sábado, 5 de maio de 2012

e o candidato do carapálida atolando na ... nada como uma cachoeira depois de uma privataria!


CPI da Veja vai afogar
o Cerra e o Paulo Preto


Conversa Afiada







A revista IstoÉ que está nas bancas segue a promissora trilha que se abriu aqui neste ansioso blog – “quando é que o Cerra e o Paulo Preto vão fazer uma visitinha à CPI?”, e no Viomundo, comimpecável reportagem de Conceição Lemes.

E o amigo navegante pensava que a candidatura do Cerra ia naufragar na CPI da Privataria …

Afogou-se antes, na Cachoeira da Veja e da Globo:
O esquema Cachoeira e o governo Serra

CPI e Ministério Público investigam como o grupo do bicheiro Carlinhos Cachoeira atuou em São Paulo através de contratos da construtora Delta com a Prefeitura e o Estado em obras na marginal Tietê
Pedro Marcondes de Moura



Os desdobramentos da Operação Monte Carlo, que investiga as relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com governos estaduais e municipais, chegaram ao principal bunker da oposição: o Estado de São Paulo. Em Brasília, parlamentares que compõem a “CPI do Cachoeira” já tiveram acesso a conversas telefônicas gravadas com autorização judicial entre junho do ano passado e janeiro deste ano. Elas apontam que a construtora Delta, braço operacional e financeiro do grupo do contraventor, foi favorecida nas gestões de José Serra (PSDB) e de seu afilhado político Gilberto Kassab (PSD) na prefeitura e também quando o tucano ocupou o governo do Estado. Em 31 de janeiro deste ano, por exemplo, Carlinhos Cachoeira telefona para Cláudio Abreu, o representante da empreiteira na região Centro-Oeste, atualmente preso sob a acusação de fraudar licitações e superfaturar obras. Na ligação (leia quadro na pág. 43), o bicheiro pergunta se Abreu teria conversado com Fernando Cavendish, oficialmente o dono da construtora, sobre “o negócio do Kassab”. Em seguida, diz a Abreu que o prefeito de São Paulo “triplicou o contrato”. Essa conversa, segundo membros da CPI e do Ministério Público de São Paulo, é um dos indícios de que a organização de Cachoeira também teria atuado com os tucanos e seus aliados em São Paulo. “Os depoimentos de Cachoeira e Abreu serão fundamentais para que se descubra o alcance das relações entre a empreiteira e políticos”, diz o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG).

A Delta começou a prestar serviços à capital paulista em 2005, quando Serra assumiu o comando do município. Inicialmente, os contratos somavam R$ 11 milhões. A partir de 2006, quando Serra deixou a prefeitura e venceu as eleições para governador, os negócios da empreiteira com o município se multiplicaram, em muitos casos sem licitação. Em 2010, ano em que o tucano disputou a Presidência, os repasses chegaram a R$ 36,4 milhões. Entre 2008 e 2011, os pagamentos da prefeitura para a Delta ultrapassaram R$ 167 milhões. O que chama mais a atenção da CPI e do Ministério Público de São Paulo, porém, é o fato de a Delta ter vencido em outubro do ano passado uma concorrência para limpeza urbana no valor de R$ 1,1 bilhão. O MP abriu um inquérito para apurar se houve fraude na licitação. Há suspeitas de uso de documentos falsos e de edital dirigido. “Se a Delta cometeu essas irregularidades em outros Estados e municípios, precisamos apurar se isso ocorreu também em São Paulo”, diz o promotor Silvio Marques, do Patrimônio Público. Na quarta-feira 2, ele encaminhou ofício à PF, solicitando acesso às investigações da Operação Monte Carlo.

(…)

Segundo documentos obtidos por ISTOÉ, a obra da Marginal era acompanhada dentro do governo de São Paulo por Delson José Amador e Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que no PSDB é identificado como um dos arrecadadores das campanhas eleitorais de Serra. Tanto Paulo Preto como Amador são citados na Operação Castelo da Areia, da Polícia Federal, por suposto envolvimento com empreiteiras. Pelo lado da Delta, o responsável pelo gerenciamento da obra era o diretor da empreiteira para a região Sudeste, Heraldo Puccini Neto. Ele está foragido, após ter a prisão preventiva decretada por envolvimento em suposto esquema de fraude em licitações na área de transporte público do Distrito Federal. “A apuração sobre os contratos da Delta com o governo paulista pode levar ao caixa 2 dos tucanos em São Paulo”, afirma o deputado estadual João Paulo Rillo (PT). “Não podemos nos limitar a fazer uma análise política”, diz o líder tucano Álvaro Dias (PR). “Devemos checar todos os contratos da Delta para saber de que forma foram celebrados e se os preços praticados foram justos. Afinal, a empresa foi a principal patrocinadora da relação do bicheiro Cachoeira com os recursos públicos.”

(…)

NAVALHA



Cerra e Paulo Preto prestam homenagem a este ansioso blogueiro com furibundas ações judiciais.

Diz-me quem te processa e dir-te-ei quem és.

A propósito, leia o post “Ayres Britto vai ensinar ‘liberdade de expressão’ a juízes”.






Paulo Henrique Amorim

sexta-feira, 4 de maio de 2012

os silêncios do jornalismo brasileiro em defesa da casa-grande... seus donos moram nela


Mino e a CPI: 
a Veja, Dantas e a bandidagem


Conversa Afiada




Momento épico. Um daqueles atingidos pela Veja. E onde ficam os porões, caras-pálidas?

Saiu na Carta Capital que chega nesta sexta-feira às bancas:

Trevas ao meio-dia


Por que a mídia nativa fecha-se em copas diante das relações entre Carlinhos Cachoeira e a revista Veja? O que a induz ao silêncio? O espírito de corpo? Não é o que acontece nos países onde o jornalismo não se confunde com o poder e em vez de servir a este serve ao seu público. Ali os órgãos midiáticos estão atentos aos deslizes deste ou daquele entre seus pares e não hesitam em denunciar a traição aos valores indispensáveis à prática do jornalismo. Trata-se de combater o mal para preservar a saúde de todos. Ou seja, a dignidade da profissão.

O Reino Unido é excelente e atualíssimo exemplo. Estabelecida com absoluta nitidez a diferença entre o sensacionalismo desvairado dos tabloides e o arraigado senso de responsabilidade da mídia tradicional, foi esta que precipitou a CPI habilitada a demolir o castelo britânico de Rupert Murdoch. Isto é, a revelar o comportamento da tropa murdoquiana com o mesmo empenho investigativo reservado à elucidação de qualquer gênero de crime. Não pode haver condão para figuras da laia do magnata midiático australiano e ele está sujeito à expulsão da ilha para o seu bunker nova-iorquino, declarado incapaz de gerir sua empresa.

O Brasil não é o Reino Unido, a gente sabe. A mídia britânica, aberta em leque, representa todas as correntes de pensamento. Aqui, terra dos herdeiros da casa-grande e da senzala, padecemos a presença maciça da mídia do pensamento único. Na hora em que vislumbram a chance, por mais remota, de algum risco, os senhores da casa-grande unem-se na mesma margem, de sorte a manter seu reduto intocado. Nada de mudanças, e que o deus da marcha da família nos abençoe. A corporação é o próprio poder, de sorte a entender liberdade de imprensa como a sua liberdade de divulgar o que bem lhe aprouver. A distorcer, a inventar, a omitir, a mentir. Neste enredo vale acentuar o desempenho da revista Veja. De puríssima marca murdoquiana.

Não que os demais não mandem às favas os princípios mais elementares do jornalismo quando lhes convém. Neste momento, haja vista, omitem a parceria Cachoeira-Policarpo Jr., diretor da sucursal de Veja em Brasília e autor de algumas das mais fantasmagóricas páginas da semanal da Editora Abril, inspiradas e adubadas pelo criminoso, quando não se entregam a alguma pena inspirada à tarefa de tomar-lhe as dores. Veja, entretanto, superou-se em uma série de situações que, em matéria de jornalismo onírico, bateram todos os recordes nacionais e levariam o espelho de Murdoch a murmurar a possibilidade da existência de alguém tão inclinado à mazela quanto ele. E até mais inclinado, quem sabe.

O jornalismo brasileiro sempre serviu à casa-grande, mesmo porque seus donos moravam e moram nela. Roberto Civita, patrão abriliano, é relativamente novo na corporação. Sua editora, fundada pelo pai Victor, nasceu em 1951 e Veja foi lançada em setembro de 1968. De todo modo, a se considerarem suas intermináveis certezas, trata-se de alguém que não se percebe como intruso, e sim como mestre desbravador, divisor de águas, pastor da grei. O sábio que ilumina o caminho. Roberto Civita não se permite dúvidas, mas um companheiro meu na Veja censurada pela ditadura o definia como inventor da lâmpada Skuromatic, aquela que produz a treva ao meio-dia.

Indiscutível é que a Veja tem assumido a dianteira na arte de ignorar princípios. A revista exibe um currículo excepcional neste campo e cabe perguntar qual seria seu momento mais torpe. Talvez aquele em que divulgou uma lista de figurões encabeçada pelo então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, apontados como donos de contas em paraísos fiscais.

Lista fornecida pelo banqueiro Daniel Dantas, especialista no assunto, conforme informação divulgada pela própria Veja. O orelhudo logo desmentiu a revista, a qual, em revide, relatou seus contatos com DD, sem deixar de declinar-lhes hora e local. A questão, como era previsível, dissolveu-se no ar do trópico. Miúda observação: Dantas conta entre seus advogados, ou contou, com Luiz Eduardo Greenhalgh e Márcio Thomaz Bastos, e este é agora defensor de Cachoeira. É o caso de dizer que nenhuma bala seria perdida?



Sim, sim, mesmo os mais eminentes criminosos merecem defesa em juízo, assim como se admite que jornalistas conversem com contraventores. Tudo depende do uso das informações recebidas. Inaceitável é o conluio. A societas sceleris. A bandidagem em comum.

E ser capaz de ser diferente. O que só poderá ser, é claro, se for ele mesmo.


Orçamento Participativo, esgotamento de um modelo?

Editorial

 do SUL 21


Matéria veiculada pelo Sul21 hoje (03) dá conta de questionamentos sobre a eficácia técnica e política do Orçamento Participativo. Nascido em Porto Alegre, na gestão petista de Olívio Dutra, o OP conquistou o mundo, tendo sido aplicado nas administrações municipais de centenas de cidades em diferentes países e continentes e um adotado por um leque expressivo de partidos. O OP já foi estudado por diversos acadêmicos, dentre eles o português Boaventura de Souza Santos, da Universidade de Coimbra, e os brasileiros Leonardo Avritzer, da Universidade Federal de Minas Gerais, e Luciano Fedozzi, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
Leia mais:
Ainda que alguns críticos do OP tenham levantado questionamentos sobre sua efetividade como instrumento de ampliação da democracia e estimulador da participação popular na gestão das cidades, a grande maioria dos seus estudiosos o consideram como uma fórmula de sucesso. De acordo com a matéria do Sul21, o urbanista italiano Giovanni Allegretti, em visita a Porto Alegre e após pesquisa realizada em diferentes cidades que têm adotado o OP, considera que existem ao menos duas barreiras para a seu desenvolvimento: a renovação de seus participantes e o atraso e/ou a não realização das obras e serviços aprovados pelas assembleias. A consequência é o risco do descrédito da fórmula participativa.
Os pontos destacados pelo urbanista são relevantes e eles são perceptíveis em Porto Alegre.
Passados 23 anos de existência, os quadros dirigentes do OP pouco se renovaram, gerando um novo tipo de “clientelismo”, e, além disso, poucos jovens foram atraídos para as reuniões. Hoje, segundo levantamento da ONG Cidades, apenas, 1,7% dos conselheiros se encontram na faixa dos 16 aos 25 anos enquanto 44% deles têm 50 anos ou mais. Além disso, durante o período de 19 anos, compreendido entre os anos de 1992 e 2011, das 7.384 obras escolhidas como prioritárias pelos conselheiros do OP apenas 5.559 foram finalizadas, o que implica que 24% delas, ou exatas 1.785 estão inconclusas.
A Prefeitura Municipal de Porto Alegre vem se esforçando para dar vazão às obras aprovadas pelo OP e não realizadas e também para atrair novos participantes ao processo. Fica claro, no entanto, que o modelo participativo gerado pelo OP se encontra atualmente em crise. O ímpeto descrentralizador e mobilizador deflagrado pela luta pelo fim da ditadura militar (1964/185) e incentivado pela Constituição de 1988 parece ter arrefecido. Além disso, o período das grandes mobilizações populares, característico das sociedades industriais e do período de intensificação do processo de urbanização, já foi ultrapassado em grande parte do Brasil e do mundo. Hoje, grande parte das mobilizações ocorrem via internet e redes sociais. No entanto, mesmo que o OP já esteja utilizando estes instrumentos de comunicação e convocação de seus delegados e de debates entre eles, parece que a simples adesão a este instrumental tem sido insuficiente para atrair mais e mais novos adeptos ao seu processo.
Na verdade, a diminuição da participação é hoje um fenômeno mundial que se agrava sobretudo nas regiões onde as demandas básicas da população tenham sido minimamente atendidas, o que parece ser o que ocorre no Brasil hoje e na maioria das suas cidades. A proximidade das eleições municipais, a se realizarem em outubro em todo o poderá, pode servir como um estopim para o enfrentamento desta questão. Uma questão que é, sem dúvida, uma das questões centrais da democracia moderna, qual seja, a de como mobilizar e engajar as mais amplas parcelas da população na gestão das coisas públicas e, ao mesmo tempo, como atender às demandas da população mobilizada.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Cante alto, ouvireis que outros ouvidos ouvem


O bom combate


Tijolaço


O velho Brizola, numa reunião de campanha eleitoral, em 1989, na casa de Chico Buarque, quando lhe perguntaram o que faria ao chegar ao poder, disse naquele estilo desconcertante que o marcava:

- Vou consultar os poetas!

Creio que ali, como em tantas outras vezes, ele fazia uma síntese do que era dar a um desejo, um sentimento, um amor, a uma crença, a forma trabalhosa e burilada de um trabalho, de algo que exige ferramentas, habilidades e suor, sem prescindir jamais do sonho.

A política, para os que crêem nela como forma de materializar o desejo humano, é igualmente assim.

Requer trabalho, esforço, arrependimento, exige riscos e rabiscos para que vá tomando sua forma.

Frequentemente está aquém dos sentimentos imensos que se busca expressar.

Mas está sempre muito, muito além da simples e bruta enunciação de intenções.

Porque – viva o poeta! – há distância entre intenção e gesto.

O gesto político está para a vontade de mudar como o verso está para o sentimento.

É o que conduz, de forma harmônica e inteligível, a mudança, aquilo que a torna compreensível, o que a permite ser sentida, desejada: é o que a simboliza e concretiza.

Fizemos aqui, ao longo de quase três anos, o combate no chão raso.

Sempre em movimento, sempre temerário, sempre arriscado e, sobretudo, sempre abandeirado dos melhores sonhos de liberdade, justiça e progresso para o Brasil.

E que bom combate, esse!

Dele sai-se, às vezes, em farrapos e com muitos arranhões, mas com os olhos brilhantes e apaixonados.

É do conhecimento de todos que Brizola Neto assume, nesta quinta-feira, o cargo de Ministro do Trabalho.

O combate agora é em outro plano, já não é o raso. É complexo, tem outras tarefas, e ele explicará tudo aqui no blog, amanhã, antes da posse.

São novas formas para o mesmo desejo de mudança, novos versos para os mesmos sentimentos.

É a sua sina, com o peso e a responsabilidade do sobrenome que carrega com orgulho e dignidade.

Esse colaborador do guri que vi se transformar em um homem maduro, de caráter forte e temperamento suave, segue com ele, para carregar a mochila de experiências e aprendizados que recolhi todos os dias dos mais de 20 anos que caminhei ao lado de seu avô.

Não é o que queria, mas é o meu dever. E do dever não se foge.

Interromper o Tijolaço é doloroso, mas necessário.

A função pública que ele assume não permitirá que o blog, mesmo escrito apenas por mim – como já vem sendo feito há tempos – evite que sobre ela respinguem os reflexos de um espaço que foi e sempre será o blog do Brizola Neto.

Quem leu destes dois úiltoimos dias sabe que é a ele que se atribui o que aqui se disse, mesmo quando escrevo e assino os posts. Não se passou o primeiro dia sem que se revelasse a fúria e o despeito com que vêem um Brizola, mesmo apenas o neto, sendo parte de um Governo popular e trabalhista.

Porque, mais do que ele pessoalmente possa representar, o simbolismo dessa unidade incomoda aos que temem que o passado e o presente se unam para parir o futuro.

Ele, portanto, está correto, porque agora é sobre o Governo a quem servirá como Ministro que repercutirá o que se fizer aqui.

Mas, na medida em que puder e em outros espaços, este índio velho aqui vai seguir fazendo mais do mesmo que fez a vida inteira.

Teimosia ou ideologia, pouco importa, quem nasce com lado, com lado deve viver, cumprindo a profecia do anjo torto de Drummond.

E enquanto durar a vida, lutar o bom combate, onde a palavra é arma dos sentimentos. E lembrando os versos de Rafael Alberti, em seu “Poetas Andaluzes”:

Cante alto, ouvireis que outros ouvidos ouvem
Olhe para o alto, vereis que outros olhos olham
Pulse alto, sabereis que outro sangue pulsa

Não és mais fundo o poeta encarcerado em seu porão
Seu canto ascende ao mais profundo, quando se eleva no ar
E já é o canto de todos os homens.


Ser diferente, sendo o mesmo

Brizola Neto

A partir de hoje, serei o mesmo.

E estarei diferente.

Porque ficou no folclore da política a frase do professor Eduardo Portella: “Não sou ministro; estou ministro”.

Mas estar ministro me impõe obrigações.

A começar pela da austeridade, primeira e maior lição que recebi de meu avô.

Não apenas porque é a austeridade é indispensável a um homem público como, mais ainda, é vital a alguém que sabe que será examinado e vigiado com lentes, por seu sobrenome, por suas posições de enfrentamento ao poder das empresas de comunicação e, claro, por fazer parte do Governo Dilma.

O Brasil é um país com muitos hábitos tortos na sua vida política.

A um político, mesmo – ou até sobretudo – exercendo um cargo na administração é corretamente exigida a transparência.

Fazer um blog, expor e defender publicamente suas ideias, travar a polêmica própria de sua atividade deveria ser encarado como parte de uma política transparente.

Infelizmente, porém, é tido como “atacar” a imprensa. A menos que pretender ter opiniões próprias e eventualmente dissonantes e poder externá-las diretamente, sem o filtro da grande imprensa, seja um ataque à liberdade.

Eu prefiro achar que essa é uma conquista democrática que a internet e seu imenso alcance permitiu. Mais que isso, exigiu e está exigindo cada vez mais.

Como deputado, não tive sequer um segundo de dúvida em dizer o que pensava com todas as letras – embora não com a grosseria que os que critiquei usaram, em apenas 24 horas, pelo supremo crime de ter opiniões e externá-las.

Como ministro, ocupo um cargo que se vincula diretamente à Presidência e devo repetir o que fiz, quando Secretário de Estado, no Rio.

Por isso, o Tijolaço publicará, hoje, o seu último texto hoje, quando tomo posse diante da Presidenta Dilma Rousseff, enquanto dela estiver ministro.

Aos leitores, aos companheiros da blogosfera progressista e aos que colaboraram de todas as formas com um blog que prestou bons serviços ao debate político, o meu mais sincero e fraterno obrigado pelo ombro a ombro que vivemos.

E a sincera gratidão pela solidariedade com que me têm honrado. Sobretudo, e antecipadamente, com a qual poderei contar nestes dias que se aproximam.

A partir de agora, sou o mesmo.

A partir de hoje, tenho de estar diferente.

Sei que todos compreenderão que estas duas condições não se contradizem.

As ações do ministro e do Ministério serão publicizadas; a prestação de contas será contínua, os objetivos e opiniões serão permanentemente expostos, mas pelos canais de comunicação do Ministério do Trabalho e, por isso, dentro dos princípios republicanos de que não poderemos nos afastar.

Mas que ninguém, nem por um segundo, duvide que o Ministro do Trabalho tem um posicionamento do qual não se afasta e do qual não pode se afastar, quando temos um Governo que possui uma firme posição em favor do povo trabalhador, de seus direitos e da elevação da qualidade de sua vida.

O que não exclui, muito ao contrário, a defesa da empresa brasileira ou daquela que aqui se instale ou queira se instalar e participar da vida econômica e social do povo brasileiro num sentido positivo e moderno de gerar cada vez mais emprego e produção , mais riqueza e equidade, porque riqueza sem equidade é odiosa e equidade sem riqueza é inviável.

Não me assusta o desafio que tenho pela frente.

Pesa muito, sim, pelo simbolismo que contém, mas não assusta.

Porque diante dele minha força será ser o mesmo. E ser capaz de ser diferente.

O que só poderei ser, é claro, se for eu mesmo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A copa, as obras e as Vidas


Porto Alegre: como a Copa do mundo está colocando vidas em risco



Colocar a vida humana em risco é ou não é crime de responsabilidade?


Correio do Povo - Quatro engenheiros são indiciados por acidente em obra do Dmae na Capital Crédito: Bruno Alencastro
Em agosto de 2011,  em uma ação de irresponsabilidade, falta de fiscalização e em função das grandes obras da copa e a pressa por acelerar o projeto socioambiental (Pisa), atrasado há 8 anos, a prefeitura de Porto Alegre executou obras para copa do mundo na capital gaúcha, porém, concordou ou desconhecia as mudanças no projeto original promovido pelas empresas que executam as obras. O resultado foi o acidente na obra de construção da Estação de Bombeamento de Esgoto, no bairro Hípica em Porto Alegre, e teve como consequência, a morte de dois operários e outros nove feridos.  Saiba mais.
Ainda em 2011 as obras do socioambiental e suas máquinas atingem moradias na comunidade Nossa Senhora das Graças. Mais uma vez vidas humanas são colocadas em risco. Algumas famílias ainda hoje convivem com rachaduras em suas residências, outras aceitaram as condições impostas pela prefeitura, saíram de suas casas e foram morar em outras regiões da cidade, sabe-se lá em que condições humanas. O quarto de uma das residências localizada em frente ao núcleo São Francisco da Creche Nazaré, que fica na comunidade Nossa Senhora das Graças, atingidas pelas obras. A rachadura de 20cm separa o telhado da parede e o piso da cozinha está cedendo.
Sul21 - Buraco no pátio da casa de Dona Elma, na Avenida Icaraí, no bairro Cristal. | Foto: Divulgação
No dia 16 de Abril de 2012, outro ato de irresponsabilidade da prefeitura de Porto Alegre, casas habitadas no bairro Cristal foram atingidas por uma máquina do Departamento Municipal de Agua e Esgoto (DMAE), noticia do  jornal virtual Sul21.
Por vontade dos moradores atingidos, o caso foi levado a justiça mesmo contra a vontade do poder público, que propôs acordo para continuar a obra e evitar mais uma repercussão negativa sobre irregularidades nas obras, mais uma vez praticadas. Diante deste quadro, a juiza Lílian Cristiane Siman, da 5ª Vara do Foro Central, paralisou totalmente as obras do Programa Socioambiental da Prefeitura de Porto Alegre. A obra, na Avenida Icaraí, zona sul da cidade, foi embargada pela justiça após a ação promovida por moradoras que tiveram suas casas atingidas pelo trabalho de uma máquina do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) no dia 16 de abril. Os danos, em duas residências, ocorreram após a prefeitura mudar a rota das escavações no solo por debaixo das casas, chamada de Emissário Subterrâneo, além de omitir e não comunicar a ação aos moradores. A prefeitura e a construtora erraram nos cálculos e nas previsões, e essa ação irresponsável poderia ter atingido a integridade física dos moradores de forma gravíssima, já que estes se encontravam no local no momento em que o pátio da residência simplesmente desabou (Av Icarai, 1512). 

Prefeitura faz remendo de concreto no pátio de morador atingido pela máquina | Foto: Ramiro Furquim/Sul21A moradora de uma das casas, Elma dos Santos Rodrigues, relatou que após a prefeitura realizar uma escavação na sua residência a 7 metros de profundidade, com muita rapidez, e que se mostrou uma ação precipitada, voltou a tapar o buraco feito. A partir dai retornou a consertar canos de água e esgoto, e parte da casa ficou sem água, causando diversos transtornos aos moradores, que estão habitando a residência nestas condições há 17 dias. Ela ainda complementa: “Nestes dias todos tem uma maquina parada por debaixo da minha casa.”

Colocar a vida humana em risco é ou não é crime de responsabilidade? A juíza na decisão em primeiro grau, afirmou: “Para evitar que fatos mais graves venham a ocorrer, defiro em parte a liminar para determinar a paralisação total das obras”. Acesse no sitehttp://www.tjrs.jus.br/busca/?tb=proc os dados do processo, número themis: 11200884249 na comarca de Porto Alegre.

A prefeitura, em um ato de autoritarísmo e notório despreparo, tentou despejo irregular com o objetivo de continuar a execução das obras do Socioambiental. Nas tentativas de remoção dos moradores a qualquer custo, a Prefeitura de Porto Alegre coagiu-os, o que pode ser considerado terrorismo de estado. Porém, os moradores não aceitam as condições oferecidas por não se tratar de uma remoção. Uma audiência de conciliação entre as partes está marcada para o dia 3 de maio às 13h15min.

O vereador Carlos Todeschini (PT) que acompanha o caso sobre o acidente que matou 2 operários, faz a seguinte análise em seu boletim de mandato do mês de abril: "O projeto base previa a construção de uma estrutura concreta, no entanto, a substituição por material pré-moldado, sem a devida consulta a divisão de projetos da Autarquia, foi o motivo do acidente." O vereador ainda observa em seu texto: "Hoje as mudanças no projeto base comprometem o andamento do programa, que está com as obras atrasadas e apresentando erros técnicos". Assim sendo, conclui: "alterações no projeto somam novos erros na execução. A maior delas foi a substituição das duas tubulações aquáticas de 1200 milímetros, por uma de 1600 milímetros. Ou seja, qualquer falha, ruptura ou entupimento o esgoto será todo lançado na água do lago". O lago referido é o Rio Guaíba.

Além disso, as compensações ambientais exigidas para a realização do PISA devido ao impactos da obra estão todas atrasadas, ainda que o debate de como melhor executar as contrapartidas ainda esteja em andamento. Ou seja, nada ainda foi executado para minimizar impactos ambientais da obra, nenhum projeto habitacional está em andamento, e se revela apenas a preocupação com os grande empreendimentos acelerados pelas obras da copa. O bairro Cristal agora é um local disputado pela especulação imobiliária, e cada dia transforma-se em uma “zona nobre” para o setor empresarial.

A prefeitura entregou diversos terrenos para a construção de moradias para pessoas com poder aquisitivo. Mais uma vez repete-se a prática da ditadura militar, que retirou os pobres do bairro cidade baixa no centro de Porto Alegre, e os mandaram para o bairro Restinga.

O blog Comitê Popular da Copa informou sobre a visita da relatora especial da Onu Raquel Rolnik:

"No dia 18 de agosto, em visita a Porto Alegre para conhecer a situação das comunidades que serão afetadas pelas obras da Copa do Mundo de 2014, a relatora especial das Nações Unidas para o direito à moradia, Raquel Rolnik, concluiu que um legado socioambiental está longe de ser consolidado em Porto Alegre, já que na maioria dos casos há apenas projetos anunciados pela prefeitura e pelo governo estadual. “A construção de um legado não se apresenta como a questão mais importante, ainda se mostra uma questão secundária”, disse a urbanista, ressalvando que Porto Alegre ainda tem a chance de criar modelos de modernização da cidade que sirvam de exemplo para o Brasil."

A veradora Sofia Cavedon vem acompanhando todos os casos de irregularidades no projeto PISA, e no dia 30 de maio pela manhã, visitou as residências atingidas pelas novas irregularidades da Prefeitura, conversou com moradores, registrou os ocorridos, e na tarde fez pronunciamento no plenário da Câmara de Vereadores de Porto Alegre.

Conheça mais o projeto socioambiental:http://portoimagem.files.wordpress.com/2011/02/guaiba.jpg

Diante de tudo isto, o que pensar? Qual a conclusão? O que a comunidade deve fazer? Aceitar as condições e calar-se? Ou a comunidade deve organizar-se e lutar pelos seus direitos e denunciar todas as irregularidades cometidas pela Prefeitura de Porto Alegre?

Parte dos moradores do bairro Cristal, que estão atingidos pelas obras, organizam-se no Comitê Popular Copa - Bairro Cristal, que criou o movimento "Chave por Chave", ou seja, os moradores não irão sair das suas residências sem ter suas moradias definitivas para habitar. Muitos moradores estão colando cartazes nas suas casas, e afirmam que irão resistir até o final. Podemos ter outro "Pinheirinho", agora em Porto Alegre?

Neste momento, as comunidades do Cristal estão sob pressão da Prefeitura de Porto Alegre, muitas vezes os moradores, de origem humilde, desconhecem seus direitos e são carentes de apoio jurídico e de assistência social. Quem não pode estar presente nas movimentações, colabore e coloque este texto no seu blog, facebook e twitter. Colabore com a luta. Seja um ativista do movimento "Chave por Chave".

Hoje, 02 de maio (quarta-feira) acontecerá a plenária do Orçamento Participativo da Região Cristal, na Escola Municipal Eliseu Paglioli – Rua Butui nº 221. Participe! Divulgue!

a cachoeira de escândalos checou?


Sem interesses pelos escândalos


Por Washington Araújo, no blog Cidadão do Mundo:

Tempos estranhos esses em que vivemos. Com uma imprensa sempre ávida por escândalos de corrupção, roubalheira e malfeitos, eis que temos a principal revista semanal de informações, Veja, editada pelo Grupo Abril, abordando como principal tema de capa de suas quatro últimas edições assuntos no mínimo amenos, para não dizer insossos do ponto de vista do valor-notícia, da noticiabilidade.


Desde 29 de fevereiro de 2012, quando a Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal em Goiás e com apoio do Escritório de Inteligência da Receita Federal, deflagrou a Operação Monte Carlo, tendo por objetivo desarticular organização que explorava máquinas de caça-níqueis no estado de Goiás, o Brasil que frequenta a grande imprensa não fala de outra coisa: CPI do Cachoeira, gravações comprometedoras envolvendo o senador Demóstenes Torres, o governador goiano Marconi Perillo, a construtora Delta e uma penca de personagens menores, deputados federais, delegados de polícia, arapongas, funcionários públicos. E a cúpula da revista Veja em Brasília, especialmente o jornalista Policarpo Junior.

No rastro dos meliantes aquosos encontramos de tubarões a bagres. Confidências de alcova, palavreado de quinta categoria recheado por imagens escatológicas, tráfico de influência na modalidade “livre, leve e solta”, somas vultosas entrando em várias contas e reduzindo a pó reputações até bem pouco não apenas acima de qualquer suspeita como também incensadas como próceres da moralidade pública, formidável contraponto midiático “a tudo o que aí está”, e certeza de opinião abalizada sobre todo e qualquer assunto que afete à sociedade brasileira – da luta contra os malfeitos na máquina governamental central, federal, até a defesa sempre insustentável da quimera de uma democracia racial que jamais existiu no Brasil, mas que sempre encontrou abrigo nas principais revistas e jornais do país.

Vitrine semanal
A operação Monte Carlo é como suntuoso banquete para 700 talheres. Banquete inesperado e farto para todos os que se acreditam e autodenominam “jornalistas investigativos”. A operação consiste no cumprimento de 82 mandados judiciais, dos quais 37 mandados de busca e apreensão, além de 35 mandados de prisão e 10 ordens de condução coercitiva em cinco estados.

Não obstante a junção de tantos ingredientes e condimentos em uma mesma vasilha que se leva ao fogo, fato é que nossa principal revista semanal de informação – Veja –, decantada em verso e prosa como detentora do jornalismo de mais elevada qualidade jornalística, guardiã de tudo o que já se escreveu sobre ética, moral e bons costumes, pois bem, o carro-chefe da Editora Abril não encontrou qualquer interesse jornalístico no bojo da Monte Carlo, qualquer valor-notícia nas muitas quedas da cachoeira de crimes, ilicitudes, ilegalidades e contravenções que vêm sendo revelados à sociedade brasileira a cada dia e a cada hora. Ao menos o assunto não chegou perto de merecer uma daquelas explosivas capas da revista, sempre tão pródiga em brandir o cassetete da justiça e da moral sobe qualquer sinal de fumaça de corrupção.

Observamos, com misto de perplexidade e desencanto as quatro últimas reportagens de capa da revista Veja. São elas:

1. Edição 2264, de 11/4/2012, capa com “Os filhos da inovação”, tratando dos jovens brasileiros na “vanguarda da revolução digital”. Se optasse por levar à capa uma bela foto do Mosteiro dos Jerônimos e da Torre de Belém, em Lisboa, não faria grande diferença na vida ordenada do sistema solar;

2. Edição 2265, de 18/4/2012, capa com “Mensalão – A cortina de fumaça do PT para encobrir o maior escândalo de corrupção da história do país”. É como se por trás da cortina brilhasse a questão de fundo: “Por que abandonar nosso querido escândalo de estimação por outro que… ainda nem disse a que veio?”;

3. Edição 2266, de 25/4/2012, capa com “Do alto tudo é melhor”, tratando da relação entre altura das pessoas e sucesso na vida. Se decidisse levar à capa uma milionésima imagem do Santo Sudário talvez conseguisse maior interesse por parte de seus leitores. Ao menos, as pessoas prejudicadas verticalmente, como nos ensina os politicamente corretos a denominar as pessoas de baixa estatura, não se sentiriam minimamente ofendidas com tamanha falta de assunto, ou melhor, desfaçatez mesmo;

4. Edição 2267, de 2/5/2012, capa com “As lições das chefonas”, tratando da ascensão das mulheres na vida profissional. Essa reportagem de capa deve ter vencido por alguns míseros pontinhos o outro tema a ser alçado à sua vitrine semanal: a vida e a obra de feminista e compositora brasileira Chiquinha Gonzaga. Talvez fosse dedicado espaço para a candente letra de “Abre Alas”.

Edição imperdível
Não precisa ser doutor honoris causa de Xique-Xique, no interior baiano, para perceber que as quatro capas tentam desfazer esse clima de mal-estar e vívido constrangimento que veio a lume com a revelação de que dezenas e dezenas de ligações telefônicas legalmente gravadas tinham como dialogantes o capo Carlinhos Cachoeira e o chefe da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Junior. A própria revista não hesitou em ver no teor das conversas, bem pouco jornalísticas por sinal, uma nova modalidade de exercer as artes de um vibrante e dinâmico jornalismo investigativo: jornalismo-criminoso, jornalismo-ao-arrepio-da-lei.

Chegam a ser patéticas as muitas investidas da revista visando dar cores de legitimidade ao que nasceu de forma espúria, fruto de delinquência a granel, reunindo em um mesmo affair contraventor dissimulado, altas autoridades do Poder Legislativo e dublês de empresários com escroques, sob a solene inércia de baluartes de nossa grande imprensa, aquela que acredita poder debitar tudo, do lícito ao ilícito, na conta da liberdade de expressão. Não causaria estranheza se legiões de leitores da publicação ingressarem nos tribunais com ações por perdas e danos, por terem comprado como fruto de trabalho investigativo o que não passava de gravações ilegais de conversas privadas, violação do direito humano comezinho à privacidade. Em melhor português, arapongagens.

Mesmo para o leitor ingênuo, parente consanguíneo da velhinha de Taubaté, algumas questões começam a ser formuladas e passam a exigir respostas que não agridam o senso comum:

* Quem pautava quem? A revista pautava Cachoeira ou Cachoeira pautava a revista?

* Como discernir da vasta sequência de escândalos publicados, com afinco, semana a semana, quais eram reais e quais eram pré-moldados, fabricados sob medida para constranger governos, ministros, autarquias e órgãos públicos?

* Não seria o caso de se proceder a uma prova dos noves, qual seja, submeter as matérias publicadas por Veja com os áudios legalmente fornecidos pela Operação Monte Carlo, relacionando os argumentos escritos com os contextos, as falas e as estratégias criminosas abordadas na conversas do submundo de Carlinhos Cachoeira?

* Desde quando tem sido este o expediente utilizado pela revista Veja para influir na vida política e social do Brasil? Um jornalista pode ser comparado a uma autoridade policial dentro de um Estado de direito? É lídimo construir reportagens (e conspirações) de natureza política a partir de informações obtidas de forma criminosa?

* Notícias plantadas, ardilosamente publicadas e tendo como origem pessoas que se locupletam com vantagens indevidas e que fazem do crime uma profissão, merecem livre e completo acesso aos meios de comunicação em uma sociedade democrática?

* Estarão em pleno funcionamento no Brasil outras redes criminosas que conseguem pautar órgãos de comunicação para atender aos seus interesses, sempre escusos e inconfessáveis, e que ainda não foram objeto das garras da lei?

Algumas dessas questões têm tudo para compor uma edição especial – e imperdível – de qualquer revista de informação semanal que se preze. Porque existem fronteiras que não podem nem devem ser rompidas.

esse carapálida tem cada ideia


Denúncia que Veja não fez era a que mais valia a pena fazer

Posted by eduguim on 02/05/12 • Blog da Cidadania








Impressiona a ingenuidade alegada pelos seguintes atores: Demóstenes Torres, Marconi Perillo e Policarpo Júnior/Veja. Todos esses alegam que “não sabiam” das atividades criminosas de Carlinhos Cachoeira. Todavia, o que a Polícia Federal vem revelando sobre as atividades criminosas do bicheiro, sua influência imensa nas instituições de Estado, tornam inexplicável a alegada ignorância desses atores.

Tudo fica ainda mais grave quando há um jornalista e um meio de comunicação que se dizem especializados em denunciar corrupção e que criticaram Lula e Dilma incessantemente por dizerem que não sabiam de corrupção no governo federal que em grande parte jamais foi comprovada.

Pergunta: com tanta expertise que Veja diz ter para desvendar corrupção, não é inverossímil que não tenha enxergado a maior matéria sobre o tema na última década? E ao dizer maior matéria, é pela dimensão da corrupção e pela fartura de provas.

A alegação de defensores da Veja de que as escutas da PF comprovariam “apenas” uma relação íntima entre “Poli” e Cachoeira agrava ainda mais a situação da revista porque essa relação entre o criminoso e ela, que alega ser campeã no combate à corrupção, permitiria que soubesse dos crimes que agora diz que desconhecia. Mas o que transparece é que estes foram acobertados para que Veja fosse informada de outros supostos crimes dos políticos aos quais se opõe.

Avaliando tudo que Veja e Demóstenes, ao menos, denunciaram contra adversários políticos sob informações de Cachoeira, pode-se concluir que muito pouco resultou em alguma coisa. O que resultou de reportagens como aquela que acusou José Dirceu de ter montado um “governo paralelo” em um hotel de Brasília? Algum ministro que a Veja “derrubou” no ano passado teve alguma coisa comprovada contra si no nível do que foi comprovado contra Cachoeira?

Ainda no caso dos ministros demitidos, onde estão as comprovações de que as denúncias que Cachoeira informou à Veja procediam? No caso do contraventor, a descoberta pela Polícia Federal do que os “investigadores” Demóstenes Torres e Policarpo Jr. não enxergaram resultou em prisão imediata dos envolvidos, ou seja, o que a Veja, seu editor e o senador “não sabiam” levou o bicheiro e dezenas de outros para a cadeia rapidamente.

Veja e Demóstenes tiveram nas mãos a chave para desmontar um esquema de corrupção imenso, mas trocaram tudo isso por denúncias inconclusivas contra adversários políticos. Fizeram vistas grossas para esquema de corrupção que espanta pela dimensão e gravidade. A grande reportagem investigativa que a Veja poderia ter feito, não fez. No mínimo, essas pessoas e a revista têm que explicar por quê.

revanchismo? exagero?



Comissão da Verdade
Agente da ditadura confessa crimes chocantes: “militantes de esquerda foram incinerados em usina de açúcar”


Escrevinhador

por Rodrigo Vianna

O Brasil inteiro ficou chocado quando a polícia revelou que os bandidos responsáveis pela morte do jornalista Tim Lopes usavam um “micro-ondas” feito de pneus, para queimar os restos mortais de suas vítimas.

Outro caso terrível: o corpo de Eliza Samudio, namorada do ex-goleiro Bruno, teria sido lançado aos cães e devorado.

Assim agem os bandidos. Sem o corpo, fica mais difícil gerar acusação e condenação por homicídio.

Mas e o que dirão os brasileiros ao saber que a prática era adotada por “agentes da lei”? Agora, não se trata de denúncia de famílias ou de órgaos de defesa dos Direitos Humanos. Não. Trata-se de uma confissão, de um agente qualificado, que tomou parte diretamente nos desaparecimentos.

Em “Memórias de uma Guerra Suja”, livro que acaba de ser editado, o ex-delegado Cláudio Guerra conta que, nos anos 70, os corpos de vários militantes de esquerda foram incinerados numa usina de açúcar no norte do Estado do Rio. As informações foram publicadas pelo jornalista Tales Faria, no IG. Ele teve acesso aos originais do livro, que será lançado na sexta-feira.

O curioso: o nome de Guerra nunca havia aparecido nas listas de torturadores mais conhecidos. Conversei há pouco com um pesquisador (e militante político) que conhece bem essas histórias. Ele disse que considera as informações de Guerra “muito consistentes, coerentes, não parece o depoimento de alguém que quer aparecer, mas de um homem que conhece profundamente a engrenagem da repressão”.

Em suma, o livro é “uma bomba”. Talvez, o mais importante documento sobre as execuções e os desaparecimentos ocorridos durante a ditadura. Tudo precisa ser apurado, checado. Mas Guerra fornece um roteiro completo sobre a barbárie praticada em nome do Estado e do regime militar.

Esses são os militantes de esquerda que, segundo o depoimento de Guerra reproduzido por Tales Faria no IG, tiveram os corpos incinerados na usina de Campos (RJ):

- João Batista e Joaquim Pires Cerveira, presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury;

- Ana Rosa Kucinsk e Wilson Silva, “a mulher apresentava marcas de mordidas pelo corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente, e o jovem não tinha as unhas da mão direita”;

- David Capistrano (“lhe haviam arrancado a mão direita”) , João Massena Mello, José Roman eLuiz Ignácio Maranhão Filho, dirigentes históricos do PCB;

- Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho, militantes da Ação Popular Marxista Leninista (APML).

Guerra assume que foi dele a idéia de usar o forno da usina – pertencente a um vice-governador do Rio, anticomunista ferrenho – para queimar os corpos. E fala de outras execuções, tiros de misericórdia, torturas chocantes…

Guerra também diz que o delegado Fleury – torturador conhecido, oficialmente morto num acidente de barco já na época da “Abertura”- foi executado por decisão da chamada “Comunidade de Informações”. Conta detalhes da reunião em que se decidiu a morte de Fleury (claramente, uma “queima de arquivo” – como sempre se suspeitou) e diz quem estava presente ao encontro.

O depoimento é terrível, mas fundamental para contar a História da ditadura e de seus crimes. O ex-delegado Guerra está sob proteção da Polícia Federal, mas poderia prestar esclarecimentos à Comissão da Verdade que Dilma promete instalar.

O Brasil está diante de crimes bárbaros, inomináveis, praticados por gente que agia sob o comando do Estado. Crimes narrados em detalhe.

Alguém ainda acha que instalar a Comissão é “revanchismo”? Ou um “exagero”?



Leia outros textos de Plenos Poderes

Uma leitura amena para um happy hour relaxante...


Livro bomba ! Apagaram o Fleury.
Lei da Anistia para o Geisel ?


Conversa Afiada




O Conversa Afiada reproduz e-mail de amigo navegante Luís e se pergunta: como será a revisão do historialismo brasileiro e a versão de que o general Geisel e o general Golbery são o Washington e o Jefferson da Democracia brasileira ?:


PHA, tá comendo mosca?

Esta é a notícia do dia, da semana, do ano, da década.

O cara conta que apagaram o Fleury, confessa pela primeira vez detalhes do Riocentro, mostra como sumiram com Capistrano, Ana Kucinski et alli.

E tudo tem a santa digital do Ustra.

Agora, a Comissão da Verdade não pode fingir que tá tudo bem.

Bota de manchete e deixa lá um bom tempo. O Brasil precisa saber.

abs.



Exclusivo: livro muda história da ditadura

“Militantes de esquerda foram incinerados em usina de açúcar”. Delegado revela em livro que viraram cinzas os corpos de David Capistrano, Ana Rosa Kucinski e outros oito opositores da ditadura

A primeira confissão do atentado ao Riocentro

Ex-delegado do DOPS conta ter participado atentado, dá nomes dos chefes militares da operação e conta o que deu errado

Tales Faria, iG Brasília




“Participei do atentado ao Riocentro (durante as comemorações do Dia do Trabalhador, em 1981) e fiz parte das várias equipes que tentaram provocar aquela que seria a maior tragédia, o grande golpe contra o projeto de abertura democrática”, revela o ex-delegado Cláudio Guerra, do DOPS (Departamento de Operações Políticas e Socias), no livro “Memórias de uma guerra suja”.

O depoimento aos jornalistas Rogério Medeiros e Marcelo Netto, que acaba de ser publicado pela editora Topbooks, é a primeira confissão de participação no atentado feita por um integrante das forças de resistência á redemocratização do país no final da década de 70.

No Riocentro, bomba explodiu antes da hora do atentado previsto e matou agente de informações do Exército

Cláudio Guerra conta que a bomba explodiu por engano no colo do sargento Guilherme Pereira do Rosário por um erro do capitão Wilson Luís Chaves Machado, que dirigia o Puma onde os dois estavam:

“Aquela bomba era uma das três que deveriam explodir no show. O capitão Wilson estacionou o veículo embaixo de um fio de alta tensão e a carga elétrica desse fio, a energia que passava em cima do Puma, fechou o circuito da bomba, provocando a explosão. O erro foi do capitão. (…) Eu era especialista em explosivos.”

O ex-delegado dá os nomes dos comandantes da operação, “os mesmos de sempre”:

O coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço Nacional de Informações); o comandante Antônio Vieira (Cenimar); e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do Departamento de Operações de Informações do 2º Exército – DOI-Codi).

Quanto à sua equipe, a missão seria prender esquerdistas que seriam responsabilizados pelo atentado: “Fui para lá com uma lista de nomes.”

Mas deu tudo errado. Com a explosão da bomba no Puma, os militares policiais civis e os policiais civis que levavam outras duas bombas abortaram a operação.

“O destino daquela bomba era o palco. Tratava-se de um artefato de grande poder destruidor. O efeito da carga explosiva no ambiente festivo, onde deveriam se apresentar uns oitenta artistas famosos, seria devastador. A expansão da explosão e a onda de pânico dentro do Riocentro gerariam consequências desastrosas. Era evidente que muitas pessoas morreriam pisoteadas.”

Segundo conta Cláudio Guerra, a coordenação feita pelo pessoal de inteligência havia mandado suspender todos os serviços de apoio do Riocentro, incluindo o policiamento e a assistência médica, para que não houvesse socorro imediato às vítimas. Até as portas de saída foram trancadas e placas de trânsito com siglas da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) haviam sido pichadas para dar a entender que se tratava de uma ação da esquerda.


“Delegado Fleury foi morto pelos militares”

Delegado da ditadura diz ter participado da decisão. E confessa o assassinato de dirigente comunista Nestor Veras

Tales Faria, iG Brasília




Delegado Cláudio Guerra (Foto: Divulgação)

Símbolo da linha-dura do regime militar, o delegado Sérgio Paranhos Fleury – titular da Delegacia de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo – foi assassinado por ordem de um grupo de militares e de policiais rebelados contra o processo de abertura política iniciado pelo ex-presidente Ernesto Geisel. É o que afirma Cláudio Antônio Guerra, ex-delegado do DOPS (Departamento de Operações Políticas e Sociais) do Espírito Santo.

Em depoimento aos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, no livro “Memórias de uma guerra suja”, que acaba de ser editado pela Topbooks, Guerra conta ter participado da reunião em que foi decidida a morte de Fleury.

Ele próprio teria dado a ideia de fazer tudo parecer um acidente. Acabou sendo enviado para liquidar o colega. Mas, por problemas operacionais, a execução teria ficado para um grupo de militares do Cenimar, o Centro de Informações da Marinha.

No livro ao qual o iG teve acesso, o delegado confessa ter sido um dos principais encarregados pelo regime militar de matar adversários da ditadura entre os anos 70 e 80.

Guerra está sob proteção da Polícia federal. Tornou-se uma testemunha-chave às vésperas do início dos trabalhos da Comissão da Verdade, criada para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar (1964-1988).

Ele conta ter executado pessoalmente militantes de esquerda como Nestor Veras, do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB), após uma sessão de tortura da qual afirma não ter participado:
“(Veras) tinha sido muito torturado e estava agonizando. Eu lhe dei o tiro de misericórdia, na verdade dois, um no peito e outro na cabeça. Estava preso na Delegacia de Furtos em Belo Horizonte. Após tirá-lo de lá, o levamos para uma mata e demos os tiros. Foi enterrado por nós.”

Além do assassinato de Veras, Guerra conta como matou, a mando de seus superiores, outros militantes contra o regime, como: Ronaldo Mouth Queiroz (estudante universitário e membro da Aliança Libertadora Nacional – ALN); Emanuel Bezerra Santos, Manoel Lisboa de Moura e Manoel Aleixo da Silva (os três, do Partido Comunista Revolucionário – PCR).

Queima de arquivo

“O delegado Fleury tinha de morrer. Foi uma decisão unânime de nossa comunidade, em São Paulo, numa votação feita em local público, o restaurante Baby Beef”, afirma Cláudio Guerra.
Além dele, segundo conta, estavam sentados à mesa e participaram da votação:

O coronel do Exército Ênio Pimentel da Silveira (conhecido como “Doutor Ney”); o coronel-aviador Juarez de Deus Gomes da Silva (Divisão de Segurança e Informações do Ministério da Justiça); o delegado da Polícia Civil de São Paulo Aparecido Laertes Calandra; o coronel de Exército Freddie Perdigão (Serviço Nacional de Informações); o comandante Antônio Vieira (Cenimar); e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (comandante do Departamento de Operações de Informações do 2º Exército – DOI-Codi), que abriu a reunião.

“Fleury tinha se tornado um homem rico desviando dinheiro dos empresários que pagavam para sustentar as ações clandestinas do regime militar. Não obedecia mais a ninguém, agindo por conta própria. E exorbitava. (…) Nessa época, o hábito de cheirar cocaína também já fazia parte de sua vida. Cansei de ver.”

Guerra conta que chegou a fazer campana para a execução, mas o colega andava sempre cercado de muita gente. “Dias depois os planos mudaram, porque Fleury comprou uma lancha. Informaram-me que a minha ideia do acidente seria mantida, mas agora envolvendo essa sua nova aquisição – um ‘acidente’ com o barco facilitaria muito o planejamento.”

A história oficial é, de fato, que o delegado paulista morreu acidentalmente em Ilhabela, ao tombar da lancha. Mas Guerra afirma que Fleury na verdade foi dopado e levou uma pedrada na cabeça antes de cair no mar.


“Militantes de esquerda foram incinerados em usina de açúcar”

Delegado revela em livro que viraram cinzas os corpos de David Capistrano, Ana Rosa Kucinski e outros oito opositores da ditadura

Tales Faria, iG Brasília



Capa de "Memórias de uma guerra suja", da editora Topbooks (Foto: Divulgação)

Ele lançou bombas por todo o país e participou, em 1981 no Rio de Janeiro, do atentado contra o show do 1º de Maio no Pavilhão do Riocentro. Esteve envolvido no assassinato de aproximadamente uma centena de pessoas durante a ditadura militar. Trata-se de um delegado capixaba que herdou os subordinados do delegado paulista Sérgio Paranhos Fleury nas forças de resistência violenta à redemocratização do Brasil.

Apesar disso, o nome de Cláudio Guerra nunca esteve em listas de entidades de defesa dos direitos humanos. Mas com o lançamento do livro “Memórias de uma guerra suja”, que acaba de ser editado, esse ex-delegado do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) entrará para a história como um dos principais terroristas de direita que já existiu no País.

Mais do que esse novo personagem, o depoimento recolhido pelos jornalistas Marcelo Netto e Rogério Medeiros, ao longo dos últimos dois anos, traz revelações bombásticas sobre alguns dos acontecimentos mais marcantes das décadas de 70 e 80.

Revelações sobre o próprio caso do Riocentro; o assassinato do jornalista Alexandre Von Baumgarten, em 1982; a morte do delegado Fleury; a aproximação entre o crime organizado e setores militares na luta para manter a repressão; e dos nomes de alguns dos financiadores privados das ações do terrorismo de Estado que se estabeleceu naquele período.

A reportagem do iG teve acesso ao livro, editado pela Topbooks. O relato de Cláudio Guerra é impressionante. Tão detalhado e objetivo que tem tudo para se tornar um dos roteiros de trabalho da Comissão da verdade, criada para apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar (1964-1988).

David Capistrano, Massena, Kucinski e outros incinerados

Cláudio Guerra conta, por exemplo, como incinerou os corpos de dez presos políticos numa usina de açúcar do norte Estado do Rio de Janeiro. Corpos que nunca mais serão encontrados – conforme ele testemunha – de militantes de esquerda que foram torturados barbaramente.

“Em determinado momento da guerra contra os adversários do regime passamos a discutir o que fazer com os corpos dos eliminados na luta clandestina. Estávamos no final de 1973. Precisávamos ter um plano. Embora a imprensa estivesse sob censura, havia resistência interna e no exterior contra os atos clandestinos, a tortura e as mortes.”

Os dez presos incinerados
– João Batista e Joaquim Pires Cerveira, presos na Argentina pela equipe do delegado Fleury;
– Ana Rosa Kucinsk e Wilson Silva, “a mulher apresentava marcas de mordidas pelo corpo, talvez por ter sido violentada sexualmente, e o jovem não tinha as unhas da mão direita”;
– David Capistrano (“lhe haviam arrancado a mão direita”) , João Massena Mello, José Roman e Luiz Ignácio Maranhão Filho, dirigentes históricos do PCB;
– Fernando Augusto Santa Cruz Oliveira e Eduardo Collier Filho, militantes da Ação Popular Marxista Leninista (APML).

O delegado lembrou do ex-vice-governador do Rio de Janeiro Heli Ribeiro, proprietário da usina de açúcar Cambahyba, localizada no município de Campos, a quem ele fornecia armas regularmente para combater os sem-terra da região. Heli Ribeiro, segundo conta, “faria o que fosse preciso para evitar que o comunismo tomasse o poder no Brasil”.

Cláudio Guerra revelou a amizade com o dono da usina para seus superiores: o coronel da cavalaria do Exército Freddie Perdigão Pereira, que trabalhava para o Serviço Nacional de Informações (SNI), e o comandante da Marinha Antônio Vieira, que atuava no Centro de Informações da Marinha (Cenimar).
Afirma que levou, então, os dois comandantes até a fazenda:

“O local foi aprovado. O forno da usina era enorme. Ideal para transformar em cinzas qualquer vestígio humano.”

“A usina passou, em contrapartida, a receber benefícios dos militares pelos bons serviços prestados. Era um período de dificuldade econômica e os usineiros da região estavam pendurados em dívidas. Mas o pessoal da Cambahyba, não. Eles tinham acesso fácil a financiamentos e outros benefícios que o Estado poderia prestar.”

terça-feira, 1 de maio de 2012

Editorial SUL 21


A nomeação de Brizola Neto e o primeiro de maio

Data simbólica do movimento dos trabalhadores em todo o mundo, o primeiro de maio é também o momento de nomeação do neto do líder maior do trabalhismo no Brasil, Leonel de Moura Brizola, como titular do Ministério do Trabalho.
Carlos Daudt Brizola, ou Brizola Neto como é conhecido nos meios políticos, nasceu em Porto Alegre, tem 33 anos, foi vereador e secretário estadual pelo Rio de Janeiro e atualmente exerce mandato de deputado federal pelo PDT daquele estado. Dilma Rousseff o escolheu em uma lista composta também por outro gaúcho deputado federal, Vieira da Cunha, e por Manuel Dias, secretário geral do PDT. Segundo os pedetistas, foi uma escolha pessoal da presidenta.
Tendo que respeitar o acordo com o PDT e, por este motivo, nomear um pedetista para suceder a Carlos Lupi, presidente daquele partido que foi exonerado do cargo de ministro do Trabalho em meio a acusações de corrupção e má gestão, Dilma optou por um nome que encontra resistência em seu partido, mas que lhe permite deixar claro que suas escolhas se fazem mais por questões de princípios políticos do que pelo simples cumprimento de acertos partidários.
Se a nomeação de Brizola Neto contraria amplos setores do PDT, principalmente o seu setor gaúcho, ela permite sinalizar, em contrapartida, que o compromisso maior de Dilma Rousseff é com o trabalhismo histórico e não apenas com a sigla pedetista. Rompida com o PDT gaúcho, ao qual era filiada, desde 2001, quando este partido passou para a oposição e o então deputado estadual Vieira da Cunha assumiu a função de relator da CPI que tentava vincular o governo petista de Olívio Dutra com o jogo do bicho, Dilma Rousseff optou por deixar claro que a reconciliação com seus antigos companheiros ainda não se deu completamente.
A decisão de nomear Carlos Daudt Brizola, neto de Leonel Brizola, para o Ministério do Trabalho sinaliza o posicionamento de Dilma Rousseff de manter-se fiel aos compromissos que assumiu desde sua juventude ao lado dos trabalhadores e do desenvolvimento nacional autônomo. Princípios que nortearam, no seu nascedouro, os dois partidos legais aos quais Dilma Rousseff já se filiou, o PDT e o PT. Princípios que se mantêm presentes na agenda política do país, apesar das condições adversas da ordem econômica internacional, hegemonizada pelo capital financeiro.
O Dia do Trabalhador nasceu como uma homenagem aos operários mortos em Chicago em 1886, durante manifestações pela jornada diária de oito horas de trabalho. Que a memória da trajetória de lutas travadas pelos trabalhadores, em diferentes países, para a conquista de melhores condições de trabalho e de vida se mantenha viva. Que Brizola Neto, como Ministro do Trabalho, se revele digno desta tradição.

bons ventos...


Blogueiro progressista se torna ministro e Dilma peita bancos

Os trabalhadores não têm do que se queixar neste 1º de maio. Em março, o desemprego subiu para 6,2%, mas, por incrível que pareça, essa é uma boa notícia porque sempre sobe nessa época do ano e, em 2012, teve o menor aumento desde que começou a ser apurado pela metodologia inaugurada em 2002, portanto há uma década.
A massa salarial, por sua vez, segue engordando. A renda média em seis regiões metropolitanas sob escrutínio constante do IBGE cresceu 5,6% acima da inflação apurada nos últimos 12 meses e a renda dos trabalhadores superou a inflação em 7% no período. Como se não bastasse, o consumo vai muito bem, obrigado. As vendas ao varejo subiram 8,7% em 2012.
E não param por aí os motivos de comemoração para a esmagadora maioria de brasileiros que faz o país andar. Dilma teve um senso de timing impecável. Valeu-se de momento em que a atividade econômica impede abusos no consumo e nos preços e tomou duas medidas  que puseram a mídia e a elite a que serve de cabelos em pé.
Ao fazer pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV, a presidente driblou todos os malabarismos da mídia para distorcer a queda nos juros liderada pelo Estado e ainda espancou a oposição de esquerda que diz que seu governo é “neoliberal”, pois enfrentar bancos é medida de esquerda que nunca antes fora adotada na história contemporânea deste país.
Uma curiosidade: ontem à noite, no Jornal da Globo, e hoje nas primeiras página da Folha de São Paulo e do Estadão, a manchete foi a mesma, de que Dilma “atacou” os bancos. Os textos irritados mostram bem a quem servem esses meliantes que controlam a mídia no Brasil.
Em poucos minutos de pronunciamento, porém, Dilma anulou todo o noticiário negativo dos últimos 16 meses e encheu os brasileiros de boas notícias, mas não foi só. Ao tornar ministro do Trabalho o blogueiro progressista Brizola Neto, Dilma mandou vários recados políticos não só à oposição demo-tucano-midiática, mas aos aliados: quem manda é ela.
Sobre Brizola, um capítulo à parte. Conheci pessoalmente o novo ministro do Trabalho em meados do ano passado, durante o segundo Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, em Brasília, que contou com a presença do ex-presidente Lula. Pude conversar bem com ele. É um jovem com idade para ser meu filho. Pessoa simples, idéias arejadas e absolutamente progressistas, como o avô.
Para que não se tenha dúvida sobre o ideário político-ideológico e sobre o ser humano que é Brizola Neto, reproduzo, abaixo, um dos vários textos em que ele me cita e que muito me honra. Por esse artigo escrito no momento em que tomei uma medida que influiu na eleição de Dilma, também é possível prever que o jovem ministro deverá sofrer fortes ataques da direita.
Fique, abaixo, com o artigo intitulado “Homenagem a um lutador”, de autoria de Carlos Daudt Brizola, mais conhecido como Brizola Neto. O texto foi publicado em 11 de maio de 2010. E bom Dia do Trabalho a você que, com o seu esforço de trabalhador, ajuda a erigir o Brasil pelo qual este povo esperou durante 500 anos.
Clique na imagem abaixo para ir à página original do texto

uma escolha pela História...

Novo Ministro do Trabalho
Brizola: “O simbolismo é muito grande”


Escrevinhador


por Rodrigo Vianna

Habemus ministro. E não é qualquer ministro. Falamos da pasta do Trabalho. Criada por Getúlio Vargas, e ocupada por Jango, no caminho pedregoso que o levaria à Presidência da República em 1961. O Ministério confunde-se com a história do trabalhismo no Brasil. Por isso, a escolha reveste-se de um imenso peso simbólico.

Para a blogosfera, o simbolismo é duplo. Um blogueiro passa a ocupar a pasta do Trabalho. Brizola Neto, que carrega no nome a legenda trabalhista, recebeu o convite formal de Dilma nessa segunda-feira, véspera do feriado de Primeiro de Maio.

Tem um sabor especial ver um “blogueiro sujo” (Brizola Neto fez questão de comparecer aos dois primeiros Encontros Nacionais de Blogueiros, em 2010 e 2011) na pasta que já foi de Jango… Mas não tenhamos ilusões. Dilma não escolheu Brizola por ser blogueiro, nem por ser um importante ativista das Comunicações. Não. Dilma escolheu Brizola pela história. O que não é pouca coisa. Às vésperas da eleição de 2010, escrevi que a vitória de Dilma era o reencontro do PT com o trabalhismo de origem varguista. Dilma sela esse reencontro com a nomeação do novo ministro. E a nomeação tem também outro significado, como escrevi h: significa um aceno de Dilma para setores mais à esquerda. Dilma escolhe, no PDT, quem procura honrar as tradições trabalhistas.

O escolhido tampouco tem ilusões sobre o tratamento que receberá da imprensa. Conversei com ele na noite de segunda (30 de abril). Sobre a relação com os barões da mídia, que Brizola Neto (com o apoio luxuoso do jornalista Fernando Brito) tanto critica no “Tijolaço”, o novo ministro foi claro: “Sei muito bem o que eu represento! E, até pelo enfrentamento que travei com alguns veículos, sei que o combate será pesado. De minha parte, terei que ser cuidadoso, porque chegando ao ministério passo a falar pelo governo também”.

A seguir, trechos da conversa com o novo ministro.

SIMBOLISMO

“O aspecto simbólico foi levado em conta na escolha da presidenta Dilma, e também a coerência das idéias pra fazer valer essa indicação. Na minha indicação está o peso da figura do velho Brizola e do trabalhismo. O Ministério do Trabalho foi criado pelo presidente Vargas, e o PDT é a continuidade do PTB de Getúlio Vargas – que criou o Ministério justamente para proteger o elo mais fraco nesse embate entre Capital e Trabalho. O Simbolismo é muito grande!

LIÇÕES DO VELHO BRIZOLA

“Vou para um governo – aliás, ainda não falo ainda como ministro, isso só depois da posse – com o qual o PDT tem muita identidade, governo que continua na trajetória iniciada com o presidente Lula de gerar mais empregos e com mais qualidade. Um governo que também afirma a Soberania Nacional. E essas coisas estão ligadas, aprendi com meu avô a importância de trabalhar esse tripé: Soberania Nacional mais Crescimento Econômico mais Justiça Social. Vejo isso tudo funcionar muito bem com a presidenta Dilma.”

PAPEL DO MINISTÉRIO DO TRABALHO

“O Ministério do Trabalho vai ter mais protagonismo. Precisa ser mais ativo nas Mesas Nacionais de Negociação. Por exemplo, nas grandes obras do PAC, como no caso de Belo Monte. Ministério tem que estar presente, trabalhando em parceria com Casa Civil e Secretaria da Presidência.”

TIJOLAÇO SERÁ MANTIDO?

“Não consigo pensar em suspender. Estamos definindo, porque por outro lado é preciso ver que terei agora os limites da função de Ministro. Até quinta, espero definir isso.”

PDT – MUDA CORRELAÇÃO DE FORÇAS?

“Partido agora precisa mostrar unidade, costurar a unidade. Falei há pouco com nossos senadores e com quase todos os deputados, e a receptividade é muito boa. Claro, há uma ou outra resistência. Mas vamos trabalhar isso, conversar muito. É chegada a hora de resgatar o velho PDT.”



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O PIG ta se engolindo e o carapálida pagando pra lê...


Cadê a Veja que estava aqui ?
O PiG (*) engoliu !

Conversa Afiada





Ligou o Vasco, de novo.

– Parabéns, ansioso blogueiro !

- O que foi que houve, Vasco, assim tão cedo ?

– É aquele seu artigo do “vamos para cima da Delta, do Cerra” está excelente. Você merecia ir para a Academia Brasileira de Letras !

– Calma, Vasco, só se for na vaga do Merval !

– Está cedo …

– Chega de brincadeira, Vasco. O Azenha também publicou um artigo muito bom da Conceição Lemes sobre a Delta do Cerra e do Paulo Preto – Você viu ?

– Claro, essa Conceição é danada !

– O Merval não acha … Mas, desculpe, você liga a essa hora da manhã, com bafo de cachaça, para me falar da Academia Brasileira de Letras ?

– Não, meu filho. Não é de cachaça. É de gim.

– Sim, sim, mas e daí, Vasco ? Preciso correr para ler a Eliane Catanhêde. Me disseram que ela está felicíssima com a escolha do Brizolinha.

– Meu filho, é o seguinte. Eu já percorri o PiG (*) todo essa manhã de 1o. de Maio. E se produziu um fenômeno extraordinário.

– O que foi, Vasco ? A Eliane Catanhêde faltou ao serviço ?

– Não, meu filho, quem dera ! Foi algo ainda mais notável !

– Na seção Ilustrada, que não é …

– Ilustre nem Ilustrada. Eu sei. Mas também não é na Ilustrada. Hoje ela não fala do Kalil … Então, não interessa.
– Vasco, ao ponto, vamos ao que interessa, Vasco !

– Não há uma única menção à Veja, ao Robert(o), ao Policarpo. Nada.

– Como assim, Vasco ? Então eles publicam páginas e mais páginas sobre a Delta, sobre o Cachoeira e nem uma palavrinha sobre o Robert(o) ?

– Nada, meu filho. Nada.

– E sobre o Leréia ?

– Não, sobre o Leréia tem um pouquinho. Agora sobre o Robert(o), nada.

– Nadinha ?

– Nada. É pior do que falar em Daniel Dantas no instituto do Fernando Henrique. Nada, nem uma vírgula.

– Será que eles se esqueceram do Robert(o) ?

– Mas, como iam se esquecer do Roberto(o) ? Logo dele ! Como é que alguém, em sã consciência, nesse Brasil de nossos dias, de tanta corrupção, pode se esquecer do Robert(o) ?

– Você viu que o Fernando Henrique diz que agora se rouba mais do que no tempo dele ?

– Manda o Modesto Carvalhosa ter uma conversinha com o Fernando Henrique (Clique aqui para ler “Fernando Henrique acabou com Comissão de Ética assim que assumiu o Governo”).

– Sim, Vasco, mas quer dizer que o PiG (*) sumiu com o Robert(o) Civita ?

– É o abafa. Não demora muito e os mervais vão dizer que o Policarpo é o Bob Woodward e o Robert(o) é o Henri Luce …

– Assim é demais, Vasco. Nem os mervais.

– Para salvar a própria pele, meu filho …

– O que é que tem ?

– Eles são capazes de chamar urubu de meu louro.

– Vasco, desculpe, mas essa é de época.

– Você quer dizer … da Inquisição, é isso ?

Pano rápido.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.