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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

quando a coerência e a dignidade são dispensáveis

Aécio, o grande escândalo



Postado em 19 de outubro de 2017 

por Juremir Machado da Silva


Eu acreditei piamente que as pessoas batiam panelas e se vestiam de verde-amarelo, enchendo parques e avenidas, contra a corrupção. Acreditei ingenuamente que estavam acima de partidos e ideologias em luta pela justiça, pela transparência e pela punição aos saqueadores da nação.

Eu acreditei francamente que seriam coerentes e fariam o mesmo cada vez que uma situação equivalente se apresentasse. As decepções não tardaram.

Apareceram denúncias pesadas contra o presidente Michel Temer. Nenhuma panela bateu. Surgiu a mais impressionante série de provas gravada contra um senador, Aécio Neves. Silêncio absoluto. Nenhuma camiseta da CBF nas ruas. Tudo vazio.

Dilma Rousseff foi derrubada pelos eleitores de Aécio Neves. Por que panelas não bateram e não batem agora que a máscara do tucano caiu? Por que panelas não ecoam agora que Michel Temer será julgado, e salvo, pela segunda na Câmara dos Deputados sob graves acusações de corrupção? Vale lembrar que Dilma não foi derrubada sob acusação direta de qualquer ato de corrupção, mas pelas pedaladas fiscais. O que é mais grave: pagar compromissos governamentais com adiantamentos de bancos públicos sempre reembolsados ou receber propina de empresários? Os senadores que salvaram Aécio são os mesmos que afundaram Dilma em nome da moral. Por que as panelas não batem agora? Onde andam os jovens líderes de movimentos ditos apartidários em defesa de um Brasil limpo, novo, livre do cancro de políticos ladrões?

Eu acreditei realmente que a classe média brasileira não se deixaria novamente manipular, como acontecera em 1964, e que trataria todos da mesma maneira, com o mesmo rigor e a mesma convicção. O que tem feito Temer para merecer leniência? Tentou liberar uma reserva na Amazônia para a exploração total de minérios. Resolveu proteger o trabalho escravo. Não cobra uma dívida de 29 bilhões de ITR de ruralistas. Aprovou uma reforma trabalhista que precariza a vida da plebe. Vai insistir numa reforma da Previdência que levará muitos a morrer sem se aposentar. Corta verbas da pesquisa e da educação. Temer é o presidente dos sonhos do mercado. Que interessa a corrupção?

O STF prendeu Delcídio Amaral e afastou Eduardo Cunha sem consultar o parlamento. Primeiro deixou Cunha derrubar Dilma. Era útil. Quando chegou no queridinho Aécio, devolveu a decisão para o Senado, que tratou de salvar o parceiro tornando-se definitivamente a instituição mais desmoralizada do país e talvez do mundo. O STF provou que nossa justiça tem lado, classe e ideologia. Quando interessa, respeita a Constituição. Quando convém, atropela a Carta Magna sem o menor constrangimento em nome de algum entendimento alternativo. O caso Aécio é o maior escândalo da história da justiça e do parlamento brasileiros. O caso Temer vem a seguir. Sem contar o impeachment de Dilma, uma armação que levou ao poder um grupo crivado de comprometimentos judiciais. Vários do ministério inicial já estão na cadeia. A farra continua.

As panelas cozinham. A fúria moral passou.



quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Porto Alegre que já foi referência na educação, hoje tem um prefeito que...

Sou de um tempo em que...



... os professores após as férias e o recesso escolar tinham reencontros, hoje temos conflitos de guerras e mentiras e sprays de pimenta. o psdb de porto alegre vai repetir o richa do paraná? vai piorar?



"Texto da competentíssima colega Marileise Caldeira. Mitou!!!


Parte 1: Folga e Férias

Professor NÃO TEM FOLGA.


Funcionário de empresa privada que trabalha a mais que seu contrato junta os minutos e no fim do mês recebem em dinheiro = hora extra.

Professor tem por turno regime de 20 horas de trabalho semanal. Fazemos 4h e meia, meia a mais por dia que COMPENSAMOS em um dos dias da semana. Não recebemos em dinheiro. Neste dia o aluno é atendido por seus outros professores. Sim, alunos da rede municipal de POA tem mais de um professor. Cada aluno tem um conjunto de professores (Artes, Ed. Física, Volante, Língua estrangeira, Hora do Conto).

60 dias de férias?


NÃO. Professores tem 30 dias de férias. Não fazemos só horas a mais durante a semana, fazemos dias a mais, trabalhamos 20 sábados por ano que estão fora do nosso regime de trabalho. Esses dias a mais tb não ganhamos em dinheiro. Compensamos no mês de fevereiro.

Agora, quem convive diretamente com um professor sabe que não são essas horas a mais só. É noite, domingos e feriados trabalhando em casa sem contar como hora. Quantas vezes deixei de ir passear, viajar, no cinema, na casa de algum amigo porque tinha que: preparar aula, fazer provas, corrigir provas, somar notas, fazer cartaz, jogos... SEMPRE fiz por prazer e por saber que faria diferença na vida do meu aluno.


O que me deixa PDC, PDV, FURIOSA é ver que ainda assim nos chamam de vagabundos que não querem trabalhar e não pensam no seu aluno.


Você aí que sai do teu servicinho e vai tomar uma cerveja com teus amigos e depois vai pra casa se esborrachar no sofá .... passa uma semana em uma escola trabalhando como professor e depois vem me contar o que achou dessa vida de MOLEZA e VAGABUNDAGEM que levamos!!!!!!!!"

Marileise Caldeira

domingo, 6 de março de 2016

Made in Macaíba

Miguel Nicolelis



Miguel Nicolelis, um dos cientistas mais importantes do mundo, fala do lixo que é a grande imprensa brasileira no programa "Espaço Público"







"Só não viu - aqui no Brasil - quem não quis."

Mais de um bilhão de pessoas já viram ou acompanham as pesquisas do cientista com o objetivo de recuperar a sensibilidade e mobilidade para os acidentados da medula espinhal!

















Instituto Santos Dumont



Com relação à matéria publicada pela Folha de S.Paulo, em 10 de outubro, intitulada “TCU aponta irregularidades em obra de Miguel Nicolelis”, o Instituto Santos Dumont (ISD) esclarece:
 
A obra civil do Campus do Cérebro não é do neurocientista Miguel Nicolelis, conforme citado, mas de responsabilidade da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), parceira do ISD na implantação do mesmo. 

O investimento do Governo Federal de R$ 57 milhões foi repassado diretamente à UFRN para ser utilizado na construção do Campus do Cérebro e não faz parte do orçamento do ISD. 

As obras civis, sob responsabilidade da UFRN, estão avançadas. No entanto, a infraestrutura básica de abastecimento de água, esgoto e energia elétrica está em distintos estágios de especificação, licitação e execução. Segundo o MEC, a obra deve ser entregue no segundo semestre de 2016. 

Miguel Nicolelis é o idealizador do projeto e presidente do Conselho de Administração do ISD, uma Organização Social (OS) que mantém a operação de três Centros de Educação Científica, atendendo 1.400 alunos anualmente; um Centro de Educação e Pesquisa em Saúde, serviço ambulatorial de referência em saúde materno-infantil na região de Macaíba (RN), com capacidade atual de atendimento de 12.000 consultas/ano, com ampliação prevista para 20.000 consultas/ano; e um Centro de Pesquisas em Neurociências (ver abaixo), tendo recebido do MEC, em agosto de 2014 e até a presente data, um único repasse no montante de R$ 29.693.901,00, que vem sendo aplicado nas despesas operacionais dos mesmos. Quando houver a entrega do Campus do Cérebro pela UFRN, o ISD será responsável pela coordenação e execução das atividades fim, de infraestrutura e de questões administrativas e financeiras.



Centro de Educação Científica – CEC Unidade Serrinha/BA


Rua Machado de Assis, 152 – Ginásio Municipal 48.700-000 Município de Serrinha – BA

Tel: +55 (75) 3261 7523


Centro de Educação Científica Escola Alfredo J. Monteverde Unidade Natal:

Av. Interventor Mário Câmara, 3133, Bloco A – Cidade da Esperança 59070-600 – Natal – RN

Tel/Fax: +55 (84) 3205-5387


Unidade Macaíba:

Rodovia RN 160, 3003 – Distrito Jundiaí 59280-000 – Município de Macaíba – RN

Tel: +55 (84) 3271-5072


Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi – CEPS

Rodovia RN 160, 2010 – Distrito Jundiaí 59280-970 – Município de Macaíba – RN

Tel: +55 (84) 3271-3311


Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra (IINELS)
 *enquanto a nova sede está em construção no Campus do Cérebro

Rodovia RN 160, 3003 – Distrito Jundiaí

59280-000 – Município de Macaíba – RN

Tel: +55 (84) 3271-1500 


Com relação a uma possível confusão jurídica entre a Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa (AASDAP) e o Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont (ISD), a primeira é uma Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e o Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont, uma Organização Social (OS). As OSCIPs são ONGs com certificação do Ministério da Justiça, que podem fazer termos de parceria com órgãos do Governo, bem como receber doações da iniciativa privada. Já as OSs são um modelo de organização pública não-estatal, criadas pelo Governo Federal, destinadas a absorver atividades publicas não exclusivas do Estado, mediante qualificação específica.
A AASDAP é reconhecida e aprovada pelo Ministério da Justiça e nasceu, em 17 de abril de 2004, para executar o projeto de educação e ciência como agentes de transformação social. Tem por função captar e administrar recursos públicos e privados destinados a patrocinar pesquisas científicas de ponta e projetos sociais no Brasil. Foi responsável pela gestão dos Centros de Educação Científica e do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra (IINN-ELS) até julho de 2014. A partir de agosto de 2014 esse projeto foi transferido para o Instituto de Ensino e Pesquisa Alberto Santos Dumont (ISD), qualificado em fevereiro do mesmo ano, pelo Governo Federal, como Organização Social, para realizar a gestão de três centros de educação científica, um centro de saúde e um centro de pesquisas em Neurociência e, quando da sua entrega pela UFRN, do Campus do Cérebro.
Um Grupo de Trabalho foi instituído pelo MEC, por meio da Portaria nº 755, publicada no DOU em 27 de julho de 2015, com o objetivo de realizar estudos e elaborar propostas com vistas a aperfeiçoar a implementação do Contrato de Gestão MEC-ISD, bem como apresentar minuta de aditivo ao contrato de gestão, por intermédio do MEC. Fazem parte do grupo representantes da Secretaria de Educação Superior – SESu-MEC; da Consultoria Jurídica – CONJURMEC; da UFRN e do ISD.
Todo recurso transferido da União é fiscalizado pelo Conselho Fiscal e por auditoria externa designada pelo Conselho Administrativo e pelos órgãos de controle do Poder Publico. O cumprimento das metas estabelecidas no Contrato de Gestão e fiscalizado pela Comissão de Acompanhamento e Avaliação do Contrato de Gestão (CAACG) do MEC, nos termos da Lei 9.637, de 15 de maio de 1998, que trata da criação das OSs. O Relatório Financeiro contendo as principais ações e resultados é publicado semestralmente no site do ISD (www.isd.org.br) e no DOU–Diário Oficial da União.
Com relação a eventuais patentes geradas, a titularidade, o uso e o licenciamento da propriedade intelectual gerada a partir das atividades executadas pelo ISD, será regida pela legislação em vigor e de acordo com as melhores práticas adotadas pelas instituições de ensino e pesquisa do País. Os recursos provenientes de licenciamentos de patentes, se houver, serão revertidos em prol do Instituto, como entidade sem fins lucrativos.


Instituto Santos Dumont




Miguel Nicolelis será o próximo a ser levado coercitivamente para Curitiba?



segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

o dia em que o rock'n roll derrubou o muro


O dia em que David Bowie derrubou o Muro de Berlim



11/01/2016







Na véspera do lendário concerto em Berlim, em 1987, David Bowie passou o dia no lado oriental. Não tínhamos a menor ideia do que ele tinha ido fazer lá, do outro lado do muro. Aliás, naquela época, ninguém imaginava que algo, um dia, pudesse demover aquela estrutura de concreto bem armado que dividia o mesmo povo em dois mundos. Muito menos que a queda se desse de forma tão inusitada.

A propósito, desde a fundação da primeira Berlim, em 1237, na parte onde está a ilha dos museus (Museusinsel) e sua fusão, setenta anos depois, com o lado norte do rio Spree, quando se formou a cidade dupla, as histórias que compõe a História das Berlins se dividem em trágicas, cômicas e, também, inusitadas.

Depois de passar por vários distúrbios sociais, acrescidos de pestes, guerras e incêndios, a cidade iniciou sua ascensão quando se tornou capital da Prússia e residência oficial do rei. Friedrich III, que era um reles príncipe, conseguiu a promoção após sua autocoroação, transformando-se em Friedrich I, o rei da Prússia. Mas o cara não estava ali para brincadeira. Iniciou um processo de desenvolvimento da cidade, construindo grandes jardins públicos, avenidas (como a famosa Unter den Linden) e, antes de bater as botas, passou o bastão para outros Friedrichs.

Seus sucessores não só deram continuidade à ambiciosa intenção, como ainda, de lambuja, a transformaram na cidade industrial mais importante da Prússia. Além disso, os investimentos em ciências, artes e cultura fizeram com que Berlim passasse a ser o centro do iluminismo. Por esta razão, pensadores, artistas e arquitetos eram atraídos para lá. Nas décadas posteriores foram construídos por Schinkel edifícios dum classicismo pomposo.

Também Lenné criou jardins públicos de um valor artístico esplendoroso. Não fosse outro ambicioso melar os planos, um cara chamado Napoleão, que invadiu, bateu e mandou prender, a fundação do Império Alemão poderia ter demorado menos. Mesmo assim, em 1871, Berlim se tornou a capital desse império e os Friedrichs, que agora eram Wilhelms, acabaram se metendo numa encrenca das grandes: a primeira guerra mundial, cujo desfecho todos nós conhecemos.

Mas depois da divisão da Alemanha em oriental e ocidental, que resultou na construção daquele muro horroroso que cercava a cidade de Berlim, incrustada no meio da Alemanha oriental, outras histórias passaram a compor a Crônica Alemã. Muitos escritores tiveram que produzir no exílio, outros permaneceram em solo comunista, cujas primeiras produções se baseavam em romances dedicados às tragédias da guerra e, também, temas que idealizavam o universo do trabalhador.

Nos anos 60 a produção literária passou a contar com obras mais realistas, que tentavam superar a dicotomia entre trabalho manual e intelectual. Mas foi Christa Wolf quem tematizou, pela primeira vez, a divisão alemã em O Céu Dividido (1963) e Jurek Becker se dedicou à crítica ao cotidiano da Alemanha oriental.

Na década seguinte ainda haveria o subjetivismo de Sarah Kirsch e Stefan Heyn, mas os anos que antecederam a queda, os não menos tumultuados anos 80, eram tempos em que a roqueira Nina Hagen frequentava um bar chamado Risiko e que o monomotor do jovem Mathias, de apenas 19 anos, pousou em plena praça vermelha, diante do Kremlin, num rasante que decepou as cabeças mais altas dos mais altos generais russos.

Naquela noite de sete de junho, o camaleão do rock subiu ao palco, que tinha como fundo o majestoso parlamento alemão – Reichstag, para fazer história. Eu e outros sessenta mil jovens nos espremíamos naquele gramado da Praça da República para ver e ouvir um Bowie que – presença de palco – parecia ter três metros de altura.

De repente a música parou, começou-se a ouvir um ruído que parecia uma espécie de protesto. A gritaria vinha do outro lado do muro, que ficava imediatamente atrás do Reichstag. No lado oriental, outra multidão ouvia Bowie, mas não podia vê-lo. Aos gritos de “O muro tem que sair” e “Nós também queremos ver”, pessoas eram contidas por soldados que não hesitaram em usar a força para tentar dissipar os fãs, que não se intimidaram.

Nesse instante, Bowie virou-se para o lado do muro e, antes de iniciar a próxima canção, disse: “Essa é pra vocês!”.

Cantou a clássica música que conta a história de dois amantes que se encontram no Muro de Berlim: “Heroes”. Todos nos sentimos heróis por um dia.

Tempos depois, se soube que havia equipamentos (caixas de som) virados, estrategicamente, para o lado oriental e também que no dia anterior, Mr. Bowie, havia se encontrado e articulado o ‘movimento’ com jovens alemães orientais. Ele não tinha ido a passeio.

Naquele dia, o muro começou a cair.

domingo, 10 de janeiro de 2016

Mas não é Dona Mariza.


Lu Alckmin pode viajar tranquila que a mídia abafa




O caso aéreo de Lu é exemplar para entender a alma abjeta da imprensa. Se fosse a mulher de Lula, jornais se atirariam, em matilha, às denúncias.




Paulo Nogueira - Diário do Centro do Mundo








Acabo de dar uma vasculhada nos tuítes dos últimos dois dias de Ricardo Noblat.

Era um teste cujo resultado, a rigor, eu já conhecia.

Queria ver se ele tinha feito alguma menção aos vôos de Lu Alckmin patrocinados pelo contribuinte paulista.

Nada.

Escolhi Noblat porque, para mim, ela é a essência do jornalista que temos nas grandes empresas. O JP, o Jornalista Patronal, aquele que se empenha loucamente em produzir e reproduzir conteúdos que agradem os patrões.

O caso aéreo de Lu é exemplar para entender a alma abjeta da imprensa.

Se fosse a mulher de Lula, jornais e revistas se atirariam, em matilha, às denúncias.

Manchetes, primeiras páginas, capas, demorados minutos no Jornal Nacional. O público, ou vítima, seria bombardeado.

Mas não é Dona Mariza.

Sendo a mulher de Alckmin, ninguém repercute a história ou, muito menos, a aprofunda. A própria Folha, que deu, logo esquece, ao contrário do que faria se fosse Dona Mariza, ainda que o furo fosse da concorrência.

A mídia já não faz questão sequer de manter as aparências. É preciso ser definitivamente um analfabeto político para levá-la a sério.

Machado de Assis escreveu que o pior pecado depois do pecado é a publicação do pecado. Jornais e revistas usam essa lógica machadiana para encobrir os pecados dos amigos: não os publicam.

O problema é que, na Era Digital, a informação se espalha velozmente pelos sites progressistas e pelas redes sociais.

Quem perde é a sociedade com o comportamento delinquente da mídia.

Discussões importantes são perdidas. Por exemplo: faz sentido um Estado, mesmo sendo São Paulo, ter aviões e helicópteros para o transporte do governador?

Um governo que não pode pagar decentemente professores pode se dar a tal luxo?

Recentemente, o governo britânico conseguiu enfim aprovar a aquisição de um jato para uso do premiê e dos ministro. Uso a serviço, naturalmente, não aquilo que Lu Alckmin e Aécio fizeram com aviões mantidos por recursos públicos.

A argumentação contrária era que um avião para o governo seria um gesto ruim em tempos de austeridade e uma afronta à cultivada frugalidade britânica.

O governo teve que fazer contas para mostrar que economizaria dinheiro com um avião particular.

Foi uma batalha.

Enquanto isso, você fica sabendo, por vias tortas como a compulsão aérea da primeira dama de São Paulo, que o governo paulista tem uma frota aérea.

O Brasil necessita de um choque urgente de simplicidade e frugalidade para que excessos dessa natureza, e de muitas outras, sejam evitados.

A mídia poderia ajudar se fizesse um trabalho decente.

Mas o que ela faz é indecente.

sábado, 31 de outubro de 2015

Triste dia para a Câmara


Os Revoltados Online na Câmara




Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:






Convidados a comparecer à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que apura os crimes na internet, o chefão dos Revoltados Online, Marcello Reis, e a advogada Beatriz Kicis se cercaram de uma claque barulhenta de cerca de 70 pessoas para fazer exatamente o que fazem na internet: dizer barbaridades, disparar clichês contra a esquerda e zoar qualquer opinião divergente.

Pouco antes de a audiência começar, jovens de 20 e poucos anos ligados aos Revoltados Online e ao Movimento Brasil Livre conversavam animadamente com os deputados Jair Bolsonaro e Marco Feliciano, com quem tiravam selfies. Bolsonaro fazia piadas machistas, citando “Kid Bengala” e coisas do gênero. Incrivelmente, as moças do grupo riam. Não se sabia ainda se Jean Wyllys, do PSOL, autor do convite, iria comparecer. Ele não foi.

“A ‘menina’ ainda não chegou”, disse Marcello a um correligionário, se referindo ao deputado, que é ativista homossexual. “A ‘noiva’ sempre chega atrasada”, disse outro membro do grupo. “Deve estar se maquiando”, falou Bolsonaro. Risos. Feliciano, de topete alisado e com mechas loiras, tentava decifrar a frase de Simone de Beauvoir que caiu na prova do Enem, “não se nasce mulher, torna-se mulher”. “Então mulher existe ou não existe?”, dizia. Risos.

Alguns meninos do grupo, todos brancos (à exceção de Fernando Holiday, que chegou no final), usavam cabelos compridos, com rabo de cavalo, e brincos – moderninhos na aparência, conservadores na essência. Resolvi perguntar a Bolsonaro o que ele, que preza tanto pela “masculinidade”, achava dos penteados de seus fãs. “O que vale é se ele vai olhar pro lado, se está defendendo ideologia de gênero ou não. Isso aí é moda. Tá pensando que eu sou tão quadrado assim?”

“Ideologia de gênero”, aliás, é o novo mantra dos reaças. Beatriz Kicis, que tem vídeos no youtube ao lado de seu ídolo, o pseudofilósofo Olavo de Carvalho, só fala nisso. “A doutrinação ideológica é feita desde o primário. Tem até banheiro com ideologia de gênero! O que é isso? Onde estamos?”, disse Beatriz, fazendo metáforas ao estilo dona-de-casa. “É a mesma receita de Cuba e da Venezuela, é o mesmo bolo que vai sair daí. Desarmam a população, sexualizam as crianças, tiram a autoridade dos pais com essas leis da palmada, criam pequenos comunistas! Estamos perto de virar uma Venezuela!”

Essa é outra obsessão de Beatriz, a “transformação” do Brasil em um país “comunista”, “totalitário”. Para ela, a luta contra a corrupção não é tão importante, “mas a corrupção servindo de meio para o Estado totalitário” que acusa o PT de estar instalando por aqui. “Vou continuar lutando contra o Foro de São Paulo de manhã, de tarde, de noite e de madrugada!”, discursou, para delírio geral.

Neste momento, o deputado Sandro Alex, do PPS paranaense, sub-relator da CPI, fez questão de se certificar se os Revoltados estavam de fato online. “Estão transmitindo pela internet?” Sim, estavam. Era a vez de Marcello Reis falar. Ele contou que criou o canal em 2000, para, afirma, “rastrear pedófilos”, após a filha ter sido vítima de abuso. “Depois de 2010 é que os seguidores começaram a levar para a política. Eu não era politizado”, disse.

Em seguida, defendeu-se por ter postado no Facebook uma acusação infundada contra o deputado petista Paulo Pimenta, acusando-o de ser proprietário da boate Kiss, que pegou fogo matando 242 pessoas em 2013. “Foi outro administrador que colocou no ar, eu estava viajando. Excluí o post depois de 5 minutos e até podia ter pedido desculpas, mas o deputado me chama de neonazista só porque sou desprovido de cabelo”, pilheriou. Gargalhadas da claque. Curiosamente, Marcello voltou a atribuir a “outro administrador” da página os demais conteúdos polêmicos, como a defesa do uso de armas de fogo.

Para mostrar que é “vítima” do ódio, o líder dos Revoltados Online exibiu um áudio onde é chamado de “filho de uma puta soviética”. “Recebo milhares de ameaças de petistas todos os dias”, afirmou. No entanto, ao ser questionado pelo deputado Esperidião Amin sobre o autor dos xingamentos, Marcello se contradisse. “Não, esse daí não é petista.” Nas considerações finais, ele começou a inflar um boneco de Lula em plena mesa, no que foi impedido pela segurança, mas logo contou com o auxílio de Feliciano e dos Bolsonaros, pai e filho, para o serviço de sopro.



(Bolsonaro pai e Bolsonaro filho com a boca no pixuleco)


Não fosse pelo deputado Paulo Pimenta, que estava presente, os Revoltados sem causa ficariam sem o contraditório. Pimenta afirmou que Marcello Reis não é apenas o líder de um grupo anti-corrupção na política. “Estou convencido que se trata de uma organização que já cometeu um conjunto de crimes graves, inclusive tirar dinheiro de pessoas inocentes”, acusou. “Eu o processei, mas até hoje a Justiça não conseguiu notificá-lo porque ele muda de endereço.”

A claque de bolsomitômanos “defensores da liberdade de expressão” não permitia que o deputado falasse, gritando, vaiando e emitindo sons como “Hummmm”. O mesmo aconteceu quando Alice Portugal, do PCdoB baiano, usou o microfone. Com Bolsonaro, ao contrário, urravam: “Mito! Mito!”

Triste dia para a Câmara: o circo terminou com o grupo pulando como hooligansno plenário da Comissão e entoando um “hino antibolivariano”. O que tinha de ser esclarecido não ficou: afinal, o que fazem os Revoltados Online nas redes é só “liberdade de expressão”? Julgue você mesmo no vídeo.

Detalhe: após a audiência, o grupo se dirigiu para o gabinete da presidência da Casa. Sim, os “anticorrupção” continuam apoiando Eduardo Cunha.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

estamos caminhando para a fase do Terror (leia mais história)


A conspiração do TCU e TSE que nos empura para a convulsão social




Políticos irresponsáveis como Aécio e colegiados corporativistas como o TCU agem por puro interesse e estão levando o Brasil para o precipício.


J. Carlos de Assis*







Ditadura miliar não é coisa que a gente pede a frio. É coisa que a gente sofre a contragosto. Escrevi um artigo mostrando que estamos nos encaminhando para um terrível processo de convulsão social que pode acabar numa ditadura militar e alguns comentaristas, não entendendo patavinas do que escrevi, alegaram que eu estava propondo uma ditadura “benigna”. É o exato oposto. Na história, só existiram ditaduras “benignas” na Roma antiga, quando os senadores entregavam o poder a um ditador a fim de que ele tivesse as mãos livres para enfrentar algum perigo comum. Uma vez cumprido o dever, o ditador tratava de abrir mão do poder o mais rápido possível, pois considerava vergonhoso ser ditador.

Na atualidade brasileira, as condições para que tenhamos uma ditadura “benigna” em face do caos reinante é praticamente nula. Não há consenso possível em torno de uma solução desse tipo. Não obstante, as instituições da República estão se deteriorando em ritmo acelerado. Quando isso chega a um nível de não retorno, algo tão impensável quanto o impeachment de presidente da República por um capricho formal do TCU ou do TSE pode acontecer com uma “naturalidade” falsa, com característica similares ao golpe paraguaio. E é nesse momento que um estado de convulsão social transforma-se nas preliminares de uma guerra civil, levando muitos da população a pedir a intervenção militar.

Políticos irresponsáveis como Aécio e colegiados corporativistas como o TCU, agindo por puro interesse partidário, estão levando o Brasil de forma absurdamente leviana para a beira do precipício. Agem como se estivessem sozinhos no mundo sem considerar a reação do outro. Olhando acriticamente o resultado das pesquisas de opinião, acham que Dilma e o PT não tem condições de suscitar qualquer reação efetiva da população no caso de cassação dela. Esquecem o que é o PT, a CUT e o MST, com suas múltiplas correntes políticas internas, muitas delas se orientando explicitamente por uma vocação revolucionária. Deem a eles motivo –e não existe maior motivo que a cassação de Dilma -, e teremos o início de um banho de sangue.

Não tenho em mente os homens maduros, as pessoas de classe média, os chefes de famílias. Tenho em mente, principalmente, os jovens. Basta lembrar a guerrilha urbana brasileira e a guerrilha de Araguaia no início dos anos 70: a maioria eram jovens. César Benjamim tinha 16 anos. Dilma Roussef, 18. Ambos conseguiram salvar suas vidas. Outros foram assassinados pela repressão antes dos 25. É que jovens, em geral, não tem medo de morrer na luta. São generosos. Não tem compromissos de família. Tomem o mandato de Dilma e, qualquer coisa que ela faça ou diga, ou que diga Lula, e centenas de milhares de pessoas irão para as ruas tirar a forra. Tudo isso começará “democraticamente”.

Contudo, recordam-se do que promoveram os black blocs nas manifestações de 2013? Lembro-me da expressão espantada dos apresentadores da Globo descrevendo as ações dos “vândalos”. No entanto, eram uns gatos pingados. Imaginem agora as ruas e avenidas das grandes capitais brasileiras ocupadas por dezenas de milhares de militantes enfurecidos do PT, da CUT, do MST, do PCdB, do PSTU, do PSOL, nem todas em apoio a Dilma, mas todos contra a quebra da institucionalidade: será que as PMs evitarão uma quebradeira generalizada? Será possível conter as multidões? Isso não vai misturar-se com a chamada luta contra o capitalismo, cujos maiores símbolos, bancos e empresas, provavelmente não restarão de pé?

Nossa obrigação, enquanto cientistas sociais, é relembrar a história para evitar que ela se repita. Estamos numa situação de derretimento de instituições similar ao que aconteceu séculos atrás, na Revolução Francesa. Então, o Rei estava contra a aristocracia, a aristocracia contra os burgueses, os burgueses contra os operários, os camponeses contra os latifundiários, todos contra a Igreja. Nós vemos o TRU e parte do TSE contra o Executivo, o Legislativo contra o Executivo e o Judiciário, o Judiciário contra todas as instituições e contra si mesmo. Na França, a guerra civil começou com a queda da Bastilha, que sequer era uma prisão política. Aos poucos quase nada sobraria da velha ordem e algumas milhares de cabeças rolaram.

Não pensem que os ministros do TCU e do TSE que ficarão impunes se a ordem política brasileira degenerar-se por obra de suas ações irresponsáveis. O mesmo se pode dizer dos políticos também irresponsáveis que, por puro interesse próprio, estão contribuindo para degenerar as instituições de forma próxima do irreparável. Pela história, sabemos como começou a Revolução Francesa e como terminou: caiu nas mãos de um general genial que impôs ao país uma ditadura “benigna”. Não sei se teríamos a mesma sorte no fim do processo. Mas estou convencido de que, entre o início caótico e a ditadura final, teríamos uma fase intermediária que a história tornou conhecida como Terror!

P.S. Prometo que no próximo artigo relatarei os esforços que um grupo responsável de brasileiros está fazendo para recuperar a economia, a política e as instituições, sem apelo para ditaduras.

*Economista, doutor pela Coppe/UFRJ, autor, entre outros livros de economia política, de “Os Sete Mandamentos do Jornalismo Investigativo”, Ed. Textonovo, SP.

domingo, 11 de outubro de 2015

outro texto para ler em sala de aula


A mídia virou o palco dos patetas




POR Fernando Brito · 11/10/2015







Não me esqueço dos “politicamente corretos” que, nas manifestações de 2013, me criticaram por dizer que o rapaz que se tornava conhecido como “Batman do Leblon” (na verdade, morador do subúrbio de Bento Ribeiro) tinha algum problema sério de comportamento.

Desculpem-me estes, certamente de boa-fé, mas o Brasil desenvolve um processo de imbecilização em massa que deixa aquela história dos “15 minutos de glória” do Andy Wharol parecendo de uma antiquadíssima discrição.

O espaço dado pela mídia aos patetas – e aos patéticos – não é só um acaso e nem mesmo, como na deprimente “matéria” da Globo sobre o “protesto” da menina por “não poder” ir imediatamente à Disney, uma exploração barata antigoverno.

Dispensa comentários a questão de mandar crianças à Disney ou não – programinha que, embora besta, nunca deixou sequelas permanentes no cérebro de ninguém – mas exige muita reflexão o que se está construindo na cabeça de uma geração de adultos infantilizados, que tratam a vida como “eu quero, me dá, é meu” e de fantasias imbecis nas quais enfiam seus filhos para realiza-las.

Isso, sim, deixa sequelas permanentes, porque crescem fisicamente tendo como modelos e referências aqueles que não cresceram mentalmente, o que é a tragédia dos imbecis.

Afinal, viver é conviver com conquistas e frustrações – independente onde ocorram , se profissionais, se afetivas, se existenciais – e o contrário é a própria loucura, que é se enquistar num mundo imaginário, cuja inexistência é, mais que irrelevante, inaceitável.

E o papel dos meios de comunicação (chamavam-na de social, lembram-se?) certamente não é o de, para usar o jargão popular, “bater palmas para maluco dançar”.

Não é preciso fazer demagogia dizendo que outros meninos e meninas não tem o que comer, o que vestir, escola para estudar ou médico para cuidar, nem dizer da saudade do “você não vai deixar isso no prato com tanta gente sem ter o que comer”.

Basta pensar no jornalista como qualquer outro profissional,um engenheiro, um médico, um motorista de ônibus ou caminhão: sim, reflita sobre o que você faz, porque pode prejudicar pessoas.

Mais ou menos como a gente ensina às crianças a terem responsabilidade.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Amém. E você vai deixar... só pra gritar contra os cumpanhero! Amém!


Duvivier fez a análise mais lúcida do momento que vive o país. 




Por Paulo Nogueira





Postado em 13 set 2015
por : Paulo Nogueira





Bingo

Você vê Lobão, Gentili, Fábio Júnior e pensa em perder a fé na capacidade de reflexão da classe artística.


Mas aí você vê Gregório Duvivier e volta a acreditar nos artistas.

A entrevista que Duvivier concedeu a uma emissora portuguesa em Lisboa é uma das mais luminosas análises da cena política contemporânea nacional.

A frase chave é esta: os caras querem tirar Dilma para poderem continuar a roubar.

A não ser que você acredite nos bons propósitos de figuras como Eduardo Cunha, Caiado e, como bem notou Duvivier, Aécio.

Aécio deveria explicar o aeroporto privado que construiu, ou as verbas públicas que alocou para rádios suas quando governador de Minas, e em vez disso fala com a maior cara de pau em combater a corrupção.

Atenção.

As pessoas que mais falam em corrupção são, em geral, as almas mais corrompidas.

No Brasil, o foco de espertalhões em corrupção desvia o debate do verdadeiro câncer nacional: a desigualdade.

Duvivier usou, com graça irreverente, uma sentença que todos deveríamos ter em mente. Limpar a corrupção com os pseudocampeões da moralidade que estão aí é como “limpar o chão com bosta”.

Um caso exemplar é o de Agripino Maia, presidente do DEM.

Enroscadíssimo num caso em que é acusado de achacar um empresário, ele consegue comparecer, como se tivesse a ficha mais limpa do mundo, a protestos anticorrupção.

Isto se chama tratar os brasileiros como se fossem imbecis.

A entrevista de Duvivier em Portugal é um magnífico contraponto a toda a canalhice cínica que marca o movimento pró-impeachment. Os políticos que o lideram se batem, todos eles, pela manutenção do financiamento privado às campanhas, sabidamente o maior foco de corrupção que existe, e a maneira como a plutocracia toma de assalto a democracia.

As críticas que Duvivier faz ao PT não são poucas, e são justíssimas.

O PT fez muito menos pelos índios do que deveria fazer. Na questão ambiental, deixou também muito a desejar.

Mexeu muito pouco na estrutura abjeta da política brasileira ao se ídedicar a acordos lastimáveis em nome da governabilidade.

Mas não é nenhuma dessas questões que comove os defensores do impeachment.

O que eles querem, como disse Duvivier, é poder meter a mão em paz, como sempre fizeram.




Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

sábado, 15 de agosto de 2015

os bravateiros e a justiça


Gentili, Caiado e os 'bandidos frouxos'




Por Altamiro Borges


O Instituto Lula não está mais disposto a aceitar as calúnias e difamações difundidas diariamente pela mídia "privada" – nos dois sentidos da palavra. De forma ágil e bem fundamentada, a entidade decidiu acionar a Justiça contra qualquer ataque leviano. Nesta quinta-feira (13), ela anunciou que solicitará explicações ao "humorista" Danilo Gentili, do SBT, que afirmou que a bomba lançada contra a sede do instituto foi "forjado". Outros veículos e políticos também estão sendo processados. O caso mais patético é do senador Ronaldo Caiado, líder do DEM, que acusou Lula de ser "um bandido frouxo". Com medo das represálias, o valentão ruralista já ensaia um recuo – coisa típica de "bandido frouxo".


No caso do "humorista" Danilo Gentili, um reacionário convicto e recalcado, a ação do Instituto Lula poderá resultar em duras punições. Vale conferir a nota à imprensa da entidade:


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Instituto Lula pede explicações a Danilo Gentili perante a Justiça
O Instituto Lula protocolou, nesta quinta-feira (13), um pedido de interpelação judicial contra o apresentador de TV Danilo Gentili. Em seu perfil pessoal no Twitter, o pretenso comediante ironizou o ataque a bomba sofrido pelo Instituto no fim de julho ao afirmar que o atentado teria sido “forjado” para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se “fizesse de vítima”.

Gentili concluiu sua fala grosseira com a afirmação de que o resultado do ataque teria sido que as pessoas lamentarem o fato de a bomba não ter atingido o ex-presidente. Há duas semanas, a Polícia Civil investiga o atentado, ainda sem resultados.

A interpelação judicial é um procedimento anterior à ação judicial, com o objetivo de oferecer a Gentili a oportunidade de explicar suas palavras, provar suas afirmações ou se retratar. Os advogados do Instituto apresentaram seis perguntas que gostariam de ver respondidas por ele:
- A conta @DaniloGentili pertence ao suposto humorista?
- O comentário publicado nesse perfil é de autoria de Gentili?
- Mais alguém participou da elaboração desse comentário?
- Gentili tem algum elemento de prova de que o atentado ao Instituto teria sido forjado? Se sim, qual?
- Qual foi a intenção de dizer que o atentado foi forjado?
- Gentili confirma o comentário ou gostaria de se retratar?
A partir da resposta do apresentador serão avaliadas as possibilidades de processo cível ou criminal contra Gentili.
José Chrispiniano e Gabriella Gualberto - Assessoria de Imprensa do Instituto Lula

*****

Na semana passada, a entidade já havia ingressado com três queixas-crime contra caluniadores. "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, abriram três queixas-crime contra autores de calúnias contra eles. Os alvos das medidas judiciais são o deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani (PSDB), e os repórteres da revista 'Veja' responsáveis pela reportagem de capa da edição de 25 de julho passado", informou o Instituto Lula em nota publicada em 6 de agosto, que detalhou as ações judiciais:


"O ex-presidente é autor de queixa-crime contra Robson Bonin e Adriano Ceolin, repórteres de 'Veja'. Eles são autores das reportagens de capa da edição nº 2436 da revista, em que pretensa reportagem afirma que uma delação premiada estaria próxima de envolver Lula na Operação Lava Jato. Aquele que seria o autor da delação, o empreiteiro Leo Pinheiro, negou integralmente as informações no mesmo dia da publicação de 'Veja' por meio de nota de seus advogados, e o texto não expôs nenhuma evidência concreta para sustentar as afirmações difamatórias que publicou e divulgou com grande estardalhaço por meio de publicidade física e nas redes sociais".

Já em relação ao deputado, a ação se refere às mentiras do tucano em entrevista ao programa de rádio "Bom dia Divinópolis", em fevereiro de 2015. Na ocasião, Domingos Sávio afirmou que o filho do ex-presidente enriqueceu de maneira ilícita e possui fazendas. A decisão de mover a ação penal foi tomada depois que o parlamentar teve oportunidade de se retratar perante o Supremo Tribunal Federal (STF), mas preferiu insistir em divulgar mentiras contra o filho de Lula. Já o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani, publicou mentiras em sua página no Facebook, afirmando que o BNDES "financia a Frioboi, que pertence ao Lulinha, e paga cachês milionários para o ator Tony Ramos para vender em rede nacional sua carne financiada com recursos de saúde educação".

A conferir como irão se comportar Danilo Gentili e os bravateiros tucanos. Será que eles seguirão o exemplo do valentão Ronaldo Caiado. Segundo o blog "Diário do Centro do Mundo", o ruralista do DEM já ensaia um recuo temendo as consequências das suas calúnias. "Caiado chamou Lula de 'bandido frouxo'. Lula foi à Justiça. Caiado terá que se explicar num processo no STF cujo relator é Fachin. Ao jornalista Lauro Jardim, da Veja, ele disse qual vai ser sua linha de argumentação. Tente encontrar alguma explicação para o 'bandido frouxo'. Não há nenhuma. É um caso clássico em que a resposta não tem nada a ver com a pergunta. Eis o que afirmou Caiado a Lauro Jardim:

"Saí em defesa dos manifestantes que se preparavam a ir às ruas no dia 15 de março. Vou exercer o meu direito de defesa e reiterar o que sempre disse: como um dos líderes da oposição no Senado Federal não admitirei qualquer tentativa de intimidação do cidadão brasileiro ao seu direito de se manifestar por movimentos supostamente sociais ou milícias ligadas ao PT". O que tudo isso tem a ver com "bandido frouxo"? O argumento de Caiado faria sentido apenas caso o relator de seu processo fosse Gilmar Mendes".


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Leia também:


- Ronaldo Caiado e os 'bandidos frouxos'

- "Ku Klus Pan" dispensa Gentili

- Danilo Gentili rosna nas redes sociais

- Gentili pagará multa de R$ 2 milhões?

- Xingaram a mãe de Danilo Gentili

- Sem audiência, Gentili dança na Fox

- A diarreia mental de Danilo Gentili

- Gentili: rematado idiota e covarde

- Caiado 'rouba, mente e trai' será punido?

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Em 1927 – 90 anos atrás, quase!


Como nos fazer regredir um século em um dia, com a “Emenda Herodes” de Eduardo Cunha




9 de julho de 2015
Autor: Fernando Brito





Se não tiver tempo para e ler hoje o ótimo texto de Ricardo Westin, da Agência Senado, marque a guarde para ler no final de semana. Chame a família para ver. Mostre aos amigos.

Está longe de se pretender um panfleto, porque narra serenamente fatos e transcreve fatos e opiniões sedimentados pelo tempo.

Mas é, porque traz fatos que, embora, infelizmente, esquecidos, saltam aos olhos em meio ao furor selvagem de transformar a lei em ferramenta de vingança ou, ainda pior, de demagogia com a dor de quem perdeu alguém vítima dos efeitos da tragédia social brasileira.

Ricardo reacende com alguns sustos históricos a nossa capacidade de pensar.

Relembra que, até 1922, a “maioridade penal” era aos 9 anos de idade, apenas. Ou, piedosamente, aos 14, se a autoridade julgasse que “obraram sem discernimento”.

E mesmo assim, nem sempre:

Em março de 1926, o Jornal do Brasil revelou a estarrecedora história do menino Bernardino, de 12 anos, que ganhava a vida nas ruas do Rio como engraxate. Ele foi preso por ter atirado tinta num cliente que se recusara a pagar pelo polimento das botinas. Nas quatro semanas que passou trancafiado numa cela com 20 adultos, Bernardino sofreu todo tipo de violência. Os repórteres do jornal encontraram o garoto na Santa Casa “em lastimável estado” e “no meio da mais viva indignação dos seus médicos”.

Em 1927 – 90 anos atrás, quase! – passamos aos 18 anos como idade penal.

O texto mostra o que estava diante dos menores pobres, àquela época, e não é possivel ver tantas diferenças com este século 21:

“Com o fim da escravidão, em 1888, os negros e suas famílias se viram abandonados de uma hora para a outra, elevando as estatísticas da pobreza. A ainda tímida industrialização atraía gente do campo, mas não conseguia absorver toda a mão de obra disponível. As cidades inchavam, e o desemprego e a criminalidade disparavam.

Às crianças e aos adolescentes restavam dois caminhos. Ou trabalhavam, submetidos a serviços pesados ou perigosos, jornadas exaustivas e pagamentos irrisórios. Trabalhadores imberbes eram vistos operando máquinas nas indústrias, vendendo bilhetes de loteria nas ruas e participando das colheitas nas fazendas.

Ou então perambulavam pelas ruas das cidades grandes, como Rio e São Paulo, agrupados em “maltas”, como se dizia, cometendo roubos, aplicando golpes, pedindo esmolas ou simplesmente vadiando.(…).

A proteção ao menor foi uma extensão natural da luta dos abolicionistas, como Lopes Trovão, em 1902…

— Temos uma pátria a reconstituir, uma nação a formar, um povo a fazer. Para empreender essa tarefa, que elemento mais dúctil e moldável a trabalhar do que a infância? São chegados os tempos de trabalharmos na infância a célula de uma mocidade melhor, a gênese de uma humanidade menos imperfeita.

E Alcindo Guanabara, em 1917 :

— São milhares de indivíduos que não recebem senão o mal e que não podem produzir senão o mal. Basta de hesitações! Precisamos salvar a infância abandonada e preservar ou regenerar a adolescência, que é delinquente por culpa da sociedade, para transformar essas vítimas do vício e do crime em elementos úteis à sociedade, em cidadãos prestantes, capazes de servi-la com o seu trabalho e de defendê-la com a sua vida.

Um século depois, a República está reduzida à barbárie de Eduardos Cunha e Magnos Malta.

Um horror histórico, que o trabalho de Ricardo Westin mostra com serena memória.





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Crianças iam para a cadeia no Brasil até a década de 1920





Ricardo Westin | 07/07/2015 
ATUALIZADO EM 08/07/2015





Crianças trabalham em fábrica de sapatos no início do século 20. Em 1927, a atividade dos menores de 12 anos ficou proibida
Museu da Justiça do Estado do Rio de Janeiro


Saiba mais

Arquivo S: em 1927, o Brasil fixava a maioridade penal em 18 anos

Código de Menores de 1927 foi usado para proibir Grande Otelo de atuar no teatro
Outras notícias sobre maioridade penal




Em 12 de outubro de 1927, no Palácio do Catete, o presidente Washington Luiz assinava uma lei que ficaria conhecida como Código de Menores. Hoje, passados quase 90 anos, a canetada do último presidente da República do Café com Leite é alvo das mais exaltadas discussões no governo, no Congresso e na sociedade.

Foi o Código de Menores que estabeleceu que o jovem é penalmente inimputável até os 17 anos e que somente a partir dos 18 responde por seus crimes e pode ser condenado à prisão. O que agora está em debate no país é a redução da maioridade penal para 16 anos.

O código de 1927 foi a primeira lei do Brasil dedicada à proteção da infância e da adolescência. Ele foi anulado na década de 70, mas seu artigo que prevê que os menores de 18 anos não podem ser processados criminalmente resistiu à mudança dos tempos.

É justamente a mesma idade de corte que hoje consta da Constituição e do Código Penal, além do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) — uma espécie de filhote do Código de Menores que nasceu em 1990 e completará 25 anos na segunda-feira (13).

A pioneira lei, que foi construída com a colaboração do Senado, marcou uma inflexão no país. Até então, a Justiça era inclemente com os pequenos infratores. Pelo Código Penal de 1890, criado após a queda do Império, crianças podiam ser levadas aos tribunais a partir dos 9 anos da mesma forma que os criminosos adultos.





Notícias criminais protagonizadas por crianças e adolescentes eram corriqueiras na imprensa. Em julho de 1915, o jornal carioca A Noite noticiou: “O juiz da 4ª Vara Criminal condenou a um ano e sete meses de prisão um pivete de 12 anos de idade que penetrou na casa número 103 da Rua Barão de Ubá, às 13h, e da lá furtou dinheiro e objeto no valor de 400$000”.

A mão policial também era pesada. Até o surgimento do Código de Menores, os pequenos delinquentes recebiam o mesmo tratamento dispensado a bandidos, capoeiras, vadios e mendigos. Uma vez capturados, todos eram atirados indiscriminadamente na cadeia.

Em março de 1926, o Jornal do Brasil revelou a estarrecedora história do menino Bernardino, de 12 anos, que ganhava a vida nas ruas do Rio como engraxate. Ele foi preso por ter atirado tinta num cliente que se recusara a pagar pelo polimento das botinas. Nas quatro semanas que passou trancafiado numa cela com 20 adultos, Bernardino sofreu todo tipo de violência. Os repórteres do jornal encontraram o garoto na Santa Casa “em lastimável estado” e “no meio da mais viva indignação dos seus médicos”.

Reformatórios




Em 1922, uma reforma do Código Penal elevou a maioridade de 9 para 14 anos. Com o Código de Menores de 1927, chegou-se aos 18 e a prisão de crianças e adolescentes ficou proibida. Em seu lugar, teriam de ser aplicadas medidas socioeducativas, como se chamam hoje.

No caso dos delinquentes com idade entre 14 e 17 anos, o destino seria uma escola de reforma (ou reformatório), onde receberiam educação e aprenderiam um trabalho. Os menores de 14 anos que não tivessem família seriam mandados para a escola de preservação, uma versão abrandada do reformatório. Os mais novos com família poderiam voltar para casa, desde que os pais prometessem às autoridades não permitir que os filhos reincidissem.

Extenso e minucioso, o código se dividia em mais de 200 artigos, que iam além da punição dos pequenos infratores. Normatizavam desde a repressão do trabalho infantil e dos castigos físicos exagerados até a perda do pátrio poder e a criação de tribunais dedicados exclusivamente aos menores de 18 anos.

No Brasil da virada do século 19 para o 20, uma parcela considerável da população vivia na miséria. Com o fim da escravidão, em 1888, os negros e suas famílias se viram abandonados de uma hora para a outra, elevando as estatísticas da pobreza. A ainda tímida industrialização atraía gente do campo, mas não conseguia absorver toda a mão de obra disponível. As cidades inchavam, e o desemprego e a criminalidade disparavam.

Às crianças e aos adolescentes restavam dois caminhos. Ou trabalhavam, submetidos a serviços pesados ou perigosos, jornadas exaustivas e pagamentos irrisórios. Trabalhadores imberbes eram vistos operando máquinas nas indústrias, vendendo bilhetes de loteria nas ruas e participando das colheitas nas fazendas.

Ou então perambulavam pelas ruas das cidades grandes, como Rio e São Paulo, agrupados em “maltas”, como se dizia, cometendo roubos, aplicando golpes, pedindo esmolas ou simplesmente vadiando. Naquela altura, as escolas públicas eram raras e estavam reservadas para os filhos das classes abastadas.

A Gazeta de Notícias, numa reportagem de fevereiro de 1929, explicou o problema das ruas para as crianças: “Aí aprendem coisas que não deveriam ou não precisariam saber: encontram más companhias que os desencaminham, adquirem vícios e maus costumes, deslizam para a vadiagem, a mendicidade, a libidinagem, a gatunagem e outras formas de delinquência”.

Documentos preservados no Arquivo do Senado, em Brasília, revelam que os senadores foram protagonistas no longo processo que culminou na criação do Código de Menores de 1927.

Um dos pioneiros da causa infantil foi o senador Lopes Trovão (DF). Ainda no final do século 19, ele subiu à tribuna do Palácio Conde dos Arcos, a sede do Senado, no Rio (que tinha o status de Distrito Federal), para dizer que era inaceitável a apatia do poder público diante das crianças abandonadas e delinquentes.

— Ao Estado se impõe lançar olhos protetores, empregar cuidados corretivos para a salvação dos pobres menores que vagueiam a granel, provando nas palavras que proferem e nos atos que praticam não ter família. Se a têm, esta não lhes edifica o coração com os princípios e os exemplos da moral — discursou ele em setembro de 1896.
Patriarcalismo

Para o senador, o Estado precisava ter poder para retirar de casa e internar em escolas especiais as crianças que não recebessem dos pais a devida educação moral. Segundo ele, vários países avançados já subtraíam o pátrio poder das famílias negligentes, como os Estados Unidos, a França e a Inglaterra.

Lopes Trovão acreditava que os cidadãos de sua geração já estavam corrompidos e não seriam capazes de tirar o Brasil do atraso social e conduzi-lo à civilidade. Para ele, a solução seria apostar todas as fichas nas crianças.

— Temos uma pátria a reconstituir, uma nação a formar, um povo a fazer. Para empreender essa tarefa, que elemento mais dúctil e moldável a trabalhar do que a infância? São chegados os tempos de trabalharmos na infância a célula de uma mocidade melhor, a gênese de uma humanidade menos imperfeita. Preparemos na criança o futuro cidadão capaz de efetuar a grandeza da pátria dentro da verdade do regime republicano.

Muito embora o senador Lopes Trovão já fosse uma figura respeitada por ter militado na linha de frente dos movimentos abolicionista e republicano, o projeto de Código de Menores que ele apresentou em 1902 terminou engavetado.

O senador Alcindo Guanabara (DF) foi outro expoente na defesa da “infância desvalida”. Em agosto de 1917, ele fez um enfático pronunciamento em que buscou convencer os colegas da necessidade urgente de um Código de Menores:

— São milhares de indivíduos que não recebem senão o mal e que não podem produzir senão o mal. Basta de hesitações! Precisamos salvar a infância abandonada e preservar ou regenerar a adolescência, que é delinquente por culpa da sociedade, para transformar essas vítimas do vício e do crime em elementos úteis à sociedade, em cidadãos prestantes, capazes de servi-la com o seu trabalho e de defendê-la com a sua vida.

O projeto que o senador redigiu em 1917 também acabou sendo arquivado. Em 1906, como deputado federal, Alcindo Guanabara já havia apresentado uma proposta semelhante, que tampouco avançou. Outra tentativa de criação do Código de Menores foi feita em 1912, pelo deputado João Chaves (PA).

Desde o discurso de Lopes Trovão, passaram-se mais de 30 anos até que o Código de Menores fosse aprovado. Foram vários os motivos da demora. Um deles, segundo estudiosos do tema, foi a 1ª Guerra Mundial (1914–1918), que reduziu a mera frivolidade qualquer discussão em torno da infância. Outro entrave foi o patriarcalismo.

— Os senadores e deputados faziam parte daquela sociedade patriarcal e não queriam perder o poder absoluto que tinham sobre suas famílias até então. O Código de Menores mudava essa realidade, permitindo que o Estado interviesse nas relações familiares e até tomasse o pátrio poder — explica a historiadora Sônia Camara, autora do livro Sob a Guarda da República(Quartet Editora), que trata das crianças da década de 1920.

O historiador Eduardo Silveira Netto Nunes, estudioso da evolução das leis da infância, vê um terceiro motivo. De acordo com ele, uma parcela dos parlamentares tinha aversão às propostas de Código de Menores porque a construção dos reformatórios, escolas e tribunais previstos na nova lei exigiriam o aumento dos impostos.

— Até então, o governo estava ausente das políticas sociais. Sua atuação se resumia à repressão policial. O Código de Menores apareceu como o prenúncio do que viria a partir dos anos 30, com Getúlio Vargas, que transformaria o governo no grande administrador da sociedade e colocaria as políticas sociais como prioridade. Vargas, por exemplo, trouxe uma série de direitos trabalhistas.

Na entrada da década de 20, os obstáculos começaram a cair. No governo Epitácio Pessoa, o advogado e ex-deputado José Cândido Mello Mattos foi encarregado de reformular o projeto do senador Alcindo Guanabara e passou a conduzir o movimento. Por influência dele, o Congresso aprovou uma série de leis relativas à infância que abririam caminho para a criação do Código de Menores. Na época, a lei ficou conhecida como Código Mello Mattos.




Dia da Criança

A data da assinatura do Código de Menores, em 12 de outubro de 1927, havia sido escolhida pelo presidente Washington Luiz a dedo, para coincidir com os festejos do Dia da Criança, criado por decreto pouco antes por seu antecessor, Artur Bernardes.

A nova lei, em resumo, determinava ao governo, à sociedade e à família que cuidassem bem dos menores de 18 anos.

Um dos artigos proibiu a chamada roda dos expostos, a medieval roleta embutida na parede externa de instituições de caridade que permitiam à mulher — solteira, quase sempre — abandonar anonimamente o filho recém-nascido. Com o código, a mãe teria que primeiro providenciar a certidão de nascimento do bebê para depois poder entregá-lo aos funcionários do orfanato, onde se lavraria um registro, que poderia ser secreto se fosse esse o desejo da mulher.

O trabalho infantil era fartamente explorado. Ainda que pouco produtiva, era uma mão de obra abundante e barata. A partir de 1927, as crianças de até 11 anos não puderam mais trabalhar. A atividade dos adolescentes entre 12 e 17 anos ficou autorizada, porém com uma série de restrições. Eles, por exemplo, não poderiam trabalhar durante a noite nem ser admitidos em locais perigosos, como minas e pedreiras.

De acordo com a historiadora Maria Luiza Marcilio, autora do livro História Social da Criança Abandonada (Editora Hucitec), o Código de Menores foi revolucionário por pela primeira vez obrigar o Estado a cuidar dos abandonados e reabilitar os delinquentes. Ela, porém, faz uma ressalva:

— Como sempre acontece no Brasil, há uma distância muito grande entre a lei e a prática. O Código de Menores trouxe avanços, mas não conseguiu garantir que as crianças sob a tutela do Estado fossem efetivamente tratadas com dignidade, protegidas, recuperadas.

O sucessor da lei de 1927 foi o Código de Menores de 1979, criado pela ditadura militar. Depois, em 1990, veio o Estatuto da Criança e do Adolescente.

Os dois primeiros códigos, grosso modo, dirigiam-se apenas aos marginais. O ECA, por sua vez, vale para todas as crianças e adolescentes, independentemente da classe social. Antes, o foco das leis estava nas punições. Agora, nos direitos. Nos velhos códigos, o infrator capturado era punido automaticamente. Hoje, ele tem direito a ampla defesa e, para isso, conta com o trabalho dos defensores públicos.

O termo “menor”, que se popularizou na época do código de 1927, agora é abominado pelo meio jurídico. O ECA, em seus mais de 250 artigos, não o utiliza nenhuma vez. No lugar de “menor”, adota a expressão “criança ou adolescente”. Explica o historiador Vinicius Bandera, autor de um estudo sobre a construção do primeiro código:

— “Menor” é um termo pejorativo, estigmatizante, que indica anormalidade e marginalidade. “Criança ou adolescente” é condizente com os novos tempos. Remete à ideia de um cidadão que está em desenvolvimento e merece cuidados especiais.


Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Seu colega, Roger Waters


“Você pode estar vendo Israel com lentes cor de rosa”: Roger Waters escreve nova carta a Caetano




Diário do Centro do Mundo


Postado em 30 de junho de 2015

Da coluna de Ancelmo Gois no Globo:




Roger Waters respondeu à carta de Caetano Veloso. Relembrando: o ex-líder do Pink Floyd escreveu a Caetano e Gil, pedindo que não façam show em Israel, em julho, por causa do “massacre contra os palestinos”. Caetano escreveu de volta (CLIQUE E LEIA AQUI). Depois de enfatizar sua oposição à “direita arrogante do governo israelense”, o baiano disse: “Nunca cancelaria um show para dizer que sou basicamente contra um país, a não ser que eu estivesse realmente e de todo meu coração contra ele. O que não é o caso. Eu me lembro que Israel foi um lugar de esperança. Sartre e Simone de Beauvoir morreram pró-Israel.” Aqui, a tréplica do músico inglês:



Querido Caetano,

Obrigado por tomar seu tempo para responder à minha carta. Diálogo é realmente importante. Eu vou responder aos pontos que você levantou. Temo que você possa estar vendo a política israelense com lentes cor-de-rosa. O fato é que, por muitas décadas, desde a Nakba (catástrofe, expropriação do povo palestino) em 1948, as políticas coloniais e racistas de Israel têm devastado a vida de milhões de palestinos.

O movimento BDS, ao qual estou pedindo que se junte, é um movimento global que demanda liberdade, justiça e igualdade para os palestinos. Está aumentando rapidamente por causa da crescente consciência internacional sobre a opressão que os palestinos têm suportado nesses últimos 67 anos. O atual regime de extrema direita de Netanyahu é apenas o último governo perpetrando atos cruéis de injustiça e colonização. Mas isso não é um problema apenas da direita. Foi, na verdade, o partido de esquerda Trabalhista que fundou o programa de assentamentos ilegais e que também falhou em acabar com a ocupação das terras palestinas e fazer a paz.

Em sua carta, você diz que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir acreditavam em Israel antes de morrer. Até pode ser, mas isso foi naquele tempo, talvez à época eles não soubessem ou não compreendessem a brutalidade da ocupação das terras palestinas e a subjugação de seu povo. No entanto, eu sei o seguinte, os assoalhos respingados de vinho e café do Café Flores e do Les Deux Magots hoje reverberariam com o som de Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir revirando-se em seus túmulos ao ouvirem seus nomes usados em vão e pregados ao mastro da ocupação e opressão do povo palestino.

Você menciona o arcebispo emérito Desmond Tutu, ele está entre os que abraçam o BDS, já que ele observou as ações de Israel e tem profunda empatia com o povo palestino. Há, como ele apontou a você, um apartheid nos territórios ocupados que é tão definitivo e desumanizante como o que havia na África do Sul do apartheid, quando leis de passagem infames e racistas estavam em prática. Assim como na África do Sul, palestinos e seus direitos legais são definidos por sua origem racial ou religiosa. Você consegue imaginar uma coisa dessas no Brasil ou na Inglaterra ou nos EUA ou na Holanda ou no Chile, ou? Não. Por que não?

Porque é inaceitável, é por isso que não.

Caetano, se posso fazer uma pergunta, por que você não rejeitaria a cumplicidade com tamanha injustiça agora, assim como você certamente teria rejeitado o racismo branco contra a população negra da África do Sul nos anos 80?

Sua carta sugere que você acredita que seu futuro show em Tel Aviv pode ajudar a mudar a política israelense. Eu sugeriria que essa é uma posição ingênua. Infelizmente, não é apenas o governo israelense que precisa de uma mudança de mentalidade. Pesquisas indicam que impressionantes 95% do público judeu israelense apoiaram os bombardeios a Gaza em 2014 (561 crianças mortas), 75% não apoiam um Estado palestino baseado nas longamente negociadas fronteiras de 1967, e 47% acreditam que os cidadãos palestinos de Israel devem ser destituídos de sua cidadania.

Não, Caetano, tocar em Tel Aviv não vai mover o governo israelense ou a maioria dos israelenses nem um centímetro, mas vai ser visto como sua aprovação tácita ao status quo. Sua presença lá será usada como propaganda pela direita e proverá cobertura e apoio moral às políticas ultrajantemente racistas e ilegais do governo israelense.

É um dilema, eu sei, mas se você quer realmente influenciar o governo israelense, você se unirá a nós na linha de piquete do BDS. Nós estamos tendo um efeito poderoso, como você pode ver pela reação deles, os agressores vindo com toda a força para tentar esmagar nossas vozes de dissenso e nos silenciar.

Nós não seremos silenciados, somos fortes, e, juntos, nós podemos ajudar a libertar não só o povo palestino do jugo da opressão israelense, mas também o povo israelense da opressão de seu próprio excepcionalismo e dogma, que é fatal a ambos os povos.

Eu imploro a você para não proceder com sua participação em Tel Aviv. Em vez disso, tome a oportunidade de visitar Gaza e Cisjordânia e ver por você mesmo o que Sartre e Simone de Beauvoir não viveram para ver. Eu acredito que sua resolução de tocar em Tel Aviv se dissolverá em um mar de lágrimas e arrependimento.

Caetano, eu não conheço você, nunca nos encontramos pessoalmente, mas eu acredito que você tem boas intenções e não carrego nenhum ressentimento. Se você for a Tel Aviv, apesar de nossos apelos sinceros, e se você visitar Gaza ou os territórios ocupados, você pode muito bem ter uma epifania. Se você o fizer, por favor, nos procure, a todos nós, não só nas comunidades palestinas e judaicas, mas todos nós em solidariedade no Brasil e em outros lugares, todos nós no BDS por todo o mundo trabalhando por justiça e direitos iguais na Terra Santa. Nós iremos abraçá-lo.

Eu lhe agradeço de novo por se juntar a essa conversa. Por favor, vá e veja as coisas por si mesmo, mas sem se apresentar lá, sem cruzar a linha de piquete do boicote palestino. Talvez a UNRWA (agência da ONU para os refugiados palestinos) possa ajudar, eles certamente me ajudaram quando eu estava procurando a realidade. Vá e veja por você mesmo, você não terá que usar sua imaginação. A realidade é devastadora para além de qualquer coisa que você possa imaginar. Obrigado,

Seu colega,

Roger Waters






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Leia a carta de Caetano Veloso a Roger Waters sobre o show em Israel





Esta é carta que Caetano Veloso mandou para Roger Waters, o ex-líder do Pink Floyd, que pediu que ele e Gilberto Gil não façam show em Israel, em julho, por causa do “massacre contra os palestinos”:

"Querido Roger,

Há cerca de um mês recebemos sua carta através de Pedro Charbel, um jovem brasileiro que faz parte do Movimento BDS. Pedro veio à minha casa, onde ele nos conheceu, a Gil e a mim — junto com nossas empresárias —, acompanhado de uma jovem brasileiro -israelense, Iara Haazs, uma judia (que também está com o BDS), para pedir que cancelássemos o show, em Tel Aviv, no próximo mês. Antes disso, nós recebemos a carta de um importante militante dos direitos humanos no Brasil com o mesmo pedido.

Hoje nós recebemos outra, desta vez do próprio Desmond Tutu (ele foi citado na sua e em todas as outras cartas e mensagens que recebemos sobre o assunto). Tentarei responder a ele também.

Quando a África do Sul estava sob o regime de apartheid, e eu soube que artistas estavam se recusando a tocar lá, concordei como que automaticamente com tal decisão.

A complicada situação no Oriente Médio não me mostra o mesmo tipo de imagem preto-no-branco que o racismo oficial, aberto, da África do Sul me mostrava então. Eu disse a Charbel como me sentia a respeito.

Ele pareceu achar, como você, difícil de acreditar que pessoas como Gil e eu não fôssemos recusar o convite dos produtores e do público de Israel (o show está esgotado) depois de ouvir o que ele tinha para nos contar sobre aspectos realmente sombrios da relação Israel-Palestina.

Eu preciso lhe dizer, como disse a ele, como meu coração é fortemente contra a posição de direita arrogante do governo israelense. Eu odeio a política de ocupação, as decisões desumanas que Israel tomou naquilo que Netanyahu nos diz ser sua autodefesa. E acho que a maioria dos israelenses que se interessam por nossa música tende a reagir de forma similar à política de seu país.

Aqui reproduzo o que disse a um jornalista brasileiro que me questionou como eu responderia ao pedido de cancelamento em uma curta sentença: Eu cantei nos Estados Unidos durante o governo Bush e isso não significava que eu aprovasse a invasão do Iraque. Escrevi e gravei uma música que se opunha à política que levou à prisão de Guantánamo — e a cantei em Nova York e Los Angeles. Eu quero aprender mais sobre o que está acontecendo em Israel agora. Eu nunca cancelaria um show para dizer que sou basicamente contra um país, a não ser que eu estivesse realmente e de todo o meu coração contra ele. O que não é o caso. Eu me lembro que Israel foi um lugar de esperança. Sartre e Simone de Beauvoir morreram pró-Israel.

Gilberto Gil contou-me já ter sido aconselhado a cancelar shows em Israel antes, mas que ele se recusou a fazê-lo, mesmo após os terríveis acontecimentos de julho de 2014. Quanto a mim, eu gostaria de ver a Palestina e Israel como dois Estados soberanos. E entendo que Israel precisa escutar as reações que chegam do exterior. As Nações Unidas, muitos governos, e até artistas, como você, mostram os riscos de Israel ficar cada vez mais isolado, caso siga com suas políticas reacionárias. Às vezes, eu penso que é contraproducente isolar Israel. Isto é, se se está buscando a paz. Tenho muitas dúvidas sobre tema tão complexo.

Charbel sabe quantos problemas de produção teríamos no caso de cancelamento de um show que já foi anunciado e completamente vendido. Mas eu desistiria alegremente de tudo se estivesse seguro de que essa é a coisa certa a fazer. Devo pensar por mim mesmo, cometer meus próprios erros. Eu te agradeço — e a muitos outros — pela atenção e o esforço dedicados a me esclarecer sobre a política naquela região. Sempre falarei a verdade de meus pensamentos e sentimentos, e se eu fosse cancelar esse show apenas para agradar pessoas que admiro, eu não seria livre para tomar minhas próprias decisões. Eu vou cantar em Israel e prestar atenção ao que está acontecendo lá.

Netanyahu não ganhou fácil a última eleição. Acho que o fato de eu cantar lá é neutro para a política do país, mas se minhas canções, voz ou mera presença puderem ajudar os israelenses que não concordam com a opressão e a injustiça — em uma palavra, a se sentirem mais longe de votar em alguém como ele — eu estarei feliz."

sábado, 13 de junho de 2015

como Dilma pensa e como quer governar o País


Cynara: “atitude muito corajosa de Jô Soares”




13 de junho de 2015 | 12:45 
Autor: Miguel do Rosário



Jô Soares, o cara na Globo que gosta da Dilma



Por Cynara Menezes, Socialista Morena


O ar désolé de William Waack ao anunciar a próxima atração era uma pista para o que viria a seguir: o apresentador Jô Soares em um encontro para lá de amistoso com a presidente Dilma Rousseff no palácio da Alvorada. E “o gordo” já começou dizendo a que vinha: fazer uma entrevista-desagravo à presidente, que está sendo alvo, disse, de uma campanha “absurda” por parte de gente que não se conforma com o resultado da eleição.

“Eu comecei a ter uma reputação de petista fanático porque saí em sua defesa quando começou aquela onda absurda, louca, de ‘fora Dilma’. A pessoa não acredita muito que na democracia, quando a pessoa é eleita, tem que se respeitar o voto. Saí em sua defesa, não que você precisasse, mas tem certas coisas que me deixam indignado”, comentou Jô. Ou seja, o apresentador global deixou patente que vê as manifestações como choro de perdedor. Uau.

Jornalisticamente, é preciso que diga, a entrevista não foi lá essas coisas. Uma entrevista rende muito mais quando se faz um bom número de perguntas ao entrevistado (não necessariamente ardilosas), sem deixá-lo falar tanto. Quanto maior a variedade de temas, mais variada, claro, fica a entrevista. Faltaram vários temas, em minha opinião, principalmente provocações sobre a relação entre Dilma e os detentores do poder no Congresso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e o presidente do Senado, Renan Calheiros. Jô só tocou no nome deles en passant, e para criticá-los.

Mas há dois pontos a se levar em consideração: o primeiro é que Jô Soares não é jornalista e sim um entertainer – que tem, atenção, a “permissão” de se posicionar politicamente, ao contrário dos jornalistas, nos meios tradicionais. O segundo é que o objetivo dele com a entrevista não era colocar Dilma na parede, coisa que vimos à exaustão toda vez que ela apareceu diante das câmeras respondendo a jornalistas brasileiros –no Jornal Nacional, então, nem se fala. O objetivo de Jô era mostrar como Dilma pensa e como quer governar o País. E, neste aspecto, é possível dizer que foi a primeira entrevista que a presidente deu desde que se elegeu em 2010 em que pôde fazer isso. Todas as entrevistas de Dilma no Brasil tinham ar de duelo, normalmente concedidas no calor de uma campanha eleitoral.

Jô Soares, ao contrário, levantou a bola para Dilma cortar em praticamente todas as perguntas. À vontade, sem ser interrompida, a presidente, mesmo com a prolixidade habitual, pôde explicar o que tem feito e quais são suas metas para os próximos quatro anos. E, diferentemente da Dilma “marionete” de Lula que pintam, sobressaiu uma governante segura do que tem na cabeça. Para exasperação de seus opositores, Dilma transmitiu uma imagem de mulher extremamente preparada para o cargo. Quer você goste dela ou não, ficou bastante óbvio que ela não está ali por acaso e sabe exatamente o que está fazendo. Se você não concorda com o que ela está fazendo (e aqui incluo a esquerda que votou nela) é outra história, mas que ela tem a coisa clara na cabeça, tem.

A entrevista de Dilma Rousseff ao Jô foi praticamente um anti-panelaço: contra os que quiseram calar a presidente pelo grito, o entrevistador mais famoso do Brasil lhe ofereceu voz. Elogiou seu gosto pela leitura, mostrou-se admirador de sua passagem pela luta armada durante a ditadura e não disfarçou sua confiança no projeto de governo dela. Jô gosta muito de Dilma, simpatiza com a pessoa dela, isso ficou evidente. O recado foi dado à emissora onde trabalha: “Vocês não gostam dela, mas eu gosto e vão ter que me engolir”. Aos 77 anos de idade e 54 anos de carreira, Jô Soares pode fazer isso. Para culminar, terminou a entrevista com um galanteio hilário à presidente em pleno dia dos namorados, antes de beijar sua mão: “Foi bom para você também?” E foi bem isso mesmo, um “beija-mão”. Jô estava ali para ser um gentleman com Dilma.

Na manhã seguinte à entrevista, as redes sociais estavam ouriçadas. Os “defensores da liberdade de expressão” de costume atacavam Jô Soares sem o menor respeito. “Fim de carreira”, “sem caráter”, “sempre foi fraco”, além dos xingamentos impublicáveis característicos ao grupo. Não poderiam faltar as acusações de que Jô “recebe dinheiro” do PT: a captação pela Lei Rouanet para a montagem da peça Troilo e Cressida, de Shakespeare, foi transformada imediatamente em suborno. Gente capaz de vender sua ideologia por 30 dinheiros acha que todo mundo faz o mesmo.

Pois eu achei uma atitude muito corajosa de Jô Soares de fazer este desagravo a Dilma, ainda mais em plena TV Globo, emissora que integra a oposição midiática ao PT e a seu governo. Jô demonstrou que não está disposto a abrir mão de suas convicções, ainda que isto lhe resulte em seu linchamento por parte de gente que aprova linchamentos. Coragem é sempre algo admirável em um personagem público.

Assista à íntegra da entrevista clicando aqui.

A Azul acreditou no Brasil.


A Azul ensina
uma lição à Globo



A Globo é um veículo de massa: massa de fazer coxinha


Conversa Afiada





A Azul entendeu o Brasil (Geórgia Pinheiro)




A Azul comprou a TAP e vai entupir Lisboa e a Europa de brasileiros da Classe C !

Já imaginou a D. Severina, de Xique-Xique, a degustar um pastelzinho de Belém – em Belém, Lisboa ?

E pagar em suaves prestações da CVC !

Ou da “Azul Viagens”, operadora de turismo da Azul: todos os pacotes em até dez vezes, sem juros no cartão de crédito.

Que horror !

A Azul acreditou no Brasil.

Na expansão do mercado de passageiros.

De 2000 – na fase plúmbea do tucanismo – a 2014, o movimento de passageiros em aeroportos cresceu 154% !!!

E 93% só em voos domésticos !

Viva a Vovó Severina, Jabor !

A Azul foi ao Centro-Oeste, o maior celeiro agrícola do mundo.

A Azul vai a 104 destinos no Brasil, praticamente o mesmo que a TAM e a Gol juntas.

Faz 850 voos diários, mais do que o dobro da concorrência.

A Azul é a empresa mais equipada para se beneficiar do programa de investimento em cerca de cem aeroportos regionais nesse pais-continente.

A Azul é novata.

Chegou ao Brasil em 2008.

E ai entra a Globo.

A Globo está sentada no mesmo sofá do antigo duopolio da TAM e da Gol.

Na mesma poltrona da Varig, que, como a Globo, vivia da Bolsa PiG – a grana ( e o BV) da Viúva.

Além disso, a Globo se chafurda no monopólio das ” transmissões televisivas” – quem as compra do J Hawilla?

Um dia, vai chegar a Azul da Globo.

Já chegou.

É o Google-Azul, que vai Googlar a Globo.

É o Net-Azul-flix, que tira audiência da Globo.

A blogosfera é Azul !

É a Azul democratização da banda larga que vai instalar a Globo no Jurassic Park.

Por que ?

Porque a Globo não conhece o Brasil da Azul: Teffé, Cacoal. Sinop, Alta Floresta, Vilhena, Ji-Parana, Barreiras etc etc etc

Quem manda acreditar na Urubologa ?

A Globo instalou o Ibope na Classe B e perdeu o contato com a maioria, 54% da população brasileira: a Classe C.

É um veículo de massa: uma massa para produzir coxinhas.

Na tela e diante da tela.

Os donos da Globo e suas estrelas só andam em seus próprios jatinhos.

Deu nisso.

Em tempo: o Conversa Afiada não tem anúncio da Azul nem da CVC. Nem da Globo.


Paulo Henrique Amorim

quarta-feira, 10 de junho de 2015

essa gente é perigosa


Agressor de frentista haitiano faz ameaças após ser triturado pelo CQC




Posted by eduguim on 10/06/15








No último sábado, o Blog denunciou que o fanático de ultradireita Daniel Barbosa Amorim, que agrediu verbalmente frentista haitiano que trabalha em um post de gasolina da cidade gaúcha de Canoas, cumpriu pena de prisão por furto, entre outras complicações com a lei.

A informação foi passada em entrevista a esta página pelo escrivão de Porto Alegre Leonel Radde, quem, após assistir a vídeo da agressão que se espalhou como fogo na internet, lavrou um boletim de ocorrência no 20º Distrito Policial da capital gaúcha.







Amorim é, também, “administrador” do grupo fascista “Revoltados On Line”, segundo informação postada por esse grupo em seu perfil no Facebook.







Na última segunda-feira, o programa humorístico da Band Custe o Que Custar (CQC) fez um excelente trabalho jornalístico ao ir ao Rio Grande do Sul entrevistar o frentista agredido e, também, o ex-presidiário Daniel Barbosa Amorim.

Para quem não assistiu ao programa, vale a pena conferir a belíssima reportagem de um programa polêmico cujo conceito entre os analistas sérios nunca foi bom, mas que vem melhorando após a saída do âncora Marcelo Tas.






O que espanta na reportagem do CQC é a postura arrogante e agressiva do ex-presidiário que agride pessoas indiscriminadamente. Por várias vezes ele bateu no peito do repórter que o entrevistou, tentando provocar uma reação e gerar um confronto físico.







Mas não é só. Além de uma quase agressão física em transmissão de TV veiculada para todo o país, o elemento ainda disparou ameaças retóricas. E ninguém melhor do que o policial que o denunciou à lei pela agressão ao frentista para explicar o caso.

Em seu perfil no Facebook, o policial Radde comenta essas ameaças






Parece que ainda não caiu a ficha do ex-presidiário e “administrador” do grupo fascista “Revoltados On Line”. Além de sua atitude truculenta ao tocar provocativamente o repórter da Band, ainda insinua que irá processar suas vítimas e quem lhe denunciou o crime.

No vídeo, vê-se uma mulher que acompanhava o ex-presidiário filmando o trabalho do repórter Marcelo Salinas, do CQC, e “ordenando” que a entrevista terminasse.

De qualquer forma, o saldo desse episódio é positivo. A excelente argumentação do repórter da Band expôs toda estupidez do ex-presidiário que ajuda a “administrar” o perfil dos “Revoltados On Line” no Facebook.

A reiterada baboseira desse grupo sobre o Foro de São Paulo foi literalmente triturada pelo repórter da Band. Além disso, ao reconhecer que cumpriu pena por roubo, o ex-presidiário truculento expôs ao país que tipo de gente é esse que tem a ousadia de acusar os outros de corrupção.

Esse é o principal mérito da democracia. Com liberdade de expressão, excessos de gente autoritária, estúpida e antidemocrática como Amorim e seu grupo de “revoltados” podem ser expostos e, aos poucos, o país vai entender que essa gente é perigosa e precisa ser contida.