sexta-feira, 15 de novembro de 2013

o fedor do julgamento político... o carapááálida não consegue tirar o cheiro búburú das mãos


Blog da Cidadania



“Num tempo

Página infeliz da nossa história

Passagem desbotada na memória

Das nossas novas gerações

Dormia

A nossa pátria mãe tão distraída

Sem perceber que era subtraída

Em tenebrosas transações”
Vai Passar (Chico Buarque)


O Brasil amanheceu pior do que ontem. A partir de agora, torna-se oficial o que, até então, era uma tenebrosa possibilidade: cidadãos brasileiros estão sendo privados de suas liberdades individuais apenas pelas ideologias político-partidárias que acalentam.

A “pátria mãe tão distraída” foi “subtraída em tenebrosas transações” entre grupos políticos partidários e de comunicação e juízes politiqueiros.

Na foto que ilustra este texto, o leitor pode conferir o único patrimônio de um político que foi condenado pelos crimes de “corrupção ativa e formação de quadrilha” pelo Supremo Tribunal Federal em 9 de outubro de 2012.

Junto com ele, outros políticos ou militantes políticos filiados ao Partido dos Trabalhadores, todos com evoluções patrimoniais modestas diante dos cargos que ocupavam na política.

José Dirceu, José Genoino, João Paulo Cunha e Henrique Pizzolato tiveram suas prisões decretadas com base em condenações por uma Corte na qual, ao longo de sua existência secular, jamais políticos de tal importância foram condenados.

A condenação desses quatro homens, todos de relevância político-partidária, poderia até ser comemorada. Finalmente, políticos começariam a responder por seus atos. Afinal, até aqui o STF sempre foi visto como a principal rota de fuga dos políticos corruptos.

Infelizmente, a única condenação a pena de prisão que aquela Corte promulgou contra um grupo político foi construída em cima de uma farsa gigantesca, denunciada até por adversários políticos dos condenados, como, por exemplo, o jurista Ives Gandra Martins, que, apesar de suas divergências com o PT, reconheceu que não houve provas para condenar José Dirceu, ou como o formulador da teoria usada para condenar os réus do mensalão, o alemão Claus Roxin, que condenou o uso que o STF fez de sua revisão da teoria do Domínio do Fato.

Dirceu e Genoino foram condenados por “formação de quadrilha” e “corrupção ativa” apesar de o primeiro ter estado infinitamente mais distante dos fatos que geraram o “escândalo do mensalão” do que estão Geraldo Alckmin e José Serra dos escândalos Alston e Siemens, por exemplo.

Acusaram e condenaram Dirceu apesar de, à época dos fatos do mensalão, estar distante do Partido dos Trabalhadores, por então integrar o governo Lula. Foi condenado simplesmente porque “teria que saber” dos fatos delituosos por sua importância no PT.

Por que Dirceu “tinha que saber” das irregularidades enquanto que Alckmin e Serra não são nem citados pelo Ministério Público, pela Justiça e pela mídia como tendo responsabilidade direta sobre os governos nos quais os escândalos supracitados ocorreram?

O caso Genoino é mais grave. Sua vida absolutamente espartana, seu microscópico patrimônio, sua trajetória ilibada, nada disso pesou ao ser julgado e condenado como um “corruptor” que teria usado milhões de reais para “comprar” parlamentares.

O caso João Paulo Cunha é igualmente ridículo, em termos de sua condenação. Sua mulher foi ao banco sacar, em nome próprio, com seu próprio CPF, repasse do partido dele para pagar por uma pesquisa eleitoral. 50 mil reais o condenaram por “corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro”.

O caso mais doloroso de todos, porém, talvez seja o de Henrique Pizzolato, funcionário do Banco do Brasil, filiado ao PT e que, por ter assinado um documento que dezenas de servidores da mesma instituição também assinaram sem que contra eles pesasse qualquer consequência, foi condenado, também, por “corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro”.

Isso está acontecendo em um país em que se sabe que dois governadores do PSDB de São Paulo, apesar de ter ocorrido em suas administrações uma roubalheira de BILHÕES DE REAIS, não são considerados responsáveis por nada.

Isso está acontecendo em um país em que um político como Paulo Maluf, cujas provas de corrupção se avolumam há décadas, jamais foi condenado à prisão.

Isso está acontecendo em um país em que um governador como Marconi Perillo, do PSDB, envolveu-se até o pescoço com um criminoso do porte de Carlinhos Cachoeira, foi gravado em relações promíscuas com esse criminoso e nem acusado foi pelo Ministério Público.

Isso está acontecendo, finalmente, no mesmo país em que os ex-prefeitos José Serra e Gilberto Kassab toleraram durante anos roubalheira dentro da prefeitura e quando essa roubalheira de MEIO BILHÃO de reais vem à tona, a mídia e o Ministério Público acusam quem mesmo? O PT, claro.

Já entrou para o imaginário popular, portanto, que, neste país, cadeia é só para pretos, pobres, prostitutas e, a partir de agora, petistas.

No Brasil, as pessoas são condenadas com dureza pela “justiça” se tiverem mais melanina na pele, parcos recursos econômicos, se venderem o que só pertence a si (o próprio corpo) para sobreviver ou se tiveram convicções políticas que a elite brasileira não aceita.

A condenação de alguém a perder a liberdade por suas convicções políticas, porém, é mais grave. É característica das ditaduras, pois a desigualdade da Justiça com os outros três pês deriva de falta de recursos para se defender, não de retaliação a um ideário.

Agora, pois, é oficial: você vive em um país em que se deve ter medo de professar e exercer suas verdadeiras convicções políticas, pois sabe-se que elas expõem a retaliações ditatoriais como as que levarão para cadeia homens cuja culpa jamais foi provada.

*

Abaixo, charge do cartunista Vitor feita especialmente para este post


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Honras ao Presidente Jango


Quase 50 anos: todas as honras ao presidente Jango

14 de Novembro de 2013,



Blog do Freitas



31/03/1964 a 14/11/2013. Quase 50 anos. Quanta coisa cabe dentro de 50 anos. Um golpe, uma revolução redentora, uma guerrilha. Uma abertura lenta, gradual e segura. Um monte de mentiras. Muitas mortes. O arbítrio. A esperança. A biografia de um homem rebaixada ao mesmo nível de qualidade do papel inferior no qual se imprime os jornais. Sonhos. A realidade dura. Mas, sobretudo, cabe a chance de se olhar para trás e avaliar com mais segurança os erros do passado. O Brasil fez isso hoje. A maior parte dos brasileiros também. E aqueles que ainda quiserem insistir no erro, vejam esta imagem. É uma imagem que condensa 50 anos em um flash. Todas as honras ao presidente Jango.






Foto: Marcello Casal Jr./ABr


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a mesma mídia golpista que deu um tiro em Getúlio, golpeou Jango... a mesma mídia golpista


Jango, Dirceu e as batalhas da história


publicada quinta-feira, 14/11/2013 às 21:48 e atualizada quinta-feira, 14/11/2013 às 21:35


Escrevinhador




Corpo de Jango, recebido com hornras em Brasília: a história em disputa

por Rodrigo Vianna


Quis o destino que o corpo do presidente João Goulart chegasse a Brasília no mesmo dia em que o Supremo Tribunal Federal concluiu etapa substancial do julgamento do “Mensalão” – o que deve levar ex-dirigentes petistas para a cadeia, entre eles o ex-ministro José Dirceu.

Dilma emocionou-se ao lado da viúva de Jango, na homenagem ao presidente deposto. De alguma forma, Dilma é a ponte entre duas tradições políticas: o trabalhismo de Vargas/Jango/Brizola e o PT. Ao fim da ditadura (depois de pegar em armas, sendo presa e torturada), Dilma escolheu o PDT de Brizola para atuar politicamente. Dilma já fez elogios abertos a Jango e à tradição brizolista.

Curioso que o PT tenha surgido nos anos 70/80 com um discurso de crítica à herança trabalhista. Mas, no poder, Lula aproximou-se da simbologia e das tradições varguistas. Curioso também pensar que, se o “Mensalão” não tivesse existido, hoje o presidente talvez não fosse Dilma, mas exatamente o ex-ministro agora ameaçado de prisão. “Se”. Se Gighia não tivesse acertado aquele chute rente à trave, o Brasil não teria perdido do Uruguai em 1950… Como dizem os comentaristas, não existe “se” no futebol. Nem na política. Nem na vida.

Ainda assim, é possível estabelecer paralelos entre os ataques sofridos pelo PT e o lulismo e aqueles desferidos contra Vargas e Jango. Vargas – não resta dúvida – foi um ditador nos anos 30 e 40. Mas em 1950 voltou ao poder como líder democrático, e foi acuado pelo conservadorismo a serviço dos Estados Unidos. Lacerda tentou cobrir Vargas com o “mar de lama”. Nos anos 50, o discurso udenista sustentava que Vargas comandava um governo corrupto. Contra Jango, em 1964, pesavam as mesmas acusações, e ele ainda era apontado como líder de uma certa “República Sindicalista”.

Vargas deu um tiro no peito em 1954, dentro do Palácio. Jango foi derrubado por um golpe. Na época, a imprensa golpista comemorou: “Escorraçado, amordaçado e acovardado, deixou o poder como imperativo de legítima vontade popular o Sr João Belchior Marques Goulart, infame líder dos comuno-carreiristas-negocistas-sindicalistas” - era o que dizia a “Tribuna da Imprensa”, jornal de Carlos Lacerda.

Mentira, claro. Jango tinha apoio popular – era o que indicavam as pesquisas às vésperas do golpe, como mostra Jorge Ferreira, em excelente livro sobre Jango. A imprensa golpista de 64 criou o clima de caos e deu a impressão de que todos queriam o golpe. Jango não saiu “escorraçado” do poder. Foi derrubado.

“O Globo” também curtiu e compartilhou a ditadura: “Ressurge a Democracia! Vive a Nação dias gloriosos” – dizia editorial de Roberto Marinho. Aqui, na Carta Maior, você lê outros textos publicados por nossa brava imprensa democrática, nos dias seguintes ao golpe.

Certos setores de esquerda cultivaram durante anos a tese de que Jango foi “covarde” por não reagir ao golpe. Quem acompanhava de perto o presidente deposto diz que ele estava preocupadíssimo com uma possibilidade: se resistisse, daria aos golpistas a desculpa para pedir a intervenção dos Estados Unidos. Numa conversa recente, o jornalista Mauro Santayanna disse a um grupo de blogueiros que teve o prazer de ouvi-lo: “Jango temia a divisão física do Brasil”. Assim como haviam feito na Koreia (e como fariam depois no Vietnã), os EUA poderiam intervir e dividir o Brasil em dois. Jango preferiu manter a integridade territorial brasileira. Teoria conspiratória?

Durante anos, a ideia de que Jango teria sido envenenado em 1976 (durante o exílio) também parecia uma “teoria conspiratória”. Por insistência da família Goulart, o Brasil finalmente vai tentar descobrir a verdade. Foram muitos anos, e talvez os traços de um suposto veneno já não possam ser encontrados. Mas o governo Dilma toma uma atitude de imenso valor simbólico. O corpo exumado em São Borja (RS) foi levado a Brasília.

Jango “acovardado-escorraçado” dizia Lacerda. Jango estadista, recebido com honras de chefe de Estado. A história se escreve lentamente. O passado está sempre em disputa.

Dirceu, em algumas horas, pode ser preso como símbolo do “maior escândalo da história” – como dizem os mesmos jornais golpistas de 64. A imprensa podre quer mostrar Dirceu algemado, humilhado – da mesma forma que Lacerda tentou humilhar o presidente deposto em 64.

Leia a matéria completa »

concordo!


JANGO NÃO
FOI DEPOSTO


O ansioso blogueiro participou da solenidade em que os restos mortais de João Goulart foram recebidos em Brasília.


Conversa Afiada





Dilma e Maria Tereza, honra a um chefe de Estado (Foto: Ricardo Stuckert)



A convite da Presidenta Dilma Rousseff, o ansioso blogueiro participou da solenidade em que os restos mortais do grande presidente João Goulart foram recebidos na Base Aérea em Brasília com honras de chefe de Estado.

Representantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica entregaram para a Presidenta – para que passasse às mãos da viúva D. Maria Tereza Goulart – a bandeira nacional.

Na comovente homenagem, com a presença dos Ministros e da família, além dos ex-Presidentes José Sarney, Fernando Collor e Luis Inácio Lula da Silva, o ansioso blogueiro ouviu do Presidente do Senado, Renan Calheiros, providências que serão brevemente tomadas.

Será rasgada a ata da sessão em que o então presidente paulista do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República, enquanto Jango ainda estava em território nacional.

Este foi o gesto que “legalizou” o Golpe militar.

A sessão, portanto, deixará de existir.

Logo, Jango não foi deposto e o Marechal Castelo Branco, primeiro Presidente do ciclo militar, deixará de ser Presidente para se tornar o que sempre foi: um gorila golpista.

Ele e seus sucessores da mesma estirpe.

Outro ato que se avizinha é a consagração do Plenário do Senado como Plenário João Goulart.

Como vice-Presidente da República, segundo a Constituição de 1946, Jango presidiu o Senado por seis anos.

Na Câmara, o Plenário se chama Ulysses Guimarães.

Clique aqui para ler no Blog do Planalto “Dilma: Homenagem a Jango é uma afirmação da nossa democracia”.

A Presidenta Dilma Rousseff perguntou ao ansioso blogueiro: “por que você está aqui ?”.

Resposta do ansioso blogueiro:

“Porque eu sou Castilhista, Borgista, Getulista, Janguista, Brizolista, Lulista e Dilmista, NESTA ORDEM”.

Ela caiu na gargalhada e disse: “Você é o máximo !”.


NAVALHA



O deputado Anthony Garotinho, que nasceu e morrerá Brizolista, lamentou que o ansioso blogueiro não tivesse incluído na lista o trabalhista Alberto Pasqualini.

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, acrescentou dois nomes à lista: José Bonifácio de Andrade e Silva e Floriano Peixoto.

O ansioso blogueiro concorda com os dois.




Paulo Henrique Amorim





Clique aqui para ler, no Blog do Planalto, “Dilma: Homenagem a Jango é uma afirmação da nossa democracia”.



Castilhos e Medeiros: Velho Testamento

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

O Homem que foi derrubado por suas virtudes!


Exumação de Jango transcorre como esperado, dizem peritos e familiares



SUL 21





| Foto: Claudio Fachel/Palácio Piratini


Da Rede Brasil Atual – RBA



Iniciada na manhã desta quarta-feira (13), na pequena cidade gaúcha de São Borja, a exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart transcorre conforme esperado, disse o perito da Polícia Federal Amaury de Souza Júnior, coordenador dos trabalhos. O neto de Jango, Christopher Goulart, porta-voz da família, ratificou a versão do especialista. O otimismo se deve principalmente ao fato de que não havia água acumulada no interior da sepultura – o que poderia dificultar a análise forense.

“O temor de que pudesse haver grande umidade e até água lá dentro, em função da chuva dos últimos dias, não se confirmou, o que é muito bom”, afirmou Christopher ao jornal Zero Hora, de Porto Alegre, na manhã de hoje. “Por enquanto, está melhor do que se esperava. O trabalho está sendo feito de forma muito profissional. Vi tudo pela tela, mas entrei lá três vezes. Estavam todos lá dentro, muito envolvidos.”

Antes de retirar da sepultura os restos mortais de Jango, os peritos retiraram gases de dentro do jazigo de mármore negro da família Goulart. O procedimento é necessário para evitar a perda de material, que poderia reagir e se perder em contato com o ar. Assim como os despojos do ex-presidente, os gases serão levados ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, para pesquisa.

“Abrimos a tampa do jazigo, fizemos a identificação e tudo está de acordo com o que esperávamos. Estamos agora em um processo de coleta de material gasoso na sepultura. Isso é um processo normal, que faz parte da metodologia”, explicou à imprensa o perito Amaury de Souza Júnior durante o andamento dos trabalhos. “Queremos eliminar qualquer possibilidade de perda de material.”

A previsão é que os restos mortais de Jango sejam enviados ainda nesta quarta-feira para a base aérea de Santa Maria, também no Rio Grande do Sul, onde embarcarão em um avião da Força Aérea Brasileira e levados a Brasília. Os trabalhos de perícia terão início na sexta-feira (15) por uma equipe da Polícia Federal. Os especialistas brasileiros serão assessorados por antropólogos forenses argentinos, uruguaios e um cubano, que participou da exumação do líder revolucionário Ernesto Che Guevara.

A exumação de João Goulart é um pedido antigo da família que finalmente se concretizou devido ao apoio da Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República e da Comissão Nacional da Verdade (CNV). O objetivo é tentar acabar com as dúvidas em torno da morte de Jango. O motivo oficial de seu óbito, ocorrido em 1976 no exílio argentino, é ataque cardíaco. Contudo, uma série de indícios – entre eles, as atividades da Operação Condor – aponta para envenenamento.

O corpo de Jango será recebido em Brasília nesta quinta-feira (14) com as honras de chefe de Estado que o gaúcho nunca teve após sua deposição. A presidenta Dilma Rousseff recepcionará a urna com os restos mortais do líder trabalhista. Com a exceção de Fernando Henrique Cardoso, que se recupera de um problema de saúde, e de Itamar Franco, já falecido, todos os presidentes da redemocratização devem assistir à cerimônia: José Sarney, Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva.

Ontem (12), os ministros da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, e da Justiça, José Eduardo Cardozo, estiveram em São Borja para participar de uma audiência pública com a comunidade local. Como os são-borjenses temem que os restos mortais de Jango jamais regressem ao Cemitério da Paz, onde também se encontram os corpos de Getúlio Vargas e Leonel Brizola, os ministros tiveram de assinar um termo de responsabilidade em que se comprometem com a devolução dos despojos.

Goulart deve retornar à cidade no próximo dia 6 de dezembro, quando se completam 37 anos de sua morte. Desta vez, terá um enterro repleto de homenagens. Quando morreu, em plena ditadura, o regime apressou seu sepultamento e impediu honrarias oficiais. O corpo do ex-presidente veio da Argentina sob vigilância das Forças Armadas.

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, também se dirigiu a São Borja para acompanhar a exumação. “A conversa com a família foi afetiva, com a intenção de rememorar as relações institucionais que tínhamos. Este momento coroa a integração da minha vida política com este grande líder. Ele foi derrubado pelas suas virtudes e não pelos seus defeitos”, disse ao jornal Correio do Povo.

Assim como a ministra dos Direitos Humanos, Tarso destacou a exumação do corpo de Jango como um “resgate histórico” da memória do ex-presidente. “Estive aqui para representar o povo gaúcho e estabelecer contato com a família. O direito dos familiares em saber a verdade sobre a morte do ex-presidente é o princípio elementar da minha presença aqui em São Borja.”

nenhuma novidade em terras de casa grande e senzalas

Lúcia Garcia: “Não basta para o negro ampliar sua escolaridade”

publicado em 12 de novembro de 2013 às 22:42





por Luiz Carlos Azenha

O Brasil precisa de uma ampla campanha de valorização cultural do trabalho dos negros, se quiser superar as disparidades salariais entre negros e não negros observadas na mais recente pesquisa do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, o Dieese.

A avaliação é de Lúcia dos Santos Garcia, que comandou a equipe de cerca de 500 pesquisadores que, durante o ano de 2013, ouviu mais de 600 mil trabalhadores nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador, São Paulo e Distrito Federal, na Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) do Dieese. Um recorte da pesquisa, analisando a situação dos negros no mercado do trabalho, será divulgado nesta terça-feira.

A pesquisa constatou que os negros (e pardos) recebem bem menos por hora trabalhada que os brancos independentemente da escolaridade. Sim, você ouviu bem: INDEPENDENTEMENTE da escolaridade. Em média, a hora trabalhada do negro/pardo vale 63,8% da hora trabalhada do branco.
Os pardos, assim definidos a partir da observação dos pesquisadores (em menor escala, por autodeclaração), foram agregados aos negros por serem tão vítimas de preconceito/discriminação quanto.

Mas, de onde vem a diferença?

Segundo os dados levantados pela pesquisa, do fato de que negros e pardos ocupam majoritariamente os postos de trabalho na base da estrutura produtiva, empregos que exigem, segundo Lúcia, “menor potencialidade cognitiva, baixa intensidade de conhecimento, são mais difíceis, perigosos e repetitivos, exigem força física e pouca decisão ou criatividade”.
Exemplos?

Analisem os quadros abaixo:




Lúcia dos Santos Garcia trabalha na PED desde 1994.

A partir dos dados que coletou nos últimos anos, constatou que a escolaridade aumenta, com certeza, a renda do negro, mas não diminui a desigualdade com os brancos.
Por que?

Ela acredita que o preconceito persistente tem formas insidiosas e subterrâneas de se manifestar, de tal forma que atropela toda a legislação vigente e dificulta a ascensão dos negros e pardos em suas carreiras. Embora isso não tenha sido objeto da pesquisa, Lúcia está certa de que o fato de que a maioria dos empregadores é branca é fator importante. Haveria uma “naturalização” da ideia de que o trabalho do negro é inferior, justificando assim salários menores independentemente do setor da economia ou da escolaridade.

Em São Paulo, segundo dados da pesquisa, enquanto 18,1% dos brancos chegam a cargos de direção e chefia, para negros e pardos o percentual é de 5,7%.

Lúcia destaca que é senso comum entre os brasileiros que o trabalho dos imigrantes brancos estrangeiros deu grande contribuição à construção do país, mas não se diz o mesmo daqueles que efetivamenteconstruiram desde sempre o Brasil.

Por isso, além de defender as cotas para empregos — por exemplo, de funcionários públicos — a pesquisadora propõe campanhas de valorização do trabalho do negro, da mesma forma que se fez para superar preconceito e discriminação homoafetiva ou contra as mulheres.

A contribuição fundamental dos negros para a construção do Brasil, diz ela, “precisa ser dita, repetida, trabalhada nas escolas, com as novas gerações”. Políticas afirmativas, no caso brasileiro, não são suficientes: é preciso lidar com a herança cultural do escravismo, que se expressa no fato de que um negro/pardo com diploma superior continua ganhando cerca de 60% do valor de uma hora trabalhada por um branco.

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Clique abaixo para ouvir as duas partes da entrevista. Ela começa com uma boa notícia: a taxa de desemprego dos negros/pardos está ficando mais próxima da taxa de desemprego dos brancos.
No pé do post, os gráficos da pesquisa.




o Brasil é o Oriente Médio... se engane quem quiser... 2014 é sobre o Petróleo do Novo Oriente Médio


ANP CONFIRMA O TIJOLAÇO:
FRANCO É IGUAL A LIBRA.
OU MAIOR


O Brasil é um Oriente Médio !


Conversa Afiada





O Conversa Afiada reproduz artigo de Fernando Brito, do Tijolaço:



ANP CONFIRMA O QUE DISSEMOS: FRANCO É IGUAL A LIBRA. OU MAIOR


A diretora da Agência Nacional de Petróleo, Magda Chambriard, confirmou à Agência Reuters o que o Tijolaço havia publicado no dia 4: o campo de Franco, entregue à Petrobras como área da “cessão onerosa”, durante o processo de capitalização da empresa, em 2010 é equivalente ou ainda maior que o megacampo de Libra, o maior do mundo entre os identificados atualmente.

“Se vocês olharem os comunicados a investidores que a Petrobras fez de poços em Franco, vocês vão ver que as espessuras são muito grandes, e se compararem com os 326 metros de coluna de óleo em Libra, posso dizer que pelo menos um (poço de Franco) é maior que isso”

O poço a que Magda se refere é o 3-BRSA-1053-RJS, o quarto perfurado na área de Franco, que tem uma coluna de rochas impregnadas de petróleo de 371 metros, quase 50 metros mais espessa que Libra. Todas as colunas registradas nos outros poços,que delimitaram o polígono do campo, ficaram próximo ou acima de 300 metros de espessura.

Foi por isso que fizemos a afirmação sobre o tamanho do campo de Franco e, pela mesma razão, apostamos ontem que as reservas de Iara são maiores que os 3 ou 4 bilhões de petróleo estimados inicialmente, porque seus reservatórios têm cerca de 310 metros de espessura.

Nem sempre a espessura da coluna ser grande representa que o campo seja gigante, mas neste caso a camada de rocha carbonática onde se acumula o petróleo – não existe, no pré-sal, um “lago subterrâneo de óleo, mas petróleo espalhado em poros e espaços entre as rochas – é a mesma, com espaços de acumulação semelhantes por um mesmo volume.

Agora vai começar uma batalha. O contrato de cessão onerosa dá à Petrobras o direito de explorar até cinco bilhões de barris nesta e em cinco outras áreas. Só Franco terá o dobro destes cinco bilhões e a Petrobras e a União terão de, provavelmente, negociar a partilha e o preço da exploração para a ampliação destes limites.

Pode-se optar por uma extensão do volume contratado, nas mesmas condições, ou negociar uma cota de participação estatal semelhante ou superior à de Libra, na casa dos 80% do lucro líquido – incluídos royalties e excluídos os custos de produção.

E a Petrobras vai ter de se virar atrás de parcerias financeiras para viabilizar essa exploração.

Mas, neste caso, há uma vantagem sobre Libra, além de já haver uma delimitação mais avançada sobre os pontos onde deverão ser feitas as dezenas de perfurações necessárias.

É que Franco produzirá seu primeiro óleo em 2016 e, com isso, é capaz de gerar parte dos recursos para a continuidade de sua própria exploração.

É cedo, porém, para se fazer avaliações definitivas. A Petrobras vai refazer suas estimativas – realistas – de recuperação de óleo de Franco. Porque a gente sabe o que a ANP, por defeito genético fernandista, gosta mesmo de fazer com o nosso petróleo: leiloar.




Clique aqui para ler “Pré-sal: o Brasil vai ser maior que o Oriente Médio”

Quem quiser se enganar que se engane... a eleição de 2014 é sobre o Pré-Sal




Brasil agregará mais petróleo ao mundo até 2025 do que o Oriente Médio


13 de novembro de 2013 | 10:25


Quem quiser se iludir, que se iluda.

Pode ficar achando que a mídia está preocupada com a receita da Petrobras ao defender o aumento – necessário, aliás – dos preços dos combustíveis.

Ou que a turma do “vende-país” que se assanha para voltar, de carona com Aécio Neves ou Eduardo Campos – tanto faz, como diz FHC – é que sabe fazer “leilão bão”.

Ou ainda que não insuflam os bem intencionados – mas ingênuos – que acham que se pode deixar o petróleo dormindo lá no pré-sal, esperando que o Divino Espírito Santo nos arranje o dinheiro para explorarmos sozinhos, com tudo o que isso envolve de centenas de bilhões de dólares de investimento.

Agora, que quiser entender, de verdade, o que está por detrás dessa história, olhe o gráfico acima, divulgado ontem pela Agência Internacional de Energia, em seu relatório anual. A Agência, um órgão da ONU, é aquela em que ficou famoso o egipcio Mohammed El-Baradei, durante a invasão do Iraque,

Sim, é isso mesmo que você está vendo lá nos dados: o Brasil vai contribuir MAIS que o Oriente Médio no crescimento da produção de petróleo mundial até 2025. E o resto do mundo tem previsão de queda na produção.

Entendeu? Vamos ser mais importantes para suprir o crescimento da demanda de petróleo do que a Arábia Saudita, do que o Iraque, do que o Irã, do que o Kuwait somados!

Será que você se recorda do quanto foi investido em guerra, armamento, sabotagem e intervenção nestes países nos últimos 30 anos?

Será que aqui não vale uns tostõezinhos para quem gastou tanto, em dólares e em vidas humanas, para garantir seu suprimento de petróleo?

A partir daí, meu preclaro amigo e minha arguta amiga, deixo por sua conta imaginar.

Só digo ainda dus coisas, apoiado neste segundo gráfico.





A primeira é de que previsão da AIE para o Brasil é modesta e conservadora, sobretudo no segundo período, de 2025 a 2035. O potencial de nosso pré sal é maior que esse e nem está integralmente revelado.

A segunda é para tomar cuidado com a conversa de “fontes limpas” de energia que, embora seja correta e deva ser perseguida por todos os países – e são os ricos que mais resistem a essa obrigação – é usada, com frequência, com a mesma hipocrisia com que se fala da Amazônia, depois de terem devastado as florestas de seus próprios países.

Nossa matriz energética para a geração de energia elétrica é e será muito, mas muito menos, poluidora do que a do restante do mundo, sobretudo a dos países desenvolvidos, que são verdes só no quintal dos outros, depois de terem cimentado os seus.

A poluição é um fato econômico e, como todos os fatos econômicos tem um lado perdedor e um ganhador. O perdedor somos toda a humanidade, mas o ganhador sabemos muito bem quais são.


Por: Fernando Brito

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

“O branco encontra-se escanteado”.


A direita burra: os que caíram na pegadinha do "Guinada à direita" de Antonio Prata


O Pensador da Aldeia





A caixa de pandora aberta por Antonio Prata e sua falsa guinada à direita


por Kiko Nogueira




Caralho. Esse tem culhão.”


A reação do roqueiro Roger, no Twitter, ao artigo de Antonio Prata na Folha foi entusiasmada. Prata escreveu uma coluna chamada “Guinada à Direita”. Confessava que, às vésperas de completar 40 anos, havia tomado juízo e arejado as ideias.


“A rubra súcia domina o governo, as universidades, a mídia, a cúpula da CBF e a Comissão de Direitos Humanos e Minorias, na Câmara. O pensamento que se queira libertário não pode ser outra coisa, portanto, senão reacionário”, escreveu.


“Quando terroristas, gays, índios, quilombolas, vândalos, maconheiros e aborteiros tentam levar a nação para o abismo, ou os cidadãos de bem se unem, como na saudosa Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que nos salvou do comunismo e nos garantiu 20 anos de paz, ou nos preparemos para a barbárie”.


Mais: “O branco encontra-se escanteado”.


“Contra o poder desmesurado dado a negros, índios, gays e mulheres (as feias, inclusive), sem falar nos ex-pobres, que agora possuem dinheiro para avacalhar, com sua ignorância, a cultura reconhecidamente letrada de nossas elites, nós, da direita, temos uma arma: o humor.”


E ainda: “No pé que as coisas estão é preciso não apenas ser reacionário, mas sê-lo de modo grosseiro, raivoso e estridente. Do contrário, seguiremos dominados pelo crioléu, pelas bichas, pelas feministas rançosas e por velhos intelectuais da USP”.


Era uma farsa. Uma boa provocação. Ainda que o autor tivesse deixado de ser, como dizia, meio intelectual, meio de esquerda, aquilo era um evidente exagero apocalíptico.

Mas a reação ao amontoado de clichês direitosos foi espantosa. Prata teve de escrever no Painel do Leitor que estava sendo irônico. “A intenção, ao criar tal persona retrógrada, racista, machista e homofóbica, era apontar tais preconceitos em nossa sociedade. Parece que funcionou, pois a maioria dos e-mails equivocados que recebi me parabenizava pela ‘coragem’ de ‘assumir’ essas deprimentes opiniões”.

Roger (que virou motivo de piada pelo tuíte animadão) não estava sozinho. Centenas de pessoas se sentiram à vontade para disparar obtusidades do mesmo quilate.

Na seção de cartas:

“Realmente é essa gentalha, protegida por um poder totalitário instalado em nossa nação há mais de uma década, que impede o pleno desenvolvimento do país. Parabéns. Aguardo ansioso por novas colunas raivosas.”

No Facebook:

“Ele diz que os índios lá estão, agora, improdutivos e nus, catando piolho e tomando 51. Cade a ironia ai? Por acaso alguém já viu algum índio produzir algo útil e bom para a sociedade nas terras deles?”


“A mídia não fala nada sobre a implantação do comunismo no Brasil que vem sendo desenvolvida a (sic) mais de 30 anos no Foro de São Paulo”.


“Sim, o mundo tá sendo dominado por gays, pois a mídia tá empurrando isso goela abaixo na sociedade. Com mensagens subliminares, lavagem cerebral. Por quê? Pq tem gente assim por trás da mídia. Imagina se a maioria dessa pessoas fossem pedófilas? Ou se fossem necrófilas?”.


“O único poder capaz de impedir que o comunismo se instale no Brasil e não nos torne escravos são os militares”.


“Não importa se é ou não um texto irônico, o importante é que tudo isso que foi dito é verdade! O pior cego é aquele que não quer ver!”


E por aí afora. Prata abriu uma caixa de pandora. Eu me lembrei do filme “A Onda”.

Conhece? Se passa numa escola na Alemanha. Os alunos têm de escolher entre duas disciplinas: anarquia e autocracia. O professor Rainer Wenger decide formar um modelo de governo fascista na classe para mostrar, na prática, como ele se organiza. Dá o nome de “A Onda” ao movimento. Os jovens escolhem uniforme e saudação.

A coisa se espalha para a cidade. Eles começam a gostar de ser subjugados e de subjugar os outros em nome daquilo. Depois de algumas situações limites, Wenger acha que provou seu ponto e resolve dar sua experiência por encerrada. Claro que aí já é tarde demais.

Prata foi bem ao se explicar. A burrice e a paranóia estão por aí, cheias de amor pra dar, à procura de um motivo. Como naquele aforismo de Charles Colton: “Há fraudes tão bem elaboradas que seria estupidez não ser enganado por elas”.




O ROTEIRO DE UMA HISTÓRIA REAL:






os extremos fracassos do extremismo?



Análise
Emir Sader: extrema esquerda fracassou


publicada terça-feira, 05/11/2013 às 12:45 e atualizada terça-feira, 05/11/2013 às 12:21


Escrevinhador



por Emir Sader na Carta Maior



Quando foram sendo eleitos governos na onda do fracasso e rejeição aos governos neoliberais, predominantes nos anos 1990 na América Latina, ao mesmo tempo foram se reconstituindo as forças de extrema esquerda, na critica desses governos.

Nenhum deles foi poupado, mas inicialmente o governo Lula foi objeto mais concentrado dessas críticas. Motivos não pareciam faltar. Desde a “Carta aos brasileiros”, Lula parecia encaminhar-se para o abandono das teses históricas da esquerda, repetindo a experiência histórica que os trotskistas sempre anunciaram: a social democracia se comporta como força de esquerda, quando está na oposição, mas basta chegar ao governo, para romper com as teses históricas da esquerda, “traindo” a esquerda e os trabalhadores, para se revelar como uma manobra de engano do povo e de continuidade, sob outra forma dos governos da direita.

Uma equipe econômica conservadora, uma reforma regressiva da previdência, discurso tímido – tudo parecia confirmar a tese da “traição”. Cabia, perfeitamente, uma crítica pela esquerda, sobre a questão central do período: a superação do modelo neoliberal, que era feita pela esquerda do PT.

Discutia-se se o governo seguia estando sob disputa entre tendências conservadoras e de esquerda, até que um grupo considerou que era um governo “perdido”, saiu do PT e a fundou um novo partido. O grupo foi rapidamente hegemonizado por trotskistas (da tendência morenista, de origem na Argentina), que enquadravam a evolução do PT no governo no modelo clássico da “traição”.

Porém, ao invés de elaborar uma critica de esquerda e formular alternativas, rapidamente esse grupo pegou carona nas denúncias do “mensalão”, que a mídia lançou contra o PT. Fazendo com que a “traição” tivesse uma conotação de “corrupção”, como sintoma de uma degradação moral do governo.

A líder do grupo, Heloisa Helena, com seu destempero verbal, tratava o governo como “gangue” e com outros epítetos afins, tão ao gosto da classe média. Esse grupo, que supostamente saía pela esquerda para fundar o Psol, rapidamente somava-se, de maneira subordinada à ofensiva da direita contra o governo.

A campanha eleitoral de 2006 foi a consagração dessa aliança tácita: todos contra o governo Lula, inimigo fundamental de uns e dos outros. Nela, o Psol consolidou sua opção pela critica moralista, da “traição” do Lula. Quem trai, se torna cada vez pior, reprime, reproduz exatamente o governo da direita. Dai as armadilhas em que caiu o Psol.

Se concentrou em tentar demonstrar, primeiro, que não teria havido “herança maldita”, desconhecendo totalmente a profunda e prolongada recessão produzida pelo governo FHC e a situação herdada do Estado, do mercado interno, da exclusão social, da precarização das relações de trabalho, entre outras. Pior ainda do que isso, passou a desconhecer – da mesma forma que a direita – as diferenças do governo Lula com o governo FHC, em particular a prioridade das políticas sociais.

Além de que desconhece que a polarização neoliberalismo/antineoliberalismo é o enfrentamento central do período histórico atual e, por isso, desconhece que o governo Lula faz parte do movimento histórico da região de construção de governos posneoliberais. Desconhece o papel dos novos governos latinoameicanos, como único polo mundial de resistencia ao neoliberalismo.

A aliança oportunista com a direita contra o governo Lula se deve à consciência de que só teriam espaço, se o PT fracassasse. Então se somam a essa frente, que toma o governo Lula como seu inimigo fundamental.

A essa aliança se soma a atitude ultra esquerdista de, no segundo turno, entre Lula e Alckmin, ficar equidistante, como se fosse o mesmo que ganhasse um ou outro. Imaginem o Alckmin presidente do Brasil diante da crise de 2008! Bastaria isso para nos darmos conta da posição absurda no segundo turno, mas coerente com a opção feita pelo Psol.

Depois do brilhareco momentâneo das eleições de 2006, em que o desempenho da Heloisa Helena, presidente o partido, chegou a ser vergonhoso, promovida pela Globo para permitir a chegada ao segundo turno, o perfil do partido claramente baixou. Se deram conta que seu projeto de construir uma alternativa nacional tinha fracassado. A candidatura de Marina, que herdou boa parte dos votos de Heloisa Helena, confirmou isso. As posições posteriores da ex-candidata complementaram a imagem de uma pessoa individualista, reacionária em relação a temas como o aborto e a democratização dos meios de comunicação, descontrolada, sem condições de liderar um partido de esquerda.

Enquanto isso, ao invés de ser derrotado, o governo Lula, pelos efeitos das politicas sociais, foi ampliando seu apoio popular, de forma constante, até o fim do governo Lula, permitindo a eleição da Dilma.

O desempenho do candidato do Psol nas eleições seguintes, Plínio de Arruda Sampaio, que contou com muitos espaços na mídia, na mesma busca de votos para chegar ao segundo turno contra o PT, confirmou o fracasso politico do partido, quando teve 1% dos votos, menos até que outros grupos pequenos, com muito menos espaços na mídia. Desde então o partido tem uma postura de marcar posição, sem nunca ter formulado projeto estratégico alternativo para o Brasil, ficando reduzido a uma força do campo de denuncias do “mensalão”.

Enquanto que uma força de esquerda radical deveria, antes de tudo, ter uma analise especifica da sociedade brasileira, do grau de penetração do neoliberalismo, para propor um projeto de superação desse modelo, que articule antineoliberalismo com anticapitalismo. Deveria analisar o governo do PT reconhecendo os avanços realizados e apoia-los, ao mesmo tempo que criticar suas debilidades. Se propor a ser aliado do governo à sua esquerda, nos aspectos comuns e critico nos outros.

Teria que apoiar a política externa do governo, suas politicas sociais, seu resgate do papel ativo do Estado nos planos econômico e social. Que apoiar o conjunto de governos progressistas na região, que protagonizar os processos de integração regional.

Caracterizar o governo como força progressista, força moderada no campo da esquerda, enquanto esse partido seria uma força mais radical do mesmo. Para isso precisaria ter clareza dos inimigos fundamentais, que compõem o campo da direita – EUA, PSDB e seus aliados, a mídia oligárquica, o sistema bancário. Para impedir qualquer risco de se confundir com a direita contra o governo.

Essa via foi inviabilizada pela opção que o Psol assumiu e reafirmou ao longo do governo do PT, isolando-se, sem apoio popular, valendo-se dos espaços que a mídia direitista lhe concede, quando entende que podem prejudicar o governo.
Virou um partido denuncista, de causas corretas e outras duvidosas. Nem sequer valoriza o imenso processo de democratização social que tem transformado positivamente o Brasil na ultima década.

Esse fracasso da extrema esquerda hoje é generalizado nos países de governos progressistas – Venezuela, Argentina, Uruguai, Bolívia, Equador -, com desempenhos mais ou menos similares, mas a mesma incapacidade de compreender a natureza do período histórico neoliberal e o papel progressista que têm esses governos. A extrema esquerda terminou tomando como seus inimigos fundamentais esses governos, aliando-se, tácita ou explicitamente à direita contra eles, abandonando a possibilidade de compor um quadro da esquerda, onde seriam a alternativa mais radical. Ficam isoladas, em posturas denuncistas, sem propostas alternativas. Enquanto que os governos progressistas, a esquerda na era neoliberal, se constituem, em escala mundial, na referência central na luta antineoliberal.




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sErÁ? qUeM vIvEr...


Para derrotar Dilma em 2014, oposições planejam impor o caos no país

Posted by eduguim on 10/11/13 • Blog da Cidadania







Há um fato com o qual praticamente todos os analistas políticos concordam: em uma disputa limpa haverá poucas chances de candidatos da oposição derrotarem a presidente Dilma Rousseff na eleição presidencial do ano que vem. Essa chance só se materializará se a sensação de bem-estar gerada por emprego e renda em alta for anulada.

Mas como anular uma realidade que se faz sentir na veia da maioria dos cidadãos brasileiros, uma maioria hoje inserida na classe média baixa e que, agora, vê filhos se tornando os primeiros universitários da família, que está comprando o primeiro automóvel, que está reformando ou comprando imóveis, que vem tendo sucessivos aumentos de salários?

Em primeiro lugar, os que pretendem tirar o PT do poder após dez longos anos de hegemonia política desse partido sonham com uma ampla frente das oposições de esquerda e direita ao governo Dilma. PSDB, DEM, PSB, PSOL e PSTU vêm mantendo diálogo por meio de interpostas pessoas, acertando pontos mínimos de convergência e uma estratégia comum.

Uma frente formal que reúna partidos aparentemente tão diferentes não é viável. Pegaria mal tanto para o lado esquerdo quanto para o direito. Mas a aliança pode se dar no discurso e nas táticas que serão usadas para tentar anular o bom e velho “feel good factor”, ou “fator sentir-se bem”, em tradução livre.

Mas como fazer o cidadão esquecer que hoje qualquer um consegue emprego em um país em que a escassez de emprego sempre foi tão grande que as empresas pagavam salários de fome até para engenheiros formados? Como fazer o cidadão esquecer do automóvel que agora tem na garagem ou do filho que será o primeiro membro da família a se formar?

Durante as manifestações de rua que se abateram sobre o país ao longo do mês de junho ficou provado que é possível hipnotizar um país inteiro. Diante de um mundo perplexo, o país que mais tem avançado na distribuição de renda, na redução da pobreza, na geração de empregos, no aumento do poder de compra dos salários e que tem resistido à maior crise econômica em cerca de um século parecia um dos países árabes em que ditaduras cruéis foram derrubadas por grandes protestos daqueles povos famintos e sem perspectivas.

A espantosa queda de aprovação de Dilma em um espaço de míseros 30 dias mostrou ser possível, sim, fazer um país esquecer tudo o que conquistou graças aos que o governaram nos últimos dez anos.

Em tese, portanto, bastaria reeditar as tais “jornadas de junho” para derrotar a atual presidente. Os partidos que detêm “tecnologia” para colocar massas nas ruas – PSOL e PSTU, que se valem de todo tipo de gente para inflar protestos, inclusive de neonazistas, punks, skinheads e assemelhados – fariam todo o trabalho e aos partidos de direita bastaria apontar a “insatisfação do país” com “esse governo”.

Enquanto a oposição de esquerda enche as ruas com militantes de esquerda e psicopatas de direita para forjar “insatisfação generalizada”, a de direita usaria os grupos de mídia que a apoiam para desacreditar o Brasil no exterior com olhos na possibilidade (real) de uma reviravolta na crise internacional que tiraria os países ricos da linha de tiro e colocaria países em desenvolvimento.

Recentemente, o colunista da Folha de São Paulo Demétrio Magnoli citou uma “tempestade perfeita” que despencaria sobre o Brasil no ano que vem e que anularia o “feel good factor”.

Em tese, a “tempestade perfeita” de Magnoli consistiria em os Estados Unidos subirem as taxas de juros, hoje praticamente zeradas com vistas a estimular o crescimento de uma economia doente. Com esse aumento de remuneração do capital nos EUA, haveria uma fuga de dólares do Brasil e, com menos dólares na praça, o real se desvalorizaria, gerando inflação.

Enquanto os black blocs estivessem apavorando e espantando turistas e fazendo o Brasil passar vexame em plena Copa do Mundo, possivelmente afetando a moral da Seleção, que completaria a tragédia jogando mal e perdendo a Copa “em casa”, os preços estariam explodindo, os empresários entrariam em pânico e, nesse momento, a mídia ainda trataria de expor algum dos escândalos de última hora que sempre explodem contra governos petistas em períodos eleitorais.

Contudo, o que o novo colunista da Folha e os que endossam sua teoria da “tempestade perfeita” não avaliam é que o Brasil resistiu aos solavancos da economia internacional ao longo de toda a década passada. Devido às imensas possibilidades de investimento em nosso país, pode não haver fuga relevante de dólares mesmo que os EUA aumentem os juros.

Além disso, mesmo que diminua o fluxo de dólares para o Brasil, os níveis de investimento irão aumentar ao longo do ano que vem, sobretudo por conta dos investimentos no campo de petróleo de Libra, recém-leiloado.

O que preocupa é que no próprio PT há gente disposta a se unir à oposição pela esquerda. Recentemente, um dos candidatos a presidente do partido propôs que seja “sacrificada” a reeleição de Dilma em troca de se “fazer a reforma agrária”, provavelmente achando que é possível reverter 500 anos de concentração de propriedade da terra ao longo de 2014. E ignorando que a volta da direita ao poder reverteria qualquer conquista.

Contudo, apesar de até o próprio PT abrigar uma oposição de esquerda ao governo federal em seus quadros, de a oposição em outros partidos de esquerda só pensar em vingança contra os grupos de centro-esquerda que hoje dominam o partido do governo e que expulsaram os que fundaram PSOL, PSTU etc., e de haver risco, sim, de os EUA aumentarem os juros, o governo ainda tem bala na agulha.

Apesar da estrondosa queda de popularidade de Dilma advinda das “jornadas de junho”, a continuidade da instalação de programas sociais e de medidas econômicas que beneficiam a maioria reverteu aquela queda.

Assim como o Minha Casa, Minha Vida, como a redução das contas de Luz ou como a queda dos juros liderada pelos bancos oficiais, o governo continuou implantando programas que beneficiam as massas, sendo o Mais Médicos o último programa dessa série. Com isso, reverteu-se a queda de popularidade de Dilma, que já desponta como favorita em 2014.

Está posto, então, o quadro político para o ano que vem. Mais uma vez, haverá disputa entre a razão e a emoção, como em 2002, 2006 e 2010.

Em 2002, Lula venceu graças à racionalidade: após FHC se reeleger em 1998 prometendo não desvalorizar o real, no primeiro mês de seu segundo governo ele violou a promessa. O povo foi racional tirando do poder um partido que o enganou, o PSDB.

Em 2006, Lula se reelegeu contra a comoção que tentaram instalar no país contra a “corrupção” do PT no âmbito do escândalo do mensalão. Mais uma vez prevaleceu a racionalidade. A sociedade preferiu os avanços que já sentia no cotidiano ao discurso moralista que tentava transformar Lula em um corrupto mesmo sem nenhuma prova contra ele.

Em 2010, Lula elegeu Dilma com base no imenso bem-estar social que seu governo gerou ao país. Salários crescendo, empregos surgindo em toda parte, pobreza e desigualdade despencando e o protagonismo internacional do Brasil derrotaram o fundamentalismo religioso e a rede de intrigas aos quais José Serra se agarrou para tentar derrotar a adversária

A racionalidade vem derrotando a catarse há mais de uma década, portanto. Mas essa racionalidade foi rompida em junho graças a um espetáculo pirotécnico que os oposicionistas da situação e da oposição conseguiram montar – uns por falta de visão e outros por má fé mesmo.

O que resta saber, portanto, é se após a sociedade despertar da catarse junina ela poderá ser drogada de novo. Será que o povo aprendeu alguma coisa após ver toda aquela pantomima não resultar em absolutamente nada? Será que a desmoralização da tática de quebra-quebra fará o povo resistir à droga político-ideológica que tentarão lhe inocular?

Façam suas apostas.

domingo, 10 de novembro de 2013

implicâncias? bom senso...


Minhas implicâncias com certos autores




Postado por Juremir em 9 de novembro de 2013




Por que eu implico com Laurentino Gomes, autor dos best-sellers “1808”, “1822” e “1889”? Por que eu implico com Lira Neto, autor do best-seller “Getúlio”? Por que eu implico com Leandro Narloch, autor dos best-sellers em defesa do politicamente incorreto na história? Segundo meus generosos inimigos, que são poucos, mas empedernidos, implico porque eles têm best-sellers e eu não. É uma hipótese respeitável. Nunca se deve ignorar o papel do “monstro dos olhos verdes”, o ciúme, a inveja, na história da humanidade. Mas também não se deve ignorar o papel do “monstro dos olhos turvos”, o bom senso comum, na formulação de hipóteses sobre o comportamento alheio.

Implico com esses três por eu ser historiador e eles não? Absolutamente. Mas eles tivessem passado por uma faculdade de história teriam alguma noção conceitual. Leandro Narloch é uma anta reacionária que sofisma para legitimar os piores valores do lacerdismo brasileiro. Coisas do tipo: não se pode culpar os brancos pela escravidão dado que negros também tiveram escravos e estes sempre foram vendidos, na África, por outros negros. Tudo empate. Tudo em casa. O racismo comemora. Somente a estupidez dos leitores mais fanáticos da Veja pode transformar um oportunista desse quilate em “historiador” de sucesso. O jornalismo brasileiro gosta disso. A Folha de S. Paulo, voltando aos seus tempos de conservadorismo, quando emprestava suas camionetas para o DOPS carregar “torturáveis”, contratou os ultradireitistas Demétrio Magnoli e Reinaldo Azevedo.

Laurentino Gomes transforma a dimensão crítica da história em coluna de fofocas. É pura espuma. Jamais chega ao âmago dos acontecimentos. Tudo o que conta em “1808” pode ser lido com mais profundidade em “A corte no exílio”, de Jurandir Malerba. Lira Neto é pior de todos. Descobre o descoberto. Vende gato por lebre. Já o desmascarei algumas vezes. Declarou ter feito descobertas incríveis sobre o envolvimento dos jovens irmãos Vargas num crime em Ouro Preto. Era tudo conhecido. Afirmou ter exumado o discurso nietzschiano de formatura de Getúlio na Faculdade de Direito. Estava tudo no livro de Fernando Jorge. Gabou-se de ter absolvido Getúlio da acusação do assassinato de um índio no Rio Grande do Sul. Tinha sido um homônimo. Todo historiador sabe disso. Está em muitos livros. Inclusive no meu romance “Getúlio”. Para o terceiro volume da sua obra, a ser lançado em 2014, Lira Neto anuncia uma grande revelação: no autoexílio em São Borja, Getúlio recebia muita gente e se articulava. Uau!

Até as vacas descendentes dos rebanhos de Getúlio sabem disso. Pura conversa fiada para requentar o passado e transformar, na falta de grandes manchetes, o interessante em novidade absoluta. A mídia amiga aceita, potencializa e converte o sabido em revelação. Isso tem um nome: marketing esperto. Outro segredo do sucesso dos Getúlio de Lira Neto é a visão “paulista” do autor. Afaga o ego dos adversários históricos de Getúlio e impressiona os incautos até por aqui. Afinal, tem o selo da “Cia. das Letras” e faz sucesso “lá fora”, no Brasil. É só isso.

sábado, 9 de novembro de 2013

Quando um dos lados joga em casa


Ali Kamel processa o blogueiro que denunciou sonegação da TV Globo; Miguel do Rosário reage: ‘ataque sórdido’


publicada sexta-feira, 08/11/2013 às 01:07 e atualizada sexta-feira, 08/11/2013 às 11:30


Escrevinhador





por Rodrigo Vianna

Ali Kamel, diretor da Globo, abriu processo contra o bravo blogueiro Miguel do Rosário – de “O Cafezinho”. Por uma coincidência lancinante, Miguel (foto) foi o blogueiro que denunciou a bilionária sonegação fiscal de que a Globo é acusada.

Hum… Vamos por partes. Ali Kamel tem, evidentemente, o direito inalienável de processar quem bem entender. E nós temos o dever de mostrar: os processos movidos por Kamel são uma forma de intimidação e vingança.

Passada a eleição de 2010, ele abriu processos quase simultâneos contra 5 blogueiros: Cloaca, Nassif, Marco Aurélio Mello, Azenha e este escrevinhador. Paulo Henrique Amorim já era processado pelo diretor da Globo. Reparem: ele usou a Justiça numa tentativa de intimidar justamente aqueles que, durante a campanha de 2010, haviam ajudado a mostrar o golpe frustrado da “bolinha de papel”.

Os blogs desmontaram a farsa da bolinha. Kamel levara o perito Molina – que já servira como perito em ações particulares movidas por Kamel contra vizinhos dele, num prédio luxuoso do Leblon (sim, Kamel é dado a processar até vizinhos!!!) – para o JN. A tentativa era dar uma força ao Serra, na reta final da eleição. Aqui no Escrevinhador, você leu que até a Redação da Globo sentiu vergonha da ação perpetrada por Kamel: “O dia em que até a Globo vaiou Ali Kamel”.

Kamel perdeu em 2010. Como já perdera em 2006 (no episódio do delegado Bruno, que terminou levando à minha demissão da Globo). E como já perdera ao dizer que no Brasil “não há racismo”, ou ao atacar o Bolsa-Família. Kamel foi desmoralizado pelos fatos. Esses não podem ser processados. Kamel foi derrotado pelos blogs, e contra esses – sim – ele decidiu reagir. Na Justiça.

Não foi coincidência. Foi vingança.

No processo contra mim, Kamel alega que eu o teria acusado (?!) de ser ator pornográfico. Francamente… Os meus textos estão todos aí, basta uma leitura primária: jamais disse que Kamel era (ou deixava de ser) ator pornográfico. O que fiz foi usar a aparente homonímia entre ele e um ator pornográfico dos anos 80 (o filme “Solar das Taras Proibidas” é estrelado por um tal de Ali Kamel) para criticar o jornalismo que ele comanda na Globo.

Disse, sim, que o jornalismo de Kamel é – muitas vezes – pornográfico. Fui condenado por uma metáfora. Arnaldo Jabor, ex-cineasta que trabalha para Kamel, usou a mesma metáfora (“Pornopolítica”) como título de um livro – recheado de ataques a Lula. Jabor pode fazer metáforas. Blogueiro que critica a Globo não pode. Ok. Fui condenado em primeira e segunda instâncias na Justiça do Rio. Os amiguinhos de Kamel na “Folha” e “na “Veja” comemoraram. Recorri a Brasília.Escrevi minha resposta aqui. E a vida seguiu…

O bravo blogueiro Miguel do Rosário, indignado com minha condenação, escreveu em janeiro de 2013 (atentem para essa data) um duro texto contra Kamel. Pois bem: o diretor da Globo levou dez meses para abrir o processo contra as supostas ofensas cometidas por Miguel. Não foi uma (suposta) ofensa que o fez babar na gravata imediatamente, nem ganir pela redação de ódio. Não. Chamado de “sacripanta” por Miguel do Rosário, Kamel esperou. Levou dez meses, talvez, para procurar no dicionário o significado de sacripanta.

Nesse meio tempo (entre o texto de Miguel do Rosário e a abertura do processo Kamel x Miguel), que fato novo surgiu? Ora, Miguel foi o autor da denúncia bombástica da sonegação fiscal que teria sido cometida pela Globo. Foi Miguel quem publicou na internet as páginas originais do processo (páginas que – logo depois, este Escrevinhador revelaria – haviam sido surrupiadas de uma agência da Receita no Rio). Quem roubou o processo? A mando de quem?

Nos meses seguintes, a denúncia de Miguel (titular do blog “O Cafezinho”) espalhou-se pelas redes sociais, foi parar nas telas da TV Record, e virou mote para manifestações na porta da Globo.

“Globo sonega”, diziam os cartazes na porta da Globo. Roberto Requião, bravo senador, acaba de pedir explicações ao governo sobre a dívida da Globo. Dívida bilionária. E tudo começou lá, com a denúncia de “O Cafezinho”. Então, vocês imaginem o ódio da família Marinho contra o blogueiro Miguel.

Dia desses, encontrei com um velho amigo, funcionário da Globo, num evento em São Paulo. Por coincidência, Miguel do Rosário estava presente. Apresentei os dois: “fulano, esse é o Miguel do Rosário, blogueiro no Rio. Miguel, esse é o fulano, que trabalha na Globo”. Miguel riu e disse a meu amigo global: “bem, acho que lá na empresa onde você trabalha não devem gostar muito de mim”. Todos sorrimos, discretamente.

Perguntei ao amigo funcionário da Globo (mas que não é nenhum bozó, bem ao contrário) qual havia sido a reação, internamente, quando Miguel revelou o episódio da sonegação. E ele: “Rodrigo, foi uma bomba; você não tem ideia, uma bomba”.

Quem lançou a bomba foi Miguel do Rosário. Bomba contra a Globo, baseada em fatos.

Três meses depois da denúncia bombástica contra a Globo, Kamel resolve processar Miguel – por um texto escrito em janeiro.

Pura coincidência.

Que nome dar a isso? Vingança? Retaliação judicial?

O Miguel do Rosário respondeu ao processo de Kamel com a firmeza que se esperava. Caracterizou a ação como “ataque sórdido”; e disse mais:


“ele [Kamel] simplesmente pretende destruir o blog que noticiou um dos maiores crimes de sonegação da história da mídia brasileira, cometido pela empresa para a qual ele mesmo trabalha, porque o blogueiro lhe chamou de “sacripanta reacionário” e fez críticas à sua empresa?

Tenho esperança que o Judiciário não vai deixar barato esse ataque sórdido à liberdade de expressão, ainda mais grave porque cometido por uma pessoa que dirige uma concessão pública confessadamente golpista e, como tal, com obrigação de ser humilde e tolerante no trato com aquelas mesmas vozes que ela ajudou a calar nos anos de chumbo.

O advogado de Ali Kamel, João Carlos Miranda Garcia de Souza, é também advogado da Rede Globo. É pago, portanto, com recursos oriundos de uma concessão pública que se consolidou durante um regime totalitário, e com apoio de um governo estrangeiro (EUA).”


Aqui, você lê a resposta do Miguel, na íntegra.

O Miguel tem força moral, e mostrou isso na resposta ao Ali Kamel. Mas precisa da nossa solidariedade. O Miguel não está enfrentando o Ali Kamel – que é uma espécie de capataz da família Marinho. Está enfrentando os mais poderosos barões da imprensa da América do Sul, de todos os tempos.

Os bilionários irmãos Marinho não aceitam ser desafiados por ninguém. Usam seus prepostos para dar o troco, sempre.

Por isso, dizemos bem alto: Miguel, conte com a gente!

E prepare-se para a dura batalha: na justiça do Rio, a Globo joga em casa.



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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Sun Paulum, a mídia e como você é manipulado! O carapááálida não vê porque não quer ver! (3)


Servidora que acusou secretário de Haddad teria tido “caso” com chefe da máfia dos fiscais


Posted by eduguim on 08/11/13 • Blog da Cidadania





Relutei em divulgar a informação que darei a seguir por conta de um conflito ético. Seria correto divulgar fato da esfera íntima de envolvidos no caso da máfia dos fiscais em São Paulo, mas que é amplamente comentado por servidores da Prefeitura e que é conhecido pela mídia, pelo Ministério Público e pela própria administração do prefeito Fernando Haddad?

Devido a um dos envolvidos nesse fato estar fazendo acusação ao secretário de Governo da gestão Haddad, Antonio Donato, de que teria recebido doação eleitoral com recursos oriundos da roubalheira na gestão Gilberto Kassab, e devido à mídia ter dado crédito a essa acusação sem deixar claro que a pessoa que acusou não apresentou provas e tem interesse em envolver a gestão Haddad, torna-se justo divulgar a informação.

Em depoimento ao Ministério Público, a servidora da prefeitura Paula Sayuri Nagamati disse ter ouvido de um auditor preso que teria havido uma “colaboração” à campanha de Donato à Câmara Municipal de SP, em 2008, com “dinheiro fruto da fiscalização”. O caso foi revelado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”.

Mas quem é Paula? Por que uma sua afirmação sem provas contra a gestão que investigou e desbaratou a quadrilha – a gestão Haddad – foi comprada pela mídia como se contivesse a menor evidência de ser verdadeira? Afinal, Paula não apresentou provas, não deu o nome de quem acusou Donato, enfim, apenas acusou.

E a acusação precária virou manchete de jornal. Como se não bastasse, foi tratada pelas tevês como se fosse fato. Matéria do Bom Dia Brasil (Globo) sobre a acusação de Paula tem o seguinte título: Suspeitos de fraude financiaram campanha de secretário de Haddad. Essa acusação peremptória se baseia em que Paula “ouviu falar”.

Quem é Paula? Como se sabe, ela foi chefe de gabinete do ex-secretário de Finanças Mauro Ricardo, ligado ao ex-prefeito José Serra (PSDB). Nesta semana, Haddad a exonerou do cargo que ocupava na supervisão técnica da Secretaria de Desenvolvimento e Assistência Social.

A demissão de Paula foi criticada pela imprensa paulista após o Ministério Público de SP – aquele do “eminente” procurador Rodrigo de Grandis – ter dito que ela não é investigada, que seria “apenas testemunha”. A Folha de São Paulo, por exemplo, deu manchete de primeira página para a demissão insinuando que ela foi afastada por Haddad porque denunciou seu secretário.




Conforme tem sido divulgado pela imprensa, o chefe do esquema de corrupção na prefeitura durante a gestão Kassab era Ronilson Bezerra Rodrigues, subsecretário de Finanças, o segundo do secretário Mauro Ricardo (homem de Serra) na Secretaria de Finanças municipal.

Então há uma trinca, aí, em um esquema que movimentou, ao que se sabe até agora, MEIO BILHÃO DE REAIS durante a gestão Gilberto Kassab. Essa trinca era composta pelo ex-secretário Mauro Ricardo, pelo ex-subsecretário Ronilson Bezerra Rodrigues e pela chefe de gabinete do ex-secretário, Paula Sayuri Nagamati. Os três trabalhavam juntinhos.

Antes de prosseguir, uma informação: a quantidade de dinheiro movimentado pelo esquema de corrupção na prefeitura de São Paulo, até agora, já se aproxima do que a prefeitura de São Paulo deixará de arrecadar por ter voltado atrás no aumento de vinte centavos no preço das passagens de ônibus, após as manifestações de junho.

Como é possível que a prefeitura de São Paulo não tivesse dado falta dos 500 milhões de reais que deixaram de entrar nos cofres públicos por conta do esquema de corrupção em tela?

Mas a relação de Paula com os envolvidos nesse esquema não para por aí. Segundo o Blog apurou com servidores da prefeitura, “todos sabem” de suposta relação amorosa dela com Ronilson, apresentado pela imprensa como “chefe” do esquema criminoso. E, para complicar, ambos – Paula e Ronilson – são casados – mas, evidentemente, não um com o outro.

Até se pode entender que a imprensa não divulgasse informação tão sensível por Paula, oficialmente, não estar sendo investigada. Porém, quando ela faz uma acusação gravíssima e sem provas contra uma das pessoas responsáveis pela investigação do grupo suspeito que ela integrou, sua relação com aquele que é tido como “chefe” da máfia dos fiscais se torna vital.

Se Paula faz uma acusação gravíssima ao secretário Donato por ter “ouvido falar” e esse “ouvir falar” vira manchete de jornal, chegando a ser tratado pela imprensa como suspeita contra o auxiliar do prefeito Fernando Haddad, não seria justo que o “ouvir falar” da relação dela com Ronilson também seja conhecido?

A gestão Haddad respondeu com meias palavras à acusação de Paula de que Donato teria tido sua eleição para vereador em 2008 financiada pelo esquema criminoso surgido na administração de seu adversário político (Kassab). Disse apenas que tinham uma relação “muito próxima”. Esse pseudo bom-mocismo, porém, não cabe na investigação de um crime.

Sun Pualum, a mídia e como você é manipulado! O carapááálida não vê porque não quer ver! (2)


Mídia de SP culpa PT por corrupção no PSDB e no DEM

Posted by eduguim on 07/11/13 • Blog da Cidadania





Vamos simplificar a questão: durante a gestão demo-tucana na prefeitura de São Paulo (2005-2012) surgiu um esquema de corrupção que pode chegar a meio bilhão de reais (!). Servidores públicos da Subsecretaria da Receita nomeados a cargos de confiança pelos ex-prefeitos José Serra e Gilberto Kassab foram presos, acusados de integrar esquema de cobrança de propina.

O esquema funcionou durante a gestão de um grupo político que chegou à prefeitura paulistana em 1º de janeiro de 2005, com o tucano José Serra à frente. Ele governou até 30 de março de 2006, quando se demitiu do cargo para disputar o governo do Estado de São Paulo, deixando o Executivo municipal nas mãos do então vice-prefeito, Gilberto Kassab.

O esquema funcionou dentro da prefeitura em salas contíguas à do prefeito, fosse ele Serra ou Kassab. Este, diz simplesmente que “não sabia” de nada. Quanto a Serra, não diz nada porque, até o momento, o setor da imprensa que tem acesso a ele não lhe perguntou nada (?!).

Até aí, tudo bem. Serra, Kassab, enfim, qualquer chefe do Poder Executivo pode dizer que “não sabia” de um esquema de corrupção surgido em uma administração sob seu comando e, até prova em contrário, tem direito ao benefício da dúvida.

O que espanta, o que chega a chocar é que, além de uma imprensa que tenta se passar por “isenta” aceitar bovinamente a alegação de um dos dois ex-prefeitos sob os quais surgiu o esquema de corrupção de que “não sabia” de nada e de nem ao menos perguntar nada ao outro, acusa os adversários deles pela corrupção que ocorreu enquanto governaram.

E o que é pior: quem acusa a oposição ao governo sob o qual surgiu o esquema de corrupção são ninguém mais, ninguém menos do que envolvidos naquele esquema de corrupção.

A auditora fiscal da prefeitura de São Paulo Paula Sayuri Nagamatique deu declarações à imprensa levantando suspeitas sobre o atual secretário de Governo do prefeito Fernando Haddad, o vereador Antonio Donato. Ela o acusa de estar envolvido no esquema que desviou cerca de de R$ 500 milhões e que ocorreu no setor em que ela trabalhava à época dos crimes.

Quem é Paula Sayuri Nagamatique? Simplesmente a ex-chefe de Gabinete de Mauro Ricardo Costa, que foi secretário municipal de Finanças na gestão do então prefeito José Serra. Costa também é suspeito de integrar o esquema.

Além da acusação de Paula, que atuava na Secretaria da Prefeitura onde foi montado o esquema de corrupção à época em que aquele esquema funcionou, outra mulher faz acusações ao mesmo secretário do prefeito Fernando Haddad. Vanessa Alcântara é mulher de um dos auditores fiscais presos no âmbito das investigações desencadeadas pela atual administração e acusa Donato – sem provas – de ter recebido doação do grupo criminoso para a sua campanha eleitoral, ano passado.

A acusação da mulher de um dos criminosos ao secretário do prefeito Haddad foi divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo. Já a Folha de São Paulo, além de comprar a acusação da mulher do servidor corrupto, ainda diz que o prefeito Fernando Haddad “Saiu em defesa do secretário de Governo e atacou as duas mulheres que não são investigadas”.

Uma dessas mulheres que a Folha diz que “não são investigadas” é “companheira” de um dos bandidos presos recentemente; a outra, foi chefe de gabinete de outro suspeito, o ex-secretário de Finanças da gestão de Kassab e Serra. Mauro Ricardo é suspeito porque em 2012 mandou arquivar denúncia de corrupção de fiscais, segundo reportagem do portal R7.

Como se vê, o comando da Prefeitura durante a gestão Serra-Kassab foi alertado para um esquema que só foi desbaratado neste ano pela administração Haddad, que criou a Controladoria Geral do Município, a qual denunciou a roubalheira.

Além das acusações do Estadão e da Folha aos adversários dos dois ex-prefeitos sob os quais surgiu o esquema de corrupção, a Veja acusa o atual secretário municipal de Transportes de São Paulo, Jilmar Tatto, por sua mulher figurar no contrato social de um estacionamento cujo dono é o auditor fiscal Moacir Fernando Reis, envolvido no esquema de corrupção.

Eis um bom momento para lembrar a famosa teoria do “domínio do fato”, usada para condenar sem provas políticos envolvidos no escândalo do mensalão. Quem detinha o controle da administração paulistana não deveria responder pelo esquema de corrupção desbaratado? Para Estadão, Folha e Veja, não. Quem aparece em suas páginas é a oposição ao governo sob o qual surgiu o esquema.

Pela tese dos dois jornais e da revista, Tatto e Donato, inimigos políticos de Serra e Kassab, forçaram esses dois a nomearem os auditores fiscais que montaram o esquema de corrupção e obrigaram Kassab a arquivar investigação do esquema.

Além disso, o mesmo Ministério Público de SP ao qual pertence o procurador Rodrigo De Grandis – aquele que arquivou o escândalo Alstom “numa gaveta” – afirma que a mulher de um dos corruptos presos e a chefe de gabinete do secretário de Finanças que mandou arquivar investigação que tentaram abrir ano passado “não são investigadas”.

Segundo petistas consultados pelo Blog – e que não quiseram falar publicamente sobre o caso –, porém, seria “questão de tempo” para essas versões caírem por terra. Segundo disseram, membros do Ministério Público paulista estão seguindo o mesmo caminho do procurador De Grandis, de acobertamento de escândalos envolvendo o PSDB. E serão desmascarados.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

os meios de comunicação são a banalização do mal... e o carapááálida fica pááálido, mas mas mas... e o domínio do fato? (1)


Noticiário sobre corrupção na gestão Kassab troca Serra por Haddad

Posted by eduguim on 06/11/13 • Blog da Cidadania







Na esteira do transbordamento das práticas do império tucano em São Paulo ao longo dos últimos quase vinte anos, no mês passado foi revelado amplo esquema de corrupção envolvendo a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab. E, a cada dia, surgem mais denúncias, as quais já levam esse escândalo à casa das centenas de milhões de reais.

O esquema de corrupção de servidores da prefeitura da capital paulista teve início em 2006, ainda na gestão do então prefeito José Serra, e prosseguiu na gestão do então vice-prefeito, Gilberto Kassab, que, entre 2006 e 2008, substituiu o titular, que se candidatou ao governo do Estado e foi eleito. E entre 2008 e 2012, durante a segunda gestão Kassab, o esquema de corrupção perdurou.

Em janeiro de 2013, Fernando Haddad chega à prefeitura e, já nos primeiros dias, cria a Controladoria Geral do Município. Ao longo deste ano, o órgão recém-criado mostra a que veio e desvenda o esquema de corrupção que funcionou por seis anos sob os olhos dos prefeitos José Serra – tido como eminência parda na prefeitura paulistana mesmo quando foi governador do Estado – e Gilberto Kassab.

Logo após a explosão da denúncia, porém, surge um fato inusitado: durante as investigações conduzidas por ação expressa do governo Haddad, o atual secretário de governo da prefeitura, vereador Antonio Donato (PT), é citado em uma escuta contra os suspeitos. Ex-companheira do auditor fiscal Luís Alexandre Magalhães, apontado como um dos membros da quadrilha, afirmou que ele teria dado R$ 200 mil à campanha de Donato.

Até agora, apesar de não se ter confirmação dessa doação – que, mesmo que tivesse existido, não constituiria, por si só, prova alguma –, e apesar Donato ser um dos autores da investigação ao lado de Haddad, a mídia paulista vem superfaturando especulações malucas sobre a atual gestão – que investigou e denunciou o esquema corrupto – também estar envolvida.

Mais impressionante ainda é que José Serra, o grande responsável pela gestão Kassab, alguém que não apenas apadrinhou o ex-prefeito na política como fez dele seu vice-prefeito, e que, depois que deixou o cargo, monitorou e controlou cada passo do sucessor até a campanha eleitoral de 2012, não foi citado pela imprensa paulista nem uma só vez.

O tamanho do esquema de corrupção na administração Serra-Kassab na capital paulista vai sendo conhecido na imprensa dia após dia, mas pode-se dizer que a gestão Haddad, que desmascarou tal esquema, tem sido mais citada pelo noticiário do que os que governaram a cidade durante 100% do tempo em que a roubalheira foi praticada.

Na última segunda-feira, por exemplo, editorial do jornal Folha de São Paulo tenta confundir usando informações truncadas.

Abaixo, o trecho em que esse jornal tenta confundir o leitor:

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“(…) O episódio suscita questões embaraçosas para o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD). Por que agiam com tamanha certeza de impunidade? Sobrava proteção a essas práticas ou faltava investigação por parte dos órgãos públicos? Tampouco está livre de questionamento o prefeito Fernando Haddad (PT). É que Ronilson Bezerra Rodrigues, apontado como chefe do esquema, foi nomeado diretor de finanças da SPTrans (empresa que gerencia o transporte municipal) na atual administração. Além disso, o nome de Antonio Donato, secretário de Governo do petista, já apareceu ligado a Magalhães em escuta autorizada pela Justiça(…)”.

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Questionamento ao prefeito Fernando Haddad? Como assim? Então José Serra, responsável pela chegada de Kassab à prefeitura e eminência parda de seu governo entre 2006 e 2012, não é questionado de forma alguma e Haddad e seu secretário de governo, que desbarataram o esquema corrupto, “não estão livres de questionamento”?

Sobre a nomeação do ex-diretor de finanças Ronilson Bezerra Rodrigues pela gestão Haddad, a Folha só esqueceu de mencionar que esse servidor foi indicado por Kassab para a equipe de transição do governo anterior para o atual, e que Haddad já explicou que esse indivíduo foi mantido no cargo para que não desconfiasse das investigações de que estava sendo alvo.

Quanto à suposta doação do auditor fiscal Luís Alexandre Magalhães – um dos envolvidos no esquema de corrupção – à campanha eleitoral do secretário Antonio Donato, nem mesmo foi confirmada. E, mesmo se vier a ser, terá sido feita sem que o beneficiado tivesse como retribuir, até por então ser da oposição ao governo em que a corrupção funcionou.

Quer dizer que Haddad e Donato, que criaram o órgão que desbaratou o esquema de corrupção, que trabalharam o ano inteiro para que isso ocorresse e que poderiam, inclusive, nem ter criado o órgão ou investigado nada são acusados, mas Serra, que tem tanta responsabilidade na questão quanto Kassab, é escandalosamente poupado?

Há que repetir quanto for preciso: Haddad e Donato são os grandes responsáveis por a prefeitura de São Paulo ter denunciado o esquema que ela mesma abrigou entre 2006 e 2012. Poderiam não ter investigado, mas investigaram e denunciaram o que descobriram. É uma sandice, pois, insinuar que possam ter qualquer envolvimento no caso.

Aliás, sandice não: é má fé mesmo. Politicagem barata. Assim como o escandaloso acobertamento da responsabilidade de José Serra nisso tudo. Responsabilidade que, na opinião deste blog, é até maior do que a de Kassab. E que, sob qualquer critério minimamente sério, no mínimo existe e é muito grande.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

imoral e ilegal


PREVARICOU DE GRANDIS?



O Direito, O Avesso

A noticia de que o Procurador Rodrigo de Grandis teria engavetado oito ofícios do Ministério da Justiça que pediam apuração do escândalo do metrô de São Paulo e que isso prejudicou significativamente o andamento das investigações de corrupção que envolvem o PSDB de São Paulo. Se isso acontecei o procurador prevaricou.




Esse fato me estimulou a retomar os temas (i) judicialização da política, (ii) politização do judiciário, (iii) espetacularização de fatos políticos e a (iv) ideologização do Poder Judiciário e do Ministério público.

No caso da “ideologização” parece que estamos diante de verdadeira partidarização, o que é ainda mais grave.

Em 2008 escrevi “As relações entre o sistema judicial e o sistema político atravessam um momento de tensão sem precedentes cuja natureza se pode resumir numa frase: a judicialização da política conduz à politização da Justiça” o site CONSULTOR JURIDICO publicou o artigo em 26 de setembro de 2008.

Mantenho minha opinião e de lá para cá várias colisões ocorreram e penso que quem perdeu foi a democracia, pois quando esta presente a judicialização da política o desempenho normal das suas funções dos tribunais torna-se anormal e afeta, de modo significativo, as condições da ação política e as questões que originariamente deveriam ser resolvidas na arena política e não nos tribunais.

Esse fato [a judicialização] pode ocorrer por duas vias principais: uma, de baixa intensidade, quando membros isolados da classe política são investigadores e eventualmente julgados por atividades criminosas que podem ter ou não a ver com o poder ou a função que a sua posição social destacada lhes confere; outra, de alta intensidade, quando parte da classe política, não se conformando ou não podendo resolver a luta pelo poder pelos mecanismos habituais do sistema político democrático, transfere para os tribunais os seus conflitos internos através de denúncias, ao Ministério Público ou ajuizando ações diversas. No caso que comento o procurador estaria funcionando como verdadeiro pelego, em se comprovando o conteúdo da matéria veiculada pela imprensa.

É isso que vem ocorrendo. A oposição no Brasil renunciou ao debate democrático e deslocou para o Poder Eleitoral conflitos que não são, a priori, jurídicos ou judiciais.

E o objetivo dessa tática é que, através da exposição judicial e junto aos órgãos de imprensa de seus adversários, qualquer que seja o desenlace, o enfraqueça ou mesmo o liquide politicamente, algo questionável sob o ponto de vista ético e democrático.

No momento em que isso ocorre a classe política, ou parte dela, ou seja, quando ocorre a renuncia ao debate democrático e a transformação da luta política em luta judicial o fato tende a provocar convulsões sérias no sistema político. Essa tática afasta seus operadores da rota democrática e nega a construção de práticas republicanas.

A judicialização da política pode a conduzir à politização da Justiça e esta consiste num tipo de questionamento da Justiça que põe em causa, não só a sua funcionalidade, como também a sua credibilidade, ao atribuir-lhe desígnios que violam as regras da separação dos poderes dos órgãos de soberania.

Ademais, a politização da justiça coloca o sistema judicial numa situação de stressinstitucional que, dependendo da forma como o gerir, tanto pode revelar dramaticamente a sua fraqueza como a sua força. A politização da justiça patrocinada por setores reacionários que flertam com a aristocracia e com o totalitarismo busca ainda transformar a plácida obscuridade dos processos judiciais na trepidante ribalta midiática dos dramas judiciais é a espetacularização da política.

Esta transformação é problemática devido às diferenças entre a lógica da ação midiática, dominada por tempos instantâneos, e a lógica da ação judicial, dominada por tempos processuais lentos. É certo que tanto a ação judicial como a ação midiática partilham o gosto pelas dicotomias drásticas entre ganhadores e perdedores, mas enquanto o primeiro exige prolongados procedimentos de contraditório e provas convincentes, a segunda dispensa tais exigências.

Em face disto, quando o conflito entre o judicial e o político ocorre na mídia, estes, longe de ser um veículo neutro, são um fator autônomo e importante do conflito, pois publicam legitimamente suas opiniões, mas o fazem com ares de informação imparcial, o que é imoral e ilegal. 
 
E, sendo assim, as iniciativas tomadas para atenuar ou regular o conflito entre o judicial e o político não terão qualquer eficácia se os meios de comunicação social não forem incluídos num pacto institucional. É preocupante que tal fato esteja a passar despercebido e que, com isso, se trivialize a lei da selva midiática em curso. O uso do judiciário, o deslocamento desmedido de questões políticas para o campo judicial pode revelar ausência de espírito democrático, bem como, em tese, verdadeira litigância de má-fé de quem usa e desvirtua em verdade o processo para atingir seus fins, procede de modo temerário e provoca, através de representações, cautelares e ações diversas, vários incidentes infundados. O mesmo raciocínio se aplicará ao Procurador Rodrigo de Grandis em se comprovando que ele prevaricou

falha administrativa


A cumplicidade do MP com os tucanos

Por José Dirceu, em seu blog:

A cada dia, vêm à tona novos detalhes de como o procurador Rodrigo de Grandis engavetou investigações sobre as denúncias de corrupção no Metrô, na CPTM e em outras áreas do governo tucanos em São Paulo.

Desta vez, a IstoÉ mostra que, desde 2010, ele engavetou oito ofícios do Ministério da Justiça alertando para o cumprimento dos pedidos de cooperação feitos por autoridades suíças sobre o caso Siemens-Alstom.

E mais: a revista conta que, ao longo de três anos, De Grandis também foi contatado por e-mail, teve longas conversas telefônicas com autoridades em Brasília e solicitou remessas de documentos.

Como o pedido suíço nunca foi atendido, o Ministério Público daquele país resolveu arquivar as investigações contra três acusados de distribuir propinas a políticos tucanos e funcionários públicos.

A IstoÉ acrescenta que, no mês passado, um integrante do Ministério Público Federal de São Paulo chegou a denunciar a seus superiores que a conduta de De Grandis “paralisou” por dois anos e meio a apuração contra os caciques tucanos.

Não é um caso isolado

De Grandis alegou “falha administrativa” para justificar o engavetamento do pedido. Mas foram oito ofícios encaminhados pelo Ministério da Justiça, foram os e-mails e conversas. O último dos ofícios, que chegou à mesa de Rodrigo De Grandis há apenas duas semanas, acusa o procurador de “nunca” ter dado retorno às comunicações.

O mais grave de tudo é que esse não é um caso isolado, mas a regra em São Paulo governada pelos tucanos. A cumplicidade do Ministério Público Federal e do Estadual com os governos tucanos não tem precedente na história do país e precisa ser investigada e denunciada. E os responsáveis, como o procurador De Grandis, devem ser afastados do MP.

Esse caso específico está sendo alvo da Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público, que abriu uma queixa disciplinar contra De Grandis.

Em tempo: aproveito e indico a leitura do artigo