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quarta-feira, 31 de maio de 2017

#ForaTemer não tem nem interesse nem legitimidade

Temer conduziu o Brasil ao desemprego





Por Adilson Araújo, no Blog do Renato:


A agenda ultraliberal de Michel Temer está destruindo as conquistas e direitos, que prevaleceram durante pouco mais de uma década, o que se aprofunda as desigualdades sociais e a fome em nosso país.

O golpe do capital contra trabalho está literalmente tirando o alimento da mesa de milhões de família brasileiras. São mais de 14 milhões sem emprego. O efeito macroeconômico é devastador.

Sem emprego, o cidadão também não tem renda, não consome. Os salários despencam. Há uma forte contração do consumo, que realimenta a crise com falências e demissões no comércio.

E para piorar, a gestão Temer segue com sua ofensiva contra os direitos. As reformas trabalhista e previdenciária só potencializam a recessão e a crise que vive o país.

Estamos diante de uma encruzilhada e muito nos preocupa a instabilidade política e econômica. A invés de propor alternativas à crise, lamentavelmente, a agenda ultraliberal de Temer avança contra nosso povo e nossos direitos.

Não serão essas reformas que combaterão o desemprego no Brasil. É necessário mudar a política econômica, reduzir juros, controlar o câmbio e ampliar os investimentos públicos.

E Temer não tem nem interesse nem legitimidade para tanto.

O tempo exige de nós muita resistência e luta contra essa agenda de retrocessos. A mobilização social deve ser permanente contra as reformas, por eleições diretas e em defesa de um projeto que sinalize um horizonte de retomada do desenvolvimento com geração de emprego e renda.


Por direitos,

#ForaTemer
#DiretasJá


* Adilson Araújo é presidente nacional da CTB.

sábado, 26 de novembro de 2016

a humanidade ainda não acordou... muito menos o Brasil



RESQUÍCIOS DA CASA GRANDE EM TEMPOS DE CONQUISTA DE DIREITOS PELA SENZALA







MAGDA BIACASCHI e MIGUEL ROSSETTO.





A PEC 241, aprovada na Câmara, é estruturante do modelo ultraliberal que buscam implementar, como também a reforma da Previdência, a prevalência do negociado sobre o legislado, o projeto da terceirização, entre outros. O movimento é de regresso. Nessa dança, a Casa Grande dá o tom e o som Publicado em Brasil Debate

As desigualdades se aprofundam em tempos de capitalismo globalizado e hegemonizado pelos interesses das finanças. Enquanto em 1973 a população 1% mais rica detinha 10% da renda, em 2013 passou a deter 20% (PIKETTY, 2014). Nesse cenário, os direitos sociais sucumbem à força bruta e às políticas de ajuste que, apesar de comprovadamente ineficazes, continuam sendo “recomendadas” pelos organismos emprestadores de dinheiro.

Movido por um desejo insaciável de acumulação de riqueza abstrata (BELLUZZO, 2013), o capitalismo vai engendrando novas formas de organização, buscando eliminar quaisquer obstáculos ao seu livre trânsito. No Brasil, por exemplo, as políticas sociais públicas inclusivas, o Direito do Trabalho e a Justiça do Trabalho. Não à toa, em recursos extraordinários, está sendo postulado do STF que “roube a fala” do TST para que este, em suas decisões, não ofereça limites “à livre iniciativa”, como se estivéssemos no século XIX, em tempos da Constituição liberal de 1891.

Gilberto Freyre, em Casa Grande & Senzala, desnudou o caráter despótico da sociedade escravocrata brasileira. Uma sociedade centrada na vontade e no poder do senhor da Casa-Grande, o qual não conhece o bem e o mal; apenas seus desejos, a tudo e a todos objetivando para realizá-los (BIAVASCHI, 2007).

Em 1888, a Abolição livrou o país de seus inconvenientes. Quanto aos negros, porém, abandonou-os à sorte. Nesse processo, consolidou-se a exploração de uma mão de obra barata, em uma sociedade cujo tecido era costurado pelo signo da desigualdade e da exclusão (OLIVEIRA, 1990). As dificuldades de integração à sociedade eram atribuídas à inferioridade racial: marcas de uma herança que acabaram inscritas na estrutura social, econômica e política deste Brasil de mil e tantas misérias. Assim, a relação entre escravo e senhor apenas formalmente acabou por culminar no homem “livre”, sem que fossem superadas as condições instituintes da dominação e sujeição (BIAVASCHI, 2007).

Ainda hoje há resquícios dessa herança que se expressam, por exemplo, na ausência de uma política eficaz de democratização do acesso à terra e à renda; nas dificuldades enfrentadas para regulamentar a “PEC das domésticas” e a PEC 57A/1999 que permite a expropriação da propriedade quando evidenciada exploração da força de trabalho análoga à de escravo; nas tentativas de flexibilização do conceito de trabalho escravo; nas formas de preconceito e discriminação presentes na formação da sociedade brasileira que, extrapolando a esfera doméstica, volta e meia afloram em diversos setores da sociedade, da política e do Judiciário (BIAVASCHI, 2007).

A partir de 1930, em processo não linear completado pela Constituição de 1988 – que elevou os direitos do trabalho à condição de direitos fundamentais sociais e condicionou a livre iniciativa aos princípios da dignidade humana e do valor social do trabalho -, mulheres e homens trabalhadores, a ferro e fogo, foram conquistando o status de sujeitos de direitos trabalhistas, passando pela: criação das Juntas de Conciliação e Julgamento, em 1932; CLT, em 1943; regulamentação da Justiça do Trabalho em 1939, instalada em 1941 e integrante do Judiciário em 1946.

Justiça essa incumbida de concretizar um direito novo, profundamente social que, desde sua gênese, buscou compensar a assimetria nas relações de poder entre empregado e empregador, colocando diques à ação trituradora do movimento do capital. Daí porque esse Direito e as instituições aptas a dizê-lo têm sofrido duros golpes em tempos de regresso liberal (BIAVASCHI, 2007).

Nos governos Lula e Dilma, a política de valorização do salário mínimo, os programas sociais como Bolsa Família e outros, os benefícios da Previdência, o Pro-Uni, os sistemas de quotas, enfim, constituíram um patamar civilizatório que melhorou a vida dos menos favorecidos. Mesmo assim, ainda que os dados da distribuição de renda evidenciem melhoras, o Brasil permanece entre as piores posições, como os gráficos a seguir mostram-no em relação a alguns países do mundo e a evolução recente do índice no País.
































Ainda que muito se precise andar para completar a caminhada de superação das heranças coloniais, interesses econômicos e financeiros internos e externos ao Brasil interromperam esse processo. O impeachment da Presidente Dilma, sem prova de crime que o justifique, golpeou a democracia brasileira.

As forças que se aglutinam em torno dele deixam a cada dia evidente que, além dos temas relacionados à soberania nacional, a questão que as move é introduzir uma agenda ultraliberal, com potencial altamente desigualador e impacto negativo às políticas inclusivas, justo em tempos em que as desigualdades são acirradas pela ditadura dos mercados financeiros (BIAVASCHI, KREIN, 2016).

A PEC 241, aprovada na Câmara, é estruturante do modelo que buscam implementar, como também: a reforma da Previdência; a prevalência do negociado sobre o legislado; o PLC 30/2015 (PL 4330/04 na Câmara) que libera a terceirização para quaisquer atividades; a flexibilização do conceito de trabalho escravo; a redução da idade para o trabalho, entre outras.

Os que as defendem apostam no aprofundamento do ajuste fiscal, com severo corte de gastos públicos. E ao argumento falacioso da conquista da “modernidade”, maior produtividade e competitividade, clamam pela “quebra” da “rigidez” das normas da CLT de 1943, verticalizadas pela Constituição de 1988. O movimento é de regresso. Nessa dança, a Casa Grande dá o tom e o som.

O programa “Uma Ponte para o Futuro”, do PMDB, fundamenta muitas das propostas do governo Temer. Acaso aprovadas, mais uma vez serão colocados obstáculos à difícil caminhada superadora das heranças coloniais rumo a uma nação moderna e industrializada, hoje integrante do G20 e dos Brics. Sua não adoção pela então Presidente – segundo o Presidente Temer referiu nos EUA em encontro com empresários – teria sido uma das razões do impeachment.

Daí causarem perplexidade as declarações do Ministro do STF, Gilmar Mendes, incumbido de zelar pela Constituição, sobre Bolsa Família, afirmando ser “compra de voto”, e sobre a Justiça do Trabalho. Em liminar, que se confia não terá chancela da Corte, suspendeu o andamento das ações sobre ultra-atividade de normas coletivas, forte na Súmula 277 do TST, assinalando que essa interpretação atende a uma “lógica voltada a beneficiar apenas os trabalhadores”, cogitando de “fraude hermenêutica”, “jurisprudência sentimental”.

Em São Paulo, vaticinou: “Tenho a impressão de que houve uma radicalização da jurisprudência, no sentido de uma hiperproteção do trabalhador, tratando-o quase como um sujeito dependente de tutela”, afirmando que o Brasil é “desenvolvido industrialmente” com “sindicatos fortes e autônomos” e, inclusive, um Presidente “vindo da classe trabalhadora”.

Em um país de profundas desigualdades, com desemprego novamente alarmante e formas de contratação burladas que retiram da proteção social milhares de brasileiros, tais afirmações privilegiam um dos polos da relação, o capital. Opção que, contraposta ao princípio constitucional do valor social do trabalho que fundamenta a ordem social e a econômica (artigos 1º, IV e 170), acirra as inseguranças, fomenta a violência e traz sérias dificuldades à construção de uma sociedade civilizada e democrática. Sonho do qual a humanidade ainda não acordou. Muito menos o Brasil.



quarta-feira, 27 de julho de 2016

31 de julho não é sobre o PT, é sobre o seu papel na história

Já imaginou se...


baitasar


O próximo dia 31 de julho não é sobre o PT. Claro que é difícil separar tanto e tudo que foi feito em uma década, mas pense em você. Em que lado da história você vai querer estar?

Quer estar ao lado do SUS e da luta para que os seus serviços tenham mais qualidade? Ou você acredita que a sua saúde vai estar garantida pelos planos de saúde privados? 

E a sua solidariedade com as pessoas que vão morrer por falta de médicos, remédios e vagas em hospitais? Piedade ou caridade não vai ajudá-las. 

E os tratamentos mais caros? Condenamos e xingamos quando sabemos que o SUS trata doenças muita caras nos outros, mas e quando nós precisamos? E todos precisamos!

Não esqueça: caso a saúde nos postos e UPAS da sua cidade não funcione, procure as respostas com o prefeito da sua cidade.

Quer estar ao lado da Universidade Pública e do Ensino Médio Público ou da educação privada? Você acredita que universidade é só para os ricos e aqueles que podem pagar? 

Você acredita que apenas os jovens ricos é que devem estudar no exterior? 

Isso de Ciência Sem Fronteiras é besteira de petista? 

Você também votaria em candidato que afirma que seguro saúde e aposentadoria por invalidez tem que acabar?

O PROUNI é um exagero? É um exagero esse sonho de universidade para todos?

Aham... você está do lado da Caixa Federal para os Ricos? Não sei se você sabe, mas o Temer Interino 6% congelou os recursos do Minha Casa, Minha Vida e liberou crédito para comprar imóveis de até R$ 3 Milhões! É o seu caso? Você é rico.

Isso... e muito mais foi tirado da população brasileira em apenas 2 meses de interinidade!

Aposentadoria aos 75 anos que foi vetada pela Presidenta Dilma e o interino 6% Temer derrubou junto com o congresso. Agora, as chances de você aposentar aumentaram... só aos 75 anos.

Não esqueça de se pronunciar sobre o regime único da previdência. Claro, não será único para os juízes e deputados e senadores. Hehehehehe, inocente útil da plutocracia.

Acabar com a CLT também está no centro dos desejos da plutocracia. Os ricos. Fiesp. Fiergs. Donos de Televisões. Donos de jornais. Donos de rádios. Eles sonham fazer do Brasil um país deles. 

Você está ao lado da extinção do 13º? Pois é, pense melhor. 

Lembra da votação sobre a destinação dos recursos do pré-sal? Afinal, você quer ou não que os recursos do pré-sal fiquem na saúde e na educação do Brasil? Parece que não é a intenção do interino 6% Temer. 

E o petróleo é Nosso ou dos americanos do Obama da Hilary ou do Trump? Você está do lado de quem? Afinal, você quer que os recursos do pré-sal fiquem na saúde e na educação dos EUA?

E de todas as conquistas saímos do mapa da fome do mundo!

Parece pouco? E você está ao lado da fome?

Aqui, vou me permitir copiar as palavras do senhor Franklin Tavares III,  que não conheço, mas concordo com a urgência de sairmos do mapa da alienação e ignorância



















Pois é, entendeu por que o dia 31 de julho não é pelo PT?

Vamos pra rua no dia 31 de julho defender tudo que conquistamos, algumas destas conquistas se diz que foi contra a vontade do PT.

Mas conquistamos!

Por quê?

Porque há democracia num governo eleito pelo voto e apenas repressão num governo golpista!

Vamos todos e todas para as ruas no dia 31 de julho! Pela democracia! 

O caminho do golpe estamos experimentado há 60 dias! 

Vamos dizer NÃO ao golpe!

Continuemos ao lado da História que respeita a todos e todas!






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Chegou o dia: acabam de propor o fim da universidade gratuita


Gazeta do Povo


UFPR: para O Globo, a própria existência da universidade pública é uma injustiça



O jornal O Globo sugeriu em editorial neste fim de semana aquela que talvez seja a medida mais grave de desmonte do estado de bem-estar social brasileiro – construído a duras penas durante as últimas décadas. Em função da crise econômica, o jornal sugeriu que simplesmente se acabe com o ensino superior gratuito. Assim: acabe-se, ponto.

A medida, de acordo com o editorial, serviria para duas finalidades diferentes. A primeira, diminuir o peso da educação para o Estado (a velha discussão sobre o gigantismo do Estado brasileiro e sobre a necessidade de diminuir impostos). Por outro lado, dando um aspecto “humanitário” à proposta, diz que isso acabaria com uma injustiça.

Leia mais: Sindicatos repudiam proposta

O argumento sobre a redução da carga tributária é mais inteligível, até por estar sendo debatido o tempo todo. O outro, que tenta vender como fim da injustiça aquilo que seria uma injustiça em si mesmo, é mais curioso e menos comum. Segundo o jornal, o grande problema é que quem fica com as vagas na universidade gratuita são os mais ricos. Os pobres são levados a pagar ensino privado de qualidade muitas vezes duvidosa (é O Globo quem diz, não eu).

A premissa do argumento tem uma certa verdade. Destinar as vagas do ensino gratuito aos mais ricos é injusto. A solução é bizarra. Ao invés de permitir que os mais pobres tenham acesso (mesmo que fosse em detrimento dos ricos), jogue-se tudo fora. O bebê junto com a água do banho. Décadas de investimento em uma educação pública de qualidade em função de um sistema de seleção imperfeito.

Para O Globo, a solução seria o sistema inteiramente privado, com bolsas para os mais pobres. Se essa fosse uma proposta séria, se o argumento humanitário fosse realmente a razão, e não o aspecto econômico, não faria sentido. Quem vai conseguir, dentre os pobres, as bolsas nas faculdades privadas que restariam? Os que têm melhor desempenho, os mesmos que hoje entram nas públicas gratuitas.

O argumento econômico também é frágil. Se a ideia fosse dar bolsas (públicas?) vê-se que o custo poderia ser enorme. Seria para todos, universal? Então o imposto seria ainda mais caro. Seria para poucos? Então seria excludente, e não humanitário. Nesse segundo caso, os mais pobres continuariam destinados a faculdades que o próprio jornal considera inferiores. Ou seja, não se resolve problema algum.

O que está verdadeiramente em jogo é um projeto de país. O desmonte de uma estrutura de inclusão que vem sendo posta em xeque nos últimos anos em detrimento de um Estado menor e mais leve – e também mais desigual.

Nos últimos anos, vêm surgindo repetidamente ideias de que a Previdência deve ser privada. De que o SUS deve diminuir. E de que o ensino gratuito, agora, é injusto. Ao mesmo tempo, propostas que realmente aumentam o atendimento aos brasileiros mais pobres, como o ProUni e o Pronatec geralmente vistas com desconfiança.

É preciso chamar as coisas pelos seus nomes. O que a proposta do fim do ensino superior público traz em si não é o fim de uma injustiça. É a ideia de que a injustiça se dá de qualquer jeito e de que devemos simplesmente deixar que ela ocorra sem pôr as mãos no nosso bolso para ajudar quem fica de fora do sistema. É a meritocracia que protege o bolso contra o assalto de quem nunca teve nada e quer ter chance de competir em condições de igualdade.

Se há algo que luta contra a injustiça nesse país é o acesso a uma educação de qualidade para todos. Se o Estado não servir para isso, servirá apenas para muito pouco. Para muito menos do que precisamos.

domingo, 13 de março de 2016

da nossa editoria de moda para hoje


Editoria de Moda do C Af: o que vestir hoje



De Pedro Sanchez em seu facebook


Conversa Afiada

publicado 13/03/2016






Em tempo: o Conversa Afiada sugere também esse cartaz a ser empunhado pelos marchadeiros desse 13 de março. É uma singela contribuição do Leandro Fortes:





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terça-feira, 11 de agosto de 2015

Vamos cantar. E vamos ganhar.


Emoções cruzadas em uma noite de agosto




agosto 6, 2015 22:28







por Rodrigo Vianna


Para colocar as coisas em perspectiva, ouço Cartola: “Alvorada”, “Divina Dama”, “Ensaboa”…
Esse é um Brasil lindo, que resiste há séculos.

Vamos lembrar: esse povo das panelas não gosta do Brasil. Gente cinzenta, infeliz e rancorosa – pendurada em suas tristes varandas.

Há motivos para protestar? Sempre há. Mas esse povo jamais protestou contra corrupção. Nunca. A não ser em 64, pra derrubar um governo constitucional. Ou em 54, pra levar Vargas ao suicídio.

“Você desconhece consciência/ só deseja o mal a quem bem te fez/ Basta, não ajoelhes, vai embora…”

O que move os tristes paneleiros é o rancor. Sim, essa gente está na ofensiva! Sim, essa gente pode ganhar a batalha. Mas nem por isso deixaremos de lutar, sonhar, sorrir e cantar.

Eles já ganharam outras vezes. E nós seguimos cantando. Estamos nessa, pra ganhar ou perder.

Lembro agora de todos meus amigos que gostam do Brasil.
Ouço Beth Carvalho, a sambista/brizolista, amiga de meu amigo Eduardo Goldenberg … “Por deus, não posso entender porque vamos chorando… O vento de quando em quando, num sussuro sereno, obriga toda a floresta a nos fazer aceno; é um festival de alegria que me põe a imaginar/ Não sei se devemos rir ou chorar.”

Penso em José de Abreu, o ator que botou a cara na TV pra defender o PT. Era bonito fazê-lo quando ser petista era ser “bom selvagem”, uma espécie exótica a adornar a cozinha da política. Zé de Abreu deu as caras quando a maioria dá as costas. O mundo em que vivo se faz de gente assim.

Sinto Darcy Ribeiro, tateio por entre Chico Buarque e Nelson Sargento. Farejo Aldir Blanc, o Tolstói brasileiro.
Sonho com os joelhos tortos (!) de Mané que jamais tremeu diante de europeus, com o calcanhar/pincel do Dr. Sócrates, com as arrancadas do gigante Romário – o baixinho que ganhou de cabeça dos grandões suecos em 1994, e agora botou a revista da marginal de joelhos. E me acalmo.

Amanhã, sexta-feira (7/agosto), alguns bravos irão para a porta do Instituto Lula. Reagir ao golpe paraguaio; defender não o governo manco de Dilma, mas a democracia que lutamos tanto pra construir. Na mesma hora, estarei na USP, defendendo minha dissertação de Mestrado, que traz (espero) reflexões sobre a democracia manca de um país vizinho: a Colômbia.

Torçam por mim, meus amigos.
Torço pelo Brasil.

Seguimos por aí, com Cartola, com as panelas cheias, com o coração quente.
Vamos cantar. E vamos ganhar.

Ganhando ou perdendo, vamos ganhar.
Já ganhamos!
 


Quanto pior melhor ?, ela perguntou.


Dino com o povo:
não vai ter Golpe!



Bem que o Dino e o Ciro avisaram ao Gilmar!


Conversa Afiada






Dino: não passarão !


O Conversa Afiada reproduz video espetacular com o governador Flavio Dino, do Maranhão, na visita da Presidenta Dilma.


Foi quando ela afogou no porto de Itaqui o Aecim e os Golpistas daquele sinistro café da manhã – o Gilmar, o Cunha e Pauzinho do Dantas.

Quanto pior melhor ?, ela perguntou.

Melhor para quem, FHC ?

Pro Jovelino ?

Não deixe de ver que o Dino já tinha avisado que não ia ter golpe.

O Ciro, também!

Até porque aquele pessoal do café da manhã é frouxo !

Eles só são valentes no PiG !

(Entenda que, por causa do 4G, o filho do Roberto Marinho também não quer o furdunço.)

(Nem ele nem o presidente do Bradesco )

(Precisa desenhar Ministro Nardes, aquele do Tribunal dos Crimes ?)

Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Ops! Aham... mudanças do gringo no RS!


Governo encaminha pacote com 11 projetos à Assembleia


SUL21




Governador José Ivo Sartori foi à Assembleia no começo da tarde desta quarta para entregar os projetos|Foto: Galileu Oldenburg/Casa Civil



Jaqueline Silveira

O governo do Estado encaminhou um pacote com 11 projetos à Assembleia Legislativa, no começo da tarde desta quarta-feira (3). Segundo o Executivo gaúcho, o objetivo é estancar a crise financeira. Há medidas (confira abaixo) que aumentam a alíquota sobre doações e heranças, mexe em conquistas de servidores e proíbe, por exemplo, que um governo conceda reajuste e deixe para a próxima gestão pagar. Das 11 propostas, apenas uma foi em regime de urgência e poderá trancar a pauta da Assembleia. É o projeto que altera os critérios de promoção dos oficiais da Brigada Militar. A maioria das medidas, se aprovadas, vale para 2016.

O pacote chamado pelo governo de “ajuste fiscal gaúcho – fase 2 -”, numa alusão à política implantada pelo governo federal para cortar gastos e conter a crise econômica, foi apresentado pelo chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi, que estava acompanhado dos secretários Geral, Carlos Búrigo, e da Fazenda, Giovani Feltes. Com as medidas que aumentam a receita, o governo projeta uma arrecadação de R$ 400 milhões por ano no futuro, já que os projetos, se aprovados pelos deputados, passavam a valer em 2016. Questionado se o nome do pacote ser uma tentativa para sensibilizar a oposição, principalmente o PT (já que o Governo Federal, petista, também tenta promover um ajuste fiscal), Biolchi foi taxativo: “Não é uma estratégia, nós precisamos fazer um ajuste fiscal de verdade”. “É uma necessidade”, completou Feltes.

Além dos projetos, o governo do Estado apresentou três decretos, que serão publicados posteriormente no Diário Oficial. O primeiro deles prorroga por mais 180 dias o documento em vigor desde janeiro de 2015 e que corta diárias e horas-extras e suspende o pagamento de fornecedores. A medida deve gerar uma economia de R$ 1,07 bilhão neste ano. O segundo cria o Programa de Reorganização, Aperfeiçoamento e Promoção da Eficiência da Administração Pública Estadual. Já o último trata da publicação nominal dos salários dos servidores em cumprimento à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF)
.



Ao lado do secretário da Fazenda, Giovani Feltes, o chefe da Casa Civil, Márcio Biolchi apresentou as justificativas para medidas |Foto: Guilherme Santos/Sul21


Alguns das medidas devem provocar polêmica na Assembleia Legislativa e entre as diferentes categorias de servidores. Uma delas é a Lei Estadual de Responsabilidade Fiscal que proíbe que o administrar faça compromissos para o futuro gestor. Isso vetaria, por exemplo, os reajustes concedidos pelo governo Tarso Genro (PT) ao funcionalismo, já que foi parcelado. “Ela não traz uma política fiscal de governo, mas uma política de Estado”, afirmou o chefe da Casa Civil, ressaltando que essa legislação possibilitará somente os reajustes “que se tem condições”. “Entendemos que esse é um dos principais projeto de alcance perene”, acrescentou ele, apesar de não ter impacto financeiro.

Outro projeto que deve gerar polêmica é o que transforma a licença prêmio em licença capacitação e retira o caráter cumulativo e indenizatório. Na justificativa, o governo argumenta que as despesas com indenização dessas licenças aumentaram “de forma considerável” nos últimos anos. Como se trata de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), em caso de ser aprovada, a PEC não atingirá só os servidores do governo, mas dos outros poderes do Estado.

Também deve repercutir a proposta que põe fim à incorporação da Função Gratificada (FG) que os servidores adquirem ao trabalhar em outros poderes, como Assembleia Legislativa, Poder Judiciário e Ministério Público. A medida, conforme Biolchi, reduzirá o número de cedências e também os gastos futuros do Estado com aposentadorias. “Ele conquista o benefício por um lado e manda a conta para outro Poder. Certamente aumentamos o passivo de aposentadorias”, argumentou o chefe da Casa Civil. Questionado se o projeto não causaria descontentamento entre servidores, ele afirmou que não, ao contrário, uma vez que é uma minoria beneficiada. “Nem todos têm a oportunidade de incorporar FG na carreira”, justificou Biolchi.

Ainda em relação a conquistas dos servidores, o governo propõe o fim da promoção por merecimento dos policiais militares. Hoje, os brigadianos que trabalham em órgãos do governo, como a Secretaria de Segurança, ou em outros poderes têm direito à promoção. “Julgo uma boa inovação que faz com que privilegie quem está em atividade”, avaliou o chefe da Casa Civil, referindo-se ao trabalho específico na área de segurança.

Presidente da Associação dos Cabos e Soldados, Leonel Lucas disse que recebeu “com preocupação” o pacote do governo e que as medidas anunciadas só prejudicam a segurança pública e, em consequência, a sociedade. “O governo não está dando bola para a segurança pública ao não chamar os concursados”, argumentou ele, sobre os 2 mil concursados que aguardam nomeações. Sobre o projeto para trazer os inativos de volta, ele acredita que não irá ocorrer, porque os atrativos não compensam ao contrário do que, conforme Lucas, renderia “os bicos” feito pelos aposentados. “O incentivo é muito pouco”, completou ele.

Mas o projeto que mais desagradou o presidente da associação foi o que transforma a licença prêmio em licença capacitação. “Isso nós não concordamos, isso é direito nosso e nós não perderemos”, adiantou Lucas, destacando que os policiais irão se mobilizar contra parte do pacote.

O chefe da Casa Civil disse que “é legítimo” o questionamento dos servidores, mas que o conjunto de medidas foi necessário devido à crise financeira e que o governo está aberto ao diálogo.

Validade dos concursos

Entre os decretos, o governo do Estado assegurou a validade de concursos que venceriam em breve. Contudo, Biolchi fez uma ressalva que a decisão não significa que o governo fará nomeações. Se no futuro o governo tiver condições financeiras, segundo ele, os concursados poderão ser chamados.


Os projetos encaminhados para a Assembleia

Lei de Responsabilidade Fiscal – Atualmente, há uma legislação federal de responsabilidade fiscal. Agora, o governo elaborou uma específica para o Estado e que contempla alguns critérios da federal. Pelo projeto do RS, o administrador não poderá fazer despesas além do período de sua gestão. Por exemplo, um administrador não poderá conceder reajustes parcelados e que tenham de ser pagos por outra gestão. A Lei Federal não proíbe esse tipo de situação. O projeto da lei estadual também estabelece o percentual de 75 % para custeio e investimento e 25% com folha do pagamento da receita do Estado

Revisão dos benefícios fiscais – Para os exercícios de 2016, 2017 e 2018, os benefícios fiscais serão limitados até 70% do valor original concedido. Previsão de aumento da arrecadação com a medida é de R$ 30 milhões por ano

Mudanças nas alíquotas do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCD) – Propõe um escalonamento de faixas para a cobrança do imposto. Hoje, é cobrada uma alíquota fixa de 4%. A partir da alteração, haverá progressividade e quem ganhar uma grande doação ou herança maior pagará mais. Haverá uma tabela e para casos de heranças, as alíquotas variam de 3% a 6%. Para doações, as variações vão de 3 a 4%

Incorporação de função gratificada – Proíbe o servidor de incorporar função gratificada entre diferentes poderes para fins de aposentadoria. Hoje, por exemplo, um professor ou policial pode trabalhar na Assembleia Legislativa ou no Ministério Público e incorporar uma função gratificada, dando um plus na remuneração. Depois, o Estado pagará sua aposentadoria acrescido desse valor. Se o projeto for aprovado, a medida não atingirá servidores que exerceram ou exercem função gratificada até a publicação da lei

Licença capacitação – Projeto do governo do Estado transforma a licença prêmio em licença capacitação, concedida a cada cinco anos por um período de três meses. Se o projeto for aprovado, além da transformação, não terá mais caráter cumulativo e nem indenizatório. Como se trata de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em caso de ser aprovada, valerá para todos os poderes do Estado. A PEC não atinge licenças já concedidas, ainda não gozadas, e quinquênio em andamento

Câmara de Conciliação de Precatórios – Propõe a negociação das dívidas de acordo com a ordem cronológica de pagamentos e prevê desconto de 40% do valor total. Os acordos serão feitos pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e homologados pela Justiça. Hoje, não esse tipo de negociação

Criação da Banrisul Seguradora – Projeto prevê a criação de uma estrutura societária para atual no ramo de distribuição, previdência e capitalização

Revisão de fundos – Projeto prevê a extinção de 13 fundos que estariam inativos há três ou mais anos. Os que tiverem saldos não utilizados irão reverter os recursos Tesouro do Estado. Entre eles, está o Fundo de Reaparelhamento das Estradas

Corpo Voluntários de Militares Inativos – Projeto propõe que militares já aposentados possam trabalhar no videomonitoramento, mecanismo que auxilia a atuação da segurança, liberando os policiais para atuar na rua. Os brigadianos inativos receberiam um abono por permanência. Hoje, há policiais aposentados que trabalham em escolas e no Ministério Público. Com a medida, segundo governo, 200 brigadianos poderiam ser liberados para atuar no policiamento na rua

Critério para promoção de oficiais da Brigada Militar – Governo propõe mudanças nos critérios de ascensão, priorizando uma maior valorização dos critérios objetivos acumulado ao longo da carreira. Será vedada, por exemplo, a promoção por merecimento. Hoje, um policial vai trabalhar em outro poder ou em uma secretaria do governo, que não a pasta de Segurança, tem promoção por merecimento. A partir de mudanças feitas em 2012, o critério subjetivo teria maior peso, o que foi considerado ilegal pelo STF, anulando promoções de oficiais no Estado a partir das alterações

Readaptação de militar estadual – Projeto propõe que brigadianos com limitação da capacidade física ou mental poderão exercer atividades administrativas após avaliação medica. Hoje, não há essa possibilidade

segunda-feira, 20 de abril de 2015

“chupa, Rede Globo” “chupa, Rede Globo” “chupa, Rede Globo”... escutar esse canto não tem preço!


Vídeo: Torcida do Santos comemora vitória cantando: “chupa, Rede Globo…”


Blog do Rovai


Por Renato Rovai
abril 19, 2015


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No domingo passado, a Rede Globo preferiu não transmitir o jogo do Santos nas quarta de final do Paulista para poder animar a manifestação pelo impeachment de Dilma.

A torcida do Santos foi a forra hoje. Quando o time abriu 2 a 0 contra o São Paulo, na Vila Belmiro, ao invés de cantar hinos contra a torcida do São Paulo, os santistas sapecaram um “chupa, Rede Globo”.

A Vila Belmiro em pé entoou o canto, como se pode ver neste vídeo do Giovane Silva, de uma transmissão da Sport TV.

Se o governo federal começasse a democratização da mídia pelas transmissões esportivas, colocando a TV Brasil que não anda servindo pra muita coisa pra disputar o futebol, muitas torcidas e torcedores apoiariam.

Está mais do que na hora de mexer neste vespeiro. Porque o futebol brasileiro é um dos maiores patrimônios culturais deste país. E o povo não quer que ele seja dominado pela Globo.

Hoje tenho duplo orgulho de ser santista. Ver meu time ir pra sétima final de Paulista seguida é ótimo, mas ver minha torcida gritar contra a Globo na comemoração da vitória não tem preço.






sábado, 18 de abril de 2015

Agora é Fato de Direito: o PT Não quer mais dinheiro das empresas, quem ainda quer? PSDB, PMDB...

Por favor, Gilmar,
não devolva!



Gilmar vai engazopar o PSDB e o PMDB ! Quá, quá, quá !









Como se sabe, o ministro (sic) Gilmar não devolve, porque o FHC e o professor Leôncio não querem.

O Gilmar, o FHC e o professor Leôncio achavam que o dinheiro das empresas serviria, apenas, para engordar o PT.

Aí, o PT deu um xeque-mate no Gilmar (no FHC e no professor Leôncio): não quer mais dinheiro de empresas.

O Gilmar vai se aposentar (leia em tempo sobre bengaladas) sem devolver !

Até a Fel-lha está indignada com o ínclito Juiz Gilmar.

Em editorial nesse sábado 18/4 (só o ansioso blogueiro mesmo, para ler editorial da Fel-lha), diz o Otavinho:

“A posição individual de Mendes … não pode prevalecer sobre a do colegiado – e não deixa de ser curioso (não seria melhor obsceno ? – PHA) que o ministro (sic) valorize as atribuições do Congresso, mas viole as próprias regras do STF.”

O Conversa Afiada se permite discordar do Otavinho.

Desde que o PT decidiu não receber mais dinheiro de empreiteiros, o Conversa Afiada recomenda que o ministro (sic) não devolva !

Sente-se em cima.

E não pare de ter vistas para a derrota por 6 a 1.

(Mais ignóbil que os 7 a 1.)

Para caracterizar que o PSDB e o PMDB, por causa de suas vistas grossas, continuarão a receber dinheiro dos empreiteiros !

E o PT, não !

Isso !

O dinheiro das empreiteiras, no escurinho do cinema de Maringá, será privilégio de tucanos e do PMDB.

Quá, quá, quá !

(Bem que o Lula disse que o PSDB levanta dinheiro em quermesse e churrasquinho)

E o Gilmar ainda se acha mais esperto que todo mundo !

(Menos que o Daniel Dantas ! Porque esse é brilhante !)

Em tempo: o ministro (sic) Gilmar quer a PEC da bengala, para ficar pedindo vistas até os 75 anos. Quer dizer que, agora que o PMDB governa metade do Brasil, o PMDB vai se eximir de escolher ministros (seis) do Supremo, para agradar o ministro (?) Gilmar ! Ele entende muito é de DEM. Porque de PMDB ele não entende nada !

Em tempo2: por falar em Daniel Dantas, peça vistas, amigo navegante, para ler a surra mais recente que o Klouri lhe aplicou: o PHA usa a linguagem de quem denuncia escândalos.

Como esses 6 a 1 !


Paulo Henrique Amorim!




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FEL-LHA SOUBE DE ACUSAÇÃO A VACCARI NA VÉSPERA

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Um Bom Ano Letivo: Inteligência Cordial e Espiritualidade!

O que precisa ser incorporado ao processo de educação



Leonardo Boff

21/02/2015



Geralmente o processo educativo da sociedade com suas instituições como a rede de escolas e de universidades estão sempre atrasadas em relação às mudanças que acontecem. Não antecipam eventuais processos e custam-lhes fazer as mudanças necessárias para estar à altura deles.

Entre outras, duas são as grandes mudanças que estão ocorrendo na Terra: a introdução da comunicação global via internet e redes sociais e a grande crise ecológica que põe em risco o sistema-vida e o sistema-Terra. Podemos eventualmente desaparecer da face da Terra. Para impedir esse apocalipse a educação deve ser outra, diversa daquela que dominou até agora.

Não basta o conhecimento. Precisamos de consciência: uma nova mente e um novo coração. Precisamos também de uma nova prática. Urge nos reinventar como humanos, no sentido de inaugurar uma nova forma de habitar o planeta com outro tipo de civilização. Como dizia muito bem Hannah Arendt:”podemos nos informar a vida inteira sem nunca nos educar”. Hoje temos que nos reeducar e no reinventar como humanos.

Por isso, acrescento às dimensões acima referidas, estas duas: aprender a cuidar e aprender a se espiritualizar. Mas antes faz-se mister, previamente, resgatar a inteligência cordial, sensível ou emocional. Sem ela, falar do cuidado e da espiritualidade faz pouco sentido. A causa reside no fato de que todo sistema moderno de ensino se funda na razão intelectual, instrumental e analítica. Ela é uma forma de conhecer e de dominar a realidade, fazendo-a mero objeto. Sob o pretexto de que a razão sensível impediria a objetividade do conhecimento, foi recalcada. Com isso surgiu uma visão fria do mundo. Ocorreu uma espécie de lobotomia que nos impede de nos sentir parte da natureza e de perceber a dor os outros.

Sabemos que a razão intelectual, como a temos hoje, é recente, possui cerca de 200 mil anos quando surgiu o homo sapiens com seu cérebro neo-cortical. Mas antes dele, surgiu há cerca de 200 milhões de anos, o cérebro límbico, por ocasião da emergência dos mamíferos. Com eles, entrou no mundo o amor,o cuidado, o sentimento que se devotam à cria. Nós humanos, esquecemos que somos mamíferos intelectuais. Logo, somos fundamentalmente portadores de emoções, paixões e afetos. No cérebro límbico reside o nicho da ética, dos sentimentos oceânicos como os religiosos. Antes ainda há 300 milhões de anos, irrompeu o cérebro reptilínio que responde por nossas reações instintivas; mas não é o caso de abordá-lo aqui.

O que importa é que hoje temos que enriquecer nossa razão intelectual com a razão cordial, muito mais ancestral, se quisermos fazer valer o cuidado e a espiritualidade.

Sem essas duas dimensões não iremos nos mobilizar para cuidar da Terra, da água, do clima, das relações inclusivas. Precisamos cuidar de tudo, sem o que as coisas se deterioram e perecem. E então iríamos encontro de um cenário dramático.

Outra tarefa é resgatar a dimensão da espiritualidade. Ela não deve ser identificada com a religião. Ela subjaz à religião porque é anterior a ela. A espiritualidade é uma dimensão inerente ao ser humano como a razão, a vontade e sexualidade. É o lado do profundo, de onde emergem as questões do sentido terminal da vida e do mundo.

Infelizmente estas questões foram tidas como algo privado e sem grande valor. Mas sem sua incorporação, a vida perde irradiação e alegria. Mas há um dado novo: os neurólogos concluíram que sempre que o ser humano aborda estas questões do sentido, do sagrado e de Deus, há uma aceleração sensível nos neurônios do lobo frontal. Chamaram a isso “ponto Deus” no cérebro, uma espécie de órgão interior pelo qual captamos a Presença de uma Energia poderosa e amorosa que liga e re-liga todas as coisas.

Avivar esse “ponto Deus” nos faz mais solidários, amorosos e cuidadosos. Ele se opõe ao consumismo e materialismo de nossa cultura. Todos, especialmente os que estão na escola, devem ser iniciados nessa espiritualidade, pois nos torna mais sensíveis aos outros, mais ligados à mãe Terra, à natureza e ao cuidado, valores sem os quais não garantiremos um futuro bom para nós.

Inteligência cordial e espiritualidade são as exigências mais urgentes que a atual situação ameaçadora nos faz.




https://leonardoboff.wordpress.com/2015/02/21/o-que-precisa-ser-incorporado-ao-processo-de-educacao/




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E se o outro fosse ocê? O que ocê faria?


"Não é uma questão de sentimentalismo. E um bom coração também não é a questão de sair por aí num tipo de euforia de falso amor, negando o sofrimento e dizendo que tudo é benção e alegria. Não é assim. Um coração genuinamente bom é um coração que é aberto e é ávido por compreensão. Ele ouve as tristezas do mundo. Nossa sociedade está errada ao pensar que a felicidade depende da satisfação dos nossos próprios desejos e vontades. Por isso nossa sociedade está tão miserável. Somos uma sociedade de indivíduos, todos obsessivos com o esforço por nossa própria felicidade. Estamos desconectados do nosso sentimento de interconexão com os outros, estamos desligados da realidade. Porque na realidade estamos todos interconectados." Jetsunma Tenzin Palmo


Daí eu leio o meu camaradinho Vitor Ribeiro escrevê essa mensagem: "João Crisóstomo, místico cristão do século IV, disse certa vez: "Nenhum ato virtuoso será grande se não for realizado em vantagem dos outros. Portanto, não importa quanto tempo você jejuar, não importa o quanto você durma no chão duro ou coma cinzas ou suspire continuamente, se você não fizer bem aos outros, você não fará nada grandioso." Boa Quaresma e Feliz Ano Novo budista a tod@s!

Sim, estamos interconectados! Né?


OProfessor e o baitasar gostaria de dar uma contribuição pequenina: "Não importa quanto ocê conheça os conteúdos da sua matéria, tenha estudado, planejado suas aulas, se você não fizer bem aos seus alunos e alunas, eles não vão entrá na sua. Se ocê não se conectar com a felicidade dos outros a sua felicidade será um suspiro interrompido por um susto, depois outro, mais outro... e ocê desiste, não existe felicidade! Aos gritos."

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

viramos teleguiados? nossa cultura não ultrapassa uma ou outra frase bonitinha? por quê?


Todos à la place. Por quê?


A adesão imediata à manifestação de Paris mostra como é fácil hoje manipular uma opinião pública tolhida para o exercício do espírito crítico



publicado 27/01/2015 06:07





François Hollande administra um país dilacerado entre os que clamam pela "guerra ao terror" e aqueles que querem segurança sem comprometer as liberdades civis


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Perguntaria Hamlet: “Ser ou não ser?” Charlie, está claro. A personagem de Shakespeare é o paradigma da dúvida atormentada pela invulnerabilidade do efêmero. Surpreende, porém, e até espanta, a rapidez com que a larga maioria fez sua escolha. Por quê? A que se deve o imediatismo da resposta? Agir às pressas, de impulso, precipita amiúde equívocos, enganos, erros. Não seria o caso de parar para pensar?

Pois é, pensar. Explorar a faculdade que o ser humano tem de constatar sua pessoal existência. O mundo vive uma quadra de enormes incertezas e de graves conflitos, e a situação se apinha de inúmeros por quês. Por que aqui estamos a padecer uma crise econômica que poupa somente banqueiros e especuladores, aliás, a eles aproveita acintosamente? Por que o rentismo grassa enquanto o desemprego aumenta? Por que o desequilíbrio social se aprofunda em todos os cantos? Por que uma centena de multinacionais impõe sua vontade a Estados soberanos? Por que a senhora Merkel e seus banqueiros ditam as regras à inteira Comunidade Europeia e decretam a austeridade em lugar do desenvolvimento? Por que o atual presidente da UE é o ex-premier do Luxemburgo, o aprazível paraíso fiscal?

Interrogações sem conta, propostas pela circunstância. Pode-se, se quisermos, perguntar aos nossos botões por que o mundo carece hoje de poetas, ou por que pagam-se dezenas de milhões de dólares por um tubarão morto mergulhado em uma caixa de vidro cheia de formol, ou por que navegantes da internet divulgam aos quatro ventos o cardápio do seu jantar da noite anterior. Ou por que, de súbito, a humanidade concentra-se na Place de la République, de corpo presente ou em espírito, para manifestar contra o terrorismo.

O espetáculo parisiense assinala, ao mesmo tempo, o triunfo do modismo e da hipocrisia. Fácil identificar o lado de cada qual, a ser clara a desfaçatez das autoridades. Em boa parte, tem responsabilidades em relação ao terrorismo, quando não são seus instigadores, cúmplices, ou até mesmo praticantes, competentes ou não. Conseguiram o que queriam, admitamos. Juntaram o Ocidente em uma praça parisiense para ostentar os seus poderes e cuidar dos seus interesses políticos, sem exclusão de golpes baixos, ações de guerra, assaltos aos cofres públicos e terrorismo de Estado, sem contar as violações dos Direitos Humanos.

Diante deles, incitada pelas frases feitas da propaganda midiática, súcuba dos apelos da retórica globalizada, a grei automatizada. Incapaz de entender se, de pura e sacrossanta verdade, o massacre na redação do Charlie Hebdo configura um ataque sem precedentes à liberdade de imprensa, ou de expressão. Ou à liberdade na acepção total, sem qualificativos.

Resta entender o significado e o alcance das palavras. Sabemos, em primeiro lugar, ou pretendemos saber, que a liberdade de cada um acaba na liberdade do semelhante. Nem todos se dão conta disso. De qualquer forma, a liberdade proclamada pela Revolução Francesa acaba por ser de poucos se não for completada pela igualdade. Livre é realmente uma sociedade de iguais. Se há canto da Terra onde esta simbiose acontece, louvado seja quem fez o milagre. Nem se fale do Brasil, o país de casa-grande e senzala.

Outra questão diz respeito à liberdade de imprensa, que na mídia nativa conta com paladinos aguerridos. A liberdade que defendem é a de fazer o que bem entendem. Não é assim em outros países democráticos e civilizados, onde a mídia é devidamente regulamentada, para impedir, entre outros objetivos, o monopólio e o oligopólio. Na França, é certo, o Charlie Hebdo podia circular à vontade, a despeito dos seus discutíveis propósitos e de certo autoritarismo a vingar na redação. O cartunista Siné, célebre desde o fim dos anos 50, foi despedido porque suas charges não tinham a desejada agressividade e evitavam certos assuntos.

A virulência antimuçulmana, no Charlie Hebdo, não é inferior àquela dirigida contra as religiões monoteístas de cristãos e judeus. Tempos atrás, uma charge mostrava, da forma mais crua, o encontro (seria um rendez-vous?) entre a Virgem Maria e um centurião romano, com o resultado de trazer à vida quem mais, se não Jesus Cristo. Ocorre a lembrança de um Pif-Paf, a seção entregue pelo O Cruzeiro dos Diários Associados a Millôr Fernandes, por mais de duas décadas. O humorista estava disposto a contar a história fracassada de Adão e Eva no Paraíso Terrestre. Jocosa e sem vulgaridade, no traço steinberguiano de Millôr.

ACNBB protestou oficialmente, e Millôr foi despedido com a habitual pusilanimidade. Não houve manifestação na Cinelândia carioca.

Não convém ao Ocidente aceitar a ideia de que a tragédia decorre de uma ação de guerra levada a cabo por um comando bem treinado, mas é assim que pensam os fanáticos arregimentados pela Jihad. Se uma bomba um dia desses explodir, digamos, no Grand Palais, não podemos alegar o atentado contra a liberdade de expressão, como não o foi o ataque às Torres Gêmeas. O objetivo do terrorismo, de resto, é solapar a capacidade de resistência do inimigo designado, de certa maneira é semear o pânico com a humilhação do alvejado.

Não se trata, de todo modo, de buscar explicações, e sim de entender que a liberdade de expressão tem necessariamente limites, bem como a intenção de provocar, desbragada na publicação satírica. O que talvez esclareça quanto ao seu escasso êxito junto ao público francês. Nesta semana, o Charlie Hebdo saltou de uma tiragem de algumas dezenas de milhares de cópias para milhões. Também este é fruto do modismo, a contar, para a manipulação da opinião pública, com instrumentos cada vez mais capilares e eficazes. Vezos e tendências momentâneos assumem a ribalta e tomam conta da plateia de forma avassaladora. Até levá-la, se for o caso, à Place de la République.

É provável que na multidão também figurassem muitos cidadãos franceses de origem árabe, ou africana, e de religião muçulmana, impelidos pela repulsa ao terrorismo, conquanto ofendidos pela charge que visava o Profeta. Que fazer com 6 milhões de muçulmanos franceses donos de todos os direitos de cidadania? Expulsá-los em bloco? Não faltarão aqueles que aprovariam a solução com entusiasmo. Caso se trate de torcedores do futebol, a xenofobia os teria levado a não considerar o triste destino da seleção francesa, privada de muitos entre seus melhores craques.

Deste ponto de vista, o Brasil é um país resolvido, embora não isento do preconceito racial e social. Por aqui pobres e pretos vivem sob suspeita. Manda, porém, o jus soli, pelo qual somos todos brasileiros. Na França, e em toda a Europa, meta de forte migração de áreas subdesenvolvidas, a questão suscita ásperas polêmicas, mesmo porque em muitos países a tradição soletra ojus sanguinis. O sangue determina a cidadania. Eventos como o massacre que abalou o mundo vão excitar o ódio racial na França, na Europa, e alhures, em benefício da direita mais reacionária.

Quem leva vantagem? Na França, Marine Le Pen, que se fortalece como candidata à Presidência da República. Na Itália, crescerá a Lega. Na Alemanha, o Pegida, grupo ultradireitista. Rajoy, na Espanha, reforça seu poder. De todos os líderes, Netanyahu é aquele que, ao carregar sua campanha eleitoral até Paris, exibe com maior clareza seus propósitos. E a orquestração bem trabalhada acaba por acentuar as incompatibilidades, os contrastes, as divergências, os conflitos. A violência e o desvario em geral.

Neste caldo de cultura germinam, como no magma primevo a se esfriar teria nascido a vida do planeta, o fanatismo assassino, a criminalidade nas suas distintas fisionomias. Isto é do conhecimento até do mundo mineral, mas não de todos os homens. Fatos como a chacina parisiense repetem-se à toda hora, provocados pelo fanatismo, pela revolta, pela insanidade, pela desgraça. E pelo terror de Estado. Não cabe justificar o horror. Recomenda-se, entretanto, aquilatar envolvimentos e responsabilidades. E anotar que inomináveis delitos cometidos pelos senhores do mundo ocidental não costumam merecer a repulsa das praças lotadas.

Para evocar fatos próximos, é da incompetência impafiosa da diplomacia norte-americana que eclode a Guerra do Iraque, ou brota a maior ameaça terrorista representada pelo Estado Islâmico. Tal é a inexorável verdade factual. Há culpas em cartório, contribuições transparentes ao descalabro dos dias de hoje, às quais a maioria se presta de pronto porque tolhida fatalmente ao exercício da razão.

O alpiste servido aos incautos, aos desmemoriados, aos crédulos, aos ignorantes, é a versão dos cavalheiros tão bem representados na praça parisiense. Aproveitam-se da eficácia dos instrumentos chamados a entorpecer as consciências e demolir o mais pálido resquício de espírito crítico.

Talvez estejamos no limiar de uma nova Idade Média, contradição apenas aparente do dito progresso tecnológico. Se o homem dispõe de computador e celular de infinitas funções, e vive bem mais do que as gerações precedentes, nem por isso ganha em sabedoria, pelo contrário. O respeito à memória, base de todo conhecimento, dispersa-se na moda contingente. Nesta moldura, o livro tende a se tornar objeto obsoleto. Na mesmice globalizada instalam-se, disfarçados pela banalidade, a ignorância, a indiferença. E os desbordantes porquês não logram resposta.