terça-feira, 25 de agosto de 2015

crise política? coisa nenhuma... crise de homens


MULHERES VIOLADAS




25/AUG/2015


Jornalista brasileira registra o 'horror' de uma caminhada de duas horas



Jornalista faz experimento e sofre humilhação e assédio por duas horas andando em Teresina. Experiência filmada com câmera escondida estimula a reflexão sobre o machismo de todos os dias







por Sávia Barreto, 
O Olho / Teresina-PI


Eram 10h36 de uma manhã de sábado. Teresina, quente, tão quente, que não sei se suei apenas de calor ou de terror. Vestida de uma calça jeans e uma blusa preta, andei só e calada, olhando preocupada, muitas vezes, para os lados e sem o sorriso que pouco antes eu distribuía aos meus colegas de redação (vídeo abaixo).

Duas horas e pelo menos 15 assédios depois sinto bolhas nos pés e dor na alma: o machismo de todo dia, assim, filmado e legendado, parece que expõe mais as vísceras de uma sociedade desigual em gêneros, onde a mulher está vulnerável a assobios, olhares e expressões sussurradas por desconhecidos como “gostosa”, “bundinha” e “delícia”.



O EXPERIMENTO

Tirando o microfone escondido na bolsa, usei o tipo de roupa que eu e milhares de teresinenses (incluindo as mães, filhas e irmãs dos meus assediadores) usamos todos os dias para ir à rua. Meu produtor caminhava à frente, sempre a alguns passos de distância, permitindo me filmar com uma câmera escondida acoplada em sua mochila.

Vídeo:







Mesmo acompanhada de um produtor e do motorista que compõem a equipe do O Olho, tive a sensação de leve desamparo por estar “sozinha”, sujeita aos assédios dos quais eu fugia sempre que precisava estar em algum local público, passando por homens.

Meu temor não era motivado por me considerar gostosa, linda e estonteante (porque não sou e porque mesmo uma mulher que é, não merece receber nenhum tipo de agressão verbal e sexual), mas porque basta ser mulher, estar andando sozinha nas ruas, que quase prontamente alguns homens sentem-se no direito de avaliar a forma física e até de fazer convites sexuais.

Lá está você pagando o plano de saúde da sua mãe no Centro da cidade, quando alguém que você nunca viu, e que sequer cruzou os olhos, alheio aos seus problemas e vontades, grita: “Vamos lá em casa delícia?”. Não é um convite, é uma invasão.



A “CARCAÇA” QUE VESTIMOS PARA IR À RUA

Antes de sair à rua, é preciso vestir, além da roupa, um outro acessório, quase invisível, mas essencial se você for mulher: uma expressão fechada, de quem não quer conversa. Nós, mulheres, costumamos mantê-la enquanto temos que perambular por espaços públicos, principalmente se estivermos sozinhas e houverem homens desconhecidos por perto.

É tolhendo pequenas liberdades diárias femininas, inclusive a de sorrir e se vestir como bem entender, que o machismo vai trancando as mulheres em calabouços pisicológicos.

“Não olhe para os lados, evite passar perto de homens, se falarem algo sobre seu corpo, não responda”. Esse não é um ensinamento passado verbalmente de mãe para filha, ou entre amigas. É um comportamento quase intrínseco à quem pertence ao sexo feminino no mundo ocidental. Tanto faz se você está numa pequena e quente capital no Nordeste brasileiro, ou na fria Nova York norte-americana.



Inspirada em um experimento realizado em Nova York por uma atriz de uma ONG que registrou mais de 100 comentários de assédio masculinos em um vídeo filmado durante uma caminhada de dez horas pelas ruas de Manhattan, resolvi fazer o mesmo teste em Teresina, andando por ruas do Centro e da zona Sul por cerca de duas horas durante um sábado pela manhã.




AGRESSÃO VERBAL: “B******** GOSTOSA”

É quase meio-dia. Passo por vários homens na porta de um bar e sinto um grande alívio por ter sido apenas olhada, como se passasse por um raio-X de aeroporto, mas sem nenhum comentário verbal.

Mais a frente, ainda degustando uma tranquilidade que eu mal sabia que seria fulgaz, passo por um homem branco de uns 50 anos. Ele fala baixo, mas eu ouço: “b******** gostosa”. Gelo imediatamente, fico com as mãos tensas e tenho vontade de chorar.

Parece que volto no tempo e lembro de ter 20 anos, descer do ônibus no bairro Saci, zona Sul de Teresina, enquanto caminho várias quadras até minha casa. Também era meio-dia e eu vinha da Universidade Federal do Piauí, onde cursava Ciências Sociais. Aquele caminho era comum para mim, e quase todo dia eu o fazia intercalando ônibus e longas caminhadas até minha casa.

Naquele dia, há sete anos, um homem pára, pergunta as horas, eu olho para o relógio e antes de responder ele coloca a mão debaixo da minha saia, fala “b*********” e sai correndo. Fico atônita. Ainda tenho forças para gritar enquanto ele corre para a outra rua: “Infeliz, maldito”, falo bem alto com a revolta, humilhação e ódio engasgados.

Chego em casa me culpando por ter respondido a um estranho na rua. Eu era jovem demais para saber que a culpa não era minha. Só muitos anos depois consigo contar essa história para meu noivo, amigos e amigas.

As mulheres, quando ouvem, solidarizam-se imediatamente e passam a relatar também suas histórias. S.R., uma amiga jornalista, por exemplo, conta que chegou a ameaçar com pedras um homem que a assediou nas ruas a chamando de “gostosa”. Os homens, por outro lado, ouvem a mesma história e acabam rindo. Acham que é apenas uma anedota. Não é. Violência sexual não tem graça.



COMO SE SENTIR UM “NADA”

Logo eu, que me considero uma jovem mulher de 27 anos, empoderada, firme, forte (quase sempre), me senti um “nada”. Ocupo um cargo de chefia em um universo onde 80% dos colegas de profissão em posição de comando são homens. Não choro fácil e não abaixo a cabeça porque alguém não gostou de algo que fiz ou disse. Na rua, porém, eu baixei.

Quando passava por grupos de homens, tentava instintivamente atravessar a rua e ficar o mais longe possível deles, mesmo sabendo que minha missão nessa reportagem era seguir em frente e registrar caso fosse importunada.

Homens bem arrumados, homens desarrumados, mais novos, mais velhos, brancos, negros, mulatos. Não há um perfil para o assediador. Em comum, a sensação de impotência. No assédio, ficou claro para mim, há uma relação de poder em que se tenta colocar as mulheres em uma posição submissa.

Na rua, dificlmente encaro alguém, olho nos olhos, nada que possa ser interpretado erroneamente como um “convite”. Percebo nas mulheres próximas a mim, uma espécie de solidariedade quando tenho que passar por grupos de homens. Uma troca de olhares assustados antecedem meus passos, como se me perguntassem: “Menina, tem certeza que vai por aí?”.

Sim, eu poderia responder, retrucar, e algumas vezes já fiz isso na rua (quando estava perto de outras pessoas a quem poderia recorrer para manter minha segurança). O medo de ser seguida e (mais) agredida é ainda maior, e na maior parte das vezes as mulheres se calam já que muitos homens, ao ouvir um “não”, se revoltam, xingam e partem para a violência.

Quando a experiência chega ao fim, me sinto exausta. Não pelos calos no pé ou pela roupa quase ensopada de suor. O que cansa é todo o desgaste emocional de sentir medo e vulnerabilidade por ser mulher.

Um exemplo disso foi retratado em 2012, quando uma jovem belga de 25 anos decidiu gravar o que ouvia dos homens enquanto caminhava pelas ruas de Bruxelas – e principalmente de sua vizinhança, em um bairro pobre da cidade. O resultado foi o documentário Femme de la Rue (Mulher da Rua, em tradução livre). Um dos homens chega pelas suas costas, dizendo que ela é “linda”. Outro, simplesmente a cruza na calçada, vira o rosto em sua direção e a chama de “vadia”.



COMENTÁRIOS ABUSIVOS NÃO SÃO CANTADAS

Comentários sexuais abusivos e ameaçadores não são cantadas. Paquerar alguém pressupõe permissão, reciprocidade. A chave está em uma palavra: consentimento. Assédios sexuais em locais públicos são um problema social. Não tem a ver com “fulano de tal” que é grosseiro, ou aquele outro indivíduo que é machista. Não são casos isolados.

Cada “fiu-fiu” e “meu bem” direcionados à mulheres na rua que não são conhecidas de quem profere o “elogio” é, na verdade, apenas mais um sintoma de uma cultura que incentiva e considera a misoginia (a repulsa, desprezo ou ódio contra às mulheres) algo inofensivo.

E mesmo essa sendo minha opinião pessoal, em um texto assinado por mim contando uma experiência pessoal com todos os viés decorrentes dela, não estou só nessa ideia. Pesquisa divulgada em 2013 aponta que 83% das mulheres brasileiras não gostam das cantadas de rua. A pesquisa feita pelo site Olga, aponta que quase oito mil mulheres responderam o questionário elaborado pela jornalista Karin Hueck, e 99,6% relataram já terem sofrido assédio na rua.

“A gente acha que o machista e o assediador é esse homem sem rosto, esse homem desconhecido que abusa das mulheres nas ruas escuras. Não é. Esses assediadores são pais, são filhos, são profissionais competentes que estão mais perto do que a gente imagina. […] Por quê? Porque o assédio é legítimo culturalmente. Ele é entendido como algo que faz parte do homem. Ele é entendido como algo bom, como flerte. Mas não é”, relata a jornalista Juliana de Faria em sua palestra no TED São Paulo.

Ela é criadora de uma página no Facebook chamada “Chega de Fiu Fiu”, que expõe, entre outras situações, atos que as mulheres deixam de fazer por conta do assédio. Um exemplo disso é que sair de casa vestindo o que quiser, independente do destino e do meio de transporte escolhido, ou então olhar quando alguém lhe chama na rua.

“Ah mas eu sou homem e adoro quando uma mulher me ‘elogia’ na rua”, pode argumentar um. A diferença é que crimes sexuais contra mulheres são estratosfericamente maiores do que em relação aos homens. Numericamente, temos motivos para temer.

É possível, sendo homem, ouvir um “elogio” sem medo de ser perseguido, seguido ou até mesmo violado contra a própria vontade – como ocorre com muitas mulheres.

Em outubro de 2013, a estudante Anne Melo, chegou a ser presa por agentes da Tropa de Choque após ser chamada por um dos policiais de “gostosa”, durante o protesto realizado no centro do Rio de Janeiro.

Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra o momento em que a jovem foi detida sob acusação de desacato. Segundo a estudante relatou, depois de receber o suposto “elogio” de um PM que estava na garupa de uma moto do Choque, ela respondeu ao policial de forma “agressiva”. Terminou presa por não ter aceitado a “gracinha” proferida por uma figura de autoridade.



“ASSEDIE A SUA MÃE”

Uma campanha (relembre aqui) realizada pela empresa Everlast do Peru, selecionou homens que, constantemente, assediavam mulheres na rua e localizou suas mães. Decidindo por participar da campanha, elas foram produzidas com acessórios como perucas e vestimentos tornando-as mais jovens e quase irreconhecíveis.

Resultado: foram alvos de cantadas dos próprios filhos. Ao descobrirem a real identidade de quem eles estavam cantando, os assediadores pediram desculpas e alegaram arrependimento e constrangimento. A pergunta que não quer calar: homens que assediam mulheres gostariam que suas mães ou filhas fossem assediadas da mesma forma?



os “legítimos sucessores” da UDN


Bresser-Pereira: “A UDN era melhor que o PSDB”




agosto 24, 2015






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Segundo o economista, ex-ministro dos governos Sarney e Fernando Henrique Cardoso, os tucanos são os “legítimos sucessores” da UDN, mas com uma diferença. “Enquanto a UDN nunca se associou a políticos evidentemente corruptos, é isto o que o PSDB está fazendo neste momento: aliou-se ao deputado Eduardo Cunha”


Por Redação

O economista Luiz Carlos Bresser-Pereira, ex-ministro dos governos Sarney e Fernando Henrique Cardoso, utilizou seu perfil do Facebook no último sábado (22) para criticar o PSDB. Ele comparou as ambições golpistas do partido às da UDN, ressaltando uma diferença –“enquanto a UDN nunca se associou a políticos evidentemente corruptos, é isto que o PSDB está fazendo neste momento: aliou-se ao deputado Eduardo Cunha”.

No post, Bresser menciona reportagem publicada pela Folha de S. Paulo que diz que a oposição se aproveitará da deterioração da relação entre Cunha e o Palácio do Planalto para pressionar o presidente da Câmara a dar continuidade ao processo de impeachment de Dilma Rousseff. Confira:



A UDN foi um partido liberal, sempre na oposição, que, entre 1946 e 1964, tentou promover golpe contra governos legítimos. Afinal seu golpismo foi "vitorioso" em 1964... O PSDB revela-se um seu legítimo sucessor. Mas com uma diferença: enquanto a UDN nunca se associou a políticos evidentemente corruptos, é isto o que o PSDB está fazendo neste momento: aliou-se ao deputado Eduardo Cunha. Conforme informa a Folha de hoje (22.5.15):
"Em reunião marcada para a próxima terça-feira (25), PSDB, DEM, PPS, SD aproveitarão a piora na relação do Palácio do Planalto com o peemedebista, que acusa o governo federal ] de ter agido para retaliar sua atuação, para unificar o discurso e passar a mensagem de que apoiam o afastamento imediato da petista. A estratégia, esboçada há algumas semanas por aliados do peemedebistas, é de que ele, a quem cabe monocraticamente a decisão, rejeitaria dar prosseguimento a um pedido de impeachment. Com a iniciativa, seria possível recorrer da decisão ao plenário da Casa Legislativa, que precisaria do voto de pelo menos 257 dos 513 deputados federais para reverter o despacho e dar seguimento ao caso."
Dessa maneira, os guardiões da ética na política procuram derrubar uma presidente cuja honestidade é evidente aliando-se ao que é evidentemente corrupto. A UDN era melhor...
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"Devolver à sociedade o comando do seu destino era como Celso Furtado definia a essência do desenvolvimento. "


O novo normal e o cemitério das nações



É preciso ir à essência para escapar aos coveiros que recusam ao Brasil outro destino que não o cemitério das nações.




por: Saul Leblon








A ideia de que o Brasil não tem mais jeito é poderosa, conta com avalistas de peso.

Interesses antipopulares, em qualquer época, acalentam esse horizonte sem ponto de fuga, onde se possa acuar qualquer iniciativa que desafie a lógica conservadora.

Essa por exemplo: dar a Moro o que é de Moro; e devolver à sociedade brasileira a prerrogativa de organizar o seu desenvolvimento, recapacitar suas empreiteiras, resgatar projetos estratégicos, descongestionar o futuro, o investimento, o emprego e a renda.

‘Não, não, não , isso não pode, é pênalti’, apita o bandeirinha José Serra.

Do camarote cativo que lhe concede o jornalismo isento, o tucano crocita como se fora ave de outra cepa.

Não há esperança, insiste, os dedos longos estendidos como bisturis a lancetar o futuro.

‘No governo Jango, o Brasil ao menos estava dividido’, recorda, testemunha ocular daquele golpe.

‘Hoje a rejeição é total’, constata agora do outro lado da mesa, onde passou a ocupar o papel de embaixador da Chevron nesse tratado de Viena em gestação, no qual preconiza transformar poços do pré-sal em reparações de guerra servidas aos mercados.


Quando? Assim que a saturação do 'consenso' virar outra coisa.


Talvez aquela que os editoriais de março de 1964 exprimiam em garrafais exclamativas, do tipo ’Basta!’; ‘Fora!’


Serra viveu aquilo; ele sabe que consensos são construções transitórias.


Não raro postiças.

Caso da rendição incondicional que se exige hoje da sociedade, em agendas que magnificam os desafios da nação para desmantelá-la.

Os imperativos de ontem, assim como os ajustes e hoje, viram fumaça porém quando o futuro ganha a largueza de uma outra lógica, que redefine a correlação de forças e a alocação dos recursos, pavimenta pactos e linhas de passagem para destravar o desenvolvimento.

O economicismo veta (‘não, não há saída antes de piorar’).

Mas o economicismo é a soberba da razão e não o motor da história.

Política é economia concentrada.

Os exclamativos alardeados em 1964 demonizavam os conflitos do desenvolvimento como ameaças à democracia.

Dados coletados pelo Ibope então mas não divulgados (e hoje armazenados na Unicamp), mostravam uma realidade distinta da ira consensual sentenciada pelas aves de agouro da época.

Nos dias 20 e 30 de março de 1964, quando a democracia já era tangida ao matadouro pelos seus paladinos, pesquisadores constatavam nas ruas que 59% dos brasileiros apoiavam as medidas anunciadas pelo Presidente João Goulart para enfrentar a crise.

Uma parte delas seria oficializada na famosa sexta-feira, 13 de março.

Em comício na Central do Brasil, ‘Jango’ assinaria então vários decretos que expropriavam terras às margens das rodovias para a reforma agrária, nacionalizavam refinarias, sinalizavam a reforma urbana, fiscal e educacional.

Tudo o que era demonizado pelo jogral golpista como se fora a voz da sociedade era apoiado pela parcela majoritária da população.

Estamos falando de 1964 ou de 2015?

Dos dois.

Um aparato midiático interliga os calendários com a mesma determinação de ocultar elementos da encruzilhada econômica, exacerbar adversidades, manipular o debate e interditar as reformas requeridas nas transições de ciclo de desenvolvimento.

Foi assim que se modelou a opinião pública para o golpe em 64, mesmo contra o discernimento majoritário da população sobre as ‘reformas de base’.

O martelete da corrupção e do comunismo imobilizou esse discernimento.

Em grande medida foi assim também que se logrou convencer o governo reeleito em 2014 de que nada mais restava do que renunciar ao seu programa para adotar o do adversário.

Caso contrário, um meteoro atingiria o país para desintegrá-lo.

Um pouco como a fatalidade crocitada por Serra, que não informa o que nos reserva o day after de seu vaticínio.

Mas há pistas.

Siga o dinheiro.

Ou as entrevistas do ex-presidente do BC, no governo Fernando Henrique Cardoso, Armínio Fraga

Cogitado para comandar a economia em qualquer governo conservador, sua receita –reiterada no Valor, na semana passada, é tão peremptória quanto os imperativos de 64.

O país precisa de uma faxina econômica – ‘como a que fizemos em 1999’, diz ele.

O que eles fizeram em 1999?

Lançaram as fundações daquilo que debitam agora exclusivamente à lista de pecados de Lula e Dilma.

Valorizaram a moeda artificialmente para criar a pretensa bonança do Real forte, com base em importações baratas.

Essa foi a pré-compra da reeleição.

Perto disso, os R$ 200 mil do deputado Ronivon foi troco de pinga.

A desindustrialização alçou voo aí para não mais aterrissar.

A decolagem abriu um buraco nas contas externas equivalente a 4,3% do PIB no ano seguinte ao da reeleição.

A purga veio na forma de uma maxidesvalorização que se pretendia ‘controlada´ em 8%.

Isso era o que se dizia em 1º de janeiro de 1999.

No dia 29 ela já havia batido em 60% (fatiando assim o poder de compra da famílias assalariadas).

A taxa de juro foi calibrada então para segurar o rebote dos preços desprovidos da âncora dos importados.

Armínio deu ao mercado financeiro local e global uma Selic real (acima da inflação) de 22% . Hoje está perto de 8% e Serra, distraído, diz que isso é uma calamidade.

É mesmo, mas o passado a relativiza.

O salário mínimo (ajustado p/ efeito de comparação aos preços de 2011) despencaria de R$ 414 reais em 1990 para R$ 287 reais após a purga.

Juros em alta, dívida pública em escalada sideral, salários pelo ralo.

Foi isso que ‘fizemos’ em 1999.

O país só escapou do precipício porque havia um vento à favor no mercado mundial.

O dólar forte levaria os EUA às compras; a fome chinesa por commodities ganhava corpo; os saldos comerciais incentivariam a América Latina a importar manufaturados do Brasil.

Esse mundo acabou.

E o que começou será fortemente modelado por aquilo que a China anuncia como sendo o seu ‘novo normal’.

A saber: esgotamento do ciclo puxado por taxas de investimento de 45% do PIB (Brasil, 17,5%) e menor demanda por matérias primas.

Não só.

A transição chinesa vem se fundir à longa convalescença da desordem neoliberal inaugurada em 2008 e sem prazo para acabar.

Os impactos já são palpáveis.

A anemia do comércio mundial emparedou as economias emergentes, tirou o canal de recuperação da Europa e rebateu nas vendas da China.

A resposta de Pequim adicionou lava vulcânica à fervura com uma desvalorização cambial que pode contagiar o mundo.

Só na semana passada, o rublo sofreu uma depreciação de 5,3%; o peso colombiano, de 4,1%, o peso mexicano, 3,2% e a lira turca, quase 3%.

Em contrapartida, o dólar valorizado derrubou as exportações norte-americanas em quase 3% no 1ºsemestre.

E as importações não escaparam de uma retração de 2,2% evidenciando (ademais do fator petróleo) o calcanhar de Aquiles que impede Obama de ser um Roosevelt : a corrosão estrutural do poder de compra das famílias assalariadas e da classe média antes afluente.

O maior mercado capitalista do planeta arfa com os pulmões do consumo comprometidos.

Obama paga a fatura de quatro décadas de ventos neoliberais em que a pujança econômica se dissociou da oferta de empregos de qualidade, realocados com a indústria para o desfrute dos custos asiáticos.

No momento em que o dínamo chinês patina, o mundo percebe as estreitas interações do metabolismo capitalista, agora desprovido de qualquer ponto de apoio dinâmico.

Tudo o que é sólido se desmancha no ar.

Na semana passada, a indústria chinesa crescia ao ritmo mais baixo desde 2009; a dos EUA, no mais baixo dos últimos dois anos.

A correia sino-americana que puxava o mundo travou.

Entre 15% e 20% do faturamento global das múltis dos EUA ocorrem na China (e Japão). Se essa endogamia entra em litígio, o que sobra?

O 'novo normal'.

A China cresce menos, o comércio global encolhe, os EUA patinam , a Europa desidrata, o mundo emergente regride e a guerra cambial se impõe.

Pergunta aos Armínios e Levys:

--Esse miserável mundo novo recomenda a adoção de uma ajuste baseado em arrocho fiscal, esfarelamento do poder de compra interno, desemprego, juros recessivos e retração do investimento público?

Como ‘fizemos’ em 1999?

E se não der certo agora no mundo contraído de 2015?

Como de fato já não deu o lacto purga de Levy. Esse que acentuou a recessão, elevou a inflação, derrubou a receita fiscal e vitaminou o déficit público que se pretendia reduzir.

Arroche-se ainda mais –‘como fizemos em 1999’, insiste o perseverante Armínio no seu parlatório no Valor.

Até?

Até emergir o milagre da contração expansiva. Essa fé ortodoxa na ressurreição que sanciona catástrofes sociais e humanas em nome de um equilíbrio endógeno que o capitalismo simplesmente não pode satisfazer.

Há oito anos a população grega espera pelo milagre. Seu metabolismo econômico e social em carne viva suporta a salmoura de ajustes sucessivos.

Igual terapêutica prescreve-se agora para uma economia brasileira pecadora, ‘envenenada’ pela criação ‘voluntarista’ –dizem FHC, Armínio, Aécio e assemelhados...-- de 20 milhões de empregos em 12 anos, ademais das pressões de um mercado de massa de 100 milhões de pessoas.

Esse Brasil não cabe no orçamento.

É o que sibila o cerco à Constituição de 1988.

O recado que unifica as redações mostra que o tanquinho de areia de Kim Catupiry é coisa séria: despesas obrigatórias consagradas pela Carta Cidadã proclamada pelo digno brasileiro Ulysses Guimarães estão na alça de mira de uma curetagem conservadora

Com que finalidade?

‘Transformar direitos universais em serviços pagos’, adverte a professora Marilena Chauí em suas aulas públicas.

Ou para dizer a mesma coisa em uma chave política: abortar exemplarmente a ousadia de se construir uma democracia social na sétima maior economia do planeta e principal referência da luta pelo desenvolvimento, depois da China.

Passados seis meses da festejada terapia, impôs-se ao governo, felizmente, a constatação de que o aperto no crédito e no investimento –com corte de gastos e elevação de juros, jogou a economia num buraco mais fundo do que já se encontrava.

O fracasso favorece a retificação de curso?

Em parte sim

Mas o país só se libertará da lógica conservadora, de fato, se as fileiras progressistas conseguirem superar sectarismos e hesitações para promover uma verdadeira repactuação democrática do futuro brasileiro.

Não se trata de um jogo do tipo o vencedor leva tudo.

É uma negociação.

Implica desenhar linhas de passagem ordenadas por metas, concessões, salvaguardas e escalonamentos de perdas e ganhos.

As opções são duas: crise permanente à moda grega; ou o desassombro de politizar as escolhas do desenvolvimento.

A pá de cal jogada por Serra não é uma fatalidade, mas um ingrediente do acirramento da luta de classes.

Na margem do rio em que ele se encontra interessa dizer, à moda Thatcher, ‘there is no alternative’.

Há. Mas precisa ser pavimentada com a construção dos sujeitos dotados de força e consentimento para renegociar alternativas.


Erra o tucano ao não conceder à Presidenta Dilma uma base de apoio histórica.


Ela existe, objetivamente; mas aguarda a agenda que lhe dará a identidade subjetiva que a ação política requer.


O colapso da receita ortodoxa abre a oportunidade para esse resgate.

Precisa ser acionado, porém, antes que o país, seu povo e o desenvolvimento sejam mastigados pelo miserável mundo novo esboçado no novo normal do capitalismo.

Passa da hora de uma agenda que fale ao futuro de toda a sociedade.
Que dê a Moro o que é de Moro.

E à democracia a prerrogativa de contrapor o investimento à ruína.

Devolver à sociedade o comando do seu destino era como Celso Furtado definia a essência do desenvolvimento.

É preciso ir à essência para escapar aos coveiros que recusam ao Brasil outro destino que não o cemitério das nações.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

A falta de dinheiro na conta de Dirceu


Moro vs Dirceu:
tosco e inepto



E esse é o juiz que prende preso.


Conversa Afiada









O Conversa Afiada reproduz artigo de Fernando Brito, extraído do Tijolaço:



MORO E PF “PRENDEM O PRESO” MAS NÃO ACHAM O DINHEIRO?



Informa a Folha que o bloqueio de bens de José Dirceu reteve apenas R$ 104 mil, quase tudo de uma conta em que ele recebeu doações para que se pagasse a multa a ele imposta do caso do chamado mensalão.

De seu irmão e ex-assessores, bloquearam-se valores irrisórios.

A empresa de consultoria do ex-ministro, segundo a Folha, “chegou a faturar R$ 39,1 milhões, mas está desativada e não tinha nada no banco, ainda de acordo com relatório do Banco Central enviado nesta quarta (19) à Justiça federal do Paraná”.

O que isso prova?

Nada, a não ser que a ação policial-judicial é tosca e inepta.

Ou não se rastreou devidamente a movimentação de recursos milionários que se lhe imputa, ou inexiste a maior parte dos milhões em propina que ele recebia, segundo alegam seus acusadores, inclusive – como diz o Sérgio Moro, para justificar a “prisão do preso” – depois de condenado.

O mais provável é que as duas hipóteses sejam verdadeiras.

É inacreditável que não se tenha rastreado as movimentações financeiras de todos e visto para onde o dinheiro que, se existia efetivamente, foi parar.

Será que o Dr. Moro, capaz de mandar “prender o preso”, não determinou antes a quebra do sigilo bancário? Se o fez, porque mandaria “bloquear R$ 20 milhões” de contas que não tinham sequer a sombra disso.

Diz a reportagem que “não há histórico das movimentações”.

Ora, isso é ridículo.

A esta altura, os extratos de Dirceu e de sua empresa, para se justificar a prisão, deveriam estar detalhados e esquadrinhados, à procura de quanto entrou, e de quem, e de quanto saiu, e para quem.

Não se movimenta recursos neste montante de contas empresariais sem registro bancário.

Não se guardam R$ 20 milhões na gaveta, no cantinho do guarda-roupas, não se embarca em um aeroporto com eles na cueca. Muito menos para o exterior, quando, mesmo em jatinhos, é preciso passar pela aduana.

A falta de dinheiro na conta de Dirceu e dos demais presos com ele está longe de “provar a honestidade” (esta estranha figura agora em vigor na Justiça brasileira) dos acusados.

Prova, apenas, a incompetência com que se conduziu este caso, onde o apetite político deixou de lado o dever técnico de, em primeiro lugar, detectar e apreender qualquer quantia desviada de dinheiro público.

Ou será que isso “não vem ao caso”?



Veja também:

QUANDO VÃO INTERROGAR O DIRCEU

VAZAMENTO CONTRA LULA. UM CRIME NAS BARBAS DO ZÉ !

você atravessou o rubicão da decência


Carta aberta ao risonho Eduardo Jorge





Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:





Caro Eduardo Jorge


Em 1998, eu votei em você para deputado federal, pelo PT. Conhecia uma de suas filhas, da USP (já tinha ido até em festas na sua casa, na Vila Mariana), e ela fez um apelo de última hora para que ajudássemos a eleger um velho militante que não tinha recursos, e dependia do “voto de opinião”.

Segui o apelo de sua filha (não sei se ela lembra disso; mas eu lembro bem). Na época, você era uma liderança do PT, já havia sido deputado constituinte, tinha sido secretário municipal na gestão Erundina, e havia atuado na zona leste de São Paulo na organização de movimentos populares.Por causa desse perfil, dei meu voto a você.

Acompanhei depois sua lenta (mas decidida) aproximação com o tucanato, e sua curiosa parceria com José Serra. Tenho amigos tucanos, e não vejo isso como “crime”.

Mas estranhei que você tenha feito esse giro sem jamais explicar o que achava das privatizações de FHC nos anos 90: a entrega da Vale, da CSN, a tentativa de vender até a Petrobras (que seus, agora, amigos do PSDB queriam transformar em “Petrobrax” – lembra?).Você era oposição a isso tudo em 98. No entanto, logo depois saiu do PT (alegando que o partido “abandonara seus princípios”), e foi-se esbaldar com os cargos oferecidos justamente pelo PSDB de Serra, ainda que atuando na sublegenda tucana do Partido Verde.Estranhei que você jamais tenha-se perguntado por que o PSDB e Serra são blindados pela imprensa paulista, e por isso jamais foram cobrados da mesma forma que petistas no governo o são. Acho que pra você isso agora está ótimo. Você se tornou “sócio” dessa turma e desse arranjo, não é?.

Não vou perguntar o que acha do Trensalão tucano (que a mídia paulista chama de “cartel dos trens”, sem explicar que foram desviados milhões de reais que deveriam ter sido investidos em transporte público), nem a sua avaliação sobre a “gestão das águas” de Alckmin em São Paulo… Ambientalista verde/tucano não deve ter tempo pra olhar o que se passa na Sabesp.

Não vou perguntar. Até porque eu tive já minha resposta quando o vi, com um ar entre eufórico e abobalhado, de braços dados com Aécio no segundo turno de 2014.

A imagem encheu-me de tristeza, mas relevei…

Só que agora, Eduardo Jorge, você atravessou o rubicão da decência.

Vê-lo risonho, numa manifestação como a do último dia 16 de agosto, em que a maior parte dos presentes manifestava ódio, em que se pedia volta da ditadura, “morte a Dilma”, manifestação essa que era a clara expressão do pior conservadorismo paulistano, vê-lo ali foi demais para meu estômago.

Erundina saiu do PT. E manteve a compostura. Plinio saiu do PT. E manteve a compostura. Você se entregou a esse abraço com o que há de mais nojento na história recente do Brasil.

Você ali, Eduardo Jorge, era um “enfeite” exótico para um conservadorismo que leva até torturadores pra discursar em carros de som.

Sei que não é fascista, nem pessoalmente conservador. Mas ninguém pode ir a uma manifestação daquela e ingenuamente declarar: “ah, eu não prego o ódio, minha parada é outra”. Sabe por que? Porque eu, seu antigo eleitor, não poderia estar na Paulista se quisesse usar uma camisa vermelha, ou se quisesse pedir combate à corrupção de todos os partidos (e não apenas do PT). Seria chutado, agredido, como tantos estão sendo agredidos Brasil afora nessa onda de ódio à qual você empresta sua triste figura.

Você, Eduardo Jorge, tornou-se um lamentável oportunista procurando cabalar votos no mercado da direita. Sabe qual resultado disso? Ficará sem votos (porque a direita o acha ridículo), sem respeito da esquerda (a velha e a nova), e apagará sua história.

Meu voto de 1998, sei que não terei de volta. Mas queria que soubesse: simbolicamente, eu o rasgo aqui!

Eu o rasgo, da mesma forma que Brizola rasgou a folha de papel onde se lia “P-T-B” – legenda que a ditadura roubou dele.

Você roubou meu voto de 1998, Eduardo Jorge.

Não me arrependo de já ter votado no Plínio de Arruda Sampaio, no Chico Whitaker, na Erundina – todos eles rompidos com o PT. Não me arrependo, nem mesmo, de ter votado no Fleury (para derrotar Maluf, em 1990), ou no Covas (para derrotar o mesmo Maluf, em 1998).

Mas me arrependo, profundamente, de ter dado meu voto para um oportunista risonho como você.

Boa sorte em sua triste aventura.


Rodrigo Vianna – jornalista, blogueiro e seu ex-eleitor

*****

P.S.: o ex-Eduardo Jorge explicou, numa nota curta, que não sabia o que estava escrito no cartaz carregado pelo rapaz da foto que abre esse texto – clique aqui para saber mais.

Como se o problema fosse o cartaz.

Mises não é problema tão grave.

O grave mesmo é aderir a um movimento com toques de fascismo e intolerância.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Enquanto isso no RS, Sartori corta o ponto: "La piedra e o voto básico donde los sueños gimen "


Servidores constroem unidade inédita e iniciam greve geral; Sartori anuncia corte do ponto



SUL 21




Assembleia unificada no Largo Glênio Peres reuniu mais de 35 mil servidores de todas as categorias do serviço público do RS. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)



Marco Weissheimer


“Aqui no Rio Grande do Sul, ninguém vai bater nos professores como aconteceu no Paraná. Ninguém vai encostar um dedo em um professor. Não permitiremos. Bater em professor é como bater na própria mãe”. A fala de Isaac Ortiz, presidente do Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul (Ugeirm), durante a assembleia geral do funcionalismo público estadual, no Largo Glênio Peres, sintetizou a unidade inédita do movimento dos servidores contra as políticas do governo José Ivo Sartori (PMDB). Mais de 43 entidades de servidores participaram da organização do ato desta terça-feira que decretou greve geral de três dias de todo funcionalismo público. Todas as categorias de servidores do Estado estiveram representadas na mobilização que iniciou pela manhã e terminou no final da tarde com um ato em frente ao Palácio Piratini.

Perguntado sobre a dimensão da manifestação desta terça, Claudio Augustin, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos do Estado do RS (Sindsepe), lembrou uma caminhada ocorrida durante a greve do magistério no governo de Pedro Simon, em 1987. “Ela saiu do colégio Júlio de Castilhos e quando chegamos ao viaduto da Duque, ainda tinha saindo do Julinho”. Em comum com aquela caminhada de 1987, o mesmo partido no governo, o PMDB, e a presença de milhares de servidores nas ruas caminhando em direção ao Palácio Piratini.

A diferença entre o que ocorreu hoje (18) e a manifestação de 1987, assinalou Augustin, é a presença maciça de policiais civis e militares lado a lado com professores e outras categorias de servidores. Essa aliança, acrescentou o dirigente do Sindsepe, dá maior consistência política ao movimento que deve se preparar para uma luta de longo prazo contra um governo que pretende implementar políticas de diminuição do tamanho do Estado e arrocho salarial. “Esse é um dia histórico no Rio Grande do Sul. Os servidores públicos, de forma unificada, estão dizendo basta aos desmandos do governador Sartori que, desde que assumiu, só criou terror”, disse ainda o presidente do Sindsepe.




Encerrada a assembleia no Glênio Peres, os servidores seguiram em caminhada para a Praça da Matriz, onde realizaram uma nova manifestação em frente ao Palácio Piratini. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)


“O senhor usurpou o nome do nosso Estado na campanha eleitoral”

“Estamos mostrando hoje com quem o governador José Ivo Sartori se meteu. O senhor usurpou o nome do nosso Estado para fazer sua campanha eleitoral, escondendo que queria privatizar o Estado e arrochar os servidores”, disse, em cima de um caminhão de som instalado no Largo Glênio Peres, a presidente do Centro de Professores do Estado do RS (CPERS Sindicato), Helenir Schürer. “Não vamos nos curvar para essas políticas. Estamos deflagrando hoje greve até a vitória”, acrescentou a dirigente do CPERS. A entidade deu uma demonstração de força nesta terça, ao lotar o Gigantinho no início da manhã, em uma assembleia que aprovou a greve de três dias e a luta unificada com as demais categorias do funcionalismo.

O caráter histórico dessa unidade foi destacado por vários oradores na assembleia realizada no Largo Glênio Peres. “Essa união que estamos vendo aqui hoje faz lembrar o comício das diretas”, afirmou Sérgio Arnoud, presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado do RS (Fessergs). “Estamos deixando muito claro aqui que não vamos permitir o apequenamento do Estado, o arrocho e o parcelamento de salários. Nossa unidade é nossa força”, destacou Arnaud. Na mesma direção, Mara Feltes, do Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações Estaduais do RS (Semapi), condenou o ataque que o governo Sartori está promovendo contra fundações do Estado. “O senhor não é o Rio Grande. O Rio Grande não maltrata o serviço público. Hoje é um dia histórico que mostra que não vãos deixar que esse governo extinga as fundações , privatize a água e outros serviços do Estado”, disse Feltes.

“Esse movimento é toda a sociedade gaúcha que está junto com nós na defesa por serviços públicos de qualidade. Se o governador Sartori não tem competência para governar, ele que pegue o chapéu e volte para Caxias”, emendou Flávio Berneira Jr., diretor do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado (Amapergs Sindicato).



Após negociação com o comando da Brigada Militar, que guardava a entrada lateral da Assembleia, um grupo de servidores entrou no Parlamento e se dirigiu para as galerias do plenário. (Foto: Guilherme Santos/Sul21)


Os efeitos do acordo da dívida de 1998

O Centro de Auditores Públicos Externos do Tribunal de Contas do Estado (Ceape), divulgou a “Cartilha da Dívida Pública do RS 2015”, durante a assembleia no Glênio Peres. O documento aponta os efeitos negativos do acordo da dívida firmado em 1998, durante o governo Antônio Britto (PMDB), que federalizou a dívida do Estado em um ambiente de inflação galopante e juros estratosféricos. Esse contrato, avalia o Ceape, foi altamente prejudicial para o Estado. “O resultado da renegociação da dívida estadual foi uma brutal redução da capacidade de investimento público do Rio Grande do Sul”, diz a cartilha. O Ceape defende a realização de uma auditoria cidadã desta dívida, “para identificar e afastar o que não é devido e destinar os recursos de impostos para atender as necessidades do povo”.

Encerrada a assembleia no Glênio Peres, os servidores seguiram em caminhada para a Praça da Matriz, onde realizaram uma nova manifestação em frente ao Palácio Piratini. Após negociação com o comando da Brigada Militar, que guardava a entrada lateral da Assembleia, um grupo de servidores entrou no Parlamento e se dirigiu para as galerias do plenário. O vice-presidente da Assembleia, deputado Ronaldo Santini (PTB), recebeu representantes do Movimento Unificado de Servidores Públicos, que comunicaram a decisão de decretar a greve geral de todo o funcionalismo nos dias 19, 20 e 21 de agosto. Os servidores entregaram um documento a Santini condenando a política de apequenamento do Estado do governo Sartori.

A resposta de Sartori: corte do ponto

A resposta do governo estadual veio no início da noite com uma declaração do governador José Ivo Sartori. Anunciada como uma fala à imprensa, a manifestação de Sartori limitou-se a uma declaração de três minutos, sem direito a perguntas para os jornalistas. Sartori anunciou que o ponto de quem fizer greve será cortado e voltou a pedir compreensão ao funcionalismo público. O chefe do Executivo apelou aos servidores para que não paralisem as atividades, argumentando que a crise não começou agora. Além disso, afirmou que está fazendo um “grande esforço” para pagar o funcionalismo em dia, mas não garantiu que isso ocorrerá no final deste mês, admitindo a possibilidade de um novo parcelamento.

Veja mais imagens da manifestação desta terça-feira:



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21



Foto: Guilherme Santos/Sul21

Mais uma vítima do fascismo

Federico García Lorca



Nació el 5 de junio de 1898, en el Municipio de Fuente Vaqueros, en Granada (España). Fusilado en Granada, víctima del fascismo, durante la Guerra Civil española, el 19 de agosto de 1936.





 




Era hijo del hacendado Federico García Rodríguez y de la maestra Vicenta Lorca.

De salud enfermiza y mal estudiante, se graduó luego de sortear varios obstáculos, en la Universidad de Granada, como abogado. Estudió música (piano) pero por influencia de su madre y de Don Fernando de los Ríos, comenzó a inclinarse por la poesía. Su primer artículo, data de 1917, y fue con motivo del aniversario de José Zorrilla.

Su obra muestra la influencia de autores como Benito Pérez Galdós, Miguel de Unamuno, José Ortega y Gasset, Lope de Vega, Juan Ramón Jiménez, Antonio y Manuel Machado, entre otros.

Su padre lo ayudó económicamente para que en 1918 apareciera su primer libro "Impresiones y Paisajes". En teatro, estrenó en 1920 "El maleficio de la mariposa". En 1921 "Libro de poemas" (Antología) y en 1923 "La niña que riega la albahaca y el príncipe preguntón" (Comedia de títeres). Publicó "Canciones" en 1927, y al año siguiente surgió la Revista Literaria "Gallo" de la cual solo dos números fueron editados. Aparece ese mismo año el libro "Primer romancero gitano", donde expresa con grandes metáforas y abundancia de símbolos (La luna, los colores, los caballos, los peces) sentimientos sobre el amor y la muerte en una mítica Andalucía.

En 1929 viajó a Nueva York, donde publicó "Poeta en Nueva York" Un año más tarde se dirigió a La Habana, donde escribió "Así pasen cinco años" y "El público". Ese mismo año regresó a España donde se estrenaba "La zapatera prodigiosa", su farsa popular, que enfrenta realidad e imaginación.

Su producción siguió creciendo: "Bodas de sangre", "Yerma" y "Doña Rosita la soltera" fueron escritas con el gran apoyo moral y financiero de su amigo Fernando de los Ríos, que se desempeñaba como Ministro de Instrucción Pública. Fue nombrado Director del teatro universitario La Barraca, y desde allí realizó una amplia labor de divulgación por toda España.

Viajó a Argentina y Uruguay entre 1933 y 1934, con gran éxito. En 1935, escribió "Llanto por Ignacio Sánchez Mejías", en la línea del neopopulismo.

Luego, sobrevinieron, en 1936, "Diván del Tamarit" y "Sonetos del amor oscuro". En "La casa de Bernarda Alba", afronta el drama de la represión de lamujer y la intolerancia.






En general, su obra, que puede agruparse en farsas, comedias, tragedias y dramas, se inscribe en el dramatismo y el realismo político, inspirado en temas como el amor, la esterilidad, la infancia y la muerte.

Con una gran capacidad de síntesis, armoniza formas, tonalidades y símbolos, como por ejemplo, la luna, que muchas veces representa la muerte, y en otras, la fecundidad, la esterilidad o la belleza. Sus metáforas relacionan elementos opuestos de la realidad y transmiten efectos sensoriales entremezclados.

La tradición está muy presente en su obra, a través de la música y los cantos tradicionales.

Tuvo la influencia del drama modernista, del teatro de Lope de Vega y de Calderón de la Barca.

Falleció fusilado en Granada, víctima del fascismo, durante la Guerra Civil española, a pesar de no haberse afiliado a ninguna fracción política, aproximadamente el 19 de agosto de 1936.

Luego de su muerte, se publicaron "Primeras canciones", "Amor de Don Perlinplín con Belisa en su jardín" y "Odas y Suites".




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Alma ausente



No te conoce el toro ni la higuera,
ni caballos ni hormigas de tu casa.
No te conoce tu recuerdo mudo
porque te has muerto para siempre.

No te conoce el lomo de la piedra,
ni el raso negro donde te destrozas.
No te conoce tu recuerdo mudo
porque te has muerto para siempre.

El otoño vendrá con caracolas,
uva de niebla y montes agrupados,
pero nadie querrá mirar tus ojos
porque te has muerto para siempre.

Porque te has muerto para siempre,
como todos los muertos de la Tierra,
como todos los muertos que se olvidan
en un montón de perros apagados.

No te conoce nadie. No. Pero yo te canto.
Yo canto para luego tu perfil y tu gracia.
La madurez insigne de tu conocimiento.
Tu apetencia de muerte y el gusto de su boca.

La tristeza que tuvo tu valiente alegría.
Tardará mucho tiempo en nacer, si es que nace,
un andaluz tan claro, tan rico de aventura.
Yo canto su elegancia con palabras que gimen
y recuerdo una brisa triste por los olivos.




domingo, 16 de agosto de 2015

Festa de bodas a do dia 20 tem que ser grande. Bodas democráticas.


Onde foi que a direita golpista perdeu o bonde?




16 de agosto de 2015 | 08:46 
Autor: Miguel do Rosário




(Crédito foto: Avener Prado/Folha Press)



Muito interessante esse artigo. Ajuda a explicar um pouco o recuo do sistema oligárquico diante do golpe. É que ele sentiu que ainda não ocupou suficientemente o Estado e a sociedade, e, portanto, para sustentar um regime não legitimado pelas urnas, precisaria apelar para a violência e a censura, instrumentos que o desmoralizaria.



***


Quando a direita golpista encontra o Estado ampliado, por Ion de Andrade


Por Ion de Andrade, no Jornal GGN.
DOM, 16/08/2015 – 08:22


Gramsci em sua elaboração sobre a revolução no Ocidente sinalizou nos anos 30 que a presença da Sociedade Civil nos Estados ocidentais condicionaria uma revolução longa, pois essa Sociedade Civil, entendida como uma densa rede de trincheiras, alicerçava a supremacia burguesa sobre o consenso e não sobre a força. A robusta Sociedade Civil dos Estados ocidentais impediria, portanto, qualquer sonho de solução explosiva à esquerda capaz de varrer, por um ato de força, tal poderio burguês sobre o Estado.

Esse raciocínio cristalino, embora hoje já insuficiente, conforme comentei no artigo “A via brasileira e a Crise do paradigma gramsciano” ainda não foi devidamente apreendido pela direita tupiniquim de matriz golpista, que crê que em qualquer circunstância histórica, pode golpear impunemente soberania popular.

A falta de cultura política faz essa direita entender o poder político como uma espécie trono que, se for tomado, passa a ordenar de forma legítima e completa todo o ordenamento social que deve, a partir de então, curvar-se aos novos senhores. Uma burrice colossal.

O Estado de direito regula uma guerra, permitindo, por meio de instituições cuja legitimidade decorre do voto, a formação de condições mínimas para o exercício do governo e da oposição, que, apesar de minoritária, é possuidora de direitos e prerrogativas inalienáveis. Em torno desse Estado há a tal rede de trincheiras que é a Sociedade Civil que sustenta o próprio arcabouço estatal.

Pelo lado do campo autoritário e atualmente golpista poderíamos citar, como instâncias típicas da Sociedade Civil, a grande mídia, os sindicatos patronais, as grandes corporações profissionais da elite, (magistrados, médicos, dentre outras), os partidos conservadores, as organizações sociais de direita e de extrema direita. No campo democrático poderiam ser citadas instituições como a OAB, a ABI, a CNBB, as Cenrais Sindicais, os diversos sindicatos de trabalhadores dentre os quais petroleiros, bancários, metalúrgicos, professores, o MST, os demais inúmeros movimentos sociais, os partidos do campo democrático, dentre outros… [os blogs, por exemplo].

A cassação do mandato de Dilma, seja qual fosse a capa de legitimidade paraguaia, mergulharia o país numa longa crise de governabilidade sem remédio até que a normalidade institucional, o Estado de direito, estivesse novamente recomposto.

O conflito aberto eclodiria levando o país a um cenário imprevisível e catastrófico.
A direita armou o bote e depois, despertada sabe-se lá por qual conjunto de variáveis premonitórias, reconheceu que teria um preço a pagar.

O peso gravitacional das variáveis que vieram à luz do dia, (manifestações patronais, resistências anunciadas dos movimentos sociais, risco econômico, etc) não me parece suficiente, aliás, para justificar tamanho e tão largo recuo da complexa e cara estratégia golpista montada há meses. Num movimento concertado TODOS os setores golpistas recuaram. Difícil de entender com o que sabemos.

É como se estivesse faltando alguma variável de peso maior capaz de tornar mais inteligível o recuo em curso. Será que a prisão do Almirante Othon precipitou de uma vez a ruptura formal da aliança que os golpistas tinham como certa com as Forças Armadas?

Seja como for, 31 anos depois do fim da ditadura, enlutada e tangida, a direita vai sendo novamente obrigada a conformar-se, e já não era sem tempo, aos ditames do Estado de direito.

O luto é justo. O Estado de direito não é opcional, é obrigatório e é, além disto, a arena histórica na qual a cidadania e os trabalhadores construirão vida digna, autoconfiança e emancipação.

A crise atual testou os limites das ambições golpistas e a capacidade de resistência da democracia brasileira.

A guerra segue adiante e sem quartel, mas, ao que parece, as instituições passaram no teste de stress.

O teatro macabro se encerra com o ato do dia 16 que passa a figurar como o gran finale e não mais como o preparador de um golpe a ser perpetrado pelo TCU/Câmara Federal com a rejeição das contas do governo de 2014 ou via TSE com a abertura de um processo de revisão das contas de campanha da presidenta, já aprovadas por unanimidade.

Do lado de cá, no dia 20, a nossa manifestação deve ser a festa cívica de uma nação que se levantou, é crítica ao governo, mas não aceita perder as conquistas democráticas, nem viver novo ciclo autoritário e entreguista.

Festa de bodas a do dia 20 tem que ser grande. Bodas democráticas.

Lula é um Líder!


POR QUE LULA NÃO ACEITOU SER MINISTRO DE DILMA









A recusa do ex-presidente Lula em aceitar assumir um ministério no governo da presidente Dilma Rousseff é um "raro momento de grandeza na cena política brasileira", diz o jornalista Ricardo Amaral; "Lula considera indigno de sua história buscar, no foro privilegiado, o salvo-conduto contra as arbitrariedades da hora", afirma; ele diz ainda que "virar ministro seria criar um constrangimento para o governo e para a presidenta, e isso Lula não fará jamais"; "É assim que se comporta um líder, que não precisa de cargos para exercer a política e dispensa refúgio para a dignidade afrontada"; leia a íntegra



16 DE AGOSTO DE 2015 ÀS 18:16



Por Ricardo Amaral, 
no Jornal GGN - 


Ao recusar um posto no ministério da presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula produziu um raro momento de grandeza na cena política brasileira. Lula considera indigno de sua história buscar, no foro privilegiado, o salvo-conduto contra as arbitrariedades da hora. Virar ministro seria criar um constrangimento para o governo e para a presidenta. E isso Lula não fará jamais. É assim que se comporta um líder, que não precisa de cargos para exercer a política e dispensa refúgio para a dignidade afrontada.

Na plena vigência do estado de direito, Lula não teria nada a temer. Não cometeu nenhum crime, antes, durante ou depois de governar o País. Sua atividade como palestrante é o resultado da projeção internacional que conquistou. Recolhe impostos pelo que ganha licitamente. Não faz lobby, consultoria nem intermediação de negócios. O Instituto Lula não recebe dinheiro público, nem direta nem indiretamente. Mas, e daí?

No ambiente de terror policial insuflado pela oposição e pela mídia, Lula tornou-se alvo de toda sorte de violência. Agentes do terror lançaram uma bomba na sede do Instituto Lula. Agentes do Estado, que deveriam estar submetidos à Lei e à hierarquia, quebraram ilegalmente o sigilo bancário do ex-presidente e de um de seus filhos. As pegadas sujas do crime estão nas páginas de uma revista sórdida esta semana. Quebraram o sigilo de suas comunicações e, ao invés de denunciá-la, parte da imprensa associou-se à meganha bandida.

Há fortes motivos para crer que o próximo passo seja submeter Lula aos métodos parajudiciais da República de Curitiba: o mandado cego de busca; a condução coercitiva para mero depoimento; a prisão "preventiva" pela simples razão de que o sujeito está solto. Os vazamentos seletivos dos últimos dias desmoralizaram as negativas formais do juiz e dos promotores da Lava Jato: Lula é, sim, o alvo cobiçado da operação. Não para ser processado, pois não há acusação contra ele, mas para ser humilhado diante das câmeras.

No estado de exceção a que se encontra sujeita uma parte do País, ninguém poderia negar razão a Lula caso aceitasse a oferta solidária e leal da presidenta Dilma. Ministro, ele estaria a salvo das arbitrariedades da primeira instância e do terror policial-midiático. Mas Lula não é um ex-presidente qualquer – e nisso é preciso concordar, por razões opostas, com o autor original da frase: Merval Pereira.

O imortal do Globo sustenta que Lula não pode ser tratado como um cidadão de pleno direito, porque continua sendo um líder muito influente cinco anos depois de ter deixado o Planalto. Trapaça da história: o promotor que denunciou Lula na LSN por um discurso contra a ditadura, em 1980, também sustentou que a ameaça à segurança nacional não estava exatamente nas palavras do metalúrgico, mas na influência que ele exercia sobre as plateias.

De volta ao imortal: Lula não pode fazer palestras para empresas contratadas pelo governo (Merval talvez ignore que seu patrão, o Infoglobo, que tem contratos milionários com o governo, já contratou palestra de Lula). O Instituto Lula não pode receber doações empresariais (só o Instituto FHC pode, e pode até receber doação da estatal tucana Sabesp). Lula não pode encontrar governantes estrangeiros (embora seja o brasileiro mais respeitado ao redor do mundo). E, se isso fosse possível, Lula não poderia fazer política.

Este raciocínio autoritário, parcial e preconceituoso sustenta as torpezas cometidas contra Lula (e contra a verdade) pelos veículos e colunistas amestrados sob influência do sublacerdismo tosco e tardio que emana da rua Irineu Marinho. É o que explica as manchetes mentirosas atribuindo a Lula a propriedade de um apartamento que ele não tem, os "voos sigilosos" (em aviões invisíveis?), as "reuniões secretas" (em auditórios públicos, com cobertura da imprensa), os telegramas oficiais grosseiramente manipulados para virar notícia.

Lula é atacado justamente por ser o mais influente líder popular que o Brasil já conheceu. E por ser o maior obstáculo ao projeto regressista e conversador que, frustrada a aventura golpista, por suas contradições políticas e econômicas, precisa eliminar a liderança de Lula antes das eleições de 2018. A Pax Marinho, que ninguém se engane, é um movimento das elites econômicas para garantir a estabilidade necessária ao ambiente de negócios. Não é um pacto para preservar Dilma. E muito menos, para preservar Lula.

O que preserva Lula é sua liderança, sua coerência e seu caráter. Ao recusar o ministério, Lula promoveu um magnífico contraste com personagens políticos, institucionais e midiáticos nesta que é a mais rebaixada quadra da disputa política desde a redemocratização. Enquanto alguns ousam sequestrar instituições, para salvar a pele ou perseguir adversários, e outros se omitem de suas responsabilidades republicanas, por covardia ou conveniência, Lula decidiu simplesmente portar-se com dignidade.

A recusa de Lula é um gesto fundamentalmente moral. É corajoso, porque arrosta a arbitrariedade, e desprendido, porque preserva a presidenta. É mais uma lição do ex-retirante, ex-engraxate, ex-metalúrgico, ex-sindicalista para a educação política desta e de outras gerações. Isso é incompreensível para os abutres que tentam medi-lo pela régua de seu próprio e mesquinho caráter. Lula não é mesmo um ex-presidente qualquer. Lula é um líder.

o voto básico, o ódio hipnotizador, as trevas e a extinção


A extinção da FUNDERGS é um absurdo: dez motivos




Postado por Juremir em 8 de agosto de 2015


Por Cláudio Gutierrez


1. A FUNDERGS não tira dinheiro do caixa do Estado, capta recursos para o Estado. De seu orçamento de 20 milhões para 2015, 16,5 milhões vem de fora do RS. A FUNDERGS capta mais de cinco vezes o que custa.

2. Uma Secretaria poderia fazer o mesmo que a Fundergs faz? Não! Se tentar fazer sairá mais caro, mais burocratizado e mais lento, pelos entraves legais. Uma fundação gerencia recursos captados, realiza editais públicos para projetos sociais esportivos, celebra e acompanha convênios e promove atividades diretas de mais forma mais ágil, técnica e econômica que uma secretaria de estado.

3. Está na contramão do movimento nacional. O Brasil está desenvolvendo organismos qualificados para gestão do esporte e o Ministério do Esporte, nesse momento, está encaminhando a construção de um sistema nacional de esporte e lazer. Aqui o Governo extingue seus órgãos gestores de esporte e lazer: Secretaria e Fundergs.

4. Desestimula investimentos para o RS: quem no Ministério do Esporte vai reivindicar ou avalizar o envio de recursos a um Estado que desprestigia o setor esportivo em sua estrutura de governo?

5. Na contramão do ciclo olímpico brasileiro: Todos os Estados fortalecendo as políticas e programas de esporte, aproveitando o momento em que se marca um ano para a Olimpíada do Rio; o RS extinguindo o locus privilegiado da formulação de políticas e análise de projetos de esporte para o Estado.

6. A extinção da Fundergs fragiliza o Centro Estadual de Treinamento Esportivo. O CETE mantém seis centros de excelência no esporte e mais dezenas de atividades, em uma oferta de alta qualidade, com 4 mil usuários dia. Sem a Fundergs se reabre o caminho para privatizar o CETE.

7. A privatização das funções da Fundergs sai mais caro ao Estado: o projeto de privatizar o CETE, pronto ao final do Governo Yeda, previa um repasse mensal do Estado ao terceiro no valor de R$200 mil ao mês (para manter uma oferta de escolinhas pagas). O CETE público, gratuito e equipado no padrão olímpico (17 milhões de investimento captado em convênio da Fundergs) custa ao Estado R$ 100 mil ao mês! A metade do que custaria se privatizado, com serviços pagos e de baixa qualidade (dados de 12/2014).

8. Gastar pouco em esporte economiza muito em saúde. O Brasil vive uma virada epidemiológica. As doenças que predominam não são mais as infectocontagiosas, mas as Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs). Nosso Ministério da Saúde está aliado à Organização Mundial da Saúde no desenvolvimento da Estratégia Global para enfrentamento das DCNTs, que se baseia em dois pilares: atividade física e alimentação saudável. Manter a Fundergs é barato e promove saúde; manter hospitais é caro e remedia doenças.

9. Gastar pouco em esporte e lazer economiza muito em segurança: em um país de 500 anos, onde quase 400 foram de escravidão, o desenvolvimento de políticas esportivas e de lazer é compromisso fundamental na construção do imaginário de uma sociedade democrática, que inclui as mulheres e homens que com seu suor constroem o país. Políticas públicas de esporte e lazer distribuem os bens econômicos e culturais, socialmente produzidos. O contrário disso é o esporte e o lazer como signos de distinção, de privilégio, o que alimenta o imaginário da exclusão que sempre explode em violência. Manter a Fundergs é barato, promove educação e segurança; manter presídios é caro e corrige o mal feito.

10. A Fundergs foi criada no Governo Olívio, mantida nos governos Rigotto e Yeda, fortalecida no Governo Tarso. Extingui-la agora provocaria uma ruptura de continuidade na política estadual de esportes e um retrocesso de 15 anos! Condena o próximo governo a começar do zero.

Por tudo isso, extinguir a Fundergs não só nos deixa mais pobres, como fecha a porta para acessar e distribuir riquezas e bens sociais e culturais tão necessários para desenvolver o Estado.




Prof. Dr. Cláudio Augusto Silva Gutierrez

Coordenador do Bacharelado em Educação Física

Coordenador do Polo Regional de Desenvolvimento do Esporte e Lazer Unisinos/Fundergs

Líder do Grupo de Pesquisa/CNPq OTIUM: Esporte, Saúde e Qualidade de Vida

sábado, 15 de agosto de 2015

"odiado pode me odiar, mas falta vermelho na bandeira brasileira"


Zé Celso entra na luta contra o fascismo e conclama: Dilma tem que ficar!




14 agosto 2015







Em vídeo-entrevista para a Carta Capital, o grande dramaturgo brasileiro, Zé Celso, critica duramente a virada fascista do PSDB e de setores da classe média.

E senta o pé: Dilma tem que ficar!

Com humor e genialidade, o dramaturgo defende a democracia e ataca a onda fascista crescente na sociedade.

E encerra com uma provocação:

"Falta vermelho na bandeira brasileira!"

Se existe uma coisa boa na polarização política, é nos permitir escolhas como essa:

Lobão ou Zé Celso, com quem você vai ficar?







Em tempo, parabéns pelo vídeo, Lino Bochini!

'Já identificou quem é o “tarja preta”?'


Chacina: crise
institucional na SP tucana


A “Paz do Marcola”: o PSDB diz que o PCC acabou e o PCC governa o crime !



Conversa Afiada









O PiG deu moderada cobertura à maior chacina da história de São Paulo.

Policiais de São Paulo – aqui também chamada de Chuíça (ver no ABC do C Af) – são suspeitos de matar 18 pessoas em dez diferentes ataques, ao longo de duas horas, em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, no Estado governado pelos tucanos desde 1983.

(É sempre bom lembrar que o Padim Pade Cerra foi o Secretário do Planejamento do primeiro tucano governador, Franco Montoro. E daí nasceu a denúncia de que Cerra tinha enriquecido no cargo, segundo o Ministro Flavio Bierrenbach, que entende corrupção).

A chacina seria uma vingança pela morte de um policial militar, em Osasco, e de um agente da guarda municipal de Barueri.

Os policiais tucanos chegavam encapuzados nos bares, perguntavam quem tinha passagem pela polícia, e matavam à queima roupa.





NAVALHA






Trata-se de uma crise institucional na São Paulo tucana.

Uma crise se profundas repercussões.

Como se sabe, a Segurança da São Paulo tucana se sustenta numa aliança com o PCC, Primeiro Comando da Capital.

São Paulo, como se sabe, é o ÚNICO lugar do mundo em que o crime é dirigido DENTRO da cadeia, pelo PCC.

Essa aliança foi sagrada no Governo tucano de Geraldo Alckmin, para suspender a tomada da capital pelo PCC, em 2006.

Fez- aí a paz.

Ficou conhecida como a “Paz do Marcola”!

Estabeleceu-se esse vínculo institucional: os tucanos dizem que o PCC acabou e o PCC governa o crime.

Dentro e fora da cadeia.

Depois, é só administrar as estatísticas de criminalidade…

Essa chacina na noite de quinta-feira 13 de agosto, porém, rasgou o pacto.

A polícia matou dezoito.

Quantos, em represália, o PCC chacinará?

Quantos dos dezoito eram do PCC?

Quantas vidas de policiais valem um único quadro do PCC, morto?

A elite de São Paulo – a pior do Brasil, segundo o Mino Carta – corre o risco de não poder desfilar na marcha golpista de amanhã, domingo.

Já imaginaram se o PCC resolve se vingar, ali, em frente às câmeras da Globo, na Avenida Paulista?

As dondocas cheirosas, que transformaram panelas em penicos – como disse o José de Abreu – terão coragem de chegar perto de um PM para fazer um selfie?

É uma crise das instituições tucanas!

Gravíssima!

Só comparável ao lançamento do “Privataria Tucana”, do Amaury Ribeiro Jr, que, breve, produzirá devastadores resultados.

Não é isso, Dr Moro?

Já identificou quem é o “tarja preta”?



Paulo Henrique Amorim.

os bravateiros e a justiça


Gentili, Caiado e os 'bandidos frouxos'




Por Altamiro Borges


O Instituto Lula não está mais disposto a aceitar as calúnias e difamações difundidas diariamente pela mídia "privada" – nos dois sentidos da palavra. De forma ágil e bem fundamentada, a entidade decidiu acionar a Justiça contra qualquer ataque leviano. Nesta quinta-feira (13), ela anunciou que solicitará explicações ao "humorista" Danilo Gentili, do SBT, que afirmou que a bomba lançada contra a sede do instituto foi "forjado". Outros veículos e políticos também estão sendo processados. O caso mais patético é do senador Ronaldo Caiado, líder do DEM, que acusou Lula de ser "um bandido frouxo". Com medo das represálias, o valentão ruralista já ensaia um recuo – coisa típica de "bandido frouxo".


No caso do "humorista" Danilo Gentili, um reacionário convicto e recalcado, a ação do Instituto Lula poderá resultar em duras punições. Vale conferir a nota à imprensa da entidade:


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Instituto Lula pede explicações a Danilo Gentili perante a Justiça
O Instituto Lula protocolou, nesta quinta-feira (13), um pedido de interpelação judicial contra o apresentador de TV Danilo Gentili. Em seu perfil pessoal no Twitter, o pretenso comediante ironizou o ataque a bomba sofrido pelo Instituto no fim de julho ao afirmar que o atentado teria sido “forjado” para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se “fizesse de vítima”.

Gentili concluiu sua fala grosseira com a afirmação de que o resultado do ataque teria sido que as pessoas lamentarem o fato de a bomba não ter atingido o ex-presidente. Há duas semanas, a Polícia Civil investiga o atentado, ainda sem resultados.

A interpelação judicial é um procedimento anterior à ação judicial, com o objetivo de oferecer a Gentili a oportunidade de explicar suas palavras, provar suas afirmações ou se retratar. Os advogados do Instituto apresentaram seis perguntas que gostariam de ver respondidas por ele:
- A conta @DaniloGentili pertence ao suposto humorista?
- O comentário publicado nesse perfil é de autoria de Gentili?
- Mais alguém participou da elaboração desse comentário?
- Gentili tem algum elemento de prova de que o atentado ao Instituto teria sido forjado? Se sim, qual?
- Qual foi a intenção de dizer que o atentado foi forjado?
- Gentili confirma o comentário ou gostaria de se retratar?
A partir da resposta do apresentador serão avaliadas as possibilidades de processo cível ou criminal contra Gentili.
José Chrispiniano e Gabriella Gualberto - Assessoria de Imprensa do Instituto Lula

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Na semana passada, a entidade já havia ingressado com três queixas-crime contra caluniadores. "O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, abriram três queixas-crime contra autores de calúnias contra eles. Os alvos das medidas judiciais são o deputado federal Domingos Sávio (PSDB-MG), o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani (PSDB), e os repórteres da revista 'Veja' responsáveis pela reportagem de capa da edição de 25 de julho passado", informou o Instituto Lula em nota publicada em 6 de agosto, que detalhou as ações judiciais:


"O ex-presidente é autor de queixa-crime contra Robson Bonin e Adriano Ceolin, repórteres de 'Veja'. Eles são autores das reportagens de capa da edição nº 2436 da revista, em que pretensa reportagem afirma que uma delação premiada estaria próxima de envolver Lula na Operação Lava Jato. Aquele que seria o autor da delação, o empreiteiro Leo Pinheiro, negou integralmente as informações no mesmo dia da publicação de 'Veja' por meio de nota de seus advogados, e o texto não expôs nenhuma evidência concreta para sustentar as afirmações difamatórias que publicou e divulgou com grande estardalhaço por meio de publicidade física e nas redes sociais".

Já em relação ao deputado, a ação se refere às mentiras do tucano em entrevista ao programa de rádio "Bom dia Divinópolis", em fevereiro de 2015. Na ocasião, Domingos Sávio afirmou que o filho do ex-presidente enriqueceu de maneira ilícita e possui fazendas. A decisão de mover a ação penal foi tomada depois que o parlamentar teve oportunidade de se retratar perante o Supremo Tribunal Federal (STF), mas preferiu insistir em divulgar mentiras contra o filho de Lula. Já o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani, publicou mentiras em sua página no Facebook, afirmando que o BNDES "financia a Frioboi, que pertence ao Lulinha, e paga cachês milionários para o ator Tony Ramos para vender em rede nacional sua carne financiada com recursos de saúde educação".

A conferir como irão se comportar Danilo Gentili e os bravateiros tucanos. Será que eles seguirão o exemplo do valentão Ronaldo Caiado. Segundo o blog "Diário do Centro do Mundo", o ruralista do DEM já ensaia um recuo temendo as consequências das suas calúnias. "Caiado chamou Lula de 'bandido frouxo'. Lula foi à Justiça. Caiado terá que se explicar num processo no STF cujo relator é Fachin. Ao jornalista Lauro Jardim, da Veja, ele disse qual vai ser sua linha de argumentação. Tente encontrar alguma explicação para o 'bandido frouxo'. Não há nenhuma. É um caso clássico em que a resposta não tem nada a ver com a pergunta. Eis o que afirmou Caiado a Lauro Jardim:

"Saí em defesa dos manifestantes que se preparavam a ir às ruas no dia 15 de março. Vou exercer o meu direito de defesa e reiterar o que sempre disse: como um dos líderes da oposição no Senado Federal não admitirei qualquer tentativa de intimidação do cidadão brasileiro ao seu direito de se manifestar por movimentos supostamente sociais ou milícias ligadas ao PT". O que tudo isso tem a ver com "bandido frouxo"? O argumento de Caiado faria sentido apenas caso o relator de seu processo fosse Gilmar Mendes".


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