segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

proprietários rurais e grileiros é a mesma coisa no Pará

Famílias são despejadas ilegalmente na noite de Natal

Sakamoto
Abaixo, denúncia encaminhada na virada do ano pelo frei Henri des Roziers, da Comissão Pastoral da Terra em Xinguara, no Sudeste do Pará. A CPT afirma que irá acionar a Ouvidoria Agrária Nacional, a presidência do Tribunal de Justiça e o Ministério Público para que o caso seja apurado:

“No dia 25 de dezembro, por volta do meio-dia, sete homens encapuzados e fortemente armados despejaram 45 famílias do Acampamento São José, localizado na fazenda Cruzeiro Novo, distante 20 quilômetros da Vila Alacilândia, no município de Conceição do Araguaia (PA). A fazenda tem como suposto proprietário Milton Gomes de Oliveira, deputado estadual do Estado da Bahia.

De acordo com informações dos acampados, quem comandava ação ilegal eram: um capitão da Polícia Militar de nome “Seade” e um policial civil de nome “César”, ambos lotados em Conceição do Araguaia. As famílias foram expulsas para fora da fazenda e homens armados passaram a fazer vigilância na propriedade para impedir a volta dos trabalhadores.

Embora o juiz da Vara Agrária de Redenção, tenha concedido uma liminar, em 25 de novembro, em favor do fazendeiro, o grupo armado sequer esperou que o juiz determinasse a ida de um oficial de justiça ao acampamento, acompanhado de policiais militares para o devido cumprimento da ordem judicial, conforme determina a lei.

A liminar deferida pelo juiz em favor do fazendeiro, contraria uma recomendação do Tribunal de Justiça do Pará que orienta todos os juízes das Varas Agrárias a realizarem audiências de justificação prévia, com a presença do Incra, antes de analisar o pedido de liminar. O juiz não observou a recomendação do Tribunal ao qual é subordinado.

Informado do interesse do Incra em desapropriar o imóvel, no dia 16 de dezembro passado, em uma reunião em Redenção, o Ouvidor Agrário Nacional, Gercino Silva, determinou que a Ouvidoria oficiaria ao magistrado da Vara Agrária de Redenção, solicitando a designação de uma audiência de conciliação no bojo da ação de reintegração de posse da fazenda Cruzeiro Novo, dessa vez com a presença do Incra, e que, solicitaria ainda, a suspensão do cumprimento da liminar até a realização da referida audiência.

Há nove meses, que as famílias encontravam-se acampadas nas proximidades do limite da propriedade aguardando que o Incra avaliasse as condições do imóvel e se seria viável para a reforma agrária. O fato de o despejo ter sido realizado em dia de feriado de Natal e sem a presença de um oficial de justiça com o devido mandado do juiz, são indícios de que policiais civis e militares de Conceição do Araguaia poderão ter agido fora da lei para favorecer o fazendeiro e deputado no Estado da Bahia.”

Proprietários rurais ou grileiros que acreditam deterem o monopólio de violência em regiões em que o poder público é cooptado, subjulgado ou parceiro do poder econômico, têm licença para fazer o que querem no Pará. Pois possuem a certeza de que, na esmagadora maioria das vezes, só peixe pequeno é pego. O que, convenhamos, não é exclusividade de crimes agrários no Brasil. A condenação dos pecuaristas Bida e Taradão, mandantes da execução da irmã Dorothy Stang, levou a uma mudança de paradigma? Nem de perto. Está distante o dia em que o Estado fará com que essas pessoas saibam que também estão sujeitas aos rigores da lei. Por enquanto, ele está mais preocupado em garantir o direito da produção se expandir a qualquer custo, passando por cima de qualquer um. O Brasil será o celeiro do mundo e a Amazônia seu pasto. Quem for pedra no meio do caminho do crescimento rápido, vai ser retirado de lá com a anuência pública – oficial ou extra-oficial.

Não gosto da justificativa de um “Estado ausente”, que causaria toda essa violência. O Estado está muito bem presente na região – basta olhar as placas de financiamento público que enfeitam a paisagem das mesmas fazendas acusadas de crimes contra a dignidade humana. Mas é atua como um restaurante “self-service”, em que os mais poderosos escolhem o que lhes agrada – dinheiro, por exemplo. A parte de respeito aos direitos? Ah, vá! Esquece…

a decadência da banca

Três capas de três velhos jornais: decadência sem nenhuma elegância


por Rodrigo Vianna, no Escrevinhador

Por dever de ofício cheguei cedo à redação da TV, em Brasília, nesse primeiro de janeiro.

Com o pensamento ainda enevoado pela noite mal-dormida, vi sobre a mesa do chefe de reportagem os três principais (?) jornais do país.

Demorei pra entender que aquela capa de “O Globo” era mesmo a capa do dia em que Lula passaria a faixa para Dilma: acima da dobra, nenhuma referência à posse. Apenas fotos da queim,a de fogos no Rio. Como se nada estivesse acontecendo no Brasil. A manchete de “O Globo” era para a “retomada” do orgulho carioca – com olimpíada, Copa e combate ao tráfico. Uma capa provinciana de um jornal provinciano. Sobre Dilma , o destaque (quase no pé da primeira página) de “O Globo” era: “No adeus, Lula deixa para Dilma crise diplomática com a Itália”. Ah, então tá bom. Lula deixa só isso? O presidente mais popular desde Vargas merece isso apenas no dia em que vai embora? “O Globo” fazia oposição a Vargas, como fez – de forma cerrada – a Lula. Mas no passado era menos chinfrim. Pra que Casseta e Planeta se existe a primeira página de “O Globo”?

A “Folha” também é a “Folha” de sempre. Mais importante que Dilma ou Lula é a opinião da “Folha” sobre Dilma e Lula! O editorial em primeira página é cheio de termos que lembram o “Estadão” de outros tempos: “o grande repto que se apresenta à nova mandatária”… Repto? E a “Folha” – no editorial que ocupa um terço da primeira página – segue a ensinar Dilma: saiba como governar, aprenda com a gente aqu na Barão de Limeira! Dilma deve es estar muuito agradecida pela lição em primeira página.

O “Estadão”, como sempre, é o mais correto. Vai no factual. Manchete principal: “Começa o governo Dilma”. Sem arroubos, sem invencionice, sem provincianismo, sem “lição de governo” em primeira página . A história de Battisti está na capa, mas de maneira sóbria. O “Estadão”, todo mundo sabe, faz oposição ao lulismo. É um jornal conservador. Mas ainda tenta ser um jornal.

As capas indicam o que se pode esperar do velho jornalismo no governo Dilma. Decadência, sem nenhuma elegância.

Mas não posso escrever mais: preciso correr pra praça dos Três Poderes, de onde vou acompanhar a posse – participando da transmissão na Record.

Bom 2011 a todos!

trabalho escravo no brasil

Governo inclui 88 nomes na “lista suja” do trabalho escravo

Sakamoto
 
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta sexta-feira (31) a atualização semestral do cadastro de empregadores flagrados com mão-de-obra escrava. Ao todo, 88 novos nomes foram inseridos e 14 retirados em definitivo após quitarem suas pendências com o poder público. A lista passa a contar com 220 empregadores. Entre os listados, há empresas do setor sucroalcooleiro e siderúrgico e uma libertação ocorrida em uma obra que estava relacionada no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Essa é a última atualização realizada no governo Lula e a maior em número de entradas. Isso decorre do grande número de estabelecimentos inspecionados nos últimos três anos (350 em 2009; 301 em 2008; e 206 em 2007). Esse período entre a libertação e a entrada do empregador na “lista suja” ocorre devido ao processo administrativo dentro do MTE, que inclui o direito de defesa por parte do fiscalizado. Nesse intervalo de tempo, o número de pessoas libertadas, de acordo com o ministério, foi de 3.769 em 2009; 5.016 em 2008; e 5.999 em 2007.

A “lista suja” tem sido um dos principais instrumentos no combate a esse crime, através da pressão da opinião pública e da repressão econômica. Após a inclusão do nome do infrator, instituições federais, como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste e o BNDES suspendem a contratação de financiamentos e o acesso ao crédito. Bancos privados também estão proibidos de conceder crédito rural aos relacionados na lista. Quem é nela inserido também é submetido a restrições comerciais e outros tipo de bloqueio de negócios por parte das empresas signatárias do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo.

O nome de uma pessoa física ou jurídica é incluído na relação depois de concluído o processo administrativo referente à fiscalização dos auditores do governo federal e lá permanece por, pelo menos, dois anos. Durante esse período, o empregador deve garantir que regularizou os problemas e quitou suas pendências com o governo e os trabalhadores. Caso contrário, permanece na lista.

Atividades econômicas presentes da “lista suja” vão desde a criação de gado bovino, passando pela produção de carvão vegetal para a siderurgia, de cana-de-açúcar, produção de soja, milho, cebola, frutas, erva-mate e pinhão-manso (usado no Brasil como matéria-prima para biodiesel). Café, algodão até extrativismo vegetal (eucalipto, pinus e látex) e mineral. Também estão presentes empreendimentos da área da construção civil e da siderurgia.

Empresas do setor sucroalcooleiro como a Elcana Goiás Usina de Álcool e a Usina Fortaleza de Açúcar entraram na lista pela primeira vez. A Energética do Cerrado Açúcar e Álcool retorna após a queda de uma liminar judicial que a mantinha fora da lista. As três são de Goiás, pólo de expansão da cana no país.
Destaque também para a inserção de construtoras – cada vez mais trabalhadores têm sido libertados na construção civil no país. Um exemplo é a Construtora Lima e Cerávolo, incluída por conta da libertação de 95 pessoas.

Fiscais do grupo móvel do governo federal encontraram, no final de agosto de 2009, os trabalhadores em condições análogas à de escravidão no desmate de áreas para a construção da Usina Hidrelétrica Salto do Rio Verdinho. A Lima & Cerávolo era prestadora de serviço terceirizado de “supressão vegetal” à Rio Verdinho Energia S/A (administrada pela Votorantim Energia). A obra no Sul de Goiás, entre os municípios de Caçu e Itarumã, faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

De acordo com a fiscalização, as vítimas foram aliciadas criminosamente por “gatos” (intermediários de mão-de-obra) no Norte do Mato Grosso e no Oeste de Minas Gerais, não recebiam salários regulares, eram submetidos a um sistema ilegal de endividamento, viviam em alojamentos impróprios e não tinham alimentação adequada. Dentro de uma única casa de fazenda desapropriada que submergirá com a barragem, 52 pessoas se apertavam. “Dormiam umas em cima das outras, em redes e beliches”, descreveu na época a auditora fiscal do trabalho Virna Damasceno, que coordenou a operação. Segundo os fiscais, o pagamento dos trabalhadores não passava de ficção: houve concessão de “adiantamentos” pontuais para compra de alimentos que foram contabilizados como dívidas que seriam descontadas no final da empreitada. Os “gatos” anunciavam que, ao término do serviço todos receberiam as quantias totais pendentes. Aqueles que decidissem ir embora antes da conclusão do trabalho, não ganhariam nada. Os dados das fiscalizações foram reunidos pela Repórter Brasil.

Por fim, um exemplo na área e produção e carvão é a inclusão da Rotavi Industrial, após a libertação e 174 pessoas de uma carvoaria em Jaborandi, na Bahia. Segundo informações do grupo móvel de fiscalização do governo federal, o carvão vegetal era utilizado na fabricação de liga-leve, produto usado na cadeia produtiva da indústria automobilística, e a Rotavi era a dona da propriedade, montou a estrutura das carvoarias e aproveitava integralmente a produção. Na época, a empresa informou que os trabalhadores da carvoaria não eram seus, mas de empresas terceirizadas que lhes prestavam serviço. De acordo com juízes do trabalho que atuam nessa área, de acordo com a lei, a empresa responde pelas condições trabalhistas encontradas. O Grupo Rotavi atua ainda nas áreas de transporte e mineração.

Os trabalhadores não tinham carteira assinada e não recebiam regularmente. Parte da alimentação era oferecida pelos empregadores, mas itens complementares eram vendidos – e depois descontados do “virtual pagamento” – a preços abusivos aos empregados. Dois “gatos” (aliciadores de mão-de-obra e intermediários da empreitada) atuavam na fazenda. Parte dos trabalhadores relatou que estava há três meses no local sem receber absolutamente nada.

os números do Somos Andando em 2010

Os números de 2010


Como o WordPress foi bonzinho e decidiu me repassar um resumo das estatísticas do Somos Andando em 2010, acho justo que os leitores também conheçam o que se passa por aqui. Até para que eu possa dizer com propriedade um muito obrigado a todos vocês que fizeram de 2010 um ano de muito diálogo e contribuiram para que a blogosfera fosse um espaço de partilhar informação e conhecimento com liberdade, democraticamente. Que 2011 siga pelos mesmos trilhos.

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Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:
Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Uau.
Achamos que foi fantástico!

Números apetitosos

Imagem de destaque
O Museu do Louvre é visitado por 8,5 milhões de pessoas todos os anos. Este blog foi visitado cerca de 140,000 vezes em 2010, o que quer dizer que se fosse uma exposição no Louvre, eram precisos 6 dias para que as mesmas pessoas a vissem.

Em 2010, escreveu 709 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 1016 artigos. Fez upload de 1093 imagens, ocupando um total de 180mb. Isso equivale a cerca de 3 imagens por dia.

The busiest day of the year was 3 de Julho with 13,829 views. The most popular post that day was Mau jornalismo da Globo já é destaque internacional.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram twitter.com, orkut.com.br, sul21.com.br, advivo.com.br e google.com.br
Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por são paulo, cidade, sao paulo, vale e somos andando

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.
1
Mau jornalismo da Globo já é destaque internacional Julho, 2010
236 comentários e 6 “Likes” no WordPress.com,
2
Terreno da Fase é patrimônio ambiental e deve ser preservado Março, 2010
29 comentários
3
Jovens e conservadores: alguma coisa está fora do lugar Novembro, 2010
41 comentários e 4 “Likes” no WordPress.com,
4
Aborto de Monica Serra escancara hipocrisia tucana Outubro, 2010
24 comentários
5
Ateus são odiados pelos brasileiros Novembro, 2010
18 comentários

maquiavel, bento e a princesa, tudo dentro de uma realidade virtual, sem virtudes

Yeda, uma pobre de espírito

Diário Gauche




A governadora Yeda se despediu das suas funções públicas com a marca de suas irrealizações: falou pouco e disse quase nada, a não ser as doideiras e as imprecisões de sempre. Quis citar Maquiavel (duvido que ela saiba quem seja o cara) mas lhe saiu uma frase que lembra vagamente o primeiro cientista político, e que se refere ao preço que o príncipe paga por introduzir modificações no seu modo de dominação. Assim, Yeda, depois de inspirar-se no seu almanaque Capivarol, sugere que tenha sido um príncipe, ela própria, e que colheu adversidades ao longo do seu quadriênio pelo fato de ter introduzido um novo jeito de enganar. Pobre Yeda! Sua curta acuidade política não lhe permite enxergar o quanto foi rejeitada. Mencionou a iraniana Sakineh, prisioneira por crimes comuns, querendo levantar bandeiras com as quais não tem a menor intimidade como a dos direitos humanos, ela, governadora e comandante de uma polícia militar que assassinou pelas costas um agricultor pobre e sem terra, num caso encoberto por chicanas e manobras burocrático-militares para esconder o verdadeiro assassino.

O ponto alto do seu discurso de despedida do Piratini, entretanto, foi a afirmação segundo a qual o general Bento Gonçalves da Silva teria sido o primeiro governante guasca a ser inquilino do Palácio Piratini, tendo o cuidado até de precisar a data. Para a governadora tucana o fictício acontecimento ocorreu no ano de 1921, quando todos sabem que o dirigente farrapo morreu em julho de 1847. Não é de estranhar mesmo esses exercícios súbitos de ficção em Yeda, mas sim, do silêncio solidário da mídia amiga do Rio Grande.

Sempre com seus enigmas, Yeda proferiu duas vezes uma sentença em tom epigramático: "A realidade é uma virtude". "A realidade é uma virtude". Confesso que não estou preparado para entender o significato de tão virtuosa e inteligente oração. Pressinto as suas qualidades, mas desconheço seu alcance filosofal. Contudo, enquanto não a entendê-la por inteiro, prefiro classificá-la junto àquelas frases que se lê em carros pelas nossas ruas, como "A inveja é uma merda" e "Deus é fiel".

Mesmo depois de ser atingido por essas setas de nonsense, garanto que fiquei feliz, afinal, dona Yeda estava de partida. Ela desceu as escadarias do Palácio Piratini e - por prudência, ainda que no último minuto - preferiu sair pela porta lateral, onde se introduziu em um veículo de vidros tão escuros quanto o anonimato que a aguarda. Yeda não quis evitar as vaias candentes, mas sim a mais absoluta indiferença e frieza dos poucos que teimavam em permanecer defronte à sede do governo estadual àquela hora matinal do primeiro de janeiro de 2011.

leitura recomendada aqui no rs aos que não saem da banca

Leitura para colonizados:
Kennedy e a decadência americana


Kennedy é leitura recomendável aos que tiram o sapato

Saiu no Estadão, pág. A14, de ontem:

“Os EUA só estão no rumo da normalidade.”

“ Perda de influência dos americanos no cenário internacional pode ser entendida como um processo natural pelo qual passaram grandes potências nos últimos séculos.”

Trata-se de artigo do historiador Paul Kennedy, professor de História e diretor de Estudos de Segurança Internacional na Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

É autor de um clássico, “Ascensão e queda das grandes potências”,

“ (o fim da hegemonia americana) é preocupante … até mesmo para Estados como a Índia e o Brasil, que nos próximos anos desempenharão papéis mais importantes nas questões  mundiais.”

“Todos nós devemos ter cuidado ao desejar o fim da relativamente benigna hegemonia americana; podemos nos arrepender depois que ela acabar.”

“(mas) o poderio militar americano não pode se apoiar sobre pilares de areia; ele não pode depender, indefinidamente, de líderes estrangeiros ( financiarem seu déficit).”

“Os EUA deixarão de ser uma potência mundial desproporcional e tornarão um grande país, que terá de ser ouvido.”

“ (mas) terá de descer alguns degraus.”

“ Os EUA serão importantíssimos, apenas menos do que antes. Isso não é mau. Teremos uma situação mais normal.”


NAVALHA

Recomenda-se a leitura a colonistas (*) de vários matizes.

De muitos ou poucos chapéus.

Recomenda-se aos críticos da política externa do presidente Lula, os  que preferiam a “diplomacia da dependência” do FHC, a que tirava o sapato.

Recomenda-se ao Padim Pade Cerra  que, na campanha, só defendeu posições americanas: o apoio à Chevron, a critica ao Mercosul e ao Irã, o ataque para-militar à Bolívia.

Recomenda-se aos editorialistas do Estadão, que ainda não voltaram da Conferência de San Francisco que fundou a ONU, em 1945.

Paulo Henrique Amorim

(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

direitos humanos e a ditadura militar

Maria do Rosário chama Johnbim às falas


Johnbim e Pertence (sempre à esquerda), os heróis da derrota na OEA

Saiu no G1:

Nova ministra pede Comissão da Verdade sobre ditadura



Ministra de Direitos Humanos pediu que Congresso implemente comissão. Maria do Rosário disse que cumprirá Plano Nacional de Direitos Humanos.

Do G1, em Brasília

Maria do Rosário tomou posse nesta segunda-feira (3) como ministra da Secretaria de Direitos Humanos prometendo avançar no processo de reconhecimento das violações contra os direitos humanos no período do regime militar.

Durante discurso na cerimônia de posse, ela pediu que o Congresso aprove a criação da comissão da verdade sobre os mortos e desaparecidos durante a ditadura.

O projeto de lei que cria a comissão foi enviado ao Congresso em maio de 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva  e aguarda aprovação. De acordo com o projeto de lei, a comissão, que tem por objetivo “promover a reconciliação nacional”, terá a função de “promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior”.


NAVALHA

O Conversa Afiada, modestamente, já tinha previsto que “com a Maria do Rosário o Johnbim não ia c… e andar”.

Quando se aproximar do Ministro Johnbim – o amigo navegante logo perceberá, porque ele é alto – o amigo navegante deve evitar falar em “Carlinhos Rodemburgo”, “Embaixador Sobel” e “direitos humanos”.

É uma questão de gentileza.

Depois que a Lei da Anistia do Brasil foi fragorosamente derrotada na Corte de Justiça da OEA – apesar de brilhante defesa do Ministro Sepúlveda Pertence -, a posição do Brasil na questão dos Direitos Humanos é tão confortável quanto a do Aécio no PSDB.

Mais cedo ou mais tarde, o Brasil vai ter que cumprir a determinação da OEA – a menos que o Ministro Patriota não queira sentar-se à mesa de fóruns internacionais.

Prefira esconder-se.

Logo, a posição de Johnbim, como o guardião-mór da Lei da Anistia,  também sucumbirá.

E, pelo jeito, quem vai promover esse re-encontro com a  Comissão da Verdade será essa jovem gaúcha.

O mundo gira e a Lusitana roda (pelo Rio Grande do Sul).

Paulo Henrique Amorim

domingo, 2 de janeiro de 2011

a posse da Presidenta Dilma

A POSSE DE DILMA :
Lula passa faixa presidencial para Dilma Rousseff

com atraso, mas lá vai

Trilha sonora para a posse de Dilma

com atraso, mas lá vai

Articulistas de ZH não aceitam que eleição acabou



Tive um impacto ao ler logo após a morte do ditador Pinochet um artigo escrito pelo renomado cirurgião José Camargo tecendo duras críticas à parte da população chilena por ter ido às ruas comemorar a morte do ditador. Naquela ocasião, visivelmente irritado passou um “pito” nos chilenos que “não entenderam a importância de Pinochet em ter livrado o Chile de seu uma nova Cuba”. De quebra ainda lançou farpas contra os admiradores de Fidel Castro. O que me deixou estupefato foi que naquele artigo a questão das torturas e violações dos direitos humanos não foi contemplada pelo articulista. Um médico competentíssimo em transplante de pulmões teceu inúmeras considerações sobre o suposto desenvolvimento econômico na era Pinochet. Talvez, por excesso de trabalho, ou por falta de tempo para revisar seu artigo, os milhares de leitores de Zero Hora não conseguiram saber a opinião de José Camargo sobre as bárbaries praticadas no regime ditadorial chileno.

Em 31 de dezembro de 2010, o renomado cirurgião volta à cena. Ao abordar o tema importantíssimo da educação em seu artigo de ZH demonstra visivel irritação com a popularidade de Lula. “Os políticos que, mandato após mandato, ignoram esta deprimente realidade, porque muitos deles precisam dessa legião de descerebrados como massa de manobra para serem reeleitos, serão implacavelmente julgados pela História. Nenhum país fez, ou fará, a escalada rumo ao desenvolvimento verdadeiro, sem educação! E nenhum governante pode se orgulhar indefinidamente de sua popularidade se a galeria dos aplausos estava ocupada, em sua maioria, pelas vítimas desse descaso constrangedor”
Ao discorrer sobre as agruras da escola pública, comete o pecado da generalização. “A escola pública decadente, com professores desvalorizados, recebe para educar os filhos indesejados de casais pobres, que trazem para este arremedo de ensino cérebros subdesenvolvidos pela fome da infância e cuja incapacidade primária se revela na observação dramática de que mais da metade deles chega à quarta série sem saber ler nem escrever.”

Parece que “filhos indesejados” só acontecem em familias pobres. Talvez o ilustre cirurgião desconheça a relidade que acontece em muitas escolas privadas de Porto Alegre, onde os professores são ofendidos e humilhados por filhos oriundos da classe média e alta. São fatos descritos em noticias de jornal.Seriam “filhos indesejados”?

A aprovação de mais 80% da população em relação ao presidente Lula causa um desconforto em determinados articulistas e colaboradores de ZH. Paulo Brossard, Flavio Tavares, Sergio da Costa Franco, Percival Pugina… A este grupo agora junta-se o cirurgião Camargo. Não se convenceram ainda que a eleição terminou. O terceiro turno só acontecerá em 2014.
Venezuela - Presidente Hugo Chávez Reconocimiento al ministro Juan Carlos Loyo FANB Campesinos

futilidades em rede nacional na globobo(!) e o Zé Alencar dando entrevista do hospital na Record

O dia em que a Record deu um banho na Globo


Meio da tarde de sábado, 1º de janeiro de 2011. Dilma Rousseff havia sido empossada a primeira presidenta do Brasil há alguns minutos, Lula ainda não deixara o Planalto. Como se tudo já tivesse acabado, ou se se tratasse de momento de pouca importância, a Globo encerra a transmissão e passa a bola para o direitista Luciano Huck tocar seu programa de futilidades em rede nacional.

Praticamente ao mesmo tempo, o SBT interrompe a posse para passar um filme.

Quando Lula se despede do seu povo, quando representantes de outros países cumprimentam Dilma, quando o carro do ex-presidente discretamente deixa o Palácio, quem mostra em rede aberta de TV é a Record, que escalou um time de jornalistas mulheres para comentar a cerimônia. Salvo algumas poucas exceções, estavam muito bem informadas, capazes de repassar as informações aos espectadores de forma competente e sem o preconceito – de classe, de gênero, político – presente nos comentários da GloboNews, por exemplo.

Para coroar a diferença entre as emissoras, depois que Globo e SBT já haviam esquecido do momento que o Brasil vivia, a Record dá um banho de jornalismo. Dá aos cidadãos brasileiros a oportunidade de conhecer a opinião do vice de Lula, José Alencar, sobre a cerimônia. Do hospital, Alencar conversou ao vivo por telefone com a equipe da Record. Muito lúcido, contribuiu para uma rica cobertura.

Globo mostra que vem perdendo espaço no cenário da televisão brasileira. E isso acontece porque desrespeita o cidadão brasileiro ao vetar-lhe informações importantes e tentar influenciar na formação de sua opinião, sem contraponto.

Que o momento propicie o surgimento de novos meios e incentive uma discussão pública sobre a comunicação.

nem eu me arrependo de votar em Lula e agora na Dilma!

Dilma não se arrepende de ter sido guerrilheira


Dilma não fugiu para o Chile

Um dos pontos mais dramáticos do discurso de posse foi perto do final.

Dilma disse que não tem qualquer arrependimento da opção política que fez na juventude: entrar para a guerrilha e combater o regime militar.

Também disse não ter rancor.

E queria dividir essa conquista – a Presidência – com os companheiros de luta que tombaram na luta política contra o regime militar.

Sem meias palavras.

Paulo Henrique Amorim

estamos de volta

PT volta ao governo do RS


Na terceira vez que vi Lula se candidatar à Presidência, em 1998, ele não se elegeu de novo, mas comemoraramos a vitória do PT no Rio Grande do Sul.

Em Porto Alegre, a Frente Popular já era quase um consenso nesta época. Em 98 já eram dez anos de Prefeitura. Quatro eleições seguidas alçaram o PT ao Paço Municipal, e o sucesso do Orçamento Participativo era quase imbatível.

Mas nem tudo eram flores e, com 16 anos de governo municipal, a mídia já tinha feito seu trabalho. Não deixou de bater nos governos de esquerda um dia sequer.

Quando Olívio se tornou governador, naquela vitória de 1998, o cerco foi implacável. A disputa no reino simbólico foi duríssima. Quatro anos depois, perdemos.
Em 2003, o PMDB voltou ao Piratini. Quatro anos depois, o fraco PSD
B do RS correu por fora e levou ao governo do estado uma dos piores representantes que já tivemos em nossa história gaúcha de democracia.
Na Prefeitura, a Frente Popular, praticamente isolada, não conseguiu se eleger para o quinto mandato. O antipetismo crescera como capim, gestado pela nossa imprensa monopolista e neoliberal.

Lembro claramente de ficar indignada, em algum momento daqueles anos de governo Olívio no RS, entre meus 12 e meus 16 anos, ao ver a criminalização dos índios, dos trabalhadores sem-terra, dos profissionais sindicalizados. Cada manifestação era reprimida nos programas de TV, execrada nas páginas de jornal. Junto com ela, era criticada a “cumplicidade” do governo do estado. Olívio era criticado por não usar a força, por conivência, ou seja, por respeitar as manifestações de quem tem como único recurso a liberdade de se manifestar. Seu secretário de Segurança Pública, José Paulo Bisol, foi um dos mais atacados no período. Ainda hoje, oito anos depois do fim do governo, quando algo dá errado já vem logo a piada de que é “culpa do Bisol”, em alusão à perseguição sofrida por ele.

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Hoje o cenário é outro. No RS, pela primeira vez um governador é eleito no primeiro turno. Nunca antes na história desse estado…

Tarso Genro é petista e prova que a mídia não manipula para sempre, mostra que as pessoas pensam por si. Que a campanha implacável de décadas fracassou.

Tarso tomou posse hoje pela manhã. À tarde, assistiu a cerimônia que fez de Dilma Rousseff a primeira presidenta da nossa história. O compromisso com a mudança, com a inclusão social, com a redução das desigualdades e com a democracia plena – aquela que inclui o povo em todas as esferas de decisão e participação – chega ao governo do meu estado e do meu país ai mesmo tempo.

Assisti a posse de Tarso pessoalmente. Sei que a expectativa sobre seu governo está enorme, o que aumenta a responsabilidade. Não vai ser nada fácil, mas as condições são melhores que aquelas enfrentadas por Olívio.

As propostas apresentadas por Tarso foram construidas a partir de uma ampla discussão com a sociedade, têm um forte respaldo popular. Delas, as que mais chamam a atenção de uma jornalista como eu são as relativas à comunicação e sua democratização, com o aproveitamento das novas tecnologias, das redes sociais na internet, para favorecer a participação e aumentar a democracia.

Aqui e lá, as promessas são boas. Lula garantiu aquilo de que Dilma não falou muito: disse que a prioridade do Ministério das Comunicações será estabelecer um marco regulatório, coisa que não fez nos oito anos de seu governo.

Se tudo se encaminhar como parece que vai, 2011 há de ser um baita ano. Um ano de começo de mudanças no setor. De continuação da transformação social no Brasil, de retomada do desenvolvimento com distribuição de renda no RS.
Que venha.

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Foto: Genaro Joner/Zero Hora

não conhece nem ouviu ler(?) vai atrás que não te arrependes

A melhor escolha de Dilma: Dickinson

 

A guerrilheira lê Dickinson. Sem perder a ternura

Este ordinário blogueiro soube pelo blog do notável Moacir Scliar que a presidente Dilma lê Emily Dickinson com devoção.

http://www.citador.pt/poemas.php?poemas=Emily_Dickinson&op=7&author=202

Entre Proust e João Cabral, Dilma não perde Dickinson.

Este ordinário blogueiro considera que esta é a melhor escolha que a presidente fez.

Dickinson, misteriosa, suave, concisa, romântica mostra que é muito perigoso abrir a biblioteca a um desconhecido.

Descobre-se que a perigosa guerrilheira, aquele monstro sanguinolento que o Cerra descreveu, a portas fechadas, no Clube da Aeronáutica, no Rio, lê Dickinson.

É uma boa notícia !

Como é mesmo que se diz ? Sem perder a ternura, jamais !


Paulo Henrique Amorim

to com a sensação que ninguém é melhor do que ninguém

Cidadania, o legado de Lula



Aos três anos, fui ao comício da primeira tentativa de eleição de Lula a presidente da República.
Voltei ao Largo da Epatur, hoje Zumbi dos Palmares, no Centro de Porto Alegre, com oito anos, para o comício da segunda tentativa.

Mais uma vez aos 12.

Mesmo sem entender exatamente o significado daquelas eleições, que foi sendo adquirido com o passar do tempo, eu via e sentia a esperança dos meus pais. Via também a desilusão a cada derrota, a frustração de quem veria mais quatro anos de Brasil andando pelos trilhos errados.

Depois daquelas três candidaturas de Lula, parecia impossível elegê-lo. Já se falava em desgaste irreversível, dizia-se que ele não se candidataria mais, que já tinha passado sua vez. Era um sonho impossível eleger Lula. Já quase não havia mais esperança.

Aí o PT descobriu que só elegeria um candidato, qualquer um que fosse, à Presidência da República, se se transformasse um tanto. Transformou-se. O PT perdeu a antiga radicalidade, colocou um terno e um perfume, fez a barba e abriu um sorriso. Cedeu em algumas das lutas antigas e importantes. Mas percebeu que só poderia fazer algumas muitas coisas se cedesse em outras. Achou que valia. Afinal, melhor mudar o que dá do que não mudar nada.

E em 2003 Lula entrou no Planalto pela porta da frente e, naquele gesto meio torto, meio atrapalhado, recebeu a faixa de presidente do adversário que o derrotara duas vezes nas urnas. Chorou tantas vezes, e fez chorar.

A elite, e a mídia representando-a, não podia admitir um operário na Presidência. Não podia admitir a possibilidade de divisão de poder, de perda de força, de rateio nos investimentos. De mudanças na ordem, de  alterações nas classes sociais.

Não houve trégua. Nota-se por este 2010 em que foi tentado de tudo para impedir Lula de fazer seu sucessor. A mídia sabia que essa era sua única oportunidade, o único jeito de derrotar o PT era não deixá-lo eleger representante quando não fosse Lula o candidato. Porque contra Lula já se sabia que nada adiantava.
Lula, agora, tantos anos depois daquele 1989, era imbatível. Seus 87% de aprovação pessoal provam que ele seria eleito com índices nunca antes vistos se tivesse tentado mudar a ordem das coisas e concorrido ao terceiro mandato. Mas acima de tudo Lula respeita a democracia e concedeu a Dilma a tarefa de seguir transformando vidas, realizando sonhos.

E agora o operário três vezes derrotado, vítima das manipulações e do conservadorismo, do medo do diferente, deixa o Palácio do Planalto com aprovação recorde. Nunca antes na história deste planeta… Nenhum outro representante no mundo atingiu tal marca.

Ironicamente, 13% – 13! – o desaprovam. Nesses 13, a mídia, os integrantes do PSDB e do DEM e uma classe média rancorosa, manipulável e manipulada, burra e egoísta, conservadora. Que rejeitam Lula justamente por não admitirem que pobres também são gente e que agora passaram a se sentir gente.
Cidadania. Foi isso o que Lula deu de mais importante aos brasileiros. A sensação de que ninguém é melhor do que ninguém, de que somos todos cidadãos. Não há nada mais cruel do que a sensação de haver pessoas de primeira classe e pessoas de classe inferior.

Lula mostrou ao povo que o povo pode. Que um migrante nordestino pode virar presidente. Mas, acima de tudo, que cada brasileiro e cada brasileira tem direito a comida na mesa, emprego decente, educação, casa. Que se o fulano do bairro rico de São Paulo pode ter carro, o beltrano do interior do Ceará também pode.
Lula deixa ainda muita transformação por fazer. Tantos erros cometidos pelo meio do caminho. Mas deixa o caminho trilhado. Deixa a certeza de que é possível fazer diferente, de que não precisamos e não devemos nos contentar com as desigualdades. Nem dentro das cidades nem entre regiões, tampouco entre países.
Lula provou a cada cidadão que sua origem não determina seu destino, porque todos somos iguais e temos os mesmos direitos. E, sabendo que é preciso oferecer à população esses direitos iguais, Lula ofereceu oportunidades.

Parece roteiro de cinema. O homem que veio num pau-de-arara do interior do interior do Nordeste, que passou fome, que virou operário, o torneiro mecânico que perdeu um dedo no trabalho, que se tornou sindicalista, brigou, esbravejou, tinha uma cara carrancuda, um olhar duro, um bigode grande e amedrontador, que perdeu três eleições, que parecia ter como único futuro o ostracismo, sai de oito anos de Palácio do Planalto, onde enfrentou uma dura tentativa de golpe branco, como o presidente mais aprovado da história do Brasil.

E amanhã veremos um operário transmitir para uma mulher a faixa de presidente da República Federativa do Brasil, do nosso gigante país de 190 milhões de pessoas.

Foto: Ricardo Stuckert

Um Grande Brasileiro!

Não há “espaço vazio”.
Lula é o Pelé: não sai de campo



Uma das hipóteses da elite e do PiG (*) sempre foi: como seria bom se o Lula não existisse.

É duro enfrentar o Lula.

Não fosse o Lula, o Brasil poderia ter sido governado pelo jenio de Cerra e do Alckmin.

Que perda !

Agora, fala-se em “espaço vazio”.

Que será difícil a Dilma conviver com essa ausência.

Que a oposição, agora, livre do Lula, poderá co-governar o Brasil – leia “Para a elite de São Paulo, Dilma não é presidente de “todos”.

Negativo.

Lula é o Pelé.

Só que o Pelé não pode mais entrar em campo e salvar o Santos.

O Lula entra em campo quando quiser.

E quando a Dilma quiser.

O espaço não está vazio.

Só se for na oposição.


Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

isso vai mudar

Espaço fechado aos movimentos sociais é aberto à RBS




Ali onde os movimentos sociais foram impedidos de entrar pelas grades colocadas pelo governo do estado, na manhã de hoje (30) já se instalava o caminhão da RBS, de onde a emissora fará a cobertura da posse do novo governador. Eram cerca de 9h40min desta última quinta-feira de 2010 quando funcionários removiam as grades para que o estúdio móvel entrasse. Em seguida e muito rapidamente, eram recolocadas em seu devido lugar.

Importante lembrar que as grades foram instaladas para impedir a aglomeração de pessoas. Para impedir que o povo se manifestasse. Agora, serve para dar acesso privilegiado ao veículo de imprensa – monopolista e elitista.

Nada contra destinar espaço à imprensa nessas ocasiões, pelo contrário. É legítimo e importante para a sociedade, de preferência com uma profusão de veículos e profissionais diferentes, de forma a garantir a pluralidade da informação. O que salta aos olhos é a contradição de se abrir o espaço para a imprensa, que existe – ou assim deveria ser – tão somente para servir à sociedade, e impedi-la – a sociedade – de estar ali.

essa gentiii tem um céu só pra eles

Para elite de SP, Dilma não é a presidente “de todos”



A manchete do Estadão é antológica:

“Dilma exalta Lula e se diz presidente ‘de todos’”


NAVALHA

Para este notável representante da elite de São Paulo (e, por definição, separatista),  a elite de São Paulo não se inclui entre ‘todos’.

Segundo, a democracia da elite de São Paulo por ela se define.

Logo, a Dilma foi eleita por 56% dos brasileiros, mas isso não significa que ela seja presidente dos outros 44%.

Para os outros 44% ela é uma usurpadora.

Portanto, o Brasil, para a elite de São Paulo,  o Brasil tem dois presidentes: Dilma e Padim Pade Cerra.

Este continua a governar.

Na cerimônia de posse do Alckmin, Cerra apresentou-se – numa cena da GloboNews –
à frente de Alckmin e do próprio governador Alberto Goldman, seu poste.

Cerra não vai largar o osso.

Aécio vai passar três anos da sua vida em disputas internas com Cerra e, no fim, vai perder.

Porque o Cerra tem o apoio da Chevron e do Papa.

E o Aécio não tem.

Portanto, foi mais fácil o delegado Beltrame entrar no Alemão do que a Dilma entrar na elite de São Paulo.


Em tempo: outra pérola do PiG se encontra num colonista (*) da Folha (**) na pág. 2 “Imagem para Dois”.

Trata-se de alguém que foi um dia a Barcelona e de lá não saiu.

Ele gosta do Gaudí.

Paciência.

Um típico colonizado.

Ele sustenta que o Rio será incapaz de fazer uma Olimpíada como a de Barcelona.

E que a Olimpíada do Rio é tudo miragem, imagem.

Essa associação de Lula com Rio vai dar em nada.

Se o problema do Estadão é com a Dilma, o “new money”, a Folha (**), parece ter um problema com o Rio.

Dá no mesmo.

Como diria o Ibrahim, imortalizado numa estátua em frente ao Copa, “Ademã que eu vou em frente”.

Paulo Henrique Amorim

(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (***) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

para a zinha da folha o violino é do lula, mas a orquestra é do fhc(?)

Para Catanhêde, sucesso de Lula foi conseguido por FHC



A coluna era sobre como Lula alçou o Brasil no cenário internacional e se transformou em um dos homens mais importantes do mundo. Mas de repente se transformou em uma defesa de tese, que inclui Fernando Henrique na história e praticamente o responsabiliza pelos sucessos dos oito anos de seu sucessor.

Na Folha.com, Eliane Catanhêde assina o texto que muda o foco do título (“Lula encerra a década como um dos homens mais importantes do mundo”) já no terceiro dos curtos parágrafos característicos do jornal e lê a história recente do Brasil com olhos que bem poderiam estar em um rosto do PSDB.

Resumidamente, Eliane afirma que a balança está desajustada quando a sociedade vê Lula como um deus e FHC como um fiasco. Que tem0s que equilibrar as contas e equiparar os pratos para fazer justiça à história. Que teremos uma visão menos turva quando “recuperada a realidade de que os dois governos fazem parte de um único processo”.

Não, Eliane, não fazem. Lula não rompeu com alguns dos pilares do governo anterior, mas mudou completamente o objetivo e a prioridade do governo. Inverteu a lógica da política no Brasil. Só como exemplo, em 2002, vítima do “Estado mínimo” (sem esquecer que um Estado mínimo presta também serviços mínimos à população, mas isso não era prioridade), o Brasil ingressou no serviço público federal 30 pessoas. Em 2003, foram 7.220. Em 2010, o número já havia saltado para 32.302, até setembro.
De submisso, o Brasil virou soberano.

As diferenças gritam.

Mas Eliane insiste na visão deturpada que sem sucesso se tentou emplacar na campanha deste ano de que os frutos colhidos por Lula foram resultado de uma política plantada por FHC. E que Lula teria ainda dado a sorte de contar com um cenário internacional mais positivo, ou “uma avalanche de dinheiro” que chegou até nós. Nada de crise internacional ou coisa do gênero, na qual, ela esquece, o Brasil foi um dos poucos que não naufragou. Bobagem, o governo Lula deu certo por mero acaso e pela herança que recebeu. Ou, como diz a repórter, por uma “relação de causa e efeito”.

“É como se fizesse o governo de FHC, mas com dinheiro e um olhar mais focado no social.” Lula seria, talvez, um FHC melhorado. O texto não traz a compreensão de que esse “olhar focado no social”, ainda que fosse a única diferença entre os dois governos, já seria uma diferença gritante, total. Todo o mérito a FHC, segundo Catanhêde. No texto, é a herança do antecessor que garante o sucesso de Lula.

Se os brasileiros veem de outra forma, decerto é porque estão cegos diante de “seu imenso carisma, sua vibrante biografia e sua decantada capacidade de comunicação com pobres e ricos”. Puro marketing. Pena que FHC não contratou comunicadores de tão alto nível para garantir uma imagem positiva, já que essa é a única causa do sucesso do governo.

Catanhêde dedica, ainda, boa parte do espaço a criticar a corrupção, mas aí esquece de FHC. Quando é para falar dos pontos positivos, a comparação grita, e programas do PSDB são citados como cruciais. Quando o foco são os pontos negativos, é Lula e só Lula o retratado. Aí não existe comparação, não existem similares anteriores, não há compra de votos para a reeleição, por exemplo.

Até na política externa, a área mais bem sucedida do governo, Eliane só vê problemas. Esquece o crescimento do Brasil no cenário internacional, não vê G20, liderança regional, solidariedade internacional, aproximação com a África, tentativa de construção de uma cultura de paz. Enxerga só as gafes, como se fossem o ponto mais importante diante de toda essa transformação nas relações exteriores.

Em poucas palavras, para Catanhêde, Lula até pode ser o cara, mas só por enquanto. Só enquanto não se derem conta que se trata de um mito.

Atenção, 87% dos brasileiros que aprovam Lula, vocês não enxergam, não veem bem. Leiam Catanhêde, a única com uma visão lúcida da realidade, para entenderem em que mundo vocês vivem.

tocou de ouvido

O violino de Lula

Diário Gauche



O violino, para Lula, tem um simbolismo político evidente. Talvez por esse motivo ele tenha sempre brincado com o instrumento musical, durante os seus dois mandatos, em diferentes ocasiões.


O lulismo de resultados obteve êxito parcial em saldar a pesada dívida social brasileira. Agora, com a presidenta Dilma Rousseff, espera-se que esta dívida se transforme em créditos para que consigamos a emancipação social, cultural e política das grandes massas brasileiras.

rEFEIÇÃO cASEIRA

Zé Ramalho

Admirável Gado Novo

o Brasil está mudando(?) já mudou(?) e você, entende o que está acontecendo(?) e precisa ser feito(?)

Presidente João Goulart - Comício da Central do Brasil 1964


quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

em 2010... fiz quase tudo do meu jeito

... que todos e todas possamos curtir as amigas e os amigos do mesmo tempo que vivemos, cada um e uma do seu jeito...

até 2011...

... agora, vou até o buteku da ladeira com o Baitasar, tomaremos aquele chopinho esperto de gelado, alguns pastéis de queijo, feitos na hora... uma gaita e um violão e sabe lá mais o que vem por aí

"Professor, vamos lá, desliga o computador!"

Já to descendo

eis uma política que tem lado e trabalha muito

Convite para Posse Presidência da Câmara

Sofia Cavedon



a aventura brasileira

O Povo Brasileiro

Darcy Ribeiro

utopias e esperança

Simbólico e Diabólico

Paulo Freire

conhece a filosofia da práxis(?)

¿Cuál es la función de la filosofía según Marx?

José Pablo Feinmann


mais bicicletas nas cidades em 2011, 2012, 2013...

Pedalar é preciso


Catarse



Mais no blog do cartunista Rafael.