Mostrando postagens com marcador Esportes. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Esportes. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 18 de junho de 2015

a má educação


Neymar e a má
educação para derrota



Um nervoso e mimado Neymar nada fez para ajudar a seleção contra a Colômbia.


Conversa Afiada









O Conversa Afiada reproduz artigo de Xico Sá, extraído do El País Brasil:



A MÁ EDUCAÇÃO DO BRASIL PARA A DERROTA



Com um nervoso e mimado menino Neymar, sem educação para a derrota, a seleção brasileira deixou ontem a cancha do estádio Monumental, em Santiago, de forma melancólica, depois de perder por 1×0 da Colômbia. Um triste aniversário para o bicampeonato conquistado pelo time de Zito e Didi, exatamente no Chile, há 53 anos.

(…)

E não é apenas a derrota de ontem, mal digerida pelo enfezado craque Neymar, que nos aterroriza. Além da escassez de craques, a maioria dos treinadores do país é tacanha em filosofia de jogo. Pensamos mal o jogo. Perdemos o free jazz, a bossa nova, a invenção. Dunga, por exemplo, preferiu conspirar contra o árbitro.

É difícil dizer isso, muito difícil, mas viramos um país comum com a bola nos pés. No dia em que o cavaleiro solitário não funciona, o fracasso vem naturalmente.

É difícil, mas teremos que nos educar, ao contrário do comportamento do nosso camisa 10, para a derrota. O 7×1 da Alemanha não serviu para isso. O resultado foi tão absurdo que não teve valor pedagógico. Só a derrota se tornando mais rotineira nos servirá de lição de casa. Para mostrar que não somos mais os donos do universo. Muito pelo contrário.

O Brasil ganhou de forma sofrida do Peru; o Brasil levou um baile tático e técnico da Colômbia. Dois velhos “sparings”. O Brasil agora teme até a Venezuela, o próximo adversário. O futebol canarinho voltou a conviver com a velha síndrome de vira-lata, da qual falava o mesmo cronista Nelson Rodrigues. A pátria em chuteiras virou a pátria em franciscanas sandálias da humildade.

Fica aqui, como ponto final, o minuto de silêncio pela morte de Zito, craque do Santos e da canarinho de 1962, morto no derradeiro domingo aos 82 anos de existência.

Zito é um bom exemplo para o Brasil, nessa fase de luto, repensar o seu futebol. Zito tinha três “bês” que nos fazem muita falta hoje em dia: bola, brio e era um bem-aventurado homem de boa vontade.



Leia também:

NEYMAR, 100% FINÓRIO. BEM BRASILEIRINHO !

NUNCA VI JOGADOR APAGAR O SPRAY DA FALTA

O XICO SÁ QUE A FEL-LHA CENSUROU !

domingo, 29 de junho de 2014

"Só terá graça se for somente futebol!"


O time é de guerreiros. Mas quem é o inimigo?

Lágrimas, vaias ao hino rival e discurso sobre honra: a linguagem bélica tornou o futebol um campo de batalha. Por isso foi insuportável assistir à partida

por Matheus Pichonelli — publicado 29/06/2014 10:22, última modificação 29/06/2014 13:00


Carta Capital


Marcello Casal Jr/ Agência Brasil



Reproduzimos um discurso segundo o qual “ninguém vai vir aqui pisar em cima da nossa bandeira”. Por isso vemos jogadores como David Luiz correr para a torcida com os olhos cheios de lágrimas e o antebraço quase esfolado de tanto bater para mostrar que ali corria sangue

Leia também

Que a derrota no Maracanã libere o Uruguai
O Brasil viu a morte de perto. E voltou
Copa 2014: dez jogos para a História
Nossa primeira Copa
Teve Copa. E teve relincho

Não foi porque o Paulinho saiu. Nem porque o Fernandinho entrou. Ou porque o Felipão mexeu mal. Porque o Jô não é jogador para Copa. Porque o Neymar foi anulado. Porque o meio-campo evaporou. Ou porque faltou raça, vontade, aplicação. Os motivos que levaram a seleção brasileira a entrar em pânico na partida contra o Chile, no sábado 28, passaram longe das explicações mágicas para referendar ou desmontar análises táticas ao fim de cada duelo. O pânico, que travou pernas e mentes, tomou a proporção que tomou durante 120 minutos do jogo porque todo mundo, da comissão técnica aos torcedores, pareceu se esquecer de que aquela era uma partida de futebol, e não uma guerra. Uma guerra construída desde a preleção, com a evocação da honra, da nação, do orgulho, do amor, da justiça divina e das lágrimas. O arsenal levou a equipe a entrar em campo com o peso de um país rendido pelo inimigo.

Mas quem era o inimigo?

A depender das reações ao fim da partida, eram todos: o rival que entrou na maldade, o juiz que errou no gol do Hulk, a desconfiança de quem apostou no fiasco, a imprensa que martelou todos os erros de uma equipe que não pode, não deve nem ouse pensar em perder o Mundial da redenção, o único capaz de expurgar nossas chagas expostas desde a Copa de 50.

A construção do inimigo incorporou nas quase linhas de campo mais que uma linguagem: incorporou na equipe o espírito de uma sociedade violenta em sua base. “Vencer”, afinal, é imperativo aos filhos chamados pelos pais de “campões” antes mesmo de sair da fralda. A eles é dito o tempo todo: sejam homens, sejam dignos, passem no vestibular, atropelem os concorrentes, subam no emprego, queimem os rivais, aliem-se aos poderosos, mantenham a guarda, protejam os seus, espalhem alarmes e cercas elétricas, tenham cuidado com o vizinho, com o prefeito, com o padre, com todo mundo que tentar tomar seu dinheiro, sua honra, seu passado, e condenem à morte, pelas leis ou pela pistolagem, todos os que morderem seus calcanhares, a começar pelos vagabundos que vagam pelas ruas.

Assim vivemos em estado permanente de guerra, declarada ou não, que pode ser vencida ou não, mas que não permite o sabor de uma trégua. E morremos um pouco a cada dia, sufocados, pressionados, equilibrando pratos, somatizando chutes na boca e lambendo botas para não chegar em casa com a vergonha de dizer: “fracassei”.

Esse espírito do funcionário-padrão que se acredita guerreiro vitorioso está espalhado por todos os setores da equipe de Luiz Felipe Scolari. Dá para ver no olho dos jogadores perfilados para cantar o hino à capela: as lágrimas, anteriores à partida nem sequer iniciada, parecem o transbordamento não de uma alegria, mas de um ódio contra tudo e contra todos que mal cabe no corpo.

Ódio de quê?

Da projeção de uma ideia de que a seleção não é a manifestação, mas a própria identidade de nação. Antes e depois dos jogos, a confirmação de que o nacionalismo é de fato o último reduto dos idiotas parece claro quando nós (este escriba, inclusive) reproduzimos um discurso segundo o qual “aqui é Brasil, somos os donos dessa Copa e ninguém vai vir aqui pisar em cima da nossa bandeira sem passar em cima dos nossos cadáveres”.

Por isso vemos jogadores como David Luiz, ótimo zagueiro da seleção, correr para a torcida com os olhos cheios de lágrimas e o antebraço quase esfolado de tanto bater com a palma da mão para mostrar que ali corria sangue. Porque nada menos do que a salvaguarda dessa ideia esperamos dos guerreiros, digo, jogadores da seleção.

Sobrou para os chilenos, adversários dignos e vizinhos respeitáveis que durante 120 minutos foram nomeados inimigos maior da pátria e sofreram a descortesia de ouvir as vaias dos anfitriões durante a execução de seu hino. Naquele momento estava claro que o Brasil havia levado a sério demais a ideia de que nós (nós: eu, você, a seleção, o vizinho, o dono da padaria e até o dono do jornal que você detesta) somos um time de guerreiros, que não desiste nunca, que não se dobra jamais e blábláblá. Por isso foi insuportável assistir à partida. Porque vimos em campo soldados, e não jogadores de futebol, os artistas capazes de arrancar a graça em um jogo calculado por meio do drible, do improviso, da surpresa, da leveza e da amplitude. É quando o futebol deixa de ser uma concessão pra sorrir para se tornar uma batalha, triste como a mais ordinária das rotinas, em que só vence quem mata mais e morre menos.

Ao fim do jogo, ainda confuso entre alívio, alegria e certa tristeza, assisti à exaustão a entrevista do goleiro Júlio César, heroi da partida com dois pênaltis defendidos. Fosse uma guerra, seria laureado com medalhas de honra, palmas e aplausos, sem perceber que na próxima sexta-feira será empurrado novamente para o front, de novo na linha de frente, e que condecoração alguma o salvará da saraivada de tiros em caso de fracasso. Por isso, ao ouvi-lo falar de orgulho, honra e reconquista, senti apenas pena. Pena pelos quatro anos em que viveu como um apátrida por ter falhado nos gols contra a Holanda, na já distante Copa de 2010. Aquelas lágrimas não pareciam ser de alegria, como afirmou, mas de um ódio por tudo o que ouviu e pensou em ouvir em caso de novo fracasso: de todos os que colocariam às suas costas o projeto do que poderíamos ter sido e não fomos. Senti pena como sinto pena dos soldados, condecorados ou não, vitoriosos ou não, que colocam a valentia em teste e perdem sua vida por uma causa: a honra, o orgulho, a bandeira, a glória, a nação. É em nome desses termos, tão abstratos como o vento, que os homens vão à luta não para espalhar a liberdade, como prometeram a eles, mas para morrer.

Assim começam e terminam todas as guerras, concluí ao fim da entrevista do goleiro. Nenhum general motiva o soldado a morrer falando em barbárie, em terror, em destruição. Convence o sujeito a morrer falando sobre valores: a maldita honra, o maldito orgulho, a maldita bandeira, a maldita glória e a maldita nação (e a maldita evocação a Deus, claro, pai de todos sem distinção mas que escolhe quem mata e quem morre conforme a amplitude da reza).

Se em uma guerra não há vencedores, o Brasil não venceu a partida contra o Chile nem contra Camarões nem contra a Croácia e nem contra o México na Copa das Confederações, quando descobrimos um novo grito de guerra ao cantar o hino à capela. Perdemos todos. Perdemos no instante em que transformamos a partida em uma questão de honra e absorvemos no campo a linguagem de uma sociedade já suficientemente violenta e injusta e, em vez de alegrias e amplitudes, falamos em honra, orgulho, bandeira, glória e nação. Em nome de tudo isso matamos Júlio César por mais de quatro anos, e só agora damos a ele o direito de falar com a cabeça erguida diante da câmera – um direito negado a Barbosa, que não teve outra chance em 54.

Ao fim da entrevista, pensei em telefonar ao goleiro da seleção brasileira, de quem não tenho o telefone, e dizer: meu amigo, só Deus (e meus pacientes vizinhos) sabe o quanto vibrei ao ver suas muitas defesas contra o Chile. Mas de minha parte pode ficar tranquilo: você não me devia nada. Você, ao que tudo leva a crer, é um grande sujeito, com ou sem milagres redentores em campo, e não merece ser sacrificado em meu nome nem em nome de ninguém (as falhas em 2010 nem foram tão falhas assim). Essa guerra da Copa, como todas as guerras, é só uma velha ficção: por ela inventa-se um inimigo para unir uma nação em nome de muito pouco ou quase nada. Ficaremos felizes e guardaremos para sempre a lembranças da Copa se tudo der certo. Mas ainda assim será só futebol, e só terá graça se for só futebol. Quando vira guerra vira outra coisa. Vira trauma, vira pânico, vira tristeza. Mesmo quando levamos a taça, somos apenas a expressão daquela gente honesta, boa e comovida da música de Belchior. Aquela gente que caminha para a morte pensando em vencer no campo e na vida.


_________________

Contribuição do baitasar










quinta-feira, 12 de junho de 2014

A Copa vai começar


Copa: Os protestos legítimos e a farsa dos oportunistas



Terra Magazine






POR BOB FERNANDES

A FIFA queria 8 sedes. São 12 por que 18 estados e suas populações queriam sediar a Copa.

Agnelo Queiroz, do PT, fez estádio de R$ 1 bilhão e 700 em Brasília. O Maracanã, de Sergio Cabral e PMDB, custou R$ 1 bilhão e 200.

Minas, governada por Aécio e Anastasia, do PSDB, fez o Mineirão de R$ 700 milhões. O Pernambuco de Eduardo Campos (PSB) ergueu estádio de R$ 650 milhões.

A Copa vai começar. Com protestos legítimos, justos. E também com a farsa de oportunistas e hipócritas.

Quem nada ou quase nada tem, está fora dos estádios. E doido para estar dentro.

Como quer estar dentro das melhores escolas, universidades, ter melhor serviço de saúde, melhor segurança.

Quem está fora quer o que têm os que, já dentro dos estádios, fazem de conta que gostariam de estar fora da Copa.

Milhões querem um Brasil melhor. Outros dizem querer; desde que a "PEC das Domésticas" não eleve o gasto com seus empregados.

Querem… desde que cotas não "roubem" vagas dos seus filhos. E que o Bolsa-Família não "torre" R$ 70 por pessoa para famílias que vivem com menos de R$ 140.

É obrigação cobrar legados e denunciar: Copa e Olimpíada desabrigaram milhares de famílias.

Como é obrigação lembrar: 10% dos mais ricos concentram 42% da renda do país… E escondem US$ 520 bilhões em paraísos fiscais.

A propósito de legados: o Brasil ainda é um dos 10 países mais desiguais do mundo.

Há um discurso destrutivo…escondido pelo biombo da cobrança de legado. Como se a miséria secular fosse fruto de… geração espontânea.

Só falta querer negar também o futebol e sua alegria a quem nada tem.

Como se o futebol e a seleção brasileira não fossem parte nuclear da cultura, da memória afetiva do Brasil.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Seleção Inglesa esqueceu um jogador no hotel... que babaquice!


Não imagine na Copa, porque ela é uma realidade


9 de junho de 2014 | 14:11 Autor: Fernando Brito




Tomei um avião, hoje de manhã, do Rio para Brasilia.

Duas cidades-sede da Copa.

Tranquilidade completa.

O avião era da Azul, destes que tem TV a bordo.

Assisti, portanto, o esforço da Globo em tentar mostrar algum problema na estrutura de recepção aos estrangeiros.

Nada, a não ser a greve do metrô de São Paulo, que espantou uma turista canadense.

Mas que rapidamente ficou satisfeitíssima com uma senhora, brasileira, que lhe ofereceu carona.

Durante anos você ouviu o “imagina na Copa” para figurar o desastre que seria o desempenho do Brasil como anfitrião.

Conversa fiada.

Claro que pode ocorrer um problema aqui, outro ali, um assalto, coisas que se passam em qualquer parte do mundo.

Nosso país sofreu, por parte de uma mídia e uma elitezinha subdesenvolvida mentalmente, uma campanha indescritível de desmoralização.

A história dos gastos públicos é igual.

Recomendo a leitura do post de Rodrigo Vianna, onde um colunista esportivo dizia que não se justificava combater a ideia de uma Copa no Brasil com “o velho argumento de que é melhor construir escolas e hospitais é falso”.

Dizia isso, claro, nos anos 80.

A melhor história do dia, para mim, é a da “desorganização padrão Fifa” da Seleção Inglesa, que esqueceu um jogador no hotel.

E a melhor imagem é a da torcedora holandesa, feliz da vida diante de sua barraca do “acampotel” montado para torcedores de seu país num clube de funcionários da Eletropaulo, perto da Represa de Guarapiranga, uma tradição da torcida laranja.

Barracas de plástico e camas de pinho!

Imagina na Copa!

Depois reclamam do Lula ter falado em babaquice…

domingo, 27 de abril de 2014

Ayrton entre o garoto e o profissional

GP da Vaidade no Roda Viva


Há 28 anos, Senna ainda era um garoto, e Galvão Bueno já se encantava com sua própria pessoa. 

por Nirlando Beirão — publicado 27/04/2014 11:14






Ayrton, aos 26 anos, no Roda Viva: entre o prazer e o perigo


Aos 26 anos de idade, Ayrton Senna era um ser humano. Mas Galvão Bueno já tinha deixado de ser. Homenagem ao piloto, morto há duas décadas em Imola, na Itália, a reedição do Roda Viva de 15 de dezembro de 1986 derrubou certas versões e reiterou outras. O tempo é um revisor implacável.

Foi comovente rever, 28 anos atrás, um Ayrton descontraído, conduzido por uma sinceridade jovial e por uma espontaneidade carregada de simpatia – aquele combustível de humanidade que iria turbinar o mito para além da tragédia. Em 1986, ele ainda não chegara ao título mundial, mas já pisara no pódio dos campeões por quatro vezes. Na entrevista, Ayrton alterna-se entre o garoto para quem pilotar é uma vocação brincalhona e o profissional que já sentia na pele o calor da competição e do perigo. Sempre risonho – muito diferente daquele Senna que viria depois, sujeito emburrado e terrivelmente ranzinza.

Observar a bancada dos entrevistadores do Roda Viva de 1986 foi também altamente pedagógico. Galvão Bueno já era integralmente o que é, incapaz de ouvir o que dizem a seu redor, o tagarela encantado com suas próprias palavras – e ali, desesperado em demonstrar uma suposta intimidade com o ídolo. É bom que a Cultura embarque mais assiduamente na maré das reedições.
Decididamente, antes de virar um horário de programa político (às segundas, às 22 horas), o Roda Viva teve momentos melhores.

______________________








sábado, 11 de agosto de 2012

Esquiva, o Boxe, o Brasil e Londres 2012

Os irmãos Falcão

o brasileiro entrará para a história como o primeiro boxeador brasileiro a disputar uma final olímpica




... o coração fugindo do peito...

Voleibol feminino - final olímpica!

Brasil x USA

Escolha seu canal e torça pelas brasileiras do voleibol: Record, Record News, SportTV

Hoje: 14h15



Ou acompanhe aqui!

o futebol nem é tão importante... mas o futebol olímpico...

Brasil x México - final olímpica (hoje às 11h)

Escolha o seu canal: Record, Record News, Sport TV e participe desta história com a sua torcida!



Ou assista aqui!

o voleibol nem é tão importante... mas os personagens!

Brasil x Itália - semifinal olímpica

... acreditar o tempo inteiro e fazer a diferença!






depois vem a final olímpica!
Confira amanhã...


domingo, 5 de agosto de 2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O Futebol e os seus Personagens: Corinthians


Seleção Brasileira tem dois anos para se tornar um Corinthians

Posted by eduguim on 05/07/12 • Blog da Cidadania




É um alento que o futebol brasileiro tenha obtido conquista tão importante com a campanha brilhante que fez o Corinthians na Copa Libertadores da América logo após a notícia de que quase às vésperas da Copa do Mundo de 2014 caímos para a 11ª posição no ranking da Fifa – a pior posição que já tivemos.

Confesso que não tenho credenciais ou mesmo conhecimento sobre futebol que me bastem para fazer uma análise ao menos razoável sobre qualquer jogo, quanto mais sobre um campeonato, mas, pelo pouco que entendo, acredito que seja pouco polêmico afirmar que o que o novo campeão da Libertadores fez é a receita para qualquer equipe em qualquer competição.

Antes de prosseguir, penso ser importante declarar que não apenas não sou torcedor do Corinthians como tampouco torço para qualquer time. Isso se deve à simples razão de que eu e o futebol nos divorciamos há mais de uma década, quando decidi que a relação do brasileiro com esse esporte não é saudável e, em protesto, deixei de acompanhá-lo – menos durante a Copa, claro.

Voltando ao assunto, a razão pela qual imagino – e só imagino – que o desempenho do Corinthians nessa última edição da Libertadores foi exemplar e deveria servir de modelo para o que precisa ser feito com a Seleção é a de que a equipe parece ter feito tudo o que deveria.

O Campeão da Libertadores deste ano terminou sua campanha invicto graças a um futebol convincente e eficiente, a um trabalho de equipe magnífico e, o que é melhor, sem estrelas e com muito companheirismo. Razão pela qual até os anticorintianos parecem reconhecer isso, por mais a contragosto que possa ser.

A seriedade, a maturidade, a frieza, a humildade, a técnica, a eficiência, a garra, a inteligência, o companheirismo e, por que não?, o oportunismo do futebol corintiano parecem se dever não só aos próprios jogadores mas até à própria torcida, o que explica essa que é das maiores vitórias do futebol brasileiro. E não haverá quem a conteste.

Tudo ao contrário do que acontece no futebol da Seleção Brasileira sob um técnico que só tem colhido fracassos, que arrastou o futebol do país para o baixo nível em que está, nível que o ranking da Fifa meramente confirma.

Chega a parecer que, ao manter o atual comando da Seleção, a CBF quer que o Brasil faça um papelão jogando uma Copa do Mundo em casa…

Mas deixemos isso para lá. Vamos comemorar essa que é uma vitória do futebol brasileiro em um momento em que vitórias se fazem necessárias. Até porque, por mais que digam que estou obcecado – e também para não dizerem que não falei de flores –, tive a impressão de que o PIG torceu contra o Corinthians até o último minuto.

Será?!

domingo, 17 de junho de 2012

o futebol nem é tão importante, mas os personagens...

Santos X Benfica

Pelé e Coutinho
Mundial Interclubes / 1962

1º Jogo - Maracanã - Santos 3 X 2 Benfica




2º Jogo - Lisboa - Benfica 2 X 5 Santos



O maior ataque do Brasil de todos os tempos!

Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Futebol e Sociedade


Brasil e Argentina, relações


Escrevinhador


Por Felipe Carrilho

Quando as seleções de Brasil e Argentina duelam, parte do imaginário dos países também entra em campo. O clássico desperta sentimentos contraditórios.

Para além da rivalidade estimulada pelos meios de comunicação, que às vezes resvala no ódio, existe uma admiração discreta e mútua. É verdade que a nossa mídia conduz essa relação de maneira mais irresponsável do que a dos hermanos. Comerciais de refrigerante ou cerveja, por exemplo, reduzem a disputa à caricatura. Mas, no íntimo, cada brasileiro reconhece o valor da escola de futebol adversária.

Reconhece e teme. Esse respeito sem dúvida se deve aos feitos da seleção e dos clubes argentinos. E também a outros fatores. Admiramos e invejamos a cultura letrada fortemente arraigada no seu povo. As feições “europeias” de Buenos Aires e seus cidadãos conscientes dessa sua condição causam impacto nos turistas brasileiros. Talvez em reação a essas características, a Argentina tenha produzido no futebol um herói anárquico como Maradona.

Reconhecemos também os méritos da maneira de torcer dos argentinos. O modo dramático como se entregam à paixão futebolística comove os brasileiros. Não é à toa que parte das nossas torcidas organizadas imita os cantos e as coreografias dos nossos vizinhos. Recentemente, tem crescido o número de brasileiros que dizem se identificar mais com a seleção alviceleste do que com a nossa.

Do outro lado da fronteira, os hermanos não se preocupam tanto em camuflar esses sentimentos. “Jogo bonito” é como se referem ao nosso modo de atuar, baseado em troca de passes envolventes e dribles inesperados. Eles também demonstram uma maior intimidade com outros produtos da nossa cultura popular, como a música.

Talvez o lado mais nefasto da rivalidade, o racismo, guarde em suas profundezas um recalque. “Macaquito”, além de representar um xingamento intolerável, revela o trauma de pertencer a uma nação que não quis se debruçar sobre a possibilidade de uma composição social plural do ponto de vista étnico.

O futebol mulato, o futebol malandro, apregoado por Gilberto Freyre, foi disseminado durante décadas e se tornou um traço central da nossa identidade futebolística. Quando a Seleção apresenta em campo seus jogadores de constituições físicas mais variadas, se não desfila a democracia racial de chuteiras, ao menos mostra que os negros puderam se destacar na sociedade brasileira, mesmo que a duras penas e em poucos setores. Possivelmente por causa disso tenhamos produzido um ícone tão institucional como o Rei Pelé.

Sobre a partida de sábado, a Seleção Brasileira, formada basicamente por jovens em idade olímpica, atuou muito bem contra a Argentina. Pelo menos o seu ataque. Neymar não foi brilhante, mas não se pode dizer que jogou mal. Oscar mostrou que tem futebol e estrutura emocional para suportar o peso simbólico da camisa amarela.

De nada adiantou impor certo domínio no jogo diante de uma Argentina que tinha Messi em campo. O camisa 10 acabou com a partida, fez três golaços. Não existe hoje algo mais inadequado na imprensa esportiva brasileira do que comparar Neymar a Messi. A lição já deveria ter sido aprendida em dezembro do ano passado, quando o Santos levou um baile de bola do Barcelona. Mas não foi.

Messi então tratou de reiterar. Além da diferença de idade, de experiência, salta aos olhos a de estilo. Messi está no auge do seu futebol, desenvolveu um modo de jogar que está muito claro e polido. Para forçar a comparação com a música e ao mesmo tempo fugir do chavão samba versus tango, Messi jogando é como João Gilberto cantando ao violão, jamais desafina ou trasteja.

Mostra uma concepção de jogo plenamente realizada e precisa. Seus dribles quase nunca são mal-executados eu exigem um improviso reparador. Mesmo quando inventa, parece ter ensaiado antes. O segundo gol que Messi marcou ilustra bem isso. Ele não precisou balançar o corpo para um lado e sair para o outro, como é característico no nosso futebol. Messi deu um toque para a esquerda com força e ângulo tais que o goleiro não poderia jamais alcançá-lo. E ainda finalizou pelo alto para que nenhum zagueiro conseguisse interceptar a bola de carrinho.

Neymar é um ótimo jogador. Ensaia para se tornar um Baden Powell dos campos. É um virtuose da melhor tradição de nossos dribladores e também impressiona por sua competência na finalização. Mas quando se depara com Messi, mostra que falta muito para se tornar um craque.

É possível que as comparações com o fenômeno argentino tenham inibido Neymar. Além de impertinentes, são enfadonhas. O maior clássico sul-americano e seus craques são assunto mais interessante do que o discurso jornalístico muitas vezes deixa perceber.

Felipe Dias Carrilho é historiador e autor do livro “Futebol, uma janela para o Brasil – As relações entre o futebol e a sociedade brasileira”

Leia outros textos de Felipe Dias Carrilho

Leia outros textos de Jogo de Classe

domingo, 15 de abril de 2012

o futebol nem é tão importante, mas os personagens são obras da imaginação humana


Morre, aos 71 anos, o comentarista esportivo Cláudio Cabral

Jornalista, que atuava na Rádio Bandeirantes desde 1995, teve parada cardíaca na madrugada deste sábado

Zero Hora


Comentarista participava do Sala de RedaçãoFoto: Fernando Gomes / Agencia RBS


Um dos mais respeitados comentaristas esportivos do Estado, Cláudio Cabral morreu na madrugada deste sábado aos 71 anos. Filho do cronista esportivo Cid Pinheiro Cabral, trabalhou da Agência France Press e nas rádios Guaíba e Gaúcha — como integrante do Sala de Redação nas décadas de 1980 e 1990. Atualmente, trabalhava como comentarista da Rádio Bandeirantes, onde atuava desde 1995.

Também foi dirigente do Sport Club Internacional no início da década de 1970. Durante o período em que esteve envolvido com o clube, foi membro do movimento conhecido como Os Mandarins no final da década de 1960 e 1970. De acordo com o Conselheiro do Sport Club Internacional Décio Hartmann, os mandarins formavam um grupo de dirigentes que detinha o poder do futebol do clube na época. Entre os integrantes, também estariam Ibsen Pinheiro, Hugo Amorim, Paulo Portanova, Afonso Matias Velho, entre outros.

Nas primeiras horas de sábado, Cabral deu entrada no Instituto de Cardiologia de Porto Alegre, onde acabou sofrendo uma parada cardíaca. O velório ocorre na capela B do Cemitério São Miguel e Almas, em Porto Alegre. O sepultamento está marcado para as 17h30min.

Cláudio José Quintana Cabral nasceu em 30 de setembro de 1940 em Porto Alegre e deixa três filhos do primeiro casamento com Soeni — Claudine, André e Rafael —, a mulher Sônia e a enteada Valéria. Cabral tinha também quatro netos: João Pedro, Ana Carolina, Theo e Eduarda.

Wianey Carlet, colunista de Zero Hora, comentarista e apresentador da Rádio Gaúcha, lamenta a perda do colega com quem dividiu estúdio no Sala de Redação:

— Dono de uma ironia fina, Cláudio era um dos jornalistas que mais entendia de futebol. Ele dominava o assunto: do futebol de campo aos gabinetes.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O futebol nem é tão importante, mas os personagens: "O Inter e seus grandes times moram em mim"

Amor



Escrevi este texto para o Impedimento quando o Inter completou 100 anos. Hoje, quando o Inter faz 103, ele foi citado. Fiquei feliz. Muito.
.oOo.
Quando eu era criança, costumava fechar a porta do meu quarto para narrar futebol em voz alta com maior liberdade. Minha irmã me enchia o saco, dizendo para eu parar de inventar aquilo. Narrava jogos espetaculares onde o Inter vingava-se de todas as humilhações que o Grêmio nos submetia naqueles anos 60. Era uma vida interior movimentada, que fazia minha garganta doer pelo esforço de gritar tantos gols. Também sonhava com jogos, escrevia escalações, contratava jogadores inatingíveis – muitas vezes era um deles – e fazia cálculos, anotando num caderno vermelho todos os jogos dos campeonatos que o Inter participava. Era uma coisa meio demente, ainda mais num tempo em que o Campeonato Gaúcho valia alguma coisa e em que o Grêmio havia vencido 12 dos últimos 13. Era uma tragédia ter 11 anos naquele 1968 que terminaria com o AI-5. Mas tinha certeza que os anos me fariam melhorar. Minha mãe também.
É, mas não mudou muito. É um grave defeito de fabricação. Vocês não me pegarão mais aos berros no meu quarto – ainda mais se estiver acompanhado -, mas minha vida interior, quando não estou submetido a estresse, inclui aquele momento em que passo a pensar na próximo jogo, na próxima escalação e, ainda, nas próximas jogadas. Entro no elevador e de repente vejo D`Alessandro pisando na bola, retardando o ataque… Aquilo me irrita e já saio do elevador preocupado. No dia seguinte, acordo e de cara levantam uma bola em nossa área. Sandro salva e partimos para um contra-ataque com Taison e Nilmar: gol certo enquanto escovo os dentes.
Acho que há pessoas que pensam em dinheiro e mulheres o tempo inteiro – eu até perco muito tempo também nisso -, mas a vida interior do torcedor de futebol é um pouco diferente. Claro que todo este interesse está associado a um clube que amamos e que, por definição, é mais importante do que todos os outros. E quando este clube tem um inimigo, este será o mais odioso e horrendo – e sifilítico e purulento e idiota e filha da puta e a nossa cara. Sim, acabo de descrever sucintamente o Grêmio.
E então este clube faz cem anos, contingência inevitável para quem, mesmo endividado, não morre, e a gente fica todo bobo, achando que o dia 4 de abril nos oferecerá vales onde correm o leite e o mel, com 11.000 virgens amorosas vertendo Bailey`s das tetas. Confesso que balancei quando meu sobrinho me convidou para ir ao jantar do centenário, mas recuei ao saber que custava R$ 200,00. Também não me entusiasmei pelos tais fogos – quase sempre fecho minhas noites de sextas-feiras em cinemas -, mas achei legal a coisa da caminhada até o Beira-rio no sábado, a tal Marcha do Centenário.
Fiquei indignado quando um pessoal aí, os quais são indiscutivelmente os maiores representantes das torcidas gaúchas (preciso indicar a ironia?), convidaram o prefeito gremista para a caminhada e ameaçaram até com a Yeda. Céus, que gente mais sem noção! Para que misturar a mais simples das comemorações – a procissão de colorados do incerto local onde o clube foi fundado até o Beira-Rio – com mais uma tentativa desesperada de manter a troca de favores com o poder? E eles seriam retaliados, vaiados, precisariam de seguranças. Nosso momento cívico ficaria uma merda.
Sim, eu disse cívico, pois colorado é o que sou. Se habito fisicamente a Rua Gaurama, tenho uma segunda vida com endereço aqui; se tenho um telefone, também tenho e-mail; se sou Suda de modo geral, sou especificamente brasileiro; se tenho o futebol em minha vida interior – assim como tenho a Gaurama, o blog, o número do telefone, o endereço de e-mail, a Suda e o Brasil – esta se foca repetida e especificamente para o Inter. O Inter e seus grandes times moram em mim, completam um século neste sábado e é fato dos mais dignos de celebração que eu possa imaginar, mesmo que tenha achado todos os outros centenários (principalmente aquele) manifestações ridículas e sentimentalóides, sem intersecção com nosso centenário. Não tinha pensado nisso, mas devo me comover na caminhada. Afinal, ninguém consegue ser crítico de si mesmo e o Inter, sei, sou eu.

Milton Ribeiro

terça-feira, 27 de março de 2012

Futebol tribal virou canibal


José Roberto Torero: Proibir ou não, eis a não questão

Viomundo


Não adianta proibir uma torcida de assistir aos jogos. Pois basta que os mesmos sujeitos entrem com camisas brancas e pronto, a proibição está contornada. A questão é mais complicada, e tem ressalvas, confissões, críticas, soluções, avisos e enfins.

por José Roberto Torero, em Carta Maior

Na primeira versão deste texto, o título era “Proibir ou não, eis a questão”. E obviamente a proibição seria em relação às torcidas organizadas. Mas pensei, escrevi, repensei, reescrevi e cheguei a este novo título, pois acho que a proibição é uma falsa questão.

Não adianta proibir uma torcida de assistir aos jogos. Pois basta que os mesmos sujeitos entrem com camisas brancas e pronto, a proibição está contornada.

A questão é mais complicada, e tem ressalvas, confissões, críticas, soluções, avisos e enfins. Vamos às ressalvas:

Ressalvas

Nunca fui de nenhuma torcida organizada, mas imagino que deve ser muito divertido você se juntar a outros torcedores e ver jogos do seu time. Dá a alegre sensação de pertencer a um grupo. Você canta, pula torce, tem eco nas alegrias e consolo nas derrotas.

E as organizadas não são organizações criminosas (o que não quer dizer que não haja criminosos por lá). Certa vez dei uma palestra na Gaviões (nenhuma outra torcida me convidou) e conheci vários dirigentes inteligentes e bem intencionados.

Também não se pode esquecer que a violência, principalmente na adolescência, é algo comum, de forma nenhuma exclusiva de torcedores de futebol. Basta ver as brigas nas escolas hoje em dia. Ou usar a memória e lembrar dos seus tempos de antanho. Eu, pelo menos, dei e levei alguns socos na adolescência.

A última ressalva é que não me parece certo proibir a associação de pessoas. Há um certo ar de ditadura em dizer que as pessoas não podem ficar juntas, seja para fazer política, cantar ou ver futebol.

Confissões

No início da minha carreira de colunista esportivo fiz um texto chamado “Torcedores, uni-vos”, uma espécie de manifesto torcedorista, que colocava o torcedor organizado como um potencial fator de mudança no futebol.

Eu realmente acreditava nisso. Mas, catorze anos depois, já não tenho a mesma opinião.

Pouquíssimas vezes as organizadas trouxeram avanço ao futebol. Em muitos casos elas foram usadas pelas diretorias dos clubes, vendendo seu apoio por ingressos grátis, dinheiro para churrasco, etc… E muitas vezes seguiram líderes tolos, mais interessados na projeção individual do que no clube.

Também pensei que as torcidas organizadas poderiam transbordar da vida boleira e ganhar uma cara mais política. Imagine, por exemplo, o que uma associação de organizadas não poderia fazer?

Mas esse transbordamento não ocorreu. Só conseguiram fazer isso com eficiência com relação ao carnaval. E tem sido uma experiência lamentável, vide os fatos acontecidos na última apuração.

Aliás, uma das coisas mais tristes do carnaval paulista é ver os integrantes da Gaviões em silêncio durante o desfile das outras escolas de samba.

Críticas

Além da violência contra torcedores de outros clubes, as organizadas também dificultam a vida dos torcedores do seu clube. Por conta do perigo iminente, pais pensam duas vezes antes de levar seus filhos ao campo. Não é apenas pela diminuição do número de lugares que os estádios têm médias de público menores do que antigamente. É também pela fuga do torcedor comum.

Mesmo que não haja briga, a torcida organizada é chata com o torcedor normal. Se você está sentado por perto, eles exigem que você torça como eles, que fique de pé como eles, que cante como eles. Esta ditadura da maioria não é nada agradável. Ela é burra, preconceituosa, fundamentalista.

As organizadas chegam ao cúmulo de oprimir e reprimir outras organizadas de seu próprio clube. Por exemplo, houve a tentativa de alguns torcedores do Santos de fazer uma torcida do tipo argentino, usando o mesmo tipo de faixas, músicas etc… Pois esta pequena torcida apanhou de uma grande torcida (também santista) só porque torcia de um jeito diferente. E, obviamente, os inchas santistas acabaram.

Soluções

Prender um cara porque brigou me parece pouco inteligente. Ele só vai se tornar um sujeito ainda pior. Mas, por outro lado, há que se cumprir a lei. Hoje há 27 sujeitos proibidos de assistir a jogos no estado de São Paulo. Só que não há nenhum controle sobre eles.

Uma saída é fazer como na Inglaterra, onde os torcedores banidos do estádio têm que ficar na delegacia durante os jogos. E, se o cara não aparecer, aí sim, cadeia nele.

É claro que a polícia vai usar a desculpa das delegacias cheias, etc… Mas há tantos policiais destacados para os jogos que este argumento me parece absurdo. É claro que é interessante usar alguns destes policiais para afastar justamente os tipos mais perigosos.

A punição é necessária. Tanto a torcedores violentos como em presidentes de clubes ou de federações. Mas o Brasil ainda é o país da impunidade, seja de Ricardo Teixeira, seja do sujeito que matou o palmeirense na Inajar de Souza neste domingo.

Boa parte da solução é mesmo policial. Há que se vigiar os sujeitos, as redes sociais, e afastar os torcedores violentos. Mas não há um trabalho sistemático em relação a isso. Não há uma inteligência policial atuante. Não há escutas telefônicas e rastreamento das relações pessoais dos principais terroristas do futebol.

Outra solução, ainda que parcial, é deixar os clássicos com apenas uma torcida. Sempre fui contra isso, pois acho a segregação uma derrota da sociedade, do poder da convivência. Mas me rendo. Às vezes há que aceitar uma derrota para não sofrer outras maiores.

Aviso

A batalha deste domingo foi uma vingança em relação à morte do corintiano Douglas Karim Silva, em agosto de 2011. Pois a morte de André Lezo também deve gerar vingança. Segundo apurou o jornal Lance!, a briga pode acontecer na via Dutra.

Creio que, em relação aos torcedores, há um sentimento de “Deixem que esses imbecis se matem uns aos outros”.

Mas a graça da sociedade é que ela cuida mesmo dos mais imbecis.

A polícia tem que mostrar eficiência e evitar novas lutas, novas mortes. É hora de estar um passo à frente dos imbecis, o que não deve ser difícil.

Considerações finais

Num vídeo disponível na internet, André Lezo, o torcedor que morreu neste domingo, fala que a Mancha e o Palmeiras eram sua vida. Isso é triste por várias razões:

Primeiro, pelo infeliz trocadilho, pois André não teve vida, mas morte, por conta de Palmeiras e Mancha.

Em segundo lugar, porque há uma certa desesperança em alguém dizer que o futebol é a coisa mais importante de sua vida. É muita falta de expectativa. É sinal de uma vida sem sentido.

Acredito que este crescimento da importância do futebol tem duas causas. A primeira é a queda do nível da educação nacional, que começou em meados dos anos sessenta, durante a ditadura militar. No longo prazo, essa educação falha fez com que valores fossem substituídos, que a cultura ficasse em segundo plano, que a participação na sociedade fosse evitada, etc…

Por outro lado, algumas forças sociais, como partidos políticos, comunidades eclesiais de base, sociedades amigos de bairro e sindicatos perderam seu poder de atração. Sem a ditadura como inimigo óbvio, elas não conseguiram criar novos desejos, novas causas.

As pessoas querem agir, querem fazer parte. E, sem muita concorrência, o futebol acabou canalizando boa parte desde desejo.

O que é uma pena, porque o futebol não tem importância nenhuma.

José Roberto Torero é formado em Letras e Jornalismo pela USP, publicou 24 livros, entre eles O Chalaça (Prêmio Jabuti e Livro do ano em 1995), Pequenos Amores (Prêmio Jabuti 2004) e, mais recentemente, O Evangelho de Barrabás. É colunista de futebol na Folha de S.Paulo desde 1998.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Copa fifa: beira-rio


Tarso diz que presidente da AG apresentará garantias para Beira-Rio

Da Redação do SUL 21
A assessoria de imprensa do Palácio Piratini divulgou nesta sexta-feira (2) um vídeo onde o governador gaúcho Tarso Genro garante ter conversado por telefone com o presidente do Conselho de Administração da Andrade Gutierrez, Sérgio Andrade. Na conversa, o executivo teria assegurado que a construtora não abandonará a reforma do estádio Beira-Rio e que apresentará garantias para que o Banrisul aprove o financiamento junto ao BNDES, necessário para a retomada da obra parada desde junho de 2011.
“Às 11h o presidente da Andrade Gutierrez me ligou dizendo que a empresa continua na relação pré-contratual, que o estádio vai ficar pronto no momento necessário para que a Copa seja realizada (em Porto Alegre) e que as garantias formais serão apresentadas ao Banrisul”, anunciou Tarso.
O próximo passo, segundo Tarso, deve ser um encontro da presidência da AG com o Banrisul, o que pode ocorrer ainda nessa sexta-feira (2). O encontro teria sido orientado pelo próprio Tarso Genro, que já passou a Túlio Zamin as diretrizes a serem adotadas na negociação. “Várias possibilidades estão se encaminhando, e vamos trabalhar todos juntos para que tenhamos um final positivo”, concluiu o governador gaúcho.
Assista o vídeo abaixo:

domingo, 4 de dezembro de 2011

"Sócrates, grande, impagável companheiro..."


Mino e Sócrates:
mais único do que é raro


Conversa Afiada




Aos leitores de CartaCapital, a começar por este que escreve, Sócrates ministrou aulas da arte praticada como coube a poucos, e antes disso, de vida. Foto: Jorge Duran/AFP


O Conversa Afiada reproduz artigo de Mino Carta:


Sócrates, mais único do que é raro


Sócrates, grande, impagável companheiro, mais único do que é raro.

Enquanto escrevo, tomo um copo de vinho, ele gostaria de saber, faz tempo escasso, um ou dois meses antes de morrer, tomamos juntos de uma garrafa aberta pela jovem apaixonada mulher, intrépida ao lado dele até o fim.

Vinham em Sócrates, na frente, antes de mais nada, o homem e o cidadão, o ser consciente até a medula, incapaz de evitar as implicações mais profundas da vida, inclusive as imponentes responsabilidades de figura pública. Era sua essência política, no sentido mais abrangente, mais completo. Mais vívido e vivido.

A excepcionalidade do talento no trato da redonda, na visão do jogo, na técnica e na tática, como diria Mario Morais, não se discutem, assumem, porém, uma dimensão além de rara, única, insisto na ideia, porque precedidas pela visão ampla, de longo alcance, da própria existência.

O doutor era também professor, e aos leitores de CartaCapital, a começar por este que escreve, ministrou aulas por muitos anos a fio da arte praticada como coube a poucos, e antes disso, de vida.

Sócrates já me faz falta imensa, e faz a todos nós.

Adeus, ao craque da bola e da democracia corinthiana (seja lá o que signifique no mundo da bola)


Ex-jogador Sócrates morre em São Paulo

Internado desde a última quinta-feira, Sócrates não resistiu e faleceu na madrugada deste domingo | Foto: Google Images
Da Redação do SUL 21
O ex-jogador Sócrates, 57 anos, morreu na madrugada deste domingo (4), em São Paulo. O Hospital Israelita Albert Einstein confirmou a notícia por intermédio de boletim médico emitido às 5h30 (de Brasília).
Conforme o boletim, o ex-jogador morreu às 4h30 em razão de um choque séptico, ou seja, uma infecção generalizada causada por bactéria. Internado desde a última quinta-feira, Sócrates não resistiu a terceira internação em cerca de quatro meses. Desta vez Sócrates foi internado com um quadro de infecção intestinal e foi submetido submetido a um tratamento dialítico (remoção de substâncias prejudiciais dos rins para limpar o organismo). Nas duas anteriores por hemorragia digestiva decorrente do consumo prolongado de álcool.
Natural de Belém, no Pará, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira era casado com Kátia e teve seis filhos. Detalhes a respeito do enterro de Sócrates ainda não foram divulgados. A família do ex-jogador também não se pronunciou.
Durante a primeira internação, em agosto deste ano, o ex-atleta ficou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital por nove dias. Chegou a ser submetido a uma cirurgia que teve sucesso, permitindo a recuperação.
No dia 5 de setembro voltou a ser internado devido a uma crise de cirrose hepática que incluiu um sangramento no esôfago. Permaneceu no hospital por 17 dias, e recebeu alta para continuar o tratamento em casa.
Neste sábado, Sócrates recebeu visitas de irmãos, filhos e esposa, que permaneceram dentro do local com o ex-corintiano ao longo do dia. Além deles, compareceram os jornalistas Juca Kfouri e José Trajano, amigos íntimos do ex-atleta, além do também ex-jogador Paulo Cézar Caju. Alguns conhecidos creditaram o mal-estar do ex-meia a refeições recentes, mas a informação não foi confirmada pelos médicos.
Considerado um dos maiores craques da história do futebol brasileiro, o ídolo do Corinthians defendeu o clube alvinegro entre 1978 e 1984. Meia de habilidade, o paraense iniciou a carreira no Botafogo-SP na década de 70. Foi um dos principais astros da badalada Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 1982, eliminada pela Itália de Paolo Rossi.
Leia a nota na íntegra do hospital:
NOTA DE FALECIMENTO
(São Paulo, 4 de dezembro de 2011, 5h30)
O Hospital Israelita Albert Einstein informa com profundo pesar o falecimento do ex-jogador Sócrates Brasileiro Sampaio de Sousa Vieira de Oliveira às 4h30, em conseqüência a um choque séptico.
Médicos Responsáveis
Dr. Fernando Luis Pandullo
Dr. Ben-Hur Ferraz Neto
Diretor de Prática Médica
Dr. Oscar Fernando Pavão dos Santos