum sobre sua morte.
Abraços

Mario Benedetti


Vida Bandoneón: Uruguai se despede de Mario Benedetti


O cantor e compositor e amigo íntimo de Benedetti, Daniel Viglietti lembrou que "estamos todos consternados, como escrevia ele quando morreu o Che, mas sua caneta nos deixa a alma cheia de versos simples, simples na altura, como aqueles versos do cubano José Martí que ele tanto admirava". "Hoje enterramos um homem que acreditava na esperança de que as coisas, essas que todos sabemos importantes — amor, justiça, solidariedade, honestidade, rigor, entrega de vida — podem ser atingidas", diz Hugo Achugar, diretor de Cultura do governo uruguaio.


Redação - Carta Maior


Escritor uruguaio dos mais reconhecidos na América Latina, Benedetti morreu no domingo último em sua casa, aos 88 anos, após uma carreira literária de seis décadas. Benedetti tinha sido internado num hospital particular no final de abril, depois de diagnosticada uma doença intestinal crônica, e os médicos lhe deram alta no início de maio. "Aparentemente ele estava melhorando; os médicos diziam que estava se recuperando. Por isso, sua morte nos pegou de surpresa", comentou seu irmão Raúl aos canais de TV uruguaios.


A morte de Benedetti reuniu milhares de uruguaios para se despedirem ontem (20) do escritor. Os restos mortais de Benedetti foram conduzidos por trabalhadores e estudantes até o Panteão Nacional do Cemitério Central de Montevidéu, em meio a um eloqüente silêncio somente interrompido por respeitosos aplausos quando o caixão chegou ao destino. "Hoje enterramos um homem que acreditava na esperança de que as coisas, essas que todos sabemos importantes — amor, justiça, solidariedade, honestidade, rigor, entrega de vida — podem ser atingidas", disse na ocasião Hugo Achugar, diretor de Cultura do governo uruguaio.


O cantor e compositor e amigo íntimo de Benedetti, Daniel Viglietti lembrou que "estamos todos consternados, como escrevia ele quando morreu o Che, mas sua caneta nos deixa a alma cheia de versos simples, simples na altura, como aqueles versos do cubano José Martí que ele tanto admirava". Ainda no domingo, após a notícia do falecimento, familiares e amigos começaram a chegar à casa do poeta, no centro da capital uruguaia, cidade que Benedetti sempre mencionava em seus escritos.


Benedetti nasceu em 14 de setembro de 1930 no departamento de Tacuarembó, no norte do Uruguai, exilou-se durante a ditadura que desgovernou o país de 1973 a 1985, vivendo em Madri por boa parte desse período. Vários de seus poemas, escritos durante a ditadura e nos últimos anos, foram dedicados a vítimas da repressão militar, como o senador de esquerda e amigo íntimo Zelmar Michelini, seqüestrado e morto em Buenos Aires em 1976. Benedetti ficou famoso em 1956 com a publicação de "Poemas de la Oficina", sobre a rotina do trabalho.


Carta Maior publica aqui, na íntegra, um dos belos e simples poemas de Bendetti, em homenagem a ele e a todos que transformam as dores latinoamericanas em arte.


Bandoneón


me jode confesarlo

pero la vida es también un bandoneón

hay quien sostiene que lo toca dios

pero yo estoy seguro que es troilo

ya que dios apenas toca el arpa

y mal


fuere quien fuere lo cierto es

que nos estira en un solo ademán purísimo

y luego nos reduce de a poco a casi nada

y claro nos arranca confesiones

quejas que son clamores

vértebras de alegría

esperanzas que vuelven

como los hijos pródigos

y sobre todo como los estribillos


me jode confesarlo

porque lo cierto es que hoy en día

pocos

quieren ser tango

la natural tendencia

es a ser rumba o mambo o chachachá

o merengue o bolero o tal vez casino

en último caso valsecito o milonga

pasodoble jamás

pero cuando dios o pichuco o quien sea

toma entre sus manos la vida bandoneón

y le sugiere que llore o regocije

uno siente el tremendo decoro de ser tango

y se deja cantar y ni se acuerda

que allá espera

el estuche.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

FHC sobre DD

O nosso Farol precisa voltar para salvar esse País, junto com o brilhaaaante Daniel Dantas e o corajoso Gilmar Mendes, sem deixar de contar com a competência do Serra.

El Pais

La oposición se rinde ante los programas sociales de Lula

JUAN ARIAS

... PSDB), fundado por el ex presidente Fernando Henrique Cardoso, que gobernó el país durante ocho años antes de llegar el huracán del fenómeno Lula, se ha rendido ante los programas sociales del actual Gobierno del ex tornero. El programa Bolsa Familia, que alcanza con su ayuda a cerca de 12 millones ... de São Paulo, José Serra, uno de los candidatos más fuertes de la oposición para sustituir a Lula el próximo año. Con miedo a oponerse frontalmente al proyecto social de la Bolsa Familia, que ha dado a Lula su gran popularidad nacional, sobre todo entre los más necesitados, el presidente nacional ... los logros sociales de Lula. ¿Cómo será, entonces? En el seminario quedó claro que, si gana el PSDB, seguirá las huellas del presidente ex sindicalista. "Lo que necesitamos es llevar a cabo las reformas que el actual Gobierno deja inacabadas", dijo Neves. O sea, que será más de Lula aunque sin Lula ...

El Pais

Última hora EL PAIS Internacional - 13-05-2009
Lula, nombrado premio de la Paz de la Unesco
EFE
El presidente de Brasil, Lula da Silva, ha sido galardonado este miércoles con el Premio de Fomento de La Paz Félix Houphouet-Boigny, según ha informado la Unesco en un comunicado. El acto solemne de entrega tendrá lugar el próximo mes de junio, agregó la organización de la ONU para la Educación, la ... el diálogo, la democracia, la justicia social y la igualdad de derechos". El jurado quiso celebrar, igualmente, la "inestimable contribución" de Lula para a la erradicación de la pobreza y la protección de los derechos de las minorías. La decisión del jurado de este galardón creado en 1989 fue ...
Última hora EL PAIS Internacional - 13-05-2009

O inconcebível Lula

FHC, o farol, sociólogo, entende de sociologia tanto quanto o governador de São Paulo pelo PSDB, José Serra, entende de economia.

*Lula, que não entende de sociologia, levou 32 milhões de miseráveis e pobres à condição de consumidores.

*Lula, que não entende de economia, pagou as contas do entreguista FHC, zerou a dívida com o FMI e ainda dá algum aos ricos...

*Lula, que não entende de educação, pois a oposição e a mídia o classificam como analfabeto e burro, criou mais escolas e universidades que seus antecessores juntos e ainda criou o PRÓ-UNI aonde filho de pobre vai à universidade...

*Lula, que não entende de finanças, nem de contas públicas elevou o salário mínimo de 64 para mais de 200 dólares e não quebrou a previdência como dizia FHC...

*Lula que não entende de psicologia, levantou o moral da nação e disse que o Brasil está melhor que o mundo... mas o PIG (Partido da Imprensa Golpista), que entende de tudo, acha que não...

*Lula que não entende de engenharia, nem de mecânica, nem de nada, Lula não entende de nada, reabilitou o Proálcool, acreditou no biodiesel e levou o país a liderança mundial de combustíveis renováveis...

*Lula que não entende de política, mudou os paradigmas mundiais e colocou o Brasil na liderança dos países emergentes, passou a ser respeitado e enterrou o G-8...

*Lula, que não entende de política externa nem de conciliação, pois foi sindicalista brucutu, mandou as favas a ALCA, olhou para os parceiros do sul e especialmente para o vizinhos da América Latina, onde exerce liderança absoluta sem ser imperialista, tem transito livre com Chaves, Fidel, Obama, Evo, etc...bobo que é cedeu a tudo e a todos...

*Lula que não entende de mulher, nem de preto, colocou o primeiro negro no supremo (desmoralizado por brancos), colocou uma mulher no cargo de primeira ministra e vai fazê-la sua sucessora.

*Lula, que não entende de etiqueta, sentou ao lado da rainha e afrontou nossa fidalguia branca de lentes azuis.

*Lula, que não entende de desenvolvimento, nunca ouviu falar de keynes, criou o PAC, antes mesmo que o mundo inteiro dissesse que é hora do Estado investir e hoje (o PAC) é um amortecedor da crise...

*Lula que não entende de crise, mandou abaixar o IPI e levou a indústria automobilística a bater recorde no trimestre...

*Lula que não entende de português nem de outra língua, tem fluência entre os líderes mundiais, é respeitado como uma das pessoas mais poderosas e influentes no mundo atual...Lula não entende nada de nada e mesmo assim é melhor que todos os outros...

* Lula, que não entende de respeito a seus pares, pois é um brucutu, já tinha uma empatia e uma relação direta com Bush, notada até pela imprensa americana. E agora já tem a empatia do Obama.

* Lula, que não entende nada de sindicato, pois era apenas um agitador, é amigo do tal John Sweeny e entra na Casa Branca com credencial de negociador lá, nos states.

*Lula, que não entende de geografia pois nunca viu um mapa, é ator da mudança geopolítica das Américas.

*Lula, que não entende nada de diplomacia internacional, pois nunca estará preparado, age com sabedoria em todas as frentes e se torna interlocutor universal.

*Lula, que não entende nada de história, pois é apenas um locutor de bravatas, faz história e será lembrado por um grande legado dentro e fora do Brasil.

*Lula que não entende nada de conflitos armados nem de guerra, pois é um pacifista ingênuo já é cotado pelos Palestinos para dialogar com Israel.Quarta-feira, 22 de abril de 2009.

Pedro R. Lima, professor

Texto publicado no blog Terra Brasilis, do professor Afonso, e postado novmen por TERROR DO NORDESTE às 19:34

Enquanto isso na Ilha Taparacha um corpo foi retirado das águas escuras (mais se parecem com petróleo) agarrado a uma fita vê aga ésse. O administrador da ilha, que todos chamam de Constantino, chamou o chefe da imprensa oficial para perguntar se não deu tempo de agarrar a tal fita enquanto o sujeito se suicidava. Todos olham incrêdulos e respondem com um leve movimeto com os ombros. Ninguém se arrisca mais por ele (só valendo muito a pena).

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Ilha Taparacha

Sentia o frio n´alma, enquanto Amâncio Candidondino adormecia em quietação e eu, entorpecida na umidade do relento da noite, gemia contornos e silhuetas abandonadas desde sempre. Viajeiro de sonhos lúcidos ele vogara até o ano de 1874, quando todos começaram a dar um sentido na ocupação dos espaços de campo e mato de mim, uma ilha faladeira metida a pique. Fui nomeada Taparacha, pelos corvos e aduladores, heróis e gado, todos medrando sob o olhar do cururu. Sapo grande, com pele enrugada, dissuasor, predador dos que se vêem pequenos e frágeis. Fingidor de sonhos. Sorriso fácil e confiado. Naqueles tempos de jovem senhora, arreganhada e prazenteira, fui descuidada para os sentidos da ocupação. Permaneço grávida desde a primeira tropeada dos capitães e contrabandistas de gado e éguas.

As cortaduras em cruz do asfalto fatiam minhas terras, fazendo-me um chão de passagem, sem outro proveito que me deixar cruzar. Não faço mais caso. Deixo-me usar. Mormacenta, unindo as duas partes de uma mesma crosta continentina, por sujeição ao capricho de formação da natureza e interesses civilizatórios. Sensata, entediada e pesada, continuo minha sina e cubro a fenda. Sou a ilha Taparacha. Há quem aponte que separo os dois lados de uma mesma massa de terra. Essa racha preenchida, em parte por mim, ilha da escolha de muitos para morarem, é, também, recheada de águas subidas das profundezas ingênuas. Na superfície sem vida, dos dias de hoje, em cor barrenta, essas águas denunciam uma agonia, Vimos sendo transformadas em esgoto do continente e dos moradores dessa ilha. As sereias e vivos submersos deixaram as águas da fenda, foram expulsos pela indiferença e desprezo e preguiça. As águas da fenda continuam sendo apodrecidas e roubadas. Sua cor marrom oleosa, o mau cheiro e o abaixamento dos níveis demarcatórios nas margens da fenda avisam o cansaço e a desistência de continuar a resistir, Estou com medo, as barragens dos arrozeiros continuam me secando e a dejeção humana continua me envenenando. Ninguém escuta os gritos de alerta do rio.

Crônica Política

A um passo da escuridão

Sou uma daquelas pessoas que preferem uma conclusão terrível a uma dúvida sem fim. Trocando em miúdos: não consigo me enganar. E o auto-engano, às vezes, tem lá suas vantagens, sobretudo quando você não pode mudar uma situação que pede que engane a si mesmo.

Uma situação como a política no Brasil, por exemplo. Sabem, andei tendo uns pensamentos tenebrosos. Voltaram-me à mente algumas coisas que andei conversando com gente talvez mais preparada do que eu para entender a realidade do país hoje. E essa lembrança me foi aterradora.

Quanto significa termos colocado 3 ou 4 centenas de pessoas diante da Folha de São Paulo em 7 de março último, ou 4 ou 5 centenas na Praça dos Três Poderes na semana passada, se o Brasil está dependendo de que não se eleja presidente da República o candidato tucano-pefelê-midiático?

E o que é pior: lembrem-se de que, se José Serra se eleger presidente da República daqui a um ano e meio, é quase certo que ele e seu grupo político ainda por cima também governem São Paulo.

Acabou, pessoal. Esqueçam do Brasil. Eles venderão...

Quer ler mais? Vá até o Cidadania.com

sábado, 9 de maio de 2009

Gripe Suína e a traquinada dos homens

Coisas da Política - A gripe dos porcos e a mentira dos homens (Jornal do Brasil)

Mauro Santayana

O governo do México e a agroindústria procuram desmentir o óbvio: a gripe que assusta o mundo se iniciou em La Glória, distrito de Perote, a 10 quilômetros da criação de porcos das Granjas Carroll, subsidiária de poderosa multinacional do ramo, a Smithfield Foods. La Glória é uma das mais pobres povoações do país. O primeiro a contrair a enfermidade (o paciente zero, de acordo com a linguagem médica) foi o menino Edgar Hernández, de 4 anos, que conseguiu sobreviver depois de medicado. Provavelmente seu organismo tenha servido de plataforma para a combinação genética que tornaria o vírus mais poderoso. Uma gripe estranha já havia sido constatada em La Glória, em dezembro do ano passado e, em março, passou a disseminar-se rapidamente.

Os moradores de La Glória - alguns deles trabalhadores da Carroll - não têm dúvida: a fonte da enfermidade é o criatório de porcos, que produz quase 1 milhão de animais por ano. Segundo as informações, as fezes e a urina dos animais são depositadas em tanques de oxidação, a céu aberto, sobre cuja superfície densas nuvens de moscas se reproduzem. A indústria tornou infernal a vida dos moradores de La Glória, que, situados em nível inferior na encosta da serra, recebem as águas poluídas nos riachos e lençóis freáticos. A contaminação do subsolo pelos tanques já foi denunciada às autoridades, por uma agente municipal de saúde, Bertha Crisóstomo, ainda em fevereiro, quando começaram a surgir casos de gripe e diarreia na comunidade, mas de nada adiantou. Segundo o deputado Atanásio Duran, as Granjas Carroll haviam sido expulsas da Virgínia e da Carolina do Norte por danos ambientais. Dentro das normas do Nafta, puderam transferir-se, em 1994, para Perote, com o apoio do governo mexicano. Pelo tratado, a empresa norte-americana não está sujeita ao controle das autoridades do país. É o drama dos países dominados pelo neoliberalismo: sempre aceitam a podridão que mata.

O episódio conduz a algumas reflexões sobre o sistema agroindustrial moderno. Como a finalidade das empresas é o lucro, todas as suas operações, incluídas as de natureza política, se subordinam a essa razão. A concentração da indústria de alimentos, com a criação e o abate de animais em grande escala, mesmo quando acompanhada de todos os cuidados, é ameaça permanente aos trabalhadores e aos vizinhos. A criação em pequena escala - no nível da exploração familiar - tem, entre outras vantagens, a de limitar os possíveis casos de enfermidade, com a eliminação imediata do foco.

Os animais são alimentados com rações que levam 17% de farinha de peixe, conforme a Organic Consumers Association, dos Estados Unidos, embora os porcos não comam peixe na natureza. De acordo com outras fontes, os animais são vacinados, tratados preventivamente com antibióticos e antivirais, submetidos a hormônios e mutações genéticas, o que também explica sua resistência a alguns agentes infecciosos. Assim sendo, tornam-se hospedeiros que podem transmitir os vírus aos seres humanos, como ocorreu no México, segundo supõem as autoridades sanitárias.

As Granjas Carroll - como ocorre em outras latitudes e com empresas de todos os tipos - mantêm uma fundação social na região, em que aplicam parcela ínfima de seus lucros. É o imposto da hipocrisia. Assim, esses capitalistas engambelam a opinião pública e neutralizam a oposição da comunidade. A ação social deve ser do Estado, custeada com os recursos tributários justos. O que tem ocorrido é o contrário disso: os estados subsidiam grandes empresas, e estas atribuem migalhas à mal chamada "ação social". Quando acusadas de violar as leis, as empresas se justificam - como ocorre, no Brasil, com a Daslu - argumentando que custeiam os estudos de uma dezena de crianças, distribuem uma centena de cestas básicas e mantêm uma quadra de vôlei nas vizinhanças.

O governo mexicano pressionou, e a Organização Mundial de Saúde concordou em mudar o nome da gripe suína para Gripe-A. Ao retirar o adjetivo que identificava sua etiologia, ocultou a informação a que os povos têm direito. A doença foi diagnosticada em um menino de La Glória, ao lado das águas infectadas pelas Granjas Carroll, empresa norte-americana criadora de porcos, e no exame se encontrou a cepa da gripe suína. O resto, pelo que se sabe até agora, é o conluio entre o governo conservador do México e as Granjas Carroll - com a cumplicidade da OMS.

Sexta-feira, 01 de Maio de 2009

Homem usa nome da Carta Maior para espionar manifestação

PM gaúcha? Não acredito!

Utilizando um cracha falso da Carta Maior, homem apontado como sendo agente do serviço de inteligência da Brigada Militar (a PM gaúcha) acompanhou manifestação de servidores públicos contra governo Yeda Crusius (PSDB) tirando fotos dos manifestantes. Episódio configura falsidade ideológica e documental, dois crimes previstos no Código Penal. Não é de hoje que servidores de órgãos de segurança disfarçam-se de fotógrafos no Rio Grande do Sul, identificando-se como profissionais de imprensa para espionar manifestações de sindicatos e movimentos sociais.

Marco Aurélio Weissheimer

PORTO ALEGRE - Um homem, apontado por manifestantes como sendo agente da P2, o chamado serviço secreto da Brigada Militar (a PM gaúcha), usou indevidamente o nome da Carta Maior ao infiltrar-se, hoje (30), em uma manifestação de servidores públicos contra o governo Yeda Crusius (PSDB), em Porto Alegre e fazer fotos dos manifestantes.

O servidor foi surpreendido no ato por pessoas que conhecem a Carta Maior e que ficaram surpresas ao vê-lo portando um crachá (falso) da agência. A Carta Maior interpelará as autoridades responsáveis sobre o lamentável episódio que configura falsidade ideológica e documental, dois crimes previstos no Código Penal brasileiro.

Não é de hoje que servidores de órgãos de segurança disfarçam-se de fotógrafos no Rio Grande do Sul, identificando-se como profissionais de imprensa para espionar manifestações de sindicatos e movimentos sociais. Imaginem o estardalhaço que causaria um agente disfarçado da Abin ou da Polícia Federal “cobrindo” uma reunião do PSDB com um crachá falso da Folha de São Paulo...
O ato de hoje foi convocado pelo Fórum dos Servidores Públicos Estaduais do Rio Grande do Sul (FSPE/RS) e por um conjunto de outras entidades para denunciar o desmonte do Estado patrocinado pelo governo Yeda Crusius (PSDB).

Diversas categorias de servidores públicos concentraram-se em frente ao Gigantinho, onde estava acontecendo a assembléia geral do Centro de Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS/Sindicato). De lá, os manifestantes seguiram em caminhada até o Palácio Piratini, na praça da Matriz, para mais um protesto da campanha “Fora Yeda!”

Além do FSPE/RS, o ato público foi convocado pela Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), CUT, CTB, Conlutas, Intersindical, Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD), Via Campesina, Marcha Mundial de Mulheres (MMM) e diversos grêmios estudantis e DCEs.

Leia mais em Carta Capital: www.cartacapital.com.br

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Blog do Emir

Quem está doente: Adriano ou os outros?

O comportamento de Adriano deveria ser considerado humano, normal, equilibrado. Mas numa sociedade em que "não se rasga dinheiro", em que a fama e a grana são os objetivos máximos a ser alcançados, quem está doente: Adriano ou essa sociedade?

Blog do Emir - 12/04/2009

A informação como mercadoria: quem são os donos da grande mídia brasileira?

Saiu no Pensador da Aldeia

por Paulo Jonas de Lima Piva

Em dezembro de 2005, quando o neoliberalismo grassava arrogante em nossa sociedade, a revista Caros Amigos lançou uma edição especial que entrou para a história das publicações brasileiras: "A Direita Brasileira". Nela encontramos um diagnóstico minucioso de como são e funcionam as elites e os setores mais reacionários, conservadores e repugnantes do capitalismo em território nacional.

No artigo da página 18, assinado pelo perspicaz, admirável, porém sectário José Arbex Jr, intitulado "O grande partido do país", um dos poucos jornalistas brasileiros que não fazem da notícia mercadoria ou espetáculo dispara baseado em Antonio Gramsci: "A imprensa é o mais sério e consequente partido da burguesia".

Diz mais: "não há, no país, [o] que limite a capacidade de ação dos donos da mídia".

Algumas páginas atrás, João Pedro Stédile, em entrevista sobre as dificuldades do avanço da Reforma Agrária no país, fornece-nos uma informação muito interessante:

"A família Saad, da TV Bandeirantes, tem fazenda no Pontal. Os Mesquita [donos do Estadão] são ligados à oligarquia rural cafeeira paulista. A Veja vendeu 15 por cento de suas ações para bancos multinacionais. A Folha se diz independente, mas o velho Frias é proprietário de um rebanho de leite, em São José dos Campos, tem quinhentas, seiscentas vacas"

domingo, 12 de abril de 2009

MY SWEET LORD

Hoje, é domingo de Páscoa.
A renovação de um modo de viver as nossas promessas de amor à vida e a nós mesmos.
O mesmo filme todos os anos.
Na noite de sábado da aleluia, caminhando pelas ruas do bairro, ouvi da minha boca, Já vivi cinqüenta e três páscoas, são muitas ressurreições de mim mesmo.
Estou cansando.
O mundo não sou eu quem faz, mas posso tentar. Não posso?
Por onde?
Olhava para os lados e lá estavam devotas senhoras cristãs, expurgam suas calçadas com a mesma água que falta para matar a sede e lavar panelas vazias.
Mais a frente seguia a puxar seu carrinho de lixos recicláveis um Homem chamado cavalo.
Ali, na pracinha dos brinquedos, encontrei jovens desesperançados atirados pelos cantos a fumar e cheirar os abismos.
Que tal voltar às reflexões dominicais na liturgia missal?
Talvez pudesse retornar à igreja de pensamento cristão e compromisso social com a libertação dos excluídos.
Talvez, quem sabe, um dia encontre o templo cristão da justiça social e do amor ao diálogo.
Talvez descubra uma igreja que denuncie a resignação, usando a voz de muitos como Hélder Câmara; mais pobre, poética e participativa no brado do padre e poeta Ernesto Cardenal.
Talvez pudesse retornar se a voz do My Sweet Lord estivesse viva na pastoral.
São muitos talvezes...

sábado, 11 de abril de 2009

Neruda

Cuerpo de mujer, blancas colinas, muslos blancos,
te pareces al mundo en tu actitud de entrega.
Mi cuerpo de labriego salvaje te socava
y hace saltar el hijo del fondo de la tierra.

Fui solo como un túnel. De mí huían los pájaros,
y en mí la noche entraba su invasión poderosa.
Para sobrevivirme te forjé como un arma,
como una flecha en mi arco, como una piedra en mi honda.

Pero cae la hora de la venganza, y te amo.
Cuerpo de piel, de musgo, de leche ávida y firme.
Ah los vasos del pecho! Ah los ojos de ausencia!
Ah las rosas del pubis! Ah tu voz lenta y triste!

Cuerpo de mujer mía, persistiré en tu gracia.
Mi sed, mi ansia sin límite, mi camino indeciso!
Obscuros cauces donde la sed eterna sigue,
y la fatiga sigue, y el dolor infinito.

Maiakovski

O tema é a morte. Ou mais longe, a ressureição! Afirma Maiakovski:

Onde eu morrer
eu vou morrer cantando.
Que eu caia aqui ou lá, não importa,
eu sei -
eu sou digno de ser colocado
próximo aos que tombaram sob a bandeira vermelha.

Retirado do livro Maiakovski - Vida e Obra, Peixoto, Fernando, 2a. ed., p. 148, 1978, Rio de Janeiro, Paz e Terra.

Orçamento Participativo no Guajuviras tem público recorde

O bairro Guajuviras completa 22 anos no próximo dia 17 de abril. O prefeito de Canoas/RS, Jairo Jorge, na abertura da reunião do Orçamento Participativo de quarta-feira, 9, fez referência à data e ressaltou a participação expressiva dos moradores na decisão dos rumos da cidade. Os aplausos vieram de pronto pelo grande público que estava no Centro de Atendimento Integrado a Criança (Caic do Guajuviras), região Nordeste.
540 presentes, 487 credenciados, 24 delegados e 20 suplentes. Estes são os números da participação popular na região Nordeste. Os dados apontam para a maior participação na cidade até esta reunião do OP. Os moradores desta região, composta pelos bairros São José, Igara, Olaria, Guajuviras, Estância Velha e Marechal Rondom escolheram as suas prioridades numa plenária marcada pelo protagonismo participativo da região, como demonstram os dados.
Ruth Cristiane de Souza Teixeira, estudante de magistério e moradora do Loteamento Sete de Outubro, na Estância Velha foi até o Caic disposta a pedir uma atenção maior a educação na cidade. Ela elegeu este tema como uma de suas prioridades, valorizando o espaço de participação aberto no OP Canoas. “Os moradores são os que sabem o que a cidade precisa. Acho importante a participação de jovens na política, e acredito que a juventude precisa de mais qualidade na educação”, diz Ruth.
Lenise Calvett, moradora do bairro Nova Estância veio a esta edição disposta a apontar as principais necessidades da sua região, acreditando que o processo de participação não acaba aqui. “É mais uma opção para poder participar. Depois quero cobrar o que estamos apontando”, pondera Lenise.
As prioridades escolhidas nesta plenária do Orçamento Participativo foram em 1º lugar Saneamento para Todos, seguido consequentemente por Canoas Mais Segura, Guarda Comunitária, Canoas Iluminada, Canoas Saúde Humanizada, Centro de Especialidades Médicas, Programa de Prevenção de Drogas e Tratamento de Dependentes Químicos, Projeto Escola Comunidade, Qualificação e Humanização no Hospital Nossa Senhora das Graças, Canoas Jovem.
A próxima edição do Orçamento Participativo acontece em 15 de abril, na região Noroeste, que abrange os bairros São Luis, Mathias Velho, Harmonia e Centro. O evento será na Escola Estadual São Franscisco de Assis, que fica na rua Campinas 2020, no Mathias Velho.
Josias Bervanger

Aloysio assaltou trem? A AP de Serra explodiu aeroporto?

Mais uma preciosidade que fui buscar no PHA:

Sugestão de um amigo navegante:
O zelo investigativo da Folha, que tentou associar a Ministra Dilma Rousseff ao sequestro que não houve de Delfim Netto, deveria ser aplicado, com a mesma intensidade, nos seguintes episódios:
1) Foi a AP do Governador José Serra a responsável pela explosão no Aeroporto de Recife ? José Serra sabia dos planos ? Concordou com eles ?
2) Aloysio Nunes Ferreira, que foi ministro de Fernando Henrique, é secretario de Serra e seu provável candidato a governador, assaltou bancos ? Com que objetivo ? Ainda assaltaria ?
3) Para Serra e Aloysio: mudaram seus princípios, métodos, ou nenhum dos dois ?
Ou a Folha tem o rabo preso aos dois ?

Governadora e vice viajam e deixam RS sem governador em exercício

Amigos e Amigas, mais um exemplo clássico de como a mídia escolhe as palavras de acordo com as suas convicções políticas e ideológicas. Imagino outra manchete em outro governo: "Olívio e Rossetto abandonam o Estado". Alguma dúvida?

Yeda foi para os EUA e Feijó, para o Uruguai

A governadora Yeda Crusius viajou nesta quinta-feira para os Estados Unidos passar o feriadão com um filho que vive na Califórnia, e o vice Paulo Feijó foi à Punta del Este, no Uruguai, deixando o Estado sem um governador em exercício.
Os dois comunicaram suas viagens durante a semana. Como é um prazo menor que 15 dias, não há necessidade de a governadora repassar o cargo. Em caso de emergência, é Yeda que tomará decisões pelo Estado, mesmo à distância. O retorno da governadora está previsto para domingo, dia 12.

Bloqueados mais de 60 imóveis e veículos de Chico Fraga

O texto abaixo foi retirado do jornal O Timoneiro, publicado no dia 03/04/2009, sobre os desdobramentos das investigações da Polícia Federal na Operação Solidária, na administração Ronchetti(PSDB), em Canoas/RS.

Chico Fraga, o ex-secretário de Governo da administração Ronchetti, terminada em dezembro de 2008, é alvo de nova investigação sobre lavagem de dinheiro da Polícia Federal (PF).

A nova operação nasceu da Operação Solidária, que apontou irregularidades em contratos da merenda escolar em municípios gaúchos e indícios de fraude de R$ 300 milhões em obras públicas. O nome da operação se refere ao slogan de Ronchetti: Administração Solidária.

A PF descobriu, nesta nova operação, mais de 60 imóveis e veículos em nome de Fraga ou de parentes ou laranjas ligados a ele, somando mais de R$ 8 milhões, que foram bloqueados a pedido dos federais pela 1ª Vara Federal Criminal de Porto Alegre, especializada em crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, que considerou incompatível com os ganhos do ex-secretário.

A nova operação foi requerida pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza e Fraga foi intimado para depor pela PF. O Detran e os cartórios de registro de imóveis foram informados do bloqueio dos bens, que não poderão ser negociados para que possam ressarcir o erário público em uma possível condenação de Fraga. Além desta nova operação, Fraga é peça importante em diversas outras fraudes investigadas pela PF, como as Operações Solidária e Rodin.

Patrimônio

O patrimônio descoberto pela PF já é de conhecimento dos canoenses, pelas denúncias de OT ao longo dos anos da administração manchada pela corrupção do ex-prefeito Ronchetti: dezenas de imóveis em Canoas, Porto Alegre e Litoral, principalmente em Tramandaí, onde a reportagem de OT contou como era a vida luxuosa de Fraga e família em duas casas que, juntas, formam uma mansão que valeria cerca de R$ 2 milhões, a beira do rio Camarão, no Marina Park Residence, onde ele ainda possui mais seis terrenos, avalia¬dos em cerca de R$ 200 mil cada, além de lancha e jet ski.

Neste paraíso privado, o jardim tem lindas e caras palmeiras se juntam às folhagens criteriosamente distribuídas. Nos fundos, uma grande piscina e um quiosque com churrasqueira a cerca de cinco metros do rio, tudo também cercado por palmeiras e bananeiras, que dão um ar caribenho.

Do outro lado do rio, a pobreza de centenas de famílias que vivem da pesca e de onde eram vistas as festas de virada de ano regadas a muito champanhe importados.

Saindo do condomínio, mas junto a ele, na RS 030, um largo espaço de terra foi comprado por Fraga. São seis sítios com 80 metros de fundo onde o agora empresário pretendia um dia construir um posto de gasolina. A área fica entre a RS 030, o residencial e o rio Camarão. Em alguns sítios, algumas casas já foram imediatamente reformadas. Em outros, o mato derrubado. Num deles, cerca de R$ 25 mil foram gastos somente para deixá-lo plano.

Ele teria ainda, conforme OT apurou, apartamentos quase à beira mar e estabelecimentos comerciais em Tramandaí, e casas em Imbé, praia vizinha.

A vida na cobertura

Em Porto Alegre, uma cobertura na rua Quintino Bocaiúva serviu de moradia da família Fraga durante o ano de 2007, até que as primeiras denúncias em nível estadual, no caso Detran, eclodiram. Segundo a PF, Fraga teria recebido esta cobertura de uma empresa como pagamento por benefícios obtidos em contratos públicos.

OT conversou com uma frequentadora da residência nesta época, que não quer ser identi¬ficada. Ela contou que o período foi marcado por extravagâncias da família. Os membros tinham camionetes e os genros de Fraga ganhavam automóveis novos do sogro. “Uma verdadeira frota”, conta.

A casa tinha cerca de 10 aparelhos de ar condicionado do tipo ‘split’ e outro número parecido de tevelisores de plasma, com telas de cinema. Um grande time de empregados servia a família. Foi neste período, também, que o casal Fraga se divertiu em cruzeiros marítimos, inclusive o do rei Roberto Carlos.

O "militante" cubano, adoentado, não é terrorista

Essa contribuição... para nossas reflexões... retiro de Vi o Mundo, por Luiz Carlos Azenha.

Este é um caso clássico para os estudantes de Jornalismo. Uma demonstração clara de como a mídia escolhe as palavras de acordo com suas convicções políticas e ideológicas.

Luis Posada Carriles foi agente da CIA. Permanece impune, nos Estados Unidos, apesar de ter confessado publicamente envolvimento em atentados terroristas. Os ataques dos quais ele participou derrubaram um avião da Cubana de Aviação -- em 6 de outubro de 1976, matando 76 pessoas que estavam a bordo -- e causaram a morte de um turista italiano em Havana em 1997.

Para a agência Associated Press, no entanto, Posada é "militante". Acompanhem trecho da notícia:

Cuban militant Posada indicted on new charges


By ALICIA A. CALDWELL

El Paso, Texas (AP) -- Um militante cubano anti-Castro foi acusado quarta-feira em um indiciamento federal de mentir sobre seu envolvimento em uma série de ataques que tinham como alvo pontos turísticos em Cuba.

Luis Posada Carriles, um ex-agente da CIA e soldado do Exército dos Estados Unidos, foi indiciado em 11 acusações, incluindo perjúrio e obstrução de um procedimento federal. O militante de 81 anos de idade tinha sido indiciado previamente em seis acusações, incluindo fraude na imigração e mentir para autoridades federais para se naturalizar cidadão americano.

O indiciamento é a primeira vez que Posada foi acusado nos Estados Unidos de envolvimento nos ataques. Autoridades cubanas faz tempo o acusam de ter orquestrado os ataques assim como a derrubada de um jato cubano em 1976.

Felipe Milan, o advogado de Posada em El Paso, nega as acusações.

"Ele é inocente... e aguarda a chance de ser julgado", Milan disse à Associated Press.

Tentativas de falar com a seção cubana que Havana tem em Washington, no lugar de uma embaixada, foram mal sucedidas na noite de quarta-feira.

O governo cubano não comentou o indicamento, que aconteceu quando os escritórios já haviam fechado. O noticiário estatal em Cuba não noticiou o indiciamento.

Posada foi indiciado originalmente em janeiro de 2007. Na época, promotores alegaram que ele mentiu para investigadores sobre o uso de apelidos e sobre como havia entrado nos Estados Unidos na primavera de 2005. Posada diz que entrou pela fronteira do México, perto de Brownsville, Texas, mas promotores dizem que ele chegou em Miami em um barco vindo do México.

O novo indiciamento diz que Posada, que está na lista de procurados na Venezuela e em Cuba pelo ataque ao avião, mentiu sobre seu envolvimento em "recrutar outros indivíduos para provocar ataques em Cuba".

Promotores alegam que ele também mentiu sobre um pedido que fez a um homem chamado Raul Cruz Leon para levar explosivos a Cuba, usados nos ataques a hotéis em 1997 que eles dizem tinha como objetivo prejudicar o turismo. Cruz foi condenado à morte pelos ataques, que matatam um turista italiano.

Posada previamente admitiu envolvimento nos ataques em entrevistas publicadas, dizendo que as bombas tinham o objetivo apenas de "quebrar vidraças e causar pequenos danos" e que a morte do turista Fabio di Celmo foi "falta de sorte". Mais tarde ele voltou atrás.

Posada, nascido em Cuba e naturalizado cidadão venezuelano, negou conhecer Cruz ou ter envolvimento com os ataques durante uma audiência em El Paso em 2005.

Ele foi preso por violações de imigração em Miami em 2005. Ficou em uma cadeia de El Paso até ser indiciado por fraude.

Um juiz de imigração de El Paso disse que ele deveria ser deportado em 2005, mas que o militante adoentado não poderia ser mandado para Cuba ou Venezuela porque temia que ele fosse torturado.

Posada ficou livre depois de pagar fiança e vive com sua família na Flórida desde 2007. Ainda não há data para o julgamento.