sábado, 14 de junho de 2014

é fácil sair menor do que se entrou


Menor do que entrou: o pragmatismo de Marina no caso da aliança do PSB com Alckmin em São Paulo


Diário do Centro do Mundo


Postado em 09 jun 2014
por : Kiko Nogueira



Eles



Um dos mantras preferidos de Marina Silva é a distinção que ela gosta de fazer entre pragmatismo e programatismo. Trocando em miúdos, Marina atribui ao binômio PSDB/PT e sua política de alianças todos os males do país. Ela e o PSB estariam unidos por razões moralmente superiores — programáticas.

Marina, porém, deu uma lição de pragmatismo em Belo Horizonte. Depois de idas e vindas e de uma crise causada pelo apoio do PSB a Geraldo Alckmin em São Paulo, ela afirmou que não abandonará a candidatura de Campos. Apenas não subirá no palanque com Alckmin (um gesto pelo qual Alckmin deve estar dando graças a Deus).

“Não estamos discutindo a chapa. A chapa e o programa estão compatíveis com o que foi a nossa discussão no dia 5″ [de outubro, data do acordo com Campos], disse numa coletiva. “Espero que o PSB de São Paulo possa rever a sua posição. Eu e o Eduardo estamos manejando essas diversas situações. Obviamente que não queremos a velha polarização”.

Campos não decola, mas é injusto atribuir a culpa integral a Marina — embora ela decididamente não ajude. Ele, por razões óbvias, não empolga e não decola. Se fosse para sair por princípio, Marina já o teria feito quando Bornhausen, Inocêncio de Oliveira et caterva subiram no barco.

Ela não pode declarar que não sabia da vocação governista do PSB. Não vale fingir surpresa agora. Sua aliança com Eduardo Campos é pragmatismo puro. Além do mais, Marina não vai sair porque não tem para onde ir — nem para a Rede Sustentabilidade, enquanto não consegue seu registro na Justiça Eleitoral.

É também um atestado de fracasso. Nove meses depois de topar ser vice, Marina não trouxe um voto a mais de seu capital de, em tese, 20 milhões. O grande acontecimento da corrida eleitoral se revelou um flop. Suas ideias de “renovação da política” caem no blablablá diante da realidade.

Campos tem tudo para voltar a Pernambuco do mesmo tamanho. Marina já está menor do que entrou.

Uma vergonha!




O arbitrário Barbosa e o silêncio dos seus pares

Barbosa deveria ter colocado em pauta o pedido do advogado de José Genoino. Não o fez, e chamou a segurança para retirar o defensor

publicado 12/06/2014 13:02

Seguranças do STF, a mando de Joaquim Barbosa (à esquerda), retiram o advogado de José Genoino do plenário do tribunal.


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Na Justiça, em face da legislação processual constitucional e dos regimentos dos tribunais, o réu preso, e não importa se a custódia é cautelar ou definitiva, tem sempre prioridade na apreciação das suas pretensões. No popular, não fica na fila de espera. Tecnicamente, trata-se de uma garantia constitucional do preso.

E tem mais ainda. Nas organizações e divisões judiciárias estaduais existem varas especializadas em execução penal, para dar maior celeridade sobre as decisões condenatórias com trânsito em julgado e os incidentes.

O próprio Supremo Tribunal Federal (STF) reserva para si a competência para a execução penal dos processos criminais originários como, por exemplo, o caso do “mensalão”.

Vale lembrar, também, estabelecer a jurisprudência dos tribunais brasileiros prazos razoáveis para o processo de conhecimento acusatório, com réu preso, ser julgado. Assim, o atraso representa constrangimento ilegal, sanável por habeas-corpus liberatório. E não devem ser olvidadas as corregedorias e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apreciar reclamações sobre matérias não jurisdicionais sobre atrasos a representar falta disciplinar do magistrado.

A respeito de José Genoíno está, e não deveria, na “fila de espera” e refiro-me ao seu pedido de concessão de regime aberto, na modalidade de prisão albergue domiciliar. Na suprema sessão de quarta-feira 11, o seu pedido, apesar de preso, não foi colocado em pauta pelo ministro Joaquim Barbosa. A propósito, compete ao supremo presidente do STF a elaboração da pauta. Convém frisar que esse pedido de mudança de regime está, procedimentalmente, pronto para ser levado à apreciação do plenário do STF: as partes já se manifestaram e concluiu-se o contraditório. Em outras palavras, era devida a sua colocação em pauta.

O advogado constituído por José Genoíno, e que esperava a apreciação do pedido, surpreendeu-se pela sua não colocação em pauta: habeas-corpus liberatório, exercício de direito de constitucional de petição (reclamação) de preso, agravos de presos, etc, são colocados em pauta e, pela urgência, o advogado, constituído ou dativo, precisa acompanhar por via eletrônica, pois não há publicação no diário oficial.

De forma correta e consoante a praxe e a rotina, o advogado José Fernando Pacheco, com a devida veemência, postulou a imediata colocação em pauta do pedido de José Genoíno. Barbosa indeferiu pois achou que só ele pauta os processos e considerou isso republicano. Na sequência, e com o advogado a continuar a protestar com veemência, Barbosa mandou desligar o microfone, a censurar o causídico. Como o combativo José Fernando Pacheco não se intimidou, o presidente Barbosa ordenou fosse tirado do Plenário, “manu militare”.

Para piorar, a assessoria do STF emitiu nota canalha e para amenizar o excesso de linguagem de Barbosa e a sua postura arbitrária. Ela relata, sem um mínimo de cautela, ter um agente de segurança dito que o causídico estava alcoolizado.

Barbosa, no apagar das luzes da sua presidência, reage, à fala de um advogado, de forma destemperada e arbitrária. Isso ao desrespeitar prerrogativa de advogado. Espera-se que a Ordem dos Advogados promova uma sessão de desagravo, que é o mínimo.

Sem entrar no mérito da pretensão de Genoíno, importante observar duas coisas. Primeiro, o silêncio absoluto dos demais ministros: o ministro Marco Aurélio só se manifestou em entrevista, depois da sessão. Na sessão, no entanto, guardou silêncio sepulcral. Segundo, o episódio traz à lembrança o saudoso jurista Piero Calamandrei (uma das grandes cabeças elaboradoras da Constituição italiana de 1946: comandou a chamada Comissão dos 75 ao lado de Giovanni Leone e Patrícolo Calamandrei) e ao tratar, no seu elogio aos juízes, da injustiça. Vale lembrar:

“O bom juiz põe o mesmo escrúpulo no julgamento de todas as causas, por mais humildes que sejam. É que sabe que não há grandes e pequenas causas, visto a Justiça não ser como aqueles venenos a respeito dos quais certa medicina afirma que, tomadas em grandes doses, matam, mas, curam se tomadas em doses pequena pequenas. A injustiça envenena, mesmo em doses homeopáticas”. Barbosa cometeu injustiça e os seus pares, presentes à sessão, calaram. Uma vergonha.








esse BraZil precisa ser derrotado mais uma vez


Quem é essa turma do vai tomar no c…

Revista Forum

Por Renato Rovai

junho 13, 2014

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O Brasil é um país complexo e muito difícil de explicar, mas a sua elite não. Ela é previsível e está sempre no mesmo lugar. As elites do mundo não costumam ser muito diferentes, mas a brasileira é das piores.

Não à toa o Brasil foi o último país do planeta a acabar com a escravidão, não à toa somos um dos poucos países que só agora está vivendo um ciclo democrático de três décadas. Todos os outros nossos períodos de democracia duraram menos do que isso.



Na época da escravidão, essa elite também tinha lado

E todas as ditaduras e a escravidão longínqua que tivemos são obras da nossa elite. Que se julga o Brasil. Que se acha a dona do país. Que é altamente corrupta, mas que faz de conta que o que lhe move na política é a defesa do interesse público.

Os que xingaram Dilma na tarde de ontem de maneira patife e abjeta são os netos e bisnetos daqueles que torturam negros nas senzalas. São os filhos daqueles que apoiaram a tortura na ditadura militar. São os mesmos que há pouco fizeram de tudo para que não fosse aprovada a legislação da empregada doméstica e que nos seus almoços de domingo regados a champanhe francês e a vinho italiano sobem na mesa para gritar contra o Bolsa Família.

Essa elite que xingou Dilma daquela maneira no Itaquerão sempre envergonhou o país. E ontem só aprontou mais uma. Não foi um ponto fora da curva no processo histórico. E também não foi nada inocente.

Aécio Neves mais do que todos os outros candidatos que o PSDB já teve simboliza esse elite. É o típico bon-vivant, que nunca trabalhou na vida, que surfou até os 20 anos no Rio de Janeiro e que depois foi brincar de motocross até os 25 anos na montanhas de Minas Gerais, para só depois entrar na política e ir defender os interesses da família e de seu segmento social.

Ontem, Aécio deu uma entrevista ao Globo onde atiçava seu eleitorado a sitiar a presidenta da República. E ao mesmo tempo milhares de panfletos eram distribuídos na entrada do Itaquerão associando o PT à corrupção. Pra criar o clima do ataque à presidenta.

O mesmo Aécio que botou a polícia do Rio para invadir a casa de pessoas que ele suspeita estarem criticando-o na Internet. O mesmo Aécio que silenciou a imprensa de Minas Gerais e colocou-a de joelhos para os seus projetos pessoais.

Quem xingou Dilma não foi nem um punhado de inocentes e nem a massa ignara. Foi o pedaço do Brasil que odeia o brasileiro.

Para este pedaço do Brasil que é a cara de Aécio, tanto faz se o presidente é Dilma, Lula, José ou Maria. O que eles não aceitam e que o país não seja apenas um lugar para eles exercerem sua sanha dominadora.

E por isso que o Bolsa Família, o aumento do salário mínimo, as políticas de cotas, a legislação da empregada doméstica e alguns outros programas sociais são tão abominados por essa gente. Eles querem que o povo morra de fome. Querem que o povo vá tomar naquele lugar. O xingamento não é para a presidenta. É para o Brasil que a elegeu. Porque na democracia desses patifes, o voto deles teria que valer mais do que o do sertanejo ou da mulher que luta pela sobrevivência dela e dos filhos nas periferias das grandes cidades.

Os netos e bisnetos dos escravistas e os filhos dos que apoiaram a tortura na ditadura. É esse Brasil que nos envergonha do ponto de vista histórico que nos envergonhou ontem xingando uma presidenta legítima, uma chefe de Estado que tem atuado dentro dos limites da Constituição.

Esse Brasil precisa ser derrotado mais uma vez. Porque se o projeto petista tem seus limites e poderia ser muito melhor, o desses caras é o que há de mais asqueroso. É o vai tomar no cu.

o pênalti em Fred? não teve o padrão FIFA, teve o padrão futebol povão... uma delícia, contra ou a favor!


A vaia da área vip é como nossa elite: padrão Fifa



13 de junho de 2014 | 11:20 

Autor: Fernando Brito




A melhor coisa do jogo de ontem, para mim, foi a vaia dada à Presidenta Dilma Rousseff.

Partiu, como registra o Painel da Folha, da área VIP do estádio, embora, claro, tenha tido gente nas arquibancadas acompanhando, como também teve gente que fez “a vaia da vaia”.

Normal, nada demais.

O famoso “vaia-se até minuto de silêncio” de que falava Nélson Rodrigues.

Tirante o fato de que ela ter partido das pessoas mais privilegiadas – os “padrão” Fifa, que ganharam seus ingressos no “bocão” dos patrocinadores, Globo à frente, é o que acontece com qualquer autoridade política anunciada em estádio.

Da vaia, falou muito bem o Juca Kfouri:

Se em Brasília, na abertura da Copa das Confederações, a presidenta foi vaiada, em São Paulo foi xingada mesmo, com palavrões típicos de quem tem dinheiro, mas não tem um mínimo de educação, civilidade ou espírito democrático.

Ninguém precisava aplaudi-la e até mesmo uma nova vaia seria do jogo.

Mas os xingamentos raivosos foram típicos de quem não sabe conviver com a divergência, mesmo em relação a uma governante legitimamente eleita pelo povo brasileiro.

A elite branca tão bem definida pelo insuspeito ex-governador paulista Cláudio Lembo, mostrou ao mundo que é intolerante e mal agradecida a quem lhe proporciona uma Copa do Mundo no padrão Fifa.

Aliás, tivemos mesmo o ”padrão Fifa” tão cantado em prosa e verso também na festa de abertura: um espetáculo frio, mecânico, bonitinho mas ordinário. Com direito até a sumirem com o exoesqueleto do Miguel Nicolelis.

Ninguém publicou uma notícia sequer sobre a preparação daquela coreografia glacial, não é?

Claro, era da Fifa, não era do Governo. Se fosse tinha especulação até com o custo da fantasia de samambaia.

Não tinha negro, exceto um ou dois, entre as centenas de bailarinos e figurantes.

Não tinha a arte popular, exuberante, lasciva, irreverente.

Não tinha improviso, mas também não tinha espontaneidade.

Ainda bem que no campo teve.

Gol contra com dez minutos é uma traulitada pra ninguém botar defeito.

E nosso time teve a calma para não entrar em parafuso e deixar Neymar empatar o jogo.

Com direito a uma bela exibição de Oscar, a quem a mídia já havia morto e enterrado.

O pênalti em Fred pode ter sido marcado com rigor excessivo, sim, mas houve o puxão e um entrelaçada de braço do zagueiro croata. E o nosso centroavante fez a malandragem que os “politicamente corretos” detestam, o povão aplaude e a história consagra.

Ou o “la mano de Dios” de Maradona não é uma das histórias mais saborosas e repetidas do futebol?

Sigo repetindo o que venho dizendo.

A oposição brasileira virou o fio.

A Copa que funciona e a grosseria que Kfouri descreveu – e que Aécio Neves confirmou com suas declarações de que “a presidente está sitiada” – vão paulatinamente fazer que as pessoas percebam que não há frase mais adequada para descrever nossa elite do que aquela que o colunista esportivo escreveu:

Mostrou que “é intolerante e mal agradecida a quem lhe proporciona uma Copa do Mundo no padrão Fifa.”

E com quem quer lhe proporcionar um país com desenvolvimento e níveis melhores de justiça social que não mantenham o Brasil no que sempre foi o seu padrão, o “padrão selva”.

Mas também não surpreende: afinal, é gente completamente selvagem, apesar de ser elite.

a versão moderna e adaptada do Flautista de Hamelin


As vaias à Dilma e os neoflautistas de Hamelin

GGN

sex, 13/06/2014 - 13:22 - Atualizado em 13/06/2014 - 18:43

Luis Nassif





Encontro um banqueiro meu conhecido após o jogo da Copa. Ficou em um dos camarotes VIPs, ao lado de personalidades como Gilmar Mendes.

Foi com a namorada ao Itaquerão. Ambos estavam impressionados com a qualidade do estádio, com a limpeza dos banheiros, com a beleza e relevância do evento. Até Lázaro Brandão, o todo-poderoso presidente do Conselho do Bradesco, esteve presente, me diz ele.

Tudo funcionou a contento, disseram-me, o trânsito (que depende da Prefeitura), o Metrô (que depende do estado), o estádio (cuja construção foi apoiada pelo governo federal). Enfim, motivo geral para espalhar pelo mundo uma imagem mais positiva do país.

Apenas um dado falhou, para vergonha de São Paulo: o nível das vaias à presidente da República.

- Não era povão. Veio das alas VIPs e foi constrangedor.

O momento mais baixo da Copa, o episódio que manchou a imagem do país no mundo partiu daquele segmento que Cláudio Lembo chama de “elite branca”. Mas, como bem observou um de nossos comentaristas, não os trate como elite. Elite pressupõe um estágio intelectual e moral superior. São Paulo tem uma elite intelectual, médica, tecnológica.

Os que se manifestaram representam apenas a selvageria empetecada, os black blocs com grife.

O caráter de um jornal é dado pela soma individual dos seus colunistas e pela linha editorial.

Hoje, o episódio foi lamentado pelos maiores cronistas esportivos, timidamente em suas colunas, mais acerbamente em seus blogs. Mas são pontos fora da curva.

A baixaria contra uma presidente da República, uma mulher digna, não mereceu condenação dos jornais, mas a celebração em suas manchetes. O grito: “Dilma vai tomar no c…” torna-se, a partir de agora, o símbolo máximo do enorme poder de que dispõe a mídia para influenciar o baixo clero da “elite branca”.

São incapazes de separar a crítica ao estilo dos ataques pessoais. Não é por nada que tornaram José Serra seu herói predileto. Qualquer coisa vale na disputa política, principalmente abrir mão de ideias e recorrer aos ataques mais baixos.





Os jornalões tornaram-se a versão moderna e adaptada do Flautista de Hamelin. O flautista levava os ratos para o rio e os afogava. Os jornais levam os ratos para o mundo - e os celebram.

Não foi por outro motivo que a parte do evento que mais impressionou a colunista social do Estadão foram alguns banheiros entupidos. Na verdade, havia pouco banheiro para a m… que jorrou dos camarotes, estimulada pelos neoflautistas de Hamelin.

o baitasar está tb de chuteiras


O que esperamos da Copa


Diário do Centro do Mundo
Postado em 12 jun 2014
por : Paulo Nogueira






E a Copa está aí, sob uma monumental, descarada torcida contra daquele grupo pequeno e poderoso que, ao longo dos tempos, fez o Brasil ser um campeão mundial da iniquidade e hoje continua empenhado para que nada mude.

O DCM não respeita esse grupo por ver nele um formidável obstáculo ao avanço do Brasil rumo ao que chamamos de “sociedade escandinava” – libertária, feliz, igualitária.

Respeitamos, no entanto, aqueles que se opuseram à Copa por razões humanitárias e sociais. Foram eles que deram voz aos removidos para as obras da Copa, um contingente de desvalidos que o governo calcula em 25 000 pessoas e ativistas em muito mais.

O DCM estende sua completa solidariedade a cada um dos removidos – brasileiros infelizmente ainda hoje invisíveis, ignorados e desprezados.

Lembramos também, com compunção, cada um dos operários mortos nas obras que permitirão a festa que começa hoje.

Tudo isso colocado, o DCM agora está de chuteiras.

Sabemos que o dinheiro corrompeu o futebol, sabemos que a Fifa é um antro de espertalhões, sabemos que a CBF é um horror.

Mas sabemos também que milhões de brasileiros – sobretudo os mais humildes – viverão momentos de extraordinária emoção neste mês de Copa.

É, com todos os defeitos que o dinheiro em excesso trouxe, uma festa popular, democrática, na qual os mais humildes não são segregados como de hábito.

Uma vitória do Brasil pode contribuir para mitigar o espírito de vira-latas tão alimentado, por razões escusas, pelos interessados na manutenção de um país bom apenas para uma pequena fração cheia de mamatas e privilégios.

As vítimas primordiais desse bombardeio anti-Brasil são aqueles inocentes úteis que enchem a internet com comentários nos quais dizem ter vergonha do país, ao qual se referem com expressões como Banânia.

Eles aprendem estes auto-insultos com jornalistas que são, para usar uma expressão do Nobel de Economia Paul Krugman, os “sicários da plutocracia” – aquele exército de colunistas pagos para defender os interesses do 1%.

Você não constrói um país com este tipo de espírito derrotista. Você, para avançar, precisa antes de tudo acreditar que pode avançar.

A Copa pode ajudar a fortalecer a fé do brasileiro em si mesmo, e em sua capacidade de construir uma sociedade mais justa do que esta que temos, na qual o Estado tem sido babá da plutocracia.

Por tudo isso, o DCM torce para que esta seja uma grande Copa, repleta de lances espetaculares que fascinem os brasileiros – e honrem, lembremos ainda uma vez, os removidos e os operários mortos.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

quando a esquerda pensa e escreve com a direita

Copa do Mundo
Valter Pomar denuncia “sequestro intelectual” de Safatle


publicada sexta-feira, 13/06/2014 às 10:26 e atualizada sexta-feira, 13/06/2014 às 10:26


Escrevinhador





Por Valter Pomar, em seu blog

Já enviei dois textos acerca da Copa (um do Wladimir, outro meu e do Lício Lobo), onde está contida minha opinião sobre o conjunto da obra.

Quanto ao texto do Safatle [leia abaixo], reitero o que disse antes: ele foi “sequestrado” e seu texto “é tão inacreditável, que não deve ser dele”.

Explico.

O texto é construído a partir de um artifício literário: o “não teve Copa”.

A afirmação de que “não teve Copa” só faz sentido se for uma referência não a Copa propriamente dista, mas sim uma referência aquela Copa que alguém (o governo, o PT, quem quer que seja) queria que ocorresse.

Ou seja: o confronto entre uma intenção (cujos termos Safatle resume de forma caricata) e uma hipótese (a de que, ocorra o que ocorrer nos jogos, o resultado já pode ser contabilizado).

Óbvio que esta maneira de tratar do tema resulta no encobrimento de uma parcela importante da realidade, a começar pelo que ainda vai acontecer.

O que torna isto particularmente “inacreditável”, vindo de alguém que se considera de esquerda, é que graças a este “truque literário” Safatle encobre determinados interesses políticos.

Exemplo: ao dizer que “pela primeira vez uma Copa do Mundo não trará dividendos políticos” Safatle encobre os motivos pelos quais a grande imprensa promove uma campanha cotidiana de denúncia acerca da Copa.

Os motivos da grande imprensa, a saber: fazer com que uma derrota do Brasil e/ou um mal funcionamento das coisas durante a Copa afete negativamente a candidatura Dilma.

Acho inacreditável que alguém que se afirma de esquerda cometa este tipo de encobrimento da realidade. Aliás, quem se pretende “oposição de esquerda” deveria tomar o cuidado de se diferenciar da oposição de direita.

Por isto é que considero que Safatle foi “sequestrado”.

No seu lugar está alguém que o mesmo tipo de parâmetro dos articulistas da direita. Estes, incapazes de defender o passado neoliberal e impossibilitados de falar honestamente do futuro que almejam, dedicam-se com um afinco quase esquerdista ao trabalho de criticar “tudo isto que está aí”, atribuindo ao governo e à “esquerda governista” as responsabilidades por tudo e mais um pouco..

Observem, por exemplo, o seguinte raciocínio feito por Safatle: ” (…) apareceu uma outra imagem do país: essa da nação que se estagnou em um ponto no qual o desenvolvimento não consegue se transformar mais em qualidade efetiva de vida. Ponto no qual operários são mortos em construção (…)”.

Vejam que incrível: antes, sabe-se lá quando, tivemos um desenvolvimento que conseguia se transformar em qualidade de vida. Agora não temos mais. Agora estagnamos em um “ponto” no qual “operários são mortos em construção”.

Não tenho a menor dúvida de quem recolherá os “dividendos políticos” deste modo de expor as coisas. E não será a esquerda. Nem a ultra-esquerda.

Abraços


Valter Pomar

———————————————–
Não teve Copa

Por Vladimir Safatle, na Folha

A ideia parecia perfeita. Depois de 12 anos de continuidade com programas importantes de transferência de renda, que levaram 32 milhões de brasileiros à classe média, o Brasil estaria em condições de mostrar ao mundo sua nova imagem. Seria a consagração do país diante do cenário internacional.

Mostraríamos um Brasil alegre, orgulhoso de si mesmo, onde empreiteiras e trabalhadores cantam de mãos dadas o hino nacional e se veem como sócios em um novo e radiante momento de desenvolvimento. Publicitários estariam a postos para mobilizar afetos de superação entre um gole e outro de Coca-Cola. Só sorriso no ar.

Essa era a verdadeira função da Copa do Mundo: completar a narrativa política da transformação nacional apelando ao acolhimento do olhar estrangeiro.

Bem, o problema é que não teve Copa. Houve jogos, um campeão, estádios em Brasília, Cuiabá e Manaus, mas não houve Copa. Não apenas porque apareceu uma outra imagem do país: essa da nação que se estagnou em um ponto no qual o desenvolvimento não consegue se transformar mais em qualidade efetiva de vida.

Ponto no qual operários são mortos em construção como algo que, nas palavras de Pelé, “é normal, pode acontecer”, quase como uma lei da natureza. Na verdade, não houve Copa do Mundo porque o povo brasileiro saiu do lugar.

Ele tinha um lugar previamente definido. Sua função era celebrar e aclamar. Com casas pintadas de verde e amarelo e, como se diz, com “alegria contagiante”, o povo brasileiro deveria abraçar seu novo lugar no mundo. Mas algo saiu definitivamente do lugar.

O enorme aparato policial-militar montado para impedir que o povo saia da coreografia da felicidade imposta e a brutalidade governamental contra grevistas, como vemos mais uma vez em São Paulo, tudo está aí para não deixar negar. Não, o povo brasileiro não está feliz, pois se sente como alguém que teve sua paixão usada por outros.

Sinal dos tempos. No chamado “país do futebol” pela primeira vez uma Copa do Mundo não trará dividendos políticos, mas mostrará uma população consciente da tentativa de espoliar seus sonhos. População cuja revolta pode explodir a qualquer momento, da forma mais inesperada possível, mesmo que seja governada por pessoas que nada mais tem a oferecer a não ser a polícia.
Algo mudou de maneira profunda, mas os publicitários, estrategistas e políticos não perceberam. Não há grande evento que consiga esconder o desencanto de um povo.

Por isso, nada mais honesto do que dizer: não teve Copa. E quem mais ganhou com isso foi o Brasil.





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Faltou pedir o colo da mamãe! uau!

Nem de longe! A torcida que, faça chuva ou faça sol


Aquela, em Itaquera, não era a torcida brasileira. Nem de longe


Blog do Sakamoto

Leonardo Sakamoto
13/06/2014 09:10



Quem está acostumado a ir em estádios em jogos da série A e B do campeonato brasileiro (sou palmeirense, não desisto nunca), em caneladas de campos de várzea com esquadras de brasileiros e bolivianos ou se lembra do saudoso Desafio ao Galo, estranha quando vê as arquibancadas praticamente monocromáticas da Copa do Mundo.

Por favor, não me leve a mal. Todos têm direito a se divertir.

Mas como temos mais brancos ricos do que negros ricos por aqui (fato totalmente aleatório uma vez que não somos racistas) era de se esperar que isso acontecesse. Ainda mais, considerando-se a facada que pode ser um ingresso diretamente com a Fifa ou via a sagrada instituição do camelô.

Ouvindo o rádio, o locutor cravou: “Olha que maravilha! É a família brasileira voltando para os estádios''. Na verdade, um tipo específico de família, a de comercial de margarina. Pois os jogos de Copa são um momento em que o tecido espaço-tempo se rasga e tudo ganha caras de universo paralelo – regado a muito dinheiro público e ação pesada para manter as “classes perigosas'' longe. Na dúvida, bomba nelas.

Particularmente acho que a consequência imediata mais nefasta da presença de uma torcida que não frequenta estádios regularmente é que ela não empurra o time como necessário.

“Leleô, leleô, lelêo'', “Brasil, Brasil, Brasil'' e “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amoooor!'' (#vergonhalheia) intercalados com grandes momentos de silêncio é algo estranho de se ver. Não estou defendendo que o estádio seja dividido entre a Mancha, a Gaviões e a Independente (essas, sim, capazes de empurrar qualquer coisa e que não param nunca – mas que vêm com a contrapartida de alguns dodóis que não sabem brincar sem bater). Apenas afirmando que aquela, no estádio, não era a “torcida brasileira''. Nem de longe! A torcida que, faça chuva ou faça sol, ganhando ou perdendo, está lá apoiando seu time, ao vivo, por mais medíocre que ele seja. Esse pessoal, que ajuda nosso futebol a ser o que é, mereceria estar melhor representado nas arquibancadas do Itaquerão.

Fico imaginando como seria se o preço fosse acessível e o acesso aos ingressos viesse pelas mais democrática das práticas: o sorteio de interessados cadastrados. Talvez mais gente que assistiu a partir do telão no Anhangabaú estivesse em Itaquera.

Pessoal que não tira selfie no trem, a caminho do jogo, e posta nas redes sociais pois já pega o mesmo trem todos os dias para ir ao trabalho.

Galera para a qual, esta quinta (12), não foi sua primeira, nem sua última vez na periferia da cidade.

Turma que trabalhou nas obras que tornaram o circo possível. Mas, agora, vão assistir tudo a uma distância considerada segura pelos donos da festa.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A Copa vai começar


Copa: Os protestos legítimos e a farsa dos oportunistas



Terra Magazine






POR BOB FERNANDES

A FIFA queria 8 sedes. São 12 por que 18 estados e suas populações queriam sediar a Copa.

Agnelo Queiroz, do PT, fez estádio de R$ 1 bilhão e 700 em Brasília. O Maracanã, de Sergio Cabral e PMDB, custou R$ 1 bilhão e 200.

Minas, governada por Aécio e Anastasia, do PSDB, fez o Mineirão de R$ 700 milhões. O Pernambuco de Eduardo Campos (PSB) ergueu estádio de R$ 650 milhões.

A Copa vai começar. Com protestos legítimos, justos. E também com a farsa de oportunistas e hipócritas.

Quem nada ou quase nada tem, está fora dos estádios. E doido para estar dentro.

Como quer estar dentro das melhores escolas, universidades, ter melhor serviço de saúde, melhor segurança.

Quem está fora quer o que têm os que, já dentro dos estádios, fazem de conta que gostariam de estar fora da Copa.

Milhões querem um Brasil melhor. Outros dizem querer; desde que a "PEC das Domésticas" não eleve o gasto com seus empregados.

Querem… desde que cotas não "roubem" vagas dos seus filhos. E que o Bolsa-Família não "torre" R$ 70 por pessoa para famílias que vivem com menos de R$ 140.

É obrigação cobrar legados e denunciar: Copa e Olimpíada desabrigaram milhares de famílias.

Como é obrigação lembrar: 10% dos mais ricos concentram 42% da renda do país… E escondem US$ 520 bilhões em paraísos fiscais.

A propósito de legados: o Brasil ainda é um dos 10 países mais desiguais do mundo.

Há um discurso destrutivo…escondido pelo biombo da cobrança de legado. Como se a miséria secular fosse fruto de… geração espontânea.

Só falta querer negar também o futebol e sua alegria a quem nada tem.

Como se o futebol e a seleção brasileira não fossem parte nuclear da cultura, da memória afetiva do Brasil.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Movimento dos Trabalhadores Sem Teto


Depois de vida em favelas, Márcia terá casa própria: “Dilma, eu te amo!”




publicado em 11 de junho de 2014 às 12:51



Márcia Belarmina da Paixão (Fotos Caio Castor)

Sem teto da ocupação Copa do Povo comemoram decisão de Dilma

Governo federal anunciou nesta segunda, 9, que serão construídas duas mil moradias no local

Por Lúcia Rodrigues, especial para o Viomundo

A decisão da presidenta Dilma Rousseff de construir duas mil unidades habitacionais na ocupação Copa do Povo, em Itaquera, zona leste da capital paulista, deixou os sem teto que vivem no acampamento, radiantes. “Quero dar um beijo na boca dela. Eu tô sendo sincero. Não tô brincando. A Dilma tá de parabéns”, vibra Jailton Jaime Albuquerque Diógenes, 22.

Desempregado e sem condição de pagar um aluguel, o soldador Jailton viu na Copa do Povo sua tábua de salvação. Resolveu entrar no terreno, depois de ter sido alertado pela mãe e avó de que várias pessoas participariam da ocupação. A própria avó e a irmã dele, também ocupam outros barracos. “Eu vim com pensamento positivo. Enfrentamos chuva e frio, mas valeu a pena. Agora vou ter onde morar”, comemora.

“Fui eu que construí esse barracão”, aponta satisfeito para o local onde ocorrem as reuniões do MTST, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que coordena a ocupação. Jailton também montou uma pequena horta de plantas medicinais, que os sem teto chamam de farmácia popular.

Na Copa do Povo praticamente tudo é coletivo: banheiro, cozinha. Apenas os barracos com chão de terra batido, cobertos e forrados com plásticos pretos, onde os sem teto dormem, são privativos. Na maioria deles, só cabe uma cama. Alguns moradores cobrem os colchões com plásticos para evitar que a chuva molhe a espuma durante o período em que estão fora de casa.




Rafael, com Kimberlly

Solidariedade

Quem está desempregado, ajuda nas oito cozinhas comunitárias distribuídas pelo acampamento. Rafael Leite, 25, pai de Kimberlly,de um ano e sete meses, levantou cedo para levar a filha na creche e correr para preparar o café da manhã de outras crianças e sem teto que vivem no acampamento. “Eu faço café da manhã, almoço. Cada um ajuda um pouquinho”.

Ele conta que algumas padarias doam pãezinhos. As outras refeições também dependem de doações: “arroz, feijão, tudo é doado”.

Sobre a decisão do governo federal de construir moradias populares no acampamento, ele brinca: “O terreno tava abandonado há 30 anos. A gente lutou muito, batalhou e agora sai essa notícia de que a gente ganhou o nosso pedacinho de chão. Agora é só felicidade. Vamos esperar sair os nossos apês”, afirma rindo.

Outra que não continha a alegria, era a aposentada Márcia Belarmina da Paixão, 51. Há 20 anos em São Paulo, a pernambucana sempre morou em favelas. Veio para a Copa do Povo porque o barraco onde vivia no Jardim Colonial corre risco de desmoronar. “Já perdi seis vezes a casa. O barro cai em cima e desmorona, é de madeira. Muita gente doou coisas, mas eu fui perdendo, perdendo. Já perdi tudo”, conta entristecida.

Quando estava na ativa, Márcia trabalhava como doméstica. O baixo salário não permitiu que o sonho da casa própria se concretizasse. “O dinheiro nunca deu pra comprar. Dilma eu te amo!”, exclama ao se referir à autorização, para a construção das moradias, dada pela presidenta.

Respiração ofegante e pernas inchadas não tiram dela a gana de conquistar o primeiro endereço, para ela, marido e três filhas. “Todos nós merecemos uma moradia digna. Lá onde eu vivo, não tem correspondência (correio não passa). Também tô muito feliz porque têm moradores de rua que estão vivendo aqui, vão conquistar uma casinha”, frisa. “Se eu pudesse chegar na Dilma, eu ia até lá (Brasília), pra dizer que eu amo ela.”




Dalva Souza

Ajoelhou para agradecer

A desempregada Dalva Souza, 37, conta que ficou tão emocionada quando recebeu a notícia, que chegou a ajoelhar no chão e chorar. “Abracei minha Vitória (a filha de um ano e meio) e agradeci a deus de joelhos. Chorei, bati os joelhos no chão. E tem de agradecer a Dilma também”, enfatiza.

Ela já teve casa, mas perdeu o imóvel quando se separou do marido. “Ajudei a construir e fui expulsa”, conta com os olhos marejados. Para ajudar no orçamento da nova família, Dalva toma conta de Gustavo, um menino da mesma idade de Vitória, filho de um casal de moradores do acampamento que trabalham.

No início da manhã desta terça, 10, ela levou o garoto para comer pão com manteiga em uma das cozinhas da ocupação. Quem serviu o bebê foi o cozinheiro desempregado, Daniel Lima Custódio, 25. O rapaz tem sobrevivido com o seguro-desemprego que recebe do último serviço.

Antes de mudar para a Copa do Povo, ele morava no Carrão, também na zona leste, mas o preço do aluguel, o trouxe para Itaquera. Daniel ficou sabendo da ocupação pela sogra. “Gosto mais dela, do que da minha mulher”, brinca.

A precariedade do acampamento não tira o ânimo dele. “Tomo banho frio, mesmo, não tem luz…” Na maior parte do acampamento não existe energia elétrica. Ele explica que para iluminar os barracos e as cozinhas à noite, os sem teto usam lanternas, lampiões e velas, de vez em quando, por causa do risco de incêndio.

Preocupado com a limpeza do ambiente, ele varre o chão de terra batido durante a conversa com a reportagem de Viomundo. A cozinha que administra, além de dois fogões e mesas, também tem um quadro emoldurado de uma paisagem pendurado em uma das madeiras que sustentam a estrutura. A água para lavar as louças é trazida em garrafas pet, que ele começa a organizar assim que termina de varrer o chão.

Um cartaz no interior do cômodo informa o horário em que as refeições são servidas. Café da manhã, das 8h às 10h, almoço, das 13h às 15h, café da tarde, das 16h às 17h, e janta, das 20h às 21h.

Baiano de Vitória da Conquista, o jovem conta que sempre pagou aluguel em São Paulo, onde vive há 18 anos. Mais reticente do que os colegas sem teto, Daniel afirma que “tava mais do que na hora de resolver o problema. Porque pra gastar bilhões em estádios, tem. Lá na Bahia o governo constrói casas, rapidinho, não é que nem o governo de São Paulo”, alfineta.

Vizinhos do Itaquerão

“Se algum gringo vier assistir o jogo no Itaquerão e quiser dormir no meu barraco, pode vir”, afirma Daniel ao oferecer solidariamente a habitação.

A maioria dos entrevistados pela reportagem do Viomundo é corinthiana e está duplamente alegre com a decisão do governo federal. Ao mesmo tempo em que vão conquistar um teto, se tornam praticamente vizinhos do estádio do time do coração.

“Sou corinthiana fanática. É um privilégio morar aqui. À noite nos dias de jogos, o Itaquerão fica todo iluminado”, revela a desempregada Gisleine Cristina dos Santos, 24, mãe de um menino de um ano e quatro meses.

Solteira, ela deixa a criança com mãe do pai criança, enquanto espera pelo teto. “Quando eu trabalhava, ganhava o salário mínimo e pagava R$ 350 de aluguel. Não dava pra me manter. Agora, não pagando aluguel vai dar. Vou conseguir arrumar um emprego. Deus abençoe a Dilma.”

“Nossa luta não é contra a Copa, contra o futebol, mas contra o dinheiro que foi gasto”, ressalta o corinthiano Daniel Rodrigues de Carvalho, 32. Desempregado, faz bicos como motorista de van esporadicamente. O orçamento minguado também o empurrou para a Copa do Povo. Assim como os demais sem teto, ele ocupa um dos milhares de barracos erguidos ao longo do terreno íngreme, que quando chove torna-se um perigo para quedas.

Ele recorda que frequentava o terreno, que deve se transformar em sua moradia, desde criança. “A gente vinha jogar bola no campo de futebol. Caçava passarinhos. Peguei uns tico-ticos aqui. Estou muito feliz com a notícia. É uma sensação de satisfação, de felicidade”, fala com os olhos marejados. “Conseguimos uma vitória, mas a guerra não acabou. A luta contínua”, pondera.

Veja, abaixo, o álbum de fotos da ocupação (a produção de conteúdo exclusivo do Viomundo depende do financiamento de nossos leitores. Torne-se um assinante).


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os intocáveis?


Clima de Despedida

Barbosa manda seguranças expulsarem advogado de Genoino do plenário do STF


Luiz Fernando Pacheco interrompeu sessão para cobrar que presidente da Corte leve decisão sobre regime domiciliar aos demais ministros. 'A República não pertence a Vossa Excelência', respondeu Barbosa


por Redação RBA publicado 11/06/2014 16:15




Barbosa se despede da Corte este mês após uma passagem pela presidência marcada por polêmicas


São Paulo – O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, determinou hoje (11) que seguranças retirassem do plenário o advogado Luiz Fernando Pacheco, defensor do ex-presidente do PT José Genoino. A expulsão ocorreu após bate-boca durante sessão interrompida por Pacheco para cobrar que Barbosa permita que os demais ministros apreciem o pedido de cumprimento domiciliar de sentença decorrente da Ação Penal 470, o mensalão.

“Não quero de forma alguma atrapalhar os trabalhos dessa Corte. Processos penais, execuções penais têm precedência sobre qualquer outro assunto. Há um agravo de José Genoino Neto que está concluso a Vossa Excelência”, afirmou o advogado.

“Não está pautado”, rebateu Barbosa.

“Não está pautado e por isso mesmo eu venho à tribuna”, respondeu Pacheco.

“Vossa Excelência vai pautar?”


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“Eu não venho pautar. Venho rogar a Vossa Excelência que coloque em pauta porque há parecer do procurador-geral da República favorável à prisão domiciliar deste réu, deste sentenciado, e Vossa Excelência deve honrar esta casa e trazer aos seus pares o exame da matéria. Vossa Excelência mandou que ele voltasse ao regime semiaberto. Nós pedimos a Vossa Excelência que ele viesse a regime domiciliar”, continuou Pacheco.

“Vou pedir à segurança para tirar esse homem daqui. Tira essa... tira esse homem daqui”, ordenou Barbosa, sendo prontamente atendido.

“Vou processar Vossa Excelência por abuso de autoridade”, avisou o advogado.

“Quem está abusando de autoridade é Vossa Excelência. A República não pertence a Vossa Excelência e nem a sua grei”, concluiu o ministro – grei significa clã, grupo.

A família do ex-deputado argumenta que o cumprimento da pena em regime semiaberto, no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, coloca em risco a vida de Genoino, que sofre de problemas cardíacos e foi submetido a cirurgia no ano passado.

Genoino chegou a ser autorizado provisoriamente ao regime domiciliar logo após o início do cumprimento da pena de quatro anos e oito meses, em novembro do ano passado. Ele passou mal e foi levado a uma clínica em Brasília, recebendo aval para ficar recluso a um apartamento na capital até o último mês de maio, quando Barbosa decidiu que o petista deveria voltar a cumprir pena na Papuda. No começo de junho o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu que se retorne à prisão domiciliar porque há riscos claros à saúde e não é possível garantir o atendimento adequado no sistema prisional brasileiro.

Em nota, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) repudiou a atitude de Barbosa, afirmando que o advogado é "inviolável" quando no exercício da profissão. "O presidente do STF, que jurou cumprir a Carta Federal, traiu seu compromisso ao desrespeitar o advogado na tribuna da Suprema Corte. Sequer a ditadura militar chegou tão longe no que se refere ao exercício da advocacia. A OAB Nacional estudará as diversas formas de obter a reparação por essa agressão ao Estado de Direito e ao livre exercício profissional. O presidente do STF não é intocável e deve dar as devidas explicações à advocacia brasileira."

Também em nota, Barbosa afirmou considerar lamentável a atitude de Pacheco. "Agindo de modo violento e dirigindo ameaças contra o Chefe do Poder Judiciário, o advogado adotou atitude nunca vista anteriormente em sessão deste Supremo Tribunal Federal. O presidente zela para que todas as normas regimentais e legais sejam integralmente cumpridas e observadas igualmente por todos os advogados que militam perante esta Corte."


Barbosa deve deixar a Corte ainda este mês. Recentemente ele anunciou que vai se aposentar, aos 59 anos. Entre outras coisas, pesou na decisão a falta de clima entre os demais ministros, que entendem que o presidente colocou a imagem do Supremo em risco com decisões tomadas de forma unilateral, em alguns casos sob polêmica.

Numa das mais recentes, Barbosa ignorou jurisprudência consolidada desde 1999 para recusar ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu o direito ao trabalho externo durante o cumprimento da pena. O presidente da Corte argumentou que o artigo 37 da Lei de Execução Penal prevê que transcorra um sexto da pena de regime semiaberto, caso de Dirceu, para que se possa acessar o benefício. Com base neste entendimento Barbosa revogou a autorização concedida anteriormente ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares.

Ao tomar a decisão, o presidente do Supremo criticou ainda a intenção de Dirceu de colocar um escritório de advocacia como local de trabalho. Barbosa afirmou se tratar de um conluio entre amigos para tentar driblar o Poder Judiciário, o que despertou críticas no meio jurídico. Ontem a seccional do Distrito Federal da OAB emitiu moção de repúdio às ironias do ministro e saiu em defesa dos advogados do petista.

O advogado de Dirceu e entidades da sociedade civil entendem que Barbosa se valeu de um artigo que diz respeito exclusivamente ao regime fechado, e que os casos do semiaberto são balizados pelo Código Penal, que garante o trabalho externo desde o primeiro dia de cumprimento da pena. O recurso apresentado pela defesa do petista é outro que Barbosa não levou a apreciação do plenário, e que já conta com parecer favorável de Janot. Para o procurador-geral da República, não há motivos para desrespeitar os direitos dos condenados no caso do mensalão.

OAB: NOTA DE REPÚDIO


OAB SOBRE BARBOSA:
PIOR QUE OS DITADORES !


OAB: O presidente do STF, que jurou cumprir a Carta Federal, traiu seu compromisso ao desrespeitar o advogado

Conversa Afiada





O Conversa Afiada reproduz nota de repúdio da Ordem dos Advogados do Brasil direcionada a Joaquim Barbosa, presidente do STF, que expulsou o advogado de José Genoíno do Plenário, nesta quarta-feira (11):



OAB EMITE NOTA DE REPÚDIO A PRESIDENTE DO STF, QUE EXPULSOU ADVOGADO



Brasília – Leia abaixo nota de repúdio do Conselho Federal da OAB contra o ministro Joaquim Barbosa, presidente do Supremo Tribunal Federal, que nesta quarta-feira (11) expulsou do plenário da Suprema Corte, com uso de segurança, o advogado Luiz Fernando Pacheco. Defensor do apenado José Genoíno, Pacheco usou a tribuna para requerer que entrasse na pauta da Casa julgamento sobre pedido de prisão domiciliar de seu cliente.

NOTA DE REPÚDIO

A diretoria do Conselho Federal da OAB repudia de forma veemente a atitude do presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, que expulsou da tribuna do tribunal e pôs para fora da sessão mediante coação por segurança o advogado Luiz Fernando Pacheco, que apresentava uma questão de ordem, no limite da sua atuação profissional, nos termos da Lei 8.906. O advogado é inviolável no exercício da profissão. O presidente do STF, que jurou cumprir a Carta Federal, traiu seu compromisso ao desrespeitar o advogado na tribuna da Suprema Corte. Sequer a ditadura militar chegou tão longe no que se refere ao exercício da advocacia. A OAB Nacional estudará as diversas formas de obter a reparação por essa agressão ao Estado de Direito e ao livre exercício profissional. O presidente do STF não é intocável e deve dar as devidas explicações à advocacia brasileira.

Diretoria do Conselho Federal da OAB

Brasília, 11 de junho de 2014

terça-feira, 10 de junho de 2014

oô seu vizinho... para de comprar, ainda fica todo ceguinho


Finalmente: Governo escancara o jornalixo da Veja e mostra que esse folhetim para forrar caixa de gatos mente


junho 10th, 2014

by mariafro


Veja poderia fazer jornalismo, mas faz muito tempo que abriu mão disso. Se fizesse explicaria que o Decreto instituindo os Conselhos Populares é completamente constitucional e tornará a democracia melhor.

Mas, Veja e o monopólio midiático querem ser o Estado, com ampliação da democracia direta o monopólio ilegal, do qual ela faz parte, corre riscos. Isso é luta pela própria sobrevivência do folhetim para forrar caixa de gatos.

As razões excusas de Veja entendemos direitinho o que é mais repugnante é ver um Congresso sem qualquer representatividade fazendo o mesmo papelão: Conselhos da sociedade civil são constitucionais, mas a oposição acha que são ‘antidemocráticos’






Da Secretaria-Geral da Presidência da República

VEJA CRITICA PARTICIPAÇÃO SOCIAL, MAS IGNORA ESCLARECIMENTOS DA SECRETARIA-GERAL

10 de junho de 2014

A revista Veja publicou na edição desta semana, com data de 11/06/2014, editorial e matéria com muitos adjetivos e referências à história da União Soviética, a pretexto de criticar o decreto no. 8.243/2014, por meio do qual a presidenta Dilma Rousseff institui a Política Nacional de Participação Social. O editorial chega a caracterizar o decreto como “o mais ousado e direto ataque à democracia representativa em dez anos de poder petista no Brasil”.

10.06.2014 – Veja critica participação social, mas ignora esclarecimentos da Secretaria-Geral


A revista enviou, na quinta-feira passada, uma série de 25 perguntas à assessoria de comunicação da Secretaria-Geral da Presidência da República. As respostas, entretanto, não foram consideradas pelos redatores do semanário. Tudo indica que, quando não interessa à sua singular interpretação, a Veja não lê as respostas para suas perguntas. Se isso tivesse ocorrido, a revista teria se poupado de publicar erros grosseiros e evitado desinformar seus leitores. As respostas da Secretaria-Geral deixam claro que o decreto não cria nenhum novo conselho, nem invade as competências do Congresso Nacional, que é o responsável pela criação e pela legislação que disciplina os atuais 35 conselhos nacionais de participação social.

Para subsidiar o debate e corrigir os erros da revista, que além de não dar espaço ao “outro lado” em seus textos, também se recusa a publicar correções, publicamos a seguir as 25 perguntas da Veja e as respostas da Secretaria-Geral da Presidência da República.

A respeito do decreto 8.243 assinado pela presidente Dilma Rousseff:


1) VEJA: Quantos Conselhos de Políticas Públicas serão criados a partir do decreto 8.243?

Secretaria-Geral: O Decreto 8.243 não cria nenhum conselho. Ele estabelece diretrizes básicas para orientar a eventual criação de novos conselhos. Os 35 conselhos nacionais que já existem permanecem com suas estruturas atuais e poderão vir a se adequar às diretrizes do Decreto, caso seja constatada essa necessidade.

2) VEJA: Os conselhos são deliberativos ou consultivos?

Secretaria-Geral: Depende da natureza do conselho. Podem ser exclusivamente deliberativos ou consultivos, ou ainda concomitantemente deliberativos ou consultivos. Ou seja, podem deliberar sobre parte da política a que se referem, sendo consultivos em relação ao restante.
3) VEJA: O decreto fala que podem participar dos conselhos “cidadão, coletivos, movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações”. Que critérios serão adotados para realizar a seleção dos integrantes do conselho na sociedade civil?

Secretaria-Geral: Os representantes da sociedade civil são selecionados conforme as regras específicas de cada conselho, definidas em seu ato de criação que, na totalidade dos conselhos, é decorrente, direta ou indiretamente, de leis debatidas e aprovadas pelo Congresso Nacional.

4) VEJA: Quem define os movimentos sociais que participarão?

Secretaria-Geral: Cada conselho tem definição própria, que decorre, direta ou indiretamente, de legislação de responsabilidade do Congresso Nacional.

5) VEJA: Independentemente de partido, o que impede que os conselhos previstos no decreto se tornem braços políticos dentro do governo?

Secretaria-Geral: A representação da sociedade civil nos conselhos reflete a diversidade política das organizações e movimentos que atuam em cada setor. Não há ingerência do Executivo na definição dos representantes da sociedade nos conselhos, não havendo registro de nenhuma contestação ou denúncia desse tipo de interferência.

6) VEJA: O que é “movimento social não institucionalizado” para efeitos do decreto?

Secretaria-Geral: São movimentos que, apesar de atuarem coletivamente, não se constituíram como pessoa jurídica nos termos da lei.
7) VEJA: O que são “grupos sociais historicamente excluídos e aos vulneráveis” para efeitos do decreto?

Secretaria-Geral: Aqueles que se encontram em situação de desvantagem em cada um dos casos referidos no art. 3º da Constituição Federal.

8) VEJA: O decreto fala em assegurar a “garantia da diversidade entre os representantes da sociedade civil” nos conselhos. Como isso será feito na prática?

Secretaria-Geral: Procurando, de acordo com as regras de cada conselho, garantir oportunidade de participação do maior número possível de segmentos sociais que atuam no âmbito de cada política pública.

9) VEJA: O decreto fala em estabelecer “critérios transparentes de escolha dos membros” dos conselhos. Como isso será feito na prática?

Secretaria-Geral: A transparência é assegurada pela observação dos critérios do ato de criação de cada conselho, pela publicização prévia dos editais de convocação dos processos seletivos e pela fiscalização de critérios democráticos pelos próprios movimentos e organizações que atuam em cada política.

10) VEJA: O decreto fala na “definição, com consulta prévia à sociedade civil, das atribuições, competências e natureza” dos conselhos. Os conselhos não têm atribuições definidas?

Secretaria-Geral: Obviamente, os conselhos que já existem têm atribuições definidas, direta ou indiretamente, pelo Congresso Nacional. A diretriz citada de consulta prévia é uma orientação para a eventual criação de novos conselhos.

11) VEJA: Os conselhos tratados no decreto podem ter quantas e quais atribuições?

Secretaria-Geral: Quantas e quais forem necessárias para exercer seu papel, o que é definido pelas normas específicas de cada política.

12) VEJA: O artigo 5 do decreto determina que “os órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta deverão, respeitadas as especificidades de cada caso, considerar as instâncias e os mecanismos de participação social, previstos neste Decreto, para a formulação, a execução, o monitoramento e a avaliação de seus programas e políticas públicas”. Todos os órgãos serão obrigados a incluir os conselhos na elaboração da sua agenda de trabalho?

Secretaria-Geral: Obviamente, a maior parte dos órgãos da Administração Pública Federal não tem necessidade de ter seu conselho próprio. Entretanto, grande parte dos órgãos públicos pode recorrer às instâncias ou mecanismos de participação para orientar ou avaliar suas ações de grande impacto para a sociedade.

13) VEJA: Os conselhos são deliberativos ou consultivos? [Veja estilo Barboooooosa repete a mesma questão]

Secretaria-Geral: Idem à resposta da pergunta 2.

14) VEJA: Os conselhos têm poder de impor uma agenda ao órgão a que estão vinculados? [E o Folhetim para forrar caixa de gatos insiste]

Secretaria-Geral: A relação dos conselhos com os órgãos com os quais estão vinculados varia conforme cada política pública e é definida pelo seu ato de criação, determinado, direta ou indiretamente, pelo Congresso Nacional.

15) VEJA: Quanto à ressalva “respeitadas as especificidades de cada caso”, o gestor de cada órgão terá autonomia para decidir quando ouvir e “considerar” as posições do conselho na “formulação, na execução, no monitoramento e na avaliação de programas e políticas públicas”? O que acontece com o órgão que desrespeitar o artigo 5?

Secretaria-Geral: Essa ressalva diz respeito exatamente às definições específicas da abrangência e natureza de atuação de cada conselho, definida, direta ou indiretamente, por legislação de responsabilidade do Congresso Nacional.

16) VEJA: O “controle social” é uma das diretrizes da PNPS. Para efeitos do decreto, o que é controle social?

Secretaria-Geral: É o controle exercido pela sociedade sobre os governantes, com fundamento no art. 1º, parágrafo único, da Constituição Federal. É a garantia para a sociedade do acesso à informação, à transparência e à possibilidade de influir nas ações governamentais.

17) VEJA: O decreto fala em “reorganização dos conselhos já constituídos”. O decreto muda o funcionamento dos conselhos que já existem? Quais são as mudanças?

Secretaria-Geral: Não. O decreto não determina nenhuma mudança no funcionamento dos conselhos. Ele estimula a articulação dos conselhos no Sistema Nacional de Participação Social.

18) VEJA: O decreto da PNPS tem o objetivo de “aprimorar a relação dogoverno federal com a sociedade civil”. O que isso quer dizer na prática?

Secretaria-Geral: Quer dizer que a ampliação do uso dos mecanismos de participação social permitirá a identificação mais rápida de problemas e um maior grau de acerto na tomada de decisões por parte do governo.

19) VEJA: O decreto fala em “desenvolver mecanismos de participação social nas etapas do ciclo de planejamento e orçamento” do governo. Que tipo de mecanismos? Como se daria essa participação social no planejamento e orçamento do governo?

Secretaria-Geral: Essa participação já acontece e é determinada, inclusive, pelo artigo 48 da Lei de Responsabilidade Fiscal. Em 2013 e 2014 foram realizadas consultas e audiências públicas no processo de elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias e da Lei Orçamentária Anual. Essas ações foram coordenadas pelo Fórum Interconselhos, que existe desde 2011. Essa iniciativa de participação no processo orçamentário foi premiada pela ONU como uma das melhores práticas inovadoras de participação social do mundo.

20) VEJA: Os atuais conselhos não têm participação social no planejamento e orçamento do governo?

Secretaria-Geral: Além da experiência já mencionada do Fórum Interconselhos, cada conselho influi no planejamento e orçamento do governo a partir da contribuição que dá para a política setorial de sua área.

21) VEJA: Quais os critérios de escolha dos integrantes do Sistema Nacional de Participação Social?

Secretaria-Geral: O Sistema Nacional de Participação Social será constituído pela articulação das instâncias e mecanismos de participação já consolidados.

22) VEJA: Quais os critérios de escolha dos integrantes do ComitêGovernamental de Participação Social?

Secretaria-Geral: O CGPS será composto, paritariamente, por representantes do governo e da sociedade. O critério fundamental será o da capacidade de contribuir com os objetivos da Política Nacional de Participação Social. A representação da sociedade utilizará critérios que assegurem a autonomia dessa escolha.

23) VEJA: Independentemente de partido, o que impede que as comissões de políticas públicas previstas no decreto se tornem braços políticos dentro do governo?

Secretaria-Geral: Idem à resposta da pergunta 5.

24) VEJA: Quem decide que órgãos da administração pública federal serão obrigados a ter conselhos de participação social?

Secretaria-Geral: Fundamentalmente, o Congresso Nacional, como já acontece, podendo ele delegar essa criação ao Executivo. O decreto não obriga nenhum órgão da Administração Pública Federal a ter conselhos.

25) VEJA: A título de exemplo, com esse decreto, o Dnit terá de criar um Conselhos de Políticas Públicas e ouvir a sociedade civil antes de planejar uma duplicação de estrada?

Secretaria-Geral: Como já dito, o decreto não obriga nenhum órgão a criar conselhos. Isso também se aplica ao Dnit. Entretanto, como já acontece, o Dnit já realiza inúmeras audiências públicas para que a sociedade civil se manifeste sobre impactos sociais ou ambientais de suas obras.

e depois é o lado de cá que abaixa o nível...


Cocaína vira pesadelo na campanha de Aécio Neves.





O coordenador de mídias sociais da campanha de Eduardo Campos (PSB), Marco Bahé, caiu após publicar no Facebook uma frase insinuando que Aécio Neves (PSDB) seria usuário de cocaína.

Bahé escreveu: “Vai ter Coca, Aécio Neves”.

Abriu uma crise na campanha de Campos, com o afastamento de Bahé, e causou mal estar com Aécio.

O assunto foi notícia até nos redutos demotucanos da mídia. Apareceu na revista Veja online, Estadão e no portal do jornal "O Globo".

Isso mostra que o assunto virou um pesadelo para a campanha de Aécio lidar.

Dúvidas sobre da vida pessoal de um político, talvez não seja tão decisivo assim na hora de votar, influenciando apenas alguns segmentos do eleitorado. Quem não quer acreditar não acredita, outros que querem acreditar acreditam, e outros pouco se importam, se o candidato tiver consistência suficiente para o eleitor prestar atenção em outras coisas.

Mas no caso de Aécio o buraco é mais embaixo. Já lhe falta consistência para chamar atenção por idéias e propostas (a não ser as "medidas amargas" da turma endinheirada do mercado financeiro). E independentemente dele ter admitido que já fumou maconha, e negar que foi usuário de cocaína, tem outras coisas que não ajudam em sua imagem, como a recusa dele em soprar o bafômetro quando foi parado em uma blitz de trânsito na madrugada do Rio de Janeiro, com carteira de motorista vencida.

Como se não bastasse, estava usando um carro de luxo no Rio como se fosse carro de serviço de uma rádio em Belo Horizonte, o que, para um pobre mortal, que não é senador do PSDB, costuma dar sérios problemas junto à Receita Federal.

O caso do bafômetro não é apenas questão pessoal de gostar ou não de beber. É o mau exemplo que dá ao negligenciar os riscos de misturar bebida e direção, o que pode resultar em tragédia na vida dos outros que não tem nada a ver com a decisão de uma pessoa encher a cara.

Na época da blitz, foi a principal manchete de capa dos jornais populares do Rio. A figura abaixo é reprodução real da capa que foi as bancas, não é montagem de nenhum "submundo". E o jornal Extra é da Editora Globo.






É o "conjunto da obra" que vira um pesadelo na campanha de Aécio.


Justamente por não ter soprado o bafômetro quando deveria, pode ser pertinente o conselho do jornalista Paulo Nogueira Batista, para que Aécio faça um daqueles testes de exame anti-doping, agora que o assunto cocaína está até no noticiário da imprensa demotucana.

o carapááálida gritou uau! mais nóis não vai deixá ele gritá de novo!


Vítimas históricas da mídia



Postado por Juremir em 10 de junho de 2014


Não se dizia mídia, mas imprensa. A televisão estava engatinhando. Os jornais impressos formavam a opinião dos que sabiam ler e escrever. O rádio atingia e tentava manipular os milhões de analfabetos. Esse era o Brasil de 1954. Nessa época, a mídia, sob a batuta de Carlos Lacerda, criou uma campanha original: “Nunca houve tanta corrupção neste país”. E perseguiu Getúlio Vargas sem parar. Só não contava com o elevado código de honra do gaúcho, que se matou para não ser humilhado. Carlos Lacerda e a imprensa mataram Getúlio. Sim, Vargas foi assassinado. Lacerda implantou no Brasil, antes de Joaquim Barbosa, uma espécie de teoria do domínio do fato. Getúlio teria de saber de tudo, até do que não autorizaria, como o amador atentado da rua Tonelero, que feriu no pé seu principal inimigo.

Perguntam-me se o filme de João Jardim sobre Getúlio é bom. Apesar de o diretor ter copiado a estrutura narrativa de meu livro, sem me citar, digo que o filme é bastante bom. Ressalve-se a falta de sotaque gaúcho de Tony Ramos, ou certo sotaque carioca em alguns momentos. O filme toca no essencial: Getúlio foi massacrado pela imprensa golpista. Em 1964, Jango foi a segunda vítima. Lá estavam novamente a mídia, Carlos Lacerda, o conservadorismo, a UDN e o golpismo contra reformadores sociais. Lacerda e a mídia “suicidaram” Getúlio, derrubaram Jango e o levaram a morrer no exílio. Se é que ele não foi mesmo assassinado. Certa vontade de liquidar presidentes com infâmias ainda não acabou. Agora, viceja também na internet.

Assume formas extraordinárias: a falsa capa da Forbes dando Lula entre os maiores milionários brasileiros. O filho de Lula como sócio da Friboi. Em 1964, para desqualificar um presidente, a mídia o chamava de bêbado, analfabeto e, como Jango tinha todos os dedos das mãos, manco. Era preciso também um defeito físico. Jango tinha um problema na perna esquerda. A retórica não mudou. A mídia sempre adorou praticar bullying.

O público-alvo desse tipo de estratégia discursiva era a classe média urbana. Contra o suposto populismo trabalhista, jogava-se a carta do classemedismo udenista. Ficava assim: a direita era honesta; a esquerda, corrupta. Estaria no DNA.

Por que a mídia brasileira sempre foi tão conservadora? Por que é tão conservadora? Porque representa a sua classe. Em geral, nasce, cresce e vive à sombra do poder, fazendo os poderosos e recebendo deles as recompensas. Getúlio e Jango tentaram tocar outra música. No futebol, Dunga tentou limitar os poderes da Rede Globo. Ficou marcado. Para sobreviver, teria de ganhar. Felipão é mais sinuoso. Tem um título mundial no currículo e bajula a Rede Globo. Não será golpeado. Salvo se perder.

Jango e Getúlio foram golpeados porque estavam ganhando. Só que pretendiam distribuir o prêmio aos que normalmente não participavam do rateio das conquistas conjuntas.

Os militares, apoiados pela mídia, restabeleceram a “ordem natural” das coisas. Apertaram o cinto da plebe. Propiciaram um rápido milagre econômico para a fiel classe média.

Deram aos ricos o que eles julgavam ser deles: todo o poder.

A mídia aplaudiu. Uau!

e o vizinho ta com a cara pálida, eu já avisei... de tanto lê a veja, escutá o radinho e olhá a grobobo, ocê vai ficá cego! ceguinho da silva!


EX-DIRETOR DA PETROBRAS
VENDEU ILHA DA GLOBO ?



Como é que é ? Esse que é o “mega-corrupto” do PiG ?


Conversa Afiada






Do incansável Stanley Burburinho:


O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, negociou a venda de uma ilha das Organizações Globo, no Rio de Janeiro?

Hoje, a Globonews transmitiu o depoimento do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa. O ex-diretor contou que a consultoria que ele criou em agosto de 2012, a Costa Global, depois de ter saído da Petrobras, tinha como missão fazer o “casamento” de investidores com donos de projetos.

Segundo ele, a consultoria Costa Global chegou a fechar 81 contratos e chegou a ter cinco funcionários, entre eles a sua filha, Arianna Azevedo Costa Bachmann.

Entre esses contratos, disse, estaria a participação de um processo de venda de uma ilha das Organizações Globo, no Rio de Janeiro. Ele não deu mais detalhes sobre o contrato.

Imediatamente após ele ter dito isso, a Globonews cortou a transmissão da CPI e passou a transmitir a convenção do PMDB.






Link para o Valor: http://www.valor.com.br/politica/3580098/costa-aceitei-carro-de-youssef-porque-estava-precisando-trocar
/Dica @rnsouza27

Escolhendo o pior: o medo, o ódio, a insegurança...


‘JORNALISMO DE CAMPANHA’
Um punhado de contradições






Por Luciano Martins Costa em 09/06/2014



Quando o jornalismo se desvia de seus princípios, sendo instrumentalizado como recurso para outros fins que não a criação de conhecimento, entra-se numa zona cinzenta onde se torna difícil vislumbrar a realidade.

Um dos sinais dessa circunstância, na qual a busca da objetividade perdeu espaço para a perseguição de objetivos políticos ou econômicos, é a eclosão de contradições aqui e ali, que vão minando a confiança por parte daquela fração do público ainda capacitada a interpretar o noticiário. Por exemplo, quando um jornal passa meses insistindo que o país vive imerso na inflação e na carestia, e de repente precisa afirmar que a inflação, afinal, não é assim tão grave, um texto é suficiente para invalidar todos os discursos anteriores.

Ou quando outro jornal, diante de manifestações violentas, exige uma ação mais rigorosa da polícia e, no dia seguinte, se vê obrigado a dar um passo atrás, porque o rigor preconizado acabou gerando mais violência, agora contra seus próprios repórteres, o que fazer da verdade anterior?

Situações como essas podem ser observadas na imprensa brasileira quase diariamente, e refletem um aspecto determinante da prática que pode ser chamada de “jornalismo de campanha”. Como numa guerra, a atividade da imprensa hegemônica do Brasil tem sido marcada pela obsessão em tirar do poder o grupo político que chegou ao Planalto em 2002, pela via democrática das eleições.

Como não há justificativa possível para um golpe como o que foi patrocinado e insuflado pela imprensa em 1964, trata-se de minar a confiança do eleitor com a construção de um cenário catastrofista. O objetivo é implantar a insegurança nas classes médias, sempre mais vulneráveis a crises, porque seus integrantes, empenhados em consolidar o bem-estar conquistado a duras penas, tornam-se suscetíveis a variações bruscas em suas rotinas.

Porém, quando a campanha do pessimismo passa do ponto e começa a ameaçar os interesses do negócio jornal, o discurso muda subitamente.

Escolhendo o pior

Observe-se, por exemplo, como o noticiário sobre a inflação traz uma mistura deliberada de análises que ignoram variações sazonais de preços e a volatilidade característica de países cuja economia depende muito do mercado interno de consumo. Registre-se, também, como uma campanha explícita pelo aumento da taxa oficial de juros ou do câmbio acaba produzindo uma situação incômoda para as empresas, e de repente o discurso muda de direção.

Circunstâncias como essas podem ser encontradas reiteradamente nos arquivos da imprensa. Mas, ainda que o leitor possa apenas vasculhar jornais de dois ou três dias atrás, vai identificar essas variações até mesmo nos editoriais. Veja-se, por exemplo, o que publicou o Estado de S. Paulo no último fim de semana: no sábado (7/6), para contestar os metroviários que deflagraram uma greve na capital paulista, o diário afirma que a reivindicação de 16,5% de aumento salarial é escandalosa, porque a inflação ficou em 5,2% nos 12 meses encerrados em abril – a data-base dos metroviários.

Então, o leitor atento corre a procurar a manchete na qual o Estado teria informado o público de que a inflação havia caído em abril – e vai ficar muito frustrado, porque, naquela ocasião, o jornal escondeu essa informação em meio a previsões alarmistas.

Ora, se a informação é boa como argumento contra os grevistas, também deveria ter sido destaque no noticiário – ou não interessa arrefecer a campanha de terror sobre uma suposta carestia? No dia seguinte ao desse editorial, domingo (8/6), o tema inflação volta à página de opiniões do jornal, sob o título: “Inflação ainda ameaça”.

Vai o leitor prestigiar o editorialista e se depara com um texto no qual se afirma que também a inflação de maio foi mais baixa do que o esperado pelos analistas – subiu 0,46%, “bem menos que em abril”. Note-se: desta vez, o editorial evitou a análise ano a ano, e optou por comparar dois meses seguidos.

Evidentemente, esses números, isoladamente, pouco falam sobre o que irá acontecer no futuro próximo, porque, numa sociedade onde um grande contingente de indivíduos amplia seu potencial de consumo, ocorrem movimentos bruscos de preços conforme a demanda massiva. Mas pode-se apostar que, se houver duas alternativas, a imprensa vai escolher a projeção mais pessimista.


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Imprensa e jornalismo, nada a ver – L.M.C.

Núcleo de Estudos da Violência da Universidade São Paulo (USP)


Sheherazade e a alta dos linchamentos


Blog do Miro

Por Altamiro Borges


O Núcleo de Estudos da Violência da Universidade São Paulo (USP) divulgou nesta semana um estudo que comprova o aumento dos linchamentos no Brasil. Foram contabilizados 37 casos de espancamentos coletivos entre fevereiro e maio deste ano, que resultaram na morte de 20 pessoas – entre eles, o da dona-de-casa do Guarujá, no litoral paulista, que chocou o país. Por coincidência ou não, o crescimento desta barbárie ocorreu logo depois do criminoso comentário da âncora Rachel Sheherazade no telejornal do SBT, em 4 de fevereiro. Na ocasião, a nova musa da direita nativa defendeu histericamente os linchamentos, justificando ação de “justiceiros” que acorrentaram um jovem negro no Rio de Janeiro.

A postura da jornalista, famosa por suas posturas fascistóides, gerou forte reação da sociedade. Nas redes sociais, ela foi rotulada de “assassina” e “criminosa”. Até no Congresso Nacional, sempre tão servil aos barões da mídia, houve críticas das bancadas do PT, PCdoB e PSOL. A deputada Jandira Feghali, reconhecida militante da luta pela democratização da mídia, acionou a Procuradoria-Geral da República questionando os anúncios publicitários do governo federal concedidos a uma empresa que explora uma concessão pública e faz apologia do crime.

Diante das críticas, o SBT divulgou nota tentando salvar a sua imagem – e, principalmente, as verbas publicitárias. “A emissora respeita a liberdade de expressão de seus comentaristas, porém ressalta que a opinião é da mesma [Sheherazade], e não do SBT”. A cínica desculpa não convenceu e a reação cresceu. Silvio Santos, dona da rede, optou por esconder sua âncora durante alguns dias. Na sequência, a emissora anunciou que ela retornaria ao seu posto. Será que agora ela fará novos comentários fascistóides, contribuindo para elevar ainda mais o índice de linchamentos no país?


*****

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a direita brasileira é capaz de qualquer coisa para voltar ao poder... e ocê sabe o que a direita quer?



É a eleição - estúpido!
Nos anos 80, a Abril queria Copa no Brasil


publicada segunda-feira, 09/06/2014 às 11:37 e atualizada segunda-feira, 09/06/2014 às 11:38


Escrevinhador





por Rodrigo Vianna

A dica veio pelo facebook. O Blog do Silvinho encontrou o texto publicado nos anos 80, na revista Placar.

Na época, a Abril não se preocupava em municiar a mais virulenta campanha, jamais vista, contra uma Copa do Mundo.

O artigo – que reproduzimos em tamanho original ao fim deste texto - era assinado por Juca Kfouri. E vejam o que ele dizia:



“o velho argumento de que é melhor construir escolas e hospitais é falso”.

Ou: “não há um só argumento razoável para que não sejamos nós os promotores da maior festa do esporte mundial”.

O argumento de que não podemos sediar Copa porque Educação e Saúde não funcionam tão bem é falso. Já dizia a Abril dos anos 80. Quem raciocina por conta própria sabe que não há dinheiro do Orçamento federal no estádio do Itaquerão – por exemplo. É financiamento do BNDES. Financiamento que será pago.

Mais que isso: o dinheiro gasto com estádios e outras obras (25 bilhões de reais) não representa um mês de gastos com Educação!

No entanto, o Brasil foi envenenado – durante os últimos 2 ou 3 anos – com reportagens que davam a entender: “como fazer uma Copa, se a saúde pública não funciona bem?”

O governo Dilma (por covardia ou acomodação) não fez esse debate. E o Brasil vai pra Copa com milhares de pessoas acreditando no falso argumento.

Jamais vi alguém reclamar da “Sala São Paulo” (a luxuosa sala de concertos construída no meio da crackolândia paulista, voltada para o público da música clássica). Jamais vi reportragem contestando gastos com teatros municipais frequentados só pela elite do Rio ou São Paulo.

Daqui a 20 anos, estudiosos vão-se debruçar sobre esse período, e ficará clara a campanha violenta e descabida contra um espetáculo mundial.

Por que a Abril era capaz de trazer artigos como o de Juca nos anos 80, e às vésperas da Copa de 2014 participa da vergonhosa campanha contra o mundial? Não há dúvidas: a direita brasileira é capaz de qualquer coisa para voltar ao poder. É capaz de arrasar com a auto-estima do povo brasileiro. E quem deveria desmontar essa farsa, e comandar esse debate pelo outro lado, omitiu-se de forma também vergonhosa. O que me espanta é que ainda tenhamos mais de 50% de apoio à Copa.

O povo brasileiro, por sua conta, resiste à campanha avassaladora. Quem quer resistir pode (e deve) ler os argumentos de Juca Kfouri, nos anos 80. Argumentos de quem tinha a chancela da família Civita para escrever o que escrevia. 






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