terça-feira, 10 de junho de 2014

Seleção Inglesa esqueceu um jogador no hotel... que babaquice!


Não imagine na Copa, porque ela é uma realidade


9 de junho de 2014 | 14:11 Autor: Fernando Brito




Tomei um avião, hoje de manhã, do Rio para Brasilia.

Duas cidades-sede da Copa.

Tranquilidade completa.

O avião era da Azul, destes que tem TV a bordo.

Assisti, portanto, o esforço da Globo em tentar mostrar algum problema na estrutura de recepção aos estrangeiros.

Nada, a não ser a greve do metrô de São Paulo, que espantou uma turista canadense.

Mas que rapidamente ficou satisfeitíssima com uma senhora, brasileira, que lhe ofereceu carona.

Durante anos você ouviu o “imagina na Copa” para figurar o desastre que seria o desempenho do Brasil como anfitrião.

Conversa fiada.

Claro que pode ocorrer um problema aqui, outro ali, um assalto, coisas que se passam em qualquer parte do mundo.

Nosso país sofreu, por parte de uma mídia e uma elitezinha subdesenvolvida mentalmente, uma campanha indescritível de desmoralização.

A história dos gastos públicos é igual.

Recomendo a leitura do post de Rodrigo Vianna, onde um colunista esportivo dizia que não se justificava combater a ideia de uma Copa no Brasil com “o velho argumento de que é melhor construir escolas e hospitais é falso”.

Dizia isso, claro, nos anos 80.

A melhor história do dia, para mim, é a da “desorganização padrão Fifa” da Seleção Inglesa, que esqueceu um jogador no hotel.

E a melhor imagem é a da torcedora holandesa, feliz da vida diante de sua barraca do “acampotel” montado para torcedores de seu país num clube de funcionários da Eletropaulo, perto da Represa de Guarapiranga, uma tradição da torcida laranja.

Barracas de plástico e camas de pinho!

Imagina na Copa!

Depois reclamam do Lula ter falado em babaquice…

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Tino Marcos e seu momento inesquecível


Tino Marcos, um grande momento do jornalismo de caráter


seg, 09/06/2014 - 14:33


Luis Nassif

Hoje em dia são raros os momentos de jornalismo autêntico, de respeito à profissão e de compreensão do atual momento político.

Por isso mesmo, o jornalista esportivo Tino Marcos viveu seu grande momento.

Faustão cumpre à risca o roteiro que lhe foi imposto, de desqualificar a Copa. Tino dá uma aula sobre a importância do futebol para o brasileiro e a importância da celebração, de se deixar de lado as querelas políticas. Faustão insiste em cumprir as recomendações da direção e tenta dividir o evento entre os de cá (a seleção) e os de lá (o governo).

Sem rompantes, com emoção, Tino não entra no jogo. Lembra o jantar com Dilma e a pergunta sobre se ela tinha torcido para o Brasil na Copa de 70. Tinha, assim como todos os demais prisioneiros companheiros de cadeia.

Nos últimos dias, os jornalistas esportivos de ponta têm cumprido a missão de mostrar jornalismo a seus colegas do aquário, do jornalismo político e da reportagem.

A carreira dos grandes jornalistas é formada por desempenho profissional e por alguns momentos inesquecíveis. Hoje, Tino Marcos viveu seu momento inesquecível.





Tino Marcos, um grande momento do jornalismo de... por lamarca73


domingo, 8 de junho de 2014

falemos em diferenças de oportunidades

Genética X Oportunidades

Este Cientista Negro Famoso Dá Uma Resposta Sensacional a Uma Pergunta Um Tanto Presunçosa


Mario Pinheiro

Por Julia L.


Durante uma conferência de ciência, uma pergunta é feita por Lawrence Summers, um dos convidados e ex-presidente da Universidade de Harvard, que sugere que diferenças genéticas explicariam o fato de haver bem menos mulheres no campo da ciência do que homens.

A resposta dada por Neil deGrasse Tyson é…sensacional.



O vídeo original foi postado pelo Center for Inquiry.


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Contribuição do baitasar



Os meios de comunicação não são confiáveis


Devemos ser ativos em nossa própria informação


Informar-se não pode ser uma atitude passiva. Os meios de comunicação não são confiáveis: o cidadão tem que aprender a verificar, ele mesmo, que fonte usar


Carta Maior


L'Ombelico del Mondo




No blog L’Ombelico de Mondo, o fundador do Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet, analizou o papel da mídia no panorama internacional e as novas formas de informação da era digital.

Em uma sociedade “hipermidiatizada”, o papel ativo de quem consome a informação é preponderante. Esta é a conclusão que o escritor e jornalista Ignacio Ramonet traz sobre as práticas dos grandes meios de informação aos quais estamos diariamente exposto.

“Informar-se não pode ser uma atitude passiva”, explicou Ramonet, em uma nova entrevista da série que o L’Ombelico del Mondo leva adiante com os principais protagonistas do jornalismo internacional em espanhol.


- Como o senhor analisa o panorama midiático latino-americano diante da aparição desta grande quantidade de meios alternativos, populares e comunitários?

- Por um lado, é normal que os governos democráticos e progressistas que estão dirigindo a maioria dos países do continente abram espaço para este tipo de mídia. Estamos vendo muitos países da latino-americanos indo em busca de uma configuração desejada por muitos teóricos, onde o espectro midiático se divide em três partes de igual importância: meios privados, financiados pela publicidade; meios públicos, financiados pelo Estado (não pelos governos); e em meios comunitários, cujo objetivo é colocar em cena os movimentos sociais de uma maneira muito mais precisa e mostrar as questões locais, para que a cidadania possa se expressar.

O novo momento tecnológico que estamos vivendo, onde se desenvolveram tecnologias de comunicação muito rápidas e muito baratas e de alcance planetário, está permitindo que, ao lado do setor privado quase hegemônico faz alguns anos e o setor público em desenvolvimento atualmente, haja uma infinidade de meios que estejam se desenvolvendo. Porque hoje, para se ter um meio planetário, basta abrir um blog: qualquer um pode lê-lo, tanto na Argentina, quanto no México ou na Ásia, em qualquer lugar onde haja alguém que fale espanhol. E há gente assim por toda parte do mundo. Isto deu a possibilidade, junto com as redes sociais, que cada pessoa tenha a capacidade de se expressar. Estas duas razões, a política democrática e a tecnologia de rede, permitiram que haja uma emergência da expressão da cidadania no sentido mais amplo da palavra.


- E como reage a mídia hegemônica em relação a isto?

- As duas razões que demos na primeira resposta criam uma atmosfera de inquietude entre os meios de comunicação dominantes. Até pouco tempo, eles eram privados e hegemônicos, não tinham rivais. Eram os únicos que tinham a possibilidade de se dirigir a todo mundo sem que tivessemos a possibilidade de responder. Por conseguinte, tinham o monopólio da informação e o monopólio da ideologia da mensagem.

Nos últimos 10 ou 15 anos, sobretudo desde a chegada da internet e na América Latina desde a expansão dos novos governos progressistas e democráticos, isto mudou. Então esta inquietude faz com que os meios dominantes de antes enfrentem três grandes problemas neste momento: estes dois que acabo de nomear mais a crise econômica, que faz com que tenham menos publicidade, o que faz com que fiquem muito "ansiosos". Então quando eles acreditam que têm uma informação e que são os únicos que dispõem dela, se precipitam. Com esta precipitação, creem que vão ser mais rápidos que os meios digitais e cometem erros que não podem prever. Porque essa manipulação corresponde ao que eles querem dizer.

Por exemplo, no caso célebre da foto falsa do presidente Chávez na mesa de cirurgia, evidentemente, a informação ali contida não era a de que o presidente havia sido operado, disso todos sabem. Eles queriam mostrar um Chávez debilitado, que é o que eles sonharam durante muito tempo. Então, ao invés de dar tempo para verificar se a foto era real ou não, apesar da origem extremamente estranha e labiríntica da foto, imediatamente decidiram publicá-la. O que ocorreu nas redes sociais? Em 20 minutos, demonstraram que a foto era falsa, que nem sequer era uma foto, e sim parte de um vídeo.

Isso demonstrou várias coisas. Por um lado, que os grandes meios de comunicação hegemônicos já não são confiáveis. O que já sabíamos, mas esta foi uma grande mostra disso. Não são confiáveis. Não é porque são grandes, poderosos, tenham muito dinheiro ou sejam difundidos em muitos países que têm de ser confiáveis. E por outro lado, que um enxame de internautas pode em algum momento preciso ser uma fonte de fiscalização e verificação da realidade de uma informação muito mais importante que todas as salvaguardas que os grandes meios de comunicação podem fazer.


- Ainda assim, há muito debate a respeito da confiabilidade das redes sociais. Existem relações de poder, informações mal intencionadas...

- As redes sociais não são confiáveis. Mas assim como podemos afirmar tranquilamente que os grandes meios como El País, o New York Times, El Universal tampouco o são. Hoje em dia, a questão da confiabilidade dos meios é muito importante porque efetivamente não está garantida em nenhum lugar. E o cidadão tem de aprender a verificar ele mesmo que fonte vai usar.

As que se pretendem objetivas não o são e se pode demonstrar isso facilmente. Em certa medida, eu acredito que se tratam de fontes subjetivas, porque sei o que está a me ser dito, que vá no sentido do que creio ou na direção contrária. Porque em relação a isso posso ajustar meu ponto de vista. É daí que se faz cada vez mais importante ter acesso aos fatos, aos dados, para com isso fazer minha própria interpretação.

Hoje as redes sociais procuram novas ferramentas, que não nos deixam a sós diante dos meios de comunicação hegemônicos. Antes eu estava a sós ao me deparar com eles. Quando me passavam uma informação, eu não sabia se era verdadeira ou falsa, devia confiar neles. Agora não. Posso ir a internet e ver o que fulano disse. E talvez eles também se equivoquem, mas eu posso construir minha ideia. Em suma, informar-se é uma atividade.

Isto quer dizer que ninguém pode se informar passivamente. A pessoa não pode se sentar em frente ao televisor e esperar que lhe digam a verdade. Hoje isso já não pode ser, porque temos ferramentas, dispositivos, que estão permitindo que nos armemos. Por conseguinte, se dizemos que somos manipulados, isso não pode ser uma desculpa. É normal que queiram nos manipular. Mas hoje em dia dispomos de ferramentas que nos permitem que nos defendamos contra essa manipulação. E nós devemos ter um papel ativos em nossa própria informação.



Tradução: Roberto Brilhante

protagonismo foi tragado pelo espírito de vingança


O exemplo de Joaquim Barbosa




Ele não deixa nenhum legado digno deste nome. Nada há de construtivo no seu protagonismo. Ao contrário: o ministro naturalizou o ódio na vida pública


por Mracos Coimbra — publicado 08/06/2014 08:22



José Crzu/Agência Brasil

Joaquim Barbosa: o ministro que naturalizou o ódio na vida pública

Leia também:
Prisão com fins políticos
A artilharia política no Facebook
O justiceiro de toga



A respeito de Joaquim Barbosa podem-se discutir várias coisas. Suas motivações, por exemplo: o que teria levado um jovem frustrado no sonho de ser diplomata a jogar para o alto a carreira e querer se tornar promotor? Era mesmo a Justiça seu objetivo?
Podem-se discutir os atos e comportamentos como ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal. Depois do anúncio da aposentadoria precoce, diversos especialistas o fizeram. Se há, entre eles, quem tenha aprovado a “obra” de Barbosa, ficou calado.

O máximo que se obtém é uma defesa entortada: “Agiu errado, mas queria o bem”. Era mesmo o bem o seu norte?
Suas motivações são assunto para psicanalistas. As coisas que fez e deixou de fazer como magistrado devem ser interpretadas por quem entende de Direito. Mas de uma coisa podemos estar certos: foi sábia a decisão dos examinadores do Instituto Rio Branco que o consideraram inapto para a diplomacia. Alguém calcula as confusões que teria aprontado se viesse a ser embaixador?
Podemos também discutir as consequências de sua passagem pelo primeiro plano de nossa sociedade. Não foi longa, mas acabou por se tornar relevante. Merece ser avaliada.

Sua trajetória, está claro, só teve efeitos mais amplos por ele ter sido transformado, com visível satisfação, em instrumento das oposições ao “lulopetismo”, especialmente de seu braço midiático. Caso não tivessem celebrado um casamento de conveniências, o impacto seria outro.

Sem o “julgamento do mensalão” ou na hipótese de que ele só ocorresse depois da eleição deste ano, Barbosa seria de utilidade limitada. Apenas mais um ministro do STF, sem nada que o destacasse.

O braço mais radical da mídia conservadora ofereceu-lhe o posto de herói em troca da realização de uma tarefa. Seria recompensado se fizesse a parte dele e punido se recusasse o papel. Que o digam as vaias encomendadas contra Ricardo Lewandowski.
A cada vez que retribuía os carinhos recebidos ganhava novos mimos. Tudo nele se tornou elogiável: a mise-en-scène, o modo de dizer o texto, a expressão corporal, o figurino. Ganhou capas de revista, longas e laudatórias reportagens na tevê, belas manchetes. Virou “o menino pobre que mudou o Brasil”, o “responsável pela transformação do País”, e por aí afora. Em troca, deu muitos presentes, nenhum tão vistoso quanto a prisão dos condenados em 15 de novembro de 2013, levados a Brasília como troféus da “limpeza ética” à sua moda. Naquele dia foi autor, roteirista e diretor de espetáculo.

Seria exagero dizer que Barbosa trouxe o ódio, a truculência e a intolerância para a política brasileira. Ou que foi ele quem fez nascer esses sentimentos em uma parcela importante de nossa população. A emersão de sua figura, fabricada por ele e a mídia conservadora, é inegável, acompanhou e incentivou uma deplorável mudança em nossa cultura política. Tornamo-nos um país onde alguns acham “normal” odiar um adversário e sentir raiva de tudo, inclusive do próprio Brasil.

A violência saiu dos guetos neonazistas e das fanfarronices de skinheads, espalhou-se e se achou legítima. Por que não seria válido odiar se uma figura tão elevada da República não escondia seu rancor? Por que um black bloc não poderia manifestar sua raiva quebrando coisas, se regras “erradas” podiam ser rompidas por ele?

Há quem pense ter sido Barbosa importante no processo de valorização da identidade negra no Brasil. Que poderá ser uma referência para crianças e jovens negros, ensinando-os a enfrentar limitações e preconceitos. Pena, mas é improvável. Nada há de construtivo no seu protagonismo. O que poderia ter havido foi tragado pelo espírito de vingança, que, com o histrionismo, tornou-se sua marca.

Resta a ilusão dos menos informados de que, “mal ou bem”, Barbosa teria trazido uma contribuição moralizadora à política brasileira, fazendo com que, “depois do julgamento do mensalão”, as coisas se regenerassem. Nada menos verdadeiro. Nem antes, nem durante, nem após o julgamento algo mudou, em qualquer partido ou nível de poder.
Ele não deixa qualquer legado que mereça tal definição.

puxa vida! essa é uma prova de fogo! o carapááálida vai até o fim?


AÉCIO É TUDO E NADA.
E O TESTE DA COCAÍNA ?


Aécio não tem uma ideia, um projeto, um discurso, um sonho.


Conversa Afiada





A repórter Malu Delgado traça em nove páginas da revista piauí (com caixa baixa, de propósito …) o perfil de Aécio Neves, também conhecido como Arrocho, aquele que vai tomar “as medidas impopulares” que estão na cabeça do Armínio Naufraga e do Príncipe da Privataria.

“O público e o privado – o dilema que acompanha Aécio Neves, o presidenciável tucano”.

É um bom título.

O “privado” do Aécio é um problema.

E a reportagem trata dele com minúcias inesperadas.

O bon-vivant, “a leveza”, “a alegria”, o surfista, o mulherengo, o mitômano – amigo de Ronaldo Nazario, Cicarelli, Miss Minas, Luciano Huck – , o estudante medíocre e o administrador suspeito de fabricar um “choque de gestão”.

Quanto ao “choque de gestão”, há um processo, por exemplo, sobre a possibilidade de ter “desviado”, diz a revista, a ninharia de R$ 4,3 bilhões da Saúde de Minas.

Como governador, ele e a irmã Andrea – seu Golbery, seu Goebels - exercem sobre a imprensa de Minas um controle de Medici.

Vários são os depoimentos de jornalistas perseguidos.

(A revista não menciona que o best seller “Privataria Tucana” nasceu de uma “encomenda” de Aécio ao “jornal” O Estado de Minas para enfrentar os dossiês do Cerra.)

(A revista também não trata de Aécio fazer de Minas o que fez de Brasília, quando parlamentar: uma escala de meio de semana, para preservar, sempre, os fins de semana no Rio.)

O mais interessante da reportagem é o que ela não traz.

Não há uma única ideia, um único projeto, um único discurso, um único sonho a ser realizado como presidente.

Diz ele: “… se eu não ganhar as eleições, e pode ser que isso aconteça, vai ser muito bom para mim, do ponto de vista pessoal”.

É o “privado” do título.

Homem público não tem “privado”.

E, por isso, Aécio tem a obrigação de se submeter a quantos testes forem necessários, e testes públicos, para determinar se ele foi usuário de cocaína – uma questão, sim, central em sua campanha.

E a revista trata da cocaína, como tratou Fernando Barros e Silva – diretor da piaui -, no “Roda Morta”.

Conta a revista: “… em 2008, no jogo Brasil e Argentina, no Mineirão, Aécio foi surpreendido por um canto inusitado da torcida: ‘Ô Maradona/ Vai se f…/ O Aécio cheira mais do que você!”

Esse foi tema, também, de artigo na Folha de seu grande amigo, o Padim Pade Cerra, como lembra a revista:

“O debate sobre o consumo de cocaína no Brasil pode e deve ser uma pauta em 2014”.

(Assim como deve ser, ainda em 2014, a resposta à pergunta “de que vive o Cerra?”)

É muito grave um candidato a Presidente da Republica que se recusa a fazer o teste do bafômetro, dirige com carteira de motorista vencida – e é suspeito, suspeito, sim, de consumir droga.

Aécio tem que responder a essa dúvida, inequivocamente, cientificamente, publicamente: além da maconha, o senhor já consumiu cocaína ?

E as ideias do Aécio presidente ?

Nada.

A reportagem indica que ele fala com o Armínio NauFraga pelo menos uma vez por dia.

Isso quer dizer muito.

Mas pode não dizer nada.

Aécio é uma folha de papel em branco.

Ali se pode escrever o que for preciso.

Porque Aécio não tem passado.

Tem mais folha-corrida – no Rio, bem entendido – do que currículo.

É um garotão alegre, leve.

Pode ser tudo.

E nada.

O primeiro presidente que vai viver no Rio, depois de inaugurada Brasília.

Porque, como diz a revista, ele acha a política muito chato.

Aliás, trata-se da mesma revista que mostrou o Príncipe da Privataria nu e cru.

Aécio é um perigo !

Ou um bom companheiro de noitadas no Cervantes, do Lido.

Tanto faz.



Paulo Henrique Amorim

o braZil NÃO vai matar o BraSil!


Arnaldo Marques: “Ah, que tempos dissimulados!” O Brazil tem nojo do Brasil e sua mais recente vítima é a Copa


junho 8th, 2014 
by mariafro



Ontem escrevi um pequeno texto no meu Facebook sobre algo que anda me incomodando deveras. 






Vivemos numa democracia, as pessoas podem se expressar e emitir suas opiniões, mas o que não aguento mais é um discurso reacionário feito por uma camada da população (o mote de agora é a Copa, mas já foi o Mais Médicos, há 12 anos é o Bolsa Família). O mote variável é sempre usado por uma parcela com acesso a bens públicos e privados tenta nos fazer crer que seu discurso de complexo de colonizado, reacionário e excludente é um discurso em defesa do povo brasileiro. Não é. E como argumentei no texto, me oponho terminantemente que façam uso do significado de 'povo brasileiro' para falar por mim e pelo povo brasileiro.

O texto de Arnaldo vem nessa linha e acho que com muita clareza e elegância nos revela essa hipocrisia.


Pererê, camará, tororó, olererê

Por Arnaldo Ferreira Marques, em seu Facebook

07/06/2014

Em junho de 2001, a imprensa brasileira e mundial dava destaque a um aspecto pouco noticiado até então.

No Peru, coração do antigo império dos incas, havia sido eleito o primeiro presidente indígena da história do país.

Ficava claro que o país se dividia radicalmente entre os brancos descendentes dos colonizadores europeus e os não brancos, basicamente indígenas.

Curiosamente entre os "brancos" estavam também os peruanos nipo-descendentes, que formam a segunda maior colônia fora do Japão (apesar de emigração forçada para os campos de concentração dos EUA na Segunda Guerra).

Enfim, quem dominou o Peru independente no início do século 19 foram os "brancos". Os outros ficaram de lado e eram desprezados de todas as formas, da cultura à política.

A situação peruana não era única na chamada hispano-américa naquele começo de século 21, como os noticiários iriam mostrar.

O mesmo ocorria na Venezuela, onde Hugo Chávez era "acusado"(?) de ser índio pela classe média Armani-Gucci, enojada, em marcha pelas ruas mais elegantes de Caracas. E ficou escancarado na Bolívia, com a eleição pós-revolução de Evo Morales, um indígena aymará.

Da "ilha" Brasil, olhávamos para o Oeste e pensávamos como eram atrasados e bárbaros esses nossos estranhos vizinhos.





Será mesmo?

Verdade que aqui os indígenas foram um "problema" resolvido pelos brancos no século 18.

Mas, o fato é que surgiram no Brasil novos "índios", fruto da mistura de indígenas resistentes, brancos desgarrados e principalmente negros arrancados da África para produzirem tudo.

"Índios" que, com o passar dos séculos, criaram um sotaque próprio, modos de falar, ritmos musicais, jeitos de festejar. Tudo fruto de um mix de coisas: a falta de educação formal, as raízes históricas, a miséria, a inteligência para superar os limites e as diversidades, a exclusão do poder.

O Brasil é, e reafirmo, o Brasil 'É' a mistura da ocidentalização dominante (que teve sucesso em impor a língua e a religião, por exemplo) com esses "índios" não ocidentais. Mistura que às vezes anda e dá liga, e às vezes desanda.

Quem mais contribui para o desandar são os "brancos" que só admitem a ocidentalização radical, pretensos lisboetas na Colônia que no século 19 se tornaram pretensos parisienses uns, londrinos outros, berlinenses os mais ousados. Nova-iorquinos quase todos no século 20. É o povo do Brazil.

Para o Brazil, os "índios" são vagabundos, bêbados, fracos para os vícios (sexo, drogas, ociosidade etc. etc.), que só querem festejar, batucar, jogar bola, trepar. São bregas, ignorantes. Culpados por sua pobreza e inferioridade social atávicas.

Ao Brazil, Miami. Ao Brasil, a Rota (ou o Bope)!

Cantava Elis que o Brazil não conhece o Brasil. E que o Brazil tá matando o Brasil.

Eu diria que o Brazil tem nojo do Brasil.

E a mais recente vítima do Brazil é a Copa.

Claramente uma parte do 'não vai ter Copa' é o coro do Brazil contra o Brasil.

Alguns textos por aí são explícitos ao afirmar isso.

O Brazil não quer educação e saúde públicas caras para o Brasil. Mas faz demagogia com isso para destilar o nojo contra essa negada suada que insiste em jogar futebol e, pior, torcer pelo futebol.

O Brazil da Fórmula-1, do MMA, do Grand Slam, cada vez mais torce para o futebol do Barça, do Chelsea, do Bayern.

O Curíntia, o Mengo & cia. vão ficando para o Brasil mesmo.

Quem sabe se o BNDES tivesse financiado estádios na Europa…

Ah, que tempos dissimulados. Que chato tudo isso.

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Contribuição cultural do baitasar

gereresararaururuoleole... blablabafafasururuolara

sábado, 7 de junho de 2014

por enquanto... “indícios do envolvimento”

Investigação
Zé Aníbal está envolvido no propinoduto tucano, diz ministro do STF


publicada sexta-feira, 06/06/2014 às 15:33 e atualizada sexta-feira, 06/06/2014 às 15:29


Escrevinhador




Da Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Marco Aurélio Mello, afirmou que o depoimento de um ex-diretor da Siemens aponta “indícios do envolvimento” dos deputados federais José Aníbal (PSDB) e Rodrigo Garcia (DEM) no esquema de pagamento de propinas do cartel de trens em São Paulo e decidiu manter os congressistas no inquérito do caso.

Em despacho de segunda-feira (2), o ministro excluiu da investigação do STF o senador Aloysio Nunes (PSDB) e Arnaldo Jardim (PPS) por entender que não há indícios suficientes contra eles nas apurações sobre o cartel.

Segundo Mello, o “colaborador X” apontou os nomes de Aníbal e Garcia como envolvidos no esquema de suborno. O depoente “X” é o ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, que delatou o cartel de trens ao governo federal em maio de 2013.

“Vê-se que, nas declarações, há indícios do envolvimento dos requerentes Rodrigo Garcia e José Aníbal. É cedo, muito cedo, para chegar-se a conclusão a respeito da participação, ou não, dos citados parlamentares. Por ora, é suficiente ao aprofundamento das investigações o que declarado pelo colaborador ‘x”, segundo a decisão judicial.


Editoria de Arte/Folhapress




Para o prosseguimento das investigações, o ministro determinou ainda o depoimento do presidente da estatal de trens CPTM Mário Bandeira, do ex-diretor da CPTM Antonio Kanji Hoshikawa, de Silvio Ranciaro, aliado político de Aníbal, e Jorge Fagali Neto, ex-secretário de Transportes de São Paulo.

Alexandre de Moraes, advogado de Garcia, diz ter gostado da decisão do ministro porque indefere os pedidos de cooperação internacional. “O único indício existente até agora [do recebimento de propina] é a delação. Esse inquérito vai ser arquivado porque as testemunhas não vão confirmar nada do que o delator disse. Elas já fizeram isso em depoimentos no Ministério Público”.

Moraes afirma que vai pedir a acareação de Garcia com o ex-executivo da Siemens que o acusou de ter recebido propina. O advogado também vai solicitar urgência ao Supremo para que o inquérito acabe antes das eleições. Garcia é candidato a deputado federal pelo DEM.

A Folha procurou o deputado José Aníbal, mas nem ele nem sua assessoria não haviam se manifestaram até este momento. Em pronunciamentos anteriores, Aníbal refutou com veemência que tenha recebido qualquer tipo de comissão para ajudar a empresas que fornecem para o Metrô e a CPTM. Ele classificou o delator do esquema de “bandido”.




Leia outros textos de Plenos Poderes

sexta-feira, 6 de junho de 2014

os estúpidos nunca nos decepcionam


Bar que é ponto de encontro de jovens nas terças-feiras é interditado pela Smic


SUL 21





Local reúne jovens habitualmente em volta de lago, próximo à Ponte de Pedra | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21

Débora Fogliatto

O bar Tutti Giorni, no centro de Porto Alegre, foi interditado nesta terça-feira (03) pela Secretaria Municipal de Indústria e Comércio (Smic). O local, que reúne centenas de jovens todas as terças-feiras em seu entorno, no Largo dos Açorianos, funciona há 30 anos na cidade. Segundo a Smic, o Tutti foi interditado a partir de ofício da Brigada Militar, devido a reclamações de perturbação da ordem vindas de vizinhos.

“A lei prevê que uma atividade que se desvirtue, saia do seu foco principal, pode ser interditada. Então foi a solicitação feita pela Brigada nesse caso, e a Smic só cumpriu com seu papel administrativo”, explicou Rogério Teixeira Stockey, diretor de fiscalização. Ele explicou que o bar já foi objeto de uma reunião no Ministério Público, onde os moradores dos prédios em cima e em torno do bar solicitaram uma ação devido ao barulho no local. Stockey lembrou que a força-tarefa da Smic intensificou a fiscalização desde março de 2013 e continua vistoriando bares da cidade.

Na segunda-feira (02), então, a Brigada Militar encaminhou ofício para secretaria realizar a interdição. Ao chegar no local, a fiscalização da Smic constatou também que o Tutti não possuía Plano de Prevenção Contra Incêndio (PPCI) e estava com o alvará vencido. O proprietário do bar, Ernani Marchioretto, conhecido como Nani, afirmou que tenta encaminhar há dois meses o PPCI, mas que isso precisa passar pela imobiliária, por se tratar de um estabelecimento alugado.

“A imobiliária que faz essa parte, que encaminha para os bombeiros, não fez isso ainda. Então estamos sem PPCI e parece que também foi porque ia ter muito tumulto e alguém pediu pra que fosse interditado hoje. Estamos aguardando agora para ver o que falta na documentação”, esclareceu Ernani. Nas redes sociais, há eventos marcados para os entornos do bar nesta terça-feira à noite.





O proprietário Ernani lamenta o fechamento em plena terça-feira | Foto: Bernardo Jardim Ribeiro/Sul21


Na semana passada, jovens que costumam frequentar o local contaram que havia forte presença da Brigada Militar, que realizou uma espécie de cordão em torno dos frequentadores quando o bar fechou, à meia-noite, intimidando-os a irem embora mais cedo do que o normal. Na situação, os policiais afirmaram que a segurança havia sido reforçada devido à proximidade com a Copa do Mundo.

Nani não conversou com a Brigada e nem foi informado sobre os motivos que levaram um contingente grande a se deslocar para o Tutti na terça passada, mas lamenta que a interdição tenha acontecido justo no dia de maior movimento. “Isso me quebrou as pernas, porque hoje eu ia conseguir pagar as contas. Vou ter que ligar pros fornecedores e avisar. Eles (a Smic) não levam em consideração que temos mais umas cinco famílias que dependem do Tutti para comer, além de mim. Não pode chegar e fechar assim na cara dura, sem nem dar alguns dias para resolver”, lamenta.

Ele lembra que o bar funciona há 30 anos e nunca teve registros de violência em sua área. “O Tutti sempre foi território da paz, onde as pessoas todas são iguais e esperamos ser respeitados por todos. Mas entendo que esse pessoal não tem onde curtir, não tem um espaço livre na cidade”, relata. Para Ernani, os jovens que frequentam o local são sempre “um pessoal bacana”, mas infelizmente a movimentação ocasionou o fechamento. “É um espaço que a gurizada não tem em Porto Alegre, só que o pessoal acaba ficando até de manhã e os vizinhos não gostam”, explica.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Torço ou não torço?


COXINHA DESABAFA:
O PIG ME ENGANOU



Coxinha digere aquela enxurrada de notícias calamitosas do PiG (*) e o abismo anunciado nunca chegou


Conversa Afiada






O Conversa Afiada reproduz desabafo de confesso Coxinha:


Ando muito triste, cabisbaixo. É que no ano passado, quando descobri o Brazil, terra fétida e estéril, populada por uma espécie espinhosa e ignorante, que mal pode ser considerada humana (menos eu, claro!), um sopro de esperança encheu meu ser. Nas múltiplas manifestações em que participei, de meu sofá, através da mídia ninja, comendo um chitos e tomando coca zero, pude constatar que de uma vez por todas, as mazelas desse país seriam extirpadas e estripadas, como num passe de mágica, com aquela grande festa cívica. Mas daí, descobri que era tudo fábula, pois fora programado para este ano um evento menor de futebol, a Copa do Mundo. Percebi que este evento foi milimétricamente arquitetado pelos operadores comunistas e bolivarianos que assolam essas terras decrépitas, em conluio com as grandes empreiteiras. Uma praga!

Peguei logo exemplares de meus diversos oráculos para saber o que diabos estava acontecendo. Empilhei Globo, Veja, Folha de São Paulo, InfoMoney e NRA News na minha cabeceira. Tão logo acabei de devorar, desde as manchetes garrafais até os obituários, deitei-me prostrado no sofá, a digerir aquela enxurrada de notícias calamitosas. De fato, o mundo acabaria em algumas semanas, para meu regozijo. Mundo quando digo é esse Brazil. Por que lá fora, onde reina uma era pós-capitalista e os seres são imbuídos de uma fraternidade universal, todos se punham a gargalhar e apontar a decrepitude desse polígono geográfico malgrado.

Mas logo fui tomado por um desespero intenso quando percebi que, após certo tempo, não afundara no abismo dantesco que os oráculos prometiam. Afinal, o comunismo já se espalhara e não via mais outra saída senão a hecatombe, que já havia programado assistir, pipoca e grapete em mãos, na minha televisão LED 3D de 60 polegadas. Minha casa continuava de pé, a rua mal asfaltada continuava com seus buracos intactos e o jornaleiro da esquina continuava a vender oráculos, que invariavelmente adiavam a hecatombe para daqui a algumas semanas, e assim por diante. Muito suspeito, pensei.

Mais recentemente recorri ao Facebook, terra de Marlboro e maior termômetro da coxice universal, para tentar compreender um pouco mais sobre esta desconjuntura. Me espantei ao constatar que meus amigos coxas haviam subitamente mudado de opinião. É que o Faustão havia lhes dito que a corrupção e decrepitude continuava intacta – e de corrupção e banditismo a Globo é expert – mas a Copa era boa. Não era bem assim, o dinheiro dos estádios viera de empréstimos a serem restituídos ao erário. Pó pará, vamos torcer pro braziu pra garantir a audiência Global, e assim por diante.

Hoje estou nesse estado, sem eira nem beira. Minha coxice resta estupefata. Como irei postar as manchetes no meu timeline se não consigo mais decifrar a mensagem oficial a ser reproduzida? Torço ou não torço? E a ameaça anarco-sindico-comunista? Quando irão surrupiar minha propriedade e família para entregar ao coletivo Fora do Beiço? Sabe de uma coisa, propriedade e família nos olhos dos outros é refresco! Amanhã mesmo formalizo minha adesão ao PC Soviético para entrar na farra.

J. Coxa




Clique aqui para ler “Dilma 40; Arrocho 21;Dudu 8. 1o. turno !”

Aqui para
“Sader: não é a copa, imbecil, são as eleições”

E aqui para “Por que ter medo de povo ?”


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

a ignorância da direita não tem solução


O Bolsa Família pela voz das mulheres atendidas pelo programa


junho 4th, 2014 bymariafro



Esta semana vocês viram a ignorância na pele de senador falando as piores bobagens sobre o Bolsa Família: Álvaro Dias: O Bolsa Família estimula a preguiça

Para compensá-los trago o jornalismo de primeira da Agência Pública que foi para o sertão do Piauí dar voz às estatísticas. Titulares do Bolsa Família, as sertanejas estão começando a transformar seus papéis na família e na sociedade do interior do Piauí e se libertando da servidão ao homem, milenar como a miséria.





Quem sabe assim os ignorantes entendam a importância deste programa. Ouvir mãe dizendo que quer outro futuro para suas filhas, ouvir as filhas com perspectiva de futuro. Ver como o programa transforma as relações de gênero, cria autonomia das mulheres que educam seus filhos pra autonomia. É uma revolução e a ignorância da direita não tem solução.








Severinas from Agência Pública on Vimeo.

Leia também:

Álvaro Dias: “Bolsa família estimula a preguiça”

O melhor texto sobre o Bolsa-Família que já li

Rebatendo críticas contra o Bolsa Família

As 15 famílias com patrimônio maior que 14 milhões do Bolsa Família

o que ele não controla?


O “submundo” de Aécio Neves


Diário do Centro do Mundo


Postado em 04 jun 2014
por : Kiko Nogueira


Ele



O submundo a que gosta de se referir Aécio Neves — responsável, segundo ele, pela disseminação de boatos acerca de sua pessoa — é uma resposta padrão a tudo o que ele não controla.

Não que Aécio não esteja acostumado a operar num submundo. O fogo cruzado entre ele e Serra, através de dossiês, tráfico de influência e outras práticas, gerou alguns dos capítulos mais sujos da vida pública nacional.

O hoje clássico artigo “Pó pará, governador”, publicado no Estadão por um jornalista ligado a Serra, e uma coluna do próprio José Serra na Folha, no dia em que Aécio anunciou sua pré-candidatura, são lembretes eloquentes desse tipo de operação. O texto foi citado por Fernando Barros e Silva no Roda Vida. “O debate sobre o consumo de cocaína no Brasil pode e deve ser uma pauta em 2014”, escreveu JS, o Profeta da Mooca.

A inabilidade e o desconforto de Aécio em lidar com questões incômodas fez com que adotasse essa tática de 1) atribuir os “ataques” a uma entidade fantasiosa, mas com apelo populista; e 2) desqualificar e intimidar quem ouse tocar em assuntos fora da pauta combinada.

Funcionou por um tempo. Aécio sempre teve a imprensa mineira na mão e não achou, provavelmente, que teria maiores problemas.

Há um interessante documentário de Marcelo Baeta sobre as pressões e acordos de seu governo com a mídia local. Uma das histórias é a de Marco Nascimento, ex-diretor da Globo em MG, que produziu uma reportagem sobre o crack no bairro de Lagoinha, em Belo Horizonte. A matéria passou no Jornal Nacional.

A repercussão foi enorme. Nascimento conta que passou a receber telefonemas de Andrea Neves, uma espécie de Golbery do irmão, braços direito e esquerdo, aliada e eminência parda. Para resumir: Nascimento foi demitido pouco depois, evidentemente que sob uma alegação técnica.

(Há vários outros casos — alguns, eventualmente, pândegos. Um jornalista mineiro me contou que Aécio, depois de uma briga com a namorada, mandou avisar o jornal O Estado de Minas que preparasse um “flagrante” da reconciliação numa praça. A foto do pseudopaparazzo foi feita e saiu na primeira página. Houve uma crise porque o retrato deveria ter sido publicado na coluna social, o que daria menos bandeira de que foi encomenda).

O vídeo de Baeta foi acusado pelo pessoal de Aécio de — surpresa — “coisa difundida pelo PT na internet”. Desde 2006, portanto, é basicamente o mesmo subterfúgio. Quando você tem tudo sob controle, num estado em que sua família manda e desmanda há décadas, fica mais fácil.

Mas a fila andou. Não é apenas em suas propostas que Aécio não viu o tempo passar. É um erro de cálculo brutal achar que o Brasil é uma extensão de sua fazenda. É muita arrogância, inépcia — ou a mistura de ambos — pensar que questões como a das drogas ficariam restritas a uma noite no Mineirão com o estádio fazendo coro (infelizmente, pegaria mal dar sumiço naquele povo todo).

A noção de submundo de Aécio Neves terá de passar a incluir, obrigatoriamente, seus “amigos”, colegas de partido e, principalmente, ele mesmo e sua turma.











Sobre o AutorDiretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

qual é a questão central das drogas?

Após regulação, mortes por tráfico de drogas chegam a zero no Uruguai


Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha

O Tempo





Conforme relatou, o país assegura o acesso legal à maconha por meio de autocultivo, com até seis pés por cada moradia


Durante debate da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa no Senado, nesta segunda-feira (2), o Secretário Nacional de Drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada afirmou que o país conseguiu reduzir a zero as mortes ligadas ao uso e ao comércio da maconha desde que adotou regras para regulamentar o cultivo e a venda da droga.

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Em resposta ao senador Cristovam Buarque (PDT-DF), Calzada disse que a legalização da maconha talvez aumente o número de usuários, mas ele acredita que a combinação com outras ferramentas de política pública, em aspectos culturais e sociais, poderão modificar padrões de consumo e levar ao êxito na redução de usuários.

Conforme relatou, o país assegura o acesso legal à maconha por meio de autocultivo, com até seis pés por cada moradia; pela participação de clubes de cultivo, com 15 a 45 membros; ou pela aquisição a partir de um sistema de registro controlado pelo governo.

No debate, o secretário afirmou que respostas efetivas para a questão das drogas dependem de clareza na delimitação do problema. Ele apresentou aos senadores perguntas que devem ser respondidas: Qual é a questão central das drogas? O foco deve estar na substancia? Nas pessoas? Na cultura? Na sociedade? Na política? Na geopolítica? Nas normas? Na fiscalização do trafico ilícito?

Os países, disse o secretário, devem ter em conta que as substancias – tabaco, maconha, heroína, cocaína – não são iguais e devem ser analisadas em suas particularidades e tratadas conforme o conjunto de aspectos referentes a cada uma. Pela grande complexidade do problema das drogas, disse, o Uruguai busca embasar suas ações em evidências científicas.

Conforme avaliou, a criminalização de usuários de drogas seria ineficiente por fazer com que cidadãos passem a ser tratados como viciados ou dependentes. Uma das consequências, disse, é o sistema de saúde ficar refratário a essas pessoas. Dados citados pelo secretário dão conta de que mais de 90% dos usuários de drogas não buscam ajuda no sistema de saúde.

Calzada afirmou ainda que, como outras drogas, como álcool, por exemplo, há riscos e efeitos colaterais negativos com o consumo de maconha, o que requer regulação e controle do Estado.

A audiência desta segunda-feira (2), que conta com participação popular pelos canais de interatividade do Senado, é a primeira de um ciclo de debates promovido pela CDH para ouvir autoridades, lideranças sociais e intelectuais, visando embasar o parecer da comissão sobre proposta de iniciativa popular (Sugestão 8/2014) que define regras para o uso recreativo, medicinal e industrial da maconha.

Também participam do debate a coordenadora-geral de Combate aos Ilícitos Transnacionais do Ministério das Relações Exteriores, Márcia Loureiro; o representante do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime no Brasil, Rafael Franzini Batle; o relator da Sugestão 8/2014, senador Cristovam Buarque (PDT-DF); e a presidente da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES).

lições que não aprendemos na escola, é uma pena


A lição que o Brasil está prestes a dar ao mundo


Diário do Centro do Mundo


Postado em 29 mai 2014
por : Diario do Centro do Mundo





Publicado originalmente no site Manual de Ingenuidades. O autor, Adriano Silva, é blogueiro e consultor digital. Antes, trabalhou na Abril e na Globo.

Há um pensamento em voga entre nós: devíamos sabotar a Copa, torcer contra, colaborar para que “não haja” Copa. Isto seria a coisa cívica e correta a fazer – usar a Copa do Mundo no Brasil não para vender ao mundo uma imagem boa do país, mas, ao contrário, para revelar nossas mazelas, para admitir nossas iniquidades diante do planeta.

Isto seria um levante contra “tudo isso que está aí” – o maldito padrão Fifa que não conseguimos alcançar e que nos humilha; nossa incapacidade histórica de fazer qualquer coisa honestamente, sem cobrar ou pagar propina; a economia que não anda; nossa ineficiência estrutural e nossa leniência crônica que nunca cumprem o que promete, que perdem prazos e desrespeitam contratos; nossa falência como nação que não consegue andar para frente em tantos aspectos essenciais; nossa incompetência em superar essa fenda social profunda que nos divide há séculos em duas castas que se odeiam, às vezes em silêncio, às vezes nem tanto.

Mas sabotar a Copa funcionaria também como uma espécie de autoexpiação pública e mundial, transformando nossas questões nacionais, internas, num inesquecível fiasco global. Como se a Copa do Mundo deixasse de ser uma festa para virar uma chibata. Como se o maior evento do planeta, que nos foi confiado e que nós brigamos para receber, não representasse um momento de alegria mas sim uma oportunidade de gerar constrangimento, vergonha, decepção e má publicidade.

Sorrir virou uma assunção de cretinice. Torcer pelas cores nacionais na Copa virou um crime. Exercer o gosto pelo futebol, um traço nacional, virou coisa de gente pusilânime.




O autor

Ao mesmo tempo, ver o Brasil mal retratado na imprensa de outros países virou uma alegria. Passamos a gostar da ideia de esfregar nossos aleijões na cara da audiência internacional – tendo especial regozijo ao ver a classe média do resto do mundo virar de lado e tampar o nariz. Adoramos jogar lama no próprio rosto. E convidamos os outros a nos enlamear também. Estamos torcendo para que as coisas funcionem mal, e para que tudo dê errado, e para que não consigamos fazer nada direito, para que tragédias aconteçam, para que tudo mais vá para o inferno.

Estamos vibrando com a derrocada daquilo que mais odiamos. E o que mais odiamos parece ser o Brasil. Como se o Brasil não fôssemos, tão e simplesmente, nós mesmos.

Tenho muita dificuldade de entrar nessa onda de autoimolação. E na inconsequência juvenil dessa postura “quanto pior, melhor”. Há um niilismo contido nesse pensamento, e um masoquismo meio piegas e vazio nessa proposta, um espírito de porco oco e doentio, que me desagradam profundamente. Talvez porque haja muita destruição aí – e eu seja um construtor. Talvez porque haja muita coisa prestes a ser posta abaixo, indiscriminadamente, e eu seja um criador que gosta de erguer obras. Não sou um demolidor de paredes. Então não consigo achar que botar fogo no circo com todo mundo debaixo da lona possa ser uma boa ideia. Talvez por já ter vivido fora do país, e visto o Brasil lá de fora. E por ter dois filhos brasileiros, que terão seu futuro próximo acontecendo por aqui. E por já estar vivendo meu 43. ano de vida. Já estou muito velho para achar que arrasar a terra possa facilitar o nascimento de alguma outra coisa sobre ela.

Fico imaginando esse mesmo pensamento noutros países. Cito apenas alguns. Você completa o quadro.

Na Copa de 2002, o Japão deveria, logo na abertura, fazer menção a seus crimes de guerra, que não foram poucos, pelos quais jamais se desculpou. Ou então alertar para o tratamento discriminatório até hoje imposto aos burakumin – pessoas que exercem profissões “impuras”, como coveiros e açougueiros. Ou protestar contra a xenofobia, e o sentimento de isolamento (quando não de superioridade) racial que ainda hoje permeia a sociedade japonesa.

A Coréia, no mesmo ano, deveria denunciar seu patriarcalismo opressor e a violência doméstica contra mulheres que é uma espécie de direito adquirido dos homens por lá até hoje – quase 60% das esposas afirmam sofrer algum tipo de abuso dentro de casa.

Os Estados Unidos deveriam ter encerrado a Copa de 1994 com uma apoteose em forma de perdão pela barbaridade das duas bombas atômicas que atiraram covardemente sobre a população civil de duas cidades, em nome de um teste científico (afinal, gente amarela não é gente, né?) e de um aviso nuclear aos novos inimigos. Foram 250 000 mortos, entre crianças, mulheres, bebês, velhos, gestantes, recém nascidos. Ou então a apoteose deveria representar uma elegia às populações indígenas americanas massacradas. Ou aos mortos de todas as ditaduras que os Estados Unidos apoiaram ao longo de décadas, inclusive ensinando as melhores técnicas para “prender e arrebentar”, para vigiar e punir e esganar. Os Estados Unidos também poderiam se retirar da Copa, e também das Olimpíadas, bem como de todas as competições internacionais em que costumam brilhar, em protesto contra o fato de serem a maior economia do mundo e até hoje não terem tido a capacidade de oferecer um sistema público de saúde universal aos trabalhadores que produzem essa riqueza toda – quase 50 milhões de americanos simplesmente não tem a quem recorrer se ficarem doentes.

A África do Sul, em 2010, deveria ter alardeado sua liderança mundial em estupros – 128 estupros por 100 000 habitantes. (Ah, sim. Na Nigéria, que receberemos esse ano, o estupro marital não é considerado crime. A delegação nigeriana, composta de maridos, deveria entrar no Itaquerão empunhando essa bandeira?)

A Itália e a Espanha, as duas últimas campeãs mundiais, nem deveriam vir à Copa. Na Itália, o desemprego entre os jovens é de 38,5% – no Sul, a região mais pobre do país, a taxa é de 50%. Ano passado, 134 lojas fechavam diariamente na bota – mais de 224 000 pontos já fecharam no varejo italiano desde 2008. Na Espanha, o desemprego está batendo em 30% na população em geral. Entre os jovens, já encostou também nos 50%.

Ou seja, se fossem países sérios, Espanha e Itália não perderiam tempo e recursos participando de um evento da Fifa, essa corja internacional, e se dedicariam com mais a afinco a resolver seu problemas, que são muito graves. Trata-se de países à beira da bancarrota. (Só para comparar, a taxa de desemprego no Brasil, esse fim de mundo em que vivemos, é de 4,9%). Os americanos, se merecessem os hambúrgueres que comem, deveriam usar a visibilidade da Copa, já que nem gostam de futebol mesmo, para chamarem a atenção para a tremenda injustiça e para o absurdo descaso que enfrentam em seu sistema público de saúde. E, se tivessem um pingo de vergonha na cara, espanhois e italianos se recusariam a vir para a Copa, a torcer por suas seleções na Copa, e se postariam de costas para os televisores e sairiam quebrando vitrines (das lojas que ainda lhes restam) a cada gol de Iniesta ou de Balotelli. Mais ou menos como estamos planejando fazer por aqui em represália aos êxitos de Neymar e cia.

Eis a lição que o Brasil está prestes a dar ao mundo.

domingo, 1 de junho de 2014

A farsa e seus limites


Os órfãos de Joaquim Barbosa



Órfão da toga justiceira, Aécio Neves tenta vestir uma fantasia de justiceiro social, esgarçada pela estreiteza dos interesses que representa.

por: Saul Leblon







Joaquim Barbosa deixa a cena política como um farrapo do personagem desfrutável que se ofereceu um dia ao conservadorismo brasileiro.

Na verdade, não era mais funcional ter a legenda política associada a ele.

Sua permanência à frente do STF tornara-se insustentável.

Vinte e quatro horas antes de comunicar a aposentadoria, já era identificado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, como um fator de insegurança jurídica para o país.

A OAB o rechaçava.

O mundo jurídico manifestava constrangimento diante da incontinência autoritária.

A colérica desenvoltura com que transgredia a fronteira que separa o sentimento de vingança e ódio da ideia de justiça, inquietava os grandes nomes do Direito.

Havia um déspota sob a toga que presidia a Suprema Corte do país.

E ele não hesitava em implodir o alicerce da equidistância republicana que confere à Justiça o consentimento legal, a distingui-la dos linchamentos falangistas.

O obscurantismo vira ali, originalmente, o cavalo receptivo a um enxerto capaz de atalhar o acesso a um poder que sistematicamente lhe fora negado pelas urnas.
Barbosa retribuía a ração de holofotes e bajulações mercadejando ações cuidadosamente dirigidas ao desfrute da propaganda conservadora.

Na indisfarçada perseguição a José Dirceu, atropelou decisão de seus pares pondo em risco um sistema prisional em que 77 mil sentenciados desfrutam o mesmo semiaberto subtraído ao ex-ministro.

Desde o início do julgamento da AP 470 deixaria nítido o propósito de atropelar o rito, as provas e os autos, em sintonia escabrosa com a sofreguidão midiática.

Seu desabusado comportamento exalava o enfado de quem já havia sentenciado os réus à revelia dos autos, como se viu depois, sendo-lhe maçante e ostensivamente desagradável submeter-se aos procedimentos do Estado de Direito.

O artificioso recurso do domínio do fato, evocado como uma autorização para condenar sem provas, sintetizou a marca nodosa de sua relatoria.

A expedição de mandados de prisão no dia da República, e no afogadilho de servir à grade da TV Globo, atestaria a natureza viciosa de todo o enredo.

A exceção inscrita no julgamento reafirmava-se na execução despótica de sentenças sob o comando atrabiliário de quem não hesitaria em colocar vidas em risco.

O que contava era servir-se da lei. E não servir à lei.

A mídia isenta esponjava-se entre o incentivo e a cumplicidade.

Em nome de um igualitarismo descendente que, finalmente, nivelaria pobres e ricos no sistema prisional, inoculava na opinião pública o vírus da renúncia à civilização em nome da convergência pela barbárie.

A aposentadoria de Barbosa não apaga essa nódoa.

Ela continuará a manchar o Estado de Direito enquanto não for reparado o arbítrio a que tem sido submetidas lideranças da esquerda brasileira, punidas não pelo endosso, admitido, e reprovável, à prática do caixa 2 eleitoral.

Igual e precedente infração cometida pelo PSDB, e relegada pela toga biliosa, escancara o prioritário sentido da AP 470: gerar troféus de caça a serem execrados em trunfo no palanque conservador.

A liquefação jurídica e moral de Joaquim Barbosa nos últimos meses tornou essa estratégia anacrônica e perigosa.

A toga biliosa assumiu, crescentemente, contornos de um coronel Kurtz, o personagem de Marlon Brando, em Apocalypse Now, que se desgarrou do exército americano no Vietnã para criar a sua própria guerra dentro da guerra.

Na guerra pelo poder, Barbosa lutava a batalha do dia anterior.

Cada vez mais, a disputa eleitoral em curso no país é ditada pelas escolhas que a transição do desenvolvimento impõe à economia, à sociedade e à democracia.

A luta se dá em campo aberto.

Arrocho ou democracia social desenham uma encruzilhada de nitidez crescente aos olhos da população.

A demonização do ‘petismo’ não é mais suficiente para sustentar os interesses conservadores na travessia de ciclo que se anuncia.

Aécio Neves corre contra o tempo para recadastrar seu apelo no vazio deixado pela esgotamento da judicialização da política.

Enfrenta dificuldades.

Não faz um mês, os centuriões do arrocho fiscal que o assessoram –e a mídia que os repercute-- saíram de faca na boca após o discurso da Presidenta Dilma, na véspera do 1º de Maio.

Criticavam acidamente o reajuste de 10% aplicado ao benefício do Bolsa Família.

No dia seguinte, numa feira de gado em Uberaba, MG, o tucano ‘não quis assumir o compromisso de aumentar os repasses, caso seja eleito’, noticiou a Folha de SP (02-05).

‘De mim, você jamais ouvirá uma irresponsabilidade de eu assumir qualquer compromisso antes de conhecer os números, antes de reconhecer a realidade do caixa do governo federal", afirmou Aécio à Folha, na tarde daquela sexta-feira.

Vinte e seis dias depois, o mesmo personagem, algo maleável, digamos assim, fez aprovar, nesta 3ª feira, na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, uma medida que exclui limites de renda e tempo para a permanência de famílias pobres no programa (leia a reportagem de Najla Passos; nesta pág)

A proposta implica dispêndio adicional que o presidenciável recusava assumir há três semanas.

Que lógica, afinal, move as relações do candidato com o Bolsa Família?

A mesma de seu partido, cuja trajetória naufragou na dificuldade histórica do conservadorismo em lidar com a questão social no país.

Órfão da toga justiceira, Aécio Neves tenta vestir uma inverossímil fantasia de justiceiro social, desde logo esgarçada pela estreiteza dos interesses que representa.

A farsa corre o risco de evidenciar seus limites tão rapidamente quanto a anterior.

A ver.

Esperava mais de você Batman!


A Renúncia Do Monge Do Ódio


Blog do Marcus Vinícius


Joaquim Barbosa se foi.

Partiu sem julgar o Mensalão do PSDB.

Escafedeu-se sem nada dizer sobre a Lista de Furnas.

Caiu fora sem se pronunciar em relação ao escândalo de 2,5 bilhões de dólares no metrô de São Paulo, o chamado Trensalão dos governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.

Joaquim Barbosa só tocou o terror contra o PT.

Barbarizou os condenados da Ação Penal 470, dita Mensalão.

Contrariou a jurisprudência consagrada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que garante ao preso do regime semi-aberto o direito ao trabalho para negar este benefício ao ex-ministro José Dirceu, ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, aos ex-deputados federais Valdemar Costa Neto, Pedro Corrêa e Carlos Alberto Pinto Rodrigues (Bispo Rodrigues), além de Jacinto Lamas (ex-tesoureiro do então Partido Liberal), que exerciam trabalho externo já há várias semanas.

Radical contra o PT, o ministro Joaquim Barbosa não teve a mesma dureza contra traficantes, facínoras e assassinos barra-pesada que desfrutam de inúmeras regalias nos presídios Brasil afora. O “menino pobre que mudou o Brasil” nada fez contra aqueles que, da cadeia, continuam a comandar suas redes de tráfico de drogas, seqüestros, asssaltos, assasinatos e extorsões. Porque será que Joaquim Barbosa não tocou o terror contra Fernandinho Beira-Mar, Leonardo Mendonça e outros?

Esperava mais de você Batman!

Joaquim Barbosa vai e se esvai. Desintegra-se o seu pedestal moralista, tal e qual o ex-senador Demóstenes Torres.

Herói do PIG (Partido da Imprensa Golpista), JB avisa que embarca direto para Miami, onde comprou apartamento de R$ 1 milhão. Vai para um auto-exílio, pois sabe que não deixa saudade.

Seus colegas de toga exultam-se com sua renúncia. Ao longo de sua breve passagem pela presidência do Supremo Tribunal Federal e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), Joaquim Barbosa conseguiu críticas unânimes por sua conduta de déspota. Sua atuação foi denominada anti-democrática pelos presidentes da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Anamatra (Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho).

Visto por setores mais conservadores da imprensa e da oposição como ponta de lança para inviabilizar o governo da presidenta Dilma Roussef e criminalizar o PT, Joaquim Barbosa deixa a vida pública para entrar para história como a versão Jânio Quadros de Carlos Lacerda, ou seja, renunciou sem lograr êxito no golpe, como tivera o Corvo, 50 anos antes, naquele fatídico 1º de abril de 1964.

Nem Batman, nem Lacerda.

Joaquim Barbosa não foi herói nem grande conspirador.

Foi, isto sim, um monge do ódio, conforme reconhece o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcus Furtado Coelho:

“Essa interpretação vingativa de um caso concreto (concessão de trabalho aos presos da AP 470) não pode suscitar prejuízo a 77 mil brasileiros (presos em regime semiaberto)”, advertiu Coêlho, reforçando a convicção externada pelo meio jurídico do país, de que o presidente do Supremo, ao aplicar dessa forma, acabou na prática com o regime semiaberto e pode prejudicar todos os que já cumprem pena sob este regime.

“Não deve haver vitória do discurso da intolerância e do direito penal sobre o inimigo. Se ele é meu inimigo não devo cumprir a lei”, acentuou o dirigente da entidade máxima dos advogados brasileiros.

Sem Barbosa à frente do STF, a judicialização da política deve perder força. O próprio Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, reconheceu que o afã vingativo de JB trouxe insegurança jurídica ao país:

“O problema que se coloca em interpretação de direito é a segurança jurídica. Tínhamos uma interpretação, já de algum tempo, de que não seria necessário o cumprimento de 1/6 da pena para que o preso pudesse alcançar o privilégio do trabalho externo. Uma modificação nessa interpretação jurídica pode causar insegurança jurídica. E, em causando insegurança jurídica, pode refletir em demais presos sim”, concluiu Janot.

Vai Barbosa.

Leva contigo teu ódio.

Que tua intolerância sirva de alerta a teus pares dos perigos de um magistrado que se deixa guiar pelo rancor, ao invés de aplicar o Direito.

É isso o que você vai fazer no microfone da Globo?

Baixar o cacete? Cala a boca, Ronaldo!




29 de maio de 2014 | 21:41 
Autor: Fernando Brito




O “fenômeno” Ronaldo nem parece o mesmo da final da Copa de 98.

“Tem que baixar o cacete nos vândalos”, diz ele na Folha, estreando em seu papel de porta-voz de Aécio Neves.

Baixar o cacete, Ronaldo, é antijogo, mesmo quando o adversário está praticando lambanças.

Quando morrer um na pancadaria, não adianta ficar de “mimimi”. É um ser humano que morre.

Vidraça, lata de lixo, a gente põe outra, com sacrifício e prejuízo.

Mas lançar uma tropa em cima de um grupo, mesmo um grupelho como os “blackblocs” gritando a ela “baixe o cacete à vontade” termina nisso, Ronaldo.

É o que você quer, logo você que se entupiu de dinheiro de propaganda da Copa e gozou sabe-se lá que mordomias do Comitê Olímpico da Fifa?

Esse aqui é um país civilizado, Ronaldo, por mais que gente que se comporta como “black bloc”, por mais que grupos de mídia e personagens como você ganhem o dinheiro a rodo com a Copa e depois apontem o dedo para o poder público e se finjam de “envergonhados” achem que isso é uma terra de bobos, de otários, que não vêem a hipocrisia?

Porque os gastos públicos são transparentes, expostos, todo mundo pode saber.

Mas os ganhos desta turma de “bacanas”, ah, este é sigiloso, secreto, impublicável e, só na visão de vocês, meritório.

Até a pobrezinha da Fifa “está traumatizada”, embora o trauma não a impeça de se entupir de dinheiro, quase o necessário para construir todos os estádios três vezes: US$ 10 bilhões , ou R$ 22 bilhões.

Agora você convoca o povo para “ fazer a maior manifestação de todos os tempos, em 5 de outubro, nas eleições”.

É isso o que você vai fazer no microfone da Globo?

Vai pedir que a polícia “baixe o cacete” numa meia dúzia de imbecis que sonha com isso, muita cacetada, bomba, fumaça de gás tudo o que possa radicalizar o clima, estragar a festa do futebol - aí, sim – envergonhar o Brasil?

E como ficam nossos jogadores, disputando uma partida em uma praça de guerra, com a PM baixando o cacete a torto e a direito, porque, você sabe, quando o marmelo começa a cantar, dá em Pedro, João e Antônio sem a menor cerimônia.

Vai torcer para o nosso time tremer na base, como você, e entregar o ouro, também?

Como diz o pessoal do “mercado”, isso ajuda o Aécio?

Você preste atenção, Ronaldo.

O povo brasileiro, na sua quase infinita generosidade o perdoou por muitas “derrapadas”.

Você virou algo mais ridículo que o personagem-símbolo do “mala sem alça” do esporte.

Cala a boca, Ronaldo.

uma coisa é uma coisa, mas virou outra coisa: desinformação para os conformados


Isto É jornalismo? Resposta à calúnia da revista

Posted by eduguim on 01/06/14 • Blog da Cidadania





Se fosse calcular quanto despendi para manter este Blog desde 2005, provavelmente desistiria de editá-lo. Não só pelo custo com hospedagem da página na internet, com deslocamentos e ligações telefônicas para apuração de matérias, mas com o tempo gasto para produzir tudo o que o Blog da Cidadania produz há cerca de nove anos.

Aliás, minha atividade como blogueiro sofre oposição da família há anos, pois esposa e filhos acham que eu deveria me dedicar mais ao trabalho remunerado por conta de minha quarta filha, Victoria, de 15 anos, que padece de grave enfermidade neurológica e que, portanto, requer considerável dispêndio de recursos financeiros.

Porém, como representante comercial autônomo sou dono do meu tempo e, assim, não abro mão desta empreitada já quase decenal. Este Blog faz com que me sinta útil à sociedade. Após passar 4/5 da vida sentindo-me amordaçado como tantos outros brasileiros, e ainda tendo que ver esses grandes grupos de mídia mentirem, deturparem fatos, é um bálsamo poder finalmente dizer o que penso, divulgar o que julgo necessário e saber que muitos leem.

Ao longo de quase uma década como blogueiro, de alguns anos para cá passei inclusive a receber propostas de veiculação de publicidade nesta página, o que me permitiria inclusive uma dedicação maior a este trabalho. Além de publicidade oficial que praticamente todo veículo jornalístico recebe, eu poderia pôr aqui publicidade do Google – que sempre rende um bom dinheirinho – e, inclusive, pedir doações aos leitores, como fazem tantos blogueiros.

Como tenho que trabalhar em outra atividade para me sustentar, como mantenho sempre o mesmo ritmo como blogueiro há muitos anos – em geral, um post por dia – e por saber que, se transformasse este blog em um negócio acabaria tendo que dispender mais tempo com ele, sempre recusei ofertas de veiculação de publicidade oficial – isso mesmo, já recusei inúmeras ofertas, inclusive de órgãos públicos.

A única coisa que aceitei, ao longo dos anos, foram as ofertas de doação dos leitores. Generosamente, eles vêm me ajudando a manter a página, mas todas as doações foram feitas por oferta deles após eu mencionar, há alguns anos, que estava com dificuldades porque, com o crescimento da audiência, o blog estava saindo do ar com frequência porque eu não podia pagar servidores mais parrudos para arcar com o imenso banco de dados e os acessos crescentes.

Contudo, como não institucionalizei o processo de doações de leitores como tantos outros blogs fazem, em geral as pessoas acabam esquecendo de doar e fico constrangido em “cobrar”.

Poderia, por exemplo, colocar aquele recurso que permite aos leitores doarem com cartão de crédito, do qual seria debitado mensalmente um valor. Mas o fato é que sinto certo constrangimento e acabei empurrando com a barriga e nunca oficializando pedidos de doações. Assim, arrecado bem menos do que poderia.

Já deveria ter inclusive colocado propaganda do Google. O desenvolvedor desta página diz que com a audiência que tem o Blog eu levantaria um bom dinheirinho. Contudo, vou sempre empurrando com a barriga e acabo não fazendo.

Pois bem: há mais ou menos uns 3 meses, recebo ligação no celular de uma moça de uma agência de publicidade dizendo que a Prefeitura de Guarulhos queria anunciar no meu Blog. Diferentemente de outras vezes, até por conta das dificuldades causadas por expressivo aumento que a empresa que hospeda esta página aplicou, disse à moça que “tudo bem”.

Passaram-se várias semanas e eis que recebo e-mail da mesma agência com a proposta de veiculação de campanha da Prefeitura de Guarulhos neste Blog. Assim, no dia 4 de abril, pela primeira vez desde 2005, passei a divulgar publicidade de um órgão público. A primeira campanha foi de 30 dias. Em maio, foi renovada.

Não conheço ninguém da Prefeitura de Guarulhos. Não conheço o prefeito, não conheço o secretário de Comunicação. Ninguém, absolutamente ninguém. Nunca me reuni com ninguém. Nunca falei ao telefone com ninguém.

A esta altura, alguns dos leitores desta página devem ter tomado conhecimento de matéria da edição desta semana da revista IstoÉ que, de forma leviana e até criminosa, acusa este Blog e a revista Fórum de integrarmos um “Bunker da calúnia” montado pela Prefeitura de Guarulhos para atacar Aécio Neves.

A matéria mistura este Blog e a revista Fórum com caso recente envolvendo uma servidora da Prefeitura de Guarulhos que postou críticas ao pré-candidato a presidente da República Aécio Neves usando os computadores daquele órgão público, o que é ilegal. A Folha de São Paulo divulgou o caso com grande estardalhaço, como sempre defendendo tucanos.

Todavia, casos assim, envolvendo servidores de órgãos públicos que decidem fazer política na internet usando equipamentos públicos, são comuns.

No fim do ano passado, a então ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, divulgou nota comentando ofensas sofridas por ela em dois perfis do Facebook (“Gleisi Indelicada” e “Gleisi Não”), que acabaram desativados pela rede social após determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Informações do próprio Facebook dão conta de que as páginas eram financiadas por José Gilberto Maciel, cargo comissionado da Agência Estadual de Notícias (AEN), o órgão de comunicação oficial do Governo do Estado do Paraná.

Há, também, o caso envolvendo o filho do tucano Xico Graziano, que trabalha no Instituto Fernando Henrique Cardoso e que vinha disseminando informações falsas sobre um dos filhos do ex-presidente Lula usando os computadores do IFHC.

O filho de Graziano disseminava pela internet boatos contra Lulinha dizendo-o sócio da Friboi, dono de um jato executivo da Gulfstream e de uma grande propriedade rural. A foto da propriedade utilizada na fraude é, na verdade, da sede da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), faculdade localizada em Piracicaba e ligada à Universidade de São Paulo. Tampouco existe jatinho algum e obviamente o filho de Lula não é sócio da Friboi.

Apesar de esses casos de uso de equipamentos públicos contra petistas não terem despertado a fúria da mídia tucana, o caso da Prefeitura de Guarulhos provocou uma revolução na mídia.

Tudo começou com matéria do jornal O Globo traçando o perfil de nove blogueiros – entre os quais, este que escreve – que entrevistaram Lula no dia 8 de abril deste ano. O Globo mencionou o banner da Prefeitura neste e em outros blogs que entrevistaram o ex-presidente, insinuando, por exemplo, que um banner que está aqui há cerca de 45 dias é a razão de tudo que esta página publica, apesar de ser a primeira publicidade oficial que este Blog teve em 9 anos.

Enfim, a matéria de IstoÉ configura calúnia e difamação desde o título. Renato Rovai, editor da revista Fórum, já adiantou que estuda medidas judiciais contra a IstoÉ. Este Blog ainda irá avaliar. Até porque, milhares de pessoas que leem esta página há quase uma década sabem muito bem que ela nunca teve publicidade oficial além dessa que aqui está há um mês e pouco.

Não existe maior preocupação inclusive com investigação da Prefeitura de Guarulhos que o PSDB conseguiu abrir no Ministério Público usando como desculpa o caso da servidora daquela administração que fez bobagem e que inclusive já foi demitida. Podem procurar à vontade que não encontrarão nada ligando esta página ao caso.

A matéria da IstoÉ não é jornalismo, mas um release para o PSDB e para Aécio Neves, que se diz “caluniado” por este Blog por ter, em 2012, respondido a ataque que o hoje pré-candidato tucano fez à época ao presidente Lula, chamando-o de “chefe de facção”.

A matéria desta página que a IstoÉ cita como ofensiva a Aécio Neves alude ao noticiário de 2011, quando o tucano foi parado no Rio de Janeiro em uma blitz da lei seca e teve sua carteira de motorista apreendida por se recusar a fazer o teste do bafômetro. Abaixo, vídeo de matéria da Globo sobre o assunto.







A matéria da IstoÉ causa indignação por fazer afirmações sobre o que não pode ser provado – que este Blog ou a revista Fórum publicam o que publicam por serem pagos pela Prefeitura de Guarulhos – e, mais do que isso, por a revista não ter se dado ao trabalho de ouvir aquela prefeitura, este blogueiro e a Fórum e, de forma mentirosa, dizer que tentou nos ouvir.

Não ouviu coisa nenhuma. IstoÉ não me procurou, não procurou Renato Rovai e desconfio de que tampouco procurou a Prefeitura de Guarulhos.

Seja como for, minha preocupação com esse caso é zero. Não sou filiado ao PT, não presto serviços ao PT, não recebi proposta de veiculação do banner daquela prefeitura sob condição alguma. E se eu prestasse serviços ao PT, seria absolutamente legítimo. Mas nunca tive esse tipo de relação com partido nenhum, com administração pública nenhuma.

Mas, claro, há que avaliar muito bem a matéria da revista. Nos próximos dias, encaminharei à publicação um pedido de explicações e a minha versão dos fatos, além de levar a cabo as consultas jurídicas que se fazem necessárias. Vários jornalistas da grande mídia vêm caluniando blogueiros que simpatizam com Lula, Dilma e o PT e isso já foi longe demais.