quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

eis, camaradas(!) a luta de classes

A Europa, Brecht e Marx


A Europa está fervendo. Nesta quarta-feira, a Grécia viveu a oitava greve geral do ano. É isso mesmo. Os trabalhadores gregos já promoveram oito greves gerais em 2010. Também ocorreram protestos na França, Bélgica, Luxemburgo e Espanha contra os cortes de direitos, de salários e de empregos que se multiplicam pelo território europeu.
O ATTAC da Espanha, um dos países mais afetados pela crise econômica e financeira, lançou a proposta de uma greve geral em toda a Europa no dia 18 de dezembro. De difícil realização, a proposta mostra o grau de radicalização que vai tomando conta do movimento sindical e dos movimentos sociais europeus. A Inglaterra assiste protesto de estudantes como há muito tempo não se via. Na Itália, milhares de estudantes saíram às ruas ontem, em várias cidades do país, pedindo a cabeça de Berlusconi. As manifestações de hoje fizeram parte da Jornada de Ação Europeia, convocada pela Confederação Europeia dos Sindicatos (CES).
Como de costume, a conta da crise, ao contrário dos lucros pornográficos que a engendraram, está sendo socializada. Todos devem dar sua quota de sacrifício, repetem economistas e governantes de vários países europeus. Na hora de encarar o prejuízo, o socialismo se torna uma ideia simpática aos banqueiros e seus agentes.

É uma boa hora para voltar a ler Marx a sério. Está sendo lançado hoje à noite, no Rio de Janeiro, o livro “Em torno de Marx”, de Leandro Konder, uma publicação da Boitempo Editorial. Ao refletir sobre as previsões e anúncios de “morte do marxismo”, Konder procurar resgatar alguns pressupostos filosóficos da obra de Marx em busca de uma recuperação da criatividade e do vigor crítico do autor. Ele escreve:

Na confusão criada hoje em dia pelo capitalismo, os indivíduos se libertam de grilhões envelhecidos, mas assumem outros vínculos, novos grilhões, que também os aprisionam. Bertolt Brecht, em sua Mãe coragem e seus filhos, põe em cena uma mulher do povo que descobre que pode fazer da guerra um bom negócio, porém a guerra vai lhe matando os filhos. Não foi por acaso que Brecht disse certa vez que Marx era o espectador ideal de suas peças.

Se Marx é o espectador ideal de Brecht, a Europa segue sendo um doscenários preferenciais da obra do autor de “O Capital”.

Polícia investe contra manifestantes na Grécia, durante greve geral desta quarta-feira (Esquerda.Net)

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