terça-feira, 22 de outubro de 2013

dois baianos e um pernambucano... uai, nenhum paulista?


HAROLDO LIMA DÁ UMA
AULA SOBRE LIBRA. E LULA


Lima: o objetivo foi preservado. O interesse da União apareceu com força !


Conversa Afiada




Lima: foi feita uma sinergia financeira e tecnológica



Haroldo Lima dirigia a Agência Nacional de Petróleo no Governo Lula, quando o Brasil descobriu as jazidas do pré-sal e trocou o regime de concessão pelo regime de partilha para explorar os novos gigantescos campos.

Ele tinha sido deputado federal pelo PC do B da Bahia e, nesta segunda-feira, participou da solenidade do leilão de Libra, no Rio.

Pouco depois, ele conversou com Paulo Henrique Amorim, por telefone:



PHA: Deputado, o senhor saiu feliz com o resultado?
Haroldo Lima: Saí, Paulo, saí bastante feliz.

Foi um resultado muito vantajoso. Nós conseguimos pela primeira vez introduzir no Brasil, de forma vitoriosa, o sistema de partilha da produção, que não existia no Brasil, porque o país não tinha nenhuma área de grande produtividade.

Todas eram áreas – algumas expressivas como a Bacia de Campos – que não tinham uma concentração grande de petróleo como tem o pré-sal.

Por esse motivo, nós introduzimos o sistema de partilha no pré-sal.

As pessoas me perguntam se esse sistema é inédito no mundo.

Não, não é inédito no mundo. Ele existe em diversos lugares. No Brasil é que ele é inédito.

No Brasil, nós nunca fizemos isso porque nunca tivemos uma área tão prolífera quanto o pré-sal.


PHA: O senhor ficou decepcionado por haver uma única proposta, ou o senhor acha que o objetivo da União foi preservado?
Haroldo Lima: Foi preservado o objetivo da União.

O nosso objetivo central não é bem que haja diversas propostas. O objetivo é que o interesse da União apareça com força.

Se tiver 150 blocos de menor importância, seguramente, aparecem 40, 50 empresas para disputar esses blocos.

Mas, em blocos dessa magnitude, como o de Libra – que implica em um bônus de assinatura de 15 bilhões de reais – não aparece muita gente.

Aqui no Brasil mesmo, só tem uma empresa que costuma aparecer nesses processos, jogando um papel importante, mas não exclusivo, que é a Petrobras. No mundo tem algumas empresas.

O que aconteceu é que nós tivemos uma espécie de sinergia das grandes.

Nenhuma empresa que apareceu é inferior à décima maior do mundo. Todas as empresas estão entre as dez maiores do mundo.

Foi feita uma sinergia do ponto de vista financeiro e tecnológico.

Nós não podemos também imaginar, como muitas vez se dá em uma visão um pouco ingênua, que nós somos os únicos que temos tecnologia para operar em águas profundos – no caso, super-profundas.

Não é verdade: todas as grandes empresas tem.

E no caso especifico do pré-sal – exploração abaixo da camada de sal – isso pouquíssimas empresas tem. Nós vamos ter que somar nossos esforços tecnológicos aí para poder desenvolver.

Alguns defendem: “por que não deixar a Petrobras sozinha?”

Quando eu era da ANP nós descobrimos dois grandes campos, o de Franco e o de Libra.

O de Franco nós passamos imediatamente e integralmente para a Petrobras capitalizar, e resultou na maior capitalização já feita por uma empresa no planeta Terra [foi realizada em 2010, e a Petrobras capitalizou 102 bilhões em 24 horas].

O de Libra ficou para o governo explorar sob a forma de partilha.

Aí você pergunta: mas o consórcio só apresentou o mínimo de 41,65%.

Mas esse mínimo é o que a gente chama de “excesso em óleo”.

O excesso em óleo é o que sobra quando você paga o custeio – o “custo óleo”.

Por esse “excesso em óleo” o consórcio vai pagar ao governo 41,65%. Mas, esse 41,65% é uma parte – uma parte importante – do que ficará para o Governo.

Repare bem: 41,65% de “excesso em óleo”; 15% de royalties; Imposto de Renda; outros impostos; aluguel de área.

Quando você soma tudo isso vai dar 72%.

E como foi a Petrobras que ganhou o consórcio – e a Petrobras é brasileira – tem a parte da Petrobras no processo.

Como empresa, ela vai ter que pagar à União.

Significa que vamos tirar de Libra para a União brasileira aproximadamente 80% de todo o óleo lá extraído. O que está no limite do máximo do mundo.

(No pronunciamento em rede de televisão, a Presidenta Dilma Rousseff falou em 85%).


PHA: O senhor acredita que será possível também nessa arquitetura montada para a composição do consórcio alguma sinergia financeira, com os chineses financiando a Petrobras ?
Haroldo Lima: Aí são opiniões pessoais que eu tenho.

Como eu acho que a Petrobras estava com certas dificuldades de caixa para bancar, por exemplo, no caso especifico ( do “bônus de assinatura”), 6 bilhões de reais – porque ela entra com 40% de 15 bilhões – então ela tem que bancar 6 bilhões em cash, no ato; à vista, dentro de 60 dias no máximo, ou 30 dias, por aí.

Para ela fazer isso, vai ter que pegar algum dinheiro emprestado.

Eu ouço falar – e pessoalmente acredito nisso – que os chineses vão fazer isso. Porque para eles é uma vantagem.

Os chineses não querem aparecer. Eles apareceram de forma discreta no leilão.

Eles poderiam ter arrematado tudo sozinhos, mas eles preferiram aparecer de forma discreta, apareceram com duas empresas, uma com 10%, outra com 10% e, provavelmente, eles vão emprestar à Petrobras o dinheiro para pagar o bônus de assinatura e vão receber isso da Petrobras em óleo.


PHA: E como o senhor explica o fato de grandes empresas, como a americana Chevron e britânica BP, não terem participado? Por que elas não vieram?
Haroldo Lima: Na verdade são quatro empresas entre as maiores do mundo que não compareceram. A Exxon, a maior de todas; a Chevron, segunda maior americana; a BP, British Petroleum da Inglaterra; e a BG, também da Inglaterra.

Algumas que compareceram não chegaram a apresentar propostas, como a Ecopetrol, colombiana; a ONGC da Índia; a Petrogral de Portugal; a Petronas, da Malásia; e a Repsol espanhola. Fanatec que também não apresentou.

Essas empresas estiveram lá mas não apresentaram proposta.

Mas essas grandes que você citou nem foram lá. Por que razão?

Eu vejo duas razões: uma coisa é que eles acharam que havia uma certa participação muito grande do Estado brasileiro no leilão.

A Petrobras era colocada como operadora exclusiva do campo, a Petrobras tinha participação mínima de 30% entrando ou não no consórcio, e tem a participação da PPSA,Pré-Sal Petróleo S.A, uma empresa 100% estatal que nós criamos para poder acompanhar a execução do projeto.

Essas questões levaram as empresas a acreditar que era uma participação muito grande do Estado brasileiro. Eu pessoalmente acho que não é.

Especialmente, essa questão da PPSA.

Se você não tiver uma empresa 100% estatal pode dar tudo errado. Porque na execução do projeto vai se acumulando um custo muito grande do chamado ”custo óleo”.

Ou seja, de 5 a 6 anos ela investe somas espantosamente grandes, coisa na base 150 bilhões de dólares e quando chegar o petróleo vai ter que pagar o que ela investiu. É o tal do ”custo óleo” e, do ”excedente em óleo”, paga-se o que se investiu e o que sobrar fica para o Governo.

Ora, se esse custo em óleo for artificialmente elevado, você nunca termina de pagar esse negócio.

Razão pela qual a participação da PPSA é fundamental para não deixar que se cresça artificialmente esse ”custo óleo”.


PHA: Quer dizer então que essa decisão das gigantes americana tem o viés de pensarem que a participação do Estado brasileiro é muito grande?
Haroldo Lima: A gente sente no raciocínio deles que talvez tenha sido grande a participação do Estado.

Mas eu acho que teve também uma outra razão: como nós ficamos muito tempo sem fazer leilões no Brasil, essas empresas assumiram enormes compromissos no exterior. Na costa da África; no Golfo do México; no Mar do Norte.

E algumas, especialmente as americanas, se preparam para entrar no México.

Com você sabe, Paulo, o monopólio do petróleo, que foi uma coisa essencial para a construção da nossa Petrobras – hoje a Petrobras não precisa mais do monopólio – o monopólio acabou no mundo inteiro, menos no México, que vai acabar agora, como eles já anunciaram.

Então, com esse anúncio, as empresas americanas que estão ali do lado se preparam para entrar no México com toda a força.


PHA: O senhor podia também nos ajudar a entender, já que o senhor ajudou a criar esse embrião, a função da PPSA na questão da distribuição do Fundo Social.
Haroldo Lima: A função principal dela é a gestão do projeto. Evitar que o custo óleo seja artificialmente elevado ao ponto de ficar custoso demais para o Governo.

Aí, ela defende um ”excedente em óleo” que seja o maior possível. Depois ela só faz a distribuição como manda a Lei.

Por exemplo, a parte dos royalties está prevista em lei que 75% vão para Educação e 25% para a Saúde.

(São 75% e 25% de um montante que poderá chegar em 30 anos à 300 bilhões de reais – PHA).

Quando nós fazíamos essas projeções, o presidente Lula – porque essa ideia de 75% para Educação vem de Lula – dizia: ”nós vamos criar uma educação de primeiro mundo para o Brasil, com muito laboratório, escolas boas, professor ganhando bem”.

Isso é possível, mas isso só seria possível começando a explorar o pré-sal.

Algumas pessoas diziam para suspender o leilão. Por quê? Qual o argumento?

Nós descobrimos o pré-sal há 7 anos, fizemos hoje à tarde o primeiro leilão. Imagina isso, você descobre uma fortuna no seu fundo do seu quintal e passa sete anos sem fazer nada, em um país que precisa arduamente de desenvolvimento.

Falam da espionagem, mas espionagem daqui para frente terá sempre. E nesse caso, a espionagem é totalmente inócua, porque os dados do pré-sal são públicos. ANP apresenta os dados publicamente, se não as pessoas não entram no leilão.

Se nós começarmos a exploração amanhã, são de cinco a sete anos só furando, até chegar ao petróleo. Aí começa a entrar o dinheiro.

Nós não podemos ficar parados como se fôssemos um país rico que não depende desse recurso.


PHA: Uma outra crítica que se faz é que o Brasil não tem infraestrutura industrial para sustentar a exploração do petróleo. Verdade ou mentira?
Haroldo Lima: Mentira!


PHA: Por que ?
Haroldo Lima: Quando o Lula começou – olha, eu não estou fazendo propaganda do Lula, não – eu gosto muito dele, mas uma coisa não decorre da outra, quando o Lula resolver fazer navios e plataforma aqui a indústria naval estava acabada.

Perguntavam porque fazer navios aqui se comprar lá fora é muito mais barato. A nossa resposta foi que era mais caro porque esse era o custo de se ter uma indústria naval aqui.

A resposta é a mesma. Essa indústria de equipamentos que nós vamos ter aqui, provavelmente, num determinado instante, essa indústria será mais dispendiosa para o Brasil do que se nós fôssemos comprar lá fora. Mas se comprar tudo lá fora, nós nunca vamos ter aqui.

Eu ainda tenho uma relação muito boa com o pessoal da ANP, encontro com eles e eles me contam: ”Haroldo, o que tem de gente querendo entrar no Brasil”, gente de grandes empresas que querem se instalar aqui no Brasil por causa da nossa política de conteúdo local.


PHA: É o abrasileiramento do parque industrial para poder fornecer para o pré-sal.
Haroldo Lima: Exatamente.


PHA: Quer dizer que esse casamento entre um baiano como o senhor com o Lula, e mais um baiano, o Gabrielli [Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras], deu um bicho bonito, né?
Haroldo Lima: Deu sim. Foi uma coisa interessante, dois baianos e um pernambucano.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

! trilhão de motivos para ocê pensar o seu antipetismo


A melancolia da elite intelectual


Blog do Miro


Por Emir Sader, no sítio Carta Maior:

Patético ver intelectuais melancólicos diante do Brasil de hoje. Uma parte deles, chegou à euforia quando FHC foi eleito. “Se alguém pode aplicar esse modelo com políticas sociais, será ele”- afirmou um deles. “Não preciso escolher entre Pelé e Garrincha”- disse outros, que fez campanha pelo Lula, mas correu assumir um ministério do no governo FHC, não sem antes anunciar “uma nova revolução democrática no Brasil”.


Era a projeção dos sonhos da intelectualidade paulista e da que se identifica com ela, como a elite da elite da elite brasileira. FHC chegava derrotando a esquerda, com uma bandeira que dava cores de modernização a um programa conservador. Propondo-se a “virar a pagina do getulismo” – melhor ainda, menos Estado, nada de populismo, fora sindicalistas, petistas, Lula, partidos de esquerda.

O diário da Barão de Limeira inaugurou um caderno especial – A “Era FHC”. Não precisou emprestar carros pro seu governo, mas emprestou todos os seus espaços e seu “dom de iludir”.

FHC saiu derrotado, com o rabo entre as pernas, como o político mais repudiado pelo povo brasileiro. Seus adeptos se refugiaram na melancolia. O diário da Barão de Limeira foi tirando do ar o caderno da Era FHC, sem nem noticiar seu fim e as razões. Seria um hara-kiri, da mídia e da elite paulista.

Para mal dos pecados, aquele governo foi substituído justamente por Lula e pelo PT – os inimigos que FHC pretendia ter derrotado, para o orgasmo da elite melancólica. O que fazer, além de esperar o fracasso do governo despreparado para governar? Se até FHC fracassou, o que o governo reservaria para o Lula?

Primeiro, as denuncias – misturadas, entre a direita e a ultra esquerda – da “traição” do Lula. Se confirmaria que para governar Lula teria que abandonar tudo o que a esquerda pregava. Teria que seguir a política econômica do FHC e sair como “traidor” do povo brasileiro, desmascarado. Derrota da esquerda por décadas.

O “mensalão” era a prova que faltava: além de incompetente, o novo governo assaltava o Estado e seria derrubado com a pecha de corrupto. Banquete que de novo unia a direita com a ultraesquerda, tendo como inimigos o governo Lula e o PT. Salivavam as elites melancólicas diante da perspectiva de limpar o campo e poder governar por décadas sem a moléstia da esquerda, do Lula, do PT e do movimento popular.

O que fazer diante do sucesso do Lula, dentro e fora do Brasil? Diante da sua capacidade para eleger e reeleger sua sucessora? Refugiar-se na melancolia. Dizer que tudo está ruim no Brasil, prestes a explodir. Que o povo se vendeu por bolsas família, por Minha Casa, minha vida, por empregos, salários, etc., etc.

Fazer o discurso escatológico de que o mundo está pior do que nunca, que o Brasil vai pro brejo, que o povo nunca aprende, que tudo pode ainda ficar pior, se o Lula voltar em 2018. E refugiar-se também nos espaços que a direita lhes reserva para esses lamentos na sua mídia.

Desencontrados do Brasil que melhora, da America Latina que avança – na contramão dos seus queridos EUA e Europa – só lhes resta um final resignado e resmunguento. Procurar algum candidato ou deputada que possa fazer alguma sombra ao governo. Porque ver triunfar ao Lula, ao PT, à esquerda, ao governo, é a estação final e melancólica da elite intelectual da nova direita.

R$ 1 trilhão !


DILMA: PRÉ-SAL É PASSAPORTE
PARA UM GRANDE FUTURO


Dilma diz que leilão de Libra mostrou que o Brasil respeita contratos e preserva a soberania

Conversa Afiada




Clique na imagem para assistir




Em pronunciamento em rede de televisão às 21h30 desta segunda feira, a Presidenta Dilma Rousseff comemorou a vitória no leilão do pré-sal.

Concluiu com a afirmação de que o pré-sal garante Educação de alta qualidade e recursos para construir uma sociedade mais justa, com distribuição de renda.

Reafirmou que o regime de partilha (em oposição ao tucano regime de concessão) é uma grande conquista, que preserva os interesses do Estado brasileiro, da Petrobras e dos parceiros.

Lembrou que 85% de TODA a renda de Libra será do Estado brasileiro – ou seja, do povo brasileiro.

85% !

O que, ressaltou ela, “é bem diferente de privatização” – poderia ter dito “privataria” e dar um bye-bye ao seuPríncipe.

Lembrou que o regime de partilha foi aprovado pelo Congresso Nacional que determinou: dos royalties e do excedente de óleo, 75% vão para a Educação e 25% para Saúde.

Estamos falando, em 35 anos de contrato, de valores correspondentes a R$ 1 trilhão !, ela lembrou.

R$ 1 trilhão !

(Já imaginou isso na mão dos tucanos ou da Tucarina, que é contra o petróleo ?)

E que do dinheiro de Libra, lembrou a Presidenta, o dinheiro terá quea, ir, também, para o combate à pobreza, à cultur ao Esporte, à Ciencia e Tecnologia e à defesa do meio ambiente (que ficou muito melhor depois que a Tucarina foi embora do Governo…)

Para extrair o óleo e o gás do pré-sal serão necessárias de 12 a 18 mega-plataformas, gasodutos, barcos, linhas de produção – tudo com alto índice de conteúdo – e emprego – nacional.

Serão criados milhões de empregos.

E num país onde já existe um regime de quase pleno emprego …

O leilão de Libra encerrou o ciclo do tucanismo na política brasileira.

E foi um tiro no peito na turma do “dá para fazer mais”.

Claro, com Libra, Dilma vai fazer muito mais !

Paulo Henrique Amorim


Clique aqui para ler “Libra: Dilma não é privateira nem estatista”

Aqui para “Leilão derrotou os black blocks do mercado!”

Aqui para “Tijolaço: os números finais do leilão de Libra”

Aqui para “Libra: só americanos fugiram. Petrobras, China, Shell e Total vencem”

E aqui para a nota da Petrobras: “Resultado do leilão do campo de Libra”

antes de berrar ou chorar se informe, mas cuidado onde ocê bebe sua água de passarinho

Os privatistas se roem do sucesso do leilão, mas não entregam a rapadura







21 de outubro de 2013 | 20:18


Vocês lembram que hoje de manhã os jornais - especialmente a Folha e o Valor – já falavam em mudança da lei do petróleo, na onda do “fracasso” do leilão de Libra?

De novo, a Reuters – uma das melhores, embora não tão desinteressada, em cobertura do setor de petróleo – desnuda os interesses dos “fracassistas”.

A agência traz matéria com o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (IBP), que de brasileiro só tem o nome, porque é composto de uma maioria real de empresas estrangeiras. João Carlos de Luca presidiu a espanhola Repsol no Brasil, antes da China assumir seu controle.

E o que ele diz?

Segundo a Reuters, ele defendeu nesta segunda-feira o fim da obrigatoriedade da Petrobras como operadora única do pré-sal, até como forma de acelerar a exploração da área com reservas gigantes de petróleo do país. “Tirar essa obrigação vai ser um grande avanço”.

Como a iniciativa privada é “boazinha”, quer tirar da Petrobras o “sacrifício” de ter de explorar áreas do pré-sal que “ não são tão interessantes”…

Ora, ninguém vai furar sete mil metros de profundidade, em rochas corrosivas e mar alto, se for para pegar uma moringa de petróleo. Área do pré-sal economicamente viável é muito diferente de poços que, sim, a Petrobras pode e deve entregar à iniciativa privada, porque rendem pouco e não justificam a dispersão de esforços, como já se faz com centenas de poços exaustos em terra.

O presidente do IBP, como fez hoje a imprensa brasileira, quer dar o golpe do João Sem-Braço: dizer que as empresas privadas vão fazer “um favor” à Petrobras.

É sinal que perderam e, agora, mudam o discurso da “eficiência” para o da “modéstia”.

Tadinhos.


Por: Fernando Brito

jamais foi simples

Libra: vitória política completa. Econômica, um pouco menos que o possível








21 de outubro de 2013 | 17:57


Politicamente, a vitória obtida pelo Brasil no leilão não poderia ter sido maior.

A presença minoritária da Shell no consórcio da Petrobras jogou por terra todo o blá-blá-blá de que as regras eram inviáveis, que as empresas comerciais temiam a ingerência do governo, que a partilha era um modelo fadado ao fracasso.

A outra empresa privada, a Total, é muito ligada ao governo francês, que tem participação acionária e já se esperava que pudesse entrar no consórcio por razões estratégicas de abastecimento. Mas não a Shell.

Deixou de queixo caído todos os “mercadistas” que não entenderam que as americanas e inglesas caíram fora por conta da espionagem e a “dupla cidadania” da Shell – também holandesa – a deixou menos exposta ao escândalo.

Nem a Miriam Leitão tem o que falar sobre isso, agora.

Do ponto de vista do resultado econômico do leilão, todos viram que o representante do consóricio esperou até os últimos segundos para entregar aquele envelope.

Claro, porque havia outro, com um lance maior, para o caso de haver outros na disputa.

Se não há, vai a proposta mínima, até porque a Petrobras não tem como forçar seu aumento se não há licitantes a vencer.

Poderíamos ter alcançado os 80% de participação estatal, mas acabamos ficando, como mostrou o post anterior, em 75,73%.

Duas razões nos impediram:

A primeira, o alto bônus de assinatura, que criou dificuldades de desembolso imediato para a Petrobras. E isso, com todo apoio que este blog deu ao leilão, jamais deixou de ser objeto de crítica, sobretudo porque derivou das necessidades imediatas de caixa do Governo para alcançar a meta de superávit primário, aquele do maldito tripé que a direita e, agora, Marina Silva, endeusam.

A segunda, a pressão política.

Não a das poucas dezenas de manifestantes ali fora do leilão que, tirando meia-dúzia de provocadores black blocs – são gente nacionalista.

A pressão vem de outros black blocs, os mascarados do mercado, que vêm vandalizando as ações da Petrobras faz tempo, sob a música de desastre que a mídia incessantemente toca para a empresa com mais reservas novas a explorar neste momento no mundo.

Nada isso, entretanto, diminui meu otimismo com a exploração de Libra. Até porque, fora da parcela de lucro embolsada pela União, pela Petrobras e pelas outras empresas do consórcio, existe uma parcela imensa, de algo perto de US$ 300 bilhões, que vai ser apropriada pelo país na forma de salários, compras de insumos e de encomendas com o máximo possível de conteúdo nacional, como é tradição da Petrobras, e que, por isso, vai irrigar nossa economia com impostos e salários.

Nem falo, também, no horizonte de cooperação que ela abre com a China, que lentamente vai assumindo o seu papel de parceiro estratégico do nosso país.

O Brasil está de parabéns. Provamos que é possível juntar a defesa dos interesses nacionais, o controle de nossas matérias primas estratégicas, a eficiência tecnológica e operacional com a necessária captação de recursos para o desenvolvimento de nossa indústria petroleira.

O petróleo teve três fases neste país.

A primeira, a de acreditar que ele existia e encontrá-lo.

A segunda, a de sermos capazes tecnologicamente de extraí-lo, nas difíceis condições onde ele surgiu.

A terceira, agora, a de sermos capazes de mobilizar, sem perder a soberania sobre ele, os recursos necessários a realizar essa imensa riqueza potencial.

Demos um passo gigantesco e seria tolice deixar de reconhecê-lo por acharmos que se poderia ir alguns centímetros além.

E, depois dos retrocessos que a década neoliberal nos obrigou, estamos mais longe do que qualquer um de nós poderia pensar naqueles anos amargos.

Esta caminhada jamais foi fácil, jamais foi simples.


Mas não há de parar nunca.

Por: Fernando Brito

os homenzinhos verdes... os marcianos!

O caso Panair: o esquecimento de que a ditadura fazia mais que torturar

No caso da repressão, talvez se chegue à punição ou, no mínimo, à identificação de militares torturadores, mas o papel da Oban e da Fiesp e de outros civis coniventes permanecerá esquecido nas brumas do passado, a não ser que a tal Comissão da Verdade siga a sugestão do [Carlos] Araújo e jogue um pouco de luz nessa direção também.
Luís Fernando Verissimo, na crônica Os coniventes, de 21 de março de 2013
Cerveja que tomo hoje é
Apenas em memória dos tempos da Panair
A primeira Coca-cola foi
Me lembro bem agora, nas asas da Panair
A maior das maravilhas foi
Voando sobre o mundo nas asas da Panair
Conversando no bar (Canção de Milton Nascimento e Fernando Brant)
Há alguns anos, esta canção de Milton Nascimento recuperou seu título original deSaudades dos aviões da Panair. Na época em que foi lançada por Elis Regina, em 1974, os autores tiveram receio de falar em Panair e em suas saudades da empresa logo no título da canção. Então, ela foi rebatizada para Conversando no Bar. Afinal, era proibido sentir saudades da enorme e respeitada empresa que, por ação dos militares, foi desmontada sem maiores explicações nos primeiros meses do Golpe de 1964. Num país pobre e quase desindustrializado, a existência da Panair do Brasil S. A. era motivo de orgulho nacional.
Logotipo da Panair: pouso forçado em abril de 1965
Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 1965, 15 h. Um telegrama do Ministério da Aeronáutica chegou aos escritórios da Panair, a maior companhia aérea do país e uma das maiores do mundo. A mensagem era simples e dava conta de que o governo estava cassando seu certificado de operação em razão da condição financeira insustentável da empresa. O telegrama vinha assinado pelo ministro Eduardo Gomes. A Panair não tinha nenhum título protestado nem impostos atrasados, mas o telegrama adiantava que ela não tinha meios para saldar suas dívidas e que estava proibida de voar. Os dias eram assim, também cantava Elis, ou podiam ser assim.  À noite, tropas do Exército invadiram os hangares da Panair e a Varig imediatamente assumiu todas as  concessões de linhas aéreas e propriedades da concorrente. E conseguiu fazer isto sem atrasar nenhum voo. Provavelmente, tinha sido alertada sobre os caminhos se abririam para ela naquele grande abril.
Um avião que levava um passageiro e 25 fardos de borracha na Amazônia em 1943
A revogação das concessões de linhas aéreas da Panair do Brasil foi decretada pelo Marechal Castelo Branco e a Varig era de propriedade de um aliado do governo militar, Ruben Berta  – nome de bairro em Porto Alegre. De uma tacada, a atitude provocou o desemprego de cerca de 5 mil pessoas, deu à Varig o monopólio dos vôos aéreos internacionais do Brasil e isolou quarenta e três cidades da Amazônia, pois nenhuma outra empresa operava os hidroaviões Catalina, os únicos que alcançavam aquelas localidades. Já a Celma, a subsidiária da Panair que fazia a manutenção das turbinas aeronáuticas civis e militares no Brasil, foi estatizada. Fim.
Provavelmente, não houve apenas uma razão um motivo para que os militares responsáveis pelo Golpe de 1964 perseguissem a Panair. Provavelmente, o motivo foi o conjunto da obra e, certamente, houve considerável influência externa. Mário Wallace Simonsen, o principal sócio da empresa, era um dos homens mais ricos do país. Era uma versão principesca de nossos super-ricos, uma espécie de Eike Batista com glamour. Simonsen era o sócio majoritário da Panair, o dono da TV Excelsior, da Comal — maior exportadora de café do Brasil num período em que o café respondia por dois terços das exportações nacionais –, da Editora Melhoramentos, do Banco Noroeste, do Supermercado Sirva-se (o primeiro a existir no Brasil), da Rebratel (qualquer semelhança com o nome Embratel não é mera coincidência) e de mais 30 empresas. A rapidez com ele foi expurgado do mundo empresarial brasileiro após  1964 foi absolutamente espantosa. A única empresa que continuou a existir foi o Banco Noroeste, que foi repassado a seu primo Léo Cochrane Simonsen até ser recentemente comprado pelo Banco Santander.
A família era admiradíssima como os ricos costumam ser. Presença constante nas colunas sociais, sabia-se que a família Wallace Simonsen – Mário, sua esposa Baby e os três filhos Wallace, John e Mary Lou – viviam como reis. A linda Mary Lou era figura comum nas revistas dos dois lados do Atlântico. Sua festa de debutante foi realizada em Londres, na presença da rainha da Inglaterra. Seu noivado também ocorreu na capital inglesa, só que na embaixada do Brasil. Seu irmão Wallinho andava com um espantoso Mercedes-Benz esportivo nas ruas de São Paulo e tinha casa com mordomo em Paris.
Ou seja, tratava-se do jet set da época, pessoas que normalmente têm boas relações com o poder. Mas Mário Wallace Simonsen devia ter graves problemas, na opinião dos militares. Por que a ditadura empenhou-se tanto para acabar com o império de Simonsen? Há várias possibilidades: é notório que a Varig – cuja diretoria era amiga da ditadura – desejava o mercado aéreo dominado pela Panair, que os Diários Associados queriam o mercado da TV Excelsior e que as empresas americanas de café, representadas por Herbert Levy, queriam abocanhar a Comal. E se havia tais pressões civis, talvez houvesse também um bom motivo militar.
Mario Wallace Simonsen, dono de um grupo de empresas destroçadas pelo Golpe de 64
Simonsen não era especialmente simpático à esquerda nem tinha intimidade com João Goulart, porém, em agosto de 1961, enquanto Jânio Quadros estava em visita à China, Simonsen posicionou-se ao lado da legalidade. Houve “acusações” – fato inverídico – de que Jango teria voltado da China num avião da Panair. Mas a verdade talvez seja ainda pior: Simonsen mandou um executivo da empresa avisar o vice-presidente sobre o que estava em andamento no Brasil. Jango não sabia de nada, pois naquele tempo as comunicações eram tais que o vice-presidente poderia retornar da China sem cargo e sem saber de nada. Então, avisado, Jango deu telefonemas de Paris e Zurique, onde fazia escalas, para San Tiago Dantas — seu futuro Ministro de Relações Exteriores e da Fazenda — e para o ex-presidente Juscelino Kubitschek, articulando sua ascensão ao cargo que lhe cabia constitucionalmente.
Logo após o Golpe, o deputado Herbert Levy conseguiu criar uma CPI da Comal, a empresa de exportação de café de Simonsen.  Levy era uma figura da ditadura militar. Foi deputado federal por dez mandatos consecutivos, entre 1947 e 1987, pela UDN, Arena, Partido Popular, PDS, PFL e PSC, além de secretário da Agricultura do Estado de São Paulo em 1967, durante a administração Abreu Sodré. Na CPI, Levy conseguiu que o novo regime cancelasse a licença da empresa para comercialização de café, sem que ela tivesse um único título protestado.
Sempre com a ditadura: além de deputado, Herbert Levy fundou os jornais Gazeta Mercantil e Notícias Populares
Quando o novo governo, ignorando acordos assinados pela Comal com as autoridades monetárias, concluiu que a empresa tinha para com o Estado uma dívida de café no valor de US$ 23 milhões, Simonsen ofereceu seu vasto patrimônio como garantia para continuar operando. O Banco do Brasil fez as contas e concordou com a proposta, mas, logo em seguida, voltou atrás. O incrível é que depois, ainda em plena ditadura, Levy viu rechaçadas pelo Supremo Tribunal Federal todas as acusações que fizera à Comal. Mas as empresas de Simonsen, àquela altura, já tinham sido fechadas, fracionadas ou vendidas.
A TV Excelsior, como insistisse em cobrir o Golpe Militar, foi invadida e, no Rio de Janeiro, sofreu intervenção do governador Carlos Lacerda, inimigo declarado de Simonsen.
Tudo acabou muito rápido para Mário Wallace Simonsen. Deprimido, vítima de uma campanha governamental que depois partiu para difamações através dos jornais que apoiavam a ditadura, arruinado após oito meses de “investigação” no Congresso, morreu destituído de quase tudo em Orgevall, um local próximo a Paris, no dia 24 de março de 1965. No dia seguinte, os jornais de São Paulo publicaram um anúncio fúnebre assinado pelos funcionários da TV Excelsior. Agora os ódios e as perseguições não o podem mais atingir, dizia.
Merchandising estilo Panair
Apenas em dezembro de 1984, o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que a falência da Panair foi uma fraude. A União Federal foi condenada. A Panair luta até hoje, mas ainda não foi indenizada.
São fatos de 48 anos atrás e, obviamente, muita gente morreu, mas há velhos funcionários da Panair que sonham com um impossível retorno da empresa sob alguma forma. Ao menos, até hoje se reúnem anualmente para lembrar os velhos tempos. Têm saudades dos aviões da Panair. A empresa voltou a existir em 1995 e hoje conta com três funcionários, todos advogados, cujo trabalho é o de seguir com as ações indenizatórias. É raro, mas volta e meia o assunto dá notícia.
Em 2008, foi lançado o excelente longa-documentário Panair do Brasil, de Marco Altberg, que pode ser visto na programação da TV Brasil. É um excelente filme.
Neste sábado (23), a Comissão Nacional da Verdade realizou sessão pública para discutir a extinção da Panair e os contínuos atos de perseguições empreendidos pela ditadura militar a partir de 1965. Participaram da audiência o coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Paulo Sérgio Pinheiro, a coordenadora do grupo de trabalho Golpe de 64, Rosa Cardoso, o representante do Arquivo Nacional, Jaime Antunes, e o presidente da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous. Também estava na reunião Rodolfo da Rocha Miranda, atual presidente da Panair do Brasil.
Como disse Carlos Araújo e confirmou Luís Fernando Verissimo, esta é uma face muito pouco discutida da ditadura: a que não envolve tortura física nem gente da esquerda, a do puro interesse econômico e corrupção, da vingança pessoal, das falências arranjadas e do silêncio.
E, evidentemente, do notável crescimento de algumas empresas de civis que foram beneficiadas durante a ditadura.

a politicagem barata...

Leilão de Libra: extrair petróleo do mar não é como em terra

Posted by eduguim on 21/10/13 • Blog da Cidadania




Venho sendo cobrado nas redes sociais – e até aqui no blog – para que me posicione sobre o Leilão de Libra através do regime de partilha, o que vem sendo tratado como “crime de lesa-pátria” – quando não de “lesa-humanidade” – por setores da esquerda.

Essa política em torno da exploração das reservas do Pré Sal, descoberto em 2007, integra a categoria de debates que geram muito calor e nenhuma luz. Leio que Dilma Rousseff estaria “doando” Libra a grandes empresas petrolíferas estrangeiras.

Para simplificar a discussão, dizem que nos países produtores de petróleo em que multinacionais do setor são chamadas a compartilhar a exploração desse tipo de commoditie o Estado fica com cerca de 70% a 80% do que for extraído e no campo de Libra o Estado brasileiro pode ficar com cerca de 40%.

O crime de “lesa-pátria” estaria no seguinte: o petróleo existente no campo de Libra já foi localizado. É só perfurar, extrair e correr pro abraço. Por conta disso, deixar que os estrangeiros fiquem com cerca de metade do que extraírem seria “entreguismo”.

Vale lembrar que se o candidato José Serra tivesse vencido a eleição presidencial de 2010 teria que cumprir compromisso que firmou com petrolíferas estrangeiras de lhes entregar os campos do Pré Sal – onde o petróleo já foi descoberto – sob o regime de concessão.

No regime de concessão, a empresa petrolífera estrangeira fica com quase tudo que extrai e paga ao país em que o petróleo foi explorado apenas uma comissão, ou royalties.

O Brasil se livrou de ser roubado ao eleger Dilma Rousseff, portanto. Não se pode conceder um campo de petróleo em que o petróleo já foi encontrado sob o mesmo regime de quando há risco de quem prospecta não encontrar nada.

Isso, sim, seria crime de lesa-pátria.

Dilma está leiloando o campo de Libra sob o regime de partilha, em que o país onde há petróleo divide com uma eventual empresa estrangeira o lucro da extração, ficando com uma parte maior do que for extraído.

O governo tentou obter uma remuneração maior no campo de Libra, mas sob regime de partilha estão aparecendo poucos interessados entre as grandes empresas petrolíferas estrangeiras.

Todas as grandes petroleiras, como as quatro gigantes norte-americanas Exxon Mobil e Chevron e as britânicas British Petroleum (BP) e British Gas (BG), e agora também a gigante espanhola Repsol, não se interessaram pelo que setores da esquerda vêm chamando de “doação” do Pré Sal.

Como escrevo antes do leilão programado para este 21 de outubro, só o que se sabe, até aqui, é que apenas empresas chinesas podem acabar participando do consórcio que o governo tenta formar para extrair o petróleo do campo de Libra.

A primeira pergunta que surge, portanto, é a seguinte: se o governo brasileiro está fazendo um negócio tão ruim para o país, se está realmente “doando” o campo de Libra, por que há tão poucos interessados?

A explicação é muito simples. A remuneração entre 70% ou 80% nos regimes de partilha de campos de petróleo em que já se sabe que são produtivos é atraente em países produtores do Oriente ou mesmo das Américas nos quais o petróleo está em terra firme. Não é o que acontece com o Pré Sal, no campo de Libra.

Vamos entender o seguinte: é diferente explorar petróleo no deserto do Oriente e no mar. A tecnologia e os custos de extração via plataformas marítimas são exponencialmente maiores. Por isso, as grandes do setor de petróleo não se interessaram pela “doação” de Dilma.

O fato é que o Brasil é um país que tem necessidades imensas de recursos para Saúde, Educação, Habitação, infraestrutura etc. Não podemos deixar aquela riqueza incomensurável sob o mar só para não partilhar lucros.

A Petrobrás não possui recursos próprios em volume suficiente para explorar o campo de Libra como se faz necessário. Por conta disso, para fazer essa exploração precisa de parceiros do setor privado, estrangeiros ou não.

Por não saber como extrair o petróleo de Libra sem associação com estrangeiros, os que combatem o leilão chegam a pregar que se deixe o petróleo lá, inexplorado.

Só pode ser brincadeira. O petróleo, hoje, é uma riqueza imensa. Amanhã, com o avanço da tecnologia, poderá não valer nada ou valer muito menos. Temos, portanto, que extrair essa riqueza de nosso litoral o quanto antes e antes que seja tarde.

Se alguém tiver alguma solução melhor do que o leilão do campo de Libra como está sendo proposto pelo governo, que fale agora. Porém, pregar que não se faça nada só para que os estrangeiros que vierem explorar não lucrem, é uma cretinice.

Ou, melhor dizendo, é politicagem barata.

o necessário, o possível, o impossível

Entrevista
Lula: quando se renega a política, o que vem é o fascismo

publicada segunda-feira, 21/10/2013 às 10:12 e atualizada segunda-feira, 21/10/2013 às 11:47


Escrevinhador



da Rede Brasil Atual



Em entrevista publicada [domingo, 20/10/13] pelo jornal espanhol El País, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a ressaltar a predominância da política como instrumento de conquistas sociais e superação de crises econômicas. Referindo-se aos protestos de junho no Brasil e à crise européia, Lula repetiu que tanto num caso como em outro “não há saída fora da política”.

Para ele, as manifestações de rua ocorridas há quatro meses foram “saudáveis”. Segundo ele, os 10 anos de conquistas dos governos do PT produziram uma sociedade que ‘descobriu que é possível querer mais”. Mas alertou:

“Temos que louvar a participação democrática e não permitir que os jovens reneguem a política, porque quando isso acontece, o que vem é o fascismo. Queremos que os jovens discutam abertamente para que sintam que fora dela não há outro caminho”.

Na reportagem, o jornalista Jesús Ruiz Montilla afirma que Lula se converteu em “uma referência da esquerda global civilizada”.

Leia a matéria original aqui ou a entrevista traduzida abaixo:

Vou dizer que eu não preparei perguntas… Li páginas e páginas de sua vida e seis milagres e, salvo algo que queria dizer para iniciar a conversa, não trago nada a priori.

Nem eu preparei as respostas…

Começamos bem, então. Só uma coisa dá voltas em minha cabeça. Tanta universidade de prestígio para preparar líderes mundiais, tanto cérebro, muito estudo, para que venha alguém como você, sem qualquer título, formado na dureza das ruas e se convertendo num ícone mundial que quebra recordes.

Políticos devem entender um problema. Nas últimas três décadas, mas principalmente mais tarde, depois de um consenso entre Thatcher e Reagan, o mundo tornou-se governado por uma lógica muito burocrática, técnica, menos política. A economia começou a determinar a direção do governo, e não o inverso. Isso, na minha opinião, é um grande erro. Um grande político será capaz de montar uma boa equipe técnica. Mas se você é um bom técnico, talvez você não seja capaz de tomar boas decisões políticas. Por quê? As universidades não formam prefeitos, governadores ou presidentes de países. Essa experiência se adquire na relação que você tem com as pessoas, com os grupos políticos com os quais você está comprometido, com sua capacidade de viver democraticamente na diversidade. Um técnico pode se sentar em uma mesa e elaborar um documento extraordinário, mas para um político, se ele não sabe comunicar esta proposta no momento certo para as pessoas certas, e se não conversa com as pessoas envolvidas na sua decisão, as coisas não se concretizam.

Em outras palavras, a política é uma boa combinação de…

Bons políticos precisam de bons técnicos. Tomemos o exemplo de Sebastián Piñera no Chile, um grande empresário que está descobrindo que o exercício do governo, lidar com opositores interesses diversos, é mais difícil tomar uma decisão para sua empresa. Quando você é apresentado a uma crise interna, você tende a buscar técnicos que a resolvam no lugar de políticos. Por exemplo, na Europa, na minha opinião, enfrenta uma situação que afeta o mundo inteiro por falta de decisão política, não econômica. Antes, quando as crises afetavam a Bolívia, o Brasil, o FMI sabia tudo. Por que agora não tem ideia de como resolver a situação?

Isso. Por quê?

Porque é um problema político. As decisões não foram tomadas na hora certa. No fundo se permitiu os mesmos ajustes que são feitos em países pobres. Espanha e Grécia, com suas rendas per capita, poderiam fazer ajustes de mais longo prazo, e não em tão curto, asfixiando a economia, com base em enormes sacrifícios e sem ter em conta o que vai custar às pessoas para se recuperarem.

Técnicos, com a sua lógica de negócios.

Os técnicos especialistas em salvar bancos!

Então, aqui estamos, olhando para a cena política. Porque essa arte deve unir sentido comum e paixão.É o que está faltando a vários técnicos?

Até o momento já foram usados quase 10 bilhões de dólares para resolver o problema da crise. Não conseguiram. Tampouco existem sinais claros no curto prazo. Com esse dinheiro, quanto não se poderia fazer para elevar o padrão de vida dos mais desfavorecidos. Na América Latina, na Europa, na África. Creio que se a política tivesse prevalecido sobre os aspectos técnicos e da burocracia, as pessoas sofreriam menos. No momento em que o mundo precisava de mais comércio, diminui; quando precisávamos de mais empregos, também caíram. E os banqueiros, até agora, ainda não pagaram a conta.

Mas com líderes que temos na Europa…

Devo ser justo, eu sou um grande defensor do que foi alcançado com a construção da Europa. Foi um esforço coletivo histórico. Mas a verdade é que as organizações que a dirigem são frágeis. Eu poderia citar uns quantos líderes capazes de estar no comando da comissão.

Vamos falar sobre isso.

Não posso.

Para quem não preparou respostas, alguém poderia pensar o contrário.

Não digo nomes porque é uma falta de respeito por parte um ex-presidente de um país; poderia ser considerado uma ingerência.

Um pouco de luz, de experiência, nada de ingerência.

Quando o Barcelona Quer ganhar do Real Madrid quer, sabe que tem que usar sua força total, e vice-versa. Na política, em tempos difíceis, você deve reunir todas as pessoas relevantes para tomar decisões em comum: é preciso ouvir os sindicatos, empresários, especialistas, acadêmicos, sociedade civil e construir uma proposta que contemple a maioria dos representantes do país. Mas se está pensando do ponto de vista estritamente técnico. A impressão que tenho é que a chanceler Merkel assumiu um superpapel na União Europeia e todos dependem dela, vão atrás, quando são 28 países e Alemanha é quem determina seu comportamento, seus ajustes. E agora que ela foi reeleita, qual discurso faz?

Que tudo continue igual.

Trabalhar, controlar os gastos, ao invés de buscar soluções comuns, no âmbito político. Quem sofre na Espanha? Os banqueiros? Os grandes empresários? Não. Os jovens com expectativas de encontrar emprego, estes sim. Com isso, não quero dizer que eu tenho a solução para tudo, mas simplesmente que, sem discutir politicamente o problema, é mais complicado encontrar a saída. Muito mais difícil. Mais ainda num mundo que em que a economia está globalizada e as decisões políticas são tomadas em nível nacional. Precisamos de instituições multilaterais fortes para ajudar a cumprir as medidas. Não como o FMI, que vinha aqui todos os meses e nos dizia o que fazer. Até que a Europa não lhes prestasse atenção, não nos demos conta que não tinham importavam.

Eu o vejo em forma… Mas para quê? Aonde você quer chegar?

Quando uma pessoa completa 60 anos, e eu estou com 68, nossas expectativas futuras são menores. Quando eu tinha 18 anos, o mundo e a vida eram infinitos. Hoje, não. O tempo que me resta é muito mais curto do que aquele deixado para trás, mas não penso nisso o dia todo. Eu me cuido mais do que eu me cuidava.

Talvez a quantidade de tempo seja menor, mas você não desejaria que a qualidade fosse maior? Depois de derrotar a doença, o câncer, eu o vejo querendo voltar para a linha de frente.

Não, não, não. Só tenho vontade de sobreviver. Há algum tempo me operaram de um câncer e graças a Deus me recuperei e tenho trabalhado muito, eu diria que mais do que quando era presidente. (…) O que eu quero fazer realmente é tentar, através do meu instituto, é contribuir para o desenvolvimento na América Latina, na África, com experiências de sucesso que temos alcançado no Brasil, porque sim, é possível cuidar dos pobres, e eles não custam muito dinheiro. Se você lhes dá acesso a recursos, eles se tornam consumidores e aí a indústria produz, o comércio vende, se cria emprego, mais salários, e assim se forma um círculo virtuoso em que se produz, se consome, se estuda, existe acesso à cultura …

Um círculo virtuoso com o qual os jovens no Brasil não parecem satisfeitos. Daí os protestos?

Isso é importante. E damos muito valor. Estes protestos são saudáveis. Um povo com fome não tem vontade de lutar. Quando 40 milhões de pessoas passaram para a classe média, quando em 2007 havia 48 milhões de pessoas que podiam viajar de avião e em 2013 esse número subiu para 103 milhões, um país que produziu 1,5 milhões de carros e agora chega a 3,8 milhões…

Muitos, se olharmos para os engarrafamentos de trânsito aqui em São Paulo. Mais Metrô e menos carros não seria mal.

Um país que era a décima maior economia do mundo.

Vê como tem preparadas as respostas…?

Deixe-me concluir o raciocínio… E que em 2016 será a quinta maior economia do mundo, produziu uma sociedade que quer mais, é normal. A sociedade descobriu que é possível querer mais. Conseguimos em 10 anos passar de 3 milhões de graduados universitários para 7 milhões. Em 10 anos, conseguimos mais do que havíamos conseguidos em todo século 20, e isso desperta na sociedade o fato de querer mais. Temos que louvar a participação democrática e não permitir que os jovens reneguem a política, porque quando isso acontece, o que vem é o fascismo. Queremos que os jovens discutam abertamente para que sintam que fora dela não há outro caminho.

Tenha cuidado com tanto universitário, vão aparecer técnicos demais.

Precisamos de bons profissionais…

Isso sim. O que está claro é que Dilma Rousseff entendeu bem o grito das ruas, tem se mostrado sensível, mas você também tem sido crítico de certas atitudes de seu próprio partido. Não estão sabendo digerir a situação?

O Partido dos Trabalhadores completou 33 anos de vida. Quando se chega a isso, quem começou aos 35 anos deve dar vez a uma nova geração. Este é um partido que foi criado pelos trabalhadores e dirigido por eles, e se tornou o mais importante na esquerda da América Latina.

Você disse hoje “esquerda”, mas em alguns momentos deu a entender que não é.

Você me faz outra pergunta quando não terminei a resposta anterior… Eu digo que o PT é o mais importante da esquerda latino-americana.

Mas não uma esquerda clássica?

Nós o estamos construindo com a nossa própria experiência. O que eu digo é que era um pequeno partido que mais tarde se tornou grande, e como tal, foram aparecendo defeitos. Gente que valoriza muito Parlamento; outros, os cargos públicos…

Com um grande processo de corrupção no meio.

Também, mas quando esse acabar entramos em outro. Queria dizer que as pessoas tendem a esquecer os tempos difíceis em que achávamos bonito carregar pedras. Acreditávamos, era maravilhoso. Um grupo mais ideológico, a gente trabalhava de graça, de manhã, de tarde, de noite. Agora você faz uma campanha e todo mundo quer cobrar. Não quero voltar às origens, mas gostaria que não nos esquecêssemos de para quê fomos criados. Por que queríamos chegar ao governo? Não para fazer igual aos outros, mas para agir de forma diferente.

E para que valha a frase que você repete insistentemente e pela qual o criticam tanto: “Nunca antes na história do Brasil…”. Mas você dizia que, no processo de crescimento…

A corrupção aparece.

Os partidos são como os seres vivos? Vão se deteriorando?

O que eu digo aos companheiros é que só há uma maneira de não ser investigado neste país: não cometer erros. Duvido que exista no mundo um país com o número de auditorias que o Brasil tem. Noventa por cento das denúncias que aparecem são feitas pelo próprio governo. Nós contratamos policiais, reforçamos os serviços secretos, fortalecemos o controle das contas públicas… Quanto mais transparência, melhor. O que não se pode admitir é que, depois que uma pessoa passa por um processo e não se descobre nada, não se peça desculpas. Por isso que eu me preocupo com essas condenações a priori. No caso dos companheiros do PT, já foram previamente condenados. Alguns meios de comunicação fizeram isso, independentemente do julgamento, incluindo prisão perpétua. Alguns nem podem sair na rua. Eu insisto: temos de ser 150% corretos, porque se estamos errados em 1%, aos olhos dos nossos adversários e alguns meios de comunicação, elevarão a uns 1,000%. Às vezes me queixo, mas acho bom que nos controlem. Muitas vezes nos criticam pelo que temos de bom. Como uma árvore, se separa a que não dá bons frutos.

Esta sua tolerância com os meios de comunicação que o atacam não poderia ser transferida a colegas seus da esquerda latino-americana que preferem fechá-los? Correa no Equador, Maduro na Venezuela, Cristina Fernández na Argentina…

Eu sou um democrata. Defendo a liberdade de imprensa. Sou o resultado disso. Nunca a imprensa brasileira falou bem de mim, mas nunca me importei. Nunca pedi favores, nem peço. Quem julga a imprensa são os leitores, o público. Mas em alguns países latino-americanos devemos adaptar as leis aos tempos que vivemos. No Brasil, existem nove famílias que controlam os meios de comunicação, o que mudou um pouco esse panorama foi a Internet. Não se trata de entrar em conteúdos, obviamente, mas sim democratizar, ampliar o acesso.

Você vai se candidatar em 2014?

Não. Eu tenho minha candidata, que é Dilma, e eu vou trabalhar para ela.

Imagine-se voltando e o panorama que se encontra agora. O que mudou na América Latina nas últimas décadas! Até que a Teologia da Libertação entrou no Vaticano de mãos com o papa Francisco.Que coisas!

Ninguém imaginava que na América Latina se produziriam tantas mudanças em tão pouco tempo. Mas isso aumenta a nossa responsabilidade. Quanto mais importante você é, mais obrigações deve assumir.

Verdade.

Voltando à Europa. Qualquer líder que está na oposição sabe as mudanças que devem ser aplicadas ao chegar ao cargo. Hollande, por exemplo, sabia durante a campanha.

Mas parece ter esquecido em alguns aspectos.

Tive uma conversa extraordinária com ele. Eu sou um amigo dele de antes. E lhe disse: você não pode esquecer o seu discurso ao se tornar presidente. Pegue suas propostas, marque-as, coloque-as na cabeceira da cama e não se esqueça nunca de por que te elegeram. A Obama comentei: você tem que limitar-se a mostrar a mesma coragem que mostrou o povo americano ao te eleger presidente.

Alguns podem pensar que tal conselho seriam bem vindos a você quando se tornou presidente e teve uma crise de pragmatismo.

Não, não, não. Tenho sido um político humilde. No meu discurso de posse eu formulei três coisas que mantive em todo meu mandato: primeira, fazer o necessário; depois, o possível; e, por último, quando menos esperamos, estaremos fazendo o impossível. Se ao final consegui que os brasileiros se levantassem e tomassem café, almoçassem e jantassem, cumpri a missão da minha vida.

A utopia possível? Sem nenhum problema?

Fizemos mais do que isso, ao definir o que queríamos.

Vejo o sonho de uma criança comendo pão pela primeira vez quando tinha sete anos. Isso me contaram.

Foi ssim.

Como era essa criança?

Uma criança que foi criada por uma mãe que nasceu e morreu sem saber escrever a letra O.

Mas que suponho saber muitas outras coisas.

Como criar oito filhos ensinando-nos a ser perseverantes e a não se queixarem muito, mas sim que poderíamos conseguir cada vez mais. Quando as pessoas estão determinadas a fazer algo, elas fazem. O problema é que é mais fácil se acomodar. Na liturgia de um cargo, por exemplo, você se acomoda. Você se mata para ganhar uma eleição e entra em cerimonial que nem te ouve, cercado por uma equipe de segurança que informa quando, onde e que horas deve ir aos lugares. Pessoas nem sequer votaram em você… Cada gesto é determinado pela lógica da liturgia. Se você entrar nessa, não fará prometeu em campanha.

Como, por exemplo, colocar smoking no Palácio Real de Madrid?

Estava indo para uma recepção diante do Rei e me disseram que tinha de ir vestido assim, mas eu disse que me apresentaria com minha roupa normal porque eu não usava isso. Da mesma maneira, não se pode pedir a um líder africano que vista gravata ou ao rei Juan Carlos que colocou um turbante. Ele gostou, sempre me tratou muito bem. (…) Parece que tudo está escrito. Sei que às vezes essas regras são necessárias, mas não tanto. Marca uma estrutura de poder que sobrevive graças a isso.

Jamais se acostumou?

Não, e havia muitas pessoas que se aborrecia comigo porque eu não cumpria muitas coisas, mas eu me portava bem. Não saía para jantar, não passeava em museus para que a imprensa não dissesse que eu estava fazendo turismo… Valeu a pena.

O homem, um museu nunca é demais.

Sim, mas a imprensa diria de tudo.

Salvo o protocolo, existe algo do cargo que sinta falta?

Sou um homem de muitos relacionamentos. Gosto de política e eu gosto de pessoas. Manter boas relações com os governantes, tento estabelecer intimidade para quebrar essa distância, sempre fui de dar abraços, tenho saudades das amizades que fiz naqueles dias. Eu continuo viajando muito, falando mais… Mas pouco mais.

O que acontece? Há presidentes que não param de interferir em tudo.

Teria de perguntar a Dilma. Eu tomei a decisão de me afastar, viajei muito, depois veio a doença. Agora estou de volta, evito dar entrevistas, mas me sinto bem. Me orgulho de tudo que fiz na vida. Cumpri algo sonhava fazer. Muitas pessoas duvidaram que eu seria capaz de governar sem um diploma universitário, mas respondia que eu queria fazer para provar que ele era capaz de realizar muito mais do que eles.

Para a vida, estava preparado, e, portanto, para a política real, muito mais.

Sim, mas havia muitos preconceitos porque eu não falava Inglês ou Espanhol e, no entanto, o Brasil nunca teve uma política externa como na nossa época.

E sem bomba atômica. Embora você quisesse fortalecer seu país militarmente. Por quê?

Não, nem tanto, o que acontece é que o Brasil deve ter forças armadas dignas de sua grandeza. Devemos proteger nossos campos de petróleo, nossa floresta, nosso fronteira oceânica e terrestre. Se formou um conselho de defesa para promover uma unidade militar como existe na política. Mas sem armas nucleares. A nossa Constituição proíbe a proliferação de armas nucleares. Não foi o Lula, é a Constituição. Somos pacifistas. Nós gostamos de política, samba, carnaval, mas não de bomba atômica.




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LEILÃO ANABOLIZA
O ENTREGUISMO


O PiG jamais perdoará o Lula por tomar a Petrobras de volta deles.

Conversa Afiada






Saiu no PiG (*) cheiroso, o Valor:


MODELO DE EXPLORAÇÃO DO PRÉ-SAL DEVE MUDAR APÓS O LEILÃO DE LIBRA


Encerrado o leilão do campo de Libra, que ocorre hoje à tarde no Rio, abre-se uma “janela” até 2015 para a rediscussão do modelo de exploração de novos campos no pré-sal, a partir da constatação de que a lei da partilha tem alguns problemas. Essa é a expectativa de representantes do setor privado após intensos contatos com o governo nos últimos meses. “A ideia é, depois do leilão de Libra, arrumar a casa para o que vier adiante”, disse um interlocutor do governo nessa área.

Um dos aspectos que será objeto da discussão é a determinação legal de que a Petrobras seja a operadora única de todos os campos, tendo que deter no mínimo 30% de cada poço de petróleo do pré-sal. Outro, que é motivo de inquietação tanto nas empresas privadas quanto na própria Petrobras, refere-se ao papel destacado à Pré-Sal Petróleo (PPSA), empresa estatal que não colocará um centavo no negócio, mas terá 50% do comitê operacional do consórcio vencedor e poder de veto.


NAVALHA




Segundo o PiG cheiroso, portanto, “representantes do setor privado” – interlocutores exclusivos do PiG cheiroso e do que fede, também – querem detonar a grande obra do Nunca Dantes, que retomou a Petrobras do Príncipe da Privataria.

Veja bem, amigo navegante: o PiG cheiroso vai na veia do interesse “privado”.

Reduzir o papel da Petrobras e aumentar o da Petrobrax.

E dinamitar a importância da PPSA, que vai administrar o Fundo Social – o dinheiro proveniente da fortuna do pré-sal.

Mas, o entreguismo do PiG cheiroso não se limita à primeira página.

É um caderno inteiro em defesa os interesses dos “representantes do setor privado”

(O Valor tem essa vantagem: sabe que interesses defender e não engana o leitor incauto.)

O Bank of America (êpa !) assegura, aí, que a Petrobras é a empresa de petróleo mais endividada do mundo.

A primeira coisa que o Bank of America deveria fazer é se recusar a emprestar à Petrobras, já que ela não tem patrimônio …

“Leilão de Libra chega na pior hora para Petrobras”, diz uma página interna.

Numa outra página de defesa dos interesses privados, o Valor assegura que o Brasil corre o risco de sofrer com a maldição da descoberta do pré-sal.

(O ansioso blogueiro jamais se esquece de quando foi descoberto o pré-sal e teve a infeliz ideia de entrevistar o Adriano Pires – leia “quando eu crescer quero ser o Adriano Pires”.

Pois, não é que o Adriano Pires disse que tinha sido uma desgraça descobrir o pré-sal ?)

Davizinho, interlocutor privilegiado do PiG, prevê, no Valor, com que o Brasil vá ganhar tanto dinheiro com a exportação de petróleo que será uma desgraça: o Real será valorizado e a indústria nacional vai quebrar.

Um jenio.

Tão jenial, que foi “consultor” do Cerra para assuntos de energia na bem sucedida campanha presidencial de 2010.

Só ele pensou nisso.

Só ele soube da chamada “doença holandesa”, que afeta países que exportam petróleo demais.

Um jenio.

E as refinarias, Davizinho ?

E o Fundo Social para a Educação ?

Para a Saúde ?

Outro ponto de ataque furioso do PiG cheiroso é a regra do “conteúdo nacional”.

A Petrobras prefere comprar de empresas brasileiras que empregam brasileiros …

Os representantes do setor privado gostavam de comprar plataformas em Cingapura e dar emprego em Cingapura.

Viva o Brasil !

O PiG jamais perdoará o Lula por tomar a Petrobras de volta deles.

O PiG boicota a Petrobras desde quando o Dr Getúlio criou a Petrobras.

E ajudou a atirar no peito dele.



Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

domingo, 20 de outubro de 2013

informação, informação... o carapááálida grita manipulação, povo manipulado(sic)


A SECOM
AFOGOU-SE EM LIBRA


Dar ao brasileiro o direito de ter orgulho do Brasil – e da Petrobras

Conversa Afiada






Lamentavelmente, o leilão do poço de Libra – clique aqui para ler “Viva o leilão: Lula retomou a Petrobras doPríncipe da Privataria” – se desenrolará num ambiente de desconhecimento e protestos.

Protestos, tudo bem.

Isso aqui é uma democracia mitigada – e ainda mais será se a farsa da biografia autorizada prevalecer, como diz o Dias – e a bronca é sempre livre.

O ambiente de desconhecimento é que poderia ser evitado.

O PiG (*) conseguiu estabelecer algumas premissas – sempre – falsas.

Que o leilão será um fracasso porque as maiores americanas passaram a se concentrar no Golfo do México, já que o presidente Peña Nieto vai “conceder”, à moda do Príncipe da Privataria.

Que o leilão é estatizante, porque quem vai mandar no pedaço é a Petrobras.

Ou que o leilão é privatizante, porque a Petrobras terá que se associar a outra empresa.

(A coerência é um das marcas do Golpe …)

Que a Petrobras estará quebrada, se não houver um dramático mega-inflacionário aumento da gasolina.

Porque se não houver o aumento, ela quebra.

Que a indústria nacional não tem bala para produzir sua fatia de “conteúdo nacional” ao fornecer à Petrobras.

Como era no tempo em que a Petrobrax gerava emprego em Cingapura.

Que a Petrobras não tem engenheiros.

Geólogos.

Marceneiros.

Ascensoristas e telefonistas.

O leilão de Libra é um marco.

Faz História.

É uma injeção de US$ 500 bilhões na veia da economia brasileira, com a criação de 87 milhões de empregos (!) em 30 anos …

Até o Globo Overseas diz que será “crucial”.

E prevalece, porém, o desentendimento sobre o leilão.

Poucos se lembram da dramática votação da lei do pré-sal no Congresso.

Era a hora de a SECOM fazer um favorzinho ao brasileiro – o que bronqueia e o que não bronqueia.

E preparar um kitizinho de informações básicas.

Simples.

Desmentir, um por um, os argumentos do Adriano Pires – quando crescer eu quero ser o Adriano Pires – o Príncipe dos “ideólogos” anti-Petrobras que a Globo insiste em divulgar.

Ou os do Davizinho, genro do Príncipe, que, na Agência Nacional do Petróleo e, hoje, em consultoria privada, combateu e combate o monopólio da Petrobras – e, portanto, sobe ao púlpito da Globo Overseas, nos dias em que o Adriano está de folga.

A SECOM pegaria um redator razoavelmente treinado em pseudo-economia e pseudo-geologia, enumerava as teses do Adriano e do Davizinho e preparava um trabalho de esclarecimento.

Na imprensa escrita, na televisão … onde fosse.

Porque, afinal, o leilão de Libra é tão crucial, que seria um serviço aos brasileiros pode subir esse degrau e chegar lá em cima, com o peito cheio de orgulho do Brasil.

E dizer, puxa, que bom que não sou mexicano !

Puxa, que bom que quem encosta no Príncipe da Privataria não se elege vereador em Higienópolis.

O Brasil soube repudiar a política da privataria.

E agora poderia se vangloriar disso – e da Petrobras.

Mas, a SECOM parece preferir soltar notinhas de informação inútil a colonistas (**) globais.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

sábado, 19 de outubro de 2013

A "cola" já juntou mais...

Volta por cima
Maria Inês Nassif e as chances do PT na próxima eleição


publicada sexta-feira, 18/10/2013 às 10:35 e atualizada sexta-feira, 18/10/2013 às 10:35


Escrevinhador


por Maria Inês Nassif na Carta Maior



A presidente Dilma Rousseff deu a volta por cima. Para quem apostava nas suas deficiências de virtude e fortuna – as duas qualidades fundamentais para um governante que se pretenda condutor dos destinos de um povo, segundo Maquiavel – suas respostas às manifestações de junho, e os fatos que se sucederam a elas e antecederam ao prazo legal final para filiação partidária dos políticos com pretensões eleitorais, mostram que a presidenta pode não ser uma Pelé da política, mas é capaz de jogar um bolão quando se dispõe a entrar em campo. E que a sorte que, no passado, a fez emergir de um ministério técnico e ser guindada ao principal gabinete do Palácio do Planalto, não a abandonou.

Comprar a briga pelo Programa Mais Médicos foi uma aposta arriscada, pois foi feita no momento em que as bandeiras empunhadas por milhões de manifestantes eram muito dispersas e existia o risco de que se confundisse a reivindicação de Saúde Pública de qualidade com os vetos corporativos das entidades de classe dos médicos. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a jogada do Ministério Público, que conseguiu contrabandear o veto à PEC 37 na lista de reivindicações populares sem que as pessoas que arriscaram a pele indo às ruas soubessem o que isto vinha a ser efetivamente. Desta vez, ao comprar a briga por um programa com razões mais do que justas – levar médicos estrangeiros para os rincões do país onde os brasileiros não queriam ir –, o governo acabou expondo a avareza das razões corporativistas e da oposição ao programa liderada pelas associações médicas. Dilma ganhou porque insistiu (e devia ter insistido em outras questões), e ganhou marginalmente devido à incompetência política dos conselhos de medicina.

Ganhou mais uma vez, quando manteve Alexandre Padilha à frente do Ministério da Saúde, identificou-o com essa briga e depois o liberou para a disputa ao governo do Estado de São Paulo no próximo ano. Nessa luta eleitoral, certamente deve ter aceitado as sugestões do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desde o ano passado monta cuidadosamente as peças de um jogo destinado a quebrar a hegemonia tucana no Estado. Desde a primeira vitória eleitoral do partido ao governo do Estado, em 1998, peessedebistas se sucedem no Palácio dos Bandeirantes, e ao longo deste período conseguiram, com êxito, amoldar um eleitorado, na sua origem de centro-esquerda, ao programa neoliberal que era comandado pelo governo central no período FHC. Houve uma intersecção perfeita entre esse eleitorado intelectual que caiu em depressão (ou se aproveitou da onda) após a queda do Muro de Berlim e o abraço da socialdemocracia europeia ao neoliberalismo, e aderiu às teorias liberais como se elas fossem a única garantia possível de liberdade, e uma elite paulista que estava despossuída de partidos e convicções no pós-Collor.

A “cola” que juntou agentes políticos antipetistas de diferentes origens em torno do tucanato paulista, um discurso conservador justificado por um moralismo hipócrita, baseado na máxima de que governos petistas são corruptos, e os tucanos não o são, aproxima de sua data de vencimento, com o estouro do escândalo do “propinoduto” do PSDB, enraizado no setor de transporte de sucessivos governos tucanos, desde o primeiro mandato de Mário Covas (1998-2002). O governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, é parte inseparável do esquema: foi um vice-governador atuante no primeiro mandato de Covas e assumiu o governo por praticamente todo o segundo mandato, devido ao falecimento do titular do cargo. As investigações sobre o escândalo, que se iniciaram no Conselho Administrativo de Defesa da Concorrência (Cade), embora sejam cuidadosamente publicadas pela grande imprensa – que dificilmente cita governadores ou o PSDB quando relata capítulos dessa novela – dificilmente escaparão da campanha eleitoral, cujo início não está tão longe que apague da memória dos adversários esta mácula.

A aliança montada para eleger como prefeito da capital o prefeito Fernando Haddad, na medida em que Dilma se consolida como a grande favorita da disputa presidencial, tende a ser transferida para Alexandre Padilha, já consagrado como o candidato petista ao governo. Alckmin vai para a campanha eleitoral com alianças frágeis e um candidato presidencial fraco. Nunca antes, desde a primeira eleição ganha para governador de São Paulo, o PSDB tem condições tão desfavoráveis.

Sorte de Dilma. Quanto maiores as chances de o PT fazer o governador de São Paulo, mais ela tem condições de recuperar, com alguma folga, os votos que pode perder em Minas, com a candidatura de Aécio Neves (PSDB) a presidente. Sorte dupla é a de Marina Silva ter refluído de sua candidatura para apoiar Eduardo Campos (PSB). Marina teria maiores chances de subtrair votos de Dilma em São Paulo e no Rio; Eduardo Campos não terá o mesmo apelo para os paulistas insatisfeitos com a polarização reiterada das eleições entre PT e PSDB; e Aécio, um tucano de fora do circuito paulista, chega para disputar esse voto junto com as denúncias trazidas a público pela Siemens – não é exatamente o que um eleitorado cultivado pelo PSDB no discurso moralista acha interessante. No Rio, as chances do PT sobem na proporção direta do desgaste de Sérgio Cabral – sorte do PT por ter encontrado pela frente o senador Lindberg Faria, que não recuou de sua candidatura quando Cabral ainda não era cachorro morto. Agora, dificilmente Cabral pode impor a candidatura de seu vice para o PT.

Em junho, como consequência direta das manifestações, ficou arriscada a aposta numa vitória de Dilma já num primeiro turno. As chances de ganhar já na primeira votação aumentaram muito. Se resistir às idiossincrasias do “tripé econômico” reverenciado por Marina Silva e não girar mais o torniquete, o que acabaria desaquecendo ainda mais a economia. Se mantiver o país em crescimento, mesmo em ritmo lento, ela chegará ao processo eleitoral com adversários muito fracos e oposição com argumentos bastante limitados.




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