sábado, 1 de outubro de 2011


Professores de Recife protestam contra aliado do regime militar



    Os três votaram contra a CPMF e foram derrotados. Maciel é o da extrema direita
















Conversa Afiada recebeu o seguinte e-mail do ZCarlos:  

Olá Geórgia, tudo bem?

Na próxima segunda-feira, dia 03/10, o salão nobre da Faculdade de Direito do Recife será reaberto em comemoração aos 100 anos do prédio histórico. O convidado para proferir uma palestra alusiva à data foi o ex-senador Marco Maciel e isso virou motivo de polêmica.  Alguns professores ameaçam boicotar a solenidade porque Marco Maciel foi aliado do governo militar.

O convite ao ex-senador para palestrar ensejou o envio de uma carta à diretora da Faculdade, Luciana Grassano, e aos colegas docentes, pela professora Larissa Maria de Moraes Leal. 

Veja aqui, porque vale a pena ler.

Bom trabalho e boa sorrrte!

zcarlos

Carta Aberta à Diretora da Faculdade de Direito do Recife


Cara Diretora do CCJ – UFPE – Faculdade de Direito do Recife, Profa. Dra. Luciana Grassano


Caros colegas docentes,


Cumprimentando-os cordialmente, venho, preliminarmente, parabenizar nossa Diretora, Profa. Luciana Grassano, por mais este importante passo na restauração de nossa casa, o prédio da Faculdade de Direito do Recife. Um trabalho primoroso, bem conduzido e realizado que, sem dúvidas, nos trouxe mais que conforto. Temos, atualmente, a satisfação de exercermos nosso ofício em um edifício dotado da dignidade que sempre lhe foi devida. O cuidado deferido à nossa edificação tem reflexos largos, porquanto seja toda a sociedade beneficiária do resgate de integridade desse patrimônio histórico. Assim, registro meus agradecimentos sinceros e fraternos, bem como o meu reconhecimento.


Por ocasião da Solenidade de Reabertura do Salã o Nobre, venho, ainda que comprendendo a circunstância de absoluta felicidade institucional, registrar meu singelo e firme protesto referente ao Conferencista brindado pela ocasião. Foi no Salão Nobre que muitos de nós defenderam suas dissertações de mestrado, teses de doutorado, assistiram e participaram de debates acalourados; foi também neste salão que, em várias situações, professores e alunos reuniram-se simplesmente para exercerem o seu legítimo direito de pensar, dialogar e dar máxima expressão à própria idéia sobre a qual construimos, diariamente, a nossa Faculdade.


Todos esses fatos fazem parte da história da Faculdade de Direito do Recife, tão bem contada pelo saudoso Prof. Dr. Gláucio Veiga. No volume 2 de sua obra sobre a história das ideias, das ações e do papel de nossa Faculdade, Prof. Gláucio dedicou seu trabalho a todos aqueles que morreram porque ousaram pensar. Em tempos difíceis, nossa Faculdade representou, ao menos no imaginário de muitos, um oásis onde era possível pensar! Entrementes, sabemos que, nesses mesmos tempos, pensar na Faculdade tornou-se algo perigoso. Sob as vistas dos ditadores, foram os professores e alunos da Faculdade vítimas preferenciais de restrições e toda sorte de agressões a direitos humanos.


Esses tempos, infelizmente, são reféns de nossa memória. É em nome dessa memória – que não podemos negligenciar – que apresento meus protestos referentes à eleição do ex-senador Marco Maciel como conferencista da ocasião de reabertura do Salão Nobre da Faculdade. Entendo, com meus botões, que sua presença, em condição tal de honraria – e acredito ser de honra extrema proferir conferência no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Recife, em sua reabertura – fere a memória viva de lamentáveis fatos ocorridos na própria Faculdade no final da década de 60 e durante a década de 70. Fere diretamente professores da casa, que, então, foram perseguidos porque pensavam; fere professores que foram, inclusive, expulsos de casa, para tornarem-se estrangeiros em busca de Justiça em outros países, exilados da Faculdade; fere a mim, pessoalmente, que vivenciei a potencialidade lesiva da ditadura, e convivo com fotos de parentes que sequer tive oportunidade de conhecer, em cartazes de busca por desaparecidos afixados em nosso prédio . Fere, por fim, em minha opinião, todos os nossos alunos que, sem experiências pessoais sobre esse período tenebroso, precisam de nossas memórias e de nossa voz para conhecerem esse mal absoluto que é a restrição da liberdade.


Não tenho nenhuma queixa pessoal dirigida ao ex-senador Marco Maciel para apresentar aqui. O que tenho é a convicção e o conhecimento de sua trajetória política; nos tempos em que convivemos com a divisão entre ditadores e cidadãos, sei que nossa Faculdade ficou aliada aos cidadãos, postura contrária do Conferencista convidado.


Por certo, como acadêmica, não devo ter preconceito com ideias. Mas a distância no tempo, pouco mais de 30 anos, apenas o tempo de minha vida, não pode ser suficiente para apagar de nossa história e memória o passado a que aludi.


Se, durante a ditadura, o maior desafio do cidadão era pensar e manifestar-se, hoje, penso eu, o que mais nos constrange é o dever de não calar, de não tolerar por comodidade e de não negligenciar nosso legado. São tempos diferentes, é claro. Os protestos desapareceram para dar lugar ao individualismo e à busca de conquistas patrimoniais. Não há voz nas ruas ou nas praças. É o silêncio obsequioso, chamado de tolerância, que incomoda alguns poucos legatários de tanto sofrimento do passado.


Meu protesto, portanto, segue as diretrizes atuais: infelizmente a presença do conferencista constrange a mim, em tão alta medida, que não me permitirá participar desse momento histórico. Protesto por meio dessas palavras, de minha ausência e de um pedido. Se algum documento resultar da solenidade da próxima segunda-feira, dia 03 de outubro, solicito que minha ausência seja registrada como forma de protesto silencioso e pacífico.


Eu não sei se nós teremos os benefícios de, dentre nós, haver um novo docente dedicado a contar a história da Faculdade de Direito do Recife, como fez o Prof. Gláucio Veiga; mas, se houver, os relatos da próxima segunda-feira farão o histórico dos fatos passados nas décadas de 60 e 70 do século XX darem uivos de terror… o terror da superação das ideias e da liberdade pelo tempo; o terror da negligência da história dos que se foram, em nome do que agora está.


Cordialmente,


Profa. Dra. Larissa Maria de Moraes Leal.

quando a segunda-feira chega rápido demais


Porque hoje é sábado: Brasil, meu Brasil brasileiro… O halo solar do cerrado

outubro 1st, 2011 by mariafro

Ontem, o espetáculo do halo solar foi notícia.
Eu, meus alunos, nossa diretora, Luciano e Gigante da Kiron tivemos o prazer de estar na companhia do nosso guia, Cristiano Costa, e presenciamos este espetáculo da natureza. Segue algumas das fotos feitas por mim dentro do cerrado em Pirenópolis por volta das 10 horas da manhã:


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Nessa, como observou um leitor do facebook, o contorno da folhagem da árvore lembra o mapa do Brasil.
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Da série: quando suas fotos são bem mais bonitas da que saíram na ‘mídia velha’.
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Aqui, o halo solar e embaixo um pedaço do arco-íris
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Novamente,  o halo solar e embaixo um pedaço do arco-íris \o/
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Foto: Cristiano da Costa.

quando o domingo custa a chegar...


Porque hoje é sábado, Sonia Aquino



Eu estava no StudioClio envolvido por Mozart e pela gastronomia
de um tremendo banquete...
Caso você tenha sangue-frio e estômago forte clique aqui, e não reclame...

" De bom mesmo, essa propaganda só tem a bela Gisele"


Gisele e a sina das mulheres


A fabricante de lingerie Hope aprovou a sugestão de sua agência de publicidade e pôs no ar uma campanha que tem tudo que ver consigo, segundo será demonstrado mais adiante. A peça foi intitulada como “Hope ensina”. Essa campanha pretende “ensinar” como “a sensualidade” pode “deixar qualquer homem derretido”. A agência de publicidade que a criou chama-se Giovanni+Draftfcb.
A campanha usa a modelo internacional Gisele Bündchen para “estimular as mulheres brasileiras a fazerem uso de seu charme” ao contarem aos seus maridos – e namorados ou amantes, claro – eventuais atos de irresponsabilidade que venham a cometer, tais como provocar acidentes de trânsito ou gastar dinheiro descontroladamente.
Pouco após o início da veiculação da campanha, no último dia 20 de setembro, a Ouvidoria da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM) recebeu reclamações. Após deliberação interna, o órgão decidiu tomar providências. Oficiou ao Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) pedido de suspensão da propaganda e enviou carta ao diretor da Hope Lingerie, Sylvio Korytowski, manifestando repúdio à campanha.
Houve forte reação da mídia. No mínimo, a iniciativa da Secretaria do governo federal que trata de “Políticas para as Mulheres” foi chamada de “mal-humorada”. No máximo, a Secretaria foi acusada de prevaricação. A revista Exame, da Editora Abril, entrevistou o diretor de criação da campanha que colocou Gisele Bündchen para ensinar as mulheres como deveriam se portar. A revista diz que “Adilson Xavier, da Giovanni+Drafitfcb, ainda tenta entender o que está acontecendo”.
O publicitário, que atende pelo cargo de presidente e diretor nacional de Criação da agência, disse ser “surpreendente e, em alguns momentos, ridícula a polêmica criada em torno das peças”. E afirmou que a sociedade brasileira “Está perdendo o bom humor”.
Outros órgãos de imprensa, igualmente furiosos, também disseram que a Secretaria de Políticas para as Mulheres não se manifestou, há alguns anos, quando uma garota infratora e menor de idade foi presa em uma cela cheia de homens, onde foi seguidamente estuprada.
É uma idéia de jerico porque crimes contra mulheres acontecem todos os dias e não dá para uma Secretaria que cuida de políticas públicas para um setor da sociedade ficar comentando todos os casos de violência. A cobrança deveria se dirigir às autoridades competentes, portanto. Sobretudo aos governadores de Estado, responsáveis pela Segurança Pública e pelo sistema penal.
Particularmente, porém, não sei se seria o caso de coibir essa campanha publicitária. Claro que não pelos motivos acima. Representar as mulheres brasileiras como irresponsáveis que saem gastando além da conta e provocando acidentes de trânsito, como se fossem crianças mimadas, é uma idéia para lá de estúpida. Mas a propaganda reproduz uma realidade desta sociedade, não se pode negar.
Contudo, não gostei do estímulo. Ao ver Gisele Bündchen seminua se oferecendo para pagar com sexo ao marido pelos prejuízos financeiros que lhe causou, pensei em prostituição. Não gostaria que alguma de minhas filhas moças agisse assim. Aliás, como elas têm o padrão físico da Gisele – são esguias e altas –, a propaganda da Hope me tocou ainda mais.
Logo me pus a pensar que, infelizmente, muitas mulheres gostam de se enquadrar no estereótipo que a Hope criou… Ou melhor, que reproduziu. De fato, boa parte delas sempre assimilou o papel de “gostosona burra”, de beldade mimada e cheia de vontades que não precisa agir com responsabilidade por ter os atributos físicos que se enquadram no padrão de beleza vigente. Isso não começou hoje.
A mensagem institucional que a Hope divulga em seu site, no entanto, é risível. Por achar que se dirige a um público que quer pensar pouco e se exibir muito, dedica a ele meia dúzia de linhas (em mau português) dizendo uma tremenda bobagem, transmitindo uma mensagem sem pé nem cabeça.
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“A HOPE nasceu de um sonho, da esperança de transformar a vida das mulheres através do conforto absoluto.
Parece ambicioso, não?
Assim como foi lançar uma das primeiras marcas de moda íntima do país, no ano de 1966, um território jamais explorado em terras tupiniquins.
Essa vontade, se tornou a alma da marca mais amada pelas brasileiras, e se traduz no desejo de antecipar as necessidades de suas fãs”
Faça parte dessa história!
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“Transformar a vida das mulheres através do conforto”. Essa é a “mensagem” da Hope às suas “fãs” e ao dinheiro delas – ou de seus maridos, como parece pensar a empresa. Como se alguém alguma vez já tivesse mudado alguma coisa, sobretudo a própria vida, “através do conforto”…
Claro que não se espera que uma campanha publicitária de lingerie estimule as mulheres a se engajarem politicamente e a não serem sensuais. Contudo, a campanha estimula a mulher a conseguir o que quer dos homens, sobretudo em termos financeiros, através da sensualidade, ou seja, do sexo. Estimula garotas a conseguirem para si o “coronel” que tantas buscam, hoje em dia. Algum coroa gordão e endinheirado, talvez…
Não criei minhas filhas para isso. Eu e a minha mulher as ensinamos a não dependerem de homem nenhum, a jamais se fiarem nos intensos poderes de sedução que as mulheres conservam só enquanto são jovens e possuem atributos físicos que se enquadram no padrão de beleza vigente. E a sempre levarem em conta que os padrões de beleza femininos mudaram muito através dos tempos.
Costumo brincar com as minhas filhas dizendo a elas que se vivessem na Idade Média, por exemplo, provavelmente morreriam solteiras, assim como Gisele, pois, naquele tempo, mulher magra era desprezada assim como são hoje as “cheinhas”.
Mas, enfim, a propaganda polêmica se dirige a um segmento da sociedade, a mulheres (muitas jovens e esguias como Gisele e outras, nem tanto) que almejam ser irresponsáveis, mimadas e que, sendo belas e jovens, divertem-se com o poder que exercem sobre os homens.
Há, porém, a nova mulher, aquela que pretendi que minhas filhas se tornassem, que não dispensa a sensualidade mas que está longe de usá-la para conseguir dinheiro, para poder ser irresponsável sem arcar com as conseqüências. A mulher que quer ser bela e desejada, mas que entende que esse alto poder de sedução das mulheres é fugaz e que, portanto, assim deve ser encarado.
A filha Gabriela, por exemplo, apesar de ser bela (de acordo com os padrões de beleza vigentes) e jovem, não tem homem nenhum que a banque, que lhe perdoe por gastar descontroladamente seu dinheiro ou por danificar sua propriedade e causar risco a terceiros. Trabalha muito para se sustentar do outro lado do mundo, na Austrália, pagando R$ 4 mil de faculdade todo mês e o próprio aluguel.
O namorado a convidou para morar consigo. Tem situação financeira confortável. Ela não teria mais que limpar a casa de ninguém ou que cuidar dos filhos dos outros. Mas não aceitou. Eu e minha mulher ensinamos às meninas que não devem depender de ninguém mais, só delas mesmas. E que devem buscar carreira e realização intelectual. Enfim, a independência.
Não quero que as minhas meninas passem o fim dos seus dias amarguradas enquanto vêem a própria beleza e o viço da juventude esmaecerem. Não quero que passem a vida tentando se agarrar desesperadamente a um dom da natureza que o tempo macula e extirpa de todas as mulheres, deixando a elas só o patrimônio moral e intelectual que amealharam. Aliás, como é com os homens, como é com qualquer um.
Sob esse prisma, a propaganda da Hope é um lixo. Um lixo cultural, um lixo ideológico e um lixo de criatividade. De bom mesmo, essa propaganda só tem a bela Gisele.

Quem são os caloteiros no Brasil?

Blog do Miro


Por Paulo Daniel, na CartaCapital:

Nos últimos oito anos, o montante de crédito concedido às pessoas físicas, com recursos livres, cresceu de forma expressiva, passando do equivalente a 5% do Produto Interno Bruto (PIB) em janeiro de 2003 para 15,5% do PIB em julho de 2011.

Neste sentido, o Banco Central do Brasil (BC) realizou uma análise das características dos tomadores de empréstimos de quatro grandes bancos que, juntos, detinham 74% do mercado em julho de 2011. Entre as informações analisadas nos dados cadastrais, estão gênero, idade, estado de residência, tipo de ocupação e inadimplência.

Segundo o levantamento, em todas as regiões do Brasil clientes com a ocupação “profissional liberal” ocupam o desconfortável primeiro lugar na lista de inadimplentes. Na região Centro-Oeste, é onde há o pior indicador: 5,2% dos profissionais liberais estão com pagamentos de dívidas com atraso superior a 90 dias. Em seguida, estão as regiões Sudeste (5,1%), Sul (4,6%), Nordeste (4,5%) e, por último, os Estados do Norte (4,4%).

A segunda categoria com mais calotes é a dos empresários, cujas taxas de inadimplência oscilam entre a máxima de 4,3% no Centro-Oeste e a mínima de 3,7% no Sudeste. No restante do Brasil, a taxa de atrasos entre os empresários é de 4% no Nordeste e Norte e de 3,8% no Sul do Brasil.

Conforme a análise do BC, os empregados do setor privado são, proporcionalmente, mais caloteiros do que funcionários públicos. Em quatro das cinco regiões brasileiras, clientes que trabalham na iniciativa privada têm taxas de inadimplência maiores que os que estão no setor público. A única exceção é o Sul do Brasil, onde o quadro se inverte.

Na região Sudeste, enquanto a taxa de calote entre os devedores que trabalham no setor privado é de 3,3%, o porcentual entre os trabalhadores do serviço público é de 2,1%. No Nordeste, estão os servidores públicos que melhor pagam as dívidas no Brasil, com inadimplência de apenas 0,6%. Nessa mesma região, o indicador dos empregados privados está em 2,1%.

Entre os brasileiros que deixaram de trabalhar, os nordestinos são os melhores pagadores, com taxa de inadimplência de 0,8%. Os aposentados que estão no Centro-Oeste brasileiro, possuem uma taxa de 1,9% de inadimplência, e do Sudeste e Sul, ambos com índice de inadimplência de 2,3%.

Portanto, o BC desmistificou que pobre, aposentado, trabalhadores do serviço público e até mesmo sem emprego não pagam suas dívidas – e deu mais um argumento de que não vivemos uma bolha de crédito com riscos de inadimplência.

"um momento dramático para a imprensa mundial"

A morbidez terrível da mídia

Fernando Brito no Tijolaço



Reproduzo o video da entrevista do presidente venezuelano Hugo Chávez. Lamento ter de transmiti-lo, porque é mórbido que um homem tenha de vir desmentir em público que esteja agonizando. Na virada desta madrugada li essa matéria sobre a internação em “emergência” de Chávez. Pesquisei e encontrei reproduzida em centenas de jornais do  mundo.

Não comentei nem publiquei, porque depois de 34 anos de convívio com a imprensa – o que não é o mesmo que o jornalismo – já aprendi um pouco sobre do que ela é capaz.

A fala de Chávez, muito mais que engraçada, é um momento dramático para a imprensa mundial, que reproduz uma informação anônimoa, de um jornal de ultra-direita – “El Nuevo Herald” , de Miami – sem nenhum tipo de confirmação.

Coisa que nem um blog como este, com a informalidade que a falta de meios lhe obriga,  faz.
Como profissional de imprensa, cada frase, mesmo dita em tom bem humoradopelo presidente Chávez, soa como uma bofetada em minha profissão.

onde tem fumaça...

CNJ repudia Peluso e Mello.
E investiga 32 desembargadores



NAVALHA



Membros do CNJ emitiram uma nota para condenar a linguagem da Ministra Corregedora, Eliana Calmon, que denunciou haver bandidos debaixo de togas.

A nota pareceu um apoio ao desmanche do CNJ, pretendido pela Associação dos Magistrados, com o aparente apoio dos Ministros Peluso e Marco Aurelio de Mello, do Supremo.

O Supremo está para votar uma ação da Associação dos Magistrados que pretende, na prática, instituir a impunidade dos juízes.

Agora, pelo menos seis membros do CNJ redigem uma outra nota para dizer que não concordam com Calmon, mas também não querem fechar o CNJ e, com isso, assegurar a impunidade dos juízes.

Como se sabe, a Constituição , em seu artigo 103B, parágrafo 4o. e incisos assegura o papel punitivo do CNJ.

Mas, como se se sabe, de tempos a esta parte, o Supremo deixou de ser o guardião da Constituição.

Ele se tornou o Poder Constituinte Permanente.

O Supremo, sobretudo na desastrada gestão do ex-Supremo Presidente Supremo Gilmar Dantas (*), se outorgou um AI-5 inapelável.

À revelia do Congresso – e do povo.

Quem vigia o Supremo ?

Viva o Brasil !



Paulo Henrique Amorim

(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.