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quinta-feira, 16 de junho de 2011

a guerra é impedir que o Brasil passe a ser o primeiro... você duvida?

MT vai produzir 43 milhões/ton.
Verdes cortam os pulsos



Saiu no G1 (aqui e aqui também).

O Ministério da Agricultura divulgou nesta quinta-feira projeções impressionantes.

A safra de grãos em 2021 poderá chegar a 176 milhões de toneladas (a partir dos 143 milhões desta atual safra).

O Brasil se aproxima rapidamente da posição de maior fornecedor de comida do mundo – e ultrapassar os Estados Unidos.

A nova fronteira agrícola é a região conhecida como Mapitobá– Maranhão, Piauí, Tocantins, e oeste da Bahia.

Na safra 2021/2022, a área plantada nessa região passará a ser de 7,5 milhões de hectares.

Enquanto isso, a produção de grãos em Mato Grosso chegará a 43 milhões de toneladas em 10 anos.

A produção de carnes será o dobro em uma década.

Especialmente a produção de carne bovina, que poderá ter um avanço extraordinário, com técnicas novas.

Hoje, o Brasil tira em média 50 kg de carne bovina por hectare.

Com tecnologia, pode ir a 200 kg/ha.

Clique aqui para ler “O que Mato Grosso pode fazer, se os verdes não atrapalharem”.

Como diz o meu amigo Luiz Hafers, Mato Grosso produzir 43 milhões de toneladas daqui a dez anos será “uma barbaridade”.

Conseguir isso fora dos Estados Unidos ?

“Inacreditável ! Só os verdes nos deterão !”, diz ele.

Hafers menciona a nova “barreira” que a Rússia impôs à venda de carne brasileira.

Diz Hafers: “a guerra é comercial. Não é ambiental”.

Os verdes têm cor e bandeira.

Não espanta, portanto, que, segundo o jornal Valor, a Blá-blárina vá sair do PV para entrar no PPS.

Qual a novidade ?

Os verdes da Bláblá sempre foram linha-auxiliar de Cerra, nessa eleição de 2010.

Vai acabar no PSD …

A guerra é comercial: impedir que o Brasil passe a ser o primeiro !


Paulo Henrique Amorim

terça-feira, 14 de junho de 2011

uma boa reflexão para os deuses e escravos do livre mercado... Viva o Estado Fraco!

Especulação corre solta no etanol

Tijolaço


A moagem de cana-de-açúcar da safra deste ano no centro-sul do Brasil foi reduzida em 25,7 % em relação ao registrado em igual período do ano passado, informou nesta segunda-feira a Agência Reuters, com dados atribuídos à Unica, entidade que reúne as usinas de São Paulo.

Atribui-se ao clima os problemas. Tem hora que é a chuva, tem hora que é a seca, tem hora que é o frio…

Cana não é tomate, o período de colheita é longo… Vai de abril até novembro. Só fica antieconõmica com as chuvas de fim de ano. Ela não “passa do ponto” de um dia para o outro.

Além dos tanques da usina, o produtor de cana tem outro “tanque” natural, que é a própria planta.

Os pequenos, para viver, não têm escolha, tem de colher logo. Os grandes admnistram o tempo.

Uma aceleradinha no início da safra para fazer caixa e…pronto, agora podem dosar a mão…

Desde sexta-feira o Tijolaço vem alertando – já que a ANP está dormindo - que os preços do etanol cobrado pelas usinas vem subindo de novo – já são 11% em dez dias, segundo o Cepea/USP no entreposto de Paulínia, o mais importante do Brasil.

No dia seguinte, o mesmo alerta foi feito pelo repórter Mauro Zafalon, da Folha, um dos poucos que entende do assunto e acompanha os movimentos de mercado.

Mas, então, é o clima?

Que nada, conversa fiada. A cana que produz o etanol hidratado é exatamente a mesma que produz o etanol anidro, sendo que neste é retirada água com a adição de cal ou outros produtos hidrófilos. Se fosse o clima influenciando na colheira, não haveria razão para a produção de etanol anidro ter subido 28,4 por cento em relação ao ano passado e a de etanol hidratado – o vendido nas bombas – ter caído 9,74% no mesmo período.

Os dois, repito, são produzidos pela mesmíssima cana, a do tempo frio, quente, seco e úmido.

A conta aí é simples: se o etanol hidratado não vai nas bombas, “desova-se” o etanol, como anidro, na venda mais forte de gasolina, que a Petrobras tem de “segurar”, apesar do preço internacional elevado do petróleo.

O setor privado está fazendo dinheiro fácil à custa do consumidor e do poder público.

É hora de acionar o gatilho da MP da presidenta Dilma e reduzir a mistura de etanol anidro na gasolina. Uma pena, porque tem efeito ambiental negativo. Mas um efeito que se anula, porque vai facilitar a opção pelo etanol hidratado, menos poluente.

A especulação com o etanol está rolando solta, porque a ANP está empurrando com a barriga a determinação da presidenta de intervir neste mercado. Mercado que está oligopolizado e que, apesar de ser de cana, não tem nada de doce nas suas regras.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

vem aí o etanol mais caro... é o mercado, dizem os neoliberais(sic)

Etanol volta a subir. Usinas estocam para ganhar mais

Tijolaço



A imprensa, agora, só publica que o preço do etanol está caindo, etc, etc… Já alertei aqui que a coisa não é bem assim.

Ninguém está prestando atenção ao fato de que, passado o pior da crise, e ainda no início de safra, as usinas agora estão enchendo seus tanques e, por isso, vendendo menos e impedindo a queda do combustível para o preço tradicional deste período, que deveria estar abaixo de  R$ 0,80 por litro.

Com isso, os preços no etanol voltaram a subir, e não foi “levemente”.

De sexta-feira da semana passada para ontem, o preço do metro cúbico (mil litros) de etanol subiu 8,7%, segundo o indicador de preços do Cepea/USP em Paulínia.

Aliás, enchendo os tanques que a gente nem sabe se esvaziaram de todo no final da entressafra porque as vendas despencaram para níveis mínimos e, mesmo em maio, com a queda de preços, ficaram 60% abaixo das do mesmo mês, em 2010.

A ANP, claro, está deitada em berço esplêndido, e só daqui a 15 dias colocará em consulta pública a primeira resolução sobre regulação do mercado de etanol, para exercer o poder que a presidenta Dilma Rousseff  lhe deu, por Medida Provisória, no dia 29 de abril.

Ou seja, dois meses só para fazer a consulta pública.

Enquanto isso, as usinas – só as usinas, não os consumidores de combustível – enchem os tanques. Muitos deles, aliás, construídos com financiamentos do BNDES. Ou seja, o Estado financia os tanques, mas não pode verificar se eles estão sendo usados para especular.

O economista Julverme Tonin, coordenador de estudos agrários da Universidade Estadual de Maringá , em outubro passado, deu uma entrevista sobre esta manipulação dos preços, que parece ser uma assunto tabu na nossa grande mídia. Leia só este trecho:

O Diário – Qual a influência da entrada do etanol no mercado de futuros da bolsa?
Julyerme Tonin – Na bolsa não tinha contrato para você travar preço futuro de etanol hidratado. Esse ano, em maio, a BM&ampF lançou um contrato neste sentido. O que a bolsa faz agora é ajustar o preço a ser pago lá na frente. Estão vendo que lá, durante a entressafra, vai faltar o produto, que em meados de março do ano que vem vai ocorrer problemas de abastecimento.
Então, ela já seguram os estoques. Não quer dizer que os estoques estão baixos agora. Em janeiro e fevereiro, houve uma recomposição dos estoques, o problema é que estão agindo com cautela.

O Diário – A bolsa está ajudando o preço a ficar mais alto?
Julyerme Tonin – Não, ela está travando o preço futuro. Se o preço lá na frente está mais  adequado, você não precisa vender o produto hoje a um preço baixo. 

O Diário – Para o consumidor, qual o reflexo disso?
Julyerme Tonin – Depende do caso. A bolsa vai atenuar essas oscilações de preço no mercado consumidor. É uma estratégia para garantir a rentabilidade futura, ela dilui o risco do preço. Só que agora, como o preço mais adiante será maior, o que as usinas estão fazendo é agir com cautela em colocar o produto no mercado. Já sabem que o preço no futuro imediato vai estar mais alto.Também contam com o recurso do governo. Então, não precisam desovar os estoques agora.

O Diário – Vocês também acompanham a diferença no preço praticado pelas usinas e pelos postos de combustíveis?
Julyerme Tonin – Essa relação é uma caixa-preta. Aqui na área de Conjuntura Econômica da UEM a gente queria levantar o que se chama de margem de comercialização. Seria pegar o preço final e o de cada etapa da cadeia, que seria produtor, atacado e varejo. Só que é muito difícil ter acesso a alguns dados do mercado. O setor é muito reservado sobre isso.

Pois é. Por isso a presidenta Dilma baixou a medida provisória -  com urgência, portanto -  colocando o etanol dentro do Sistema Nacional de Estoques de Combustíveis, que passa a considerar de utilidade pública o produto e, portanto, sujeira sua produção, armazenagem e comercialização passíveis de controle público.
Controle que a ANP parece não estar fazendo nenhuma questão de exercer rapidamente.

terça-feira, 17 de maio de 2011

sobre utilidades e nulidades

ANP, a inútil

Tijolaço



A Agência Nacional de Petróleo serve para quê, se ela se limita a dizer que “o mercado” vai resolver os problemas do preço do combustível do Brasil? Enquanto os próprios jornais noticiam quedas fortes no preço do etanol hidratado, o site da agência produz a notícia de que, segundo sua pesquisa, caiu apenas 3,5% o preço deste combustível.

Não duvido dos dados coletados pela agência. O que se questiona é a sua inação diante das disparidades absurdas de preço e margem de lucro que ela própria registra.
Vejam só:

No Rio de Janeiro, os preços por litro do etanol variam entre R$ 1,99 e R$ 3; em São Paulo, de R$ 1,48 a R$ 2,50! Ou seja, uma variação de até 50% nos preços de uma mesma mercadoria que não é como banana ou tomate, não está “bonita” ou “feia”, toda ela segue em tese o mesmo padrão. E se estiver em desconformidade, “batizada” ou adulterada de alguma maneira, o posto tem de ser fechado.É, aliás, um dever dela.

Claro que boa parte desta diferença se explica pela data da coleta de preço. Mas em pleno furação de aumentos – e depois de quedas – nos preços será que a ANP não consegue fazer uma pesquisa que sirva para o que deve servir; orientar o consumidor e à própria cadeia de comercialização, ajustando os preços? Se não tem competência para fazer uma pesquisa ágil, que sirva para orientar e  não para confundir, então não faça nenhuma.

Se eu tivesse abastecido o carro levando em conta o preço médio da pesquisa da ANP no Rio, teria pago R$ 2,52 por litro de etanol, em lugar dos R$ 2,25 que estava na maioria dos postos que vi. Ou seja, 11% a mais.

Dê uma olhada no preço de venda do etanol segundo a USP, aí do lado. É essa a ação que a ANP deveria estar tomando: mapear estoques e margens na comercialização de um etanol que está sendo vendido 30% mais barato que há um mês e que a Agência tem a cara-de-pau de dizer que baixou 3,5% nos postos.

E não venham com histórias de que são os impostos, porque os impostos tem as mesmas alíquotas hoje que tinham há um mês.

É isso o que chamam de “técnica”, em lugar de “política”?

sábado, 14 de maio de 2011

Petrobrás 2

Os inimigos da Petrobras são os inimigos do Brasil

 

“Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma.”

Getúlio Vargas, na Carta-Testamento, 24 de agosto de 1954

Escrevi o post sobre o resultado recorde da Petrobras antes de ler os jornais de hoje. E fiquei impressionado com a quantidade de ódio e de despeito que a elite brasileira destila, através de sua mídia, contra a maior e mais importante empresa brasileira. No momento em que ela atinge os maiores lucros da história, em que acumula sucesso após sucesso e, até, mostra na prática sua utilidade para a regulação da cadeia – privada – da comercialização de combustíveis (a ANP e nada, nesta crise, foram o mesmo), só o que se vê é manipulação e inveja por parte dos jornais.

Vou colecionar alguns títulos de matérias publicadas hoje no Estadão: Investimentos da Petrobrás caem 11% no 1º tri e somam R$ 15,87 bi; Custo de extração sobe 10,6%, para US$ 11,38 por barril; Balança comercial da Petrobrás sai do positivo para o negativo no 1º tri; Petrobrás adia anúncio do plano de investimentos .

O Globo segue a mesma linha, com menos vigor e a Folha só range os dentes. Prefere aunciar novo caos no abastecimento de etanol para dezembro .

Não é de hoje, como mostra a citação de Vargas, que a Petrobras é o alvo político das forças que só entendem o Brasil como colônia. Não perdoam o fato de que Fernando Henrique não tenha conseguido abrir mais completamente o setor de petróleo para as multinacionais. Não porque não o quisesse, é claro, mas porque a surda resistência da consciência brasileira e a própria força econômica e capacidade técnica da empresa – que enfrentou nos leilões, como pôde, a entrada das multis – impediu que ela tivesse o destino da Vale, que sangrou na terra as riquezas do país sob os aplausos de mídia colonialista.

Eles são e serão assim, atacando cada vez com mais vigor – e servindo-se de qualquer expediente para isso – o grande patrimônio nacional que ela, e as jazidas de petróleo contidas em nosso solo e nosso mar , representa.

Não será possível repelir estes ataques se não houver vigor. A empresa e o governo devem sair de uma postura tímida e mostrar como e porque nossa política para o petróleo é vital para nosso sonho – e direito – à soberania nacional.

Porque agora, como há 60 anos com Vargas, os inimigos da Petrobras são os inimigos de um Brasil independente, rico, autônomo.

A própria Presidente Dilma, logo, terá de ser a líder deste enfrentamento, como foi indispensável que Lula, antes, tomasse a frente do movimento de afirmação da Petrobras.

Petrobrás 1

Petrobras: lucro e papel social não têm contradição



Tijolaço


O lucro recorde da Petrobras, divulgado ontem é completamente diferente do lucro recorde da Vale, anunciado dias atrás.

Por que?

Porque fica claro quando se analisa os números. A Petrobrás que explora petróleo, deu lucro.

Produziu, no trimestre janeiro-março, 3% a mais que em 201o, com média diária de 2,627 milhões de barris de óleo equivalente (petróleo e gás natural). Essa área de produção e exploração foi responsável por um lucro de 9,3 bilhões de reais no primeiro trimestre, por conta também do aumento do preço do petróleo.

Mas a Petrobras também teve prejuízo. Onde? Na área de abastecimento, onde segurou a “onda” deste mesmo aumento do petróleo. Essa área teve prejuízo de 95 milhões de reais no primeiro trimestre, contra o lucro de 1,1 bilhão de reais há um ano.

Ano passado, o preço médio internacional do barril de petróleo era de US$ 81,29. Este ano, de US$ 104.

Se a Petrobras fosse uma empresa privada teria mantido os preços internos, na distribuição e no abastecimento?

Ao contrário, ela manteve os investimentos e não saímos entregando o petróleo rápido, como fez a Vale, aproveitando os preços também recordes do minério de ferro.

Curiooso é que, para o pessoal que culpa a Petrobras pelo aumento do preço dos combustíveis, essa área é a que deveria ter lucrado, em lugar de amargar prejuízos.

A entrada em operação dos poços do pré-sal, a partir de agora, vai permitir a Petrobras aumentar esse poder de arbitragem.

De um lado, embora tendo um preço inicial mais alto, em razão das exigências tecnológicas para sua produção, o volume de produção das novas descobertas é várias vezes maior e, com isso, reduz o custo da produção.

De outro, com suprimento para as plantas de refino de mais petróleo próprio, a rentabilidade desta atividade cresce.

É por isso que a nossa direita odeia tanto a Petrobras e tenta fazer dela a vilã das pressões inflacionárias.

A Petrobras é o sucesso que o Brasil não pode mostrar que tem tudo para ser. Precisam que continuemos a nos considerar incapazes, para que a tutela internacional de nossas riquezas possa justificar-se por nossa incapacidade de explorá-la.

Quando ela mostra que é capaz, mostra que o Brasil e os brasileiros somos capazes.

Gasolina 2

Etanol: ia baixar no posto, se a Petrobras não força?


Tijolaço


Complementando o post anterior, veja o que o Estadão acaba de publicar sobre o preço do etanol.

“O etanol anidro, misturado na proporção de 25% à gasolina, despencou 24,73% nas usinas paulistas nesta semana. No mesmo período, o hidratado caiu 9,11%, de acordo com os indicadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

O anidro variou de R$ 1,8871 para R$ 1,4162 o litro, em média. Já o litro do hidratado recuou de R$ 1,0651 para R$ 0,9680. Os preços não incluem impostos. Segundo Mirian Bacchi, coordenadora da equipe de responsável pela avaliação, poucos negócios foram feitos com o anidro nesta semana, o que sinaliza o retorno do consumidor para o uso do hidratado, em detrimento da gasolina.

Já a baixa do hidratado é reflexo das quedas nos três primeiros dias da semana, com estabilização do indicador entre ontem e hoje. “Muitos negócios foram feitos com hidratado, o que mostra a retomada do consumo”, disse Mirian.

Pois é. Independente da discussão sobre a carga tributária ser alta – como é aliás, e até mais, nos países mais desenvolvidos – há duas constatações inevitáveis.

A primeira, que não foram os impostos que provocaram os aumentos, pois eles permaneceram na mesma alíquota.

A segunda é que, se a Petrobras não entra rachando vendendo no preço correspondente ao que está caindo no atacado das usinas, quando é que a redução ia chegar aos postos? Se com isso já está demorando, sem isso ia para as calendas…

Gasolina 1

Gasolina: quem fica com quanto em cada litro


Tijolaço


Muito esclarecedor este trecho de uma matéria publicada pelo site R7. Finalmente alguém na imprensa se dedica a mostrar quem fica com quanto em cada litro de gasolina.

“A Petrobras afirma que o preço final da gasolina conta com 11% destinado à distribuidora, 22% com custos relacionados ao álcool anidro (utilizado na mistura), 26% de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), 13% de Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) – relativa ao petróleo e seus derivados -, PIS/Pasep e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e 28% para a Petrobras, que seria o lucro da empresa.

Ou seja, tomando como exemplo o valor mais alto da gasolina encontrado pelo R7 no Rio, a R$ 3,40, a distribuidora fica com R$ 0,374 por litro, R$ 0,748 são destinados aos custos do álcool anidro (0,25 litro), R$ 0,884 é retido para ICMS, R$ 0,442 vai para o Cide, PIS/Pasep e Cofins e R$ 0,952 para a Petrobras, por 0,75 litro.

O Rio de Janeiro apresenta, frequentemente, a gasolina mais cara do Brasil, entre outros fatores, conforme aponta o presidente do Sindicom, porque o ICMS do Estado é o maior do país.

– A gasolina do Rio é uma das mais caras, porque o ICMS é o mais elevado do país, com 31%. É só ver os vizinhos, Minas Gerais cobra 27% e São Paulo 25%.”

Depois destes números, quem quiser dizer que o problema da gasolina é a Petrobras, que diga sabendo que não é verdade.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

vai faltar bola na Copa do Mundo 2

Cadê o aumento da gasolina
que o PiG anunciou ?



“Contra inflação, governo força queda do preço da gasolina”, diz o Estadão, na manchete da primeira página.

“Planalto manda a BR Distribuidora repassar combustíveis a valores mais baixos para barateá-los em até 10%.”

A redução já começou em São Paulo.

A BR Distribuidora detém 40% do mercado.

Logo, tem força para puxar os preços para baixo.

O preço do etanol já começou a cair com a entrada da safra de cana.

Logo, o PiG (*) e a tentativa de balançar o coreto do Governo Dilma foram para o brejo: o preço da gasolina não dispara.

E o do etanol cai.

É preciso arrumar outra crise terminal.

Por enquanto, vale aquela, em stand by: vai faltar bola de futebol para a Copa, como demonstra o mesmo Estadão, na primeira página: “tudo parado na Arena Palestra”.

Para quem não mora em São Paulo, trata-se do campo do Palmeiras, encravado numa área de alta densidade populacional.

O Lulão, que os piguistas chamam de Itaquerão, o estádio do Corinthians, não deslanchou.

O Morumbi é um dinossauro.

E a “Arena Palestra” parece a casa do Bin Laden.

Outro dia, na saída do shopping, encontrei amigo navegante, que, hoje, dá conselhos à administração do pior prefeito da História de São Paulo, o Kassab.

Nada que se compare aos sábios conselhos que Marco Maciel dará sobre o congestionamento da cidade, como lembra na pág. 2 da Folha (**), Ricardo Melo, que transformaria aquele espaço do Clovis Rossi numa leitura muito mais inteligente.

Disse o meu amigo: se depender de São Paulo, não vai ter Copa do Mundo aqui.

Os tucanos não querem botar empada na Copa do Lula.

Viva o Brasil !


Paulo Henrique Amorim



(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

como o "livre mercado" do etanol atrapalha o seu orçamento

Nas fórmula da USP, etanol deveria estar a R$ 1,71. Agora, a Petrobras intervirá, Que dirá o “mercado”?

Tijolaço



Como é que os nossos “libertistas de mercado” vão reagir à notícia que o Governo vai fazer a Petrobras, através da BR Distribuidora, forçar o mercado de etanol a voltar para patamares de preço razoáveis? Será que vão ter a coragem, diante das classes médias – agora “turbinadas” pela imensa ascenção social do segundo governo Lula – de ir para a tevê e os jornais dizerem que estamos quebrando os do altar do capitalismo ao usar o Estado e suas empresas para intervir no mercado e…baixar preço?

Ora, a liberdade de mercado é um valor que está longe de ser absoluto, e faz muito tempo. A fixação de limites para isso  tem mais de um século, e nasceu com a primeira lei antitruste dos  EUA, o Sherman Act, que veio justamente para proteger o mercado contra o poder de uma petroleira, a Standart Oil.

O que está acontecendo é absolutamente natural e intríseco à lógica pura de mercado. A demanda por combustível é não é elástica ao ponto de fazer com que, com o alto preço, as pessoas deixem de comprar ou adiem a compra, forçando a baixa. Pode cair, sim, mas os tanques de estocagem estão vazios, pelo início de safra e, como admitem os próprios analistas desse mercado, como admitiu ontem, no Valor Econômico, a pesquisadora do Cepea-USP, Mirian Bacchi, que montora estes preços: “diversos grupos estão acelerando a moagem, especialmente aqueles que precisam de caixa depois da entressafra. Algumas unidades precisam de dinheiro para pagar tributos e salários” .

Mas como é que isso pode garantir preço em baixa num setor com crescente concentração empresarial, inclusive estrangeira, como é  o da cana-de-açúcar. É evidente que os grandes complexos produtores jogam com o trinômio preço – capacidade de estocar -  fluxo de caixa. Idem, idem as grandes distribuidoras o fazem, porque são poucas e dominam o setor. E os postos, claro, depois de experimentarem ganhos maiores por litro vendido, por conta de aplicarem um percentual sobre os preços, resistem em estreitar estas margens. Em vários deles, ela chegou a 30%, quando, no ano passado, pouco passava de 10-12%.

A mesma pesquisadora do Cepea, Mirian Bacchi, publicou em 2006, no site da Unica – União dos Produtores de Cana de Açúcar de São Paulo – um cálculo do preço de comercialização, quando o preço era, na usina, de R$ 0,70 o litro.

Dizia ela:

“Suponha que o preço sem impostos do álcool na usina seja de R$ 0,70/l e que a margem total absoluta seja de R$ 0,50/l – valores reais médios aproximados dos últimos cinco anos para o Estado de São Paulo. Nesse caso, o preço cheio no varejo seria de R$ 1,20/l. Suponha que da margem absoluta total, R$ 0,28/l corresponda ao componente fixo e R$ 0,22/l ao componente variável.  Nesse caso, a seguinte igualdade seria verdadeira:

1,20 = 0,70 + 0,28 + 0,22”

Portanto, o preço de comercialização seria de R$ 1,20 o litro de etanol hidratado.

Façamos agora a conta dos preços, de acordo com a fórmula da Dra. Mirian, para o preço de R$ 1,02 (arredondei para cima o R$ 1,0175 de ontem)  fechado ontem para o litro de etanol hidratado, segundo o próprio Cepea-USP no poderosíssimo entreposto de Paulínia, em São Paulo.

Corrigindo o custo fixo pelo IGP-M de janeiro de 2006 para março de 2011, aqueles R$ 0,28  passam a R$ 0,39. Os custos variáveis – impostos – não tiveram suas alíquotas mudadas e, portanto, variam na mesma proporção do produto: de R$ 0,70 para R$ 1,02 são 30% de variação. Passariam, portanto, a R$ 0,30.
Logo, a soma seria:

1,02 + 0,39 +0,30 = 1, 71

Se o distinto amigo ou amiga achar um posto de combustível vendendo etanol a este preço, abasteça e fuja rápido, porque vai ser formar um tumulto assim que a notícia se espalhar e todos os automóveis da cidade correrem para ele.

Mas não se preocupe, isso não vai acontecer.Não porque não haja, dentro da própria lógica do mercado livre, um dono de posto capaz de colocar este preço, com uns dois centavos a mais, e lucrar muito vendendo centenas de milhares de litros. Mas porque as cadeias de produção e suprimento são oligopolizadas e visam, como é natural para elas, lucros máximos. E forma, no rastro disso, uma esteira de pequenas espertezas.

Mas não é isso o que é bom para o país, nem para a sociedade. Nem bom, nem justo.

E o Estado é o único poder que se pode contrapor a isso. Seus instrumentos podem ser punitivos – e aí você se sujeita a entrar numa cadeia de autoridade-abuso-corrupção -favoritismo ou, pior, inação, como estamos vendo acontecer na ANP – ou usa a intervenção via empresas estatais.

E o nome do Estado nos combustíveis é um só, o que faz a direita tremer: Petrobras

É o que vamos ver acontecer  agora.

terça-feira, 10 de maio de 2011

quando um puxão de orelha é mais que bem-vindo

Alguém puxou as orelhas da ANP

Tijolaço



Alguém deve ter “chamado na chincha” (a expressão me foi sugerida aqui por um amigo mais velho, como sinônimo do também figurado “dar uma prensa”) – nas autoridades da área de energia, porque hoje, na Câmara, o Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão prometeu ainda para hoje a “redução do preço do etanol na bomba”.

Mesmo que o ministro tenha feito todas as ressalvas de que “esse é um mercado livre”, só há uma maneira de dizer que “ainda hoje” isso vai acontecer. É a ANP, a quem compete fiscalizar esse “mercado livre” entrar de sola na formação de cartéis e manipulação de estoques. Coisa que, aliás, o ministro admitiu que está havendo:

- Nitidamente está havendo cartel. Pedi que a ANP fosse ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para que esse descalabro fosse resolvido – afirmou.

O ministro disse ainda que, a partir de agora, as punições para os donos de postos que formam cartéis na cobrança dos combustíveis serão rigorosas. Pode haver cobrança de multa e até o fechamento do posto.

Ora, esse poder é da ANP, que até agora, fingia não tê-lo.

Parece que acordaram alguém, não é?

PS. Apenas por mera coincidência, registro que a página de pesquisa de preços de combustíveis da ANP entrou em manutenção hoje de tarde.

a gasolina e o etanol

Se a ANP quiser agir, é fácil

Tijolaço

Por que não afixar nos postos também os preços de compra dos combustíveis?

Nos últimos dias, tenho insistentemente batido na tecla de que o consumidor tem o direito de saber quanto cada integrante da cadeia de comercialização do combustível está ganhando.

Aliás, este direito já está consagrado numa portaria da ANP, a 116, que diz, em seu artigo 10, inciso VI, que o varejista tem o dever de ” prestar informações solicitadas pelos consumidores sobre o combustível automotivo comercializado”.

E, logo a seguir, torna obrigatório “exibir os preços dos combustíveis automotivos comercializados em painel com dimensões adequadas, na entrada do posto revendedor, de modo destacado e de fácil visualização à distância, tanto ao dia quanto à noite”.

Portanto, qual o impedimento da ANP em alterar a portaria determinando a exibição do preço de compra do atacadista, conforme a nota fiscal, de forma visível ao consumidor?

Aliás, isso estaria de pleno acordo com o que prevê o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078), que prevê:

Art. 55. A União, os Estados e o Distrito Federal, em caráter concorrente e nas suas respectivas áreas de atuação administrativa, baixarão normas relativas à produção, industrialização, distribuição e consumo de produtos e serviços.
(…)
§ 4° Os órgãos oficiais poderão expedir notificações aos fornecedores para que, sob pena de desobediência, prestem informações sobre questões de interesse do consumidor, resguardado o segredo industrial.

Como o preço de compra não se pode chamar de “segredo industrial”, não vejo razão para que não possa ser sabido. Afinal, a conta de luz não traz discriminados os impostos, o custo de geração e o de distribuição?

Não estou acusando indiscriminadamente os donos de postos, e se estão cobrando deles preços absurdos e deixando-os com pequenas margens de lucro, é bom que as pessoas saibam, para não atribuírem injustamente a culpa a quem não a tem.

Se na luz pode, não vejo porque nos combustíveis o consumidor tenha de ficar no escuro.

sábado, 7 de maio de 2011

quem está sangrando o bolso da população(?)... o seu bolso

Disparidade no preço do etanol, enfim, sai no jornal

Tijolaço



Demorou, demorou, saiu escondidinho, mas saiu no jornal que o preço do etanol (hidratado e anidro) baixou fortemente nas usinas e não baixou nada – ou quase nada – para o consumidor.

A Folha registra aí do lado que a baixa do etanol hidratado, em uma semana, foi de 20%, mas a queda de preços nas bombas de combustível foi desprezível. Dez vezes menor, 2,1%.

Idem com o etanol anidro, que é misturado com a gasolina. A gasolina pura continua sendo vendida pela Petrobras ao mesmo preço : R$1,05. O etanol anidro, que entra na mistura à razão de 25%, baixou de 2,73 – preço de 20 de abril – para R$ 1,88. Portanto, 31% mais barato – 21% só na última semana. E o preço no posto subiu mais 0,85%!

Vejam que coisa: um composto de duas substâncias, onde uma não aumenta e outra baixa muito de preço passa a custar mais caro!

É o mercado, que maravilha o mercado!

Mas não é só o mercado que é estranho, não. A Folha, que considera digna de uma manchete garrafal a alta da inflação, quase “comemorando” que esta tenha batido no teto das previsões, não acha importante destacar para seus leitores o comportamento absurdo dos preços daquilo que está, basicamente, causando o aumento de preços: o combustível.

A matéria sobre o etanol saiu você sabe onde? Na coluna de Mauro Zaphalon, “Vai e vem das Commodities”, umaseção especializada em negociação de produtos primários, no caderno de economia.

Bom, vamos esperar que os pauteiros de jornal agora finalmente vejam o que a gente vem mostrando aqui há uma semana e mandem um repórter fazer o que a ANP deveria estar fazendo: saber e mostrar quem está comprando, a quanto, e a quanto está vendendo.

Ou seja, quem está sangrando o bolso da população.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

o etanol que não baixa na bomba... por que(?)

Etanol baixa mais, mas não na bomba.

Tijolaço



O Tijolaço vai seguir fazendo o que a imprensa e a ANP deveriam estar fazendo todo dia: mostrando que não há razão para não haver redução imediata e significativa do preço do etanol hidratado nos postos de abastecimento.

A queda do preço nas distribuidoras, que acumulava até ontem redução de 15,4%  em relação a sexta-feira retrasada (dia 22 de abril) caiu de novo hoje, e fortemente. Agora, o metro cúbico de etanol combustível está em R$ 1.210, ou R$ 1,21 o litro, ou 18,9% a menos.  Com impostos e margem de revenda, deveria saria a R$ 1,81 na bomba. O que tornaria o etanol mais econômico que qualquer preço da gasolina acima de R$ 2,59, pelo fator de  70% de rendimento.

Mas, nos postos, o preço, quando cai, cai a conta-gotas. E enquanto o preço não cai de verdade, a frota de carros flex continua pressionando o consumo de gasolina. Hoje,  a Petrobras anunciou a importação de mais um milhão de barris - seis dias de consumo – para ter uma reserva de segurança.

O presidente da Federação das Distribuidoras de Veiculos, Sérgio Reze, acusou a “a ganância do setor sucroalcooleiro” de ser uma das responsáveis pelo aumento de preços do etanol. Segundo ele essa indústria nunca devolveu à sociedade os benefícios que recebeu com o Proálcool. Ele culpou ainda a inação do governo, que nunca interviu no setor. “A decisão de transferir a responsabilidade sobre o etanol para a Agência Nacional do Petróleo mostrou que o “governo acordou” para o problema.”, disse ele.

O Governo acordou. A ANP, nem tanto.

domingo, 1 de maio de 2011

entendo o preço da gasolina

Álcool baixa 12,7%; no posto, só cai com fiscalização



O levantamento diário do preço do etanol hidratado feito pela USP em Paulínia fechou a R$ 1.304 o metro cúblico (mil litros),o que representa uma queda de 12,7% em relação ao preço do final da semana passada, que era de R$ 1.490.

Este valor ainda sem impostos e a margem de revenda (mais ou menos 50%, no total). Ou seja, o preço do etanol hidratado já poderia estar abaixo de R$ 2, o litro.

Mas não é o que acontece, segundo matéria da Folha, que indica uma redução de apenas 1,1% – 11 vezes menos – para um preço de R$ 2,185 do álcool hidratado nas bombas.

A paridade com a gasolina, que está em 77% – 80% é o limite mínimo para tornar o álcool vantajoso – poderia estar em 70%.

A opção dos proprietários de carro flex, certamente, tenderia ao álcool, reduzindo a demanda de gasolina (R$ 1,05 na refinaria, R$ 2,834 no posto) e, com isso, aliviando a pressão exercida sobre o preço do combustível causada pelo preço do álcool anidro – o que é misturado à gasolina – que pulo de R$ 2,10 para até R$ 2,80, em uma semana, numa alta de mais de 30%.

Se vier logo a redução possível – de 25% para até 18% – na adição de álcool anidro na gasolina (que não pode deixar de ser feita, por ser antidenotante, substituindo o poluidor chumbo etraetila), também o preço da gasolina deverá baixar.

Mas, para isso, é preciso que a ANP exerça logo o poder fiscalizador que a MP baixada pela Presidenta Dilma Rousseff.

Se ficar olhando, paradona, e não divulgar publicamente o que está retardando a baixa do preço, o governo vai ficar impotente diante dos abusos. E a sociedade também.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

a grande herança de fhc e a viúvas dos neolibercanibalis

Agências independentes fazem o governo dependente
Tijolaço

Meu avô, ao falar das “agências reguladoras” criadas pelo Governo FHC para controlar os serviços públicos privatizados, usava uma metáfora bem interessante:




“Olha, isso é como um menino girando uma pedra amarrada num barbante. Só que o menino é tão fraquinho e a pedra é tão pesada que, em lugar de o menino girar a pedra em volta de si, é a pedra que gira o menino”.

Esta história se aplica à perfeição para a notícia publicada hoje na Folha – só para assinantes, por enquanto – de que a Aneel concedeu a algumas distribuidoras o direito de reajustar as tarifas de energia acima, até, do que havia sido solicitado pelas empresas.

A Folha vai reclamar de quê? Não é esse o modelo perverso que defende? As tais agências não são “técnicas”? Os seus dirigentes não têm um “mandato”, do qual não tem de prestar contas ao povo? Não são “executivos” de alta competência, que entram e saem dali para as cadeiras de diretores das empresas que fiscalizam e controlam?

E o pior: quando Lula – e será o mesmo com Dilma – tomava iniciativas para interferir na “autonomia” das agências – o mesmo trololó da autonomia do Banco Central – reagia, escandalizada com “a politização” da “pureza técnica” que elas teriam, não é?

É óbvio que ninguém discute que as decisões sobre a regulação de preços e atividades das concessionárias deva ser técnica. E, convenhamos, algumas delas, como a Aneel e a Anatel, estão longe de estarem dando espetáculos em matéria de técnica.

Mas a responsabilidade sobre os serviços públicos é, em última análise, política. Os governos é que são eleitos pela população e a ela têm de prestar contas sobre os serviços públicos. Contas, inclusive, sobre o valor das contas.

E, por isso, não podem as agências reguladoras independentes de quem tem de prestar contas ao povo. Porque senão é a pedra fazendo girar o menino fraquinho.

PS. O dia será complicado, pelas razões e sentimentos que todos já sabem. Na medida do possível, meus colaboradores seguirão postando notícias relevantes. Agradeço todo o carinho que minha família tem recebido e conto com a compreensão dos leitores.

e o álcool sumiu? cadê o gato? ninguém viu?

Gasolina não subiu nem sumiu. E o álcool?

Tijolaço



O Tijolaco postou aqui, outro dia, a nota de esclarecimento da Petrobras mostrando que o preço da gasolina, nas refinarias, não sobe um centavo faz muito tempo.

A Petrobras informou hoje que não há um só caminhão tanque que chegue às suas refinarias que não consiga se abastecer de gasolina.

Os impostos, não é o caso de discutir seu mérito agora, também não tiveram aumentos, afora o dado pela governador Rosalba Ciarlini, do DEM, que subiu de 25 para 27% o ICMS dos combustíveis.

O preço do combustível subiu por causa do álcool anidro, misturado à razão de 25% à gasolina.
Um litro deste álcool já custa o mesmo que 2,6 litros de gasolina.

E acabou a entressafra.

Ontem, o Procon de Goiás – governo do PSDB, insuspeito de radicalismos, não é – autuou postos, distribuidoras e usinas por aumentarem em 46% o preço do álcool hidratado (diferente do anidro, é o vendido em bombas) alegando “entressafra e problemas climáticos” para explicar a falta do produto. Mas, curiosamente, seus estoques estavam 15% acima dos do ano passado.

A Presidente Dilma determinou, há quase um mês, que a ANP passasse a controlar mais severamente a indústria da cana, incluindo a moagem, sua destinação para a produção de açúcar e etanol (anidro e hidratado).

Até agora, nada.

O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, reconheceu a agência Reuters que pode faltar gasolina em alguns postos por causa da escassez de etanol. “O mais difícil (em termos de abastecimento) é o etanol anidro para ser misturado à gasolina. Se houver falta de gasolina, pode ser causada por isso”.

Perguntar não ofende: o Ministério das Minas e Energia e a ANP estão esperando o quê?
A Petrobras segurar a crise no preço do petroleo é um esforço que se pode e deve exigir dela, uma empresa pública. Mas não se pode pedir que ela aguente no lombo e na imagem a crise provocada pelas usinas, que são privadas.

terça-feira, 22 de março de 2011

a treva que nos ameaça

O programa nuclear brasileiro não vai parar


A treva que nos ameaça

No programa Entrevista Record de hoje, às 21h15, este ansioso blogueiro entrevistou o professor Marco Aurélio Garcia sobre a visita de Obama e a Líbia – clique aqui para ler – e também o presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear Odair Dias Gonçalves e o engenheiro José Manuel Francisco, responsável pela Segurança e a Comunicação da empresa Eletronuclear.

A CNEN é a responsável no Ministério da Ciência e da Tecnologia pela supervisão do programa nuclear.

E a Eletronuclear é a empresa responsável pela construção das usinas.

Existem hoje no mundo em funcionamento 442 usinas nucleares.

O Brasil tem duas: Angra I e Angra II, hoje responsáveis por 2% de toda a energia consumida no Brasil e por 30% da energia do Estado do Rio de Janeiro.

O Brasil constrói no momento Angra III e estuda onde instalar no Nordeste uma central nuclear que terá de duas a seis usinas.

Na França, a energia nuclear é responsável por 80% do consumo.

A energia nuclear é responsável por 20% do consumo de energia do mundo.

O Brasil prospectou 30% do seu território e descobriu jazidas de urânio que fazem dele o sexto maior produtor do mundo.

Quando todo território estiver prospectado, o Brasil será o primeiro ou o segundo produtor de urânio do mundo.

O Brasil detém toda a tecnologia para processar o combustível nuclear.

Hoje as hidrelétricas respondem por 90% da produção brasileira de energia.

O Brasil vai continuar a crescer, as hidrelétricas não vão dar conta e o Brasil vai precisar de todo tipo de energia.

Quando estiverem prontas as nove usinas nucleares planejadas elas representarão apenas 4% do consumo do País.

A mais velha usina brasileira, Angra I, começou a funcionar em 1985 e é mais jovem do que a que primeiro teve problema no Japão.

Os dois entrevistados disseram que não há motivo para interromper o programa nuclear brasileiro.

Este ordinário blogueiro é a favor da energia nuclear ( e da bomba atômica brasileira também) e espera que a lamentável tragédia do Japão não tenha como subproduto o obscurantismo científico.

Marina Silva, como se sabe, é contra a energia nuclear, contra usina hidrelétrica, contra pesquisa com célula tronco e não confia em Darwin.

Ela teve 20 milhões de votos no primeiro turno.

É uma treva que nos ameaça.


Paulo Henrique Amorim

segunda-feira, 21 de março de 2011

tecnologia nuclear sob suspeita

Foto-Legenda
Bebê japonês é avaliado sobre contaminação radioativa em Fukushima, Japão, em 15 de março último.

A tecnologia das usinas nucleares está sob suspeita no mundo todo, não só no Japão. A energia nuclear foi introduzida como uso corrente e aceita em dezenas de países por imposição dos interesses dos complexos industrial-militar que são hegemônicos junto com o capital financeiro, e determinam os rumos dos investimentos estatais nos Estados Unidos, Europa e Japão.
No Brasil, as usinas nucleares foram incentivadas pela ditadura militar visando desenvolver conhecimento sobre a fissão do átomo como forma de consolidar interesse econômico para a corporação fardada.
Foto Kyodo/Reuters

domingo, 20 de março de 2011

energia nuclear no Brasil


''Apoiar expansão de energia nuclear é complicado'', afirma secretário
Instituto Humanitas Unisinos

O novo secretário nacional de Mudança Climática, Eduardo Assad, criticou a expansão da energia nuclear no Brasil. Segundo ele, o país deveria pensar em outras formas de energia antes de expandir seu parque nuclear.

"Nós temos tantas opções antes dessa que eu não consigo entender que a gente ainda discuta isso, ainda mais depois desse acidente", disse Assad, ressaltando que se trata de uma opinião pessoal, não do Ministério do Meio Ambiente.

A reportagem é de Cláudio Angelo e Diana Brito e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 19-03-2011.

A pasta sempre foi contra a construção de novas usinas atômicas.
Assad, pesquisador da Embrapa, assumiu a secretaria do clima nesta semana, e pilotará a estratégia de redução de emissões do Brasil.

Defensores da energia nuclear dizem que expandi-la no Brasil é uma forma de atender à demanda por energia sem gerar emissões de carbono - portanto, uma forma de agir contra o aquecimento global.
A área ambiental do governo aposta em investimentos em pequenas hidrelétricas e em energia eólica, solar e de biomassa.

"Podem não suprir toda a demanda por energia do país, mas vão ajudar bastante", disse o secretário. "Apoiar expansão de energia nuclear é complicado."

EXERCÍCIOS BIZARROS

O secretário estadual do Meio Ambiente do RJ, Carlos Minc (PT) - que como ministro da área acabou licenciando Angra 3 -, defendeu que os procedimentos de emergência em Angra sejam mudados. Para ele, o exercícios de treinamento da população para o caso de acidente são "bizarros e hilários".

"Era um número pequeno de pessoas, que preenchiam um cadastro, ganhavam um crachá, um sanduíche de mortadela...entravam num ônibus, andavam 20 minutos para cá e para lá para ouvir que não havia riscos e que tudo aquilo era seguro. Como se fosse quase impossível ter um acidente", disse Minc sobre um exercício que seguiu há cerca de cinco anos.

"Ter exercícios mais frequentes, com gente Angra, Parati, Mangaratiba e outros municípios, onde deve haver quase 100 mil pessoas, é essencial para um plano emergencial de qualidade. A impressão é que o pessoal não leva muito a sério os exercícios atuais."

O secretário vai sugerir ao governador Sérgio Cabral (PMDB) que o monitoramento passe a ser feito por uma empresa independente, não ligada à Eletronuclear, responsável pelo sistema.

Eduardo Grand Court, da diretoria de Planejamento, Gestão e Meio Ambiente da estatal, disse que deve ser implantado no primeiro semestre de 2012 um novo plano de monitoramento.

O novo plano cobre uma área de até 50 km do entorno das usinas. Atualmente, cobre de 3 km a 20 km de área -o que, segundo ele, segue o padrão internacional.