segunda-feira, 9 de setembro de 2013

retorno da “viagem”


O Gigante está ficando sóbrio

Posted by eduguim on 09/09/13 • Blog da Cidadania







Certos grupos políticos amanheceram, no domingo, de cabeça inchada, tal qual o torcedor de futebol que, no dia anterior, viu seu time ser goleado. Apostaram que 7 de setembro marcaria a interrupção da recuperação de popularidade pelo governo Dilma, bem como pela própria, por obra e graça de imensas manifestações que voltariam a ocorrer no país.

Ao longo das últimas semanas, a blogosfera e as demais redes sociais foram inundadas por comentários de militantes políticos de extrema-direita – e, também, de partidos que se intitulam “de esquerda” mas que fazem a alegria da direita, tais como PSOL e PSTU – que anunciavam o apocalipse para o que chamam de “governismo”.

As primeiras páginas dos grandes jornais no “day after” do pretenso “dia do juízo final para o PT”, entretanto, coroaram o rotundo fracasso da tentativa da centro e da extrema-direita e de seus aliados na “esquerda que a direita adora” de conseguirem, por meio de protestos de rua, o que as urnas vêm lhes negando ao longo da última década e no limiar desta.






Mas por que fracassou a “Operação 7 de setembro”? Para começar a entender, é preciso rever o que esteve por trás de sua articulação. Nesse aspecto, matéria de um colunista da revista Carta Capital chamado André Barrocal, formulada sob o eloquente título “O Desfile Golpista”, esclarece melhor quem esteve por trás do malogrado plano de destruição política.

Abaixo, um trecho da matéria.


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O alvo da “Operação Sete de Setembro” é a presidenta Dilma Rousseff. O caráter político-ideológico da “operação” fica claro quando se identificam alguns de seus fomentadores pela internet. Entre os mais ativos consta uma ONG simpatizante de uma conhecida família de extrema-direita do Rio de Janeiro, os Bolsonaro. E um personagem ligado ao presidente da Assembleia Legislativa e do PSDB paranaenses, Valdir Rossoni. É uma patota e tanto. Envolvidos em algumas denúncias de corrupção, não surpreenderia se eles mesmos virassem alvo de protestos.

A ONG em questão é a Brazil No Corrupt – Mãos Limpas, sediada no Rio. Seus principais integrantes são dois bacharéis em Direito, Ricardo Pinto da Fonseca e seu filho, Fábio Pinto da Fonseca. Há cinco anos eles brigam nos tribunais contra a Ordem dos Advogados do Brasil na tentativa de acabar com a exigência de uma prova para obter o registro de advogado. Os dois foram reprovados no exame da OAB. Em sua página na internet e no Twitter, a ONG promove a “Operação Sete de Setembro” e a campanha Eu não voto em Dilma: Eleição 2014, Brasil sem PT.

Um dos principais parceiros da entidade nas redes sociais é o deputado estadual fluminense Flávio Bolsonaro, do PP. Pelo Twitter, ele compartilha informações, opiniões e iniciativas da ONG. A dobradinha extrapola o mundo ­virtual. Bolsonaro comanda na Assembleia do Rio uma frente para acabar com a prova da OAB. Em Brasília, a ONG conseguiu um neoaliado, o líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que encampou a ideia de extinguir o exame.

Filho do deputado federal Jair Bolsonaro, Flávio tem as mesmas posições do pai, célebre representante da extrema-direita nacional. Os Bolsonaro são contra o casamento gay, as cotas raciais nas universidades e os índios. Defendem a pena de morte e a tortura. Chamam Dilma de “terrorista” por ter ela enfrentado a ditadura da qual eles sentem saudade. “Naquele tempo havia segurança, havia saúde, educação de qualidade, havia respeito. Hoje em dia, a pessoa só tem o direito de quê? De votar. E ainda vota mal”, declarou o Bolsonaro mais jovem não faz muito tempo.

A ONG adota posturas parecidas com aquela dos parlamentares. Em sua página na internet, um vídeo batiza de “comissão da veadagem” alguns dos críticos da indicação do pastor Marco Feliciano para o comando da Comissão de Direitos Humanos da Câmara. Divulga ainda um vídeo de ­teor racista contra nordestinos, no qual o potencial candidato do PT ao governo do Rio, o senador Lindbergh Farias, nascido na Paraíba, é chamado de… “paraibano”.


(…)

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Como se vê, os articuladores de uma jornada de protestos abraçada pelas extremidades esquerda e direita do espectro político são “tutto buona gente”…

Não foi por outra razão que a mídia conservadora, apesar de seu recém-proclamado “arrependimento” por ter se envolvido tão intimamente com uma ditadura militar que massacrou e roubou desavergonhadamente o Brasil por mais de duas décadas, tratou de divulgar o quanto pôde os mega protestos que (não) ocorreram no último sábado.

Durante o 7 de setembro, na emissora de tevê a cabo Globo News, por exemplo, a jornalista Leilane Neubarth parecia tentar dirigir as manifestações, enquanto torcia pela invasão do Congresso Nacional por um grupelho de militontos que ali se manifestava. Ironicamente, porém, pouco depois, na mesma Capital Federal, a sede da Globo na cidade seria atacada.

Apesar disso, a mídia oposicionista passou o dia enfocando até briga de vizinhos para tentar inflar a repercussão das manifestações. Foi tudo tão patético que uma charge sobre esse comportamento midiático (abaixo) circulou o dia inteiro pelas redes sociais.






O revés da direita em um dia em que planejava o juízo final para o governo Dilma e para o PT, porém, não parou por aí. O tradicional protesto Grito dos Excluídos, que ocorre todo ano no 7 de setembro e que tem um viés diametralmente oposto ao dos extremistas de direita e esquerda, levou (abaixo) esqueletos da Globo às escadarias da Catedral da Sé, em São Paulo.




Ainda em busca de compreensão sobre o fracasso da “Operação 7 de setembro”, há que analisar a questão da imensa massa de inocentes úteis que passou a ser instrumentalizada a partir de junho e que ao longo de julho e agosto foi pulando fora do barco golpista.

Um dos motes do que os entusiastas daquela estupidez chamaram de “jornadas de junho” foi o de que “O Gigante” teria “acordado”, ou seja, de que o país teria descoberto que estava sendo mal governado pelo PT, quando, em verdade, quem luta de verdade pela democracia jamais dormiu, estando aí os movimentos sociais e sindicais que não deixam mentir com suas lutas históricas por direitos civis.

Muito ao contrário do que dizem, portanto, o “Gigante” jamais esteve adormecido. O que ocorreu, a partir de junho, é que ele foi embriagado por espertalhões que manipularam as massas e se valeram de vândalos para criarem um clima no país que conspurcou sua imagem diante do mundo.

No fim de agosto (29/8), aliás, este Blog antecipou que os protestos dos últimos meses provocaram desmoralização internacional do Brasil, no post Política e ideologia conspurcam a imagem do Brasil no exterior. No último dia 6, o jornalista Fernando Rodrigues, em seu blog, publica post sob o título “Cobertura negativa sobre o Brasil na mídia internacional bate recorde após protestos de junho”.

O texto de Rodrigues mostra que “O número de reportagens com teor negativo sobre o Brasil veiculadas na imprensa internacional atingiu 36% do total no 2º trimestre do ano, um recorde desde que a pesquisa começou a ser feita, em 2009”.

Segundo o jornalista, “Foram 425 reportagens negativas nos meses de abril, maio e junho, de um total de 1.167, segundo levantamento da agência Imagem Corporativa em 15 veículos internacionais. O principal motivo da alta é a cobertura dos protestos de rua de junho”.

Tudo isso somado, o que se conclui é que o “Gigante” está em processo de retorno da “viagem” em que mergulhou nos últimos meses, com a sociedade se dando conta de que não havia sentido em repudiar um governo que melhorou tanto a vida dos brasileiros, tirando dezenas de milhões da miséria e, na contramão do resto do mundo, proporcionando grande oferta de empregos e salários cada vez melhores.

A mídia conservadora tenta “explicar”, agora, o fracasso da ofensiva antidemocrática das extremidades do espectro político. Diz que os brasileiros desembarcaram do porre dos últimos meses em razão do grupo Black Bloc – que rejeita ser chamado de grupo.

Matéria da Folha de São Paulo do primeiro dia útil desta semana reproduz explicação do escritor e jornalista norte-americano Chris Hedges, apoiador do Occupy Wall Street, movimento crítico ao modelo atual de capitalismo que chacoalhou os EUA em 2011 e 2012.

Segundo Hedges, “Entregar os protestos para o Black Bloc’ ou deixar que esse movimento o sequestre é o que afasta as massas e transforma o movimento em marginal, exatamente o que o Estado quer”, pois a violência “Faz as pessoas terem medo dos protestos”, além de facilitar a infiltração policial”.

A avaliação não faz sentido, pois a força dos protestos de junho em diante no Brasil, que obrigaram o Estado a ceder a reivindicações como a de baixar o preço das tarifas de ônibus, esteve justamente no vandalismo, que tornou as manifestações insuportáveis. Sem o vandalismo, elas poderiam ser suportadas e, assim, o Estado não teria que ceder.

Sem violência, o Estado recupera as condições de diálogo com a sociedade. Por isso, o quebra-quebra foi a grande arma das oposições à direita, à esquerda e na mídia para criar no país o clima que propiciou a queda estrondosa da popularidade de Dilma, que agora se recupera. Para desespero do fascismo, o Gigante está ficando sóbrio.

domingo, 8 de setembro de 2013

O país precisa de todos os brasileiros


Dez anos, 50 milhões de brasileiros


Bolsa Família


04/06/2013 15:25





Uma década é um período muito curto na história de um país. Mas foi o suficiente para consolidar uma forma simples de promover, a baixo custo, a inclusão social e econômica de pessoas que viviam à margem dos processos de desenvolvimento do Brasil. Abandonados à própria sorte, sem atrativos “com valor de mercado”, esses brasileiros permaneceriam acorrentados à armadilha da pobreza que se reproduz geração após geração. Para interromper esse ciclo, era necessária a ação do Estado. Ela veio em 20 de outubro de 2003, com a criação do Programa Bolsa Família.

Foi a primeira grande incursão do país em políticas sociais centradas de fato na pobreza – mudança que requereu doses incomuns de coragem e vontade política. Afinal, embora nossa Constituição tenha entre seus princípios fundamentais o da erradicação da pobreza, a tendência de culpar o pobre por sua condição ainda era bastante enraizada, gerando forte oposição inicial ao programa.

Dez anos depois, o Bolsa Família é recomendado por organizações internacionais como exemplo de sucesso na redução da pobreza. E não há ator político nacional relevante que não reconheça a importância do programa.

Para alcançar esse ponto, foi preciso superar obstáculos. Ao enorme desafio político, somou-se a necessidade operacional de encontrar, cadastrar, transferir renda e acompanhar as famílias do programa. Para alcançar esses objetivos, o Bolsa Família lançou mão de soluções simples e modernas, aproveitando recursos já disponíveis.

Para chegar aonde está a pobreza, não bastava o empenho do governo federal. Foi preciso articular com estados e municípios, que atuam mais próximo da população pobre. Para cadastrar o público, iniciou-se a expansão e o aprimoramento do cadastro socioeconômico das famílias mais pobres do Brasil, o Cadastro Único para Programas Sociais. Hoje, ele é uma ferramenta usada pelo governo para implantar várias políticas voltadas à população de baixa renda, integrando a maioria dos programas sociais e transformando o Brasil em exportador de tecnologia social.

A transferência de renda é feita pelo governo federal diretamente para o beneficiário, por meio do cartão magnético da Caixa Econômica Federal, instrumento que facilita o controle e torna as relações impessoais, reduzindo interferências políticas. O cartão colocou o benefício diretamente na mão da família, fortalecendo sua autonomia, desburocratizando o programa e injetando dinheiro na economia. Dentre os titulares dos cartões, 93% são mulheres – porque as mães sabem melhor que ninguém como empregar os recursos em prol de toda a família, especialmente das crianças.

Por fim, para servir e acompanhar as famílias, três redes foram mobilizadas:

1) Assistência social – Além de cadastrar, é quem dá apoio às famílias em situação de maior vulnerabilidade;
2) Educação – Faz o acompanhamento da frequência escolar de crianças e jovens do programa;
3) Saúde – Acompanha a vacinação e a nutrição das crianças e faz o pré-natal das gestantes.

Nada disso é trivial, ainda mais quando falamos de um programa que, após 10 anos aperfeiçoando seus mecanismos de transferência e de gestão, beneficia 13,8 milhões de famílias, tornando digna a vida de 50 milhões de brasileiros, a um custo anual equivalente a 0,46% do Produto Interno Bruto (PIB).

Muito além da transferência de renda

Com o passar do tempo, ficou claro que o impacto do Bolsa Família vai além do alívio imediato da pobreza, proporcionado pelo complemento à renda das famílias. Resulta em ganho para o próprio crescimento econômico do país. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que, para cada real investido pelo Bolsa Família, há um retorno para a economia de R$ 1,44.

Hoje, está claro que o impacto definitivo do Bolsa Família diz respeito a uma geração inteira que, em função das condicionalidades do programa, acaba por romper o círculo da miséria pela educação. São 15 milhões de crianças e adolescentes que, com frequência escolar acompanhada pelo Bolsa Família e a despeito de sua situação de pobreza, têm abandono menor e desempenho equiparado à média dos estudantes do ensino público brasileiro, de acordo com dados do Censo Escolar da Educação Básica. Isso permitirá um futuro diferente da vida de exclusão de seus pais e avós.

As condicionalidades do Bolsa Família buscam ampliar o acesso dos beneficiários aos serviços de saúde, incluindo a vacinação das crianças, o acompanhamento do seu crescimento e da saúde das gestantes. Não por acaso, a avaliação de impacto do Bolsa Família concluiu que as crianças do programa estão mais frequentemente em dia com a vacinação e que as mães fazem mais consultas de pré-natal do que as não beneficiárias.

Segundo artigo divulgado recentemente pela revista acadêmica The Lancet, uma das mais respeitadas publicações científicas especializadas em saúde do mundo, municípios com alta cobertura do Bolsa Família têm mortalidade infantil quase 20% inferior a municípios que têm o mesmo perfil, mas onde a penetração do programa entre os que dele necessitam é pequena.

O Bolsa Família para um Brasil sem Miséria

Para enfrentar o desafio de superar a miséria, até mesmo um programa bem sucedido como o Bolsa Família teve que se reinventar. É que a presidenta lançou ao governo e à sociedade o Brasil Sem Miséria, para a superação da extrema pobreza até o final de 2014.

A lógica de cálculo das transferências do Bolsa Família foi modificada com a criação de um novo benefício, que varia de acordo com a severidade da pobreza. Quanto menor a renda, maior o valor pago pelo Bolsa Família. Assim, o programa garante que todas as famílias que recebem o benefício terão mais de R$ 70 mensais por pessoa. O valor médio do benefício, que era de R$ 73,70 em 2003, chegou a R$ 152,75 em 2013.

As mudanças introduzidas no Bolsa Família desde o lançamento do Plano Brasil Sem Miséria, em 2011, tiraram 22 milhões de pessoas da extrema pobreza em todo o país. Isso representou tecnicamente o fim da miséria, do ponto de vista da renda, entre os beneficiários do Bolsa Família.

Resta agora o desafio de localizar e cadastrar, por meio da busca ativa, cerca de 600 mil famílias que ainda não estão no Cadastro Único nem no Bolsa Família. Encontradas, registradas e inseridas no Bolsa Família, essas pessoas terão acesso a tudo o mais que o Brasil Sem Miséria oferece em termos de inclusão produtiva e acesso a serviços públicos.

O país precisa de todos os brasileiros

Os processos de desenvolvimento no Brasil privilegiaram, historicamente, as classes que estavam no topo da pirâmide de renda – senhores de engenho, de lavras, fazendeiros, industriais, financistas. Foram séculos de políticas fundadas em bases aristocráticas, subordinadas a interesses oligárquicos, que não se apagam em uma década.

Mas finalmente o Brasil colocou as políticas sociais no centro da estratégia de desenvolvimento. Foi uma escolha democrática, lastreada e reiterada nas urnas. Foi a opção de um país por um projeto político que, ao invés de dissociar, combina a busca por crescimento, distribuição de renda e inclusão social.

O Bolsa Família é um dos marcos mais importantes desse novo modelo, no qual o Brasil não vai mais deixar de garantir a sustentabilidade social do crescimento econômico por dar as costas a uma parcela significativa da população. Pelo contrário, agora o país reconhece sua maior riqueza nos cidadãos. O país das oportunidades deve ser desfrutado por todos os brasileiros.

você gosta de ler sobre a Constituição, sobre os Direitos e Deveres da Cidadania? acho que vale a pena se despojar do ódio por 10 minutos


A DERROTA DOS CROCODILOS
QUE RONDAM O STF


PML dá aula (Nota do C Af)


Conversa Afiada





O Conversa Afiada reproduz artigo de Paulo Moreira Leite, inicialmente publicado em seu facebook:




CROCODILOS DERROTADOS



Nossos cronistas que tentam impedir que os condenados da Ação Penal 470 tenham direito a uma revisão adequada de suas penas e mesmo uma segunda jurisprudência perderam um argumento depois de ontem.

Numa postura autoritária, que confundia seus desejos com a realidade, falavam do monstro, do ronco, do demônio das ruas para justificar a prisão imediata dos condenados.

Mas tivemos protestos de participação modesta, que confirmam não só a vergonhosa ignorância da fatia conservadora da elite de nossos meios de comunicação quanto às preocupações reais que afligem a maioria da população, mas também sua total falta de compromisso com a apuração e divulgação de fatos verdadeiros e informações confiáveis.

Querem fazer propaganda, querem ideologia – e não é difícil entender a razão.

Interessados num eventual proveito político do julgamento, tentam chantagear as instituições da democracia, sem importar-se, sequer, com outros prejuízos de natureza cultural que o estimulo à baderna possa produzir.

Como observou Janio de Freitas, pela primeira vez na história as pessoas saíram a rua num 7 de setembro sem “incluir, sequer remotamente, algo da ideia de nacionalidade, ou de soberania, de independência mesmo.”

Diz ainda Janio: “pelo visto, não faria diferença se, em vez do Sete de Setembro, a celebração mais próxima fosse o Natal. Ou Finados.”
Lembrando que somos uma pátria de desiguais, o Grito dos Excluídos disse a que veio. Mas só.

Os demais não disseram nada, embora fosse sobre eles que se disse tudo – especialmente, que o STF deveria se acovardar.

Há um componente maligno e manipulador nesse esforço para anunciar que um protesto será uma manifestação grandiosa.

Procura-se estimular o efeito manada naquele conjunto de cidadãos capazes de sair a rua porque acham que “todo mundo vai estar lá”. Numa sociedade pouco organizada como a nossa, onde os partidos políticos são o que são e as demais organizações sociais são aquilo que se conhece, muitas pessoas sentem-se desenraizadas e sem compromisso social maior. Ficam impressionadas com demonstrações de força.

Tenta-se contaminar nestes indivíduos um sentimento de solidão e isolamento caso não acompanhem os atos daqueles que se quer transformar numa “maioria” que ninguém ouviu nem diz onde mora nem sabe o que pensa – e muitas vezes nem pode ver o rosto, o que não é casual.

A leitura de Hanna Arendt, uma das mais fecundas estudiosas do nascimento de movimentos totalitários que levaram às piores ditaduras do século passado, permite interessantes comparações com aquilo que se diz e se faz no Brasil de hoje. Não tudo, mas boa parte, pelo menos.

Hanna Arendt explicou que os movimentos contra uma democracia ainda em gestação na Europa entre as duas Guerras precisaram de “uma grande massa desorganizada e desestruturada de indivíduos furiosos, que nada tinham em comum exceto a vaga noção de que as esperanças partidárias eram vãs; que, consequentemente, os mais respeitados, eloquentes e representativos membros da comunidade eram uns néscios e que as autoridades constituídas eram não apenas perniciosas, mas também obscuras e desonestas.” (“Origens do totalitarismo”, página 444).

É claro que, diante do fiasco comprovado de ontem, ninguém irá admitir que nunca houve uma relação direta nem clara entre a ação 470 e os protestos de junho.

Havia, há dois meses, quem protestasse contra os condenados. Era muita gente, sem dúvida. Mas havia uma raiva mais ampla e generalizada, que envolvia o sistema político, a saúde pública e, como causa inicial, não vamos esquecer, o transporte público.

Reconhecer isso hoje seria aceitar que se fez uma descrição política interesseira, que pretende dar ao povo um tratamento de ralé, estimulando, acima de tudo, a busca de um líder autoritário – para empregar, mais uma vez, a análise de Hanna Arendt.

Para ela, povo é aquele movimento social articulado a partir de interesses concretos e definidos, inclusive de classe social, que reage para defender seus direitos quando são atacados – e por isso ela identifica povo com a democracia.

Já a ralé, no sentido político, é formada por uma massa de cidadãos de várias classes, alimentados por uma “ amargura egocêntrica” que produz uma forma de “nacional tribal” e também o “niilismo rebelde.”

Analisando a estratégia de um dos mais cruéis líderes de um movimento em si monstruoso como o nazismo, Arendt fala que Himmler procurava recrutar integrantes das SS entre cidadãos que não estavam interessados em “problemas do dia a dia” mas somente em questões ideológicas de quem acredita trabalhar “numa grande tarefa que só aparece uma vez a cada dois mil anos.”

Vejam algumas semelhanças entre as coisas.

No livro “ A Cozinha Venenosa, “ no qual estuda a emergência do nazismo a partir da história de um jornal socialdemocrata de Munique, a jornalista Silvia Bittencourt lembra uma frase do hino da SS: “a Alemanha desperta.”

Descrevendo a “atomização social e a individualização extrema”, Hanna Arendt fala de massas que, “num primeiro desamparo de sua existência, tenderam para um nacionalismo especialmente violento.”

Avaliando o comportamento dos partidos que tinham uma postura de cumplicidade nos ataques a democracia, diz que agiam assim “por motivos puramente demagógicos, contra seus próprios instintos e finalidades.”

Na verdade, a falta de disposição espontânea para transformar o 7 de setembro numa jornada de confronto político real, como ocorreu em junho, não era tão difícil assim de ser percebida.

Em 4 de setembro registrei neste espaço minhas dúvidas sobre o tão falado monstro e seu “ronco”, como dizem os adoradores de todo movimento capaz de ser usado para causar prejuízos ao condomínio Lula-Dilma.

Falando dos crocodilos que rondam o Supremo, escrevi:

“Tenho certeza absoluta de que muitos brasileiros querem a prisão dos condenados pela ação penal 470. São sinceros e estão convencidos de seus motivos. Acho que o massacre dos meios de comunicação, tendenciosos, tem muito a ver com isso.

Não custa lembrar, contudo, que o Brasil não se resume a essas pessoas. Todos os deputados indiciados na ação penal 470 e que disputaram cargos eleitos em 2010 tiveram boa votação. Em 2012 a lei ficha limpa tirou João Paulo Cunha do pleito em Osasco. Senão, teria sido eleito prefeito. Não pode concorrer e emplacou um substituto no posto. Dirceu só não foi eleito em 2010 porque perdeu os direitos políticos no Congresso.

(…)

O “povo”, “a rua”, “o monstro” compareceu em massa às urnas em 2006, 2010, 2012. Em nenhuma dessas ocasiões a ação penal 470 derrotou qualquer candidato a presidente, a governador, a prefeito. Ocorreram derrotas e vitórias espetaculares. Sei da opinião de quem vai aos protestos. Mas basta andar pela rua e perguntar a opinião da população sobre Dilma. Ou sobre Lula.”

Seria ilusório no entanto, esperar por um balanço politicamente honesto deste 7 de setembro. Ninguém irá aplicar o mesmo critério e reconhecer que a população não está com tanta pressa assim –– e dar uma folga na chantagem sobre o Supremo, deixando que, nos últimos dias, seja capaz de encarar os fatos e reconhecer que tem o dever de abrir o debate para a discussão dos embargos infringentes, uma possibilidade de assegurar a pelo menos uma parcela dos réus o direito de uma revisão de suas penas.

As “ruas “ e o “monstro” eram apenas pretextos convenientes para justificar uma postura autoritária para mobilizar a população, de qualquer maneira, para exigir punições exemplares. Não deu certo e agora se mudará de assunto para perseguir o mesmo alvo, que é criminalizar as mudanças ocorridas no país nas últimas décadas. Como se faz sempre, a retórica consiste em transformar o bom em regular em ruim, o ruim em péssimo – e dizer que tudo o que há de ótimo saiu da cartola da oposição, enxotada do Planalto com uma popularidade negativa de 13 pontos.

A transmissão ao vivo do julgamento, ainda no ano passado, destinava-se a transformar uma decisão que deveria ser tomada num ambiente de serenidade e recolhimento num espetáculo público com várias demonstrações de autoritarismo e intolerância.
Tivemos um ministro relator que jamais foi um juiz, mas um aliado da acusação e, em vez de ser questionado a respeito, foi aplaudido exatamente por isso.

Este comportamento permitiu várias distorções e abusos. No último exemplo, o ministro Ricardo Lewandovski demonstrou, com dados irrefutáveis, o agravamento artificial das penas com a finalidade de impedir que, apesar das denúncias injustas, da falta de provas, da fraqueza de tantas acusações, os réus pudessem beneficiar-se de um direito universal – a prescrição de penas depois de determinado prazo de investigação.

Estimulando atitudes de quem se coloca acima da lei, improvisa soluções sob encomenda a seus interesses, o que se quer é outra coisa. 

Convencer o “niilismo rebelde” e o “nacionalismo tribal” que é possível desrespeitar a democracia pois ninguém será capaz de reagir. Estamos sendo submetidos a um teste. 

Através do ataque aos direitos de 25 condenados, pretende-se atingir os direitos do povo inteiro É um plano para um prazo mais longo, amplo e profundo.

Se, em outubro de 2014, Dilma Rousseff e Lula confirmarem o dizem as pesquisas eleitorais de hoje, cravando uma quarta vitória eleitoral consecutiva sobre a “ a amargura egocêntrica” das elites, nós poderemos saber exatamente o que estava em jogo no espantalho do monstro de 7 de setembro — obter, fora das urnas, fora do respeito devido às instituições democráticas, vitórias que só a soberania popular pode assegurar.



Clique aqui para ler
“PML: crocodilos rondam o Supremo”

E aqui sobre o “Escárnio: um vinho pela cabeça do Dirceu”

sábado, 7 de setembro de 2013

O campeonato prenuncia-se longo




Esquerda unida venceu coxinhas de jaleco
7 de setembro de 2013 | 07:33

Tijolaço

Em artigo publicado hoje na Folha, o cientista político André Singer avalia que as forças progressistas ganharam a batalha da comunicação em torno do programa Mais Médicos. Os coxinhas de jaleco não conseguiram esconder da população a sua postura profundamente corporativa e antipopular. A histeria anticomunista da mídia, por sua vez, que veio à tôna com a chegada dos médicos cubanos, foi derrotada pela imagem dos mesmos desembarcando, alegres e solidários.

Esquerda 1 vs. Direita 0

Por Andre Singer, na Folha

No fla-flu aberto com as demonstrações de junho, a esquerda ganhou a primeira partida. Não me refiro à redução no preço das passagens, pois esta foi concedida no susto, sob o impacto de protestos que mobilizaram o espectro ideológico inteiro. A vitória “gauche” se deu no campo da medicina.

Provavelmente orientado por pesquisas, o governo percebeu que a saúde unificava os jovens das passeatas à insatisfação popular expressa na queda de apoio aos governantes. Resolveu, então, desengavetar o Mais Médicos, apresentando-o como resposta à voz das ruas. Embora não se dirigisse às grandes cidades, onde os movimentos foram mais fortes, o programa tinha a sensibilidade social necessária para o momento.

Movida por um sentimento de força conjuntural, talvez pela presença massiva de bandeiras brasileiras e cartazes contra a corrupção nas avenidas, a direita encampou o corporativismo de uniforme branco, estimulando as associações de classe a uma oposição frontal ao projeto do Executivo. Engrossadas ainda pela irritação da classe média a tudo que venha do PT, as primeiras reações ao plano de trazer estrangeiros foram tão veementes que pareciam condenar a iniciativa a não sair do papel.

O erro da direita foi não ter percebido que a força da proposta estava na sua fraqueza. Com efeito, o Mais Médicos não vai reverter as graves deficiências vigentes nas extensas periferias metropolitanas. Para tanto, é provável que só uma reforma tributária, profunda o suficiente para gerar recursos de monta, fosse capaz de realizar o preceito constitucional de um verdadeiro sistema único e público de saúde.

Mas, justamente por se dirigir a comunidades afastadas –onde, aliás, está hoje a base eleitoral do lulismo– nas quais não há atendimento algum e os profissionais brasileiros não querem ir, a proposta tem legitimidade inquestionável. Em poucas semanas, as corporações ficaram isoladas, sendo obrigadas a recuar para um obsequioso silêncio. Enquanto isso, a aprovação governamental voltava a subir.

Para coroar, houve o condimento simbólico. Embora duramente criticada pelos setores democráticos da esquerda, Cuba ainda mora no coração de boa parte dos que sonham com uma sociedade igualitária. O despojamento e a disposição dos médicos cubanos que aqui desembarcaram, alvos de preconceitos absurdos, deu um quê de superioridade moral ao time vermelho.

Contudo, atenção: as batalhas decisivas se darão no terreno da política econômica, no qual, cumpre ressaltar, nada indica que o resultado, qualquer que seja, venha a ser obtido de modo tão ameno. O campeonato prenuncia-se longo.

Por: Miguel do Rosário

o mundo do cidadão que virou consumidor, o discurso que virou latido!


Quando o consumidor derrota o cidadão




Diário Gauche

Quando somente a violência faz sentido


Vivemos hoje num mundo em que nem mesmo o senso comum faz sentido. Essa assertiva é de Hannah Arendt, ainda da década de 1950, mas faz-se atual - cada vez mais - nos dias do terceiro milênio. O colapso do senso comum de nossos dias indica que a filosofia e a política acabaram tendo o mesmo destino: a crescente perda de relevância em favor da economia, da dinheirização da vida cotidiana e do consumo como instância principal das relações sociais, deslocando em definitivo a cidadania, a solidariedade, a própria política, enfim.


Na década de 1970, Florestan Fernandes (Sociedade de classes e subdesenvolvimento) já nos alertava sobre a disjuntiva entre desenvolvimento econômico e estabilidade política nos Estados nacionais. Essa disjuntiva nem sempre é evidente, ao contrário, está quase sempre mascarada ou à sombra do fluxo principal da vida social no capitalismo pós-concorrencial.


As mobilizações de massa ocorridas no Brasil, especialmente no último mês de junho, servem, pois, para tirar o véu escuro da luta de classes que surdamente insiste em mostrar a sua existência, mesmo que por fenômenos nem sempre legíveis e claros.


O lulismo ousou mexer com a então estagnada estrutura de classes sociais do País. Há segmentos e frações de classe que estavam aí desde o Brasil-Colônia, o Brasil escravocrata. Ilustrativo disso é a recentíssima - deste ano de 2013 - legislação de direitos às empregadas domésticas, uma ponta do século 18 que insistia ainda em vigir no século 21. Ainda assim, não foram poucos que protestaram contra esse abuso, muitas vezes alegando - cinicamente - que estavam protegendo os/as próprias beneficiários dos novos direitos.


Eis, pois, um enclave mental francamente escravagista impregnado na cabeça de ditos modernos e descolados. Isso nos mostra que não podemos esquecer que o capitalismo, para além dos mercados, é antes de tudo, um produtor de fetiches, ideologias, mitos e representações da verdade. A ganga bruta deste minério ideológico é o senso comum, essa verdade pedestre que vagueia pelas ruas e coloniza as pessoas com certezas absolutizantes e definitivas, mas que raramente duram trinta dias. Pois, mesmo o senso comum já está desgastado e sem sentido, como afirma Arendt.


Se o espírito do homem comum já não pode mais confiar nem no senso comum, em quê pode confiar? Se a cidadania há muito foi interditada pelo desgaste continuado da política, em quem confiar? Ora, o homem enxotado do acolhimento cidadão, tem encontrado abrigo - ainda que falso e provisório - no seio cálido do consumo para todas as classes de renda. O consumismo é a sequência lógica da disputa entre o setor público versus setor privado, incentivado pela propaganda da ideologia neoliberal nos últimos 30 anos.


É aí que queremos chegar, neste brevíssimo artigo. As grandes mobilizações urbanas no Brasil de 2013 está mais informada pelo consumo do que pela cidadania. Os requerimentos das massas urbanas (tão fragmentadas quanto a soma das distintas tribos que a compõe) têm a aparência e um fraco aroma das categorias políticas, mas se comportam como desejo de consumo de um rol de necessidades por inovação autorreferente e até narcísica. Aí está uma vitória da propaganda neoliberal em nosso meio, onde se verifica um hibridismo entre as mobilizações típicas de históricas conjunturas anticapitalistas, mas com ingredientes próprios do seu contrário: a ideologia neoliberal materializada em formatos da ordem hegemônica do último capitalismo.


Aqui, é de dar razão ao sociólogo Wolfgang Streeck quando ele afirma que as manifestações políticas de massa hoje estão reduzindo a política ao entretenimento. Em junho, ouvi uma mãe perguntar ao filho adolescente qual inscrição havia no cartaz que ele portava na passeata do qual participara, ao que o filho respondeu, com ar ingênuo, mas eufórico: "Não sei o que estava escrito, mãe!"


Entre um videogame e outro, manifestação de rua como pura diversão, ou nova esfera de sociabilidade efêmera e sem compromissos de qualquer ordem. Veja que não há discurso, não há carro-de-som, não há panfleto (o grande meio de comunicação do discurso político, protorrevolucionário, desde o século 19), não há palavra. Aristóteles definia o homem como um ser politico, dotado de fala, portador de um discurso simbólico.


Essa definição vale para o cidadão, mas não vale para o consumidor - esse novo homem unidimensional que emerge da promessa neoliberal sem passado e sem futuro, pulsando num tempo mítico, eterno presente autorreferenciado, nulo de humanidade e sentido - como os animais.


Assim e agora, só a violência se impõe e faz sentido, trazendo nexo à existência.



Artigo de Cristóvão Feil, sociólogo, texto publicado originalmente na edição de setembro/2013 do Jornalismo B (em papel).

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

e o carapááálida não vai protestar? ah, esse não interessa... o que interessa mesmo ao carapááálida?


Propinoduto tucano sumiu da mídia

Blog do Miro

Por Altamiro Borges

Nesta quarta-feira (4), cerca de 2 mil jovens realizaram uma manifestação em frente às sedes das multinacionais Siemens e Alstom, na zona oeste de São Paulo, para exigir a apuração das denúncias sobre o propinoduto tucano. O protesto foi organizado pelo Levante Popular da Juventude e pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), mas não obteve a mesma cobertura jornalística da mídia privada, que tentou pegar carona e pautar as mobilizações juvenis de junho. Na prática, a imprensa tucana – que abocanha fartos recursos em publicidade do governo de Geraldo Alckmin – já sumiu com o escândalo de corrupção do PSDB de São Paulo.


“Precisamos fazer um acerto de contas com as empresas corruptoras, que sempre ficam invisíveis nos escândalos de corrupção. A Siemens e a Alstom precisam ser investigadas e punidas, além dos políticos do PSDB. Não podemos admitir que a população sofra todo dia com a falta de qualidade do transporte público, enquanto empresas estrangeiras desviam recursos públicos”, protestou Thiago Pará, dirigente do Levante Popular da Juventude. “Não é mole não, o tucano é só corrupção”, cantaram os jovens durante o protesto. Na sede do grupo francês Alstom, os manifestantes picharam "empresa corruptora".

Já na sede da Siemens, os ativistas lembraram os sete mortos no acidente nas obras do Metrô-Linha Amarela. “O nome de cada um deles foi saudado e foi colocada uma cruz para cada um deles em frente da empresa alemã”, relata o sítio do Levante da Juventude. “Essas empresas eram responsáveis pelas obras na Linha Amarela e têm culpa na morte desses trabalhadores, que são símbolos da falta de respeito com o povo brasileiro. É preciso fazer justiça. Enquanto não houver justiça, haverá escracho popular”, prometeu Pará. O MAB também denunciou que a Siemens e a Alstom são responsáveis pelas obras de construção de barragens e são acusadas de formar um cartel para superfaturar os preços dos serviços.

Polícia Federal entra no trilho

Além dos protestos de rua exigindo a apuração das denúncias do propinoduto, o escândalo tem tido outros desdobramentos. Na quinta-feira passada (29), “agentes da PF entraram no edifício do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, centro da capital paulista, e subiram ao quinto andar em busca de documentos relacionados à formação de cartel das empresas ligadas ao transporte sobre trilhos em São Paulo. A ação policial teve como foco 21 contratos com indícios de irregularidades, de acordo com pessoas ligadas à investigação e ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica)”, relata a revista IstoÉ em matéria assinada por Alan Rodrigues, Pedro Marcondes e Sérgio Pardellas.

Ainda segundo a reportagem, “os negócios, em valores corrigidos, somam cerca de R$ 11 bilhões. Cinco já foram julgados irregulares pelo Tribunal de Contas. Já três, estimados em R$ 6,3 bilhões, nem sequer foram julgados. Outros 13, como o projeto executivo para o trecho Ana Rosa/Ipiranga da Linha 2 Verde, que custou ao menos R$ 143,6 milhões, foram considerados regulares pelo tribunal. A Polícia Federal pretende usar as informações contidas nos procedimentos do TCE para complementar um inquérito que investiga as fraudes cometidas pelas 18 empresas participantes do cartel, que teria abastecido um propinoduto que percorreu as gestões do PSDB em São Paulo nos últimos 20 anos”.

Pressão das ruas é urgente

O ingresso da PF no caso também não teve maior repercussão no restante da mídia. As emissoras de televisão quase não falam mais sobre o propinoduto tucano. Os jornalões dão apenas pequenas notas e o assunto sumiu das manchetes. Entre as revistonas, a situação mais escabrosa é da Veja – que recentemente foi premiada com a compra de milhares de assinaturas pelo governo estadual. Ela simplesmente não toca no assunto explosivo. Caso não ocorram mais protestos de rua, como o organizado pelo Levante Popular da Juventude e o MAB nesta quarta-feira, a tendência é que tema desaparece completamente da mídia seletiva nas próximas semanas.

E que ninguém se iluda que o Ministério Público de São Paulo irá investigar as graves denúncias. Em sua coluna na Folha, a jornalista Mônica Bergamo publicou uma curiosa notinha nesta semana: “O governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) nomeou Carla Elias Rosa, mulher do procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Elias Rosa, para trabalhar no Palácio dos Bandeirantes. Ela integrará a assessoria jurídica do governo, na Casa Civil... Elias Rosa lidera o Ministério Público de SP, que tem entre suas prerrogativas investigar denúncias que envolvam o governo”. Só mesmo a pressão das ruas poderá desencavar o propinoduto tucano!


*****

Leia também:

- Propinoduto tucano e mídia seletiva

- Globo esconde propinoduto tucano

- Cadê a CPI do propinoduto tucano?

- Soninha ignora o propinoduto tucano

- O propinoduto e o apartamento de FHC

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Camaragibe (PSDB) ensina como fazer política!!! (entenderam jornalões? ah, vocês não fazem política... nem jornalismo.)


Prefeitura do PSDB elogia o Mais Médicos e contesta Folha de SP

Posted by eduguim on 04/09/13 • Blog da Cidadania





Manchete de primeira página da Folha de São Paulo desta quarta-feira (4) diz que médicos brasileiros do programa Mais Médicos “Questionam infraestrutura e exigências e abandonam programa”. Segundo a matéria, em várias cidades os profissionais desistiram de participar do programa federal alegando “de precariedade a desconhecimento de regras”.

Veja, abaixo, fac-símile da primeira página da edição da Folha de 4 de setembro de 2013.




A Folha cita uma dúzia de médicos – em meio a mais de mil – que desistiram do programa alegando problemas como “falta de estrutura” nos locais de trabalho, condições de alojamento e alimentação e o tamanho da carga horária que teriam que cumprir, apesar de terem firmado o convênio com o governo federal.

Um caso em particular, citado com maiores detalhes na matéria da Folha, chama atenção. É o caso do médico Nailton Galdino de Oliveira, 34. Segundo o jornal, ele alegou ter ficado “Impressionado com a estrutura precária da unidade em Camaragibe (região metropolitana do Recife), onde atuou por dois dias”. Ao fim desse período, o médico pediu desligamento do programa.

“É uma aberração: teto caindo, muito mofo e infiltração, uma parede que dá choque, sem ventilação no consultório, sala de vacina em local inapropriado, falta de medicamentos”, afirmou Oliveira.

A Folha ainda afirma que “Casos de desistência como esse frustraram parte dos municípios que deveriam receber anteontem 1.096 médicos brasileiros da primeira etapa do programa” e informa que “Os estrangeiros só vão começar depois”.

Camaragibe é um município que faz divisa com Recife. A cidade é governada por Jorge Alexandre, do PSDB. Tem 145 mil habitantes, um PIB de cerca de 700 mil reais e uma renda per capita que é inferior à metade da média nacional. Hoje, após a chegada de quatro médicos brasileiros do programa Mais Médicos, ainda ficou com 3 unidades de saúde sem médicos.

Para entender o que aconteceu com esse profissional (Nailton de Oliveira), o único a se desligar do Mais Médicos entre os quatro profissionais do programa que chegaram à cidade, o Blog da Cidadania entrevistou o secretário de Saúde de Camaragibe, o advogado Caio Mello. Confira, abaixo, o resultado da conversa.

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Blog da Cidadania – Senhor Caio Mello, o senhor é o secretário de Saúde de Camaragibe, correto?

Caio Mello – Isso mesmo.

Blog da Cidadania – A Folha de Paulo publicou hoje uma reportagem com chamada na primeira página, em grande destaque, que relata o caso do médico Nailton de Oliveira, que foi trabalhar em Camaragibe no âmbito do programa Mais Médicos. Segundo o jornal, Oliveira diz que não encontrou estrutura adequada para trabalhar e não lhe foi oferecido alojamento e alimentação conforme lhe fora prometido. Como o senhor responde a essa afirmação?

Caio Mello – Na segunda-feira, Camaragibe recebeu quatro médicos do programa federal Mais Médicos. Eles foram trabalhar no Bairro Novo, no Asa Branca, no São Jorge e no Camará, onde foi trabalhar o doutor Nailton. Os outros três médicos estão trabalhando normalmente, não houve nenhum questionamento por parte deles.

O doutor Nailton, porém, quando da sua posse, nos fez alguns questionamentos quanto à questão de moradia e alimentação e quanto a carga horária. Nós, da prefeitura de Camaragibe, como somos meros intervenientes nesse contrato entre o governo federal e os médicos, fizemos ver ao doutor Nailton que ele teria, sim, que cumprir as 40 horas semanais de trabalho, até porque ele assinou um compromisso de fazê-lo.

O doutor Nailton, porém, desde o primeiro momento apresentou má vontade. Ele não queria assumir o seu acordo com o Ministério da Saúde. Em seguida, ele nos questionou quanto à alimentação e à moradia. Nós dissemos a ele que, primeiro, a alimentação seria fornecida sem problemas. Nós temos uma empresa que nos fornece as refeições diárias para toda a nossa rede de saúde, em Camaragibe, e a unidade dele é lógico que também seria contemplada.

Blog da Cidadania – Essas refeições incluem almoço e jantar?

Caio Mello – Café da manhã, almoço e jantar. As três refeições diárias.

Blog da Cidadania – E o alojamento?

Caio Mello – Nós ainda não recebemos a regulamentação sobre como serão esses alojamentos. Não sabemos se serão em hotéis, pousadas ou de que forma será. Não pudemos, portanto, fornecer ao doutor Nailton uma residência, com estrutura de empregada doméstica, enfim, uma casa montada para ele e sua família, como estava pleiteando. Além do que, ele é de Recife, que fica a 5 minutos do seu local de trabalho, pois Recife e Camaragibe fazem divisa.

Nós fizemos ver ao doutor Nailton, porém, que tudo seria resolvido nos próximos dias. Só o problema da moradia ficou pendente, o resto estava tudo sendo fornecido conforme o combinado. E como ele não é uma pessoa que veio de fora do Estado ou do exterior, não conseguimos entender a sua pressa em resolver esse ponto.

Blog da Cidadania – O médico Nailton de Oliveira diz também que Camaragibe não teria “estrutura” para ele desempenhar o seu trabalho…

Caio Mello – Olhe, nós temos 39 unidades de saúde da família em Camaragibe. Eu não vou ser hipócrita em dizer que todas essas unidades são uma maravilha, que todas estão lindas e maravilhosas, mas todas as nossas unidades estão em pleno funcionamento. Inclusive bem antes de o doutor Nailton chegar.

Há dificuldades, mas é óbvio que não são dificuldades que possam impedir um médico de trabalhar. Ele poderia, sim, exercer a medicina em nossas unidades de saúde da família, se quisesse.

O doutor Nailton parece que não estava entendendo a situação. Esse programa tem como finalidade servir à pobreza, melhorar a vida dos bolsões de pobreza do nosso município. Apesar dos problemas, nós temos, sim, estrutura. Temos vacinas com prazo de validade em dia, temos geladeira para armazená-las, temos todos os equipamentos básicos.

As nossas unidades de saúde precisam de reforma, mas já fizemos contato com o Ministério da Saúde e com seu apoio estamos reformando essas unidades. Agora, não se consegue resolver um problema estrutural do dia para a noite, mas as reformas estão sendo feitas e a estrutura irá melhorar.

Blog da Cidadania – O doutor Nailton, então, foi o único que não aceitou trabalhar nessas condições. Os outros três médicos que vieram com ele no âmbito do programa Mais Médicos, aceitaram?

Caio Mello – Todos os outros três médicos estão trabalhando nas suas unidades. Só o doutor Nailton se recusou. Com a ausência dele, então, nós ficamos com três unidades sem profissional da saúde, sem médicos. Mas já nos habilitamos ao programa Mais Médicos e já requisitamos um médico para suprir as unidades que ficaram sem atendimento médico.

Blog da Cidadania – Como é que pode faltar médicos em uma cidade que faz divisa com uma metrópole como Recife? Por que é que falta médico em Camaragibe?

Caio Mello – É a lei da oferta e da procura. O município de Camaragibe não tem capacidade financeira de concorrer com Recife, por exemplo, em termos de salários para os médicos, sem falar que não querem se deslocar para longe da região que paga melhor e tem melhor estrutura.

O salário que podemos pagar a um médico de saúde da família é de R$ 6,5 mil. Não podemos disputar médicos com Recife, que paga R$ 10 mil, R$ 15 mil, até R$ 18 mil a um médico. É uma concorrência injusta entre as regiões mais pobres e as mais ricas. E, mesmo assim, Recife tem 12 unidades de saúde sem médico, nas regiões mais pobres da cidade onde os médicos não querem ir, apesar de terem estrutura até melhor do que a de Camaragibe.

Blog da Cidadania – Ou seja: falta médico em Pernambuco.

Caio Mello – Eu acredito que sim. Falta médico nas unidades de saúde de Camaragibe e, o que é mais grave, nas urgências. E nós funcionamos 24 horas por dia. Há dois plantões noturnos que temos que restringir porque não temos médicos.

Por isso, o programa Mais Médicos vai nos ajudar bastante. Vai suprir esse problema gravíssimo de falta de médicos nas regiões que não têm capacidade financeira para arcar com os salários que os médicos querem ganhar e com a estrutura urbana que exigem.

Blog da Cidadania – O prefeito de Camaragibe é o senhor Jorge Alexandre, do PSDB, certo?

Caio Mello – Isso mesmo.

Blog da Cidadania – O senhor, então, como secretário de Saúde de uma prefeitura do PSDB considera que o programa Mais Médicos ajudará as populações das cidades onde será implantado. O senhor acredita, portanto, que o programa vai funcionar?

Caio Mello – Nós estamos apostando nele, sim. Tudo o que vem de coisas boas para o município, nós queremos independentemente se é do partido A, B ou C. O que importa é essa população carente, sofrida, que precisa de tanta coisa e para atendê-la não fazemos distinção política.

O prefeito Jorge Alexandre pensa grande. Essa questão partidária fica para a gente discutir durante a eleição. Precisamos de ajuda seja de que partido for, mesmo que seja do governo federal, que é do PT, ao qual o partido que governa Camaragibe faz oposição. Nós pensamos é na população.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

ganância? esses cubanos...

ainda não conhece os 'irmãos' do norte, pateta?


FHC: corrupção (i)mortal?




Por Izaías Almada

Comprei o livro "O príncipe da privataria", do jornalista Palmério Dória, ao meio dia numa livraria Saraiva. Comecei a ler por volta das duas e meia da tarde e fui terminar às duas e meia da madrugada, após pequenas interrupções para reflexões e dois ou três cafezinhos, além de um vigoroso e saudável sanduíche às oito da noite.

É um daqueles livros que lemos de uma enfiada só, como "A privataria tucana" do também jornalista Amaury Ribeiro Jr., e da mesma Geração Editorial. Elogiar o autor e a editora pela pesquisa e a investigação feita sobre a vida de um homem público, como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, seria gastar linhas a mais: a obra fala por si. E fala sobre o que se sabia mais ou menos, sobre o que se poderia desconfiar, mas – sobretudo – põe o dedo na ferida e expulsa o pus acumulado nos últimos anos de intensa e desavergonhada hipocrisia sobre ética e corrupção no Brasil.

Mais do que muitos dos fatos narrados e/ou lembrados, importa ler com atenção aquilo que o livro apresenta nas entrelinhas: o perfil e o caráter de um intelectual e político construído à luz de uma opção econômica e às sombras de uma definição ideológica. Em outras palavras: como aderir sem meias tintas ao neoliberalismo econômico avassalador dos anos 80, abrindo as porteiras do Brasil à espoliação impiedosa do capital internacional e abraçar uma ideologia voltada a atender aos interesses mais retrógrados e conservadores de uma elite (o leitor pode tapar o nariz se quiser) aculturada e servil a propósitos exógenos.

Está aí o grande valor da investigação do jornalista Palmério Dória com a ajuda do amigo e também jornalista Mylton Severiano: demonstrar a trajetória de uma personalidade inequivocamente submissa aos padrões e patrões que gerem seus negócios fora do Brasil, numa incansável batalha para vender um país com a porteira fechada. Bem como apontar a arrogância de quem, supondo-se extremamente inteligente, um intelectual à altura daquilo que sobrou dos restolhos de uma Revolução Francesa em termos republicanos, mas que conseguiu em oito anos, graças à compra de votos para a própria reeleição, criar um país de fancaria. Uma sociedade de renegados.

Uma leitura atenta aos capítulos 11 e 14 mostra a radiografia de um acadêmico, integrante de uma universidade que sofreu e ainda sofre, por parte de muitos de seus mestres, um impiedoso e rançoso ataque como defensores da tal modernidade ou posmodernidade, seja lá o que isso signifique em termos de desenvolvimento humano, capazes de tudo e mais um pouco para provarem ao mundo que o marxismo e o esquerdismo da sua juventude foram um mau passo dado na vida. “Esqueçam o que escrevi”, foi o brado de liberdade. Brado que, curiosa e paradoxalmente, não ecoou dentro da Academia Brasileira de Letras, que pelos vistos torna “imortal” em literatura alguém que renega as letras que escreveu. E nesse aspecto, sobre a obra acadêmica do personagem em questão, o capítulo 15 é saboroso. Corrupção (i)mortal?

O contingente de hipócritas no país, se não aumentou nos últimos anos do século XX e nos primeiros do XXI, acaba por deixar sua indelével marca do Acre, de mister X, ao Rio Grande Do Sul de Pedro Simon e Brossard, como bem demonstra "O príncipe da privataria", quando joga os holofotes sobre os mecanismos de construção para se criar no Brasil uma alternativa alongada de poder político e econômico neoliberal. No mínimo por vinte anos, mas interrompida em parte pela eleição de um metalúrgico nordestino e também, pela primeira vez, de uma mulher na presidência.

São os mesmos holofotes que fazem surgir agora, aqui e ali, já às vésperas de nova eleição presidencial, inequívocos traços de fermentação fascista, onde os seculares complexos da casa grande colonial, sempre submissa ao pensamento colonizador, não foram ainda superados por muitos dos brasileiros que não conhecem bem os “senhores do norte” e menos ainda os seus irmãos do sul.

O corredor polonês pelo qual tiveram que passar os médicos cubanos em Fortaleza é bastante emblemático...

o príncipe...


Assista a entrevista de Palmério Dória ao programa Contraponto

Posted by eduguim on 02/09/13 • Blog da Cidadania







segunda-feira, 2 de setembro de 2013

nem deus nem o diabo

O ódio contra um líder
Dirceu e o declínio da Globo


publicada segunda-feira, 02/09/2013 às 12:22 e atualizada segunda-feira, 02/09/2013 às 12:34


Escrevinhador


por Miguel do Rosário n’O Cafezinho



Observe a foto [ao lado]. O jovem Dirceu sustenta um braço esticado, mãos abertas, como se mandasse uma mensagem de “pare aí” para um interlocutor que não vemos. Por uma dessas coincidências enigmáticas da vida, me parece uma correspondência perfeita com o que ele vive hoje. O interlocutor invisível são as forças que hoje lhe perseguem, também algo invisíveis, escondidas sob o manto obscuro de um moralismo de ocasião, com rosto mascarado por editoriais anônimos. A expressão facial de Dirceu também é curiosa. Nos olhos se vê um pouco de apreensão, perplexidade, até mesmo medo, mas a boca sugere um levíssimo sorriso desafiador, como se tivesse consciência de seu papel, ou como se o temor visto em seus olhos fosse um disfarce.

Quando um oficial se via isolado e cercado pelos inimigos, nas guerras tradicionais, ele fazia de tudo para que estes perdessem o máximo de tempo com si mesmo, visando consumir as forças adversárias. Com isso, explicaríamos também o gesto do braço. Ele seria não apenas um gesto de “afaste-se”, mas também um chamado. Bastaria virar as palmas para cima e mexer os dedos. Dirceu chama para si mesmo as forças reacionárias, num esforço heróico e suicida, para que elas consumam suas forças tentando destruí-lo. Enquanto isso, o resto das tropas avançam. O Brasil se desenvolve. E Dirceu se transforma, talvez sem muita consciência disso, num mártir semiológico pós-moderno. Ele se ofereceu em sacrifício aos chacais da mídia, permitindo que o lulismo seguisse adiante, concretizando políticas sociais urgentes, reformando o Estado, acumulando forças para embates futuros.

Jamais um político ocidental foi tão satanizado pela mídia como José Dirceu. A agressão simbólica, semiológica, gráfica, audiovisual, literária, política, jurídica e até mesmo econômica que este homem sofreu não tem paralelo na história das democracias ocidentais.

Todas as forças obscuras, golpistas, reacionárias, se uniram para derrotar José Dirceu. Não visaram apenas o homem, mas toda sua história. Era preciso aniquilar o mito, afinal Dirceu era o quadro intelectualmente mais preparado do Partido dos Trabalhadores, e poderia vir a ser o próximo presidente da República.

A destruição de Dirceu transformou-se no símbolo do esforço da mídia para criminalizar a política. Esforço este que tem sido uma de suas prioridades. Quando a mídia chama os blogueiros de “chapa-branca” por se posicionarem às claras num lado do embate político e ideológico, e os acusa de receberem, clandestinamente ou não, dinheiro do campo que defendem, usa a mesma tática de criminalização. Uma tática sobretudo hipócrita porque ninguém jamais recebeu tanto dinheiro do Estado, via publicidade, financiamentos, leis favoráveis, do que os grupos tradicionais de mídia. Recebeu e recebe.

A criminalização de Dirceu, e a pressão inaudita que a mídia exerceu sobre a opinião social, sobre a Procuradoria Geral da República e depois sobre o Supremo Tribunal Federal, para condená-lo sumariamente, independente dos autos e das provas, e jogá-lo numa prisão, são a perfeita síntese deste objetivo: criminalizar a política é uma forma sutil de manietar a democracia e entregá-la nas mãos das famílias que controlam os meios de comunicação.



O clã Marinho detêm a maior fortuna já amealhada por uma só família brasileira em 500 anos de história. Nem a família imperial, nem a monarquia portuguesa, jamais possuíram um poder financeiro tão avassalador: 52 bilhões de reais. Por isso é um imperativo moral que o governo brasileiro interrompa imediatamente qualquer transferência de recurso público para esta empresa. Eles já têm dinheiro demais. Um poder midiático dessa magnitude, somado ao gigantismo financeiro de seus proprietários, representa uma ameaça ao regime democrático e à igualdade de condições entre os diferentes agentes políticos que é condição vital para a existência de uma democracia.

Prender Dirceu tornou-se uma obsessão para as Organizações Globo. É uma prova de seu poder político. Prender Dirceu será a sua vingança contra as derrotas que a democracia lhe impôs desde que a sociedade impôs o fim da ditadura. Derrotas intermitentes e relativas, é verdade, visto que a Globo venceu em 1989, com a eleição de Collor, cuja eleição não apenas apoiou como colaborou decisivamente através da manipulação do último debate na TV; venceu depois com a deposição do mesmo Collor, quando este já tinha realizado as reformas que a Globo defendia e lhe interessava a partir de então se afastar de sua impopularidade.

Venceu em 1994 e 1998, com a eleição de FHC, abafando o escândalo da reeleição e minimizando os problemas econômicos que se acumulavam; de certa maneira, também venceu durante os governos petistas, ao impor uma política de comunicação que lhe permitiu superar sua crise financeira e consolidar-se como a família mais rica do país. Os seis ou sete bilhões de reais que a Secom deu à Globo, nos últimos 11 anos, ajudaram-na a esmagar seus concorrentes, via práticas monopolísticas e predatórias no mercado publicitário, e a transformar a família Marinho num Leviatã tatuado com uma cifra na testa.

Entretanto, mesmo reunindo um patrimônio tão impressionante, a Globo tem perdido poder político. Seu principal ativo, uma concessão pública, tem perdido audiência para internet e outros canais, abertos ou fechados. Seu lobby no parlamento declinou. O jovem de classe média hoje vê a Globo como um veículo cafona, sem graça e anacrônico. Suas apostas presidenciais falharam e prometem falhar outra vez no ano que vem.

A estratégia inconsciente de Dirceu, portanto, acabou dando certo. A Globo investiu tantos recursos em sua destruição que negligenciou o resto do exército. Enquanto Globo e Veja continuam a dar capas e mais capas contra Dirceu, o Brasil profundo continua melhorando de vida. E se hoje se tornou mais crítico e mais contestador, se exige mais dos governos, também está cobrando mais da mídia, que vê igualmente como um agente político, e dos mais conservadores e odiosos. A queda de “popularidade” que tanto assustou os políticos, como vemos, também atingiu em cheio a Rede Globo. A verdade, enfim, é dura…

Em mensagem a militantes enviada hoje pela manhã, o ex-ministro confirmou que irá apelar a todas as instâncias possíveis para lutar por sua inocência. Levará seu caso à Organização dos Estados Americanos (OEA), para denunciar os vários abusos que sofreu, junto com outros réus, no curso da Ação Penal 470: “ausência da dupla jurisdição, a opressiva publicidade, um julgamento ao vivo pelas redes de TV, a falta de provas, o desconhecimento das provas da defesa, a farsa do dinheiro público e do desvio dos recursos da Visanet, o uso indevido da Teoria do Domínio do Fato, o julgamento durante as eleições, as condenações as vésperas do primeiro e segundo turno, as penas absurdas numa violação aberta do código e da jurisprudência, a ausência de ato de oficio, no meu caso o reconhecimento explícito pelo MP e Ministros da ausência de provas.”

O ex-deputado lembra que hoje há “farto material de provas colhidos pela revista Retrato do Brasil” que provam o uso regular dos recursos da Visanet e apontam os erros grosseiros da procuradoria e do STF.

Íntegra da mensagem de Dirceu:



Prezada … minha gratidão pelo apoio, solidariedade e presença amiga, vou lutar, vamos lutar, ate provar minha inocência, vou a revisão criminal e as cortes internacionais, a farsa e o julgamento de exceção tem que ser denunciado, a violação dos mínimos direitos da defesa e das garantias individuais, a ausência da dupla jurisdição, a opressiva publicidade, um julgamento ao vivo pelas redes de TV, a falta de provas, o desconhecimento das provas da defesa, a farsa do dinheiro publico e do desvio dos recursos da Visanet, o uso indevido da Teoria do Domínio do Fato, o julgamento durante as eleições, as condenações as vésperas do primeiro e segundo turno, as penas absurdas numa violação aberta do código e da jurisprudência, a ausência de ato de oficio, no meu caso o reconhecimento explicito pelo MP e Ministros da ausência de provas, ha farto material de provas colhidos pela revista Retrato do Brasil, vamos a luta conto com você e sua indignação que e minha também. Estou as ordens para juntos vencermos essa batalha, nada me impedira, vou lutar sempre. abraços Ze



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sim, fomos (e somos... hihihi), mas não dizemos por que


Partido da Imprensa assume que é Golpista, mas não diz por que

Posted by eduguim on 01/09/13 • Blog da Cidadania



Desde que o deputado federal pelo PT de Pernambuco Fernando Ferro cunhou a sigla PIG (Partido da Imprensa Golpista) e o jornalista Paulo Henrique Amorim a popularizou – atraindo, assim, o ódio de barões da mídia que, por isso, até hoje tentam destruí-lo -, os veículos que deram causa a esse epíteto aposto ao seu caráter político-partidário, rejeitam-no.

A oposição que Globo, Folha de São Paulo, Estadão e Editora Abril (as cabeças da hidra midiática) sempre fizeram à sigla PIG, porém, nunca se soube se deriva de rejeição à premissa sobre seu caráter partidário ou sobre seu caráter golpista, mas agora se sabe: o PIG não quer ser chamado de PIG por achar – ou por querer vender – que se regenerou e não é mais golpista.

É isso o que se depreende do rumoroso editorial do jornal O Globo que confessa que, sim, “A verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura”.

O editorial, aliás, principia tocando na causa do recente surto de honestidade do império empresarial da família Marinho ao reconhecer que errou ao apoiar o golpe militar de 1964 e, ao longo das duas décadas seguintes, a ditadura que aquele golpe gerou. Já no primeiro parágrafo (abaixo), mostra que os protestos de que a Globo tem sido alvo guardam relação com esse surto.

Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: ‘A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura’. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura (…)

A renitência dos protestos diante das sedes da Globo em todo o país pelo visto começa a preocupar o império empresarial, que vem escamoteando vários desses protestos ao seu público. Mas quando os manifestantes começaram a atirar de volta contra os Marinho o excremento que eles atiram contra o telespectador, o ouvinte e o leitor, parece que eles se preocuparam.

E como o cachimbo faz a boca torta, o mea-culpa da Globo não deixa de começar tentando fazer o leitor de idiota ao negar o que o editorialista mostrou que sabia quando escreveu o texto, que todo mundo perceberia que foram os protestos contra a emissora e seus tentáculos que geraram esse seu “arrependimento” tardio. O trecho abaixo, pois, é revelador.

(…) Não lamentamos que essa publicação [do mea-culpa] não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário (…)

Uau!, quanta honestidade… Mas não passa de conversa mole. Quanto tempo faz que a Globo se deu conta de que errou ao apoiar a ditadura? Dois meses? Dois anos? Vinte anos? Por que só quando começaram a atirar esterco contra as fachadas de suas sedes o grupo empresarial dos Marinho resolve fazer esse mea-culpa?

A despeito da pretensa humildade da Globo – que, repito, foi forjada pelos que a fustigam nas ruas e na internet, por exemplo contando as suas peripécias tributárias –, o editorial em tela está repleto de distorções eufemísticas e imprecisões históricas.

Os defeitos do editorial podem ser encontrados já na chamada para o texto na internet: “Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro”. De fato, foi um erro. Não foi, porém, um erro qualquer, pois seus efeitos perduraram por mais de duas décadas e custaram uma quantidade catastrófica de vidas. Só que o Partido da Imprensa Golpista, que a Globo meio que preside, não deu “só” apoio “editorial” ao golpe.

Para entender, reproduzo, abaixo, trecho do editorial que delata alguns dos principais grandes veículos de comunicação da época que, segundo O Globo, “erraram” como esse jornal ao apoiar o estupro da democracia brasileira.

(…)O GLOBO, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais, como ‘O Estado de S.Paulo’, ‘Folha de S. Paulo’, ‘Jornal do Brasil’ e o ‘Correio da Manhã’, para citar apenas alguns (…)”.

Primeiro que o termo “Intervenção” já não é nem eufemismo, mas estupro dos fatos: não houve “intervenção” alguma, houve golpe de Estado. Segundo, que a delação dos outros veículos golpistas nos faz lembrar que o apoio, além de editorial, foi logístico. A citada Folha de São Paulo, por exemplo, chegou a emprestar carros de entregas de jornais para a ditadura transportar presos políticos de uma masmorra a outra.

Além disso, no caso da Globo em particular há que lembrar que ela apoiou a ditadura até a sua undécima hora.

Entre 1983 e 1984, quando milhões foram às ruas pedindo “Diretas Já”, a Globo continuava cometendo seu “erro editorial” ao simplesmente se negar a noticiar o movimento pela volta da democracia. Por exemplo, noticiou uma manifestação em São Paulo pedindo eleições diretas como sendo “comemoração pelo aniversário da cidade”.

Isso não é apoio editorial, certo? A Globo fez parte da ditadura e essa é deixa para chegar a outro ponto principal do mea-culpa global: por que Roberto Marinho apoiou por duas décadas um regime criminoso, assassino e ladrão?

O editorial caradura diz que “O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país”, mas é balela. Roberto Marinho apoiou o golpe e o regime que dele derivou porque os golpistas lhe encheram os bolsos de dinheiro público, assim como os dos veículos comparsas que o jornal carioca delatou no texto.

E não foi dinheiro que o falecido fundador da Globo ganhou simplesmente prestando serviços lícitos e com nota fiscal, mas dinheiro entregue por vias transversas, por debaixo dos panos, sem registro, sem justificativa outra que não a de erigir um império comunicacional que vendesse aos brasileiros o que interessava aos ditadores.

Não poderia terminar este texto, porém, sem tocar em um dos trechos mais bizarros do editorial “arrependido”. A certa altura, o editorialista tenta apresentar Roberto Marinho como protetor de “jornalistas de esquerda” que trabalhavam para si, mas, no âmbito desse intento, faz uma confissão de arrepiar os cabelos.

Diz o editorial:

(…) Instado algumas vezes a dar a lista dos “comunistas” que trabalhavam no jornal, [Roberto Marinho]sempre se negou, de maneira desafiadora. Ficou famosa a sua frase ao general Juracy Magalhães, ministro da Justiça do presidente Castello Branco: “Cuide de seus comunistas, que eu cuido dos meus’ (…)”.

É de cair o queixo. É confissão de que Roberto Marinho sabia dos horrores que a ditadura praticava e, do alto do poder que auferiu ao apoiá-la, lavou as mãos da sorte dos comunistas “dela” e defendeu os “seus”, como se um reacionário, picareta, genocida, falsário como aquele fosse dono de homens e mulheres heroicos que não venderam suas almas como ele.

bombas contra indígenas no RS?


Cimi diz que Tarso adotou “metodologia de ditadura” em relação a indígenas






Cimi afirma que Tarso utilizou “metodologia da ditadura” em relação a indígenas | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Da Redação do SUL 21

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) divulgou neste sábado (31) uma nota na qual critica a postura do governo gaúcho em relação às demandas colocadas por indígenas Kaigang e Guarani do estado. A entidade considera que o governador Tarso Genro (PT) adotou “metodologia da ditadura militar” e tentou cooptar lideranças dos povos originários.

Além disso, o texto condena a violência da Brigada Militar e afirma que existe um “conluio na linha política dos governos Dilma e Tarso, numa clara opção pelos ruralistas e pela destruição dos direitos indígenas”.

Leia mais:
- BM faz uso de bombas contra indígenas que acampavam em frente ao Piratini

Em nota no site da Procuradoria da República no Rio Grande do Sul, o procurador Júlio Carlos Schwonke de Castro, integrante do Núcleo de Comunidades Indígenas e Minorias Étnicas (Nucime), aconselha “a todos os indígenas e quilombolas que tenham sofrido violência por parte da Brigada que compareçam ao Nucime e relatem eventuais abusos sofridos na tarde desta sexta-feira ao Ministério Público Federal”.

Nesta sexta-feira (30), após o confronto entre Brigada Militar e indígenas em frente ao Palácio Piratini, o governo agendou uma reunião com as lideranças Kaigang e Guarani para a próxima quarta-feira (4). Em nota no site do governo, a Brigada informa que “não houve confronto” e que “os instrumentos utilizados pela Brigada Militar serviram apenas para afastar os índios que ameaçavam invadir o Piratini”.

A nota do Cimi afirma que “a ação militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e balas de borracha, resultando em várias lideranças indígenas feridas, crianças e mulheres ficaram amedrontadas e passaram mal”.

Confira abaixo a íntegra da nota do Cimi

Nós, Missionários(as) do Conselho Indigenista Missionário Regional Sul (Cimi Sul) reunidos na XXXVII Assembléia Regional, em Laranjeiras do Sul, Paraná, repudiamos a política truculenta adotada pelo Governador do Estado do Rio Grande do Sul (RS), Tarso Genro.

Após tentativa frustrada em conseguir apoio do MPF e outros órgãos públicos, na negociação de direitos originários dos Povos Indígenas, o Governador apostou na metodologia da ditadura militar, tentando cooptar lideranças Kaingang e Guarani com propostas de negociação dos direitos à terra tradicional desses povos. Como se isso não bastasse, no dia 30 de agosto de 2013, Tarso Genro colocou todo o aparato militar em cima da legítima mobilização indígena na luta pela garantida de seus direitos. O “governo popular” convocou o batalhão de choque para “dialogar” com as lideranças indígenas. A ação militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo, cassetetes e balas de borracha, resultando em várias lideranças indígenas feridas, crianças e mulheres ficaram amedrontadas e passaram mal.

O Estado do RS possui uma população indígena de mais de 34 mil pessoas com menos de 84 mil hectares de terra demarcada. Mesmo nos critérios do Incra, que são diferentes dos critérios da cultura indígena, não corresponde a um modulo de terra por família. Historicamente os governos estaduais não têm assumido sua responsabilidade na questão das Terras Indígenas, dando pleno prosseguimento à política de colonização. Há um conluio na linha política dos governos Dilma e Tarso, numa clara opção pelos ruralistas e pela destruição dos direitos indígenas.



O Cimi sul reitera o apoio a luta dos Povos Kaingang e Guarani na garantia de seus direitos.

Tarso, e as demarcações das terras indígenas?


Ato em frente ao Piratini exige posição do estado sobre demarcações de terras


Nícolas Pasinato no SUL21


Na manhã desta sexta-feira (30) acontece um ato em frente ao Palácio Piratini realizado por populações indígenas e quilombolas do estado, que estão, desde quinta-feira (29), acampados em frente à sede do Executivo gaúcho para pressionar por demarcações de terras. A manifestação, que ocorre em meio de mobilização dos bancários e de greve no magistério, recebe o apoio do Bloco de Luta pelo Transporte Público, a CSP-Conlutas, a corrente CUT Pode Mais e o CPERS.


Desde junho quando indígenas dos povos kaingang, guarani e charrua se mobilizaram em Porto Alegre e se reuniram com Tarso Genro (PT) no Palácio Piratini, a demarcação de terras passou a ser debatida com maior intensidade no estado. Boa parte dos processos de demarcação está parada em função de conflitos que envolvem agricultores e indígenas, principalmente na Região Norte do Rio Grande do Sul, e que, na opinião das entidades, exigiria um posicionamento mais transparente por conta do governo estadual.


Na quinta-feira (29), uma nota assinada por indígenas e quilombolas foi entregue a representantes do estado demonstrando essa preocupação. No comunicado, além de exigirem um posicionamento claro e efetivo por parte do governador, reivindicam “o respeito a seus direitos assegurados pela Constituição Federal de 1988, a continuidade das demarcações e o levantamento de fundos para a indenização dos agricultores que terão que ser removidos dos territórios já reconhecidos como de tradicionalidade indígena”.


No sábado (31), encerra-se o prazo solicitado pelo governador que havia pedido 30 dias para apresentar uma proposta para solucionar a demarcação de terras indígenas e a indenização e reassentamento de agricultores familiares.




Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21



Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21



Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21



Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21



Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21



Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21



Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21



Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21



Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21



Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21



Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

domingo, 1 de setembro de 2013

entre um Tijolaço e uma Conversa Afiada a Grobobo reconhece(?) o passado, mas e o presente(!)?


GLOBO COSPE NO GOLPE
EM QUE COMEU E ENGORDOU


O Tijolaço desmonta a hipocrisia dos filhos do Roberto Marinho. Ele estava certo. Eles é que estão errados.

Conversa Afiada







Ao anunciar em editorial, no dia 2 de abril de 1964, que “ressurgia a Democracia”, Roberto Marinho estava certo.

Ele sempre apoiou TODAS as intervenções militares e Golpes para tirar do poder líderes trabalhistas.

Sempre foi Golpista, desde Vargas.

Portanto, apoiar o Golpe de 64 foi a decorrência inevitável de uma sangrenta tradição.

Os militares engordaram a Globo e a Globo engordou com eles.

Os militares criaram uma rede nacional de comunicação e, para concretizá-la e expandi-la, o “Dr” Roberto” criou o jornal nacional.

Foi essa “nacionalização” da rede de micro-ondas e a propagação da ideologia da “Revolução” que fortaleceu os dois: o Golpe e a Globo.

Um cevava o outro.

O mais patético do editorial da Globo que considera que “o apoio editorial Golpe de 64 foi um erro” é dizer que “Roberto Marinho sempre esteve ao lado da legalidade”.

O correto é “Roberto Marinho sempre esteve ao lado de seus interesses”.

Quando o Golpe deu o que tinha que (lhe) dar, com uma entrevista “denúncia” de Antonio Carlos Magalhães ao jornal nacional, Marinho “rompeu” com o Golpe e aderiu ao Tancredo.

Depois, co-governou o Brasil, o Ministério da Fazenda, o Banco Central e o Ministério das Comunicações do Governo Sarney.

Roberto Marinho sempre esteve do lado certo – de seus interesses.

Quem está errado são os filhos dele, que não têm nome próprio.

Cercados pelo Google, pela Receita Federal, pelo ECAD, pelo CADE e pelos jovens que lhes jogam estrume na porta, os filhos do Roberto Marinho cospem no prato em que comeram – e no pai que lhes deixou uma fortuna em deterioração.

Por isso, correm aos pés do Lula para pedir ajuda.

O velho estava certo.

Errados estão os filhos.

O pai sabia onde estava seu interesse.

Os filhos não sabem.

Perderam o rumo.

Se é que algum dia tiveram.

Em tempo: outra manifestação de farisaismo deste suposto arrependimento editorial é dizer que o Dr Roberto protegia os comunistas da redação do Globo. Como se a generosidade com dois ou três comunistas convertidos à causa Global e aos encantos do Departamento do Pessoal redimisse a empresa da cumplicidade com a tortura de milhares de brasileiros.

Recomenda-se a leitura do Tijolaço, implacável com a “conversão” dos pimpolhos ao anti-Golpismo: quá, quá, quá!



Paulo Henrique Amorim


A GLOBO, AFINAL, COSPE NO GOLPE EM QUE COMEU E ENGORDOU

Tijolaço

O Globo divulgou neste sábado à tarde um comunicado, em que reconhece que seu apoio ao Golpe de 64 foi um erro.

“Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.
Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.”

Não foi um erro, não.

Foi um crime, e deste crime as Organizações Globo beneficiaram-se lautamente, ao ponto de fazer com que a fortuna dos três herdeiros do capo Roberto Marinho constitua-se na maior do Brasil e uma das maiores do mundo.

Nenhum militar dos que tenham feito e servido à ditadura tem sequer um milésimo do que o regime deu aos Marinho.

Portanto, começemos assim, chamando as coisas pelo que elas são. Não erro, não “equívoco”.

Crime. Contra a democracia, contra o voto popular, contra a vida de milhares de cidadãos mortos pela ditadura que a Globo ajudou a fazer e a sustentar, e ganhando muito, muito, muitíssimo dinheiro com isso.

Esse dinheiro, certamente, a Globo não considera um “erro”, pois não?

Pois seu império nasceu ali, junto com a ditadura, com um negócio ilegal que o regime ditatorial tolerou e acobertou: a associação com o grupo Time e as fartas verbas que os EUA destinavam a evitar o “perigo comunista”, colocando a nascente e poderosa mídia, a televisão, nas mãos amigas de “gente confiável”.

A Globo usou esse poder. Em condições ilegais perante o Código Brasileiro de Telecomunicações que proibia a concentração de emissoras em todo o país nas mãos de um só grupo empresarial, comprou televisões em todo o Brasil, dissimulando-as na condição de “afiliadas”, quando são verdadeiras sucursais do grupo, presas inteiramente a seu comando e estratégia de negócios.

Para isso, lambeu as botas da ditadura e serviu-lhe de instrumento despudorado de propaganda.

O que seu editorial de hoje diz, ao procurar desvincular-se do horror da tortura e da morte, ao falar de como Roberto Marinho protegia “seus comunistas” é de uma indignidade sem par. Ou vamos entender que aquele que não era seu empregado poderia bem morrer sob seu silêncio, ou vamos entender que aqueles profissionais, que trabalhavam e contribuíam para o sucesso da empresa, merecem ser exibidos como “gatinhos de estimação”, gordos e protegidos, e “livres da carrocinha” que laçava outros pelas ruas deste país.

A Globo nunca teve vergonha de, nas palavras de seu Füher, “usar o poder” de que dispunha em benefìcio dos políticos e governantes de sua predileção, durante e depois do período militar.

Patrocinou a Proconsult contra Brizola. Manipulou o debate de 89 em favor de Collor e contra Lula. Apoiou desavergonhadamente a eleição de Fernando Henrique Cardoso, encobrindo-lhe a escapada conjugal desastrada, somando-se à manipulação eleitoral da nova moeda, promovendo a dilapidação das empresas pertencentes ao povo brasileiro, apoiando e dando legitimidade à vergonhosa corrupção que envolveu a aprovação da proposta de reeleição em causa própria.

Quem quiser provas disso, leia O Príncipe da Privataria, que chegou este final de semana às livrarias.

A autocrítica, que nos homens de bem é uma virtude e um momento a ser louvado, na Globo é apenas o que ela é: interesse em dinheiro transformado em sabujice.

Percebeu que o projeto Lula-Dilma não pode ser derrotado, malgrado todas as suas tentativas, e lança estes “mea culpa” fajutos para se habilitar – ainda mais, ainda mais! – aos dinheiros públicos do Governo, vício incorrigível de seu ventre dilatado e enxundioso.

Tudo na Globo é falso, como tive a honra de escrever há quase 20 anos para Leonel Brizola em seu famoso “direito de resposta” à Globo.

Nem o coro que diz que “voltou às ruas” – ele nunca saiu! – não é esse: é “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo”.

Porque o povo, que não é bobo, pode perdoar aqueles que erraram e mudaram sinceramente de atitude ao perceber seu erro.

A Globo, não.

Comeu cada côdea do rico pão que o regime lhe deu e só mudou de lado quando as ruas, inundadas pelas “Diretas-Já” tornaram o regime uma sombra em ruínas.

Seus jovens executivos, que planejaram este ato de contrição fajuto, com todos as suas melosidades e senões, são apenas pequenos maquiadores deste monstro que acanalhou a vida brasileira e que vai ter um fim mais rápido e ruidoso do que muitos imaginam.

Porque o povo não é bobo, sabe que a Globo é um cancro que precisa ser extirpado da vida brasileira.

E é por isso que grita o que a Globo não pode confessar:

Abaixo a Rede Globo!

PS. reproduzo, enojado, o texto editorial de O Globo.




APOIO EDITORIAL AO GOLPE DE 64 FOI UM ERRO



A consciência não é de hoje, vem de discussões internas de anos, em que as Organizações Globo concluíram que, à luz da História, o apoio se constituiu um equívoco

RIO – Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.

Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.

Há alguns meses, quando o Memória estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. E um texto com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado quando o site ficasse pronto.

Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.

Governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas.

De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje no ar:

1964

“Diante de qualquer reportagem ou editorial que lhes desagrade, é frequente que aqueles que se sintam contrariados lembrem que O GLOBO apoiou editorialmente o golpe militar de 1964.

A lembrança é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História. O GLOBO, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e o “Correio da Manhã”, para citar apenas alguns. Fez o mesmo parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais.

Naqueles instantes, justificavam a intervenção dos militares pelo temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de sindicatos — Jango era criticado por tentar instalar uma “república sindical” — e de alguns segmentos das Forças Armadas.

Na noite de 31 de março de 1964, por sinal, O GLOBO foi invadido por fuzileiros navais comandados pelo Almirante Cândido Aragão, do “dispositivo militar” de Jango, como se dizia na época. O jornal não pôde circular em 1º de abril. Sairia no dia seguinte, 2, quinta-feira, com o editorial impedido de ser impresso pelo almirante, “A decisão da Pátria”. Na primeira página, um novo editorial: “Ressurge a Democracia”.

A divisão ideológica do mundo na Guerra Fria, entre Leste e Oeste, comunistas e capitalistas, se reproduzia, em maior ou menor medida, em cada país. No Brasil, ela era aguçada e aprofundada pela radicalização de João Goulart, iniciada tão logo conseguiu, em janeiro de 1963, por meio de plebiscito, revogar o parlamentarismo, a saída negociada para que ele, vice, pudesse assumir na renúncia do presidente Jânio Quadros. Obteve, então, os poderes plenos do presidencialismo. Transferir parcela substancial do poder do Executivo ao Congresso havia sido condição exigida pelos militares para a posse de Jango, um dos herdeiros do trabalhismo varguista. Naquele tempo, votava-se no vice-presidente separadamente. Daí o resultado de uma combinação ideológica contraditória e fonte permanente de tensões: o presidente da UDN e o vice do PTB. A renúncia de Jânio acendeu o rastilho da crise institucional.

A situação política da época se radicalizou, principalmente quando Jango e os militares mais próximos a ele ameaçavam atropelar Congresso e Justiça para fazer reformas de “base” “na lei ou na marra”. Os quartéis ficaram intoxicados com a luta política, à esquerda e à direita. Veio, então, o movimento dos sargentos, liderado por marinheiros — Cabo Ancelmo à frente —, a hierarquia militar começou a ser quebrada e o oficialato reagiu.

Naquele contexto, o golpe, chamado de “Revolução”, termo adotado pelo GLOBO durante muito tempo, era visto pelo jornal como a única alternativa para manter no Brasil uma democracia. Os militares prometiam uma intervenção passageira, cirúrgica. Na justificativa das Forças Armadas para a sua intervenção, ultrapassado o perigo de um golpe à esquerda, o poder voltaria aos civis. Tanto que, como prometido, foram mantidas, num primeiro momento, as eleições presidenciais de 1966.

O desenrolar da “revolução” é conhecido. Não houve as eleições. Os militares ficaram no poder 21 anos, até saírem em 1985, com a posse de José Sarney, vice do presidente Tancredo Neves, eleito ainda pelo voto indireto, falecido antes de receber a faixa.

No ano em que o movimento dos militares completou duas décadas, em 1984, Roberto Marinho publicou editorial assinado na primeira página. Trata-se de um documento revelador. Nele, ressaltava a atitude de Geisel, em 13 de outubro de 1978, que extinguiu todos os atos institucionais, o principal deles o AI5, restabeleceu o habeas corpus e a independência da magistratura e revogou o Decreto-Lei 477, base das intervenções do regime no meio universitário.

Destacava também os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos, mas, ao justificar sua adesão aos militares em 1964, deixava clara a sua crença de que a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana. E, ainda, revelava que a relação de apoio editorial ao regime, embora duradoura, não fora todo o tempo tranquila. Nas palavras dele: “Temos permanecido fiéis aos seus objetivos [da revolução], embora conflitando em várias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir a autoria do processo revolucionário, esquecendo-se de que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, ‘por exigência inelutável do povo brasileiro’. Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um ‘pronunciamento’ ou ‘golpe’, com o qual não estaríamos solidários.”

Não eram palavras vazias. Em todas as encruzilhadas institucionais por que passou o país no período em que esteve à frente do jornal, Roberto Marinho sempre esteve ao lado da legalidade. Cobrou de Getúlio uma constituinte que institucionalizasse a Revolução de 30, foi contra o Estado Novo, apoiou com vigor a Constituição de 1946 e defendeu a posse de Juscelino Kubistchek em 1955, quando esta fora questionada por setores civis e militares.

Durante a ditadura de 1964, sempre se posicionou com firmeza contra a perseguição a jornalistas de esquerda: como é notório, fez questão de abrigar muitos deles na redação do GLOBO. São muitos e conhecidos os depoimentos que dão conta de que ele fazia questão de acompanhar funcionários de O GLOBO chamados a depor: acompanhava-os pessoalmente para evitar que desaparecessem. Instado algumas vezes a dar a lista dos “comunistas” que trabalhavam no jornal, sempre se negou, de maneira desafiadora.

Ficou famosa a sua frase ao general Juracy Magalhães, ministro da Justiça do presidente Castello Branco: “Cuide de seus comunistas, que eu cuido dos meus”. Nos vinte anos durante os quais a ditadura perdurou, O GLOBO, nos períodos agudos de crise, mesmo sem retirar o apoio aos militares, sempre cobrou deles o restabelecimento, no menor prazo possível, da normalidade democrática.

Contextos históricos são necessários na análise do posicionamento de pessoas e instituições, mais ainda em rupturas institucionais. A História não é apenas uma descrição de fatos, que se sucedem uns aos outros. Ela é o mais poderoso instrumento de que o homem dispõe para seguir com segurança rumo ao futuro: aprende-se com os erros cometidos e se enriquece ao reconhecê-los.

Os homens e as instituições que viveram 1964 são, há muito, História, e devem ser entendidos nessa perspectiva. O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país.

À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.”


Por: Fernando Brito