A Europa, Brecht e Marx
A Europa está fervendo. Nesta quarta-feira, a Grécia viveu a oitava greve geral do ano. É isso mesmo. Os trabalhadores gregos já promoveram oito greves gerais em 2010. Também ocorreram protestos na França, Bélgica, Luxemburgo e Espanha contra os cortes de direitos, de salários e de empregos que se multiplicam pelo território europeu.
O ATTAC da Espanha, um dos países mais afetados pela crise econômica e financeira, lançou a proposta de uma greve geral em toda a Europa no dia 18 de dezembro. De difícil realização, a proposta mostra o grau de radicalização que vai tomando conta do movimento sindical e dos movimentos sociais europeus. A Inglaterra assiste protesto de estudantes como há muito tempo não se via. Na Itália, milhares de estudantes saíram às ruas ontem, em várias cidades do país, pedindo a cabeça de Berlusconi. As manifestações de hoje fizeram parte da Jornada de Ação Europeia, convocada pela Confederação Europeia dos Sindicatos (CES).
Como de costume, a conta da crise, ao contrário dos lucros pornográficos que a engendraram, está sendo socializada. Todos devem dar sua quota de sacrifício, repetem economistas e governantes de vários países europeus. Na hora de encarar o prejuízo, o socialismo se torna uma ideia simpática aos banqueiros e seus agentes.
Na confusão criada hoje em dia pelo capitalismo, os indivíduos se libertam de grilhões envelhecidos, mas assumem outros vínculos, novos grilhões, que também os aprisionam. Bertolt Brecht, em sua Mãe coragem e seus filhos, põe em cena uma mulher do povo que descobre que pode fazer da guerra um bom negócio, porém a guerra vai lhe matando os filhos. Não foi por acaso que Brecht disse certa vez que Marx era o espectador ideal de suas peças.
Se Marx é o espectador ideal de Brecht, a Europa segue sendo um doscenários preferenciais da obra do autor de “O Capital”.
Polícia investe contra manifestantes na Grécia, durante greve geral desta quarta-feira (Esquerda.Net)
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