sexta-feira, 15 de novembro de 2013

o jornalismo do espetáculo que condena e faz de você (se você permite) um coisa que acha que é natural ser um coisa


O STF pôs a culpa em Mame



o cafezinho


“Nunca houve mulher como Gilda”, era o slogan do famoso clássico noir de Charles Vidor. Quando Rita Hayworth aparece numa boate de Buenos Aires, bêbada, alegre e cheia de más intenções, cantando Put the blame on Mame, entende-se facilmente o sentido da frase.






Sem saber como abordar a patacoada final do STF, num julgamento com tantos furos, decidi me aproximar do assunto usando a letra da canção de Allan Roberts e Doris Fisher, feita especialmente para a personagem de Rita, a “ultimate femme fatale” Gilda.

Até porque pode-se dizer que “nunca houve um julgamento como o mensalão”.

Put the blame on Mame (Ponha a culpa em Mame) cita as grandes catástrofes naturais dos EUA. Num jogo irônico, o narrador diz que a verdadeira culpada de tudo é Mame, uma mulher tão atraente que seus beijos causam incêndios espetaculares, suas recusas produzem terríveis nevascas, e quando ela dança ocorrem assassinatos e terremotos.

Me parece ser justamente o que a mídia tentou fazer nesse julgamento. Procurou-se, a todo custo, transformá-lo no bode expiatório de séculos de corrupção e desequilíbrio judicial. Assim como na canção, porém, criou-se uma caricatura.

E a montanha pariu um rato. Depois de sete anos de campanha pesadíssima para condenar os “mensaleiros”, qual foi o resultado?

O resultado foi: condenou-se os “mensaleiros”.

Mas não houve nenhuma comoção nacional.

Ao contrário, viu-se um espetáculo deprimente, com o presidente do STF, Joaquim Barbosa, protagonizando a mais vergonhosa performance da história da instituição: xingando o plenário, xingando seus pares, xingando o procurador-geral.

A tentativa de colar no PT a pecha de o partido mais corrupto de todos falhou desde que se descobriu o mensalão tucano, anos atrás, e a eclosão de sucessivos escândalos partidários de lá para cá, envolvendo a oposição.

Tivemos o mensalão do Distrito Federal, liderado pelo próprio governador, José Roberto Arruda (DEM). Mais tarde, um dos principais verdugos do PT, inclusive durante os inquéritos parlamentares que tratavam do mensalão, o senador Demóstenes Torres (DEM), se viu desmascarado como um bandido aliado ao bando de Carlinhos Cachoeira.

Descobriu-se que a Veja participava dos esquemas de Cachoeira. E com elas, todos os grandes jornais.

Descobriu-se que a Globo cometeu uma fraude milionária contra a Receita Federal.

Veio o escândalo do trensalão tucano paulista. E agora o Brasil assiste, estarrecido, o desbaratamento de uma quadrilha de fiscais da prefeitura de São Paulo, responsável por desvios superiores a meio bilhão de reais.

O grande incêndio de Chicago de 1871, o terremoto que arrasou São Francisco em 1906, e a tempestade de neve em Nova York de 1988, foram causados por Dirceu e mensaleiros?

Sim, diz a mídia, dançando sensualmente no meio do salão: a verdade é dura. Mame é culpada de tudo.

As pessoas assistem, fascinadas, a performance de Gilda. Batem palmas. Só que uma quantidade crescente sabe que nada disso faz sentido.

Porque não foram reunidas provas suficientes. Por isso a insistência num suposto simbolismo da condenação e prisão dos réus.

“Pela primeira vez, o STF está condenando ricos e poderosos”, repete a Globo, em seus editoriais, numa inacreditável manifestação de cinismo.

O resultado da Ação Penal 470 enseja uma interpretação oposta daquela ventilada pela mídia. Na verdade, testemunhamos, mais uma vez, que somente os amigos dos poderosos da mídia conseguem se salvar da prisão. Aqueles que a mídia considera adversários são perseguidos até os confins do mundo. E, no Brasil, os principais adversários da mídia são políticos ligados ao trabalhismo. Vargas, Jango, Lula e Dirceu. Os barões da mídia brasileira só aceitam o esquerdista inofensivo, purista, cheio de idealismo acadêmico. O revolucionário cuja maior vitória política é publicar um artigo na Ilustríssima.

No entanto, a ação midiática para botar na prisão os “mensaleiros”, na minha opinião, saiu cara demais.

Foi uma vitória de Pirro. Sim, porque o objetivo da mídia era derrotar Roma, ou seja, derrubar o PT, mas terá que se contentar com derrubar somente algumas casas no monte Quirinal: a prisão de Dirceu, Genoíno, João Paulo Cunha e Pizzolato. O PT cresceu, ganhou a principal prefeitura de São Paulo e pode ganhar, em 2014, mais quatro anos de governo federal.

Num último ato de arbítrio, e mais uma vez rompendo com a jurisprudência, Joaquim Barbosa conseguiu impor a prisão antes da hora aos réus.

Mas a que custo? A imprensa brasileira produziu uma ficção para si mesma e para um grupo decrescente de leitores. As suas verdades não estão se expandindo. Em 2005, quando o escândalo explodiu, a mídia ainda exercia uma hegemonia completa.

Não mais.

Se você navegar pela internet e monitorar as redes sociais, verá que há um debate aceso no país. Não há mais um consenso submisso às teses dos barões da imprensa.

Por exemplo, hoje o Globo traz uma notinha positivamente babaca que, na minha opinião, apenas envergonha o jornalismo brasileiro.









Reparem como o jornal tentou cercar Pizzolato e se deu mal. Encontrou uma vizinha que o elogiou e, não satisfeita, ainda mostrou ao repórter a revista Retrato do Brasil, que traz uma série de reportagens que demolem o julgamento do mensalão. Mas o Globo, com o mau caratismo habitual, não se aprofunda. Apenas desqualifica levianamente a revista mostrada pela vizinha: “a publicação diz que o processo do mensalão é uma criação da mídia e que a decisão de o BB não ter contrato para operar o Visanet é de 2001.”

A distorção da Globo é tosca, tanto que não dá nem para entender. O título é ambíguo e equivocado: “Pizzolato e sua versão do golpe na Visanet”. A versão não é de Pizzolato, e sim da revista Retrato do Brasil. Para Pizzolato, não é uma versão, é o fundamento de sua defesa, com base em documentos que, aliás, o Globo sequer menciona.

Esse papel ridículo da imprensa tende a se aprofundar cada vez mais, porque uma mentira puxa a outra. Por quanto tempo a Globo acha que conseguirá bloquear a informação de que o dinheiro da Visanet, por cujo desvio se acusa Pizzolato, acabou, na verdade, nas burras da própria Globo?

Os advogados dos sócios da DNA reuniram documentos que provam que a campanha da Visanet foi regularmente realizada, com distribuição dos recursos para veículos de mídia, conforme se pode ver na tabela seguinte.

Principais grupos de mídia que receberam os recursos da campanha do BB/Visanet no ano de 2004:





O Grupo Globo recebeu, portanto, R$ 5,5 milhões da Visanet, na campanha publicitária feita pela DNA em 2004, usando o mesmo dinheiro que, segundo Barbosa, teria sido desviado.

Por quanto tempo a Globo acha que vai esconder que o regulamento do Fundo Visanet deixa bem claro que aqueles recursos eram privados? Eles não saíam da caixa do BB, nem do Tesouro. Tanto que o BB não abriu nenhum procedimento para recuperar o dinheiro perdido. Porque ele entende que não o perdeu, pois a campanha de publicidade foi realizada, incluindo aí o patrocínio a um congressos de juízes do qual participaram os ministros do STF.

Relatórios da auditoria interna do BB, em diversos momentos, sempre reafirmaram que os recursos do Fundo Visanet não pertencem ao BB e, portanto, não constituem dinheiro público.






O problema do julgamento da Ação Penal 470 é que se trata de uma denúncia inepta, que a pretexto de condenar supostos crimes de caixa 2 do Partido dos Trabalhdores e legendas aliadas, atropelou os autos e o devido processo legal. Não estou dizendo que os réus são inocentes. Ninguém é inocente. Há setores da esquerda que vêem no mensalão a oportunidade de um acerto de contas com as divergências ideológicas e política para com o PT e, sobretudo, com a teses de José Dirceu.

Isso não é democrático, nem honesto, nem ético. Acerto de contas político tem de ser feito pelo debate político, e não através de condenações sem provas.

A mesma coisa vale para a teoria, também aventada em setores da esquerda, de que o PT está pagando pelo caixa 2 que fez na campanha de 2002. Ora, essas pessoas não acompanharam o julgamento da Ação Penal 470? A tese da procuradoria, aceita acriticamente pelo STF, é justamente de que não houve um crime de caixa 2, e sim um grande esquema para corromper deputados e aprovar leis. Só que não se comprovou a compra de votos, e a teoria de que houve desvio dos recursos da Visanet é totalmente equivocada. O dinheiro da Visanet não foi desviado, e não era público.

É tudo tão bizarro, que a acusação sequer se preocupou em sanar uma contradição absoluta. Se os recursos do Visanet foram inteiramente desviados, conforme afirma Joaquim Barbosa, como é que a DNA recebeu Bônus de Volume? O BV é um prêmio que os veículos de mídia pagam às agências de publicidade, e corresponde a um percentual sobre os recursos que os veículos recebem. Ou seja, se os veículos de mídia deram BV à DNA Propaganda é porque eles receberam, devidamente, recursos de uma campanha de publicidade.

Por onde se olha a acusação, se vê furos e mais furos. Nada se encaixa. Se o Brasil quisesse investigar os problemas de caixa 2, tanto na campanha de 2002 como em outras, teria que esquecer essa história ridícula da Visanet, absolver Pizzolato, e sondar as finanças das empresas controladas por Daniel Dantas, que teria sido o grande homem do caixa 2 das campanhas de 2002, tanto para o PSDB quanto para o PT. As grandes empresas costumam agir como a CIA na América Central dos anos 50: apoiavam o governo, de um lado, e os rebeldes, de outro. O que ganhasse, estaria com ela.

É mais fácil, porém, botar a culpa do terremoto de São Francisco na bela e imprevisível Mame. Afinal, não é ela, quer dizer, não é o PT, o culpado de todas as atuais inseguranças vividas pelas empresas de mídia?

Só que a roda da fortuna gira. E a história desse erro judicial, num primeiro momento tão trágica para os personagens diretamente envolvidos, será tratada, no futuro, com a necessária mordacidade daqueles que sentiram, mesmo que apenas indiretamente, a violência de seu arbítrio.


um começo... frágil, mas um começo


A falta de diversidade na mídia






Por Cristiano Aguiar Lopes, no Observatório da Imprensa:



Que no mercado de mídia brasileiro há uma grande concentração, aparentemente todos sabemos. Que as verbas publicitárias são divididas entre poucos veículos e entre poucas organizações, com amplo domínio da televisão, também não é novidade. Que o mercado é concentrado no eixo Rio-São Paulo, mandando às favas o preceito constitucional da regionalização da produção cultural na comunicação social, quase todos concordamos. Mas há ao menos uma novidade no horizonte: o poder público, mais especificamente a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados (CCTCI), finalmente começa a dar mais atenção para a falta de diversidade e pluralidade nas comunicações brasileiras. É o que mostra o trabalho da Subcomissão Especial para Analisar Formas de Financiamento da Mídia Alternativa, que atuou no âmbito da CCTCI nos últimos dois anos e divulgou seu relatório final no último dia 25 de outubro (ver aqui).


A subcomissão, instalada em 21 de dezembro de 2011, tinha como objetivo inicial propor formas de financiamento para os veículos alternativos de comunicação. Para atingir tal objetivo, a relatora da subcomissão, deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), procurou antes responder a uma pergunta simples: por que a mídia alternativa – incluindo aí rádios comunitárias, pequenos jornais de bairro, emissoras de radiodifusão de pequeno porte, entre outros – tem participação ínfima na distribuição de verbas destinadas à comunicação social?

A resposta: por causa da concentração de mercado. O relatório mostra que o meio televisão respondeu, sozinho, por quase 65% do faturamento bruto da mídia em 2012, seguida muito de longe pelos meios jornal, com 12%; revista, com 6%; rádio, com 4%; e internet, com 5%. O documento revela também que este bolo destinado à televisão é distribuído majoritariamente entre as quatro maiores empresas do setor – Globo, Record, SBT e Band –, das quais a Globo fica com algo próximo a 70% dessas verbas, cabendo os 30% restantes às demais empresas do setor.

Ressalte-se que o documento produzido pela Subcomissão Especial não cita uma outra concentração importante de mercado, a vertical. Com essa concentração, alguns grupos, notadamente as Organizações Globo, retêm uma fatia ainda maior do faturamento do setor, por meio da exploração concomitante de veículos de mídia em diversas plataformas, com a posse direta ou indireta de emissoras de televisão e de rádio, de jornais, de portais de internet e de outras empresas do setor de mídia.

A influência do Estado

Com um direcionamento tão intenso de verbas para poucos veículos de comunicação, o resultado esperado não poderia ser outro senão o subfinanciamento da mídia alternativa. Esta é a conclusão principal do relatório da Subcomissão Especial. Mas a maior virtude do estudo produzido pelo órgão da CCTCI não está neste diagnóstico, e sim na explícita afirmação de que o maior responsável por essa concentração que condena a mídia alternativa ao limbo, tanto por sua omissão quanto por sua ação, é o próprio Estado.

Para demonstrar a omissão estatal na regulação da concentração de propriedade, o trabalho apresenta como exemplo informações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) sobre a propriedade das geradoras e a formação de redes de televisão no país. Usualmente, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) ressalta a existência de 350 geradoras de televisão outorgadas no país, bem como o funcionamento de 9.195 retransmissoras de televisão, como dados supostamente inequívocos que mostrariam a existência de pluralidade no setor. A entidade também costuma citar os limites de propriedade estabelecidos pelo artigo 12 do Decreto-Lei n° 236, de 1967, como um instituto que “evita o monopólio mediático, estabelecendo limites de concessões ou permissões por entidade” [ABERT. “Tudo o que você precisa saber sobre rádio e televisão: licenças, outorgas, taxa de penetração, receitas, audiência e receptores”, abril/2013, p. 41].

Mas as limitações de propriedade impostas pela legislação para a radiodifusão têm uma ineficácia vergonhosa, sendo facilmente burladas pelo sistema de afiliação e pela composição de vastas redes de transmissão, que contam com centenas ou até mesmo milhares de retransmissoras espalhadas pelo território nacional. Com esses instrumentos, segundo os dados da Anatel [fonte: Sistema de Controle de Radiodifusão – Anatel] reproduzidos no relatório, as quatro maiores emissoras de televisão do país controlam 202 geradoras (57,71% do total) e 6.271 retransmissoras (68,20% do total). Esse domínio da infraestrutura se reflete em domínio de audiência, com uma consequente oligopolização bastante pronunciada da venda de espaços publicitários.

Mas, como se não bastasse essa omissão, o Estado age ativamente, por meio de suas políticas, para reforçar ainda mais a concentração do mercado de comunicação. O relatório da deputada Luciana Santos cita quatro grandes exemplos: a utilização quase exclusiva de “critérios técnicos” pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) para a definição da distribuição das verbas oficiais de publicidade, que destina a maior parte dos recursos do governo federal para aquisição de mídia aos maiores conglomerados de comunicação; a falta crônica de investimentos nos órgãos estatais de comunicação social; a disponibilização de programas de apoio financeiro, como por exemplo o PROTVD Radiodifusão do BNDES, exclusivamente para as grandes empresas de mídia; e as restrições legais impostas às emissoras de radiodifusão comunitárias e educativas, que são proibidas de veicular publicidade, inclusive publicidade oficial.

Alternativas possíveis

Com base nesse diagnóstico, o relatório da Subcomissão Especial para Analisar Formas de Financiamento da Mídia Alternativa aponta para a necessidade de alteração do marco legal das comunicações, com o intuito de “tornar economicamente viável a atuação dos órgãos de mídia alternativa”. Entre as propostas sugeridas, estão projetos de lei que permitem a inserção de anúncios publicitários na programação das emissoras comunitárias ou educativas; que obrigam o investimento de no mínimo 20% das verbas publicitárias federais em veículos de mídia alternativa; que preveem a utilização das verbas do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST) também para a universalização da radiodifusão; que criam um programa de apoio à mídia independente, nos moldes já aplicados aos projetos culturais via Lei Rouanet; e que instituem um fundo de desenvolvimento da mídia independente, alimentado, entre outras fontes, por uma contribuição de 1% sobre a receita de emissoras de rádio e televisão de médio e grande porte e de empresas de televisão por assinatura.

São, por certo, medidas bem-vindas, mas que visam apenas minimizar os efeitos gerados pela concentração no setor de mídia no Brasil. As bases estruturantes que geram esta concentração, e que são herdadas de longo tempo, tão longo quanto a própria história das comunicações no Brasil, estas permaneceriam intactas. Mas atacar essa natureza oligopolizada da comunicação social brasileira é tarefa muito mais ampla, que não poderia ser posta em prática por uma subcomissão especial, por uma comissão permanente ou mesmo por um parlamento. Trata-se de uma tarefa hercúlea, que inclui uma completa reforma da legislação de comunicações no país e, portanto, demanda um amplo envolvimento de governo e sociedade.

Porém mesmo estes projetos sugeridos pela subcomissão, mais pontuais, têm ainda um longo caminho para que sejam efetivamente aprovados e aplicados. O mais importante contudo, ao menos no curto prazo, é constatar que o poder público começa a se debruçar sobre este tema fundamental para a democracia brasileira – a concentração de mercado, responsável direta pela pouca diversidade de fontes de informação no país.

"A verdade possui o tempo a seu lado. A mentira, não. "


Erros do STF se voltarão politicamente contra a direita


Enviado por Miguel do Rosário on 15/11/2013 – 5:58 pm3 comentários


Vendo as primeiras reações de José Dirceu e José Genoíno, a repercussão que recebem, na própria grande mídia, percebe-se que já houve uma virada na opinião pública. Criou-se um núcleo forte, duro, sagaz, de pessoas dotadas de uma consciência ética, jurídica e política muito avançada.

Entre os que estudaram o processo do mensalão, acompanharam as votações dos ministros do STF, e participaram dos embates de informação, criou-se o entendimento de que houve um golpe contra a justiça. Um golpe contra o próprio supremo, que ficou sequestrado por uma lógica construída fora do âmbito das provas, uma lógica eminemente política ou ainda pior, midiática. Até o último dia do julgamento, vimos que os ministros aliados de forma mais ostensiva com os meios de comunicação e os partidos de oposição, como Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, apelaram quase que para a força física, falando muito alto em plenário, gritando mesmo, em tom sempre ameaçador, lançando todo o tipo de insinuações sobre os colegas, sobre tudo.

Eles conseguiram transformar Dirceu numa espécie de mártir pós-moderno. Em seu afã de vingança, entregaram uma poderosa ferramenta simbólica em mãos do ex-ministro.

O erro da mídia, como sempre, deriva de sua arrogância. Em outros tempos, a mídia conseguiria silenciar Dirceu. Não pode mais fazê-lo. Há um hiato crescente entre o poder de influência da grande mídia sobre setores sociais, como o próprio STF, cujos ministros são altamente vulneráveis à imagem de si que os jornais podem construir ou desconstruir, e o poder desta mesma mídia de silenciar e censurar quem pensa diferente. Antigamente, eles se aliaram à ditadura e efetivamente conseguiram amordaçar os críticos. Hoje não.

A verdade possui o tempo a seu lado. A mentira, não.

Uma das maiores mentiras, por exemplo, é falar na “demora” no julgamento do mensalão. Eram 39 réus! Desde que efetivamente o julgamento começou, ele veio à jato, com tempo curtíssimo para os réus apresentarem suas defesas. Foi um julgamento televisionado em que a acusação tinha 99% do tempo e a defesa menos de 1%. Isso nas instituições públicas. Nos meios de comunicação, a relação era ainda mais desequilibrada, com a acusação com 99,99% e a defesa com menos de 0,001%.

Mas o tempo não pára. Por quanto tempo eles vão conseguir bloquear as contradições e inépcias da Ação Penal 470? A pessoa que aprova a condenação, por uma razão e outra, apenas se apega superficialmente à convicção de que a Justiça trabalhou com normalidade. Mas se ela se aprofundar um pouco sobre o tema, e se lhe forem mostrados as inconsistências das acusações, e a maneira viciada como o processo foi construído, poderá mudar de parecer. E vai ficar aborrecida com as fontes de informação deficientes.

Os resultados das eleições de 2012 já indicavam uma tendência neste sentido. O golpe já foi assimilado para uma boa parcela do eleitorado. A relação matemática entre a quantidade de cidadãos com uma consciência “midiática” crítica e os submissos às armadilhas teóricas armadas pelos barões da imprensa, entre um e outro, já alcançou um ponto de não-retorno e de mudança qualitativa.

Os erros do STF e o mau caratismo da mídia voltar-se-ão contra a direita. Ironicamente, portanto, o julgamento do mensalão pode ser o elemento político necessário para revigorar a esquerda organizada e prepará-la para permanecer mais algumas décadas no poder.

Leia abaixo, a entrevista de Dirceu dada hoje à Monica Bergamo.

‘Nenhuma prisão vai prender minha consciência, diz Dirceu

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

O ex-ministro José Dirceu afirmou nesta sexta-feira (15) à Folha que a prisão não vai abatê-lo nem tirá-lo da vida política. “Eu não vou me dobrar. Eu vou continuar lutando. Nenhuma prisão vai prender a minha consciência.”

Dirceu deu a afirmação por telefone de sua casa, em Vinhedo (a 100 km de São Paulo). Ele está na cidade esperando as definições do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre como serão efetivadas as prisões dos réus do mensalão.

Com ele estão as três ex-mulheres e os quatro filhos –Zeca Dirceu, Joana, Camila e Antonia. O ex-ministro não quis dar entrevista. Mas fez um rápido desabafo.

“O que eu não posso aceitar é essa coisa medieval, de inquisição. Não basta as pessoas serem condenadas, elas têm que ser linchadas? Como é que publicam a foto da minha filha de 3 anos nos jornais? Isso é proibido em qualquer lugar do mundo, é o direito de uma menor”, disse ele, referindo-se a uma fotografia divulgada por jornais e sites em que ele aparece na praia ao lado de sua filha, Antonia, na Bahia.

“Eu faço a disputa de peito aberto, mas esse tipo de linchamento eu não aceito.” “Estão plantando o ovo da serpente. E a primeira vítima será a própria imprensa, os jornalistas. Foi assim em 1937 [ditadura do Estado Novo], em 1964 [ditadura militar]. Os que apoiaram [os golpes] foram os primeiros a sofrer depois.”


Monica Bergamo

o jornalismo sensacionalista que transforma você em coisa


AUDIÊNCIA DO JN DESABA
COM NOVELA MEDÍOCRE


Tira a novela de antes e tira a novela depois, o que sobra do jn ?


Conversa Afiada





O Conversa Afiada sempre sustentou que o jornal nacional é um produto “embedded” ou seja, numa tradução livre, dorme na cama feita.

É como um navegador Explorer do Windows: já vem no berço.

É um sanduíche entre novelas.

Tirou o pão de cima e o pão de baixo não fica nada.

Os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – deveriam chamar às falas o Gilberto Freire com “i” (*): passa o dia a processar blogueiros- o mais recente é o Miguel do Cafezinho – e não cuida da generalizada decadência dos produtos sob sua suposta responsabilidade.


Saiu no F5, da Folha (**):

Audiência ruim de novelas leva “Jornal Nacional” a baixa histórica


O “Jornal Nacional” (Globo) está amargando uma das piores audiências de sua história.

Há uma semana, ele não passa da média de 23 pontos (cada ponto equivale a 62 mil domicílios na Grande São Paulo).

O jornalístico da Globo vem sendo prejudicado pelas baixas audiências das duas novelas da Globo que o antecedem.

(…)



Clique aqui para ler “STF monta a cobertura do jornal nacional”

Paulo Henrique Amorim



(*) Ali Kamel, o mais poderoso diretor de jornalismo da história da Globo (o ansioso blogueiro trabalhou com os outros três), deu-se de antropólogo e sociólogo com o livro “Não somos racistas”, onde propõe que o Brasil não tem maioria negra. Por isso, aqui, é conhecido como o Gilberto Freire com “ï”. Conta-se que, um dia, D. Madalena, em Apipucos, admoestou o Mestre: Gilberto, essa carta está há muito tempo em cima da tua mesa e você não abre. Não é para mim, Madalena, respondeu o Mestre, carinhosamente. É para um Gilberto Freire com “i”.


(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

"nada disso terá sentido se o homem não for assegurado o direito sagrado ao trabalho..."


Por que falar tanto de Jango?




Postado por Juremir em 14 de novembro de 2013


Por que tanto Jango?


Um jornalista não foge dos fatos. Um historiador vai ao encontro do acontecimentos. Um sociólogo precisa entender o contexto da produção dos fatos e dos acontecimentos. Um escritor como eu precisa juntar tudo isso em busca de um sentido mais profundo. Os restos mortais de Jango foram exumados ontem. Nenhum assunto é tão importante neste momento para o entendimento do Brasil de ontem e indicação do Brasil de amanhã. Dediquei grande parte dos últimos 13 anos da minha vida ao estudo das vidas de Getúlio Vargas, Leonel Brizola e João Goulart. Foi uma maneira, obviamente, de estudar o papel do Rio Grande do Sul na política brasileira do século XX.

Hoje, a partir das 17 horas, começo a dar um fecho a parte deste ciclo histórico com um bate-papo, no Santander Cultural. Às 19 horas, no Pavilhão de Autógrafos, sessão de dedicatórias de meu livro “Jango, a vida e a morte no exílio” (L&PM). Será o momento de falar a partir das informações ainda frescas e das emoções de um acontecimento histórico: a exumação dos restos mortais do único presidente brasileiro a ter morrido no exterior.

Por que tanto Jango? Por que falo tanto dele? Por que me sinto magnetizado, desde à época em que era estudante de História, pelo seu poderoso discurso de 13 de março de 1964, na Central do Brasil: “Não receio ser chamado de subversivo pelo fato de proclamar, e tenho proclamado e continuarei proclamando em todos os recantos da Pátria – a necessidade da revisão da Constituição, que não atende mais aos anseios do povo e aos anseios do desenvolvimento desta Nação. Essa Constituição é antiquada, porque legaliza uma estrutura socioeconômica já superada, injusta e desumana; o povo quer que se amplie a democracia e que se ponha fim aos privilégios de uma minoria; que a propriedade da terra seja acessível a todos; que a todos seja facultado participar da vida política através do voto, podendo votar e ser votado; que se impeça a intervenção do poder econômico nos pleitos eleitorais e seja assegurada a representação de todas as correntes políticas, sem quaisquer discriminações religiosas ou ideológicas”. E ainda: “É apenas de lamentar que parcelas ainda ponderáveis que tiveram acesso à instrução superior continuem insensíveis, de olhos e ouvidos fechados, à realidade nacional”.

Pode até parecer, em partes, um apelo à reforma política e social em 2013. E mais: “Vamos continuar lutando pela construção de novas usinas, pela abertura de novas estradas, pela implantação de mais fábricas, por novas escolas, por mais hospitais para o nosso povo sofredor; mas sabemos que nada disso terá sentido se o homem não for assegurado o direito sagrado ao trabalho e uma justa participação nos frutos deste desenvolvimento”. Era demais. A elite não podia suportar tanta verdade sendo derramada diretamente nos ouvidos da massa. Jango caiu. Era um homem como tantos outros com hesitações, convicções e estratégias. Isso o tornar mais fascinante.

A construção da cidadania

Como a educação inclusiva enfrentou o preconceito e as Apaes

No sábado passado, na mesa  da Livraria da Vila em São Paulo, Deborah, filha de Margarida, distribui autógrafos de seu livro de histórias infantis. Recentemente, formou-se em Magistério em Natal.
Na fila, o jovem Samuel, filho de Antônio Carlos, formado em designer de moda. Filho de Ana Cláudia, Pedro, aluno de culinária, não teve agenda para ir ao evento, assim como Bruno, filho de Rosane, também cursando educação física. Mas Vinicius, filho de Eugenia e aluno do Dante Aligheri esteve firme e atento, assim como Mariana, filha de Glória e Rogério.
Em comum, todos são portadores de síndrome de Down. E são filhos da educação inclusiva, uma luta civilizatória que ficou mais forte nos anos 90 quando um grupo de pais percebeu que o melhor caminho para a integração de seus filhos na sociedade seria através da escola regular - não em comunidades segregadas, como as das APAEs (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais).
Hoje, essa bandeira está ameaçada por um arco do atraso que perpassa todos os partidos políticos, poderá provocar uma regressão de dez anos nas bandeiras da educação inclusiva e a desmoralização do Senado, como agente de direitos humanos difusos.
Na linha de frente do combate à educação inclusiva estão:
•      duas Ministras do governo Dilma – Gleise Hoffmann, da Casa Civil e Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos, ambas com pretensões ao governo de seus respectivos estados;
•      senadores situacionistas – como Paulo Paim e Lindbergh Farias (provável candidato ao governo do Rio de Janeiro);
•      líderes oposicionistas – como o senador paranaense Álvaro Dias e o ex-senador e atual vice-governador do Paraná Flávio Arns;
•      o governo tucano do estado do Paraná;
•      e políticos meramente pusilânimes – como o senador e ex-Ministro da Educação Cristovam Buarque.
Gleise, Maria do Rosário, Paulo Paim, LIndbergh Faria, Flávio Arns e Álvaro Dias
Por trás dessa aliança suprapartidária, interesses eleitorais menores em relação à rede das APAEs.
De instituição meritória de décadas atrás, quando comandada pela histórica dona Jô Clemente,  sob a liderança da Federação das APAEs e do ex-senador Flávio Arns a rede de APAEs transformou-se em uma máquina eleitoral  de duas faces.
A face legítima é composta por voluntários, pais empenhados em buscar o melhor para os filhos. A face deletéria é a da organização política controlada pela Federação das APAEs, colocando os interesses de dirigentes acima das pessoas assistidas, manobrando a deficiência como mero instrumento para o acesso às verbas públicas e para promoção política, recorrendo a um festival de desinformação sem paralelo e constituindo-se, hoje em dia, no principal obstáculo à educação inclusiva.
De como a inclusão tornou-se bandeira civilizatória
Antes de entrar na parte mais sensível da história, recomenda-se entender melhor o movimento pela educação inclusiva.
No primeiro código de educação de São Paulo, já se defendia que a educação das pessoas com deficiência deveria ser “preferivelmente” na rede escolar. Esbarrava-se na falta de estrutura.
No Brasil a luta ganhou consistência mais de três décadas atrás quando a educadora paulista Maria Teresa Mantoan, professora de uma escola especial para deficientes, visitou uma escola pública. Foi assistir a um show de dança. Lá, deparou-se com um rapaz sem braços e sem pernas com uma mochila ao seu lado.  Quando a dança começou, um colega pegou a mochila, encaixou nas próprias costas, colocou dentro o menino com deficiência e sairam dançando pela sala.
A cena descortinou um mundo novo para Maria Teresa, que entendeu a diferença essencial entre crianças convivendo com colegas sem deficiência e as demais, segregadas em escolas especiais, convivendo apenas com outras crianças com deficiência e entrando na vida adulta sem o menor preparo para enfrentar ambientes não segregados.
A luta ampliou quando a procuradora de Justiça potiguar Margarida Araújo Seabra de Moura conheceu uma escola avançada em Natal disposta a receber sua filha Deborah para educá-la em uma classe com colegas sem deficiência.
Foi um aprendizado histórico, o primeiro trabalho sistemático no ensino fundamental inclusivo. De lá, Deborah foi para a escola pública, enfrentou bravamente a discriminação e reverteu sozinha o preconceito de colegas.
Estava preparada para enfrentar o mundo, graças à educação inclusiva.
Em julho passado, tornou-se a primeira professora com Down, merecendo uma reportagem no Fantástico (http://glurl.co/cJZ).
Em Santos, o casal  Antônio Carlos Sestaro deu à luz Samuel, também com Down. Os pais quiseram que estudasse nas mesmas escolas dos seus irmãos. Inicialmente as escolas recusaram. O casal recorreu à Justiça para exigir o cumprimento do direito. Dessa luta nasceu a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down. E formou um rapaz capaz de enfrentar plateias exigentes, palestrando sobre a eficiência da educação inclusiva.
A luta foi ganhando adeptos entre os pais de crianças com deficiência, como o casal Glória e Rogério Amato, pais de Mariana, a odontóloga Rosane Lowenthall, mãe de Bruno,  e simpatizantes da causa, como a jornalista carioca Cláudia Werneck. E conquistou o apoio de figuras emblemáticas, como dona Jô Clemente, a própria criadora da APAE.
Trecho do filme “Do luto à luta”
Em depoimento histórico, dona Jô contou que, na época de seu filho criança, a APAE era o único caminho existente para acolhe-lo. Mas hoje em dia não vacilaria em colocá-lo em uma escola da rede regular, por saber que lá seu desenvolvimento seria maior.
No mesmo documentário havia o depoimento da mãe de Vinicius, a procuradora da República Eugênia Gonzaga que, finalmente, colocou em prática o disposto na Constituição. A partir de sua luta, o Ministério Público encampou a tese de que a inclusão escolar é direito inalienável da criança - contra o qual nem os pais podem se insurgir. E a recusa em aceitar a criança com deficiência na escola constituía-se em crime.
Com a Constituição em punho, em 2002 começou a batalha da procuradora Eugênia para fazer valer a lei e permitir a outras crianças o acesso à educação inclusiva.
Em reforço à tese, em 2006 a ONU (Organização das Nações Unidas) promulgou a Convenção Sobre Direitos de Pessoas com Deficiência, reconhecendo o direito das pessoas (e a obrigação do Estado) de terem acesso à rede regular de ensino.  E o Brasil foi signatário.
As primeiras batalhas em torno da nova bandeira
No âmbito das políticas públicas de educação, havia três passos a serem percorridos para a consolidação das políticas de educação inclusiva:
1. O convencimento do MEC (Ministério da Educação).
2. A preparação da rede escolar para acolher as crianças com deficiência.
3. Dadas as condições, a uso da lei para obrigar as escolas recalcitrantes a aceitar alunos com deficiência.
As primeiras tentativas de sensibilizar o MEC ocorreram na  gestão Paulo Renato, ainda no governo FHC. A área de atuação do MEC - a Secretaria de Educação Especial (SEE) - passou anos sob direção de Marilene Ribeiro,  amplamente influenciada pela bancada das APAEs e contra toda forma de inclusão.
Antes de deixar o cargo, Paulo Renato convenceu-se da importância da educação inclusiva e demitiu Marilene. Assumindo, o novo Ministro Cristovam Buarque sentiu de imediato o peso do lobby das APAEs – já liderado pelo então senador Flávio Arns.
Buarque nomeou para a Secretaria Cláudia Dutra, esposa do deputado gaúcho Paulo Pimenta (PT). Boa professora, mas sem conhecimentos maiores da matéria, Cláudia juntou as partes, ouviu argumentos de lado a lado e se convenceu da importância da educação inclusiva. Dali em diante, seria peça fundamental para implementar as novas políticas.
Começava a tomar forma uma nova política de inclusão, que se materializou na gestão Fernando Haddad.
Em 2007, após muitas reuniões, discussões, negociações com todos os grupos envolvidos, o MEC lançou sua política de educação inclusiva.
Mesmo com a Constituição, no ano 2.000 havia menos de mil pessoas com deficiência física no ensino médio, por falta de preparo das escolas e de instrumentos que as obrigassem a receber os alunos com deficiência.
Com o movimento dos pais, a adesão do MEC, a criação de uma série de programas de apoio às escolas e de capacitação do quadro de professore - e com a obrigação legal das escolas de acolherem os alunos com deficiência - em poucos anos o novo modelo consolidou-se como uma das grandes obras de cidadania do país.
O Censo MEC/INEP/2012 revelou 102.682 estabelecimentos de educação, públicos e privados, com matrículas de estudantes alvo de educação especial, em um total de 820.433 matrículas, 67% do total. 39.683 instituições de educação básica já tinham se preparado arquitetonicamente para receber alunos com deficiência. Até 2013, 37.801 escolas de 5.021 municípios já recebiam regularmente materiais didáticos e pedagógicos do MEC através da implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, cada qual com uma infinidade de equipamentos de acessibilidade. 1.713 veículos acessíveis já tinham sido disponibilizados até o primeiro semestre de 2013, atendendo 1.513 municípios.
A formação de mão de obra disparou também. Entre 2007 e 2012 foram disponibilizadas 76.800 vagas  em 91 cursos, por 27 instituições públicas de educação superior (IPES), no âmbito do Programa de Formação Continuada de Profissionais do Magistério da Educação Básica.  O censo escolar 2012 contou 88.244 professores declarando-se com formação em educação especial.
Não se descuidou da LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). O Censo de 2012 indicou 3.012 escolas públicas de educação básica com professores tradutores/intérpretes de LIBRAS, e 1.787 IPES oferecendo intérprete/tradutor.
Houve reflexos no ensino superior. O número de universitários com alguma forma de deficiência saltou de 6 mil para 27 mil em poucos anos. No último ENEM, houve 70 mil solicitações de atendimento especial, desde a LIBRAS e provas em braile até recursos de mobilidade.

O papel chave que as APAEs se recusaram a seguir

Na estratégia desenhada por Haddad, caberia às APAEs dois papéis centrais. O primeiro, o de auxiliar a rede convencional a se preparar para acolher os alunos com deficiência. O segundo, o de atuar como fiscal, denunciando as escolas que se recusassem a cumprir a lei.
As fontes de recursos das APAEs são convênios com estados e municípios, doações de particulares, convênios com o MEC, através da Secretaria de Educação Especial e do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola), que paga sem passar pelos municípios, convênios com os Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social.
Conseguiram esses recursos através de lobby junto à SEE, que em 1994 incluiu esse privilégio na LDBEN (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).
Para obter a adesão das APAEs aos novos tempos, Haddad imaginou um modelo que ampliasse ainda mais os recursos, através do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), uma conta onde União, Estados e Municípios registram seus gastos obrigatórios com educação.
Por definição, o FUNDEB só poderia apoiar escolas públicas. Haddad criou a figura da dupla matrícula para a inclusão, abrindo uma exceção para as filantrópicas.
Para cada aluno que matricula, a escola recebe R$ 670 por mês. Se for aluno com deficiência, receberá 1,2 x R$ 670, ou R$ 804,00. Se apresentar um plano de atendimento especial daquele ano, terá direito a 2,4 x R$ 670 ou R$ 1.608,00. Com esse recurso, poderá contratar professores especiais, além das linhas de recursos para aquisição de equipamentos.
Abriu-se a possibilidade para as escolas terceirizarem essa segunda matrícula para instituições filantrópicas – dentre as quais, as APAEs.
Cabe a cada Secretaria municipal ou estadual definir as parcerias. No caso da primeira matrícula, é obrigatória na rede regular de ensino. No caso de segunda matrícula, é "preferencialmente" na rede regular, mas podendo ser terceirizada para a filantrópica mediante a apresentação de um projeto de atendimento ao aluno. Esse acordo foi sacramentado no Congresso Nacional.
Imaginou-se, ali, um modelo redondo.
As APAEs não perderiam nenhuma de suas verbas tradicionais e ainda teriam direito aos recursos referentes à segunda matrícula do Fundeb, no caso de atendimento especial de crianças na rede pública.
Imediatamente a histórica APAE-São Paulo, criada por dona Jô, aderiu ao projeto, fechou sua escola especial e colocou seus especialistas para auxiliarem a rede regular a se preparar para os novos tempos. Ficou isolada.
Julgou-se que o objetivo maior das APAEs fosse a melhoria das condições de seus alunos. Engano! A esta altura, a máquina da Federação das APAEs havia consolidado outros interesses, de dirigentes com propósitos políticos, mais preocupados em ampliar o acesso às verbas públicas do que promover a inclusão de suas crianças.
A segunda matrícula foi um maná que, nos últimos quatro anos, carreou para os cofres das APAEs mais de  R$ 2 bilhões. Foi como dar carne fresca ao leão.
Garantidos os recursos da segunda matrícula, o lobby das APAEs decidiu avançar também sobre a primeira matrícula, desvirtuando totalmente os objetivos da educação inclusiva. A Constituição vetava, assim como a lei votada em 2007 e as próprias conclusões do PNE (Plano Nacional de Educação).
Liderada por Flávio Arns, com a adesão de Gleise Hoffmann, as APAEs se valeram da votação da PNE no Senado para torpedear a educação inclusiva, contando para isso com o apoio de senadores sem nenhum compromisso com direitos humanos e a universalização da educação inclusiva.
Como as APAEs aproveitaram o PNE para derrubar acordos
Através do artigo 214, a Constituição de 1988 instituiu os planos nacionais de educação, com duração decenal.
 O atual PNE é o segundo plano montado. A redação original foi discutida amplamente nas diversas conferências estaduais e, finalmente, aprovada na Conferência Nacional de Educação (CONAE) do ano de 2010, conforme previsto na Constituição (clique aqui para acessar do documento final). 
Conferências nacionais de educação tornaram-se, mundialmente, referências indiscutíveis de avanços sociais. As conferências mundiais de Jontien, Salamanca e Dakar definiram documentos essenciais para a universalização do ensino e passaram a inspirar as conferências nacionais.
A CONAE de 2010 foi a primeira oficialmente convocada pelo MEC. Foi em Brasília, de 28 de março a 1o de abril de 2010. Na fase preparatória, em 2009, houve Conferências Municipais, Estaduais e do Distrito Federal. As propostas foram consolidadas por uma comissão de mais de 30 órgãos públicos e da sociedade civil. No total, as conferências envolveram 700 mil pessoas.
Para uma proposta ser submetida à votação do CONAE, precisa passar, primeiro, pela aprovação de cinco estados.
Todos esses procedimentos foram seguidos na definição da Meta 4 do PNE. Por ela, a comunidade de educação defendia que a educação regular inclusiva deveria se dar obrigatoriamente na rede regular de ensino, acabando com o duplo sistema.
O PNE foi submetido, então, à aprovação do Congresso. Quando chegou no legislativo, o lobby das APAEs explodiu em toda intensidade. Atropelou acordos anteriores, leis anteriores, convenções internacionais, as decisões da CONAE,  aproveitando a votação do PNE para reverter um avanço já consolidado.
Chegou na Câmara com a redação de que pessoas com deficiência seriam atendidas sempre nas escolas comuns, com apoio especializado à parte.
Na Câmara, o lobby das APAEs derrubou o texto.
Todas as convenções estaduais, todos os educadores envolvidos na discussão da CONAE, as 700 mil pessoas que participaram das conferências, a própria Convenção da ONU foram deixadas de lado pelo deputado Ângelo Vanhoni, relator do projeto, pressionado pela Ministra-Chefe da Casa Civil Gleise Hoffmann.
A redação dada por Vanhoni foi a seguinte:
Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos, o atendimento escolar aos(às) alunos(as) com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, preferencialmente na rede regular de ensino, garantindo o atendimento educacional especializado em salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou comunitários, nas formas complementar e suplementar, em escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados.
Com essa redação, com a volta do termo "preferencialmente" liquidava-se com a obrigatoriedade das escolas regulares acolherem alunos  com deficiência e abria-se espaço para que as APAEs avançassem sobre as vagas do ensino regular. Sempre haveria o álibi para qualquer secretário de educação municipal se eximir da obrigação de preparar a escola para a inclusão e manter os alunos segregados nas filantrópicas.
Ao chegar no Senado, as distorções foram corrigidas pela Comissão de Assuntos Econômicos, tendo como relator o Senador José Pimentel. Retirou-se o termo “preferencialmente” para o ensino regular e limitou até 2016 os repasses do Fundeb para as APAEs. A medida provocou uma intensificação das pressões pelas redes sociais, onde se recorria a toda espécie de boato, inclusive o de que as APAEs seriam fechadas.
Na Comissão de Constituição e Justiça, deixou-se um texto dúbio.
Agora, o projeto encontra-se na Comissão de Educação do  Senado, presidida pelo Senador Álvaro Dias, paranaense como Flávio Arns e como Gleise Hoffmann. E que já se mostrou disposto a encampar o discurso excludente das APAEs.
Como as APAEs se tornaram uma máquina de lobby
Ao longo dos anos, as APAEs foram sendo apropriadas por grupos políticos criando uma rede de interesses que se superpôs aos próprios interesses das crianças com deficiência. E atuando com os mesmos métodos da política convencional.
Na teoria, cada APAE municipal é independente. Na prática, dependem da certificação da Federação das APAEs para terem acesso às verbas públicas. É por aí que se consolidam as influencias políticas e amplia-se o poder dos caciques.
Foi assim em 2006 na votação da CPMF. Para garantir o apoio da bancada da APAE, o senador Flávio Arns exigiu de Lula um decreto aumentando os privilégios das APAEs. Lula safou-se com um texto dúbio que, depois, foi devidamente corrigido pelo MEC.
Quando o Ministério Público Federal decidiu encampar a bandeira dos direitos das crianças com deficiência à rede básica, a campanha das APAEs tomou ares soturnos.
As palestras da procuradora Eugênia Gonzaga passaram a ser invadidas por dirigentes de APAEs arrastando consigo batalhão de crianças com deficiência, em uma exploração vergonhosa das vulnerabilidades.
Com apoio da Secretaria de Educação Especial, Eugenia e outras autoras prepararam uma cartilha explicando que era crime de abandono intelectual deixar criança com deficiência fora da escola. Aliás, é crime deixar qualquer criança fora da escola.
A procuradora foi  alvo de 3 mil ações de habeas corpus da rede das APAEs, com cópias xerocadas, que atravancaram por um ano a Secretaria do TRF (Tribunal Regional Federal) da 3a Região. Tudo sob a liderança velada de Flávio Arns.
A manipulação das crianças com deficiência tornou-se peça política permanente na atuação das APAEs.
Certa vez, o deputado mineiro Eduardo Barbosa enviou um grupo de pessoas com deficiência para manifestações no MEC. O então Ministro Fernando Haddad abriu o auditório e colocou todos para dentro. Desnorteado com a atitude de Haddad, Barbosa correu até o auditório e, com linguagem de sinais, tentava convencer os deficientes (muitos surdos) a se retirarem.
Esse interesse político menor foi responsável por um dos piores momentos do Senado: a audiência pública convocada para discutir a educação inclusiva no dia 5 de novembro passado.
Na plateia, claques das APAEs vaiando de forma acintosa os que pensavam de forma contrária,  provocando os debatedores. Na mesa dos debatedores, um show inigualável de oportunismo político por parte de muitos senadores,  interessados em obter apoio ou, no mínimo, a simpatia das APAEs.
Pai de uma menina com síndrome de Down - que frequenta escola regular -, o  senador Lindbergh Farias, candidatável ao governo do estado do Rio, defendeu com unhas e dentes as escolas especiais, alegando que a inclusão poderia ser boa para sua filha, mas não  para os autistas. 
Ministro que iniciou o modelo de educação inclusiva, Cristovam Buarque condenou a inclusão como direito indisponível das crianças.
Mesmo alertado que a redação que veio da Câmara é inconstitucional, o senador Rodrigo Rollemberg defendeu o fim da obrigatoriedade do ensino inclusivo na rede regular de ensino
O uso político das APAEs
A politização das APAEs traz à tona um vácuo legal na atuação das filantrópicas ligadas  à deficiência.
Hoje em dia não existe um Marco Regulatório das Organizações Sociais. Elas prestam serviço público, recebem recursos públicos, mas não obedecem às mesmas regras de transparência.
Em muitos municípios, por falta de informações, a prefeitura disponibiliza seus professores especializados para trabalharem nas próprias APAEs, em vez de serem instrumentos de inclusão nas escolas municipais. Como recursos de convênios saem da União, passam por estados e municípios, não há centraização das informações, padronização de procedimentos ou exigências de transparência e contrapartidas.
Na educação superior, por exemplo, o MEC certifica que as PUCs são instituições filantrópicas com direito à isenção de impostos. Mas recebe, como contrapartida, bolsas para o PROUNI. No caso das filantrópicas, não há nenhuma espécie de contrapartida nem de controle social.
A falta de transparência perpassa as atividades mais comezinhas. Por exemplo, nas escolas públicas há uma chamada geral para estudantes. Exige-se do gestor – seja o diretor da escola ou o Secretário Municipal de Educação – total transparência e isonomia para o preenchimento de vagas. As APAEs não estão submetidas a esse controle, o que confere a seus gestores um poder de arbítrio na definição das vagas.
No caso do Prouni (as bolsas para estudantes em universidades privadas) há regras claras de prioridade de acesso para os bolsistas. No caso das APAEs, não existe nenhuma regulamentação.
Como instituições auxiliares de educação, por exemplo, deveriam se submeter ao controle social dos Conselhos Tutelar, do Direito da Criança, de Educação e do Ministério Público. Mas nada disso ocorre, o que faz com que a seriedade de cada APAE dependa exclusivamente da seriedade dos seus dirigentes, não de formas institucionalizadas de controle.
Sem esse controle, muitas APAEs acabam sendo extensões de partidos políticos, obedecendo à mesma lógica de apadrinhamento e/ou aparelhamento do executivo.
Mas não se fica nisso.
Há uma exploração política disseminada, de dirigentes utilizando as APAEs como trampolins para candidaturas políticas, de vereadores a deputados e senadores.
A candidatura política de Flávio Arns, por exemplo, é pavimentada por uma montanha de recursos públicos para uma organização privada.
Investir R$ 420 milhões na rede pública do estado não lhe daria a visibilidade e os votos garantidos pela distribuição de verbas para as APAEs, como as que anunciou em agosto passado. 
O mesmo ocorre em outros estados.
Ex-presidente da Federação das APAEs, o deputado federal Eduardo Barbosa (PSDB-MG) conseguiu transferir R$ 1,2 milhão para bancar 37 eventos e um congresso estadual em plena campanha eleitoral de 2010. Tudo bancado por dinheiro público nas APAEs.
O jogo pesado das APAEs não se limita à eleição de seus candidatos.
Na campanha de 2010, a APAE de Poços de Caldas – trampolim político de seus dirigentes – chocou o eleitorado ao denunciar que  o MEC estaria sonegando recursos às crianças. A "denúncia" foi amplamente utilizada por José Serra no debate com Dilma Rousseff pela Rede Bandeirantes.
Era uma falsa denúncia.
A resposta do MEC – uma nota no site oficial, com todos os recursos do Fundeb, distribuídos às APAEs, passou desapercebida. E a “denúncia” se dava em pleno início da distribuição inédita das verbas da Fundeb às APAEs
A instrumentalização das APAEs não é obra de um só partido.
Nos últimos meses, Arns se valia do site da Secretaria da Educação do Paraná para proselitismo pró-APAEs. Anunciou R$ 420 milhões para a educação inclusiva. Nem se pense que a intenção primordial fosse preparar a rede pública para receber as crianças. O objetivo explícito era dar condições de “isonomia” às APAEs para competir com a rede regular de ensino.
Em Brasília, a Ministra-Chefe da Casa Civil Gleise Hoffmann valeu-se do site da Casa Civil para defender as APAEs, contra a obrigatoriedade da educação inclusiva na rede regular de ensino. Cabe à Casa Civil o filtro jurídico de todos os atos do governo. No site da Casa Civil, o comunicado da Ministra atropelava a Constituição, as leis vigentes e a Convenção da ONU, da qual o Brasil foi signatário.
Por seu turno, no Senado, o relator do PNE na Comissão de Justiça do Senado, senador Álvaro Dias (PSDB), já tinha pronto um email padrão para enviar a todo mundo da APAE que lhe escrevesse, garantindo-lhes apoio à sua causa.
Com tal nível de promiscuidade política, as APAEs acabam se tornando apêndices dos jogos políticos fisiológicos e do compadrio nas nomeações e contratações.
Tome-se o caso do ex-senador Flávio Arns. Tem atuação política, como vice-governador e Secretário da Educação do Paraná. E tem atuação como líder das APAEs.
No ano passado, o escritório de advocacia Arns de Oliveira & Andreazza Advogados, de seu sobrinho Marlus Arns, conquistou toda a advocacia trabalhista da Copel, a companhia de energia do estado (http://glurl.co/cLh). Um mega-contrato sem licitação. No início deste ano, o mesmo escritório foi contratado para atender à Sanepar, a Companhia de Saneamento do estado, por R$ 960 mil (http://glurl.co/cLm), duplicando a atuação do seu Departamento Jurídico. Também sem licitação.
Uma pesquisa rápida nos tribunais mostra que esse mesmo escritório atende, no mínimo, vinte APAEs do estado, prestando serviços jurídicos de toda espécie (clique aqui), entre elas para as APAEs de Califórnia, Cambira, Curitiba, Dois Vizinhos, Eneas Marques, Figueira, Icaraíma, Mandirituba, Nova América da Coluna, Nova Esperança, Nova Olímpia, Paranaguá, São João do Ivaí, São Sebastião do Amoreira, Telêmaco Borba.

A construção da cidadania

Não é o caso de demonizar as APAEs. Mas de definir regras de atuação que impeçam sua politização e esse método absurdo de se valer de pessoas com deficiência para pressões emocionais.
No evento de sábado passado, pessoas com deficiência intelectual, de todas as idades, conviviam com os demais, zanzavam pelos salões da livraria esbanjando simpatia, inserindo-se  em todos os ambientes. Junto com elas, pais que apostaram na educação inclusiva, viram os resultados alcançados por seus filhos e levantaram a bandeira de forma desprendida, para que todas as crianças com deficiência tenham acesso às mesmas possibilidades.
Nesses anos todos, as APAEs se valeram da pouca visibilidade do tema, da falta de atenção da mídia, para difundir  informações falsas, diagnósticos imprecisos para ampliar sua receita à custa do prejuízo de suas crianças.
Há a necessidade de um movimento maior de informação para que os pais saibam exigir os direitos das crianças nas escolas, conheçam todas as linhas de apoio à inclusão fornecidas pelo MEC. E até façam convênios com as APAEs, quando necessário.
E que os senadores deixem de lado o oportunismo político e abracem uma causa que poderá não render muitos votos individualmente, mas ajudará a legitimar o papel da casa na construção de políticas cidadãs.

ARQUIVO

O Governo que pertencia ao Povo!


JANGO PREGA A
REFORMA AGRÁRIA NA CENTRAL

Reforma Tributária, Reforma Eleitoral, e pela Justiça Social !

Conversa Afiada


O Conversa Afiada reproduz trecho do discurso de Jango na Central do Brasil, em 13 de março de 1964.

Clique aqui para ler o artigo de Saul Leblon sobre este discurso e a agenda inacabada.

(A reprodução deste discurso é uma singela homenagem do Conversa Afiada aos Historialistas Brasileiros – os que não fazem nem História nem Jornalismo …)




Clique aqui para ler “Petrobras: uma ode à Política !”.

E aqui para acessar o site do Instituto João Goulart.


Paulo Henrique Amorim

ué?! cadê o filho do Lula? tem cada mentira circulando por verdade... as mão do carapááálida continuam cheirando


Leão brasileiro é banguela





Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

A organização Tax Justice Network está começando a virar um pé-no-saco dos sonegadores brasileiros.

Primeiro, causou um frisson no mundo ao revelar um ranking internacional com os países que detêm as maiores fortunas em paraísos fiscais. O Brasil estaria em quarto lugar, com seus super-ricos guardando no exterior, ilegalmente, cerca de R$ 1 trilhão.

Agora, ela volta a incomodar, dizendo que ocupamos o segundo lugar no planeta em evasão de tributos, apenas depois da Rússia. Só a Folha deu a notícia, no pé de página do Caderno Mercado.





Segundo a Tax Justice Network, o Brasil perde 13,4% de seu PIB por causa do envio clandestino de recursos para o exterior, fugindo à taxação doméstica. Nos EUA, apenas 2,3% dos tributos fogem do país. Na China, apenas 2,2%.

Esse descalabro mereceria uma campanha nas grandes mídias, até porque a sonegação dos ricos e poderosos acaba obrigando o governo a aumentar os impostos sobre a classe média.

Entretanto, seria injusto apenas culpar o empresariado. O governo tem de oferecer sistemas mais simples e justos na cobrança de tributos.

De qualquer forma, não tem como deixar de pensar na sonegação da Globo, revelada por este blog. A sonegação, agora está provado, é o maior ralo de recursos públicos do país, muito mais inclusive do que a corrupção. Segundo o sindicato nacional dos auditores fiscais, mais de R$ 400 bilhões são sonegados todos os anos.

Esses são os recursos que nos faltam para aprimorar o sistema de saúde e educação. Tem muitos Darfs a serem mostrados por aí…


*****

NA FOLHA DE SP

PESADELO FISCAL

Brasil é “medalha de prata” em evasão de tributos

Entre as economias mais importantes, país só perde para a Rússia em sonegação; problema envolve de camelôs a multinacionais

RICARDO MIOTO, DE SÃO PAULO

Esta é para quem reclama da falta de inovação no Brasil: no campo da sonegação, poucos países desenvolveram “expertise” tão sofisticado.

Entre as economias mais importantes, perdemos apenas para a Rússia. A medalha de bronze vai para a Itália.

O ranking foi elaborado a partir de estatísticas do Banco Mundial pelo grupo internacional Tax Justice Network, com base em dados de 2011.

A conta é simples: a partir do PIB e das alíquotas tributárias estabelecidas, estima-se quanto deveria ser arrecadado. A partir disso, é possível saber o tamanho da evasão fiscal em cada país. No Brasil, o valor encontrado corresponde a 13,4% do PIB.

É fato que em países em desenvolvimento há muita atividade informal. Mas como explicar que o Brasil tenha um desempenho tão pior do que México e Argentina (evasão de 2,4% e 6,5% do PIB)?

Para compreender isso, é preciso vencer a imagem de que a evasão brasileira se refere somente ao camelô ou ao contrabandista que busca muamba no Paraguai. Muitas empresas grandes não pagam os impostos que deveriam.

No ano passado, por exemplo, a Receita anunciou um plano de cobrança de R$ 86 bilhões em tributos vencidos. Metade do total se referia a 317 grandes empresas, com dívida média de R$ 135 milhões.

Os R$ 86 bilhões são pouco menos do que o orçamento anual do Ministério da Saúde e mais de quatro vezes o gasto com o Bolsa Família.

Neste ano, o governo planeja dar condições especiais de pagamento de dívidas de multinacionais brasileiras que somam nada menos que R$ 680 bilhões –sete vez o orçamento da Saúde. Caso paguem seus débitos, terão perdão sobre multas e juros.

Divergências sobre o plano fizeram o subsecretário de Fiscalização da Receita, Caio Marcos Cândido, deixar o cargo. Em 2009, a secretária da Receita Lina Vieira foi demitida após autuações bilionárias contra Ford e Santander.

CAUSAS

Já nos anos 1970, o economista Michael Allingham, de Oxford, mostrou a forte correlação negativa entre a evasão e dois fatores: a probabilidade de a empresa ser fiscalizada e a magnitude da pena se for pega.

Quanto maior forem esses dois fatores, menor a evasão.

No caso brasileiro, desde 2003 a punibilidade dos crimes contra a ordem tributária passou a ser extinta caso o acusado, a qualquer momento, pague o seu débito.

Embora a lei preveja até cinco anos de reclusão para tais crimes, o réu pode escapar. A pendência pode ainda ser parcelada no âmbito do Refis, programa para facilitar o pagamento de dívidas tributárias criado em 2000 e reeditado várias vezes –e aberto agora à adesão.

No curto prazo, isso aumenta a arrecadação, mas pode há um risco que a levou a ser questionada, em vão, por membros do Ministério Público Federal em 2003.

“Como explicar a quem pagou os tributos na data aprazada que se concedem benefícios fiscais a quem agiu com dolo?”, defenderam o procurador da República José Adércio Sampaio e três colegas. “É um incentivo à sonegação.”

CULPA

Entre outros fatores que incentivam a sonegação no país, está a complexidade que afeta até mesmo ao empresário bem intencionado.

Os economistas Marcelo Siqueira e Francisco Ramos, das universidades federais do Ceará e de Pernambuco, citam ainda algo bem nacional: o sentimento generalizado de que o governo não aplica direito a arrecadação, reduzindo a culpa do sonegador.

Veja como você é manipulado!

Blindagem dos tucanos inclui promotor em cargo público, diz deputado

publicado em 11 de novembro de 2013 às 22:58



Montagem de Ivan Freitas, no Facebook, com a manchete que saiu (superior) e a que deveria ter saído

por Luiz Carlos Azenha

“O governador Alckmin blindou todos os mecanismos de controle externo e fiscalização de seu governo”, denuncia o deputado federal Renato Simões (PT-SP), numa alusão à maioria governista que freia a abertura de comissões parlamentares de inquérito na Assembleia Legislativa.

Porém, não fica nisso: “Com o Ministério Público do Estado se criou uma situação absolutamente promíscua, com a nomeação de promotores de Justiça e ex-procuradores gerais para cargos de secretários no âmbito do governo do Estado, de modo que existe uma força moral importante, externa ao MP, composta por membros da instituição investidos de poder de governo, que neutralizam também as apurações do ministério público estadual”.

“O fato dessa blindagem não se estender ao Exterior é que permitiu que as denúncias do propinoduto tucano, seja em relação à Alstom, seja em relação à Siemens, tivessem a repercussão que tiveram e nós não podemos permitir que o Ministério Público Federal, que tem a responsabilidade  de encaminhar no país a parte referente a essas investigações internacionais, também seja neutralizado pelo governo do Estado”, continua.

É assim que Simões justifica as ações do PT para questionar o comportamento do procurador Rodrigo de Grandis.

Relembrando, da Folha de S. Paulo:

26/10/2013 – 03h22
Sem apoio do Brasil, Suíça arquiva parte do caso Alstom
FLÁVIO FERREIRA

MARIO CESAR CARVALHO

JOSÉ ERNESTO CREDENDIO

DE SÃO PAULO

Cansados de esperar pela cooperação de seus colegas brasileiros, procuradores da Suíça que investigam negócios feitos pela multinacional francesa Alstom com o governo do Estado de São Paulo arquivaram as investigações sobre três acusados de distribuir propina a funcionários públicos e políticos do PSDB.

Em fevereiro de 2011, a Suíça pediu que o Ministério Público Federal brasileiro interrogasse quatro suspeitos do caso, analisasse sua movimentação financeira no país e fizesse buscas na casa de João Roberto Zaniboni, um ex-diretor da estatal CPTM.

Como nenhum pedido foi atendido, nesta semana autoridades brasileiras foram informadas de que o Ministério Público da Suíça desistiu de contar com a colaboração do Brasil e decidiu arquivar parte das suas investigações.

Segundo o procurador da República Rodrigo de Grandis, responsável pelas investigações sobre os negócios da Alstom no Brasil, houve uma “falha administrativa”: o pedido da Suíça foi arquivado numa pasta errada e isso só foi descoberto anteontem.

O Ministério Público da Suíça havia pedido que Grandis fizesse buscas na casa de Zaniboni porque ele é acusado de receber US$ 836 mil (equivalentes a R$ 1,84 milhão) da Alstom na Suíça.

A procuradoria suíça também pediu que fossem interrogados os consultores Arthur Teixeira, Sérgio Teixeira e José Amaro Pinto Ramos, suspeitos de atuar como intermediários de pagamento de propina pela Alstom.

Para o deputado Simões, é essencial que a investigação na Suiça avance para seguir a trilha do dinheiro, ou seja, para saber se recursos obtidos ilegalmente abasteceram campanhas eleitorais. Ele está certo de que, pela importância dos envolvidos no escândalo na hierarquia governamental, eles não agiram por conta própria, apenas para enriquecimento pessoal — mas isso é uma opinião à espera de fatos que a comprovem sem qualquer dúvida.

Na entrevista abaixo, Simões chega a falar no assassinato de Manfred Richthofen, o alto funcionário da DERSA — empresa encarregada do desenvolvimento rodoviário, inclusive do Rodoanel, controlada pelo governo estadual — morto a mando da filha, Suzane. Suspeitas de que o engenheiro exercia o papel de caixa dois tucano nunca foram comprovadas — a investigação foi arquivada pelo MPE.

O deputado fala também sobre o caso da máfia do ISS, que começou a atuar na Prefeitura de São Paulo durante o governo do ex-prefeito Gilberto Kassab. O PT está interessado em apurar o papel de Mauro Ricardo, o ex-secretário das Finanças de Kassab, braço direito de José Serra – sob o qual atuavam os fiscais presos — independentemente de o partido de Kassab, o PSD, apoiar em plano nacional o governo Dilma, diz Simões.

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Finalmente, o deputado denuncia o papel de certa mídia, que tenta colocar as “crias” de Kassab no colo do atual prefeito, Fernando Haddad.



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