domingo, 27 de fevereiro de 2011

é preciso julgar o assassinato de outras lideranças indígenas

Julgamento do assassinato do Cacique Veron



ihu.unisinos

"Acompanhar todos os momentos do julgamento de três dos acusados do assassinato do cacique Marcos Veron, é poder entender um pouco mais da história de luta e sofrimento desse povo, e sentir que depois de mais de cinco séculos eles continuam sendo assassinados por que querem continuar vivendo em pequenos espaços de suas terras tradicionais. O julgamento possívelmente estará indo amanhã noite e talvez madrugada adentro, até que finalmente seja anunciada a decisão dos jurados", escreve Egon Heck, coordenador do CIMI-MS, ao enviar o artigo que abaixo publicamos.


Eis o artigo.

No terceiro dia do julgamento foram ouvidas vítimas e testemunhas de acusação e defesa. Foram os depoimentos que mais estavam sendo aguardados, uma vez que os depoentes eram os mais diretamente afetados pelas violências que resultaram no assassinato do cacique Marcos Veron Avá Taperendy, líder Guarani Kaiowá, no dia 13 de janeiro de 2003

Ladio Veron, filho mais velho do cacique assassinado, e que sofreu espancamentos, tortura e ameaças de atearem fogo em seu corpo, fez o depoimento mais contundente e detalhado da bárbara agressão sofrida, tendo sido amarrado e jogado na carroceria de uma camionete, juntamente com seu pai, agonizante.

Ladio, após o depoimento já reintegrado ao grupo de seus familiares e amigos, declarou que “espera que a justiça agora seja feita. Que o assassinato de seu pai não fique impune, bem como outros assassinatos de líderes indígenas Kaiowá Guarani.” Bastante sereno e confiante declarou: “só ficarei mais tranqüilo na hora que terminar o julgamento com a punição dos assassinos”.

Adelcia Martins Veron, a primeira vítima a depor, disse “a dor que passei é como se tivesse sido ontem. Uma coisa muito triste. Vi com meus próprios olhos, o massacre a judiação, a lamentação e gritos das crianças e mulheres. Tudo isso fui relembrando enquanto fui falando no depoimento. O tiroteio que a gente sofreu, é um grande sentimento que a gente vai sentindo de novo. A coisa mais triste que aconteceu foi ver o nosso cacique ir morrendo aí sem a gente poder fazer nada. Ele morrendo, sem xingar ninguém. Morrendo como uma abelha. Uma dor do povo índio de Takuara dando a sua vida”.

Relatou ainda “Eu não agüentava, chorava muito, vendo toda aquela tortura. Meu coração ficou doendo vendo toda aquela judiação. Espero que tenha justiça. Que os jurados sintam no seu coração aquela dor que sofremos com o assassinato do nosso cacique. Esperamos continuar vivendo com nossas crianças do jeito que ele nos ensinou, na reza, no guachiré. E assim continue nossa alegria na aldeia Takuara. Ele deu a vida pela terra e pelo futuro das nossas crianças. Os fazendeiros mataram nosso cacique sem compaixão, mas nós vamos continuar a vida do nosso cacique”.

Por fim, ressaltou “Que o governo possa ouvir e sentir onde o sangue foi derramado e demarque a nossa terra, para que a gente possa viver tranqüilo em nossa terra, com nossas crianças. Hoje quem lidera o grupo indígena da aldeia Takuara é o filho mais velho do cacique Marcos Veron, Ládio Veron Avá Taperendy’i “.

Araldo Veron, primeiro depoente de testemunha de acusação, declarou “estava com grande sentimento e ansiedade esperando há muito tempo esse julgamento. Creio muito na justiça que vai dar a sentença para os que mataram meu pai. Fiquei muito contente porque o julgamento está acontecendo e, agora, esperamos a punição dos assassinos do nosso pai Marcos Verón.

Recordou das pessoas que os tem ajudado nessa luta. “Agradecemos a todos os que nos apoiaram e deram força como a Fiona da Survival, os amigos do Cimi e muitos outros por esse Brasil e mundo afora, que assistiram e apóiam a nossa causa, dando força nessas horas difíceis”. Finalizou dizendo “que a nossa comunidade esteja contente e todos os professores e alunos do Teko Arandu, que deram muita força para nós.”

Rosalino Ortis ,líder aldeia Yvy Katu, município Japorã disse: ”queremos que sejam punidos os assassinos do líder indígena guarani Marcos Verón. Agradecemos por ter acontecido o julgamento e esperamos que a justiça venha para julgar o assassinato de outras lideranças indígenas, mortas pelos pistoleiro dos fazendeiro no Mato Grosso do Sul”.

Ressaltou ainda, “Agradeço a outras liderança, Funai ,Cimi, Ministério Público Federal e Polícia Federal . Espero que não aconteça mais conflitos por causa de nossas terras”.

Franscisco Gonçalves, importante liderança guarani declarou “estou confiante na justiça, que esses assassinos sejam punidos pela violência e tortura cometidas contra o cacique Marcos Veron, índio Guarani e dos outros líderes assassinados pelos pistoleiros dos fazendeiros no Mato Grosso do Sul. Agradeço à Justiça Federal e a todas as liderança indígena Guarani Kaiowá.”

quem sabe o espírito da justiça esteja presente


Cacique Verón está presente!

No terceiro dia de julgamento foram ouvidos os filhos do cacique e sua mulher

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Na primeira hora do amanhecer toda a comunidade está de pé. Mulheres, homens e crianças se preparam para o terceiro dia de julgamento, dispostos a chegar bem cedo no Fórum Federal Criminal, próximo à Avenida Paulista, em São Paulo.
A reportagem é de Vanessa Ramos – Cimi SP.

Fazem o seu ritual e partem do Centro de Acolhida, localizado na periferia da zona norte paulistana. Com os portões ainda fechados chegam ao local do julgamento, começam a se organizar, abrindo as faixas que pedem justiça e fazendo suas pinturas.  

O guarda local os reconhece, abre os portões e eles iniciam ali mesmo um segundo ritual Jeroky para se proteger e para que o julgamento siga bem no transcorrer dos depoimentos. Nesse terceiro dia, foram ouvidos, como testemunhas de acusação, os filhos Ládio Verón Cavalheiro e Araldo Verón, a esposa do cacique Júlia Verón, o funcionário da Funai Jonas Rosa, o delegado João Carlos Girotto, o ex-funcionário da fazenda Brasília do Sul Aparecido Carmona da Silva e a testemunha de defesa José Aparecido de Oliveira Zacarias.

Ládio durante o depoimento afirmou “meu pai era líder religioso da comunidade e fazia parte da grande Assembleia Aty Guasu - Guarani Kaiowá”. Relatou toda a cena de violência ocorrida em 2003 contra a sua família e a ele próprio. Quando traz presente a agressão que faziam contra o seu pai, ele lembra “Eu falava para eles (os agressores), não bata no meu pai, não bata em um velho aposentado, batam em mim, em mim!”.

No momento da declaração de Araldo Verón, iniciou o que se chama “Contradita de testemunha”. A juíza explicou ao júri que isso significa “argüições que as partes fazem para questionar se a testemunha deve ou não depor”. Os advogados de defesa tentaram impedir o testemunho de Araldo, alegando que o mesmo era filho do cacique assassinado e que não teria por isso, condições plenas de dar depoimento.

Depois de debates, esse pedido não foi aceito. Araldo seguiu seu pronunciamento e em um determinado momento fez o reconhecimento dos réus Jorge e Estevão. “Eles estavam atirando”, disse. Transcreveu com detalhes as perseguições e ao final, emocionado, afirmou: “a gente sente muita falta do nosso pai”. Por fim, acrescentou: “acreditamos na justiça, por isso estamos aqui”.

Júlia Verón relatou toda a perseguição ocorrida. Ela ouviu o choro das crianças que estavam na carroceria que tentavam se esconder embaixo do tambor de chicha (bebida tradicional). Eram intensos os barulhos dos tiros que acertavam a carroceria e o tambor. Um dos tiros acertou as pernas de uma das crianças. Escutava também dos capatazes “Atira, mata esses índios”.

O delegado João Carlos Girotto, do Mato Grosso do Sul, assegurou que na violência praticada contra a comunidade indígena “houve todo um planejamento militar da ação”. Durante o seu testemunho contou que a tática da ação foi idealizada por Antônio Batista Rodrigues, ex-policial do DOF (Departamento de Operações de Fronteira), que hoje encontra-se foragido.

Em sua declaração afirmou que essa ação foi uma emboscada, a família do cacique foi de fato capturada e na manhã seguinte do ocorrido, houve sumiço dos vestígios do crime. Contou que foi comprovada a comunicação, através de rádio, entre os carros que perseguiram os indígenas e a fazenda.

Ainda houve o depoimento do ex-funcionário da Funai, Jonas Rosa e de uma testemunha de defesa. Os procuradores de acusação alegaram que o mesmo não poderia falar, pois, estava indiciado com dois processos. Ainda assim, a juíza autorizou que ele respondesse as perguntas, de acordo com a sua disposição, contudo, sem obrigatoriedade.

 Ao fim do dia, a comunidade regressou para onde está hospedada. Segue confiante no julgamento. “Nesse terceiro dia, todas as vítimas Guarani Kaiowá falaram os fatos ocorridos. Esperamos que o júri compreenda e que o espírito da justiça esteja presente”, falou Tonico Benites. 

desenhar um sindicalismo horizontal é o desafio do futuro

Sindicalismo de classe versus sindicalismo negociador de Estado

ihu.unisinos

Artigo de Ricardo Antunes


“O governo Lula, como um Bonaparte, articulou as duas pontas da barbárie brasileira: seu governo remunerou como nenhum outro as diversas frações burguesas e, no extremo oposto da pirâmide social, onde encontramos os setores mais desorganizados e empobrecidos da população brasileira que dependem das doações do Estado para sobreviver, oferece uma política assistencial sem tocar sequer minimamente nenhum dos pilares estruturais da tragédia brasileira”, escreve Ricardo Antunes em artigo publicado no sítio espanhol Rebelión, 14-02-2011. A tradução é do Cepat.


Ricardo Antunes é professor titular de Sociologia do Trabalho no IFCH/UNICAMP e autor de vários livros. Destacamos alguns: Adeus ao Trabalho? (Cortez), Os sentidos do trabalho (Boitempo), A rebeldia do trabalho (Ed. Unicamp) e O caracol e sua concha: ensaios sobre a nova morfologia do trabalho (Boitempo).

Eis o artigo.

No contexto de uma monumental reorganização – econômica, social, política, ideológica e valorativa – do capital, como o sindicalismo de classe vem esboçando suas respostas?

No caso do Brasil, onde na década de 1980 aflorou um novo sindicalismo com claro perfil de classe, que mudanças vem sofrendo ao longo desse período de desertificação neoliberal? O que aconteceu na última década no cenário sindical? Quais são as experiências e as possibilidades de um sindicalismo de classe depois de oito anos de governo sócio-liberal de Lula?

O mais destacado líder sindical do chamado novo sindicalismo se converteu em um novo instrumento das classes dominantes, uma variante de semi-bonapartismo, onde o controle e a cooptação do chamado sindicalismo combativo (e em particular da cúpula sindical) eram decisivos.

Vale recordar que o governo Lula, no início do segundo mandato, realizou uma alteração política importante, deslocando sua base social de sustentação para as camadas mais pobres, que vivem à margem da organização de classe: depois de um completo fracasso do programa social Fome Zero, Lula ampliou o Bolsa-Família, política focalizada e assistencialista (mesmo que de grande amplitude), uma vez que atinge aproximadamente 13 milhões de famílias pobres (cerca de 50 milhões de pessoas com ingresso salarial baixo) e que por isso recebem em média o equivalente a 50 dólares mensais.

Desse modo, o governo Lula, como um Bonaparte, articulou as duas pontas da barbárie brasileira: seu governo remunerou como nenhum outro as diversas frações burguesas e, no extremo oposto da pirâmide social, onde encontramos os setores mais desorganizados e empobrecidos da população brasileira que dependem das doações do Estado para sobreviver, oferece uma política assistencial sem tocar sequer minimamente nenhum dos pilares estruturais da tragédia brasileira.

Distanciado de sua origem operária, submetido ao novo ethos da “classe média”, elevado aos degraus mais altos da escada social, tudo isso, foi convertendo Lula numa variante de “homem duplo”, exemplo daqueles que “vêm de baixo”, mas que triunfaram na ordem capitalista.

Seu governo demonstrou uma enorme competência em dividir os trabalhadores do setor privado em relação aos trabalhadores do setor público. Seu governo imaginou ser possível “humanizar” o capitalismo, combinando uma prática de privatização dos fundos públicos que atende tanto aos interesses do sindicalismo de negócios (interessado nos fundos de pensão), como ao sistema financeiro, que efetivamente domina a política econômica de seu governo.

No campo sindical, o chamado sindicalismo combativo foi solidamente cooptado pelo governo Lula. Recentemente, em 2008, o governo Lula tomou uma decisão que inclusive acentua o controle estatal dos sindicatos – velho traço do sindicalismo brasileiro – ao determinar que as centrais sindicais passassem a receber o Imposto Sindical, criado na Era Vargas no final dos anos 1930. Na recente medida aprovada pelo governo, ao mesmo tempo em que as centrais foram legalizadas (o que é positivo), elas passaram a ter o direito de recolher o Imposto Sindical. E vale recordar que a própria CUT surgiu contrária a este imposto. A Força Sindical, por outro lado, visto que nasceu como uma mescla de neopeleguismo e influência neoliberal, sempre foi favorável ao Imposto Sindical. Atualmente, ambas têm propostas e ações frequentemente muito semelhantes.

Sem mencionar o fato de que, durante o governo Lula (e agora Dilma), há centenas de ex-sindicalistas que recebem altos salários e comissões pela sua participação nos conselhos de empresas estatais, de ex-estatais (privatizadas), em conselhos de fundos de pensão, além de inumeráveis cargos ministeriais e comissões criadas pelo governo, aumentando a dependência, a maridagem e a cooptação de ex-líderes sindicais que se encontram dentro do aparelho de Estado.

Por isso, os governos Lula/Dilma, contam com o apoio de uma forte parcela da burocracia sindical que entrelaçou o Estado na dependência do dinheiro público e, desse modo, garante o apoio das cúpulas sindicais ao governo.

A CUT e a Força Sindical, inimigas no passado, convivem hoje nos mesmos ministérios do governo e vivem decisivamente na dependência dos orçamentos públicos.

O novo sindicalismo brasileiro dos anos 1970-1980, que nasceu fora dos marcos da socialdemocracia sindical, pouco a pouco se tornava uma espécie de cópia tardia daquela tendência sindical. Começava, então, a desmoronar o novo sindicalismo que agora parecia envelhecer precocemente. A política dos “convênios”, “apoios financeiros”, “associações” com a socialdemocracia sindical, especialmente europeia, levada a cabo por mais de duas décadas de forma intensa acabou, pouco a pouco, neste quadro de mudanças profundas, contaminando fortemente o sindicalismo de classe no Brasil que, desprovido de um perfil político e ideológico de classe, se foi socialdemocratizando, num contexto, vale recordar, de neoliberalização da própria socialdemocracia sindical.

Este processo terminou por metamorfosear a CUT, nascida com uma proposta independente e com claros contornos classistas, em uma Central sindical cada vez mais burocratizada, institucionalizada, negociadora, subordinada ao Estado.

Além da CUT, temos no campo de centro-esquerda, a Força Sindical, que combina elementos de neoliberalismo com o velho sindicalismo “pelego” que se “modernizou”, além de várias pequenas centrais, como a CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), a UGT (União Geral dos Trabalhadores) e a Nova Central. Com a crescente aproximação entre a CUT e a Força Sindical, se originou no Brasil uma curiosa variante de sindicalismo negociador de Estado que exercita a política de concertação com as empresas e se fia nos recursos estatais para garantir seu domínio e cooptação.

No campo da esquerda sindical tradicional, mesmo que assumindo uma posição de apoio ao governo Lula, temos a recém-formada CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), que se originou na Corrente Sindical Classista, vinculada ao Partido Comunista do Brasil (partido que em seu passado esteve ligado à China e influenciado pelo maoísmo), que se desfiliou da CUT em 2007 para assim receber também o Imposto Sindical.

Como se pode ver, são inumeráveis os desafios que se apresentam para que possa ocorrer novamente uma reorganização do sindicalismo de base e de classe no Brasil, depois da derrota da CUT e do que se chamou de novo sindicalismo.

A crescente individualização das relações de trabalho, a tendência das empresas a buscar quebrar o espírito de solidariedade e consciência de classe e desorganizar ainda mais os trabalhadores dentro das fábricas, são desafios decisivos.

Combater a ideia falsa de que os trabalhadores não são mais operários, mas “colaboradores” – prática recorrente das empresas que pretendem dissimular a contradição existente entre a totalidade do trabalho social e a totalidade do capital, o que venho denominando de nova morfologia do trabalho –, é um imperativo fundamental neste processo de reorganização sindical.

Algumas experiências e desafios mais recentes do sindicalismo de classe

No campo da esquerda sindical anticapitalista, há um esforço para criar novos pólos de organização, resistência e confrontação, aglutinando os setores claramente socialistas e anticapitalistas junto à Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas) e à Intersindical.

A Conlutas foi criada recentemente como embrião de uma nova central de trabalhadores, rompendo com a CUT e tendo como principal força política de apoio o PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados), além de incorporar alguns setores do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e outros setores independentes.

A Conlutas se propõe a organizar não só os sindicatos, mas também os movimentos sociais extra-sindicais e cresceu em importância no último período, avançando na oposição ao governo Lula e agora ao governo Dilma. Lutando contra perdas de direitos e buscando organizar um amplo espaço de forças sociais do trabalho em um sentido amplo, que hoje está fora das organizações existentes.

A Intersindical é também oriunda dos setores críticos que romperam com a CUT, conta com boa presença de militantes sindicais do PSOL, ex-militantes do PT e outros setores independentes de esquerda.

A Intersindical tem um perfil mais acentuadamente sindical, voltando-se à reorganização do sindicalismo de classe. A Intersindical se encontra hoje dividida: uma parte está a favor da fusão com a Conlutas, criando então uma nova central; e outra parte é contrária à criação de uma nova central, optando por uma reorganização de base, de certo modo inspirado na experiência anterior das oposições sindicais.

Ambas, Conlutas e Intersindical, cada uma à sua maneira, buscam oferecer respostas em oposição à conversão da CUT em uma central institucionalizada, verticalizada e dependente do Estado.

Dois são emblemáticos. O Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e São José dos Campos (Conlutas) e o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas (Intersindical). Eles rechaçam as políticas de concertação, recusam a prática nefasta do “banco de horas” (partilha do desemprego), realizam greves importantes e não aceitam o dinheiro público que subordina os sindicatos ao Estado.

A luta contra a destruição de direitos e a precarização do trabalho são centrais em suas ações cotidianas.

Veja-se os exemplos seguintes, que dão uma noção do nível de exploração do trabalho no Brasil. Na produção de cana-de-açúcar (etanol) os anos de vida dos trabalhadores, em algumas regiões do norte do país, são menores que nos tempos da escravidão, no século XIX, o que obriga os sindicatos rurais a lutar contra a degradação do trabalho semi-escravo no campo. Um trabalhador ou uma trabalhadora pode cortar em média entre 10 (São Paulo) e 18 (Maranhão) toneladas de cana por dia, dando milhares de faconadas, o que destrói seu corpo produtivo. Há inumeráveis casos de trabalho escravo em fazendas e no agronegócio, que tanto encanta o Lula.

Imigrantes bolivianos trabalham no ramo de confecções na indústria têxtil no centro de São Paulo. Têm jornadas que chegam a 17 horas por dia, completamente desprovidos de direitos.

São alguns exemplos. Então, como organizar esse conjunto ampliado, heterogêneo e disperso universo dos trabalhadores e trabalhadoras? É o maior desafio.

Além disso, é plenamente atual a luta pela autonomia, liberdade e independência sindical em relação às novas formas de dependência do Estado na Era Lula.

Outro desafio central é buscar a criação de um pólo sindical, social e político pela base, que procure oferecer ao país um programa de mudanças anticapitalistas, combatendo as causas reais e históricas que mantêm a estrutura social e política da dominação burguesa no Brasil.

É decisivo, portanto, buscar uma estrutura de organização sindical capaz de ampliar e intensificar as lutas sociais dos trabalhadores urbanos e rurais, que elimine a superexploração do trabalho particularizado pelo capitalismo brasileiro, incentivando, ao contrário, as formas de produção voltadas às necessidades vitais da produção trabalhadora, à produção de bens socialmente úteis, oferecendo respostas concretas à tragédia que assola a vida cotidiana do ser social que trabalha no Brasil.

Compreender o desenho heterogêneo e multifacético que caracteriza a nova morfologia da classe trabalhadora se torna imprescindível, com o objetivo de eliminar a fratura que separa os trabalhadores e trabalhadoras estáveis e precários, homens e mulheres, jovens e velhos, nacionais e imigrantes, brancos e negros, qualificados e desqualificados, empregados e desempregados, entre tantas outras diferenciações.

Se a classe trabalhadora no mundo contemporâneo é mais complexa e heterogênea que aquela existente durante o período da expansão do fordismo, o resgate do sentido de pertença (Alain Bihr), contra as incontáveis fraturas objetivas e subjetivas impostas pelo capital, é um dos desafios mais urgentes. Isso, a nosso entender, só é possível partindo das questões vitais que emergem no espaço da vida cotidiana: trabalho, tempo de trabalho e de vida; degradação ambiental, produção destrutiva, propriedade (incluindo a intelectual), mercantilização de bens (água, alimentos), são alguns temas certamente vitais, que os sindicatos não podem deixar de considerar.

Romper a barreira imposta pelo capital, entre ação sindical e ação parlamentar, entre luta econômica e luta política, articulando e fundindo as lutas sociais, extra-parlamentares, autônomas, que dão vida às ações de classe, se torna crucial. Como o capital exerce um domínio fundamentalmente extra-parlamentar (István Mészaros), é um grande erro querer derrotá-lo com ações que se reduzem ou privilegiam o âmbito da institucionalidade. Um sindicalismo de classe deve, portanto, articular intimamente luta social e luta política.

Aqui, a experiência do MST. Criado em 1984, o MST tem como centro de sua ação a organização de base dos trabalhadores do campo. Em sua ação de enfrentamento, o MST não prioriza a ação institucional ou parlamentar (que é concebida como um desdobramento e não o centro de sua luta), mas que sustenta sua força e vitalidade na luta social pela base, tendo nas ocupações e assentamentos sua forma prioritária de luta.

Sua ação central parte de um elemento vital: a terra e sua posse como busca de um novo modo de vida, com claros elementos coletivos. A terra significa trabalho, vida, alimentação, sociabilidade, etc. O ponto de partida é uma questão vital.

Mesmo que o MST tenha sua origem nos trabalhadores rurais, foi incorporando crescentemente trabalhadores expulsos das cidades que retornam ao campo desempregados, articulando experiências cotidianas oriundas do mundo do trabalho rural e urbano.

Com esta força social, o MST é o mais importante movimento social e político do Brasil, ao praticar diariamente a fusão entre luta social e luta política como eixo central de suas ações.

Cito outro exemplo latino-americano. Na Argentina, vimos o florescimento, no marco da crise de dezembro de 2001, de novas formas de enfrentamento social, como a explosão do movimento dos trabalhadores desempregados, os piqueteiros que “fecham estradas” para impedir a circulação de mercadorias; ou como expressão da luta dos trabalhadores em torno das empresas “recuperadas”, ocupadas durante o período mais crítico da crise argentina, que chegaram a ser cerca de 200 empresas sob o controle-direção-autogestão dos trabalhadores.

Foram, ambas, respostas importantes frente ao desemprego e que assinalavam novas formas de lutas sociais e políticas do trabalho, impulsionadas pelas massas de desempregados que se expandiram naquele período, mesmo que, no caso dos piqueteiros, o movimento tenha sofrido um forte refluxo (e cooptação por parte do governo Kirchner), devido também à sua relativa atomização organizativa. E as fábricas ocupadas encontram um enorme obstáculo ao se relacionar com o mundo do mercado e sua lógica destrutiva. Mas, junto com os sindicatos de classe, foram experiências recentes de organização das forças sociais do trabalho.

Há, portanto, um desenho heterogêneo e multifacetado que caracteriza a nova morfologia do trabalho no Brasil. Para além das fraturas entre os trabalhadores estáveis e precários; de gênero, geracional e étnica; entre os trabalhadores qualificados e desqualificados, empregados e desempregados; além da necessidade imperiosa de superar o produtivismo em favor de uma concepção ambiental que articule ecologia e trabalho, temos ainda as estratificações e fragmentações que se acentuam em função do crescente processo de internacionalização do capital, entre tantos outros desafios.

Para compreender a nova morfologia do trabalho é preciso, então, partir de uma concepção ampliada de trabalho, que abarca a totalidade dos assalariados, homens e mulheres que vivem da venda de sua força de trabalho (incluindo também os desempregos) e que não se restrinja exclusivamente aos trabalhadores manuais diretos.

Os sindicatos e demais formas de representação das forças sociais do trabalho devem procurar compreender e incorporar a totalidade do trabalho social e coletivo que vende sua força de trabalho como mercadoria, seja esse trabalho predominantemente material ou imaterial, nas tecnologias de informação e comunicação – o chamado infoproletariado ou cyberproletariado que tem papel de destaque na criação de valor hoje –, seja aquele enorme contingente sobrante de fora do trabalho que não encontra emprego, os desempregados, mas que são parte constitutiva da classe trabalhadora (e também da lei do valor).

Se a indústria taylorista e fordista é, enquanto tendência, mais parte do passado que do presente, como imaginar que um sindicalismo organizado verticalmente possa representar esse novo heterogêneo mundo do trabalho?

É preciso desenhar um sindicalismo horizontal (Alain Bihr) que contemple as múltiplas formas de ser do trabalho. Dito de outra maneira, a nova morfologia do trabalho obriga a repensar uma nova morfologia dos organismos de representação do trabalho, da qual os sindicatos são parte.

Mas, assim como a passagem do século XIX para o século XX gerou a criação de um novo tipo de sindicalismo de massa taylorista-fordista, a virada do século XX para o XXI está exigindo um novo sindicalismo de classe que aglutine a classe-que-vive-do-trabalho e sua nova morfologia.

que ninguém nos roubasse a esperança e os objetivos comuns


''No Magreb, uma revolta não religiosa, mas de igualdade''

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A Nova Aurora, como o patriarca dos coptas católicos egípcios o chama, não é um movimento nascido da fome, mas sim do desejo de igualdade. Não nasce dos pobres, porque envolve a todos e se alimenta do sentimento de cidadania. Não tem barreiras religiosas, mas é preciso vigiar para que grupos extremistas não cheguem a se apoderar da cena central.

A reportagem é de Marco Politi, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 24-02-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

"Todos trabalhamos para preparar uma nova aurora no Oriente Médio", declara o patriarca e cardeal Antonios Naguib (foto), acrescentando que o Sínodo dos Bispos do Oriente Médio, reunidos no Vaticano em outubro, havia indicado esse objetivo "antes que tudo acontecesse". Na Comunidade de Santo Egídio, que organizou uma pequena cúpula islâmico-cristã para examinar a "agenda da convivência", Naguib descreve as características de um levantamento que pegou todos de surpresa. Inclusive os governos ocidentais e os seus serviços secretos. "O movimento em curso – explica – tem uma importância para todo o Mediterrâneo e para o Oriente Médio, contanto que se reforce e que dure".

Eis a entrevista.

A aurora chegou, mas todos no Magreb e no Oriente Médio pareciam despreparados.
O que aconteceu surpreendeu a todos. Certamente, alguma coisa estava no ar, mas ninguém imaginava um movimento capaz de sacudir o país.

O que o senhor pensava?
Acreditava que, antes ou depois, estouraria uma revolta dos famintos. Pelo contrário, a motivação foi a necessidade de se assegurar o futuro.

O impulso veio dos desempregados, da geração-Internet, dos islamistas?
Não, os Irmãos Muçulmanos também ficaram surpresos. Explodiu um sentimento compartilhado dos jovens de que não havia espaço para eles, de que havia a necessidade de vida, liberdade, união. Não era mais uma questão de muçulmanos ou cristãos, mas sim de ser cidadãos na igualdade.

O senhor acredita que esse sentimento é o mesmo nos outros países árabes que estão se levantando?
Sim.

Mas vocês não foram capazes de prevê-lo.
A minha geração [o patriarca tem mais de 70 anos] não se dava conta de que nas novas gerações estava amadurecendo uma outra visão do mundo. Víamo-las na Internet, ocupadas em conversar nos chats, e não sabíamos o que estavam conversando. Pelo contrário, falavam de argumentos sérios, enfrentavam os problemas da sua vida e, assim, criaram uma comunidade midiática que encontrou a sua unidade nas demonstrações da Praça Tahrir. E quero lembrar que, na primeira manifestação, eram esperadas no máximo 500-1.000 pessoas.

E transformaram-se em um milhão.
Pessoas de todas as camadas, animadas pelo desejo de direitos. Depois, vieram as reivindicações por salário e emprego. Mas, entre as pessoas, que nas manifestações eram maltratadas e feridas, havia de tudo: ricos, professores, médicos, empresários, jovens com um posto de trabalho fixo, empregados do setor petrolífero. Impulsionados pela vontade de futuro, pela vontade de que os filhos tivessem uma vida diferente da nossa. A preocupação pelo amanhã uniu a todos.

Sem barreiras religiosas?
Elas haviam caído. Quando os jovens se puseram a patrulhar de noite as ruas sem polícia para garantir a segurança, não contava mais se eram muçulmanas ou cristãs. Estavam animados por um sentimento de fraternidade nacional, por um sentimento comum de cidadania.

Os governos ocidentais se perguntam, agora, que papel os grupos fundamentalistas islâmicos irão desempenhar no Egito e no Magreb.
Entre nós, os Irmãos Muçulmanos são bem organizados e estão presentes há muito tempo na sociedade. Agora, eles também têm seus representantes na comissão, que irá preparar a nova Constituição.

É possível ter confiança?
Os seus ideais são conhecidos e estão publicados. O que eles declaram hoje é diferente: falam de unidade, democracia, igualdade, dizem que não querem o poder. Confiar? O futuro nos dará a resposta. Se olho ao que escreviam, tendo pelo "não". Se vejo o que dizem hoje, prevalece o "sim". Naturalmente, há grupos mais extremistas e grupos mais moderados.

Mas, nessas situações, é preciso escolher o que fazer.
Considero que é justo que tenham o seu partido político, mas no quadro de um Estado civil em que todos estão unidos pela igualdade dos direitos. É diferente o caso de quem queira utilizar a liberdade e a democracia para criar uma autocracia religiosa.

O que o senhor entende por Estado civil?
Prefiro esse termo a "laico", que evoca uma imagem arreligiosa ou antirreligiosa. Quero dizer um Estado baseado nos direitos do homem e na liberdade religiosa.

Há algum perigo que lhe preocupe?
Gostaria que ninguém nos roubasse a esperança e os objetivos comuns.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

não quero partir sem teus olhos me mirando

Pablo Neruda (1904-1973) -

Primeira Parte




Pablo Neruda (1904-1973) - Segunda Parte




Pablo Neruda (1904-1973) - Tercera Parte

neruda y la sebastiana

DOCUMENTALES SOBRE CHILE -
(PABLO NERUDA Y LA SEBASTIANA + VALPARAÍSO)

a nova classe média serão os conservadores do futuro(?)

“Qual será o destino da nossa nova classe média? Serão os futuros conservadores?”

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência da República, defendeu ontem, em Porto Alegre, o aprofundamento das políticas de participação popular e de democracia participativa no país. Carvalho participou da abertura do Seminário Estadual de Participação Cidadã, promovido pela Secretaria de Planejamento do Estado. O auditório Dante Barone, da Assembleia Legislativa, ficou lotado, o que mereceu um destaque especial por parte do secretário geral da Presidência. Ele lembrou o pioneirismo de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul na implementação do Orçamento Participativo e de outras práticas de participação que acabaram ganhando destaque nacional e internacional. “Olhando este plenário sinto uma emoção e satisfação muito grande, pois vejo um pedaço importante de toda uma história de lutas. Desde o tempo de Olívio Dutra (quando o PT assumiu a prefeitura de Porto Alegre), sempre tivemos aqui um laboratório da democracia”.

As políticas de incentivo à participação popular, acrescentou Carvalho, não são mais uma opção, mas sim um elemento constitutivo da democracia. “É um antídoto à vocação autoritária”, resumiu. Um dos pontos mais importantes da fala do secretário geral da Presidência foi o reconhecimento da existência de uma carência estratégica no atual estágio da democracia brasileira: “Nos últimos oito anos, avançamos muito no combate à fome e à desigualdade social, mas ainda estamos carentes de um projeto para o Brasil do futuro. Qual será o destino da nossa nova classe média? Serão eles os futuros conservadores? Precisamos de um projeto para estes milhões de brasileiros que ascenderam socialmente. E este projeto não virá de nenhum laboratório, mais sim da prática e da luta diária. Neste sentido, a participação popular é que pode funcionar como este laboratório”, disse Gilberto Carvalho, destacando ainda a experiência das grandes conferências nacionais realizadas nos oito anos de governo Lula.

O secretário geral da Presidência esteve em Dacar participando do Fórum Social Mundial 2011 como representante do governo brasileiro. Ele fez uma proposta que pegou de surpresa os integrantes do Conselho Internacional do FSM: o estabelecimento de uma interlocução permanente entre os movimentos sociais e organizações que promovem o Fórum e o governo brasileiro. A ideia é criar uma agenda e um canal de diálogo permanente. Bem recebida, a proposta deve começar a ser implementada ainda este ano. Porto Alegre é favorita para receber de volta o Fórum Social Mundial em 2013. A decisão será tomada em maio, durante reunião do Conselho Internacional em Paris. Mas já no ano que vem, a capital gaúcha voltará ao roteiro internacional de mobilizações do FSM com a realização de um grande encontro temático preparatório para a conferência Rio+20.

Foto: Cláudio Fachel/Palácio Piratini

a lei da selva? a barbárie ao volante? e a culpa é dos ciclistas?

Absurdo. A RBS continua usando o termo acidente para descrever a tentativa de homicídio.




E como que esse Gerente de Fiscalização da EPTC pode afirmar com tanta certeza que com escolta da EPTC esse tipo de coisa não aconteceria? Precisamos é de respeito para os ciclistas e pedestres todos os dias. A fiscalização da EPTC é praticamente inexistente quando diz respeito à segurança de ciclistas e pedestres. A prioridade deles é o fluxo de veículos (ouvi isso de um agente ao perguntar porque não multava os carros que passavam no vermelho do lado dele)

Chega da lei da selva!

os carros, os ciclistas, Porto Alegre e os atropelados

Ciclistas atropelados: covardia em Porto Alegre

Vídeo publicado no blog Massa Crítica





Sobre a covardia

Algumas frases para definir o comportamento do motorista que atropelou dezenas de ciclistas, no início da noite de sexta, na Cidade Baixa, em Porto Alegre.


“A pior forma de covardia é testar o poder na fraqueza do outro.”
(Maomé)



“O covarde só ameaça quando se acha em segurança.” (Goethe)

“O ódio é a vingança do covarde”. (George Bernard Shaw)

“Os covardes morrem muitas vezes antes de morrer” (Mahatma Ghandi)

“Os covardes esmagam o que já caiu.” (Ovídio)

e padim cerra ia entregar para a Chevron... lembram(?) Petrobrax(!)

Lucro da Petrobrás é espetacular: R$ 35 bi. Alô, alô, Globo ! Vai encarar ?



Só para irritar o Ali Kamel

Saiu no G1:

Petrobras tem lucro líquido recorde de R$ 35,2 bilhões em 2010


Valor representa alta de 17% em relação aos R$ 30,051 bilhões de 2009. No quarto trimestre, ganhos chegaram a R$ 10,6 bilhões.


Bernardo Tabak Do G1 RJ


A Petrobras fechou 2010 com lucro líquido recorde de R$ 35,189 bilhões, alta de 17% em relação aos R$ 30,051 bilhões apurados em 2009. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (25) pelo diretor Financeiro e de Relacionamento com Investidores, Almir Guilherme Barbassa, em entrevista coletiva na sede da Petrobras, no Rio de Janeiro. “Fizemos a maior capitalização da história, de R$ 120 bilhões”, destacou o diretor.


Somente no quarto trimestre do ano passado, a estatal registrou lucro líquido de R$ 10,602 bilhões, valor 24% superior aos R$ 8,566 bilhões do trimestre anterior. “O quarto trimestre também foi recorde para a empresa”, destacou Barbassa.


“Alguns dos fatores que levarem ao lucro recorde foram a redistribuição do portfólio financeiro, que gerou menos impacto para as contas da empresa. O processamento de 4% a mais de óleo nacional, o aumento do refino de diesel, o nível de geração e de venda de gás também aumentou muito. Tudo isso contribuiu para esse resultado”, detalhou o diretor.


Barbassa também falou a respeito do aumento da produção da Petrobras. “A produção de gás natural cresceu 5% em 2010, em comparação com 2009. A atividade econômica crescente no Brasil provocou uma demanda muito grande pelo gás natural e, claro, por outros tipos de gás, como o GLP (gás liquefeito de petróleo), entre outros combustíveis. Entretanto, com a produção de gás ainda é muito menor do que a de petróleo, o aumento da produção total ficou em 2%”, explicou.


Em 2010, a Petrobras investiu R$ 76,411 bilhões, ante R$ 70,757 bilhões em 2009. “O investimento em 2010 ficou 14% abaixo do que esperávamos investir. Mas isso já esperado, pois ocorrem atrasos em entregas de equipamentos, algumas licitações não são feitas”, disse o diretor.


O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) — que mede a capacidade de geração de caixa — foi de R$ 60,323 bilhões no ano, com alta de 1,4%, e atingiu R$ 14,584 bilhões no trimestre, um aumento de 1,9%.


Nesta sexta-feira, o Conselho de Administração aprovou o pagamento R$ 2,217 bilhões de juros sobre o capital próprio, que corresponde a R$ 0,17 por ação. Ainda vão ser pagos R$ 1,565 bilhão de dividendos”


O balanço está de acordo com os padrões internacionais de contabilidade (International Financial Reporting Standards – IFRS).

(Com informações do Valor Online)


NAVALHA

O Globo é o jornal que tenta destruir a Petrobras desde que foi fundada pelo Dr Getulio, em 1953.

Na época, o Roberto Marinho trabalhava de mãos dadas com o Assis Chateaubriand e a Embaixada americana.

Hoje, com o Estadão, Roberto Campos, o resto do PiG (*) e a Chevron do Cerra.

E talvez a Embaixada americana, nunca se sabe.
É preciso esperar pelo WikiLeaks.

O record espetacular desmoraliza os jenios neoliberais que ocupam os jornais do PiG (*) para subir na vida à custa da Petrobras.

Recentemente, o Economista-Chefe do banco espanhol Santander tentou desqualificar a Petrobras num debate público.

Ele disse também que no Orçamento da União, com a Dilma, cabe qualquer coisa.

Deve ser alguma viúva da Petrobrax, que o Nunca Dantes sepultou no fundo do mar, ao lado da P-36.
Como diz um blogueiro ansioso: a eleição de 2010 foi sobre o pré-sal.

A de 2014 também será.

Quem mandará no pré-sal: o povo brasileiro ou a Chevron do Cerrra ?

Em tempo: liga o Vasco. É o maior lucro de uma empresa negociada na Bolsa do Brasil. Quem vai cortar os pulsos é aquele Agnelli da Vale.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
 
 

o nobre deputado Tiririca e a Cultura Popular!

Deputado Tiririca no lugar certo: Comissão de Cultura


Melhor que estava fica

Saiu no Estadão online:

Tiririca pediu para ir para a Comissão de Educação e Cultura da Câmara porque é a área dele.

Está certíssimo.

Tirica é um excelente artista popular, um animador de circo, que fez uma carreira de que todo brasileiro deveria se orgulhar.

A mãe era rumbeira de um circo da periferia de Fortaleza.

O pai, um camioneiro, que veio a conhecer num show em Fortaleza, quando já tinha 30 anos.

Tiririca começou a ganhar a vida no circo em que a mãe – belíssima, segundo ele – trabalhava.

Ele saía pela periferia de Fortaleza e gritava no alto-falante: não percam, esta noite, no Circo do Tiririca, o homem que vira porco.

E lá ia ele: o homem que vira porco, este noite !

À noite, no circo mambembe, aparecia o Tiririca com um porco enorme.

Derrubava o porco no chão e saia virando o porco pelo picadeiro.

Delírio da plateia.

E ele gritava: sou eu, o homem que vira porco.
E o porco guinchava ! (Nessa época não tinha Ibama)

A piada que ele conta em todo show e que sempre funciona:

Vai o garoto na boléia do caminhão e grita: olha a laranja, olha a laranja.

Passa um gaiato e pergunta: é doce ?

Responde: é laranja seu burro ! Se fosse doce eu gritava “É doce” !

A quem a sociedade brasileira deve mais ?

Ao deputado Tiririca ou ao Senador também por São Paulo Aloysio 300 mil ?

E se o 300 mil for para a Comissão de Moradia do Senado ?

Não é melhor deixar o Tiririca arrumar R$ 300 mil reais para os circos mambembes do interior do Ceará ?

Quantas rumbeiras bonitas apareceriam por lá ?

Quem melhor serve ao Brasil ?

O nobre deputado Tiririca ou seu colega da bancada de São Paulo, Paulo Maluf ?

A cultura popular do Brasil se beneficiará muito mais com o Tiririca na Comissão de Cultura do que se por lá estivesse o Maluf.

Era capaz de sumir a lona do circo.

Em tempo: o Conversa Afiada se regozija com a indicação do nobre deputado Romário para a Comissão de Esportes. Saravá !

Em tempo 2: aguarde, amigo navegante, o festival de besteiras que o PiG (*) dirá porque o Tiririca foi para a Cultura e o Romário para o Esporte. São os que, enrustidos, torcem para fechar o Congresso e chamar o Geisel.

Em tempo 3: o Conversa Afiada presta com este post uma singela homenagem ao Promotor público de São Paulo que queria cassar o 1 milhão e 300 mil votos do Tiririca. Viva a Cultura do Brasil!
Em tempo 4: agora, aqui pra nós, amigo navegante, esse Tiririca é um gozador. O Promotor que o diga.

Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

urubu voando de costas

Kassab vai para o PSDB.
O que diria o Estadão


Longe do Cerra, o Poste vira demônio


Qualquer habitante de São Paulo sabe que Gilberto Kassab é um péssimo prefeito.

Até os anti-trabalhistas sabem disso.

Ainda que votem nele ou no Aloysio 300 mil.

Kassab tem pavor do cheiro do povo.

Kassab e o Cerra, aliados a Deus e à chuva, foram incapazes de enfrentar o caos do trânsito e do alagamento.

Portanto, considera muito esquisito vê-lo no partido fundado por Miguel Arraes.

Mas, o candidato do PSB ao Governo de Sao Paulo foi um presidente da FIESP que contribuiu decisivamente para tirar o remédio da boca das crianças  com a extinção da CPMF (que ressuscitará como Lázaro e com outro nome).

Como diria o Stanislaw, não é só em Niterói que urubu voa de costas.

Este ansioso blogueiro tinha previsto que Kassab se tornaria o Cão do Terceiro Livro no PiG (*), assim que saísse de baixo das asas do Padim.

Neste sábado de manha, o ansioso blogueiro leu em editorial do Estadão – que cultiva a Língua com muito mais elegancia que os da Folha (**), embora o conteúdo seja o mesmo: fundamentalismo conservador, ou neoliberalismo paranóico.

Vamos supor, amigo navegante, que o Poste do Cerra tivesse  ido para o partido do Cerra, a UDN de Sao Paulo, a TFP de Higienópolis.

O título do editorial de hoje seria: ” Via heróica para a redenção”.

E não “Via torta para o adesismo”, como aparece hoje.

Diria “movido pelo que há de mais nobre na politica, a missão de servir ao povo e a República, o DEM busca a via heróica para a redenção.”

Hoje, disse que  o DEM se move pelo que há de mais raso na politica, a ambição pessoal nua e crua.

Se Kassab se aconchegasse no regaço do PiG, como se deitou no colo do malufismo, o Estadão teria dito: “Os calorosos sobreviventes da Oposição se preparam não para mudar de legenda, mas de campo filosófico, onde os Altos princípios da Social-Democracia européia vicejam nesse Trópico inculto e selvagem.”

Diz hoje o Estadão: os muito vivos do DEM vão se aliar aos muito vivos do PP, que serviu ao regime militar e agora serve ao Governo.

O mesmo PP de Maulf e Francisco Dornelles que abrilhantou o Ministerio de Fernando Henrique.

Dornelles, sobrinho neto de Vargas,  chegou a repetir o Farol ao dizer que ia apagar “o legado trabalhista de Vargas”.

O que presta no editorial hipócrita do Estadão é dizer que a campanha do Cerra apelou para o fundamentalismo religioso e, em desespero de causa, “sacou uma demagógica promessa de elevar o salário mínimo” para R $ 6.000.

O Paulinho da Força disse que o Cerra está morto.

Sobrevive no PiG (*).

Nem isso.


Paulo Henrique Amorim


(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um  comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

apagão ideológico(?) e você, está informado(a) para opinar(?)

Enfrente o apagão ideológico
contra Belo Monte


Belo Monte só não será mais relevante que Três Gargantas e Itaipu.


O Conversa Afiada recebeu do Presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim o material que se segue.

É uma luz que se acende sobre o apagão ideológico que cerca Belo Monte.

À frente as viuvas do apagão do Governo Cerra (era o Ministro do Planejamento !!! ) e Fernando Henrique.

Prezado Jornalista Paulo Henrique Amorim,


A pedido do presidente da EPE Mauricio Tolmasquim, encaminho, em anexo, documentos elaborados pela  EPE, sobre a Usina de Belo Monte, que estão sendo disponibilizados no nosso site, a  saber:


1. Fatos e Dados: Apresenta as principais informações (técnicas, econômicas e ambientais) acerca do empreendimento


2. Perguntas mais Frequentes: Questionário com respostas a 23 perguntas mais frequentes sobre Belo Monte, divididas nos seguintes tópicos:


a)    Atendimento à Demanda Nacional de Energia

b)    Viabilidade Econômica

c)    Populações Indígenas

d)    Impacto Socioeconômico

e)    Licenciamento Ambiental


Atenciosamente,


Denilvo Morais

Chefe de Gabinete da Presidência da

Empresa de Pesquisa Energética – EPE




























sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

policial despida à força

A policial despida à força




É de cortar a alma ao meio a cena em que aqueles depravados que deveriam resguardar a lei despiram uma garota insensata que se envolveu em um caso como esse. Ainda assim, não ficaria surpreso se, ao fim, ficasse provado que a menina passou por tudo aquilo à toa por ser inocente da acusação de “concussão” que lhe foi feita.

Surpreso mesmo, fiquei ao saber que existiu uma corrente de opinião que defendeu aquele abuso inadmissível contra a mulher. A corregedora da Polícia Civil apoiou aquilo. Isso é o que mais espanta, o machismo feminino.

Sob que argumento defendem essa barbaridade? De que tem que fazer cumprir a lei sem perda de tempo, porque a moça seria evidentemente culpada, etc., etc.?

Pergunto, então: cumprir uma lei descumprindo outras? Como assim? Lei é lei. Há lei para punir e há lei para defender o cidadão, inclusive no caso de esse mesmo cidadão ter errado. E aquele cidadão que acha que se deve punir de forma descontrolada quem delinqüe, inclusive com uso de violência desnecessária ou tortura mesmo, é um criminoso em potencial.

As pessoas que apóiam justiçamentos só entenderão como são inaceitáveis no dia em que um ente querido der um mau passo e por isso for punido além da medida. Devassar a dignidade humana daquela menina, expondo sua genitália a um bando de homens, doeu-me na alma. Lembrei de minhas filhas, de que jovens são freqüentemente insensatos.

E que ninguém duvide de que um filho seu pode cometer um erro. Eu, por exemplo, tenho duas filhas moças exemplares, corretas, sérias, esforçadas, trabalhadoras e belas. Sei a criação que lhes dei. Mas sei que somos humanos, falíveis e, assim, todos passíveis de errar…

Em minha opinião, os homens e mulheres que compactuaram com aquele crime devem, no mínimo, ser afastados da atividade policial. No mínimo e definitivamente.

PS: este post foi alterado. Havia menção a uma pessoa que me havia feito uma cobrança grosseira no Twitter para que eu escrevesse sobre este assunto. A pessoas se desculpou e eu achei que não valeria a pena deixar aquela parte do texto. Afinal, o que nele importa é só a parte que ficou.
—–
Assista, abaixo, ao vídeo da indignidade que é esse caso:

e você, também embarcou na kanôa do padim cerra(?)

A oposição está na UTI. É a maior herança do Cerra


Jim Jones era líder religioso como o Cerra. E só dividia


Saiu na Folha (*), pág A8:

“Oposição deserta para partido de Kassab”

“Atalho para adesão ao Governo Dilma Rousseff, PDB atrai senadora Kátia Abreu e deputados de DEM e PPS”

“Se adesão de pelo menos 20 parlamentares for confirmada, bloco será a quarta maior força da Câmara dos Deputados”

Clique aqui para ler “Kassab faz escala antes de ir para o PSB e mandar o Cerra às favas”.

“Kátia Abreu diz que ‘oposição está na UTI’”

Vice-Primeiro Ministro da Líbia, senhor Imbarek Ashamikh, também é terrorista (?)

Dias desmonta blefe do Cerra.
Bolinha causou traumatismo moral


Mauricio Dias, na seção “Rosa dos Ventos”, na Carta Capital desta semana, na pág. 14 descreve “um blefe tucano – a oposição quer ignorar que com Lula o mínimo teve ganho real de 53%.”

Mauricio descreve com gilete afiada o blefe da proposta do Cerra de  um salário mínimo de R$ 6.000 – fragorosamente derrotada no Senado, por 55 a 17.

O blefe se apoiava na decisão do governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, de pagar um salário básico de R$ 600.

Aí é que a gilete do Mauricio começa a cortar.

O “salário básico” dos tucanos de São Paulo não tem impacto sobre a Previdência estadual.

Os R$ 6.000 do Cerra arrebentariam a Previdência do Brasil.

O “salário básico” do Alckmin se aplica a trabalhadores da iniciativa privada que não têm piso definido por uma lei federal.

Ou seja, reles demagogia.

Ou estelionato eleitoral, como aquele que o Cerra aplicou em entrevista ao Globo.

Porém, o Mauricio revela uma certa crueldade.

O amigo navegante que perder o seu tempo a curtir o twitter do Cerra – um conjunto vazio – poderá ter percebido que, para detonar o Lula – é uma ideia fixa – ele chama o Ghadaffi (é a grafia da Folha (*) …  PHA) de terrorista internacional.

Sem dúvida.

E como chamar o Vice-Primeiro Ministro da Líbia, senhor Imbarek Ashamikh que o Governador Cerra recebeu no Palácio e a quem deu um mimo.

Como diz o Mauricio, com aquela gilete que traz no bolso:

“Esta é apenas uma prova de que Serra se desnorteou desde que, em campanha eleitoral, no Rio, recebeu uma pancada na cabeça proveniente do impacto de uma bolinha de papel. A consequência percebe-se agora: a vítima sofreu traumatismo moral.”


Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

ônibus em Porto Alegre está caro(?)

Porto Alegre: uma tarifa muito cara

Por Paulo Muzell

A tarifa de ônibus de Porto Alegre, recentemente fixada em 2,70 tornou-se uma das mais caras dentre todas capitais brasileiras, só sendo inferior à de São Paulo. Todas capitais da região Nordeste apresentam tarifas menores do que a nossa: São Luis, por exemplo, cobra apenas 1,30, Salvador 2,30. O Rio tem tarifa de 2,40, Belo Horizonte 2,45 e Florianópolis 2,20, para citar alguns exemplos.

Este último reajuste – duramente contestado e criticado por entidades do movimento comunitário e estudantil – atingiu 10,2%, bem acima da inflação do período. Repetiu-se neste último reajuste o que tem invariavelmente ocorrido nos aumentos de tarifas pós plano Real: eles são, sempre, superiores aos registrados nos índices de preços. Se tomarmos como parâmetro o IPCA, de julho de 1994 até janeiro deste ano, o aumento acumulado dos preços atingiu 275,8%; já a tarifa de ônibus da capital subiu 629,7%. A tarifa cresceu 94% acima da inflação, praticamente dobrou em termos reais. Ora, é evidente que todo cidadão porto-alegrense atento exige uma explicação, quer uma resposta: por que paga hoje quase duas vezes mais do que pagava em meados dos anos noventa?

Como o poder público – no nosso caso a Prefeitura através da sua empresa, a EPTC – não trata o tema com a transparência necessária e com suficiente nível de informações, resta apenas a alguns setores da sociedade – aqueles que mais sofrem os efeitos negativos dos aumentos abusivos – a mobilização e o protesto.

A análise dos dados do cálculo tarifário não deixa qualquer dúvida que a causa principal do aumento da tarifa, não só em Porto Alegre, mas em todo o Brasil é a redução do IPK, o famoso índice de passageiros por quilômetro. Na verdade ele informa para o sistema como um todo o número de pessoas utilizam o ônibus e que efetivamente pagam o custo do quilômetro rodado. Se um número maior de usuários pagarem, menor a tarifa; quanto menos, maior ela será.

Em Porto Alegre a diminuição do número de passageiros foi brutal na última década e meia: em meados dos anos noventa, eram transportados mais de 350 milhões/ ano; em 2010 foram apenas 230 milhões de viagens. Uma redução de 120 milhões passageiros transportados por ano! Em conseqüência o IPK “despencou: diminuiu quase 40%. Significa dizer que de cada 100 pagantes de outrora, temos hoje pouco mais de 60 suportando o custo. A conseqüência é que esses 60 restantes pagarão, mantido constante o custo/km, uma tarifa 63% maior. Dois terços do aumento real da passagem já tem uma explicação objetiva, que não deixa qualquer dúvida.

Uma primeira explicação foi encontrada: paga-se hoje bem mais e a principal causa é a brutal redução do número de usuários ao longo dos últimos anos. Resta, agora, responder a indagação seguinte: por que as pessoas estão andando menos de ônibus aqui em Porto Alegre? De várias hipóteses de possíveis respostas uma é óbvia, salta aos olhos: é porque o sistema perde eficiência, torna-se mais caro, e menos atraente, num perigoso circulo vicioso que no longo prazo poderá ter graves conseqüências. E pesquisas mostram que a principal causa da ineficiência é a redução da velocidade média de circulação do ônibus. Os corredores da nossa capital são velhos, estão em péssimo estado, necessitam de uma radical reformulação que viria através do programa “Bus Rapid Transit”. Um programa nacional, com recursos federais garantidos, anunciado pela SMT e a EPTC há muitos anos, com previsão de obras e investimentos vultosos que melhorariam significativamente a circulação dos coletivos nos corredores da cidade. Acontece que o programa consta há vários anos no orçamento municipal e não avançou um milímetro nesses seis anos do governo Fo-Fo. Vê-se que a Prefeitura tem culpa no cartório: não fez e também nunca explicou as razões de sua inércia. O prefeito e o seu secretário da Fazenda anunciam todos os anos superávits de centenas de milhões e os projetos importantes não são realizados, sequer iniciados. Perguntados sobre atrasos de obras e investimentos respondem vagamente: “é culpa da burocracia”. Fácil, não é mesmo?

Falta, também, explicar os restantes 31% do aumento real da tarifa que decorrem do aumento do custo do km rodado. Duvido que os combustíveis e a mão de obra – que respondem por cerca de dois terços do custo/km tenham tido no período significativos aumentos reais que possam justificar a elevada majoração do custo/km rodado. Caberia à Prefeitura em audiências públicas “abrir os dados do cálculo tarifário” aos interessados para que não pairem dúvidas que originam a justificada suspeita de possíveis manipulações dos preços dos itens da planilha.

Como vimos, a população anda cada vez menos de ônibus, a tarifa sobe estratosfericamente. Os ônibus circulam pela cidade cada vez mais vazios e o pior: em velocidade cada vez menor. A Prefeitura do governo Fo-Fo assiste a tudo isso passivamente, inerte, nada faz. O sistema vai de mal a pior. Já o empresário segue bem. Periodicamente pede e consegue junto ao poder público o reajuste da tarifa que lhe assegura embolsar integralmente seus rendimentos. Recebe uma taxa de lucro tabelada, garantida, embutida no cálculo tarifário. Sob o título “remuneração do capital” ele recebe o elevado retorno de 12% calculado sobre todo o capital empregado na sua empresa, seja fixo (valor dos ônibus, terrenos, instalações, equipamentos, etc) ou variável, o seja, o capital de giro necessário à movimentação do seu o negócio. Garante assim a continuidade de sua vidinha mansa e tranqüila.

e você, acredita na participação popular(?)

Governo Tarso e as diversas alternativas de participação popular






Apesar de nossa imprensa tentar fazer crer que os sistemas de participação popular estão enfraquecidos, o fato é que instrumentos históricos foram ressuscitados, como o Orçamento Participativo, e outros novos foram criados, exemplo do Conselhão. O OP não tem mais o status de secretaria, como acontecia no governo Olívio, e isso se dá porque o gerenciamento de um sistema de participação direta em âmbito estadual é muito mais complicado que o experimentado em Porto Alegre. Em última análise, colocar todas as fichas em um sistema assim, que não tem como ser implementado em sua totalidade, que não tem como adquirir força, pode mais restringir do que fortalecer a participação.

Para discutir as formas de participação, está sendo organizado pela Secretária de Planejamento, Gestão e Participação Cidadã (olha ela ali no nome da secretaria!) do governo Tarso o Seminário de Participação Popular, com a presença do governador, de ministros, secretários, parlamentares e pesquisadores. O objetivo, segundo o governador, é “produzir uma democracia de alta intensidade”, com “possibilidades recorrentes de legitimação das decisões das entidades públicas”.

O simples fato de realizar um evento dessa dimensão, com a presença de pessoas com tanta representatividade política, já demonstra um claro interesse do governo de discutir a participação. E só se discute um tema em que se tem interesse, certo?

O OP é a forma mais direta de participação popular. Nele, discutem diretamente os cidadãos o destino do dinheiro público. Mas tem limitações, infelizmente. Podemos elencar limitações de abrangência, de tempo, de ausência de consenso. Quer dizer, em um estado com mais de 9 milhões de habitantes, torna-se impossível discutir com cada município ou microrregião para onde vai o orçamento em um tempo hábil, devido à dificuldade de reunir toda essa gente e de se chegar a conclusões em reuniões de deliberação.

Ainda assim, há muitos casos em que pode ser aplicado, e por isso foi resgatado. Mas não como única alternativa, o que é extremamente positivo. Seja como for, o OP não só proporcionou resultados diretos muito bons para Porto Alegre – onde começou e deu muito certo – e para o estado, como também ensinou muito para a construção de novas alternativas que agora se propõem.
A própria Zero Hora que estampara a falaciosa manchete “Orçamento Participativo perde força” (em um governo que decide usá-lo como uma das alternativas de participação depois de anos engavetado) aponta diferentes caminhos que o povo pode escolher para se fazer ouvir pelo governo. Não sabemos ainda se funcionarão bem, mas sabemos que há essa intenção. Já comentei o ineditismo de um sistema digital de participação popular, pelo governo 2.0. É a política aprendendo com experiências do passado para adaptar bons projetos diante de novas possibilidades, antes inexistentes. O OP não é mais suficiente também porque as demandas são maiores e mais complexas.

Mas ele continua sendo referência. O que o governo quer é “a recuperação daquele espírito popular e democrático do Orçamento Participativo”, disse Tarso Genro na conferência de abertura. E Makhtar Diop, o diretor do BIRD para o Brasil, completou: “O OP é a pedra angular da governança participativa”

Além dele, o mais notório é o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que tem, esse sim, status de secretaria. Marcelo Danéris comanda a pasta, que reúne 90 representantes de diferentes setores sociais para discutir propostas para o estado.

Não é comparável ao OP, evidentemente. É uma instância mais restrita, a que apenas indivíduos com destaque representativo em sua área têm acesso. Parte-se do pressuposto de que o presidente da CUT-RS represente os trabalhadores. Pode não ser totalmente verdade, mas também não é uma mentira. Nesse caso, é mais negócio ter um sistema restrito de participação, como pode ser avaliado o CDES, do que não ter nenhum. Antes o governador ouvir as sugestões de alguns diversificados conselheiros do que decidir sozinho. Ainda a tal imprensa tenta também incorporar no imaginário popular um suposto conflito entre o Conselhão e o Parlamento. Ora, onde já se viu uma alternativa a mais de debate envolvendo mais gente ser algo ruim?

Mas não para aí. O governo deve trabalhar também com conselhos setoriais de políticas e de direitos, conselhos regionais de desenvolvimento (Coredes), fóruns e consultas populares, além dos já citados OP, Governo 2.0 e Conselhão.

O Seminário da Participação Cidadã reflete, pois, um governo realmente preocupado com o diálogo. Um diálogo difícil, mas possível e, acima de tudo, necessário.

Kadafi, Chávez, pílulas

Hugo Chávez e aquela pílula alucinógena do Kadafi

Viomundo

 


A farinha estatal faz parte da cesta básica vendida por uma fração do preço na rede de mercados do governo

por Luiz Carlos Azenha

Quando a gente acha que já ouviu de tudo na vida, aparece o Muammar Kadafi dizendo que a Al Qaeda e pílulas alucinógenas são as razões para a revolução na Líbia. As pílulas, pelo que entendi, teriam sido distribuídas aos jovens rebeldes (será que ele está falando do ecstasy?).

De acordo com Fidel Castro, haveria por trás da revolta o interesse da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de controlar a Líbia. Será que o comandante também tomou a pílula?

Bem, a teoria de Fidel não é completamente inverossímil, se considerarmos que a Líbia é um importante fornecedor de petróleo para a União Europeia e os Estados Unidos.

Porém, tenho comigo que estava todo mundo feliz com o Kadafi no mundo. O ditador líbio tinha se dedicado em anos recentes a restabelecer suas relações políticas e comercias com o Ocidente. Como integrante da OPEP, jogava pesado em defesa do valor do petróleo (nesse campo, em aliança estratégica com a Venezuela). A Líbia fez investimentos em vários países da África, rompendo o isolamento geográfico do Saara e, com isso, Kadafi fez muitos amigos no continente.

Aparentemente quem não estava contente com ele era uma parcela considerável dos próprios líbios.

Em um texto anterior, a respeito de minha recente viagem à Venezuela (clique aqui para ler), relatei que existem críticas consistentes de esquerda ao governo Chávez.

Pergunta frequente dos que conversam comigo: mas ele ganha as eleições de 2012?

Sou péssimo para fazer prognósticos eleitorais. Se tivesse que apostar, apostaria que sim, que Chávez será reeleito para mais um mandato.

Apesar da inflação, da criminalidade e de problemas de abastecimento.

A economia venezuelana, como escrevi anteriormente, continua basicamente dependente do petróleo. A produção agrícola, por exemplo, representa hoje apenas 5% do PIB, pouco acima do que representava quando Chávez assumiu há 12 anos.

Isso significa que a economia venezuelana flutua de acordo com os preços internacionais do petróleo.
Quando eles desabam, ela vai junto. Quando sobem, a injeção de dinheiro dá um ânimo nas coisas.

Desde a crise no Egito os preços internacionais do petróleo começaram a subir. Mas, com a revolução na Líbia, eles realmente dispararam. E a agitação no Oriente Médio, que está apenas começando, é garantia de que o preço do barril não vai ficar abaixo dos 100 dólares por um bom período. Talvez um, dois anos.

Ou seja, se o preço dos alimentos — que estão em alta no mundo — afeta enormemente a Venezuela, um país que importa quase tudo do Brasil, o preço do petróleo dá uma imensa folga de caixa a Hugo Chávez. Aquela pílula alucinógena do Kadafi acaba, ironicamente, colaborando com a campanha dele.
Para saber como Chávez pendurou FHC no pescoço da oposição, clique aqui.

Dilma - balanço 2

PT rumo ao centro; e oposição na UTI




por Rodrigo Vianna

Dias atrás, escrevi um modesto balanço, centrado nas ações econômicas de Dilma nos primeiros dias de governo. Clique aqui para ler Dilma – balanço 1.

Agora, faço um balanço político.

Os sinais evidentes emitidos por Dilma são de um governo que ruma para o centro. Isso já estava desenhado desde a campanha eleitoral de 2010. Lula havia feito movimento semelhante, ao escolher José Alencar para vice e ao lançar a “Carta aos Brasileiros”, em 2002. Mas o movimento de Lula rumo à centro-esquerda não tinha nitidez institucional. Ele se aproximou de personagens avulsos no mundo empresarial (além de Alencar, Gerdau e Diniz), e não fechou aliança formal com PMDB, mas apenas com pequenos partidos conservadores: PL (depois PR), PTB e PP. Fora isso, Lula manteve-se firme (fora da cartilha liberal) na relação com movimentos sociais e na política internacional – além de ter adotado ações econômicas keynesianas (para irritação dos economistas e colunistas atucanados) no segundo mandato.

O movimento de Dilma é mais claro, mais institucional. Michel Temer na vice. PMDB na aliança formal. Isso tudo já estava desenhado. O início de governo aprofundou esse movimento. Ao adotar, agora, prática econômica apoiada pelos liberais, Dilma capturou a simpatia (real? duradoura?) de setores da mídia que estiveram fechados com Serra durante a campanha. Faz o mesmo em relação à política internacional (menos “terceiro-mundista” do que Lula, como comemora a “Folha” em editorial nessa sexta-feira). E já há sinais de que o governo pode abandonar a proximidade estratégica que mantinha com movimentos como o MST (sinais que vêm de dentro do INCRA, por exemplo – a conferir).

É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro!

Isso sufoca a direita e a oposição. E aí chegamos a outro ponto importante. Não é à toa que Kassab movimenta-se para romper com o demo-tucanismo e aderir ao lulismo. Kassab sente-se sufocado e percebe que pode perder suas bases conservadoras para o lulismo. O melhor, talvez, seja juntar-se a esse impressionante movimento político (o lulo-petismo) que – nascido na esquerda -  capturou a centro-esquerda e agora se expande rumo ao centro.

Vejam o tamanho da hecatombe vivida pela oposição. Katia Abreu, a chefe ruralista, deve seguir os passos de Kassab, rompendo com o condomínio PSDB/DEM. Katia deu entrevista à “Folha”, avisando: “a oposição está na UTI”. Kassab vai levar com ele quase duas dezenas de deputados federais do DEM, 3 ou 4 do PPS e mais alguns tucanos desgarrados. A oposição vai minguar. Essa gente toda deve-se acomodar num “novo” partido, mas o projeto final é terminar no PSB de Eduardo Campos (partido que desde 1989 integra a base lulista).

 Esse movimento de ocupação do centro pelo lulismo é fruto, também, dos erros de Serra durante a campanha de 2010. Muita gente avalia que a votação expressiva (de 44 milhões de votos no segundo turno) signficou uma meia-derrota para o paulista da Mooca. Do ponto de vista numérico e eleitoral, isso é verdade. Mas a derrota política de Serra foi acachapante.

Vejamos. Serra abriu mão de defender o programa liberal e privatizante do PSDB, e escondeu o ex-presidente FHC. Depois, tentou-se mostrar como o “verdadeiro” herdeiro de Lula, ajudando assim a legitimar o lulismo. Na reta final, de forma errática, aderiu a um discurso conservador amalucado, trazendo temas morais como aborto para o centro do debate (pra isso, apoiou-se nas tropas de choque monarquistas, na turma da TFP e da Opus Dei).

Serra fez, portanto, um duplo tuiste carpado rumo ao precipício: primeiro, legitimou o lulismo; depois, afundou-se rumo à direita. Achou que podia ganhar assim. E, de fato, ficou perto de ganhar (dados os erros da campanha pouco politizada de Dilma). Mas, no fim, a “meia derrota” eleitoral significou “derrota e meia” política.

Restou a Serra (e a parte do tucanismo) brigar para liderar a direita no Brasil. Aécio quer o PSDB no centro. E Kassab quer ser, ele mesmo, o novo centro.

Lula e Dilma sabem que é mais fácil enfrentar os tucanos desde que eles se mantenham na direita. Por isso, Dilma ocupa o centro. Certamente, com aval de Lula.

Nassif acaba de escrever um artigo excelente, tratando exatamente desse tema:

Primeiro, não há a menor possibilidade de apostar em um rompimento dela com Lula. Ambos são suficientemente maduros e espertos para não embarcarem nessa falsa competição.

A sensação que passa é de uma estratégia combinada, na qual caberia a Lula manter a influência sobre movimentos populares, sindicalismo e PT; e a Dilma aproximar-se e desarmar os setores empresários e políticos mais refratários ao lulismo-dilmismo.

Do ponto de vista de estratégia política, conseguiram fechar o melhor dos mundos: o antilulismo está sendo carreado pela velha mídia para um pró-dilmismo, resultando um xeque- mate: se o governo Dilma for bem sucedido, ela é reeleita; se for mal sucedido, Lula volta.

Lula e Dilma jogam de tabelinha. Ele mantém apoio forte entre a “esquerda tradicional”, e também entre sindicalistas e movimentos sociais, além do povão deserdado que vê em Lula um novo “pai dos pobres”. Ela joga para a classe média urbana e pragmática que – em parte – preferiu Marina no primeiro turno.

Dilma, com essas ações, deixa muita gente confusa e irritada na esquerda. Mas reconheça-se: é estratégia inteligente.

Qual o risco disso tudo?

O risco é embaralhar a política e apagar as diferenças. Relembremos o que ocorreu no Chile, ao fim do governo Bachelet. Ela tinha claro compromisso com direitos humanos, com a civilidade e com os valores… Mas na política e na gestão da economia no dia-a-dia, o governo da “Concertación” (coalizão de centro-esquerda que governo o Chile desde a queda de Pinochet) assumiu o programa liberal da direita. Embaralhou-se tudo. Bachelet saiu do governo bem avaliada, mas não fez o sucessor (até porque o candidato dela, Frei, tinha imagem envelhecida e desgastada). Se não há mesmo diferença, pra que votar na “Concertación” de novo? Foi o que levou o eleitorado chileno a escolher Pinera – um megaempresário ligado à Opus Dei e a setores pinochetistas.

Pinera é um Berlusconi sem os arroubos sexuais do italiano. Paulo Henrique Amorim costuma dizer que, sem politização, a classe “C” de Lula vai eleger um Berlusconi em 2014. O Chile já fez isso: escolheu Pinera.

A tática de Dilma e Lula, de ocupar amplo espectro (da esquerda ao centro), parece inteligente. Mas ao embaralhar o jogo, permite que a direita faça  0 mesmo e caminhe para o centro. Desfeitas as fronteiras (Kassab no PSB seria o sinal derradeiro desse movimento), abre-se a incerteza no horizonte, rumo a 2014.
O petismo conta com Pelé no banco. Se o quadro ficar confuso, chama-se Lula. Arriscado. Mas esse parece ser o jogo. Gostemos ou não.


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