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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

viramos teleguiados? nossa cultura não ultrapassa uma ou outra frase bonitinha? por quê?


Todos à la place. Por quê?


A adesão imediata à manifestação de Paris mostra como é fácil hoje manipular uma opinião pública tolhida para o exercício do espírito crítico



publicado 27/01/2015 06:07





François Hollande administra um país dilacerado entre os que clamam pela "guerra ao terror" e aqueles que querem segurança sem comprometer as liberdades civis


Leia também
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Perguntaria Hamlet: “Ser ou não ser?” Charlie, está claro. A personagem de Shakespeare é o paradigma da dúvida atormentada pela invulnerabilidade do efêmero. Surpreende, porém, e até espanta, a rapidez com que a larga maioria fez sua escolha. Por quê? A que se deve o imediatismo da resposta? Agir às pressas, de impulso, precipita amiúde equívocos, enganos, erros. Não seria o caso de parar para pensar?

Pois é, pensar. Explorar a faculdade que o ser humano tem de constatar sua pessoal existência. O mundo vive uma quadra de enormes incertezas e de graves conflitos, e a situação se apinha de inúmeros por quês. Por que aqui estamos a padecer uma crise econômica que poupa somente banqueiros e especuladores, aliás, a eles aproveita acintosamente? Por que o rentismo grassa enquanto o desemprego aumenta? Por que o desequilíbrio social se aprofunda em todos os cantos? Por que uma centena de multinacionais impõe sua vontade a Estados soberanos? Por que a senhora Merkel e seus banqueiros ditam as regras à inteira Comunidade Europeia e decretam a austeridade em lugar do desenvolvimento? Por que o atual presidente da UE é o ex-premier do Luxemburgo, o aprazível paraíso fiscal?

Interrogações sem conta, propostas pela circunstância. Pode-se, se quisermos, perguntar aos nossos botões por que o mundo carece hoje de poetas, ou por que pagam-se dezenas de milhões de dólares por um tubarão morto mergulhado em uma caixa de vidro cheia de formol, ou por que navegantes da internet divulgam aos quatro ventos o cardápio do seu jantar da noite anterior. Ou por que, de súbito, a humanidade concentra-se na Place de la République, de corpo presente ou em espírito, para manifestar contra o terrorismo.

O espetáculo parisiense assinala, ao mesmo tempo, o triunfo do modismo e da hipocrisia. Fácil identificar o lado de cada qual, a ser clara a desfaçatez das autoridades. Em boa parte, tem responsabilidades em relação ao terrorismo, quando não são seus instigadores, cúmplices, ou até mesmo praticantes, competentes ou não. Conseguiram o que queriam, admitamos. Juntaram o Ocidente em uma praça parisiense para ostentar os seus poderes e cuidar dos seus interesses políticos, sem exclusão de golpes baixos, ações de guerra, assaltos aos cofres públicos e terrorismo de Estado, sem contar as violações dos Direitos Humanos.

Diante deles, incitada pelas frases feitas da propaganda midiática, súcuba dos apelos da retórica globalizada, a grei automatizada. Incapaz de entender se, de pura e sacrossanta verdade, o massacre na redação do Charlie Hebdo configura um ataque sem precedentes à liberdade de imprensa, ou de expressão. Ou à liberdade na acepção total, sem qualificativos.

Resta entender o significado e o alcance das palavras. Sabemos, em primeiro lugar, ou pretendemos saber, que a liberdade de cada um acaba na liberdade do semelhante. Nem todos se dão conta disso. De qualquer forma, a liberdade proclamada pela Revolução Francesa acaba por ser de poucos se não for completada pela igualdade. Livre é realmente uma sociedade de iguais. Se há canto da Terra onde esta simbiose acontece, louvado seja quem fez o milagre. Nem se fale do Brasil, o país de casa-grande e senzala.

Outra questão diz respeito à liberdade de imprensa, que na mídia nativa conta com paladinos aguerridos. A liberdade que defendem é a de fazer o que bem entendem. Não é assim em outros países democráticos e civilizados, onde a mídia é devidamente regulamentada, para impedir, entre outros objetivos, o monopólio e o oligopólio. Na França, é certo, o Charlie Hebdo podia circular à vontade, a despeito dos seus discutíveis propósitos e de certo autoritarismo a vingar na redação. O cartunista Siné, célebre desde o fim dos anos 50, foi despedido porque suas charges não tinham a desejada agressividade e evitavam certos assuntos.

A virulência antimuçulmana, no Charlie Hebdo, não é inferior àquela dirigida contra as religiões monoteístas de cristãos e judeus. Tempos atrás, uma charge mostrava, da forma mais crua, o encontro (seria um rendez-vous?) entre a Virgem Maria e um centurião romano, com o resultado de trazer à vida quem mais, se não Jesus Cristo. Ocorre a lembrança de um Pif-Paf, a seção entregue pelo O Cruzeiro dos Diários Associados a Millôr Fernandes, por mais de duas décadas. O humorista estava disposto a contar a história fracassada de Adão e Eva no Paraíso Terrestre. Jocosa e sem vulgaridade, no traço steinberguiano de Millôr.

ACNBB protestou oficialmente, e Millôr foi despedido com a habitual pusilanimidade. Não houve manifestação na Cinelândia carioca.

Não convém ao Ocidente aceitar a ideia de que a tragédia decorre de uma ação de guerra levada a cabo por um comando bem treinado, mas é assim que pensam os fanáticos arregimentados pela Jihad. Se uma bomba um dia desses explodir, digamos, no Grand Palais, não podemos alegar o atentado contra a liberdade de expressão, como não o foi o ataque às Torres Gêmeas. O objetivo do terrorismo, de resto, é solapar a capacidade de resistência do inimigo designado, de certa maneira é semear o pânico com a humilhação do alvejado.

Não se trata, de todo modo, de buscar explicações, e sim de entender que a liberdade de expressão tem necessariamente limites, bem como a intenção de provocar, desbragada na publicação satírica. O que talvez esclareça quanto ao seu escasso êxito junto ao público francês. Nesta semana, o Charlie Hebdo saltou de uma tiragem de algumas dezenas de milhares de cópias para milhões. Também este é fruto do modismo, a contar, para a manipulação da opinião pública, com instrumentos cada vez mais capilares e eficazes. Vezos e tendências momentâneos assumem a ribalta e tomam conta da plateia de forma avassaladora. Até levá-la, se for o caso, à Place de la République.

É provável que na multidão também figurassem muitos cidadãos franceses de origem árabe, ou africana, e de religião muçulmana, impelidos pela repulsa ao terrorismo, conquanto ofendidos pela charge que visava o Profeta. Que fazer com 6 milhões de muçulmanos franceses donos de todos os direitos de cidadania? Expulsá-los em bloco? Não faltarão aqueles que aprovariam a solução com entusiasmo. Caso se trate de torcedores do futebol, a xenofobia os teria levado a não considerar o triste destino da seleção francesa, privada de muitos entre seus melhores craques.

Deste ponto de vista, o Brasil é um país resolvido, embora não isento do preconceito racial e social. Por aqui pobres e pretos vivem sob suspeita. Manda, porém, o jus soli, pelo qual somos todos brasileiros. Na França, e em toda a Europa, meta de forte migração de áreas subdesenvolvidas, a questão suscita ásperas polêmicas, mesmo porque em muitos países a tradição soletra ojus sanguinis. O sangue determina a cidadania. Eventos como o massacre que abalou o mundo vão excitar o ódio racial na França, na Europa, e alhures, em benefício da direita mais reacionária.

Quem leva vantagem? Na França, Marine Le Pen, que se fortalece como candidata à Presidência da República. Na Itália, crescerá a Lega. Na Alemanha, o Pegida, grupo ultradireitista. Rajoy, na Espanha, reforça seu poder. De todos os líderes, Netanyahu é aquele que, ao carregar sua campanha eleitoral até Paris, exibe com maior clareza seus propósitos. E a orquestração bem trabalhada acaba por acentuar as incompatibilidades, os contrastes, as divergências, os conflitos. A violência e o desvario em geral.

Neste caldo de cultura germinam, como no magma primevo a se esfriar teria nascido a vida do planeta, o fanatismo assassino, a criminalidade nas suas distintas fisionomias. Isto é do conhecimento até do mundo mineral, mas não de todos os homens. Fatos como a chacina parisiense repetem-se à toda hora, provocados pelo fanatismo, pela revolta, pela insanidade, pela desgraça. E pelo terror de Estado. Não cabe justificar o horror. Recomenda-se, entretanto, aquilatar envolvimentos e responsabilidades. E anotar que inomináveis delitos cometidos pelos senhores do mundo ocidental não costumam merecer a repulsa das praças lotadas.

Para evocar fatos próximos, é da incompetência impafiosa da diplomacia norte-americana que eclode a Guerra do Iraque, ou brota a maior ameaça terrorista representada pelo Estado Islâmico. Tal é a inexorável verdade factual. Há culpas em cartório, contribuições transparentes ao descalabro dos dias de hoje, às quais a maioria se presta de pronto porque tolhida fatalmente ao exercício da razão.

O alpiste servido aos incautos, aos desmemoriados, aos crédulos, aos ignorantes, é a versão dos cavalheiros tão bem representados na praça parisiense. Aproveitam-se da eficácia dos instrumentos chamados a entorpecer as consciências e demolir o mais pálido resquício de espírito crítico.

Talvez estejamos no limiar de uma nova Idade Média, contradição apenas aparente do dito progresso tecnológico. Se o homem dispõe de computador e celular de infinitas funções, e vive bem mais do que as gerações precedentes, nem por isso ganha em sabedoria, pelo contrário. O respeito à memória, base de todo conhecimento, dispersa-se na moda contingente. Nesta moldura, o livro tende a se tornar objeto obsoleto. Na mesmice globalizada instalam-se, disfarçados pela banalidade, a ignorância, a indiferença. E os desbordantes porquês não logram resposta.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

ocê não medita nem pensa... humhum... tá dominado!?


Onde se passa o “Leviatã”?
Em Minas !



Foi tudo dominado: a Política, o Judiciário, a Polícia e a Religião (e o PiG).


Conversa Afiada





Na foto, um campo de pouso no interior do Espírito Santo




Além de ler Sermões de Vieira e o Piketty, o ansioso blogueiro também vai ao cinema.

E assistiu ao magnífico “Leviatã”, do russo Andrey Zvyagintsev, que ganhou a Palma de Ouro de Cannes do ano passado.

É tanto o “Leviatã” de Jó quanto o “Leviatã” de Hobbes.

É a história do controle de uma pequena cidade russa por um prefeito corrupto, que serve aos poderosos com a descarada cumplicidade do Judiciário, da Policia e da Religião.

O prefeito Vadim cobiça a propriedade do personagem principal, Kolia, para, ali, em nome de um ricaço, instalar um resort.

Kolia resiste, mas Vadim consegue o que quer: Kolia vai preso, a mulher dele se desestrutura psicologicamente e o melhor amigo e advogado o trai miseravelmente.

Ninguém escapa.

Nenhuma instituição, nenhuma !

A foto de Putin aparece na parede do gabinete do prefeito safado.

Assim como há menções a Yeltsin, o presidente bêbado, e os líderes da União Soviética.

Mas, a política aparece lá atrás, sutil.

O murro na cara é a descrição de um fenômeno universal, que os brasileiros do Maranhão conheceram.

E os de Minas Gerais também.

Quer assistir ao Leviatã ?

Procure conhecer os detalhes da história do helicoca.

Minas Gerais fica (ou ficava …) numa península próxima ao Mar de Barents: o Espírito Santo !

Clique aqui para ver que os delegados da Polícia Federal, que enterraram o helicoca na Rússia, foram pra cima do Eduardo Cunha.

Parece o Samba do Crioulo Doido, mas não é.

É a Rússia.

É o Brasil !

Em tempo: meditação inútil, à saída do “Leviatã”. Quando o cinema brasileiro vai fazer um filme assim? Quando tiver um romancista como Dostoievski, Tolstoi? E quando se livrar da submissão à Globo Filmes!



Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Liberdade de expressão... só na França!


Vídeo: por que eles querem
executar os blogueiros ?



Os fundamentalistas daqui são os fundamentalistas de lá.


Conversa Afiada



Estatísticas explicam por que os gilmares, imaculados banqueiros e Gilbertos Freires com “i” estão desesperados.

E tentam usar a Justiça como uma arma de fogo.









Leia mais:

EU SOU NASSIF

domingo, 27 de abril de 2014

ocê credita em coincidência? a polícia lê Veja


Intimado pela Polícia, humorista Rafucko depõe vestido de Willian Bonner e de meia-calça


O Dia


Artista fenômeno da internet prestou esclarecimentos na sede da Polícia Civil sobre a atuação em protestos, em processo disciplinar contra delegado do caso Amarildo



Humorista protestou contra intimação após depoimento na sede da Polícia Civil. Foto: Felipe Martins


A Corregedoria da Polícia Civil ouviu na tarde desta quinta-feira o humorista e ativista LGBT Rafael Puetter, o Rafucko. Fenômeno da internet com mais de um milhão de acessos de seus vídeos no Youtube, ele foi intimado a prestar esclarecimentos sobre a participação em um protesto artístico realizado em novembro do ano passado no Centro do Rio. Para ironizar a intimação, Rafucko compareceu à sede da Civil vestido de Wiliam Bonner da cintura para cima e uma meia-calça arrastão.

O humorista depôs como testemunha em um processo disciplinar da Polícia Civil contra o delegado Orlando Zaconne. Então titular da 15ª DP(Gávea), ele foi o responsável por desmontar a versão de que o pedreiro Amarildo, morto na Rocinha, teria ligação com o tráfico. Em novembro do ano passado, Rafucko comandou uma manifestação artística assistida por Zaconne cujo ‘ponto alto foi a premiação do manequim da Toulon como maior ato de vandalismo’, conforme o artista escreveu em seu site. A loja da grife foi depredada meses antes, em julho do ano passado, durante manifestação contra o então governador Sérgio Cabral.

O articulista Reinaldo Azevedo, da revista Veja, acusou Rafucko de ter usado manequim roubado da Toulon na apresentação. Azevedo acusou o delegado de praticar o crime de prevaricação, por não prender o artista que estaria usando peça roubada da loja de roupas.

Ao sair da sede da Civil, Rafucko contou que se recusou a responder às perguntas do delegado Felipe Bittencourt do Valle e negou ter usado objeto fruto de roubo na manifestação: “Eu me recusei a explicar uma performance artística. Quem é Reinaldo Azevedo? Eles tinham que investigar é se ele toma tarja preta antes de me chamar aqui. Baseado em que ele pode afirmar que eu usei algo roubado? Acho perigoso a polícia se basear nele para investigar qualquer coisa”, declarou.

Rafucko justificou o traje usado para ir à sede da Polícia Civil: “Eu prefiro achar que tudo isso é uma grande piada. Eu já faço uma sátira ao William Bonner nos meus vídeos, então aproveitei para vir aqui com o personagem que é uma crítica, uma ridicularização da mídia”, disse.



Ao sair da delegacia, Rafucko discursa contra a atuação do governo para integrantes da mídia alternativa e fãs. Foto: Felipe Martins


“É bem assustador que eu tenha que perder uma tarde aqui. Deve ter algo mais importante para ser investigado. Tem uma coisa muito ruim, muito estranha e muito circense acontecendo. A sensação é de que estamos numa democracia muito frágil, se é que estamos numa democracia”, completou.

Não é a primeira vez que Rafucko presta esclarecimentos à polícia. Durante mais uma manifestação no mês de julho do ano passado, acabou detido por policiais militares. Em um vídeo divulgado no Youtube dias após o protesto, o humorista afirma que foi preso pelos PMs com provas falsas. Segundo Rafucko, os policiais colocaram pedras portuguesas dentro da camisa que ele usava para forjar o crime de depredação de patrimônio público. Ele foi levado à 14ª DP (Leblon) e liberado ainda no mesmo dia.

Em seus últimos vídeos, ele vem criticando de forma ferina a atuação da polícia nos protestos que ocorrem na cidade desde junho do ano passado, as respostas do ex-governador do Rio Sérgio Cabral e do prefeito Eduardo Paes às reivindicações dos manifestantes e a forma como os protestos são noticiados nos veículos de comunicação.

Procurada pela reportagem do BLOG LGBT, a Polícia Civil informou que houve um erro material na expedição do documento enviado ao artista, que deveria ser um convite e não uma intimação.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

a TV se vê livre para atacar direitos humanos impunemente


TV despreza os direitos humanos


Blog do Miro


Por Laurindo Lalo Leal Filho, na Revista do Brasil:


“King Kong, um macaco que, depois que vai para a cidade e fica famoso, pega uma loira. Quem ele acha que é? Jogador de futebol?”, afirmou Danilo Gentili na TV. A um telespectador, que contestou o caráter racista da frase pela rede social, respondeu de forma a deixar ainda mais claro o seu preconceito: “Quantas bananas você quer para deixar essa história pra lá?” O moço é reincidente. Sobre a polêmica da futura estação do metrô paulistano no bairro de Higienópolis, habitado por muitos judeus, disse: “Entendo os velhos de Higienópolis temerem o metrô. A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz”. Desculpou-se depois, mas o estrago já estava feito.

O que esse e tantos outros apresentadores na TV brasileira fazem é violar os direitos humanos, lembrados anualmente no dia 10 de dezembro – data da publicação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e que não é apenas comemorativa. É um momento importante para lembrar direitos ainda violados pelo mundo, entre eles o do respeito à dignidade humana e a não discriminação.

A TV, que poderia ser um instrumento na defesa desses direitos, tornou-se, no Brasil, o seu oposto. Basta assistir aos programas policialescos em rede nacional incentivando a violência ou àqueles regionais que, na hora do almoço, tripudiam sobre a desgraça alheia. Sem falar no desprezo com a dignidade da mulher, transformada em objeto nos auditórios, novelas e propagandas, e as recorrentes piadas em torno da homossexualidade.

Correndo solta, sem qualquer regulação, a TV se vê livre para atacar direitos humanos impunemente. Não existem, como na Europa, órgãos reguladores com poder para impor limites às emissoras. Não se trata de censura. Eles agem sempre a posteriori, a partir de demandas do público. A pesquisadora Bia Barbosa realizou um importante trabalho sobre as violações de direitos humanos e a regulação de conteúdo da TV no Brasil, comparando com o que ocorre na França e no Reino Unido. Analisou casos de preconceito e ofensa contra grupos minoritários, violação dos direitos das mulheres, discriminação religiosa, banalização da violência e linguagem depreciativa. As conclusões são desoladoras.

No Brasil, cabe ao governo de turno aplicar as poucas regras que existem, dispersas por vários ministérios e ultrapassadas historicamente, como é o caso do Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962. Mesmo assim, as normas são pouco aplicadas, à medida que os governos evitam, por interesses políticos, atritos com os proprietários das empresas de TV. Na França e no Reino Unido os mecanismos de regulação são ágeis e as violações, punidas com rigor. As multas são calculadas em função do faturamento dos canais. No Reino Unido, há um teto de 250 mil libras ou 5% da receita do canal. Na França, podem chegar a 3% da renda de uma operadora, e a 5% em casos de reincidência.

Bia Barbosa colheu exemplos interessantes: o Believe TV, um canal pago inglês dedicado a mostrar soluções de problemas financeiros e de saúde por meio da fé, com pastores receitando sabonetes milagrosos, foi multado em 25 mil libras e obrigado a parar com o charlatanismo. Em 2012, outro canal religioso recebeu multa de 75 mil libras por realizar campanha dizendo que em troca de doações de mil libras, oferecia um “presente especial” e uma oração para a saúde, a prosperidade e o sucesso.

Em meados deste ano, o inglês Channel 4 exibiu uma série de programas em que a apresentadora Daisy Donovan percorre vários países do mundo revelando como é a televisão local. Um dos episódios tratou do Brasil. Daisy mostrou os programas Miss Bumbum, veiculado pelo canal pago Multishow – do sistema Globosat; Pânico, pela RedeTV!; e o policial Na Mira, da TV Aratu, filiada do SBT na Bahia. Depois de se surpreender com o concurso de beleza, ela perguntou: “Se a TV brasileira é capaz de tratar uma mulher dessa forma, haveria alguma barreira que ela não ultrapassaria?” Não há. É assim que a barreira dos direitos humanos é ultrapassada todos os dias.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

essa tau juventude transviada


Max Gonzaga, autor do hit ‘Classe Média’, fala ao Blog da Cidadania

Posted by eduguim on 08/05/13 • Blog da Cidadania







Nos últimos anos, uma composição algo antiga, de meados da década passada, proliferou pela internet e por blogs e sites ditos “progressistas”, surgidos no âmbito de um movimento pela democratização da comunicação que ganhou força desde então devido ao esgotamento da paciência dos setores pensantes da sociedade com um oligopólio composto por impérios de comunicação que vêm toldando as questões mais prementes da cidadania e a pluralidade do debate das grandes questões de interesse nacional.

O nome da canção é “Classe Média”. Foi composta em 2005 por um artista natural de São José dos Campos, interior de São Paulo, chamado Max Gonzaga. Um grande artista, na opinião deste Blog.

Antes de prosseguir, se ainda não assistiu sugiro que assista, logo abaixo, ao vídeo de um festival de que Max Gonzaga participou com essa canção.


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Muito boa, não? Prestou atenção à letra?

Essa canção passou a ser lembrada por blogs de esquerda em 2007, quando eclodiu um tal de “Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros”, que ficaria conhecido popularmente como “Cansei”.

Caso alguém não saiba, o autoproclamando “movimento da sociedade civil” surgiu logo após o acidente com o voo 3054 da TAM. Declarava-se apartidário, mas propugnava “reflexão” sobre “os motivos” do que considerava “desordem da administração pública no governo Lula”.

Recentemente, durante a volta à cena do velho debate sobre maioridade penal, este blog amparou-se em “Classe Média”, de Max Gonzaga, para tentar combater um sentimento doloroso que vem engolfando a sociedade em relação a esse tema e que, segundo o artista em pauta, foi o que o motivou a compor aquela canção.

Nos últimos dias, o Blog conseguiu contato com Max e lhe pediu uma entrevista cujo resultado você confere a seguir.

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Entrevista de Max Gonzaga ao Blog da Cidadania

Gravada em 8 de maio de 2013

Por Eduardo Guimarães

Blog da Cidadania – Max Gonzaga, autor do hit “Classe Média”, gostaria que você falasse um pouco a um público que, em boa parte, já o conhece, já viu o seu vídeo e já ouviu a sua música, e que gostaria de conhecer mais de você – e eu me incluo entre essas pessoas. A gente quer saber quem é Max Gonzaga e o que é que o levou a compor Classe Média, um recado incrivelmente direto a todos nós, que faz com que pensemos sobre as nossas vidas de classe média.

Max Gonzaga – Eu sou nascido e criado em São José dos Campos, no interior de São Paulo, a 90 quilômetros da capital. Meu contato com a música veio através do meu pai, um acordeonista que sempre teve a atividade de música como hobby, que depois se entremeou pela minha casa. Então, essa musicalidade dele e, também, da minha mãe, que canta muito bem, apesar de nunca ter tido aula de canto. A música estava ali, nos dois. E eu acabei captando isso e, com o decorrer do tempo, adotei o violão como meu instrumento.

Depois de certo tempo comecei a compor impulsionado até por um projeto do qual eu participei uns anos atrás que é o Clube Caiubi de Compositores, de São Paulo, que tem, hoje, uma rede de mais de seis mil associados.

Em função desse projeto, da fundação desse clube, que eu acabei mergulhando mais nessa coisa de compor. E, até então, eu tocava na noite, para um público que não estava lá com esse fim que tinham minhas músicas, de reflexão. O pessoal estava indo lá para se divertir, para beber, para comer.

Com o advento do Clube dos Compositores eu me engajei mais em seguir com as composições e passar a apresentá-las com mais veemência à minha plateia, até que chegou um determinado momento em que eu não abandonei, mas eu comecei a dar muito mais prioridade ao trabalho autoral e de interpretação, que está aí até hoje.

Blog da Cidadania – Você, hoje, é um compositor, escreve as próprias letras das canções que interpreta, não é isso?

Max Gonzaga – É, eu faço música e letra. Eu tenho isso comigo porque eu sempre quero dizer alguma coisa, eu quero sempre dar um recado. Eu não quero que a música fale somente da própria música, eu quero que fale das coisas que a gente vive, das coisas que acontecem com a gente, que nos afligem ou daquilo que nos dá alegria…

Enfim, tratar da vida do cidadão comum. Trazer o cidadão comum para dentro da obra. Esse é o meu intuito maior.

Mas muitas vezes eu não consigo fazer isso em parcerias. Às vezes eu encontro pessoas que têm músicas com essas características e, aí, eu as incluo dentro do meu repertório, dos meus discos.

Blog da Cidadania – Parcerias com quem, por exemplo?

Max Gonzaga – Alguns compositores do próprio Clube Caiubi, que já incluí nos meus trabalhos. Não são pessoas conhecidas. São pessoas que estão, assim como eu, à margem da mídia, mas que produzem um trabalho igualmente vigoroso. Gente como Chico Pinheiro, Marcio Policarpo ou Álvaro Cueva.

Essas são pessoas que estão registradas em alguns trabalhos meus, mas há uma série de outros compositores desse clube que têm também essa mesma preocupação.

Blog da Cidadania – Alguém mais conhecido do grande público?

Max Gonzaga – Do Grande público, que estava lá na mesma batalha que a gente – e que, inclusive, emprestou seu prestígio para que pudéssemos conseguir alguma coisa – foi o Zé Rodrix…

Blog da Cidadania – Ah, sim, grande Zé Rodrix…

Max Gonzaga – Ele, inclusive, participou do vídeo de “Classe Média” no festival da Cultura, que está no You Tube. Ele está nos teclados, trabalhando junto com a gente.

Blog da Cidadania – Que Maravilha. Zé Rodrix foi uma figura…

Max Gonzaga – Foi uma grande honra, para mim, poder dividir o palco com essa figura lendária, que era uma pessoa muito aguerrida, muito preocupada com essa questão do “destravamento” da mídia.

Zé Rodrix foi parte do movimento durante o final da década de 70 e depois, por uma série de questões, passou a lutar também por uma mudança no status quo da questão da divulgação audiovisual de uma forma geral.

Foi um período muito bacana, aprendi muito com ele. E até hoje as influências e os ensinamentos dele estão comigo.

Blog da Cidadania – Curti muito o Zé Rodrix…

Max, “Classe Média” foi composta em que momento, em que ano, o que estava acontecendo que o motivou a criar essa obra que, a meu ver, é importantíssima e que será ouvida durante séculos?

Max Gonzaga – Pois é, infelizmente a música foi criada exatamente em cima do calor da emoção ante um tipo de fato que a gente está vendo acontecer neste instante, a questão da maioridade penal, a questão da pena de morte, decorrentes da passionalidade que se produz em algumas situações.

Claro que respeito outras opiniões, mas, nesse debate, ninguém fala do social, das carências que produzem esse estado de coisas. Só se fala em prender ou matar. E, nesse contexto, é óbvio que quem sai mais prejudicado são os menos privilegiados.

Então, fiz a música nesse momento, dado esse contexto, de nós voltados exclusivamente para nós mesmos, para a nossa segurança, para a educação dos nossos filhos, mas pouco preocupados com aqueles que não têm as mesmas possibilidades que eles

Essas pessoas que buscam esse tipo de “solução” para a violência ao mesmo tempo não aceitam a reação natural, sociológica, dessas pessoas que, dada a situação social em que estão, reagem de alguma forma por estarem fora do contexto social dos incluídos ao consumo e a outras regalias dos mais favorecidos.

Blog da Cidadania – Em que ano foi composta “Classe Média”, por conta desse contexto que você relata?

Max Gonzaga – Foi em 2005.

Blog da Cidadania – Você fala, na música, sobre aquele cidadão que “acredita na revista semanal”. Ao que você se refere?

Max Gonzaga – Quando eu falo da revista semanal, ela entra mais de forma simbólica. Não me refiro a essas ou àquelas editora ou revista. Refiro-me a um contexto midiático…

Blog da Cidadania – Ao conjunto da obra…

Max Gonzaga – Exatamente, não a uma voz específica entre todas as instituições midiáticas.

As pessoas, às vezes, têm a percepção de que estão se informando, mas, na verdade, elas estão seguindo uma tendência determinada por um conjunto de instituições midiáticas. Foi isso que eu quis dizer com a alusão à “revista semanal” na letra da música. Não critiquei nenhum veículo em especial.

Só quero deixar registrado, no entanto, que acho que a pluralidade é importante na democracia…

Blog da Cidadania – Uma pluralidade que não existe na mídia…

Há uma questão, Max, que eu comentava com você antes de começar a gravar, que é a seguinte: você é um artista, a meu ver, espetacular. Você tem uma voz muito boa, as melodias de suas músicas são muito boas, as letras…

O que acontece é que não entendo que um artista como você não tenha hoje uma projeção à altura do seu talento. Minha pergunta, então, é a seguinte: essa canção, “Classe Média”, você acha que incomodou àqueles que poderiam te levar a um nível de exposição que lhe permitisse galgar o sucesso que merece?

Max Gonzaga – Não, eu não tenho essa pretensão toda, Eduardo. Eu acho que existe uma conjunção de fatores que fazem com que eu não tenha, com o meu trabalho, uma projeção que tampouco têm outros artistas que não escrevem músicas incômodas como “Classe Média” e que tampouco alcançaram um grande sucesso, apesar de terem trabalhos maravilhosos.

É claro que a forma como eu abordo alguns temas não é tão digerível a alguns, mas não creio que seja esse o fator preponderante, pois da mesma forma que você tem aquele que não concorda, você tem aquele que concorda. Acho, portanto, que a questão é muito mais comercial do que ideológica.

Blog da Cidadania – Max, que outras composições você tem que abordam esse tipo de tema, que você pudesse citar?

Max Gonzaga – Eu tenho uma música desse último trabalho, que é o “fotografias”, que terá lançamento agora, no segundo semestre, que é “Cachorro Louco”. A música fala, essencialmente, do motoboy. Trata-se de uma figura meio “mágica” na cidade de São Paulo.

A gente convive com o motoboy o tempo todo como se ele fosse ora “deus”, ora “diabo”. Se ele te atrapalha no trânsito é “diabo”, se te leva aquele documento que você precisa desesperadamente, é “deus”.

Esse paradoxo eu acabo analisando na música, que é curtíssima – não tem 3 minutos.

Blog da Cidadania – Max, você precisa nos dar – até para eu poder linkar aqui no Blog – o endereço do seu site. Também coloco o Blog da Cidadania à disposição para você fazer algum comentário final que você julgue necessário.

Max Gonzaga – Todo o meu trabalho está disponível em meu site oficial:

www.maxgonzaga.com.br

Está tudo lá. As músicas dos dois CD’s estão lá, no site, disponíveis para download e em alta definição para que todo mundo baixe, pirateie, não tem problema nenhum. As músicas estão lá para que todos tenham acesso.

Lá também tem fotos, a divulgação das agendas de shows que estamos fazendo e que são muito menos do que eu gostaria, mas elas acontecem.

Sobre o recado que eu gostaria de dar, é o de que a gente precisa começar a colocar, na música, mais do cidadão comum, da gente mesmo, da gente como cidadão, do que nos aflige, do que nos agrada…

Hoje em dia está difícil de um artista dizer “Olha, tem isso aqui pra você pensar”, fazendo a gente olhar para o lado e dizer: “realmente”. A correria do dia a dia é tão grande que a gente perde a percepção das coisas que estão acontecendo ao redor.

Em minha opinião, esse é o grande papel do artista. Nessa hora, a sensibilidade do artista pode fazer a diferença.

Blog da Cidadania – Max, quero fazer uma pergunta – agora, de fato, pra fechar: você acredita que a mídia, de uma forma geral, estimula a futilidade? Pergunto isso porque vejo que as músicas falam de amor, cada vez mais de sexo…

Haveria, assim, um certo estímulo – e você pode me dizer sob que interesse, se comercial, ideológico ou ambos – à futilidade, ao oposto do que você prega como reflexão das pessoas?

Max Gonzaga – Eu não sou contra nenhum estilo musical. Acho que cada um tem liberdade para criar aquilo que achar que seja mais conveniente à sua proposta artística e profissional. O que acho que está complicado é a democratização do espaço para divulgação de todos os trabalhos.

Como a mídia está uníssona em determinados segmentos ou em determinados estilos e até determinados assuntos jornalísticos, fica complicado de a gente inserir qualquer coisa que destoe do “grande tema” que interessa a esses veículos de comunicação.

É óbvio que isso tudo gera uma preocupação “artística” de se produzir aquilo que esteja dentro de um contexto de debate da grande mídia, então as pessoas param de produzir arte para produzir um produto.

Então eu vou fazer um produto que se encaixe dentro do contexto atual para que eu possa vender mais. Assim, a parte artística da música é deixada de lado. Você acaba se preocupando muito mais com o cabelo e a roupa do artista por achar que farão com que a mídia se interesse pelo seu produto.

Nessa situação, portanto, grande parte da produção artística atual se limita a tentar criar alguma coisa “viável” do ponto de vista comercial.

sábado, 29 de dezembro de 2012

audaciosamente foram onde série alguma jamais esteve


80 anos de Nicholle Nichols,
a tenente Uhura de Star Trek

Enviado por luisnassif, sab, 29/12/2012 - 15:00

Por marcelosoaressouza

Do Omelete

Nichelle Nichols | 80 anos da atriz que quebrou paradigmas na TV

Relembre a carreira da atriz que viveu a tenente Uhura em Jornada nas Estrelas

Nichelle Nichols, atriz que viveu a tenente Nyota Uhura na Série Clássica de Jornada nas Estrelas (Star Trek) completa 80 anos hoje.

Quando Nichelle entrou para a série de televisão de Gene Roddenberry em 1966, no auge dos movimentos pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos - sob a liderança de Martin Luther King Jr. -, sequer desconfiava que estava fazendo história. Como a quarta em comando a bordo da U.S.S. Enterprise, a oficial de comunicações Uhura tinha um papel de liderança e importância que nunca havia sido criado antes para a televisão por lá. Tanto que algumas partes de sul racista dos EUA recusavam-se a exibir o programa, tamanho o ultraje pelo destaque de Nichelle.A atriz cita frequentemente em entrevistas que nunca sentiu-se discriminada no set, mas que fora dele a situação era diferente. Ela entrava por uma porta "especial", pois era sempre barrada pelos guardas, que inventavam desculpas, e era desvalorizada por alguns integrantes da equipe técnica, como o fotógrafo, que nunca tirava imagens decentes suas para a divulgação.

Nichelle, porém, ignorou seus obstáculos e nunca queixou-se ao criador de série. Mas ao final da primeira temporada, ela optou por deixar Jornada nas Estrelas, já que tinha oportunidades na Broadway e poderia deixar para trás o preconceito que vivia diariamente. Roddenderry pediu a ela que pensasse melhor e que eles voltassem a falar dentro de alguns dias. Nesse meio tempo, Nichelle conheceu ninguém menos que Martin Luther King, que se apresentou em um evento beneficente a ela como um "trekker" e seu "maior fã". Ele a lembrou da importância de seu papel: "você percebe o quão importante é sua presença, sua personagem? Esse não é um papel para negros, ou um papel para mulheres. Você tem o primeiro papel não-estereotipado da televisão. Você quebrou um paradigma", lembrou a atriz em entrevista. "Aqui estamos nós, marchando, e você exemplifica exatamente onde queremos chegar".

Nichelle, obviamente, decidiu ficar em Star Trek - e protagonizaria outro dos mais importantes momentos da televisão mundial: o primeiro beijo inter-racial da televisão em horário nobre. No episódio “Filhos de Platão”, da terceira temporada, controlados por alienígenas, o comandante Kirk e sua subalterna trocam um dramático beijo (não sem antes enfrentar resistência da direção da NBC).

Com seu lugar de destaque na cultura e na história dos direitos civis, Nichelle foi convidada pela NASA para ajudar em campanhas de recrutamento para a primeira astronauta mulher da agência espacial. A ação não apenas selecionou Sally Ride, a primeira mulher astronauta, e Mae Jemison, a primeira negra a viajar para o espaço, mas também os primeiros astronautas membros de minorias: Guion Bluford, Judith Resnik e Ronald McNair.

Para Nichelle, "Jornada nas Estrelas não só mudou a televisão, mas também como as pessoas veem umas às outras. A série foi uma colaboração fundamental no processo de união das raças do nosso planeta". Jornada nas Estrelas e a atriz audaciosamente foram onde série alguma jamais esteve.





Vídeos:


quarta-feira, 31 de outubro de 2012

31 de outubro - Dia do Saci

Hoje é o Dia do Saci!

S C Internacional

Todo torcedor sabe o carinho e a alegria que o mascote Saci espalha nas festas, em dia de jogos e demais atividades do Inter. E hoje,  31 de outubro, data em que o folclore brasileiro resgata figuras importantes,  o nosso mascote não poderia deixar de ser lembrado.


Saci participa de eventos como a Feira do Livro de Igrejinha

O menino negro surgiu como mascote nos anos 40 devido ao Internacional possuir um time com vários jogadores negros em uma época em que a maioria dos clubes de futebol não aceitava esses jogadores. Posteriormente, não se tem uma data exata, surgiu, no lugar do menino negro, o Saci. Algumas fontes relatam que essa mudança ocorreu ainda no período do Rolo Compressor devido à malandragem daquele time em campo. Sendo a malandragem uma das principais características do personagem folclórico do Saci, o menino negro colorado passou a ser representado como o Saci Colorado.


Mascote também participou da campanha contra o diabetes infantil

Conhecido por suas travessuras, o Saci do Sport Club Internacional é uma das figuras  que traduz o futebol colorado a alegria e a paixão dos torcedores do Clube do Povo.
O Inter agradece o empenho e dedicação do Saci com seu Clube, sempre resgatando mais colorados para sua festa.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

José de Abreu de "Avenida Brasil"... esse Nilo


José de Abreu: "O PSDB está acabando"


Por Stanilaw Calandreli
Da Folha
ALBERTO PEREIRA JR.
ENVIADO ESPECIAL AO RIO
José de Abreu, 66, acompanha com a mesma intensidade o desfecho de "Avenida Brasil" e a conclusão do julgamento do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal).
No caso do folhetim da Globo, que termina na sexta-feira, a morte de seu personagem, Nilo, que começaria a ser exibida no capítulo de terça (16), não o elimina da lista de suspeitos do assassinato de Max (Marcello Novaes), seu próprio filho.
Em conversa com a Folha, o ator fala da novela e de política. Confira a íntegra da entrevista abaixo:
"AVENIDA BRASIL"
"O fim de de um trabalho dá uma certa dor, porque você sabe que não consegue manter a amizade e o contato com essa família que se forma. Foi um privilégio trabalhar com a Vera Holtz. Que mulher! Que atriz!. A Adriana Esteves também, o Juca de Oliveira, a Débora Falabella, que está indo gravar doentinha, que vontade de pegar no colo."
"Ator é um ser privilegiado. Em cada personagem, a gente encarna de novo. Como se fosse uma nova vida. E a impressão que a gente tem é que isso nos faz ficar melhor, entender o outro melhor. O Nilo, por exemplo, me faz entender um mundo que eu nunca vivi, que eu nunca tive. Costumo brincar que o bom de fazer vilão é que não precisarei fazer maldade na vida real [risos]."
"Costumo brincar que estou na Globo há 32 anos e os diretores sempre pediam menos, Zé, menos. Nesse personagem eles disseram para eu fazer mais, que eles iam atrás. Fizemos algo incrível nessa novela, um lixão bonito e lúdico. A casa do Tufão [Murilo Benício] como uma Torre de Babel, onde todos falavam ao mesmo tempo. O João Emanuel Carneiro foi buscar inspiração em Charles Dickens [1812-1870]. Viajei a Londres, durante um intervalo na novela, com minha mulher e meu filho, para pedir a bênção ao escritor na casa que foi dele. Fiz um um Nilo meio inspirado naquele judeu Fagin, do livro 'Oliver Twist'. Uma obra de arte quando dá certo, o Boni[ex-diretor da Globo] falava de química, quando a soma dos componentes funciona e dá a química é impressionante. Acho que deu certo."
"A risada. O hihihi do Nilo fui eu quem trouxe. Tinha a necessidade de mostrar o trabalho das maquiadores da Globo, que conseguiram deixar meu dente apodrecido para o personagem. Depois, o autor começou a colocar a risada no texto."
"Estou bastante feliz com o Nilo, é sem dúvida um dos meus melhores personagens e sabia que iria ouvir as piadinhas da direita. Até coloquei no meu perfil do Twitter 'piadinhas sobre o Nilo e o Zé de Abreu é muito fácil de fazer". Recentemente, um cara escreveu: 'revelada a verdadeira personalidade de Zé de Abreu: um lixão'". Eles me atacam demais. Eu me envolvo. Não é sempre que você está a fim de ser xingado."
*
"SALVE JORGE" (nova novela das nove da Globo)
"Certamente, se não estivesse em 'Avenida Brasil', eu participaria de 'Salve Jorge', da Gloria Perez, com quem trabalhei em 'Amazônia, de Galvez a Chico Mendes' [2007] e 'Caminho das Índias' [2009]. Essa novela será o contrário da atual. Deve vir muita dança, cor e alegria. Mas também o lado negro do tráfico de mulheres. Acho que tem que ser isso mesmo. A Globo investe nessas mudanças. Você vê a diferença de na novela das sete atual ['Guerra dos Sexos'], com a anterior. Não sou muito consumidor de novela, mas por acaso eu assisti 'Cheias de Charme' bastante, porque gostei muito."
*
O MENSALÃO E O PT
"Eu nunca conversei com o Zé [José Dirceu] a respeito das denúncias. Acho que o PT fez o que sempre se fez. É errado? Sim! Mas fez o que sempre se fez".
"Por que o PPS apoia o Serra em São Paulo e o Paes/Lula/Dilma no Rio? Qual o sentido disso? Roberto Freire [presidente do PPS] passa 24 horas por dia no Twitter metendo o pau no Lula, chamando de ladrão e de corrupto, e fecha com o Paes aqui, com um vice-candidato a prefeito do PT? É venda de espaço, venda de horário, venda da sigla. Vou ser processado. Já estou sendo processado pelo Gilmar Mendes [ministro do STF, por chamá-lo de corrupto no Twitter]]. Agora, talvez seja processado pelo Freire." --procurado pela reportagem, Roberto Freire declarou: "Esse ator tem uma ética política que orbitava ao redor do PCB [Partido Comunista Brasileiro]. Agora, ele não tem mais nada disso. Não merece meu respeito nem a minha resposta."
"O Supremo quer mudar a maneira de fazer política no Brasil. Ótimo, maravilha! Óbvio que tinha que começar com o PT. Então, agora para ser condenado no Brasil basta ser preto, puta, pobre e petista."
"O grande organizador da base foi o Zé Dirceu. Eu não tenho informação de cocheira para falar. Lendo a imprensa, deu para notar o seguinte. Antes do Lula ser eleito, houve uma reunião dele com o Zé Dirceu dizendo que ele não queria mais concorrer, né? E o Zé o convenceu com a ideia do José de Alencar [ex-vice-presidente] ser vice, de abrir um pouco mais o PT, de fazer coligação etc. Isso tudo foi o Dirceu quem fez não o Lula. Mas se for a história do domínio do fato, tem que prender o Fernando Henrique por comprar a eleição dele, porque tem provas. Agora se fala, eu sei que houve, mas não sei quem fez. O deputado Ronnie Von Santiago [que era do PFL-AC] falou eu ganhou R$ 200 mil para votar a favor da reeleição do Fernando Henrique. Ah, o FHC não sabia? Mas pelo domínio do fato, não saber é como saber. Então se pode enquadrar qualquer um, até o Lula, que sem dúvida nenhuma é o grande objetivo..."
"O PT está virando o Brasil de cabeça para baixo, está colocando uma mulher na presidência, um negro na presidência do STF, tirando 40 milhões da pobreza, fazendo um cara que sai do Bolsa Família, do ProUni, fazer mestrado em Harvard, ter os primeiros lugares do Enem."
"Como é que um operário sem dedo, semianalfabeto faz isso que nunca fizeram? O nosso querido Fernando Henrique Cardoso, que era a minha literatura de axila na faculdade, que era meu ídolo. Não o Lula. O Lula era da minha geração, o FHC de uma anterior. Fernando Henrique, Florestan Fernandes eram os caras que queria mudar o Brasil. Aí o Fernando Henrique tem a oportunidade e não faz? Vai para a direita? É uma coisa louca. O que aconteceu? O PT e o PSDB nasceram da mesma vértebra. Era para ser um partido só. O que acontece é que chegam ao poder e vendem a alma ao diabo. Fica igual ao que foi feito nos 500 anos. O PT teve o peito de tentar romper, rompeu e está pagando por isso."
"Eu votei no Fernando Henrique na primeira vez [na eleição de 1993]. Achava que ele era melhor do que o Lula naquela oportunidade. E foi mesmo. O Lula foi melhor depois."
*
JOSÉ DIRCEU E A DITADURA
"Conheci o Dirceu quando entrei na faculdade [no curso de direito da PUC-SP], na década de 1960. Eu entrei na faculdade já no pau, tem uma piadinha que eu faço, que quem não era de esquerda não comia ninguém. Porque ser de direita naquela época era ou ser extremamente mau-caráter ou alienado. Alienado era bobão, não sabia nem que existia a ditadura. Eu fui um dos representantes da faculdade na UNE [União Nacional dos Estudantes]. Foi nessa época que eu fiquei mais próximo do Dirceu."
"Não fui torturado durante a ditadura. Fui preso junto com o Zé Dirceu em Ibiúna, no congresso da UNE,e m 1968. Eu fiquei preso uns dois meses, levei uns tapas na cabeça, quando ia para o Dops [Departamento de Ordem Política e Social] prestar depoimento."
"A coisa ficou pesada depois do AI-5 [ato institucional que restringiu mais as liberdades civis], eu fui solto dois dias antes, foi a maior sorte. No dia 13 de dezembro, fui na faculdade, no Tuca e o porteiro disse que a polícia tinha ido atrás de mim, de armas. Nunca peguei em armas, fui embora para o Rio, e fiquei prestando apoio logístico para uma organização de esquerda. A única ação que eu fiquei sabendo depois e eu participei foi transportar o dinheiro tirado de um cofre do governador Adhemar de Barros [1901-1969]."
"O meu contato com a organização era um concunhado que foi preso junto com a Dilma, na rua da Consolação. Só tinha duas atitudes, ou entrar na luta armada ou deixar a organização. Minha companheira estava grávida do meu primeiro filho. Conversamos. Eu nunca pensei que poderíamos derrotar as forças armadas. Éramos 500 mil, 600 mil estudantes, tinha operário e militar, mas a grande maioria era estudante classe média."
"Foi quando eu fui para a Europa, em 1972, para Londres, Amsterdã. Virei místico, fui estudar hinduísmo, filosofia oriental. Fiz ioga, meditação, macrobiótica, fui vegetariano, meditava quatro vezes por dia, vivia numa ilha grega, comendo frugal. Lá tomei ácidos. Muitos com orientação, para fazer pesquisa. Tinha um livro que ensinava. Tinha uma pessoa que brincava com o incenso. O contato foi maravilhoso. Era algo cósmico. No Brasil, enquanto a gente estava gritando paz no Vietnã, nos EUA eles gritavam 'make love' [faça amor]. Era a mesma coisa, mas um tinha um lado hippie, lisérgico. A minha geração, alguns amigos ficaram na esquerda, outros fizeram a revolução já hippie. Eu tive o privilégio de fazer parte dos dois lados."
"Quando voltei ao Brasil anos depois, fui dar aulas em Pelotas, me desliguei dessa parte política e me foquei na arte. Me meti na profissão, fui ter filho e cuidar deles como o John Lennon fez. Limpando a bunda, acordando de madrugada para dar de mamar. Sendo um pai e mãe. Dividindo igualmente tudo e foi lindo.Depois fui para Porto Alegre, comecei a produzir música, levei Gilberto Gil, Rita Lee, Novos Baianos. Montei uma peça do Chico Buarque, 'Saltimbancos'. Acabei fazendo um filme muito louco, 'A Intrusa', ganhei um prêmio em Gramado e a Globo estava lá e me chamou."
*
INTERNET
"Na segunda eleição do Lula, eu tinha um blog e fui muito atacado. Eu estava no Acre, fazendo a minissérie 'Amazônia'. Aquela eleição já foi muito radicalizada. Eu sou viciado em internet há muito tempo. Fui um dos primeiros atores a ter uma senha do Ministérios da Comunicação. Em 1994, 1995, já usava internet num provedor que o Betinho [Hebert de Souza] tinha por causa do Ibase [Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas]. Eu, o Paulo Betti, o Pedro Paulo Rangel fomos os primeiros atores a usar internet. Eu fiz muito ator comprar computador e ter internet. O mais comum era ouvir 'não gosto de internet'. Mas no futuro ia ser algo como não gostar de telefone, de liquidificador. O José Mayer me apelidou de Zé Windows."
"Sou geminiano, gosto de comunicação e cai no Twitter com a história da campanha da Dilma, que foi a primeira campanha em que as redes sociais foram muito usadas."
*
DILMA ROUSSEFF
"Não tive contato com a Dilma durante a ditadura. A gente era da mesma organização [VAR-Palmares]. Só se for fazer muita ilação. Não vou dar uma de Joaquim Barbosa..."
"Lula é Dilma e Dilma é Lula. Isso é um mantra, a cumplicidade dos dois é total. Quando o Lula começou com essa história de ter Dilma como candidato, todo mundo assustou. O pessoal do PT mesmo, o Lula pirou, como faz? Nunca tinha acontecido isso, uma pessoa que não tinha ganhado nenhuma eleição ser candidata a presidente."
*
MINISTÉRIO DA CULTURA E A POLÍTICAS DE COTAS
"Eu não sei o que foi aquilo [Ana de Hollanda]. Um dia a gente ainda vai saber o que aconteceu. Depois ferrou, a Dilma é teimosa, não ia tirá-la na pressão. Ela esperou acabar tudo para trocar o ministério. A Ana é esquisita, uma pessoa difícil. Eu fui falar com ela uma vez, foi muito difícil. Quando entrou, batia de frente com o PT inteiro, com os deputados todos que cuidavam da cultura. Achei uma desfaçatez com o ministério da Cultura."
"Agora precisa um levantamento para saber o deve ser feito. Mas a chegada da Marta [Suplicy] foi muito boa."
"Sou a favorzaço de cota em tudo. Nós temos uma dívida. Há quantos anos um negro não podia entrar na faculdade? Podia pela lei, mas não entrava. Não tinha oportunidade igual. Na minha classe, tinha um negro em 50 alunos. Os ricos têm a impressão de que vão roubar deles. Mas o Lula conseguiu mostrar que dá para dividir e eles ganharam mais dinheiro ainda porque entrou muita gente no mercado para comprar coisas. Por mais que a Dilma dê porrada nas montadoras, elas estão amando a presidente."
"Foi uma surpresa [cota para negros em edital do MinC], eu não li o projeto, mas a rigor, eu acho que o Brasil tem um débito muito grande e se for contar a escravatura, o débito não se paga nunca."
"Não esperava que o Brasil fosse dar esse salto de assumir que é racista, de o governo assumir que existe racismo, de que existem problemas sérios, de que o brasileiro não é cordial com os seus. O brasileiro sabe explorar seus empregados. Hoje em dia, ter empregada doméstica está cada vez mais difícil. É claro! Quem quer lavar a cueca de um marido que não seja seu. É degradante."
*
FUTURO DO PT E PRESIDÊNCIA EM 2014 e 2018
"Vou chutar aqui. Se o Eduardo Paes [prefeito do Rio] fizer um puta governo, agora com a Olimpíada, com a Copa, vai ganhar uma visibilidade absurda, pode enlouquecer e querer ser presidente pelo PMDB, sem ter sido governador. Obviamente, o Eduardo Campos [governador de Pernambuco, pelo PSB] é uma coisa natural, neto do Miguel Arraes."
"O PSDB está acabando, o DEM acabou, o partido do Kassab [PSD] conseguiu algumas coisas, mas ele tomou o partido e agora está perdendo força. Kassab quis ser o Lula. Se o Haddad fizer um bom governo, se for eleito prefeito e ficar quatro, depois mais quatro pode ser um candidato em 2018. Daqui a seis anos o Lula ainda tem idade para tentar a presidência, mas se eu fosse ele, ia ser governador de São Paulo, só para acabar com a brincadeira [do PSDB]. Aí ficava Lula, Dilma e Haddad. São Paulo ia ser capital do mundo."
*
PUBLICIDADE
"Os publicitários acham que o público não sabe diferenciar ficção e vida real, mas ele sabe. Talvez tenha acontecido com a Odete Roitman [Beatriz Segall, em 'Vale Tudo (1989)], agressões e tal, mas é um negócio tão antigo. Nunca apanhei de telespectador. Os caras falam 'oh, cuidado com a Nina, para de fazer maldades com as crianças'. Mas não tem essa de xingarem. Sabem que não sou eu, é o Nilo."
"A Adriana Esteves não fez nenhum comercial. Ela é uma mulher que para o Brasil. Ela pode vender qualquer coisa, mas ninguém chama porque ela é vilã."

domingo, 1 de abril de 2012

O carapálida conhece a TVBrasil? não sai da grobobo... fazê u quê, né?

O Dia que durou 21 anos


Extraordinário Documentário que revela minuciosamente a participação do governo dos Estados Unidos no golpe militar de 1964 que durou até 1985 e instaurou a ditadura no Brasil.

Pela primeira vez, documentos do arquivo norte-americano, classificados durante 46 anos como "Top Secret" são expostos ao público.

Textos de telegramas, áudio de conversas telefônicas, depoimentos contundentes e imagens inéditas fazem parte desse documentário, narrado pelo jornalista Flávio Tavares.

O Dia que durou 21 anos é uma coprodução da TV Brasil com a Pequi Filmes, com direção de Camilo Tavares. Roteiro e entrevistas de Flávio e Camilo Tavares.

segunda-feira, 19 de março de 2012

"O que está acontecendo com nossos fins de semana? "


O reino da mediocridade

Por Washington Araújo, no Blog do Washington Araújo (SUL 21)
O que está acontecendo com nossos fins de semana? Temos a semana para ganhar o sustento pessoal e familiar, trabalhamos o horário nobre dos dias: todas aquelas horas em que o sol está firme no horizonte. Os restos do dia são dedicados ao repouso, tão necessário para refazer as energias a serem canalizadas para a jornada seguinte. E os vestígios do dia, essas poucas horas e momentos que sobram, passamos com quem amamos, nossos familiares, nossos amigos.
Chega então o fim de semana. Sábado e domingo, boa parte da população que ainda pode desfrutar do luxo de ter emprego, profissão ou apenas um meio de ganhar a vida finalmente pode desfrutar de dois dias para descansar e dar atenção aos que amamos. E o que fazemos, então? Boa parte desse “descanso” se passa diante da telinha mágica chamada televisão.
É da telinha que recebemos o passaporte para atravessar o mundo, ver suas guerras e revoluções, ser testemunha ocular de enchentes amazônicas, furacões norte-americanos, vulcões e tsunamis asiáticos. Da mesma telinha acompanhamos o jogo da vida real em que alguns assaltam bancos, sequestram pedestres, furtam idosos, incendeiam índios e mendigos na periferia das grandes cidades do mundo.
Será isso… descanso?
Gincanas culturais
Resta a opção da passividade absoluta, da leniência habitual com nossos valores pessoais, do arrastão da mais completa e torpe imbecilidade. Temos os programas dos canais abertos da tevê. E com eles todo o apelo pelo ridículo, pelo insano, pelo anseio de ridicularizar outras pessoas, gente como a gente. São os programas de auditório: Luciano Huck e Fausto Silva ocupando as tardes de sábado e domingo e contando com um arremedo de concorrência formada por programas do mesmo naipe, com um agravante: conseguem ser ainda mais ridículos que os que ocupam o pódio das maiores audiências do Ibope vespertino.
Todos, sem exceção, usam e abusam das chamadas ‘pegadinhas’, que são aqueles vídeos, alguns pura armação e outros nem tanto, em que pessoas simples protagonizam situações do mais completo ridículo, abordadas em praças e ruas, fazendo literalmente o papel que a mídia televisiva lhes impõe – o de ser ridículo o suficiente para fazer outros rirem de seus desatinos e ações muito pouco inteligentes. E se um cidadão mediano nacional tem altura regular de 1,65m a 1,80m, nessas pegadinhas são reduzidos a pouco mais de dois ou três centímetros de altura. Altura ética, bem entendido.
Parte expressiva da população brasileira desperdiçará seu bem mais precioso – o tempo – observando Fausto Silva fazer caras e caretas para seu cameraman, passar pela milésima vez pesadas descomposturas e anunciar seu circo de horrores de bolso, do tamanho exato para preencher as 3, 4 ou 5 horas em que o programa irá durar. Por outro lado, Huck encenará seu papel preferido – o de boneco de ventríloquo – com voz quase sempre empostada e fazendo o que mais gosta: posar de mecenas dos pobres e miseráveis, distribuindo casas e carros inteiramente reformados, tudo tinindo de novo, e focando ora a lágrima do pai de família que transformou o quarto e sala (sempre em péssimas condições de habitabilidade) onde vivia em uma casa classe média, ora em todos os eletrodomésticos e tevês de LCD. É em meio aos eufóricos agradecimentos de quem ganhou algo que os pontos de audiência sobem e a dignidade humana é aviltada, de maneira enviesada, mas é.
Como seria interessante que os programas fossem nivelados ao menos ao meio, nem tão baixo e nem tão alto. Entendo que dificilmente a população trocaria de bom grado um canal exibindo Michel Teló por outro em que a atração fosse a Orquestra Filarmônica de Berlim apresentando a Nona Sinfonia de Beethoven. E não trocaria por uma razão muito simples: tempo demais se investiu no apreço dos canais de televisão por números musicais em que o artista parece participar de maratona circense – levanta os braços, corre e salta, volta a levantar os braços à direita e à esquerda – e as letras das músicas trazem sempre apelos explícitos e com alto teor erótico. Bem pouco tempo se investiu na educação do ouvido popular para apreciar e se deixar levar pelos belos acordes, sons e arranjos que somente as Bachianas do genial Villa-Lobos ousariam ter.
Os programas poderiam reviver gincanas culturais bem ao estilo anos 1970, como O céu é o limite, apresentado na extinta TV Tupi por J. Silvestre, programas em que um tema central era objeto de perguntas e respostas e os temas variavam de eventos do Antigo Egito até a vida de Mozart, Galileu ou Carmem Miranda.
Goela abaixo
Faltam na tevê aberta programas que possam despertar na audiência jovem a descoberta de vocação para levar avante a vida adulta: quais os encantos da física e da medicina, da química e da astronomia? Quais os depoimentos de arquitetos, professores, filósofos e advogados bem sucedidos a compartilhar com milhões de jovens em idade de escolher uma vocação, uma profissão? Temos absoluta carência de programas que façam exclamar um jovem de 16 ou 18 anos: “Eu daria certo nisso!” ou “É isso que farei na vida!” Ao contrário do que muitos pensam, seriam programas com baixo custo de produção.
Já paramos para pensar quão interessante seria assistir numa mesma tarde de sábado ou domingo a entrevistas de quinze a vinte minutos com profissionais “bem sucedidos” em sua área de atuação”, como Adélia Prado, Ivo Pitanguy, Alberto Dines, Dráuzio Varella, Marina Colasanti, Fernanda Montenegro, Chico Buarque, Leonardo Boff, Elio Gaspari, Fernando Meirelles. E poderiam investir na produção de vídeos ilustrativos com a biografia de cada entrevistado.
Alguém já imaginou um quadro como o “Arquivo Confidencial”, em vez de ser pela enésima vez com Susana Vieira ou com o Cauã Raymond, fosse com Oscar Niemeyer ou com Affonso Romano de Sant’Anna? Ou com essa prenda maior da baianidade, Dona Canô? E se não com ela, por que não com seu filho-pavão Caetano Veloso? Ou, então, por que não uma entrevista com esta que é uma das mais emblemáticas cantoras da música popular brasileira, Maria Bethânia?
Dificilmente serei convencido que a indigência mental que habita nossa telinha mágica no fim de semana é devido à falta de opções. É mais fácil que o seja por falta de cultura, cidadania e/ou bom caráter por parte dos que têm a última palavra na hora em que se fecha a grade programação de nossa tevê aberta – que, a rigor, é uma concessão do Estado, embora não pareça, dada à tradicional leniência com o lixo televisivo que fazem descer goela abaixo de uma população que ousa sonhar com novas utopias e redobrada esperança no futuro.
A sensação que tenho, depois de passar um fim de semana assistindo à televisão brasileira, é a de ter ficado mais pobre espiritualmente, diminuído em minha condição de humano.
Não será a hora de dar um chega pra lá nessa mediocridade toda?

quarta-feira, 14 de março de 2012

Futebol & Cia Ltda!


Globo e Teixeira.
Dependência mútua

Conversa Afiada





O Conversa Afiada reproduz entrevista do professor Luiz Gonzaga Belluzzo, que presidiu o Palmeiras:


Belluzzo: Globo e Teixeira viveram relação de mútua dependência

Nesta entrevista em que comenta a queda do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, e as mudanças que podem ocorrer no esporte a partir de agora, o ex-presidente do Palmeiras Luiz Gonzaga Belluzzo diz que a TV Globo manteve uma relação forte com o ex-mandatário para não correr o risco de perder o principal item de sua programação. “O problema são todos esses interesses privados, que não levam em conta o interesse público”, afirma o economista.

Marcel Gomes

São Paulo – Ex-presidente do Palmeiras (2009/10) e um apaixonado pelo futebol, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo se encontrou apenas duas vezes com o ex-mandatário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que renunciou nesta segunda-feira (12).

O ano era 2010 e ocorria a eleição para o comando do Clube dos 13, entidade que representa as mais importantes equipes do país. Teixeira articulava a candidatura do ex-presidente do Flamengo, Kléber Leite, contra Fábio Koff. Na ocasião, Belluzzo “trombou” com o então comandante da CBF.

“Eu defendi que a entidade dos clubes precisava ser autônoma, e não vinculada à CBF”, lembra ele. No fim, Koff venceu, mas o Clube dos 13 saiu enfraquecido. Era cada vez mais previsível o racha, que acabou ocorrendo em 2011, na disputa pelo dinheiro do futebol pago pela TV Globo.

Nesta entrevista à Carta Maior, Belluzzo diz que espera por mudanças no futebol brasileiro, mas afirma que dificilmente elas virão dos clubes, verdadeiras “casamatas que reúnem os interesses mais díspares, dos maiores aos mais mesquinhos.

Carta Maior – Quem foi Ricardo Teixeira para o futebol brasileiro?
Luiz Gonzaga Belluzzo – Para entender o papel dele precisamos voltar no tempo, até a eleição de João Havelange na Fifa, em 1974, quando ele substituiu Stanley Rous. A partir dali houve uma mudança importante na administração do futebol, na relação com os patrocinadores. A direção do futebol deixou de ser feita de maneira amadora e se tornou um grande negócio, sobretudo para a área de marketing, que aproveitou o fato de o esporte ter se tornado uma impressionante manifestação de massa. Esse processo tomou corpo nos anos 80 e se acentuou nos 90.

CM – Foi essa transformação que ocorreu no Brasil em 1989, com a eleição de Ricardo Teixeira para a CBF?
LGB – Exatamente. O futebol se tornou um grande centro de negócios, legais e ilegais, e atraiu aventureiros interessados em ganhar dinheiro. Os escândalos começaram aí, e não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Se você deixa a lógica do dinheiro dominar, precisa tomar cuidado para não perder a natureza da atividade. Esse é o problema do futebol, o mais interessante de todos os esportes quando é bem jogado.

CM – Isso afetou o esporte dentro de campo?
LGB – No Brasil e em todo o mundo. Houve o caso da Copa do Mundo na França, em 1998, quando a Nike teria se envolvido na escalação de Ronaldo no jogo final. E o campeonato brasileiro de 2005, com a questão das apostas e a manipulação de resultados.

CM – Ricardo Teixeira sempre dependeu muito de sua relação com a TV Globo, não?
LGB – Era uma relação muito forte, de mútua dependência. A Globo tem o futebol como o principal item de sua programação, então seria muito complicado ficar sem ele. O problema são todos esses interesses privados, que não levam em conta o interesse público.

CM – O futebol é um bem material e imaterial da cultura brasileira. Sua gestão não teria de ser mais pública?
LGB – Você tem razão. Os clubes de futebol são entidades semipúblicas, responsáveis por um esporte que interessa a todos os brasileiros. Uma mudança de gestão, porém, teria de passar por uma mudança da organização desses clubes. Mas isso é muito difícil, porque eles são controlados por oligarquias que não querem que algo mude. Falo por experiência própria, como ex-presidente do Palmeiras. Os clubes são casamatas que reúnem os interesses mais díspares, dos maiores aos mais mesquinhos.

CM – É difícil que a democratização venha debaixo?
LGB – Muito difícil. Sem uma regulação geral, os clubes têm se enfiado nas mais complicadas negociações financeiras. Se sou presidente do Palmeiras e o Corinthians gasta muito com um jogador, eu tenho de fazer o mesmo. Veja o caso do Flamengo, que está em uma situação difícil e, mesmo assim, segue contratando jogador. Países como Alemanha e França já criaram regulações coletivas para fazer o controle financeiro do clube, impor teto de endividamento e levá-los a segunda divisão se eles quebrarem. Precisamos de algo similar aqui.

CM – O senhor discutiu alguma vez esses assuntos com Ricardo Teixeira?
LGB – Eu me encontrei com ele apenas duas vezes, uma em São Paulo e outra no Rio, quando havia a eleição do Clube dos 13 em 2010. Ele articulou a candidatura do Kleber Leite contra o Fábio Koff, mas felizmente os clubes barraram. Venceu o Koff. Naquela época, eu defendi que a entidade dos clubes precisava ser autônoma, e não vinculada à CBF.

CM – E a CBF sem Ricardo Teixeira? Muda algo?
LGB – A CBF é um pote de ouro, uma arca perdida que todo mundo quer. Minha esperança é que surja alguém mais isento. Mas é difícil, porque a eleição depende dos presidentes das federações. E aí é um jogo de compromissos.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

“esperteza”: um veneno para a formação intelectual de gerações


Sobre a classe média e os intelectuais

Tijolaço

Ontem, a presidenta Dilma Rousseff disse, na solenidade do lançamento de um programa de construção de 100 mil moradias em São Paulo – para pessoas com renda de até R$ 1,6 mil, com 75% de recursos da União e 25% do Estado – que “não queremos um país de milionários e de pobres e miseráveis, como existe em muitas grandes nações. Queremos, sobretudo, um país de classe média”.

Também ontem, o principal assessor econômico de Barack Obama, Alan Krueger, afirmou que, nos EUA, a classe média “encolheu” e que isso está “causando uma divisão negativa das oportunidades e é uma ameaça ao nosso crescimento econômico”.

Um pesquisa do Pew Research Center, reproduzida pela coluna Radar Econômico do Estadão, mostra que se acentuou ”o conflito entre ricos e pobres na sociedade” norte-americana, que seria percebido como “forte ou muito forte”. Na sociedade do “mérito e esforço pessoal”, cada vez mais pessoas acreditam que a riqueza é feita pela origem, não pelo trabalho.

“Segundo a pesquisa, 46% da população acredita que, nos EUA, a maior parte dos ricos o são “porque conhece as pessoas certas ou nasceu em família rica”; já 43% avaliam que as pessoas enriquecem “por causa de trabalho duro, ambição e educação”. O restante dos entrevistados acredita que a ascensão social ocorre pelos dois motivos ou por nenhum deles”.

Nós, brasileiros, sabemos quanto custa, depois de fixada, esta visão da “esperteza” como única alternativa para a “herança”. E como isso é um veneno para a formação intelectual de gerações que passam a ver nos “truques”, na exposição física-sensualidade-sexualidade a forma de reconhecimento, a enxergar na própria educação apenas um valor mercantil para sua capacidade de “vender-se” ao (ou no) mercado.

O grande processo de inclusão social vivido pelo Brasil a partir dos anos 30, com a urbanização da população, o reconhecimento do trabalho como fato gerador de direitos, a expansão dos meios de comunicação (o rádio, depois a TV e a massificação dos jornais impressos) .

Hoje, vivemos um momento parecido àquele, com a expansão de nossa classe média e, portanto, do contingente com padrões de sobrevivência minimamente necessários para a aquisição de bens não apenas materiais, mas também culturais.

Desafortunadamente, porém, não temos contado com uma elite cultural atenta a este processo de inclusão. E, ausente ela, não dá para esperar coisa alguma da mídia que não seja a mediocridade que assistimos.

Não se pode culpar o povo pelas novelas e pelos BBB. Consomem o que “o mercado” fornece, sob a complacência de uma intelectualidade preguiçosa e rendida à “realidade do mercado”, que considera “moderno” esquecer que é deste processo que pode emergir uma nova camada de pensamento humano, generosa e prolífica, como a que, flor brotada daquele processo de inclusão, emergiu no Brasil dos anos 50 aos 70. Tão forte, tão lúcida, tão generosa que uma ditadura não a venceu, senão depois de tanto tempo que a fez cansada e estéril na democracia.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

a estupidificação coletiva


Vídeo impressionante sobre masturbação.
Ley de medios já !


Conversa Afiada






Veronese: distribir renda e Vinícius de Moraes

O Conversa Afiada atende a sugestão da amiga navegante Marilia e dá divulgação a impressionante depoimento do excelente pintor brasileiro Antonio Veronese com seu indignado protesto sobre a forma de explorar um bem público – a tevê aberta.

Em entrevista publicada em seu blog, Antonio Veronese faz duras críticas à Tv Globo e ao Jornal O Globo.

Oportuna, neste momento em que a Vênus Platinada se lança, de plena força, à versão BBB 2012.