quarta-feira, 25 de julho de 2012

o carapááálida só gosta da democracia que fala bem dele! ops!


DRA CUREAU, O C AF
ESTÁ À SUA ESPERA


Se eles pensam que vão calar na Justiça, é inútil.

Conversa Afiada





O ansioso blogueiro está em Londres, onde participa da cobertura das Olimpíadas, na equipe da TV Record.

Nas horas vagas, poucas, dedica-se à leitura de “Dial M for Murdoch – News Corporation and the corruption of Britain”, de Tom Watson e Martin Hickman, que conta como Rupert Civita acabou nas barras da Lei – clique aqui para ler “Justiça inglesa pega Robert(o) Murdoch”.

Amigo navegante liga do Brasil para elogiar o apoio que Rui Falcão, presidente do PT, deu ao ansioso blogueiro e a Luis Nassif, que trata o Padim Pade Cerra pelo que ele é na vida real: o nosso Putin.

Até então o ansioso blogueiro não tinha se dado conta de que, provavelmente, o Padim e o Gigante dos Orçamentos, o Sergio Guerra, presidente do PSDB, recorreram ao Ministério brindeiro Público, e à dra Sandra Cureau para exercer o patético papel de censurar a blogosfera.

Um exercício em blogofobia, como diz o Leandro.

O que o Padim e o Gigante dos Orçamentos fizeram foi, talvez, cair na área porque o juiz dá pênalti.

A Dra Sandra Cureau reaparece do merecido anonimato em períodos eleitorais.

É quando ela tenta fechar a Carta Capital.

E o Conversa Afiada – e perde.

O Conversa Afiada já tinha tratado dessa renovada tentativa do Cerra de censurar a blogosfera – como faz com os pobres repórteres do PiG (*) -, da mesma forma que a Folha e o Gilmar tinham antes ameaçado.

Isso não vai longe.

Se eles pensam que vão calar na Justiça, é inútil – comprove na aba “Não me calarão”.

A essa altura das Olimpíadas, quem está com medo da Justiça não são os blogueiros sujos, mas o Brindeiro Gurgel, sob suspeita de ser um prevaricador, e o Robert(o) Murdoch e seus Policarps.

O competente advogado Cesar Marcos Klouri, que defende o ansioso blogueiro em causas cíveis, está preparado para terçar armas com a Dra Cureau.

Na verdade, deve estar também ansioso para travar essa batalha entre a Luz e a Treva.

Entre a Liberdade de Expressão e a Democracia Russa.

Em tempo: se necessário for, o ansioso blogueiro fará à Dra Cureau o favor de contar como é que funcionava o Ministério da Comunicação Social, no Governo Cerra/FHC, sob a batuta do Embaixador Andrea Matarazzo. Para ela ter uma ideia de como a Globo nadava de braçada. E Cerra/FHC salvavam a Democracia ! Qualquer dúvida, basta perguntar ao Nizan, que entende muito dessa relação Globo/FHC.

Em tempo 2: para que o amigo navegante não pense que é dura a vida de um enviado especial às Olimpíadas, o ansioso blogueiro assistiu a inesquecível regência de Daniel Barenboim da Sétima de Beethoven, com a West-Eastern Divan Orchestra, num lotado Royal Albert Hall, memorável experiência em si própria. O ansioso blogueiro faz essa inútil observação só para se divertir com um merval global, que foi a uma temporada musical em Viena e registrou no Globo, como se fosse o primeiro a ir a Meca.

Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Como nos libertamos do proselitismo eleitoral e do cretinismo parlamentar?


O exemplo de Tarso Genro que o PT abandonou


Pode-se gostar ou não das ideias do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. Mas há que se reconhecer que ele é uma das raras lideranças do PT que não desistiu de escrever, propor debates e disputar ideias. E isso ocupando um cargo extremamente trabalhoso e difícil, como é o de governar o Estado do Rio Grande do Sul. A postura do governador gaúcho guarda outra particularidade: ele vem fazendo isso sem priorizar os holofotes da mídia comercial, publicando em espaços da chamada “mídia alternativa”. Até por seu tamanho e pelos temas que aborda, dificilmente esses textos seriam publicados integralmente na mídia comercial, mas a novidade aqui é a valorização de espaços de opinião que costumam ser desprezados e/ou ignorados pela maioria das lideranças petistas, com mandato ou não.
O abandono dessa prática, que nunca foi muito forte no PT, tem consequências graves no curto e longo prazo. No curto, porque despreza a importância de se ter ideias sobre o que acontece no cotidiano local e no mundo. Despreza a importância de ter voz, uma voz que não se limite às declarações oficiais e oficiosas, que se arrisque a sair em público no calor dos acontecimentos. No longo, porque abre mão da construção de uma narrativa própria sobre os acontecimentos. E isso não é um detalhe. O mundo atravessa hoje uma grave crise política, econômica e social decorrente das escolhas feitas pelo hegemônico modelo neoliberal que vendeu as ideias da desregulamentação e do Estado mínimo como caminho milagroso para o progresso e o bem-estar. As cenas dramáticas que vemos hoje na Europa são o testemunho mais eloquente do fracasso desse modelo.
Essa crise, que pode estar apenas em seus estágios iniciais, como advertem inclusive analistas do mercado como Nouriel Roubini, repercute em todo o mundo. E essas repercussões não são apenas de natureza econômica. A confluência da crise econômico-financeira com a crise ambiental, apenas para citar um exemplo, sinaliza tempos turbulentos pela frente. Tempos em que usar a palavra será essencial. Seguir usando a palavra – quando se usa – para falar do próprio umbigo, para fazer de interesses particulares de curto prazo o centro do universo, é o caminho mais curto para alguém (pessoa física ou instituição) ser varrido do mapa. O PT, enquanto partido hoje no governo do país, deveria pensar seriamente nisso. O partido está sem voz ativa, sem opinião audível sobre o que acontece no mundo.
Esse problema, obviamente, não é uma exclusividade do PT. Seria muito bom, inclusive para o próprio PT, que surgissem forças políticas consistentes à sua esquerda. Infelizmente, as alternativas existentes ainda não conseguiram superar o doutrinarismo e a obsessão em eleger o PT como principal adversário. Uma novidade pode estar surgindo no Rio de Janeiro com a candidatura de Marcelo Freixo, que apresenta uma inflexão diferente: “Eu não fui para o PSOL para criar uma alternativa ao PT, tanto é que eu não virei um antipetista. Eu fui para o PSOL para criar uma alternativa de esquerda, não ao PT”, diz Freixo ementrevista à Carta Maior. A gravidade da crise que se avizinha no horizonte mundial exige que mais vozes despertem. Hoje, a maioria delas está prisioneira do proselitismo eleitoral e do cretinismo parlamentar.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Um desafio: cenas de nudez aos 48 anos

Juliette Binoche fala de prostituição e casamento burguês

Milton Ribeiro


De “O Globo”


“No colégio, tive amigas que se prostituíam para sobreviver”


BERLIM – A imprensa francesa se refere a ela como “La Binoche” — e não há ironia na expressão. Entre seus compatriotas, Juliette Binoche é tratada como patrimônio nacional, a grande dama do cinema de sua geração, dona de um currículo sólido, recheado de personagens ora líricos, ora controversos, como a jornalista do drama “Elles”, em cartaz nos cinemas da cidade. No filme da jovem diretora polonesa Malgorzata Szumowska, Juliette interpreta uma repórter de uma revista que, ao mergulhar no mundo da prostituição, passa a questionar sua existência burguesa, ao lado do marido e dos filhos.


Aos 48 anos, a atriz continua inquieta como nos primeiros anos da carreira, quando empolgou como um dos vértices do triângulo amoroso de “A insustentável leveza do ser” (1988) ou a jovem amante de um membro do parlamento inglês de “Perdas e danos” (1992). Ela continua fiel a seus instintos mesmo depois da bajulação decorrente do épico “O paciente inglês” (1996), em que ganhou o Oscar de atriz coadjuvante.





— Busco projetos que me façam sentir a necessidade de fazê-los. Gosto de ser convencida a fazer um papel, mesmo sem saber exatamente a razão — diz a atriz, sentada no canto de um barulhento café de Potsdamerplatz, durante o Festival de Berlim, onde “Elles” foi exibido na mostra Panorama. — Nós, atores, sempre esperamos que o trabalho afete nossas vidas. Queremos ser comovidos por uma experiência nova, explorar coisas dentro de nós que, ao mesmo tempo, também nos é exterior. Sinto vontade de me despir da minha pele e entender melhor não só a mim mesma, mas também a sociedade em que vivo.


Neste aspecto, “Elles” tem muito a oferecer, embora parte de sua controvérsia seja exagerada. O filme confronta o estilo de vida da jornalista, que vê o relacionamento com o marido e os filhos se deteriorando dentro de seu confortável apartamento parisiense, com o das duas jovens prostitutas que entrevista. À guisa de pesquisa, a produção do filme ofereceu a Juliette um documentário sobre universitárias que vendem o corpo para pagar os estudos, feito durante a fase de confecção do roteiro.


Um desafio: cenas de nudez aos 48 anos


A atriz achou o material muito informativo, mas ela já estava familiarizada com o assunto:


— No colégio, tive amigas que se prostituíam para sobreviver. Não as julgo, porque sei como é difícil estudar sem apoio financeiro da família ou do estado — conta. — O documentário que vi ajudou a me atualizar sobre o tema. A prostituição entre jovens é um fenômeno mundial, principalmente por causa da internet. O que me impressionou foi descobrir que parece ser muito fácil entrar na prostituição para quem está do lado de fora dessa vida. Mas, aos poucos, descobre-se que não é tão fácil assim, as pessoas idealizam muito a profissão das prostitutas. Elas se expõem a perigos reais nessa atividade.


“Elles” impôs pelo menos um grande desafio a Juliette, à beira dos 50 anos: fazer cenas de nudez. Na mais polêmica delas, sua personagem se masturba no chão do banheiro. Amparada pelas mulheres atormentadas que interpretou no passado, Juliette não se abalou.


— No final das contas, foi até divertido (filmar nua) — diz, pontuando a frase com uma sonora gargalhada. — Porque estabelecia um contraste, sabe? No final do dia, Anne, a minha personagem, põe um bom vestido, como uma prostituta sedutora. É como um espelho para ela: depois de ouvir todas as histórias das prostitutas, de conviver com elas, Anne volta para o casamento burguês para enfrentar as perdas dentro de casa, mas dentro de uma roupa elegante. Gosto dessa contradição. É como fumar um cigarro depois do sexo e descobrir na TV que o mundo está acabando em algum lugar lá fora.


Mãe de Raphael, de 18 anos, fruto de sua união com o mergulhador Andre Halle, e de Hannah, de 12 anos, filha do ator Benoît Magimel, Juliette mora numa confortável casa de Vaucresson, subúrbio luxuoso de Paris. Solteira e com os filhos já mais ou menos encaminhados no mundo, a atriz se sente mais à vontade para os projetos que quiser. Há dois anos, foi para a Itália com o diretor iraniano Abbas Kiarostami rodar “Cópia fiel”, produção que lhe deu a Palma de Ouro de melhor atriz no Festival de Cannes de 2010.


Ano passado, voou para o Canadá, onde rodou uma pequena participação em “Cosmópolis”, de David Cronenberg, no qual interpreta uma das amantes do galãzinho Robert Pattinson.


Nas telas, amante de Robert Pattinson


Por razões financeiras, parte de “Elles” foi rodado na Alemanha. O nome de Malgorzata lhe foi sugerido pelo diretor de fotografia Slavomir Idziak, que conheceu no set de “A liberdade é azul” (1993).


— Perguntei ao Slavomir o que estava acontecendo de interessante no cinema polonês, que já nos deu Polanski, Kieslowski e Wajda, e ele me disse que a única grande cineasta da geração atual era Malgorzata. O nome dela ficou na minha mente. Umas duas semanas depois dessa conversa eu recebi o roteiro de “Elles” — lembra. — Achei um assunto forte, especial, arriscado. No nosso primeiro encontro, Malgorzata chegou a dizer que não nos daríamos muito bem, porque ela tem personalidade forte e eu também tenho personalidade forte, e blá, blá, blá… Mas, no final das contas, foi ótimo, foi como se dançássemos juntas no set.


____________________



Quer assistir o trailer legendado? Clique aqui...

E você? perdeu o paraíso? ganhou inteligência?


O dilema entre o prazer e a realidade

Por Assis Ribeiro
Eu perdi o paraíso, mas ganhei inteligência.
Zeca Baleiro
Alessandro Marimpietri
Este texto tocará a todos nós, eu creio. Ele servirá de reflexão aos adolescentes, aos que já foram adolescentes, aos que são pais de adolescentes e àqueles que se recusam à assunção compulsória do papel de adulto.
Já sabemos que essa noção de adolescência é uma invenção cultural e, portanto, se modifica com o impiedoso passar do tempo. Não vivemos mais uma adolescência que preparava o sujeito para uma vida adulta onde lá se poderia ser amigo do rei. O que vemos estampada em nossos dias é uma adolescência que precisa resgatar um prazer perdido que dá o tom das vivências desses meninos e meninas. Eles já podem, se quiserem, ser amigos do rei. Nossa Pasárgada[2] juvenil se depara com uma nova bifurcação na qual tem ficado cada vez mais difícil conciliar prazer e realidade, liberdade e responsabilidade, desejo e dever.
Vivemos num tempo de elogio do prazer, de um hedonismo que se mostra mal costurado às entrelinhas do processo socializador e que nos faz acreditar sermos livres na medida quase exata em que somos um mais além de nós mesmos.
Desatados das amarras de uma moral verticalizada, excessivamente rígida e orientada para e pela razão, entoamos cânticos de louvor às expressões mais amplificados do nosso desejo.
Quem se esquece de Cazuza? Ele que nos obrigava a cada estrofe de uma canção sua, ou a cada passagem de sua vida sempre juvenil a questionar se vale mais a pena a vida curta de um só fôlego, ou sorve-la pouco a pouco a um preço de privações e abstenções mais ou menos significativas. Ou seja, querer um eterno hoje ou preferir uma chance de amanhã.
Quero criar um filho que seja capaz de tolher suas inquietudes juvenis em prol de uma vida mais longa e, por que não dizer, mais civilizada, ou por contraponto quero criar meu filho senhor absoluto do seu desejo e capaz de viver a vida às dentadas em frutas com sabor de já mordidas? Como conjugar expressões do tipo “aproveite agora enquanto você é jovem” com “seja responsável e cumpra com suas obrigações”?
Estamos mesmo diante de um dilema cuja resposta certa está a sete palmos sobre a terra, pois se escolhemos, sempre perdemos. As duas proposições são igualmente verdadeiras e necessárias. Freud já nos alertou para as conjugações entre princípio do prazer e princípio de realidade…
Sim Cazuza é verdade, o tempo não para. Mas será que temos que viver como o coiote atrás da lebre dos desenhos animados sempre em busca desse tempo?
Sendo assim basta colocarmo-nos diante das infinitas possibilidades da vida contemporânea, magistralmente representadas pelos muitos e muitos canais televisivos, nos empoderarmos do fálico controle remoto, sentarmos com boca escancarada cheia de dentes e passar por todos os canais e não assistir a nenhum deles. Basta criarmos o que muitos estão chamando da geração zapping. Zapeando pela vida estaremos ainda mais presos ou às contínuas possibilidades ou a uma única chance moderada de viver bem, mas ainda presos. Não continuamos, de um jeito ou de outro, como nos disse Raul Seixas, esperando a morte chegar?
O, já quase embolorado, Carpe Diem, popularizado pelo Sociedade dos Poetas Mortos travestiu-se num mantra dos tempos atuais e atrás dele vimos outras palavras de ordem com cara de receita da felicidade: “seja do tamanho dos seus sonhos!”, “junte seu primeiro milhão de dólares antes dos 40!”, “obtenha muitos orgasmos numa única relação!”, “alise o cabelo e seja poderosa!”… paremos por aqui.
Será que precisamos mesmo aproveitar tanto assim a vida? Ou será, por outro lado, que ela tem que ser uma enfadonha sucessão de acontecimentos sem muito sentido?
Pessoas regidas pelo marco exclusivo do prazer não são necessariamente mais felizes e nem mais livres, assim como viver sob a égide racional do certo e do planejado também em nada garante uma vida melhor.
Façamos com a vida o mesmo que fazemos com a morte. Sabemos de sua inexorável existência, mas para viver precisamos negá-la um pouquinho e admiti-la um pouquinho. Negá-la o suficiente para planejar algum futuro e admiti-la o suficiente para podermos nos dar ao luxo de alguns momentos intensos e interessantes.
Assim, penso que mais importante do que nós, pais ou filhos, respondermos a estas perguntas seja perguntar por que fazermo-nos estas perguntas. Este dilema oculta a demanda desenfreada por uma vida feliz.
Prazer ou realidade? Que venham os dois! De tanto buscar essa (desde sempre perdida) felicidade, nossa vida corre o risco é de ficar muito chata!
[1] In: Piercing (2001)
[2] Referência o poema “Vou-me embora pra Pasárgada” de Manuel Bandeira (1954)
ALESSANDRO MARIMPIETRI
Psicólogo, psicanalista, professor universitário, doutorando em Ciências da Educação

O jornalismo e o “sobrefato”, das redes sociais


"O jornalismo está defasado", afirma professor da PUC-SP

"O jornalismo está defasado", diz Eugênio Trivinho

Por Bruno de Pierro, no Brasilianas.org
Estamos vendo surgir uma nova modalidade de capitalismo com as redes sociais, segundo a qual as regras da comunicação não são mais ditadas pelo jornalismo. Além dos fatos que costuma abordar e perseguir, a prática jornalística está às voltas com o “sobrefato”, ou seja, a movimentação da sociedade dentro do espaço cibernético, da qual a produção simbólica do jornalismo é dependente. A avaliação é de Eugênio Trivinho, professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e assessor do CNPq, da CAPES e da FAPESP.
Considerado um dos principais nomes do estudo sobre a cibercultura, Trivinho falou ao Brasilianas.org por duas horas sobre as transformações da comunicação nas redes sociais e a defasagem do jornalismo para lidar com a nova ordem que se impõe. Para o professor, o que acontece é um “destronamento do jornalismo como instrumento de mediação simbólica da sociedade”, ao mesmo tempo que o real é reportado sem a necessidade da edição, perdendo-se, assim, o monopólio do jornalismo especializado.
Na conversa, Trivinho ainda explica o conceito de “glocalização”, em oposição à globalização. Para ele, o termo “glocal” pode explicar melhor o cenário estabelecido pela conexão da Internet, pois significa aquilo que une o global da rede no local de acesso. Por fim, Trivinho fala sobre como o modo de produção do saber na cibercultura tornou-se incompatível com os cânones da Ciência. Confira abaixo as principais partes da entrevista. A íntegra está disponível, em PDF, abaixo do post, ou pode ser acessada por aqui.
Redes Sociais
No campo político, as redes sociais são uma espécie de epicentro articulatório de indivíduos que, a priori, são isolados, para fazer renascer alguma forma de movimentação na sociedade. E na sociedade pode ser dentro ou fora da rede. Essa forma de fazer política pode ser, muitas vezes, tão forte e envolvente que é capaz de se mobilizar e se fazer projeção contra o próprio aparato repressivo (cavalos, gás lacrimogêneo etc.).

Elas tem uma clara função econômica. São articuladoras de novas formas de empreendedorismo, que não estão vinculadas a certos padrões capitalistas. O fato de não haver, em alguns casos, contratação de mão de obra assalariada implica na recusa de certos pressupostos capitalistas, porque onde há emprego de mão de obra assalariada, há, evidentemente, produção de riqueza não repartida. Essa produção da mais-valia, que se reparte, na maior grandeza, para aquele que detém as condições de contratação, e a menor grandeza para aquele que apenas vende sua força de trabalho, sua competência cognitiva, sua habilidade profissional, a recusa e a ausência não configura, portanto, a existência daquele fio condutor que sempre animou o capitalismo, que foi a exploração de um ser humano por outro.

A outra dimensão que as redes sociais trazem, essa sim mais sutíl e bastante curiosa, é o fato de que diversas mega corporações, que portanto trabalham suas marcas ao nível transnacional - e que muitas vezes são redes sociais, Facebook, por exemplo - e que se valem do trabalho articulado de milhões, bilhões de pessoas ao redor do mundo, consideradas como capital humano, e que aderem a essa marca sem gastar um tostão. E justamente por isso valoram, semana a semana, mês a mês, ano a ano, a marca. É a exploração que não passa como exploração. É a exploração flexivel, sutil, imperceptível, obliterada de uma marca, que se gerencia como marca, que acolhe os consumidores - eles não precisam comprar nada no mercado.

Jornalismo
O jornalismo está agora em outro contexto, cujas regras não foram dadas por ele, e diante de um fato que se coloca bastante curioso: o jornalismo, além dos fatos que ele aborda e que ele persegue, está às voltas com o “sobrefato”, que é agora o caso das redes sociais. O jornalismo, que sempre dependeu de determinadas movimentações maquinais, tecnocráticas, uma parafernalha de hardwares (satélites, televisores), agora tem a Internet. Mas o jornalismo não depende só da parte da parafernalha da Internet, ele depende de uma movimentação interessante e que é da sociedade, dentro do ciberespaço e do qual o jornalismo e sua produção simbólica depende. Assim, o jornalismo está defasado em relação ao seu próprio contexto de inserção, exclusivamente relacionado ao modo de produção em tempo real. Ele precisa se adequar, espargindo as suas redes para fontes que agora não estão, senão, no universo das redes sociais.

E mesmo o jornalismo de rede precisa descobrir novas formas de articulação noticiosa, que necessariamente não se faz por contrato de trabalho, às vezes se dá por voluntariedade. Aí já estamos caindo na segunda forma de jornalismo, que é como nós podemos considerar o jornalismo de um modo mais aberto, ou seja, lato sensu. Jornalismo pode ser considerado como um modo de reportar o real e o social, o modo de reportar a vida. Com uma linguagem específica? Sim, mas não precisa ser única. E reportar falo em recriar, pois muitas vezes o fato nem existe. Às vezes é um factóide, criado pela própria notícia, e a notícia passa a ser o próprio fato. E as pessoas vão ler a notícia como sendo o próprio fato. É preciso deslocar a definição. E se jornalismo for reportar o real para outrem - a literatura faz isso, a poesia faz isso, o teatro faz isso -, então ele é uma modalidade de recriação desse real, para outrem, a partir de uma linguagem muito específica.

O jornalismo foi abolido como mediação simbólica, como escritura e re-escritura; as redes sociais fazem isso. O que ocorre é um destronamento do jornalismo como instrumento de mediação simbólica da sociedade e, ao mesmo tempo, uma forma de reportar o real, que tinha sua força, primeiro na inexistência de edição e, segundo, na colocação a público, de forma para compartilhamento, no momento em que o fato estava praticamente acontecendo.
Trivinho: jornalismo foi abolido como mediação simbólica / Foto: IstoÉ
Quebra do monopólio de informações
É uma forma de dizer “recusamos o monopólio da informação”, “recusamos a possibilidade de edição, que já opera uma auto-censura, e faz os produtos irem à população a partir de uma mediação reconstrutora, que pode ser uma maquiagem a respeito do que, de fato, aconteceu. O fato é bruto, sem mediação, exceto aquela das maquinárias e da vontade típica das próprias redes sociais. Essa quebra de monopólio não pode ser desconsiderada como um fato que já é conhecido, que vem acontecendo há pelo menos desde a criação dos computadores pessoais, nos anos 1970, 1980. Essa quebra de monopólio tem um fato novo: o fato agora é reportado por aqueles que o fazem ou que estão muito próximos dele, e que, muitas vezes, não tem ligação com as empresas jornalísticas mediadoras e simbólicas da sociedade.

Se nós considerarmos que jornalismo é produção simbólica de reportar o real, então temos que considerar fora do cânone acadêmico, universitário, técnico, que o que está acontecendo é um fato para o qual o jornalismo ainda não nasceu, ainda nem se deu conta. E mostra o quanto ele está defasado; ele está vendo a proliferação de fontes e não sabe o que faz com elas. O quanto ele está aturdido em relação a isso que comparece como modo de produção simbólica espontânea, de redes sociais comprometidas não somente politicamente, mas com o fato de que é necessário produzir sobre o social, sobre a vida, algo que seja mais autêntico, mais próximo do que são os fatos, do que o próprio jornalismo tem feito.

Produção do saber na Internet
A Internet traz um modo de produção do saber que não é, de alguma forma, compatível com aquele do cânone da ciência. O modo de produção do saber das redes sociais, e mesmo antes da web, com os modens, é o fato de que há quebra da linearidade, há uma emergência da aleatoriedade; o fato de você ter, no Huffington Post, repetitividade de certas expressões, e as pessoas não estão nem aí, esse é o modo aleatório de produção do saber. Você pode encontrar isso em vários lugares a mesma matéria, ou em meios diferentes, duplicadas em parte e continuadas a partir de um desenvolvimento diferenciado do que foi feito no outro dia. E aí você tem acesso a uma versão e depois você saber que existe uma outra versão mais desenvolvida, e alguém pergunta: “mas você leu essa matéria?”, e você responde: “li, mas estava relacionada à versão prévia”.

Esse tipo de produção do saber - e ao mesmo tempo comprometido com uma visualidade, com apresentação despreocupada em relação à questão da logicidade, em relação a não-repetitividade e aos cânones da lógica, da ontologia - é o que acaba, no fundo, colocando para nós que estamos nos relacionando com um fenômeno, cujos horizontes são tão abertos, e nós nem começamos a explorar, e em relação ao qual nós sequer temos elementos epistemológicos herdados para poder abordar. E eu falo de cátedra, pois eu pesquiso essas questões da cibercultura, que é um nome que considero importante para ser cobertura para a fase digital do capitalismo tardio. Quer dizer, eu tomo cibercultura como categoria de época.

O Híbrido e o Glocal
O híbrido é uma categoria terceira, que se opera a partir da junção irreversível entre duas constitutivas. E essa terceira não se reduz nem a uma, nem a outra. Por exemplo, o glocal, que não é nem global, nem local, é uma terceira coisa. Quando se diz aldeia global, em Marshall McLuhan, é algo presencial e circunscrito, e, ao mesmo tempo, global. Existe aí um paradoxo, uma anti-tese.

Quando você liga o seu celular, alguém liga e você atende, ou quando você abre seu tablet e está conectado, e mesmo quando você liga a televisão, você está na terceira grandeza, no contexto glocal. Significa que você não está nem no local, você está conectado em rede, e você não está nem na rede, porque o seu corpo está no local. Você está no híbrido, no meio. E nós não vivemos no meio.

O que você tem é uma mídia que glocaliza. Ela une a dimensão do global, com notícia que vem de todos os lugares, que perpassa o seu ponto de rede, e que chega no seu tablet, no seu rádio, televisão; mas que uma vez que chega até você, porque somos mercado, chega se entrelaçando com o local, e dele não se separa. De modo tal que o que vem da China, do cinturão Norte da África, de Wall Street, nos Estados Unidos, é mais íntimo para nós, quando chega em nossa tela, do que o que acontece na esquina. Então, há um fenômeno muito curioso, que é o de distanciamento do que é próximo e uma aproximação com o que é distante.

O ciberespaço
Estamos às voltas com uma fenomenologia diferenciada. A fenomenologia do ciberespaço, das redes, e também rádio, televisão, enfim tudo o que se refere ao glocal traz consigo uma série de desafios que são inexplicados. E o horizonte é profundo, inesgotável, não vai terminar tão cedo. E nós precisamos dar conta, de alguma forma, disso. E a área de comunicação é uma área privilegiada, porque é com os fenômenos da comunicação que tudo isso tem mudado no social, mas, ao mesmo tempo, a comunicação tem instrumentos que herdou (metodológicos e epistemológicos) da sociologia, da antropologia, da ciência política, da história, da filosofia, e, ainda assim, não está preparada para poder abarcar, com profundidade e maior extensão, o fenômeno.

Crise de paradigma e Modernidade
A comunicação é partícipe e, ao mesmo tempo, receptáculo dessa crise de paradigma, que começa em meados do século XX, com o final da Segunda Guerra e a liberação de grandes forças tecnológicas, científicas e econômicas. Liberação em termos de aceleração completa. Estamos vivendo, agora, o estressamento dessa onda de longa duração. Ninguém aguenta mais tanta aceleração, tanta vida articulada pela lógica da velocidade. Para tudo temos que correr, qualquer produção. E nós somos julgados e avaliados em função da produtividade que fazemos em menos tempo. O jornalismo diário, e o semanal também, é uma loucura, porque você precisa dar conta do tacape do tempo. Então, a partir dessa época [meados do século XX], ocorreu o que os historiadores teóricos vem tratando como Ocaso da Modernidade e a emergência de alguma coisa que se pode chamar de “pós”: pós-industrial, pós-moderno, e até falaram em pós-capitalismo.

Aí começa uma sensação, desde o senso comum até a Ciência, passando por outras formas de produção simbólica na sociedade, e a principal delas é a jornalística, de que nós já não sabíamos mais nomear quê tipo de civilização era aquela que estavamos vivendo. E essa quebra de paradigma vinha justamente pelo fato de que já não se podia mais acreditar nas metanarrativas, nas utopias ou grandes visões de mundo, porque foram elas que nos levaram à hecatombe. Foi o liberalismo pelo capitalismo, foi o nazismo pelo Terceiro Reich, foi o comunismo stalinista, pela burocracia soviética, que nos levaram a um beco sem saída: a Segunda Guerra, que aplicou, para destruição, todos os recursos do século XVIII, ou desenvolvidos, a partir dele, para emancipar o gênero humano do obscurantismo, da miséria. A Razão, a Ciência e a Técnica foram barganhadas para a destruição massificada, inclusive depois daquela bomba, vieram outras ogivas, no ápice da Guerra Fria, capazes de destruir o planeta. Alguma coisa tinha que parar esse filme, que era o conto da carochinha do progresso tecnológico. A modernidade acabou se realizando pela sua sombra. Não foi a modernidade prevista, da liberdade, da distribuição da riqueza.

As ciências, cada qual no seu ramo, desenvolviam-se em função de uma narrativa de emancipação, todas elas cooperavam para trazer luz, para que o ser humano pudesse, através do conhecimento, da superação das doenças, da superação da miséria, das superstições, a luz da ciência, a luz da Razão, para que a humanidade pudesse prosperar em conjunto. As ciências trabalhavam em função de uma metanarrativa; ou era o marxismo, ou era o liberalismo, ou o humanismo. De repente, perdemos os referenciais primeiros. Cada ciência começou a operar por conta própria, começou a olhar para dentro de si, e a se desenvolver segundo um método, que é desenvolver-se em congressos específicos. Uma não se comunica com a outra, e a idéia de interdisciplinaridade começou a ser bastante artificial.

Comunicação como modus vivendi
A comunicação é muito mais do que um campo de trabalho, um campo de saber e é muito mais do que o conjunto dos aparatos da sociedade, muito mais do que a nossa intencionalidade de chegar ao outro e dizer alguma coisa. Ela é, hoje, prótese invisível do inconsciente. Ela é hoje modus vivendi. Muniz Sodré, professor da UFRJ, em um livro chamado Antropológica do Espelho, diz que comunicação é bios, gera hábitos. Então, ela faz parte e se beneficiou da quebra de paradigma, porque ela, a comunicação, desde os anos 1940, 1950, com a cibernética, acabou por se colocar como uma nova utopia. Ela se serviu do vazio deixado pelas utopias políticas e filosóficas, econômicas e religiosas, e ela se colocou como o novo religare, uma nova forma de articular a vida das pessoas. Hoje é preciso ter pela atendente bancária que haja um treinamento, de recursos humanos, para ela aprender a ter inteligencia emocional na situação de estresse e, ao mesmo tempo, sorrir. Porque isso é comunicação da marca, é comunicação da empresa. A comunicação se prevaleceu da crise de paradigma.

o carapááálida acredita porque precisa acreditar em qualquer coisa, e você?


Mídia tenta intimidar Lula e o PT para proteger Serra da CPI

Posted by eduguim on 24/07/12 • Blog da Cidadania





Na semana passada, este blogueiro participou de um lauto almoço em que o prato principal foi a CPI do Cachoeira. O repasto veio com um ingrediente especial: picadinho de José Serra ensopado com molho de Paulo Preto e Delta.

O que posso relatar é que vai se tornando inevitável que a CPI se debruce sobre os maiores contratos da Delta em todo país, os contratos de São Paulo, os quais estão sob escrutínio do Ministério Público.

A ocultação do escândalo pela mídia, aliás, é criminosa. Um escândalo dessas proporções não aparece em parte alguma devido ao envolvimento de alguns veículos que, inclusive, estão cada vez mais próximos de ser acusados.

A convocação de Serra seria, também, um desastre eleitoral para a sua cambaleante candidatura a prefeito de São Paulo, recentemente ferida de morte pela crescente desmoralização da administração Gilberto Kassab.

É nesse contexto que entra Roberto Jefferson, o golden boy da mídia tucana, o patrono de toda a sua cruzada contra o PT desencadeada em meados da década passada e que até hoje constitui a grande aposta da oposição para ao menos se manter viva.

Jefferson, que teve seu mandato de deputado cassado por não ter conseguido comprovar a existência do mensalão e que, à época de sua denúncia, inocentou Lula, agora muda a versão e tenta envolver o ex-presidente acusando-o de ser o mentor de tudo.

A acusação de Jefferson está sendo fermentada pela mídia apesar de ser um nada, inverossímil e descartável, pois, à época da denúncia do mensalão, a Polícia Federal e todos os órgãos de controle investigaram Lula exaustivamente e nada encontraram.

A denúncia contra Lula é tão débil que nem a peça delirante do ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, construída exclusivamente sobre suposições, ousou sequer se aproximar do então presidente.

Todavia, como se sabe, o mundo midiático não precisa de fatos para construir suas campanhas difamatórias. É incontável o contingente de acusados pela mídia tucana que depois foram inocentados pela Justiça, mas que foram punidos antes do julgamento.

Um dos exemplos mais candentes é o ex-ministro do Esporte Orlando Silva, literalmente chacinado pela mídia e contra quem a Justiça nada encontrou que justificasse a sua demissão além das opiniões de pistoleiros midiáticos.

Como de costume, portanto, não faltaram esses pistoleiros de Serra na mídia a saírem disparando contra Lula por conta de uma declaração mal-explicada e sem qualquer elemento probatório, amparada apenas nas palavras vazias de Jefferson.

Pelo que sabe este blogueiro, porém, o esforço midiático é vão. O envolvimento de Serra e de outros paulistas no escândalo do Cachoeira, serão inevitáveis. A própria oposição, diante de fatos que ainda vão se tornar públicos, não terá como sequer reclamar.

O mês de agosto de 2012, assim, ficará marcado como um dos períodos mais conturbados da história política recente do país. Globo, Folha, Estadão e Veja já posicionaram seus principais pistoleiros para abrirem guerra contra Lula e o PT a partir da semana que vem.

Apesar do noticiário massacrante, porém, o fato é que a direita midiática está às portas de descobrir que o que começará a fazer a partir de agosto já era esperado e que, por conta disso, seus alvos se prepararam muito bem.

Aguardem.

“Esse é o país que quer fazer a Copa…”

Londres e as Olimpíadas
Ah, isso só no Brasil mesmo…


Escrevinhador




A polícia teve que ir pra rua, por causa do protesto dos taxistas: "ah, só na Inglaterra..."

por Rodrigo Vianna

Claro que Londres tem um belíssimo sistema de transporte público, com metrô cobrindo toda a cidade. E claro que Londres reserva espaço para as bicicletas, em meio ao trânsito de carros que é – sim – quase tão caótico como o das grandes cidades brasileiras…

Mas Londres – que deve fazer uma belíssima (e, pasmem, ensolarada) Olimpíada - também tem seus problemas. Cheguei na última quinta-feira por aqui. Vi obras que ainda não estão prontas, e muitas falhas na sinalização para chegar (de carro ou metrô) ao Parque Olimpíco, onde fica o centro de imprensa. Mais que isso: os voluntários, que deveriam ajudar quem vem de fora, são muito simpáticos mas muitas vezes não sabem indicar o caminho. Mandam a gente prum lado, depois pro outro. E, no final, a gente tem é que se virar sozinho.

Nada demais. Não tira pedaço. E no segundo ou terceiro dia, todo mundo já está sabendo como se deslocar pela cidade.

Mas, ah se fosse no Brasil…

No embarque no aeroporto, ainda em São Paulo, eu estava ao lado de um veterano jornalista, experiente em coberturas esportivas internacionais. Na fila do passaporte, ele comentava comigo: “não aguento mais esses brasileiros que, diante de qualquer probleminha, saem dizendo – ah, esse é o país que quer fazer Copa e Olimpíada…”. E não é que dois minutos depois, a fila parou e, advinhem – alguém soltou exatamente essa frase… “Esse é o país que quer fazer a Copa…”

Pois bem, nessa terça-feira os taxistas ingleses fizeram um protesto na London Bridge. É mais ou menos como se os taxistas do Rio parassem o acesso ao Pão de Açúcar. Foi uma tremenda confusão. Os taxistas londrinos estão bravos por causa das faixas exclusivas para ônibus e veículos credenciados nas Olimpíadas. Os taxistas londrinos queriam ter o direito de andar nessas faixas, e dizem que elas foram mal planejadas… A imprensa inglesa cobriu o protesto, claro. Mas ninguém saiu dizendo: “que vergonha, a Inglaterra mostra que não tem condição de organizar uma Olimpíada…”.

Hoje, entre uma matéria e outra, dei uma escapada rumo à Foyles – belíssima livraria na Charing Cross… Pra chegar até lá, tive que desviar de uma obra gigante, bem ao lado da estação de metrô em Tottenham Court Road. Um caos: poeira, marteladas e tapumes travando o caminho.

Duas quadras depois, outra obra inacabada na praça principal do bairro do Soho. Os turistas passavam por ali, em meio aos andaimes, e os ingleses se refestelavam na grama pra curtir o solzinho que finalmente brilhou. Mal comparando, é como se na véspera da Olimpíada do Rio a praça Nossa Senhora da Paz em Ipanema estivesse cercada por obras. De novo, ninguém sai por Londres dizendo: “esse país é uma vergonha, não consegue terminar as obras a tempo…”.

Na Foyles, a tal livraria, encontrei um simpático brasileiro trabalhando na cafeteria. E foi ele que me falou: “essas obras inacabadas, se fossem no Brasil, estavam derrubando ministro e governador…”

Não sei se chegaria a tanto. Mas sei que podemos aprender algumas coisas com os ingleses. Uma delas é que não se faz um evento do tamanho de uma Copa ou de uma Olimpíada, sem cometer alguns erros.

Precisamos, sim, melhorar os aeroportos e nossa rede de transporte público para os grandes eventos esportivos. Isso é inegável. Mas muita calma nessa hora. Chega desse papo furado de “isso, só no Brasil mesmo…”.

Ah, falando nisso, há uma coisa que NÃO devemos aprender com os ingleses: jogar os clientes pra fora do restaurante às 11 da noite (não estou falando dos pubs, mas de restaurantes mesmo). Dia desses, depois de levar uma porta na cara em mais um restaurante que estava aberto, mas já com a cozinha fechada, resolvi perguntar pro garçom espanhol: será que nas Olimpíadas eles não vão esticar um pouco os horários pra atender a demanda de tantos turistas e do povo que veio trabalhar no evento? O espanhol sorriu apenas… E respondeu, numa mistura de castelhano e inglês: “eles aqui na Inglaterra não mudam as coisas para agradar quem chega de fora; o mundo é que precisa se adaptar a eles…”

Quem será que está certo? Os ingleses, ou a turma do “ah, isso só no Brasil mesmo”?

Deixo a resposta pra vocês. Agora, chega de conversa. Vou tomar uma cerveja quente ali no pub, antes que feche….



Leia outros textos de Palavra Minha

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Quem administra o gravame no Brasil?


Domingo Espetacular cai no Ibope em dia de
denúncia contra dono do instituto


Reportagem mostrou negócios suspeitos do enriquecimento do presidente Montenegro

Do R7


No dia em que o Domingo Espetacular apresentou reportagem com negócios suspeitos do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, o índice de audiência do jornalístico registrou, segundo o instituto, um dos piores índices dos últimos anos.

O programa fechou com oito pontos em média no Ibope segundo dados prévios. Ficou em terceiro lugar durante a apresentação, atrás de Globo e SBT. Há mais de dois anos - desde fevereiro de 2010 - o programa não registrava audiência tão baixa no Ibope.

Neste ano, o programa chegou a registrar o dobro de audiência segundo o Ibope, como em março, quando fechou com média de 16 pontos e picos de 20. Em junho e julho, registrou média acima de 10 pontos.

A reportagem do Domingo Espetacular mostrou como Montenegro ganhou bilhões de reais com negócios suspeitos com a exploração particular de um serviço público, a taxa de gravames para carros financiados em todo o Brasil, e as aplicações de remessas de dinheiro em operações suspeitas em paraísos fiscais.

Montenegro criou a empresa GRV, que administra o gravame no Brasil. O gravame é um mecanismo que visa a garantir que ninguém passe adiante um carro financiado, que ainda não foi pago. Na prática, é um número que identifica o carro. Todo carro comprado por financiamento tem gravame, e isso vale para cerca de 70% de todos os carros vendidos no País.

Ou seja: um serviço público está sob controle de uma empresa privada, e sem que tenha havido concorrência pública. Isso gerou enriquecimento meteórico e questionável de Carlos Augusto Montenegro e seus sócios, rendendo cerca de R$ 180 milhões por ano. Mesmo tendo vendido a GRV em 2005 para outra empresa, a Cetip, em transação que rendeu R$ 2 bilhões, Montenegro e seus sócios continuaram influindo no negócio, ao manterem cerca de 5% das ações da nova empresa.

Pouco depois de assumir o serviço de administração dos gravames pelo Brasil, Montenegro abriu empresas em paraísos fiscais, como as Ilhas Virgens Britânicas, no Caribe. Pelos papéis obtidos pela reportagem, constata-se que as empresas de Montenegro no exterior trazem dinheiro para suas empresas no Brasil.

Um detalhe chama a atenção: Solange Montenegro, irmã do dono do Ibope, aparece nas duas pontas das transações. Ela é procuradora de uma das empresas sediadas em paraíso fiscal, de onde o dinheiro sai, e sócia de uma das empresas no Brasil, onde o dinheiro entra. A procuração para que ela possa movimentar esse dinheiro todo foi emitida por outra empresa de Montenegro em paraíso fiscal.

Um esquema semelhante ao utilizado por Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF, investigado pela Polícia Federal. A exemplo do esquema montado por Montenegro, quem assina os documentos nas duas pontas da operação é um irmão de Teixeira, Guilherme Terra Teixeira. As revelações desse esquema derrubaram Ricardo Teixeira do comando do futebol brasileiro.

Cada ponto no Ibope corresponde a cerca de 60 mil domicílios na Grande São Paulo.

Assista à reportagem do Domingo Espetacular abaixo:


O castigo vem a cavalo


Manipulações & cia


Escrevinhador


Por Izaías Almada

Em discurso no encerramento do recente evento RIO+20 no mês passado, o presidente Rafael Correa, do Equador, enfatizou que há uma guerra não declarada a ser combatida pelos setores progressistas de todo o mundo. A guerra da mídia contra a verdade dos fatos e a criminosa manipulação de consciências que se faz através de jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão.

Modestamente, ouso discordar em apenas um pequenino, mas significativo ponto do discurso do presidente equatoriano: já é uma guerra DECLARADA. O que se publica e se divulga ou é uma meia verdade, ou uma mentira inteira ou não apresenta o fato em seu verdadeiro contexto o que, em última palavra, vem a dar no mesmo.

Trago aqui três exemplos desses últimos dias para a nossa reflexão: a declaração do senado norte americano sobre o banco HSBC, o debochado discurso de uma senhora chamada Danuza Leão sobre o povo brasileiro e a “vitória” de parte da mídia nacional ao pautar o julgamento do mensalão para antes das eleições municipais, mensalão que ainda não se provou, segundo o batalhador Mino Carta.

Notícia da Folha de São Paulo na última terça-feira, 17 de julho, diz o seguinte:

HSBC pôs em risco sistema financeiro dos EUA, acusa Senado
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O banco britânico HSBC, um dos maiores da Europa, colocou em risco o sistema financeiro dos EUA, ao relaxar seus controles e ficar vulnerável a operações para lavagem de dinheiro relativas ao tráfico de drogas e terrorismo.
As acusações fazem parte de um relatório do Senado americano divulgado nesta terça-feira.

“Na era do terrorismo internacional, da violência vinculada às drogas em nossas ruas e nossas fronteiras, do crime organizado, deter esse fluxo de dinheiro que apoia esses horrores é uma prioridade para segurança nacional”, escreveu no comunicado o senador democrata Carl Levin, que presidiu o comitê de investigação.

Denúncia grave, claro, que envolve um dos maiores bancos mundiais com quase 500 agências só nos Estados Unidos. Onde a manipulação, se não do senador democrata, mas da maneira como a notícia é dada, se atentarmos para um fato extremamente importante e esclarecedor?

Segundo alguns dos últimos relatórios da Organização Mundial de Saúde (2008/9), os norte americanos são os maiores consumidores de drogas do planeta. Apesar da legislação repressiva adotada nos Estados Unidos, os americanos aparecem como os maiores consumidores de maconha e cocaína do mundo, revela um estudo realizado em 17 países e publicado na ‘PLoS Medicine’, uma revista científica on-line. Segundo o estudo, dirigido por pesquisadores da Universidade de New South Wales (Sydney, Austrália), 16,2% dos americanos já consumiram cocaína ao menos uma vez, enquanto 42,4% já fumaram maconha.

Cabe, então, a pergunta: como essa droga chega aos Estados Unidos? Quem protege o tráfico? Quanto ela movimenta em dinheiro? Por qual razão os EUA têm bases militares na Colômbia, maior produtor mundial de cocaína e invadiram o Afeganistão, maior produtor mundial de ópio? Para combater a droga ou para protegê-la no escoamento até a terra do Tio Sam, onde – inclusive – outros bancos devem também acionar a sua lavanderia? Como o maior consumidor de drogas do mundo, portanto o maior comprador, pode acusar um banco de lavar dinheiro proveniente do tráfico? E quanto desse dinheiro financia operações da CIA? Hipocrisia ou manipulação da informação?

O senador democrata se esqueceu dos assassinatos autorizados pelo próprio governo americano contra alvos escolhidos, mas que costumam matar civis inocentes, conforme recente denúncia do ex-presidente Jimmy Carter ao jornal New York Times, em territórios do Afeganistão, no Iraque, e com o conhecimento do presidente Obama.? Será que é a esse terrorismo que se refere o senador? E Batman, não é mais o super herói que nos protegerá das forças do mal? Pelo menos no Colorado?

Outro caso interessante é o da socialite (ou seja lá o que isso queira dizer) carioca importada do Espírito Santo que há dias deitou falação “instruindo” brasileiros e estrangeiros sobre como se comportar nos anos de Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas no Brasil (2016). Chamada no site da UOL:

Danuza Leão dá dicas de como brasileiros devem se comportar na Copa
DE SÃO PAULO

O Brasil está prestes a sediar os dois mais importantes eventos esportivos do mundo: a Copa e as Olimpíadas, em 2014 e 2016, respectivamente. Mas, para receber os estrangeiros que virão ao país por consequência disso, os brasileiros precisam se preparar, diz a colunista da Folha Danuza Leão.
Em entrevista gravada, ela dá dicas de comportamento para a população e também para os visitantes.

(O leitor poderá acessar o vídeo na TV UOL, se ainda lá estiver)

Dispenso-me de reproduzir os cinco minutos de idiotices que diz a colunista da FSP, onde vem à tona todo o preconceito, rancor, inveja com a condução segura da economia brasileira nos últimos dez anos por parte dos governos Lula e Dilma. Reduz o povo brasileiro a uma súcia de ignorantes, de caráter duvidoso e diz aos estrangeiros para tomarem muito cuidado com jóias, carteiras, bolsas, etc. isso depois de insistir, como fazem muitos jornalistas do PIG, que parte das obras em infraestrutura de aeroportos, estádios, hotéis, praças e avenidas, não ficarão prontas no tempo previsto.

Manipulação pura e simples dos incautos e dos que torcem contra o país. Ficam todos atrás das portas ou atrás dos muros à espera de um desastre para dizerem: viu, não falamos que não iria dar certo essa mania de grandeza? Um país que tem uma classe média que ouve Danuza Leão e vota no Serra, agride negros, nordestinos e gays não precisa de inimigos… E nunca é demais lembrar que em 1950, um país muito mais pobre que o de hoje, organizou uma copa mundial de futebol, onde vários estádios foram construídos, como o estádio Independência em Belo Horizonte e o Maracanã no Rio de Janeiro. E ninguém reclamou…

Por último a farsa do mensalão, a mãe de todas as corrupções brasileiras – segundo Demóstenes, Álvaro Dias, Heráclito não sei das quantas – aquela que foi criada para enfraquecer o governo Lula, se possível abatê-lo, mas que deu com os burros n’água.

A ação da Polícia Federal nas Operações Vegas e Monte Carlo, bem como os primeiros depoimentos da CPMI VEJA/Cachoeira já mostraram ao público brasileiro como foi montada toda essa operação repercutida pelos principais meios de comunicação do país: vídeos montados, escroques a serviço de honoráveis políticos e jornalistas, chantagens, documentos falsos, a imprensa a serviço de bandidos e moralistas de fachada. Políticos do DEM, do PSD, do PSDB, do PPS, envolvidos até o pescoço com a maracutaia e protegidos por uma mídia que tem o rabo preso. Tão violenta e intensa foi essa manipulação que até parte relativamente significativa da esquerda brasileira acreditou.

E tão preso está esse rabo que tentam uma última investida contra o PT, isto é, querem ver se ainda sobram respingos para o ex-presidente Lula e para a atual presidente. Matéria requentada, sem nos esquecermos de que um dos juízes que estará votando no STF é suspeito de integrar o esquema de Carlos Cachoeira.

O castigo vem a cavalo, diz o adágio popular. As mentiras e as falácias da imprensa, bem como a ética e a moral da direita conservadora brasileira, tão bem representada no momento nas insistentes candidaturas de José Serra a qualquer cargo executivo correm o risco de morrer do próprio veneno. Basta que o Brasil do bem meta o dedo na ferida e faça, desta vez, vazar todo o pus acumulado. Força Brasil!

Izaías Almada é escritor, dramaturgo e roteirista cinematográfico, É autor, entre outros, dos livros “Teatro de Arena, uma estética de resistência”, da Boitempo Editorial e “Venezuela, povo e Forças Armadas”, Editora Caros Amigos.



Leia outros textos de Izaías Almada

Leia outros textos de Reflexões

Virou moda?


PSDB omite que plagiou projeto do PT na forma de emenda à MP 563

PT na Câmara



O PSDB plagiou um projeto do PT e o apresentou na forma de emenda a uma medida provisória (MP 563/12) que fortalece o Plano Brasil Maior, aprovada na sessão da Câmara de segunda-feira (16). O líder tucano na Câmara reconheceu a autoria do projeto, mas o portal oficial do partido omitiu esta informação em notícia publicada nesta terça-feira (17), sob o título “PSDB zera imposto da cesta básica”.

O projeto de lei (PL 3154/12), de autoria do deputadoPaulo Teixeira (PT-SP), em conjunto com o líder da Bancada do PT, deputado Jilmar Tatto (SP), e com outros sete deputados petistas, isenta de impostos os alimentos da cesta básica. O PL foi apresentado juntamente com a proposta de criação do Imposto sobre as Grandes Fortunas (IGF), que tramita na Câmara na forma do PLP 130/12.

Paulo Teixeira se disse satisfeito com a aprovação do projeto, mas lamentou que o PSDB não tenha dado o crédito ao PT no seu portal. “Sem dúvida, estamos felizes com a aprovação do projeto, que terá um impacto positivo muito grande para a população brasileira, especialmente para as parcelas de renda mais baixa.

Mas seria importante que o PSDB reconhecesse em seus meios de comunicação que a proposta é do PT e que tem a marca da nossa história de luta em favor dos direitos básicos da sociedade brasileira”, afirmou o parlamentar paulista. Na apresentação da emenda, já no final da sessão, Bruno Araújo assumiu que o projeto era do PT.

“Tenho a honra de ser o autor dessa emenda. Mas precisamos ser justos: nada mais fiz do que reproduzir um projeto de lei assinado pelo líder do PT, Jilmar Tatto, e pelos deputados petistas Paulo Teixeira e Ricardo Berzoini (SP)”, revelou Araújo. Esse “detalhe”, até as 19h desta terça, não constava na notícia publicada pelo PSDB (clique aqui).

Além de Paulo Teixeira, Jilmar Tatto e Ricardo Berzoini, o PL 3154/12 é assinado pelos deputados petistas Amauri Teixeira (BA),Assis Carvalho (PI), Cláudio Puty (PA), José Guimarães (CE), Pedro Eugênio (PE) e Pepe Vargas (RS), atual ministro do Desenvolvimento Agrário.

Rogério Tomaz Jr.

____________


Virou moda no PSDB se apropriar de projetos alheios. Como o Viomundo já havia mostrado,  José Serra assumiu como dele e do PSDB o Programa Nacional de DST-Aids (criado pela doutora Lair Guerra e pelo professor Adib Jatene) e os medicamentos genéricos (cujo verdadeiro pai foi o doutor Jamil Haddad, ex-ministro da Saúde). Recentemente, Serra se apropriou de slogan do logo da Suécia, slogan da Dilma e “tchu-tcha” de dupla.

Nessa semana, em entrevista de Gianni Carta, de CartaCapital, o economista Nildo Ouriques disse queFHC plagiou intelectuais banidos pela ditadura, entre os quais Rui Mauro Marini. Agora, passou a mão no projeto do PT. Qual será a próxima apropriação indébita, hein? (Conceição Lemes)

Privataria Tucana no Pará... esse carapááálida não se corrigiii

Cláudio Puty: Celpa, um caso clássico de Privataria Tucana

Viomundo




por Luiz Carlos Azenha

A Celpa, Centrais Elétricas do Pará, está em recuperação judicial.

No popular, faliu.

De acordo com o deputado federal Cláudio Puty (PT-PA), é um caso clássico de Privataria Tucana.

A Celpa foi privatizada em 1997. O presidente da República era Fernando Henrique Cardoso. O ministro encarregado da desestatização era José Serra. E o governador do Pará era Almir Gabriel.

O Grupo Rede comprou a Celpa em 1997 com dinheiro da União. O estado do Pará foi avalista do negócio.

Como a Celpa não pagou o que devia, o Fundo de Participação (FPE) do Pará tem sido descontado mensalmente.

Hoje um dos estados que mais produzem energia elétrica no Brasil, exportador de energia (segundo Lúcio Flávio Pinto) sofre com apagões.

Sim, o Pará da hidrelétrica de Tucuruí sofre com apagões.

O programa Luz Para Todos está paralisado no Pará.

Na privataria, o Grupo Rede é acusado de ter transferido R$ 700 milhões de reais da Celpa a outras empresas do grupo.

Segundo o deputado Puty, “isso fragilizou, de maneira mortal, as Centrais Elétricas do Pará”.

O deputado também denuncia a ação tíbia da ANEEL, a Agência Nacional de Energia Elétrica.

Terceiro escândalo, segundo Cláudio Puty: o interventor judicial da Celpa, indicado pela Justiça do Pará, é o advogado eleitoral do atual governador do Estado, Simão Jatene, que teve papel importante, lá atrás, em 1997, na privatização da empresa.

Trocando em miúdos: o governo tucano do Pará atua nas duas pontas do negócio, como credor e devedor da Celpa.

Cláudio Puty acredita que, agora, o objetivo é obter a re-privatização da Celpa, com o uso de dinheiro público e o aumento das tarifas cobradas dos consumidores de energia paraenses.

Por isso, ele defende que a Celpa seja federalizada.

Quanto ao quarto escândalo, está no fato de que o assunto ‘sumiu’ da imprensa do Pará.

Blogueiros paraenses, inclusive Lúcio Flávio Pinto, atribuem isso a dívidas que empresas de comunicação do estado teriam com a Celpa.

Para quem se interessar pela briga entre o Grupo Maiorana (Globo) e as empresas de comunicação de Jader Barbalho, no Pará, leiam isso.

O fato é que a Privataria Tucana, no caso da Celpa, ficará longe da mídia, a não ser que você nos ajude a difundí-la nas mídias sociais.

Para a impressionante entrevista do deputado Cláudio Puty, clique aqui:

Leia também:

Movimentos sociais vão denunciar a Privataria TucanaCarlos Gianazzi: Já selecionei trechos do Privataria para ler nos debates

o carapááálida não sabe quem é quem? e se informa aondii?


DEPOIS DO TCU
FALTA O DANTAS


Quem irrigava o “ valerioduto” ?

Conversa Afiada








O Tribunal de Contas da União melou o argumento central do mensalão.

Aquele estava para provar-se e que, agora, não se provará.

Ou seja, não houve dinheiro público na operação.

Malversação do dinheiro público houve, isso sim, na Privataria Tucana e o PiG (*) diz que o livro do Amaury não existe.

A TV Record já tinha melado o mensalão, e o mervismo diz que o Ernani de Paula não existe, como também não existe o Paulo Preto, ou Vieira de Souza.

Estabelecidas assim as premissas do julgamento do Supremo, falta esperar pelo que fará o brindeiro Gurgel, o Acusador, o Algoz, o Defensor da Sociedade.

Será que o brindeiro Gurgel acusará o Dantas, aquele que foi apanhado no ato de passar bola, no jornal nacional?

Sim, como o Valério não recebia dinheiro indevido do Banco do Brasil, já que tudo não passava de uma “ bonificação de volume”, uma dessas contribuições da Globo à Cultura Ocidental, de onde vinha o dinheiro do “ valerioduto” ?

Quem irrigava o “ valerioduto” ?

A Comissao de Valores Mobiliarios sabe de cor e salteado.

É só mandar buscar a investigação independente que foi feita na Brasil Telecom, depois da desastrosa e tucana administração do Dantas.

Está tudo lá.

O Dantas pagava rios de dinheiro ao Valério para prestar serviços que ninguém consegue identificar quais eram.
E foi assim desde o mensalão tucano de Minas, do Eduardo Azeredo, o pai de todos os mensalões, que o Supremo, com a mesma agilidade, breve julgará.

(Não sem antes o Supremo devolver a legitimidade da Operação Satiagraha.)

O Procurador Geral que denunciou os “40 ladrões” aparentemente não “procurou” o Dantas.

Porque o Dantas, sabe como é, amigo navegante, quem nele toca degenera.

Não é, Gilmar ?

Vamos ver se o Brindeiro, a correr da espada da prevaricação com que o Senador Fernando Collor o ameaça, e depois da suspeita de que o Cachoeira acompanhava os seus passos, vamos ver, amigo navegante, se, na hora em que enfrentar a Historia, o Brindeiro acha o Dantas.

É fácil.

Está na CVM, nos arquivos da Carta Capital e neste ansioso blog.

Ou na biografia do Gilmar Dantas (**).

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

domingo, 22 de julho de 2012

"Dê-me o direito de não acreditar nessa candidatura, meu caro."

PSOL replica e o Blog treplica em debate da candidatura Giannazi


Posted by eduguim on 21/07/12 • Blog da Cidadania





Foi com satisfação que recebi carta do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) enviada em réplica à carta aberta ao candidato desse partido a prefeito de São Paulo, Carlos Giannazi, que escrevi há alguns dias. Quem assina a resposta é Maurício Costa de Carvalho, presidente do PSOL paulistano.


Quando menos, os termos em que os dois textos foram escritos constituem salutar exercício de debate político em alto nível, tão escasso nesta época de ataques rasteiros, maledicências, xingamentos, calúnias e tudo mais que vem degradando a política brasileira.


É sob tal espírito que este Blog publica – e treplica – a réplica do PSOL a considerações que fez não apenas sobre a (excelente) candidatura do professor e deputado estadual Carlos Giannazi – que só faz engrandecer a disputa pelo cargo de prefeito da capital paulista –, mas sobre o próprio partido.


—–


É possível mudar São Paulo sendo coerente


Caro Eduardo Guimarães,


Há alguns dias, após um debate promovido pela revista Fórum, você escreveu uma “carta aberta” ao candidato a prefeito do PSOL em São Paulo Carlos Giannazi. Embora teça elogios pessoais ao psolista, sentimos que a ideia da “carta” é mais um esforço de tentar colar em Giannazi a pecha de “bom político, mas incapaz de governar” e assim indiretamente ocultar as imensas contradições da candidatura Haddad que você defende.

Carlos Giannazi, a quem você tece elogios sinceros por sua trajetória irreparável de luta e coerência, não poderia ser candidato a prefeito nem estar em outro partido. O mesmo pode ser dito de Plínio de Arruda Sampaio, Marcelo Freixo, Luciana Genro, Heloísa Helena e tantos outros, muitos que saíram ou “foram saídos” do PT justamente pelo mais importante de suas histórias: a coerência com suas bases sociais e a convicção de que é possível fazer política sem se vender.

Por tudo isso faço questão de responder em nome do PSOL e de maneira respeitosa e franca a sua carta. Em respeito também àqueles moradores de São Paulo que acreditam na necessidade histórica de superar os seguidos desgovernos da direita elitista representada pelo PSDB, queremos discutir a necessidade de fortalecer uma alternativa que infelizmente o PT de Haddad não representa, precisamente porque fez a opção de moldar sua política na fôrma que tucanos forjaram.

Vamos aos pontos.

O preço das alianças

A afirmação de que o PSOL não faz alianças não é verdadeira e foi prontamente respondida por Giannazi durante a entrevista (aos 39min15s). O PSOL faz alianças, mas com limites e princípios. Vejamos o caso de Maluf. Maior corrupto brasileiro, criminoso procurado pela Interpol, já foi preso, teve seus bens bloqueados, foi condenado a devolver R$ 716 mi aos cofres públicos do estado e ainda deve outras dezenas de milhões que roubou da cidade de São Paulo em suas desastrosas gestões com Pitta e Kassab.

Esse sujeito e seu partido são entulhos da ditadura militar. Maluf construiu o Cemitério de Perus para abrigar as ossadas dos desaparecidos políticos e regularizou o centro de tortura do DOI-CODI. Estamos opostos a Maluf em termos humanitários, políticos, administrativos, éticos, morais… Como então nos aliarmos para um projeto de cidade? Para o PSOL é impossível, para o PT de Haddad não.

As alianças são muito mais do que divisões por tempo de TV. A de Lula com Maluf concedeu ao PP o Ministério das Cidades, terceiro maior orçamento da esplanada, responsável pelas obras da Copa e pela construção de metrôs nas cidades. Hoje é um duto de corrupção do pior tipo, em consórcio com as empreiteiras. Não por acaso as obras da Copa são um desastre e “falta verba” para o metrô em São Paulo. Fico me perguntando qual a secretaria ocupada por Maluf em um hipotético governo Haddad. Das finança$? Das obras? Da segurança, para colocar “a Rota na rua”? Ou da educação, para quem “professora não é mal paga, é mal casada”?

Na esteira da chapa petista a vereadores desse ano está gente como Wadih Mutran, com imensa coleção de escândalos na cidade, tendo “milagrosamente” dobrado seu patrimônio milionário em 4 anos. Qual a diferença entre eleger “a direita demo-tucana e seus satélites” e Mutran? Contando que a maioria dos vereadores da atual legislatura – inclusive vários do PT – são financiados por empreiteiras e construtoras que transformaram a prefeitura e a câmara em reféns, como fazer para mudar esse quadro? Nenhum vereador – do PSDB, do PT ou do PSD – teve coragem de lutar por uma CPI contra a Máfia dos Imóveis de Kassab. Por que será?

Para quem se administra?

Caro Eduardo, nossas diferenças com o PT não são administrativas, como você sugere, são estratégicas, de projeto. Você afirma em sua carta que a redução de gastos da educação em 6% e a criação de taxas que oneravam diretamente os pobres e os trabalhadores no governo petista seriam “medidas administrativas inevitáveis”. Tal visão reproduz uma velha máxima da direita tucana: distribuir as sobras do orçamento para os pobres quando a maré vai bem e retirar direitos dos mesmos – o elo mais fraco da corrente – quando vai mal.

Por que a prefeitura petista não engordou os cofres com a cobrança da imensa dívida ativa de grandes empresas e especuladores? Por que não taxou transações financeiras do município e as grandes fortunas paulistanas? Por que não atacou os corruptos? Diga-se de passagem, a redução de verbas da educação e a criação das taxas do lixo, da luz, etc. foram construídas por Haddad enquanto ele era chefe de gabinete de João Sayad, ex-secretário de Serra, ex-ministro de Sarney e o responsável no governo tucano de hoje por promover o desmonte que a TV Cultura vem passando.

É possível fazer mudanças reais com coerência

Como Haddad poderá ser o novo de São Paulo se recebe R$ 90 milhões na campanha das mesmas construtoras, empreiteiras, bancos e multinacionais que financiam Serra? Ser “factível, racional, prevendo todas as dificuldades” é saber especialmente o preço que se paga pelas opções e compromissos na política.

É justamente por sabermos o preço das alianças e das opções que são feitas na política que optamos por outro caminho, criterioso e coerente. O PSOL é o partido mais bem avaliado do Congresso não só porque tem excelentes quadros, parlamentares, com experiência parlamentar e administrativa como Chico Alencar, Ivan Valente, Jean Wyllys e Randolfe Rodrigues. Nossa virtude é que não abandonamos o que há de vivo na política: a organização independente da sociedade e o compromisso com o povo.

Aliás, foi fundamentalmente assim que Edmilson Rodrigues, atual candidato a prefeito de Belém pelo PSOL com 47% das intenções de voto, governou a cidade em uma experiência que muitos petistas abandonaram. Vale conhecer a história do Congresso da Cidade, da mobilização e dos enfrentamentos feitos por Edmilson que o tornaram a grande liderança popular na cidade. E, por favor, isso nada tem a ver com “um projeto autocrático sob discurso de que um prefeito pode fazer tudo o que quiser coagindo o Legislativo com grupos de pressão”. Essa “reginaduartização” da política não ajuda nem um pouco no debate.

Greve das federais: um exemplo

Cito outro caso que ilustra bastante nosso debate: a atual greve das universidades federais. São quase 100 dias de greve contra um modelo construído por Haddad que se iguala ao projeto educacional do PSDB no governo paulista na expansão precarizada da educação e no arrocho salarial dos profissionais de educação. Ainda pior: como na USP PSDBista, o PT mandou reprimir os estudantes e ainda propôs o corte de ponto dos grevistas. “Modernidade administrativa” você diria? “O pior do modelo de direita da criminalização das lutas sociais”, diríamos nós.

Aliás, pela gravidade do tema, aproveito para fazer um apelo. Nesse momento onde a mídia corporativa simplesmente se calou diante de uma das maiores greves universitárias da história, não consegui achar no seu blog da cidadania nenhuma linha de apoio, de solidariedade, de crítica ao governo por nem ao menos ter sentado para negociar com os professores e trabalhadores das universidades em meses.

A mudança que São Paulo quer

Por fim Eduardo, quero deixar claro que coincidimos em um ponto: São Paulo precisa de mudança e do fim da velha política de PSDB e satélites. Contudo é impossível ser “o novo” que a cidade precisa reproduzindo a essência dessa velha política no financiamento de campanha milionário, nas alianças, na política econômica, nas práticas corruptas, nos candidatos impostos desrespeitando a base partidária e a história do partido, como faz o PT.

A mudança que São Paulo precisa não pode ser pincelar um verniz do “novo” em uma estrutura devorada pelos cupins. E política não é guerra de torcidas, não é competição de marketing nem de quem tem mais tecnocratas. É disputa de projetos, de opções.

E nós acreditamos que é possível, caminhando com os pés firmes no chão, construir uma nova rota em direção a uma vida onde a justiça social e a liberdade não sejam mera fraseologia. Para tanto é necessário que as contradições do deserto do real sejam enfrentadas com independência, firmeza e coerência, o que falta à miséria da política que vemos hoje.

Como disse ao Rovai, espero uma nova oportunidade de debate sobre os projetos de Giannazi e do PSOL para São Paulo.

Saudações ensolaradas,

Maurício Costa de Carvalho

Professor, geógrafo e presidente do PSOL na cidade de São Paulo.



—–


Tréplica do Blog ao PSOL de São Paulo


Caro Maurício,


Devo iniciar refutando vossos sentimentos (do PSOL, imagino) sobre a natureza da carta aberta que escrevi ao deputado Carlos Giannazi: não fiz esforço algum para tentar colar coisa alguma nele, até porque o desempenho eleitoral do PSOL, desde a sua criação, mostra que a “pecha” de partido com bons políticos, mas incapazes de governar, já está colada nele.

Não é por outra razão que o PSOL não tem um único vereador na capital paulista. A população de São Paulo, com efeito, ainda não sentiu confiança no partido para lhe dar sequer um assento no Legislativo, situação que se espraia pelo país, onde o PSOL tem uma representação para lá de diminuta, tendo apenas três deputados federais e um senador.

Tampouco defendo qualquer “contradição” da candidatura Fernando Haddad; apenas simpatizo com ela. No máximo, então, posso estar enganado quanto ao candidato no qual pretendo votar. Atribuir-me “defesa de contradições” de quem quer que seja é uma forma de desqualificar meus argumentos relativos a Giannazi e ao PSOL.

Sobre as “contradições” que o seu grupo vê na candidatura Haddad, Maurício, que, obviamente, referem-se ao desempenho do ex-ministro à frente da pasta que pilotou ao longo do mandato de Lula e durante o período inicial do atual governo do Brasil, discordo delas.

Em minha opinião, o desempenho de Haddad como ministro foi excelente. Destaco as cotas para negros e pobres nas universidades públicas, o Prouni e o Enem, políticas aprovadas por maioria esmagadora dos brasileiros e que estão produzindo um fenômeno que a sociedade já começa a perceber: os eternos excluídos do ensino superior finalmente estão chegando a ele.

Só esse ponto da obra de Haddad à frente do Ministério da Educação já mostra que não é verdadeira a sua premissa de que o PT “fez a opção de moldar sua política na fôrma que tucanos forjaram”, haja vista que estes combatem ferozmente as políticas afirmativas petistas que estão levando centenas de milhares de jovens pobres e negros à universidade.

Sobre o “preço das alianças”, em primeiro lugar há que dizer que foi inútil expor a este blogueiro quem é Paulo Maluf e tudo o que pesa contra ele, pois, afinal, estou entre aqueles que mais combateram esse político ao longo de mais de trinta anos. Isso sem falar que fui o primeiro a criticar a aliança entre o PP e o PT paulistanos, tendo, inclusive, feito denúncia contra Maluf um dia antes de ser formalizada a aliança com seu partido.

Apesar de concordar com você, Maurício, que essa aliança foi um erro porque agregará muito pouco benefício ao grande desgaste que gerou inclusive no próprio PT – o que mostra que o partido mantém sua coerência –, penso que o discurso do PSOL sobre alianças políticas é representativo da falta de visão do partido sobre a natureza da democracia representativa.

Vale registrar que é conversa que o PP ganhou o Ministério das Cidades por ter se aliado ao PT na capital paulista; esse ministério foi entregue ao PP muito antes de sua aliança com o PT ser formalizada.

Sobre alianças, há Malufs em quase todos os grandes partidos, menos no PT – aponte-me um só político como ele filiado ao PT, se puder. Se não puderem ser feitas alianças com os grandes partidos porque o povo decidiu eleger alguns desses Malufs a eles filiados, não sei como qualquer sigla governará qualquer coisa no Brasil…

Aliás, a quase inexistente experiência administrativa do PSOL desde a sua criação mostra exatamente isso, que, sem alianças, o máximo que um partido pode fazer é ficar gritando e acusando sem realizar nada.

Sem alianças, o Brasil não seria o que é hoje, em que pese tudo de descomunal que ainda resta fazer neste país. Preciso dizer quanto o Brasil mudou porque o PT aprendeu a fazer alianças? Não preciso, o povo brasileiro e o mundo, em maioria avassaladora, reconhecem o que foi feito. Se o PSOL não reconhece – assim como o PSDB, o DEM e a mídia –, paciência.

A democracia representativa, porém, obriga a classe política a respeitar mandatos concedidos pelo povo. Se o povo vota “errado”, é outra história. Maluf – bem como seus congêneres – foi brindado com mandato popular, ou seja, representa um setor da sociedade. Há que reconhecer esse fato e a Constituição brasileira, que nos obriga a tanto.

Outro fato que me preocupa, caro Maurício, é sua carta-resposta desconhecer a situação em que estava São Paulo quando Marta Suplicy assumiu sua prefeitura. Preocupa-me ainda mais você desconhecer a imensa obra social dela e um dos melhores projetos para a Educação, os CEUs, desmontados pela gestão demo-tucana posterior.

Pior ainda é você criminalizar as doações de campanha a Haddad como se ele fosse uma exceção. Ora, as regras do jogo são essas. Como ele ou qualquer outro político farão campanha sem dinheiro? Melhor seria defender o financiamento exclusivamente público de campanhas, um projeto que o PT, em boa parte, defende.

Sim, Chico Alencar, Ivan Valente, Jean Wyllys e Randolfe Rodrigues são excelentes políticos. Votaria em qualquer um deles, mas há bons políticos em várias legendas. Isso só mostra que não se pode criminalizar partidos inteiros. Quando muito, pode-se divergir de suas linhas programáticas.

O discurso moralista e acusatório do PSOL ainda não pode ser levado a sério. Só no dia em que o partido administrar cidades e Estados é que poderá ser testado. O PSOL, como você bem mostrou em seu texto, ainda não administrou praticamente nada, de forma que não se sabe que resultado teria sua política de não fazer alianças.

E, claro, só quando o PSOL começar a governar mesmo é que saberemos se é realmente esse partido de anjos como se apresenta ou se a natureza humana, que sempre abriga exceções desonestas, pode se fazer sentir nessa honrada legenda.

O mote de sua resposta, Maurício, é o de que é possível mudar São Paulo sendo “coerente”. Preocupa-me o que você chama de “coerência”, que pode ser outro nome para fundamentalismo. É coerente querer governar alguma cidade, Estado ou o país sem alianças políticas, só colocando o povo para pressionar parlamentares nas galerias?

Você me disse que Giannazi respondeu que o PSOL faz, sim, alianças, mas com “limites e princípios”. Ora, isso é muito vago. Ele não me respondeu com quem governaria São Paulo. Sendo franco: enrolou. Faria aliança com o PT, com o PSDB, com o DEM, com o PMDB ou com o PSD? Pelo que o PSOL diz desses partidos, não faria.

Ora, como vou entregar o governo da minha cidade – que está um caos – a um partido que não terá sequer base de apoio legislativo para mudar qualquer coisa? Explique-me, de forma convincente, e levarei a sério a candidatura do partido a prefeito de São Paulo.

Dê-me o direito de não acreditar nessa candidatura, meu caro. Até porque, infelizmente boa parte dos Legislativos é composta por representantes de setores organizados e poderosos da sociedade, sobretudo de grupos econômicos, de forma que a maioria dos vereadores daria uma banana à pressão das galerias e agiria sob os interesses que a elegeram.

Política é negociação. Não se pode, simplesmente, desconhecer que aqueles políticos daquele determinado partido receberam um mandato de um setor da população para representá-lo. Há que respeitar esses mandatos, por mais que se discorde de terem sido concedidos. Isso se chama democracia. É ruim? Talvez, mas ainda não inventaram nada melhor.

Quero lhe garantir, Maurício, que não tenho qualquer vínculo com o PT, com sindicatos, com movimentos sociais de qualquer tipo – menos com o Movimento dos Sem Mídia, do qual sou fundador e presidente. Dessa maneira, meu intuito é só o de ajudar a eleger o melhor candidato para São Paulo.

Estive no Pinheirinho, estive na Cracolândia, vejo o higienismo que a prefeitura demo-tucana promove em São Paulo. A nossa cidade está indo para o buraco, Maurício. Temos que livrá-la dessa gente. Todavia, ficará mais difícil se o PSOL fizer, mais uma vez, o jogo da direita, ajudando-a a derrotar o único candidato capaz de derrotá-la: Fernando Haddad.

Saudações “ensolaradas” a você também, companheiro.


Eduardo Guimarães

Aloprados e aloprados

O inacreditável....

Jose Alberto SSA BA

O inacreditável é que no Brazil o PIG consegue inverter a ordem das coisas. Nesse caso centraram o foco nos meios e “esqueceram” a essência. Passou a ser crime, e é, a compra de dossies, sejam quais forem. A essência, o escandalo das ambulâncias, foi solenemente jogado sob o tapete. Pior é que esse mesmo PIG se vale de dossies ilegais produzidos pelo esquema criminoso Cachoeira, contanto que seja para prejudicar um Governo legitimamente eleito. Pior ainda é que tem muita gente com cérebro do tamanho de um caroço de arroz que acredita piamente no PIG e sai repetindo-o pela rua. Isso é intragável.


Cachoeiroduto

Aloprados e aloprados


Durante as investigações da Operação Monte Carlo, a Polícia Federal apreendeu um material que pode ser a pista para a compreensão de uma dos mais estranhos episódios da história política recente. Trata-se de gravações de uma conversa entre o ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, e o jornalista Mino Pedrosa, ex-repórter da Isto É e hoje autor do site QuidNovi, sobre o chamado “escândalo dos aloprados”, como ficou conhecida a suposta tentativa de compra de um dossiê contra o então candidato a governador de São Paulo José Serra (PSDB) em 2006.



O dinheiro apreendido pela PF para comprar o dossiê anti-tucano. Foto: AP


Curiosamente, o material foi apreendido na casa de Adriano Aprígio de Souza, ex-cunhado do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Souza foi preso em julho pela PF, na esteira das investigações sobre o grupo. Ao analisar o material, a PF encontrou o grampo de uma conversa ocorrida em 2006 entre Dadá e Mino Pedrosa no qual o jornalista dizia ter informações sobre como o dossiê foi negociado. Dadá é apontado pela PF como araponga do grupo de Cachoeira.

O escândalo, que tumultuou as eleições daquele ano, eclodiu após um assessor da campanha de Aloizio Mercadante, candidato do PT ao governo paulista, ser pego ao entrar num hotel em São Paulo para supostamente comprar informações contra o adversário tucano. O material conteria documentos que ligariam o ex-ministro da Saúde à chamada máfia dos sanguessugas, como ficou conhecido o grupo investigado por desviar recursos da saúde.

Na conversa, possivelmente gravada por Dadá, Mino Pedrosa e o araponga conversam sobre as origens do escândalo dos aloprados. O jornalista revela que o dossiê havia sido confeccionado por Luiz Antonio Trevisan Vedoin, pivô dos sanguessugas, e oferecido aos petistas. No entanto, quando a negociação avançou, o mesmo Vedoin entrou em contato com um emissário da campanha José Serra – que teria acionado a Polícia Federal. O plano de Vedoin era criar um fato político contra o PT durante a eleição.


Diálogo gravado por araponga e apreendido pela PF



Em seguida, Mino Pedrosa diz ter em mãos informações que poderiam ser a “bala de prata” para “matar o Barbudo”, numa clara referência ao então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, postulante à reeleição. O jornalista afirma ter informações de que a proximidade de Lula com seu ex-assessor pessoal Freud Godoy, suspeito de participação na compra do dossiê, poderia mudar os rumos da eleição de 2006.

Para comprovar as suspeitas, Pedrosa pede a Dadá que obtenha clandestinamente os documentos junto ao Coaf e à Receita Federal sobre movimentações financeiras de Lula para confirmar as suspeitas.

O episódio mostra como o grupo de Cachoeira agia para alimentar informações para tumultuar o ambiente político – e que nem mesmo o presidente estava imune a ação dos arapongas. Leia estas e outras revelções na edição desta semana de CartaCapital, nas bancas a partir desta sexta-feira 20.