quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Embolização Prostática... converse com o seu médico

SBU contesta resolução do CFM; saiba tudo sobre a embolização da próstata

A técnica de embolização da próstata, ou mais precisamente de embolização da artéria prostática (PAE) pode contribuir para o tratamento dos pacientes com sintomas urinários obstrutivos causados pelo crescimento benigno da próstata.
A o procedimento ainda é incipiente, mas alguns países como EUA, Portugal e Inglaterra já o oferecem como mais uma possibilidade de tratamento da HPB em Centros Universitários. Existem muitas vantagens, a começar pela anestesia local, mas nem todos os pacientes tem indicação para a realização do procedimento.
O procedimento foi liberado pelo Conselho Federal no Brasil, mas a Sociedade Brasileira de Urologia, em um parecer oficial, expõe importantes motivos para considerar o procedimento ainda em fase experimental:
Do site da Sociedade Brasileira de Urologia
Em 28 de novembro de 2013, através do parecer 29/13 (1), o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o procedimento denominado “Embolização Seletiva das Artérias da Próstata” como opção terapêutica em pacientes portadores de Hiperplasia Prostática Benigna (HPB).
Houve grande veiculação do assunto em órgãos da imprensa, não sendo apresentado nenhum posicionamento da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) nestas matérias publicadas.
Desta forma, cabe esclarecer alguns pontos importantes sobre o assunto:
I – LITERATURA MÉDICA E EMBASAMENTO CIENTÍFICO
  • Ao contrário do que foi vinculado na imprensa, a embolização seletiva das artérias da próstata (ESAP) não é uma técnica desenvolvida exclusivamente por médicos brasileiros. Ela já é realizada há muitos anos para tratamento de sangramento maciço tanto da próstata quanto da bexiga.
  • O primeiro relato de evidências de melhora dos sintomas urinários de esvaziamento após embolização arterial seletiva foi feito em 2000 em um paciente tratado por hematúria maciça, porém com seguimento de somente um ano (2).
  • Em 2010 foi publicado um estudo realizado por médicos brasileiros apresentando resultados do tratamento por embolização em apenas dois pacientes (3) Este estudo avaliou somente a redução do volume da próstata, não obtendo os dados sobre resultados clínicos, como escore de sintomas prostáticos (IPSS), qualidade de vida (QOL), fluxo urinário, disfunção sexual e volume residual. Posteriormente o mesmo grupo publicou experiência em 11 pacientes com retenção urinária com resultados preliminares satisfatórios.
  • A maior experiência publicada sobre a técnica foi publicada por um grupo português em 2013 (4). Este estudo avaliou retrospectivamente o resultado da técnica em 238 pacientes com sintomatologia moderada a importante após falha terapia medicamentosa, com seguimento médio de 10 meses. Foram avaliados escore de sintomas (IPSS), qualidade de vida, função sexual (IIEF), urofluxometria, volume prostático e PSA. Houve melhora de parâmetros clínicos, embora pouca melhora nos parâmetros da urofluxometria. Importante ressaltar que apenas 89, 47, 21, 12 e 8 pacientes apresentavam seguimento de 12, 18, 24, 30 e 36 meses, respectivamente.
  • Pesquisa clínica em fase I/II a respeito dos resultados e segurança da técnica está sendo conduzida nos EUA em parceria com o FDA (NCT01924988). Este estudo tem estimativa de término em 2019.
Desta forma, não há na literatura médica estudos prospectivos com alto nível de evidência de demonstrem com eficácia e a segurança da técnica. Todos os dados disponíveis proveem de experiência limitada a poucos centros no mundo, com seguimento muito curto em um número limitado de pacientes. Estes resultados ainda não foram comprovados por estudos randomizados comparativos com a técnica padrão (RTU), nem com grande número de casos que possa, nos fornecer base científica confiável para sua utilização em larga escala, sendo, portanto, realizados no momento exclusivamente de maneira experimental.
II – POSIÇÃO DE SOCIEDADES DE UROLOGIA OU ÓRGÃOS GOVERNAMENTAIS
  • Baseadas em estudos de longo seguimento, randomizados, de alto nível de evidência científica, a ESAP não é recomendada como tratamento em pacientes com HPB em nenhuma circunstância por Sociedades de Urologia, como a Sociedade Brasileira de Urologia, Associação Americana de Urologia e Associação Europeia de Urologia.
  • Recente recomendação da Associação Australiana e Neo-Zelandeza de Urologia recomenda que a ESAP deve ser realizada apenas de forma experimental (5).
  • Recente diretriz do “National Institute of Health Care Excellence”, órgão governamental do Reino Unido, determinou que a ESAP deve ser realizada somente de forma experimental, sempre por equipe multidisciplinar envolvendo urologista e radiologista (6).
III – PARECER DO CFM
  • A SBU não foi consultada em nenhum momento pelo CFM durante a avaliação do processo de aprovação desta nova técnica.
  • O parecer do CFM indica que a ESAP foi definida como de alto risco e complexidade, devendo ser avaliada por 5 anos para que seja plenamente autorizada.
  • O parecer não foi baseado em estudos com alto nível de evidência científica que demonstrem a eficácia e segurança da técnica.
  • Após entendimento da SBU, o CFM realizará em fevereiro de 2014 reunião com a Sociedade onde rediscutirá o tema. A SBU apresentará os estudos e materiais a respeito mostrando que é preciso ainda estudar o procedimento até que sua eficácia e segurança sejam definitivamente comprovadas.
Pelo exposto, a SBU indica que a ESAP não deve ser ainda considerada opção terapêutica em pacientes com HPB, como já transpareceu em reportagens veiculadas nos canais jornalísticos. Seu emprego deve ser restrito a pesquisa clínica até que sua eficácia e segurança sejam definitivamente comprovados.
REFERÊNCIAS
1. CFM. Embolização de artérias prostáticas. 2013;http://www.portalmedico.org.br/brareceres/CFM/2013/29_2013.pdf. Accessed 01/12/2014, 2014. 2. DeMeritt JS, Elmasri FF, Esposito MP, Rosenberg GS. Relief of benign prostatic hyperplasia-related bladder outlet obstruction after transarterial polyvinyl alcohol prostate embolization. Journal of vascular and interventional radiology : JVIR. Jun 2000;11(6):767-770. 3. Carnevale FC, Antunes AA, da Motta Leal Filho JM, et al. Prostatic artery embolization as a primary treatment for benign prostatic hyperplasia: preliminary results in two patients.Cardiovascular and interventional radiology. Apr 2010;33(2):355-361. 4. Pisco JM, Rio Tinto H, Campos Pinheiro L, et al.
Embolisation of prostatic arteries as treatment of moderate to severe lower urinary symptoms (LUTS) secondary to benign hyperplasia: results of short- and mid-term follow-up. European radiology. Sep 2013;23(9):2561-2572. 5. USANZ. Position Statement on Prostatic Arterial Embolization for the Treatment of Lower Urinary Tract Symptoms due to Benign Prostatic Hyperplasia 2013;http://www.usanz.org.au/uploads/29168/ufiles/LUTS_SAG_Position_Statement_on_PAE_Final.pdf. Accessed 01/12/2014, 2014. 6. NICE. Prostate artery embolisation for benign prostatic hyperplasia. 2013; guidance.nice.org.uk/ipg453. Accessed 01/12/2014, 2014."
****
Do site Oi Doutor
Entenda como funciona:
O que é a embolização de artéria prostática (PAE)?
PAE é uma forma não-cirúrgica de tratamento da hiperplasia prostática sintomática, em que se bloqueam as artérias que alimentam a glândula, fazendo-a encolher. Ele é realizado por um radiologista intervencionista, orientado por um cirurgião responsável pela condução do caso e indicação do procedimento, caracterizando-se como uma alternativa para uma operação de ressecção transuretral da próstata . PAE foi realizada pela primeira vez em 2009, e desde então mais de 200 homens tiveram o procedimento realizado predominantemente em Portugal e no Brasil. 
Por que eu poderia precisar de embolização de artéria de próstata?
Pacientes com sintomas urinários obstrutivos ou iritativos (jato fraco, retenção, acordar muitas vezes a noite para urinar) podem ter muita dificuldade de controle apenas com uso de medicamentos. Nesse momento alguma forma de tratamento cirurgico pode ser indicado. Dentre as opções a embolização pode ser considerada por seus bons resultados e minima invasibilidade.
Quem toma a decisão ?
O urologista responsável pelo seu caso deve discutir as opções de tratamento e decidir em conjunto com o paciente. Após a decisão pela PAE, seu urologista indicará um hospital e cirurgiao vascular ou intervensionista de sua confiança para a realização do procedimento.
Quem vai fazer a embolização de artéria de próstata?
Um médico especialmente treinado chamado um radiologista intervencionista ou cirurgião vascular. Os urologistas orientam o tratamento do caso durante o intra e pós operatório.
Como devo me preparar para embolização de artéria de próstata?
Você precisa ser admitido no hospital. Isto pode ser feito como um procedimento de alta no mesmo dia ou com apenas uma pernoite se você estiver viajando . Você será solicitado a não comer durante quatro horas de antecedência e deverá receber um sedativo suave para aliviar a ansiedade.
Como o procedimento é geralmente realizado utilizando a grande artéria na virilha, poderá ser necessário raspar a pele em torno desta área.
Se você tiver algum tipo de alergia , deve informar o seu médico . Se você já apresentou reação ao meio de contraste intravenoso, o corante usado para renais raios-x e tomografia computadorizada , então você também deve informar o seu médico .
O que realmente acontece durante a embolização de artéria de próstata?
Você vai estar na mesa de raios -X , geralmente plana em sua volta. Será inserida uma agulha em uma veia do braço , para que um anestesista possa dar-lhe um sedativo e analgésicos. Uma vez no local , isso não irá causar qualquer dor.
Haverá um dispositivo de monitoração conectado ao seu peito e dedo, e pode ser dado oxigênio através de pequenos tubos no seu nariz. O médico responsável pelo procedimento irá manter tudo estéril e a pele perto do ponto de inserção, provavelmente a virilha, será limpo com anti-séptico, e , em seguida, a maior parte do resto do seu corpo coberto com campos estéreis.
A pele e os tecidos mais profundos sobre a artéria na virilha serão anestesiados com anestesia local, e , em seguida, uma agulha será inserida neste artéria . Uma vez que o seus médicos estejam convencidos de que ela esta está posicionada corretamente, um fio-guia é colocado através da agulha até a artéria. Em seguida, a agulha é retirada permitindo a entrada de um tubo plástico, chamado cateter, para ser colocado sobre o fio e para essa artéria .
O médico, então,  irá utilizar o equipamento de raios- X para ter certeza de que o cateter e o fio estão no local correto das artérias que estão irrigando a próstata . Estas artérias são muito pequenas e bastante variáveis. Doi smédicos costumam ser necesários para o caso. Um corante de raios-X especial, chamado de meio de contraste é injetado pelo do cateteraté essas artérias da próstata, o que pode lhe dar uma sensação de calor na pelve.
Uma vez que o exato fornecimento de sangue da próstata tenha sido identificado, o fluido contendo milhares de pequenas partículas é injetado através do cateter para estas pequenas artérias que alimentam o próstata, bloqueando esses pequenos vasos arteriais
O lado direito e o esquerdo precisam ser tratados e muitas vezes pode ser feito a partir da virilha direita , mas, por vezes, pode ser difícil bloquear os ramos da artéria prostática esquerda da virilha direita, assim  uma agulha e cateter deverão ser inseridos na virilha esquerda. No final do procedimento, o cateter é retirado e o médico pressiona firmemente sobre o ponto de entrada da pele durante alguns minutos , para evitar sangramento.
Será que vai doer?
Quando o anestésico local é injetado há uma sensação de ardor, mas que logo passa. O procedimento em si pode tornar-se incomodo . No entanto, haverá um enfermeiro e seu urologista, nesse momento, para cuidar de você. Se o procedimento tornar-se muito incomodo, analséicos mais eficientes serão administrados.
Como o corante ou meio de contraste, passa em por seu corpo , você pode ter uma sensação de calor, o que algumas pessoas podem achar um pouco desagradável. No entanto, isso logo passa e não deve preocupar .
Quanto tempo vai demorar?
A situação de cada paciente é diferente, e nem sempre é fácil de prever quão complexa ou simples o procedimento será. Algumas embolisações levam apenas  uma hora, outras até 2 horas. 
O que acontece depois?
Você será levado de volta para a área de recuperação em uma maca . Médicos e enfermeiros na área de recuperação irão realizar observações de rotina, como tomar o seu pulso e pressão arterial , para se certificar de que não existem efeitos indesejáveis. Eles também vão olhar para o ponto de entrada da pele para se certificar de que não há sangramento dele. Uma vez que qualquer dor é controlado , você será transferido para a enfermaria . Geralmente você vai ficar na maca por algumas horas, até que você tenha se recuperado.
Se tudo aadequado para um procedimento de um dia,  você poderá ir para casa depois de quatro a seis horas . Se você vai ser mantido no hospital durante a noite, receberá alta logo pela manhã.
Uma vez que você está em casa , você deve descansar por três ou quatro dias . Tomar alguns analgésicos, se necessário, e outras drogas. Uma explicaçã odetalhada de seu será enviado para sua residência.
Existem riscos ou complicações ?
Embolização de artéria da próstata é um novo procedimento, mas a partir dos dados publicados, ele é considerado seguro em sua essencia.
No local em que a agulha foi inserida , podem se formar hematomas, as vezes tratados com repouso e antibióticos.
A maioria dos pacientes sente um pouco de dor depois e,  ocasionalmente, um cateter urinário poderá ser inserido para envaziamento temporário da bexiga. Essa complicação, a retenção urinária, talvez seja a mais incomoda de todas.
Alguns casos de forte inflamacao no reto também foram descritos, alguns com necessidade de internação.
Alguns pacientes podem sentir cansaço até uma semana após o procedimento, mas a maioria sente-se bem o suficiente para voltar a trabalhar em três dias. No entanto, os pacientes são aconselhados a tirar pelo menos uma semana de folga após a PAE .
Quais são os resultados da embolização de artéria de próstata?
Há apenas dois estudos de médio prazo dos resultados da embolização da artéria prostática. Mais de 70 % dos homens poderiam apresentar melhora dos sintomas após PAE, com redução no volume da próstata e um aumento relativo no fluxo urinário.
Dificuldades em se encontrar as artérias corretas ou próstatas nos extremos de tamanho (ou muito pequenas ou muito grandes),  podem levar a falhas técnicas em cerca de 20 % dos casos. Em caso de falha, a tradicional cirurgia de  RTU, considerada o Gold Standard,  pode ser oferecida sem aparente prejuizo.
A Embolização provavelmente é um procedimento seguro, projetado para melhorar a sua condição médica e evitar uma operação maior em pacientes sofrendo de problemas prostáticos benignos. Existem alguns riscos e complicações envolvidas, mas se você está ciente das opções, se enquadra nas indicações e deseja tentar um procedimento minimamente invasivo que está surgindo, a embolização pode ser uma opção.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

higiênica concepção sobre "massa cheirosa"

TIJOLAÇO ELEGE A MADRINHA
DO ROLÊ. A TUCANHÊDE !


Fernando Brito sabe por que a “massa cheirosa” dá essa força ao rolê.

Conversa Afiada






O Conversa Afiada reproduz artigo de Fernando Brito, extraído do Tijolaço:



JÁ É CARNAVAL: CANTANHÊDE SAI VESTIDA DE “MADRINHA DO ROLÉ”



Se as eleições não tivessem outros méritos, só este já seria maravilhoso: faz a elite brasileira perceber que, afinal, existe um povo por aqui.

Hoje, a colunista da “massa cheirosa”, Eliane Cantanhêde produz um artigo em defesa da garotada da periferia que anda fazendo “rolezinhos” nos shoppings paulistas.

Claro, eles podem e devem entrar nos shoppings o quanto quiserem.

Aliás, só podem fazer isso porque eles e seus pais tiveram um expressivo aumento de renda nos últimos anos.

É uma imbecilidade – e uma ilegalidade – recebe-los a polícia, como foi (e é) uma imbecilidade receber a cassetete as manifestações contra o aumento do preço dos transportes coletivos.

Mas só um tolo não percebe as intenções dos “cheirosos aliados do povo” com esta onda em torno dos “rolezinhos”.

Uma gente que, na beira da eleição, defende o direito da gurizada de classe média baixa ou da pobreza de entrar nos shoppings.

Mas que durante anos vociferou contra o direito de entrarem na Universidade, pelo sistema de cotas.

Ou no mercado de trabalho, pela falta de vagas.

Ou até de comerem, com o Bolsa-Família.

Exceto os empedernidos, que acham que podem barra-los com liminares, os mais espertos assumem o discurso de uma radicalidade democrática que jamais tiveram.

A direita cheirosa sente o cheiro da oportunidade.

E sua colunista-símbolo já se fantasia de “madrinha do rolé”, saudando o fato de que ali não estão os meninos ricos, “que não têm mais a ALN, a Polop, o partidão, nem ditadura, para protestar”, como se a luta contra uma ditadura sanguinária fosse “zoar” numa praça de alimentação.

Esperemos a chegada do Arnaldo Jabor e do Merval Pereira, de bermuda grunge e boné.

A democracia e as eleições, afinal, são uma festa que tem lá seus ares de carnaval.

Muita gente sai fantasiada.


Clique aqui para assistir a inesquecível vídeo da Tucanhêde sobre a verdadeira “massa cheirosa”, em sua higiênica concepção.



a Casa Grande quer usar a Senazala, mais uma vez!

Folha convoca e organiza os rolês





Quando a Casa Grande convoca luta de classes, não é bem a luta de classes que ela quer!


“sinais de um choque de classes”


Que venha a luta de classes

Posted by eduguim on 14/01/14 • Blog da Cidadania





Comecei a ler sobre política aos 14 anos. Era 1973. Minha família assinava o Estadão. Via sempre o avô, a avó e a mãe devorarem aquelas folhas brancas com letras negras e me perguntava o que continham aqueles textos enormes para lhes prender tanto a atenção. Sobretudo o primeiro caderno. Um dia, então, aventurei-me em um tipo de leitura que nunca mais abandonaria.

A primeira vez que vi a expressão “luta de classes” foi no jornal supracitado. Por terem se passado cerca de quarenta anos, desde então, não posso precisar se foi num artigo, num editorial, numa reportagem ou numa carta de leitor. Contudo, fora usada no contexto de ser indesejável – os “comunistas” eram acusados de promover conflitos entre pobres e ricos.

Parece que foi ontem…

Ao longo da vida, luta de classes sempre me foi apresentada pela imprensa e por certos grupos políticos como sendo tragédia para uma nação, ao passo que os socialistas científicos diziam o contrário.

Demorou até que aceitasse que a melhora das condições de vida dos trabalhadores só se daria através da luta de classes, pois não conseguia dissociá-la da luta armada, que repudiava. Sempre me inclinara mais pelas ideias burguesas dos socialistas utópicos, de que a transformação social aconteceria de forma pacífica.

Por conta desse pensamento, durante a ditadura me mantive distante da política. Contudo, por sempre ter me informado – mesmo quando garotas e festas eram mais importantes –, sempre soube que a forma como o país era governado estava errada. Até porque, minha família, influenciada pelo Estadão, ao longo daqueles anos tenebrosos foi mudando paulatinamente de opinião sobre o regime que um dia apoiara, assim como o jornal.

Todo esse preâmbulo foi necessário para chegar ao ponto central deste texto: a tão temida luta de classes, se um dia ajudou a aprofundar a ditadura militar, hoje pode ser travada sem luta armada, pela via da luta política desencadeada de baixo para cima, como começamos a ver ocorrer.

A revolução proletária, aliás, vai se mostrando uma questão de tempo, neste país – ainda que torça para que transcorra de forma política, sem violência, mas sabendo que ocorrerá de uma forma ou de outra.

De dezembro último para cá, inclusive, surgiram sinais de que um choque de classes está cada vez mais próximo. E o que é mais: só não aconteceu antes por conta da forte inclusão social da era Lula-Dilma. Nesse aspecto, a elite deveria ovacionar os dois presidentes trabalhistas que, com seus programas sociais, conseguiram retardar a fervura do caldeirão social.

E quando cito “sinais de um choque de classes” iminente, refiro-me ao movimento social absolutamente desorganizado e despido de ideologias conhecido como “rolezinho”.

Os milhares de adolescentes que têm ido a templos do consumismo das classes média e alta, aos ditos “shoppings”, são a expressão mais evidente do inconformismo com a desigualdade que cresce por parte de suas vítimas, desse sentimento que vai surgindo entre essas camadas sociais ora inspiradas pelos ventos da liberdade política e ideológica que mais de duas décadas de democracia fizeram soprar.

A reação da sociedade aos abusos das forças de repressão do Estado, que hoje já não encontram espaço para a impunidade total de outrora devido ao fenômeno da democratização da comunicação social gerado pela internet, será inevitável e benéfico conquanto a democracia se mantenha preservada.

A menos que alguém acredite em outro golpe para calar de novo o grito de inconformismo que a pobreza mantém preso na garganta há tanto tempo.

Nesse contexto, surge um dado positivo. Por mais que repudiemos o status quo, não se pode negar que a grande imprensa teve um papel fundamental na denunciação dos abusos contra os meninos e meninas dos “rolezinhos”. E não só da polícia militar, mas da Justiça, que deu uma permissão bizarra para que shoppings pudessem triar quem neles ingressava com base na cor da pele, no modo de se vestir e em outros fatores subjetivos que denotassem pobreza.

A imprensa, portanto, não deixou de ser conservadora, mas vai se vendo obrigada pela comunicação abundante e incontrolável a não se deixar ficar a reboque dos fatos.

Mais de duas décadas de democracia e o advento da internet terminaram por gerar o ambiente ideal para que, cada vez mais, as legiões de vítimas da desigualdade à brasileira possam denunciar seus algozes. E os “rolezinhos” são expressão desse fenômeno.

Claro que não poderia deixar de eclodir aqui e ali, entre advogados e juristas, entre jornalistas e tantos outros expoentes da elite branca de ascendência indo-europeia o discurso absurdo sobre o caráter “privado” que teriam os shoppings, um discurso em defesa de um direito constitucionalmente inexistente de comerciantes selecionarem clientes que possam ou não ingressar nesses locais de frequentação pública.

Estão enganados. O comércio aberto ao público funciona sob a condição de estar aberto ao público, ou seja, a todos, sem discriminação de classe social, etnia, religião, orientação sexual, política e ideológica.

Aliás, discriminar no comércio varejista é crime.

O “rolezinho”, pois, é um direito contanto que não enverede pela violência ou pela criminalidade. E impedir alguém de frequentar algum lugar sob a premissa de que sua aparência denota que poderá cometer vandalismo, roubos ou qualquer outro tipo de crime é fascismo em estado puro.

Esse movimento de imberbes, portanto, na visão deste que escreve é absolutamente legítimo. Fatos e investigações revelaram-me que não guarda relação com os protestos violentos e políticos que eclodiram pelo país a partir de junho do ano passado e que agora pretendem sabotar a Copa do Mundo.

Trata-se de um movimento espontâneo e que poderá cumprir a função cívica de expor a desigualdade hipócrita que vitima o Brasil – e, assim, a função de provocar mudanças.

Os “rolezinhos”, pois, não têm parentesco com as tais “jornadas de junho”, mas com a primeira ocupação de um shopping na história recentíssima. Em 2000, um grupo de sem-teto ocupou um desses templos de consumo e, ao fazê-lo, fincou as raízes de um processo que precisa ocorrer no Brasil, o de esfregar a desigualdade insustentável na cara da elite que dela se beneficia.

Antes de chegar à conclusão do texto, portanto, se ainda não assistiu vale muito a pena assistir ao documentário Hiato, abaixo reproduzido. Ele revela a gênese dos “rolezinhos”. O texto prossegue em seguida.







O que assistiu acima, leitor, foi o embrião dos “rolezinhos” que ora eclodem por São Paulo e que tendem a se espraiar pelo país, caso a sociedade saiba reagir à repressão.

A “luta de classes” por essa via – e por outras análogas a ela que venham a surgir –, portanto, não só precisa prosseguir como tem que ser intensificada. Sem violência, mas com firmeza. Há que mostrar a realidade a essa elite delirante que acredita que pode confinar uma maioria tão avassaladora nos guetos que para ela engendrou.

Os milhares que ocuparam e ocuparão shoppings e outros refúgios da elite poderão fazê-la entender que caso não aceite distribuição de renda por bem poderá ter que aceitar por mal. E não por conta de algum movimento politicamente organizado, mas pela paciência que se esvai nas massas, que, desprezando os intermediários e qualquer organização, instintivamente está a exigir igualdade.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

ditadura do Mercado e da Estética


Rolezinho: os shoppings centers oferecem aos paulistanos realidade virtual
16/12/2013 18:33



“Tem de proibir esse tipo de maloqueiro de entrar num lugar como este.''

A frase – registrada pela sempre presente Laura Capriglione, para a Folha de S. Paulo – é de uma frequentadora do Shopping Internacional de Guarulhos, revoltada com a chegada de centenas de jovens pobres que marcaram, via redes sociais, de se divertirem por lá no último sábado (14).

Antes de mais nada, tem que proibir esse tipo de pessoa que diz a frase acima de andar por aí, solta. Depois ela morde alguém e fica por isso mesmo.

Considerando que eles não roubaram nada, por que 23 deles foram detidos? Cor de pele? Trajes inadequados? Falta de comprovante de renda? Gosto musical? Se um princípio de arrastão ocorreu, como dizem algumas testemunhas, por que o shopping soltou uma nota afirmando que nada foi roubado?

Não precisa ser sociólogo para perceber que a molecada que marca esses encontros quer, acima de tudo, reafirmar sua existência. E mesmo alguns tumultos que possam causar têm a ver com isso. É como se gritassem a plenos pulmões: “Ei, eu existo, pô!'' Boa parte dos jovens negros e pobres da periferia nascem e morrem diariamente sem que o Estado esboce um bocejo de preocupação ou que o restante da sociedade fique sabendo.

Os shoppings centers oferecem aos paulistanos realidade virtual. Meus amigos de Alphaville, ao criticarem os condomínios fechados em que cresceram, chamam esse tipo de estrutura de “bolhas''. Um ambiente agradável, asséptico, sem pobreza, dor ou feiúra, com temperatura estável e luz na quantidade certa para possibilitar aquilo que fazemos de melhor: comprar.

Você que mora fora de São Paulo talvez não entenda a paixão avassaladora que nós, paulistanos, principalmente os de classe média, temos pelo shopping center. Matérias e mais matérias já foram produzidas sobre pessoas que não viveriam sem eles – não porque deles dependem para tirar o sustento, mas por terem escolhido suas luzes, vitrines, cinemas, restaurantes e academias como pano de fundo para suas existências. Gostando ou não gostando, oferecem a comodidade necessária para o nosso ritmo e fazem parte da nossa vida.

E melhor de tudo é a sensação de falsa segurança, no estilo “me engana que eu gosto''. Shoppings oferecem a garantia de que nada vai acontecer com você se estiver lá dentro. Da mesma forma que cercas eletrificadas mentem sobre a proteção de casas, que carros blindados mentem sobre a proteção de famílias, que a presença de uma arma de fogo mente quando promete afastar qualquer risco real.

Mas nos esquecemos que ninguém vive apenas em suas casas, as pessoas – em algum momento – saem de seus carros e armas de fogo mudam de mãos tão rápido quanto uma cancela se abaixa atrás do veículo no estacionamento do shopping ou uma porta-automática se fecha. Em outras palavras, sentimento falso, pois não são cercas, chapas de aço ou armas que garantem segurança aos moradores de uma metrópole como São Paulo. É bom como efeito placebo, para se enganar, mas, mais dia ou menos dia, a bomba estoura.

Quando centenas de intrusos invadem essa realidade virtual, querendo fazer parte dela, seus usuários históricos sentem que ela se desligou de repente e entram em pânico. Porque essa horda de bárbaros talvez não entenda mas é exatamente deles que parte do povo que se refugia em shoppings quer fugir.

São Paulo tem mais de 11 milhões de habitantes, mas apenas uns poucos são efetivamente cidadãos, com acesso a todos os seus direitos previstos em lei.

Lembra a antiga Atenas, com uma ágora para uns poucos iluminados e o trabalho pesado para o grosso da sociedade, composta de escravos. Enquanto parte de nós aproveitam uma vidinha “segura'' dentro de bons shoppings, clubes, restaurantes, boates e residenciais, outros penam para sobreviver e serem reconhecidos como gente. Deixa um escravo tentar ir fazer o que os cidadãos fazem na ágora para ver o que acontece, deixa.

E para piorar tudo, nós, jornalistas ajudamos a espalhar o pânico e o terror, construindo discursos para segregar ainda mais as “classes violentas'' do restante dos “cidadãos de bem''. Será que os colegas não percebem o que estão fazendo? Que parte de nosso medo idiota, embutido por uma sobreposição de discursos inflamados, visa nada menos do que a mais audiência?

No Brasil, de uma maneira geral, se você quiser viver em uma bolha a vida inteira, praticamente consegue. Tenho amigos que conhecem a Europa e os Estados Unidos, mas só irão à Itaquera pela primeira vez na Copa de 2014.

Essa ausência da cultura da alteridade leva ao medo e colabora com comportamentos e frases bizarras, revelando o lado mais sombrio da alma de cada um. O que é extremamente complicado porque o Brasil é composto majoritariamente por essa “gentinha pobre que nunca sabe como se portar em determinados ambientes''.

Como já disse aqui, os produtos que consumimos são estilos de vida. Do que somos. Do que gostaríamos de ser. Do que deveríamos ser – não em nossa opinião, necessariamente, mas de uma construção do que é bom e do que é ruim. Construção essa que vem, não raras vezes, de cima para baixo. A busca pela felicidade passa cada vez mais pelo ato de comprar. E a satisfação está disponível desde que você tenha um cartão de crédito ou débito com saldo.

Trabalhamos tanto que, não raro, esquecemos como demonstrar afeto de forma sincera ou simplesmente não temos tempo para isso. Então, a fim de compensar nosso silêncio ou nossa ausência, nos tornando compradores e doadores de símbolos daquilo que não conseguiremos transmitir por vivência direta.

A “classe baixa com poder de compra mas ainda fora de patamares mínimos de dignidade'', conhecida como “nova classe média'', está alcançando a inclusão social através do consumo. A pessoa deixa de ser vista como uma ignorante completa, uma estrangeira, porque tem um tênis, um boné, um iPhone. Sendo que seria melhor que sua inclusão ocorresse via a garantia de serviços de educação, saúde, cultura e lazer de qualidade e as consequências positivas que isso traz.

Para piorar, estamos deixando muito claro aos mais jovens que eles não valem pelo que são, mas pelo que têm. Ou almejam. E ostentam.

Os shoppings oferecem um caminho fácil para tornar isso possível. Eles não são os culpados, mas fazem parte do processo. Enquanto isso, vamos feito gado, comprando bovinamente, sem questionar o que aquilo representa. Ou suas consequências para a cidade. Que vão além do aumento no trânsito ou de vagas de estacionamento.

Como diz o jurista e blogueiro Rodrigo Salgado, “aquelas caixas horrendas destinadas exclusivamente ao consumo se tornaram o único lugar com infraestrutura mínima para receber um largo contingente de pessoas. E o simbolismo disso é espantoso: em São Paulo (e em muitos outros lugares) o único espaço público que existe em quantidade minimamente suficiente para receber a população é privado e destinado ao consumo''.

Do lado de cá, estou torcendo para a molecada cutucar os “cidadãos de bem'' com outros “rolezinhos'' pacíficos. Quem sabe, mais dia, menos dia, a bolha estoura?

ditadura Religiosa


Jovem de 15 anos diz estar grávida de Cristo e família acredita; pastor é preso; vídeo


Sábado, 11 Janeiro 2014







O "anúncio" de que o Espírito Santo precisaria de cinco mulheres para dar a luz a seus filhos foi o que motivou o pastor José Pedro Santos, de 60 anos, a abusar sexualmente de pelo menos cinco garotas na cidade de Pinheiro, no Maranhão. Das cinco vítimas do pastor, que são todas menores de idade, duas estão grávidas. A menina de 14 anos estaria no quarto mês de gestação, enquanto a de 15 anos estaria no oitavo.

No entanto, em depoimento à polícia após ser preso, o pastor negou que tenha abusado das meninas. Segundo ele, as duas garotas que estão grávidas receberam um verdadeiro "milagre".

Em entrevista à Rádio Mirante AM, a delegada da regional de Pinheiro, Laura Amélia Barbosa, explicou como funcionava este "milagre". Segundo a delegada, o pastor dizia que, certo dia, um anjo apareceu diante de seus olhos e o comunicou que o Espírito Santo estava em busca de mulheres para conceber os "salvadores do mundo".

E a história do pastor vai mais além. Após crescerem, estas cinco crianças se uniriam para destruir o "mundo dos pecadores" e construir um "novo mundo". Tanto que, durante seu depoimento à polícia, José Pedro Santos garantiu que as meninas continuam virgens apesar de estarem grávidas.

- Ele disse que foi um anjo que apareceu para ele e anunciou que cinco meninas iriam engravidar. E esse anjo mostrou uma coroa de fogo com o rosto das meninas dizendo que elas iriam engravidar do Espírito Santo. E então ele atribuiu isso a um milagre. Ele diz que as meninas são virgens e que tudo é um milagre de Deus. E essas crianças quando nascerem vão destruir o mundo dos pecadores e construir um novo - disse a delegada.

A delegada Laura Amélia Barbosa revelou, ainda, que já começou a ouvir as duas meninas que estão grávidas.

Segundo ela, as garotas dizem que os filhos que esperam são frutos do Espírito Santo. Mas confirmam que mantiveram relação sexual com o pastor.

O pastor José Pedro Santos está na Delegacia Regional de Pinheiro. A delegada pediu prisão preventiva de 30 dias para ele.





ditadura da Polícia, ditadura da Justiça...


Heberson, eu sinto muito: Jornalista escreve ao inocente preso, violentado na cadeia e contaminado pela Aids

Publicado por Fernanda Barros 11/01/2014






Heberson,

Nem sei como te dizer isso. Tateio pelas palavras certas há horas – elas me escapam. Claro que você já foi avisado e até leu no noticiário local, mas eu queria pedir desculpas. O governo do Estado do Amazonas questionou o valor da sua indenização. É, eles acham R$ 170 mil um valor muito alto pelos quase três anos em que você passou na cadeia, acusado de um estupro que não cometeu. Querem pechinchar pelo vírus HIV que infectou o seu corpo após os abusos sofridos atrás das grades. Seu sofrimento está “caro demais” para os cofres públicos. Como se algum dinheiro no mundo pudesse apagar o que você viveu.




Até hoje, como naquele dia em que te entrevistei, sinto minhas tripas se revirarem. Lembro de você contando que tinha 23 anos e trabalhava como ajudante de pedreiro na periferia de Manaus quando o crime aconteceu. Uma menina de nove anos, filha de vizinhos, havia sido arrastada para o quintal durante a noite e violentada. A família o acusou de tamanha brutalidade e a delegada expediu um mandado de prisão provisória para investigar o caso. Você, que não tinha antecedentes criminais. Você, que divergia completamente do retrato-falado. Você, que estava em outro lado da cidade naquele horário. Mas você é pobre, Heberson. Pobres são presas fáceis para “solucionar o caso” e atender o clamor popular. As vozes que te xingaram ainda ecoam?

“Eu morri quando me fizeram pagar pelo que não fiz”, você disse, me matando um pouco também sem saber. Em tese, por lei, você não poderia ficar mais de quatro meses aguardando julgamento na cadeia. Sua mãe, desesperada, pegou empréstimos para bancar advogados particulares. Mesmo sem comida em casa, a dor no estômago era por justiça. Não dava para contar com a escassa quantidade de defensores públicos no país (embora, depois, a doutora Ilmair Faria tenha salvo o seu destino). Enquanto ela se rebelava aqui fora, você se resignava com os constantes abusos sexuais de que era vítima. Alegar inocência sempre foi a sua única arma. De que forma lhe deram o diagnóstico de Aids?

Sabe, querido, eu gostaria de ter presenciado o parecer do juiz na audiência que demorou dois anos e sete meses para acontecer. Deve ter sido um discurso bonito. Juízes usam frases empoladas, especialmente para se desculpar em nome do Estado por um erro irreparável. Onde estava a sua cabeça no momento em que ele declarou que você estava “livre”? Porque eu me pergunto como alguém pode supor que liberta o outro de suas memórias, de suas dores, de sua desesperança, de uma doença incurável. Você continua preso. Tanto que passou anos sem conseguir emprego por causa do preconceito e perambulou pelas ruas sob o efeito de qualquer droga que anestesiasse a realidade. Livre para ser um morto-vivo.

Na sala do meu apartamento, há um troféu de direitos humanos que ganhei por trazer à tona sua história. Olho para ele e enxergo a minha impotência. E os ossos saltados da sua pele. Com vinte quilos a menos, as suas roupas parecem frouxas demais – quanto você perdeu além do peso corpóreo? Imagino se a Procuradoria Geral do Estado (PGE), que negou o pedido da sua indenização, sabe das suas constantes internações decorrentes da baixa imunidade. Será que alguém abriu a porta da sua geladeira e descobriu que, muitas vezes, você passa um dia inteiro tendo se alimentado de um único ovo? Ou será que eles se restringem a documentos e números?

Não consigo deixar de pensar que você foi estuprado de novo. Pelas canetas reluzentes de quem toma essas decisões descabidas. Você levou sete anos para ressuscitar a sua determinação e cobrar os seus direitos. Em parte, motivado pelo apoio das 23 mil pessoas que aderiram a uma campanha virtual pela sua história. Toda semana recebo mensagens de gente querendo saber sua situação, se oferecendo para pagar uma cesta básica ou dar assistência jurídica. Recentemente, um professor criou um grupo que mobilizou mais de mil cidadãos para ajudá-lo até com despesas de medicamentos. Minha última pergunta (eu, que não tenho respostas) é: O que mais nós podemos fazer por você, já que o Estado não faz?

Que o meu abraço atravesse a geografia até Manaus.

Sinto muito, querido.

Nathalia Ziemkiewicz

Já tivemos ditadura Militar, estamos vivendo a ditadura Policial, Religiosa, Mercado, Estética, até que chegou a ditadura que faltava... da Justiça!


Outro motim na Folha! Colunista diz que STF prepara golpe branco


Enviado por Miguel do Rosário on 13/01/2014


A gente tem falado isso há anos. O STF tem usurpado poder e se portado de maneira descaradamente golpista. Finalmente, alguém com espaço na grande mídia, premido pelos fatos, começa a levantar essa bola. É uma situação de alerta vermelho para a democracia brasileira.

O artigo de Ricardo Melo, por estar onde está, é uma bomba atômica tão grande quanto a entrevista de Ives Gandra e tem um significado. A ficha está caindo em setores da classe média que mantém a independência de alguns neurônios; não os terceirizaram para os hidrófobos da mídia. A onda que nasceu na blogosfera está começando a bater também em alguns quartos da Casa Grande, embora ainda na forma de manifestações esparsas, isoladas. Na verdade, temos apenas dois nomes na mídia velha que reverberam as preocupações que a blogosfera vem externando há anos: Jânio de Freitas e agora Ricardo Mello. Já é um começo, de qualquer forma.

É isso ou então Ricardo Melo está com os dias contados na Folha.


*

Melo: STF ensaia “golpe branco” no Brasil

Por Fernando Brito, no Tijolaço.

O colunista Ricardo Melo, da Folha, publica hoje um artigo corajoso, onde aponta um “ensaio de golpe branco” pela Justiça brasileira, com o Supremo Tribunal Federal à frente.

“A coisa chegou ao ponto de pura esculhambação”, diz Melo, ao descrever o comportamento do presidente do STF, Joaquim Barbosa, no episódio deprimente da decretação “apressada” da prisão do deputado João Paulo Cunha e da saída do magistrado, mais apressada ainda, de férias, sem assinar as ordens que lhe competiam para a detenção do parlamentar.

O (mau) exemplo do STF contagiou todas as esferas judiciárias e até as não-judiciais, agora, se arrogam o direito de dizer o que mandatários eleitos pelo povo (o que eles não são) devem ou não fazer em matéria de leis e ações administrativas.

Um deformação que encontra em Joaquim Barbosa seu maior símbolo: segundo Mello, ele “se acha” a própria Justiça: “ manda prender, soltar, demitir, chafurdar, cassar, legislar -sabe-se lá onde isto vai parar, se é que vai parar.”


*

O ensaio de golpe branco do STF

Ricardo Melo, na Folha

Sem ser nova na política, a expressão golpe branco tem sido atualizada constantemente. Designa artifícios que, com aura de legalidade, usurpam o poder de quem de fato deveria exercê-lo. Para ficar apenas em acontecimentos recentes: a deposição do presidente Zelaya, em Honduras (2009), e o impeachment do presidente Lugo, no Paraguai (2011). Nos dois casos, invocaram-se “preceitos constitucionais” para fulminar adversários.

O Brasil já teve momentos de golpe branco –a adoção do parlamentarismo em 1961, por exemplo. A intenção era esvaziar “constitucionalmente” João Goulart, enfiando um primeiro-ministro goela abaixo do povo. O plano ruiu temporariamente com o plebiscito de 1962, pró-presidencialismo. A partir de 1964, os escrúpulos foram mandados às favas muito antes do AI-5. Os militares trocaram a caneta pelos fuzis e o resto da história é (quase) sabido.

Hoje a situação não é igual, ainda bem. Mas é inegável que a democracia brasileira vem sendo fustigada pela hipertrofia do papel do Judiciário, em especial do Supremo Tribunal Federal. Há quem chame isto de judicialização da política. Ou quem sabe ensaio de golpe branco em vários níveis da administração.

Tome-se o ocorrido em São Paulo. A Câmara Municipal, que mal ou bem foi eleita, decidiu aumentar o IPTU. Sem entrar no mérito, o fato é que a proposta contou com os votos inclusive do PMDB -partido ao qual pertence o presidente da Fiesp, garoto propaganda da campanha contra o reajuste. O que fizeram os derrotados? Mobilizaram os eleitores?

Nem pensar. Recorreram a um punhado de desembargadores para derrubar a medida. Até o Tribunal de Contas do Município, que de Judiciário não tem nada, surfou na onda para barrar… corredores de ônibus! Tivesse o TCM a mesma agilidade para eliminar seus próprios descalabros e sinecuras, quando não a si mesmo, a população ganharia muito mais.

A decantada independência de poderes virou, de fato, sinônimo de interferência do Poder Judiciário. Tudo soa mais grave quando a expressão máxima deste, o Supremo Tribunal Federal, comporta-se como biruta de aeroporto. Muda de ideia ao sabor de ventos (mais de alguns do que de outros), e não do Direito. Ao mesmo tempo, deixa em plano secundário assuntos eminentemente da competência judiciária –como o quadro de calamidade nos presídios brasileiros.

Os casos do mensalão e assemelhados retratam os desequilíbrios. O mais recente: enquanto o processo dos petistas foi direto ao Supremo, o do cartel tucano, ao que tudo indica, será dividido entre instâncias diferentes. Outro exemplo, entre outros tantos, é a descarada assimetria de tratamento em relação a José Genoino e Roberto Jefferson.

A coisa chegou ao ponto de pura esculhambação. O presidente do STF, Joaquim Barbosa, vetou recursos do ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha. Com a empáfia habitual, decretou a prisão imediata do réu, mas não assinou a papelada. E daí? Lá se foi Barbosa de férias, exibindo desprezo absoluto por trâmites pelos quais ele deveria ser o primeiro a zelar. Resultado: o condenado, com prisão decretada, está solto. Mas se era para ficar solto, por que decretar a prisão do modo que foi feito? Já ações como a AP 477, que pede cadeia para o deputado Paulo Maluf, dormitam desde 2011 nos escaninhos do tribunal.

A destemperança seria apenas folclore não implicasse riscos institucionais presentes e futuros. Reconheça-se que muitas vezes vale tampar o nariz diante deste Congresso, mas entre ele e nenhum parlamento a segunda alternativa é infinitamente pior. Na vida cotidiana, as pessoas costumam se referir a chefes e autoridades como aqueles que “mandam prender e mandam soltar”.

No Brasil, se quiser prender alguém, o presidente da República precisa antes providenciar um mandado judicial –sorte nossa! Barbosa dispensa esta etapa: como ele “se acha” a Justiça, manda prender, soltar, demitir, chafurdar, cassar, legislar -sabe-se lá onde isto vai parar, se é que vai parar.




segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Anísio Teixeira: brasileiro, educador, você deveria conhecer!

O Educador Anísio Teixeira




O assassinato de Anísio Teixeira


Blog do Miro


Por Emiliano José, na revista CartaCapital:


Em 11 de março de 1971, Anísio Teixeira passou boa parte da manhã na Fundação Getúlio Vargas (FGV), na Praia do Botafogo, no Rio de Janeiro. Joaquim Faria de Góes Sobrinho, amigo e colaborador de Anísio, colega de trabalho, soube da visita que ele faria ao apartamento de Aurélio Buarque de Holanda, situado na Praia do Botafogo, 48, edifício Duque de Caxias. Sugeriu-lhe fosse a pé. De carro, teria de dar muitas voltas.

Anísio saiu antes das 11 horas em direção ao apartamento de Aurélio Buarque de Holanda, aceitando recomendação de Sobrinho. Almoçaria com ele, e pediria voto: era candidato a membro da Academia Brasileira de Letras. Depois desse almoço, iria para a Editora Civilização Brasileira, na Glória, Rua Benjamin Constant. Ali, trabalhava como consultor.

Anísio tinha uma rotina relativamente rigorosa. Chegava da Civilização Brasileira entre 18,30 e 19 horas. Neste dia 11, um pouco antes das 20 horas, a mulher de Anísio, Emília Ferreira Teixeira, liga para a filha Anna Christina Teixeira Monteiro de Barros, preocupada: nada de Anísio chegar. A filha tranqüilizou-a: o pai poderia ter saído com o embaixador Paulo Carneiro, seu amigo e um dos articuladores de sua candidatura à Academia. Carneiro era representante do Brasil na UNESCO, em Paris, em visita ao Brasil naquele momento.

Mas, o tempo passava, e nada de Anísio. Logo, o apartamento, à Rua Raul Pompéia, 58, apartamento 803, em Copacabana, começou a se encher de parentes e amigos. Começa uma via-crucis: delegacia de polícia de Copacabana, onde não havia qualquer notícia; não estivera na Editora Civilização Brasileira. Terminaram o dia no Hospital Miguel Couto, onde também não havia sinal dele.

Dia seguinte: não estivera também no edifício de Aurélio Buarque de Holanda. Tudo muito estranho, a família em polvorosa. E mais angustiado ficaram todos quando o jornalista Artur da Távola, genro de Anísio, informa que o acadêmico Abgar Renault soubera do comandante do I Exército, Sizeno Sarmento, que Anísio Teixeira estava “detido para averiguações” em dependências da Aeronáutica.

No dia 13, jornais noticiam o desaparecimento do educador. E às 17 horas, Anna Christina recebe um telefonema: “aqui é da polícia...”. Ela passa o telefone para Lúcio Abreu, amigo da família. O educador fora encontrado morto, nas palavras da polícia, no fosso do elevador do edifício onde residia Aurélio Buarque de Holanda.

O corpo estava agora no Instituto Médico Legal. Fora retirado do fosso sem perícia técnica. Na autópsia, estiveram presentes o acadêmico Afrânio Coutinho, o neurologista Djalma Chastinet Contreiras e os médicos Francisco Duarte Guimarães Neto, Domingos de Paula e Deolindo Couto, estes três, professores da UFRJ. Segundo relato dos presentes, havia duas grandes lesões traumáticas no crânio e na região supra-clavicular, incompatíveis com a suposta queda. Relatam, também, a existência de um instrumento cilíndrico, provavelmente de madeira, presumível causador das lesões. O legista, quando prosseguia com sua descrição, foi interrompido abruptamente por dois funcionários provenientes do local de onde o corpo fora retirado, que afirmavam ter sido “morte acidental por queda em fosso de elevador”.

No edifício onde Aurélio Buarque de Holanda morava, outro genro de Anísio, Mário Celso da Gama Lima, junto com um detetive policial, José Pinto, constatava: o corpo não poderia ter caído do alto e chegado ao ponto onde fora encontrado. Não passaria entre duas vigas logo acima, separadas entre si por uma distância de pouco mais de 20 centímetros. As lentes intactas dos óculos de Anísio, encontradas no local, outra evidência da farsa – não havia, então, lentes inquebráveis. Os dois subiram para testar as portas dos elevadores de cada um dos andares. Não conseguiram abrir nenhuma delas.

Mário vai ao IML, a autópsia em curso, ele não consegue assisti-la. O médico e professor da UFRJ, Francisco Duarte Guimarães, havia assistido, e lhe diz sem qualquer vacilação: “Mário, tio Anísio foi assassinado”. Dos que assistiram a autópsia, Mário ouviu a certeza: Anísio fora assassinado.

Foi enterrado no dia 14 de março de 1971, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. A morte ocorria menos de dois meses depois da prisão, tortura e desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva, também no Rio de Janeiro. À época, os esforços para elucidar o caso junto à delegacia responsável esbarravam no fato de que a polícia só admitia tratar o fato como crime comum, malgrado admitisse a hipótese de assassinato. Quando houve a tentativa de incriminar serventes, o filho de Anísio, Carlos Antonio Teixeira, resolveu suspender a investigação.

Esclareço que essas informações estão baseadas em textos produzidos principalmente pelo professor João Augusto de Lima Rocha, da Escola Politécnica da UFBA, membro do Conselho Curador da Fundação Anísio Teixeira e da Comissão da Verdade da UFBA, autor do livro “Anísio em Movimento” e, também, no Memorial enviado à Comissão Nacional da Verdade e à Comissão da Memória e Verdade Anísio Teixeira, da Universidade de Brasília, assinado pelo filho de Teixeira, Carlos Antonio Ferreira Teixeira; por Haroldo Lima, ex-deputado federal, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo e sobrinho-neto de Anísio Teixeira, e pelo próprio João Augusto.

O Memorial anexa matéria do jornal Última Hora, de 15 de março de 1971, onde sérias dúvidas são apresentadas em relação à tese de acidente. A polícia, em princípio, segundo a reportagem, conclui que se Anísio tivesse caído no espaço do elevador de serviço jamais iria cair no platô.

O repórter informa: o corpo estava exatamente sobre o platô, de cócoras, com a cabeça sobre os joelhos e as mãos segurando as pernas. Entre os pés, uma poça de sangue. Na parede, bem no canto, abaixo das duas pilastras, alguns pingos de sangue. Mais nada. E as pilastras não mostravam ranhuras no cimento, na pintura, nem marcas de sangue, coisa que aconteceria se o corpo tivesse batido ali. Ainda segundo a reportagem: quando a portinhola que dá acesso ao platô foi aberta e encontrado o cadáver, outra porta, a da casa de força também estava escancarada. A perícia encontrou ali muitos respingos de sangue.

Outra conclusão categórica da polícia, ainda segundo a matéria: acidente é praticamente impossível. A posição do corpo feria tudo o que já fora visto até ali em acidentes como aquele. “Alguém matou e colocou ali o cadáver do professor Anísio Teixeira”. O repórter anota ainda outras observações da polícia: o chão em volta da portinhola que dá acesso ao poço do elevador havia sido lavado, os óculos de Anísio haviam sido encontrados em uma das pilastras e tudo leva a crer que foram colocadas ali, e ao ser retirado do fosso o cadáver estava sem sapatos e sem paletó. E os elevadores haviam sido revisados havia apenas 20 dias.

O Memorial relata, ainda, depoimento de Luís Viana Filho, de 1988, dado ao professor João Augusto de Lima Rocha, que preparava então o livro “Anísio em Movimento”, publicado pela Fundação Anísio Teixeira, em 1990, e republicado pela Editora do Senado, em 2002. Viana Filho, no depoimento, informa que, procurado pela família, buscou notícias, e recebeu a informação de que Anísio fora detido pela Aeronáutica para esclarecimentos, mas que seria libertado.

E noutro depoimento, dado em 1989, Afrânio Coutinho diz acreditar que Anísio fora morto sob torturas. E diante de James Amado, sua esposa Luiza Ramos, Pedro Roberto Ivo das Neves e do próprio João Augusto, disse ter escrito um documento sobre o episódio, depositado no cofre da Academia Brasileira de Letras, com a recomendação de só ser aberto 50 anos após a ocorrência dos fatos, em 2021, portanto. Coutinho cita o brigadeiro Burnier como um dos responsáveis pelo assassinato de Anísio, o mesmo Burnier dos sinistros planos do Para-Sar e da explosão do gasômetro da Avenida Brasil, abortados pela resistência do capitão Sérgio Macaco.

São muitas as evidências de que Anísio Teixeira foi morto sob tortura. A história tem dessas coisas: as ditaduras acreditam poder esconder as patas depois de cometer crimes, e as patas sujas de sangue um dia reaparecem. É momento de resgatar a memória, revelar a verdade, fazer justiça. Sem condescendência com os criminosos.

domingo, 12 de janeiro de 2014

o carapááálida não leu? ah, não tem petista no enredo... e o vizinho do carapááálida? ah, não acredita... ah


A LIGAÇÃO DANTAS-GILMAR
VEM DE LONGE


“… Gilmar que tem nos ajudado”… E aí, Senador Suplicy ?

Conversa Afiada






Liga amigo navegante que acaba de ler “Operação banqueiro”.

Estupefato.

Quase sem fala !

“E estão soltos, ansioso blogueiro !”, diz ele aturdido.

“Soltos ! E sem algemas !”, desabafou.

(Como se sabe, logo após a segunda prisão de Daniel Dantas, o Supremo Tribunal (sic) Federal baixou uma “súmula vinculante”: daqui por diante, só preto, pobre, p… e petista podem ser algemados. O Dantas, nunca mais !)

O amigo navegante aponta para o que está na pág. 417 do livro de Valente.

O e-mail de Dantas a este grande brasileiro/tucano/lobista, Roberto Amaral – veja que ele cai no colo do Janot :

“... Seria conveniente manter e se possível promover o procurador geral (da Anatel) Antonio Bedran, que obedece (sic) a Gilmar Mendes (Advogado Geral da União). Ele tem ficado ao lado de Gilmar que tem nos ajudado (sic) a levar o assunto para a Justiça Federal.”

“O que mais falta para o senador Suplicy pedir o impeachment do Gilmar ?”, pergunta o amigo navegante.

“Ajudar”, como ?

Sabe qual foi o desfecho desse e-mail, amigo navegante ?

Gilmar Mendes – aqui conhecido como Gilmar Dantas (*) – fez mais do que o pedido de Dantas.

Bedran interveio no processo, dentro da Anatel, A FAVOR DO DANIEL DA DANTAS !

E Daniel Dantas conseguiu enxotar do Brasil os canadenses da TIW e se apossou da empresa Telemig Celular.

“Por iniciativa de Bedran, a Anatel vem se manifestando nas ações judiciais contra (os canadenses), o que fortalece a posição do Opportunity (de Dantas…”

“No começo de 2002 – no finzinho do reinado do Principe da Privataria , PHA – exatamente como Dantas disse que gostaria de ver ocorrer, a Anatel entrou na Justiça ao lado de Dantas”.

Viva (a Justiça d)o Brasil !!!

E depois dizem que foi o PT que aparelhou as agências reguladoras.

E o Gilmar, hein, amigo navegante ?

Ele diz que nunca viu o Dantas na vida.

E precisa ver ?

Está lá, nas paginas do “Operação banqueiro”, no capítulo “As ameaças do grande credor (Dantas)”.

Nesse capitulo, se vê que Dantas trata o Padim Pade Cerra como um desprezível empregado.

Mas, isso é tema de outro post.


Paulo Henrique Amorim

(*) Clique aqui para ver como notável colonista da Globo Overseas Investment BV se referiu a Ele. E aqui para vercomo outra notável colonista da GloboNews e da CBN se referia a Ele. O Ataulfo Merval de Paiva preferiu inovar. Cansado do antigo apelido, o imortal colonista decidiu chamá-lo de Gilmar Mentes. Esse Ataulfo é um jenio. OLuiz Fucks que o diga.

muitos dos filhos já estão ganhando mais do que seus pais


JOVENS DA CLASSE
C TRANSFORMARÃO O BRASIL


Brasil 24/7






Menos conservadores que seus pais, os filhos dos 40 milhões de brasileiros que deixaram a miséria e entraram para a classe C serão determinantes na construção do futuro do Brasil. Juan Arias, em sua coluna no diário espanhol El País, afirma: "Esses jovens são pós-industriais, pós-guerra fria; filhos dos movimentos ambientalistas, da cultura líquida e do processo imparável de secularização. São os que forjarão a identidade do Brasil no futuro imediato. Ou melhor, já estão forjando, embora, para muitos, isso ainda passe despercebido. E começam a ser maioria".



12 DE JANEIRO DE 2014 ÀS 12:04


Favela 247 – Em artigo para a versão em português do site do jornal espanholEl País, o jornalista Juan Arias analisa o impacto que os filhos dos 40 milhões de brasileiros que saíram da pobreza extrema causarão na sociedade, e que serão eles quem determinarão o futuro do país. A diferença cultural entre os pais e os filhos está aumentando, já que os últimos estudam mais e tem consciência de que querem dar um salto social. Segundo Arias, esses jovens são os novos formadores de opinião dentro de suas famílias, e que eles tendem a ser menos conservadores que os pais, sobretudo em questões sexuais e religiosas. "Esses jovens logo serão maioria no Brasil, e a eles terão de prestar contas o mundo político, o econômico e até o religioso", afirma Arias.



por Juan Arias, para o El País

A classe C é hoje protagonista na sociedade brasileira. São 40 milhões que, saídos da pobreza, constituíram um estrato que está influenciando na própria identidade do país. Os filhos dessas famílias constituídas pelos trabalhadores de mais baixo nível profissional, em sua maioria analfabetos ou quase, são uma novidade tão importante que, segundo Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular, podem chegar a “mudar a cara do Brasil”.

Ao contrário de seus pais, que não estudaram, estes jovens já frequentam a escola e sabem mais do que eles. Querem, além disso, continuar sua formação para poder dar um salto social. Serão adultos muito diferentes de seus progenitores, segundo o perfil apresentado no estudo Geração C, feito pelo Data Popular, sobre esses 23 milhões de jovens entre 18 e 30 anos, que recebem salários de até 1.020 reais por mês, e representam 55% dos brasileiros dessa idade.

Esses jovens são os novos formadores de opinião dentro de suas famílias: estão muito mais informados do que seus pais, são menos conservadores do que eles (sobretudo em questões sexuais e religiosas) e começam a ter uma grande força eleitoral.

De fato, são os setores políticos e religiosos os que estão mais preocupados e interessados em saber por onde se movem esses milhões de jovens que dentro de uns anos serão fundamentais para determinar os rumos do país.

Uma pequena mostra da inquietude desses jovens -- que contrasta com certa resignação atávica de seus pais, que se entregavam passivamente às mãos do Estado benfeitor – foi sua atitude nos protestos de junho passado. Muitos desses jovens que cunharam slogans criativos e subversivos provinham da periferia das grandes cidades e são filhos dessa classe C que já exigem mais do que os pais. São também os filhos da internet, da comunicação global e têm ideias próprias sobre a política e a sociedade.

Em alguns casos são eles que estão ajudando seus pais (sobretudo as mães, com pouco ou nenhum estudo) a usar o computador para que possam ter uma conta no Facebook ou enviar e-mails aos amigos.

Um fenômeno novo é que os pais desses jovens, com um salário melhor do que tinham quando viviam na pobreza, estão muitas vezes se sacrificando para que a filha, por exemplo, faça um curso de alguma coisa e “não tenha que limpar casas a vida toda”, ou para que o filho não precise ser “peão de obra” como seu pai, e sim técnico de internet e, se possível, médico ou advogado. De fato, muitos dos filhos já estão ganhando mais do que seus pais como empregados no mundo do comércio, na administração de empresas ou empreendendo seu pequeno negócio, como um salão de cabeleireiro ou uma pequena loja.

Esses jovens logo serão maioria no Brasil, e a eles terão de prestar contas o mundo político, o econômico e até o religioso. Segundo muitos estudos em andamento, esses jovens já pensam de forma diferente dos seus pais, são mais críticos com o poder e mais exigentes com as ações do governo. No campo religioso, eles também representam uma grande interrogação que começa a preocupar as diferentes religiões, sobretudo a Igreja Católica e as evangélicas. Segundo André Singer,um dos analistas mais agudos da sociedade brasileira, os pais dessa classe C pertenciam em 90% às igrejas evangélicas nas quais hoje se encontra fundamentalmente o universo mais pobre do país, enquanto a Igreja Católica tem maior influência entre as classes mais cultas e com renda maior.

No que crerão esses jovens? Essa é uma das incógnitas, objeto de estudo e preocupação do mundo religioso. Houve 35.000 respostas diferentes à pergunta feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

O que começa a parecer, de momento, é que muitos deles já estão desertando das igrejas evangélicas, cujos ensinamentos consideram conservadores demais. Em alguns casos, convenceram também os pais a deixar de frequentarem ditos templos.

Os católicos se beneficiarão desse distanciamento? Parece que não, já que os católicos, que constituíam 90% da população, estão perdendo fiéis a cada ano. Até ontem, para os evangélicos. A partir de agora, é difícil de profetizar.

As primeiras sondagens apontam que esses rapazes se inclinam mais em direção a uma “religiosidade sem Igreja”; a uma “secularização latente” que se afasta cada vez mais das igrejas tradicionais, tanto a católica como a evangélica. Continuam acreditando em Deus, como seus pais, mas rejeitam com mais facilidade as instituições religiosas oficiais.

Esses jovens são pós-industriais, pós-guerra fria; filhos dos movimentos ambientalistas, da cultura líquida e do processo imparável de secularização. São os que forjarão a identidade do Brasil no futuro imediato. Ou melhor, já estão forjando, embora, para muitos, isso ainda passe despercebido. E começam a ser maioria.

sábado, 11 de janeiro de 2014

um trabalho para governadores e deputados estaduais, eles querem?


Criminalidade o assusta? Exija prisões civilizadas

Posted by eduguim on 10/01/14 • Blog da Cidadania





Um dos maiores dramas do Brasil contemporâneo é a desinformação, por incrível que tal fenômeno possa parecer em plena era da informação instantânea. Apesar de todo aparato comunicacional à disposição da humanidade, em países como o nosso a escassez de informações corretas induz os cidadãos a cometerem erros conceituais graves.

Um dos temas em que a ausência de informações corretas produz os maiores estragos é na questão da Segurança Pública. Conceitos medievais permeiam o imaginário do cidadão médio e o induzem a crer em “soluções” que beiram uma selvageria igual ou maior que a do crescente contingente dos que buscam no crime um “ganha-pão”.

Exemplo: pesquisa Datafolha realizada em abril do ano passado apontou que 93% dos entrevistados eram favoráveis à redução da maioridade penal no Brasil. Ou seja: quase todos esses entrevistados querem aumentar a população carcerária e colocar garotos junto a bandidos irrecuperáveis, que tratarão de “adestrá-los”.

O recente show de horrores no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, e os ataques na região metropolitana de São Luís ordenados pelos chefes do crime organizado de dentro das prisões são a versão maranhense do que promove o PCC (Primeiro Comando da Capital) em São Paulo.

O governo federal vem construindo presídios de segurança máxima para isolar os chefes do crime organizado, mas tem sido inútil. O crime organizado funciona como qualquer exército: quando um general cai, outro toma o seu lugar. Não adianta isolar pessoas, portanto. É preciso reformar o sistema, mas isso só governadores e deputados estaduais podem fazer.

Para entender, há que perscrutar o sistema carcerário brasileiro.

Levantamento do Instituto Avante Brasil, baseado em dados do InfoPen, do Ministério da Justiça, revela um dado estarrecedor: houve crescimento de 508,8% na população carcerária brasileira entre 1990 a 2012. O Brasil tem hoje a quarta maior população carcerária do mundo – 548.003 presos em números de 2012, ou 287,31 presos para cada 100 mil habitantes.

O crescimento da população carcerária no Brasil foi muito maior, por exemplo, do que a taxa de crescimento da população, que não passou de 30%. Ou seja: enquanto a população brasileira cresceu 1/3 em duas décadas, a população carcerária mais do que sextuplicou.

Detalhe: de lá para cá, esse contingente seguiu aumentando.

A grande questão é: por que, em pouco mais de duas décadas, a população carcerária brasileira aumentou tanto? O Estado de São Paulo é o maior responsável por esse fenômeno. Hoje, o mais rico e desenvolvido Estado da Federação detém, sozinho, 1/3 de toda a população carcerária brasileira.

Alguém poderia imaginar que o Brasil – e mesmo São Paulo, interior e capital – tornou-se mais seguro com essa verdadeira febre de encarceramentos que explodiu no país, mas é o contrário: quanto mais prendem, mais a criminalidade aumenta.

O grande paradoxo é o de que, simultaneamente, na última década o Brasil tirou mais de duas dezenas de milhões de pessoas da pobreza extrema e distribuiu renda como nunca. Alguns veem nesse fato uma contradição da teoria de que o aumento crescente da criminalidade se deva à carestia social – se temos menos pobreza, por que temos mais criminosos?

A explicação não chega a ser complicada. Ao longo dos últimos vinte anos – período em que a população carcerária explodiu no país –, a deterioração das condições dos presos fez surgir movimentos como PCC, cujo objetivo declarado é o de lutar por melhores condições prisionais.

Com as prisões cada vez mais superlotadas, a criminalidade se organizou dentro delas. Chefes do crime organizado, conforme iam sendo presos passaram a comandar de dentro do sistema carcerário as ações de suas organizações do lado de fora. A febre de encarceramentos, pois, fez surgir o crime organizado de uma forma como nunca ocorrera no país.

No imaginário popular, porém, a causa do crescente aumento da criminalidade ao longo das duas últimas décadas está nas leis “brandas” e nas condições igualmente “brandas” de encarceramento. É comum ver nas redes sociais e até na imprensa pregações pedindo castigos ainda mais inclementes no sistema prisional e encarceramentos mais longos.

Não existe um único especialista nessa área que concorde que é preciso superlotar ainda mais as prisões ou tornar a vida mais dura dentro delas.

Nesse aspecto, reportagem recente da jornalista da revista Carta Capital Cynara Menezes tem uma importância imensa por revelar apenas parte do horror que vige dentro de nosso sistema prisional. A matéria versa sobre um dos maiores motivos de rebeliões dentro dos presídios: a comida.

Sob o título “Os interesses que mantêm o fornecimento de comida aos presos”, Cynara revela que a terceirização no fornecimento de “quentinhas” para a população carcerária e a privatização de unidades prisionais provocaram rápida deterioração das condições de encarceramento.

Alguns trechos da matéria são esclarecedores.


—–

“(…) Entregues, com transporte pago pelo Estado, em delegacias, cadeias e presídios, as tradicionais “quentinhas” em embalagens de alumínio são alvo constante de queixas ao Ministério Público Federal (MPF) pelo mau cheiro, aparência, presença de insetos e alimentos fora do prazo de validade. Como se não bastasse, os contratos são renovados sem nenhum governante, independentemente do partido, parecer interessado em rompê-los. Um provável motivo: empresas de marmitas são importantes doadoras de campanhas eleitorais.

Não à toa, a alimentação é, ao lado da tortura e do direito à visita de familiares, uma das três principais causas de rebelião nas penitenciárias brasileiras. Há uma quarta razão, mais perversa e responsável pelo fortalecimento das facções que dominam os presídios. Embora previsto na Lei de Execução Penal e recomendado pelo Ministério da Justiça, a imensa maioria das unidades prisionais simplesmente não fornece itens de higiene pessoal aos detentos, obrigados a negociar sabonete, pasta de dentes e até papel higiênico com as organizações criminosas. Isso gera dívidas que continuam a ser cobradas inclusive após os presos serem libertados. E tornar-se a mais rápida estrada para a reincidência.

Denúncias de superfaturamento e falta de higiene no preparo dos alimentos pipocam em quase todos os estados. ‘O modelo adotado favorece a fraude’, afirma Eduardo Nepomuceno, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Minas Gerais. ‘As empresas superestimam a quantidade de presos, vendem um cardápio e entregam outro, e a fiscalização não existe. Como é possível medir mil refeições para ver quais pesam a mais ou a menos?’

(…)

Os especialistas ouvidos por Carta Capital são unânimes: não se trata de privatizar ou abrir novas vagas, mas de reduzir a superlotação e cobrar eficiência da direção dos presídios. Em termos alimentares, está comprovado, como sugeriu a CPI do Sistema Carcerário, que a comida melhora quando os presos participam de sua preparação, além de garantir ocupação, remuneração e redução da pena. Também influencia no cardápio a parceria com agricultores das regiões próximas aos presídios, como ocorre nas 11 unidades prisionais da Região Metropolitana do Vale do Paraíba, no interior de São Paulo.

‘Quando preparada pelos presos, a qualidade da comida é muito superior àquela da terceirizada e custa menos’, diz Camila Dias, socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP, para quem as marmitas e seus ‘reis’ são um indício de que a privatização do sistema não é a saída. ‘Existe hoje um lobby fortíssimo pelo repasse da administração à iniciativa privada, mas as refeições demonstram que esse modelo não é sustentável’.”

—–

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) divulgou, ano passado, que há um déficit de vagas de 48% no sistema prisional do país.

1.598 estabelecimentos prisionais foram inspecionados em março de 2013 pelos membros do Ministério Público em todo o país. Esses estabelecimentos tinham, então, capacidade para 302.422 pessoas, mas abrigavam, à época, 448.969. O déficit, naquele momento, foi estimado em 146.547 vagas (48%).

O estudo divulgou que a maioria dos estabelecimentos não separa presos provisórios de definitivos (79%); presos primários dos reincidentes (78%) e por periculosidade (68%). Consequência: entre março de 2012 e fevereiro de 2013, foram registradas 121 rebeliões e 769 mortes. São números que só se vê em guerras.

Os números apresentados estão defasados. De lá para cá, a situação continuou piorando. E, se nada for feito, irá piorar ainda mais.

Contudo, fazer o que? É praticamente impossível convencer a sociedade de que prisões tão desumanas, além de não intimidar ninguém, constituem-se em usinas de formação de criminosos.

Nas televisões de todo país, programas policialescos inoculam medo e raiva na sociedade e esses apresentadores pregam, incessantemente, que as penas sejam ainda maiores, o que, se ocorresse, agravaria ainda mais uma superlotação que, para os chefes do crime organizado, são mel na chupeta.

Presos pobres e abandonados pelas famílias, como relata a jornalista de Carta Capital, não recebem do Estado sequer um sabonete para tomar banho. Não recebem papel higiênico. Remédios, só em último caso. Dormem uns sobre os outros, gerando abusos sexuais, contaminação, brigas. As celas fedem a excrementos e a comida estragada.

É o inferno na Terra. Alguém que passa anos nessas condições, dificilmente sai da prisão sem ter contraído graves problemas mentais. Os internos tornam-se mais violentos, mais revoltados.

Ainda assim, a maior parte da sociedade quer condições ainda piores de encarceramento, esquecendo-se de que não dá para encarcerar para sempre alguém que, por exemplo, roubou um aparelho de som de um carro ou que vendeu um pacotinho de droga. O indivíduo é preso, cumpre sua pena e depois é devolvido às ruas. Até porque, o sistema não comporta mais gente. É preciso dar espaço para criminosos que não cumpriram suas penas.

Os setores da sociedade que exigem penas mais longas e condições de encarceramento ainda mais desumanas são absolutamente impermeáveis à lógica. Sobre artigo recente publicado nesta página, um leitor comentou que “bandido bom é bandido preso”. São frases curtas assim que produzem o efeito deformador da realidade que fundamenta as atuais condições selvagens de encarceramento no Brasil.

Com efeito, a maioria da sociedade quer isso mesmo, que as prisões sejam torturantes. Quanto mais torturantes, melhor. Quanto mais o preso sofrer, melhor. Praticamente ninguém reflete que boa parte dos que são submetidos a esse inferno terão que ser devolvidos ao convívio social quando cumprirem suas penas. E que, após passar por tudo isso, estarão loucos.

O fato é que a sociedade, ao exigir condições desumanas de encarceramento, acaba produzindo em massa as feras que irão atacá-la. E concede ao crime organizado o que precisa, uma massa de manobra que os chefes criminosos usam em exércitos que colocam cidades de joelhos, como faz frequentemente o PCC em São Paulo.

E o pior é que a solução desse problema não é tão difícil quanto parece. Um presídio com capacidade para algumas centenas de presos custa em torno de uns quinze milhões de reais. Estima-se que o país precisa de cerca de 400 prisões para acabar com a superpopulação carcerária. Estamos falando, pois, de 6 bilhões de reais para resolver o problema.

Não chega a ser inviável. Por que, então, o país não faz esse gasto? Mesmo que esse número dobre com toda a infraestrutura que uma prisão exige, não chega a ser um gasto inviável se levarmos em conta que o fim do caos no sistema prisional desarticularia o crime organizado e interromperia o despejo de criminosos enlouquecidos nas ruas após cumprirem suas penas.

O país economizaria com repressão e até com o sistema de saúde, por incrível que pareça. Obra do historiador e pesquisador Luis Mir intitulada “Guerra Civil – Estado e Trauma” mostra que se a guerra entre o Estado e os criminosos fosse fortemente reduzida, os gastos de pronto-atendimento dos hospitais seriam reduzidos drasticamente.

Um dado dessa obra é impressionante: o maior gasto do sistema público de saúde no Brasil decorre do pronto-atendimento a traumas oriundos da violência e da criminalidade. Ou seja: se violência e criminalidade fossem drasticamente reduzidas, o sistema de saúde pública no país teria uma melhora exponencial e poderia se equiparar aos melhores do mundo.

Não se consegue, porém, sequer conversar com os pregadores das teorias de que “bandido bom é bandido morto” ou de que “bandido bom é bandido preso”. Não se consegue explicar à maioria da sociedade que bandido bom é bandido recuperado, ressocializado, reintegrado à sociedade.

E quem cria essa psicose coletiva? A mídia e os políticos. A guerra por audiência gera os programas que predispõem a sociedade a querer vingança contra os criminosos, sem se importar com as condições sociais que os fazem cair no crime. E os políticos espertalhões se apresentam como arautos dessa mentalidade, em busca de mais votos.

Neste ano eleitoral de 2014, esse fenômeno irá se agravar. Os candidatos a governador não irão prometer prisões que parem de produzir monstros que, uma vez tendo cumprido suas penas, serão devolvidos às ruas. Pelo contrário, irão prometer mais castigos aos presos. E os governadores são os responsáveis por esse caos prisional, pois controlam o sistema.

No Legislativo não é diferente. Deputados e senadores de partidos conservadores continuarão vendendo leis mais duras e prisões mais desumanas como “solução” para a violência e a criminalidade, e uma sociedade acuada, aterrorizada e literalmente dopada por uma mídia sedenta por audiência irá comprar suas promessas falsárias, realimentando o caos.