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sexta-feira, 8 de novembro de 2019
Lula Livre!
LulaLá
"Submergido nessas lembranças, não demoro, no entanto, o despertar. É o ruído do oceano."
"Submergido nessas lembranças, não demoro, no entanto, o despertar. É o ruído do oceano."
Pablo Neruda
Cultivo una Rosa Blanca
José Martí
Cultivo una rosa blanca
En Junio como en Enero,
Para el amigo sincero,
Que me da su mano franca.
En Junio como en Enero,
Para el amigo sincero,
Que me da su mano franca.
Y para el cruel que me arranca
El corazón con que vivo,
Cardo ni ortiga cultivo
cultivo una rosa blanca.
El corazón con que vivo,
Cardo ni ortiga cultivo
cultivo una rosa blanca.
sexta-feira, 22 de março de 2019
L
Lula Livre
Um grande Amigo
Amigo...
... me lembro de todas as lutas, meu bom companheiro
você tantas vezes provou que é um grande guerreiro
o seu coração é uma casa de portas abertas
amigo você é o mais certo das horas incertas
Amigo
Erasmo Carlos
Você meu amigo de fé meu irmão camarada,
Um grande Amigo
Amigo...
... me lembro de todas as lutas, meu bom companheiro
você tantas vezes provou que é um grande guerreiro
o seu coração é uma casa de portas abertas
amigo você é o mais certo das horas incertas
Amigo
Erasmo Carlos
Você meu amigo de fé meu irmão camarada,
amigo de tantos caminhos de tantas jornadas
Cabeça de homem mas o coração de menino,
Cabeça de homem mas o coração de menino,
aquele que está do meu lado em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro,
Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro,
você tantas vezes provou que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas,
O seu coração é uma casa de portas abertas,
amigo você é o mais certo das horas incertas
As vezes em certos momentos difíceis da vida,
As vezes em certos momentos difíceis da vida,
em que precisamos de alguém para ajudar na saída
A sua palavra de força de fé e de carinho,
A sua palavra de força de fé e de carinho,
me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho
Você meu amigo de fé meu irmão camarada,
Você meu amigo de fé meu irmão camarada,
sorriso e abraço festivo da minha chegada
Você que me diz as verdades com frases abertas,
amigo você é o mais certo das horas incertas
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo,
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo,
mas é muito bom saber, que você é meu amigo
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo,
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo,
mas é muito bom saber que eu tenho um grande amigo
terça-feira, 25 de julho de 2017
18 Universidades + 400 Escolas Técnicas... que horror
O ódio não é à corrupção. Mas ao PT e à ralé!
Nos governos Lula e Dilma as Universidades se encheram de Negros, Pobres, Nordestinos... que absurdo: pensa a classe média
Nos governos Lula e Dilma as Universidades se encheram de Negros, Pobres, Nordestinos... que absurdo: pensa a classe média
sábado, 17 de outubro de 2015
a neutralidade e a vida melhorando
Os limites do antipetismo
Em pesquisa recente, o eleitorado "potencial" do PT somou 48%, acima dos 39% que não votariam no partido
por Marcos Coimbra
Oswaldo Corneti/Fotos Públicas
Protestos na avenida Paulista pediram impeachment de Dilma Rouseff
Nas pesquisas recentes, alguns resultados são relevantes e outros não. Aqueles referentes à conjuntura econômica e suas repercussões na imagem do governo fazem parte do último caso. Enquanto não se passar o tempo necessário para as medidas de ajuste produzirem efeitos, repetir a pergunta de avaliação do governo nada acrescenta.
Entre os aspectos significativos estão as percepções e sentimentos a respeito dos partidos. Pelo fato de tanto as eleições de 2016 nas principais capitais quanto a presidencial de 2018 ainda não terem nomes definidos, conhecer o pensamento da população a respeito dos partidos é uma maneira de estimar o que nos reserva o futuro.
A mais recente pesquisa nacional do Instituto Vox Populi, realizada em maio, mostrou que o petismo e o antipetismo permanecem do mesmo tamanho de 20 anos atrás. Revelou também que, do fim da década de 1980 para cá, nenhum partido cresceu individualmente na simpatia popular. Continuamos com um quadro de identificações partidárias no qual existe o PT e, a bem da verdade, mais nada (o PMDB ficou com 5% e o PSDB com 4% das menções).
Do total, 12% disseram “detestar o PT”. Somado aos 19% que afirmaram “não gostar do PT, mas sem detestá-lo”, o grupo perfaz um terço dos entrevistados. A mesma proporção daqueles que responderam se “sentir petistas” ou “gostar do PT sem se sentir petistas”. O que deixa o terço restante em posição neutra, “sem gostar ou desgostar” do partido.
A pesquisa também pediu aos entrevistados para definirem qual a possibilidade de votarem no PT em eleições futuras. Da amostra, 25% responderam que “votariam em um candidato do PT” na próxima eleição, 16% que “estavam decepcionados com o partido, mas poderiam votar em um candidato petista” e 7% que “não eram eleitores do PT, mas poderiam votar em um candidato do partido”. Ou seja, 48% dos entrevistados admitiram a possibilidade de votar na legenda, muitos com boa chance.
Do outro lado, 16% afirmaram que “nunca votaram e nunca votariam em um petista” e 11% que “não gostavam do PT e era muito difícil que votassem no partido no futuro”. Outros 12% responderam que, “embora já tivessem tido simpatia, estavam decepcionados e não votariam na legenda”. Somados, representam 39%, abaixo do “eleitorado potencial” do PT.
A pesquisa permite entender o tamanho total do antipetismo e a pequena expressão de seu braço radicalizado, aqueles que odeiam o PT. São dois motivos principais.
O primeiro é, por assim dizer, relativo. A maioria da sociedade brasileira não é antipetista e, muito menos, radicalmente antipetista, porque compara favoravelmente o desempenho administrativo do partido ao da atual oposição e porque não o compara desfavoravelmente no que é sua maior vulnerabilidade, o envolvimento de alguns integrantes com práticas de corrupção.
A pesquisa solicitou dos entrevistados que comparassem os governos de Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff em 14 dimensões e disessem qual havia sido melhor em cada uma. Lula ficou na frente em 13 itens. Bateu o tucano de 85% a 8% no quesito “Teve mais preocupação com os pobres” e 38% a 17% em “Combateu mais a corrupção”. Dilma liderou em uma (“Fez a melhor política de defesa das mulheres”).
A comparação não desfavorável do PT com a oposição pode ser percebida nas respostas a respeito de quais partidos estariam envolvidos nas irregularidades denunciadas na Petrobras. Para 6%, o único implicado seria o PT e para 17% “só o PT e os partidos da base do governo”. Segundo 70%, os desvios teriam sido, no entanto, praticados “por todos os partidos, incluindo o PSDB, o PSB e o DEM”.
Não apenas nas comparações o PT se sobressai no lado positivo e não se destaca no negativo. Para a maioria dos entrevistados, a vida melhorou nos 12 anos de governos petistas, não somente por seu esforço, mas por conta das medidas em seu favor tomadas por Lula e Dilma. Segundo 10%, os governos do PT “tomaram muitas medidas que trouxeram melhorias para suas vidas” e mais 50% disseram que “tomaram algumas”. Pouco mais de um terço, ou 38%, afirmou que as administrações petistas “não tomaram nenhuma medida” em seu favor. Significa dizer que a quase totalidade de quem se diz “neutro” em termos partidários (parte do terço que define as eleições majoritárias) está entre aqueles que creditam ao PT parte das coisas boas acontecidas em suas vidas nos últimos anos.
É por essas (e outras) razões que as atuais perguntas de intenção de voto nas eleições presidenciais de 2018 são, em si, pouco relevantes. Só os tolos se alegram (ou se entristecem) com o resultado. Quando começar de fato, a eleição será travada em termos bem diferentes dos atuais.
sábado, 15 de agosto de 2015
os bravateiros e a justiça
Gentili, Caiado e os 'bandidos frouxos'
Por Altamiro Borges
O Instituto Lula não está mais disposto a aceitar as calúnias e difamações difundidas diariamente pela mídia "privada" – nos dois sentidos da palavra. De forma ágil e bem fundamentada, a entidade decidiu acionar a Justiça contra qualquer ataque leviano. Nesta quinta-feira (13), ela anunciou que solicitará explicações ao "humorista" Danilo Gentili, do SBT, que afirmou que a bomba lançada contra a sede do instituto foi "forjado". Outros veículos e políticos também estão sendo processados. O caso mais patético é do senador Ronaldo Caiado, líder do DEM, que acusou Lula de ser "um bandido frouxo". Com medo das represálias, o valentão ruralista já ensaia um recuo – coisa típica de "bandido frouxo".
No caso do "humorista" Danilo Gentili, um reacionário convicto e recalcado, a ação do Instituto Lula poderá resultar em duras punições. Vale conferir a nota à imprensa da entidade:
*****
Instituto Lula pede explicações a Danilo Gentili perante a Justiça
O Instituto Lula protocolou, nesta quinta-feira (13), um pedido de interpelação judicial contra o apresentador de TV Danilo Gentili. Em seu perfil pessoal no Twitter, o pretenso comediante ironizou o ataque a bomba sofrido pelo Instituto no fim de julho ao afirmar que o atentado teria sido “forjado” para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se “fizesse de vítima”.
Gentili concluiu sua fala grosseira com a afirmação de que o resultado do ataque teria sido que as pessoas lamentarem o fato de a bomba não ter atingido o ex-presidente. Há duas semanas, a Polícia Civil investiga o atentado, ainda sem resultados.
A interpelação judicial é um procedimento anterior à ação judicial, com o objetivo de oferecer a Gentili a oportunidade de explicar suas palavras, provar suas afirmações ou se retratar. Os advogados do Instituto apresentaram seis perguntas que gostariam de ver respondidas por ele:
*****
Na semana passada, a entidade já havia ingressado com três queixas-crime contra caluniadores. "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, abriram três queixas-crime contra autores de calúnias contra eles. Os alvos das medidas judiciais são o deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani (PSDB), e os repórteres da revista 'Veja' responsáveis pela reportagem de capa da edição de 25 de julho passado", informou o Instituto Lula em nota publicada em 6 de agosto, que detalhou as ações judiciais:
"O ex-presidente é autor de queixa-crime contra Robson Bonin e Adriano Ceolin, repórteres de 'Veja'. Eles são autores das reportagens de capa da edição nº 2436 da revista, em que pretensa reportagem afirma que uma delação premiada estaria próxima de envolver Lula na Operação Lava Jato. Aquele que seria o autor da delação, o empreiteiro Leo Pinheiro, negou integralmente as informações no mesmo dia da publicação de 'Veja' por meio de nota de seus advogados, e o texto não expôs nenhuma evidência concreta para sustentar as afirmações difamatórias que publicou e divulgou com grande estardalhaço por meio de publicidade física e nas redes sociais".
Já em relação ao deputado, a ação se refere às mentiras do tucano em entrevista ao programa de rádio "Bom dia Divinópolis", em fevereiro de 2015. Na ocasião, Domingos Sávio afirmou que o filho do ex-presidente enriqueceu de maneira ilícita e possui fazendas. A decisão de mover a ação penal foi tomada depois que o parlamentar teve oportunidade de se retratar perante o Supremo Tribunal Federal (STF), mas preferiu insistir em divulgar mentiras contra o filho de Lula. Já o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani, publicou mentiras em sua página no Facebook, afirmando que o BNDES "financia a Frioboi, que pertence ao Lulinha, e paga cachês milionários para o ator Tony Ramos para vender em rede nacional sua carne financiada com recursos de saúde educação".
A conferir como irão se comportar Danilo Gentili e os bravateiros tucanos. Será que eles seguirão o exemplo do valentão Ronaldo Caiado. Segundo o blog "Diário do Centro do Mundo", o ruralista do DEM já ensaia um recuo temendo as consequências das suas calúnias. "Caiado chamou Lula de 'bandido frouxo'. Lula foi à Justiça. Caiado terá que se explicar num processo no STF cujo relator é Fachin. Ao jornalista Lauro Jardim, da Veja, ele disse qual vai ser sua linha de argumentação. Tente encontrar alguma explicação para o 'bandido frouxo'. Não há nenhuma. É um caso clássico em que a resposta não tem nada a ver com a pergunta. Eis o que afirmou Caiado a Lauro Jardim:
"Saí em defesa dos manifestantes que se preparavam a ir às ruas no dia 15 de março. Vou exercer o meu direito de defesa e reiterar o que sempre disse: como um dos líderes da oposição no Senado Federal não admitirei qualquer tentativa de intimidação do cidadão brasileiro ao seu direito de se manifestar por movimentos supostamente sociais ou milícias ligadas ao PT". O que tudo isso tem a ver com "bandido frouxo"? O argumento de Caiado faria sentido apenas caso o relator de seu processo fosse Gilmar Mendes".
*****
Leia também:
- Ronaldo Caiado e os 'bandidos frouxos'
- "Ku Klus Pan" dispensa Gentili
- Danilo Gentili rosna nas redes sociais
- Gentili pagará multa de R$ 2 milhões?
- Xingaram a mãe de Danilo Gentili
- Sem audiência, Gentili dança na Fox
- A diarreia mental de Danilo Gentili
- Gentili: rematado idiota e covarde
- Caiado 'rouba, mente e trai' será punido?
O Instituto Lula não está mais disposto a aceitar as calúnias e difamações difundidas diariamente pela mídia "privada" – nos dois sentidos da palavra. De forma ágil e bem fundamentada, a entidade decidiu acionar a Justiça contra qualquer ataque leviano. Nesta quinta-feira (13), ela anunciou que solicitará explicações ao "humorista" Danilo Gentili, do SBT, que afirmou que a bomba lançada contra a sede do instituto foi "forjado". Outros veículos e políticos também estão sendo processados. O caso mais patético é do senador Ronaldo Caiado, líder do DEM, que acusou Lula de ser "um bandido frouxo". Com medo das represálias, o valentão ruralista já ensaia um recuo – coisa típica de "bandido frouxo".
No caso do "humorista" Danilo Gentili, um reacionário convicto e recalcado, a ação do Instituto Lula poderá resultar em duras punições. Vale conferir a nota à imprensa da entidade:
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Instituto Lula pede explicações a Danilo Gentili perante a Justiça
O Instituto Lula protocolou, nesta quinta-feira (13), um pedido de interpelação judicial contra o apresentador de TV Danilo Gentili. Em seu perfil pessoal no Twitter, o pretenso comediante ironizou o ataque a bomba sofrido pelo Instituto no fim de julho ao afirmar que o atentado teria sido “forjado” para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se “fizesse de vítima”.
Gentili concluiu sua fala grosseira com a afirmação de que o resultado do ataque teria sido que as pessoas lamentarem o fato de a bomba não ter atingido o ex-presidente. Há duas semanas, a Polícia Civil investiga o atentado, ainda sem resultados.
A interpelação judicial é um procedimento anterior à ação judicial, com o objetivo de oferecer a Gentili a oportunidade de explicar suas palavras, provar suas afirmações ou se retratar. Os advogados do Instituto apresentaram seis perguntas que gostariam de ver respondidas por ele:
- A conta @DaniloGentili pertence ao suposto humorista?
- O comentário publicado nesse perfil é de autoria de Gentili?
- Mais alguém participou da elaboração desse comentário?
- Gentili tem algum elemento de prova de que o atentado ao Instituto teria sido forjado? Se sim, qual?
- Qual foi a intenção de dizer que o atentado foi forjado?
- Gentili confirma o comentário ou gostaria de se retratar?
A partir da resposta do apresentador serão avaliadas as possibilidades de processo cível ou criminal contra Gentili.
José Chrispiniano e Gabriella Gualberto - Assessoria de Imprensa do Instituto Lula
*****
Na semana passada, a entidade já havia ingressado com três queixas-crime contra caluniadores. "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, abriram três queixas-crime contra autores de calúnias contra eles. Os alvos das medidas judiciais são o deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani (PSDB), e os repórteres da revista 'Veja' responsáveis pela reportagem de capa da edição de 25 de julho passado", informou o Instituto Lula em nota publicada em 6 de agosto, que detalhou as ações judiciais:
"O ex-presidente é autor de queixa-crime contra Robson Bonin e Adriano Ceolin, repórteres de 'Veja'. Eles são autores das reportagens de capa da edição nº 2436 da revista, em que pretensa reportagem afirma que uma delação premiada estaria próxima de envolver Lula na Operação Lava Jato. Aquele que seria o autor da delação, o empreiteiro Leo Pinheiro, negou integralmente as informações no mesmo dia da publicação de 'Veja' por meio de nota de seus advogados, e o texto não expôs nenhuma evidência concreta para sustentar as afirmações difamatórias que publicou e divulgou com grande estardalhaço por meio de publicidade física e nas redes sociais".
Já em relação ao deputado, a ação se refere às mentiras do tucano em entrevista ao programa de rádio "Bom dia Divinópolis", em fevereiro de 2015. Na ocasião, Domingos Sávio afirmou que o filho do ex-presidente enriqueceu de maneira ilícita e possui fazendas. A decisão de mover a ação penal foi tomada depois que o parlamentar teve oportunidade de se retratar perante o Supremo Tribunal Federal (STF), mas preferiu insistir em divulgar mentiras contra o filho de Lula. Já o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani, publicou mentiras em sua página no Facebook, afirmando que o BNDES "financia a Frioboi, que pertence ao Lulinha, e paga cachês milionários para o ator Tony Ramos para vender em rede nacional sua carne financiada com recursos de saúde educação".
A conferir como irão se comportar Danilo Gentili e os bravateiros tucanos. Será que eles seguirão o exemplo do valentão Ronaldo Caiado. Segundo o blog "Diário do Centro do Mundo", o ruralista do DEM já ensaia um recuo temendo as consequências das suas calúnias. "Caiado chamou Lula de 'bandido frouxo'. Lula foi à Justiça. Caiado terá que se explicar num processo no STF cujo relator é Fachin. Ao jornalista Lauro Jardim, da Veja, ele disse qual vai ser sua linha de argumentação. Tente encontrar alguma explicação para o 'bandido frouxo'. Não há nenhuma. É um caso clássico em que a resposta não tem nada a ver com a pergunta. Eis o que afirmou Caiado a Lauro Jardim:
"Saí em defesa dos manifestantes que se preparavam a ir às ruas no dia 15 de março. Vou exercer o meu direito de defesa e reiterar o que sempre disse: como um dos líderes da oposição no Senado Federal não admitirei qualquer tentativa de intimidação do cidadão brasileiro ao seu direito de se manifestar por movimentos supostamente sociais ou milícias ligadas ao PT". O que tudo isso tem a ver com "bandido frouxo"? O argumento de Caiado faria sentido apenas caso o relator de seu processo fosse Gilmar Mendes".
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Leia também:
- Ronaldo Caiado e os 'bandidos frouxos'
- "Ku Klus Pan" dispensa Gentili
- Danilo Gentili rosna nas redes sociais
- Gentili pagará multa de R$ 2 milhões?
- Xingaram a mãe de Danilo Gentili
- Sem audiência, Gentili dança na Fox
- A diarreia mental de Danilo Gentili
- Gentili: rematado idiota e covarde
- Caiado 'rouba, mente e trai' será punido?
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quarta-feira, 12 de agosto de 2015
“Quem não quiser ir para a Paulista, que venha para cá defender a democracia.”
“Lula continua na mira dos irmãos Marinho”; Instituto convoca para vigília no dia 16, contra o golpe
Escrevinhador
agosto 12, 2015 14:50
Celso Marcondes: Lula vai pra rua enfrentar a baderna da extrema-direita
por Rodrigo Vianna
Com mais de quatro décadas de atuação política, Celso Marcondes lança um alerta: Lula segue a ser o alvo. É a força dele que atormenta tanto a extrema-direita, quanto os setores mais “manhosos” da elite empresarial/jurídico/midiática, que nos últimos dias baixaram o volume de artilharia contra Dilma e seu governo.
“Eles [mídia e setores da elite]suportam a Dilma enfraquecida, mas não pisaram no freio dos ataques ao Lula. Ele vai ser alvo preferencial das manifestações de domingo e continua sob a mira dos Marinho”, diz o experiente militante.
Jornalista por formação, Marcondes é o diretor do Instituto Lula, órgão mantido pelo ex-presidente no bairro do Ipiranga, em São Paulo – bem perto do local em que Dom Pedro teria dado o “grito da Independência” em setembro de 1822. Em julho de 2015, os gritos que se escutaram por aqui foram outros. Uivos enraivecidos dos que lançaram uma bomba de fabricação caseira contra o Instituto, no último dia 30. Berros assustados dos que moram e trabalham nas redondezas.
Por parte da polícia e da imprensa velha de guerra, silêncio sepulcral. Duas semanas depois do ataque, a investigação não andou. A polícia de Alckmin, diga-se, é comandada por um secretário que gasta seu tempo comparecendo a manifestação de “juristas” em defesa da renúncia de Dilma (clique aqui para saber mais sobre o Secretario de Segurança que defende a desordem pública)
Em entrevista exclusiva ao Escrevinhador, Marcondes revela que o Instituto segue a receber “telefonemas e emails ameaçadores.” Ou seja: os agressores sentem-se livres para atacar de novo. Ele estranha que o caso não tenha sido federalizado: “É responsabilidade também da PF tratar de um caso que envolve um ex-presidente.”
Ele diz que teme as ações da extrema-direita nos próximos dias: “pregam o golpe militar, são preconceituosos, racistas. São perigosos, sim. Mas não vão nos intimidar.”
Marcondes ficou um pouco mais aliviado com a presença de metalúrgicos e sindicalistas que, desde o dia 10, montaram um “acampamento” no Ipiranga pra defender Lula. Marcondes convoca militantes e democratas para que, no dia 16, participem de uma vigília contra o golpe, em frente ao Instituto: “Quem não quiser ir para a Paulista, que venha para cá defender a democracia.”
Confira abaixo a entrevista na íntegra.
===
1) O ataque a bomba contra o Instituto Lula vai completar duas semanas. Como estão as investigações? A Policia Civil mostrou agilidade ou interesse em resolver o caso? Alguém foi ouvido? Há indiciados/suspeitos?
Eu estou muito preocupado com a lentidão na apuração do caso. Acho um absurdo não termos nenhuma novidade depois de 14 dias. Toda a região é cercada por câmaras de segurança de diversos edifícios. As pessoas que jogaram a bomba não passaram “de repente” e jogaram o artefato. Seguramente passaram antes para ver a situação e outras pessoas devem ter trabalho como informantes. Também não sei de nenhuma pesquisa séria feita pela internet para identificar os agressores.
Por “coincidência”, no dia do atentado aconteceu uma mini manifestação em frente ao Instituto com exatas dez pessoas de um grupo de extrema-direita com cartazes ofensivos ao Lula e ao Instituto, um deles com os dizeres “Instituto Lula = Instituto do Crime”. E na manhã de sexta-feira,31, enquanto avaliávamos o prejuízo, outro grupo menor ainda, com cinco pessoas, veio nos provocar e xingar. Está tudo registrado em fotos e vídeos que foram colocados na rede. Ou seja, em menos de 24 horas, foram três ocorrências no Instituto. Além disso, temos recebido telefonemas e emails ameaçadores. Eu pergunto: se as autoridades tratam um ex-presidente da República com tal descaso, o que pode vir pela frente?
2) Segundo a imprensa, o Secretario de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes, estava presente em ato público no dia 11 de agosto, quando “juristas” lançaram um manifesto exigindo a renúncia de Dilma. Parece uma manobra golpista. A lentidão da polícia (subordinada a Moraes) para investigar a bomba não poderia ser motivada por essa posição política extremada do atual secretário?
Eu não sabia da presença do secretário neste ato, mas lamento profundamente e me preocupo ainda mais agora com essa informação. O clima de insegurança e medo sempre propaga em momentos de crise. A história registra isso em abundância. Os que querem o golpe se alimentam deste clima.
3) O caso da bomba não poderia ser federalizado? A PF está investigando?
Acho que tem que ser federalizado, estamos esperando diariamente por isso, não entendo porque isso ainda não aconteceu. Ontem mesmo o presidente do Instituto, Paulo Okamotto, enviou ofício ao ministro da Justiça pedindo intervenção federal. É responsabilidade também da Polícia Federal tratar de um caso que envolve um ex-presidente.
4) Como Lula e a equipe do Instituto avaliam a maneira como a gloriosa “grande imprensa” tratou o atentado? “Folha”/UOL, por exemplo, escrevem em seus textos: o ataque “é tratado pelo PT como um atentado politico”. Ou seja: dão a entender que não é um atentado, que só os petistas tratam o caso assim… Você consegue imaginar o que aconteceria se o Instituto FHC fosse alvo de bomba? Ou se o Instituto Clinton fosse atacado pelo Tea Party nos Estados Unidos?
Foi impressionante. A reação da maioria da grande imprensa, em especial de alguns articulistas, foi a ironia ao desprezo. Não faltaram os que insinuaram que o próprio PT havia montado a farsa. Tentaram reduzir o caso por se tratar de uma bomba “caseira”. Mas “caseiras” foram as bombas da maratona de Boston, dos atentados do Riocentro, da OAB, contra as bancas de jornais, essas nos estertores da ditadura brasileira. Não foi coisa de um “baderneiro”, como disse um delegado e repercutiu na imprensa. Um “baderneiro” jogaria uma bombinha de São João. Aquela que foi jogada aqui tinha alta letalidade, basta ver as imagens da explosão na internet. Era uma bomba de fragmentação, que espalhou parafusos de mais de cinco centímetros. Fez pouco estragos porque explodiu antes do portão, quase explode dentro do carro que a jogou. Por sorte não havia ninguém por perto.
O Instituto fica em frente ao Pronto Socorro do Hospital São Camilo e de um ponto de ônibus. Companheiros nossos saíram daqui naquele dia meia hora antes da explosão. O Lula saiu às 21 horas e a bomba explodiu às 22h18. E eu tenho que ouvir Merval e Cantanhede brincando com isso. O que seria preciso para impressioná-los? O portão ter sido destruído? Algum ferido? Algum morto?
5) Desde o dia 10, metalúrgicos montaram um acampamento em frente ao Instituto Lula. Qual a ideia? Existe receio de que, no dia 16, com as manifestações golpistas já agendadas, o Instituto Lula possa ser alvo de extremistas da direita?
É uma iniciativa dos metalúrgicos do ABC, que começaram a Vigília pela Democracia e eu fiquei muito contente com isso. O acampamento está crescendo e seguramente atrairá milhares de pessoas no dia 16.
Quem não quiser ir para a Paulista, que venha para cá defender a democracia. Vai ser uma grande festa, com música, barracas e alegria. Temos medo, sim, de grupos de extrema-direita. Diante da inoperância da polícia, fomos obrigados a contratar segurança particular para nos proteger e contar com o apoio dos companheiros e amigos. Esses grupos, que aparecem impunemente pela internet, não tem apreço pela democracia, pregam o golpe militar, são preconceituosos, racistas. São perigosos, sim. Mas não vão nos intimidar.
6) Qual cenário você enxerga nesse momento aí em frente ao prédio? Há quantas pessoas? Todos dormem aí acampados?
Hoje pela manhã umas 60 pessoas. Estão conversando, jogando baralho, cantando. Eles fazem um rodízio. Montaram uma barraca de cem metros quadrados, não sei dizer quantos dormiram aqui. Mas durante toda a semana comitivas de sindicalistas e amigos virão nos visitar. No sábado vai ter samba e no domingo uma festa da democracia.
7) Um colunista conservador, pago pela família Marinho, andou espalhando que nesta quarta-feira viria uma “bomba” contra Lula. Aparentemente, o tal colunista quis até fazer graça com o atentado do dia 30. Há algum receio, no Instituto, de que Sergio Moro possa criar algum fato novo antes do dia 16, para inflar o movimento golpista?
Eu acho que aqueles que comemoram a “trégua” calculada, momentânea e tática da Rede Globo e de outros veículos, tem que entender essa novidade na sua plenitude. Depois de desgastar tremendamente a presidenta Dilma, chegaram à conclusão que não há alternativa imediata tranquila.
Todos sabem que Eduardo Cunha pode ser indiciado a qualquer momento pela Lava Jato. E as elites, o capital financeiro, temem que a crise política aprofundada prejudique ainda mais os seus negócios. Procuram alternativas rápidas e seguras, mas não encontram. E a oposição está claramente dividida. Enquanto esperam os resultados das novas investidas da Lava Jato e o alcance das manifestações do dia 16, dão uma trégua, pisam um pouco no freio do golpe em marcha. Mas, muita atenção: suportam a Dilma enfraquecida, mas não pisaram no freio dos ataques ao Lula. Ele vai ser alvo preferencial das manifestações de domingo e continua sob a mira dos Marinho, vide a capa do Globo de hoje.
8) Há uma página no facebook pedindo a morte de Lula. O Instituto vai entrar com ação para pedir punição aos responsáveis pelo crime? Qual a alegação do Facebook para manter a página?
Essa é outra faceta do ataque ao Lula. Esse “grupo aberto” do Facebook é um absurdo, um ultraje à democracia. Na sexta-feira eram 4 mil seguidores, hoje já passam de 5.500. Já fizemos dois pedidos formais para a retirada e muito gente denunciou a página, Eles mandam uma resposta burocrática dizendo que não enxergam motivos para tal. É inconcebível tal atitude. Diante dessa, vamos intensificar a mobilização pela rede e entrar com ação na Justiça, nossos advogados já estão preparando.
9) Como está o humor de Lula com essa escalada autoritária no Brasil?
Lula está evidentemente preocupado com a situação política do país e altamente empenhado no debate para enfrentar a crise, conter as ameças golpistas e unificar o Brasil na defesa da democracia. Começou ontem seu ciclo de viagens pelo país, naquela maravilhosa Marcha da Margaridas. Volta à Brasilia dia 14 para a Plenária Nacional da Educação. Depois vai a Belo Horizonte e tem inúmeros convites para viagens. Ele está muito satisfeito com a quantidade de mobilizações populares que começam a acontecer pelo Brasil.
10) E quem trabalha no Instituto: tem medo?
O Instituto tem mais de 30 colaboradores regulares e dezenas de outros que passam por aqui diariamente para participar de reuniões e atividades. Alguns mais engajados politicamente, outros nem tanto, são profissionais em suas áreas. Todos estão muito preocupados com a não apuração do atentado. Mas satisfeitos com o serviço de segurança particular que contratamos e com a solidariedade dos metalúrgicos. Mas um dos choques que ficou foi com a ausência da solidariedade de importantes setores ditos democráticos de nossa sociedade. Você acredita que não recebemos nenhum telefonema de dirigentes do PSDB, do PP e de muitos ilustres democratas brasileiros? O que fica, é que compraram a versão dos colunistas globalizados.
domingo, 7 de setembro de 2014
domingo, 6 de julho de 2014
Uma boa semana! Sem ódios e raivas... escolham sua seleção. o baitasar escolheu a brasileira.
DAVID LUIZ: O CAPITÃO
MORAL DA NOSSA SELEÇÃO
Conversa Afiada
Saiu no site Muda Mais:
DAVID LUIZ: O CAPITÃO MORAL DA NOSSA SELEÇÃO
Nós do Muda Mais, assim como grande parte de vocês, estamos encantados e orgulhosos com o David Luiz.
Diferentemente daqueles que costumam agir com ódio e rancor com os adversários, David Luiz age com solidariedade.
Esse post é sobre como vemos mais e mais pessoas combativas, mas no ritmo da paz e do amor. Gostamos disso, muito, até porque é exatamente como nós aqui do Muda Mais conduzimos cada uma das nossas matérias. É a nossa conduta pra combater as mentiras da rede.
Mas ó, esse post é principalmente sobre ele: David Luiz, porque não é de hoje que vemos esse menino dar demonstrações de que é um cara super ultra gente boa e correto!
Em 2011, quando foi anunciado que o ex-presidente Lula estava com câncer, David Luiz juntamente com Ramires, seu companheiro de time no Chelsea (Inglaterra) fez uma homenagem a Lula, fazendo um L com a mão ao comemorar um gol.
À época, David Luiz e Ramires explicaram o motivo da homenagem: “Foi uma maneira que encontramos de dar o nosso apoio e mostrar que estamos na torcida por ele. Lula tem uma história de vida que serve de exemplo para muitos brasileiros.”
Teve também o episódio dele devolvendo com todo carinho a gentileza de um fã mirim.
E , contra a Colômbia, como todo vimos, David Luiz deu mais uma demonstração de porque é o nosso eleito como o Capitão Moral de nossa seleção e exemplo a ser seguido por todos nós.
Ao final do jogo, após nosso time eliminar a Colômbia, nosso querido foi até o principal jogador da seleção colombiana, o também menino ainda James Rodriguez, que estava bastante abalado com a eliminação e trocou a camisa com ele, além de abraçá-lo e tentar consolá-lo.
Pra quem ainda não aprendeu como sobreviver a esses tempos de raiva, sugerimos que sigam o exemplo de David Luiz ou leiam nosso guia prático de sobrevivência.
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quinta-feira, 17 de abril de 2014
e do DARF, nada... nadica de nada! milhões em silêncio!
Globo acusa blogueiros para apoiar Sardemberg e Merval
Posted by eduguim on 16/04/14 • Blog da Cidadania
A esta altura, o público da blogosfera já leu vários posts de outros blogs sobre entrevista que o jornal O Globo propôs aos blogueiros que entrevistaram o ex-presidente Lula na semana passada (8/4). À diferença de alguns de meus colegas, aceitei dar uma longa entrevista ao jornal.
As repórteres Bárbara Marcolini e Thais Lobo procuraram a blogueira Conceição Lemes e os seus colegas Altamiro Borges, Eduardo Guimarães, Fernando Brito, Kiko Nogueira, Marco Weissheimer, Miguel do Rosário, Renato Rovai, Rodrigo Vianna. Só eu, Rovai, Miguel e Kiko concordamos em falar. Os outros preferiram não dar entrevista ou publicaram as respostas em seus blogs.
Os amigos que não quiseram dar a entrevista previram o que este que aceitou constatou ser fato, mas que também sabia que aconteceria. A matéria teve o objetivo claro de desqualificar os blogueiros que entrevistaram Lula. Só que, à diferença do que O Globo fez em 2010, quando deu uma página inteira de sua edição impressa para nos desancar, desta vez o jornal pelo menos resolveu dar voz aos que, em verdade, são seus adversários políticos.
Optei por dar essa entrevista porque, em minha visão, prefiro debater com os adversários mesmo quando eles mais atacam do que debatem. Mesmo sabendo que não dariam espaço a tudo que falei, mesmo sabendo que distorceriam fatos.
Por exemplo: a repórter de O Globo diz que a entrevista coletiva com Lula foi “definida por Eduardo Guimarães como uma conversa entre camaradas”. Não é verdade. Na transcrição da entrevista que publico abaixo – editada como a do Globo, porque é ainda mais longa do que figura aqui – fica claro que quem definiu a entrevista como “entre camaradas” foi a entrevistadora. Eu apenas disse que não me opunha à definição dela.
Outro exemplo: a matéria de O Globo cita que este e outros blogs têm banners das prefeituras de Guarulhos e/ou de São Paulo para induzir o leitor a crer que por conta desses banners eu e meus colegas temos e divulgamos opiniões favoráveis ao PT, a Lula e ao governo Dilma, ainda que todos os blogs citados já tenham feito críticas a eles. Porém, a matéria oculta minha informação de que o banner está aqui há quinze dias e é o primeiro de algum órgão público que aparece por aqui em 9 anos de existência desta página.
Essa linha de ataque que tenta nos acusar de sermos subornados para dizer o que dizemos sobre política, porém, tem uma outra origem além do desconforto que as opiniões dos blogueiros e de Lula causaram na autoproclamada “grande imprensa”.
O leitor irá notar que a repórter que me entrevistou levanta o assunto da acusação que os jornalistas Carlos Alberto Sardemberg e Merval Pereira fizeram na CBN aos blogueiros que entrevistaram Lula, justamente a acusação de que somos “financiados por órgãos públicos”, insinuando, escancaradamente, que é por isso que pensamos como pensamos.
A repórter chega a debater sobre esse e outros com este que escreve tentando fazer prevalecer a teoria de que não houve acusação dos dois comentaristas da CBN, acusação que o jornal tenta comprovar com a matéria que publicou em seu caderno digital Globo A Mais, acessível só por assinantes de O Globo.
A pergunta específica da repórter sobre a calúnia dos dois colegas aos blogueiros e o tom acusatório da matéria por conta de publicidade oficial permite a este que escreve inferir, tanto quanto inferiu sobre várias coisas O Globo, que este a fez a matéria sobre blogueiros para referendar a acusação de Sardemberg e Merval, entre outras razões.
Enfim, caberá ao leitor decidir o que pensa. Abaixo, a transcrição da maior parte da entrevista, com muitos trechos omitidos pela edição, trechos que se contrapõem à acusação não tão velada que o jornal O Globo fez a mim e aos meus colegas blogueiros. E para não imitar o Globo, este Blog publica, também, a sua matéria em questão.
Primeiro, a transcrição da gravação que fiz da entrevista que dei à repórter Bárbara Marcolini. É uma leitura longa, foram 56 minutos de conversa, gastei horas para transcrever, mas garanto que valerá a pena. Em seguida, a matéria de o Globo, intitulada “A entrevista dos camaradas”.
Boa leitura.
—–
Eduardo – Então, Bárbara…
O Globo – Você está falando no “viva voz”?
Eduardo Guimarães – É, porque fica mais prático, para mim, porque estou falando e escrevendo.
O Globo – Ah, então está legal. Eu queria que você falasse um pouquinho, primeiro, de você. Eu li no seu blog que você fala que é comerciante…
Eduardo Guimarães – É, na verdade eu sou representante comercial…
O Globo – Ah, é? Qual é a sua área de atuação, qual é o meio que você trabalha?
Eduardo Guimarães – Eu trabalho com indústrias brasileiras, eu represento indústrias brasileiras na América Latina e na África. Então eu viajo a Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Venezuela… Já estive acho que umas vinte vezes em cada país, já estive em Angola, na África do Sul, em Moçambique… Eu sou comissionado e, na verdade, também implanto departamentos de exportação em pequenas empresas, gente que quer exportar e não sabe como e, assim, abro mercado e faço, também, a parte comercial. São contratos com prazo determinado. Eu vivo disso.
O Globo – Que indústrias são? Que tipo de indústria?
Eduardo Guimarães – Tem vários materiais, mas, aí, eu prefiro não misturar as empresas para as quais eu trabalho com o meu trabalho como blogueiro.
O Globo – Mas só me explica qual é a matéria-prima, alguma coisa assim, para eu ter uma noção melhor…
Eduardo Guimarães – Ramo de construção de estradas, também partes para produtos agrícolas…
O Globo – E há quanto tempo você tem o blog?
Eduardo Guimarães – O blog foi fundado em fevereiro de 2005 no UOL e, em maio de 2010, passei a ter o meu domínio próprio, que é o blogdacidadania.com.br.
[...]
O Globo – Eu li um pouco sobre você, parece que você começou escrevendo cartas para as seções de cartas de leitores dos jornais.
Eduardo Guimarães - Sim, em 1992, mais ou menos.
Eu leio jornais desde os 13 anos; imagine que eu tenho 55. E digo a você que dos 13 anos até hoje deve ter tido algum dia que não li jornal, mas não me lembro qual foi esse dia nem quantos dias foram, mas, seguramente, é um número infinitesimal de dias.
A partir de 92 ou 93… Eu lia muito o Estadão, que era um hábito de família, e comecei a escrever cartas com as minhas opiniões e aí, um belo dia, publicaram e eu disse, “Nossa, eu tenho condição de, sei lá, participar do debate público”.
Aí comecei a escrever muito, para o Estadão. Na Eleição de 2000, que a Marta disputou com o Maluf, cheguei a ter, no Estadão, carta minha publicada quase todo dia…
O Globo – É mesmo?
Eduardo Guimarães – É que, naquele ano, acho que pela primeira vez na história o Estadão ficou a favor do PT. Porque [o adversário de Marta] era o Maluf, que tinha destruído São Paulo. O Estadão apoiou o Maluf contra a Erundina, mas aí acabou com São Paulo e o Estadão ficou a favor da Marta. Foi um negócio muito doido…
O Globo – E você sempre foi mais voltado para o PT?
Eduardo Guimarães – Em 1989, no primeiro turno, votei no Mário Covas porque eu achava o PT muito radical; fiquei muito irritado com o PT por não ter assinado a Constituição de 88. Aquilo me irritou profundamente porque o Brasil precisava evoluir daquele período autoritário e, aí, o PT vai lá e não assina a Constituição…
Achava o PT muito radical. Aquela voz do Lula, também achava o Lula muito radical. Aí o Covas não passou para o segundo turno, passaram Lula e Collor e, aí, vou ser bem sincero com você: para mim o Collor tinha o que ele era escrito na testa. Aí eu falei: não tem jeito, é o Lula. E aí começou aquela baixaria em cima dele, colocaram a filha dele [na TV]…
Fiquei ao lado do PT de uma forma que foi… Eu sempre achei que as coisas que são feitas contra o PT e contra o Lula sempre foram de um nível muito errado, muito baixo, muito desleal dos adversários. Por exemplo, a ficha falsa da Dilma, que foi publicada na Folha de São Paulo. A Folha de São Paulo abriu espaço para um sujeito acusar o Lula de ter tentado estuprar um garoto na cela [do DOPS, em que ficou preso durante a ditadura]. Uma coisa sem comprovação, nem nada…
A gente sabe que a Míriam [Cordeiro], a ex-namorada do Lula, mãe da Lurian, foi sustentada pelo Collor por anos. Foi para a TV e mentia sobre o relacionamento, a mulher foi comprada pelo Collor. E a mídia fez um trabalho, na cobertura daquela eleição, muito ruim.
A partir dos anos seguintes eu fiquei bastante contrariado, cada vez mais contrariado, até que comecei a escrever para jornal, sempre nessa linha, mas sempre de forma autônoma, nunca me filiei ao PT, nunca me aproximei do PT de maneira nenhuma. Mas, em 2005, eu já escrevia no Observatório da Imprensa críticas à mídia. E aí começou o escândalo do mensalão.
Eu estava até fora do Brasil e vi o tom do noticiário e falei: “eu acho que esse noticiário está muito enviesado. Tudo bem, tem uma denúncia, aí. Vamos apurar. Mas pelo que estou lendo, aqui, já há uma condenação. Eu quero ver apuração de tudo isso”.
Eu escrevia, naquele tempo, como leitor, para a Folha, para o Estadão. Para O Globo não escrevia. Não me lembro de que escrevesse para o Globo… Mais para os jornais de São Paulo.
Só que, ali, senti que a minha opinião, criticando a postura dos jornais, não foi aceita e pararam de publicar minhas cartas. Aí comecei a fazer o trabalho no Blog.
O Globo – Como é que surgiu o Movimento dos Sem Mídia?
Eduardo Guimarães – O Movimento dos Sem Mídia surgiu em 2007. O ministro Ricardo Lewandowski estava em Brasília e tinha uma repórter da Folha, cujo nome me escapa, e essa repórter flagrou Lewandowski falando ao telefone, dizendo que o STF tinha aceitado o indiciamento do Dirceu com a faca no pescoço colocada pela mídia.
Nesse momento, escrevi um post – meu blog ainda estava no UOL – dizendo o seguinte: “isso é muito grave porque, se a Justiça brasileira pode ser pressionada pela mídia a condenar, isso é uma ameaça a qualquer um de nós.
Meu blog era muito pequeno, à época. Tinha bem menos leitores. A gente cogitou fazer uma vaquinha para colocar uma matéria paga nos jornais – isso, eu com os meus leitores, os comentaristas; a gente conversava, eu conversava com os comentaristas. Mas concluímos que não ia adiantar, poderiam não aceitar [a matéria paga].
Eu falei: “quer saber de uma coisa? Eu vou pegar um megafone e vou lá na frente da Folha e vou falar. Eu estava muito preocupado com a Justiça. Isso saiu na Folha de São Paulo: um ministro do Supremo dizendo que a Suprema Corte de Justiça do país foi coagida a tomar uma decisão que a imprensa queria (?).
É assustador. Acho que deveria assustar qualquer cidadão. Então, nesse momento, escrevo no Blog que vou comprar um megafone e vou para a frente de um jornal qualquer – e aí acabamos escolhendo a Folha – para dizer aquilo que não é possível dizer como leitor, porque, naquele período – 2007, quando havia um clima político conturbado –, estava difícil conseguir espaço como leitor, escrevendo para jornal, e você não via matérias da mídia que divergissem de uma linha anti-Lula, anti-PT.
Eu sempre brincava no Blog dizendo o seguinte: que pessoas que tinham opiniões como a minha eram pessoas como os sem-terra, eram pessoas sem-mídia. Ai eu falei: “um dia vou fundar um movimento dos sem-mídia, um movimento análogo ao dos sem-terra, o movimento dos sem-mídia”.
Nós nos encontramos na frente da Folha. Gente que eu não conhecia. Apareceram mais de 200 pessoas. E fizemos um ato diante da Folha. 15 de setembro de 2007. Escrevi um manifesto, publiquei no Blog e li ao megafone diante da Folha. Aquele monte de gente… Fomos para a Praça Princesa Isabel, ali perto da Barão de Limeira, fizemos uma reunião e falamos: “vamos fundar um movimento dos sem-mídia”.
Fundamos uma ONG, mas acabamos fundando a ONG só em cartório, não tem CNPJ, tem no Estatuto que não aceita dinheiro público, nunca bati na porta de lugar nenhum [pedindo dinheiro]. Não tem nem sede, não tem verba.
O Globo – – Eu gostaria de entender. Eu fiz uma pesquisa na internet e encontrei um site que não tinha muita coisa. Eu queria entender um pouquinho como é a atuação desse movimento.
Eduardo Guimarães – Na verdade é um movimento meio virtual, porque não tem uma organização, não tem nada. As pessoas enviaram fichas de filiação, mas eu nunca constituí uma figura jurídica. As pessoas entram no Blog, comentam…
Fiz várias representações ao Ministério Público em nome do Movimento dos Sem Mídia e em meu nome. Por exemplo, naquele caso da febre amarela, de 2008, quando estava saindo na mídia que haveria risco de ter uma epidemia de febre amarela urbana no Brasil, que era uma coisa que não acontecia havia sessenta anos.
Veja bem: até janeiro de janeiro de 2008, morreram 10 pessoas no Brasil por reação adversa à vacina da febre amarela. Pessoas que tomaram a vacina, a vacina fez mal e as pessoas morreram.
Você sabe quantas pessoas morreram no Brasil em 2008 por reação adversa à vacina? Mais dez. Exatamente em um mês, dobrou [o número de] mortes por reação adversa à vacina ocorrido desde que a vacina foi inventada.
Por que aconteceu isso? Devido ao alarmismo da mídia. Teve uma colunista de jornal que escreveu: “Vá se vacinar antes que seja tarde. O Lula está dizendo que não tem epidemia, mas o Lula está protegido e você não está”.
Teve muita gente que entrou três vezes na fila da vacina e você sabe como é efeito de vacina: você inocula um vírus enfraquecido da doença para que o seu organismo crie anticorpos. Só que se você toma três doses de vacina você contrai febre amarela. Essas pessoas [que se sobre vacinaram] entraram em choque anafilático.
Ao fim de janeiro de 2008, havia mais gente doente por reação adversa à vacina do que por febre amarela. Aí, eu fiz essa representação ao Ministério Público Federal, ela foi aceita com base em um artigo da Lei de Imprensa [vigente à época], crime de alarma social. E esse processo foi rolando, o Ministério Público pediu informações ao Ministério da Saúde, mas, como se tornou uma tônica nos governos do PT, sempre houve muito medo de comprar briga e o Ministério da Saúde ficou sentado em cima até que caiu a Lei de Imprensa e o negócio acabou arquivado, não deu em nada.
Morreram dez pessoas, mas conheço duas que morreram por tomar a vacina sem pretender viajar a regiões de risco.
Houve outras [representações]. Por exemplo: na eleição de 2010, o Datafolha começou a acusar o instituto Sensus de fraudar a pesquisa [de intenção de voto] em favor da Dilma. Do outro lado, acusavam o Datafolha de fraudar a pesquisa em favor do Serra. O que fiz foi uma representação à Procuradora Geral Eleitoral dizendo o seguinte: “como está na lei eleitoral que falsificar pesquisas é crime, então investigue-se todo mundo – Datafolha, Ibope, Sensus e Vox Populi”.
Mandei [a representação] para a doutora Sandra Cureau e ela determinou a abertura de investigação na Polícia Federal. Depois de um ano e pouco, acho que quase dois anos, a Polícia Federal me chamou [e disse]: “olha, nós estamos com isso aqui, mas a gente não sabe o que fazer”. E [a investigação] acabou arquivada.
Eu criei o Blog da Cidadania porque [...] o cidadão tem o seu poder. Tem os seus direitos, tem as suas prerrogativas, além dos seus deveres. E uma herança da ditadura militar é a de que nós, brasileiros, sempre achamos que é perigoso falar, você pode se ferrar. [Isso acontece] porque nós passamos vinte anos em um país em que você não podia falar o que pensava.
Noto que, até hoje, continua. Muita, muita gente tem medo de dizer o que pensa. Muita gente… Então, criei esse Blog para mostrar às pessoas que isso não está certo, que a gente tem que dizer [o que pensa], tem que participar…
Há uma única coisa que eu não faço – e não porque eu recomende aos outros que não façam, mas digo que não faço porque não serve para mim. Eu não me filio a partido político porque, realmente, acho que não serve para mim. O político precisa ser uma pessoa que tenha um certo jogo de cintura e eu sou um cara que falo muito o que penso, então acho que não seria um bom político. Iria dar uma de Ciro Gomes e iria falar demais.
O Globo – Voltando, um pouquinho, à entrevista coletiva do Lula. O que você achou dos blogueiros que foram convidados para participar da entrevista?
Eduardo Guimarães – Na verdade, foram convidados – acho que – mais uns três blogueiros. Uma é a Conceição Oliveira, uma professora de História da USP, que estava adoentada. E teve mais duas pessoas que não me lembro quais são, que não puderam comparecer.
Os outros que estavam lá são pessoas que conheci nesses anos todos e que são excelentes pessoas. Alguns eu conheço mais, outros eu conheço menos.
A Conceição Lemes é uma grande jornalista, uma repórter fantástica, com quem fiz uma amizade muito boa.
O Miro, o Altamiro Borges, é um grande cara, uma pessoa séria, um grande jornalista. Gosto muito dele.
O Fernando Brito eu conheço pouco, mas a gente sabe que ele assessorou o Brizola. É um sujeito que tem um valor inegável.
Miguel do Rosário também não conheço tanto, mas conheço há muito tempo. Não proximamente, porque ele é do Rio, mas é um rapaz que escreve muito bem, tem um texto maravilhoso.
O Marco Weissheimer, lá do Sul 21, pouco conheço, mas gosto muito, leio o Marco, acho muito competente.
Quem mais?
O Rodrigo Vianna é um amigo, fizemos uma grande amizade.
O Renato Rovai também é um amigo.
Enfim, acho que estavam muito bem representados os blogueiros, ali. Evidentemente que não dá para fazer uma entrevista com 30, 40 blogueiros, então eles escolheram aqueles que têm um pouco mais de visibilidade.
No meu caso, não sou jornalista, não sou nada, sou só um representante comercial [...] Acontece que sou um apaixonado pelo idioma e aprendi a escrever direitinho. Lógico que [meu texto] não é perfeito, mas gente que entende do traçado diz que meu texto é razoável e acho que talvez por isso e pela visão que adquiri da política, porque passei a minha vida me interessando por política [...] Não só por política, mas, também, por economia e história.
Talvez por isso eu tenha conseguido fazer meu Blog ganhar alguma visibilidade. Mas muitas vezes quando me vejo em meio a jornalistas tarimbados, pergunto-me: “nossa, que estou fazendo aqui? O que estou fazendo aqui entrevistando Lula?”. E foi a segunda vez, porque o entrevistei também em 2010.
Mas eu não sou a melhor pessoa para dizer por que eu fui escolhido…
O Globo – Isso é o que eu ia lhe perguntar: por que você acha que foi escolhido?
Eduardo Guimarães – Evidentemente que o Lula deu uma entrevista para pessoas que o apoiam. Eu nunca neguei que apoio o Lula. Eu não escondo minhas preferências políticas. Apoio o Lula desde 1989.
Vou ser bem sincero com você: já vi edições do programa Roda Viva idênticas à entrevista que fizemos com o Lula. Posso conseguir para você entrevista com José Serra no Roda Viva idêntica à que foi feita com o Lula – o clima de camaradagem, sem perguntas incômodas, inclusive com os entrevistadores batendo nos adversários [de Lula]. Isso é público, está na internet.
O Globo – Você admite, então, que a entrevista foi entre camaradas?
Eduardo Guimarães – Mas isso é óbvio. Nenhum de nós está negando que foi uma entrevista entre camaradas porque, na verdade, nós fomos perscrutar a opinião do Lula sobre temas que interessam ao nosso público. Ninguém teve a pretensão de ser isento porque eu sempre digo que não existe jornalista isento, existe jornalista mentiroso.
Ninguém é isento. Eu espero que esta minha sugestão figure no material [que O Globo iria publicar]: se você pegar um programa que está em uma tevê pública como o Roda Viva, de entrevistas como de um Fernando Henrique Cardoso, de um José Serra, você não vai achar diferença alguma da entrevista que nós fizemos com o Lula.
Qual é a diferença? Primeiro, não foi em uma concessão pública que a entrevista aos blogueiros foi dada. Segunda diferença: os “camaradas”, como você disse, eles assumem que são camaradas. Eu nunca me disse isento [...] Escrevo isso todo dia no meu Blog. Como é que algum de nós teria a desonestidade intelectual de nos dizermos isentos, de não termos opinião política?
Primeiro porque isso não existe e segundo porque é claro, nós defendemos um projeto político, eu falo para os meus leitores, eu não sou jornalista, eu sou um cidadão comum que estou exercendo o meu direito de opinar e de difundir a minha opinião.
Isso é jornalismo? Eu uso uma linguagem jornalística. Isso, estou falando [sobre] o meu caso. Os outros são jornalistas, mas eles têm posicionamento político assim como O Globo tem posicionamento político, o SBT, a Folha, o Estadão…
Aliás, o Estadão tem um posicionamento político claro. Inclusive, nas últimas campanhas eleitorais ele tem declarado seu voto.
O Globo – Agora, como é que, na sua opinião, fica a imagem da mídia alternativa? Ela tenta construir a imagem de ser uma mídia plural, que abrange todos os assuntos, que dá margem a todas as opiniões… Como é que fica a imagem da mídia alternativa quando um evento como uma entrevista coletiva do Lula tem como entrevistadores apenas blogueiros, como você mesmo disse, que são favoráveis ao Lula?
[...]
Eduardo Guimarães – Não é mídia alternativa, porque nós estamos fazendo uma confusão, aí. Você tem um grupo de blogueiros que integram a mídia alternativa, mas a mídia alternativa eu não vejo ela se dizendo apartidária. Todos os veículos mais importantes da mídia alternativa, eles se dizem de esquerda.
Sobre a pluralidade, é o seguinte: eu, por exemplo, entrevistaria o José Serra, se ele me desse entrevista.
Agora, eu pergunto a você: é melhor uma mídia que assume as suas preferências políticas e informa o leitor que apoia o Lula do que…
O Globo – A mídia alternativa, então, se restringe a blogs de esquerda?
Eduardo Guimarães – Não… Você pergunta se a mídia alternativa se restringe a blogs de esquerda?
O Globo – É isso que você está me dizendo…
Eduardo Guimarães – Não, eu não disse isso a você. Eu disse que a mídia alternativa é muito mais ampla. Agora, quem foi entrevistar o Lula foram blogs de esquerda. Mas você tem mais coisas na mídia alternativa. Você tem, inclusive, na mídia alternativa, sites que são contra o PT, mas que são de esquerda.
Por exemplo: veículos ligados ao PSOL. Eles são oposição ao PT. Acho que é “Correio do Brasil”… Tem um site que é do Plínio de Arruda Sampaio que bate no PT direto. Você tem os sites, as revistas que têm críticas ao governo Dilma, têm críticas ao Lula, têm críticas ao PT, na mídia alternativa, e têm críticas à mídia tradicional.
Agora, eu desafio o jornal O Globo a nós compararmos duas entrevistas: uma, de um expoente do PSDB – um José Serra, um Fernando Henrique – ao Roda Viva e outra, a entrevista com o Lula [aos blogueiros] e vamos ver se essa dureza jornalística que se prega que seja usada contra o PT é usada, também, contra o PSDB…
O Globo – Não é dureza jornalística. Eu estou só lhe questionando sobre esse papel da mídia alternativa, que deveria ser um lugar onde todos têm voz e, aí, em um evento como uma entrevista com o Lula, só os blogs de esquerda participam. Cadê, justamente, essa pluralidade da mídia [alternativa]? Eu queria saber isso, porque é uma coisa que todo mundo ficou se questionando.
Eduardo Guimarães – Mas, agora, eu lhe pergunto. Agora, quem ficou curioso fui eu. Quando foi que programas da grande mídia, programas das tevês, convidaram blogueiros de esquerda para entrevistar alguém?
O Globo – Não, não estou falando de programas de TV. A gente está falando da entrevista do Lula especificamente…
Eduardo Guimarães – Mas, aí, nós vamos ficar naquela mesma situação da CPI da Petrobrás, se vai investigar o metrô ou não vai investigar o metrô. Então, quer dizer, eu quero falar é do seu escândalo, não quero falar do meu. É muito conveniente….
O Globo – É porque a minha matéria é sobre entrevista do Lula. Não tem nada a ver com Roda Viva, não tem que ficar falando sobre isso. Mas vamos voltar…
Eduardo Guimarães – Ué, mas eu estou lhe dando uma resposta. Você me perguntou como é que fica a mídia alternativa diante de uma falta de pluralidade na entrevista. Eu falo: a mídia alternativa como a mídia tradicional. Só que com o diferencial de que nós não estamos fazendo essa entrevista em uma concessão pública e não escondemos as nossas preferências, que é muito mais honesto.
Então, o público, o leitor, o espectador, ganha com a mídia alternativa em honestidade porque não estamos nos dizendo isentos, nós não estamos mentindo para o público dizendo que somos isentos…
É isso.
O Globo – Qual foi, na sua opinião, o ponto mais relevante da entrevista, o que lhe chamou mais a atenção?
Eduardo Guimarães – Olha, acho que o mais importante da entrevista – e que teve maior repercussão – foi o Lula dar uma visão ao PT e ao governo de que é preciso travar o debate político. Não dá para o PT ficar calado, encurralado, porque isso tem efeitos eleitorais e nós estamos em ano eleitoral.
Está se tentando, em ano eleitoral, investigar escândalos, denúncias contra A e não investigar contra B. Ou, pelo menos, publicizar investigações contra A e ocultar contra B. Então, o que Lula disse de mais importante na entrevista acho que foi o recado ao PT, à própria Petrobrás e ao próprio governo de que é preciso travar o debate político. Não é ataque, não é impedir CPI, até porque, neste governo teve muito mais investigação do que no governo do PSDB. Se você for ver no meu blog, publiquei uma matéria no domingo mostrando como o PSDB enterrou a CPI da corrupção em 2001. Dito, inclusive, pela grande mídia, que ele fez isso.
O PSDB nunca deixou investigar nada. Manteve, por oito anos, o mesmo procurador-geral da República. Com o PT, os procuradores-gerais da República indicados pelo Lula e pela Dilma foram duríssimos com o PT. O escândalo do mensalão é produto da absoluta liberdade que têm para investigar a Polícia Federal, o Ministério Público na era PT.
Acho que foi muito importante e, inclusive, não vejo, aí, a pretensão do Lula de tutelar a presidente de maneira nenhuma porque, se ele a tutelasse, ela não teria seguido caminhos diferentes. Qual foi o caminho diferente? Por exemplo, a Dilma nunca abriu o Palácio a uma entrevista de blogueiros. Ela manteve uma distância total dos blogueiros, da mídia alternativa.
Pelo contrário, a primeira coisa que a Dilma fez, quando assumiu, foi ir à festa da Folha de São Paulo – festa de 90 anos da Folha de São Paulo –, em seguida ela foi fazer um omelete na Ana Maria Braga e nunca teve essa aproximação, qualquer aproximação, com aquilo que você chama de mídia alternativa…
O Globo – Você se ressente um pouco disso?
Eduardo Guimarães – Não!
O Globo – A Dilma não poderia dar…
Eduardo Guimarães – Não!
O Globo – Dar uma atenção maior, um status maior para essa turma de blogueiros que apoia o governo dela?
Eduardo Guimarães – Não. Eu já lhe digo não. Eu acho que a Dilma tentou um caminho. Qual foi o caminho que ela tentou? Na minha visão, ela achava que aquelas dificuldades do Lula com a mídia, que permearam o seu governo, foram decorrentes – e isso é uma expressão minha –, eu acho que ela via aquilo como uma briga de machos. Picuinha. Uma coisa que não precisaria existir e que, se ela não entrasse pelo mesmo caminho, teria uma relação mais tranquila com a mídia e, na verdade, não foi isso que aconteceu. Basta a gente ligar [a TV] no Jornal Nacional e ver que só se fala da Petrobrás enquanto você tem um escândalo, aqui em São Paulo, com muito mais provas, que já está em estado adiantado de investigação, que envolve políticos.
Por exemplo: responsabilizam a Dilma pela compra da refinaria de Pasadena, mas eu nunca vi responsabilizarem, na grande mídia, o Geraldo Alckmin e o José Serra – com o mesmo ímpeto – pelo cartel que teve no metrô. E dificilmente, raramente, aparece o nome de um político. E nunca foi atribuído [nada aos tucanos] diretamente.
Você sabe que o José Serra foi denunciado por um procurador do Ministério Público Estadual [de São Paulo], um tal de Milani, e disso só saiu uma matéria pequenininha no Estadão. Se ele fosse do PT, saía no Jornal Nacional.
Esse procurador acabou entregando a denúncia contra o Serra ao procurador-geral do Estado e eu não sei que fim levou isso. Parece que foi engavetado, também. Porque esse procurador-geral do Estado foi o segundo da listra tríplice [que o MP faz e envia ao governador para que escolha novos procuradores-gerais do Estado], escolhido pelo Alckmin, e não levou para frente.
Mas você imagina se o Lula fosse indiciado ou fosse denunciado… Aliás, ele foi denunciado por procuradores [do MP] e isso saiu no Jornal Nacional, saiu em tudo quanto é lugar. O mesmo aconteceu com o Serra e não saiu em lugar nenhum. Saiu uma matéria pequenininha só no Estadão.
O que acontece com a Dilma é que acho que ela tentou um caminho, talvez por inexperiência.
Eu não me ressinto, não.
[...]
Leitores perguntam: por que a Dilma não corta as verbas da Globo? Eu falo: porque a Dilma não é dona do dinheiro [das verbas de publicidade]. Os recursos públicos têm que ser usados da melhor forma. A verba de publicidade tem que ser usada da forma mais eficiente. Como é que você vai deixar de anunciar na Globo? O dinheiro não é do PT, o dinheiro é do povo.
Eu acho que a Dilma tentou um caminho mais republicano possível, uma melhor relação [com a mídia] possível. Ela mantém essa relação, porque ela deixa de responder muita coisa. Só que eu acho que é um equívoco político dela, mas é um direito dela. Não há por que se ressentir de maneira nenhuma.
Até porque, a nossa repercussão [dos blogueiros], diante da grande mídia, é pequena. Mas, evidentemente, como eu sempre digo: há meio século, foi dado um golpe de Estado no Brasil porque só os grandes jornais falavam, só falava O Globo, só falava o Estadão, só falava a Folha da Manhã.
Hoje, esse golpe não aconteceria da mesma forma porque você tem uma mídia que faz aquele trabalho de formiguinha, mas que vai se espalhando. Por que é que toda ditadura, quando se instala, trata de silenciar a imprensa, ela trata de silenciar qualquer voz dissonante? Porque a informação, a palavra, ela é como – e é uma má imagem – uma infecção que se alastra.
Se você deixar surgir algum contraditório, em algum lugar, se não sufocar esse contraditório ele vai crescer. E é o que tem acontecido. Você veja que vira e mexe se vê colunistas de grandes jornais atacar blogs que ninguém sabe quem são.
Sempre fica aquela coisa de que são pagos pelo governo, são pagos pelo governo, são pagos pelo governo… Eu nunca recebi dinheiro nenhum do governo.
O Globo – Voltando aos colunistas, você fala daquele áudio do Sardemberg com o Merval, né?
Eduardo Guimarães – É.
O Globo – Ele fala que “muitos daqueles ali são pagos pelo governo”, mas, em nenhum momento, ele cita nenhum blogueiro. Por que você se ofendeu tanto?
Eduardo Guimarães – Vamos supor que duas repórteres estejam fazendo matéria sobre a entrevista do Lula: a Bárbara e a Thaís. Aí eu digo: aquelas repórteres que estão fazendo a matéria sobre a entrevista do Lula são pagas pelo José Serra ou pelo Alckmin. Eu não preciso citar a Bárbara ou a Thaís. Ao falar “aquelas repórteres que estão fazendo aquela matéria”, estou levantando suspeita sobre as duas. O Sardemberg disse: “Aqueles blogueiros são financiados com dinheiro de órgãos públicos”…
O Globo – Ele disse “alguns deles”…
Eduardo Guimarães – Não, o Sardemberg não falou “alguns”. Quem falou alguns foi o Merval. Disse assim: “Alguns são pagos, outros são militantes mesmo. Tem de tudo, ali”. Ele disse…
O Globo – É um grupo bem maior do que só eu e a Thaís. Vocês eram nove.
Eduardo Guimarães – Mas não importa. São nove pessoas. Se você não disser quem são as pessoas é pior ainda, porque você levanta dúvida sobre todo mundo. Era melhor que ele dissesse: “Olha, o Eduardo Guimarães é pago para dizer o que ele diz”.
Eu tenho esse Blog há nove anos. Quinze dias atrás a Prefeitura de Guarulhos me procurou e pediu para colocar um banner no meu Blog. Esse banner está lá há quinze dias. Foi a primeira vez em nove anos que aconteceu [de um órgão público pôr um banner no Blog].
[...]
Então eu vejo um jornal, acho que “O Povo”, colocar uma matéria dizendo assim: “Ah, você veja, eles têm banner da Prefeitura de Guarulhos”! Porque a Prefeitura de Guarulhos é do PT, então ele já faz o link de que como a Prefeitura de Guarulhos é do PT já veio uma ordem de Brasília para a Prefeitura anunciar no meu Blog, sendo que eu digo a mesma coisa há nove anos…
O Globo – A Prefeitura de Guarulhos paga alguma coisa por esse anúncio?
Eduardo Guimarães - Paga. Vai pagar, não pagou ainda.
Todo mundo sabe que isso é pago. Eles me ofereceram a publicidade e eu aceitei. Agora, o meu blog foi fundado em 2005. Nunca teve publicidade oficial. Teve agora e não sei se vai continuar. Tomara que continue, porque se eles estão me propondo acho que deve ser legal.
O Globo – Agora, o seu Blog não é a sua fonte de renda?
Eduardo Guimarães – Não, o meu Blog não me dá dinheiro. Alguns leitores contribuem, dão 20 reais, dão 30 reais, dão 50 reais. Você vê que eu não tenho nem publicidade do Google. Eu não vivo do Blog. Não dá para viver do Blog. Eu nem jornalista sou. Pelo contrário, estou gastando com o Blog. Tenho dois servidores dedicados [para mantê-lo no ar] e aquilo custa bem carinho, mas os leitores ajudam.
Só que não cobre [as despesas]. Outro dia fiz uma entrevista com o presidente do sindicato dos médicos do Ceará, que comandou aquele ataque aos médicos cubanos. Eu liguei no celular do cara, lá no Ceará. Fiquei quarenta minutos com ele no telefone. Do meu telefone fixo para o celular dele. Vem uma baita conta. É lógico que não faço isso todo mês, senão estou lascado.
[...]
Será que essa matéria é para dizer que o Lula nos paga para a gente dizer que a gente é pago para falar o que a gente fala dele? É por aí?
O Globo – Olha…
Eduardo Guimarães – Precisa achar esse link? Não dá para se admitir que um cidadão tenha um ponto de vista e honestamente ele defenda aquele ponto de vista de frente, de peito aberto, exercendo a sua cidadania?!
O Globo – Eduardo, em momento algum eu disse que estou procurando qualquer ligação sua com qualquer pessoa. Estou querendo somente saber quem é você, como é o seu trabalho, como você começou a atuar como blogueiro…
Eduardo Guimarães – Não tem problema, Bárbara.
[...]
—–
Perguntas por escrito
Ao fim da entrevista gravada, a repórter enviou-me três perguntas por escrito que respondi, mas que não aparecem na matéria que ela me enviou por e-mail.
O GLOBO - Por que você acha que foi escolhido para a entrevista?
RESPOSTA: Seguramente não foi pela minha opinião política, porque há centenas de blogueiros com opinião igual. Acho que os que fizeram a escolha procuraram escolher os blogs nos quais a repercussão seria mais efetiva.
O GLOBO - O que você acha do movimento Volta Lula?
RESPOSTA: Acho equivocado. Lula é o primeiro a rejeitar a possibilidade de se candidatar em lugar de Dilma e esse seria, inclusive, um erro político, pois daria margem a acharem que Lula fez uma má escolha de sua sucessora.
O GLOBO - Que nota você daria ao governo Dilma? Por quê?
RESPOSTA: Dilma fez um grande governo. Conseguiu manter os brasileiros a salvo da grande depressão que se espalhou pelo mundo a partir de 2008. No Brasil de 2011 a 2014, os salários subiram muito, o desemprego despencou, a desigualdade continuou caindo. Só não dou 10 a Dilma porque ela não enviou ao Congresso o Marco Regulatório das Comunicações, um arcabouço legal que existe até em países comunistas como os Estados Unidos, por exemplo.
—–
Reportagem do caderno digital Globo A Mais, de O Globo de 16 de abril de 2014
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quinta-feira, 10 de abril de 2014
receitas de vida simples e recomendáveis
O grande segredo de Lula
Posted by eduguim on 09/04/14
Blog da Cidadania

A primeira vez em que entrevistei Lula foi em 24 de novembro de 2010, no Palácio do Planalto, a pouco mais de um mês de ele deixar a Presidência. Aquela entrevista marcou o fim de uma era em que a mídia e a oposição demo-tucana eram enfrentadas diuturnamente pelo então presidente.
Desde o avanço conservador viabilizado pelo escândalo do mensalão a partir de 2005, Lula passou a travar um forte debate retórico com seus adversários e não parou até o último dia de seu governo. Resultado: deixou o Planalto com mais de 80% de aprovação.
Apesar de tolhido pela liturgia do cargo, naquela entrevista de algumas poucas horas em 2010 Lula travou mais debate político com seus adversários do que a presidente Dilma em 3 anos e 3 meses.
Da posse de Dilma em diante, porém, o governo federal tratou de tentar estabelecer uma convivência “civilizada” com os adversários.
Já no primeiro mês de 2011 a presidente foi à festa de 90 anos do jornal Folha de São Paulo, depois foi ao programa Ana Maria Braga e nunca mais objetou qualquer ataque da mídia ao seu governo.
Ao longo de seu primeiro ano, Dilma assistiu a mídia derrubar uma série de ministros, um a um. Em alguns casos, como o do comunista Orlando Silva, então ministro do Esporte, houve grave injustiça. Nem uma única denúncia da mídia contra ele se comprovou.
Não estou criticando Dilma. Acho que ela fez muito pelo país. Só quem sabe quanto sofreram outros povos com a crise econômica internacional é capaz de avaliar como ela foi competente ao longo dos últimos três anos e tanto; impediu os brasileiros de pagarem a conta de uma crise que pôs o mundo de joelhos.
Em minha opinião, Dilma fez um governo igual ao que Lula teria feito se tivesse permanecido no cargo. Aliás, talvez ela tenha ido ainda mais para a esquerda do que ele. Ousou mais, inclusive. Até pelas condições que herdou do antecessor…
É doloroso ver a mídia tentar carimbar na testa de Dilma a pecha de “incompetente” após ela ter impedido que os brasileiros pagassem o custo de uma crise desse quilate. Gerou uma quantidade imensa de empregos, os salários continuaram subindo, a inflação se manteve sob controle, conduziu com brilhantismo o primeiro leilão do pré-sal.
A despeito disso tudo, Dilma não desfruta da mesma boa situação de Lula em termos de popularidade. Simplesmente porque Dilma não é Lula. Aliás, só Lula é Lula.
Dilma não é política, é uma técnica. Debutou em eleições em 2010. E o fez com igual brilhantismo. Mas Dilma não rebate o alarmismo e o pessimismo como Lula fazia. Não se comunica com o povo, com os movimentos sociais, mantém-se focada apenas na governança.
Dilma é uma gerente.
Gerenciar o governo é necessário. Claro que, sendo presidente, ocupando um cargo político, essa gerência tem que ser temperada com uma pitada de política e isso ela faz. E saberá fazer mais, quando chegar a hora. Até porque, já fez em 2010. E com muito menos tarimba do que tem hoje.
Na última terça-feira, porém, Lula entrou em campo. Deu entrevista a blogueiros, entre os quais este que escreve. Só que, desta vez, liberto da liturgia do cargo de presidente, ele falou tudo que tinha entalado na garganta, provocado pelos blogueiros que o arguiram.

Neste ano eleitoral, pois, Lula fará o que Dilma não pode – por ser presidente – e o que pode mas não tem toda aquela habilidade para fazer.
Lula, mais uma vez, colocará em campo a sua tonitruante popularidade e, assim, será, de novo, fiador da presidente junto aos que pedem que ele volte por não quererem votar nela, por razões variadas.
Nesta segunda entrevista com o presidente emérito da República Luiz Inácio Lula da Silva, porém, pude obter dele o que não obtivera em 2010: descobri o segredo de sua exitosa trajetória política.
Lula foi arguido de todas as formas e sobre uma miríade de temas propostos pelos blogueiros na entrevista de cerca de três horas que lhes concedeu no Instituto que leva seu nome – e que o leitor poderá conferir ao fim deste post.
Não irei, porém, reproduzir, ponto a ponto, suas respostas. Isso já foi feito à exaustão por uma imensidão de jornalistas.
A entrevista teve uma enorme repercussão. Chegou a ter o link da transmissão por streaming veiculado em manchete principal dos maiores portais da internet (UOL, G1, Estadão etc.). Muitos viram e relatos do que ocorreu não faltaram.
Quero ficar, pois, na percepção que consegui extrair da figura humana de Lula quatro anos após a primeira oportunidade que tive para tanto.
Finalmente descobri o grande segredo de Lula, que lhe permitiu chegar aonde chegou: ele não tem ódio. Lula não se deixa embriagar pelo rancor. Ele se diverte com os ataques que recebe, mas não nutre sentimentos negativos.
Muito disso se deve ao fato de que não perde tempo com leituras das “reportagens”, dos editoriais, das colunas que pouco encerram além de opinião, mesmo quando prometem fatos e não opiniões.
Os blogueiros conversamos com Lula por mais de quatro horas, desde que chegamos ao seu Instituto até a hora em que ele nos deixou. Ninguém se cansou. Pelo contrário: ele tempera suas falas com bom humor, conta “causos” envolvendo desde chefes de Estado das maiores potências até os dos menores países dando a todos a mesma importância.
Ficamos sabendo, por exemplo, que o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak era uma figura detestada por todos nos encontros de chefes de Estado. Antipático, arrogante. Lula nunca gostou dele, quem, inclusive, isolava-se de seus pares. Chegava, discursava e se mandava.
O que me surpreende em Lula, porém, é a forma como se refere aos que o atacam há décadas com todo ímpeto possível e imaginável. E mesmo aos que não o atacam diretamente, mas atacam.
Vejam o caso de Joaquim Barbosa. Não há raiva. Lula se limita a dizer que, sob os critérios que usou para indicá-lo para o STF – ser o jurista negro com melhor qualificação para o cargo de ministro daquela Corte –, repetiria a indicação.
E manda uma espécie de aviso ao escolhido: seu comportamento é de sua exclusiva responsabilidade.
Sem se deixar contaminar pelo ódio que lhe dedicam, Lula preserva sua capacidade de raciocínio – e, de quebra, até uma elogiável generosidade para com os seus detratores.
Com a alma leve é mais fácil fazer escolhas, traçar estratégias, refletir muito antes de agir – aliás, outra tática de Lula para as decisões políticas exitosas que tomou ao longo da parte de sua vida em que venceu o preconceito e se elegeu.
As receitas de vida de Lula são simples e recomendáveis. E as receitas políticas, idem. Ele recomenda ao governo que não deixe as críticas à gestão sem resposta, que rebata cada distorção. Inclusive, dá a mesma receita à Petrobrás. Já deu, pois, todas as dicas. Falta o governo assimilá-las.
*
Confira, abaixo, a íntegra da entrevista de Lula a blogueiros
A primeira vez em que entrevistei Lula foi em 24 de novembro de 2010, no Palácio do Planalto, a pouco mais de um mês de ele deixar a Presidência. Aquela entrevista marcou o fim de uma era em que a mídia e a oposição demo-tucana eram enfrentadas diuturnamente pelo então presidente.
Desde o avanço conservador viabilizado pelo escândalo do mensalão a partir de 2005, Lula passou a travar um forte debate retórico com seus adversários e não parou até o último dia de seu governo. Resultado: deixou o Planalto com mais de 80% de aprovação.
Apesar de tolhido pela liturgia do cargo, naquela entrevista de algumas poucas horas em 2010 Lula travou mais debate político com seus adversários do que a presidente Dilma em 3 anos e 3 meses.
Da posse de Dilma em diante, porém, o governo federal tratou de tentar estabelecer uma convivência “civilizada” com os adversários.
Já no primeiro mês de 2011 a presidente foi à festa de 90 anos do jornal Folha de São Paulo, depois foi ao programa Ana Maria Braga e nunca mais objetou qualquer ataque da mídia ao seu governo.
Ao longo de seu primeiro ano, Dilma assistiu a mídia derrubar uma série de ministros, um a um. Em alguns casos, como o do comunista Orlando Silva, então ministro do Esporte, houve grave injustiça. Nem uma única denúncia da mídia contra ele se comprovou.
Não estou criticando Dilma. Acho que ela fez muito pelo país. Só quem sabe quanto sofreram outros povos com a crise econômica internacional é capaz de avaliar como ela foi competente ao longo dos últimos três anos e tanto; impediu os brasileiros de pagarem a conta de uma crise que pôs o mundo de joelhos.
Em minha opinião, Dilma fez um governo igual ao que Lula teria feito se tivesse permanecido no cargo. Aliás, talvez ela tenha ido ainda mais para a esquerda do que ele. Ousou mais, inclusive. Até pelas condições que herdou do antecessor…
É doloroso ver a mídia tentar carimbar na testa de Dilma a pecha de “incompetente” após ela ter impedido que os brasileiros pagassem o custo de uma crise desse quilate. Gerou uma quantidade imensa de empregos, os salários continuaram subindo, a inflação se manteve sob controle, conduziu com brilhantismo o primeiro leilão do pré-sal.
A despeito disso tudo, Dilma não desfruta da mesma boa situação de Lula em termos de popularidade. Simplesmente porque Dilma não é Lula. Aliás, só Lula é Lula.
Dilma não é política, é uma técnica. Debutou em eleições em 2010. E o fez com igual brilhantismo. Mas Dilma não rebate o alarmismo e o pessimismo como Lula fazia. Não se comunica com o povo, com os movimentos sociais, mantém-se focada apenas na governança.
Dilma é uma gerente.
Gerenciar o governo é necessário. Claro que, sendo presidente, ocupando um cargo político, essa gerência tem que ser temperada com uma pitada de política e isso ela faz. E saberá fazer mais, quando chegar a hora. Até porque, já fez em 2010. E com muito menos tarimba do que tem hoje.
Na última terça-feira, porém, Lula entrou em campo. Deu entrevista a blogueiros, entre os quais este que escreve. Só que, desta vez, liberto da liturgia do cargo de presidente, ele falou tudo que tinha entalado na garganta, provocado pelos blogueiros que o arguiram.
Neste ano eleitoral, pois, Lula fará o que Dilma não pode – por ser presidente – e o que pode mas não tem toda aquela habilidade para fazer.
Lula, mais uma vez, colocará em campo a sua tonitruante popularidade e, assim, será, de novo, fiador da presidente junto aos que pedem que ele volte por não quererem votar nela, por razões variadas.
Nesta segunda entrevista com o presidente emérito da República Luiz Inácio Lula da Silva, porém, pude obter dele o que não obtivera em 2010: descobri o segredo de sua exitosa trajetória política.
Lula foi arguido de todas as formas e sobre uma miríade de temas propostos pelos blogueiros na entrevista de cerca de três horas que lhes concedeu no Instituto que leva seu nome – e que o leitor poderá conferir ao fim deste post.
Não irei, porém, reproduzir, ponto a ponto, suas respostas. Isso já foi feito à exaustão por uma imensidão de jornalistas.
A entrevista teve uma enorme repercussão. Chegou a ter o link da transmissão por streaming veiculado em manchete principal dos maiores portais da internet (UOL, G1, Estadão etc.). Muitos viram e relatos do que ocorreu não faltaram.
Quero ficar, pois, na percepção que consegui extrair da figura humana de Lula quatro anos após a primeira oportunidade que tive para tanto.
Finalmente descobri o grande segredo de Lula, que lhe permitiu chegar aonde chegou: ele não tem ódio. Lula não se deixa embriagar pelo rancor. Ele se diverte com os ataques que recebe, mas não nutre sentimentos negativos.
Muito disso se deve ao fato de que não perde tempo com leituras das “reportagens”, dos editoriais, das colunas que pouco encerram além de opinião, mesmo quando prometem fatos e não opiniões.
Os blogueiros conversamos com Lula por mais de quatro horas, desde que chegamos ao seu Instituto até a hora em que ele nos deixou. Ninguém se cansou. Pelo contrário: ele tempera suas falas com bom humor, conta “causos” envolvendo desde chefes de Estado das maiores potências até os dos menores países dando a todos a mesma importância.
Ficamos sabendo, por exemplo, que o ex-ditador egípcio Hosni Mubarak era uma figura detestada por todos nos encontros de chefes de Estado. Antipático, arrogante. Lula nunca gostou dele, quem, inclusive, isolava-se de seus pares. Chegava, discursava e se mandava.
O que me surpreende em Lula, porém, é a forma como se refere aos que o atacam há décadas com todo ímpeto possível e imaginável. E mesmo aos que não o atacam diretamente, mas atacam.
Vejam o caso de Joaquim Barbosa. Não há raiva. Lula se limita a dizer que, sob os critérios que usou para indicá-lo para o STF – ser o jurista negro com melhor qualificação para o cargo de ministro daquela Corte –, repetiria a indicação.
E manda uma espécie de aviso ao escolhido: seu comportamento é de sua exclusiva responsabilidade.
Sem se deixar contaminar pelo ódio que lhe dedicam, Lula preserva sua capacidade de raciocínio – e, de quebra, até uma elogiável generosidade para com os seus detratores.
Com a alma leve é mais fácil fazer escolhas, traçar estratégias, refletir muito antes de agir – aliás, outra tática de Lula para as decisões políticas exitosas que tomou ao longo da parte de sua vida em que venceu o preconceito e se elegeu.
As receitas de vida de Lula são simples e recomendáveis. E as receitas políticas, idem. Ele recomenda ao governo que não deixe as críticas à gestão sem resposta, que rebata cada distorção. Inclusive, dá a mesma receita à Petrobrás. Já deu, pois, todas as dicas. Falta o governo assimilá-las.
*
Confira, abaixo, a íntegra da entrevista de Lula a blogueiros
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Qual o sentido? E ninguém vai fazer nada...
Genoino e a maldade de Joaquim Barbosa
Blog do Miro
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:
Você tem que fazer muita maldade para que alguém beba quando você morrer. Você tem que despertar muito ódio.
Margaret Thatcher, por exemplo.
Fui a Trafalgar Square, no centro de Londres, cobrir, como jornalista, a festa que fizeram quando ela morreu.
Fazia mais de vinte anos que ela deixara Downing Street, a sede do governo britânico, e ainda assim Thatcher era lembrada com uma raiva que fazia você pensar que ela ainda era primeira ministra.
Me lembro claramente da imagem de um um velho sindicalista que abriu uma garrafa de uísque e disse, antes de tomar a primeira dose: “Esperei vinte anos por esse momento.”
Thatcher massacrou os sindicalistas, e acabou promovendo uma brutal concentração de renda no Reino Unido, uma coisa comparável à era vitoriana, tão bem retratada nos miseráveis de Dickens.
Em minha vida adulta, vi no Brasil apenas um personagem capaz de provocar um sentimento tão ruim.
É ele, Joaquim Barbosa.
Nunca houve alguém tão antibrasileiro quanto Joaquim Barbosa: mesquinho, vingativo, cruel, recalcado.
O que ele está fazendo com Genoino e família tem um nome: terrorismo. Terrorismo moral, terrorismo sádico.
Qual o sentido em deixá-los em suspenso às vésperas do Natal, uma época de concórdia, sem saber se Genoino será devolvido ou não à cadeia?
É vingança. A mesma coisa que levou Barbosa a tentar demitir do STF a mulher do jornalista que revelou que ele gastou 90 000 reais do dinheiro público para reformar os banheiros de seu apartamento funcional.
Barbosa debitou, na conta de Genoino, as críticas que recebeu, na semana passada, de petistas reunidos em um congresso.
Bandeira de Mello, o jurista, disse que, se fosse o PT, tentaria o impeachment de Joaquim Barbosa.
Digo também: se eu fosse o PT, faria o mesmo.
Joaquim Barbosa está ajudando a construir um país da discórdia. Ele não une: é um desagregador.
Como Lula não percebeu os seus imensos defeitos ao escolhê-lo?
A biografia de Lula estará sempre manchada por haver indicado para a mais alta corte do país uma pessoa tão má quanto Barbosa.
Não há desculpa para este erro monumental de Lula.
Os brasileiros estão tendo agora que arcar com a infeliz, negligente, descuidada indicação de Lula.
Entre os brasileiros, ninguém está enfrentando mais as consequências disso que Genoino e família.
Miruna, a filha mais velha de Genoino, uma guerreira na defesa do pai, mais uma vez ergueu sua voz diante do terrorismo barbosiano.
Ela está desesperada. Ela não finge, ela não mente: é uma filha que está vendo o pai ser massacrado impiedosamente – e injustamente.
Ninguém vai fazer nada? Esta a pergunta central, doída de Miruna.
Pelo visto, a resposta é não.
A prioridade do PT é a campanha de Dilma, e Genoino está no fim da fila. Uma palavra aqui, outra ali, e não mais que isso.
Mas o futuro haverá de trazer uma resposta para a questão de Miruna.
Muitos brasileiros, e não necessariamente apenas petistas, haverão de fazer exatamente o que o sindicalista inglês fez quando recebeu a notícia da morte de Thatcher.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
longe de ser um conto de fadas
Mandela e a derrota de seus inimigos
Blog do Miro
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:
Nelson Mandela morreu na condição rara e merecida de herói da humanidade. A derrota do apartheid sul-africano marcou uma derrota fundamental do sistema colonial, construído ao longo de cinco séculos de história.
A estatura atual de Mandela não deve obscurecer o cidadão concreto nem a situação real de onde ele emergiu. Sua luta envolveu adversários poderosos e bem colocados na economia mundial, que tiveram um papel decisivo na preservação de um regime que sempre causou horror na maioria das pessoas do século XX – mas era mantido e alimentado em função dos ganhos que gerava a seus beneficiários, dentro e fora do país.
Não se pode compreender a longa temporada de Mandela na prisão – de onde saiu, certa vez, com princípio de tuberculose – nem a absurda sobrevivência de um sistema de opressão dos mais infames que a humanidade já conheceu sem entender o papel das chamadas potencias ocidentais em sua preservação.
Na década de 1980, quando a luta contra o apartheid já provocava gestos de repúdio internacional e até boicote econômico, o presidente Jacques Chirac, principal estrela do conservadorismo francês do período, fez diversos exercícios para reforçar a musculatura da elite branca que submetia o país inteiro. Sob François Mitterrand o governo francês havia conseguido impor sanções através da ONU e retirou o embaixador de Pretória. O país também dava abrigo a exilados importantes. De volta ao poder, Chirac reabriu a embaixada, cortejou lideranças negras que negociavam pactos de preservação com o regime sul-africano e ainda enviou uma comitiva de parlamentares em missão de boa vontade: “o apartheid não existe,” disseram eles, de volta a Paris.
Chirac era capaz de dizer frases de um tipo de pedantismo bem conhecido: “Condeno o apartheid de forma veemente mas a questão é extremamente complexa.”
O fato é que não estava só em meio a tantas “complexidades”. Líderes da grande reação conservadora dos anos 1980, que implicou em ataques a direitos e conquistas dos trabalhadores e da população mais pobre no mundo inteiro, Ronald Reagan e Margareth Thatcher mostraram, também no África do Sul, que tinham uma visão bastante peculiar, “complexa”, é claro, daquilo que chamavam de estado mínimo e direitos individuais. Davam-se as mãos para reforçar o estado máximo que combatia Mandela enquanto sustentavam, por exemplo, a ditadura também máxima de Augusto Pinochet no Chile.
Com o velho pretexto de que era preciso combater o comunismo, faziam o possível para evitar toda mudança, toda alteração no estado de coisas que pudesse democratizar o país e entregar o governo a sua maioria de cidadãos. Thatcher chegou a opor-se a simples missões de caráter humanitário a África do Sul, lembra Jack Lang, ex-ministro de Cultura da França, no livro “Nelson Mandela, lição de uma vida.”
Quando Mandela conquistou o direito de fazer pronunciamentos públicos, um dos assessores de Thatcher desqualificou suas declarações como uma prova de que “o sofrimento não havia lhe ensinado nada”.
Principal liderança política de um continente que forneceu a mão de obra que colocou de pé boa parte da riqueza que se conhece no planeta, e jamais foi devidamente recompensada por isso, é natural que Mandela seja alvo de estudo e admiração. O empenho dos aliados do apartheid para preservar um regime criminoso ajuda a entender mesmo vitórias tão admiráveis estão longe de constituir um conto de fadas.
Nelson Mandela morreu na condição rara e merecida de herói da humanidade. A derrota do apartheid sul-africano marcou uma derrota fundamental do sistema colonial, construído ao longo de cinco séculos de história.
A estatura atual de Mandela não deve obscurecer o cidadão concreto nem a situação real de onde ele emergiu. Sua luta envolveu adversários poderosos e bem colocados na economia mundial, que tiveram um papel decisivo na preservação de um regime que sempre causou horror na maioria das pessoas do século XX – mas era mantido e alimentado em função dos ganhos que gerava a seus beneficiários, dentro e fora do país.
Não se pode compreender a longa temporada de Mandela na prisão – de onde saiu, certa vez, com princípio de tuberculose – nem a absurda sobrevivência de um sistema de opressão dos mais infames que a humanidade já conheceu sem entender o papel das chamadas potencias ocidentais em sua preservação.
Na década de 1980, quando a luta contra o apartheid já provocava gestos de repúdio internacional e até boicote econômico, o presidente Jacques Chirac, principal estrela do conservadorismo francês do período, fez diversos exercícios para reforçar a musculatura da elite branca que submetia o país inteiro. Sob François Mitterrand o governo francês havia conseguido impor sanções através da ONU e retirou o embaixador de Pretória. O país também dava abrigo a exilados importantes. De volta ao poder, Chirac reabriu a embaixada, cortejou lideranças negras que negociavam pactos de preservação com o regime sul-africano e ainda enviou uma comitiva de parlamentares em missão de boa vontade: “o apartheid não existe,” disseram eles, de volta a Paris.
Chirac era capaz de dizer frases de um tipo de pedantismo bem conhecido: “Condeno o apartheid de forma veemente mas a questão é extremamente complexa.”
O fato é que não estava só em meio a tantas “complexidades”. Líderes da grande reação conservadora dos anos 1980, que implicou em ataques a direitos e conquistas dos trabalhadores e da população mais pobre no mundo inteiro, Ronald Reagan e Margareth Thatcher mostraram, também no África do Sul, que tinham uma visão bastante peculiar, “complexa”, é claro, daquilo que chamavam de estado mínimo e direitos individuais. Davam-se as mãos para reforçar o estado máximo que combatia Mandela enquanto sustentavam, por exemplo, a ditadura também máxima de Augusto Pinochet no Chile.
Com o velho pretexto de que era preciso combater o comunismo, faziam o possível para evitar toda mudança, toda alteração no estado de coisas que pudesse democratizar o país e entregar o governo a sua maioria de cidadãos. Thatcher chegou a opor-se a simples missões de caráter humanitário a África do Sul, lembra Jack Lang, ex-ministro de Cultura da França, no livro “Nelson Mandela, lição de uma vida.”
Quando Mandela conquistou o direito de fazer pronunciamentos públicos, um dos assessores de Thatcher desqualificou suas declarações como uma prova de que “o sofrimento não havia lhe ensinado nada”.
Principal liderança política de um continente que forneceu a mão de obra que colocou de pé boa parte da riqueza que se conhece no planeta, e jamais foi devidamente recompensada por isso, é natural que Mandela seja alvo de estudo e admiração. O empenho dos aliados do apartheid para preservar um regime criminoso ajuda a entender mesmo vitórias tão admiráveis estão longe de constituir um conto de fadas.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
! trilhão de motivos para ocê pensar o seu antipetismo
A melancolia da elite intelectual
Blog do Miro
Por Emir Sader, no sítio Carta Maior:
Patético ver intelectuais melancólicos diante do Brasil de hoje. Uma parte deles, chegou à euforia quando FHC foi eleito. “Se alguém pode aplicar esse modelo com políticas sociais, será ele”- afirmou um deles. “Não preciso escolher entre Pelé e Garrincha”- disse outros, que fez campanha pelo Lula, mas correu assumir um ministério do no governo FHC, não sem antes anunciar “uma nova revolução democrática no Brasil”.
Era a projeção dos sonhos da intelectualidade paulista e da que se identifica com ela, como a elite da elite da elite brasileira. FHC chegava derrotando a esquerda, com uma bandeira que dava cores de modernização a um programa conservador. Propondo-se a “virar a pagina do getulismo” – melhor ainda, menos Estado, nada de populismo, fora sindicalistas, petistas, Lula, partidos de esquerda.
O diário da Barão de Limeira inaugurou um caderno especial – A “Era FHC”. Não precisou emprestar carros pro seu governo, mas emprestou todos os seus espaços e seu “dom de iludir”.
FHC saiu derrotado, com o rabo entre as pernas, como o político mais repudiado pelo povo brasileiro. Seus adeptos se refugiaram na melancolia. O diário da Barão de Limeira foi tirando do ar o caderno da Era FHC, sem nem noticiar seu fim e as razões. Seria um hara-kiri, da mídia e da elite paulista.
Para mal dos pecados, aquele governo foi substituído justamente por Lula e pelo PT – os inimigos que FHC pretendia ter derrotado, para o orgasmo da elite melancólica. O que fazer, além de esperar o fracasso do governo despreparado para governar? Se até FHC fracassou, o que o governo reservaria para o Lula?
Primeiro, as denuncias – misturadas, entre a direita e a ultra esquerda – da “traição” do Lula. Se confirmaria que para governar Lula teria que abandonar tudo o que a esquerda pregava. Teria que seguir a política econômica do FHC e sair como “traidor” do povo brasileiro, desmascarado. Derrota da esquerda por décadas.
O “mensalão” era a prova que faltava: além de incompetente, o novo governo assaltava o Estado e seria derrubado com a pecha de corrupto. Banquete que de novo unia a direita com a ultraesquerda, tendo como inimigos o governo Lula e o PT. Salivavam as elites melancólicas diante da perspectiva de limpar o campo e poder governar por décadas sem a moléstia da esquerda, do Lula, do PT e do movimento popular.
O que fazer diante do sucesso do Lula, dentro e fora do Brasil? Diante da sua capacidade para eleger e reeleger sua sucessora? Refugiar-se na melancolia. Dizer que tudo está ruim no Brasil, prestes a explodir. Que o povo se vendeu por bolsas família, por Minha Casa, minha vida, por empregos, salários, etc., etc.
Fazer o discurso escatológico de que o mundo está pior do que nunca, que o Brasil vai pro brejo, que o povo nunca aprende, que tudo pode ainda ficar pior, se o Lula voltar em 2018. E refugiar-se também nos espaços que a direita lhes reserva para esses lamentos na sua mídia.
Desencontrados do Brasil que melhora, da America Latina que avança – na contramão dos seus queridos EUA e Europa – só lhes resta um final resignado e resmunguento. Procurar algum candidato ou deputada que possa fazer alguma sombra ao governo. Porque ver triunfar ao Lula, ao PT, à esquerda, ao governo, é a estação final e melancólica da elite intelectual da nova direita.
Patético ver intelectuais melancólicos diante do Brasil de hoje. Uma parte deles, chegou à euforia quando FHC foi eleito. “Se alguém pode aplicar esse modelo com políticas sociais, será ele”- afirmou um deles. “Não preciso escolher entre Pelé e Garrincha”- disse outros, que fez campanha pelo Lula, mas correu assumir um ministério do no governo FHC, não sem antes anunciar “uma nova revolução democrática no Brasil”.
Era a projeção dos sonhos da intelectualidade paulista e da que se identifica com ela, como a elite da elite da elite brasileira. FHC chegava derrotando a esquerda, com uma bandeira que dava cores de modernização a um programa conservador. Propondo-se a “virar a pagina do getulismo” – melhor ainda, menos Estado, nada de populismo, fora sindicalistas, petistas, Lula, partidos de esquerda.
O diário da Barão de Limeira inaugurou um caderno especial – A “Era FHC”. Não precisou emprestar carros pro seu governo, mas emprestou todos os seus espaços e seu “dom de iludir”.
FHC saiu derrotado, com o rabo entre as pernas, como o político mais repudiado pelo povo brasileiro. Seus adeptos se refugiaram na melancolia. O diário da Barão de Limeira foi tirando do ar o caderno da Era FHC, sem nem noticiar seu fim e as razões. Seria um hara-kiri, da mídia e da elite paulista.
Para mal dos pecados, aquele governo foi substituído justamente por Lula e pelo PT – os inimigos que FHC pretendia ter derrotado, para o orgasmo da elite melancólica. O que fazer, além de esperar o fracasso do governo despreparado para governar? Se até FHC fracassou, o que o governo reservaria para o Lula?
Primeiro, as denuncias – misturadas, entre a direita e a ultra esquerda – da “traição” do Lula. Se confirmaria que para governar Lula teria que abandonar tudo o que a esquerda pregava. Teria que seguir a política econômica do FHC e sair como “traidor” do povo brasileiro, desmascarado. Derrota da esquerda por décadas.
O “mensalão” era a prova que faltava: além de incompetente, o novo governo assaltava o Estado e seria derrubado com a pecha de corrupto. Banquete que de novo unia a direita com a ultraesquerda, tendo como inimigos o governo Lula e o PT. Salivavam as elites melancólicas diante da perspectiva de limpar o campo e poder governar por décadas sem a moléstia da esquerda, do Lula, do PT e do movimento popular.
O que fazer diante do sucesso do Lula, dentro e fora do Brasil? Diante da sua capacidade para eleger e reeleger sua sucessora? Refugiar-se na melancolia. Dizer que tudo está ruim no Brasil, prestes a explodir. Que o povo se vendeu por bolsas família, por Minha Casa, minha vida, por empregos, salários, etc., etc.
Fazer o discurso escatológico de que o mundo está pior do que nunca, que o Brasil vai pro brejo, que o povo nunca aprende, que tudo pode ainda ficar pior, se o Lula voltar em 2018. E refugiar-se também nos espaços que a direita lhes reserva para esses lamentos na sua mídia.
Desencontrados do Brasil que melhora, da America Latina que avança – na contramão dos seus queridos EUA e Europa – só lhes resta um final resignado e resmunguento. Procurar algum candidato ou deputada que possa fazer alguma sombra ao governo. Porque ver triunfar ao Lula, ao PT, à esquerda, ao governo, é a estação final e melancólica da elite intelectual da nova direita.
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