terça-feira, 12 de janeiro de 2016

o jornalismo de hoje cabe na cabeça do vixinhu ou o vixinhu cabe... eles se merecem!

Jornalismos



11/01/2016






Deu curioso este verão em matéria de autocríticas e banzos jornalísticos.

Um muito pela angústia que sentimos – como cidadãos, mas em especial como profissionais – de ver “triunfar a nulidade” no jornalismo que se pratica hoje na grande mídia, uma espécie de “partido único” capaz de botar inveja à Coreia do Norte. Só que ao contrário, antigoverno e antipaís.

Um pouco por conta de um filme que todos comentam – e eu ainda não vi, só ao trailer – que conta a saga de uma equipe de repórteres do jornal Boston Globe que apura, durante meses, a pratica de pedofilia por padres da cidade, o Spotlight: Segredos Revelados.

De ambos, quase todos que li extraem a constatação de que o jornalismo que nos foi e é a paixão da vida se foi. Existe um novo, diferente, ao qual muitos de nós não teremos nem forças nem tempo de nos acostumar.

É pouco importante, porém, as coisas acontecem à medida do esforço humano, mas desprezando a humana pretensão de conduzi-las.

Semana passada, dia 4, completaram-se 38 anos desde que sentei-me a primeira vez em uma redação de jornal para trabalhar. É natural o cansaço, ainda mais quando a vida é trabalhar de segunda a segunda, sem sábado, domingo, feriado. Férias, que dirá?

Pode importar para mim, mas não importa para o processo social e o avanço social é a paixão inexcedível para um jornalista, como é a cura para um médico e a absolvição de um inocente para um advogado

Paulo Nogueira, hoje, no Diário do Centro do Mundo, comenta o desânimo do gente boa Xico Sá com sua paixão, a dizer que “aqui se despede o idiota que achou que jornal é feito para relatar minimante a realidade.”

Bobagem. Xico e outros fizeram, fazem e farão isso. E quando isso não couber mais num jornal havemos de inventar onde caiba.

Um -para meu orgulho – colaborador deste blog é de outra geração de jornalistas, mais velha que a nossa, tanto que foi meu – e de centenas ou milhares de meus colegas – professor, Nílson Lage.

Fala, também de suas mágoas.

Bobagem, peço respeitosamente para dizer. Pois senão ele não estaria diariamente no Facebook, com sua argúcia, sua sabedoria acumulada, sua coragem e suas palavras claras a lançar luz sobre tantas coisas para nós, seus ex-alunos e eternos aprendizes.

Transcrevo seu relato, com muita coisa do que ainda peguei, naquele janeiro de 1978 em que começou esta paixão que irá até a morte.

“Cada geração tem um depoimento. O da minha se perdeu por velhice e porque, na nossa ética, jornalista não era notícia.

Em suma, tínhamos um jornalismo retórico, dividido entre picaretas e tribunos, entre tomar dinheiro dos bicheiros e discutir os grandes problemas da humanidade – sempre dependente do dinheiro público e dos favores de governos, ou dos que investiam para ser governo. Nesse meio se fizeram grandes jornalistas, do Machado ao Lima, do Callado ao Graciliano.

Tentamos padronizar o estilo, objetivar o relato conforme a técnica universalmente adotada. Não tínhamos ideologia política definida – variava de um de nós para o outro – mas o que nos unia era esse compromisso com a realidade, fato e linguagem. A máfia – ancorada no Estadão, no Globo, nos Associados – resistiu e os militares ajudaram, em parte porque não entenderam nada.

As escolas de comunicação foram criadas por sopro de longe e por gente de fora, com o objetivo de emascular o jornalismo em sua vertente “quixotesca” – a nossa “idiotice da objetividade”. Só ingressamos nelas bem depois, quando, completados os ciclos básicos, constatou-se que alguém precisava falar de jornalismo.

Ainda na década de 1980, a congregação da Escola de Comunicação da UFRJ, dominada por “cientistas sociais”, negou-me redução de carga horária para cursar doutorado, alegando que, sendo mestre, eu já estudara muito para um jornalista (cursei o doutorado assim mesmo).

O que a geração seguinte encontrou foi a luta dos quixotes restantes contra moinhos. Quem movia as pás? A banca, que sempre socorre as empresas do ramo cobrando fidelidade? As agências de publicidade e seus líderes fascistas, os Mainardi e Hasslocker? As indústrias desnacionalizadas por força de uma política que objetivou desnacionalizá-las?


A grande mídia, hoje, é uma máquina de mentiras regional, engajada em uma máquina de mentiras global e que se esforça para superá-la em servilismo. Chegamos a um ponto em que mesmo o mais convicto nacionalista saúda como espaços de libertação o Facebook, o Google, a BBC, o Deutsche Welle…

Fui jornalista a vida toda. Tenho filha jornalista. Minha mágoa – e creio, a de poucos de nós que restam – é muito maior e mais velha do que a de vocês.

E a sua teimosia em ser jornalista, professor, também é maior e mais velha. Mas pode crer que a nossa vai chegar até aí.

E Mariana?

Dique golpista começa a rachar






Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:



O povo não é bobo. Ou não é tão bobo quanto a mídia pensa.

Comentário que pesquei no site do Globo, abaixo da matéria sobre Jaques Wagner, novo alvo da pistolagem política:





Quando entrei na notícia, era o comentário mais recente, aparecendo, portanto, em destaque.

Esse tipo de reação tem crescido. Sabe-se que a grande mídia, em especial o grupo Abril, contratam empresas especializadas em produzir comentários para os portais.

Os blogs da Veja e mesmo o Antagonista são usuários mais conhecidos dessas técnicas de iludir o leitor e o anunciante, para dar a impressão de uma audiência que não existe.

No caso dos blogs da Veja, os serviços são inclusive de péssima qualidade, e muitos comentários são produzidos quiçá eletrônicamente, por robôs, como se pode constatar pela quantidade bizarra de comentários assinados com nicknames, seguidos de textos repetitivos e redundantes, além da recusa destes mesmos serviços de instalar sistemas de comentários via Facebook, que dificultam o controle e a censura.

Quando aparecem comentários críticos às conspirações midiático-judiciais, é porque o sistema de controle rachou.

O dique da manipulação está começando a se romper.

A grande imprensa iniciou a semana com a nota apocalíptica de sempre, o que ajuda a criar um clima de pessimismo, que o mercado reflete no boletim Focus, o qual por sua vez abastece a mídia, num sistema de retroalimentação desgraceiro e doentio.

A grande imprensa continua a demitir em massa, criando nas redações um clima de terrorismo que resulta numa obediência cega do profissional aos ditames editoriais.

Os jornalistas passam a ter medo até mesmo de pensar diferente. De olho na sobrevivência, os profissionais não apenas vendem sua força de trabalho. Vendem também suas ideias, seus sonhos. Isso é o que o sistema atual pode fazer de mais cruel com a juventude disposta a trabalhar nas redações.

Com o recesso parlamentar, o sistema de pistolagem política depende da Lava Jato para vender conteúdo aos jornalões. De posse de um conjunto gigantesco de informações, um punhado de bandidos travestido de autoridades vende seletivamente vazamentos para uma imprensa interessada especialmente num determinado tipo de informação.

Os vazamentos da delação de Cerveró sobre o governo FHC servem para legitimar uma farsa. E digo farsa não porque desacredite da existência de atos de corrupção, tanto no governo FHC quanto nos governos posteriores. Refiro-me ao método de investigação, baseado em delações, de um lado, e num jogo calculado de vazamentos.

Daí que a agenda política nacional continua estreita. Os brasileiros não conhecem o Brasil. A quantas anda a economia brasileira real?

Por que a imprensa esconde que o Brasil tem o monopólio absoluto da produção mundial de nióbio, minério estratégico e essencial na produção de armas, satélites e produtos tecnológicos? Será porque não interessa à família Itaú, detentora deste monopólio?

Por que a imprensa parou de divulgar amplas reportagens-denúncia (se é que fez alguma vez) sobre a tragédia de Mariana?

A quantas anda a questão fundiária no país?

A nossa imprensa vive presa a uma agenda política incrivelmente curta, e repetitiva. Todos os jornais e revistas só falam de dois ou três assuntos, sob a mesma ótica.

A sociedade brasileira tornou-se muito mais complexa do que seu noticiário. Evidentemente, o monopólio cria essas distorções.

A ameaça de um novo delator de oferecer cem nomes de pessoas, envolvidas em algum esquema, transforma a Lava Jato numa grande pantomina. A delação premiada, definitivamente, vulgarizou-se.

Os réus entenderam que podem falar qualquer coisa, e serão premiados. Se não houver provas, não tem importância: a PF se encarregará de inventá-las, através de suposições as mais esdrúxulas possíveis. Os relatórios da PF tornaram-se peças de ficção, em que o policial, de posse de um conjunto volumoso de vazamentos, constrói uma teoria qualquer, a qual, desde que dentro da linha da mídia, será chancelada e defendida por esta custe o que custar.

As previsões econômicas para este ano ainda são bastante ruins: o boletim Focus, que colhe previsões da iniciativa privada, estimou que o PIB deve cair 3% este ano. Para o ano que vem, contudo, espera-se crescimento. Todos os fundamentos sinalizam que o ciclo negativo se esgota este ano. Aliás, já no segundo semestre deste ano, as luzes devem começar a surgir ao fim do túnel.

Politicamente, inclusive, este ano pode ser bem melhor, em virtude da realização das Olimpíadas e das eleições municipais. Melhor no sentido de possuir uma agenda política um pouco mais abrangente. O golpismo tende a se encolher, constrangido, diante do espetáculo de novas eleições livres e democráticas.

As Olimpíadas servem para erguer o astral, além de atrair, para o país, a atenção global, abrindo excelentes oportunidades para trocas culturais, políticas e comerciais.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

o dia em que o rock'n roll derrubou o muro


O dia em que David Bowie derrubou o Muro de Berlim



11/01/2016







Na véspera do lendário concerto em Berlim, em 1987, David Bowie passou o dia no lado oriental. Não tínhamos a menor ideia do que ele tinha ido fazer lá, do outro lado do muro. Aliás, naquela época, ninguém imaginava que algo, um dia, pudesse demover aquela estrutura de concreto bem armado que dividia o mesmo povo em dois mundos. Muito menos que a queda se desse de forma tão inusitada.

A propósito, desde a fundação da primeira Berlim, em 1237, na parte onde está a ilha dos museus (Museusinsel) e sua fusão, setenta anos depois, com o lado norte do rio Spree, quando se formou a cidade dupla, as histórias que compõe a História das Berlins se dividem em trágicas, cômicas e, também, inusitadas.

Depois de passar por vários distúrbios sociais, acrescidos de pestes, guerras e incêndios, a cidade iniciou sua ascensão quando se tornou capital da Prússia e residência oficial do rei. Friedrich III, que era um reles príncipe, conseguiu a promoção após sua autocoroação, transformando-se em Friedrich I, o rei da Prússia. Mas o cara não estava ali para brincadeira. Iniciou um processo de desenvolvimento da cidade, construindo grandes jardins públicos, avenidas (como a famosa Unter den Linden) e, antes de bater as botas, passou o bastão para outros Friedrichs.

Seus sucessores não só deram continuidade à ambiciosa intenção, como ainda, de lambuja, a transformaram na cidade industrial mais importante da Prússia. Além disso, os investimentos em ciências, artes e cultura fizeram com que Berlim passasse a ser o centro do iluminismo. Por esta razão, pensadores, artistas e arquitetos eram atraídos para lá. Nas décadas posteriores foram construídos por Schinkel edifícios dum classicismo pomposo.

Também Lenné criou jardins públicos de um valor artístico esplendoroso. Não fosse outro ambicioso melar os planos, um cara chamado Napoleão, que invadiu, bateu e mandou prender, a fundação do Império Alemão poderia ter demorado menos. Mesmo assim, em 1871, Berlim se tornou a capital desse império e os Friedrichs, que agora eram Wilhelms, acabaram se metendo numa encrenca das grandes: a primeira guerra mundial, cujo desfecho todos nós conhecemos.

Mas depois da divisão da Alemanha em oriental e ocidental, que resultou na construção daquele muro horroroso que cercava a cidade de Berlim, incrustada no meio da Alemanha oriental, outras histórias passaram a compor a Crônica Alemã. Muitos escritores tiveram que produzir no exílio, outros permaneceram em solo comunista, cujas primeiras produções se baseavam em romances dedicados às tragédias da guerra e, também, temas que idealizavam o universo do trabalhador.

Nos anos 60 a produção literária passou a contar com obras mais realistas, que tentavam superar a dicotomia entre trabalho manual e intelectual. Mas foi Christa Wolf quem tematizou, pela primeira vez, a divisão alemã em O Céu Dividido (1963) e Jurek Becker se dedicou à crítica ao cotidiano da Alemanha oriental.

Na década seguinte ainda haveria o subjetivismo de Sarah Kirsch e Stefan Heyn, mas os anos que antecederam a queda, os não menos tumultuados anos 80, eram tempos em que a roqueira Nina Hagen frequentava um bar chamado Risiko e que o monomotor do jovem Mathias, de apenas 19 anos, pousou em plena praça vermelha, diante do Kremlin, num rasante que decepou as cabeças mais altas dos mais altos generais russos.

Naquela noite de sete de junho, o camaleão do rock subiu ao palco, que tinha como fundo o majestoso parlamento alemão – Reichstag, para fazer história. Eu e outros sessenta mil jovens nos espremíamos naquele gramado da Praça da República para ver e ouvir um Bowie que – presença de palco – parecia ter três metros de altura.

De repente a música parou, começou-se a ouvir um ruído que parecia uma espécie de protesto. A gritaria vinha do outro lado do muro, que ficava imediatamente atrás do Reichstag. No lado oriental, outra multidão ouvia Bowie, mas não podia vê-lo. Aos gritos de “O muro tem que sair” e “Nós também queremos ver”, pessoas eram contidas por soldados que não hesitaram em usar a força para tentar dissipar os fãs, que não se intimidaram.

Nesse instante, Bowie virou-se para o lado do muro e, antes de iniciar a próxima canção, disse: “Essa é pra vocês!”.

Cantou a clássica música que conta a história de dois amantes que se encontram no Muro de Berlim: “Heroes”. Todos nos sentimos heróis por um dia.

Tempos depois, se soube que havia equipamentos (caixas de som) virados, estrategicamente, para o lado oriental e também que no dia anterior, Mr. Bowie, havia se encontrado e articulado o ‘movimento’ com jovens alemães orientais. Ele não tinha ido a passeio.

Naquele dia, o muro começou a cair.

o encontro amigável do cambaleante tucano


'Menino de ouro' de Miami é amigo de Aécio




Por Altamiro Borges



No seu colunismo social para os amigos, a revista Época postou em seu site na semana passada: "De férias, Aécio passeia em Miami". A notinha apenas registrou que "o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, está curtindo férias até domingo, dia 10, em Miami. Nesta quinta-feira (7), ele se encontrou com Felipe Massa, corredor de Fórmula 1. Os dois não se conheciam. O jantar de aproximação ocorreu na casa do deputado Alexandre Baldy e foi registrado nas redes sociais pela cunhada de Massa, Anna Carolina Bassi". A revista da famiglia Marinho, que na sua sanha antipetista adora investigar os "amigos de Lula", nem se deu ao trabalho de pesquisar quem é o tal deputado Alexandre Baldy, que cedeu a sua casa em Miami para o encontro amigável do cambaleante tucano.

Bastaria consultar a sua rival na briga pelo troféu de revista do esgoto no Brasil. Em agosto de 2014, a coluna Radar, da Veja, trouxe uma matéria sobre a "bancada de Cachoeira". Num dos trechos, ela ironiza: "A CPI que tentou apurar as tentáculos do bicheiro Carlinhos Cachoeira entre os corredores do poder público, em 2012, não conseguiu sepultar o desejo por ascensão de todos os investigados. Parte deles hoje disputa uma vaguinha nas casas legislativas do país. Ex-secretário de Indústria e Comércio de Marconi Perillo, Alexandre Baldy era tratado por Cachoeira pela alcunha de 'menino de ouro' e agora mira Brasília: disputa uma cadeira de deputado federal".

Com o apoio do governador tucano de Goiás, o "menino de ouro" do mafioso Carlinhos Cachoeira foi eleito deputado federal. Agora, no recesso parlamentar, ele curte a sua mansão em Miami, o paraíso da elite nativa, reunindo seus amigos mais íntimos. Talvez tente esfriar a cabeça, já que as denúncias envolvendo o seu nome seguem em alta. Em meados de 2015, a Justiça bloqueou os seus bens sob a acusação de improbidade administrativa. O jornal goiano Diário da Manhã deu detalhes da sentença em reportagem publicada em 15 de junho. Vale conferir alguns trechos:



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Justiça bloqueia R$ 622,9 milhões do deputado Baldy


Por Hélmiton Prateado e Daiana Petrof


A juíza Suelenita Soares Correia, da 2ª Vara da Fazenda Pública Estadual, decretou a indisponibilidade dos bens do deputado federal Alexandre Baldy (PSDB-GO), da Usina Panorama S/A e de outros citados em ação civil pública por ato de improbidade administrativa. A ação foi proposta pela promotora de Justiça Vilis Marra, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.

A Usina Panorama é uma destilaria de álcool e fabrica açúcar em Itumbiara, e conta com incentivo fiscal através do programa Produzir. Em inquérito civil público, a promotora descobriu que a empresa requereu um privilégio de deixar de gerar 500 empregos e em contrapartida propunha veicular propaganda do programa Produzir nas embalagens de açúcar que produz.

O deputado Alexandre Baldy era secretário da Indústria e Comércio à época em que a Usina Panorama requereu a extensão do benefício e votou favoravelmente ao pedido no Conselho Deliberativo do Produzir. Junto com ele votaram outros gestores que integravam o Conselho Deliberativo: Reinaldo Fonseca, Luiz Lopes de Lima, Luiz Antônio Maronezi, Pedro Ferreira Arantes e Neuza Maêve – todos também acionados na ação do Ministério Público e também com os bens bloqueados.

A ação descreve a sucessão de fatos sobre o acordo entre a Usina Panorama e os gestores do Programa Produzir, em que até mesmo a advocacia setorial da SIC opinou de forma contrária à concessão do aumento do incentivo e que existia a “impossibilidade legal de substituição do parâmetro de geração de 500 ou mais empregos por publicidade do Produzir nas embalagens utilizadas pela empresa”.

Mesmo alertados pela Secretaria da Fazenda e pela advocacia setorial da SIC, os gestores do Conselho do Fomentar decidiram pela concessão de novo financiamento, da ordem de R$ 375 milhões, para a Usina Panorama. “Ressalta-se que não obstante a proibição de se alterar o fator de desconto e ainda o fato de que a Usina Panorama S/A costumava utilizar tal expediente rotineiramente, o que demonstra não ter interesse em cumprir o avençado com o Estado de Goiás, mas que somente usa o benefício, ou seja, a verba pública originária do Fomentar, sem o menor interesse em cumprir com as condições que foram estipuladas para o seu ingresso no programa”.

Na decisão a juíza frisou que a indisponibilidade dos bens é uma medida de cautela, que se demorada a decisão pode ser de difícil reparação e que exige uma providência de urgência. A análise inicial do fato descrito pela promotora, segundo a magistrada, com base na documentação juntada, dá “indícios da prática dos ilícitos capitulados” na lei de improbidade administrativa.

Indisponibilidade

O bloqueio dos bens dos agentes responsáveis pelo suposto ato de improbidade administrativa é medida necessária, segundo a magistrada, “uma vez que após cientificados acerca da existência dessa ação, poderão os requeridos, visando furtarem-se às responsabilidades correspondentes desfazerem-se de seu patrimônio”.

A juíza determinou que sejam oficiados os cartórios de registros de imóveis de Goiânia para bloqueio dos bens e que se proceda até ao bloqueio de ativos financeiros, via on-line, até o limite de R$ 622,974 milhões.

A Usina Panorama S/A enviou expediente à Redação expondo suas considerações sobre a ação do Ministério Público. Os advogados ainda não haviam sido informados oficialmente que a Justiça aceitara a ação de modo direto, sem ouvir as partes citadas na ação, e determinado a indisponibilidade dos bens.

A reportagem tentou ouvir o deputado federal Alexandre Baldy sobre a decisão judicial. No telefone 8111-xxxx ele não atendeu e também não retornou a ligação. Não foi possível deixar recado na secretária eletrônica.



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Essa é a real história da tolice pré-fabricada entre nós


Jessé Souza, sobre a mídia brasileira: “É ela quem tira onda de neutra, quando apenas obedece ao dinheiro” e convoca a classe média às ruas




publicado em 11 de janeiro de 2016 às 12:31






A quem serve a classe média indignada?

MARCELO COELHO, na Folha

Trechos da entrevista com Jessé Souza, presidente do IPEA, que lançou “A Tolice da Inteligência Brasileira”:

Minha tese é a de que, no Brasil, o patrimonialismo serve para duas coisas bem práticas:

1) A primeira é demonizar o Estado como ineficiente e corrupto e permitir a privatização e a virtual mercantilização de todas as áreas da sociedade, mesmo o acesso à educação e à saúde, que não deveria depender da sorte de nascer em berço privilegiado;

2) Serve como uma espécie de “senha” de ocasião para que o 1% que controla o dinheiro, a política (via financiamento privado de eleições) e a mídia em geral possa mandar no Estado mesmo sem voto. Não é coincidência que tenha havido grossa corrupção em todos os governos, mas apenas com Getúlio, Jango, Lula e Dilma, governos com alguma preocupação com a maioria da população, é que a “senha” do patrimonialismo tenha sido acionada com sucesso. Somos ou não feitos de tolos?

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Como não se pode dizer que o que se quer é uma gorda taxa Selic e o acesso “privado” às riquezas brasileiras, como petróleo e ferro, para essa meia dúzia, então diz-se que é para acabar com o “mar de lama”, sempre só no Estado, se ocupado por partidos populares, e sempre seletivamente construído via mídia conservadora em associação com as instituições que querem aumentar seu poder relativo vendendo-se como “guardiãs da moralidade pública”.

É esse discurso que transforma milhões de pessoas inteligentes em tolas. Essa parcela da classe média conservadora é explorada por esse 1% que lhe vende os milagres da privatização brasileira: a pior e mais cara telefonia do globo, por exemplo, campeã de reclamações. De resto, todos os bens e serviços produzidos aqui são piores e mais caros. Mas dessa espoliação da classe média por um mercado superfaturado que vai para o bolso do 1% mais rico ninguém fala.

O filho do “coxinha” quer ter acesso a uma boa universidade pública, e o avô dele, quando está doente e o plano não paga, tem que ir ao SUS para doenças graves e tratamentos caros. Um Estado fraco só serve ao 1% mais rico que pode ficar ainda mais rico embolsando a Petrobras a preço de ocasião. O “coxinha” só é feito de tolo.

A classe média “coxinha” que sai às ruas tirando onda de campeã da moralidade, por sua vez, explora e rouba o tempo das classes excluídas a baixo preço para poupar o tempo do trabalho doméstico e investir em mais estudo e mais trabalho valorizado e rentável.

Luta de classes não é só cassetete na cabeça de trabalhador. É uma luta silenciosa e invisível (para a maioria) que implica monopólio de recursos para as classes privilegiadas e condenações à miséria eterna para a maioria dos 70% que não são da classe média ou do 1% mais rico. A fanfarra do patrimonialismo e da corrupção só do Estado serve, antes de tudo, para tornar essas lutas invisíveis.

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A estrutura de impostos no Brasil tem de ser efetivamente revista no sentido de evitar impostos indiretos em produtos e serviços e atingir mais a renda diferencial, e, muito especialmente, o patrimônio. Desse ponto de vista, ela [classe média] pode ter um pouco de razão.

Mas o ponto mais importante para a tolice da classe média é que o Estado funciona como arrecadador de impostos, antes de tudo, para bancar e garantir a drenagem de recursos arrecadados da sociedade como um todo para a meia dúzia de plutocratas que manda na economia, na política via financiamento de eleições e na mídia. O pagamento de juros para essa meia dúzia e seus colegas estrangeiros – o único aspecto que ninguém nem sequer pensa em cortar em ocasiões de crise – compromete, por exemplo, o investimento em educação e saúde de qualidade para todos.

O plutocrata vai aos EUA se operar se for preciso e manda o filho estudar em Miami ou na Suíça, como acontece realmente hoje em dia. A classe média que sai às ruas para apoiá-lo precisa do SUS quando a chapa esquenta e só conta com a universidade pública aqui mesmo para o filho. Ao mesmo tempo, paga os serviços e produtos mais caros e de menor qualidade relativa do globo no nosso mercado superfaturado. Esse “extra” também é um imposto que sai da classe média direto para o bolso da elite econômica. Mas dele nunca se fala.

Essa classe média, portanto, é espoliada pela elite por mecanismos tanto de Estado quanto de mercado, e é ela que depois sai às ruas para defender os interesses dessa mesma elite usando o espantalho seletivo da corrupção apenas estatal.

Essa é a real história da tolice pré-fabricada entre nós.

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O principal erro do PT para mim foi duplo e reflete sua dependência da narrativa liberal tão importante nele quanto em um partido conservador da elite como o PSDB. Esse foi um dos temas centrais do livro: mostrar que a ideologia liberal amesquinhada dominou também a dita “esquerda”, colonizando a tradição social-democrata ou socialista democrática.

O PT teria que ter criado uma narrativa independente mostrando a importância do passo a passo da ascensão social possível e mostrando as dificuldades também – sem cair, por exemplo, na fantasia da nova classe média, que gerou expectativas desmedidas.

Essa narrativa poderia ter sido uma versão politizada, mostrando a importância da política inclusiva e da “vontade política” para a mobilidade social, de modo a se contrapor à leitura individualista da ascensão social da religião evangélica.

Mas, para isso, teria sido necessário tocar no nó górdio da dominação social no Brasil, que é o papel de “partido político da elite” assumido pela imprensa conservadora desde o golpe contra Getúlio.

É ela, afinal, quem chama a classe média moralista e feita de tola às ruas e é ela que manipula seletivamente e a seu bel-prazer o tema da corrupção como única moeda dos conservadores para mascarar seus interesses mais mesquinhos em pseudointeresse geral. É ela quem tira onda de “neutra”, quando apenas obedece ao dinheiro.

O medo desse confronto foi a real causa do que agora acontece. Em uma sociedade midiática, onde toda informação vem de cima para baixo, tem que existir o contraditório, a opinião alternativa, senão o voto do eleitor não é esclarecido nem autônomo, ou seja, rigorosamente, não tem democracia.

Nesse sentido estamos mais perto da Coreia do Norte do que da Inglaterra ou da Alemanha. Confiar apenas nos “movimentos sociais” nesse contexto é ingenuidade. Esses movimentos também estão sob a égide do discurso único da mídia conservadora. Essa é para mim a real razão do fracasso relativo do projeto petista.


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Edemilson Paraná: Estão roubando seu tempo (e, assim, seu dinheiro)

domingo, 10 de janeiro de 2016

Mas não é Dona Mariza.


Lu Alckmin pode viajar tranquila que a mídia abafa




O caso aéreo de Lu é exemplar para entender a alma abjeta da imprensa. Se fosse a mulher de Lula, jornais se atirariam, em matilha, às denúncias.




Paulo Nogueira - Diário do Centro do Mundo








Acabo de dar uma vasculhada nos tuítes dos últimos dois dias de Ricardo Noblat.

Era um teste cujo resultado, a rigor, eu já conhecia.

Queria ver se ele tinha feito alguma menção aos vôos de Lu Alckmin patrocinados pelo contribuinte paulista.

Nada.

Escolhi Noblat porque, para mim, ela é a essência do jornalista que temos nas grandes empresas. O JP, o Jornalista Patronal, aquele que se empenha loucamente em produzir e reproduzir conteúdos que agradem os patrões.

O caso aéreo de Lu é exemplar para entender a alma abjeta da imprensa.

Se fosse a mulher de Lula, jornais e revistas se atirariam, em matilha, às denúncias.

Manchetes, primeiras páginas, capas, demorados minutos no Jornal Nacional. O público, ou vítima, seria bombardeado.

Mas não é Dona Mariza.

Sendo a mulher de Alckmin, ninguém repercute a história ou, muito menos, a aprofunda. A própria Folha, que deu, logo esquece, ao contrário do que faria se fosse Dona Mariza, ainda que o furo fosse da concorrência.

A mídia já não faz questão sequer de manter as aparências. É preciso ser definitivamente um analfabeto político para levá-la a sério.

Machado de Assis escreveu que o pior pecado depois do pecado é a publicação do pecado. Jornais e revistas usam essa lógica machadiana para encobrir os pecados dos amigos: não os publicam.

O problema é que, na Era Digital, a informação se espalha velozmente pelos sites progressistas e pelas redes sociais.

Quem perde é a sociedade com o comportamento delinquente da mídia.

Discussões importantes são perdidas. Por exemplo: faz sentido um Estado, mesmo sendo São Paulo, ter aviões e helicópteros para o transporte do governador?

Um governo que não pode pagar decentemente professores pode se dar a tal luxo?

Recentemente, o governo britânico conseguiu enfim aprovar a aquisição de um jato para uso do premiê e dos ministro. Uso a serviço, naturalmente, não aquilo que Lu Alckmin e Aécio fizeram com aviões mantidos por recursos públicos.

A argumentação contrária era que um avião para o governo seria um gesto ruim em tempos de austeridade e uma afronta à cultivada frugalidade britânica.

O governo teve que fazer contas para mostrar que economizaria dinheiro com um avião particular.

Foi uma batalha.

Enquanto isso, você fica sabendo, por vias tortas como a compulsão aérea da primeira dama de São Paulo, que o governo paulista tem uma frota aérea.

O Brasil necessita de um choque urgente de simplicidade e frugalidade para que excessos dessa natureza, e de muitas outras, sejam evitados.

A mídia poderia ajudar se fizesse um trabalho decente.

Mas o que ela faz é indecente.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

InfeliZmente, esse é o nosso Brasil?

Escola pública nos Estados Unidos é pior do que eu pensava.







Isso é um blog. O que está escrito é minha opinião, minha história e escrevo para ajudar as pessoas porque sei como é difícil mudar de país com crianças. Mas se busca informações mais oficiais, coloquei vários links no fim do texto.

Não sou daquelas pessoas que sonham em um dia morar nos Estados Unidos. Nunca me passou pela cabeça. Mas a vida tem seus movimentos e não controlamos tudo. Cá estou eu há mais de dois anos em Miami. (depois de ter passado 2 anos em NYC) Como já disse, meus filhos estão em duas escolas diferentes. Não por minha vontade, mas a vida, essa danada.

Quando meu filho entrou na escola pública que está agora (uma Charter School) eu fiquei muito triste como já disse, mas aquela parte otimista dizia em voz alta dentro de mim “vai dar tudo certo, escola pública nos Estados Unidos é legal, deixa de ser fresca”. Faz sete meses e já estamos terminando o ano letivo. Porque o calendário letivo aqui é uma loucura. Não existe um mês que não tenha um feriado. Fora os Teacher Planning Day (que significa dia sem aula) mais o recesso da primavera, o recesso do inverno e as férias de verão com mais de 2 meses. No fim, são 4 meses sem aula. Talvez isso explique a carga horária de 7 horas por dia e a quantidade de lição de casa. Quem dera se explicasse. O que explica é a política. A vontade de uma minoria fazer dinheiro em cima de uma maioria, nesse caso, as crianças. Uma longa história que não vou explorar aqui. Mas é contada nos jornais americanos, é só procurar.

Na escola Waldorf que meus filhos estavam antes, havia uma legião de americanos completamente contra o sistema de ensino local e principalmente as escolas públicas. Hoje eu entendo melhor essas pessoas. No Brasil escola Waldorf não é tão cheia de regras como aqui. Agora eu entendo. Entendo porque os pais assinam o documento que diz: Meu filho não vai assistir televisão, filme, nada de tecnologia. Agora eu entendo porque a maioria das festinhas não tinha doces. Refrigerante é uma palavra proibida. Essas pessoas tiveram a experiência de estar em um escola pública aqui e estavam chocadas, assustadas, pedindo socorro, exagerando para o outro lado para não correr o menor risco de encostar nesse lado que eu estou agora. Porque é muito feio.

Toda semana sai uma matéria em algum importante jornal sobre o absurdo e o tamanho do erro que está sendo cometido nas escolas públicas aqui. (os pais Waldorf estão sempre publicando) Acho interessante, leio e fico com esperança de que, quem sabe um dia, essas vozes serão ouvidas. É muita gente reclamando. E muitos movimentos surgindo também.

Nesse final de semana, li dois artigos que me chamaram a atenção e me fizeram decidir que não posso em sã consciência deixar meu filho nesse lugar. E aqui traduzo as partes que mais me tocaram:

“O problema da tensão pré testes é que na verdade as professoras estão em pânico porque seus salários dependem dos bons resultados dos alunos.”

“Nós fizemos os testes de exemplo em casa. E seria de se esperar que eu, uma mãe com 40 anos de idade, formada e cujo emprego é escrever para adultos, fosse capaz de fazer a prova para meu filho de 8 e 9 anos em alguns minutos sem precisar pensar “hum, espera, isso não é a resposta certa?!” Sim, eu deveria mas não foi o caso. Se eu posso afirmar que duas respostas estão corretas em uma pergunta, a prova é falha.”

“O sistema educacional diz que alunos de 5ª série terão 14 horas de testes. Quatorze. Isso me faz estremecer. Se você me dissesse que eu iria ter 14 horas de testes em um período de duas semanas, eu ia ficar louca. E você quer fazer isso com meu filho de 10/11 anos de idade? A mãe urso começa a dar o seu grito aqui. Isso é não dar às crianças um desenvolvimento apropriado. Ponto final.”

“O MCAT dura cerca de cinco horas e 10 minutos e você precisa fazer para entrar na faculdade de medicina. E o estado da Flórida acha que está tudo certo submeter nossos filhos pequenos a um teste de 14 horas estressantes e cansativas? Resposta fechada soa muito bem quando você diz isso rápido, mas isso significa que alguém ou alguma coisa tem que pontuar esse teste. Um professor, pago a uma quantidade mínima e um computador irão classificar o teste de perguntas fechadas. Não o professor do meu filho que ele vê todos os dias, mas um não-humano que está à procura de respostas automáticas?”

Esses trechos mostram o volume dos testes e a forma incorreta como eles são dados. As escolas públicas dependem financeiramente da nota dos alunos. Logo a pressão é toda em cima deles. Se os alunos vão bem, a escola vai bem. Acontece que os testes são criados por outras pessoas, que não os professores daqueles alunos. E também são avaliados externamente. O material escolar também é triste. Não explica nada. (E a empresa que produz fatura milhões) Os professores também não explicam nada. E no fim, em muitos testes o que conta é a velocidade da execução da prova. (já que são enormes) Por isso, ao invés de ensinar, eles massacram o conteúdo repetidamente para que o aluno faça rápido. E com isso, reduzem em muito o volume do conteúdo. Em matemática meu filho não aprendeu absolutamente NADA nesses meses na escola pública. Como diz um comediante aqui “era ótima aquela época onde falavam de Deus nas escolas, agora estão tirando tudo, tirando até o aprendizado.” Mas como assim: eles ficam 7 horas por dia na escola, sem recreio e aprendem pouco? Pois é, essa é a pergunta que venho me fazendo nos últimos meses.

Temos então estresse das provas, doces toda hora como prêmio, uma cantina que oferece uma comida que nas palavras do meu filho é “o filme de terror das comidas”. Acha que tá ruim? Pois ainda não falei o pior: A GRANDE MAIORIA DAS ESCOLAS PÚBLICAS AQUI NÃO TEM RECREIO. É isso mesmo. Não tem nenhum intervalo. Lembra aquela parte boa de ir para a escola? Não tem. É trabalho. Sem chance de conversar. Afinal você acha que uma professora (mal paga, coitada) vai aguentar mais de 30 alunos conversando em uma sala de aula por 7 horas? Não pode conversar, não pode levantar. As regras são muitas, são rígidas e eu estou tranquila com isso. Mas crianças precisam se mover! Ou no mínimo ter uma pausa. Me conta, você que tem o filho em uma escola pública aqui e que sai falando para todo brasileiro que a escola é uma beleza, você passa 7 horas trabalhando sem nenhum intervalo? Você consegue fazer isso e no fim de uma semana ainda ter saúde?

“Eles se tornaram máquinas que produzem informação ao contrário de ser crianças.” Disse uma mãe no programa de TV, NBC Today.

Claro, cada escola é diferente, então aqui apresento a lei:

Miami–Dade School Board exige que a escola dê 15 minutos de recreio 3 vezes por semana. Ou 20 minutos, 2 vezes por semana a partir do primeiro ano. (primeiro ano do fundamental, crianças com 6 ou 7 anos)

Mas além das 7 horas na escola, a lei diz: uma hora de lição por dia.

Isso é a lei. E nem sempre a lei é respeitada. Algumas escolas denominadas “as melhores” por causa, de novo, dos resultados nos testes não tem recreio nenhum. Zero. E em muitos casos a lição chega a durar 3, 4, 5 horas por dia se estende até o final de semana, feriados, até acabar com a paz na família. Se por um lado temos a imagem de que os americanos chegam em casa e jantam em família com os filhos, na vida real o que acontece é eles chegarem em casa e ajudarem os filhos na lição na mesa do jantar. Mas acredite, não tem nada de relaxante nessa cena.

Esse assunto tem me consumido nos últimos meses. Eu poderia escrever umas 10 páginas aqui contando os detalhes que vi e vivi. Excesso de competição (ranking para tudo), professores e crianças obesas e a reunião de pais é para falar de eventos e seus respectivos doces, falta de senso de comunidade, entre outros. Prefiro virar a página. Ontem matriculei meu filho na escola Montessori onde minha filha estuda. Não é uma maravilha, mas pelo menos eu acredito que vão garantir a saúde e integridade do meu filho dando meia hora de atividade física 4 dias por semana e meia hora de recreio todos os dias.

Para você que está se mudando ou pensa em se mudar para os Estados Unidos, leia muito, se informe, converse com americanos (que têm os filhos na escola HOJE porque essa loucura toda começou em 2005) e sinceramente desejo que encontre uma boa escola particular que você possa pagar.

O problema é meramente político. Não tem nada a ver com as pessoas que trabalham nas escolas. Arne Duncan, Secretária de Educação dos Estados Unidos escreveu no seu blog: “Testing issues today are sucking the oxygen out of the room in a lot of schools.” O Superintendente de Educação de Miami descreve o sistema atual como “too much, too far, too fast.”

Alguns links para quem quiser se informar sobre o assunto:

Our public education system is in deep distress.

Why schools are failing our boys.

Teacher spends two days as a student and is shocked at what she learns.

Why I can´t “in good conscience” leave my kids in public school.

Should elementary schools have recess? Some Florida parents fight for break.

Top 5 reasons why public schools are failing our children.

Ps: Para você que está com os filhos em uma escola Waldorf no Brasil mas está com vários probleminhas, deixa eu te contar uma coisa, isso não é nada. Fica tranquila/o.


Por Cris Leão




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Moro em Massachusetts e meu filho esta terminando o Kindergarten. Eu entendo sua revolta e concordo com muita coisa que voce falou nesse post. Ele ainda nao teve que participar desses novos testes mas eu tambem estou horrorizada, mas a boa noticia e que muita gente tambem esta. Quanto mais os pais se informarem e fizerem pressao nas escolas e nos politicos, mais rapido essa situacao vai ter que mudar. Eu concordo que e um problema politico mas acaba sendo tambem um reflexo da sociedade que preza a competicao, salario e consumo. Mas eu queria ressaltar que cada estado e diferente e cada escola e diferente. E que uma escola privada nao e automaticamente melhor que uma publica. Vale a pena pesquisar. Eu e meu marido levamos muito em consideracao a comunidade e as escolas quando escolhemos onde morar. Eu vejo familias trabalhando horrores pra pagar escola particular, mas nunca leem um livro com o filho ou o levam no parque ou sentam com ele pra conversar.
Enfim, cada caso e um caso. : )


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A gente ri com vontade de chorar...


domingo, 27 de dezembro de 2015

Cunha, o tucanato e os coxinhas não curtem reunião com portas abertas


O xeque mate de Lewandowski em Cunha ao fazer uma reunião de portas abertas.






Postado em 23 dez 2015
por : Kiko Nogueira


Repare na foto abaixo. É a imagem de um homem derrotado.




“Corcunda é a mãe”



Aquele é Eduardo Cunha no momento em que saiu de uma reunião com Ricardo Lewandowski, presidente do STF.

Ela foi provocada por Cunha. Há alguns dias, Cunha afirmou numa coletiva que queria “esclarecer algumas dúvidas” sobre o rito do impeachment. O voto de Fachin fora destroçado no Supremo, destroçando seu projeto de tabela.

Diante dos microfones, o velho Eduardo desfiou um rosário de incertezas: “Se a comissão for rejeitada pelo plenário, como fica? Vai submeter de novo? De que forma vai submeter? Mesmo que a comissão seja aprovada, instala-se a comissão especial, a Mesa Diretora vai ser eleita com voto secreto ou aberto? Vai ter disputa, ou não?”

Na verdade, estava, como de costume, exercendo seu talento na área da empulhação e da intimidação. O encontro acabou acontecendo na tarde de quarta, 23, durou perto de 30 minutos e deu ruim para EC.

Contrariando uma prática desse tipo de evento, Lewandowski abriu seu gabinete para a imprensa. Cunha, acostumado à conspiração e aos arranjos de bastidores, levou um xeque mate.

Ao recusar as portas fechadas, Ricardo Lewandowski ficou automaticamente resguardado de manipulações que Cunha pudesse fazer a posteriori — como, por exemplo, divulgar uma versão particular dos fatos. É o que vive fazendo em seus shows nas entrevistas (eis algo que fará falta na tragicomédia nacional quando ele for preso).

Na frente de dois paus mandados do presidente da Câmara, Lewandowski entregou a seu interlocutor constrangido um documento e explicou-lhe do que se tratava. “A ata da sessão reflete o mais fielmente possível o que aconteceu na sessão, além do voto do ministro Barroso”, afirmou.

“Não há margem para dúvida pela minuciosidade e a forma explícita como foi decidida a questão. Não podemos antecipar qualquer dúvida da Câmara porque não podemos responder nada hipoteticamente”.

A luz do sol ainda é o melhor detergente, especialmente com mestres das sombras e nosferatus das propinas.



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Haja manipulação!

Justiça bloqueia bens da Vale. Finalmente!







Por Altamiro Borges

Na semana passada, finalmente a Justiça Federal determinou o bloqueio de bens das empresas Vale e da anglo-australiana BHP Billiton, donas da Samarco, a responsável pelo rompimento das barragens no Complexo de Germano, em Mariana, no início de novembro. A mídia privada, que garfa milhões em publicidade das corporações criminosas, quase não deu destaque à inédita decisão da Justiça. Ela foi assinada pelo juiz Marcelo Aguiar Machado, da 12ª Vara Federal em Minas Gerais, atendendo às ações impetradas pela União e pelos governos mineiro e capixaba. Ela determina que a Samarco faça um depósito judicial de R$ 2 bilhões para execução do plano de recuperação dos danos ambientais e sociais em um prazo de 30 dias.

Pela Ação Civil Pública, Vale e BHP são poluidoras indiretas e devem sofrer punições, já que a Samarco não tem patrimônio para o ressarcimento integral dos danos, estimados em mais de R$ 20 bilhões. “A efetiva garantia financeira da reparação integral do dano ambiental causado depende do estabelecimento de outras garantias, sendo pertinente, tendo em vista a gigantesca extensão dos danos socioambientais e socioeconômicos causados, que se aplique, com base no artigo 461, parágrafo 5º, do CPC, a medida prevista no artigo 7º da Lei 8.429/92, de indisponibilidade de bens dos réus a fim de se assegurar o integral ressarcimento do dano”, destaca a decisão de Marcelo Aguiar Machado.

Ele também determinou que a Samarco impeça, no prazo de 10 dias, o vazamento de rejeitos que ainda escorrem da barragem rompida e comprove que as medidas já foram adotadas, bem como comprove a execução das medidas de segurança em outras barragens da mineradora. “Neste prazo, as empresas deverão iniciar a avaliação da contaminação de pescados e os riscos para a população, assim como os riscos de proliferação de doenças nas áreas atingidas”, informa o site do Jornal do Brasil. A Vale, que fatura bilhões com a extração de minérios, anunciou que pretende recorrer da decisão. Já a multinacional anglo-australiana BHP Billiton não se manifestou sobre a sentença.

A mídia privada – nos dois sentidos da palavra – fez campanha ostensiva pela privatização da lucrativa estatal Vale do Rio Doce. Apesar dos vários protestos nas ruas e no parlamento, a empresa foi vendida a preço de banana pelo ex-presidente FHC, num processo criminoso que já foi batizado de “privataria tucana”. Se o crime em Mariana, que matou 15 pessoas – segundo estimativas oficiais – e devastou o meio ambiente, tivesse sido cometido por uma empresa estatal, a mídia venal faria o maior escarcéu contra a “ineficiência” do setor público e as maravilhas da iniciativa privada – com o objetivo de forçar sua privatização. Já a Vale privada, com seus milhões em anúncios publicitários, quase não é citada nos jornalões, revistonas e emissoras de rádio e televisão. Haja manipulação!




***


Leia também:


- Não foi tragédia em Marina. Foi crime!

- A Vale da morte e a impunidade

- A tragédia de Mariana e a Lista de Furnas

- Tragédia em Mariana é herança do PSDB

- Aécio Neves chafurda na lama da Vale

- O maior desastre ambiental do Brasil

jornalismo e o desvio de caráter


A imundície do jornalismo “limpinho” no caso Cunha-Cuba


Tijolaço


POR FERNANDO BRITO · 27/12/2015








Não é nenhum absurdo errar no jornalismo.

Recebe-se uma informação falsa, por falta de meios ou de tempo não se a verifica e, pronto, lá se foi a “barriga” jornalística, que é com a gente chama a notícia falsa ou improcedente.

Pode acontecer, ninguém está livre. Se é muito grave, dizia-se no meu tempo, “dá demissão”. É risco do ofício.

O que não pode acontecer foi o que ocorreu neste ridículo episódio da “viagem” de Eduardo Cunha a Cuba noticiada na coluna de Lauro Jardim, no site de O Globo, que parece estar se tornando a recordista em publicação de notícias falsas sobre políticos e seus filhos.

O tema era atraente e a baixaria irrelevante de uma filha do deputado (irrelevante mesmo, porque é uma simples grosseria e a moça não é a que tem conta na Suíça) era irresistível para quem quer ficar dando lições de comportamento aos outros.

Gabriela Amorim, ao que se saiba, não é uma figura pública, não tem nenhum interesse jornalístico e sua postagem no Instagram não faz nenhuma referência política.

Com o perdão da expressão,o que o jornal fez foi simples uso escandaloso de bunda e dedo alheio, tal como fez a mocinha mal-educada ao usar uma imagem de uma dona que tem como profissão ser irmã da “celebridade” Kim Kardashian.

Muito pior, porém, porque não num perfil particular, mas numa coluna que se pretende o máximo do jornalismo sob a marca de um grande jornal.

Não se justifica por ser filha de Cunha e Cunha ser quem é, porque não se justifica com ninguém.

Mas nada é tão ruim que não possa piorar e a coluna piorou.

Passou da má informação, da baixaria e da irrelevância para o mau-caratismo.

Publicou uma “atualização” que não é um desmentido, mas um “arranjo”, sem referência ao erro.

Troca-se, como se vê na imagem, algumas palavras e faz-se o leitor de idiota.

Fere-se, assim, a primeira e maior regra do jornalismo, da qual todas as outras advém: respeite o leitor.

O mínimo que se espera quando se faz algo que pretenda ser chamado de jornalismo é ter dignidade.

Aqui chega lixo de toda espécie, como chega a todos os blogueiros que Lauro e O Globo chamam de sujos.

Na campanha, falou-se da família de Aécio Neves, mas só quando seus atos os envolviam em situações públicas e nunca se explorou situações familiares que não tivessem este viés.

Não é digno de elogios agir assim, é obrigação.

Infelizmente, está deixando de ser a regra.

Ao contrário: a regra parece estar virando o deboche, a grosseria, o uso do jornalismo para um tipo de “fofocagem” mau-caráter.

Nada a ver com informalidade, com fazer polêmica, com ter posição política ou mesmo paixões ideológicas.

Mas quem não pratica no seu próprio trabalho o mínimo ético a que deveria estar obrigado só pode ser um fariseu quando pretende dar lições de ética aos outros.

PS. O erro grosseiro pode ter sido do repórter da coluna de Jardim. O desvio de caráter na “emenda pior que o soneto” é degraus acima, certamente.

Bom dia, Pato...


Eles já não pagam o pato e querem cobrar de você:
Brasil não taxa dividendos e cobra menos imposto sobre propriedade ou herança que outros países



Viomundo


publicado em 26 de dezembro de 2015 às 00:36




18/12/2015 09:35



No Brasil, ricos pagam pouco imposto e convencem os patos

Róber Iturriet Avila e João Batista Santos Conceição, no Brasil Debate


Uma das discussões atuais é sobre o tamanho do Estado, seus papéis e quem o financia. Em comparação com outros países, no Brasil os impostos incidem muito mais sobre consumo e salário do que sobre renda e patrimônio, o que dificulta cumprir os direitos sociais definidos na Constituição de 1988

A cobrança de tributos conforma um relevante aspecto da relação do Estado com a sociedade. Ao longo da história, os papéis do Estado foram alterando, absorvendo cada vez mais funções sociais como saúde, educação, previdência, assistência social, políticas de moradia, para além das básicas como segurança, defesa territorial e mediação de conflitos.

Tais transformações não ocorreram por acaso e tampouco espontaneamente. O processo de acumulação extremamente desigual e a oligopolização da economia constituíram o caldo de cultura para que o sindicalismo e os partidos operários e trabalhistas reivindicassem direitos sociais e distribuição da riqueza por meio de ação do Estado. Isso se deu, sobretudo, após a crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial.

As políticas econômicas keynesianas, o aparelho estatal de oferta de bens e serviços e o sistema de bem-estar social do período 1945-1980 foram identificados, na crítica neoliberal, como elementos que traziam pesado ônus à situação financeira dos Estados.

Após 1980, essa “nova” sistematização de ideias foi implementada. Os resultados de tais políticas consistiram em fragilização dos sindicatos, ampliação das desigualdades, perda de direitos, descompasso entre variação salarial e produtividade do trabalho e ampliação significativa da participação do 1% mais rico na renda. Piketty (2014) quantificou essa concentração.

Presentemente, a disputa de ideias se dá, em grande medida, em relação ao “tamanho” do Estado, seus papéis e quem o financia.

No Brasil, em 2013, 51,3% dos impostos recolhidos nas três esferas de governo tiveram origem no consumo de bens e serviços, 25,0% na folha de salário, 18,1% na renda, 3,9% na propriedade e 1,7% em demais impostos (1).

Quando é efetuada uma comparação com outros países, se observa que na Dinamarca e nos Estados Unidos, por exemplo, metade da arrecadação está centrada em impostos sobre a renda e lucros (gráfico 1).

No que tange à América Latina, os países que mais tributam renda e lucros são: Peru, Chile e Colômbia, representando, respectivamente, 39,9%; 35,8% e 33,5% da arrecadação.

Os impostos sobre patrimônio também são mais baixos no Brasil. Eles alcançaram 3,9% da carga tributária em 2013. Já no Reino Unido, na Colômbia e na Argentina os impostos sobre patrimônio representaram, respectivamente, 12,3%; 10,6% e 9,2% da carga total.

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), o Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) representam, respectivamente, 1,7%, 1,4%, 0,6% e 0,2% da arrecadação brasileira.

A participação do Imposto Territorial Rural (ITR) é de 0,04%do total. Não passa despercebido que o Brasil é um país extenso, conformado por vastas áreas rurais.

O Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) representou 2,7% do produto brasileiro em 2013. Nos países que integram a OCDE, esse valor corresponde a 8,5%, em média. Mesmo ao se comparar com países com níveis de renda semelhante, observa-se que no Brasil a relação é inferior. Na Turquia, por exemplo, é 13,5% e no México 13,6%.

Quanto às alíquotas marginais brasileiras, tanto a mínima, quanto a máxima estão entre as mais baixas. Desde 1998, a alíquota máxima, no Brasil, é de 27,5%. Já na Alemanha é de 45%, na Turquia é de 35% e no México é de 30%.

Além de alíquotas relativamente menores, no Brasil, é possível deduzir do imposto de renda as contribuições à previdência, despesas médicas, dispêndio com dependentes, pensão alimentícia, entre outros. Em 2013, as deduções foram de R$ 295,1 bilhões, 17,4% da arrecadação e 6,1% do produto.

Os 71.440 brasileiros mais ricos declaram deduções na ordem de R$ 100,1 milhões com dependentes, R$ 82,5 milhões com instrução e R$ 804,2 milhões em despesas médicas. No total, os abatimentos representaram uma média de R$ 13,8 mil por indivíduo.

Desses mais ricos, 51.419 são os recebedores de lucros e declararam um patrimônio total de R$ 1,1 trilhão. Dessa maneira, a renda média individual anual é de R$ 4,5 milhões e a média patrimonial é de R$ 20,8 milhões por pessoa.

Os rendimentos isentos e não tributáveis somaram R$ 632,2 bilhões em 2013. Os 71.440 mais ricos obtiveram R$ 297,9 bilhões, dos quais R$ 196,0 bilhões estão isentos, 65,8% do total.

O valor mais significativo dessa categoria provém dos lucros e dividendos distribuídos ao declarante e/ou dependentes. O total foi de R$ 231,3 bilhões. Cumpre frisar que no ano de 1995 a Lei nº 9.249 isentou a tributação sobre os dividendos.


[Nota do Viomundo: Veja lá quem assinou a Lei 9.249]


Dentre o grupo de 34 países que integram a OCDE, apenas a Estônia aplica o modelo de isenção sobre os dividendos. No Reino Unido, a alíquota é de 36,1%; no Chile, 25%; nos Estados Unidos, 21,2%; e, na Turquia, 17,5%. O México passou a tributar em 17,1% os dividendos em 2014.

Ao se efetuar comparações das alíquotas do imposto sobre herança e doação, observa-se que o desalinhamento persiste sob o aspecto de justiça fiscal. A alíquota no Reino Unido é de 40%. Em outros países, ela é variável: nos Estados Unidos, a média é de 29%; no Chile, 13%. No Brasil a cobrança de ITCMD varia de acordo com cada estado. A alíquota média é 3,9%, porém, elas variam entre 1% e 8%, com faixas díspares.

Países como Argentina, Colômbia, França, Índia, Noruega, Suécia e Uruguai adotam o Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), com alíquotas que estão entre 0,4% a 4,8%. O Brasil não cobra esse imposto.

Os direitos sociais no Brasil foram aprimorados na Constituição de 1988. Eles exigiram maior tributação. Assim como a Constituição, a configuração tributária brasileira não foi gerada espontaneamente. Ela representa interesses e o poder de segmentos da sociedade. Mesmo que haja uma constante tentativa de convencimento de que os ricos e os grandes empresários “pagam o pato”, ao se comparar os dados com outros países, observa-se o contrário. Os ricos no Brasil nunca pagaram o pato. Eles apenas convencem os patos que pagam.








Notas

(1) Impostos indiretos são regressivos, pois sua incidência não têm como referência a renda, apenas o consumo. Não diferencia, portanto, os diferentes níveis de poder aquisitivo. A maior participação deste tipo de tributo vai de encontro ao princípio de equidade.

Referências

PIKETTY, T. Capital in the twenty-first century.Londres: The Belknap press of Harvard University press, 2014.

Leia também:

Boulos diz que a mágica do ajuste de Dilma é que ampliou o rombo


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Até 2018, amigo !

Por que você pede o impítim da Dilma?


Até 2018, amigo !


Conversa Afiada


publicado 27/12/2015


Do facebook "Golpe Nunca Mais":

Conteúdo relacionado

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Quem lê Veja não está dividido com nada

é absolutamente fascista



Reflexões sobre o ser historiador


Leandro Karnal




Aula inaugural do Programa de Pós-graduação em História da Universidade Federal de Uberlândia proferida pelo prof. Dr. Leandro Karnal (Unicamp).


Qual o sentido de fazer história?

O trono do ESTUDAR

André Whoong Arnaldo Antunes Chico Buarque Dado Villa-Lobos Dani Black Felipe Catto Felipe Roseno Fernando Anitelli Hélio Flanders Lucas Santtana Lucas Silveira Miranda Kassin Paulo Miklos Pedro Luís Tetê Espíndola Tiago Iorc Tiê Xuxa Levy Zélia Duncan









O Trono de estudar

Ninguém tira o trono do estudar

Ninguém é o dono do que a vida dá

E nem me colocando numa jaula Porque sala de aula

Essa jaula vai virar

A vida deu os muitos anos de estrutura do humano à procura do que Deus não respondeu

Deu a história, a ciência, a arquitetura, deu a arte e deu a cura e a cultura pra quem leu

Depois de tudo até chegar neste momento me negar conhecimento é me negar o que é meu

Não venha agora fazer furo em meu futuro, me trancar num quarto escuro e fingir que me esqueceu

Vocês vão ter que acostumar porque

Ninguém tira o trono do estudar Ninguém é o dono do que a vida dá

E nem me colocando numa jaula Porque sala de aula

Essa jaula vai virar

E tem que honrar e se orgulhar do trono mesmo e perder o sono mesmo para lutar pelo que é seu

Que neste trono todo ser humano é rei seja preto, branco, gay, rico, pobre, santo, ateu

Pra ter escolha tem que ter escola ninguém quer escola, isto ninguém pode negar

Nem a lei, nem estado, nem turista, nem palácio, nem artista, nem polícia militar

Vocês vão ter que me engolir, se entregar

Porque ninguém tira o trono do estudar








Picolé de Chuchu saiu da caverna


Pendurado pela PM de cabeça para baixo, este estudante derrotou Alckmin.



Blog do Baitasar

Diário do Centro do Mundo




Por Kiko Nogueira



Postado em 03 dez 2015
por : Kiko Nogueira


Elissandro da Siqueira dialoga com a PM de Geraldo Alckmin (FOTO MARIVALDO OLIVEIRA)



Geraldo Alckmin foi derrotado pelo estudante Elissandro Dias Nazaré da Siqueira, de 18 anos. Elissandro foi preso, com mais cinco pessoas, num protesto contra a “reorganização” da educação pelo governo de São Paulo.

Tomou as costumeiras cacetadas da PM e, em seguida, foi algemando e carregado de cabeça para baixo numa rua de Pinheiros. “Estou com muito medo. Eles me ameaçaram para ficar calado e sumir, mas vou continuar na guerra”, disse para a reportagem do Uol.

Alessandro resume o espírito dos garotos que estão desmascarando, de maneira implacável, um governante inepto e autoritário. Um cascateiro cuja faceta de coroinha interiorano está sendo atirada no lixo.

Ontem, Alckmin perpetrou mais um de seus disparates: “A polícia dialoga, a polícia conversa, a polícia pede para as pessoas saírem, a polícia dá tempo de as pessoas saírem”, disse.

A polícia bate, não dialoga e Geraldo tem alguma noção disso (embora, a essa altura, é provável que já esteja confundindo as coisas em seu delírio). Quem deveria dialogar é o governador e seus homens, a começar pelo secretário de educação Herman Vorwaald, para quem o ensino no estado é “uma vergonha” — o resultado confesso de duas décadas de PSDB, portanto.

Alckmin terá o mesmo destino de seu colega de partido Beto Richa, do Paraná. Richa, classificado por Aécio como “um dos mais qualificados gestores públicos do país”, viu sua popularidade despencar depois de mandar seus soldados descerem o pau nos professores, com direito a cenas dantescas como um cachorro tirando um naco da perna de um cinegrafista.

Beto Richa, hoje, é um morto vivo. Ninguém, a não ser um psicopata como, por exemplo, Eduardo Cunha, gosta de ver professores ou estudantes apanhando.

Em 2014, uma matéria laudatória sobre Geraldo na Época o saudava como um dirigente que conseguiu “ler as ruas” e os protestos de 2013. “Alckmin sabia, por intuição e por pesquisas, que a população queria um governo tolerante com os manifestantes pacíficos”, afirmava a revista.

Tolerante com revoltados online, kataguiris e débeis mentais que pedem intervenção militar e truculento com alunos da rede de ensino estadual. O Picolé de Chuchu saiu da caverna e mostrou quem é: um rotweiller. Devidamente subjugado e desmoralizado pelos elissandros.



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domingo, 20 de dezembro de 2015

Quá, quá, quá! Quá, quá, quá! Quem são os intelectuais do Golpe de 2015?


Por que Golpe de 64 jamais se repetiria em 2015


Coloque os bacharéis da UDN Golpista ao lado do Gilmar PSDB-MT!​


Conversa Afiada



publicado 20/12/2015




Em 1964, o Golpe tinha os Estados Unidos, o embaixador americano, o chefe da CIA no Brasil e a Quinta Frota a caminho.

Em 2015 não tinha.

Em 1964, o Golpe tinha o mensalão do IBAD.

Tinha o IPES do General Golbery com sua plêiade de empresários paulistas e intelectuais de renome.

O Golpe de 2015 não tinha Golbery: seus substitutos e exegetas não chegam perto em esperteza.

Embora sejam igualmente golpistas e americanófilos.

O Golpe de 64 contou com intelectuais equivocados, mas, de respeitáveis: Antonio Callado, Carlos Heitor Coni, que estudou para padre, Otto Lara Resende, Odylo Costa, filho, Rubem Fonseca, Alberto Dines, Wilson Figueiredo.

Quem são os intelectuais do Golpe de 2015?

Ataulpho Merval de Paiva, a Urubóloga, essa Ilustre colonista da Fel-lha, e o Gaspari (se você conseguir entender o que ele diz, ao fim da décima leitura do mesmo parágrafo).

Por isso, o Gaspari se chama, aqui, de o dos chapéus.

Uns medíocres que se fazem importantes com a repetição: como se a estultice tantas vezes repetida se tornasse sabedoria.

Repetição no jornal, na rádio, na tevê aberta, na tevê paga, nos blogs - e nas conferências que os bancos pagam, como subsídio velado.

Ponha um Merval ao lado do Callado.

A Urubóloga ao lado do Coni.

A Ilustre ao lado de … do … qualquer um.

O Gaspari ao lado do Dines.

(Ele, o de chapéu, vai adorar a sugestão...)

A comparação revelará o abismo que os separa: uns tinham solidez, quilômetros de livros lidos, tinham abrangência, alcance.

Eram Golpistas, mas não eram parvos.

Sabiam escrever o próprio nome.

Não são os “intelectuais” do Golpe de 2015.

(Suspeita-se que a Ilustre jamais tenha lido um único livro.)

São esses intelectuais de 2015 que usam o amplo espaço da Democracia brasileira para tentar destrui-la.

Outro intelectual de 2015 é o Ministro do PSDB-MT, o Ministro Sic Gilmar, do Supremo.

Coloque-o, amigo navegante, ao lado dos “bacharéis da UDN”.

Da UDN de 1964.

Todos Golpistas como o Ministro do PSDB-MT.

Mas, compare Gilmar com Milton Campos, Prado Kelly, Bilac Pinto, Pedro Aleixo, Adauto Lucio Cardoso.

Gilmar fica do tamanho de um rábula de Diamantino.

Um provincianoto com verniz de germanófilo.

Nunca viveu fora do eixo Diamantino-Brasilia.

Tem a visão de mundo de uma barata.

O Golpe de 1964 tinha no Congresso o Carlos Lacerda, máximo Golpista, profissional do Golpe.

Mas, compare-o com os congressistas Golpistas de 2015.

O Eduardo Cunha.

Ponha Cunha, Aecím, Ferraço, Pauzinho, Caiado, Mendonça Filho, Cunha Lima – essa armada brancaleone ao lado do Lacerda.

Lacerda diria deles: são o efeito do purgante , como disse a um Cunha que o chamou de “purgante”.

O Golpe de 1964 tinha as Forças Armadas.

Hoje não tem.

As Forças Armadas se dedicam exclusivamente à superior tarefa de defender a Soberania Nacional dos que cobiçam as riquezas da Amazônia Azul.

O Golpe de 1964 tinha uma razão Moral, digamos assim.

No ambiente da Guerra Fria, o Brasil fazia parte do quadro de valores impostos pelos americanos, os vencedores da II Guerra – ao lados soviéticos, que entraram primeiro em Berlim, e dos chineses do Mao, que massacraram e imobilizaram os japoneses, depois de Nanquim.

Mas, aqui, parecia que só os americanos ganharam a Guerra.

E, na luta entre a Democracia americana e o Comunismo, a classe média brasileira se inclinou para o lado americano.

Qual é o argumento “moral” do Golpe de 2015?

O combate à corrupção?

É uma tentativa de recriar a polaridade.

Se, antes, era a Democracia vs o Comunismo que comia criancinhas, agora é a corrupção do Estado (petista) vs a virtude privada.

A virtude do André Esteves, esse campeão do empreendedorismo pátrio!

Esse herói da Avenida Faria Lima!

Das empreiteiras que fizeram o Alckmin e o Cerra naufragar nas mãos da Conceição Lemes.

A virtude privada do Ricardo Sergio de Oliveira.

Do Preciado.

Do Paulo Afrodescendente.

Do sócio da filha do Cerra naquela sorveteria.

Quá, quá, quá!

A virtude privada dos sonegadores da Zelotes.

À falta de um argumento “moral”, os Golpistas tentaram usar o coitado do vice decorativo.

Um inocente (em termos) útil.

Só ele achava que os tucanos iam dar o Golpe para que Temer e o Wellington, aquele amigão do Paulo Dote, governassem o Brasil.

Os tucanos já tinham até nomeado o Ministro da Fazenda, o Padim Pade Cerra.

O Temer seria promovido de mordomo a rainha da Inglaterra.

O Golpe de 2015 não tinha uma linha de comando definida, clara, como em 1964.

Ia ser um general.

A Vaca Fardada, o Castello ou o Costa.

E foi um general.

(Os dois segundos mereciam o epíteto do primeiro.)

O Golpe de 2015, não!

Podia ser o Cunha, o Temer, o Cerra, o Aecím!

O FHC, por aclamação – em Higyenopolis!

Os Golpistas estavam e estão irremediavelmente divididos.

E tomara que a Presidenta tenha a clareza de manter a Casa Grande dividida como está hoje.

E governar também com a franja progressista da Casa Grande.

Floriano enfrentou a monarquia e os carcomidos em aliança com a cafeicultura paulista, que, naquela altura, significa progresso.

Vargas não se cansou de recorrer a empresários – Horácio Lafer, José Ermirio de Moraes – para fazer avançar a agenda social.

Porque a Casa Grande que tem a sede em São Paulo não tem base social.

Os tucanos não têm candidato a governador e o candidato a Prefeito da preferência do Alckmin vai fazer comício em Sapopemba numa BMW.

Quem simboliza a Casa Grande paulista, hoje?

O Skaf, presidente da FIE P, um industrial da galpão?

O João Dória, que vive de apresentar ricos a políticos e políticos a ricos?

O Cerra, o Alckmin, que ainda serão tragados na Lava Jato?

O Otavím?

O FHC, que não controla a… nem a vaidade?

O Golpe de 1964 não se reproduziria jamais em 2015.

Porque, se, em 1964, o Golpe tinha líderes civis, em 2015 não teve nada que se possa chamar de “líder”.

Os Golpistas de 2015 são diferentes dos Bourbon.

Os Golpistas de 2015 não aprenderam nada e esqueceram tudo.

Dilma governará até o dia 1º de janeiro de 2019, quando passará o poder ao Lula ou a quem o Lula apoiar.

Porque os defensores da Legalidade botam mais gente na rua que os Golpistas.


Paulo Henrique Amorim

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

o vixinhu tá no bolso do paletó de Cunha? Duvido. O vixinhu tá no divã da grobobo rbs_zelotes... levanta daí!


Quem colocou o Brasil no bolso do paletó de Cunha?





POR FERNANDO BRITO · 17/12/2015







Os jornais dão conta hoje de que a busca policial encontrou, no bolso de um dos paletós de Eduardo Cunha, uma cópia do registro das ameaças sofridas pelo ex-relator de seu processo ético na Câmara dos Deputados, Fausto Pinatto.

Como na imagem clássica, Cunha – ao pedir a investigação sobre as declarações de Pinatto de que havia sido intimidado daquela forma – revela neste pequeno detalhe o que todos sabem: é um mafioso, cínico ao ponto de ordenar a morte e levar flores ao enterro.

Aliás, natureza que bem pode ser ilustrada com seu cartão de Natal a Dilma Rousseff.

Dito o que todos já sabem, resta saber quem permitiu a um desclassificado, um marginal com traços de psicopatia, um ladrão público, chegar aonde chegou e ter, hoje, no bolso de seu paletó, os destinos de um país continental e o governo que 54,5 milhões de votos legitimou.

Porque agora, na desgraça, salvo seus capangas com mandato, ninguém assume mais o patrocínio deste inacreditável processo de chantagem política a que foi submetido o nosso país.

Calhordas na política sempre houve, aqui e em toda parte do mundo, mas é preciso que haja uma estufa para que atinjam o grau letal que Cunha alcançou.

Cunha chegou à Presidência da Câmara com mais que o apoio do PMDB e da bancada de deputados que financiou, agora se sabe com que recursos.

Seu caminho contou com o PSDB, com o DEM e com os festejos da mídia que o via como era: uma víbora enrodilhada, pronta a acuar e paralisar o Governo Dilma, com as presas venenosas de seu poder institucional no parlamento.

Suas pautas-bomba, uma a uma, acossaram uma administração forçada, todo o tempo, a mendigar apoio para limitar os danos que elas causavam.

A demora imposta por Gilmar Mendes à decisão de vetar o financiamento privado das campanhas permitiu-lhe arregimentar maiorias para – a pretexto, recordem, de preservar os dinheiros públicos, ideia francamente apoiada pela mídia – manter abertas as burras que transformaram em negócio a política brasileira.

E vieram a terceirização, a redução da maioridade e tudo o mais que lhe valia os aplausos do “Brasil moderno”, já se vê o quanto, pela vocação escravagista.

Pensávamos que o ápice tinha chegado com a chantagem do impeachment, que levou a seu lado, posando sorridentes para a posteridade, todo o lixo perfumado de nossa política, os guris fascistóides, os moralistas possuídos, os juristas senis.

As contas na Suíça, as latas de carne moída, o “usufrutário” dos trusts e muito mais já haviam desnudado Cunha na praça ao ponto de um cego ver suas vergonhas.

Ainda assim, num ato em que ninguém teve a coragem de considerar institucional, mas um gesto de vingança e retaliação por tentar fazer com que ele respondesse pelo que fez, ele acolheu o pedido de impeachment e lançou o país na crise institucional que agora enfrenta.

Coisa de bandido, mas bandido útil.

Lançaram-se todos , sem cogitar um segundo sobre quem lhes servia o pasto, sobre o prato saboroso do poder.

Até a atitude aética e imoral de um vice-presidente sem votos, desavergonhado ao ponto de oferecer-se como capaz de “unir o Brasil”, não teve nos sábios da mídia uma palavra sobre quem lhe propiciava a perspectiva indigna de poder.

Tudo valeu, tudo valia e, esperam, tudo valerá.

Restava, ou ainda resta hoje e talvez amanhã, a Corte Suprema do país.

Veremos se seguirá o caminho do cínico opróbrio que lhe abriu ontem o Ministro Luís Fachin, ao dizer que, no Olimpo da pureza, o crime se perpetra “dentro da lei”.

Claro: os histéricos do fascismo e os patronos do golpe o observam e sua excelência talvez não lhes queira nos calcanhares, a chamá-lo de “governista” porque põe algum freio ao que fez um bandido útil que escancarou-lhes as portas do poder.

Afinal, eles sabem ser mais convincentes e mais gentis que os emissários de Cunha mandados dar recados para Fausto Pinatto, que registrou o boletim de ocorrência que repousava no bolso do paletó do “capo”.

No mesmo bolso do paletó onde repousou por meses o pedido de impeachment que há dias ele afinal sacou e disparou contra o Governo, na ilegítima defesa de suas falcatruas.

É isso o que está, afinal, em julgamento hoje, embora suas excelências portem-se com maneiras e palavras de ascetas.

E, na sua pureza hipócrita, terminem de enfiar o país de 200 milhões de habitantes e o voto da maioria de seus cidadãos na imundície do bolso do paletó do Cunha.


Vosmecê que não gosta do PT... esse mafioso é o seu herói?


O STF dirá: “sim, Cunha é criminoso, mas nós somos covardes”?






POR FERNANDO BRITO · 16/12/2015







No encerramento das 183 páginas descritivas das falcatruas, chantagens e crimes de toda espécie cometidos por Eduardo Cunha, o Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, escreve um libelo impressionante:
Realmente, conforme visto acima, o Eduardo Cunha já demonstrou cabalmente – e por mais de uma vez – que persegue e se vale de suas funções para atingir seus objetivos ilícitos. Caso o contraditório seja exercitado previamente, neste período em que continuar no cargo, Eduardo Cunha não tardará em realizar manobras e condutas, ainda mais agressivas, ainda que por intermédio de outros Deputados, com o intuito de prejudicar não apenas o andamento de seu processo no Conselho de Ética, mas também para atingir todos aqueles que possam vir a colocar-se contra ele. Em outras palavras, é urgente que o Eduardo Cunha seja privado de seus poderes como Deputado Federal e como Presidente da Câmara, pois, do contrário, criará ainda maior instabilidade política para o país e, ainda, não hesitará em perseguir e utilizar todos os instrumentos que possua para retaliar e se vingar de seus adversários, como faz habitualmente.

Há um pedido de liminar, o que torna, ao menos moralmente, obrigatório que -pela gravidade do caso – se anteponha ao debate conclusivo sobre o rito do impeachment.

O Supremo Tribunal Federal estará diante da situação constrangedora de confirmar que pode seguir, na forma e nos métodos adotados por um celerado, o processo de destituição de Dilma Rousseff.

Irão dizer algo como “sim, ele é um criminoso, mas nós somos uns covardes”?

Pobres e negros ocupam a Paulista onde antes só se manifestaram brancos


Dilma mostrou que tem as ruas
Golpe não tem votos - nem as ruas!




Conversa Afiada


publicado 16/12/2015


Na manifestação contra o impeachment da Presidenta Dilma, nesta quarta-feira (16) em que aequipe da Rede Globo foi expulsa dos protestos, os movimentos sociais defendem a cassação do mandato do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

Em São Paulo, milhares foram às ruas. O Conversa Afiada reproduz o que viu.

Em tempo: Pobres e negros ocupam a Paulista onde antes só se manifestaram brancos.






Veja algumas fotos dos manifestantes: