terça-feira, 30 de novembro de 2010

o homê é traira(?)

Escândalo: Jobim
é ministro da Defesa (dos EUA) 

Conversa Afiada


Cuidado que ele conta ao embaixador americano

A Folha (*) teve acesso a alguns documentos do WikiLeaks, o melhor fruto da história da internet.

A Folha (*) até que tentou ajudar o ministro serrista Nelson Jobim – tirou-lhe do título – , mas não conseguiu.

Os documentos revelam um escândalo.

O ministro da defesa (dos EUA) espinafra a política externa do Brasil, num almoço com o embaixador americano.

E reforça a impressão do embaixador de que o Itamaraty é antinorte-americano.

Jobim é textual: a política externa brasileira tem “inclinação anti-norte-americana”.

Um escândalo !

Não à toa que o embaixador americano considera Jobim “íntegro e confiável”.

Mas o próprio embaixador se assusta com o aliado Jobim: acha que se trata de um Ministro da Defesa “inusualmente” enxerido: mete o bedelho onde não deve, diria esse ordinário blogueiro.

Essa é a opinião do diplomata que, em Brasília, serve aos interesses nacionais americanos.

Aquele que deveria promover a defesa dos interesses nacionais brasileiros critica a política externa do Brasil e “dá a ficha” de um colega ministro, o embaixador Samuel Pinto Guimarães, que foi vice-ministro das Relações Exteriores: é  alguém que “odeia os Estados Unidos”.

O embaixador americano poderia até supor isso.

Mas, uma informação dessas, “de dentro”, vale ouro.

O ministro da defesa (dos EUA), Nelson Jobim, comete outra transgressão absurdamente inaceitável.

Veja bem, amigo navegante.

Lula sai de um encontro com Evo Morales, presidente da Bolívia, em La Paz.

E conta a Jobim (teoricamente Ministro da Defesa do Brasil) que o presidente boliviano tem um tumor muito grave na cabeça.

E ele, Lula, tinha oferecido a Morales vir ao Brasil se tratar.

O que faz o ministro da defesa (dos EUA) ?

Passa essa valiosíssima informação ao embaixador dos Estados Unidos, país que vive às turras com Morales e a Bolívia.

Neste mesmo fim de semana, o New York Times, a propósito do Wikileaks, tratou da conversão a “espião” dos diplomatas americanos.

Trocaram em muitos casos a diplomacia pela reles espionagem.

O que é um erro, segundo o editorial de hoje do New York Times:

The Obama administration should definitely be embarrassed by its decision to continue a Bush administration policy directing American diplomats to collect the personal data — including credit card numbers and frequent flier numbers — of foreign officials. That dangerously blurs the distinction between diplomats and spies and is best left to the spies.

Os embaixadores americanos são agora convocados a obter o número do cartão de credito e dos cartões de milhagem de funcionários estrangeiros.

“Isso é coisa para espião”, diz o New York Times e, não, para diplomata.

Pois, não é que o ministro da defesa (dos EUA) conta ao embaixador americano que o Itamaraty “tem inclinação anti-americana”, que um ministro brasileiro odeia os Estados Unidos e que o presidente da Bolívia tem um grande tumor na cabeça ?

Veja o que diz a Folha, que tentou, inutilmente, proteger o ministro serrista:

Documento revela que, para EUA, Itamaraty é adversário

Papéis confidenciais citam “inclinação antinorte-americana” por parte do Brasil – (cadê o nome do Jobim ? – PHA)

Telegramas divulgados pela ONG WikiLeaks revelam que diplomatas dos EUA consideram Nelson Jobim um aliado

FERNANDO RODRIGUES

DE BRASÍLIA

Telegramas confidenciais de diplomatas dos EUA indicam que o governo daquele país considera o Ministério das Relações Exteriores do Brasil como um adversário que adota uma “inclinação antinorte-americana”.

Esses mesmos documentos mostram que os EUA enxergam o ministro da Defesa, Nelson Jobim, como um aliado em contraposição ao quase inimigo Itamaraty.

Mantido no cargo no governo de Dilma Rousseff, o ministro é elogiado e descrito como “talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil”.

A Folha leu com exclusividade seis telegramas de um lote de 1.947 documentos elaborados pela Embaixada dos EUA em Brasília, sobretudo na última década.

Os despachos foram obtidos pela organização não governamental WikiLeaks. As íntegras desses papéis estarão hoje no site da ONG (cablegate.wikileaks.org/), que também produzirá reportagens em português. A Folha.com divulgará os telegramas completos.

Num dos telegramas, de 25 de janeiro de 2008, o então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, relata aos seus superiores como havia sido um almoço mantido dias antes com Nelson Jobim. Nesse encontro, o ministro brasileiro contribuiu para reforçar a imagem negativa do Itamaraty perante os norte-americanos.

Indagado sobre acordos bilaterais entre os dois países, Jobim citou o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães.

Segundo o relato produzido por Clifford Sobel, “Jobim disse que Guimarães “odeia os EUA” e trabalha para criar problemas na relação [entre os dois países].”

Não há nos seis telegramas confidenciais lidos pela Folha nenhuma menção a atos ilícitos nas relações bilaterais Brasil-EUA. São apenas descrições de encontros, almoços e reuniões.

Ao mencionar um acordo bilateral, Clifford Sobel diz que caberá ao presidente Lula decidir entre as posições de um “inusualmente ativo ministro da Defesa interessado em desenvolver laços mais próximos com os EUA e um Ministério das Relações Exteriores firmemente comprometido em manter controle sobre todos os aspectos da política internacional”.

Num telegrama de 13 de março de 2008, Sobel afirma que o Itamaraty trabalhou ativamente para limitar a agenda de uma viagem de Jobim aos EUA.

Ao relatar a visita (de 18 a 21 de março de 2008), os EUA pareciam frustrados: “Embora existam boas perspectivas para melhorar nossa relação na área de defesa com o Brasil, a obstrução do Itamaraty continuará um problema”.

Diplomatas dos EUA relatam terem ouvido do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que o presidente da Bolívia, Evo Morales, sofre de um “grave tumor” na cabeça. Esse despacho confidencial é de 22 de janeiro de 2009.

Redigido pelo então embaixador dos EUA em Brasília, Clifford Sobel, o telegrama faz parte de um conjunto de seis documentos aos quais a Folha teve acesso ontem com exclusividade do site WikiLeaks.

Sobel diz ter tomado conhecimento da enfermidade durante uma conversa com Jobim “posterior a uma reunião presidencial de 15 de janeiro, em La Paz” entre Lula e Morales.

Nesse encontro, “o ministro da Defesa do Brasil (protegido) confirmou um rumor anterior que Morales sofre de um grave tumor na região do septo nasal”, escreveu o então embaixador dos EUA.

A colocação da expressão “protegido”, entre parênteses após o nome de Jobim, indica que o diplomata americano pedia reserva em relação à fonte da informação.

“Jobim disse ao embaixador que Lula tinha oferecido a Morales um exame e tratamento em um hospital em São Paulo”, prossegue.

Mas o tratamento teria sido adiado, diz Sobel, porque a Bolívia passava por um delicado momento político. Estava marcado um referendo em 25 de janeiro do ano passado, no qual seria aprovada a nova Constituição do país.

Jobim, que participou do encontro em La Paz, relatou ao diplomata que “o tumor poderia explicar por que Morales demonstrou estar desconcentrado [...] nessa e em outras reuniões recentes”.

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NAVALHA

Este Conversa Afiada já disse que “Lula quer transformar o Jobim no Marechal Lott da Dilma”.

Outro motivo para que essa sugestão seja repelida: vê-se pelo Wikileaks que o ministro serrista Nelson Jobim parece desempenhar um papel que só imagina num “CIA operative”.
O que mais o Jobim contou ao embaixador americano e que não está no Wikileaks ?
E ao embaixador inglês ?
E ao embaixador francês – só para ficar no “circuito Elizabeth Arden”.
Durante muitos anos, o ministro serrista Nelson Jobim dividiu o apartamento funcional em Brasília com seu fraternal amigo Padim Pade Cerra.
Jobim foi ministro de Fernando Henrique e por ele conduzido ao Supremo Tribunal Federal.
É um trio: Jobim, Padim e FHC.
E os três adoram os Estados Unidos.
Como Juracy Magalhães, em boa hora invocado pelo ex-Supremo Presidente do Supremo, Gilmar Dantas (**).

Clique aqui para ler “Palocci, Gilmar e Elio Gaspari – ou a Teoria do Medalhão”.

Dizia o Juracy Magalhães: o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil.
Ao longo do tempo, a frase foi minuciosamente esculpida pelo Pai de Todos os Colonistas (***), Roberto Campos, também conhecido como “Bob Fields”.

E, mais tarde, recheada pela obra do Príncipe dos Sociólogos, FHC, que escreveu obra clássica sobre a “dependência”: não adianta o Brasil fazer nada, porque dependerá dos Estados Unidos para sempre.
Na campanha eleitoral, em que se notabilizou pelo combate ao aborto (no Brasil; porque, no Chile, tudo bem), Padim Pade Cerra combateu o Mercosul, a Argentina, a Venezuela, a Bolívia e o Irã.
Parecia um discurso sem nexo, maluco.

Mas, como Hamlet, havia lógica naquela loucura.

Que o Chico Buarque resumiu muito bem no Teatro Casa Grande, no Rio: eles falam grosso com a Bolívia e fininho com os Estados Unidos.
Depois do WikiLeaks – a melhor coisa da internet, em todos os tempos ! (****) – depois do Wikileaks, manter o Jobim no Ministério da Defesa é o mesmo que nomear o Daniel Dantas diretor-geral da Polícia Federal.

(Aliás, Jobim é muito amigo do Carlinhos Rodemburg, operative e ex-cunhado do Dantas.)
A presidente Dilma levaria seu Ministro da Defesa aos Estados Unidos ?
Dormiria sossegada ?
Ou manteria um espia na porta dele, na Blair House ?
E quando a Presidente Dilma for à Bolívia ?
E se o Evo Morales der um murro na cabeça do Ministro da Defesa do Brasil ?
Que escândalo !




Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Clique aqui para ver como um eminente colonista (***) do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista (***) da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(****) Um dia, vai ter um WikiLeaks no Brasil. Vai vazar tudo sobre o que o ex-Ministro do Supremo Eros Grau sentou em cima. Os documentos, os grampos legais, os HDs, pen-drives, anotações manuscritas do Daniel  Dantas, que estavam com o corajoso Juiz Fausto De Sanctis e não foram incorporados à Satiagraha. Vai vazar tudo. Lá na Suécia.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

a banca sempre forçando a sua mentiras... essa gente é sem jeito de gente

Associação de Amigos da ENFF rebate matéria da Folha


o biscoito fino e a massa

Daqui a algumas horas, entra um texto sobre o caso Wikileaks. Por enquanto, deixo-os com a resposta da Associação de Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, a uma impressionantemente desonesta matéria da Folha.

29 de novembro de 2010
Da Página do MST
Leia abaixo nota da Associação dos Amigos da ENFF sobre reportagem publicada neste domingo na Folha de S. Paulo:
NOTA DA ASSOCIAÇÃO DOS AMIGOS DA ENFF

No dia 28 de novembro, o jornal Folha de S. Paulo publicou uma reportagem de autoria de José Ernesto Credendio, segundo a qual a Escola Nacional Florestan Fernandes estaria passando por uma “crise financeira”, a qual seria motivada por “restrições impostas aos repasses do governo federal para o movimento”.

Diante do exposto, a Associação dos Amigos da Escola Nacional Florestan Fernandes vem a público para esclarecer os fatos e desfazer uma série imensa de equívocos, incrivelmente reproduzidos em tão poucas linhas.

1. A ENFF, desde a sua origem, nunca dependeu de recursos federais, embora seja essa uma demanda legítima, dado que ela é resultado do esforço concentrado e da mobilização de milhares de cidadãos brasileiros: trabalhadores, trabalhadoras e jovens que aspiram construir um centro de estudos e pesquisas identificado com as necessidades mais prementes dos povos do Brasil, da América Latina e de todo o mundo.

2. Como a própria reportagem esclarece, aliás em total contradição com o afirmado anteriormente, os recursos para a construção da escola foram fornecidos “pela União Europeia, pelo MST e pelas ONGs cristãs Caritas (Alemanha) e Frères Des Hommes (França)”, além de ter contado com recursos assegurados por campanhas com apoio de Chico Buarque, José Saramago e Sebastião Salgado.”

E mais ainda: a reportagem omite o fato de que a construção da escola, concluída no ano 2005, contou com o trabalho voluntário de cerca de 1.100 brasileiros e brasileiras que entenderam a necessidade premente de uma escola dessa natureza, oriundos e oriundas das mais variadas categorias profissionais e de movimentos sociais. Seus cursos sempre foram ministrados em caráter voluntário, espontâneo e benévolo por mais de seiscentos renomados intelectuais e professores universitários brasileiros e internacionais,

3. Finalmente, a escola não passa por uma “crise financeira”, como afirma a reportagem, simplesmente por não se tratar de um banco, nem de empresa privada. Sofre, é verdade, carência de recursos econômicos para desenvolver os seus projetos, como sofrem dezenas de milhares de escolas públicas brasileiras e toda e qualquer instituição autônoma, independente e identificada com a luta de nosso povo.

4.Precisamente porque a Escola Nacional Florestan Fernandes não depende de recursos federais, mas confia na capacidade do povo brasileiro de manter o seu funcionamento autônomo, soberano e independente, criou-se a Associação dos Amigos da ENFF, no início de 2010.

As campanhas promovidas pela Associação não têm apenas o objetivo de angariar fundos: elas também contribuem para promover o debate sobre a necessidade de que o povo brasileiro construa os seus próprios centros de educação e pesquisa, até para aprimorar sua capacidade de defender-se de ataques insidiosos promovidos com frequência pela mídia patronal, pelos centros universitários que reproduzem as fábulas das classes dominantes e por intelectuais e jornalistas pagos para distorcer os fatos.

Associação dos Amigos da ENFF

feroz e implacável a demanda das redações

Imprensa e governo: o papel de cada um

Sul21

Ricardo Kotscho *

Quando ocupava a sala da Secretaria de Imprensa, no Palácio do Planalto, onde hoje trabalha meu amigo Franklin Martins, no início do primeiro mandato do presidente Lula, costumava dizer aos amigos, meio brincando, meio a sério, que só tinha dois problemas ali: o governo e a imprensa, um reclamando o tempo todo do outro.


Desde o primeiro dia, ficou claro para mim que é muito difícil conciliar os interesses destas duas instituições de naturezas, tempos e interesses tão diversos. Instalado do outro lado do balcão, assisti à gincana promovida pelos meus colegas repórteres em busca de notícias negativas sobre o governo, certamente uma demanda de suas redações, que simplesmente não assimilaram e não se conformaram com a vitória de Lula e a mudança de mãos do poder, depois de mais de 500 anos.

A competição entre os profissionais que fazem a cobertura do Palácio do Planalto, por vezes pertencentes à mesma empresa, é feroz, implacável, ainda mais com a proliferação naquela época, começo de 2003, do jornalismo online e dos canais e emissoras de notícias, que a todo momento precisavam entrar no ar ao vivo, de preferência com alguma novidade.


Lembrei-me daqueles primeiros tempos de Brasília enquanto ouvia o ministro Franklin Martins, que na época era o homem mais importante do jornalismo da TV Globo em Brasília, na abertura do Seminário sobre Liberdade de Imprensa, em boa hora promovido pela TV Cultura, na manhã de quinta-feira, em São Paulo.

Um a um, Franklin foi espantando os fantasmas acenados pelos donos da mídia para assustar a platéia toda vez que alguém procura discutir qualquer medida de regulação dos meios de comunicação social, até hoje regidos por uma legislação dos anos 60 do século passado, quando ainda não existia nem TV a cores, e celular, internet, essas coisas todas então, então, nem pensar. O ministro lembrou que sequer o capítulo da Constituição de 1988 referente à Comunicação Social foi até hoje regulamentado.

Depois de defender a refundação do Ministério das Comunicações para transformá-lo num centro formulador de políticas e descartar uma por uma todas as “ameaças” à liberdade de imprensa no país, garantindo que ela não corre nenhum risco, Martins defendeu um debate com a sociedade sobre um marco regulatório para o setor, até para defender a radiodifusão brasileira diante do vertiginoso crescimento das empresas de telecomunicações no país. Acontece que a mídia brasileira se recusa a discutir a mídia.


Nenhum representante patronal estava presente ao seminário, como constantei na breve fala que fiz em seguida, durante a mesa de debate da qual participei, com a moderação da jornalista Monica Teixeira, junto com Sergio Dávila, editor-executivo da Folha, e do professor Demétrio Magnoli. É difícil e seria até meio redundante falar depois de Franklin Martins porque ele é um jornalista apaixonado pela profissão como eu e que se sabe se expressar muito bem, ao contrário deste que vos escreve.

Em todo caso, já que estava lá mesmo, li o meu “improviso”, que reproduzo abaixo, mostrando as dificuldades no relacionamento entre imprensa e governo, que seria bem melhor cada um se limitasse a cumprir o seu papel sem transformar as divergências, que são naturais, numa guerra permanente.

Liberdade de imprensa para quem?


Sempre que se discute liberdade de imprensa – e nunca se discutiu tanto como agora – faço uma pergunta. Em primeiro lugar, precisamos saber de qual liberdade de imprensa estamos falando. Liberdade de imprensa para quem?

* Diante do espanto da platéia, iniciei com esta pergunta a palestra que fiz em seminário promovido pela ANJ, a Associação Nacional de Jornais, entidade patronal da mídia impressa, faz uns dois ou três anos, em Brasília.
* Não se trata de garantir liberdade apenas para a imprensa, quer dizer, para as empresas e para os jornalistas.
* Quando se fala em liberdade de imprensa devemos falar, em primeiro lugar, na liberdade de imprensa como um direito que a sociedade tem à informação, assim como à água encanada e à energia elétrica.
* Aí cabe perguntar novamente: que tipo de informação, com que grau de qualidade, credibilidade e honestidade?
* A melhor resposta para esta questão crucial da liberdade de imprensa e de expressão está num estudo apresentado recentemente pela consultora Eve Salomon, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, a Unesco.
* Salomon estudou, coisa que poucos entre nós costumam fazer, a situação do sistema de radiodifusão brasileira, ao longo de um ano, com o objetivo de propor diretrizes para uma nova regulação de mídia. A que está em vigor data dos anos 60 do século passado.
* Em entrevista a Lisandra Paraguassu, do Estadão, a consultora afirma: “Regular não é censurar, e as diferentes visões políticas precisam ser protegidas”.
* Com toda clareza, Salomon responde à pergunta que fiz acima. Abre aspas: “A regulação, quando feita da maneira correta, é uma maneira de proteger a liberdade de expressão”, fecha aspas, diz ela, ao contrário do que temem os porta-vozes da velha mídia.
* Abre aspas novamente: “Isso não é apenas para garantir o direito de dizer o que você quer, mas também o direito dos cidadãos de receber o que eles precisam para operar em uma democracia. É preciso respeitar a privacidade das pessoas, não transmitir mensagens de ódio, é preciso respeitar as crianças e garantir que as notícias sejam acuradas. Esses são os princípios básicos que estamos propondo para o Brasil, nada mais”, fecha aspas.
* Nem precisaria de mais nada, acrescento eu. Acontece que nós vivemos num país em que os donos da mídia simplesmente se recusam a discutir qualquer regulação, qualquer marco regulatório. Não admitem sequer discutir a autorregulamentação proposta pela ANJ, algo que já existe no setor de publicidade há mais de 30 anos. Não aceitam, simplesmente, qualquer regra ou limite para a sua atividade. Neste seminário, por exemplo, não há nenhum representante dos proprietários dos meios de comunicação.
* Toda vez que se tenta discutir as regras do jogo da comunicação social em defesa dos direitos de informação da sociedade, as entidades patronais e seus colunistas de estimação, saem logo gritando: “Fogo na floresta! Isto é censura! É o controle social da mídia! Querem acabar com a liberdade de imprensa!”.
* Desde a posse do presidente Lula, há quase oito anos, ouço esta mesma ladainha, e eu faço outra pergunta a vocês: qual foi a iniciativa concreta implantada pelo governo federal para cercear a liberdade de imprensa neste período?
* Bastaria pegar agora qualquer jornal ou revista, abrir os blogs, sintonizar qualquer emissora de rádio ou televisão, para ver que a imprensa tem a mais absoluta liberdade de expressão – e até abusa dela frequentemente, com informações muitas vezes erradas, manipuladas e incompletas, sem falar em graves ofensas pessoais ao presidente da República.
* Sempre que afirmo isto, tem alguém na platéia que levanta o braço para contestar. E a censura ao Estadão? E a expulsão do Larry Rother? Então, já vou logo respondendo: a censura no Estadão não tem nada a ver com o governo federal. É um absurdo, uma aberração, eu também acho. Mas é uma decisão do Judiciário, envolvendo um processo que corria em segredo de Justiça. Daí a dizer que, por causa disso, existe censura à imprensa no Brasil é uma aberração maior ainda.
* Quanto ao tal do Larry Rother, houve inicialmente um grave erro do governo, sim, mas que, graças a Deus e ao Márcio Thomás Bastos, com a minha ajuda, não se concretizou.
* O resto fica no campo dos medos, das ameaças e dos fantasmas que ressurgem toda vez que o assunto entra em pauta.
* Para ganhar tempo e dar mais espaço ao debate com vocês, já vou logo respondendo também à questão levantada pelo tema da palestra de sexta-feira (26) com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
* “A liberdade de imprensa corre risco no Brasil?”.
* Não, a meu ver a liberdade de imprensa não corre nenhum risco no Brasil neste momento e até onde a minha vista alcança.
* A sociedade brasileira, sim, corre sérios riscos de não ser informada corretamente quando a sua grande imprensa assume o papel de partido de oposição, como admitiu publicamente a presidente da ANJ, Judith Brito, e demite os colaboradores que não seguem o pensamento único dos seus donos.
* Partido é partido, imprensa é imprensa e governo é governo. Assim como a imprensa não deve tomar partido, também não é papel do governo ser ombudsman da imprensa. A jovem democracia brasileira agradeceria se cada instituição se limitar a cumprir o papel que lhe cabe.

* Jornalista
Originalmente publicado no Balaio do Kotscho

assim se faz revolución

Ministério da Educação entrega 30 escolas federais de educação profissional

Sul21

Jorge Seadi

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Ministro da Educação, Fernando Haddad, entregaram hoje (29) 30 escolas federais de educação profissional em 13 estados. Das 30 escolas, 18 estão em funcionamento e 12 estão previstas para o início de 2011.

Além das escolas federais, foram entregues 25 campi ligados a 15 universidades federais em 12 estados, incluindo o Rio Grande do Sul.

A iniciativa faz parte do plano de expansão da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e dá continuidade ao Programa de Expansão e Reestruturação das Universidades Federais (Reuni). Desde 2005, foram criadas 214 escolas federais de educação profissional, totalizando 342. Foram criados 126 campi e unidades universitárias, que passaram de 148 em 2002 para 274 este ano. Há universidades federais em 230 municípios em todo o país. Os recursos para a educação profissional passaram de R$ 1,2 bilhão em 2003 para R$ 4,9 bilhões este ano.

Com informações da Agência Brasil

fim da mesmice(?)... estamos torcendo(!)

Novo secretário de Educação representa esperança de diálogo com Cpers

Sul21

Igor Natusch

O governo Tarso definiu, na tarde desta quarta-feira (24), o ocupante de uma das secretarias mais problemáticas do governo gaúcho. José Clóvis de Azevedo, ex-integrante da direção do Cpers e primeiro reitor da Uergs, foi confirmado para a secretaria de Educação, uma pasta que tem trazido problemas para os últimos governos estaduais. Tão complicada é a situação da educação no estado que o PDT, partido que tem o ensino como uma de suas principais bandeiras, declinou de indicar nomes para a pasta.

Além das dificuldades de gestão, causadas pela falta de recursos e pela grande necessidade de investimentos, há a urgência em retomar o diálogo com o Cpers, sindicato que protagonizou alguns dos mais duros confrontos com a administração de Yeda Crusius (PSDB). José Clóvis pode ser o nome ideal para recuperar o diálogo com os professores. Filiado ao sindicato, o novo secretário transita bem entre os dirigentes e é visto na entidade como uma pessoa aberta ao debate. É considerado também um dos maiores especialistas gaúchos na problemática do ensino fundamental.

“Quem recomendava que não fosse o José Clóvis não deve ter lido todos os livros dele que eu li. O secretário reúne características de qualidade política e conhecimento intelectual”, disse o governador eleito, ao explicar a escolha do novo secretário. A demora no anúncio ocorreu, segundo Tarso, para que ele e José Clóvis tivessem “uma conversa de profundidade” sobre as questões educacionais do estado. “Feita esta conversa, se estabeleceu uma identidade entre o que nós queremos fazer e com o que ele pode contribuir. O diálogo com o magistério, que hoje está interrompido, é uma destas coisas.”

A presidente do Cpers, Rejane Oliveira, acredita que o novo secretário tem um “grande currículo”, e pode simbolizar uma mudança no rumo das negociações com o governo estadual, depois da “experiência péssima” com a atual governadora Yeda Crusius (PSDB). “Vamos solicitar uma audiência, logo nos primeiros dias de governo, na qual vamos expor a plataforma discutida dentro do Cpers. Queremos estabelecer uma política de negociação e de diálogo com o governo”, afirma.

Já a ex-secretária de educação do governo Yeda, Mariza Abreu, se disse “surpreendida” pelo nome do novo secretário. Segundo ela, trata-se de “um nome do Cpers”, que teria sido citado pela atual presidente do sindicato em artigos publicados na imprensa. “Não se trata de um desabono”, ressalva, apontando que a proximidade com o Cpers pode auxiliá-lo nas negociações, que envolvam reformas estruturais, como o plano de carreira do magistério. “Espero que ele tenha disposição para desatar esse nó”, afirma.

Lúcia Camini (E) /Foto Lúcia Lemos
Lúcia Camini: “A realidade mudou, mas nossas escolas públicas estão paradas no tempo”.
O projeto de governo de Tarso Genro dedica várias páginas a descrever os problemas que envolvem o ensino no RS. Entre as propostas para melhorar a educação no estado, o novo governo se propõe a atuar em três pontos principais: melhoria salarial para professores e funcionários; qualificação permanente do corpo docente, com a garantia de novos concursos públicos para o magistério; e investimentos na estrutura escolar, tanto na infraestrutura dos edifícios quanto em recursos didáticos e de manutenção. O documento assume compromissos também com a democratização da gestão nas escolas, além de propor medidas que integrem as classes populares e levem à universalização do ensino fundamental.

Lúcia Camini, ex-secretária de Educação do governo Olívio Dutra, acredita que o novo governo deve prestar especial atenção na formação profissional dos educadores gaúchos, para que eles sejam capazes de atender as necessidades do corpo discente. “A discussão pedagógica foi refreada no atual governo. As necessidades dos alunos são diferentes, a realidade mudou, mas nossas escolas públicas estão paradas no tempo. A função social do ensino tem que ser dinamizada. Mais do que oferecer um espaço de construção, a rede pública tem que motivar a busca por conhecimento”, reforça.

José Clóvis de Azevedo acena nessa direção, garantindo que o próprio governador Tarso Genro não é “de ficar na mesmice”. “No Ministério da Educação, ele deu provas de ousadia e de busca de inovações. As conquistas do governo federal mostram isso”. Em seu programa de governo, Tarso acena com medidas voltadas à cultura popular, como a implementação de oficinas de teatro, dança e música na rede pública estadual de ensino.”Azevedo afirma ainda que é preciso “aproximar cada vez mais a escola da realidade dos alunos. Durante seu período como ministro, o futuro governador demonstrou essa sensibilidade”.

Outro ponto que, segundo os entrevistados, requer atenção especial refere-se à infraestrutura das escolas estaduais. “Atualmente, as escolas estão caindo aos pedaços. As salas de latão da governadora Yeda são prova concreta disso”, critica Rejane Oliveira, presidente do Cpers. Segundo ela, o atual governo cortou 30% das verbas de manutenção, o que tornou quase inviável a administração das instituições de ensino. “Muitas escolas são forçadas a fazer festinhas para arrecadar recursos, ou a pedir merenda para outras escolas”, acusa. Para Rejane, essa é uma realidade que precisa ser enfrentada com urgência pelo futuro secretário de Educação.

“Não adianta construir uma bela escola, entregar a chave e pronto. Os recursos básicos de material precisam ser oferecidos”, adverte a ex-secretária do governo Olívio Dutra, Lúcia Camini. Para ela, a falta de recursos acaba tendo reflexo em toda a realidade escolar, inclusive no aumento da violência. “A educação gaúcha não precisa apenas de uma injeção de recursos, mas também de ânimo. Professoras, alunos, funcionários, todos precisam sentir-se valorizados. E isso tem relação com tudo, desde um prédio bem cuidado até a certeza de que se vai ter material didático e merenda para os alunos”, explica.

Divulgação
José Clóvis /Foto: Divulgação
José Clóvis de Azevedo: “reverver o processo de empobrecimento” é compromisso do governo Tarso
O futuro secretário de educação, José Clóvis de Azevedo, diz estar aberto para discutir um dos principais pontos na atual conjuntura do ensino gaúcho: a remuneração dos professores, tanto dos aposentados quanto dos que estão na ativa. “Ainda não tive oportunidade de discutir a fundo esse assunto com o governador, mas é evidente que temos que fazer uma projeção financeira que leve em conta a educação”, diz o futuro secretário. Ele garante que o governo Tarso tem o compromisso de “reverter o processo de empobrecimento” do magistério gaúcho, e afirma que buscará “soluções mediadas” para a questão.

Para a ex-secretária de educação Mariza Abreu, demandas legítimas da classe, como o aumento de salários e melhores condições de trabalho, acabam sendo prejudicadas pelo problema de falta de recursos no RS. “Não é fácil conciliar os interesses do magistério com os recursos disponíveis”, argumenta. Ela acrescenta que, com a atual matriz previdenciária da classe, se torna “inevitável” estabelecer uma negociação por meio de trocas. “Tive que comprar brigas homéricas por causa disso. Não é por nada que foi tão difícil, para Tarso, definir um secretário de educação”, comenta.

Mariza Abreu / Divulgação
Mariza Abreu: mudança do plano de carreira do magistério é inevitável
De acordo com Mariza, a mudança do plano de carreira do magistério é inevitável, e precisa ser concretizada o quanto antes. A grande quantidade de aposentadorias especiais e as regras de incorporação de benefícios, que transferem gratificações para os proventos dos professores aposentados, estariam levando a situação para um beco sem saída. “Esse problema precisa ser encarado, não há outra saída. É algo que vai estourar em 3 ou 4 anos. Ou desatamos esse nó, ou a coisa vai estourar, e muita gente vai ficar sem aposentadoria”, adverte.

Uma visão que não encontra eco na posição da presidente do Cpers, Rejane Oliveira. A entidade vê na manutenção do plano de carreira um dos pontos fundamentais de sua pauta de reivindicações. “O cenário gaúcho muda, mas a tarefa do Cpers não. Queremos um processo de negociação, mas mantendo a mobilização. Não vamos adaptar a pauta do sindicato à pauta do governo estadual. Vamos lutar para garantir as nossas bandeiras”, diz ela, listando demandas como a adoção do piso nacional, a realização de concurso público para o magistério e o abono para dias de greve, descontados pelo governo Yeda.

Para a ex-secretária de Educação de Yeda Crusius, a discussão sobre os recursos financeiros não pode ser “míope”. Segundo ela, os 35% destinados à educação pela Constituição estadual são um indicador “falho”, que acaba trancando a discussão. “Não tem como cumprir”, diz ela. “E não adianta ficar dizendo ‘vocês não cumprem’, insistindo nesse percentual e perdendo outros modos de financiar a educação. Nossa preocupação tem que ser não com a construção de posições, e sim de soluções factíveis”, defende.

Rejane Oliveira / Divulgação
Rejane Oliveira: “Não aceitamos a meritocracia de maneira alguma”
Um ponto que provoca polêmica no plano de governo de Tarso Genro refere-se aos mecanismos de avaliação de desempenho. Na publicação que trata do programa de governo, a Unidade Popular pelo Rio Grande defende a aplicação de um modelo de avaliação que “ajude a ver o que falta” na formação dos professores. Há o indicativo da concessão de um 14º salário nas escolas estaduais de melhor desempenho. Na visão do Cpers, isso caracteriza a adoção da meritocracia – o que é visto com muito desagrado pelos representantes do sindicato. “Não aceitamos isso (meritocracia) de maneira alguma. É uma tentativa de enfraquecer o plano de carreira da categoria”, critica a presidente Rejane Oliveira.

De qualquer modo, as possibilidades de negociação do novo governo são vistas com otimismo pelas especialistas ouvidas pelo Sul21. “Tarso tem uma vantagem, já que o governo federal já se comprometeu em ampliar os investimentos na educação. Se ele conseguir retomar o debate com o magistério, valorizando o planejamento estratégico e incentivando uma gestão democrática na comunidade escolar, temos uma perspectiva muito positiva. Nesse sentido, a secretaria de Educação pode ser uma potência no futuro governo”, diz Lúcia Camini, ex-presidente do Cpers.

Mariza Abreu acredita que a política educacional de Tarso Genro será “melhor” do que o programa de governo dá a entender. Na opinião da educadora, o programa de governo foi coordenado pela DS (Democracia Socialista, corrente interna do PT) e tem uma linguagem excessivamente política, parecida com a de um programa eleitoral. Na prática, porém, ela acredita que a postura será diferente. “Tenho visto entrevistas do futuro governador, e gosto das posições que ele tem defendido. Minha expectativa é positiva”, garante. “Tarso disse que levará a questão da previdência para o Conselhão. Se ele fizer isso, será ótimo. Se não fizer…”, diz Mariza Abreu, deixando as reticências no ar.

O futuro secretário de Educação, José Clóvis de Azevedo, garante que as “instâncias de discussão” serão tratadas com prioridade em sua gestão. “Não vai existir consenso sempre, há diferenças aqui e ali. Mas vamos buscar sempre a convergência. O professor será o principal sujeito do nosso projeto, obviamente valorizando o diálogo com sua entidade de classe (Cpers)”, conclui.

qualquer um cai(?)

“Se o Complexo do Alemão caiu, qualquer um cai”,
diz comandante das UPPs no RJ

Sul21

Rachel Duarte
“Se o complexo caiu, qualquer um cai”. A frase é do comandante das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no Rio de Janeiro, coronel Robson Rodrigues, em avaliação do trabalho feito neste final de semana no Complexo do Alemão. Em conversa com o Sul21, o coronel disse que a operação que prendeu 20 pessoas e matou três no maior conjunto de favelas cariocas resgatou a confiança da população na polícia e no estado, além de intimidar os demais criminosos do RJ.

Cel. Rodrigues explica que a comunidade e a mídia tiveram papel importante no trabalho na última semana, desde que polícia reagiu aos incêndios de veículos e barricadas cometidos por facções criminosas. “Essas reações estavam previstas no nosso planejamento. Mas, em virtude destas ocorrências o governo teve que antecipar as ações de enfrentamento do crime. O alerta para a necessidade de utilizar mais equipamentos e efetivo já fazia parte do planejamento, para que evitássemos os riscos aos cidadãos civis”, relata.

A intimidação e o efeito psicológico nos criminosos foi o principal mérito das UPPs, segundo o comandante. Ele conta que os traficantes apostavam em um recuo das forças públicas desde o começo da pacificação dos territórios. “A polícia militar do RJ mostrou que o planejamento estava certo e não se curvou à intimidação dos criminosos ou das pessoas que não acreditavam nesta política. Consolidamos a paz e quebramos o Comando Vermelho”, falou.

Retomada e continuidade

Oito dos 20 criminosos presos no primeiro dia de ocupação no Conjunto de Favelas do Alemão, segundo informações da polícia do RJ, foram detidos ainda sujos, quando tentavam entrar em bueiros da comunidade. Há suspeitas de que ainda há bandidos na favela, que podem estar escondidos na rede de esgoto, túneis, em casas de moradores da favela e na mata.

Depois de interromperem as buscas de armas, drogas e criminosos no Conjunto no período da noite, a polícia recomeçou na manhã desta segunda-feira (29) a operação.

O comandante das UPPs no RJ, Robson Rodrigues, garante que o trabalho terá continuidade e a meta é de 40 UPPs no estado carioca até 2014. “Vamos seguir o trabalho para conquistar ainda mais a confiança da comunidade. Esta dimensão simbólica que já temos auxiliará para intimidar os demais criminosos. Nosso recado é que é melhor os demais se entregarem, se não, vamos prender”, alerta. E complementa: “A população destas favelas está política e democraticamente amordaçada. Vivem com medo e pavor, mas esperam ação da polícia e do estado”.

Na avaliação do consultor em Direitos Humanos e Segurança Pública, mestre em sociologia pela Universidade Federal do RS, Marcos Rolim, a formação integrada, com quase três mil homens das polícias (Civil,Militar e Federal) e das forças armadas estabeleceu uma confiança e identidade maior da população com as forças de segurança pública. Rolim acredita na política de pacificação e na filosofia de policiamento comunitário, porém, ele esclarece que as reações dos criminosos no RJ não foi uma retaliação direta às UPPs. “Essa operação começou em uma mentira e terminou com uma ilusão. Os atentados foram comandados por lideranças do CV que estão presas para obrigar o estado a negociar com eles”, disse comparando com a reação do PCC em São Paulo, no ano de 2006.


Guardadas as proporções dos ataques do crime no RJ e os ocorridos em São Paulo, Rolim diz que isto serve de alerta para um debate mais profundo e que demandará maior ousadia do governo federal no próximo período. “Os presídios federais estão ruins, a sustentabilidade das UPPs precisa ser pensada e é necessário agir contra às milícias no RJ e fazer uma grande reforma social, que toque no tema das drogas, porque a guerra que aconteceu hoje não combateu o tráfico, combateu facções criminosas”, diferenciou.

A ilusão de que a operação deste final de semana combateu o tráfico de drogas é o principal alerta de Rolim. O especialista em Direitos Humanos comenta que, apesar do mérito de o estado e a polícia ocuparem áreas que antes eram inacessíveis, não diminui os riscos para a comunidade que permanece vivendo naquele local. “É preciso agora uma invasão social no morro. Com promoção social para esta comunidade. O próximo governo federal precisará criar uma política econômica mais inclusiva do que o Bolsa Família. A esquerda precisará fazer o que não fez neste governo para que isto aconteça”, argumenta.

Milícias comandam mais que facções

Segundo levantamento feito pelo pesquisador do Instituto de Ciências Policiais da Universidade Cândido Mendes, Paulo Storani, as milícias (grupos criminosos formados por policiais militares e civis, bombeiros, agentes penitenciários, aposentados e da ativa), ocupam hoje mais territórios do que as grandes facções do narcotráfico no Rio de Janeiro.

O ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e mestre em Antropologia pesquisou as 250 principais favelas — sendo que a estimativa é de que na capital carioca são mais de mil. No trabalho, foram usadas informações de líderes comunitários e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Rio de Janeiro (Draco). O resultado foi: 100 favelas são controladas pelas milícias, 84 pelo Comando Vermelho, 35 pelos Amigos dos Amigos e 31 pelo Terceiro Comando Puro.

Segundo o mestre em sociologia gaúcho, Marcos Rolim, a atuação sobre o forte sistema de milícias no RJ, oriundo da cultura do “oba, oba”, é ainda mais importante do que o combate às facções. “Este sistema compromete a sustentabilidade das UPPs porque, elas são feitas no RJ com policiais novos, pois os das corporações já se corromperam. Mas, até quando estes novos vão resistir aos apelos do envolvimento com o crime?”, questiona.

Rolim aponta a valorização do policial como a saída para o combate à corrupção dentro das policiais e alerta para uma parte importante na cadeia do crime: o consumo de drogas. “Enquanto houver consumidor não terá como frear o tráfico. As experiências no mundo todo provam isso. O que está em jogo é desconstituir o tráfico armado e combater as facções. Mas, devemos manter as drogas ilegais?”, critica.

sobre jornalistas e opiniões de jornalistas ou não

O Rio, os jornalistas e as opiniões
Somos andando

De cá de longe, dos pampas gaúchos, aprovo a operação da Polícia no Rio. Aprovo porque vejo o apoio da população, acho que pela primeira vez. E porque vi que ela não chegou atirando em qualquer um. Porque acho que não dá pra ignorar que esse é um momento de crise, embora o ideal seja levar o Estado para o morro no dia a dia, em serviços básicos de que a população precisa. Se fazer presente, para que o tráfico não ocupe esse papel.

Mas quem sou eu para saber alguma coisa? Não entendo de segurança pública, leio, mas não tenho conhecimento para falar de políticas públicas para a população. Dou aqui meus pitacos, sobre tudo um pouco. Mas sei que não tenho a razão, tenho apenas uma opinião, e quem disse que certa?

Por isso tento ouvir, tento ler, sempre. Para que os outros, os que sabem mais sobre cada assunto, me forneçam subsídios para que eu entenda um pouquinho melhor e formule minha opinião. Nesse caso do Rio mesmo, só formei a minha depois de alguns dias. E ainda assim duvido dela.

Sou jornalista, convivo com jornalistas e leio jornais. Por isso sei que é muito comum jornalista se achar dono da verdade, opinando sobre tudo sem considerar que pode estar errado. Mas ei, não é, viu. (e essa afirmação pode igualmente não ser verdadeira…)

Eu, particularmente, me policio diariamente pra não cair em tentação.

Claro que todos podem ter sua opinião, normal. Só é importante entender que nem sempre está certo. Até porque ainda não descobri um método infalível de determinar a posse da razão. Vale também sempre tentar construir a opinião com base em muita informação diversificada. Então, deixo alguns poucos links de alguns textos que li sobre os eventos desta semana no Rio de Janeiro – outros já não achei mais. E com a deferência aos que mantêm a cabeça aberta para construir suas opiniões a cada dia, pois me surpreendi com alguns, em blogs ou Twitter, que eu imaginava opinariam diferente, com base em discursos previamente construídos.

Rio de Janeiro, tragédia anunciada? – Blog do Tsavkko

A crise no Rio e o pastiche midiático – Luiz Eduardo Soares


Para além das UPPs, cidadania plena aos pobres do Rio de Janeiro – Maria Frô

A reportagem do New York Times sobre as UPPs – Viomundo

ai, ai, ai, está chegando a hora

Quando a Zero Hora traz boas notícias

Somos andando

O histórico dia em que me comovi com as palavras lidas na Zero Hora:


Pé da capa da edição dominical.

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BAITASAR

O Baitasar é um ajudante resmungão (e não está sob as ordens de ninguém) do blog do mauro, sem salário ou qualquer pagamento de serviço prestado (ainda vamos discutir, entre uma rodada de chopp e uns pedacinhos de queijo e salaminho italiano, depois do expediente na redação, qual é o serviço que ele pode prestar), é inconformado com essas coisas de despedida, chora de tristeza, mas desta vez me prometeu que faz excessão.

Não pode com despedida nem de cachorro vira-lata atropelado, derrama doces lágrimas até quase virar assadura.

"Sou um amoroso solitário."

Fica parado olhando para o nada, a mão vazia. Faz beiço de choro. Digo que depois do trabalho passamos no boteco da ladeira.

O Baitasar tem memória porque não consegue esquecer, olho pro resmungão e vejo que o homem está com alguma coisa atravessada na garganta, dou ordem de desafogo: desembucha maluku!

Diz que não fala, prefere a língua de libras, a garganta está muito seca. Então, vou falando para vocês o falatório das mãos do Baitasar, mas, desde já, peço desculpas pelo improviso, não sou muito bom na linguagem das mãos. Enfim, vamos lá.

Ele diz que não tem sentimento de ódio por ninguém, mas sente frustração por mais um tempo perdido.

Mais devagar, mais devagar, Baitasar.

Sou uma pessoa amorosa tentando não agir com raiva, meu coração fica gelado e impenetrável a qualquer argumento. Mas essa gente tentar me convencer que o Detran não foi nada. Apostaram no nosso esquecimento, aí... foi demais.

Calma, Baitasar. Não, esse sinal eu não sei. Peço que respire fundo.

Puxa um lencinho branco, todo manchado, e saimos cantando pelas ruas

"Ai, ai, ai, está chegando a hora, o dia já vem raiando meu bem, e ela já vai embora!"

Entramos abraçados no buteku da ladeira

Terezinha! Desce o chopp, o queijinho e o salaminho!

a quantas anda o ministério da nossa presidenta(?)

Jobim e os esquerdistas

Diário Gauche

A montagem do novo ministério marcha de forma bastante razoável, conforme o etos do lulismo de resultados. Duas grandes superações, para registro: a saída de Henrique Meirelles do Banco Central é digna de comemoração; dois, a "refundação" do Ministério das Comunicações e a consequente varrida da rede Globo do mesmo, depois de quatro décadas de domínio pleno e absoluto, é igualmente de se festejar.


A saída de Meirelles significa dizer que a Carta aos Brasileiros, o pacto entre Lula e os banqueiros de 2002, caducou? Ainda não sabemos. O que sabemos é que o País precisa rever a hegemonia acachapante do capital financeiro sobre a economia e sobre a política brasileira. Não é possível dar consequências e extensões à democracia substantiva que queremos com a atual força desestabilizadora dos bancos e dos rentistas. A república enfraquece na razão inversa do fortalecimento do capital financeiro. Num país onde há tamanha concentração de poder e dinheiro não se pode esperar grandes avanços e conquistas para as classes não-proprietárias. Políticas mitigadoras e compensatórias - como as implantadas pelo lulismo - têm um limite, seja temporal, seja político mesmo. Não se pode fugir da luta de classes o tempo todo. A realidade bate à nossa porta, mais cedo ou mais tarde.

Só ainda não consegui entender e assimilar é a permanência de Nelson Jobim no Ministério da Defesa e a saída de Celso Amorim do Itamaraty.

Claro, são motivações diversas, mas que ao juntarmos dá um contraste acentuado em favor de Amorim e em desfavor de Jobim. O ministro Jobim é um medíocre, não representa sequer o partido a que pertence, o PMDB, sem esquecer que trata-se de um reacionário de quatro costados. Sabe-se que a Defesa será desonerada das funções da Aviação Civil, diminuindo o poder do ministro e reduzindo-o à convivência com militares com sonhos napoleônicos e demais irrelevâncias (a escolha e compra de aviões e armamentos já não lhe competia, tinha apenas função homologatória formal). Assim, pelo andar da carroça, a Defesa pode virar uma grande Delegacia de Narcóticos (DeNarc) dos estados brasileiros, mandando tropas das forças armadas como braço-auxiliar das polícias civis e militares a combater traficantes recalcitrantes, seja através das UPP's, seja em ações bélicas como as do Rio de Janeiro. Já se vê que Nelson Jobim encontrou, finalmente, a sua verdadeira vocação policial-repressiva.

A saída de Celso Amorim só pode ser entendida se for para promover um salto de (mais) qualidade à diplomacia brasileira, tão destacada e reconhecida (para o bem e para o mal) no mundo todo. As relações com a Casa Branca não estão nada róseas, ao contrário, segundo documentos divulgados pela WikiLeaks ontem, há uma indisposição em Washington pelo fato de o Brasil não ter montado dispositivos legais e repressivos contra a paranóia estadunidense que é a chamada "ameaça terrorista". Como se o Brasil tivesse obrigação de ser solidário na paranóia alheia.

Um telegrama de novembro de 2008 do então embaixador dos EUA no Brasil, Clifford Sobel, à Washington considerava que o Brasil não tem política antiterror por responsabilidade da ex-ministra Dilma Rousseff e, citando um especialista, afirmava que seriam mínimas as chances de ter essa legislação porque o governo Lula estava "amontoado de militantes esquerdistas".

Esquerdistas? Será que o embaixador estava se referindo ao ministro Jobim? Ou esquerdista seria o ministro Hélio Costa, ex-celetista da TV Globo e eterno servidor da família Marinho?

Portanto, mais um motivo para a futura presidenta evitar dissabores com a Casa Branca: Presidenta, evite os "esquerdistas", por favor.

pena que é fora do brasil

Dantas manipula a Justiça no Brasil. Na Inglaterra, não

Conversa Afiada


Na foto, uma manifestação em frente ao Supremo da Inglaterra !

O Conversa Afiada re-publica e-mail que recebeu do amigo navegante Luís Roberto Demarco:

Paulo Henrique,

Parabéns pelo record dos 12 milhões de páginas vistas do seu blog!

Como você está sempre atento ao que fazem os Dantas e “assemelhados”, talvez esta notícia seja interesse do Conversa Afiada.

Ganhei mais uma do Dantas na Suprema Corte Inglesa (Her Majesty Privy Council – Conselho Privado da Rainha – que é a Suprema Corte para todos os casos judiciais dos ex-territórios ingleses – Cayman, Chipre, Ilhas Mauricio, Hong Kong, BVI, India, etc - que usam a Justiça Inglesa fora da Inglaterra).

Dessa vez o Privy Council mandou o Opportunity me pagar 130 mil libras esterlinas ( 350 mil reais ) de custas por uma ação no Privy Council de 2006, que o Opportunity também perdeu (alias, perdeu TODAS!).

Houve duas audiências neste ano de 2010 somente para isso.

A última foi na sexta, 19/11, perante Master O’Hare, o “juiz de custos” do Privy Council.

A decisão é final e inapelável. Master O’Hare disse na audiência que ele acreditava que essa era a mais alta conta de custos jamais dada a uma parte em um processo no Privy Council.

Por que será que um caso entre 2 brasileiros teria a maior indenização de custos de advogados na Suprema Corte Inglesa? É claro que existiram inúmeros casos muito maiores nessa Corte SECULAR. Imagine a quebra do Banco Barings de Hong Kong que causou uma crise mundial; imagine os casos entre países, as causas decorrentes das Grandes Guerras etc.

O que acontece é que EM TODOS ESSES CASOS OS PERDEDORES PAGAM PACIFICAMENTE!

No caso do Dantas, acostumado à impunidade no Brasil e com todo o dinheiro que a privatização lhe deu, ele prefere gastar mais com advogados para promover uma vingança pessoal contra quem o desafia, para tentar procrastinar, para tentar não pagar nunca o que é devido, para tentar ”cansar” a Justiça.

O mesmo comportamento se vê de forma idêntica em diversas situações, das quais destaco duas delas.

Em Cayman, o Chief Justice Smellie (Chefe da Grand Court of the Cayman Islands) foi obrigado a designar um juiz da Corte para olhar as contas de custos dos processos que o Dantas perdeu por lá para mim desde 1999.

O Chief Justice Smellie disse que NUNCA teve que designar um juiz para gastar tempo em revisar custos.

A Corte de Cayman tem poucos juízes, e um deles vai ter que gastar dias para revisar minutos gastos por advogados e contas de viagem.

A primeira vez, veja bem !, a primeira vez na História, é com o Daniel Dantas, que não sabe ou não aceita perder, e que prefere ficar gastando com advogados para prolongar suas brigas (neste caso, suas derrotas!).

O outro sintoma está destacado na sentença do juiz De Sanctis ao condenar Daniel Dantas a 10 anos de cadeia por corrupção ativa:

“O banqueiro não pára: insiste, alardeia, ilude e intimida, e mais, desvia o foco – ações típicas de alguém que deseja a qualquer custo encerrar a presente ação policial com a destruição da Operação Satiagraha. … acredita no dinheiro como algo determinante de suas ações ou omissões, bem como de todas as pessoas que passam por seu caminho”

A análise do comportamento do Daniel Dantas sumarizada nessa sentença condenatória se repete na Inglaterra, em Cayman, em todo lugar.

Fora do Brasil entretanto, Dantas coleciona fracassos.

Um abraço. Demarco.

Clique aqui para ler “Kenarik 10 x 0 Gilmar”.

e os mauricinhos seguem em frente

Não é sobre drogas. É sobre território e armas, estúpido

Conversa Afiada
 
Com o teleférico, o trabalhador do Alemão vai dormir duas horas a mais. Que horror !

Uma conversa com o excelente policial delegado Beltrame neste sábado à tarde, na Secretaria de Segurança, no prédio da Central do Brasil, no Rio, deixa muito claro o que está por trás da vitoriosa estratégia dele.

Ele combate o tráfico de drogas, sim.

Mas, isso é secundário.

Sempre haverá consumo de drogas e sempre haverá uma forma ilícita de atender a esse consumo.

O problema do Rio, diz Beltrame, é que uma parte do território nacional – o complexo do Alemão – não podia ficar mais sob o controle do terror e da ditadura dos traficantes.

Não se pode imaginar que o Estado brasileiro entrasse ou controlasse a integridade de seu território – menos o complexo do Alemão.

Trata-se de uma questão de Segurança Nacional, que transcende os hábitos dos mauricinhos da classe média.

Esse pessoal que agride homossexual com lâmpada fosforescente.

Sempre haverá alguém para levar droga a esse tipo de consumidor.

O consumidor de crack é outra questão.

É uma questão de política social agressiva, como a que o Padim Pade Cerra jamais montou.

E, do centro de São Paulo, em direção à Av. Paulista, as ruas se tornaram um espetáculo degradante de miseráveis que se destroem com as pedras de crack e se deitam na primeira pilastra que encontram.

E os mauricinhos seguem em frente, protegidos pelo vidro fumê do automóvel.

A batalha contra o crack começa na UPP.

Clique aqui para ler no G1: “Alemão terá UPP até primeiro semestre de 2011, diz Cabral”.

Clique aqui para ler no UOL: “Exército ficará no Alemão até UPP chegar, diz Cabral”.

O Padim Pade Cerra jamais entendeu isso.

Como o Fernando Henrique jamais entendeu quando era presidente: lavou as mãos.

Ele dizia que o crime é problema dos Estados e não do Governo Federal.

Foi preciso o Lula botar o Jobim para trabalhar e entregar os anfíbios da Marinha e os blindados do Exercito no Alemão, para desmoralizar o “Estado Mínimo” do FHC e do Serra.

A prioridade do Beltrame e do Sérgio Cabral é o Estado.

A integridade do território nacional.

E, com isso, levar cidadania aos bairros pobres: escola, saúde, habitação, transporte.

Agência de banco.

Energia elétrica que não seja gato.

Esgoto sanitário.

É tomar conta do pedaço.

Como me disse um policial, no alto de um blindado: estamos devolvendo a eles o que é deles.

Clique aqui para ler “Beltrame passa com um anfíbio por cima do PiG de São Paulo”.

Clique aqui para ler “Beltrame para diretor geral da Polícia Federal – é uma forma de a PF voltar a ser Republicana”.

Três anos atrás esse ordinário blogueiro foi fazer uma reportagem no Alemão.

Viu que os caveirões não podiam subir por causa das barricadas de concreto, e porque os traficantes derramavam gasolina no asfalto: os caveirões derrapavam e não seguiam adiante.

E, há três anos, viu também as obras de alguns projetos do PAC.

O PAC estava empacado, como diz o PiG (*).

Neste último fim de semana encontrei lá, prontos e em uso.

Prédios de apartamentos do Minha Casa Minha Vida.

A escola “Jornalista Tim Lopes”.

E uma Unidade de Pronto Atendimento de Saúde.

O PAC devidamente desempacado, para desespero do PiG (*).

Também vi no alto do morro, uma laje azul: o teleférico, que se inaugura ainda no Governo Lula.

Que vai levar o morador do alto do morro à estação de metrô.

O trabalhador vai dormir duas horas a mais, por dia.

São cinco estações de teleférico dentro do Alemão.

Como já existe no Pavão-Pavãozinho.

Um horror !

Prioridade do Beltrame também é desarmar o tráfico.

Não deixar o tráfico subjugar os moradores.

Ameaçar a cidade.

Fechar os túneis.

Matar inocentes.

Arma, só nas mãos do Estado ou daqueles que a Lei considera aptos a portá-las.

Um problema é a Lei de Execuções Penais.

O crime vem de fora do Estado do Rio, me disse o Beltrame.

Sim, das mulheres e advogados que vão visitar criminosos nos presídios de segurança máxima e, sob a proteção da Lei de Execuções Penais, trazem mensagens para os morros.

Ordens para atacar a Polícia.

O Obama manda no Bronx.

No Bronx não tem traficante armado, pronto para enfrentar a polícia e Nova York.

Mas, tem muito mauricinho que cheira.

Como em todo lugar do mundo.

Só na elite branca de São Paulo é que ninguém cheira nem faz aborto.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

ocupação sem baixas(?)

Beltrame encontra os

traficantes do Estadão

Conversa Afiada

Ontem no Alemão, Zeu demonstrou como fugir de Beltrame


O Estadão disse que a ocupação do Alemão não adiantou, porque todos os traficantes fugiram.

Clique aqui para ler “Beltrame passa por cima do PiG de SP com um anfíbio da Marinha”.

O Beltrame explicou a este ordinário blogueiro, na entrevista que irá ao ar na Record News amanhã às 21h15, que o traficante sem território e sem arma não vale nada.

Agora, no jornal hoje, Beltrame explicou de novo:

“Bandido sem casa, sem arma, sem droga é bem menos bandido que ontem”.

Clique aqui e confira o vídeo com a declaração de Beltrame, que foi ao ar no jornal hoje.

esse bessinha é gêniuuu

Bomba ! Bomba ! Bessinha desnuda o STF do Gilmar

Conversa Afiada
 

Depois de profunda análise sobre os HCs do Danial Dantas, o passador de bola apanhado no ato de passar bola, e do Dr Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos (por enquanto) de prisão, Bessinha mergulhou em douta literatura forense e descobriu como funcionava o STF do Gilmar.


Sempre nos recessos !

Calma, calma, amigo navegante.

Não se preocupe.

O pescoço do Bessinha não corre nenhum risco.

O Ministro Ayres Britto, em sábia decisão, decidiu que o humor faz parte da liberdade de expressão.

Ayres Britto, por sinal, acaba de dizer que o Judiciário (tipo Gilmar) é o maior obstáculo à liberdade de imprensa no Brasil.

domingo, 28 de novembro de 2010

de derrota em derrota a gente se esfarela

O Brasil derrota o Brasil. Para delírio do Brasil

por Luiz Carlos Azenha

A população brasileira vibra. “Forças de segurança” garantiram a vitória do Brasil contra… quem mesmo? O Brasil.

Finalmente, nossa gloriosa bandeira está hasteada em Iwo Jima.


A foto foi publicada no site do Sidney Rezende.


O discurso é grandiloquente: o território teria sido “libertado”, o “momento simbólico entra para a história”, é a “atitude emblemática”.

Na cobertura dos acontecimentos do Rio de Janeiro só está faltando aquela vinheta “Brasil!” que a Globo usa na Copa do Mundo.

Em uma única edição do Jornal Nacional, dois populares apareceram falando na vitória do “bem”.

É a negação, pela força, de que o “mal” também somos nós, brasileiros.

Ou fomos invadidos por uma força estrangeira de traficantes? Seriam seres extraterrestres os bandidos do Alemão? Seriam resultado de geração espontânea?

Por trás do heroísmo do BOPE, dos blindados que sobem o morro com a bandeirinha do Brasil tremulando, dos repórteres que usam coletes à prova de bala, por trás de todo o circo há uma guerra do Brasil contra o Brasil.

Os “ratos” que fogem pelo esgoto somos todos nós, brasileiros.

É nessa hora da “exceção” que reconhecemos o verdadeiro Brasil: o que clama pelo fuzilamento, o que nega direitos básicos elementares para os outros (inviolabilidade do domicílio, por exemplo), o que se concentra em soluções de curto prazo, o que esconde a miséria quando vai receber visita (o mais importante é ‘preparar o Rio’ para a Copa e as Olimpíadas).

A maconha, a cocaína e as anfetaminas amplamente consumidas nas festas e casas da classe média brasileira, afinal, aparecem lá por “geração espontânea”, do mesmo jeito que os traficantes do Alemão e da Vila Cruzeiro.

Como escreveu o Sakamoto, o Brasil perdoa o Brasil que usa métodos criminosos contra criminosos.

Como escreveu o Luiz Eduardo Soares, o Brasil busca as soluções fáceis, pirotécnicas, maniqueístas.

Para que tudo continue como está, eu acrescentaria. Para que o Brasil continue gastando mais com juros do que com saúde, educação e salários.

Para que, assim que a farsa acabar, os “heróis” de hoje sejam acusados de abalar as contas públicas, se continuarem a reivindicar a aprovação da PEC 300, a que visa criar um piso salarial para os policiais brasileiros.

Deveríamos ter vergonha de ter deixado as coisas chegarem onde chegaram. Deveríamos ter a decência de não usar o patriotismo onde cabe a vergonha.

ah! essa maconha que os mauricinhos e as patricinhas esfumaçam

Vale-tudo: o Estado pode usar métodos de criminosos?

Sakamoto

Um colega de um grande veículo de comunicação me perguntou, na manhã de hoje, qual minha posição sobre uma discussão que ganhou algumas redações: por que a polícia não metralhou os 200 traficantes da Vila Cruzeiro quando estes corriam em fuga após a entrada dos blindados da Marinha na comunidade. Segundo ele, parte das opiniões culpou a “turma dos direitos humanos”, que iria chiar internacionalmente quando a contagem de corpos terminasse, manchando a imagem do Rio de Janeiro (como se o Estado precisasse de ajuda para isso). Outra acredita que as câmeras presentes nos helicópteros da Globo e da Record que sobrevoavam a área – e foram alvo de reclamações do Bope pelo twitter (ah, esse admirável mundo novo…) – impediram um massacre. Uma terceira falou das duas ao mesmo tempo.

De qualquer maneira, o problema em questão não é de que o “Estado não pode usar método de bandido sob o risco de se tornar aquilo que combate”, mas sim de que “droga, tem alguém olhando”. Muita gente torceu para que os criminosos em fuga fossem executados sumariamente. Ao mesmo tempo, parte da imprensa (e não estou falando dos programas sensacionalistas espreme-que-sai-sangue) parece vibrar a cada pessoa abatida na periferia, independentemente quem quer que seja. Jornalistas, cuja opinião respeito, optaram pela saída fácil do “isso é guerra e, na guerra, abre-se exceções aos direitos civis”, tudo em defesa de uma breve e discutível sensação de segurança. Afe.

Relembrar é viver: as batalhas do tráfico sempre aconteceram longe dos olhos da classe média e da mídia, uma vez que a imensa maioria dos corpos contabilizados sempre é de jovens, pardos, negros, pobres, que se matam na conquista de territórios para venda de drogas ou pelas leis do tráfico. Os mais ricos sentem a violência, mas o que chega neles não é nem de perto o que os mais pobres são obrigados a viver no dia-a-dia. Mesmo no pau que está comendo hoje no Rio, sabemos que a maioria dos mortos não é de rico da orla, da Lagoa, da Barra ou do Cosme Velho. Considerando que policiais, comunidade e traficantes são de uma mesma origem social, é uma batalha interna. Então, que morram, como disseram alguns leitores esquisitos que, de vez em quando, surgem neste blog feito encosto.

De tempos em tempos, essa violência causada pelo tráfico retorna com força ao noticiário, normalmente no momento em que ela desce o morro ou foge da periferia e no, decorrente, contra-ataque. Neste momento, alguns aproveitam a deixa para pedir a implantação de processos de “limpeza social”. Já bloqueei comentários que, praticamente, pediam que os moradores de favelas fossem retirados do Rio.

Quando a atual onda de violência acabar, gostaria que fossem tornados públicos os exames dos legistas. Afinal de contas, acertar um tiro na nuca de um suspeito no meio de um confronto armado demanda muita precisão do policial – e depois registrar o ocorrido como auto de resistência demanda criatividade. Em 2007, a polícia chegou chegando nos morros, cometendo barbaridades, sem diferenciar moradores e traficantes, sem perguntar quem era quem. Duas dezenas de pessoas morreram. Naquele momento, o Rio optou pelo caminho mais fácil do terrorismo de Estado ao invés de buscar mudanças estruturais (como garantir qualidade de vida à população para além de força policial dia e noite) para viabilizar os Jogos Panamericanos. Imagina agora com a Copa e as Olimpíadas então. Dose dupla.

Ninguém está defendendo o tráfico, muito menos traficantes (defendo a descriminalização das drogas como parte do processo de enfraquecimento dos traficantes, mas isso é história para outro post). O que está em jogo aqui é que tipo de Estado queremos e o tipo de sociedade que estamos nos tornando. Muitas das ações que estão ocorrendo vão criar uma sensação de segurança na população passageira e irreal, que vai durar até a próxima crise.

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BAITASAR
O Baitasar é um ajudante resmungão (mas não está às ordens) do blog do mauro, sem salário ou qualquer pagamento de serviço prestado (ainda estamos discutindo, entre uma rodada de chopp e uma lasquinha do churrasco já frio do meio-dia, qual é o serviço que ele pode prestar), é inconformado com essas coisas da polícia chegar chegando.

Parou com a sua peça oratória, lá dentro do banheiro. Com um profundo suspiro de alívio despeja quase todo chopinho que já bebeu (nem foi muito, fica mais pela conta do folclore).

Quando toma assim o seu chopinho gelado e sem colarinho, lá pelo fim da tardinha, me acusa de blogueiro sujo e desanda com seus discursos.

Fico em silêncio ouvindo

"Guri, se essa onda da polícia chegar chegando... pega, vai ter muito comerciante escondido por aí, com medo do arrastão da tropa de elite. Sem falar muito alto, assim bem baixinho, tem comerciante comprando mercadoria roubada".

Pergunto se ele tem algum nome pra denunciar. O Baitasar pede licença e vai ao banheiro, a caneca do chopp numa das mãos.

Na volta do desarranjo da bexiga, continua

"A maconha que os mauricinhos e as patricinhas esfumaçam é que faz essa correria. Tem também a cocaína, as anfetaminas, a gurizada consome o que cai na rede."

Pergunto qual a solução, pensando que ele se abala e some pelo vaso sanitário. Pede mais um chopinho, passa o punho pelo bigode e

"É um problema muito complexo. Não tem vítima aceitável, mas esse senso comum me embrulha o estômago."

Para com a caneca no ar, fica pensativo, larga a caneca na mesa e me olha

"Me responde uma coisinha... blogueiro sujo."

Faço com a cabeça um sinal afirmativo

"Se fosse com os mauricinhos e as patricinhas, seria abuso de poder? Mas como é com pobre a policia está certa?"

Vou responder que a polícia está em guerra com os traficantes, mas ele já levantou e foi ao banheiro.

a música faz os ninhos do futuro

Música Cubana







mais do que nunca a poesia

A Companheira

Diário Gauche


Mais do que nunca a poesia, hoje, mais que nunca, com seu exorcismo de chacais, com uma chama purificadora e sua memória obstinada.


Açoitada por uma história vertiginosa, onde nos perdemos no redemoinho astronômico da informação, a poesia mais do que nunca: seus olhos seletores fixando o que não temos o direito de esquecer, salvando pássaros, instantes mágicos como o brilho de luzes cintilantes, como auroras soberbas, luas, a beleza, a dignidade da vida.

Mais do que nunca, ali onde abutres de fora e de dentro assanham-se contra os olhos abertos de um povo, arrancam e destroçam as flores do sorriso e o sonho: caricaturas de si mesmos, milionários e coronéis cheirando à morte; contra eles, mais que nunca, a poesia.

Na memória dos homens que lutam, ela é sempre uma fonte de armas, a chama do fogão e a espessura dos montes, o trago d’água, a que estende a mão à batalha e ao repouso.

Mais que nunca a poesia, porque nela faz ninho o futuro.

Julio Cortázar 

pimenta nos olhos dos outros é festa

Ortodoxia liberal? Só para os outros

RS Urgente



Em um pequeno mas agudo artigo publicado no jornal Público, de Madri, o economista José Maniel mostra que, enquanto defende a ortodoxia liberal para apertar as rédeas dos demais países, os EUA aproveitam sua posição de domínio para dar um show da mais absoluta heterodoxia, com o objetivo de animar os mercados financeiros com uma injeção de liquidez de US$ 600 bilhões, esperando que isso acabe animando o pulso da conjuntura econômica em geral. Enquanto os estados da União Europeia tratam penosamente de apertar o cinto, os EUA emitem dinheiro para comprar sua própria dívida.


Com tanto empenho para “sair da crise” está se perdendo de vista o horizonte de racionalidade e falta de solidariedade que vinha sendo apontado pela atual globalização financeira. Neste mundo financeiramente globalizado, mas econômica e socialmente fragmentado, as urgências para “sair da crise” acabaram também eclipsando as críticas ao sistema monetário internacional e às práticas que motivaram essa crise.

Em princípio, considerou-se que a crise era o resultado lógico da dinâmica de funcionamento do capitalismo financeiro. Portanto, o objetivo de favorecer a estabilidade do sistema monetário internacional exigia questionar essa dinâmica estabelecendo novos mecanismos de regulação e controle que não chegaram a se concretizar de modo efetivo. O contexto que marcou a recente reunião do G-20 confirmou o desgoverno das finanças planetárias.

Pouco antes dessa reunião teoricamente orientada para coordenar as políticas dos países, os Estados Unidos, líder mundial das finanças, decidiu unilateralmente emitir 600 bilhões de dólares destinados a comprar sua própria dívida pública. Ou seja, quando os estados da União Europeia tratam penosamente de apertar o cinto e sanear suas dívidas, os EUA encomendam a seu próprio banco central a emissão de dinheiro para comprar suas próprias dívidas. Depois de tanto criticar Madoff e outros magos das finanças por emitir títulos sem respaldo ou contrapartida alguma, os EUA fazem o mesmo impunemente em uma escala muito maior para recomprar suas próprias dívidas.

Em resumo, enquanto defende a ortodoxia liberal para apertar as rédeas dos demais países, os EUA aproveitam sua posição de domínio para dar um show da mais absoluta heterodoxia, com o objetivo de animar os mercados financeiros com tal injeção de liquidez, esperando que, com isso, acabe animando também o pulso da conjuntura econômica em geral.

Estas medidas já não apontam para incentivar a demanda ou o emprego, mas sim para alimentar diretamente e sem rodeios esse coquetel explosivo de abundante liquidez barata e de desregulação e relaxamento da disciplina financeira que justamente originou a crise. Em vez de favorecer o investimento produtivo mediante estímulos keynesianos, está se preparando o caldo de cultivo propício para que prosperem novas bolhas que serão novamente fonte de instabilidade.

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BAITASAR

O Baitasar é um ajudante (mas não está às ordens) do blog do mauro, sem salário ou qualquer pagamento de serviço prestado (ainda estamos discutindo, entre uma rodada de chopp e um pacote de pipoca, qual é o serviço que ele pode prestar), olhou bem nos olhos, está em frente ao espelho do banheiro (tanto chopp precisa sair), a caneca em uma das mãos.

A outra mão está agarrada na cordinha da caixa d'água (ele fala como se estivesse de mexerico, não escuto direito) a voz do Baitasar se confunde com a descarga de água

"Eu te disse, só essa porcaria do fhc pra acreditar nos gringo e mostrar a nossa bunda pra eles, sim senhor, não senhor, vamos fazer... sim senhor. Façam o que nós mandamos, mas não façam o que fazemos".

Ele sai do banheiro e pede mais um chopinho

"Precisou vir um nordestino botar esses gringos no lugar deles."

a nossa saúde e os tostões que lucram... coitados

A indústria dos planos de saúde contra Michael Moore


RS Urgente

Amy GoodmanDemocracy Now

Michael Moore, ganhador do Oscar como melhor documentarista, faz excelentes filmes que, em geral, não são consideradas obras de suspense que gerem a sensação de estar “à beira do abismo”. Tudo isso poderia mudar a partir de uma denúncia feita por um informante do noticiário de Democracy Now, segundo a qual executivos de empresas de planos de saúde pensaram que talvez fosse necessário por em marcha um plano para “atirar Moore pelo precipício”.

O informante era Wendel Potter, ex portavoz da gigante dos planos de saúde Cigna. Potter mencionou uma reunião de estratégia industrial na qual se tratou do tema de como responder ao documentário “Sicko”, de Michael Moore, produzido em 2007, filme que critica a indústria de seguros de saúde dos Estados Unidos. Potter me disse que não estava seguro da gravidade da ameaça, mas acrescentou em tom inquietante: “Ainda que não tenham pensado em fazer isso literalmente, para ser honesto, quando comecei a fazer o que estou fazendo, temi por minha própria saúde e bem estar; talvez tenha sido paranoia, mas essas empresas jogam para ganhar”.

Moore ganhou um Oscar em 2002 com seu filme sobre a violência armada intitulada “Bowling for Columbine”. Logo depois fez “Fahrenheit 9/11”, um filme sobre a presidência de George W. Bush que se transformou no documentário de maior arrecadação na história dos Estados Unidos. Quando Moore disse a um jornalista que seu próximo trabalho seria sobre o sistema de saúde estadunidense, a indústria de planos de saúde tomou nota.

A associação comercial Planos de Seguro de Saúde dos Estados Unidos (AHIP, na sigla em inglês), principal grupo de pressão das empresas do setor, teve um enviado secreto na estreia mundial de “Sicko” no Festival de Cannes, na França. O agente saiu rapidamente da estreia e foi participar de uma teleconferência com executivos da indústria, entre eles Potter.

“Tínhamos muito medo”, disse Potter, “e nos demos conta de que teríamos que desenvolver uma campanha mais sofisticada e cara para conseguir rechaçar a ideia da cobertura de saúde universal. Temíamos que isso realmente despertasse a opinião pública. Nossas pesquisas nos diziam que a maioria das pessoas estava a favor de uma intervenção maior do governo no sistema de saúde”.

A AHIP contratou uma equipe de relações públicas, APCO Worldwide, fundada pelo poderoso escritório de advogados Arnold & Poter, para coordenar a resposta. A APCO formou o falso movimento de base de consumidores “Health Care America” para contrapor a prevista popularidade de “Sicko”, o filme de Moore, e para gerar medo em torno do chamado “sistema de saúde dirigido pelo governo”.

Em seu recente livro “Deadly Spin: An Insurance Company Insider Speaks Out on How Corporate PR is Killing Health Care and Deceiving Americans” (Giro mortal: um informante explica como as relações públicas das empresas de seguros estão acabando com o sistema se saúde e enganando os estadunidenses) Potter escreve que se encontrou “com um filme muito comovedor e eficaz na hora de condenar as práticas das empresas privadas de seguros de saúde. Várias vezes tive que fazer um esforço para conter as lágrimas. Moore conseguiu entender bem qual é o problema”.

A indústria de seguros anunciou que sua campanha contra “Sicko” havia sido um rotundo sucesso. Potter escreveu: “AHIP e APCO Worldwide conseguiram introduzir seus argumentos na maioria dos artigos sobre o documentário quando nenhum jornalista havia investigado o suficiente para descobrir que as empresas tinham fornecido a maior quantidade de dinheiro para a criação da Health Care America. De fato, todos, desde a cadeia de notícias CNN até o jornal USA Today, referiram-se a Health Care America como se fosse um grupo legítimo.

O jornal New York Times publicou um artigo, uma espécie de resenha de “Sicko”, na qual citava o porta voz da Health Care America dizendo que isso representava um passo na direção do socialismo. Nem esse jornalista, nem nenhum outro que tenha visto, tentaram tornar público que, de fato, este movimento estava financiado em grande medida pelas empresas de seguro da saúde.

Moore disse que Potter era o “Daniel Ellsberg dos Estados Unidos corporativo”, uma referência ao famoso informante do Pentágono cujas revelações ajudaram a por fim à guerra do Vietnã. A corajosa postura de Potter gerou um impacto no debate, mas a indústria dos planos de saúde, os hospitais e a Associação Médica Estadunidense continua debilitando os elementos do plano que ameaça os seus lucros.

Um estudo recente da Faculdade de Medicina de Harvard indicou que quase 45 mil estadunidenses morrem anualmente (um a cada doze minutos) principalmente porque não têm seguro de saúde. Mas para o grupo pressão das empresas, a única tragédia seria a possibilidade de uma verdadeira reforma do sistema de saúde. Em 2009, as maiores empresas do setor destinaram mais de 86 milhões de dólares à Câmara de Comércio dos Estados Unidos para que esta se opusesse à reforma do sistema de saúde. Este ano, as cinco maiores seguradoras do país aportaram uma soma de dinheiro três vezes maior tanto para candidatos republicanos como para democratas com a intenção de fazer retroceder ainda mais a reforma da saúde. O representante democrata por Nova York, defensor do sistema de saúde público, declarou no Congresso que “o Partido Republicano é uma subsidiária que pertence por completo à indústria de seguros”.

“Provavelmente estarão a favor da retórica das empresas privadas quando afirmam que necessitamos ter mais ‘soluções baseadas no mercado’ (como eles dizem) e menos regulações, que, sem dúvida, são o tipo de coisa que os republicanos vão tratar de conseguir porque regulação é o que essas empresas não querem”, disse Potter.

A indústria de seguros da saúde não está desperdiçando seu dinheiro. Moore disso: “Neste informe estratégico compilado pelas empresas acerca do dano que “Sicko” poderia ocasionar, há uma linha que basicamente diz que no pior dos casos o filme poderia desencadear um levante populista contra as companhias. Essas empresas, em 2006 e 2007, já sabiam que os estadunidenses estavam fartos das empresas de seguros com fins lucrativos e que um dia o povo poderia se levantar e dizer ‘isto terminou’. Este é um sistema enfermo: permitimos que as empresas lucrem a nossa custa quando ficamos doentes!”

Isso é estar doente de verdade.

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BAITASAR

O Baitasar é um ajudante (mas não está às ordens) do blog do mauro, sem salário ou qualquer pagamento de serviço prestado (ainda estamos discutindo, entre uma rodada de chopp e um pote de pipoca, qual é o serviço que ele pode prestar), é inconformado com essas coisas de lucro com a saúde das pessoas.

É desconfiado com essas coisas de planos de saúde, blá,bla,bla,blablabla...

Agora mesmo, depois de ler a publicação do RS Urgente a paranóia desandou, meu Deus, não sabe se vai de pipoca ou chopp.

Numa das mãos a pipoca, na outra o chopp sem colarinho, erguidas junto com a voz, "Publica esse comentário, publica esse comentário".

Então, como não quero perder um ajudante que não faz nada, mas não custa nada, segue o comentário de um amigo navegante do RS Urgente:

jorge Loeffler

Nov 28th, 2010 at 12:32 pm

Eu já vinha com uma idéia faz alguns dias. Sendo hipertenso, compro sal de cozinha pagando quase dez reais o quilo por dizer na embalagem que contém menor quantidade de sódio. Como faz muitos anos que assino a revista ProTeste, uma das melhores coisas que se edita neste país. Essa instituição não tem vínculo com produtor algum do país. Ela compra várias modelos de determinados produtos no comércio como qualquer outro consumidor, manda à empresas especializadas seja feita avaliação sobre vários itens tais como consumo d energia De posse dos relatórios ela os publica e aponta qual produto que reúne as melhores condições ao consumidor. Como sei que a indústria farmacêutica vive da desgraça dos consumidores penso que possa haver interesses cruzados. Explico antes que semana passada algum órgão do governo revelou que muitos alimentos estão contendo sódio em excesso. Isto provoca e agrava a hipertensão. Fiquei então pensando se não há interesses de determinados indivíduos que tenham papéis nesses dois setores, de um lado farmacêutico e de outro a indústria de alimentos. Isto é algo possível de averiguar cruzando documentos da Receita Federal. Se confirmadas minhas suspeitas estes deveriam ser enjaulados imediatamente e principalmente denunciá-los ao povo assim como suas empresas, sendo então varridos da sociedade definitivamente.