Mostrando postagens com marcador Viva o Brasil. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Viva o Brasil. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O trono do ESTUDAR

André Whoong Arnaldo Antunes Chico Buarque Dado Villa-Lobos Dani Black Felipe Catto Felipe Roseno Fernando Anitelli Hélio Flanders Lucas Santtana Lucas Silveira Miranda Kassin Paulo Miklos Pedro Luís Tetê Espíndola Tiago Iorc Tiê Xuxa Levy Zélia Duncan









O Trono de estudar

Ninguém tira o trono do estudar

Ninguém é o dono do que a vida dá

E nem me colocando numa jaula Porque sala de aula

Essa jaula vai virar

A vida deu os muitos anos de estrutura do humano à procura do que Deus não respondeu

Deu a história, a ciência, a arquitetura, deu a arte e deu a cura e a cultura pra quem leu

Depois de tudo até chegar neste momento me negar conhecimento é me negar o que é meu

Não venha agora fazer furo em meu futuro, me trancar num quarto escuro e fingir que me esqueceu

Vocês vão ter que acostumar porque

Ninguém tira o trono do estudar Ninguém é o dono do que a vida dá

E nem me colocando numa jaula Porque sala de aula

Essa jaula vai virar

E tem que honrar e se orgulhar do trono mesmo e perder o sono mesmo para lutar pelo que é seu

Que neste trono todo ser humano é rei seja preto, branco, gay, rico, pobre, santo, ateu

Pra ter escolha tem que ter escola ninguém quer escola, isto ninguém pode negar

Nem a lei, nem estado, nem turista, nem palácio, nem artista, nem polícia militar

Vocês vão ter que me engolir, se entregar

Porque ninguém tira o trono do estudar








Picolé de Chuchu saiu da caverna


Pendurado pela PM de cabeça para baixo, este estudante derrotou Alckmin.



Blog do Baitasar

Diário do Centro do Mundo




Por Kiko Nogueira



Postado em 03 dez 2015
por : Kiko Nogueira


Elissandro da Siqueira dialoga com a PM de Geraldo Alckmin (FOTO MARIVALDO OLIVEIRA)



Geraldo Alckmin foi derrotado pelo estudante Elissandro Dias Nazaré da Siqueira, de 18 anos. Elissandro foi preso, com mais cinco pessoas, num protesto contra a “reorganização” da educação pelo governo de São Paulo.

Tomou as costumeiras cacetadas da PM e, em seguida, foi algemando e carregado de cabeça para baixo numa rua de Pinheiros. “Estou com muito medo. Eles me ameaçaram para ficar calado e sumir, mas vou continuar na guerra”, disse para a reportagem do Uol.

Alessandro resume o espírito dos garotos que estão desmascarando, de maneira implacável, um governante inepto e autoritário. Um cascateiro cuja faceta de coroinha interiorano está sendo atirada no lixo.

Ontem, Alckmin perpetrou mais um de seus disparates: “A polícia dialoga, a polícia conversa, a polícia pede para as pessoas saírem, a polícia dá tempo de as pessoas saírem”, disse.

A polícia bate, não dialoga e Geraldo tem alguma noção disso (embora, a essa altura, é provável que já esteja confundindo as coisas em seu delírio). Quem deveria dialogar é o governador e seus homens, a começar pelo secretário de educação Herman Vorwaald, para quem o ensino no estado é “uma vergonha” — o resultado confesso de duas décadas de PSDB, portanto.

Alckmin terá o mesmo destino de seu colega de partido Beto Richa, do Paraná. Richa, classificado por Aécio como “um dos mais qualificados gestores públicos do país”, viu sua popularidade despencar depois de mandar seus soldados descerem o pau nos professores, com direito a cenas dantescas como um cachorro tirando um naco da perna de um cinegrafista.

Beto Richa, hoje, é um morto vivo. Ninguém, a não ser um psicopata como, por exemplo, Eduardo Cunha, gosta de ver professores ou estudantes apanhando.

Em 2014, uma matéria laudatória sobre Geraldo na Época o saudava como um dirigente que conseguiu “ler as ruas” e os protestos de 2013. “Alckmin sabia, por intuição e por pesquisas, que a população queria um governo tolerante com os manifestantes pacíficos”, afirmava a revista.

Tolerante com revoltados online, kataguiris e débeis mentais que pedem intervenção militar e truculento com alunos da rede de ensino estadual. O Picolé de Chuchu saiu da caverna e mostrou quem é: um rotweiller. Devidamente subjugado e desmoralizado pelos elissandros.



(Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui).

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Exército e a intervenção militar


Com Dilma, Intervenção Militar é assim: Exército agiliza obras no país e as empreiteiras se queixam





Published abril 19, 2015




Na transposição do São Francisco os trechos a cargo da instituição estão quase concluídos


A eficiência, honestidade e a rapidez do Exército na execução de obras de construção e reforma pelo país estão incomodando as empreiteiras, que se queixam de “concorrência desleal” por parte da corporação.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), Paulo Safady Simão, reclamou esta semana da participação do Exército Brasileiro em obras desenvolvidas pelo governo federal. “O setor da construção civil não vê com bons olhos a atuação do Exército em obras como duplicação de estradas e construção de aeroportos. Não há necessidade de os militares assumirem obras desse tipo”, disse. “O Exército é hoje a maior empreiteira do país”, reclama também João Alberto Ribeiro, presidente da Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias. Segundo ele, poucas construtoras no país têm hoje uma carteira de projetos como a executada pelos batalhões do Exército. No PAC, há 2.989 quilômetros de rodovias federais sob reparos, em construção ou restauração, com gastos previstos em R$ 2 bilhões. Destes, 745 quilômetros – ou R$ 1,8 bilhão – estão a cargo da corporação. “Isso equivale a 16% do orçamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes neste ano”, disse.

O general Jorge Ernesto Pinto Fraxe, da Diretoria de Obras de Cooperação (DOC), do Departamento de Engenharia e Construção do Exército (DEC), rebateu as declarações dos representantes das empreiteiras e afirmou que “a atuação dos militares só ocorre quando é bom para o país e para a instituição”. O general declarou que “algumas das obras assumidas pelos militares eram consideradas prioritárias e estavam tendo problemas para serem tocadas pela iniciativa privada”. “A gente não pleiteia obras. Elas são oferecidas e aceitamos quando elas são importantes para o desenvolvimento do país e para nosso treinamento”, destacou. No auge das obras, 12 mil soldados atuaram na construção civil para o governo.

Ele lembra, por exemplo, que havia uma briga no consórcio vencedor da licitação para a duplicação da BR-101 e que as empresas fugiam do início das obras da transposição do São Francisco. A alegação para o retardamento do início das obras era que o canteiro ficava no polígono da maconha. O general conta que o Exército fez um trabalho social na área e que dois hospitais chegaram ser montados na região, para atendimento à população.

Obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) estão sendo conduzidas pelos militares. Os militares receberam R$ 2 bilhões nos últimos três anos para executar duplicações de estradas, construção de aeroportos, preparar novos gasodutos e iniciar a transposição do Rio São Francisco. No total seriam 80 obras.

A transposição do São Francisco é o caso mais emblemático. Enquanto os trechos que ficaram sob a responsabilidade do Exército estão quase prontos, a parte que cabe às empresas privadas está atrasada ou paralisada. Em Floresta (PE), onde o percentual de execução não passa de 13%. Em outros lugares chega só a 16%. Nos trechos feitos pelo Exército, a obra avançou 3 vezes mais que os das empreiteiras no Eixo Norte (80% está concluída) e 5 vezes mais no Eixo Leste. Por sua vez as empresas privadas estão pedindo mais dinheiro para continuar as obras.

As empresas privadas, algumas delas organizadas em cartéis, depois de retardarem obras importantes para o país, de exigirem reajustes absurdos nos preços, criticam quando o Exército é acionado para garantir as obras prioritárias. Elas alegam uma suposta “concorrência desleal’. Segundo os empreiteiros, a participação expressiva dos militares “inibe o investimento e impede a geração de empregos”.

“O Exército não é um construtor. Quem pensa que vamos concorrer com as empresas está equivocado. Só atuamos para treinar nosso pessoal”, disse o general, que afirma que contrata empresas privadas para a construção de pontes e viadutos.

Os militares também fizeram obras para estatais – como as clareiras na selva para a construção do gasoduto Coari-Manaus, e para outros níveis de governo, como a atual construção do Caminho da Neve, estrada que Santa Catarina quer abrir para unir Gramado (RS) a São Joaquim (SC), favorecendo o turismo de inverno.

Estima-se que, quando concluídas, as obras entregues ao Exército terão um custo até 20% menor para os cofres públicos. “A corporação não pode lucrar com os serviços que presta”. Como emprega os próprios oficiais e soldados, já remunerados pelo soldo, o custo da mão de obra deixa de ser um componente do preço final da empreitada. Por tudo isso, o Exército está desempenhando um papel fundamental na infraestrutura necessária para o Brasil.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Quero ser uma presidenta muito melhor


Refrão contra a Globo vai
ao vivo, no ar, na Globo


Tua filha não fugirá à luta !


Conversa Afiada





Dilma y Lula Da Silva celebran un triunfo histórico en la segunda vuelta, diz a teleSUR



Em seu discurso após a vitória no pleito de hoje (26), a Presidenta reeleita Dilma Rousseff (PT) agradeceu a confiança dos brasileiros para governar o país por mais quatro anos. A petista exaltou a participação de Lula na campanha, pregou a união e informou que o primeiro compromisso do segundo mandato será o diálogo.

Diante de uma militância eufórica, a Presidenta fez um discurso de Estadista. Nos pontos altos de sua oratória, Dilma reforçou a necessidade de uma reforma política por meio de consulta popular, revelou que deseja ser uma Presidenta melhor no segundo mandato e disse que não acredita que o Brasil esteja dividido, mesmo com a acirrada disputa eleitoral. A Presidenta finalizou seu discurso de forma marcante: ressaltou ao Brasil que a sua filha não fugirá à luta.

O público presente comemorou a reeleição de Dilma e participou efetivamente do evento. Nas pausas na fala de Dilma, os militantes entoavam cantos de vitória, como “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” e a frase que ficou famosa no Teatro Tuca, em SP: “Quem não pula é tucano”.



João de Andrade Neto, editor do Conversa Afiada


Abaixo, outras importantes frases de Dilma em seu discurso:


Conclamo a todas as brasileiras e brasileiros para nos unirmos em favor do futuro do nosso país e do nosso povo;

Não acredito que essas eleições tenham dividido o país ao meio;

Em lugar de ampliar diferenças, tenho esperança de que a mobilização tenha preparado um terreno para a construção de pontes;

Algumas vezes, na história, resultados apertados produziram mudanças mais rápidas do que vitórias amplas;

Minhas primeiras palavras são, portanto, de chamamento, à base da união. Pressuponho, em primeiro lugar, abertura e disposição para o diálogo;

Toda eleição é uma forma de mudança, principalmente para nós, que vivemos em uma das maiores democracias do mundo;

Quando uma reeleição se consuma, ela tem de ser entendida como um voto de esperança dado pelo povo;

Quero ser uma presidenta muito melhor do que fui até agora;

O tom mais amplamente invocado foi: reforma;

Minhas amigas e meus amigos, dentre as reformas, a primeira e mais importante deve ser a reforma política. Meu compromisso, como ficou claro durante a campanha, é deflagrar a reforma política, por meio de consulta popular;

Quero discutir, igualmente, com todos os movimentos sociais e as forças da sociedade civil;

Terei um compromisso rigoroso com o combate à corrupção, fortalecendo as instituições de controle e propondo mudanças na legislação atual, pois a impunidade é a protetora da corrupção;

Promoverei, também, com urgência, ações localizadas, em especial na economia, para retomar os níveis de crescimento, garantir emprego e salário. Vamos dar mais impulso para todos os setores, especialmente o industrial. Queremos parcerias com todos

Um Brasil cada vez mais voltado para a educação, cultura, ciência e inovação;

Brasil, mais uma vez, esta filha tua não fugirá da luta! Viva o Brasil e o povo brasileiro!

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Aqui em casa temos orgulho de sermos Dilma e Tarso! Somos 13!

Que continuem esses novos tempos para consolidar nossos desejos legítimos de felicidade!







A insistente busca da vida não aprisiona. Não amordaça. Não mata as utopias nem desmaia com medo das confusões humanas.

Nossas humanidades, por vezes, confundem as certezas disciplinadoras que não suportam nossos sonhos caóticos de vizinhança com desejos coloridos e legítimos de felicidade! 

Neste domingo, 26, podemos fazer desabar o poder da Casa Grande que reinou por 502 anos sobre o Povo brasileiro.

Precisamos votar com ímpeto para fazer sucumbir a dinastia dos senhores da realeza, dando forma a outra vida social, sem imitação ou assimilação, mas com melhor consciência de nós mesmos.

É o dia da nossa mutação social decisiva que, no momento mesmo que triunfa, chama o debate político e dá voz para todos e todas que marcharam solitários pelas cidades, nesses 502 anos, como gentis e atentos servos sob as ordens da Casa Grande.

Está nascendo um Povo construindo esse Novo Mundo.

baitasar

Três: o meu também!


Um voto pela Dona Valdevina. Dois: o meu também



23 de outubro de 2014 | 12:08 
Autor: Fernando Brito






Peço desculpas por compartilhar algo que não me foi enviado, mas postado no Facebook de um jovem, hoje paulistano, para seus amigos.


Olha, eu cresci num bairro quase rural, e nele havia um açougue feio, sujo, mas era o que tinha (ficava do lado da loja de materiais de construção Telo) e lá, muitas vezes via gente humilde pedindo osso pra por na sopa.

Na sequência vinha gente rica e pedia o mesmo osso, só que pro seu cachorro.

Nesse estabelecimento havia aquele sem número de placas jocosas tipo “fiado só amanhã ” e uma que (estamos falando de 1997, 1998 – por aí) dizia “De Fernando em Fernando o Brasil vai afundando” referindo-se ao combo Collor/FHC .

Esse mundo existiu, não tão longe dos condomínios onde moravam as crianças que hoje acham que tem o que tem por um conceito abjeto de mérito.

Do lado da minha casa, grande, sólida, com teto e paredes de concreto, vivia a família da Dona Valdevina, numa casa de pau-a-pique, telhado de lona e na frente de uma vala negra e fedorenta.

Ela e a família dela não tiveram as mesmas oportunidades que eu, minha irmã e meus pais.

Medir é comparar, riqueza e pobreza com relação a quem?

Quem hoje desdenha de sua classificação de classe média deveria ter guardado na mente a imagem da dona Valdevina – 400km e mais de uma década depois, dedico meu voto a ela.

13.



O texto é do meu filho, perdoem o orgulho paterno.

A ele não dei carro, não dei apartamento, nem mesmo dei a atenção e o carinho que ele merecia, perdido em meio à luta política e e o duro trabalho para sobreviver.

Exatamente como ele faz hoje, adulto.

Aliás, ele é um dos responsável por ter nascido, cinco anos atrás, esteTijolaço, aguentando um chefe implacável e duro como o que fui para ele.

Mas que todo dia descobre que tem de aprender a amar e respeitar os jovens, que fica, com o tempo, sendo a única maneira de reter em nós a juventude.

Obrigado, cara, por você ser o que é, por sua própria conta.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Polícia Federal Republicana é competente! Mais um legado!


Desmascarar a Fifa, o maior legado da Copa no Brasil


Juca Kfouri

07/07/2014 16:52







A prisão no Copacabana Palace de Raymond Whelan, diretor da Match, o braço da Fifa para venda de ingressos, é mais um dos gols que a polícia brasileira faz nesta velha prática da transnacional do futebol e um legado inestimável nesta Copa brasileira.

Se já não bastassem todos os escândalos recentes que mancharam indelevelmente a imagem da Fifa, a implosão de seu esquema de câmbio negro — que, posso afirmar sem nenhuma dúvida, funciona, no mínimo, desde 1998, na França, com ramificações, inclusive, nos “terceirizados” da CBF, que funcionam da mesma maneira –, fere definitivamente a instituição.

Whelan, que tem fortes relações com a cúpula do COL, certamente é apenas mais um testa de ferro dos poderosos e quanto mais fundo a polícia for mais gente graduada encontrará.

Não nos esqueçamos que um sobrinho de Joseph Blatter está ligado, de uma forma ou de outra, à Match.

Se a Fifa se vingará em campo do Brasil com seus apitadores dissimulados e seus apitos amestrados é algo que deveremos observar atentamente já a partir de amanhã.

Como será interessante observar se a rede montada pelo cartola brasileiro docemente exilado pelo mundo afora também será desbaratada.

Aí, será uma goleada, a revanche justa para tantos “pontapés no traseiro brasileiro”.

Importante: a Match estava em contato com o Rio-16 para o projeto de hospitalidade da Olimpíada.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

como é bom ter um Estado forte e decidido


DELFIM, DILMA,
ESTADO FORTE E FERROVIAS


Longe vai o tempo da “irresponsável “reforma” do Estado de 1990”, como diz o Delfim.

Conversa Afiada





Saiu no Valor artigo de Delfim Netto sobre o show de Keynes que a Presidenta deu ao lançar o programa de logistica:


O AUMENTO DO INVESTIMENTO



Por Antonio Delfim Netto

Gostemos ou não, a organização social (“simplisticamente” chamada de capitalismo) que o homem encontrou no desenrolar de sua história através de uma seleção quase natural é, até agora, a única que permitiu conciliar, numa medida imperfeita, a liberdade de iniciativa dos indivíduos com uma relativa eficiência produtiva. Ela dá resposta aos crescentes desejos de consumo criados pelo aumento constante da própria liberdade.

Trata-se de um movimento que depende basicamente da construção de um Estado forte, constitucionalmente controlado, capaz de assegurar o bom funcionamento de quantos mercados forem necessários para a manifestação da liberdade de iniciativa e assegurar que os benefícios dela decorrentes possam ser apropriados pelos agentes que a promovem. É por isso que a propriedade privada e a segurança jurídica são condições necessárias, mas não suficientes, para que o ciclo se complete continuamente, cada vez num nível produtivo mais elevado.

Nos casos dos países emergentes com contingente demográfico significativo, que pretendem ser repúblicas e democracias, o processo se repete: começam importando os padrões de consumo e a tecnologia dos mais avançados antes de criarem a sua. Diante desse quadro, é evidente que a antinomia Estado versus mercado é imprópria e prejudicial: não há administração estatal eficiente sem utilizar os mecanismos de mercado, e não há mecanismo de mercado que possa funcionar sem as garantias de um Estado suficientemente forte para controlá-lo.

Ambicioso, programa revela nova postura do governo federal

Neste momento, o excesso de pessimismo que se abateu sobre a economia nacional – em parte consequência da mundial, e em parte resultado de entendimento defeituoso do mercado financeiro com relação aos objetivos da política econômica do governo -, parece começar a ceder e dar lugar a uma pequena recuperação da atividade. Nada mais oportuno e importante para acelerá-la do que o amplo programa de cooptação do setor privado anunciado pela presidenta Dilma Rousseff para a ampliação dos investimentos em infraestrutura.

Trata-se de um programa ambicioso, que revela uma nova postura do governo federal: 1) declara definitivamente superada a desconfiança mútua (sempre negada explicitamente) entre ele e o setor privado, mais dinâmico e melhor apetrechado de técnica e recursos; e 2) devolve aos programas do governo uma visão logística estratégica, que incorpora e integra as rodovias com as ferrovias, com os portos e a geração de energia.

A criação da Empresa de Planejamento Logístico (EPL) recupera e amplia o velho Grupo Executivo de Integração da Política de Transporte (Geipot) criado em 1965, transformado em empresa em 1973, extinta pela irresponsável “reforma” do Estado de 1990. A partir daí, destruiu-se a coordenação logística do governo. Lentamente ela foi sendo entregue à sanha dos partidos que apoiam o “presidencialismo de coalizão de plantão”.

O resultado foi o caos temperado com uma boa dose de corrupção, como mostra, exemplarmente, o caso da Valec. Um ponto importante é que a EPL será dirigida por um técnico de reconhecida probidade e competência, Bernardo Figueiredo.

Outro aspecto significativo do novo programa foi a autorização para o aumento das dívidas de 17 Estados, cujas condições financeiras e administrativas são adequadas para acelerar suas próprias obras de infraestrutura: mobilidade urbana em suas capitais, estradas, saneamento básico e habitação, importante não apenas para ajudar a estimular o crescimento econômico mas, também, melhorar as condições objetivas de vida de suas populações.

O papel do governo federal é de integrador do território nacional, mas a vida de cada cidadão depende de condições locais, dos Estados e municípios. O montante de endividamento autorizado é razoável: da ordem de R$ 42 bilhões. Depois dos imensos abusos que destruíram a credibilidade de Estados e municípios e foram corrigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, é saudável a mudança do entendimento (até agora vigente), que todo e qualquer endividamento é um pecado capital.

Entre o programa e o começo da sua efetiva execução será preciso pelo menos 12 meses, se houver a colaboração dos órgãos de controle ambiental e entendimento adequado do Ministério Público e do Tribunal de Contas da União, sem esquecer o apoio rápido e decisivo do BNDES pelo seu departamento de infraestrutura, hoje dirigido pelo excelente economista Guilherme Lacerda.

Certamente haverá um efeito antecipado sobre o ânimo da sociedade, que começa a ver uma pequena retomada econômica em resposta às medidas fiscais, monetárias e cambiais executadas até agora. A redução da desconfiança mútua entre o setor privado e o governo vai melhorar o ambiente de negócios em todos os setores. O primeiro não quer e não precisa de benesses ou subsídios. Precisa: 1) de condições isonômicas para competir; e 2) de leilões bem projetados, não apenas para atender o presente, mas, principalmente, sustentar investimentos futuros que garantam a melhoria permanente da qualidade dos serviços.

Caiu a ficha! Quando a incerteza sobre o futuro é absoluta, quando o passado não contém informação sobre o futuro, só uma ação decidida e forte do Estado, como a que estamos vendo, pode pôr em marcha o setor privado e a economia. Essa ação, correta e crível, é capaz de antecipar a esperança…

Antonio Delfim Netto é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento.


Em tempo: ainda no Valor, para se ter uma ideia de como é bom ter um Estado forte e decidido:


AGÊNCIA VAI REDUZIR TETO TARIFÁRIO DAS FERROVIAS


Longe vai o tempo da “irresponsável “reforma” do Estado de 1990”, como diz o Delfim.

Não deixe de ler entrevista com o Ministro Paulo Sérgio Passos, dos Transportes: Dilma vai rever as concessões de FHC.


Paulo Henrique Amorim

domingo, 15 de julho de 2012

Presidente de España, Mariano Rajoy: En un corto período de tiempo en el cargo ha gastado su capital político.


Dentro do cenário espanhol: linguagem sombria

Neste Palácio que está instalado o presidente de Espanha, Mariano Rajoy. Em pouco tempo de mandato já gastou seu capital político.
           O uso do conceito armadilha e a falsificação da linguagem política formam parte de uma estratégia intencional para condicionar a percepção da realidade e dificultar o raciocínio crítico. Não é de hoje. A manipulação da linguagem  para manobrar a política é uma constante ao longo  da história. Os sistemas políticos totalitários e fascistas se apoiaram na degradação deliberada para criar dificuldades no raciocínio crítico. Na atualidade, há um novo ataque à linguagem por parte dos poderes econômicos e políticos neoliberais, que vem sendo minuciosamente preparado e posto em prática através dos meios de comunicação controlados por eles. O objetivo é subverter o significado real das palavras para poder modificar a realidade em sua volta e ganhar a complacência dos cidadãos, que percebem as  políticas muito prejudiciais para igualdade e o bem comum.

         A exemplo disto, na quarta-feira, 4 de julho, o presidente da Espanha, Mariano Rajoy, anunciou  as medidas mais drásticas da história desta Península, encaminhando o país ao precipício da ruptura do pacto social que o Governo está obrigado a defender. O presidente espanhol reduziu o subsídio do valor do seguro-desemprego, limitou o acesso à ajuda mínima para reinserção social, gerou mais uma taxa para consultas de saúde pública, dentre outros itens que agudizarão a crise social. Rajoy disse na tribuna: “os espanhóis não podem escolher se fazemos ou não sacrifícios. Não temos esta liberdade”. Afirmação como esta, um governante só deveria pronunciar um minuto antes de apresentar a sua demissão. Se  já não é capaz de  ser responsável pelas políticas que implementa, um  chefe de governo não deve continuar.

           O presidente afirma que não tem liberdade para decidir. Isto é muito grave. Um líder se distingue porque é capaz de garantir plenamente as decisões que toma, sem buscar, subterfúgios. É a base da sua credibilidade. De todo modo, estes recortes somados à palavra austeridade, constituem-se num novo ataque a uma linguagem minuciosamente preparada e posta em prática pelos estrategistas e retóricos do neoliberalismo para acabar com o Bem Estar Social tão arduamente construído depois da Segunda Guerra Mundial.

o carapáááálida não quer ir para a Espanha? Liberalês, capitalês...


Espanha ajuda bancos com 37 bilhões de euros

Diário Gauche
Espanha tem taxa de desemprego de 24%. Entre os jovens é de 51%. Sem comentários.

sábado, 14 de julho de 2012

e o carapáááálida também trabalha para afundar a Petrobrás?


DILMA BATIZA A P-59
E AFUNDA O PIG


Dilma lembrou que foi Nunca Dantes que se insurgiu contra compra de navios da Petrobrás no exterior.

Conversa Afiada






Nos anos 80, o Brasil era a segunda indústria naval do mundo.

Depois, com o sombrio neolibelismo (*), a indústria naval brasileira afundou.

(É uma especialidade da dupla Cerra/FHC.)

Por causa do Nunca Dantes, o Brasil trouxe os estaleiros de volta.

Saiu hoje no Blog da Petrobrás:

DILMA ROUSSEFF BATIZA A PLATAFORMA P-59


A P-59 será a sexta plataforma do tipo autoelevatória da Petrobras em operação no país. Com isto, a empresa aumenta seu alcance em profundidade d’água rasa para 106 m. As atuais operam em até 70m. A Companhia investiu cerca de US$ 360 milhões na construção da plataforma, projetada para atender aos cronogramas operacionais de exploração e produção da Companhia nos próximos anos e dar suporte à eventual estratégia de incorporação de novos blocos exploratórios em águas rasas, dependente ainda de leilões da ANP.

No discurso, a Presidenta reafirmou a política econômica em curso desde 2003: desenvolver e distribuir os benefícios do desenvolvimento com o povo.


(Clique aqui para ler “as crianças são mais importantes que o PIB” e aqui para ler “a inadimplência vai cair”.)

Depois dessa guinada promovida pelo Nunca Dantes, ela realiza o que chamou de “modificar condições”:

- os juros nunca dantes – ela fez questão de usar expressão que o PiG (**) odeia – foram tão baixos;

- a taxa de câmbio hoje impede o sucateamento da indústria nacional por moedas estrangeiras manipuladas (menção implícita à China);

- e a redução progressiva dos impostos.

O Brasil vai sair da crise sem tirar os direitos dos trabalhadores, como a Espanha fez: semana passada cancelou o décimo-terceiro salário.

E não adianta nada.

Tem país na Europa (deve ser a Grécia – PHA), disse ela, em que a taxa de desemprego é de 25% e isso põe na rua, desempregada, a metade da população jovem do país.

E lá eles continuam a cortar direito do trabalhador e a aumentar impostos.

Dilma quer usar a crise para melhorar: reduzir o custos, reduzir os impostos, aumentar a capacitação do trabalhador e com ele distribuir os bônus do crescimento.

Ela lembrou que foi o Nunca Dantes que se insurgiu contra a compra de navios e plataformas da Petrobrás no exterior.

E a solução encontrada para produzir a P-59, da associação da Petrobrás com empresas privadas, se reproduzirá.

Porque ela e o Lula sabem que o brasileiro é capaz de produzir essas obras que ela chamou de “fantásticas” (o ansioso blogueio prefere “espetacular”- PHA).

É por essas e outras que o PiG (**) diariamente tenta vender a Petrobrax à Chevron – clique aqui para ver como o PiG (**) trabalha para beneficiar as empresas estrangeiras, contra a Petrobás.


Paulo Henrique Amorim






(*) “Neolibelê” é uma singela homenagem deste ansioso blogueiro aos neoliberais brasileiros. Ao mesmo tempo, um reconhecimento sincero ao papel que a “Libelu” trotskista desempenhou na formação de quadros conservadores (e golpistas) de inigualável tenacidade. A Urubóloga Miriam Leitão é o maior expoente brasileiro da Teologia Neolibelê.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

terça-feira, 3 de julho de 2012

políticas de transferência de rendas do país


A vitória do Bolsa Família


Por Luis Nassif, em seu blog:

Se houve um vitorioso na Conferência Rio+20 foram as políticas de transferência de rendas do país e, entre elas, especificamente o Bolsa Família.

A agenda da pobreza acabou indo para o centro do documento final da conferência. E em todo lugar em que se discutia o tema, a experiência brasileira era apontada como a mais bem sucedida, em vários aspectos: efetividade (não gera dependência), os beneficiários trabalham, há o emponderamento das mulheres, melhor frequência escolar e desempenho das crianças.


Hoje em dia, há pelos menos duas delegações internacionais por semana visitando o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social), segundo informa a Ministra Tereza Campello, para saber mais detalhes da experiência.

Com 9 anos de vida e 13,5 milhões de famílias atendidas, com riqueza de séries históricas, estatísticas e avaliações, o BF conseguiu desmentir várias lendas urbanas:.

Lenda 1 – o BF criará preguiçosos acomodados.

Os levantamentos comprovam que maioria absoluta dos adultos beneficiados trabalha na formalidade e na informalidade.

Lenda 2 – as beneficiárias tratarão de ter mais filhos para receber mais auxílio.

O último censo comprovou redução geral da natalidade no país, mais ainda no nordeste, mais ainda entre os beneficiários do BF.

Lenda 3 – um mero assistencialismo sem desdobramentos.

Nos estudos com gestantes, as que recebem BF frequentam em 50% a mais o pré-natal; as crianças nascem com mais peso e altura; houve redução da mortalidade materna e infantil. Há maior frequência das crianças às escolas.

Agora, através do programa Brasil Carinhoso, se entra no foco do foco, as famílias mais miseráveis com crianças de 0 a 6 anos. No total, 2,7 milhões de crianças.

Em 9 anos, atendendo 13,5 milhões de família, o BF consegue uma avaliação refinada e de segurança para todos os parceiros.

Com Brasil Carinhoso pretende-se chegar a 2,7 milhões de crianças, em famílias pobres com filhos entre 0 e 6 anos de idade.

A grande preocupação da presidente, explica Tereza Campello, é que essas crianças não podem esperar: qualquer impacto da pobreza sobre sua formação, qualquer problema nutricional as afetará por toda a vida

Essas famílias representam 40% dos extremamente pobres do país. Primeiro, se levantará sua renda atual. O Brasil Carinhoso complementará até atingir R$ 70,00 per capita por mês.

Hoje em dia, não há um técnico de renome que tenha ressalvas maiores ao Bolsa Família. As críticas estão concentradas em colunistas sem conhecimento maior de metodologia de políticas sociais, de estatísticas.

No início do governo Lula, havia duas vertentes de discussão sobre políticas sociais. Uma, a do universalismo inconsequente, a do distributivismo sem metodologia – cujo representante maior era Frei Betto e seu Fome Zero. A outra, um modelo metodologicamente sofisticado, tem como figura central (na parte de focalização) o economista Ricardo Paes de Barros.

Prevaleceu um misto do modelo, com as estatísticas sendo utilizadas para focalizar melhor os benefícios. Foi esse modelo que acabou consagrando universalmente o BF.

As críticas desinformadas - 1

Conhecido por sua militância conservadora, o colunista Merval Pereira (o Globo e CBN) apresentou como contraponto ao Bolsa Familia o que ele considerou uma proposta alternativa de esquerda. “O Fome Zero/Bolsa-Família, do jeito que estava montado pela turma do Frei Betto, era um projeto de reforma estrutural, da estrutura do Estado. Frei Betto queria fazer comissões regionais sem políticos, para distribuição do Bolsa-Família, e a partir daí fazer educação popular”.

As críticas desinformadas - 2

Continua o revolucionário Merval: “ Era um projeto muito mais de esquerda, muito mais voltado para mudanças estruturais da sociedade. O Bolsa-Família hoje é um programa para manter a dominação do governo sobre esse povo necessitado. Patrus transformou-o num instrumento político espetacular, que foi o começo da força do lulismo”. O conceito de educação popular significa fora da rede oficial, levando mensagens populares aos alunos.

As críticas desinformadas – 3

O que Merval descreve, em seu discurso, é modelo similar ao do MST e sua universidade popular. A troco de quê um comentarista claramente conservador de repente se põe a defender modelos revolucionários que levem a “mudanças estruturais na sociedade”? Primeiro, a necessidade de ser negativo em relação a tudo. Segundo, o despreparo para tratar com temas técnicos. Empunha o primeiro argumento que lhe vem à mão, mesmo sendo contra tudo o que defende.

As críticas desinformadas – 4

Quando foi lançado, o Fome Zero nem podia ser tratado como programa. Era um amontoado de iniciativas caóticas cerca de slogans vazios. O objetivo seria mobilizar a sociedade para receber ajuda, sem nenhuma preocupação com logística de distribuição, com levantamentos estatísticos. Não havia a preocupação mínima de integrar o auxílio com educação, meio social. Não gerou sequer um documento expondo qualquer filosofia.

As críticas desinformadas – 5

Todo defeito que Merval vê na BF era constitutivo do tal Fome Zero. E as principais críticas ao Fome Zero vinham justamente dos economistas “focalistas”, aqueles que em geral são mais acatados nos círculos políticos que Merval frequenta. Na época, defendia-se a focalização como maneira de focar os gastos nos mais necessitados, evitando desperdícios. A crítica contrária era a dos universalistas – que queriam políticas sociais para todos.
As críticas desinformadas – 6

O que o BF fez foi incorporar toda a ciência dos indicadores dos focalistas, montar sistemas exemplares de acompanhamento e avaliação, e universalizar o atendimento a todos os miseráveis. É essa visão, amarrada a metodologias de primeiro nível, que a transformou em modelo universal de políticas sociais, perseguido por países africanos, asiáticos, por ONGs europeias e norte-americanas.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A Maior Olimpíada de Matemática do Mundo!


GENIOSINHOS DA MATEMÁTICA.
ESSE NUNCA DANTES…


“Por trás de um bom aluno de Matemática há sempre um bom professor de Matemática”.

Conversa Afiada




Maria Clara, Tábata e Indiana: a Matemática muda a vida

Maria Clara da Silva, 16 anos, de Pirajuba, Minas, foi a primeira estudante de uma escola pública a participar da olimpíada mundial de Matemática, ano passado, em Amsterdam, na Holanda.

Até então, só estudantes de escolas particulares representavam o Brasil.

Maria Clara conseguiu medalha de bronze e este ano disputa a de ouro em Mar del Plata, na Argentina.

Tábata Amaral é filha de um trocador de ônibus, em São Paulo.

Ela tem 18 anos e cursa Física na USP.

Ela quer ser Astrofísica.

Recebeu uma bolsa do grupo Etapa e acaba de receber uma bolsa para estudar em Harvard.

Se quisesse, ia também para Princeton, Columbia ou Yale – que também lhe ofereceram bolsas de estudos.

Tábata é medalha de prata da Olimpíada Brasileira das Escolas Públicas – OBMEP.

Indiana Jhones, de 19 anos, vive em Poxim, Alagoas.

Os pais, desempregados, são beneficiários do Bolsa Família.

Ele é medalha de ouro da OBMEP 2012, e medalha de bronze, em 2009 e 2010.

Indiana não tem, como Tábata e Maria Clara, apoio oficial ou privado para continuar a se dedicar à Matemática.

Esse é um dos problemas da OBMEP.

Por isso, a Olimpíada premia um número cada vez maior de estudantes capacitados, para estimular escolas pelo Brasil afora e mobilizar recursos – públicos e privados – e talentos para apoiar o ensino da Matemática e os jovens que se destacam na OBMEP.

O programa Entrevista Record Atualidade, que vai ao ar nesta segunda-feira, às 22h15, na RecordNews, logo após o programa do Heródoto Barbeiro apresenta, além de Marco Aurélio Garcia, que trata do Paraguai, o professor Claudio Landim, pós-graduado em Matemática, pesquisador do IMPA, Instituto de Matemática Pura e Aplicada –http://www.impa.br/opencms/pt/ - e coordenador nacional da OBMEP.

A primeira fase nacional da prova foi em 5 de junho, em todo o pais.

Participaram 19 milhões 141 mil estudantes de escolas públicas entre o sexto ano do ensino fundamental e o ensino médio.

Alunos de 46.728 escolas.

É a maior Olimpíada de Matemática do Mundo !

Nem a China tem uma igual.

5% dos melhores alunos de cada escola vão para a segunda fase, em 15 de setembro.

Dessa segunda fase saem os premiados e os três estudantes que vão representar o Brasil na olimpíada mundial.

Deverão ser premiados 4.500 alunos – os disseminadores de bom exemplo – com medalhas de ouro, prata e bronze.

Será oferecida a oportunidade de participar do Programa de Iniciação Cientifica Junior, que dá direito a uma bolsa do CNPQ.

Minas Gerais é o estado com melhor resultado.

Porque tem melhores professores de Matemática, diz Landim: “por trás de um bom aluno de Matemática há sempre um bom professor de Matemática”.

Landim diz que já dá para perceber – desde a primeira olimpíada, em 2005 – que a escola que tem aluno premiado tem melhores notas no ano seguinte.

O prêmio frutifica.

Também já dá para perceber que, à medida em que as notas melhoram, os alunos passam a escrever mais, a se expressar além dos números.

Qual é a meta da OBMEP ?

Melhorar a qualidade do ensino de Matemática.

Por isso é importante premiar alunos, porque aluno premiado é professor premiado.

De onde saiu essa boa ideia ?

Landim conta uma dessas histórias que você jamais lerá no PiG (*), amigo navegante.

Um dia, o primeiro Ministro da Ciência e Tecnologia do Governo Lula, Roberto Amaral, do PSB, chegou para uma visita ao IMPA e perguntou o que eles faziam para melhorar o ensino de Matemática no Brasil.

O diretor da Escola explicou que havia dois programas não muito ambiciosos, mas que treinavam professores.

Um dia, aparece no IMPA um cheque de R$ 200 mil do Amaral, para aplicar nos dois programas.

O diretor do IMPA queria devolver o dinheiro: não precisamos de tanto dinheiro !

Pensou melhor e resolveu se inspirar num programa que havia na Secretaria da Educação do Ceará, uma Olimpíada de Matemática, e, com o dinheiro, fazer no país inteiro.

Aí, o ministro tinha trocado, já era Eduardo Campos, também do PSB e, hoje, governador de Pernambuco.

Campos adorou a ideia e consultou o Nunca Dantes.

O Nunca Dantes vibrou !

E deu nisso !

A maior olimpíada de Matemática do Mundo.

Esse Nunca Dantes.

Que não tem diploma …

Mas, o Padim Pade Cerra também não …

(E quando o Chico Pinheiro perguntou a ele por que a Educação em São Paulo era tão ruim, ele pôs a culpa nos “migrantes”- como o Lula …)

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Caraca!!! Estou oscilando entre o desespero e a euforia nesses últimos meses… O que o futuro nos reserva??


JUÍZES EM BRASÍLIA DERROTAM TOURINHO. CHORA, CACHOEIRA!

Saiu na Agência Brasil: TRF1 considera legais as escutas telefônicas que levaram Carlinhos Cachoeira à prisão

Saiu na Agência Brasil:
TRF1 considera legais as escutas telefônicas que levaram Carlinhos Cachoeira à prisão


Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF1) rejeitou hoje (18), por 2 votos a 1, a anulação das escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal nas operações Vegas e Monte Carlo, que investigaram esquemas de corrupção e exploração ilegal de jogos na Região Centro-Oeste.
A maioria dos magistrados entendeu que não houve ilegalidade no fato de a Polícia Federal iniciar as investigações por meio de denúncia anônima, pois o esquema era muito sofisticado e tinha a participação de policiais e agentes públicos.

A Terceira Turma do TRF1 analisou recurso da defesa do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, apontado pela Polícia Federal como líder do esquema. Os advogados queriam anular as escutas porque partiram de denúncia anônima e porque a decisão do juiz de primeira instância, que permitiu as interceptações, não teria sido bem fundamentada.

O julgamento começou na terça-feira da semana passada (12), quando o relator Fernando Tourinho Neto acatou a tese da defesa de Cachoeira e votou pela anulação das escutas como prova. Mas a análise do habeas corpus foi suspensa por pedido de vista do desembargador Cândido Ribeiro.

Ao devolver o processo para julgamento, esta tarde, o desembargador argumentou que denúncias anônimas podem dar início a investigações criminais, conforme tese já consolidada nos tribunais superiores, especialmente quando a suposta teia criminosa é de grande extensão e envolve agentes de segurança pública. O voto foi seguido pelo juiz convocado Marcos Sousa.

Edição: Vinicius Doria


Clique aqui para ler: quem é Tourinho Neto?
Em tempo: quem deve botar as barbas de molho é o passador de bola, o vencedor do Oscar da Corrupção : assim que julgar o mensalão tucano de Minas, o Supremo vai reestabelecer a legalidade da Satiagraha. Esse negócio de ” destruir provas” vai sair de moda . Nao é isso, Dr Macabu ?

A lei é igual para todos, aprendemos desde pequenos na escola. Alguém ainda acredita nisso?

Iguais perante a lei?
Kotscho: Lei Tourinho pode livrar Cachoeira e todo o bando


Escrevinhador


Por Ricardo Kotscho, no Balaio do Kotscho

A lei é igual para todos, aprendemos desde pequenos na escola. Alguém ainda acredita nisso? A cada dia, o nosso Judiciário nos dá exemplos de que alguns são mais iguais do que os outros perante a lei, dependendo dos juízes e dos advogados envolvidos nos processos.

Assim, vão se incorporando ao nosso cotidiano expressões como “a polícia prende e a Justiça manda soltar”, “cadeia só foi feita para pobre, preto e puta”, “quem tem dinheiro para contratar um bom advogado não fica em cana”.

O que vemos, na prática, é que cada juiz faz a sua própria lei, de acordo com suas interpretações particulares. Temos agora a Lei Tourinho. Apresentada na terça-feira pelo desembargador Francisco da Costa Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, de Brasília, a nova lei pode livrar da cadeia não só Carlinhos Cachoeira, mas todos os 81 denunciados pela Polícia Federal na operação Monte Carlo (apenas seis ainda estão presos).

Como relator do habeas corpus que pede a nulidade do processo, Tourinho Neto acatou na íntegra a tese da defesa patrocinada pela equipe do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, ao considerar ilegais as escutas telefônicas da PF e, portanto, nulas todas as provas decorrentes destes grampos.

Com o mesmo argumento, lembrou a edição da “Folha” desta quarta-feira, o Superior Tribunal de Justiça já havia anulado as provas de outras operações da PF, como a Castelo de Areia, que investigou a construtora Camargo Corrêa num caso semelhante ao que agora envolve a empreiteira Delta.

Cachoeira só não está solto ainda porque um dos três integrantes da 3ª turma do TRF1, o desembargador Cândido Vieira, pediu vista e o julgamento do processo foi adiado para a próxima semana.

Basta, portanto, apenas mais um voto, não só para o contraventor sair da cadeia, mas para enterrar toda a operação policial que investigou por um ano a rede de corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais por ele comandada, que levou à criação da CPI do Cachoeira.

A anulação das provas coloca em risco também o inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal contra o senador Demóstenes Torres, que era do DEM de Goiás, apontado como braço político do esquema, e a própria CPI do Cachoeira, que perderia seu objetivo inicial de apurar as ligações do “empresário de jogos” com políticos, policiais, magistrados e empresários.

Mela tudo, em resumo. Tourinho Neto é o mesmo magistrado que já havia autorizado, em abril, a transferência de Cachoeira do presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, para o da Papuda, em Brasília.

No dia 30 de maio, o desembargador tomou outra decisão a favor do cliente de Márcio Thomaz Bastos ao suspender audiências marcadas para a 11ª Vara Federal, aceitando a tese de cerceamento da defesa.

Ontem, ao defender a soltura de Cachoeira, Tourinho Neto argumentou: “Quem corrompeu? Quem foi corrompido? Qual foi a sonegação tributária? Essa interceptação telefônica não pode ser autorizada apenas em meros indícios. Não pode haver a banalização da interceptação telefônica para combater o crime”. É esta, exatamente, a tese da defesa.

Caso a Lei Tourinho entre mesmo em vigor, a partir de agora qualquer pessoa, desde que possa contar com bons advogados, antes mesmo de começar a investigação deveria ser avisada para tomar cuidado com o que fala porque seus telefones estão grampeados. Só assim se evitaria a “banalização da interceptação telefônica”. É isso mesmo?

Já se sabia que os que são mais do que os outros iguais perante a lei dificilmente chegam a ser julgados, muito menos condenados, mas agora não poderiam nem mesmo ser investigados.

É a inversão do processo de investigar, denunciar, julgar e, se for o caso, condenar. Quer dizer, a polícia precisaria, antes, reunir todas as provas, para só depois ser autorizada a fazer escutas telefônicas. Seria mais uma vitória da impunidade e a Polícia Federal poderia se dedicar apenas a atividades de benemerência.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Somente um governo de trabalhador pra por pra trabalhar gente que nunca trabalhouuu


Dilma muda e poupança bomba.
Que horror !


Conversa Afiada





Saiu no Brasil Econômico, na capa:

“Com novas regras, poupança capta R$ 2,4 bi e mantém fôlego.”


“Montante registrado entre 4 de maio, quando Governo anunciou mudanças no cálculo, e 30 de maio; … aplicação comtinua sendo mais rentável do que outras modalidades de investimemto, como o DI”.

NAVALHA



Não deixe de ver como a poupança bombada permite que a Caixa financie imóveis a 35 anos.

Que horror !

O amigo navegante sabe por onde andam o Jungmann e a turma comunista (sic) do PPS ?

Aqueles que espalharam o pânico no horário eleitoral gratuito com a acusação de que o Lula e a Dilma iam confiscar a poupança.

Por onde andam, amigo navegante ?

E o pessoal do DEMO, que agourou a nova poupança ?

Alguma notícia ?


Em tempo: não esquecer da análise do Delfim. A mudança da Dilma na poupança vai botar os bancos e fundos pra trabalhar. Eles vão sair da moleza da poupança gorda para disputar, com custos de administração mais baixos, o mercado competitivo dos lançamentos de papéis de empresas privadas. A Dilma fez mudança profunda e muita gente ainda não captou. Pra por pra trabalhar gente que nunca trabalhou, dizia o Vinicius …


Clique aqui para ler “IPCA diminui e fecha maio em 0,36%”.


Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 22 de maio de 2012

Trabalho Escravo: Votação em segundo turno na Câmara demorou mais de sete anos


Após esforço por quórum, Câmara aprova PEC do Trabalho Escravo

comemoraçãopec
Deputados comemoram aprovação da PEC do Trabalho Escravo | Foto: Leonardo Prado/Ag. Câmara
Da Redação SUL 21
A Câmara aprovou na noite desta terça-feira (22) a PEC 483/01, conhecida como PEC do Trabalho Escravo. Em uma votação apertada, que exigiu bastante esforço para a manutenção do quórum necessário, 360 parlamentares votaram a favor da proposta, que estabelece o confisco para fins de reforma agrária ou uso social urbano de propriedades e imóveis onde for encontrada exploração de trabalho escravo. Outros 29 deputados votaram contra e 25 se abstiveram. O texto precisava de 308 votos para aprovação. Agora, a matéria retorna ao Senado, onde também será votada em dois turnos.
A votação da PEC do Trabalho Escravo só foi possível depois de um acordo dos líderes, em reunião na tarde desta terça-feira (22), na sala da Presidência da Câmara. Segundo o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), deputados e senadores devem agora formar um grupo de trabalho conjunto para redigir a lei que regulamentará a definição de condição análoga à escravidão – exigência da bancada ruralista para a aprovação da PEC. A criação da comissão é fruto de um acordo fechado há duas semanas entre Maia e a presidente interina do Senado, Marta Suplicy.
A pressão em favor do texto é grande e conta com a participação de organizações não governamentais ligadas à defesa dos direitos humanos, de centrais sindicais e do próprio governo, que estão se mobilizando desde o ano passado para garantir a aprovação. Mesmo assim, era grande o temor de que a votação não ocorresse nesta terça-feira, uma vez que a bancada ruralista deixava claro não estar disposta a facilitar a aprovação da matéria.
Uma verdade operação foi armada para garantir o quórum necessário para a votação. Enquanto deputados favoráveis à PEC esmeravam-se em longos discursos, outros parlamentares tentavam de todas as formas garantir a chegada de colegas em quantidade suficiente para garantir a continuidade da sessão. No Twitter, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) admitia estar telefonando para colegas em um esforço em nome da votação. “Estou ligando pra alguns deputados, pedindo que venham à votação nominal da PEC do Trabalho Escravo. Temos de tentar tudo nessa hora!”, disse Wyllys.
Votação em segundo turno na Câmara demorou mais de sete anos
A PEC do Trabalho Escravo foi aprovada em primeiro turno pela Câmara em agosto de 2004, como uma resposta ao assassinato de três auditores do Trabalho e de um motorista do Ministério do Trabalho, em Unaí (MG), em 28 de janeiro daquele ano. Os quatro foram mortos depois de fazerem uma fiscalização de rotina em fazendas da região, onde haviam aplicado multas trabalhistas. O processo criminal ainda corre na Justiça, e nove pessoas foram indicadas pelos homicídios, incluindo fazendeiros.
O crime, que ficou conhecido como a chacina da Unaí, também motivou o Congresso a aprovar um projeto que transformou a data de 28 de janeiro em “Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo”. A proposta foi sancionada e virou a Lei 12.064/09.
A tramitação da PEC do Trabalho Escravo na Câmara vinha se arrastando há mais de sete anos. A PEC do então senador Ademir Andrade (PSB-PA) foi aprovada no Senado e em 2001 chegou à Câmara, onde foi aprovada em primeiro turno em 2004. Após finalmente chegar a plenário no começo do mês, teve sua votação em segundo turno adiada por uma manobra da bancada ruralista, que removeu seguidas vezes o quórum das sessões para inviabilizar a votação. Os representantes do agronegócio alegavam que era necessário a definição anterior, por força de lei, do que é trabalho escravo e como seria feito o processo de desapropriação das terras onde fosse registrada a presença de trabalhadores nessa condição.
A lista dos votos, bem como a descriminação de quem votou a favor ou contra a PEC do Trabalho Escravo, pode ser conferida neste link.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

"Ela é só, e sobretudo, o contrário do esquecimento."


O discurso de Dilma na Comissão da Verdade

De O Estado de S.Paulo

Uma fala exemplar

Ao dar posse aos membros da Comissão da Verdade, na quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff fez questão de dizer que eles terão toda a liberdade para trabalhar, "sem qualquer interferência do governo". Mas a sua própria alocução foi, sim, uma interferência - na melhor acepção que se possa atribuir ao termo. A fala deu ao colegiado um norte moral e político que, a ser seguido, como tudo indica que será, fará de sua atividade ao longo de dois anos um marco na trajetória do País rumo ao pleno amadurecimento do Estado Democrático de Direito.
Não que, entre a designação e a investidura, ou ainda antes, qualquer dos sete integrantes da comissão tivesse dado margem a que se pusesse em dúvida as suas qualificações para o empreendimento sem precedentes de que foram incumbidos - a justificar, portanto, que a autoridade que os escolheu também devesse conduzir as suas ações no desvendamento do que ainda permanece oculto de um passado que envergonha a Nação. Dilma não os elogiou indevidamente ao afirmar que formam um grupo plural de mulheres e homens capazes de "liderar o esforço da sociedade brasileira em busca da verdade histórica, da pacificação e da conciliação nacionais".
Mas essas palavras tinham de ser proferidas para dar a dimensão exata das preocupações da presidente com o modo como este país não menos plural poderá julgar as razões que a levaram a consumar a iniciativa prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo então presidente Lula em 2009. Nesse sentido, fez o que estava ao seu alcance para caracterizá-la como um ato de Estado, não de seu governo. Compartilhou a cabeceira da solenidade com os predecessores José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique e, naturalmente, Lula, e externou a sua alegria de estar acompanhada pelos que a antecederam "nestes 28 benditos anos de regime democrático".
Julgue-se como se queira cada um deles, a sua presença lado a lado na sede do governo, conferindo legitimidade a uma decisão literalmente excepcional, simboliza o caminho percorrido desde a redemocratização à "convivência civilizada" na esfera pública, como notou Dilma, em momentos cruciais. O mais ela avocou a si, em um pronunciamento exemplar pela dignidade, correção e limpidez. "A verdade é algo tão surpreendentemente forte que não abriga nem o ressentimento, nem o ódio, nem tampouco o perdão", conceituou a certa altura. "Ela é só, e sobretudo, o contrário do esquecimento." A Comissão da Verdade não foi criada para "reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu", mas para que se a conheça na sua plenitude.
Se, ao se referir ao foco central dos trabalhos da comissão, os 20 anos do regime militar implantado em 1964, ela não se guardou de chamar as coisas pelos seus nomes - "ditadura", "tirania", "violência", "truculência ilegal do Estado" -, tampouco deixou de consignar que "reconquistamos a democracia a nossa maneira, por meio de lutas e de sacrifícios humanos irreparáveis, mas também por meio de pactos e acordos nacionais". Eles não convalidam "a sombra e a mentira", incapazes, de resto, de promover a concórdia. Mas os seus efeitos - Dilma deixou claro - não se esgotaram no êxito da transição de 1985. Traçam, agora, os parâmetros para o que vier depois de a verdade emergir.
O esclarecimento dos fatos e a reconstituição das circunstâncias em que ocorreram, com a identificação dos responsáveis por torturas, mortes e ocultação das vítimas, não têm por objetivo derrogar a Lei da Anistia, de 1979, punindo os culpados pelas abominações cometidas. A verdade é um direito das novas gerações e daqueles, citou a presidente com a voz embargada, "que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia". A caminhada começou com a abertura dos arquivos da polícia política, o Dops, em São Paulo e no Rio de Janeiro, no governo Collor. Seguiu-se, na gestão Fernando Henrique, a lei que reconheceu pela primeira vez a responsabilidade do Estado pelas mortes e desaparecimentos dos que estavam sob a sua custódia nos porões da repressão. Com Dilma, o percurso chegará ao seu desfecho.

"O desafio da presidente é injetar república no Brasil..."


José Murilo de Carvalho:

“Dilma precisa injetar república no Brasil”


O historiador e membro da ABL afirma que a presidente tem a chance de melhorar a democracia brasileira e, para isso, precisa do apoio da opinião pública

MAURÍCIO MEIRELES 
VISÃO HISTÓRICA José Murilo de Carvalho, no Rio de Janeiro. Segundo ele, a presidente Dilma realiza avanços em áreas negligenciadas por Lula (Foto: Carolina Vianna/ÉPOCA)
O livro A construção nacional: 1830-1889, organizado por José Murilo de Carvalho, ocupou a mesa de cabeceira da presidente Dilma Rousseff até o mês passado. Imortal da Academia Brasileira de Letras, o historiador de 72 anos diz que a presidente precisa avançar a partir das conquistas do governo de Luiz Inácio Lula da Silva nas políticas sociais. Em outras palavras, a presidente precisa combater a corrupção, luta que, segundo ele, ganha força com seus altos índices de aprovação. A construção nacional cobre os acontecimentos desde a abdicação de Dom Pedro I até a Proclamação da República. “Estamos num círculo virtuoso. Podemos corrigir os grandes erros do passado com reformas importantes”, disse Carvalho a ÉPOCA. A seguir, trechos da entrevista.
ÉPOCA – A presidente Dilma Rousseff conseguiu índices de aprovação inéditos, se comparados ao primeiro ano de mandato de outros presidentes. A que o senhor atribui esses números?
José Murilo de Carvalho –
 Creio que ninguém previu esse desempenho da presidente, certamente devido a ela e não ao ex-presidente, seu patrono, ou a alguma boa notícia na área econômica. Minha aposta é que a boa avaliação se deva a sua postura em relação ao que ela mesma chamou de malfeitos dos políticos. A grande rejeição de tais práticas pelo público e o reconhecimento do esforço da presidente para contê-las podem estar na raiz da popularidade. O apoio popular confere à presidente autoridade para continuar a exigir práticas mais republicanas, entendidas como o bom governo. É possível que a tão falada nova classe C já esteja engrossando as fileiras dos que cobram mais compostura na política.

ÉPOCA – Pode-se dizer então que a presidente Dilma acertou o tom ao abraçar como promessa o combate à corrupção?
Carvalho – 
Acredito que ela seja sincera. A única questão é saber aliar isso à habilidade política, para não atrapalhar seu governo. Disseram que Lula a apoia nessa postura, mas ele tem uma orientação um pouco diferente. Lula quer democracia. O desafio da presidente é injetar república no Brasil que ela herdou, sem inviabilizar as reformas e enfrentando posturas nem sempre republicanas no Congresso.
ÉPOCA – Há riscos para a governabilidade?
Carvalho –
 No Brasil, o presidente é muito forte, tem a caneta nas mãos. Não vejo uma nuvem escura para a governabilidade. Só que fica claro que coisas importantes não são decididas. Nem a Copa se consegue decidir, isso é um problema sério. Falta habilidade de articulação política. Eu diria que é um ponto fraco dela. Mas entendo que seja difícil conseguir governar sob a fome de empregos que os partidos têm.
ÉPOCA – Quando a presidente diz que não tolerará a corrupção, o senhor não vê isso como uma crítica ao governo anterior, tolerante com os malfeitos?
Carvalho –
 Essa é uma pergunta muito maldosa, você está querendo me jogar contra Lula (risos). Claro que há aí uma indicação de uma visão um tanto permissiva da política. Mas posso imaginar perfeitamente Lula argumentando que estava interessado na política social: “Se para fazer isso eu tenho de ter uma atitude que pode parecer tolerante com a corrupção, eu lamento; minha prioridade é outra”. Eu diria que há uma ênfase que pode ser um pouco distinta. É uma questão de método de trabalho e estratégia política. Lula teve êxito na política social. Dilma, ao alterar a tática, provavelmente com o apoio de Lula, tentará fazer as reformas estruturais. A agenda de Lula já é uma conquista. É preciso ir adiante.
"Lula teve êxito na política social. Dilma, ao alterar a tática, tentará fazer as reformas. A agenda de Lula já é uma conquista. É preciso ir adiante."
ÉPOCA – Muitos cientistas políticos dizem que a corrupção é um “efeito colateral” do sistema representativo. O senhor concorda?
Carvalho –
 Se você diz nesses termos, pode parecer que a democracia é uma coisa ruim. E isso está absolutamente errado. Mas é claro que há uma alteração dos valores. Não é uma crítica à democracia, mas uma constatação. Até porque parte desse aumento de representatividade aconteceu no meio de uma ditadura militar. Quem não se comportasse era cassado. Nosso desafio é conciliar essa abertura com os valores republicanos. É preciso introduzir república na democracia, e a opinião pública precisa fazer pressão para isso.
ÉPOCA – Como o senhor acha que a CPI do Cachoeira afeta a relação do governo com sua base aliada?
Carvalho –
 É um caso complexo, uma vez que o escândalo atinge pessoas da base aliada e da oposição. Se é verdade, como se veiculou, que o presidente Lula apoiou a CPI para abafar o julgamento do mensalão, foi uma jogada arriscada, sobretudo porque ele não tem mais nas mãos as rédeas do poder. Os danos que a CPI pode causar tanto à oposição como à base poderão levar a negociações de bastidores no sentido de transformá-la na tradicional pizza. Somente a vigilância da imprensa e das redes sociais poderá nos livrar desse cardápio.
ÉPOCA – Por falar em ideais republicanos, em seu livro Dom Pedro II é tratado como um grande estadista, uma reserva moral da sociedade. Houve uma degradação dos valores da República?
Carvalho –
 Se definirmos a República como o bom governo, a preocupação com o bem público, ele era republicano – mesmo sendo um monarca. Não falo de república como um sistema de governo, mas de valores, e esses valores ele tinha. Todos os nomeados para cargos públicos ele apresentava a seus ministros. Claro, havia uma elite política muito pequena, umas 500 pessoas, o que permitia esse tipo de consulta. A República Velha, de 1889 a 1930, continuou essa tradição. 1930 foi uma ruptura e, ironicamente, justamente quando o sistema político começou a ser aberto para mais pessoas. Com mais gente, entram também mais interesses. Democracia é isso. Até 1945, com a queda da ditadura de Getúlio Vargas, só 5% da população votava. Era uma república sem povo. Com a reabertura, a coisa começou a deslanchar, e tudo foi interrompido em 1964, porque o sistema não aguentou. Começou a haver mais greves, foi uma invasão de participação. No fim dos anos 1980, chegamos a quase 80% da população votando. Mesmo nos governos militares, 50 milhões de brasileiros começaram a votar. Imagine o que é começar a votar num período em que o Congresso está castrado. O perfil dos candidatos mudou. Antes, era preciso pertencer a uma elite. Depois, o zé das couves passou a se candidatar para vereador. É uma enxurrada de gente motivada por interesses pessoais.
ÉPOCA – O governo do PT marcou a chegada de sindicalistas a altos cargos em estatais. Que mudanças isso trouxe para o país?
Carvalho –
 Os sindicatos já tinham proximidade com o governo Vargas e também com o governo João Goulart. Quem está no sindicato é uma mão de obra formalizada. É até positivo eles terem representatividade, mas há um mundo de brasileiros informais não representado por eles. É preciso ter cuidado com uma visão negativa em relação a essas pessoas. Elas representam bastante gente e interesses legítimos. O que cheira a corporativismo não me agrada. Em alguns casos até houve o que se chama de aparelhamento. Mas antes, também, se botavam os amigos. Agora se botam os amigos do sindicato. Claro que isso deve ser criticado, porque pode resultar em queda da eficiência. Algumas estatais viraram fonte de dinheiro e poder para alguns. Mas é preciso ficar claro: não há nenhum problema em si em botar um operário no comando de uma empresa. Dilma já começou a botar um freio aí. Ela constrói em cima do que Lula fez, numa dimensão negligenciada por ele. Estamos num círculo virtuoso da história. Podemos corrigir os grandes erros do passado com reformas importantes.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Só a Verdade nos tornará SOBERANOS!

Nota da PF deixa Gurgel em apuros


Por Luciana Lima, na Agência Brasil:

A Polícia Federal (PF) informou hoje (14), por meio de nota, que não houve qualquer pedido feito à subprocuradora da República, Cláudia Sampaio, a respeito da Operação Vegas, que investigou as atividades ilegais do empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira. No documento, a PF contestou as informações prestadas pela subprocuradora de que o inquérito teria sido arquivado a pedido do delegado Raul Alexandre Marque de Sousa, que conduziu as investigações.




"O delegado Raul Alexandre não pediu à subprocuradora Cláudia Sampaio, mulher do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, o arquivamento ou o não envio da Operação Vegas ao STF", diz a nota, que detalha os encontros ocorridos entre o delegado e Cláudia Sampaio.

"Ocorreram três reuniões entre o delegado Raul Alexandre Marques Sousa e a subprocuradora da República Cláudia Sampaio. As duas primeiras tiveram como objetivo a apresentação da operação policial e o encaminhamento dos autos à subprocuradora. O último encontro se deu em outubro, quando a subprocuradora informou não haver elementos suficientes para a instauração de investigação no [ Supremo Tribunal Federal] STF e que opinaria pelo retorno dos autos ao juízo de primeiro grau".

Gurgel vem sendo questionado por ter ficado dois anos sem apresentar denúncia contra o esquema comandado por Carlinhos Cachoeira e que envolveu políticos como o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). De acordo com Polícia Federal, o inquérito foi enviado à Procuradoria-Geral da República em 2009.

"A Polícia Federal encaminhou os autos da Operação Vegas à PGR em setembro de 2009 a partir de decisão do juiz federal de Anápolis/GO para que fosse avaliado, pelo juízo competente, o conteúdo da investigação, cujos fatos se relacionavam com pessoas que possuíam prerrogativa de função", diz a nota.

Ainda de acordo com a PF, a Operação Vegas teve início em março de 2008 por causa de um "vazamento de informações sobre a deflagração de uma operação policial e da tentativa de cooptação de um policial federal da superintendência regional em Goiás por membros de organização criminosa".

A Operação Vegas antecedeu a Operação Monte Carlo, que resultou na prisão, em fevereiro deste ano, de Carlinhos Cachoeira, acusado de comandar um esquema de jogos ilegais e uma organização criminosa envolvendo empresários e políticos.

Na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, instalada no Congresso para investigar a ligação de políticos com o esquema de Cachoeira, há requerimentos pedindo a convocação do procurador-geral e de da subprocuradora. Os integrantes da comissão querem que Gurgel esclareça os motivos de não ter oferecido naquela ocasião denúncia sobre o caso.

De acordo com o presidente da CPMI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), esses requerimentos serão apreciados pelo plenário da comissão na próxima reunião administrativa.

1 comentários:

Ignez disse...
A única forma de nós, brasileiros, nos tornarmos livres e soberanos é a investigação séria e firme dos fatos e dos homens/mulheres/autoridades responsáveis pelos desmandos, pela conivência, pela omissão que resutaram na proliferação dos beneficiados pela malversação do dinheiro público. A SOBERANIA do povo brasileiro passa pela revelação e punição dos corruptos. O Procurador Geral da República Robero Gurgel e sua mulher Claudia Sampaio devem ser convocados pela CPMI afim de que a verdade possa ser o instrumento de afirmação das punições. Só a Verdade nos tornará SOBERANOS!